sábado, 31 de agosto de 2019

Arte de DUKE

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Robôs impulsionaram hashtags contra ONGs na Amazônia e a favor de Salles, por ETHEL RUDNITZKI (AGÊNCIA PÚBLICA)

Cerca de 1% dos perfis foram responsáveis por mais de 20% das postagens com as tags pró-Governo. No movimento contra o Planalto, 1% dos perfis foram responsáveis por 9% das postagens

Na semana passada, entre 19 e 24 de agosto, as queimadas na Amazônia foram um dos assuntos mais comentados no Twitter mundialmente. Em meio à polarização no Twitter, as hashtags foram mais uma vez usadas como armas para ganhar a opinião pública —mas dessa vez, com auxílio de robôs e turbas virtuais, segundo levantamento feito pela Agência Pública.

No dia 21 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro acusou, sem provas, organizações não governamentais (ONGs) pelos incêndios na Amazônia. “Pode estar havendo a ação criminosa desses ongueiros para chamar atenção contra o governo do Brasil”, disse em coletiva de imprensa. No mesmo dia, seus apoiadores lançaram a hashtag #AmazoniaSemOng, que chegou aos assuntos mais comentados da rede no Brasil.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também recebeu uma hashtag de apoio nas redes. A tag foi lançada, com pouca expressividade, no dia 21 de agosto. No dia seguinte, depois que o partido Rede Sustentabilidade entrou com pedido de impeachment do ministro, a #SomosTodosRicardoSalles chegou aos Trending Topics no Brasil.

A Pública teve acesso às primeiras 50 mil postagens de cada uma das hashtags #AmazôniaSemONG e #SomosTodosRicardoSalles durante os dias 21 e 22 de agosto, extraídas pelo Laboratório de Pesquisadores Forenses Digitais (DFRLab), da organização Atlantic Council. Os dados mostraram que por trás das tags estavam perfis com indícios de automação, responsáveis por manipular as tendências na rede social.

Além disso, a reportagem verificou que o uso das hashtags foi orquestrado em grupos bolsonaristas no WhatsApp. Um número identificado como “TV a Cabo” publicou em quatro grupos ligados a Jair Bolsonaro de diferentes estados mensagem chamando para “Twittaço” com as tags #AmazôniaSemONG e #ApoioTotalRicardoSalles. A mensagem também conclamava os participantes do grupo a seguir a conta oficial de Twitter da Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo federal (Secom), criada no auge da crise, em 21 de agosto.
Mensagem chamando para twittaço em favor do ministro Ricardo Salles e contra ONGs na Amazônia circulou em grupos do WhatsApp.

Mensagens quase idênticas foram publicadas mais de 100 vezes pelo perfil @direitaforte7 no Twitter. O perfil, que foi excluído pela plataforma, mencionava outras contas, como a do próprio presidente e de ministros do governo, chamando para o “Twittaço”.

Procurada, a Secom não respondeu sobre sua relação com o Twittaço até a publicação da reportagem.

Poucos perfis, muitas postagens
O primeiro registro da hashtag #AmazoniaSemONG apareceu 4 horas depois de Bolsonaro publicar fala acusando as ONGs pelos incêndios na Amazônia em seu Twitter. Às 20h10 do dia 21 de agosto, o influenciador digital conservador Jouberth Souza, que acumula mais de 45 mil seguidores na rede social, comentou em publicação do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro: “Usem a tag: #AmazoniaSemONG”. O comentário teve 130 retweets.

Uma hora depois, a tag já tinha mais de 1500 menções no Twitter, de 617 perfis diferentes. A grande maioria de postagens vinha de usuários anônimos e alguns ativistas digitais mais influentes.
Infográficos: Ana Karoline Silano.
Entre os anônimos, estavam perfis estranhamente ativos. Das 1500 primeiras postagens, 379 (25%) vieram apenas de 10 usuários. O perfil @jogomartins, de João Gomes Martins, com apenas 159 seguidores, publicou ou replicou a hashtag 87 vezes na primeira hora. Em seguida vem o perfil @ajulia366, com 73 publicações com a #AmazoniaSemONG no período. Em terceiro lugar, o perfil @MayDgoni, identificado como Mayra, publicou e retuitou a hashtag 53 vezes na primeira hora.
No total, apenas 180 usuários (1% do total de perfis que usaram a tag) foram responsáveis por 20% das primeiras 50 mil postagens com a #AmazôniaSemONG.
A hashtag #SomosTodosRicardoSalles também teve poucos usuários publicando muitas vezes, mas a atividade anormal só começou horas depois do primeiro tweet, feito às 10h01 da manhã do dia 21 de agosto por Nadja Clea (@najinhas), perfil ligado à direita com 9,4 mil seguidores. Ela retuitou uma publicação do site Conexão Política, alinhado ao governo, que dizia “ONGs que perderam verbas e cargos vão à PGR contra Ricardo Salles”, e comentou “A roubalheira acabou. #SomosTodosRicardoSalles”. Durante a manhã do dia 21 apenas ela usou a tag.

Às 16h50 o perfil @AVerdade_Libert, identificado como “Angel”, comentou com a tag em resposta a uma postagem do site de direita Renova Mídia. E às 17h18 convidou seus 22 mil seguidores a se engajarem na #SomosTodosRicardoSalles: “Podem me dar um up?”.

O pico de publicações da tag, no entanto, só ocorreu no dia seguinte, quando também chegou aos Trending Topics a tag #ForaSalles, em apoio ao pedido de impeachment do ministro.

Uma das publicações com maior repercussão com a #SomosTodosRicardoSalles veio de Dani Wine Brasil.

O perfil, que segue e é seguido por 11 mil pessoas, foi o sexto que mais publicou a tag, com 183 postagens. Dani Wine ficou atrás dos perfis Silvana Merissi, com 446 tuítes, Murilo Defanti, com 420 tuites, Bronko Documentaries, 309, Mari Luci Ferraz, 274, e Giane R. Silva, 260. Das primeiras 50 mil publicações com a tag entre 21 e 22 de agosto, 11 mil (23%) vieram de apenas 122 perfis – 1% do total de perfis que usaram a tag.

É uma atividade que indica manipulação das tendências no Twitter, segundo a pesquisadora da organização Atlantic Council Luiza Bandeira. “Existem várias formas de manipular o Twitter. Uma delas é o uso de contas automatizadas, mas você também pode manipular as tendências fazendo com que poucas pessoas tuitem muitas vezes a mesma hashtag.”

Para as hashtags críticas ao Governo na questão ambiental, as taxas de usuários estranhamente ativos foi muito menor. Segundo análise da pesquisadora, no caso da #ActForAmazonia, 1% dos perfis foram responsáveis por 9% das postagens, e no caso do #PrayforAmazonia, por 11%.Como é comum, perfis de influenciadores alinhados ao Governo se engajaram nas Tags, como a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que fez os dois tuítes com a tag #SomosTodosRicardoSalles mais retuitados, com 2,9 mil e 2,8 mil retuítes. Um tuíte do próprio Salles que retuitava o jornalista José Roberto Guzzo ficou em terceiro lugar, com 2,8 mil retuítes.
Já Allan dos Santos, dono do site Terça Livre, alinhado ao governo, foi o mais influente na hashtag #AmazôniaSemONG. Ele retuitou uma publicação de outro perfil e ironizou a cantora Anitta: “Índios, invadam a mansão da Anitta”. Foi retuitado por mais de 3 mil pessoas.

Evidências de automatização
Além das duas hashtags terem sido amplificadas por usuários estranhamente ativos, elas tiveram o engajamento dos mesmos perfis. No total, 26.821 perfis diferentes mencionaram alguma das tags entre os dias 21 e 22 de agosto. Desses, 18% (4.859) mencionaram ambas.

Entre os usuários mais ativos, a proporção é ainda maior. Dos 100 usuários que mais mencionaram a #SomosTodosRicardoSalles, 26 também estavam entre os que mais mencionaram a #AmazôniaSemONG.

O perfil de Silvana Merissi, que se apresenta como apoiadora de ministros do governo bolsonaro sob o nome de “SilzinhaBolsomoroGuedesWeintraubTarcisioDamaresAja” foi recordista de publicações com as duas tags. Pela #SomosTodosRicardoSalles, ficou em primeiro lugar com 446 menções. Pela #AmazoniaSemONG, levou o sétimo lugar, publicando a tag 142 vezes. Em todos os casos, “Silvana” retuitou publicações de outros perfis.

“A gente considera mais de 140 tuítes por dia em média como suspeito”, explica Luiza Bandeira. “Esse perfil na última semana fez quase 400 tuítes por dia, em média, o que é estranho. Além disso, ela retuita algumas coisas no mesmo segundo, o que também é indício de automação”.

Outros 4 usuários que ficaram entre os dez mais ativos têm características semelhantes. Os perfis Murilo Defanti, Bronko Documentaries, Mari Luci Ferraz e Anderson Souza, assim como Silvana Merissi, somaram mais de 1500 menções às hashtags e só fizeram retuites, com poucos segundos de diferença. Eles também se engajam em outras hashtags ligadas à direita. No dia 27 de agosto, as quatro contas retuitaram postagens com a tag #GloboLixoTraidoraDaPatria, que chegou aos Trending Topics.

Uma rede de robôs em defesa de Salles
O segundo perfil que mais tuitou ambas as tags foi o @Sah_Avelar, com 417 publicações com #AmazoniaSemONG e 157 #SomosTodosRicardoSalles. Diferentemente de Silvana, Sah Avelar não fez retuites com as tags, mas suas postagens sempre começam com um número que corresponde a um horário. Seu primeiro tuíte com a #AmazôniaSemONG foi às 20h45 do dia 21 de agosto. O texto começava com o horário “23:45” e divulgava um vídeo do canal de Youtube Conservative Core, que tratava de outra temática. Todas as postagens seguiam o mesmo padrão: horário três horas para frente, link para Youtube e hashtag.

O perfil de Sah Avelar também parece vinculado a outros três que ficaram entre os mais ativos das duas hashtags. Os usuários @sasa_news, @savelar4 e @tmr_kyle seguem os mesmos padrões de postagens que @sah_avelar, têm a mesma imagem de capa e perfil e são identificados com o nome “sasa – Conservative Core”. Outros dois perfis utilizam esse mesmo nome e imagens, @myamyers_ e @noMatte34020924, mas esses não se engajaram nas tags em questão.

Na #AmazoniaSemONG os três postaram coordenadamente, no mesmo segundo. E também agiram em sintonia para impulsionar a hashtag #ApoioTotalRicardoSalles. Contudo, a hashtag não foi para frente, e não chegou nem a 1.000 menções.

Segundo Bandeira, esses perfis têm comportamento parecido ao de uma rede de robôs, como publicações idênticas, nomes de usuários e fotos de perfis parecidos.

O Twitter possui uma política específica contra spam e manipulação de conteúdo na plataforma. Apesar de serem permitidas contas automatizadas, “não é permitido usar os serviços do Twitter com o intuito de amplificar ou suprimir informações artificialmente”. Dentre as violações dessa política, está multiplicidade de contas operando “com propósitos sobrepostos” e “usar um assunto ou uma hashtag popular com a intenção de subverter ou manipular uma conversa”.
Muitos dos usuários que se engajaram em peso nas hashtags analisadas violam tais políticas. Alguns deles, inclusive, já foram excluídos pela plataforma, como é o caso do perfil @direitaforte7, que publicou 175 vezes a #SomosTodosRicardoSalles e 105 vezes a #AmazôniaSemONG entre os dias 21 e 22 de agosto.

Procurado pela Agência Pública, o Twitter afirmou ter tomado medidas de precaução com os perfis apontados pela reportagem com indício de automação. “Em linha com o procedimento adotado quando são identificados proativamente comportamentos suspeitos na plataforma, o Twitter impôs desafios a contas compartilhadas pela reportagem para averiguar se são usuários reais ou contas falsas/automações mal-intencionadas.”

A plataforma também disse estar se esforçando “para combater proativamente tentativas de manipulação das conversas” e que exclui postagens automatizadas do cálculo para os Trending Topics.
Apoiadores do governo usam hashtags para controlar narrativa, diz pesquisador
Uma pesquisa realizada pela AP Exata mostra que o Governo perdeu o controle da narrativa sobre a Amazônia no dia 18 de agosto. A agência de comunicação digital classifica tuítes em 8 emoções-chave (entre elas, medo, confiança, raiva e tristeza) e monitorou mais de 230 mil menções à floresta na rede social desde 17 de julho e identificou aumento de 540% nas menções à Amazônia entre 17 e 21 de agosto.
“O Governo controlava o discurso [no Twitter] até o dia 18, até o dia de São Paulo ficar sob fumaça”, explica Sérgio Denicoli, um dos coordenadores da pesquisa. “Eles ficaram 4 dias em crise tentando impor algumas narrativas. A primeira delas foi a das ONGs, que veio da boca do presidente.” Para ele, outra tentativa foi o discurso de apoio a Ricardo Salles.
Segundo a análise da AP Exata, houve interferência de perfis automatizados e falsos nas menções à Amazônia para mudar o sentimento predominante. “O objetivo é esse, formar opinião. Quando você forma opinião, não precisa mais interferir”, explica. 
entanto, as hashtags #AmazôniaSemONGs e #SomosTodosRicardoSalles “não viralizaram da forma que eles queriam. Viralizaram de uma forma artificial.” Para Denicoli, “o Governo conseguiu reverter a situação impondo uma narrativa de soberania nacional. Não foi a narrativa nem de defesa do ministro, nem a narrativa de ONG.” Atualmente, a confiança é o sentimento que predomina nas postagens em relação à Amazônia, seguida pelo medo.

Boicote por crise dos incêndios na Amazônia chega ao mercado financeiro e acende alerta, por HELOÍSA MENDONÇA/ AGÊNCIAS

Banco nórdico, Nordea, suspende compras de títulos do Governo brasileiro por incêndios. Onda de queimadas provoca cautela diante dos fundos que levam em conta práticas ambientais, sociais e de governança, que estão em alta
Vegetação destruída após queimadas em Novo Progresso, na região amazônica.LEO CORREA (AP)
Os reflexos da crise ambiental desencadeada pelo aumento das queimadas na Amazônia chegou nesta semana ao mercado financeiro. 
O Nordea, o maior banco dos países nórdicos, afirmou que decidiu suspender as compras de títulos do Governo brasileiro, devido a preocupação com as respostas do Governo de Jair Bolsonaro dadas até agora aos incêndios na Amazônia. Banco nórdico, Nordea, suspende compras de títulos do Governo brasileiro devido ao aumento de incêndios.
A instituição financeira sediada em Helsinque, na capital da Finlândia, informou que está adotando uma "quarentena temporária" para a compra de bônus brasileiros denominados em dólar e real. "O que significa que não há compras adicionais e apenas ações potenciais de venda", afirmou à agência Reuters Thede Ruest, chefe de dívida dos mercados emergentes do Nordea. “Se avaliarmos desenvolvimentos positivos, podemos suspender a quarentena antes de uma data definida – igualmente se a situação piorar, talvez tenhamos que excluir os títulos do Governo brasileiro do nosso universo”, acrescentou. 
A Nordea Asset Management disse que sua exposição atual a esses títulos do Brasil é de aproximadamente 100 milhões de euros.
A decisão do banco nórdico é um alerta de que a questão ambiental ainda pode trazer implicações maiores ao Brasil, segundo o economista Lívio Ribeiro, da Fundação Getúlio Vargas. "Essa gestora é muito grande e o tema é bastante relevante, um sinal importante. Se esse episódio do Nordea for replicado, ele pode trazer implicações negativas importantes. A decisão não pode ser menosprezada. A última coisa que precisamos é de mais ruído para a economia brasileira", explica.
A responsabilidade ambiental, social e de governança (ESG, na sigla em inglês) é um critério crescente nos portfólios de fundos de investimentos pelo mundo, como reflexo dos grupos de pressão na sociedade organizados em torno do combate ao aquecimento global ou contra a exploração do trabalho. Veículos especializados noticiaram nesta semana que outros grupos orientados pelo ESG disseram que a onda de queimadas entrou no radar, mas nenhum deles havia anunciado ainda o passo tomado pelo Nordea.
De acordo com a Reuters, outros investidores nórdicos também têm demonstrado preocupações sobre o tema, incluindo o KLP, um fundo de pensão norueguês com mais de 80 bilhões de dólares em ativos sob gestão. O fundo disse estar em contato com empresas norte-americanas - com a quais possui investimentos- que fizeram negócios com produtores agrícolas para solicitar "ações concretas".
“Também analisaremos as empresas norueguesas que importam produtos de soja do Brasil para avaliar isso e pedimos que façam o possível para proteger as florestas tropicais”, afirmou Jeanett Bergan, chefe de investimentos responsáveis da KLP, em comunicado, segundo a Reuters.
O anúncio do banco nórdico é a mais recente reação aos milhares de incêndios no norte brasileiro, que, há semanas, geram uma crise internacional para o país, com protestos da população e de líderes mundiais preocupados com a forma em que o Governo de Bolsonaro está conduzindo a situação. A avaliação é que o presidente brasileiro teve uma reação tardia e pouco faz para proteger a maior floresta tropical do mundo.
Ambientalistas defendem grande parte dos incêndios foi ilegalmente provocada por grileiros e fazendeiros que procuram expandir pastagens na Amazônia e que se sentem encorajados pelas críticas do presidente a excessivas proteções ambientais. Bolsonaro nega, no entanto, que os incêndios sejam deliberados.
O banco nórdico afirmou, em nota, que o modo que ao Governo lida com a questão poderia afetar a estabilidade política no Brasil, ameaçando inclusive o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, e potencialmente levar companhias internacionais a boicotar produtos agrícolas brasileiros.
Multinacionais já ameaçam suspender a importação de produtos do Brasil caso a situação não se resolva. A empresa dona de marcas populares entre a classe média do país, como Kipling, Timberland e Vans, confirmou a jornais brasileiros que não utilizará mais o couro vindo do Brasil até que tenha absoluta segurança da origem dos produtos. Já a maior produtora norueguesa de salmão avalia boicotar a soja brasileira, enquanto a empresa Nestlé afirmou que está revisando a compra de subprodutos de carne e cacau da região amazônica "para garantir que esteja alinhada ao padrão de fornecimento responsável".
Além do risco de um boicote aos produtos agropecuários brasileiros, outro revés financeiro já está em curso. A Noruega e a Alemanha suspenderam repasses de quase 300 milhões de reais ao Fundo Amazônia, entidade responsável por fomentar e gerir projetos ambientais na região. Os dois países acusam Bolsonaro de falta de compromisso com a preservação. Recursos internacionais são responsáveis por quase 99% do dinheiro do fundo, que é utilizado pelos governos estaduais para a compra de viaturas e aeronaves de combate a incêndio, e também por ONGs conservacionistas.
"Europa não tem lições para nos dar"
Apesar de ter ido à TV falar sobre seu compromisso com a floresta, Bolsonaro segue insistindo em rever reservas indígenas, que coincidem com as áreas amazônicas mais preservadas, ou prometendo liberar atividade econômica como garimpo nas áreas. Mesmo diante da forte pressão internacional, Bolsonaro continua confrontando os países críticos de sua política ambiental.

Na manhã desta sexta-feira, ele afirmou que a Europa "não tem nada a ensinar" ao Brasil sobre preservação ambiental, enquanto novos incêndios foram detectados na região amazônica no primeiro dia em que passou a valer um decreto do presidente que proíbe queimadas por 60 dias, salvo em situações permitidas pelos órgãos de fiscalização. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), desde janeiro até a última terça-feira foram registrados 83.329 focos de incêndios no Brasil, sendo mais da metade (52,1%) na selva amazônica.

O presidente brasileiro acusa a Alemanha e a França de tentarem "comprar" a soberania do Brasil após o G7, bloco que reúne as maiores potências ocidentais, oferecer 20 milhões de dólares em ajuda para combater o fogo e se negou a receber ajuda até o presidente francês, Emannuel Macron, retirar seus comentários críticos e de internacionalizar a proteção da Amazônia.

"Europa toda junta não tem lições para nos dar no tocante ao meio ambiente", afirmou Bolsonaro a jornalistas em Brasília. Mais tarde, no entanto, o presidente fez um aceno mais amigável a Alemanha e disse ter tido uma conversa por telefone "bastante produtiva" com a chanceler alemã Angela Merkel. "A pedido do Governo Alemão, o Serviço Europeu de Ação Externa foi mobilizado para avaliar a situação das queimadas na América do Sul. Segundo o SEAE, as informações de satélite do Sistema Copernicus demonstram que a área com queimadas no Brasil teve um decréscimo entre janeiro e agosto de 2019, levando-se em conta o mesmo período de 2018, o que prova o compromisso do nosso Governo com a questão ambiental", escreveu o presidente brasileiro em sua conta do Twitter.

A aliança preferencial do presidente brasileiro segue sendo com Donald Trump, a quem disse ter pedido ajuda sobre a Amazônia. Eduardo Bolsonaro, indicado pelo pai para ser embaixador do Brasil em Washington, algo que ainda depende da aprovação no Senado, esteve nesta sexta em reunião express na Casa Branca para agradecer Trump pelo apoio na crise. O presidente norte-americano também foi notícia nesta semana por ter tem tomado medidas que afrouxam a política de combate ao aquecimento global nos EUA.
Hoje tive uma conversa bastante produtiva com a Chanceler Ângela Merkel, a qual reafirmou a soberania brasileira na nossa região amazônica. A pedido do Governo Alemão, o Serviço Europeu de Ação Externa foi mobilizado para avaliar a situação das queimadas na América do Sul.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Arte de J. Bosco & CAU GOMEZ

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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Arte de SIMANCA

Arte de MARIANO

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sábado, 24 de agosto de 2019

Macron acusa Bolsonaro de ter “mentido” sobre o clima e se opõe ao acordo com o Mercosul, por SILVIA AYUSO

Irlanda também ameaça bloquear o tratado se o Brasil não proteger a Amazônia dos incêndios. Alemanha, Canadá e Reino Unido reiteram preocupação com queimadas
Uma coluna de fumaça emana de dentro da Amazônia brasileira.FOTO: UESLEI MARCELINO. REUTERS

O embate entre o Brasil e a França sobre os incêndios devastadores na Amazônia endureceu. Horas depois de o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciar sua intenção de incluir esta “crise internacional” na cúpula do G7 que ele organiza neste fim de semana em Biarritz, o Governo francês deu um passo além e agora ameaça bloquear o acordo da União Europeia com o Mercosul por causa das "mentiras" do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em matéria de compromisso com o meio ambiente. O presidente brasileiro, que se reuniu com ministros nesta sexta-feira para tratar sobre como o Governo reagirá às queimadas florestais, disse pela manhã, ao deixar o Palácio da Alvorada, que a “tendência” é enviar militares para ajudar no combate aos incêndios na região da Amazônia.

“Em vista da atitude do Brasil nas últimas semanas, o presidente da República não tem escolha a não ser constatar que o presidente Bolsonaro mentiu para ele durante a cúpula de Osaka" do G20 em junho, comunicou o Palácio do Eliseu. Para o Governo francês, está claro que "o presidente Bolsonaro decidiu não respeitar seus compromissos com a mudança climática nem agir na questão da biodiversidade". “Nestas condições, a França se opõe ao acordo com o Mercosul", conclui a breve, mas contundente mensagem francesa sobre o tratado de livre comércio assinado entre a União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) em junho, depois de duas décadas de negociações.
A decisão da França é uma resposta taxativa a Bolsonaro, que nesta quinta-feira disse que, com a intenção de incluir os incêndios na Amazônia na agenda do G7, Macron quer "instrumentalizar" uma questão interna brasileira para "obter créditos políticos pessoais" e qualificou essa atitude de "colonialista". Também acusou países que dão dinheiro para a preservação da floresta de "interferir na soberania do Brasil".
No entanto, nesta questão, Macron não está sozinho. A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, está "convencida" de que os incêndios na Amazônia "precisam estar na agenda do G7" porque, como Macron disse nesta quinta-feira ao falar sobre "crise internacional", a Alemanha considera que a amplitude da catástrofe é "assustadora e ameaçadora não só para o Brasil e os demais países envolvidos, mas o mundo inteiro", disse o porta-voz da chefe do Governo, Steffen Seibert, em Berlim, nesta sexta-feira. Na quinta-feira, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também endossou o discurso do colega francês e disse que "não poderia concordar mais" com a preocupação de Macron. Nesta sexta-feira, o premiê britânico, Boris Johnson, também disse estar “profundamente preocupado” com as queimadas na Amazônia e defendeu que o assunto seja debatido no G7.
I couldn’t agree more, @EmmanuelMacron. We did lots of work to protect the environment at the #G7 last year in Charlevoix, & we need to continue this weekend. We need to #ActForTheAmazon & act for our planet — our kids & grandkids are counting on us. https://twitter.com/emmanuelmacron/status/1164617008962527232 …

A Irlanda também está disposta a bloquear o acordo entre a União Europeia com o Mercosul se o Brasil não mudar de atitude, alertou seu primeiro ministro, Leo Varadkar. O chefe do Governo irlandês também criticou o presidente brasileiro por suas acusações na quarta-feira, nas quais afirmou que as ONGs que lutam pela proteção do meio ambiente são as responsáveis pelos incêndios. Varadkar considerou estas acusações orwellianas, segundo o jornal The Irish Independent. O Executivo irlandês está passando por um momento de grande pressão dos produtores de carne bovina, que temem que o acordo com o Mercosul –associação que agrupa Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai– os prejudique por causa da chegada ao país de produtos sul-americanos mais baratos.
Até agora, o Governo irlandês vinha mantendo a intenção de revisar o acordo ponto por ponto antes de decidir ratificá-lo ou não. Mas desde que os dados do aumento notável de incêndios na floresta amazônica foram revelados – de 83% a mais até agora este ano, em comparação com o mesmo período de 2018– e as acusações de Bolsonaro às ONGs, Varadkar afirmou que "não há como a Irlanda apoiar um tratado de livre comércio se o Brasil não cumprir suas obrigações com o meio ambiente”. Anteriormente, a França também ameaçara vetar o pacto comercial se o Brasil decidisse abandonar o acordo de Paris de combate às mudanças climáticas. A França nomeou uma comissão de especialistas independentes que deve apresentar um relatório ao Governo sobre várias questões do pacto, incluindo seus efeitos sobre os gases do efeito estufa, desmatamento e biodiversidade, conforme anunciou no mês passado.
The fires ravaging the Amazon rainforest are not only heartbreaking, they are an international crisis. We stand ready to provide whatever help we can to bring them under control and help protect one of Earth’s greatest wonders.
21 mil--17:25 - 23 de ago de 2019
O Comissariado de Comércio da UE calcula que o tratado não entrará em vigor antes de dois anos, durante os quais o Executivo irlandês pretende monitorar as ações ambientais do Brasil. O primeiro-ministro argumentou que os agricultores europeus não podem ser obrigados a seguir uma série de normas rígidas, como a redução de pesticidas e fertilizantes, "se não chegarmos a um firme acordo com medidas aceitáveis em termos de trabalho, meio ambiente e qualidade do produto". O acordo "faz isso", mas precisa ser monitorado de perto, acrescentou Vadkar.
A Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que está preparada para prestar assistência às autoridades brasileiras e bolivianas na luta contra os incêndios florestais que afetam múltiplas áreas da Amazônia, com os quais se declarou "profundamente preocupada". "Estamos em contato com as autoridades brasileiras e bolivianas e estamos prontos para ajudar de qualquer maneira que pudermos, seja enviando assistência ou ativando o sistema de satélites Copernicus", disse a porta-voz da comunidade, Mina Andreeva, na coletiva de imprensa diária da instituição.
A verdade é que os incêndios no Brasil não são os únicos que estão devastando o subcontinente americano. Bolívia e Paraguai concordaram nesta quinta-feira em unir esforços para combater o gigantesco incêndio florestal que se alastra por ambos os territórios e está devastando a flora e a fauna. A superfície afetada no departamento boliviano de Santa Cruz (leste do país) já chega a 654 mil hectares, enquanto no Paraguai os focos ígneos, na fronteira com a Bolívia, ainda não foram quantificados.
Países vizinhos oferecem ajuda ao Brasil
Os Governos do Chile, Venezuela e Argentina ofereceram ajuda ao Brasil para mitigar os incêndios que afetam a Amazônia e devastaram milhares de hectares. O ministro da Agricultura chileno, Antonio Walker, informou que entrou em contato com a titular do mesmo cargo no Brasil, Tereza Cristina Dias, para oferecer "toda a nossa ajuda para enfrentar o grave incêndio na Amazônia".
O presidente da Argentina, Mauricio Macri, também anunciou que pôs à disposição do Brasil e Bolívia o sistema de emergências de seu país. "Entrei em contato com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, para acompanhar de perto a gestão da emergência. Estamos comprometidos a ajudar nossos vizinhos a combater os incêndios florestais", disse em sua conta na rede social Twitter.
O Governo venezuelano expressou preocupação com os incêndios no "pulmão vegetal da Terra", fez um chamado à "consciência" e ofereceu "ajuda imediata para mitigar esta dolorosa tragédia".

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Portugal, o novo alvo da extrema-direita, por Boaventura de Sousa Santos

Num país governado por rara coalizão de esquerda, o protofascismo manipula redes sociais, estimula estranhíssima greve de caminhoneiros e difunde intrigas entre socialistas e comunistas. Mas é possível frear sua investida
Em 7/8, portugueses protestam contra reunião da extrema-direita internacional, em Lisboa

Vários acontecimentos recentes têm revelado sinais cada vez mais perturbadores de que o internacionalismo de extrema-direita está transformando Portugal num alvo estratégico. Entre eles, saliento a tentativa recente de alguns intelectuais de jogar a cartada do ódio racial para testar as divisões da direita e da esquerda e assim influenciar a agenda política; a reunião internacional de partidos de extrema-direita em Lisboa e a simultânea greve do recém-criado Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas.

Várias razões militam a esse respeito. Portugal é o único país da Europa com um governo de esquerda numa legislatura completa e em que se aproxima um processo eleitoral [as eleições ocorrerão em 6 de outubro], e é o único onde não tem presença parlamentar nenhum partido de extrema-direita. Será Portugal assim tão importante para merecer esta atenção estratégica? É importante, sim, porque, da perspectiva da extrema-direita internacional, Portugal representa o elo fraco por onde ela pode atacar a União Europeia. O objetivo central é, pois, destruir a UE e fazer com que a Europa regresse a um continente de Estados rivais onde os nacionalismos podem florescer e as exclusões sócio-raciais podem ser mais facilmente manipuláveis no plano político.

Para a extrema-direita internacional, a direita tradicional desempenha um papel muito limitado neste objetivo, até porque ela foi durante muito tempo a força motora da União Europeia. Daí que seja tratada com relativo desprezo, pelo menos até se aproximar, pelo seu próprio esvaziamento ideológico, da extrema-direita, tal como está acontecendo na Espanha. As forças de esquerda, ao contrário, são forças a neutralizar. Para a extrema-direita, as esquerdas terão se dado conta de que a UE, com todas as suas limitações, que durante muito tempo foram razão suficiente para algumas dessas esquerdas serem antieuropeístas, é hoje uma força de resistência contra a onda reacionária que avassala o mundo.

Não se pode esperar da UE muito mais do que a defesa da democracia liberal, mas esta corre mais riscos de morrer democraticamente sem a UE do que com a UE. E as esquerdas sabem por experiência que serão as primeiras vítimas de qualquer regime autoritário. Talvez se lembrem de que as diferenças entre elas sempre pareceram mais importantes quando vistas do interior das forças de esquerda do que quando vistas pelos seus adversários. Por mais que socialistas e comunistas se digladiassem no período pós Primeira Guerra, Hitler, quando chegou ao poder, não viu entre eles diferenças que merecessem diferente tratamento. Liquidou-os a todos.

Não é relevante saber se é isto o que as esquerdas pensam. É isto que a extrema-direita pensa sobre as esquerdas, e é nessa base que se move. Quem a move? Movem-na forças nacionais e internacionais. São várias e com objetivos que só parcialmente se sobrepõem. Para surpresa de alguns, a política internacional dos EUA é uma delas. Os EUA são hoje um defensar muito condicional da democracia, pois só a defendem na medida em que ela é funcional aos interesses das empresas multinacionais norte-americanas. A razão principal é a rivalidade dente os EUA e China, que está condicionando profundamente a política internacional. O confronto entre dois impérios, um decadente e outro ascendente, exige o alinhamento incondicional dos países aliados de cada um deles ou na sua zona de influência. A Europa fragmentada será um conjunto de países ou facilmente pressionáveis ou irrelevantes (a Alemanha é o único que exige atenção especial).

Mais do que nunca, são os interesses econômicos que dominam a diplomacia. Assim, segundo a BBC de 9 de agosto, os tweets em chinês do presidente Trump têm mais de 100 mil seguidores entre os dissidentes chineses que consideram o presidente norte-americano um defensor dos direitos humanos. E certamente o será no contexto da China e porque isso serve os interesses da guerra contra a China. Não é por acaso que a China está culpando os EUA pela onda de protestos em Hong Kong. Mas Trump já não é um defensor confiável dos direitos humanos antes os venezuelanos sujeitos a um embargo cruel e devastador que a própria ONU considera uma violação grosseira dos direitos humanos.

A extrema-direita conta com três instrumentos fundamentais: aproveitamento da contestação social contra medidas de governos considerados hostis, exploração de idiotas úteis e, no caso de governos mais à esquerda, maximização das dificuldades de governo decorrentes das coligações existentes. Do primeiro caso, talvez sirva de ilustração a greve do Sindicato de Motoristas de Matérias Perigosas. Este tipo de greve pode ter efeitos tão graves que desmoralizem qualquer governo. Tradicionalmente os sindicatos sabem disso, negociam forte e ao mesmo tempo sabem até onde podem ir para não por em causa interesses vitais dos cidadãos. Não é isso o que tem ocorrido com estes sindicato. É altamente suspeita a linguagem radicalizadora do vice-presidente do sindicato (“deixou de ser um direito laboral para ser uma questão de honra”), um personagem aparentemente arvorado em anjo protetor de sindicalistas descontentes. A história nunca se repete, mas nos obriga a pensar. O governo democrático socialista de Salvador Allende, hostilizados pelas elites chilenas e pelos EUA, sofreu a sua crise final depois das greves de sindicatos de motoristas de combustíveis, precisamente devido à paralisação do país e à imagem de ingovernabilidade que refletia. Soube-se anos depois que a CIA norte-americana tinha estado bastante ativa por detrás das greves.

Os idiotas úteis são aqueles que, com as melhores intenções, jogam o jogo da extrema-direita, embora nada tenham que ver com ela. Cito dois. Quando foi da primeira greve do sindicato referido, alguns ingênuos sociólogos apressaram-se a dissertar sobre o novo tipo de sindicalismo não ideológico, exclusivamente centrado nos interesses dos trabalhadores. O contraste implícito era com a Centra Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), esta sim considerada ideológica e ao serviço de obscuros interesses dos trabalhadores. Se lessem um pouco mais sobre os movimentos sindicais do passado, saberiam que, em muitos contextos, a proclamação de ausência de ideologia política foi a melhor arma para introduzir a ideologia política contrária. Mas os idiotas úteis podem sair de onde menos se espera. Um sindicalista que até há pouco tempo muito admirei, Mário Nogueira, comportou-se a certa altura como idiota útil ao transformar as reivindicações dos professores em motivo legítimo para fazer demitir o governo de esquerda apoiado pelo partido a que pertence. Este radicalismo, que confunde as árvores com a floresta, serve objetivamente os interesses desestabilizadores da extrema-direita.

Finalmente, a extrema-direita sabe aproveitar-se de todas as divisões entre as forças de esquerda, sabe ampliá-las e sabe usar as redes sociais para criar duas ilusões a partir de meias verdades. A primeira é que a maioria dos militantes e de anteriores dirigentes do Partido Socialista são de opinião que o PS sempre se deu melhor com alianças com a direita (o que é falso), não gosta do radicalismo de esquerda (que nunca definem) e que, de todo o modo, livre das esquerdas à sua esquerda, facilmente terá maioria absoluta (o que é improvável). A segunda é que recíprocas fraturas existem nos outros partidos de esquerda, ansiosos por regressar aos seus cantos de oposição e cansados de fazer concessões (o que em parte é verdade).

As forças de esquerda em Portugal têm dado testemunho de um notável bom senso que dificulta as manobras da extrema-direita. Se seguirão neste caminho, ou se se renderão às pressões internas e externas, é uma questão em aberto.

BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS --Doutorado em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale e Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.

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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

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domingo, 18 de agosto de 2019

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