domingo, 31 de maio de 2020

Arte de QUINHO


Somos todos do jardim de infância, se comparados ao Rubem e ao Millôr, por Fernanda Torresôr

Não tem Machado, Bandeira, Suassuna, Rosa, Drummond, Graciliano, Nelson ou Clarice no buraco em que nos metemos 
Tati Bernardi caríssima, 
Li, neste jornal, que você gostaria de voltar a escrever crônicas, mas o estupor da hora impede. 
Eu também, Tati, tenho saudade das minhas. E penso que parei de escrevê-las bem antes de você, que ainda reflete sobre a maternidade, os amores tortos, o sexo no casamento, os vizinhos e as eternas neuroses. 
ARTE de MARTHA MELLO
Foi a releitura de Rubem Braga que lhe fez notar o desvio. Amo Rubem Braga. Você conhece uma crônica chamada “Defuntos”, sobre a diferença entre os obituários da Alemanha e do Brasil? 
É das minhas preferidas. 
O Millôr me deu uma coletânea com 36 joias do Rubem ilustradas por ele. Guardo o tesouro num lugar de honra da estante. 
O prefácio é do Millôr, um texto que eu daria tudo para ter escrito. Chama-se “A Última Vez que Vi Rubem Braga”. 
Nele, o inventor do frescobol conta dos acenos efusivos que trocava com o cronista, ele no seu estúdio, na General Osório, e o amigo numa cobertura, alguns quarteirões afastada. Em íntima distância, Millôr admirava Rubem ao sol e Rubem via Millôr na prancheta. 
Mas “veio o governo Carlos Lacerda, que aprovou a ideia de mudar o gabarito de Ipanema transformando-se o bairro numa favela igual a Copacabana”. 
E assim, a cidade que ambos conheceram, feita de casas e prédios baixos, foi posta abaixo. “A exploração imobiliária, liberada para todas as cobiças e todas as monstruosidades arquitetônicas, começou a rodear o edifício de Rubem Braga com massas gigantescas de concreto e aço, construções as mais estranhas, sem ar nem luz —atentados que ninguém parece ver, e contra os quais, aparentemente, ninguém pode. 
E, pouco a pouco, Rubem Braga foi desaparecendo deminha vista, tragado pela Nova York, oculto pela Canadá, emparedado pela Sergen, sepultado pela Gomes de Almeida Fernandes.” 
Um dia, um desses caixotes de cimento horrendo barrou, em definitivo, a comunicação do Millôr com o parceiro. Foi a última vez que ele viu Rubem Braga. 
É um relato estupendo sobre a amizade, a convivência, a catástrofe urbanística e a mudança inexorável das coisas. Um libelo contra o mau gosto, além de um epitáfio da geração dos dois, insinuado no título. E tudo sem perder a dimensão humana, dos sentimentos, ou se valer de denúncias, protestos e estatísticas enfadonhas. O problema é que o mundo perdeu a poesia, Tati. O humor, a inteligência e a poesia. Estamos todos como a tartaruga que cai de pernas para o ar e vive à espera de alguém que a desvire. Passo os dias quarentenada. 
À noitinha, assisto ao noticiário das inomináveis tragédias, afundo na lista de óbitos, medro diante das improbidades e conspirações mais torpes e, por fim, coro ao som de palavrões chulos. 
A monstruosidade impera travestida de decência. 
Quando me sento para escrever, só vem o assombro com a última meleca misturada com cachorro-quente, o susto com a carreata armada, a indignação com as maracutaias da saúde e o pânico com aquela reunião ministerial. Quem virá nos resgatar? Antônio Prata é de lavar a alma, Gregorio não se intimida, você é o melhor espelho que se pode ter, mas somos todos do jardim de infância, se comparados ao Rubem e ao Millôr. 
A geração deles se criou num país que ainda existia. Nota-se, na elegância da pena da dupla, ecos da ironia do Machado, da melancolia do Bandeira. Mas não tem Machado e nem Bandeira, não tem Suassuna, Rosa, Drummond, Graciliano, Nelson ou Clarice nesse buraco em que nos metemos. 
Ontem, fui dormir certa de que rumamos para a Venezuela. Talvez aconteça aqui. O dinheiro grosso não se importa de abrir mão da educação, da cultura, da ciência e da justiça. 
Celso de Mello se insurge contra a “gravíssima aleivosia” do “discurso contumelioso” do louco do Weintraub. Não defendo que os magistrados corrompam o seu excelentíssimo português, mas o decano precisa de legenda para ser compreendido; ao contrário dos porras, foda-ses, trozobas, hemorroidas, bostas e estrumes do capitão. “Atentados que ninguém parece ver e contra os quais, aparentemente, ninguém pode”, volto ao Millôr. 
E, pouco a pouco, o Brasil vai desaparecendo da minha vista, tragado pela América do Olavo, oculto pela Estátua da Liberdade da Havan, emparedado pelo velho centrão, sepultado pelas fake news.
Eu também gostaria de escrever uma crônica, mas diante dos acontecimentos, o que resta é a inutilidade da análise. 
Os brioches da Maria Antonieta. 
Nos vemos na guilhotina.

Arte de SINOVALDO


“Eu fui um ‘bot”: as confissões de um agente dedicado a mentir no Twitter, por JORDI PÉREZ COLOMÉ

Ex-funcionário de uma agência explica como funciona a sofisticada máquina das armadilhas na rede social
As redes sociais, terreno de jogo para as campanhas de manipulação.BILL HINTON 


“Tomara que você morra!” Mensagens que fazem da Internet um lugar sinistro

“Coordenei uma equipe de trolls formada por 10 pessoas. Mas há equipes maiores no setor”, diz um community manager que durante boa parte da última década atuou em uma agência internacional que vendia serviços de amplificação artificial de mensagens no Twitter. “Trabalhei em projetos em cinco países, entre eles a Espanha. Existe uma demanda para contratos desse tipo que não é anunciada nas Páginas Amarelas”, diz.

Com esta experiência, ele agora quer revelar como funciona esse negócio obscuro capaz de influenciar a opinião pública. Há algumas semanas, começou a contar detalhes em uma conta do Twitter chamada ironicamente @thebotruso (“o robô russo”). Seu papel na agência em questão, trocou dúzias de mensagens com @thebotruso sobre como são preparadas a executadas atualmente as célebres campanhas de bots e trolls a serviço de empresas, partidos políticos ou clubes esportivos. 
O ex-funcionário mantém o anonimato porque um contrato de confidencialidade o impede de revelar o conteúdo específico e os clientes de seu antigo trabalho.

O Twitter não é uma réplica da vida real. Mas os debates ou opiniões que dominam a rede frequentemente vão parar na mídia. Ou mesmo na tribuna dos Parlamentos. “As ruas estão ficando cheias de bots”, disse com ironia Santiago Abascal, líder do partido Vox, ao primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, durante um debate nesta segunda-feira, referindo-se a recentes manifestações da direita no país. Uma parte das contas que discutem no Twitter é falsa. O problema é saber quantas ou, mais difícil, quais são, e que influência exercem. “Eu gostava de chamar a atenção de jornalistas afins. Aumenta muito nosso ego que um jornalista pegue os conteúdos de sua conta troll como fonte dos seus artigos, além de ajudar a ganhar visibilidade”, conta @thebotruso.
1. Nem todos são ‘bots’
Por definição se usa bot como sinônimo de conta falsa no Twitter. Mas um bot é uma conta automatizada, não necessariamente falsa. Anos atrás, eles eram os principais encarregados de amplificar mensagens: faziam milhares de retuítes ou likes, ou serviam para engrossar contas de seguidores. Continuam tendo essa finalidade, mas, graças a ações do Twitter e à maior sofisticação dos usuários atuais, ficou mais fácil descobri-los e eliminá-los.

A agência onde @thebotruso trabalhava tem um software para programar bots. Ele dá ordens para fazer tantos retuítes de tais contas ou disparar tuítes previamente redigidos em horários determinados. É barato, mas pouco refinado. “Continua-se trabalhando para amplificar o conteúdo, mas é preciso ser cuidadoso, porque pode acarretar um problema de reputação ao cliente”, diz.

Para evitá-lo, há vários recursos que permitem humanizar ou desvincular esses bots de uma campanha: "Os bots não irão retuitar qualquer coisa que se mexa. Se forem feitas ações com um troll específico, por exemplo, isso gera um padrão, com o que um analista de dados da concorrência seria capaz de levantar a lebre”, diz.

Os bots tampouco seguirão a conta do cliente que os paga, como precaução para uma eventual descoberta. “Se pegarmos como exemplo a causa independentista [da Catalunha], os bots seguirão diferentes partidos, políticos e associações, mas não o cliente final”, explica. Também se observa se há usuários reais interagindo com algum bot. Nesse caso, um funcionário entrará no circuito para responder.
2. A chave são dois tipos de trolls
A definição habitual de troll está associada a um usuário vândalo ou impertinente. Na agência, essas eram suas contas-estrelas. Cada empregado podia administrar 30 delas, cada uma com seu comportamento humano. Os trolls se dividiam em alfa e beta.

As contas alfa difundem a mensagem. Começavam com uma estratégia de “me siga e eu te sigo”, para ganhar peso. Seus tuítes iniciais eram inflados pelos bots e depois interagiam com contas importantes para chamar a atenção. Na Espanha, ficou famosa a conta de Miguel Lacambra, que conseguiu 20.000 seguidores em poucas semanas com uma estratégia similar.

Os trolls beta são os guerrilheiros. Dedicam-se a amansar a crítica. São contas que respondem a tuítes de famosos com insultos ou ameaças. “Os afetados pelos ataques dos beta veem as respostas a seus tuítes e muitas vezes se contêm um pouco na hora de tuitar, dependendo do tema. Sentem-se incômodos e passam a querer ter um perfil mais discreto. O sistema é eficaz. Por isso, continuam sendo contratados e aperfeiçoados. E nós, usuários, continuamos caindo”, diz.
3. O objetivo: enganar o Twitter
Uma parte dos esforços é dedicada a evitar a detecção das armadilhas e aumentar a probabilidade de sucesso: “Os trolls não se seguirão entre si e se limitará a interação entre eles para que liderem vários grupos de diálogo e porque uma relação habitual entre dois ou mais trolls poria a operação em risco”, diz @thebotruso. As contas são mapeadas com uma ferramenta habitual entre pesquisadores, chamada Gephi, para ver se a relação entre eles é destacável: “Esses gephis seriam capazes de revelar a relação entre nossas contas (trolls e bots), por isso todo cuidado é pouco”, diz.

Há, além disso, um objetivo permanente em todas essas operações: evitar padrões. “Cada conta que um troll dirige deve escrever diferente: as pessoas têm tendência a utilizar certas expressões e deixar padrões de escrita, como pôr dois pontos de exclamação ou terminar todas as frases com reticências”, conta.

Os ardis para enganar o Twitter são ainda mais destacáveis com os bots automatizados: “O software comanda todos os bots, que se dividem em grupos. Cada grupo utiliza uma API [ferramenta para usar automaticamente o Twitter]. E o endereço IP é variado de forma aleatória. Chegamos a ter 3.000 ou 4.000 contas em uma mesma API, e me consta que poderiam ser usadas até mais. O problema é que, se você tiver muitas contas tuitando direto sob uma mesma API, pode levar o Twitter a bloqueá-la”, explica. Embora essas ferramentas permitam administrar milhares de contas, é preciso personalizar cada uma delas com foto, nome e biografia. É um trabalho longo demais para que o Twitter derrube 2.000 perfis de uma vez.
4. Toda campanha tem um plano
Cada campanha é preparada com análise de dados e objetivos diários. Os bots e trolls não surgem do nada. Antes de uma campanha, cientistas de dados analisam a conversação pública sobre o tema que interessa ao cliente: um partido que deseja ampliar sua bancada, uma empresa que espera bater um concorrente, ou um time de futebol com problemas de credibilidade.
“Eles veem quantas contas estão participando de um tema e se estabelece quantas seriam necessárias para ter influência”, diz. Também é analisado o sentimento e os influencers desses assuntos: “São feitas listas de contas favoráveis e contrárias, e se analisa o peso que elas têm”, diz. 
Essa informação é chave para o funcionamento da campanha: “Serve para que o troll saiba com que usuários interagir, para gerar um núcleo com eles, a quais responder e perseguir com os beta, e com que usuários nem sequer vale a pena perder tempo. Não é a mesma coisa iniciar uma conta do tranco ou com uma quantidade imensa de informação. O troll alfa sabe a quem se dirigir, com que tom, e o que comunicar”.
Uma campanha pode chegar a custar um milhão de euros (6,2 milhões de reais). O cliente espera resultados concretos e demonstráveis. Uma campanha média pode exigir entre 1.500 e 2.000 bots e trolls.
Enquanto os usuários normais do Twitter entram na rede para ver o que acontece, estas operações envolvendo centenas de contas falsas têm um plano diário. É como se a cada jornada um chefe mafioso enviasse um grupo de asseclas a uma cidade com um plano delicadamente concebido para que executem uma série de missões concretas e semeiem o pânico sem serem detectados. O objetivo é fazer os cidadãos acreditarem em coisas que não são verdade: não só com notícias falsas, mas também com ações que sugiram que mais gente acredita em determinada coisa do que realmente ocorre. Seria como inflar uma pesquisa de opinião. Claro que frequentemente se enfrentam equipes que buscam justamente o contrário.

Isto não fica só na teoria. Seus efeitos têm consequências no mundo real. “As pessoas tendem a compartilhar sua opinião quando se sentem protegidas pela comunidade”, diz esse agente. “Houve um tempo em que muitos catalães não independentistas não publicavam suas ideias nas redes porque entravam no Twitter e tinham a sensação que meio mundo era independentista.”

Estas ações em redes permitem abrir o caminho para opiniões radicais. De repente, alguém vê que a crítica aberta a imigrantes ou mulheres está permitida. Talvez não seja feita com crueldade ostensiva, e sim com memes ou palavras em código, mas está lá. Não se sabe se essas contas são controladas por uma dúzia de empregados em um escritório.
5. Como enganar um jornalista
Frequentemente, os jornalistas não têm consciência de como é fácil lhes passar mercadoria falsa. Um dos motivos que levou @thebotruso a criar essa conta e querer contar sua experiência foi para tentar advertir dos perigos: “Quem trabalha na mídia nem sempre conhece esse ecossistema. De certo modo, é fácil enganar um jornalista. Eles estão sempre procurando informações e, hoje em dia, a Internet é uma fonte muito grande. Se um jornalista topar com seu conteúdo, vir que tem apoio e que se encaixa no que ele quer (ou precisa) comunicar, talvez pegue. As estratégias para cada caso são diferentes. Por exemplo: para uma empresa acusada de corrupção, criamos um ecossistema que defendia os postos de trabalho (trabalhadores preocupados com as medidas exigidas contra a empresa)”, explica.
6. Como manipular uma pesquisa no Twitter
Os bots são úteis para ganhar uma pesquisa na rede. Estes são os passos que esta agência seguia: “Detecta-se a pesquisa e se faz uma captura de tela. É feito um cálculo para saber quantos votos são necessários para virar os resultados, e o valor de cada ponto percentual. Tem início a operação para que a opção desejada vença. Monitora-se para ver que tudo funciona corretamente”.

7. A criação de um ‘trending topic’
As opções para conseguir um trending topic eram mais reduzidas, mas a estratégia era clara. A agência trabalhava durante dias para atingir seu objetivo. “A primeira coisa é escolher um dia e uma hora. Procura-se não coincidir com eventos como um jogo de futebol ou o Big Brother”, explica @thebotruso. “Escolhe-se uma hashtag, é importante que não tenha sido utilizada antes, porque são mais difíceis de posicionar. Aciona-se a equipe de redatores que escrevem milhares de tuítes durante vários dias para que sejam publicados pela rede de bots”, acrescenta.

Usuários reais também são avisados, para caso tenham interesse. “São enviadas comunicações a pessoas afins para avisar da ação: tal dia, a tal hora, sairemos com tal hashtag para nos queixar, convidamos você à ação para ver se conseguimos ser tendência e fazer que nos ouçam”.

Chega o grande dia: “Os analistas olham quantos tuítes são necessários para entrar nas tendências. Os tuítes são inseridos na plataforma de bots. O cliente dispara o primeiro tuíte. Rapidamente a rede de bots é acionada. É crucial que haja muitos tuítes em um espaço curto de tempo. Os trolls alfa saem com tuítes de impacto. Os analistas de dados monitoram para saber se é preciso disparar mais tuítes, ou se é o caso de frear a rede de bots. Os trolls beta apoiam a ação, respondem aos críticos, estimulam outros usuários com a mesma ideologia”.

Passada a missão, com sucesso ou não, é hora de dissimular as provas: “A ação dos bots é detida e limpa: as contas bot fazem tuítes e retuítes de outros temas para que, se alguém aparecer para ver essas contas, não veja que só entraram para fazer tuítes sobre o trending e foram dormir. Os trolls podem continuar tuitando por algum tempo, e depois farão uma limpa, como os bots”, acrescenta. “Finalmente, prepara-se um relatório para o cliente”.

E como tudo isso afeta quem o faz? “Todos estávamos conscientes do que estávamos pondo em jogo. E eu gosto dessa palavra: jogo. Sempre recomendei a todo mundo que encarasse como jogar War, porque é fácil encarar os projetos como algo pessoal, e às vezes é difícil administrar a diferença entre a sua conta troll e você. Por sorte, nunca tive ninguém de licença por depressão, ansiedade ou nada parecido”.

Personalidades lançam manifesto pela defesa da vida, da liberdade e da democracia, nas folhas

Documento conta com mais de 6 mil assinaturas de representantes do mundo cultural, político, social e empresarial, de esquerda, centro e direita, e foi publicado nos principais jornais do país neste sábado.

Manifesto a favor da vida, da liberdade e da democracia é lançado com 6 mil assinaturas

Um grupo até aqui com seis mil assinaturas de personalidades do mundo cultural, político, social e empresarial, de esquerda, centro e direita lançou neste sábado (30) um manifesto em defesa da vida, da liberdade e da democracia. O movimento "Estamos Juntos" divulgou o texto nos principais jornais do país.

O texto pede que "os representantes e lideranças políticas exerçam com afinco e dignidade seu papel diante da devastadora crise sanitária, política e econômica que atravessa o país".

Em outro trecho, os manifestantes dizem que são "mais de dois terços da população do Brasil e invocam que partidos, seus líderes e candidatos agora deixem de lado projetos individuais de poder em favor de um projeto comum de país.

O movimento também afirma que forma uma frente ampla e diversa, suprapartidária, que valoriza a política e trabalha para que a sociedade responda de maneira mais madura, consciente e eficaz aos crimes e desmandos de qualquer governo.


Diz ainda que:
"É hora de deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum. Esquerda, centro e direita unidos para defender a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia".

O manifesto defende ainda uma administração pública reverente à Constituição, audaz no combate à corrupção e à desigualdade, verdadeiramente comprometida com a educação, a segurança e a saúde da população.
E termina:
"Queremos combater o ódio e a apatia com afeto, informação, união e esperança".

Leia a seguir a íntegra do manifesto e veja os signatários aqui:
MANIFESTO ESTAMOS #JUNTOS

Brasil, 29 de maio de 2020

Somos cidadãs, cidadãos, empresas, organizações e instituições brasileiras e fazemos parte da maioria que defende a vida, a liberdade e a democracia.
Somos a maioria e exigimos que nossos representantes e lideranças políticas exerçam com afinco e dignidade seu papel diante da devastadora crise sanitária, política e econômica que atravessa o país.
Somos a maioria de brasileiras e brasileiros que apoia a independência dos poderes da República e clamamos que lideranças partidárias, prefeitos, governadores, vereadores, deputados, senadores, procuradores e juízes assumam a responsabilidade de unir a pátria e resgatar nossa identidade como nação.
Somos mais de dois terços da população do Brasil e invocamos que partidos, seus líderes e candidatos agora deixem de lado projetos individuais de poder em favor de um projeto comum de país.
Somos muitos, estamos juntos, e formamos uma frente ampla e diversa, suprapartidária, que valoriza a política e trabalha para que a sociedade responda de maneira mais madura, consciente e eficaz aos crimes e desmandos de qualquer governo.
Como aconteceu no movimento Diretas Já, é hora de deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum. Esquerda, centro e direita unidos para defender a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia.
Defendemos uma administração pública reverente à Constituição, audaz no combate à corrupção e à desigualdade, verdadeiramente comprometida com a educação, a segurança e a saúde da população. Defendemos um país mais desenvolvido, mais feliz e mais justo.
Temos ideias e opiniões diferentes, mas comungamos dos mesmos princípios éticos e democráticos. Queremos combater o ódio e a apatia com afeto, informação, união e esperança.
Vamos #JUNTOS sonhar e fazer um Brasil que nos traga de volta a alegria e o orgulho de ser brasileiro.

sábado, 30 de maio de 2020

Bolsonaro vai de helicóptero até cidade goiana e causa aglomeração com apoiadores em lanchonete, pA Jornalista

Comentário ironia--Tiririca não esta gostando.....
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Palácio do Planalto não informou sobre agenda do presidente.

Bolsonaro vai de helicóptero até Abadiânia e causa aglomeração em lanchonete

O presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio do Planalto na manhã deste sábado (30) e fez um voo de helicóptero até Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal. 
Após pousar, Bolsonaro foi até uma lanchonete na BR-060, onde foi fotografado com uma máscara pendurada no ombro enquanto comia um salgado. A visita do presidente gerou aglomeração no local.
O G1 entrou em contato com o Palácio do Planalto, que não deu informações sobre a agenda do presidente.
Segundo uma funcionária da lanchonete, que não quis se identificar, a visita foi rápida e bastante movimentada. “Ele já saiu, mas tem muita gente com ele em uma comitiva enorme”, afirma.
Jair Bolsonaro lancha com máscara pendurada no ombro em lanchonete de Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

O líder do governo na Câmara, deputado Major Victor Hugo (PSL-GO), postou no Twitter foto dentro do helicóptero com o presidente e com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. No post, Victor Hugo afirmou que a ida a Abadiânia foi para "conversar com a população".
No início deste mês, no dia 2, o presidente Jair Bolsonaro visitou um posto de gasolina às margens da BR-040, perto de Cristalina, no Entorno do DF. 
Na ocasião, Bolsonaro cumprimentou apoiadores e posou para fotos. 
Aglomerações se formaram ao redor do presidente, contrariando as orientações das autoridades sanitárias para evitar o alastramento do coronavírus.
Bolsonaro deixa lanchonete ao lado de apoiadores e seguranças, em Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Guia Bacurau contra a covid-19, por Por Ruben Bauer Naveira em OUTRASPALAVRAS

Num país em que o governo e os poderosos sabotam a luta contra a epidemia, população precisa agir com inteligência autônoma. Eis alguns cuidados pessoais que, baseados em evidências científicas, podem ajudar a prevenir e combater o vírus

A razão de existir de um país é prover bem-estar aos seus habitantes. Dá vergonha ver-me compelido a iniciar este texto enunciando tamanha obviedade. Porém, se no passado o Brasil pode até ter sido um lugar que merecesse ser chamado de “país”, hoje sua classe dominante sequer faz mais questão de fingir isso. Se há algo profilático que possa decorrer a pandemia de covid-19, é ver liquidada qualquer pretensão a manter aquelas aparências:
– No Brasil, os leitos de UTI dos hospitais públicos são em menor número que os da rede privada. Porém o Estado se exime e se omite de acionar os mecanismos (que existem) para requisitar os leitos privados vagos, virando as costas para milhares de mortes por mera falta de atendimento médico;
– O Brasil responde por 38% do total de mortes de profissionais de saúde por covid-19 em todo o mundo (a grande maioria auxiliares de enfermagem, a categoria mais precária dentre eles), tragédia que grita as péssimas condições de trabalho desses profissionais, em especial na rede pública;
– No Brasil, o auxílio emergencial às pessoas mais necessitadas é recusado a 37 milhões de requerentes, o que impõe a essas pessoas arriscar-se ao contágio nas filas às portas das agências da Caixa; mães de família cadastradas no programa Bolsa Família têm esse provento suspenso, ainda sem que o auxílio emergencial lhes tenha sido aprovado; a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público denuncia haver pelo menos 40 mil casos de auxílios arbitrariamente negados pelo simples fato de a pessoa ter um familiar preso; e o presidente da República veta a extensão do auxílio a categorias como a de catadores de lixo reciclável.
É neste não-país que se abate sobre os seus habitantes a epidemia da covid-19.
Já é sabido que, quando a pessoa chega ao ponto de passar a sentir falta de ar, devido à doença, é porque ela está com pneumonia há dias. A falta de ar é sintoma do agravamento dessa pneumonia.
Também já se sabe que a pneumonia da covid-19, mesmo quando a pessoa acometida acaba curada sem chegar a precisar ser internada em hospital, pode deixar sequelas em termos de redução da capacidade pulmonar. Somente no futuro se saberá se essas sequelas se revertem com o tempo, ou se serão permanentes.

Este texto baseia-se em levantamentos sobre a covid-19 e sobre as possibilidades para se lidar com a doença. Contém indicações terapêuticas que cada leitor pode adotar e praticar por si próprio – e as comunidades podem abraçar em prol dos seus membros. Tratamentos que devem ser empregados tanto por quem contraiu a covid-19 quanto por quem não contraiu mas busca se precaver.
Se os brasileiros não podem mais contar com o Brasil (muito pelo contrário, têm de se defender dele), somente nos resta contar uns com os outros.
Este texto destina-se, portanto, especialmente a pessoas imbuídas de um espírito coletivista, que generosamente assumam a tarefa de se organizar comunitariamente, de modo a fazer chegar a todas as pessoas das suas comunidades essas possibilidades de enfrentamento da doença.

Nesse sentido, são dez as recomendações:
– Não pire;
– Enxágue as narinas e a garganta;
– Beba mais água;
– Deite de bruços;
– Meça sua saturação (oxigenação do sangue);
– Turbine a sua máscara de tecido;
– Previna as microtromboses;
– Previna a tempestade de citocinas;
– Se você for diabético, capriche no controle; e
– Soberania sobre a própria vida e saúde não se delega.

1. Não pire:
Não é verdade que 80% dos casos de covid-19 sejam casos leves, e que os outros 20% se compliquem. Também existem os casos assintomáticos, em que a pessoa nem fica sabendo que está com a doença. Justamente por serem assintomáticos eles não entram nas estatísticas, e assim o percentual de casos que complicam é seguramente menor do que 20% (sendo que nem todos eles necessitarão de hospitalização, e ainda menos necessitarão de intubação).
É claro que saber disso não garante ninguém, porque alguns irão mesmo complicar. Mas tenha sempre em mente essas chances de um desfecho favorável de modo a manter a sua paz interior, por uma razão muito simples: o estresse eleva os níveis no sangue de uma substância chamada cortisol, que é um corticoide. Se você pegar covid-19, o principal fator que fará diferença entre você ter apenas sintomas leves ou complicar será o estado geral do seu sistema imunológico. E corticoides debilitam o sistema imunológico.
Parêntesis: pacientes hospitalizados com covid-19 podem vir a receber corticoides, mas isso será porque a inflamação nos pulmões já chegou a tal ponto – justamente pela reação descontrolada de um sistema imunológico em pane – que não há mais outro jeito, senão combater a inflamação mesmo à custa de comprometer o que ainda reste de resposta imunológica à doença. Fecha parêntesis.
Há tempos que se tornou comum médicos receitarem placebos aos seus pacientes sem contar-lhes isso, e os pacientes mesmo assim se curarem. Isto ocorre porque a medicina entendeu que, em muitas doenças, os fatores psicossomáticos são preponderantes, e assim a autossugestão faz efeito. No caso da covid-19, em que o desfecho de complicar ou não dependerá do sistema imunológico, não se deixar dominar pela angústia e ansiedade após começar a sentir os primeiros sintomas pode sim fazer diferença.
Além de evitar o estresse, os demais fatores que favorecem o sistema imunológico são: pratique atividade física; tenha uma boa qualidade de sono; hidrate-se (abordaremos adiante); tenha uma alimentação saudável; e evite o consumo de bebida alcoólica.
Ação comunitária: pode-se fazer campanhas educativas quanto à importância do auto-cuidado para com o sistema imunológico. Como o isolamento em si tende a ser estressante, a comunidade pode desenvolver formas de apoio para aliviar essas atribulações. Para quem pegou covid-19 e não está conseguindo manter um autocontrole, uma palavra amiga (tomados os cuidados para evitar contágio) pode ajudar muito.

2. Enxágue as narinas e a garganta:
Afirmamos aqui que enxaguar as narinas e a garganta com água salinizada previne a covid-19. Mas, o que significa “prevenir”? Dentre os significados do dicionário, constam: “Dispor as coisas buscando evitar um mal, um dano: ‘é melhor prevenir do que remediar’; precaver-se, acautelar-se, preparar-se: ‘preveniu-se para encarar o inverno’ ”. Então, “lavar o nariz e a garganta para prevenir a covid” não significa que isso garanta que não se vá contrair a covid. Significa que se está adotando bons cuidados (assim como isolar-se, lavar as mãos, usar máscara etc.) para evitar contraí-la.
Gargarejos com água morna, sal e vinagre para prevenção da covid já foram desqualificados como fake news, devido a não haver comprovação científica inequívoca (de toda forma esqueça o vinagre, por favor). 
Mas são muitos os médicos que prescrevem sprays de água salgada para quadros de gripe ou sinusite – porque esse enxágue remove a camada de muco que recobre as mucosas das narinas, enquanto que o gargarejo a remove na garganta (nas narinas a camada de muco retém ainda poeira). É claro que água salgada não matará o vírus, mas a camada de muco facilita a aderência do vírus às mucosas, e assim a sua remoção “dificultará a vida” do vírus.
O Dr. Albert Sabin, criador da vacina contra a poliomielite, apregoava a limpeza das vias aéreas superiores como fator de prevenção das doenças respiratórias virais; a esse respeito, vale a pena assistir ao vídeo com o depoimento de um médico brasileiro que conviveu com ele.
Nos estudos sobre os vírus (virologia) existe um parâmetro denominado “dose infecciosa”, que é uma estimativa do volume (quantidade) mínimo de um determinado vírus a partir do qual, em contato com o organismo, se estabelecerá aquela infecção. A dose infecciosa varia muito de vírus para vírus, desde a faixa da unidade/dezena (caso por exemplo do vírus influenza, causador da gripe) até a faixa do milhar/dezena de milhar (caso por exemplo do vírus HIV).

Qual a dose infecciosa do novo coronavírus, para que a infecção por covid-19 se estabeleça? Ninguém sabe ainda. 
Assim, vale muito a pena investir em um procedimento que é simples e prático para tornar “menos amistoso” ao coronavírus o ambiente do nariz e da garganta. Na pessoa saudável, isso aumentará a quantidade de vírus a partir da qual a doença se instalará; na pessoa já com os sintomas iniciais, isso auxiliará o sistema imunológico a combater a doença e evitar que ela complique.
O procedimento é simples: ferva água potável por pelo menos três minutos, e deixe esfriar. Quando estiver ligeiramente morna, para 300 ml de água (um copo bem cheio) adicione uma colherinha das de café de sal e meia colherinha das de café de bicarbonato de sódio, misturando bem (ajuste essas quantidades para seu maior conforto). Incline a cabeça para um dos lados de modo a que suas narinas fiquem na vertical, e injete a água salinizada na narina de cima, de modo a que escoe, por gravidade, pela narina de baixo (você pode usar uma seringa para injetar). Incline a cabeça para o outro lado, e repita o procedimento. Com o que sobrar da água, faça gargarejos para lavar a garganta. Você pode fazer essa lavagem uma vez ao dia, antes de dormir, e, caso pegue covid, de três a quatro vezes ao dia.

Uma ressalva: se você possuir um nebulizador de uso doméstico, não o utilize supondo que deva “limpar” os pulmões com água salinizada (ou com soro fisiológico, que é uma água fracamente salinizada) assim como faz com o nariz e a garganta. A nebulização não deve ser empregada na covid, por duas razões: nebulização é a inalação de uma névoa de microgotículas, e, como o vírus se transporta em gotículas, você poderá estar facilitando a migração dele do nariz e da garganta para dentro dos seus pulmões; além disso, na expiração a pessoa doente projeta no ambiente a névoa de gotículas, espalhando a contaminação.
Ação comunitária: pode-se fazer campanhas de esclarecimento sobre a importância e a técnica de lavagem nasal. Pode-se distribuir seringas (sem as agulhas) juntamente com bicarbonato de sódio, alertando que cada seringa deve estar identificada para que não seja usada por mais de um membro da família.

3. Beba mais água:
Da mesma forma que médicos recomendam aos seus pacientes com gripe ou sinusite que apliquem sprays de água salinizada nas narinas e que façam gargarejos, eles também lhes recomendam que se mantenham hidratados. A hidratação tem efeito direto nas mucosas das vias aéreas superiores, e é sabido que, se a pessoa se mantém com uma sensação de ressecamento na boca, nariz e garganta, os sintomas da gripe ou sinusite são piores.
Não há porque ser diferente com a covid-19. Atrapalhe a vida do vírus, mantendo suas mucosas hidratadas em vez de ressecadas, bem como ajude o seu sistema imunológico a combatê-lo, bebendo no mínimo dois litros de água por dia (atenção: não é porque Coca-Cola seja líquida e seja produzida com água que ela hidrate o organismo, muito pelo contrário; hidratação é para ser feita com água mesmo). 
O sistema imunológico somente opera de forma ótima com a ingestão diária dessa quantidade mínima de água.
Ação comunitária: campanhas de esclarecimento, e levar água potável até quem não disponha dela.

4. Deite de bruços:
Procure na web por “covid bruços” ou “covid prona” (de “posição prona”, que é o termo médico), e você verá que pacientes hospitalizados são colocados de bruços a maior parte do tempo, especialmente se estiverem intubados. Comparativamente com pacientes que sejam mantidos deitados de barriga para cima, a melhora é notável.

A explicação para isto é que, na respiração normal, o ar somente ocupa as partes da frente e de cima dos pulmões (as que ficam “primeiro”), pouco chegando até as partes que ficam mais embaixo e atrás (a parte “dos fundos” dos pulmões, por assim dizer). A posição de bruços, por comprimir a parte “da frente” dos pulmões, faz com que o ar se distribua melhor por todas as regiões pulmonares, chegando até a parte “dos fundos”.
A pneumonia da covid-19 se instala de forma silenciosa (há casos em que nem febre a pessoa tem); quando se chega a sentir falta de ar é porque a pneumonia já se agravou. Se antes disso a pessoa passar a dormir e a repousar de bruços, ela estará preservando a sua função pulmonar, e reduzindo o risco (ou a gravidade) de uma eventual complicação.
Ao se dar conta de que pegou a covid-19, a pessoa deve procurar dormir o máximo de tempo possível de bruços, bem como se deitar de bruços toda vez que for descansar. Se tiver somente os sintomas leves (a grande maioria dos casos) deitar de bruços não terá feito diferença, mas, se acabar complicando, os seus pulmões terão sofrido menos dano.
Ação comunitária: campanhas de esclarecimento e informação.

5. Meça sua saturação 
(oxigenação do sangue):
Há um meio de se detectar precocemente a fase inicial – e silenciosa – da pneumonia da covid, que é a medição da saturação de oxigênio no sangue, feita por um aparelho chamado oxímetro de pulso (é mais uma tradução apressada do inglês: deveria chamar-se “oxímetro de pulsação”), porque a pneumonia da covid-19 começa de imediato a reduzir estes níveis – muito embora a pessoa somente vá começar a sentir a “falta de ar” quando esses níveis já estiverem muito baixos (para saber mais, procure na web por “covid saturação” ou “covid oxímetro”).
O oxímetro é como um “grampo” que se coloca no dedo da pessoa, e alguns segundos depois já exibe o resultado no visor.


Os valores normais de saturação situam-se entre 94% e 100%. Entre 89% e 93%, os níveis já estão baixos, mas são ainda aceitáveis. Como esses aparelhos podem apresentar uma margem de erro de até dois por cento para mais ou para menos, um valor de 87% ainda estaria dentro da margem – em suma, com uma saturação de 86% ou menos é grande a possibilidade de você já ter começado a desenvolver a pneumonia, e deve procurar atendimento médico imediatamente.

Todo posto de saúde, bem como toda equipe local do Saúde da Família, deve estar equipado com um oxímetro desses. Por isso, não será difícil você e seus familiares conseguirem ser examinados. Caso você disponha de cerca de 200 reais, poderá comprar o aparelho pela internet. E boa parte dos celulares mais modernos possui função oxímetro (atenção: é necessário calibrar), então os donos de celulares último tipo já têm um oxímetro, apenas não sabem disso.

Para o teste, a pessoa deve estar com o dedo limpo e sem ferimentos, e com a mão em repouso sobre uma superfície. Esmaltes de unha podem distorcer o resultado, e unhas postiças impedem que o teste seja efetivo.
Ação comunitária: Um exame de oxímetro leva poucos segundos, assim um único aparelho pode servir para o monitoramento de toda uma comunidade – com a devida atenção à higienização, que deve ser feita somente com álcool isopropílico, pois álcool comum pode danificar aparelhos eletrônicos como o oxímetro; aliás, a compra de álcool isopropílico pela comunidade deve servir também para a higienização dos celulares, tablets, notebooks, teclados e mouses das pessoas, porque a limpeza com álcool 70 ou álcool em gel pode vir a danificar esses dispositivos.

6. Turbine a sua máscara de tecido:
Faça com que a sua máscara de pano caseira fique com um poder de filtragem (e de proteção) equivalente ao de uma máscara hospitalar padrão N-95 (a melhor de todas), com essa providência simples: coloque uma folha de filtro de café por dentro da máscara.
O poder de filtragem do filtro de café é muito elevado, como se pode ver neste quadro comparativo:

A máscara de tecido apresenta um problema: após algum tempo, ela passa a reter a umidade da respiração, tornando-se assim um ambiente propício ao vírus – o ideal é que a máscara permaneça o tempo todo seca. O filtro de café, além da sua maior filtragem, retém também a umidade, mantendo seca a máscara de pano.
Um filtro de café é uma folha dobrada ao meio e colada nas bordas. Destaque as duas “meias-folhas” do filtro, e acomode uma delas por dentro da máscara, cobrindo o nariz e a boca. A folha de filtro deve ser trocada a cada duas horas, de modo a não acumular umidade.
Assista também esse vídeo explicativo, produzido na USP: https://youtu.be/oRzwKQxE-lk.

Ação comunitária: distribuição de filtros de café, com orientação sobre como utilizá-los.

7. Previna as microtromboses:
Além dos pulmões, a covid ataca também o sangue, provocando microtromboses nos capilares, que são os vasos sanguíneos mais finos que irrigam a periferia dos tecidos do nosso corpo. A trombose é a formação de um coágulo (ou “trombo”) que bloqueia a livre passagem do sangue. Por esta razão a covid provoca também enfartes, AVCs, disfunção renal e outros problemas (procure na web por “covid trombose”).
No interior dos nossos pulmões, os capilares que chegam aos alvéolos são extremamente finos (a espessura é menor que de um fio de cabelo), para permitir a chamada troca gasosa: o CO2 trazido pelo sangue se desprende e sairá do corpo pela expiração, enquanto que oxigênio inalado pela inspiração se liga ao sangue. O calibre microscópico desses capilares favorece a ocorrência das microtromboses que, ao se acumularem aos milhares, impedirão a troca gasosa mesmo que o pulmão ainda esteja conseguindo se encher de ar.
Por essa razão nos hospitais já se aplicam anticoagulantes aos pacientes de covid-19. Contudo, a automedicação com anticoagulantes adquiridos em farmácias pode ser muito perigosa. Por isso, você não deve em hipótese alguma sair tomando remédios anticoagulantes sem o devido acompanhamento médico.
Existe, contudo, um anticoagulante natural, sem maiores contraindicações: a salsa. Sim, aquele tempero. A salsa apresenta um efeito anticoagulante peculiar, liquefazendo o sangue (tornando-o mais “ralo”, por assim dizer). Como as propriedades anticoagulantes da salsa ainda não estão bem compreendidas, somente foi possível encontrar este vídeo: https://globoplay.globo.com/v/973841/.
Para prevenir as microtromboses, na eventualidade de uma complicação da covid (lembrando que, ao longo de todo este texto, “prevenir” não significa “impedir” e sim “reduzir o risco de”), você pode desde já passar a ingerir salsa todos os dias (de preferência crua).
Você deve contudo estar ciente que, na ocorrência de algum sangramento (por exemplo um corte ou ferimento), levará mais tempo até o sangue estancar. A salsa precisa ser vista como um medicamento, ainda que se trate de um fitoterápico in natura em vez de um fármaco industrializado. 
Nem por isso, deve-se subestimar o seu potencial anticoagulante. Assim, o consumo diário de salsa implica riscos que devem ser ponderados para grupos como grávidas, mulheres com sangramento menstrual excessivo, hemofílicos, pessoas com úlceras gástricas, que estejam para passar por cirurgias ou que pratiquem atividades com risco de acidentes. Em caso de hospitalização por covid-19, a equipe médica deve ser informada do consumo preventivo de salsa com finalidade anticoagulante, e você deve insistir para que sejam feitos exames dos seus parâmetros de coagulação antes que lhe sejam ministrados outros anticoagulantes.
Por ainda haver muito pouco conhecimento acerca da ação anticoagulante da salsa, ao fazer uma busca na internet você encontrará alegações de que ela teria propriedades coagulantes – quando é justamente o oposto. Isso se deve a ser a salsa uma folha verde-escura, e à noção estabelecida de que folhas verde-escuras (couve, espinafre etc.) são ricas em vitamina K, que tem ação coagulante. Fato é que, além de alguma vitamina K, a salsa contém algum outro princípio ativo que é efetivamente anticoagulante.
Ação comunitária: esclarecimento quanto aos benefícios da salsa; a comunidade pode ainda providenciar o abastecimento diário de maços de salsa na quantidade necessária a suprir a todos.

8. Previna a tempestade de citocinas:
A chamada “tempestade de citocinas” na covid-19 é uma reação inflamatória descontrolada nos pulmões, provocada pelo próprio sistema imunológico que acaba entrando em pane ao tentar neutralizar o coronavírus. Os pulmões vão se enchendo de líquido, sufocando a pessoa.
O acúmulo de líquido nos alvéolos causado pela tempestade de citocinas, juntamente com as micro-tromboses na malha de capilares de revestimento dos alvéolos pulmonares que impedem o oxigênio de aderir ao sangue, são os fatores que levam ao colapso respiratório que é a principal causa de morte na covid.
Quando uma pessoa contrai a covid-19, o principal fator que irá definir uma evolução favorável ou desfavorável da doença é o estado geral do sistema imunológico. Pessoas com sistema imunológico em bom estado tenderão a ficar assintomáticas (e nem saberão que tiveram covid) ou poderão ter apenas os sintomas leves (tosse, febre, dor de garganta e fadiga) que em pouco mais de uma semana desaparecem. Pessoas com sistema imunológico em mau estado podem desenvolver pneumonia, caracterizada pela queda progressiva do índice de saturação do oxigênio no sangue. Ela pode se agravar ao ponto de começarem a sentir a “falta de ar”, e podem vir a padecer da tempestade de citocinas provocada pelo próprio sistema imunológico em desequilíbrio.
Substâncias que atuam na regulação do sistema imunológico são chamadas imuno-moduladoras. Uma das principais, senão a principal dentre todas, é o colecalciferol, mais conhecido pelo nome pelo qual foi batizado há quase cem anos: a vitamina D.
A vitamina D é gerada pelo próprio organismo (por isso é na verdade um hormônio e não uma vitamina), na pele quando exposta ao sol. 
Essa formação é mais efetiva quando a pessoa fica exposta ao sol mais intenso (entre as 11h00 e as 14h00). Após atingida a “dose diária ótima” de vitamina D formada, a pele como que “desliga” o mecanismo de formação, mesmo que a pessoa permaneça sob o sol. Essa dose diária ótima, por isso mesmo chamada de “dose fisiológica”, estaria em torno de 10.000 UI, e o tempo de exposição necessário para a formação da dose fisiológica, com a pessoa na horizontal, com pelo menos 80% do corpo descoberto e sem filtro solar, sob sol intenso, varia de cerca de quinze minutos para as pessoas com pele mais clara até cerca de uma hora para as pessoas com pele mais escura. Essa exposição necessita ser diária, para a manutenção de níveis adequados de vitamina D no organismo.
Afora pessoas que vivam no campo (e que ainda assim costumam trabalhar de chapéu e camisa, para evitar a exposição ao sol), ninguém mais pega sol assim. Nos centros urbanos, estima-se que mais de 90% da população apresente deficiência de vitamina D. Níveis ótimos de vitamina D na corrente sanguínea se situariam entre 60 e 80 ng/mL (nanogramas por mililitro de sangue), sendo que abaixo de 25 ng/mL a deficiência já é severa. Alarmantemente, a estimativa é que a média para a população urbana esteja em torno de 15 ng/mL. O resultado são doenças, porque o sistema imunológico não tem como operar bem sem níveis minimamente adequados de um de seus principais reguladores.
As pesquisas sobre a correlação entre os níveis de vitamina D no organismo e a evolução da covid-19 ainda se encontram em andamento, mas já se pode discernir uma direção clara: primeiro, constata-se que os óbitos por covid se dão em pessoas com deficiência de vitamina D; depois, constata-se que a tempestade de citocinas igualmente ocorre em pacientes com deficiência de vitamina D.
Vários médicos no Brasil já advogam a reposição da vitamina D como caminho para a prevenção e o tratamento da covid-19. Dentre eles o Dr. Cícero Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo; há inúmeros vídeos dele no YouTube, como este, em que já se aborda o papel da reposição de vitamina D no enfrentamento da covid-19: https://m.youtube.com/watch?v=QROeQXPPwvU.
Mesmo que não estivesse ocorrendo a pandemia de covid-19, repor a vitamina D, um dos reguladores mais críticos para o sistema imunológico, numa população onde é sabido que a imensa maioria das pessoas apresenta deficiência dessa vitamina, já deveria ser uma questão de saúde pública. No entanto, outros tantos médicos apresentam objeções às técnicas de reposição com o argumento de que níveis muito altos de vitamina D podem acarretar risco de disfunção renal (estima-se que a partir de 100 ng/mL esse risco seria crescente).
Assim, uma vez que a dose fisiológica (dose diária natural) seria de cerca de 10.000 UI, uma reposição com doses diárias deste valor seria segura, e demoraria cerca de três meses para que uma pessoa com deficiência de vitamina D chegasse até os níveis adequados. Outras técnicas preconizam doses maiores de 50.000 UI a intervalos também maiores de uma vez por semana, levando também em torno de três meses.
A explicação para essa demora é que a vitamina D tende a se depositar nos tecidos gordurosos do organismo, com apenas as “sobras” desse processo de absorção pela gordura indo parar na corrente sanguínea. Assim, indivíduos obesos demorarão mais tempo para atingir os níveis adequados do que indivíduos magros.
Uma pessoa com covid que complica (pneumonia), mesmo ao início dessa complicação (queda nos níveis de saturação do oxigênio) não pode esperar dois ou três meses para a reposição. Argumenta o Dr. Coimbra que nesses casos deveriam ser aplicadas 600.000 UI, em dose única. Segundo ele, essa dose elevada “encharca” rapidamente os tecidos gordurosos do organismo com a vitamina D, fazendo com que o nível na corrente sanguínea chegue, também muito rapidamente, a um patamar adequado. Para pessoas excessivamente magras, e para crianças, a dose deve ser menor.
Ação comunitária: algumas apresentações da vitamina D requerem receita médica para venda, enquanto que outras estão rotuladas como suplementos e são vendidas livremente (inclusive em sites de lojas de departamentos); a comunidade pode planejar e providenciar para sejam ministradas doses altas (de 600.000 UI, ou ajustadas) às pessoas que venham a complicar, especialmente aquelas que não consigam internação hospitalar por falta de leitos; quanto à reposição, pode-se negociar com laboratórios de análises clínicas custos menores para que um volume maior de exames dos níveis de vitamina D sejam coletados na própria comunidade, e assim dosar em especial as pessoas pertencentes aos grupos de risco, de modo a acelerar com segurança a reposição para elas; a comunidade pode ainda buscar junto a redes de drogarias ou mesmo aos fabricantes descontos, ou até doações, para as doses de reposição.

9. Se você for diabético, capriche no controle:
Um dos maiores problemas da diabetes é que será somente no futuro que a doença cobrará os preços pelos níveis elevados de hoje de glicose no sangue. Assim, os diabéticos conseguem chegar a uma convivência adaptativa com a sua glicose alterada sem precisar ter de fazer maiores sacrifícios em termos de restrições alimentares, especialmente graças a medicamentos de ação rápida cuja dose acaba ajustada a cada refeição, conforme se abuse menos ou mais de alimentação inadequada.
Essa condição gera uma dicotomia entre a diabetes “de momento” (medida pela glicemia) e a diabetes “acumulada” (medida pela hemoglobina glicosilada, ou glicada, cujo resultado expressa uma espécie de “média” dos níveis glicêmicos havidos ao longo dos últimos três a quatro meses).

Ainda não foi rigorosamente comprovado, mas já há seguras indicações de que a covid-19 complica especialmente em idosos, cardíacos, hipertensos, diabéticos e obesos, devido a todos esses grupos apresentarem vulnerabilidades em sua circulação vascular periférica (capilar). 
Especificamente no que toca aos diabéticos, porém, pode não ser apenas isso: uma pesquisa na Itália (também ainda sem comprovação) aponta haver alguma relação entre complicações da covid-19 e hemoglobina, bem como que, relativamente aos diabéticos, quanto maiores os níveis de hemoglobina glicosilada (ou seja, quanto mais precário estiver sendo o controle ao longo do tempo), maior a propensão para essas complicações.
Para um diabético com controle descuidado, melhorar esse controle somente terá reflexo no seu nível de hemoglobina glicosilada dentro de três meses. 
Há projeções, porém, de que a pandemia de covid-19 poderá se estender até o ano de 2022, especialmente se uma vacina eficaz não vier a ser desenvolvida (até agora nada garante que será). Então, vale muito a pena investir desde já em um melhor controle.
Ação comunitária: campanhas de orientação e esclarecimento; a comunidade pode facilitar a chegada de alimentos adequados (verduras e legumes) àqueles diabéticos mais necessitados.

10. Soberania sobre a própria vida e 
saúde não se delega:
Já tratamos aqui de medicamentos anticoagulantes (o princípio ativo, ainda pouco conhecido, presente na salsa) e imunomoduladores (a vitamina D).
Porém, em termos de medicamentos antivirais (ou seja, aqueles que combatem diretamente o vírus), não há nada a recomendar. Ainda assim, existem centenas de medicamentos sendo testados (inclusive ministrados aos pacientes nos hospitais), mas ainda não há nenhum que se possa, minimamente (isto é, antes mesmo da devida comprovação científica), apontar como eficaz.
Numa situação limite, em que o paciente agoniza desenganado, é compreensível que ele (ou a família) se disponha a assumir os riscos de uma experimentação. Numa situação ainda mais limite, em que a pessoa agonize do lado de fora do hospital porque leito disponível não há, é ainda mais compreensível.

Mas, recomendar experimentação para pessoas apenas com os primeiros sintomas (das quais cerca de 80% ficarão curadas por si sós, de qualquer modo), com medicamentos que já passaram por testes porém sem que tenha sido verificada eficácia, e que ainda por cima acarretem efeitos colaterais graves, é um absurdo completo.
Estamos falando, é claro, da cloroquina e da hidroxicloroquina. De acordo com o estágio atual das pesquisas, nenhuma das duas tem eficácia sobre a covid-19. E ambas podem causar arritmia cardíaca, que pode levar à morte súbita por parada cardíaca (já aconteceram vários casos).
Se tal recomendação já é absurda, a conduta de alguns grupos de distribuir comprimidos de cloroquina e hidroxicloroquina em comunidades carentes, como um preventivo (!) para a covid, é nada menos que criminosa. Desgraçadamente, isso vem ocorrendo Brasil afora.
Se pessoas assim aparecem distribuindo esses comprimidos na sua comunidade, parta do princípio de que elas estão dispondo, de forma invasiva e abusiva, da sua saúde, da sua vida, e da saúde e da vida dos seus familiares. Assuma, então, que isso torna legítimo você empregar quaisquer meios que entenda como necessários a expulsá-las da sua comunidade. A ação comunitária, aqui, será exercer essa autodefesa de forma coletiva.

* * *
Foi preciso que a Natureza nos impusesse um vírus para que ficasse evidente algo que no íntimo podíamos pressentir, mas não víamos: uma das esferas da vida em sociedade (ou das instituições, no sentido daquilo que se encontra instituído, formalizado), a saúde pública, pode até existir para um monte de outras finalidades, mas na prática inexiste para cumprir a sua razão de ser: prover saúde às pessoas.
Saúde pública não é só comprar respiradores às pressas (sabe-se lá a que preço). Saúde pública, de verdade, é também haver, para operar adequadamente cada respirador, uma equipe de profissionais de saúde treinados, capacitados, equipados, reconhecidos, valorizados e respeitados. Aonde isso ocorre?
Saúde pública não é promover distanciamento social estilo “faz-quem-quer”, com empregadas domésticas consideradas “serviços essenciais” e com comércios e igrejas reabrindo na base do quem pode mais. Saúde pública, de verdade, é ter a postura de impor lockdown, amargo porém necessário – quanto mais amargo, por menos tempo necessário –, com multas e até detenção para os violadores. Onde isso foi feito, ou sequer tentado?

Em lugar nenhum do mundo, salvo aqui, saúde pública são pessoas recusadas nos hospitais públicos e mandadas embora para morrerem em casa (de preferência por “insuficiência respiratória” e não por covid-19 para não engordar as estatísticas – não é mesmo, senhores prefeitos e governadores?), enquanto sobram leitos vagos nos hospitais privados.

O que ainda não ficou evidente, mas será só uma questão de tempo para que também fique, é que todas as demais esferas da “vida em sociedade”, ou seja, as instituições, estão em metástase, e irão se esfarelar. Então, nas periferias, vilarejos, favelas, assentamentos e aldeias deste lugar a que ainda chamamos de país, cada vez mais as pessoas precisarão contar com elas próprias, e tornar real que os coletivos em que juntas vivem mereçam ser chamados de comunidades.

Então, que a auto-organização comunitária voltada a cuidados de saúde que está aqui sendo proposta não se esgote em si mesma. Que ela seja uma semeadura, que venha a frutificar em muitas outras dimensões da organização da vida comunitária. Que, para além de ajudar a lidar com a pandemia da covid, ela venha também reforçar laços, estabelecer solidariedades, construir identidades coletivas.
Que este “Bacurau do autocuidado” seja o prenúncio do Bacurau propriamente dito, o da autodefesa – porque será preciso, mais dia menos dia.
Em memória de meu querido pai, José Bacchi Naveira (1925-2018), médico que devotou a sua vida a atender os desassistidos, e que nunca deixou de prestar atendimento a um desvalido que o procurasse.

Arte de CAU


AVISO AOS NAVEGANTES

HA POUCA NOTICIA RELEVANTE EM DECORRÊNCIA DO COVID-19 E DA IMBECILIDADE AMBIENTE;  O CONFINAMENTO TORNA PREGUIÇOSO.
PORTANTO VAMOS CURTIR O HUMOR BRASILEIRO QUE E O QUE NOS SALVARA DA ESCATOLOGIA DOMINANTE!!!
MUITA BABAQUICE JUNTA, DIFICULTA A DIGESTÃO, VAMOS CONFINA-LA!!!

Arte de NANI

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Arte de AMARILDO


Arte de C.PAIVA


Bolsonaro diz que pode indicar Aras para o STF 'se aparecer uma terceira vaga' , por Mateus Rodrigues

Presidente afirmou em transmissão por rede social que atual chefe da PGR não está cotado para substituir Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, que se aposentam por idade até 2021.

‘Se aparecer uma terceira vaga, ele entra fortemente’, diz Bolsonaro sobre Aras no STF

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (28), durante transmissão ao vivo por uma rede social, que o atual procurador-Geral da República, Augusto Aras, pode ser um nome “forte” para assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Para isso, segundo Bolsonaro, seria preciso que uma terceira vaga fosse aberta. Até o fim do atual mandato presidencial, em 2022, dois ministros se aposentarão por idade: Celso de Mello e Marco Aurélio Mello. O presidente diz que Aras não está cotado para essas vagas.

“Tem uma vaga prevista para novembro, outra para o ano que vem. O senhor Augusto Aras, nessas duas vagas, deixo bem claro, não está previsto o nome dele. Eu costumo dizer que tenho três nomes – que não vou revelar – que eu namoro para indicar para o Supremo Tribunal Federal. Um vai ser evangélico, é um compromisso que eu tenho com a bancada evangélica.”, afirmou o presidente.

“Se aparecer uma terceira vaga – espero que ninguém ali desapareça – mas o Augusto Aras entra forte para essa vaga aí”, disse.

A Constituição Federal define que somente a Procuradoria-Geral da República (PGR) pode denunciar o atual presidente por crimes comuns. Aras terá de decidir se denuncia ou não o presidente ao final do inquérito que apura se Bolsonaro interferiu na Polícia Federal.

Atual chefe da PGR, Augusto Aras tomou posse no cargo em setembro de 2019 para um mandato de dois anos, que pode ser renovado por igual período.
Nesta quinta, por exemplo, Augusto Aras afirmou ao STF ser contrário à apreensão do celular de Bolsonaro no inquérito que apura suposta interferência política do presidente na Polícia Federal.
O inquérito vem sendo conduzido pela Polícia Federal com autorização do ministro do STF Celso de Mello, após declarações do ex-ministro Sergio Moro.

Mesmo que a PF aponte indícios do suposto crime, Bolsonaro só poderá responder a processo se for denunciado pelo chefe da PGR. Caso contrário, denúncias do tipo só poderão ser protocoladas quando ele deixar o cargo.

A regra não vale para condutas como improbidade administrativa, que não são afetadas pelo foro privilegiado e tramitam na primeira instância, ou para crimes de responsabilidade, que geram processos de impeachment e são analisadas pelo Congresso Nacional.

As próximas duas vagas
Bolsonaro foi questionado sobre o tema por um jornalista da rádio Jovem Pan que participou da live transmitida do Palácio da Alvorada em redes sociais da Presidência.
Segundo Bolsonaro, para as duas vagas já previstas, há três nomes na disputa. O presidente citou nominalmente o atual ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, que é pastor da igreja presbiteriana.

“Um vai ser evangélico, é um compromisso que eu tenho com a bancada evangélica. Alguns criticam, não é? 'Ah, está confundindo com religião'. Não tem nada a ver, tá? O elemento aí é católico, é cristão, é evangélico, é espírita, é candomblecista, é ateu, não interessa, tá certo? Tem que ter conhecimento e desembocar seu papel lá. Agora, uma pitada de religiosidade, de cristianismo, no meu entender é muito bem vinda”, declarou.

Pastor, ministro da AGU fala sobre possível vaga no STF

"Tem pautas lá que faltou, no meu entender, algum ministro lá defender à luz da sua crença. Por que não? Você fala questão de família, por exemplo, que é muito comum ter discussão lá. Ideologia de gênero", disse.

Como exemplo de pautas que precisariam sofrer essa influência religiosa, Bolsonaro citou a decisão do STF que equiparou a homofobia ao crime de racismo, inafiançável, até que o Congresso Nacional aprove lei específica sobre o tema.
"Por exemplo, quando se tipificou homofobia como se racismo fosse. Acho que ali, uma pessoa com forte formação, forte orientação cristã seria bem vinda nestas questões. Desconheço a religião dos outros [ministros], mas nunca vi alguém defender essas pautas lá dentro. Geralmente, quando acontece isso, é por unanimidade", declarou.

O julgamento citado por Bolsonaro ocorreu em junho de 2019, e a equiparação foi definida por maioria. Dos 11 ministros, três discordaram da decisão: Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli (que defenderam a necessidade da lei aprovada no Congresso) e Marco Aurélio Mello, que não concordou com a tese de uma "demora" do Legislativo.
"Esse evangélico, nessas pautas, pode até perder, mas ele vai mostrar aos demais ministros do Supremo Tribunal Federal que existe quase 90% de cristãos no Brasil que não concordam com esse tipo de pauta", disse Bolsonaro.

REBELIÃO CONTRA ARAS, por MALU GASPAR



Comentário contorcionista--para satisfazer os interesses pessoais, de um e outro, a covardia moral explicita tem foros de traição. 
Trair o MPF, o Direito e as  expectativas de independência entre Poderes deveria ser crime de lesa-pátria! Mas, num contexto macunaima, não passa de mais uma esperteza pessoal. Pratica corrente e praga recorrente, aceite e praticada nacionalmente, né Gerson?.
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Ao protestar contra inquérito das fake news, chefe do Ministério Público Federal deflagra reação na instituição
Aras e Bolsonaro: aproximação provoca revolta de parte dos membros do MPF – Foto: Marcos Corrêa/PR

Não é só a Praça dos Três Poderes que está conflagrada em razão da crise entre Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal. 
Os ânimos estão exaltados também na sede do Ministério Público Federal, a 2 km dali, onde uma rebelião contra o comandante da instituição, o procurador-geral da República Augusto Aras, está prestes a acontecer. 
Um grupo de procuradores trabalha para convencer o Congresso a aprovar o mais rápido possível uma proposta de emenda constitucional que torne obrigatório ao presidente da República o respeito à lista tríplice para a escolha do chefe da instituição; outra ala do MPF busca construir com parlamentares uma alternativa baseada no artigo 52 da Constituição, que diz que o Senado pode interromper o mandato do procurador-geral e exonerá-lo por maioria absoluta dos votos, caso seja constatado crime de responsabilidade. O lobby pela primeira alternativa é público. Um abaixo-assinado está circulando entre membros do MP. Já a exoneração de Aras ainda está sendo perseguida de forma discreta. 

O estopim da revolta foi o posicionamento do procurador-geral da República contra o inquérito do Supremo que investiga a existência de uma rede de disseminação de fake news e ameaças a ministros da Corte Superior. 
No bojo desse inquérito, a Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (27), 29 ordens de busca e apreensão em endereços de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Inconformado, Aras pediu no mesmo dia a suspensão do inquérito ao STF, alegando que o MP não havia concordado com as buscas. A questão é que, no final de outubro de 2019, pouco depois de assumir o cargo, Aras havia sido favorável ao prosseguimento da investigação. Com isso, contrariou um parecer da antecessora, Raquel Dodge, que considerava inconstitucional o STF abrir um inquérito, investigar e ainda julgar o crime de que a própria Corte teria sido vítima. Nesse movimento, Aras não só legitimou a ação do STF, como passou a participar dela. 

Com a ofensiva do Supremo aos sites bolsonaristas, o procurador-geral mudou de postura. Parte significativa dos membros do MP não engoliu a atitude. Considera que ele está desmoralizando a instituição para atender aos interesses particulares do presidente. E não só: nos bastidores, já começam a resistir às ordens do chefe. 
Na quarta-feira, por exemplo, nenhum dos procuradores que normalmente auxiliam Aras na redação de suas peças aceitou escrever a manifestação enviada ao Supremo pela suspensão das investigações. A tarefa coube a uma assessora jurídica do gabinete. "Ele teve a oportunidade de fazer o certo e não fez. E agora está fazendo o certo pelos motivos errados", me disse um dos membros da categoria, ecoando a indignação reinante. 

O inquérito das fake news vem apenas jogar água na fervura de uma gestão tumultuada internamente por desconfiança e tensão. A relação entre Aras e sua equipe, principalmente os procuradores que trabalham na investigação sobre a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, vem se deteriorando progressivamente. Desde que a investigação começou, Aras rejeitou vários pedidos de diligências apresentados pelos subordinados. Um desses pedidos era para que a Justiça do Rio compartilhasse com a PGR os autos da operação Furna da Onça, que investigou o braço do esquema de corrupção de Sergio Cabral na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Foi nessa investigação que surgiu o relatório de inteligência financeira do Coaf apontando desvios praticados por Fabrício Queiroz, assessor de Flavio Bolsonaro. Uma das questões que o inquérito da PGR sobre Bolsonaro visa responder é justamente se houve ou não vazamento de informações da Furna da Onça, conforme afirma Paulo Marinho, um ex-aliado de Bolsonaro. O vazamento teria sido a causa da demissão de Queiroz, entre o primeiro e o segundo turnos. Os procuradores queriam checar o conteúdo e os movimentos da ação, mas Aras não deixou. 

Nesta semana, depois que o jornal O Globo publicou que os procuradores enxergavam evidências de crime de responsabilidade de Bolsonaro nas falas do famigerado vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, a PGR os pressionou a assinar uma nota redigida pela Secretaria de Comunicação da instituição, contestando as informações da reportagem. Mais uma vez, os membros da equipe se recusaram a fazê-lo. 
Na mesma manhã em que a reportagem foi publicada, o secretário-geral do Ministério Público, Eitel Santiago, declarou à CNN Brasil não ver sinal de crime no vídeo. A fala de Santiago, um procurador-aposentado que ocupa funções exclusivamente administrativas na PGR – e que, nas últimas eleições, foi candidato a deputado federal pelo PP, apoiando Bolsonaro – soou como um recado de Aras não só ao presidente da República, como também aos próprios membros do MP. 
Na sede da PGR, ninguém acredita que Aras vá recomendar que o presidente seja processado por interferir politicamente na Polícia Federal, como afirma o ex-ministro Sergio Moro. 

Tal convicção ficou ainda mais clara com a visita inesperada de Bolsonaro à PGR, na última segunda-feira, durante a posse de um novo procurador-chefe dos direitos do cidadão. O presidente, que participava da posse por video-chamada, se convidou para ir ao Ministério Público, onde cumprimentou procuradores e posou para fotos. No dia seguinte, a Polícia Federal foi às ruas numa operação contra o governador do Rio, Wilson Witzel, inimigo político do presidente da República. As ações de busca e apreensão foram feitas a pedido de outra assessora-chave de Aras, a subprocuradora Lindôra Maria de Araújo – que analisou as solicitações da Polícia Federal com celeridade atípica. 
*Apenas para citar um caso, os inquéritos contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por suspeita de receber dinheiro no caixa dois das empreiteiras OAS e Odebrecht, ficaram desde setembro esperando manifestação da PGR. O caso da OAS só foi desarquivado há poucos dias. O da Odebrecht ainda espera uma definição. 
Notória defensora de posturas à direita do espectro ideológico, Lindôra é próxima de Flavio Bolsonaro. Na semana passada, atendeu a um pedido do senador para investigar uma denúncia de que outro inimigo político, o governador João Doria, estaria inflando as estatísticas de mortes causadas pelo coronavírus no estado de São Paulo. 

Procurado pela reportagem, Augusto Aras revidou, por meio de sua assessoria de imprensa, as afirmações dos procuradores. Disse que os ataques dos membros do MPF têm a ver com a descoberta de " graves falhas" no sistema eleitoral interno da instituição e desvios administrativos que sua gestão vem apurando. "Embora tenha sido tolerante com todas as críticas baseadas em fake news em homenagem à liberdade de expressão, o procurador-geral não tolerará ofensas à sua honra pessoal e funcional e moverá as ações criminais, cíveis e administrativas cabíveis contra todos que buscarem malferi-la", disse, em nota. 
Ainda segundo a assessoria da PGR, a manifestação ao Supremo foi redigida por uma assessora jurídica porque os procuradores estavam ocupados, e a decisão de não redigir uma nota contra a reportagem do Globo foi tomada pelos procuradores e pela secretaria de Comunicação "em comum acordo". A assessoria de Aras disse ainda que as opiniões de Eitel Santiago não representam as do procurador-geral, e que ele tem garantida por lei autonomia para expressar suas opiniões. 
Como se vê, a temperatura no Ministério Público Federal só esquenta. Ao que tudo indica, a crise institucional terá, na Procuradoria-Geral da República, um capítulo bastante tumultuado.
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Reportagem atualizada às 21h11 do dia 28 de maio. Versão anterior dizia que a Operação Furna da Onça, do MPF e da PF, investigou as rachadinhas, mas esse assunto está sob apuração do Ministério Público Estadual.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Arte de J.BOSCO


Editorial-EL PAÍS -O Brasil em perigo

País se encaminha para o pico da pandemia em um contexto político que acarreta graves riscosO presidente Jair Bolsonaro acena para simpatizantes no último domingo, em Brasília.JOÉDSON ALVES / EFE

Com a América Latina transformada num novo epicentro do coronavírus, o Brasil é o país mais preocupante. Os quase 375.000 contágios e mais de 23.000 mortos fazem dele o mais afetado da região e o segundo do mundo em número de casos. Mas a isso se somam uma gestão errática da pandemia e uma grave crise político-institucional, com flertes ao golpismo, o que, além de gravíssimo, desvia a atenção num momento em que o combate ao coronavírus deveria ser a prioridade de toda a classe política brasileira. O presidente Jair Bolsonaro não só age de maneira irresponsável ao ignorar a quarentena como também provocou a demissão de dois ministros da Saúde e boicota os esforços dos governadores para tentar controlar uma epidemia cuja magnitude real se desconhece, porque a quantidade de testes realizados é mínima.

A maioria de governadores conseguiu deixar de lado suas diferenças políticas em nome de um consenso básico: seguir as recomendações da ciência. A cada dia, mais UTIs se aproximam do seu limite e mais covas são cavadas nos cemitérios, enquanto o presidente insiste em dar as costas às recomendações dos especialistas, promovendo um medicamento com potencial letal e pressionando as empresas a reabrirem. Aos olhos de Bolsonaro, a única preocupação é com os efeitos da hecatombe econômica, que frustraria uma eventual reeleição em 2022.
A oposição apresentou vários pedidos de impeachment contra ele por sua recusa em administrar a pandemia, mas seu problema mais urgente é uma investigação no STF sobre a suposta ingerência na cúpula da Polícia Federal para proteger a sua família. 
O vídeo de uma recente reunião ministerial mostra um presidente para quem defender seu clã e armar a população estão acima do interesse geral. As ameaças contra a separação de poderes ali lançadas por alguns ministros são inadmissíveis, e o rosário de insultos vertido pelo presidente constitui uma intolerável afronta às instituições.
Arte de DODO
Bolsonaro está obtendo apoio parlamentar em troca de cargos, para impedir uma destituição enquanto concede mais poderes aos militares em seu Governo. 
Estes já dirigem 10 dos 22 ministérios, incluído o da Saúde, interinamente. Mais inquietante é o apoio tácito do presidente aos discursos golpistas de seus seguidores, que pedem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, e as ameaças veladas pronunciadas por alguns de seus ministros mais próximos. 
Nas últimas semanas, o ministro da Defesa veio a público em três ocasiões para reafirmar o apego das Forças Armadas à Constituição. Numa democracia consolidada, isso deveria ser desnecessário. O Brasil se encaminha para o pico da pandemia em um contexto político que acarreta graves riscos.