terça-feira, 30 de junho de 2020

A agenda anti-Moro, por Catarina Rochamonte

O que mais pesa para a onda de ataques ao ex-ministro nesse momento é o seu capital político 

Arte de MARIANO
Comumente a paixão política faz surgir narrativas que distorcem a realidade e em meio às quais os apaixonados se movem com ressentimento e má-fé. 
Alguns desses se reuniram em um grupo chamado Prerrogativas, dedicado especialmente à ocupação mesquinha de levar adiante uma “agenda anti-Moro.” 
Articulados no tal grupo, advogados que atuaram ou atuam na defesa de alvos da Lava Jato querem impedir o ex-ministro de refazer seu registro na OAB e exercer a advocacia. 
Faz parte também da agenda do grupo “divulgar que avanços autoritários e antidemocráticos surgidos no bolsonarismo são um legado da Lava Jato e têm a paternidade de Moro”. 
Uma integrante do Prerrogativas diz que se trata de cobrar “olhar lúcido” sobre a atuação de Sergio Moro. 
Resolvemos contribuir também com nosso olhar lembrando que: Moro não condenou apenas políticos do PT, mas de vários partidos —da esquerda, do centro e da direita—; suas sentenças foram, com eventuais abrandamentos ou agravamentos, corroboradas pelas instâncias superiores; seus julgamentos não derivaram do seu capricho, mas de investigações da Polícia Federal e denúncias do Ministério Público; o legado da Lava Jato foi o combate à corrupção e a esperança de renovação política com a moralização da vida pública. 
O que mais pesa para a onda de ataques a Moro neste momento é o seu capital político e a possibilidade de, em 2022, rivalizar com os extremos à esquerda e à direita. 
Sendo assim, parte da direita desconsidera solenemente que tudo o que Moro afirmou em coletiva e em depoimento vem se confirmando, e bolsonaristas seguem firme acusando-o de traidor, como se a lealdade a um líder fosse mais importante que a fidelidade a princípios. 
De todo modo, é lamentável que, no momento em que o país passa pela pior crise sanitária da sua história, agendas baseadas em cálculos eleitorais e ressentimentos políticos tirem o foco da agenda de combate à pandemia.

CHUMBO GROSSO NO MINISTÉRIO PÚBLICO, por MALU GASPAR

Bloqueio de bens na Suíça, delação premiada contra Moro e interferência na PF acirram guerra entre a Lava Jato e a Procuradoria-Geral da República 
MONTAGEM DE PAULA CARDOSO SOBRE FOTOS DE PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS E GIL FERREIRA/AGÊNCIA CNJ 
O pedido de demissão de três procuradores do grupo de trabalho da Lava Jato de Brasília, em protesto contra a tentativa da subprocuradora Lindora Araújo de obter dados sigilosos das investigações da Lava Jato em Curitiba, foi apenas a gota d’água que fez transbordar o saldo de conflitos acumulados pelos membros do Ministério Público Federal com a cúpula da instituição, comandada por Augusto Aras.
Entre os episódios que fomentaram a crise estão uma tentativa de desbloquear o dinheiro do empresário de ônibus Jacob Barata na Suíça, a divergência em torno da delação do advogado e doleiro Rodrigo Tacla Duran, que acusa de corrupção um sócio da mulher de Sergio Moro, e a posição do Ministério Público quanto ao inquérito que apura a interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.
Em todos esses casos, a postura da chefia se chocou com a dos procuradores. Nos bastidores, os membros da operação falam em captura do Ministério Público por interesses privados e dizem se preocupar com a destruição da imagem da instituição.
Nos últimos dias, conversei com vários membros do MP, que relataram as histórias abaixo sob a condição de anonimato. As informações foram cruzadas com diferentes pessoas relacionadas a cada situação. 
O primeiro ruído entre a PGR e a Lava Jato se deu em abril, quando Araújo procurou a força-tarefa do Rio de Janeiro para sugerir o desbloqueio de uma conta da família do empresário Jacob Barata Filho no banco Safra, na Suíça, com saldo de 33,8 milhões de euros. Conhecido como o “Rei dos Ônibus”, Barata Filho foi preso duas vezes pela Lava Jato em 2017, e duas vezes foi libertado por habeas corpus concedidos pelo ministro do STF Gilmar Mendes. 
No ano passado, o empresário foi condenado a doze anos de prisão por corrupção ativa, no processo que apurou a distribuição de subornos a membros da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) por empresas de transporte público (a chamada “Caixinha da Fetranspor”). 
Barata Filho teve a pena aliviada depois de confessar ter pago propina a dois ex-presidentes da Alerj, Jorge Picciani e Paulo Mello, e um promotor de Justiça. Também devolveu aos cofres públicos 81 milhões de reais. 
A Lava Jato calcula que as empresas de ônibus fluminenses, incluindo o grupo de Barata, tenham desembolsado mais de 520 milhões de reais em propinas para autoridades fluminenses na gestão do ex-governador Sérgio Cabral. 
A conta descoberta e bloqueada por iniciativa das autoridades suíças em 2017 está em nome de Guanabara Gestora de Participações SA. 
 O processo corre em sigilo de Justiça. 
Segundo os suíços, além das notícias de envolvimento da família com denúncias de corrupção, não estava justificada a origem do dinheiro. Os documentos foram enviados ao Brasil por meio da Secretaria de cooperação Internacional da própria Procuradoria-Geral da República. 
Quando os papéis chegaram, os procuradores descobriram que os cinco filhos do patriarca Jacob Barata, antes donos da empresa, haviam passado suas cotas para o pai em 2014. Barata pai, hoje com 88 anos, não era réu em nenhuma ação. Ainda assim, os procuradores brasileiros pediram aos suíços para manter o bloqueio, por considerar a operação atípica (normalmente são os pais em idade avançada que passam bens para os filhos, como herança). 
Quando a subprocuradora entrou no caso, os advogados de Barata já haviam pedido o desbloqueio à Justiça suíça, mas ainda esperam pela decisão. Como o MP brasileiro sempre opinou pela manutenção do bloqueio, a defesa do empresário julgava fundamental conseguir que o MP admitisse a liberação. Em abril, Lindora Araújo telefonou para os colegas do Rio e disse que o bloqueio não se sustentava, uma vez que Jacob Barata pai não é réu em nenhum processo. Disse ainda que pretendia fazer um acordo com a família: pediria à Suíça o desbloqueio e, em troca, aplicaria 10% dos recursos, ou 3 milhões de euros, no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Os procuradores recusaram. Segundo eles, acordos no âmbito penal só poderiam ser feitos mediante a confissão de crimes ou a delação premiada – caso em que Barata pai não só teria de confessar, como trazer novas informações. Ponderaram, também, que seria complicado o MP escolher para onde deveria ir o dinheiro, uma vez que não são eles os gestores públicos responsáveis pela sua aplicação. Além disso, não haveria elementos suficientes para avaliar o custo e a necessidades de um hospital desse tipo. Araújo não se conformou. Segundo testemunhas do episódio, nas conversas com os procuradores, Araújo disse que conhecia a família Barata, que o clã estava sofrendo muito e que o patriarca nada tinha a ver com os crimes dos filhos. 
Para tentar dirimir o impasse, Araújo convocou uma videoconferência da qual participaram o advogado de Barata Filho, Rodrigo Mundrovitsch, acompanhado de auxiliares, e um grupo de procuradores da República de Brasília e do Rio. 
Na reunião, realizada no último dia 28 de abril, Araújo repetiu o argumento de que a conta tinha de ser liberada por ser do pai, que não é réu em nenhum processo. Os procuradores, mais uma vez, rebateram. Disseram que os próprios executivos da Federação dos Transportes do Rio de Janeiro haviam confessado que o esquema vinha desde os anos 1990, quando Jacob Barata pai ainda comandava o grupo empresarial, e por isso ele ainda estava sujeito à investigação, com novos bloqueios de bens. 
Havia, segundo eles, indícios suficientes de que a riqueza da família tinha sido amealhada à custa de corrupção. 
Para surpresa dos colegas, a subprocuradora interrompeu dizendo que essa não era a sua visão. 
Em sua opinião, o patriarca da família era um senhor de idade, contra o qual não havia acusação formal, e que portanto o bloqueio não se sustentava. A reunião terminou sem nenhuma conclusão. 
Entre os procuradores, a ação de Lindora Araújo foi interpretada como tentativa de interferir no processo, uma vez que não existe hierarquia funcional no Ministério Público e cada procurador tem autonomia para cuidar de suas próprias investigações. 
Foi feita ainda uma última tentativa de chegar a um acordo. Os procuradores disseram que aceitariam trocar o dinheiro por bens entregues em garantia, mas os advogados da família Barata não chegaram a responder à proposta. As contas na Suíça continuam bloqueadas. 
Em Brasília, Araújo passou a dizer aos interlocutores mais próximos que a equipe do Rio extorque delatores e impõe sofrimento exagerado aos Barata. 
A PGR não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem a respeito do caso. 
O advogado do empresário, Rodrigo Mundrovitsch, disse apenas que lamentava o vazamento das informações para a imprensa, e afirmou que não comentaria o episódio. 

Novo ruído se deu entre a chefia do MP e o GT da Lava Jato em Brasília, com a retomada das conversas para a delação de Rodrigo Tacla Duran – misto de advogado e doleiro denunciado em Curitiba por lavagem de dinheiro para as empreiteiras Odebrecht, Mendes Júnior e UTC. 
Embora seja réu em quatro processos no Brasil, Tacla Duran não foi condenado e hoje mora na Espanha, país do qual é cidadão. Ele emigrou em novembro de 2016, depois que o juiz Sergio Moro expediu uma ordem de prisão contra ele no Brasil. 
Desde então, acusa o advogado paranaense Carlos Zucolotto Junior, sócio de Rosangela Moro, de oferecer benefícios num acordo de delação que ele negociava com a força-tarefa de Curitiba em troca de 5 milhões de dólares. Também afirmava que Moro apresentou denúncias falsas contra contra ele perante o comitê da Interpol, para conseguir que ele entrasse na lista de procurados pela entidade. Tacla Duran apresentou suas denúncias à CPMI da JBS no final de 2017, quando foram enviadas à PGR, então sob o comando de Raquel Dodge. Em 2018, elas foram arquivadas pelo vice-procurador da República Luciano Mariz, para quem o operador não forneceu provas do que dizia. 
Com a saída de Moro, as denúncias voltaram a ser consideradas. No início de maio, Tacla Duran e a PGR assinaram um termo de confidencialidade oficializando a negociação para delação. 
Embora Moro já não tivesse mais foro privilegiado e as acusações contra ele devessem ser encaminhadas à primeira instância, em Curitiba, a delação era negociada no âmbito da PGR, porque o operador incluíra, em sua proposta, crimes de outras autoridades com foro privilegiado, entre as quais um desembargador com assento na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Os anexos de Tacla Duran, porém, foram novamente considerados fracos, dessa vez pelos procuradores do grupo da Lava Jato. 
Em despachos internos, avaliaram que Tacla Duran não revelou fatos novos, e que as provas apresentadas ou já haviam sido trazidas por outros réus ou eram documentos apreendidos em outras fases da operação. Recomendaram à PGR rejeitar a proposta de Tacla Duran. Depois disso, a subprocuradora retirou o assunto das atribuições do grupo de trabalho e encarregou o assessor especial de Augusto Aras, procurador João Paulo Lordelo, de cuidar do caso. Questionada pela reportagem, a PGR informou apenas que não comenta tratativas de delação em curso. 
O entrevero não foi o primeiro a conflagrar o MP em torno de apurações envolvendo Sergio Moro. Enquanto tentava fazer avançar a delação de Tacla Duran, a Procuradoria-Geral da República continha, nos bastidores, a apuração sobre as denúncias feitas pelo ex-ministro ao sair do governo. 
Desde que a investigação começou, Aras rejeitou vários pedidos de diligências apresentados pelos subordinados – como, por exemplo, um requerimento para que a Justiça do Rio compartilhasse com a PGR os autos da operação Furna da Onça, que investigou o braço do esquema de corrupção de Sérgio Cabral na Assembleia do Rio. 
Foi nessa investigação que surgiu o relatório de inteligência financeira do Coaf apontando desvios praticados por Fabrício Queiroz, assessor de Flavio Bolsonaro na Alerj. 
Segundo o empresário Paulo Marinho, suplente de Flavio no Senado, policiais federais teriam vazado informações sobre o inquérito para o senador antes de se tornarem públicas. O vazamento teria sido a causa da demissão de Queiroz, entre o primeiro e o segundo turnos. Os procuradores queriam checar o conteúdo e os movimentos da ação, mas Aras não deixou. 
Na semana passada, os demissionários contaram a vários colegas ter ouvido do próprio procurador-geral que o inquérito seria arquivado antes mesmo de as investigações avançarem. Na visita que fez à força-tarefa em Curitiba, na semana passada, Lindora Araújo disse que pretendia verificar os inquéritos pendentes de conclusão e pediu acesso a todos os bancos de dados em poder da Lava Jato. 
Disse que havia convidado para a visita a corregedora do MP, Elizeta Ramos, mas que ela não havia podido viajar por questões pessoais. Solicitou, ainda, que todos os técnicos capazes de acessar as bases de dados estivessem à disposição no dia seguinte – o que seria complicado, dado que vários deles estão afastados por serem de grupos de risco do coronavírus. A chefe do MP, Paula Thá, solicitou então uma lista dos bancos de dados a serem acessados, para que ela pudesse pedir aos funcionários em home office para comparecer ao MP. Lindora Araújo, porém, não apresentou a lista de quais arquivos pretendia acessar e nem nenhum pedido formal de compartilhamento de dados. Consultada pelos procuradores de Curitiba, a corregedora negou ter pedido ou concordado com qualquer verificação, até porque já realizara uma inspeção extraordinária nos escritórios da Lava Jato em fevereiro. 
No dia seguinte, ao chegar para nova reunião, Araújo foi informada pelos colegas do que a corregedora dissera, indignou-se com o que chamou de falta de respeito e confiança dos colegas em consultar Elizeta Ramos sem a prévia comunicação e foi embora sem dizer exatamente o que tinha ido buscar no Paraná. 
Os procuradores, porém, relataram todo o caso num ofício à corregedora na última sexta-feira, que determinou nesta segunda-feira abertura de uma sindicância para apurar o caso. 
Foi essa visita que levou à demissão três membros do grupo de trabalho da Lava Jato na PGR, na sexta-feira passada. Após a saída, a PGR divulgou nota negando que Araújo tivesse tentado acessar os dados sem um pedido formal. Afirmou que o pedido de compartilhamento havia sido feito em 13 de maio, num ofício enviado também às forças-tarefa do Rio e de São Paulo. No relato feito à corregedoria, contudo, os procuradores informam que já vêm discutindo como atender a esse pedido e fizeram até uma reunião para discutir os detalhes da transferência de dados por videoconferência com o secretário de perícia, pesquisa e análise da PGR, Pablo Coutinho Barreto, na segunda-feira, 22 de junho. Constatou-se, nessa reunião, que só os dados do escritório panamenho Mossack Fonseca demandam capacidade de rede e de armazenamento de no mínimo 40 terabytes – o que dificulta a logística da transferência. 
À piauí, membros da força-tarefa afirmam que o pedido de 13 de maio não foi mencionado por Araújo nas reuniões em Curitiba. Apesar de a saída dos procuradores do GT em Brasília ter deixado a Lava Jato sem nenhum membro na PGR, a procuradoria divulgou nota dizendo que outros colegas assumirão os inquéritos e que as investigações não sofrerão prejuízo. Embora o tom da nota pública seja amistoso – “os profissionais continuarão prestando valorosos serviços às comunidades para onde retornarão”–, nos bastidores representantes da PGR vêm procurando jornalistas e outros formadores de opinião no meio jurídico para dizer que os membros da Lava Jato estavam sendo investigados por suspeitas de desvios, sem especificar quais seriam. 
Na sexta-feira (26), o site Consultor Jurídico afirmou que a PGR tem informação de que haveria mais de mil inquéritos parados em Curitiba. A força-tarefa teria ainda adquirido três equipamentos de localização e armazenamento de chamadas conhecidos como Guardiões, dos quais dois teriam sumido. A Lava Jato em Curitiba publicou nota negando enfaticamente todas as informações. 
Embora seja impossível prever o resultado final dessa guerra, parece evidente que ninguém sairá dela ileso.

Arte de Antonio LUCENA


Irã emite ordem de prisão contra Trump pelo assassinato do general Soleimani, by REUTERS

Militar foi morto por um ataque norte-americano com drones em janeiro deste ano
O presidente dos EUA, Donald Trump, em 25 de junho no Wisconsin.CARLOS BARRIA / REUTERS

O Irã emitiu nesta segunda-feira uma ordem de prisão contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outras 35 pessoas pelo assassinato do general Qasem Soleimani. 
Além disso, o procurador Ali Alqasimehr, de Teerã, pediu à Interpol que emita um alerta vermelho, segundo informa a agência de notícias Fars. 
Soleimani, um dos homens fortes do aiatolá Ali Khamenei, foi assassinado em janeiro deste ano num ataque norte-americano com drones no aeroporto de Bagdá, a capital do Iraque. 
A ação foi executada pelo Exército norte-americano sob ordens do presidente Trump, conforme confirmou o Pentágono na ocasião.

Alqasimehr disse que as ordens de prisão são relativas a crimes de homicídio e ação terrorista. Entre os acusados, o Irã inclui outros militares e civis norte-americanos que participaram do ataque. O procurador afirmou que o país continua com as investigações.

O assassinato de Soleimani deixou os Estados Unidos e o Irã à beira de um conflito armado. Khamenei prometeu uma “dura” vingança contra “os criminosos que mancharam suas mãos com o sangue do general”, acrescentando que o desaparecimento do grande artífice da estratégia regional iraniana “não deterá sua missão”. Dias depois do ataque, o país impôs represálias, disparando mísseis contra duas bases aéreas norte-americanas no Iraque.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Arte de DUKE


Arte de J.BOSCO


domingo, 28 de junho de 2020

Arte de CLAYTON


Caso Queiroz: Bolsonaro vira boi de piranha da direita, por * Vinícius Rodrigues Vieira

Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão: Caso Queiroz pode evidenciar o limite do apoio estratégico dos militares ao capitão (Crédito:Valter Campanato/Agência Brasil).

Na tentativa de sobreviver até 2022 no Planalto, o presidente Jair Bolsonaro modera sua retórica. Isso porque seu impeachment necessariamente não interessa à direita, que, mantendo o capitão na presidência, pavimenta o caminho para continuar no poder durante boa parte desta década sob o comando do candidatíssimo juiz Sergio Moro. 
Ou, no caso de eventual impedimento do presidente em virtude do que Fabrício Queiroz venha a revelar em breve, o general Hamilton Mourão comandaria o processo que, tudo indica, pretende revisar o contrato social imposto pela Constituição de 1988.
A era das bravatas parece ter acabado, mas o domínio da direita na política nacional está apenas no começo e nada que a esquerda e autodeclarados centro-esquerdistas façam vai reverter este quadro. Esse é o resumo da pantomima trágica que o país encena em meio à
pandemia, cujo ato hoje representado no palco Brasil poderia se chamar "Jair, o boi de piranha".
Explico-me: o presidente Jair Bolsonaro atualmente desfruta da condição de sobrevivente no cargo máximo da República depois de um bombardeio iniciado pela saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e coroado pela prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho zero 1, o
senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro.
Muitos esperavam (inclusive eu) que a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça seria a gota d'água para que os militares abandonassem o (des)governo que potencializou a pandemia do coronavírus em Terra Brasilis. 
Enganamo-nos miseravelmente. Porém, à luz dos movimentos da caserna e boinas-verdes da reserva no governo, seria igualmente errôneo dizer que as Forças Armadas estão fechadas com Bolsonaro até o fim.
Conforme amplamente relatado na imprensa, ninguém entre os fardados parece estar disposto a apoiar um presidente que sacrifica tudo para proteger os filhos.
Sem as Forças Armadas, restaria a Bolsonaro – numa lógica kamikaze – colocar ainda mais fogo no país, convocando milicianos – como já salientado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes – e também policiais militares para defender seu governo.

Porém, Jair não vai fazer isso. Ele acredita ter uma missão divina na presidênciae, para não ser 
devorado agora, moderou o tom e ajoelhou-se no altar dos militares. Para tanto, deu – ainda que temporariamente – as costas à seita olavista do fim dos dias – ou, melhor dizendo, da  destruição do Brasil. 
Nomeou um oficial da reserva da Marinha e de perfil técnico (embora, obviamente, de direita) para o Ministério da Educação.
Enquanto isso, Moro – em sua nova função de colunista da revista Crusoé, claramente alinhada ao lavajatismo -prepara o terreno para 2022. Sinalizou a oficiais da ativa e reserva que conta com sua honra no futuro. 
Candidatíssimo, o ex-juiz deve nadar de braçada em 2022 frente a um Bolsonaro lastreado apenas por eleitores pobres gratos pela muito provável institucionalização do auxílio emergencial que, unido ao Bolsa Família, deve ganhar o rótulo de "Renda Brasil".

E a oposição? Ora, esta segue fragmentada e surrada pelo histórico de corrupção e, portanto,
sem musculatura para 2022, não obstante o lançamento de diversas frentes de defesa da democracia, as quais, interessantemente, não dialogam com dois segmentos que emergiram das contradições da Nova República: o agronegócio e os evangélicos. Não à toa, ambos foram cruciais para a vitória de Bolsonaro em 2018, tal como devem, obrigatoriamente, fazer parte da base de apoio de qualquer eventual inquilino do Planalto num futuro próximo.

Política é como nuvem, diria o lugar-comum: sempre muda, ora clara, ora escura. Mas, pelo 
carregar do andor, cedo ou tarde, Bolsonaro será devorado pelas piranhas – ou seja, os esqueletos vivos no armário de deputado do baixo-clero e ligações perigosas em terras fluminenses – e terá cumprido o papel nada divino ao qual foi ungido pela aliança entre lavajatistas, militares e pretensos liberais: fazer a transição da Nova República, cujos governos
claramente flertaram com uma social-democracia tropical e incompleta, para algo como uma "Velha República Nova", em que o contrato social de 1988 provavelmente será revisado sob 
uma perspectiva liberal-conservadora, em que direitos econômicos e sociais são, na prática, ignorados.

Tal roteiro estará em marcha a partir de 2022. Isso porque Bolsonaro continua a assegurar índices de aprovação estáveis em 32%, segundo o Datafolha, sugerindo que um impeachment segue fora do radar. Eventual cassação da chapa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também fica distante dos sonhos dos opositores considerando a moderação do presidente nos últimos dias, para não citar que, nessa hipótese, Mourão também estaria fora, prejudicando, assim, a continuidade das claras tendências à direita que antecedem 2018, como ficou claro em 2014 com a eleição de um Congresso Nacional assaz conservador.

Mas, se Queiroz e seu ex-protetor, o advogado da família Bolsonaro Frederick Wassef, abrirem a boca e escancarem as ligações entre o clã Bolsonaro e o universo miliciano do Rio de Janeiro, o cenário pode mudar. Nesse caso, o presidente vira boi de piranha antes de 2022, Mourão assume o gabinete presidencial. Assim, da barbárie de 50 mil mortos levados pela "gripezinha" bolsonarista, talvez passemos a um despotismo esclarecido – ou seja, um governo menos irracional, mas com persistentes traços autoritários.
Afinal, Mourão, não custa nada lembrar, já defendeu o papel moderador das Forças Armadas com base na interpretação canhestra do artigo 142 da Constituição e era referência de grupos que defendiam, já em 2017, uma "intervenção militar constitucional".

Nesse cenário, Mourão e/ou Moro disputarão a preferência do eleitorado de direita em 2022.
O impeachment seria uma derrota para os lavajatistas, já que o ex-juiz seria desidratado politicamente. Isso porque, caso assuma a presidência, Mourão vai lançar mão de sua nada 
negligenciável capacidade de articulador de tendências hoje irreconciliáveis sob a geleia-geral
bolsonarista, como o alinhamento à China comunista e a busca por maior crescimento econômico via reformas ditas liberais.

Com pitadas de pragmatismo em economia e na política externa e autoritarismo doméstico, com oposição a protestos, o atual vice, uma vez tornado titular, representaria a volta ao normal da História do Brasil: a ordem e progresso que busca crescimento econômico enquanto ignora o andar de baixo.

A própria tolerância dos militares à calamidade da Covid sugere isso. Afinal, hoje quem mais morre de Covid-19 são os mais pobres, feitos da mesma carne barata sobre a qual o país foi construído.

Moro não é Mouro, mas Mourão é seu superlativo de quepe, capaz de se impor perante 
tribunais políticos ou não, para desespero de esquerdistas, lavajatistas, bolsonaristas-raiz e seus primos olavistas.
* Vinícius Rodrigues Vieira é doutor em Relações Internacionais por Oxford e professor na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e na pós-graduação da FGV

Ditadura formou geração de militares que hoje povoam governo Bolsonaro, por Igor Gielow

Uma das bases de sustentação do atual governo, fardados trazem do regime autoritário a mentalidade de que as Forças Armadas são importantes para a união nacional 

  
A ascensão do capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro ao poder fez brilhar os olhos de uma geração de oficiais-generais brasileiros. 
Após 33 anos fora do núcleo decisório do país, os fardados enxergaram uma oportunidade de redenção.
Em aproximação mediada por generais da reserva que haviam encampado a candidatura, houve, depois do primeiro turno, a bênção do Alto-Comando do Exército, principal órgão da estrutura militar brasileira, a Bolsonaro.
O resultado, passado um ano e meio de governo de fato, é a maior crise existencial recente das Forças Armadas.
“Há uma confusão institucional. Chama a atenção o grande número de militares no governo”, diz o primeiro general da reserva que deixou o primeiro escalão, Carlos Alberto dos Santos Cruz (ex-Secretaria de Governo).
Arte de Jorge Braga

Em uma “live” do Instituto Brasiliense de Direito Público no sábado (20), ele classificou de desequilibrado o papel dos militares na política. “Há excesso. Isso começa a deteriorar o comportamento.” Hoje, 10 dos 23 ministros do governo vieram da caserna, incluindo aí o interino da Saúde, general Eduardo Pazuello.
A exemplo do sucessor de Santos Cruz, Luiz Eduardo Ramos, Pazuello é da ativa. “Para ir ao governo, todo mundo tem de passar para a reserva”, afirma o ex-ministro. Ramos prometeu adiantar sua saída do serviço ativo.
Mais próximo militar, historicamente, de Bolsonaro, ele personifica um conflito que remonta ao regime de 1964. A ditadura foi a última de uma série de intervenções militares desde a proclamação da República, em 1889, um clássico golpe fardado.
A República Velha terminou em 1930 com outro golpe. Os anos de 1945, com o fim do Estado Novo, e 1954, marcado pelo suicídio de Getúlio Vargas, também veriam ações decisivas de alteração do poder civil pelas mãos militares.
Em 1975, o cientista político americano Alfred Stepan (1936-2017), analisou a correlação das Forças Armadas com o poder civil no Brasil.
Ele traça a formação do caráter de tutela que os militares se arrogaram ao longo da história. Mas estabelece limites, lembrando que duas tentativas de golpe (1955 e 1961) que não tiveram apoio legitimador de parte expressiva da elite civil fracassaram.
Essa leitura salvacionista, de união nacional, é visível nas duas notas assinadas pelo ministro da Defesa de Bolsonaro, o general da reserva Fernando Azevedo, acerca do golpe de 1964. Ali está o resumo do que sua geração acredita: o movimento militar teria sido necessário para deter o alinhamento do governo de João Goulart (1919-1976) com o então comunismo internacional e teve amplo respaldo interno. Sendo parte de um processo histórico, o golpe não deveria envergonhar os militares — torturas e assassinatos, além das progressivas perdas de liberdades civis, são esquecidas na avaliação. Bolsonaro sempre promoveu a ditadura, enquanto um obscuro deputado, principalmente seu caráter repressivo.
No poder, envernizou um pouco o discurso, mas seu instinto provocador de crise entre Poderes constante manteve a tensão alta entre os fardados a seu lado. Não são poucos: além dos ministros e altos funcionários, há hoje 2.900 militares da ativa emprestados para funções civis na Esplanada.
A dita ala militar do governo, sempre fraturada, buscou apresentar-se moderada e também moderadora. Isso teve altos e baixos, dado o embate dela com a ala ideológica representada pelos filhos presidenciais e seus aliados no governo, mas de forma geral repetiu o formato de pretensa tutela do poder civil pelos militares. Não deu muito certo na prática, dado o caráter incontrolável de Bolsonaro, mas a crescente ocupação de cargos vitais no Planalto e na Saúde durante a pandemia da Covid-19 mostra um efeito prático da intenção.
Antes da posse de Bolsonaro, o então comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, disse em uma entrevista à Folha que a vitória do capitão não era a volta dos militares ao poder, embora temesse uma politização dos quartéis.
Hoje ela assusta observadores nem tanto nas Forças, mas sim nas polícias, em especial militares, muitas vezes identificadas ao bolsonarismo.
Isso é uma novidade histórica, dado que nas oportunidades em que houve conflito envolvendo forças estaduais, como em 1930, 1932 ou 1961, eram os governadores que retinham o apoio das tropas.
A grande quantidade de questões internas para as Forças é ressaltada por Stepan em seu trabalho. Tendo travado sua última grande guerra regional no Paraguai há 150 anos, desafios externos acabam sendo substituídos por tarefas de cunho político. 
O grande período de turbulência e tutela de 1945, após a queda de Getúlio Vargas, até o golpe de 1964 viu tal espírito intervencionista se expandir até o paroxismo da ditadura. 
No primeiro governo militar, do marechal Humberto Castello Branco (1899-1967), foi feita uma reforma buscando normalizar tal agitação. Foi determinado um sistema pelo qual 25% do efetivo de oficiais-generais, em todos os níveis, seria renovado todos os anos. 
Na outra ponta, foram tomadas medidas para reduzir a politização dos estratos mais baixos da tropa, vistas como vulneráveis ao socialismo. Antes, os fardados já haviam passado pelo processo interno de apagamento da memória da FEB, a Força Expedicionária Brasileira que lutou em 1944 e 1945 na Itália. 
Quando voltaram ao país, os comandantes foram espalhados de forma a não constituir um núcleo político: tinham ido lutar contra o nazifascismo e voltaram para a ditadura do Estado Novo, que seguia tal orientação. 
Ainda assim, foi por pressão militar que Vargas deixou o cargo. A reforma dos anos 1960 veio com dificuldade, e trouxe o conflito entre Castello Branco e seu ministro da Guerra, Arthur da Costa e Silva (1899-1969), e por fim o último se tornou o presidente do AI-5. 
Só Castello Branco havia lutado na FEB, entre os presidentes da ditadura. Costa e Silva, diz Stepan, “era considerado simpático aos desejos de um governo mais militante e autoritário e de uma posição menos pró-americana e mais nacionalista”. 
O ato institucional que recrudesceu a ditadura, em 1968, foi um divisor de águas. Os militares aferraram-se ao poder de forma definitiva. É na década de 1970 que se forma o núcleo dos generais de Bolsonaro, ele mesmo um cadete da turma de 1977. 
O decano deles, Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras em 1969 e sempre abraçou causas políticas enquanto estava no serviço ativo. 
Suas críticas à política indigenista do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lhe custaram o Comando da Amazônia e, em 2011, foi impedido de saudar o golpe de 1964 em sua despedida à reserva. 
De forma paradoxal, foi sob Lula (2003-2010) que os militares tiveram um grande ganho do ponto de vista material. Projetos estratégicos de armamentos, liderança na Missão de Paz da ONU no Haiti, aumento de verbas e de participação nas GLOs (operações de garantia da lei e da ordem) marcaram o período. 
Os anos Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995-2002) são, por sua vez, lembrados com desprezo pelo oficialato. 
Consideram que foram relegados ao segundo plano em suas funções militares, já estando fora da política, e a criação do Ministério da Defesa foi vista como uma subordinação indesejada ao poder civil. 
Sob Dilma Rousseff (PT, 2011-2016), os ruídos políticos cresceram, devido principalmente à Comissão da Verdade, que apontou crimes da ditadura, avaliada pela cúpula militar como um tribunal de um lado só. 
Com o impeachment da petista e a chegada de Michel Temer (MDB) para seus dois anos de poder em 2016, o caminho para a volta ao protagonismo foi aberto. 
A Defesa foi entregue em 2018 para um general de quatro estrelas, acabando com o princípio simbólico da pasta, e o general Sérgio Etchegoyen (GSI) assumiu papel vital no aconselhamento do governo. 
O sequestro do estamento militar pela ritualística do governo Bolsonaro desandou nas ameaças veladas de uso das Forças contra outros Poderes pelo presidente. 
Em uma “live” do grupo Personalidades em Foco, em 20 de maio, Heleno rechaçou golpismo. “Não passa [pela cabeça] golpe, intervenção. [Devo isso aos] nossos instrutores, vacinados por toda aquela trajetória de militares se intrometendo de uma forma pouco aconselhável, mas muitas vezes necessária, na política.” A frase é reveladora pelo seu aposto: “muitas vezes necessária”. Heleno é visto como o mais duro dos generais que migraram para o Planalto com Bolsonaro, mas sua visão não é hegemônica. 
Coube ao general Azevedo fazer o papel de pivô moderador da turma fardada, com um alinhamento grande com seu ex-subordinado Walter Braga Netto, o general que comanda a Casa Civil. 
Ramos, que também serviu sob o comando do atual ministro, já esteve mais próximo dele. O agravamento da crise tríplice pela qual passa o Brasil, com a Covid-19 se somando a uma recessão à vista e à tormenta política, tem aumentado os ruídos entre o serviço ativo e os militares de terno. 
Stepan aponta que isso ocorria já no auge da ditadura. Se estivesse vivo, poderia fazer associações à repulsa dos comandantes pelo ativismo sindicalista que era preconizado por Bolsonaro, um militar indisciplinado. 
Nas três décadas fora do poder, as Forças “se afastaram das crises políticas, impeachments, casos de corrupção” e têm “credibilidade alta” entre a população, diz Santos Cruz. 
O general, que passou pelos dois lados do balcão, resume o momento militar atual: “Situação complexa”. 
Onde estavam os bolsonaristas 
General Augusto Heleno Concluiu a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) em 1969. Em 1977, capitão recém-promovido, assumiu o cargo de assessor do ministro do Exército, Sylvio Frota General Fernando Azevedo Iniciou a carreira no Exército em 1973, na Academia Militar das Agulhas Negras, no Rio de Janeiro, e fez parte da Brigada de Infantaria Paraquedista 
General Hamilton Mourão Formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras em 1975 Jair Bolsonaro Em 1977, formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras 
General Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira No ano de 1979, foi aspirante a Oficial da Arma de Infantaria General Eduardo Pazuello Em 1984, formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras, como oficial de intendência (assessor do comandante na administração financeira e na contabilidade) 
General Walter Souza Braga Netto Entrou na Academia Militar das Agulhas Negras em 1975. Foi aspirante a oficial da arma de Cavalaria, em 1978. 
Olavo de Carvalho Entre 1966 e 1968, militou no Partido Comunista contra a ditadura militar. Nos anos 1970, atuou como astrólogo. 
Paulo Guedes De 1974 a 1978 estava fazendo doutorado na Universidade de Chicago (EUA)

sábado, 27 de junho de 2020

Arte de MARIANO


A prisão de Queiroz pode ter feito muito bem a Bolsonaro, por Ricardo Noblat

Um governo aparentemente normal até quando? 
Arte de TACHO
Um dia desses, pressionado por dívidas que atingiam a casa de 3 milhões de reais, Olavo de Carvalho, o guru da família Bolsonaro, queixou-se de ter sido abandonado pelos amigos. 
E escreveu na sua conta no Twitter que o presidente Jair Bolsonaro deveria enfiar naquele lugar a medalha que lhe conferiu no ano passado, durante viagem aos Estados Unidos. 
Dispensava a honraria. Esse pode não ter sido o propósito de Bolsonaro, mas ao escolher Carlos Alberto Decotelli para ministro da Educação, ele enfiou goela abaixo do autoproclamado filósofo em apuros econômicos um nome que lhe é estranho. 
E logo no lugar que Olavo havia emplacado os dois últimos e desastrosos ministros – o colombiano Ricardo Vélez e o fugitivo Abraham Weintraub, de triste memória.
Ex-oficial da Marinha, professor da área de finanças na Fundação Getúlio Vargas, Dacotelli era o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) quando o órgão publicou um edital de R$ 3 bilhões que foi suspenso pela Controladoria-Geral da União (CGU) por suspeitas de fraudes. História estranha, essa, que ninguém esclareceu até hoje. 
O pregão previa a compra de computadores, notebooks, projetores e lousas digitais para alunos das redes públicas de ensino estaduais e municipais. 
Paulo Guedes,Gilson Machado & Bolsonaro
Relatório de auditoria da CGU apontou que a licitação estimou um número desnecessário de computadores. Só para a Escola Municipal Laura Queiroz, em Minas, seriam 30.030 laptops educacionais. Detalhe: a escola só tinha 255 alunos. 
O edital foi publicado no dia 21 de agosto do ano passado. Decotelli deixou o cargo uma semana depois. Foi substituído pelo advogado Rodrigo Sergio Dias, indicado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O episódio não manchou a biografia de Decotelli aos olhos dos ministros militares do governo. E foram eles que convenceram Bolsonaro a promovê-lo a ministro. Duro golpe para a chamada “ala ideológica” do governo, como se fosse possível faltar ideologia às demais alas. 
Nas redes sociais, inspirados por Olavo e sempre obedientes a ordem de comando do vereador Carlos Bolsonaro, os bolsonaristas de raiz, os mais sinceros, são justamente os que defendem o presidente, faça o que ele o que fizer. Devem estar se sentindo traídos. Mas não só por isso. Desde a reunião ministerial de abril último, célebre pelos rolos que produziu, Bolsonaro começou a marchar para trás com medo de não completar o mandato. O medo bateu no teto com a prisão de Fabrício Queiroz, parceiro do seu filho Flávio em negócios suspeitos. Finalmente, parece ter-se rendido aos conselhos dos generais para não criar mais turbulências. Abandonou seus devotos no cercadinho do Palácio da Alvorada. Viajou ao Rio para o enterro de um paraquedista no domingo em que eles foram às ruas de Brasília para defender uma nova intervenção militar. 
Acelerou a entrega de cargos ao Centrão e a liberação de dinheiro para prefeituras controladas por deputados e senadores encantados com tanta generosidade. Nunca mais acenou com um golpe. Deu para exaltar a harmonia entre os Poderes. E, na sua live de ontem no Facebook, lembrou os mortos pela pandemia pedindo ao sanfoneiro e presidente da Embratur, Gilson Machado, que cantasse a “Ave Maria”. 
É verdade que, no fim da apresentação, voltou a criticar as medidas de isolamento social. Ninguém é perfeito. Bolsonaro reencarnado como presidente moderado antecipou-se ao Congresso e resolveu estender por mais três meses o auxílio emergencial para os brasileiros mais pobres. 
E concordou com a passagem para reserva do general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria do Governo. Foi mais uma exigência dos generais da ativa que preferem manter distância da política. 
Em 1964, quando o regime militar ainda fingia não ser uma ditadura, o jornalista Millôr Fernandes escreveu: – Quem avisa, amigo é: se o governo continuar deixando que certos jornalistas falem em eleições; se o governo continuar deixando que determinados jornais façam restrições à sua política financeira; se o governo continuar deixando que alguns políticos teimem em manter suas candidaturas; se o governo continuar deixando que as pessoas pensem por sua própria cabeça… corremos o risco de em breve cairmos numa democracia.” 
Pois é. Se Bolsonaro não atacar mais a imprensa, se não ameaçar mais o Congresso e nem marchar sobre o prédio do Supremo Tribunal Federal, se desistir de enfraquecer a democracia e, principalmente, se mantiver a boca fechada… corremos o risco de em breve cairmos num governo normal. Duvida? Eu também

Decotelli altera currículo após reitor de universidade argentina revelar que ele foi reprovado em doutorado, NAS FOLHAS

COMENTARIO ATONITO---COMECOU BEM, hein sr MINISTRO da EDUCACAO!!!
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Decotelli afirmou que concluiu todo o curso, completou todos os créditos, só não fez a defesa de tese. Em currículo acadêmico, consta que ele teria obtido o título.

Reitor diz que Decotelli não se formou no doutorado pela da Universidade de Rosário
O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli da Silva, alterou nesta sexta-feira (26) o currículo disponível da plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 
A modificação se deu após o reitor da Universidade Nacional de Rosario, Franco Bartolacci, revelar que Decotelli não obteve título de doutor --e que teve a tese reprovada.

No currículo de Decotelli, constava originalmente a informação de doutorado na Universidade Nacional de Rosário concluído em 2009, com a tese "Gestão de Riscos na Modelagem dos Preços da Soja", sob orientação de Antonio de Araujo Freitas Jr. Nesta sexta, o título da tese e o nome do orientador foram excluídos. O campo "Título" foi preenchido com "Créditos concluídos". E, no campo "Orientador", passou a ser listado: "Sem defesa de tese".

Trecho do currículo na plataforma Lattes até o início da noite desta sexta... — Foto: Reprodução/CNPq
Alteração no currículo do ministro da Educação  
Foto: Reprodução

Em entrevista a Cesar Tralli, o ministro afirmou que concluiu todo o curso, completou todos os créditos, só não fez a defesa de tese. Segundo ele, porque não tinha mais interesse em continuar na Argentina, pois sua vida estava no Brasil. Decotelli disse que ficou lá de 2007 a 2009.

À repórter Delis Ortiz, o reitor disse que o novo ministro até iniciou o doutorado na universidade argentina, mas não concluiu o curso.
"O senhor Carlos Decotelli cursou o doutorado em administração da Faculdade de Ciências Econômicas e Estatísticas da Universidade Nacional de Rosário, mas não o concluiu. Não completou todos os requisitos que são exigidos pela nossa regulamentação de doutorado, que exige a aprovação de uma tese final para obter o título de doutor. Portanto, não é doutor pela Universidade Nacional de Rosário", afirmou Bartolacci.
"Essa tese não foi aprovada e não recebeu um parecer favorável da banca. Portanto, ele não pôde concluir o doutorado que estava realizando na Universidade Nacional de Rosário. E, como consequência, não obteve o título de doutor."
O reitor ainda disse: "Segundo os registros da nossa universidade, os cursos que realizou e em que foi aprovado foram em 2008 e 2009. O que falta aprovar é a tese, que é o último requisito que se exige para obter o título de doutor".

Segundo ele, Decotelli pode solicitar uma nova admissão à universidade e concluir seus estudos, se assim desejar.

Reitor diz que Decotelli não concluiu doutorado
Carlos Alberto Decotelli da Silva — Foto: Agência Brasil

O Ministério da Educação enviou à TV Globo uma cópia do certificado do ministro. O documento atesta que Decotelli "cursou todas as disciplinas" do programa de doutorado em Administração da Universidade Nacional de Rosário. O documento não menciona o trabalho de conclusão.
De acordo com o currículo cadastrado no CNPq, o ministro teria obtido o título de doutor com o trabalho "Gestão de Riscos na Modelagem dos Preços da Soja", sob orientação do professor Antonio de Araujo Freitas Jr.
O presidente Jair Bolsonaro também mencionou o título de doutor do ministro ao anunciá-lo para o cargo, na quinta-feira.
Certificado da Universidade Nacional de Rosario enviado pelo MEC atesta que Carlos Alberto Decotelli completou todas as disciplinas exigidas no programa de doutorado da instituição — Foto: Divulgação/MEC

Ainda de acordo com o currículo cadastrado no CNPq, Decotelli é bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e fez pesquisa de pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Arte de SPONHOLZ


quinta-feira, 25 de junho de 2020

LUIZA TRAJANO FALA SOBRE SUCESSO, PODER E FAMÍLIA, por Paulo Lima (TRIP)

Uma das figuras mais importantes do cenário corporativo brasileiro, a empresária Luiza Helena Trajano começou a trabalhar aos 12 anos. Filha única, ela passava as férias escolares atendendo no balcão da loja de eletrodomésticos dos tios em Franca, no interior de São Paulo, cidade onde nasceu. Essa loja era o Magazine Luiza, onde fez carreira até chegar à presidência, em 1991. Sob sua administração, a rede varejista expandiu e hoje tem mais de mil lojas físicas espalhadas pelo país, além de uma operação pujante no e-commerce.

Luiza é também uma das vozes que defendem um mundo mais igualitário. Além de ações e campanhas do Magazine Luiza contra a violência doméstica, ela fundou em 2013 o grupo chamado Mulheres do Brasil, que hoje reúne mais de 40 mil mulheres em torno de pautas como educação, empreendedorismo e a valorização da mulher em espaços de poder. 
Em conversa com Paulo Lima no Trip Fm, ela relembra sua trajetória e fala sobre dinheiro, pandemia e os aprendizados como executiva e mãe. Leia a entrevista completa. 
Trip. Luiza, você começou mesmo a trabalhar com 12 anos? Como é que era a sua família? Como foi a sua infância?
Luiza Trajano. Eu sou filha única. Com 12 anos eu gostava muito de dar presente, até por estar sozinha. Aí minha mãe falou assim: "Vai trabalhar, ganha e dá o presente"
Então foi só em dezembro que trabalhei com essa idade. Mas com 17 anos eu me formei e fui trabalhar na loja. A minha família veio de uma família simples. Eu já tive uma vida melhor, não precisei trabalhar para estudar. Mas eu gostava mesmo, e entrei muito novinha, já era vocacionada para isso. Com 12 anos eu comecei a trabalhar para poder dar presentes, e foi uma experiência muito legal, porque eu não só dei presentes como descobri também o meu talento para lidar com pessoas, atender. Interessante que todos meus primos, meus filhos, e agora minha neta, que fez 13 anos nesta semana, foram à loja em dezembro trabalhar durante 25 dias antes de entrar de férias, e também foi para comprar presentes para dar para a família. É legal poder repetir essa história. Quando você tem uma experiência positiva, e você gosta da experiência e faz bem, inspira as pessoas. Eu nunca pensei que a minha neta fosse viver essa experiência e fosse até dar presente. 

Por que você foi estudar Direito? Eu também estudei Direito e me faço essa pergunta até hoje. Fui trabalhar em comunicação, nunca exerci o direito. Queria fazer essa pergunta para a minha colega bacharel. 
No fundo eu queria fazer psicologia, mas Franca não tinha na época, e Direito era uma boa faculdade. Não me arrependo de ter feito, porque você aprende muita coisa, mas eu nunca exerci. Eu fiz administração junto, pelo menos durante três, quatro anos, eu nem me formei. Você podia fazer os dois na época. Mas eu venho de uma família empreendedora, então eu respeito muito meus colegas do Direito porque eu sou formada, mas eles sabem muito mais do que eu.

Você é uma das mulheres CEOs pioneiras. Até hoje são poucas no mundo, e aqui no Brasil é uma porcentagem ínfima de mulheres na presidência ou na diretoria das empresas. Como foi para você, mesmo estando em uma empresa familiar, assumir a presidência do grupo? Você teve que se provar mais que os outros, principalmente do que os homens, como executiva? Aconteceu que eu já era de direito de fato. Eu fui vendedora, gerente de loja, encarregada, e depois compradora. Eu fiz toda uma carreira e cheguei à presidência em 1991. 
A minha família é mais empreendedora do que gestora, e eu nunca escutei não, aprendi demais. Em 91 eu passei a ser de direito, muda muito. Falando de ser mulher agora, eu fui criada numa família de mulheres fortes que trabalhavam. Isso ajuda muito, para mim e para a minha época. A minha tia, que fundou a empresa, que sempre lutou muito, e acho que ela foi uma divisória da família, o antes e o depois, em relação ao patrimônio. Antigamente, na cidade tinham aquelas lojas muito tradicionais, com vários setores: construção, presente, tecidos, que era mais forte do que confecção. E ela tomava conta do setor de presentes. Tomava conta tão bem, ganhava tantos prêmios, que ela nunca entendeu eu ter que dar curso para os funcionários, porque ela nunca precisou de curso e fazia isso muito bem. Depois ela casou, se mudou de Franca para São Carlos. O sonho dela era comprar uma loja para gerar emprego para a família e em frente onde ela trabalhava tinha uma loja à venda chamada "A Cristaleira". E aí ela comprou, com muito sacrifício, só tinha o dinheiro da prestação.

E olha como a gente tem um sangue de marketing: como ela era muito conhecida, fez um concurso na única rádio que tinha na cidade nessa época, tô falando do interior. Ela fez um concurso público para escolher o nome da loja e o povo escolheu o Magazine Luiza, por causa do nome dela. Então eu fui criada nesse espírito de mulher trabalhando. Minha tia tinha uma inteligência empreendedora maravilhosa, até hoje ela saca muita coisa. E ela falava assim: "Não tem crise". Se uma loja não estava bem, ela falava: "Troca o gerente". Mas ela não tinha muita inteligência emocional, não entendia como eu tinha que dar curso para o pessoal tratar o cliente bem, foi mais difícil para mim essa parte. Mas ela era muito esperta, muito inteligente. E eu tive uma mãe – que infelizmente morreu quando eu tinha trinta e poucos anos, suficiente para eu ter os 3 filhos – que tinha muita inteligência emocional, muita. Então eu tive a oportunidade de ter duas mulheres fortes, eu sou uma privilegiada. Mas hoje eu percebo que o machismo é muito arraigado. Eu falo para os meus amigos, falo para os homens que tentam hoje entender isso (e são muitos) que é uma coisa muito arraigada. Eu sou totalmente a favor da junção masculina e feminina. Não teria criado três filhos adolescentes trabalhando fora se não fosse a força masculina do meu marido. Nunca deixei de dar minha visão feminina, sou super feminina para administrar. Eu choro, eu intuo, eu cuido das pessoas. Mas respeito muito o masculino, e falo para eles: "Vocês têm filha, vocês vão ter neta. A conquista ainda é muito grande, tem muita coisa para se conquistar, então nos ajude aqui".

Outro preconceito aqui no Brasil que é muito forte é a gordofobia. Alguns anos atrás você passou por um processo de reeducação alimentar e por uma cirurgia bariátrica, e mudou bastante a sua constituição corporal nos últimos anos. Queria saber como é que foi isso na sua vida. 
Eu sempre fui muito magra na época de adolescente, que talvez você sofra mais com isso. Me casei com 49 quilos. Depois eu tive um hipotireoidismo por tensão, por estresse, engordei e não conseguia emagrecer. Tanto é que eu não sou magrinha, eu queria até ser hoje, mas eu sou mais cheia do que magrinha. Eu não tive adolescência assim, eu não casei gorda, mas se tivesse também, eu tirava de letra. Eu não sei explicar, sou uma pessoa que tenho uma autoestima muito legal, você pode falar qualquer defeito meu que eu não levo pelo lado pessoal. Mas, por outro lado, eu entendo o que uma gordura faz, o que uma discriminação faz. 

Já faz algum tempo que você começou a direcionar a sua energia e o seu dinheiro para o outro. Além da geração de milhares de empregos, eu estou falando de pegar a sua grana e o seu tempo e colocar para funcionar a serviço de quem não tem nada. O que tem sido observado de fato é que a cultura de doação deu uma acordada nas últimas 12 semanas. Tem números que mostram que o Brasil doou mais em seis semanas do que em dois anos. A desigualdade, as questões raciais, estão aí há séculos. Por que a elite financeira brasileira precisou desse trauma de uma pandemia, dessa mortalidade em massa, para perceber que tinha o outro passando fome e que o negro está numa situação de desvantagem gigantesca? Será que a gente não enxergava isso antes? 
Eu vou muito para o sertão com os Amigos do Bem, então faz 5 anos que eu sei o que é não ter água. O que aconteceu, e eu não estou aqui defendendo, é que nas empresas brasileiras você trabalha com crenças. Se você analisar como se tinha valor até pouco tempo na Bolsa de Valores, era através de resultado a curto prazo. Em 2011, o Magazine entrou na Bolsa, e nós já éramos a melhor empresa para se trabalhar há 10 anos. Em road shows eu até falava: "Somos a melhor empresa para se trabalhar, a gente cuida dos funcionários". E isso não valia um real a mais a nossa empresa. Eu continuava porque acreditava nisso. A epidemia acelerou algumas coisas que estavam paradas, que estavam começando. Depois que a Bolsa teve muita quebra de resultado no mundo inteiro, que começou com o Banco Lemann, depois foi consultoria famosa, ela começou a rever seus valores.

As empresas de família passaram a ser mais valorizadas. As áreas de Recursos Humanos eram um departamento pessoal lá no cantinho, que o presidente não tinha nem acesso. Hoje você percebe que de 3 anos pra cá toda diretoria de RH está diretamente com o seu CEO. Estava acontecendo uma mudança. Você percebia que, para você entrar em uma empresa, não era mais só você estudar numa faculdade grande. Isso era importante, mas se descobriu que as pessoas eram contratadas pelas capacidades técnicas e eram mandadas embora pelo comportamento. Já começaram a mudar isso. As empresas já estavam fazendo o teste cego, e daí davam mais oportunidades. O que eu quero dizer é simples: os empresários tiveram muitas crises também. Muitas crises, uma atrás da outra: cortava zero, inflação não sei quanto, juros altos, burocracia do país, e eles tinham que sobreviver. Eu não estou aqui defendendo, estou dizendo que essa crença foi formando neles um tipo de egoísmo como é visto fora hoje, mas que era a sobrevivência. Então eles achavam que sobrevivendo nesses momentos, gerando emprego para toda a sua empresa, já faziam o suficiente. Porque era dia e noite de preocupação. Não estou querendo justificar, eu estou querendo explicar historicamente o que levou a isso.

Agora o que aconteceu: todo o mundo parou. E nós tivemos que ficar em casa. E aí começaram a ver que as pessoas que trabalhavam para você não podiam vir, você tinha que fazer o serviço de casa. Então essa epidemia nos confrontou com aquilo que muitas vezes o tempo e a sociedade iam nos envolvendo, e não dava para ver. Na hora que você para, você vê o tanto que você estava fazendo mal para a natureza, que o céu de São Paulo está lindo. Você vê o tanto que você gasta de gás carbônico. Você vê o tanto que aquela pessoa que te servia dentro de casa era útil. O que eu estou tentando falar é que não adianta ficar analisando o passado e fazendo um diagnóstico, a gente tem que agir.

O Mulheres do Brasil tem vários comitês, um é de saúde. Eu já estudava há três anos que o SUS é o melhor sistema de saúde que existe no mundo, foi tirado da Inglaterra. Eu falava isso nas minhas palestras todo dia. Se você vê os pilares do SUS, e nós vamos fazer uma campanha para mostrar, você fica impressionado. Temos que ter orgulho. Mas uma coisa é não ter gestão. E quando não tem gestão a gente começa a cobrar alguém e a se desfazer do que tem, a falar :"Lá não presta". Nós vamos sair com uma campanha muito forte do SUS. Somos hoje quase 50 mil mulheres e vamos explicar o que é o SUS. Nós estamos vendo os gargalos, o porque não funciona, e com 50, 60 mil pessoas atrás, nós vamos ser ouvidas. Nós vamos ser ouvidas porque é um país democrático.

Hoje o CEO da empresa é o seu filho Frederico, que já está há alguns anos à frente da companhia. Na gestão dele foi consolidada a que foi considerada uma das transições mais bem feitas de uma empresa eminentemente física para o mundo virtual. É o sonho de todos os varejistas, e vocês fizeram, e parece que o papel do Fred foi muito importante. Já vi empresas familiares darem muito certo, mas tem milhões de histórias de empresas que quebram por causa de briga. Como é ver o seu filho assumindo? Dá orgulho ou um pouco de ciúme também? 
Primeiro tenho que dizer que a maior riqueza é ver filho encaminhado. Em segundo, tenho que dizer que nunca falei pra ele trabalhar na empresa e nunca falei para ele ser presidente de lugar nenhum. Sim, todo mundo acha que eu bati ele no computador e ele saiu aqui. Tanto eu quanto meu marido sempre demos um exemplo de solidariedade, de sair da mesa e dizer "muito obrigado", de achar que o dinheiro não compra nada, que você tem que pegar uma coisa e levar até o fim. Eu tenho três filhos. Uma é chefe de cozinha, que resgatou o Brasil na gastronomia, a outra é pedagoga, filósofa, muito comprometida, que se casou e mora em Portugal. A maior fortuna que eu tenho são meus filhos compromissados. O Frederico realmente entrou na cedo na FGV, trabalhou fora, e ele quis vir pro Magazine. 

Nós somos uma das primeiras e únicas empresas no mundo digital que nasceu do analógico. Nossos grandes concorrentes, Amazon, Alibaba, já nasceram digitais. E ninguém acreditava que a gente ia conseguir fazer isso. Nós entramos na bolsa em 2011 e nossa empresa valia 4 bilhões de reais. A nossa empresa chegou a valer 400 milhões porque a gente não separava o "ponto com". E aí sim, quem comprou naquela época ganhou muito dinheiro, e quase ninguém comprou, só teve um investidor que investiu 5%. Eu e a minha tia que comprávamos. Mas eu falo que a gente conseguiu isso porque o propósito da família não era ganhar dinheiro, era gerar emprego. A minha família nunca ligou. E eu não passei pro Frederico. Quando eu não quis mais ser CEO eu passei para o Marcelo Silva, e ele que passou para o Frederico. Nada de carta marcada, pois a empresa naquela época já estava na Bolsa. Já tínhamos um sócio estrangeiro, que tinha 13%, e um sócio que era banqueiro, o Unibanco, que foi sócio do nosso crediário, o Luizacred. A gente já tinha uma empresa que era familiar, e a família ainda tem 60% empresa, mas assim, é uma empresa super profissional. Primeiro vem o respeito que a gente tem com a instituição. A nossa família é pequena, mas ela tem respeito à instituição.

Desde que eu sou pequenininha, a gente nunca comprou e ficou devendo, a gente nunca misturou gavetinha. No interior a gente fala "não mate a galinha de ovos de ouro", então a gente sempre teve respeito. E o Frederico veio porque ele quis, eu tenho um sobrinho que é acionista e também tá no Magazine. Eu venho de uma família que simplicidade é forma de vida mesmo. Falei que minha mãe era muito inteligente e quando eu tive o primeiro filho ela disse: "Minha filha, não pegue culpa porque não tem receita". Tem mãe que trabalha fora e tem filhos ótimos e outras têm filhos péssimos. Se tivesse receita, largava tudo e fazia aquela receitinha, que nem tem nada melhor. Então você não pega culpa, até porque tire as suas expectativas: se ele for ruim é porque você trabalhou, se foi bom é porque que Deus ajudou. Você não vai ter mérito nenhum, e eu nunca esperei ter mérito. 

O empresariado hoje, como todo o Brasil, está meio dividido. E isso tem um aspecto bastante tenso e negativo, a tal da polarização. Qual é a sua avaliação como empresária super bem sucedida sobre a condução do país no governo atual? 
Eu adoro a democracia e, quando você gosta de democracia, você tem que aceitar quem o povo votou. O que eu tenho falado é o seguinte: eu não estou aceitando nada que não seja união, tanto de um lado quanto do outro. Eu acho que, nesse momento, tanto oposição como situação tinha que estar unida. Nesse momento nós temos a crise da saúde, nós temos uma crise econômica que não é fácil, e nós temos uma insegurança. Estou vendo em Portugal, onde mora uma filha minha, que eles se uniram, oposição e não. Eu falo: "Vamos dar um tempo". Os outros me falam: "Luiza, é a democracia". Ninguém está falando para não ter pontos diferentes, eu adoro a democracia. Mas a gente tem que se unir agora contra um único inimigo, que se chama vírus. A gente não pode matá-lo e não pode pedir para ele parar. O que eu estou tentando fazer agora é a união. Vamos amadurecer nesse momento e vamos nos unir. 

“O poder e o dinheiro é um mosquitinho que te morde, e você não tem nada, você está.”
Luiza Helena Trajano

Segundo seu raciocínio a gente tem que se unir principal e fundamentalmente contra esse inimigo que é o coronavírus. Nesse momento temos o terceiro Ministro da Saúde durante a pandemia, em apenas três meses. E houve a questão da ocultação dos números de óbitos. Você acha que está sendo razoável essa gestão da pandemia? 
Eu não quero ficar falando se está razoável ou não. Eu acho que tinha que ter uma união. O mundo inteiro e o Brasil, com consistência, exigiram os dados e já passou a ter de novo. O que eu quero dizer é que nenhum salvador da pátria vai salvar o Brasil. É a sociedade civil organizada, sem paixões, para fazer o Brasil que precisamos, e por isso que nós temos o grupo Mulheres do Brasil há seis anos. Os outros falam: "Luiza, vai se candidatar", mas nunca me filiei a partido nenhum. Sou uma pessoa apaixonada pelo Brasil. O Magazine Luiza há 20 anos tem, toda segunda-feira, nas suas 1100 unidades, um rito que canta o hino nacional. Quem não quiser cantar não canta, mas a gente canta. Acho que nesse momento não adianta eu ficar fulminando. É importante que saiam os dados, e também que saiam certos. É importante que todo mundo saiba a verdade, a imprensa se una. Nesse momento todo mundo junto, qualquer divergência eu estou sendo contra.

Com relação ao dinheiro, você já passou por fases de ter pouco dinheiro, de ter muito dinheiro, de ter mais ou menos. Como é que você lida com essa energia do dinheiro? O que é o dinheiro e para que serve o dinheiro? 
O dinheiro para mim ele não é nem muito, nem mais, ele é conseqüência. A única coisa que eu tenho que dizer é que eu morro de medo de poder e de dinheiro, mas não no sentido de ter muito. O poder e o dinheiro são um mosquitinho que te morde, e você não tem nada, você está. Eu nunca tive vontade de ter mais, primeiro porque eu não passei necessidade. Eu estudei em colégio. Eu não tinha vontade de comer uma coisa e não comia. Eu sempre tive a vontade de acordo com o que eu podia. Quando nossas ações valiam 400 mil reais, ninguém da família nunca cobrou o Marcelo, como também agora parece que valem 90, 100 bilhões, e ninguém fala nada. Nós fizemos um road show para colocar dinheiro na empresa, e a família ficou com uma porcentagem. Ninguém pegou o dinheiro. A gente deixou lá aplicado e foi desse dinheiro que a gente doou agora. Não estou falando que a gente não gosta, mas ele é para nós uma coisa comum. Eu acho o poder até pior que o dinheiro, para te falar a verdade, porque o poder você usufrui. O dinheiro, quando você já tem casa, tem carro bom, ele melhora um pouquinho a sua vida, mas ele não muda a sua vida. E o poder te dá uma coisa muito séria. As pessoas te tratam diferente, só falam o que você quer ouvir. Eu fiz um pacto com Deus. Toda vez que eu tivesse subindo no salto alto do poder, era para ele me tirar o tapete, e ele me tira. Agora não, que eu já sou muito madura, mas ele me tira de uma maneira que eu falo "nossa!". Graças a Deus, hoje, tanto os meus filhos quanto a família lidam muito bem isso. O dinheiro para mim ele é uma consequência. Não que ele não seja bom. Agora ele precisa ser dividido, porque se você tem ele só para você, acho que deve ser uma coisa muito triste. Na minha família, o dinheiro serve para multiplicar. Nós somos a empresa que mais gerou emprego na crise. A gente gerou 400, 500, 600 empregos por mês, até vir a pandemia. Ninguém tem nada, você está. Quando isso incorpora dentro de você, você muda a vida. Eu posso estar hoje com saúde, amanhã eu não sei. Eu posso estar com dinheiro, daqui 30 dias eu não sei se eu tenho mais. Porque a Bolsa é assim né, a gente nem olha esse dinheiro. Esses dias me perguntaram e eu falei: "É papel, gente". Hoje eu tenho muito, daqui a pouquinho ela cai, depois ela sobe de novo.
Com todo o drama, toda a tragédia e todo o sofrimento, tem um aspecto de aprendizado muito positivo dessa pandemia. Você citou algumas coisas com as quais a gente está sendo confrontado. Uma delas é a nossa fragilidade. A gente agora está vivendo bem mais perto da morte. As pessoas têm o péssimo hábito de achar que isso só acontece com os outros, achar que isso nunca vai acontecer com você, mas de repente ela ficou muito pertinho. Você tem medo de morrer? 
Eu era muito amiga íntima do Gilberto Dimenstein [jornalista, faleceu no dia 29 de maio de 2020]. Sofri muito, fico até emocionada. Eu sou uma pessoa que não tenho muita teoria da minha vida, tenho mais ação. E ele me falou uma coisa que eu acho que é o que eu sempre tive medo. Eu tive muito mais medo de perder meu propósito do que da morte. E da empresa perder o propósito dela, aquela empresa do interior, que faz para os outros o que eu gostaria fizesse, que erra e que pede desculpas. Hoje eu tenho certeza que eu posso morrer tranquila, porque o que esses meninos fizeram, eles cuidaram da saúde dos funcionários como ninguém. Eles têm dez médicos de plantão. O Frederico tem uma equipe cuidando da saúde, criaram a telemedicina. Eles cuidaram do humano melhor do que eu cuidaria. Olha, para eu falar isso... Então assim, eu estou muito feliz, pois no momento que eles estavam bem, com dinheiro, com o caixa, na frente da concorrência, eles pararam tudo. Trabalharam dia e noite para criar coisas para os autônomos, como o parceiro Magalu. Não dormiram sobre a vitória e cuidaram da saúde, da gestão e não mandaram ninguém embora. Até agora nós não mandamos ninguém embora. Se o Gilberto estivesse aqui agora, eu falava: "Gilberto, o povo tá me questionando muito de dinheiro, o que você acha que eu sou do dinheiro?". Sobre morte, ele me falou uma vez: "Nós temos muito mais medo de morrer o propósito do que de morrer a vida". Eu me emociono muito, era uma pessoa muito importante na minha vida.

Aproveito para fazer uma homenagem também à memória do Gilberto Dimenstein, que já teve aqui no programa. Um colega nosso, jornalista, e também como você, dedicou bastante tempo e energia para pensar mais no outro. Que ele esteja descansando em paz.

UE prepara lista de países para reabrir fronteiras e Brasil deve ser excluído, por LLUÍS PELLICER & LUCÍA ABELLÁN

EUA e Rússia também não cumpririam os critérios exigidos pelo bloco comunitárioPolícia grega verifica os documentos dos passageiros que chegaram de Doha, no Aeroporto Internacional de Atenas, em 15 de junho.THANASSIS STAVRAKIS / AP

A União Europeia está concluindo uma lista de países considerados suficientemente seguros para que seus cidadãos possam viajar para o bloco comunitário a partir de 1º de julho. Segundo fontes diplomáticas, o documento, que deve ser adotado por consenso, se basearia em três critérios: sanitários, de reciprocidade e vínculos com a UE. Isso deixaria de fora países como Brasil, Estados Unidos e Rússia, que não têm conseguido controlar a pandemia de coronavírus. Entretanto, a confecção da lista está sendo um quebra-cabeça para os 27 países da UE, pela dificuldade em encontrar uma fonte de dados fidedigna para embasar esses relatórios.

A UE fechou sua fronteira externa em 16 de março, com exceção de viagens “estritamente necessárias”, como a repatriação de europeus. 
À medida que se aproxima o 1º de julho, alguns sócios insistem com mais força na urgência de publicar uma lista antes de começar a abri-la. 
Há semanas os Governos da UE tentam concluir uma tarefa que várias fontes descrevem como extremamente complexa. Os embaixadores tratarão nesta quarta-feira, em uma reunião, de fixar uma primeira lista de países candidatos a ingressar nessa primeira leva, mas será difícil que isso ocorra. Em todo caso, a intenção é fechá-la antes de 1º de julho, dado o risco de que as capitais nacionais decidam seguir seus próprios critérios.
Johnson elimina o confinamento em restaurantes e pubs para resgatar a economia do Reino Unido
Avanço da pandemia de coronavírus obriga países a recuarem após começarem a reabrir

Um dos pontos mais polêmicos envolve os Estados Unidos, que soma 2,3 milhões de diagnosticados e 120.000 mortos, o que indica que a expansão do vírus está longe de ser controlada. Se forem seguidos critérios epidemiológicos, a UE ainda não deveria abrir suas fronteiras com os EUA. Mesmo assim, a decisão não depende só dos dados sanitários. Os Estados Unidos atualmente não permitem a entrada de viajantes europeus, por isso as capitais podem negar a chegada de cidadãos desse país, por questão de reciprocidade.

Fontes governamentais indicam um terceiro elemento mais subjetivo. Em alguns casos, haverá razões políticas ou de proximidade com o país em questão que induzam a abrir as portas mesmo que não haja reciprocidade. Em nível comunitário, fala-se dos países dos Bálcãs. 
No caso da Espanha, o foco de interesse é Marrocos, que fechou a sete chaves sua fronteira pouco depois de declarada a pandemia, mas que tem um nível de contágios muito baixo e, portanto, a retomada do fluxo de pessoas vindas desse país acarreta um risco pequeno.

Mas, mesmo sob esse critério, não é fácil tomar uma decisão em favor dos EUA, porque o próprio Donald Trump ignorou a importância da relação transatlântica ao decretar, sem aviso prévio, que se fechassem todas as portas a cidadãos procedentes da UE.
Temporada turística
A pressão para abrir as fronteiras procede sobretudo de países turísticos, em especial a Grécia. Atenas, que elaborou sua própria lista com 30 países que considera seguros, não quer prescindir de grandes mercados, como o russo, e inclusive sugere a possibilidade de abrir suas fronteiras aos cidadãos desses Estados para que as companhias aéreas e operadoras de turismo possam oferecer seus pacotes.

Outros países, por outro lado, estão abrindo suas fronteiras com a máxima precaução. É o caso da Dinamarca, que até o próximo dia 27 só autoriza a entrada de cidadãos da Alemanha, Noruega e Islândia. 
A Espanha evita dar pistas sobre quais países integrarão a lista europeia, mas assegura que não agirá unilateralmente.

A preparação da lista, entretanto, não é uma tarefa nada simples. Todos os países proporcionam dados sobre o alcance da pandemia. Mas várias fontes diplomáticas duvidam da fiabilidade de muitas dessas estatísticas. “O problema é de confiança”, argumentam fontes comunitárias. A isso se soma que muitos países fazem suas contribuições ao debate com argumentos políticos ou de proximidade, segundo estas fontes.

Os diplomatas, entretanto, esperam chegar a um acordo antes do dia 1º para evitar que o desacordo ponha em risco as garantias sanitárias na fronteira externa da União Europeia. O que, por sua vez, representaria uma ameaça para toda a área Schengen.

Arte de AROEIRA


Associação de funcionários do Banco Mundial pede suspensão da nomeação de Weintraub para diretoria executiva, por Julia Duailibi e Natuza Nery

Ex-ministro da Educação foi indicado para cargo no conselho de diretores, que abriga representantes dos países.

Weintraub — Foto: Bom Dia Brasil

A associação de funcionários do Banco Mundial enviou uma carta aberta ao Comitê de Ética da instituição, nesta quarta-feira (24), pedindo suspensão da nomeação do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub para um cargo de diretor executivo.

Ao sair do governo, Weintraub foi indicado para o conselho de diretores, que abriga representantes dos países. 
O grupo específico que o Brasil integra reúne Colômbia, Filipinas, Equador, República Dominicana, Haiti, Panamá, Suriname e Trinidad e Tobago. Essas nações terão que aprovar a indicação do ex-ministro.

Na carta enviada ao Comitê de Ética, os funcionários do banco se dizem preocupados com declarações tidas como preconceituosas de Weintraub sobre os chineses e sobre minorias.

O grupo cita a postagem do ex-ministro em que ele usou personagem de desenho para ironizar a fala dos chineses, culpando-os pelo novo coronavírus e insinuando que querem dominar o mundo. A associação menciona ainda que o Supremo Tribunal Federal abriu investigação sobre o caso por racismo, e também que o ex-ministro sugeriu que os membros da Corte deveriam ser presos.
Arte de TACHO
O texto diz que a última ação de Weintraub no ministério foi acabar com cotas para minorias em cursos de pós-graduação, como o acesso de negros, indígenas e pessoas com deficiência. E que ele fez declarações públicas contra a proteção do direito de minorias e da promoção de igualdade racial.
A associação de funcionários afirma que entende que a escolha de pessoas para ocupar o cargo é exclusivamente do Brasil, mas que precisam garantir que os membros do conselho sigam códigos de conduta que exigem "altos níveis de integridade e ética" tanto do lado pessoal quanto profissional.
O grupo espera que o Comitê de Ética leve em conta os fatos citados para suspender a nomeação de Weintraub até que eles sejam analisados e que Weintraub tenha conhecimento que as atitudes das quais é acusado "são totalmente inaceitáveis" no Banco Mundial.
A associação lembra que o fim do racismo na instituição é uma posição moral que foi recentemente tomada e que deve ser reforçada.