quarta-feira, 15 de julho de 2020

Ex-secretário de Saúde Edmar Santos acerta delação e promete provas contra Witzel, por Arthur Guimarães, Bette Lucchese, Leslie Leitão e Márcia Brasil

Em acordo com a PGR, ainda não homologado, Santos disse que entregará evidências da participação do governador em fraudes na Saúde, como mostrou o RJ2 nesta terça (14). 
Nas redes sociais, Witzel disse que 'jamais se desviou do caminho da lei'.
Edmar Santos diz ter provas que envolvem o governador Witzel

O ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro Edmar Santos acertou uma delação que envolve o governador Wilson Witzel em casos de corrupção na Saúde.
O acordo foi feito com a Procuradoria-Geral da República (PGR) mas ainda não foi homologado, como mostrou reportagem do RJ2 nesta terça-feira (14).
Santos prometeu entregar um conjunto de provas que revelariam a participação do governador Wilson Witzel no esquema que mandou para a cadeia a cúpula da Saúde no estado, incluindo o ex-secretário.
Pelas redes sociais, o governador disse que o compromisso dele com a população do Rio de Janeiro é de governar com ética e transparência e que jamais se desviou do caminho da lei e que ninguém pode ser acusado sem provas (veja a íntegra da nota no fim da reportagem).

Prisão x dinheiro
Edmar Santos foi preso na sexta-feira (10). Fontes do Ministério Público do RJ afirmaram que operação foi antecipada porque o MP foi informado que Santos iria esconder R$ 8,5 milhões em espécie – o dinheiro foi apreendido, mas o MP só falou sobre o caso depois que as imagens vazaram nas redes sociais, sem revelar a quem o dinheiro realmente pertencia.
Milhões de reais apreendidos em espécie na operação que prendeu Edmar Santos — Foto: Reprodução

De acordo com Ministério Público, o aviso da existência do dinheiro foi dado por uma outra pessoa ligada ao esquema. Fontes do MP ouvidas pela reportagem do RJ2 revelaram que essa mesma pessoa estaria negociando um acordo de delação com o órgão.
Wilson Witzel 

Disputa pela investigação
Os Ministérios Públicos Federal (MPF) e do Rio (MPRJ) disputam a investigação que envolve desvio de recursos da Saúde no Rio durante a pandemia do novo coronavírus.

São duas investigações em curso:
  1. pelo MPRJ, a "Mercadores do Caos", no início de maio, prendeu o subsecretário estadual de Saúde, Gabriell Neves, suspeito de corrupção;
  2. pelo MPF, a "Placebo", no fim de maio, realizou busca e apreensão em endereços ligados a Edmar Santos, a Witzel e à primeira-dama, Helena Witzel.
Como Santos foi preso por determinação da Justiça estadual, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a soltura dele.

Entenda
A PGR alega que Edmar Santos é investigado pelos mesmos fatos do inquérito da operação Placebo, que tramita no STJ
A Procuradoria também pediu o deslocamento da investigação da operação Mercadores do Caos para o Superior Tribunal de Justiça
O presidente do STJ, ministro João Otávio de Noronha, determinou que a Justiça do Rio compartilhe dados e mantenha sigilo de toda investigação que prendeu o ex-secretário
Por ser policial militar, Santos está preso na Unidade Prisional da Polícia Militar de Niterói, na Região Metropolitana
A Justiça também bloqueou R$ 617 mil das contas do ex-secretário
A Procuradoria-Geral da República e o MPRJ disseram que estão em tratativas para o compartilhamento de prova.
O que dizem os citados
Governador nas redes sociais:
"Com relação às informações divulgadas pela imprensa sobre um possível acordo de delação do ex-secretário Edmar Santos com a PGR, reafirmo, com serenidade e firmeza, o meu compromisso com a população do RJ de governar com ética e transparência. Minha trajetória de vida fala por mim. Jamais me desviei do caminho da lei e, desde janeiro de 2019, do objetivo de reerguer o nosso Estado. Nem eu e nem ninguém pode ser acusado de qualquer irregularidade sem prova."
Defesa Edmar Santos:
A defesa do ex-secretário de Saúde informou que o dinheiro divulgado como sendo de Edmar Santos não foi encontrado em nenhum dos endereços ligados ao ex-secretário.
Sobre a delação divulgada nesta terça-feira, a defesa preferiu não se pronunciar.

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