quinta-feira, 30 de abril de 2020

Arte de QUINHO

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O que está por trás do discurso de ódio, por SAMI NAÏR

A xenofobia, a rejeição da pluralidade, a mentalidade paranoica em relação ao mundo exterior e a construção de bodes expiatórios se transformaram em tendência mundial. É preciso levar a sério a questão nacional, não deixá-la nas mãos dos extremistas. Também é necessário fortalecer a coesão coletiva
SR. GARCÍA

Lamentavelmente, no panorama europeu de renascimento do neofascismo, a Espanha já não é uma exceção. Ela acaba de ser tingida, quase de surpresa, com as pinceladas da cor obscurantista e xenófoba que estão avançando por toda parte no Velho Continente, a cor da ultradireita. Demonstra-se, mais uma vez, a sagacidade da afirmação do grande Dom Quixote: “Não há memória que o tempo não apague”.

Embora a Espanha tenha no momento apenas um grupo minúsculo, o Vox, ele é parte de uma onda de nacional-populismo neofascista que se espalha pelo mundo todo de maneira traiçoeira. Está se abrindo, sem dúvida, uma nova era de desafios importantes e sérios que as democracias terão de enfrentar, provavelmente durante umas décadas. 
É inegável que a globalização liberal posta em marcha no final do século passado entrou em uma fase crítica, devido à sua patente e consciente desregulação caótica, responsável por suas contradições atuais. A busca de um novo equilíbrio econômico-social planetário é, portanto, imprescindível. Enfrentar o desafio deste novo período exige imperativamente que as democracias encontrem modelos econômicos e sociais que apostem, de forma efetiva, na eliminação da grande brecha atual da desigualdade, na solidariedade, que são expectativas da imensa maioria da população arraigada na civilização do respeito mútuo e da dignidade. 
Ao mesmo tempo, no entanto, chama a atenção o aparecimento − como consequência dos efeitos desagregadores da globalização − de camadas sociais reacionárias étnica, cultural e politicamente, que se identificam com um discurso de ódio de experiência remota. Trata-se de uma tendência mundial, cujas características comuns são tão importantes quanto suas diferenças.

Nos EUA, a ascensão de Donald Trump veio acompanhada de uma mudança de fundo, ao mesmo tempo demográfica e racial: os trabalhadores brancos de Kansas, Detroit, Texas e outros lugares do país apoiam o magnata imobiliário porque ele promete frear a chegada dos latinos, não pagar serviços sociais aos afro-americanos, acabar com o relativismo dos valores. 
Eles não temem apenas perder o emprego por competir com outros países, eles também têm medo dos fundamentos da igualdade institucionalizada, assim como da mistura demográfica e étnica que a política de Barack Obama encarnava. 
Um temor transformado em combustível político por Trump, com uma ideologia ultra-populista. É, em suma, um nacional-populismo new wave, que retoma muitos dos ingredientes do fascismo clássico: a rejeição da mestiçagem (da qual subjaz, para muitos, a defesa da “raça branca”), a oposição entre quem está nas camadas inferiores e quem está nas superiores, a xenofobia, uma mentalidade paranoica em relação ao mundo exterior, a política da força como método de “negociação”, a denúncia do outro e da diversidade, a hostilidade contra a igualdade de gênero, entre outros.
Outro grande país, o Brasil, também acaba de entrar neste caminho. Falamos aqui de um movimento evangélico que emergiu das entranhas das camadas médias empobrecidas e com medo, também, da liberalização dos costumes, do desaparecimento de valores morais em um país minado pelo cinismo e pela corrupção, por desigualdades crescentes, pelo fiasco da esquerda brasileira que não pôde promover uma sociedade que se voltasse ativamente para o progresso coletivo. Jair Bolsonaro não é um profeta, ele simplesmente soube inverter as promessas da teologia da libertação em teologia do ódio, com o apoio das elites militares e financeiras e dos grandes meios de comunicação. Lula e Dilma Rousseff perderam o apoio da classe média e depois foram crucificados, além disso com um golpe de Estado tramado por grupos financeiros, dirigentes políticos e alguns setores do Judiciário. A retórica evangélica arroga agora para si o papel de salvadora de um país à beira do abismo, fazendo da luta contra a corrupção seu cavalo de batalha e propondo o modelo de uma sociedade moralmente autoritária, um modelo indevidamente condenado ao fracasso, dada a excepcional diversidade e vitalidade da sociedade brasileira.
Tanto o Estados Unidos de Trump como o Brasil de Bolsonaro são testemunhas diretas e encorajam os movimentos reacionários dessas camadas sociais ameaçadas pelo rumo da globalização neoliberal. 
O repertório de mobilização se baseia no ideário das reivindicações nacionalistas e sua metodologia rompe com a representação política clássica: as manifestações em massa envolvem rituais extáticos de fusão com o líder, que denuncia, como uma ladainha de golpes de efeito, a decadência moral dos partidos, conclamando à recuperação urgente da grandeza perdida do país.
SR. GARCÍA

Na Europa, o processo de estancamento da economia há quase duas décadas (ausência de crescimento gerador de empregos) também produziu um enorme retrocesso de direitos sociais e liberdades, uma regressão de identidade que explica o surgimento dos movimentos neofascistas. 
Embora tenham elementos específicos, todos compartilham a mesma metodologia política em sua conquista do poder: criticam duramente a representação política, instrumentalizando a democracia que a sustenta para conseguir a vitória; reivindicam a liberdade de expressão para expandir suas exigências, mas censuram seus adversários; dirigem a energia política das massas contra um objetivo previamente construído como bode expiatório (os imigrantes, a liberdade de imprensa que põe em xeque seus discursos, etc.). Servem-se desse arsenal demagógico para evitar falar de seu programa econômico concreto. Vale tudo na batalha que travam veementemente contra a civilização (sempre “decadente”, segundo eles) e a igualdade, pois o princípio fundamental da retórica neofascista, exposto (aí sim) em todos os seus programas, é a rejeição da igualdade e da diversidade dos cidadãos.
O neofascismo europeu que surge atualmente é, por antonomásia, supremacista, individual e coletivamente. É o projeto de uma sociedade hierárquica de senhores e servos, uma visão de mundo que aceita a necessidade imperiosa de submissão a um líder, sua “servidão voluntária”. Essa submissão fica escondida atrás do sentimento de força e de vingança em relação às “elites”, que a mobilização coletiva confere ao neofascismo militante. E isso funciona porque essa ideologia, sem prejuízo de suas particularidades em cada país, gera, na identidade de seus seguidores, uma poderosa liberação de instintos agressivos e explode os tabus que limitam as expressões primitivas, violentas, nas relações sociais. 
O grande analista do fascismo George L. Mosse se refere a essa característica como uma liberação da brutalidade em um contexto minado pelo “abrandamento” característico da sociedade democrática.
O discurso da extrema direita propõe, certamente, uma sociedade estritamente homogênea, em pé de guerra contra tudo que possa introduzir diferenças e singularidades dentro do conjunto. A rejeição do pluralismo político – rejeição que ela promove como um projeto de gestão do poder − se baseia também na oposição frontal ao multiculturalismo, e, consequentemente, na rejeição da multietnicidade da sociedade. 
O modelo é o de um povo em sua essência, um povo etnicamente puro. A cultura obsessiva da pureza está intrinsecamente ligada à desconfiança em relação ao estrangeiro, à atividade crítica do intelectual − e inclusive à arte que não comungue com a estrita linha da moral autoritária vigente −, à liberdade de orientações sexuais e de identidade de gênero, à pluralidade de confissões religiosas. 
Não é apenas uma coincidência que o islã esteja hoje no olho do furacão neofascista na Europa: a presença de uma população de origem estrangeira que professa a religião muçulmana coloca em questão o conceito essencialista de povo homogêneo tanto no aspecto cultural como no religioso (embora o velho fascismo dos anos trinta não tivesse um apetite particular pela religião).
Uma sociedade democrática pode administrar populações misturadas e destinadas a conviver com suas contribuições mútuas à civilização humana, desde que sejam estabelecidas diretrizes seculares claras para todos. 
Por outro lado, uma sociedade baseada no conceito substancial de povo, no sentido que o neofascismo lhe dá, tende inevitavelmente à exclusão efetiva da diversidade. Daí que o modelo autoritário procure novamente se legitimar apelando para o perigo de religiões e culturas diferentes, que devem ser vigiadas e perseguidas para que não “contaminem” a identidade do povo.
A Frente Nacional francesa, no início de sua caminhada nos anos oitenta, fez da rejeição ao islã um eixo central de seu programa, escondendo seu tradicional antissemitismo. 
O partido Alternativa para a Alemanha colocou a islamofobia no centro de sua estratégia de mobilização em 2015, após a crise da chegada em massa de refugiados. Na Áustria, Itália, Bélgica, Holanda e em todos os países do norte da Europa, os refugiados também se transformaram no prato principal das campanhas eleitorais. 
São, igualmente, alvo da retórica ultra-católica de Viktor Orbán na Hungria e dos programas dos partidos neofascistas do Leste Europeu.
Esses movimentos, que avançam da Espanha até a Suécia, passando pelos países europeus ocidentais e orientais, compartilham, além disso, uma característica de natureza histórica: apelam para o nacional-populismo como uma reação à era da governança supranacional, resultante da ampliação do mercado europeu, dos efeitos da globalização neoliberal e das tentativas de construir instituições representativas europeias pós-nacionais. Daí o consenso em torno do objetivo de pôr em xeque a atual construção europeia, em nome da soberania nacional.
O que fazer diante desse desafio? Hoje, os partidos nacional-populistas neofascistas não representam mais do que entre 10% e 20% do eleitorado europeu, mas sua influência ideológica real é mais ampla. 
Naturalmente, é preciso diferenciar o corpo doutrinário desses partidos das representações mentais, muito menos elaboradas, dos cidadãos que os apoiam. Embora seja verdade que as causas do avanço gradual das correntes ultradireitistas são conhecidas, não existe uma posição comum das forças democráticas na hora de contê-lo.
Há, basicamente, três campos-chave de ação, e o primeiro deles é econômico. Se a democracia não caminhar em prol do progresso social, as vítimas, que são muitas, tenderão sempre a culpá-la por não haver progresso. Portanto, é necessário relançar a máquina econômica de integração profissional, que hoje depende, essencialmente, das capacidades não do mercado, como acredita a Comissão Europeia, mas sim dos Estados para incentivar o emprego. 
Para isso, eles precisam de uma política orçamentária mais flexível, que gere equilíbrio social. Infelizmente, essa é uma reivindicação que ainda não é levada em conta em Bruxelas.
Em segundo lugar, em face do nacionalismo reacionário e excludente, é preciso levar a sério a questão nacional, não deixá-la nas mãos dos nacionalistas xenófobos. É crucial interpretar bem a reivindicação de segurança de identidade das camadas sociais mais vulneráveis e desestabilizadas pela exclusão do emprego ou pela incapacidade de se adaptar às mudanças da sociedade moderna, que acontecem numa velocidade extraordinária. É necessário fortalecer a coesão coletiva, ou seja, a adesão ao bem comum, sem prejuízo do respeito à diversidade, sob diretrizes comuns e com valores essenciais de referência. 
É preciso administrar racionalmente os fluxos migratórios, não só para evitar as mentiras e a demagogia desconstrutiva sobre a imigração, como também porque a vida cotidiana se tornou muito mais competitiva e as percepções espontâneas favorecem um imaginário ilimitado de fantasias em um contexto de insegurança profissional. 
A economia, em todos os países desenvolvidos, precisa da imigração, e isso deve ser regulado com base no respeito pelos direitos humanos. Na Europa, um grande acordo político é imprescindível para desativar o papel que a imigração assumiu como bode expiatório.

Finalmente, deve-se assumir com firmeza a luta contra o neofascismo, explicar claramente à população o perigo que ele representa e propor pactos democráticos antifascistas àqueles que defendem a democracia e o respeito à igualdade e dignidade humana, denunciando, do mesmo modo, os que pisoteiam esses valores por razões eleitorais. Deve ser travada uma luta diária contra o nacional-populismo neofascista, pois a defesa da democracia, do bem-estar social, dos direitos e liberdades tem de ser permanente. Tomara que todos entendam isso, pois se trata do futuro da paz social!
Sami Naïr é catedrático de Ciências Políticas na Universidade de Paris e diretor do Instituto de Cooperação Mediterrâneo-América Latina da Universidade Pablo de Olavide de Sevilha. É autor, entre outros livros, de ‘La Europa Mestiza’.

THE FEW, THE PROUD, THE FRENCH FOREIGN LEGION--By John Frock April 26, 1992

30 April 2020 CAMERONE!! 
MORE MAJORUM--honor to our dead & old!!
LEGIO PATRIA NOSTRA!!!

We were on the outskirts of Aubagne, a town about 10 miles east of Marseille, when I saw the sign: Legion Etrangere. I know only enough French to order cafe in a cafe (or is it the other way around?), but Legion Etrangere I have known since I was a boy -- since I first read "Beau Geste" and gloried in the exploits of the brothers Beau, John and Dirk. I had seen the movie -- the silent version, the remake and the remake of the remake -- many times. But never a real French Foreign Legionnaire.

Not until this quiet Sunday morning.

I heard him before I saw him. Just around the corner from the headquarters of the First Regiment Etranger is the Musee de la Legion Etrangere -- the Foreign Legion Museum. We had let ourselves in and had begun our leisurely inspection when he took up his song -- softly, at first, and in French, of course. I had no idea what he was singing about. But the song was so sweet, so plaintive, so absolutely appropriate for this place on a Sunday morning that the hair stood up on the back of my neck.


I was drawn to the singer, as was my wife, who had heard him from up on the second floor. We followed his song to a duty room just off the foyer.

He wasn't exactly the square-jawed, hell-for-leather swashbuckler I had held in my mind all these years. No, this legionnaire was a tall, spare man with a shaved head (cut in the regulation style known as boule a zero), a whole rank of missing uppers and an impressive gash -- just beginning to heal -- that arced down from his right temple to just below his eye.

But his bearing was proud and his every movement eloquent.

He bade us "Bonjour," then "Good morning." I had questions for him, and it was obvious it had been a while since he had spoken English. But he warmed to it, and before long the words were rolling out.

There are two things you have to remember when you talk to a French Foreign Legionnaire. You never ask his name. And you never ask where he is from. These are, after all, men who have taken new names -- Legion names. They have only present and future ... no past. So I was being very careful to keep it to small talk.

Whereupon my wife piped up, "Your accent ... is it Scottish?"

Oh, my!

He smiled. "Oh, no, ma'am, I am from Canada."

"Canada!" she exclaimed. "Where in Canada?"

Oh, my!

He smiled again. "New Brunswick," he replied.

"My husband and I grew up in Canada ... in the West," she continued.

"I had an uncle who had a farm out in Alberta," our legionnaire replied. "About 10 miles from a town called Lethbridge."

"Lethbridge!" my wife exclaimed again. "We were married in Lethbridge."

And that is how we came to make the acquaintance of Caporal-Chef Fraser MacDonald of Saint John, New Brunswick, a 13-year veteran of the Legion. He is concierge-caretaker-curator of this remarkable museum, which celebrates 160 years of the purest tradition of soldiering.

The Foreign Legion, the elite mercenary army founded by King Louis Philippe in 1831 to ensure the conquest of Algeria, has mounted campaigns in Morocco, Madagascar, Spain, Mexico, the Crimea and Indochina in the last century and a half. Today more than 100 nationalities are represented in the 8,500-man force (women need not apply), which includes a recent influx of East European recruits.

Every April 30, on the most important day in the Legion calendar, the organization's most sacred relic -- the "wooden hand" of Legion Capt. Danjou -- is paraded here. It was discovered in the rubble of a farmhouse in Camerone, Mexico, following a fierce all-day engagement in 1863 in which Danjou and 60-some legionnaires (three of whom lived to tell about it) held off a force of 2,000 Mexican soldiers.

Everything in the museum is French Foreign Legion -- from the marble floor to the red tile roof. When, in 1962, the Legion withdrew from Algeria, where it had been headquartered since its inception, it literally dismantled 130 years of history and brought it -- stone by stone -- here to Aubagne.

The corporal wanted to be very sure we did not mistake any of this as France's doing or, God forbid, the regular army's. He tipped back a straight-back chair, one of four pulled up to a long conference table. Its seat was beautifully inlaid with rare woods. "These chairs were made in 1846 by a legionnaire while doing a disciplinary sentence," he explained. "They are made from old ammunition cases." He told me to get down on my knees to note the stenciling on the underside. It was an old ammunition case, all right.

He swung open a massive black iron door -- a crimped and tortured work of art. "This door was made in 1963 by a legionnaire," he said. "There are precisely 645.84 meters of welding in its construction." The door opened onto the parade ground, at one end of which stood a huge bronze globe supported by an enormous stone plinth, a memorial to the Legion dead. Only heroes walk here. We were not permitted beyond the doorway.

The hand of Capt. Danjou rests in a reliquary in the Legion Hall of Honour, where the names of the 903 Legion officers killed in battle are inscribed, and where the names of Legion campaigns -- I counted more than 20 -- marched in close order across the cold marble.

We stood at the head of the stairs and looked down into the room. It was as still and cold as the bed of an old dark pond. The ashes of a legionnaire from Chicago -- William Moll -- were tucked into a little windowed recess. A Lucite cross gave off a light yellow as jaundice.

It went on like this for two entire floors -- a melange of religion, romance and proud military tradition: tattered battle flags; ordnance and weapons; the accouterments of cavalry; the medals of Legion heroes and the kepis (the distinctive white caps) of its famous fallen; a grand parade of Legion uniforms.

And here and there, the unexpected:

A macabre display of bullets dug out of the exhumed bodies of legionnaires.

Exquisite carvings, parquetry, sculpture, metalwork and tapestries turned out by the rough hands of soldiers.

A brass cross wreathed in barbed wire. "In beloved memory of Lt. Alain de Woillement who fell in battle Dec. 28, 1948 in French Indo-China," the card next to it reads. And then this: "I rose from the chill ground and folded my soldier in his blanket and buried him where he fell."

All around are paintings, watercolors, photographs and portraits of men of many nations ... crusaders, they used to be called.

When we had seen it all, we stopped at the regimental shop for a souvenir -- something to remind us of this morning spent with the French Foreign Legion. My wife purchased a water pitcher and six drinking glasses, rough-worked and blue as the May sky. "Made by retired legionnaires at our rest home at Puyloubier," the corporal told us. And he threw in a look that said, "By now you should have it figured out -- everything is Legion."

As for myself, I came away with a white kepi. The instant I put it on, I was transported to the burning African sun, the sift and drift of the Sahara, the furnace blast pounding against the parapets at Fort Zinderneuf.

"It makes me very thirsty, wearing this cap," I told the corporal. Of course, he had easement for that too: wine from the Legion vineyards at Puyloubier, bottled under the Capitaine Danjou label. I tried a little of the red. I would pronounce it ... proud.

The Foreign Legion Museum is Aubagne's singular attraction, so signs pointing the way abound. The main gate is on D44A. From June through September, the museum is open Tuesday through Sunday from 10 a.m. to noon and from 3 to 7 p.m. From October through May, it is open Wednesday, Saturday and Sunday from 10 a.m. to noon and from 2 to 6 p.m. Admission is free.
John Frock is a former Life magazine editor now living in Reno, Nev.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Como o coronavírus vai mudar nossas vidas: dez tendências para o mundo pós-pandemia, por CLAYTON MELO

Consumir por consumir sai de moda, morar perto do trabalho, atuar mais no coletivo com colegas de empresas, ou vizinhos do bairro. A Covid-19 vai rever valores e mudar hábitos da sociedadeCentro da capital de São Paulo onde o Governo do Estado prorrogou até 22 de abril a quarentena.
FERNANDO BIZERRA JR / EFE

A Covid-19 mudou nossas vidas. Não estou falando aqui simplesmente da alteração da rotina nesses dias de isolamento, em que não podemos mais fazer caminhadas no Minhocão ou ir aos nossos bares e restaurantes preferidos. Sim, tudo isso mudou nosso cotidiano —e muito. Mas o meu convite para você é para pensarmos nas mudanças mais profundas, naquelas transformações que devem moldar a realidade à nossa volta e, claro, as nossas vidas depois que o novo coronavírus baixar a bola. 
Por isso talvez seja melhor mudar o tempo verbal da frase que abre este texto e dizer que o coronavírus vai mudar as nossas vidas. Mas como? Que cenários prováveis já começam a emergir e devem se impor no mundo pós-pandemia?
O mundo pós-pandemia será diferente
Entender que mundo novo é esse é importante para nos prepararmos para o que vem por aí. Porque uma coisa é certa: o mundo não será como antes, conforme nos alertou o biólogo Átila Iamarino.
“O mundo mudou, e aquele mundo (de antes do coronavírus) não existe mais. A nossa vida vai mudar muito daqui para a frente, e alguém que tenta manter o status quo de 2019 é alguém que ainda não aceitou essa nova realidade”, disse nesta entrevista para a BBC Brasil Átila, que é doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pela Universidade Yale. “Mudanças que o mundo levaria décadas para passar, que a gente levaria muito tempo para implementar voluntariamente, a gente está tendo que implementar no susto, em questão de meses", diz ele.
Pandemia marca o fim do século 20
Ainda nessa linha, havia uma visão entre especialistas de que faltava um símbolo para o fim do século 20, uma época altamente marcada pela tecnologia. E esse marco é a pandemia do coronavírus, segundo a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, professora da Universidade de São Paulo e de Princeton, nos EUA, em entrevista ao Universa. “[O historiador britânico Eric] Hobsbawm disse que o longo século 19 só terminou depois da Primeira Guerra Mundial [1914-1918]. 
Nós usamos o marcador de tempo: virou o século, tudo mudou. Mas não funciona assim, a experiência humana é que constrói o tempo. Ele tem razão, o longo século 19 terminou com a Primeira Guerra, com mortes, com a experiência do luto, mas também o que significou sobre a capacidade destrutiva. 
Acho que essa nossa pandemia marca o final do século 20, que foi o século da tecnologia. Nós tivemos um grande desenvolvimento tecnológico, mas agora a pandemia mostra esses limites”, diz Lilia.
Coronavírus, um acelerador de futuros
Vários futuristas internacionais dizem que o coronavírus funciona como um acelerador de futuros. A pandemia antecipa mudanças que já estavam em curso, como o trabalho remoto, a educação a distância, a busca por sustentabilidade e a cobrança, por parte da sociedade, para que as empresas sejam mais responsáveis do ponto de vista social.
Outras mudanças estavam mais embrionárias e talvez não fossem tão perceptíveis ainda, mas agora ganham novo sentido diante da revisão de valores provocada por uma crise sanitária sem precedentes para a nossa geração. Como exemplos, podemos citar o fortalecimento de valores como solidariedade e empatia, assim como o questionamento do modelo de sociedade baseado no consumismo e no lucro a qualquer custo.
“A vida depois do vírus será diferente”, disse ao site Newsday a futurista Amy Webb, professora da Escola de Negócios da Universidade de Nova York. “Temos uma escolha a fazer: queremos confrontar crenças e fazer mudanças significativas para o futuro ou simplesmente preservar o status quo?”
Efeitos do coronavírus devem durar quase dois anos
As transformações são inúmeras e passam pela política, economia, modelos de negócios, relações sociais, cultura, psicologia social e a relação com a cidade e o espaço público, entre outras coisas.

O ponto de partida é ter consciência de que os efeitos da pandemia devem durar quase dois anos, pois a Organização Mundial de Saúde calcula que sejam necessários pelo menos 18 meses para haver uma vacina contra o novo. Isso significa que os países devem alternar períodos de abertura e isolamento durante esse período.

Diante dessa perspectiva, como ficam as atividades de lazer, cultura, gastronomia e entretenimento no centro e em toda a cidade durante esse período? O que mudará depois? São questões ainda em aberto, mas há sinais que nos permitem algumas reflexões.

Para entender essas e outras questões e identificar os prováveis cenários, procurei saber que tendências os futuristas, pesquisadores e bureaus de pesquisas nacionais e internacionais estão traçando para o mundo pós-pandêmico. A partir dessas leituras e também de um olhar para as questões que dizem respeito ao centro de São Paulo e à vida urbana em geral, fiz uma lista com algumas dessas tendências, que você pode ler a seguir.
Confira as 10 tendências para o mundo pós-pandemia
1. Revisão de crenças e valores--A crise de saúde pública é definida por alguns pesquisadores como um reset, uma espécie de um divisor de águas capaz de provocar mudanças profundas no comportamento das pessoas. “Uma crise como essa pode mudar valores”, diz Pete Lunn, chefe da unidade de pesquisa comportamental da Trinity College Dublin, em entrevista ao Newsday.
“As crises obrigam as comunidades a se unirem e trabalharem mais como equipes, seja nos bairros, entre funcionários de empresas, seja o que for... E isso pode afetar os valores daqueles que vivem nesse período —assim como ocorre com as gerações que viveram guerras”.
Já estamos começando a ver esses sinais no Brasil —e no centro de São Paulo, com vários exemplos de pessoas que se unem para ajudar idosos, por exemplo.
2. Menos é mais--A crise financeira decorrente da pandemia por si só será um motivo para que as pessoas economizem mais e revejam seus hábitos de consumo. Como diz o Copenhagen Institute for Futures Studies, a ideia de “menos é mais” vai guiar os consumidores daqui para frente.
Mas a falta de dinheiro no momento não será o único motivo. As pessoas devem rever sua relação com o consumo, reforçando um movimento que já vinha acontecendo. “Consumir por consumir saiu de ‘moda’”, escreve no site O Futuro das Coisas Sabina Deweik, mestre em comunicação semiótica pela PUC e pesquisadora de comportamento e tendências.

O outro lado desse processo é um questionamento maior do modelo de capitalismo baseado pura e simplesmente na maximização dos lucros para os acionistas. 
“O coronavírus trouxe para o contexto dos negócios e para o contexto pessoal a necessidade de revisitar as prioridades. O que antes em uma organização gerava resultados financeiros, persuadindo, incentivando o consumo, aumentando a produção e as vendas, hoje não funciona mais”, diz Sabina.

“Hoje, faz-se necessário pensar no valor concedido às pessoas, no impacto ambiental, na geração de um impacto positivo na sociedade ou no engajamento com uma causa. Faz-se necessário olhar definitivamente com confiança para os colaboradores já que o home office deixou de ser uma alternativa para ser uma necessidade. Faz-se necessário repensar a sociedade do consumo e refletir o que é essencial.”

3. Reconfiguração dos espaços do comércio--
A pandemia vai acentuar o medo e a ansiedade das pessoas e estimular novos hábitos. Assim, os cuidados com a saúde e o bem-estar, que estarão em alta, devem se estender aos locais públicos, especialmente os fechados, pois o receio de locais com aglomeração deve permanecer.

“Quando as pessoas voltarem a frequentar espaços públicos, depois do fim das restrições, as empresas devem investir em estratégias para engajar os consumidores de modo profundo, criando locais que tragam a eles a sensação de estar em casa”, diz um relatório da WGSN, um dos maiores bureaus de pesquisas de tendências do mundo.

Eis um ponto de atenção para bares, restaurantes, cafeterias, academias e coworkings, que devem redesenhar seus espaços para reduzir a aglomeração e facilitar o acesso a produtos de higiene, como álcool em gel. Os espaços compartilhados, como coworkings, têm um grande desafio nesse novo cenário.

4. Novos modelos de negócios para restaurantes--Uma das dez tendências apontadas pelo futurista Rohit Bhatgava é o que ele chama de “restaurantes fantasmas”, termo usado para descrever os estabelecimentos que funcionam só com delivery. Como a possibilidade de novas ondas da pandemia num futuro próximo, o setor de restaurantes deve ficar atento a mudanças no seu modelo de negócios, e o serviço de entrega vai continuar em alta e pode se tornar a principal fonte de receita em muitos casos.

5. Experiências culturais imersivas--Como resposta ao isolamento social, os artistas e produtores culturais passaram a apostar em shows e espetáculos online, assim como os tours virtuais a museus ganharam mais destaque. Esse comportamento deve evoluir para o que se pode chamar de experiências culturais imersivas, que tentam conectar o real com o virtual a partir do uso de tecnologias que já estão por aí, mas que devem se disseminar, como a realidade aumentada e virtual, assistentes virtuais e máquinas inteligentes.

De acordo com o estudo Hype Cycle, da consultoria internacional Gartner, as experiências imersivas são uma das três grandes tendências da tecnologia. Destacamos aqui a área cultural, mas isso também se estende a outros setores, como esportes, viagens a varejo, conforme indica o relatório A Post-Corona World, produzido pela Trend Watching, plataforma global de tendências.

6. Trabalho remoto--O home office já era uma realidade para muita gente, de freelancers e profissionais liberais a funcionários de companhias que já adotavam o modelo. Mas essa modalidade vai crescer ainda mais. Com a pandemia, mais empresas —de diferentes portes— passaram a se organizar para trabalhar com esse modelo. Além disso, o trabalho remoto evita a necessidade de estar em espaços com grande aglomeração, como ônibus e metrôs, especialmente em horários de pico.

7. Morar perto do trabalho--Essa já era uma tendência, e morar no centro de São Paulo se tornou um objeto de desejo para muitas pessoas justamente por conta disso, entre outros motivos. Mas, com o receio de novas ondas de contágio, morar perto do trabalho, a ponto de ir a pé e não usar transporte público, deve se tornar um ativo ainda mais valorizado.

8. Shopstreaming--Com o isolamento social, as lives explodiram, principalmente no Instagram. As vendas pela Internet também, passando a ser uma opção também para lojas que até então se valiam apenas do local físico. Pois pense na junção das coisas: o shopstreaming é isso. Uma versão Instagram do antigo ShopTime.

9. Busca por novos conhecimentos--Num mundo em constante e rápida transformação, atualizar seus conhecimentos é questão de sobrevivência no mercado (além de ser um prazer, né?). Mas a era de incertezas aberta pela pandemia aguçou esse sentimento nas pessoas, que passam, nesse primeiro momento, a ter mais contato com cursos online com o objetivo de aprender coisas novas, se divertir e/ou se preparar para o mundo pós-pandemia. Afinal, muitos empregos estão sendo fechados, algumas atividades perdem espaço enquanto outros serviços ganham mercado.

10. Educação a distância--Se a busca por conhecimentos está em alta, o canal para isso daqui para frente será a educação a distância, cuja expansão vai se acelerar. Neste contexto, uma nova figura deve entrar em cena: os mentores virtuais. A Trend Watching aposta que devem surgir novas plataformas ou serviços que conectam mentores e professores a pessoas que querem aprender sobre diferentes assuntos.

Arte de ZE DASSILVA

'E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?’, diz Bolsonaro sobre mortes por coronavírus; 'Sou Messias, mas não faço milagre', por Gustavo Garcia, Pedro Henrique Gomes e Hamanda Viana

Nesta terça-feira, Brasil somou 5.017 mortes por covid-19, segundo os números oficiais, e superou o total de mortos da China, país de origem da pandemia de coronavírus.

Bolsonaro sobre mortes por Covid-19 no Brasil: ‘Lamento, quer que eu faça o quê? ’

O presidente Jair Bolsonaro perguntou a uma repórter, na portaria do Palácio da Alvorada, o que quer que ele faça em relação às mortes por coronavírus no Brasil, que nesta terça-feira (29) superaram as da China, país de origem da pandemia.
Nesta terça-feira, segundo boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, o número de mortes confirmadas por covid-19, a doença provocada pelo coronavírus, ultrapassou a marca dos 5 mil, chegando a 5.017. Na China, são 4.643.

Durante a entrevista, uma jornalista disse ao presidente: “A gente ultrapassou o número de mortos da China por covid-19”. O presidente, então, afirmou:
“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre", disse, em referência ao próprio sobrenome.

Momentos depois, na mesma entrevista, Bolsonaro disse se solidarizar com as famílias das vítimas. “Lamento a situação que nós atravessamos com o vírus. Nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, que a grande parte eram pessoas idosas”, disse.
“Mas é a vida. Amanhã vou eu. Logicamente, a gente quer ter uma morte digna e deixar uma boa história para trás”, disse o presidente.

Brasil supera China no número oficial de mortos pelo coronavírus

Questionado se conversaria com o ministro da Saúde, Nelson Teich, sobre a flexibilização do distanciamento social, Bolsonaro afirmou que não dá parecer e não obriga ministro a fazer nada.
O presidente também disse que ninguém nunca negou que a covid-19 causaria mortes no Brasil e que 70% da população será infectada.

“As mortes de hoje, a princípio, essas pessoas foram infectadas há duas semanas. É o que eu digo para vocês: o vírus vai atingir 70% da população. Infelizmente é a realidade. Mortes vão (sic) haver. Ninguém nunca negou que haveria mortes”, disse.

Exames
O presidente também foi questionado sobre decisão judicial que deu ao jornal “O Estado de S. Paulo” o direito de ter acesso resultados dos testes de coronavírus aos quais se submeteu. Segundo o presidente, os dois exames resultaram negativo.
Bolsonaro disse ter o direito de não mostrar os resultados dos testes.
“Vocês nunca me viram aqui rastejando, com coriza. Eu não tive [a doença], pô. E não minto [...]. Da minha parte, não tem problema mostrar. Mas, agora, eu quero mostrar que eu tenho o direito de não mostrar”, afirmou.

Trump diz que acompanha 'de perto' o 'surto sério' de novo coronavírus no Brasil e sugere suspender voos

Presidente dos EUA afirma que avanço da pandemia de Covid-19 no Brasil tomou rumo diferente na comparação com outros países da América do Sul. Ele discute suspensão de voos entre os 2 países com governadores norte-americanos.
Presidente dos EUA, Donald Trump, concede entrevista na Casa Branca nesta terça-feira (28). Em primeiro plano, uma réplica de um avião oficial norte-americano — Foto: Carlos Barria/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (28) que "acompanha de perto" o que chamou de "surto sério" de novo coronavírus no Brasil. O republicano ainda alertou que o país tomou um rumo diferente no combate à pandemia de Covid-19 na comparação com outros países da América do Sul.
"O Brasil tem um surto sério, como vocês sabem. Eles também foram em outra direção que outros países da América do Sul, se você olhar os dados, vai ver o que aconteceu infelizmente com o Brasil", disse Trump.

A afirmação do presidente norte-americano veio em resposta a perguntas sobre os voos internacionais ainda em operação. Ainda há viagens aéreas entre Brasil e EUA, mas em menor frequência devido à pandemia.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, estava na reunião com Trump e disse que ainda não vê necessidade de suspender de vez os voos de Miami e Fort Lauderdale ao Brasil. Porém, o presidente insistiu:
"Se precisar [interromper voos], nos avise".
Depois, Trump disse que avalia testar passageiros de voos internacionais saídos de "áreas muito infectadas" e afirmou que "o Brasil está chegando nessa categoria". "Acho que eles vão ficar bem, eu espero que eles fiquem bem. Ele é muito amigo meu, o presidente [Jair Bolsonaro]", acrescentou.
"Acho que a América do Sul é um lugar que deve ser falado [sobre os voos para os EUA], porque tem muitos negócios de lá com a Flórida", disse Trump.
Embaixada alerta norte-americanos no Brasil
Passageiros aguardam para retirar bagagens no Aeroporto de Cumbica em Guarulhos — Foto: Marina Pinhoni

A Embaixada dos Estados Unidos alertou na semana passada que norte-americanos no Brasil devem se organizar para voltar aos EUA a não ser que estejam preparados para permanecer em solo brasileiro "por um período indefinido", por causa da pandemia de novo coronavírus.
Em mensagem publicada no site oficial da representação, a Embaixada diz que há apenas nove voos em operação por semana entre o Brasil e os EUA — todos saindo do estado de São Paulo. Essas decolagens, segundo a nota, podem diminuir nos próximos dias.
"O governo dos EUA não está estudando no momento voos de repatriamento do Brasil", diz a nota.
A nova orientação veio quase um mês depois de a Embaixada dos EUA pedir aos norte-americanos no Brasil que retornassem imediatamente ao país de origem, com o agravamento da crise de Covid-19 no mundo.
Coronavírus no Brasil e nos EUA

Ambulâncias estacionadas em Nova York, com arranha-céus de Manhattan ao fundo, em foto de sexta-feira (24) — Foto: Andrew Kelly/Reuters
Os Estados Unidos concentram quase um terço dos mais de 3 milhões de casos registrados até esta terça-feira de novo coronavírus no mundo, segundo monitoramento da Universidade Johns Hopkins. O país também registra o maior número de vítimas de Covid-19: mais de 56 mil morreram com a doença.
Enquanto isso, a curva de casos e mortes no Brasil continua em crescimento, e o país já é o décimo com mais mortes pela Covid-19 em todo mundo, também de acordo com a Johns Hopkins. 

Exército informa ao MPF que revogou portarias sobre controle de armas e munições, por Márcio Falcão

Portarias facilitavam rastreamento, mas Bolsonaro disse no dia 17 que havia determinado revogação porque normas não estavam de acordo com as diretrizes dele.

O Comando Logístico do Exército informou nesta terça-feira (28) ao Ministério Público Federal (MPF) que revogou as portarias sobre rastreamento de armas e munições.

Segundo o Exército, a revogação foi feita após questionamentos da administração pública e de usuários das redes sociais.

A informação, enviada pelo comandante logístico do Exército, Laerte de Souza, foi uma resposta a um pedido de explicações apresentado pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, órgão do MPF.

As portarias previam normas para rastreamento, identificação e marcação de armas, munições e demais produtos controlados. As regras eram consideradas de maior controle por especialistas.

No último dia 17, contudo, o presidente Jair Bolsonaro disse em uma rede social que havia determinado a revogação das portarias porque as normas não estavam de acordo as diretrizes dele, definidas em decretos.

Para a procuradora da República Raquel Branquinho, porém, Bolsonaro violou a Constituição "na medida em que impede a proteção eficiente de um bem relevante e imprescindível aos cidadãos brasileiros, que é a segurança pública".

No documento enviado ao MPF, o Exército informou:
"Tão logo publicadas oficialmente as referidas portarias, surgiram inúmeros questionamentos e contrapontos levantados por diversos setores da sociedade, especialmente nas mídias sociais, e da administração pública em razão da tecnicidade do tema. Nesse viés, foram verificadas algumas oportunidades de melhoria em pontos de difícil compreensão, pelo público alcançado pelas normas em comento, visando atingir total transparência na motivação das medidas de fiscalização editadas."
Outros pontos
O ofício do Exército ressalta que, pela urgência, "não houve processo documental para a revogação, já que as portarias surtiriam seus efeitos a partir de 4 de maio".
O comandante logístico do Exército afirmou ainda que a administração pública, "revestida de sua discricionariedade", decidiu rever o ato ao se deparar com "questões supervenientes que considerou importantes do ponto de vista técnico e legal".
MPF diz que Bolsonaro violou Constituição ao determinar revogação de portarias sobre armas
Procedimento preliminar
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão pediu que as informações sejam remetidas à Procuradoria da República no Distrito Federal, que abriu um procedimento preliminar para decidir se vai investigar a conduta de Bolsonaro.

A Procuradoria atendeu a um pedido da procuradora Regional da República Raquel Branquinho, que atua na segunda instância e apontou indícios de interferência de Bolsonaro em atos exclusivos do Exército.

Agora, a PRDF vai analisar se os elementos justificam uma investigação da conduta do presidente que pode levar a uma ação de improbidade administrativa.

Para Raquel Branquinho, esse episódio representa uma situação extremamente grave e tem o potencial de agravar a crise de segurança pública vivenciada no país. Isso porque, diz o MPF, não restam dúvidas de que, pela legislação, compete ao Comando Logístico do Exército Brasileiro a fiscalização de produtos controlados, como armas e munições.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Arte de J.BOSCO

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Coronavírus: comportamentos certos e errados em tempos de pandemia, nas folhas


Alguns gestos e comportamentos do dia a dia precisam ser repensados para ficarem de acordo com as medidas de higiene necessárias para conter a pandemia. 
Coronavírus: veja jeito certo e errado de gestos do dia a dia durante a pandemia

Ao encontrar alguém--Dar as mãos, abraçar ou beijar pode transmitir o vírus, por isso é recomendado evitar o contato físico. 
Quando vir um amigo ou parente, dê um aceno de longe. Responder com um sorriso também está liberado.

Ao chegar em casa--Não ande com o sapato dentro de casa, para não trazer qualquer contaminação da rua. Deixei-os perto da porta. Bolsa, mochilas e chaves também devem ficar por ali. Coloque uma cadeira ou deixe uma mesa do lado da porta para apoiar esses objetos.
Se preferir higienizar esses itens, use um pano com álcool 70% ou uma solução de água sanitária. Misture 2 colheres de sopa de água sanitária com 1 litro de água e deixe na entrada da casa.
O infectologista do Hospital Emílio Ribas, fala da importância da higienização ao voltar para casa da rua. "O coronavírus não se espalha só por tosse, espirro e gotículas de saliva, mas também pelo toque de objetos que possam estar contaminados. Portanto, todo cuidado é importante para que a gente não leve o vírus para casa", diz.

Ao voltar do supermercado--As embalagens das compras devem ser higienizadas antes de guardar. Pode usar álcool 70%, solução de água sanitária ou algum outro desinfetante de uso caseiro. O infectologista tem mais dicas.

Ao espirrar--Mesmo quando estiver sozinho, não espirre nas mãos. Proteja o nariz com o braço. Isso atrapalha a disseminação do vírus.

Ao manusear a máscara--Não encoste com as mãos na parte da frente ou de dentro da máscara. Para retirar e colocar, use as tiras laterais. Se for descartável, jogue diretamente no lixo. As reutilizáveis devem ser guardadas num saco plástico até a hora de lavar. A máscara não deve encostar em nenhum outro lugar, por isso evite guardar direto na bolsa ou colocar sobre uma mesa.
"Ao chegar em casa as máscaras devem ser lavadas". "Coloque elas num balde com um litro de água e duas a três colheres de sopa de água sanitária. Deixe por pelo menos 40 minutos e pendure no varal para secar. Quando estiverem secas, passe com ferro em alta temperatura."

Depois de tudo isso--Mantenha as mãos limpas. Aprenda a maneira correta de lavar as mãos com água e sabão. Quando não for possível, use álcool em gel.
O infectologista alerta: "se não tem álcool gel, se policie para não por a mão nos olhos, no nariz ou na boca até achar algum lugar em que você possa lavar ou higienizar com álcool gel."

E, se puder, fique em casa.

Arte de AMARILDO

Nobre: “As chances de Bolsonaro são baixas. Quando Roberto Jefferson entra, é o beijo da morte de qualquer presidente”, por FELIPE BETIM

Em entrevista , o presidente do CEBRAP diz que demitir Moro é um bônus para Governo negociar com o centrão. Para ele, momento é de baixar as armas na política e parar de culpar os demais

O filósofo Marcos Nobre, na sala de sua casa.

No meio da pandemia de coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro forçou o afastamento de dois de seus principais ministros. O primeiro a sair foi Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), da Saúde. E, na última sexta-feira, Sergio Moro, da Justiça e Segurança Pública. A demissão do popular ex-juiz, principal estrela da Operação Lava Jato e responsável pela condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por corrupção, elevou ainda mais uma crise política forjada por Bolsonaro, que aposta por radicalizar ainda mais sua retórica ao mesmo tempo que boicota os esforços por garantir o isolamento social. Está o Brasil caminhando para mais um impeachment ou para outra ditadura?

Para o filósofo Marcos Nobre, professor da UNICAMP e presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), Bolsonaro está se refugiando em sua base mais radical de eleitores enquanto negocia com o centrão no Parlamento para conseguir mais tempo. Porém, acredita que é uma questão de tempo para que seja destituído do cargo. “Bolsonaro vai para a lona e sabe disso", explica.
Ele opina que a popularidade de Bolsonaro se reduzirá a seu eleitorado mais radical, mas destaca que isso por si só não garante uma maioria social pelo afastamento. Para que isso aconteça, insiste que as principais forças políticas devem negociar e repactuar as regras de convivência democrática. “Caso contrário, vamos continuar produzindo Bolsonaros. Não adianta só tirar o cara”.

Pergunta. Após a eleição de Bolsonaro, você chegou a dizer que seu governo era feito de feudos. Um deles era o de Sergio Moro, que agora deixa o cargo atirando forte contra o presidente. O que representa a implosão desse feudo para a base bolsonarista?
Resposta. O fato de Bolsonaro demitir Moro é tão importante quanto o fato de fazer isso agora. Essa demissão tem várias funções. Temos hoje um número de mortes por causa do coronavírus que é padrão Espanha. E não estamos discutindo o nível de desespero para o qual estamos indo, porque estamos o dia inteiro discutindo a crise política. Portanto, existe um elemento diversionista importante. Outro aspecto importante é que Bolsonaro se deu conta de que a pandemia vai atingir o governo dele. Ele tem até agora cerca de um terço do eleitorado, segundo as pesquisas, e sabe que não vai conseguir manter essa fatia. Então, decide fazer um movimento de recuo para se proteger em seu núcleo de apoio fanático. Segundo o Datafolha, representa cerca de 12% do eleitorado. Seu raciocínio é o de que vai ter crise econômica e vão vir com impeachment para cima dele, então é melhor garantir uma base de apoio mínima. Parte desse eleitorado que ele vai perder está com Moro. O ex-ministro era símbolo de uma expansão da base bolsonarista de 12% para 30% do eleitorado. Mas, a partir do momento que Bolsonaro se recolhe para os 12% iniciais, ele escolhe fazer um governo de guerra. E, num governo de guerra, você não pode ter uma pessoa que é maior que você. Isso explica tirar Mandetta e também explica tirar Moro. Ele vai se livrando de todas essas pessoas.
Bolsonaro rebate Sergio Moro e cerra fileiras com aliados enquanto Congresso observa escalada da crise com cautela

P. As pesquisas ainda mostram Bolsonaro com ao menos um terço do eleitorado. Quanto tempo para que haja uma queda?
R. Temos dificuldade de comparar as últimas pesquisas. Como estão sendo feitas de maneira remota, não temos condição de fazer uma boa comparação. Mas a tendência é ir ladeira abaixo e, em questão de meses, ser reduzido a esse núcleo duro. Rápido em política são dois meses. E esse tempo tem que ser aproveitado pelas forças políticas para conversar. Esse é o ponto que acho essencial. Estamos no isolamento e existe uma dificuldade de comunicação, de negociação política, enorme. Bolsonaro está contando com esse tempo e essa dificuldade para ver se negocia com o centrão.

P. Uma eventual queda na popularidade é o suficiente para derrubar o presidente?
R. Não adianta ele ficar reduzido a 12%, 10% ou 8% do eleitorado. É preciso também formar uma maioria esmagadora pelo afastamento. Na última pesquisa Datafolha, a maioria reprovava a atitude dele durante a pandemia, mas ao mesmo tempo era contra a renúncia. Isso mostra que uma maioria não nasce espontaneamente. Ainda assim, a possibilidade de se formar essa maioria a favor do impeachment é grande. Mas há obstáculos, como as divisões no campo democrático, entre a direita e a esquerda, por exemplo. É muito evidente que Rodrigo Maia não vai acatar um pedido vindo da esquerda. E que a esquerda será obrigada a negociar com a direita para apoiar um pedido de impeachment que venha de alguma figura considerada de centro e não seja um potencial candidato. Como um ex-ministro do STF ou um ex-ministro da Justiça.

P. É viável um acordo político? O PT vem até agora resistindo a apoiar um pedido impeachment no Congresso Nacional.
R. O acordo para afastar o presidente não deve se dar apenas entre as forças políticas, mas também na sociedade. Essa maioria esmagadora não é espontânea, só se forma quando as pessoas decidem negociar. E que tipo de acordo será esse? A esquerda hoje se pergunta o que pode ganhar com o impeachment e deixar o poder com o vice-presidente Hamilton Mourão. É um erro político grave, porque as instituições brasileiras estão em frangalhos, e permitir que Bolsonaro continue a ser presidente é permitir que a destruição avance. Ao mesmo tempo tem um lado bom: minha leitura é a de que o PT está resistindo a apoiar o impeachment porque quer esperar um pedido consistente que venha de uma figura de centro, acima da disputa eleitoral. Poderia ser os ex-ministros do STF Sepúlveda Pertence, Carlos Ayres Brito, Nelson Jobim... E, para que a esquerda apoie Mourão virar presidente, precisa saber que está negociando que seu Governo não seja de continuidade e ultraliberal. Se a saída é pela direita e não é possível ocupar o poder, então é preciso colocar limites. É uma negociação complexa que envolve renegociar a democracia e as regras da convivência política. Não pode acontecer de uma parte do sistema político entregar a outra para os leões e transformar o jogo político em um jogo de destruição do adversário. O que precisa voltar é a regra de convivência. Isso é o que permite um impeachment que nos livre de Bolsonaro. Caso contrário, a estrutura fica igual e vai continuar produzindo outros Bolsonaros.

P. As ruas são impossíveis de ocupar, mas temos visto panelaços convocados por diversos setores da sociedade, da esquerda à direita. É o início de uma frente ampla, ao menos na sociedade?
R. É um sintoma de formação dessa frente. Quando isso for concretizado, as nossas diferenças podem ser muito grandes, mas devemos estar de acordo que Bolsonaro representa uma ameaça para o país. E que na hora das eleições cada um defenda suas posições. Essa convivência não existe no Brasil há seis anos. A política se tornou terra de ninguém. Parte do eleitorado usa as eleições como arma apontada para a cabeça de outra parte do eleitorado. Tem que tirar a arma do negócio. E o momento exige que as pessoas deixem de culpar as outras por tudo. Culpamos a esquerda, Lula, Temer, as elites, os evangélicos... Se isso não acabar, ou não diminuir num nível que possamos conversar, vamos continuar produzindo Bolsonaros. Não adianta só tirar o cara.

P. O que significou o pronunciamento de Moro para o debate sobre o impeachment? As acusações de que Bolsonaro quer interferir politicamente na Polícia Federal materializam o risco à democracia que tanto vem se falando?
R.Para mim isso é evidente, mas não só por causa dessa manifestação de Moro. É no conjunto da obra. Ele falou durante a campanha que o modelo de democracia era o modelo da ditadura. E não só falou durante a campanha, sempre falou que era ali que queria chegar. O pronunciamento é só mais uma evidência do que Bolsonaro pretendia fazer, mas que agora não consegue porque foi atingido por uma pandemia. Bolsonaro não se encontrava nas camisas de forças das instituições, ele estava acumulado forças. E a fala de Moro põe a nu tudo isso. Agora, sejamos claros: o Moro fez até um aceno ao PT e abriu o leque do impeachment. Foi uma menção totalmente pensada. Para mim, agora é uma questão de tempo e o quanto o país vai sofrer até fazer isso. Mesmo remover alguém que faz tanto mal para o país não dá para ser imediatamente. Estamos numa condição de isolamento em que todos nossos esforços estão voltados para a crise sanitária. E todas essas conversas demoram.

P. O que representa Bolsonaro demitir Moro, reduzir sua base de apoio e, ao mesmo tempo, estar negociando com o centrão?
R. Demitir Moro é um bônus para a negociação com o centrão. É dizer “eu me livrei de Moro, então vocês podem ficar tranquilos e podemos fazer acordo”. Mas Bolsonaro tem um problema aí: pode ser que consiga convencer essa base mais fanática de que é necessário fazer acordo com o centrão para preservar o mandato, mas essa base é suficiente para impedir um impeachment? Não. É uma base muito pequena. Ele segue exposto ao impeachment. Ao mesmo tempo, não é porque tem uma base pequena que vai se formar uma maioria esmagadora a favor da saída dele. Ele precisa impedir uma maioria esmagadora de mais de 2/3 no Parlamento para conseguir a saída dele. Para isso, precisa do apoio que só o centrão pode dar, fazendo acordo e buscando fortalecer o centrão nas eleições municipais. Ele precisa então agravar a crise fiscal. Foi por isso que o general [e ministro-chefe da Casa Civil] Braga Netto apareceu com esse programa econômico que ninguém sabe de onde tirou nem sabe o que é. Aquilo ali foi só para dizer que está em curso uma negociação com o centrão e, portanto, esse governo não tem mais a agenda Paulo Guedes. Naquele momento ele foi demitido de suas funções.

P. O acordo com o centrão é viável? Bolsonaro já se mostrou não ser um negociador confiável... O MDB já lançou nota dizendo que não quer ocupar cargos no Governo.
R. Temos que pensar que o centrão são muitos também. Tem o centrão estratégico, de médio e longo prazo, e tem o centrão que vai aproveitar o que tem aqui pelo tempo que tiver. Quando Roberto Jefferson entra na parada, é o beijo da morte de qualquer presidente. Ele só não conseguiu matar Lula, mas conseguiu matar Fernando Collor e vai conseguir matar Bolsonaro. É nesse momento que os abutres chegam para pegar a carniça que houver pelo tempo que houver. E seis meses num cargo são seis meses.
Outra figura importante nisso tudo é o presidente da Câmara Rodrigo Maia. Ele não vai apoiar um impeachment sem esse acordo grande entre as forças políticas. É preciso muita conversa, para garantir que as eleições municipais tenham um mínimo de equidade, que ninguém mate ninguém... Agora, foi a ala militar que entrou e que fez essa negociação com o centrão. Os militares podem perfeitamente ter feito uma negociação que também valha para Mourão. Eles podem estar pensando na frente, negociando em nome do Bolsonaro um acordo que valha para Mourão. A ala militar também tem que se livrar dessa encrenca.

P. Quais são as chances de Bolsonaro sobreviver?
R. A chance de sobreviver é muito baixa. Se Bolsonaro ficar reduzido ao centrão especializado em carniça, ele está morto. Para se estender no poder, precisa negociar. Mas ninguém confia nele. Quando o general Santos Cruz fez um acordo com o centrão, o que Bolsonaro fez? Demitiu Santos Cruz. Neste ano, depois de fazer acordo sobre orçamento, o que fez? Desfez o acordo. Ele segue a lógica de permitir que o acordo seja feito, de dar corda e depois puxar a corda no pescoço de quem está negociando para enforcar o pescoço. Só que agora ele não tem capacidade de puxar corda nenhuma. Ao mesmo tempo, ele não tem muita saída a não ser radicalizar. Estamos só no começo da desgraça sanitária e econômica. O que vai vir é muito pior, por uma razão simples: fizemos tudo meia boca. O governo não tomou as medidas de isolamento que deveria ter tomado, nem as medidas econômicas necessárias para o isolamento. Esse tipo de combinação significa o prolongamento de nossa desgraça. Bolsonaro vai para a lona e sabe disso.

P. Bolsonaro se mostrou um líder incapaz de lidar com a crise?
R. Me irrita um pouco quando a pessoa fala que ele é burro ou louco. Aí fica muito fácil de explicar. Mas o que explica ele tomar as atitudes que tomou e se tornar um dos quatro negacionistas do coronavírus em todo o mundo? Ele olhou e viu que não tinha saída: se resolve reorganizar o sistema e dirigir o sistema, acabou o seu discurso, tudo o que falou até hoje. Defender o país seria estelionato eleitoral. O método dele é o caos. E ele fez uma adaptação desse método, ao permitir que o sistema se reorganizasse em alguma medida, com Mandetta organizando uma centralização do sistema sanitário. Só que, ao mesmo tempo, ataca o isolamento e as medidas que iriam acabar com o governo dele.

P. Um autogolpe com apoio dos militares parece improvável a essa altura dos acontecimentos. Mas o bolsonarismo é muito forte nas bases das polícias militares e nos quartéis do Exército... Até que ponto isso representa uma ameaça? Pode haver uma espécie de insurgência ou de motim policial como ocorreu no Ceará em larga escala?
R. Isso sempre esteve no horizonte porque Bolsonaro sempre deixou claro que o objetivo era dar um golpe. Ele criou toda sua base de eleitores nas forças de segurança privadas e públicas. Mas a queda de Moro é uma fratura muito importante também nessa área de segurança. O desespero do gabinete do ódio é justamente quando eles veem que estão perdendo de goleada nas redes sociais faz tempo. E agora eles estão levando uma lavada de 7 a 1. Isso não significa que essa base já não tenha disposição beligerante, insurrecional. Ele pode manter essa base de fanáticos, que podem cometer atos isolados, mas falta aquele caldo de cultura que estava sendo criado, que era o caldo de cultura 1964. Ou seja, que um general que comanda determinado setor saia com a primeira fileira de tanques [e dê início a um golpe]. Ainda assim, o risco para a democracia continua. Se não houver uma repactuação da democracia, Bolsonaro sai do impeachment como vítima, como mártir, como alguém apeado do poder. Deve ser algo construído da maneira mais parecida com o impeachment de Collor, com um acordo de mínimos.
Futuro político de Sergio Moro
P. Moro fez pronunciamento de candidato?
R. Sim, fez um discurso de candidato, de alguém que vai agora para uma universidade norte-americana, passa um ano, e depois volta para ser candidato de não sei o quê. Isso também não é algo claro. Saiu muito barato para Moro, porque ninguém vai fazer o balanço do que ele realmente fez no Ministério da Justiça, que é nada. Ele sai sem se comprometer com as mortes, de mãos dadas com Mandetta. O fato de passar 40 minutos falando minúcias mostra que está aproveitando o tempo que tem a disposição, assim como ficar respondendo Bolsonaro nas redes. Quanto mais falarem dele, mais ele pode voltar de maneira triunfal. Ao mesmo tempo, sua saída não se dá sem prejuízos.

P. O que perde deixando o cargo?
R. O que vale para Mandetta vale para Moro. Tem uma parte do Moro que ele também devia a Bolsonaro. E que ele vai perder. Não porque são apoiadores de Bolsonaro, mas porque vão identificá-lo com Bolsonaro. Ele terá que se tornar uma figura pública que não tenha por trás de si nem a magistratura nem o Governo. Quando você tem uma estrutura por trás, é mais fácil. Mas agora ele precisa ser relevante sem ter ninguém por trás. Se sai candidato a senador, é outra lógica. Mas para se candidatar a presidente, primeiro tem que provar que consegue se sustentar sozinho na esfera pública. Luciano Huck, que é uma figura midiática, não consegue se tornar um líder político. E Moro não é Mandetta, que é do ramo, pertence ao DEM, já foi deputado... Moro fala muito bem da Lava Jato, mas uma figura pública tem que falar de habitação, de saúde, de economia... É muito diferente. Acho que ele tem muitas limitações.

Arte de MARIANO

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Bolsonaro e procurador-geral Augusto Aras se encontram durante reunião no Planalto, por Márcio Falcão, Fernanda Vivas, Roniara de Castilhos, Pedro Henrique Gomes

Comentario atônito--incrível porem real. Nao ha GOVERNO, mas sim um CIRCO onde a maioria é tratada como palhaço! 
O desrespeito diuturno as INSTITUICOES, as indecencias e licensiosidades com a MORAL e os BONS COSTUMES, desmentem qualquer tentativa, por longinqua que seja, de demonstrar PREOCUPACAO com as REALIDADES do Pais!! Até quando?? 
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Na semana passada, Aras pediu ao STF inquérito para apurar declarações do ex-ministro Sergio Moro, de que Bolsonaro tenta interferir politicamente em investigações da Polícia Federal.

Nomes escolhidos por Bolsonaro para Justiça e PF provocam reações negativas

O presidente Jair Bolsonaro e o procurador-geral da República, Augusto Aras, se encontraram nesta segunda-feira (27) no Palácio do Planalto. Segundo a Procuradoria-Geral da República, os dois conversaram durante uma reunião entre Aras, o advogado-geral da União, André Mendonça, e o ministro da Casa Civil, general Braga Netto, sobre a pandemia do coronavírus.

Na última sexta-feira (24), o procurador-geral pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para apurar declarações do ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública Sergio Moro. Ele deixou o governo acusando Bolsonaro de interferir na autonomia da Polícia Federal. O presidente contesta.

A Procuradoria Geral da República (PGR) afirmou que o presidente se deslocou até o gabinete da Casa Civil a fim de cumprimentar o procurador-geral. 
De acordo com a PGR, Bolsonaro e Aras não trataram de outros assuntos. 
A TV Globo também questionou o Palácio do Planalto sobre o encontro. 
Primeiro, a assessoria negou que o presidente e o procurador tivessem se encontrado. Depois, a assessoria atualizou a agenda do presidente e incluiu uma audiência com o procurador-geral. 
A Secretaria de Comunicação informou, após a mudança na agenda, que o presidente e Aras somente se cumprimentaram.

De acordo com a PGR, a conversa entre o ministro da Casa Civil e procurador-geral estava marcada desde a semana passada. 
(O General) Braga Netto é coordenador do Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19, e Aras criou o Gabinete Integrado de Acompanhamento do Covid-19 (Giac), com o objetivo de centralizar a análise das questões jurídicas sobre o coronavírus.

A decisão sobre a abertura do inquérito para apurar as declarações de Moro será do ministro Celso de Mello, do STF. Se autorizado, caberá a Aras definir a linha da investigação. Para a PGR, em tese, a fala do ex-ministro da Justiça e ex-juiz atribui a Bolsonaro crimes como falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça e corrupção passiva privilegiada.

No final da tarde desta segunda, ao chegar à residência oficial do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que Sergio Moro terá de provar as acusações que fez. "O ministro que saiu fez acusações e é bom que ele comprove. Até para minha biografia, tá ok? Agora, o processo no Supremo é o contrário, é ele que tem que comprovar aquilo que ele falou ao meu respeito", afirmou. "Eu espero que o Supremo analise para tirar a dúvida. Uma acusação grave que foi feita a meu respeito. Seria bom o Supremo decidir isso o mais rapidamente possível. E o ministro pode apresentar as provas, se ele tiver obviamente", disse.
Novo ministro
Na portaria do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse avaliar dois nomes para substituir Sergio Moro. Segundo ele, o nome do escolhido será publicado na edição desta terça-feira (28) do "Diário Oficial da União".
Ele afirmou que um dos dois nomes cogitados é o do atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira.

"Tem dois nomes na mesa. Um é o do Jorge. Se eu falar o outro perde a graça. Porque eu não falo com vocês? Porque se muda, vão falar que eu recuei", disse. Segundo Bolsonaro, ele levará em conta na escolha "além do conhecimento técnico, a capacidade de dialogar com os demais poderes, ter boa entrada no Supremo, no TCU [Tribunal de Contas da União], no Congresso".
Questionado se o atual ministro da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, seria alguém com esses atributos, respondeu que sim, entre risos.

MoroXBolsonaro--Dito popular--Zangam-se as Comadres...sabem-se as Verdades!!


segunda-feira, 27 de abril de 2020

Arte de AROEIRA

Arte de NANDO MOTTA

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Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência, deve ser anunciado como novo ministro da Justiça, por Delis Ortiz

Governo decidiu pelo nome de Alexandre Ramagem, diretor da Abin, para comandar a PF. Oliveira e Ramagem são próximos aos Bolsonaro e já trabalharam com a família.

O presidente Jair Bolsonaro deve anunciar Jorge Oliveira, atualmente ministro da Secretaria-Geral da Presidência, como o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, no lugar de Sergio Moro, que deixou o cargo na última sexta-feira (24).

Fontes do Planalto confirmaram que, depois de muito resistir, Oliveira acabou aceitando o cargo na Justiça. Ele era o nome que a família Bolsonaro queria na pasta. Neste sábado (25), ele se reuniu com o presidente na residência oficial do Palácio da Alvorada.
O governo também já se decidiu sobre o novo diretor-geral da Polícia Federal. Vai ser Alexandre Ramagem, atual diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). 
A vaga no comando da PF foi aberta depois que Bolsonaro exonerou o delegado Maurício Valeixo. A saída de Valeixo foi um dos motivos que levaram Moro a deixar o governo, alegando tentativa de interferência política do presidente na PF.
O ministro Jorge Oliveira, atualmente na Secretaria-Geral da Presidência, deve ser o novo ministro da Justiça 

Com essas modificações, Bolsonaro terá duas pessoas próximas a sua família nos dois postos. O pai de Oliveira trabalhou com o presidente durante 20 anos, quando Bolsonaro era deputado. O próprio ministro já foi assessor parlamentar de Bolsonaro e, depois, chefe de gabinete na Câmara de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

Oliveira foi padrinho de casamento de Eduardo Bolsonaro. A cerimônia foi realizada em 2019 (veja a foto abaixo).
Cotado para ministro da Justiça, Jorge Oliveira (à direita, com as mãos cruzadas), com os filhos de Bolsonaro, em maio de 2019 — Foto:Davi Nascimento

Ramagem, delegado da PF, trabalhou como segurança de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018. A partir dali criou uma relação de amizade próxima com a família.
O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) disse no sábado que vai apresentar uma ação na Justiça para impedir que Ramagem assuma o cargo, caso ele seja nomeado diretor-geral da Polícia Federal. 
O deputado lembrou que Ramagem, além de ter chefiado a segurança de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018, também é amigo dos filhos do presidente.
Ramagem comemorou a virada de 2018 para 2019 em uma festa de Ano Novo ao lado do vereador Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente (foto abaixo).
Ramagem, ao lado esquerdo do vereador Carlos Bolsonaro, festejou a virada de 2018 para 2019 com o filho do presidente — 
Perfis
Jorge Oliveira--Jorge Oliveira, de 44 anos, é advogado. Quando foi chamado para a Secretaria-Geral da Presidência, atuava como chefe de gabinete de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na Câmara dos Deputados. Antes, já havia sido assessor parlamentar de Jair Bolsonaro, também na Câmara.
Entre 1993 e 2013, atuou como oficial da Polícia Militar do Distrito Federal. Ele também já trabalhou como assessor parlamentar na Câmara Legislativa do Distrito Federal, entre 2003 e 2013.
Ele tem pós-graduação em Direito Público pelo Instituto Processus, de Brasília, e especialização em Gestão de Segurança Pública.

Alexandre Ramagem--Delegado da Polícia Federal, Ramagem entrou na corporação em 2005. Na PF, ele comandou as divisões de Administração de Recursos Humanos e de Estudos, Legislações e Pareceres.
Ainda na PF, ele também atuou na área de coordenação de eventos como a Copa do Mundo de 2014, a Olimpíada de 2016 e a Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente.
Em 2018, Ramagem foi segurança do presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral – os candidatos a presidente têm direito à segurança prestada pela Polícia Federal.
Ele assumiu o comando da segurança de Bolsonaro depois de o presidente, então candidato, ter sido vítima, em setembro, de um atentado a faca em Juiz de Fora (MG). Desde a campanha, a relação de amizade dele com a família Bolsonaro se intensificou.
Em julho de 2019, foi nomeado para a direção da Abin. Antes, trabalhou com o ex-ministro Santos Cruz, chefe da Secretaria de Governo na gestão Bolsonaro nos primeiros meses do mandato.

Inquéritos
A Polícia Federal investiga atualmente, a mando do Supremo Tribunal Federal (STF), um esquema de fake news contra ministros da corte, e parlamentares suspeitos de apoiar atos antidemocráticos, que pregam intervenção militar.
O relator dos inquéritos, ministro Alexandre de Moraes, determinou que os delegados à frente dessas investigações sejam mantidos na função, depois que Moro denunciou que um dos motivos para Bolsonaro ter mudado o comando da PF é um incômodo do presidente com os inquéritos.