segunda-feira, 13 de julho de 2020

Bolsonaro precisa do tumulto, por Elio Gaspari

Problema não está apenas no despreparo, mas na inércia produzida pela inépcia

Nota do Blog (acima)

Se o capitão Bolsonaro evitasse confrontos irracionais, seu governo mostraria a confusão em que está. 
Dois episódios ilustram essa anarquia. No dia 21 de maio, quando já se estava no patamar de mil mortos por dia pela Covid e a pandemia já havia matado 20 mil pessoas, a juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba, mandou um ofício à Casa Civil, oferecendo R$ 508 milhões dos cofres da Lava Jato para remediar a situação. 
Pedia apenas que lhe dissessem para onde o dinheiro deveria ir. Nada. 
Hardt reiterou a oferta a 17 de junho e a Casa Civil respondeu apenas que havia recebido os dois ofícios. 
No dia seguinte o Ministério da Saúde informou que estava estudando o caso. 
Nessa altura batera-se a marca do milhão de infectados e 48 mil mortos. 
Na semana passada o dinheiro continuava esperando um destino. Os mortos chegam a 70 mil. (Em meados de abril o Itaú Unibanco anunciou que doaria R$ 1 bilhãopara o combate à pandemia. Partindo do zero, criou um conselho, buscou iniciativas e já entregou mais de R$ 156 milhões. Foram 16 milhões de máscaras, 5 milhões de testes rápidos. 190 respiradores, cestas básicas para 7.000 famílias, mais doações à Fiocruz e a hospitais de campanha em São Paulo.) 
Durante todo esse tempo esteve natimorto na Casa Civil o tal “Plano Marshall” do ministro-general Braga Netto, reciclado com o nome de Pró-Brasil e detonado pelo doutor Paulo Guedes na fatídica reunião de 22 de abril com poucas palavras: “Não chamem de Plano Marshall, porque revela um despreparo enorme”
O problema não está apenas no despreparo, mas na inércia produzida pela inépcia. 
GABINETE DO ÓDIO 
A poda que o Facebook impôs à rede do gabinete do ódio levará a investigação da usina de mentiras para a antessala do capitão. 
Seu assessor Tércio Arnaud Tomaz é quase uma sombra dos Bolsonaros. Ele operava as redes “Bolsonaro Opressor”. 
Um exemplo saído de seu conteúdo: “Para quem pede Dallagnol na PGR... O cara é esquerdista, estilo PSOL”
Aos 32 anos, Arnaud fez uma carreira meteórica. Saiu de Campina Grande (PB) para a campanha dos Bolsonaros e dela para o Planalto. Há meses ele caiu no radar do ministro Alexandre de Moraes. 
O Facebook derrubou 88 contas, e a documentação que levou a empresa a tomar essa decisão está disponível para os investigadores. 

GABEIRA E AS ALAS--Fernando Gabeira disse tudo quando mostrou seu espanto diante da frequência com que se fala em “ala ideológica”, “ala militar” e “ala pragmática” no Palácio do Planalto: “Parece escola de samba.”

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