domingo, 30 de setembro de 2018

“Não aceito resultado diferente da minha eleição”, desafia Bolsonaro na TV aberta, por GIL ALESSI & FLÁVIA MARREIRO

O desafio explícito à autoridade eleitoral brasileira não tem precedentes desde a redemocratização. Declaração foi feita a José Luis Datena, da Band. 'Veja' revela processo no qual ex-mulher acusa candidato de furto e de ocultação de patrimônio
Jair Bolsonaro em agosto deste ano. REUTERS PHOTOGRAPHER / EPV

"Pelo que vejo nas ruas, não aceito resultado diferente da minha eleição", disse Jair Bolsonaro, candidato de extrema direita do PSL, em entrevista ao programa policial de José Luis Datena, na TV Bandeirantes, nesta sexta-feira. 
O desafio explícito à autoridade eleitoral brasileira não tem precedentes desde a redemocratização. Nunca, desde a volta às eleições diretas, um competidor com chances de vitória fez ameaça antecipada e explícita de que não reconhecerá os resultados. "O PT só ganha na fraude", disse o deputado federal, sem apresentar qualquer prova. Não há registro de fraudes de monta no sistema eletrônico de votação em 22 anos de instalação no país. As pesquisas eleitorais, no momento, indicam que o candidato, que lidera no primeiro turno, mas é rejeitado 46% da população, perde em todos os cenários de segundo turno.

O apresentador perguntou a Bolsonaro, capitão reformado do Exército e cujo vice é um general, se os militares reagiriam no caso de uma vitória eleitoral do petista Fernando Haddad. 
Bolsonaro respondeu: “Sobre as instituições militares aceitarem o resultado, eu não posso falar pelos comandantes militares. Eu, pelo que eu vejo nas ruas, eu não aceito resultado das eleições diferente da minha eleição. Isso é um ponto de visto fechado”, disse ele no Hospital Israelita Albert Einstein, onde segue internado após um atentado a faca em 6 de setembro. 
Datena, então, pergunta se a declaração não é antidemocrática e Bolsonaro responde dizendo que não aceita um sistema apenas eletrônico, sem ao menos parte do voto em papel. O candidato conseguiu passar uma lei no Congresso para impor uma cota de votos impressos, mas a exigência acabou barrada pelo Supremo Tribunal Federal em junho.

Não fica claro, na entrevista, em que consistiria, por parte de Bolsonaro, o não reconhecimento dos resultados eleitorais. A estratégia repete a usada por Donald Trumpnos EUA –o republicano passou toda a campanha reclamando de fraude, até que venceu e não tocou mais no assunto. Apoiado por cerca de 28% do eleitorado, o candidato tem insuflado a descrença no sistema eleitoral há meses. Grupos que o apoiam pelo WhatsApp fazem circular pesquisas falsas mostrando a vitória do deputado no primeiro turno.

Adversários de Bolsonaro reagiram. "Bolsonaro diz que não vai aceitar a derrota. Mostra mais uma vez que não está preparado para a democracia, quer manter o país dividido. Respeite a decisão popular, candidato", disse, pelo Twitter, o tucano Geraldo Alckmin.

Em outro momento da entrevista, Bolsonaro disse ainda que, em caso de um eventual Governo Haddad, as Forças Armadas poderiam atuar "na primeira falta" que o petista ou seu partido cometessem. "Poderia acontecer com o PT errando, sim. Nós, das Formas Armadas, somos avalistas da Constituição." Não existe na Constituição brasileira, feita depois que o país deixou para trás 20 anos de ditadura, nenhum dispositivo que preveja a atuação das Forças Armadas em caso de "erros" do Executivo. Os militares devem obediência hierárquica ao poder civil. 
Acusações da ex-mulher, reveladas pela 'Veja'
A entrevista no programa popular de TV é um encerramento com potencial positivo de exposição em uma semana ruim para a campanha de Bolsonaro. Além do Datena, ele falou ainda na Rede TV, no tour pela TV aberta pouco usual, já que a lei eleitoral brasileira fala em não tratamento privilegiado a nenhum candidato em mídia de concessão pública.

A série de reveses dos últimos dias teve um dos pontos altos na quinta-feira, quando a revista Veja revelou que a ex-mulher de Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, o havia acusado de ocultação de patrimônio, recebimento de pagamentos não declarados e do furto de um cofre – além de ter dito que o candidato tem um comportamento “agressivo” – durante o processo de separação do casal. 

Segundo a Veja, as acusações constam em um processo judicial que foi aberto por Valle em 2008 na 1ª Vara de Família do Rio de Janeiro. À época ela e Bolsonaro estavam em meio a uma separação litigiosa. A ex-mulher do candidato à presidência afirmou nos autos que ele recebia “remuneração de militar da reserva, de deputado federal e outros proventos que ultrapassam mais de 100.000 reais mensais”, valor incompatível com a renda do casal. Valle não explica o que seriam estes “outros proventos”, responsáveis por triplicar a renda do parlamentar – cujos vencimentos oficiais somariam 35.300 reais.

Bolsonaro também não explicou. Ele usou sua conta no twitter para reagir à matéria. “Estamos na reta final para as eleições. Mais uma vez parte da mídia de sempre lança seus últimos ataques na vã tentativa de me desconstruir. O sistema agoniza, vamos vencê-lo”, escreveu, sem comentar nenhuma das acusações. “Há anos tentam nos parar com rótulos criminosos falsos e com meias verdades distorcidas”, concluiu. 
Ao Datena, ele disse: "A minha própria ex-mulher diz que ali mente muita coisa." Ana Cristina Siqueira Valle, que agora usa o sobrenome Bolsonaro e é candidata a deputada, minimizou as acusações que fez em conversa com a revista.

Ainda segundo informações do documento obtido pela Veja, Bolsonaro declarou à Justiça Eleitoral em 2006, quando disputou vaga na Câmara federal, um patrimônio de 433.934 reais – apenas 10% do valor dos bens informados por Valle no processo com base na declaração do imposto de renda do militar. Ele teria deixado de fora três casas, cinco lotes, uma sala comercial e um apartamento. O professor de direito Eleitoral do Instituto Brasiliense de Direito Público Daniel Falcão afirmou que a prática não constitui crime. “Alguns afirmam que o que o Bolsonaro fez poderia ser enquadrado como falsidade ideológica eleitoral, mas o Tribunal Superior Eleitoral não tem uma jurisprudência consolidada neste sentido”, diz. 
Na prática, não há uma exigência de que a declaração de bens à Justiça Eleitoral seja condizente com a do imposto de renda.

E a última estocada da ex-mulher no capitão veio na forma de uma acusação de furto: ele teria se apropriado do conteúdo de um cofre onde ela guardava joias e dinheiro em espécie em uma agência do Banco do Brasil, que somava 1,6 milhão de reais em valores atualizados. Valle, que disputa uma vaga de deputada federal pelo Podemos – e usa o nome do ex em seu material de campanha - relativizou as acusações, que segundo ela seriam fruto de “excessos retóricos”. O caso do furto foi arquivado pela polícia no ano passado, uma vez que Valle foi convocada a depor duas vezes, mas não compareceu.

Nas redes sociais os defensores de Bolsonaro se voltaram contra a Veja. Um vídeo gravado pela jornalista e candidata a deputada federal pelo PSL Joice Hasselmann no qual ela fala que um veículo da imprensa teria recebido 600 milhões de reais para prejudicar o capitão na reta final da campanha viralizou. A hashtag Veja600Milhões entrou no trending topics do twitter. Em tempo, Hasselmann não apresentou prova alguma de suas acusações, tampouco falou que a Veja seria a beneficiária.

Ameaças de morte e fogo amigo de Mourão
Mas a reportagem da Veja foi apenas mais um capítulo em uma semana recheada de más notícias para a campanha de Bolsonaro. Dias atrás a ex-mulher do capitão já havia municiado uma matéria da Folha de S.Paulo, publicada na terça-feira, segundo a qual ela teria sido ameaçada de morte pelo ex-marido, e por isso se mudou para a Noruega. O relato da ameaça ficou registrado em um telegrama diplomático de 2011. Posteriormente ela negou os fatos, mas outra matéria do jornal ouviu brasileiros que conviveram com ela em Oslo e confirmaram que ela relatava ameaças.

As notícias ruins que atingiram a campanha esta semana também vieram do círculo íntimo bolsonarista. O capitão novamente se viu alvo de fogo amigo por parte de seu incômodo candidato a vice, o general Hamilton Mourão, que chamou na quinta-feira o 13º salário de uma “jabuticaba brasileira”. Do leito do hospital Albert Einstein veio a resposta do cabeça da chapa: “O 13° salário do trabalhador está previsto no art. 7° da Constituição (...) Criticá-lo, além de uma ofensa à quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição”. 
Esta não foi a primeira vez que Mourão precisou ser enquadrado ao dar declarações desastrosas. Ele já havia dito que casas só com “mãe e avó” são “fábricas de desajustados” para o tráfico de drogas, em um momento no qual a campanha lutava para reverter sua enorme rejeição ante as eleitoras.

Até na evolução de seu quadro de saúde, as notícias não foram boas para o capitão da reserva. Inicialmente havia a previsão de que Bolsonaro recebesse alta na sexta-feira, mas a detecção de uma infecção bacteriana frustrou os planos do capitão. Ele está internado desde o dia 7 de setembro, após levar uma facada em Juiz de Fora durante ato de campanha, e deve deixar até o próximo domingo.

Haddad, emparedado entre o petismo e o pragmatismo, por RICARDO DELLA COLETTA

Ex-prefeito de São Paulo chega à semana decisiva antes do primeiro turno dividido entre bandeiras históricas do PT e um inevitável flerte com o eleitor de centro

Haddad durante um ato de campanha em Canoas (RS), nesta quinta-feira. DIEGO VARA REUTERS

Parecia que era a última palavra sobre o assunto. No início da semana passada, o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, foi perguntado se, uma vez no Palácio do Planalto, indultaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de dizer que o próprio Lula não queria o benefício, o ex-prefeito de São Paulo foi taxativo: "Não. Não, a resposta é não [ao indulto]".

Uma semana depois, a polêmica voltou à tona, dessa vez pelas palavras da presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann. Ela afirmou em entrevista que conceder um indulto ao líder maior do partido —preso há seis meses em Curitiba em razão de uma condenação por corrupção e lavagem de dinheiro— seria uma situação "absolutamente normal". Mais do que simples opiniões divergentes, as declarações de ambos revelam um curto-circuito no seio da campanha presidencial do PT. De um lado, Haddad procura desenvencilhar-se de um tema explosivo e, com isso, flerta com um público tradicionalmente não alinhado ao petismo. Do outro, Gleisi acena aos militantes mais aguerridos do partido, mas toca num assunto que tende a afugentar os mesmos eleitores de centro que Haddad tanto almeja conquistar num eventual segundo turno.

"Quando você tem gente com o Fernando Pimentel [governador de Minas Gerais] e a Gleisi dando declarações sobre questões que têm impacto no seu desempenho, isso mostra, no mínimo, uma falta de coordenação de campanha. E não é um tema qualquer", avalia Marco Antonio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas.

O mal-estar com a fala de Gleisi ficou evidente dentro do próprio PT, com correligionários acusando nos bastidores a presidenta da legenda de se preocupar apenas com a sua eleição para a Câmara dos Deputados. "Isso [dizer que poderia haver um indulto ao Lula] só tira voto [do Haddad], é um erro drástico", avalia um parlamentar da sigla. Um outro dirigente acrescenta: "É um assunto que move paixões e ódio. Estrategicamente não é o momento de pautar isso."

Não foi a única mensagem contrária ao aceno mais centrista ensaiado por Haddad. Em entrevista na quarta-feira, o ex-ministro de Lula José Dirceu disse que "não dá para tirar o Brasil da crise sem afetar a renda, a propriedade e a riqueza da elite". "Nós não temos a elite do país e nem queremos ter (...). Eles que rezem para que eu fique bem longe. Não vamos precisar dela (elite) não. Ela vai ter que entregar os anéis". 
Em outro momento da entrevista, questionado se havia possibilidade de o PT ganhar, mas não assumir a presidência por causa de um golpe, ele fala que acredita que é improvável e não seria tolerado pela comunidade internacional. 
E completa: "E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição." O trecho viralizou nas redes e foi reproduzido no Twitter do líder das pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL). Procurado de novo pela reportagem, Dirceu não quis comentar a frase.

Um esforço para dar "cara de Haddad" na campanha
Haddad e alas do PT têm divergido desde o início do processo eleitoral. Aos poucos, o ex-prefeito de São Paulo vai dando a sua cara para a campanha do partido. É um movimento gradual e que deixa exposto um dos tantos dilemas da uma candidatura que tenta se equilibrar entre o petismo, especialmente a vertente pós-impeachment e pós Lava Jato, e o pragmatismo. É uma candidatura que sabe ser inevitável promover em algum momento um aceno ao centro, mas que dosa esse flerte para não desagradar a base do partido. E o mais importante: um movimento cujo principal avalista é o ex-presidente Lula.

"Haddad tem um grande desafio que é diminuir a resistência [ao PT]. Qualquer simulação mostra que a disputa no segundo turno tende a ser parelha. E a gente não sabe ainda muito claramente qual o tamanho do sentimento antipetista no eleitorado", pontua Teixeira, da FGV. "A única forma de enfrentar um pouco essa rejeição é ir contra algumas teses do PT."

Teixeira argumenta que a moderação do discurso é inevitável até porque o provável adversário, até agora, do petista no segundo turno, Jair Bolsonaro, tem feito o mesmo, ainda que de forma desorganizada e tímida. Os aliados do capitão reformado do Exército debateram nos últimos dias o lançamento de um manifesto em que ele se comprometeria com princípios democráticos. O plano parece ter sido paralisado por divergências internas na campanha do PSL, mas Bolsonaro, na medida em que se recupera, tem recorrido ao Twitter para, entre outros posts, desautorizar falas polêmicas de seu vice, o general da reserva Hamilton Mourão, ou pregar a "união do país".

Venezuela e economia
Já em meados agosto, antes mesmo de ser alçado à cabeça de chapa, Haddad vinha dando declarações que fazem jus ao ao seu apelido de "o mais tucano dos petistas". Numa sabatina promovida pelo site Catraca Livre, por exemplo, o petista afirmou que o regime venezuelano não pode ser definido como uma democracia. "Quando se está em conflito aberto, você não pode caracterizar como uma democracia", disse na ocasião. Embora tenha ressaltado que o Brasil deveria assumir uma postura de não intervenção e de mediação da crise através de organismos multilaterais, a fala marca um distanciamento claro da retórica petista, alinhada na defesa do Governo de Nicolás Maduro.

Mas é na economia que se espera um gesto mais enfático de Haddad ao centro do espectro político. Alguns sinais já apareceram, como quando o presidenciável desautorizou em público Marcio Pochmann. Um dos principais assessores econômicos do PT, Pochmann é tido como radical demais pelo mercado financeiro. Novamente há a preocupação com a dosagem. Ao menos até o primeiro turno, a estratégia é garantir os votos mais alinhados ao petismo, evitando assim qualquer ação explícita que possa ser usada por adversários para acusar o ex-prefeito de São Paulo de estar gestando um "estelionato eleitoral."

Numa eventual segunda etapa, aí sim haverá pontes mais claras com o mercado, embora, ao menos de momento, esteja descartada a reedição de uma nova versão da Carta ao Povo Brasileiro —documento pelo qual Lula, na eleição de 2002, se comprometeu com princípios da estabilidade econômica e acalmou investidores. "Não nos interessa antecipar esse debate porque nós administramos o país por mais de dez anos, período em que não houve nenhum susto e em que nós oferecemos segurança jurídica e previsibilidade", diz um aliado de Haddad. Sem citar, obviamente, as medidas econômicas mais heterodoxas do Governo Dilma, como o congelamento de tarifas públicas para segurar a inflação.

Por enquanto, Haddad tem mantido encontros privados com interlocutores do mercado. No início da semana, chamou para um café da manhã em sua casa o economista-chefe da corretora de valores Spinelli, Andre Perfeito. De acordo com o economista, Haddad lhe disse que faria um ajuste fiscal uma vez no governo e que promoveria uma reforma da Previdência. Não entrou em detalhes, deixando no ar se por reforma ele entendia apenas os pontos já mencionados em seu plano de governo: combate a privilégios e convergência dos sistemas previdenciários da União, Estados e municípios com o regime geral.

Nesse quesito Haddad sofre ainda desconfianças do mercado pela falta de um economista em sua campanha que tenha recebido a delegação clara do candidato para formular a política econômica. Geraldo Alckmin tem Pérsio Arida; Bolsonaro seu guru, Paulo Guedes; Ciro Gomes escalou o economista Mauro Benevides Filho. Caso passe para o segundo turno, os assessores de Haddad dizem que ele deve dar atenção especial às diretrizes da política econômica, sinalizando mais claramente qual o perfil de economista que deseja para o ministério da Fazenda. 

Num partido político que tem o seu principal líder preso e que vive perspectivas reais hoje de voltar ao poder, os conflitos internos que podem minar a candidatura de Haddad tendem a ser apaziguados, ao menos até a conclusão do processo eleitoral. Mas é certo que, em caso de vitória do PT, eles vão ressurgir tão logo o ex-prefeito de São Paulo sente na cadeira presidencial. Não há dúvidas de que haverá pressões internas para que seja dado um indulto a Lula. Políticas econômicas consideradas ortodoxas demais tampouco passarão sem críticas no partido. Fundador do PT e liderança incontestável nos quadros partidários, Lula conseguia mediar essas disputas internas com maestria. Se for presidente, Haddad vai depender muito da ajuda do seu padrinho político para fazer o mesmo.

sábado, 29 de setembro de 2018

Pesquisa Datafolha para presidente: Bolsonaro, 28%; Haddad, 22%; Ciro, 11%; Alckmin, 10%; Marina, 5%

João Amoêdo (Novo) tem 3%; Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos) têm 2% cada um; Cabo Daciolo (Patriota), Vera (PSTU) e Guilherme Boulos (PSOL), 1% cada; João Goulart Filho (PPL) e Eymael (DC) não pontuaram.
Datafolha divulga pesquisa de intenção de votos para presidente

O Datafolha divulgou nesta sexta-feira (28) o resultado da mais recente pesquisa de intenção de voto na eleição presidencial. A pesquisa ouviu 9 mil eleitores entre quarta-feira (26) e sexta-feira (28).

O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.

Os resultados foram os seguintes:
Jair Bolsonaro (PSL): 28%
Fernando Haddad (PT): 22%
Ciro Gomes (PDT): 11%
Geraldo Alckmin (PSDB): 10%
Marina Silva (Rede): 5%
João Amoêdo (Novo): 3%
Henrique Meirelles (MDB): 2%
Alvaro Dias (Podemos): 2%
Cabo Daciolo (Patriota): 1%
Vera Lúcia (PSTU): 1%
Guilherme Boulos (PSOL): 1%
Eymael (DC): 0%
Branco/nulos: 10%
Não sabe/não respondeu: 5%


Evolução da intenção de voto para presidente.
Em relação ao levantamento anterior do instituto , divulgado na quinta-feira (20):

Bolsonaro ficou estável com 28%;

Haddad subiu de 16% para 22%;

Ciro passou de 13% para 11%;

Alckmin oscilou de 9% para 10%;

Ciro Gomes e Alckmin estão tecnicamente empatados.

Marina passou de 7% para 5%;

Os indecisos se mantiveram em 5% e os brancos ou nulos, de 12% para 10%.

Rejeição
O Instituto também perguntou: "Em quais desses nomes ___________ você não votaria de jeito nenhum no primeiro turno da eleição para presidente deste ano? E qual mais? ".
Neste levantamento, portanto, os entrevistados podem citar mais de um candidato. Por isso, os resultados somam mais de 100%.

Os resultados foram:
Bolsonaro: 46%
Haddad: 32%
Marina: 28%
Alckmin: 24%
Ciro: 21%
Vera: 18%
Cabo Daciolo: 17%
Eymael: 17%
Boulos: 17%
Meirelles: 16%
Alvaro Dias: 15%
Amoêdo: 14%
João Goulart Filho: 14%
Rejeita todos: 4%
Votaria em qualquer um: 2%
Não sabe/não respondeu: 4%


Simulação de segundo turno entre Ciro x Alckmin
Ciro 42% x 36% Alckmin (branco/nulo: 19%; não sabe: 3%)

Simulação de segundo turno entre Alckmin x Bolsonaro
Alckmin 45% x 38% Bolsonaro (branco/nulo: 16%; não sabe: 2%)

Simulação de segundo turno entre Ciro x Bolsonaro

Ciro 48% x 38% Bolsonaro (branco/nulo: 12%; não sabe: 2%)


Simulação de segundo turno entre Haddad x Alckmin
Alckmin 39% x 39% Haddad (branco/nulo: 19%; não sabe: 3%)

Simulação de segundo turno entre Haddad x Bolsonaro
             Haddad 45% x 39% Bolsonaro (branco/nulo: 13%; não sabe: 2%)


Simulação de segundo turno entre Ciro x Haddad
Ciro 41% x 35% Haddad (branco/nulo: 21%; não sabe: 3%)
Sobre a pesquisa
Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos
Entrevistados: 9 mil eleitores em 343 municípios
Quando a pesquisa foi feita: 26, 27 e 28 de setembro
Registro no TSE: BR-08687/2018
Nível de confiança: 95%
Contratantes da pesquisa: TV Globo e "Folha de S.Paulo"

Voto marxista, tendencia Groucho (como abaixo)


sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Arte de IOTTI

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Google, 20 anos: como descobrir e apagar as informações que a plataforma tem de você, nas folhas

É possível excluir dados de localização e até mesmo buscas armazenadas em seu 
smarthphone

Ele sabe o que você procura, o que te interessa e os lugares que você visita, entre muitas outras coisas. Esse é o Google, a ferramenta de busca mais usada do mundo, que completa 20 anos.

"Quando o usuário usa nossos serviços, confia a nós informações dele."

É assim, de forma clara, que o gigante tecnológico se dirige a seus usuários logo na primeira linha dos termos e condições de privacidade.

Mas o que você provavelmente não sabe é que o Google oferece a possibilidade de excluir as informações armazenadas em um lugar chamado "Minha atividade" ou "My activity", em inglês.

Nós explicamos como fazer isso em alguns passos.

Alerta: Conteúdo de terceiros pode conter publicidade

Cada vez que você faz uma pesquisa no Google, a empresa a salva e a associa à sua conta.

Ela também registra todos os movimentos que você faz, como preencher um formulário ou ler seu e-mail no Gmail.

Todos os dados são coletados em um site chamado "Atividade". É exatamente nesta área que você tem que ir para consultá-lo.

Você tem três opções na hora de excluir informações:

A primeira é usar a pesquisa para encontrar uma página específica para apagar.Página mostra informações que o Google mantém sobre você

A segunda é limpar as buscas feitas no mesmo dia, escolhendo "Hoje" e depois clicando na opção "Excluir"

A terceira opção é eliminar toda a sua pesquisa. Para fazer isso, clique em "Excluir por" na lista à esquerda. Clique em "Excluir por data" e selecione "Todo o período". Se você tem certeza desta opção, clique em "Excluir".

Em todos os casos, aparecerá um aviso do Google sobre os possíveis impactos dessa decisão. Mas, na realidade, excluir o histórico de pesquisa do Google e a trilha de navegação não tem nenhuma consequência em relação à operação da sua conta do Google ou seus aplicativos.

2. Elimine toda a sua atividade no YouTube

O Google também mantém um registro de todas as suas pesquisas no YouTube.Google permite que você veja e exclua suas informações de busca no YouTube

Mas isso é algo que você também pode excluir facilmente, apagando o histórico de pesquisa.

3. Como eliminar tudo que os anunciantes sabem sobre você
O Google não só sabe tudo sobre você, mas também repassa essa informação a anunciantes.

É por isso que ele é capaz de mostrar anúncios que combinam com o que você procura.

Mas é possível descobrir quais informações estão sendo transmitidas aos anunciantes.

Para isso, acesse sua conta do Google e depois "Informações pessoais e privacidade". Desta vez, o que interessa é a opção "Configurações de anúncio".As configurações de privacidade permitem que o usuário impeça seus dados de serem repassados a anunciantes

Uma vez dentro, clique em "Gerenciar Configurações de Anúncio".

Na sequência, opte por "Controlar anúncios com sessão fechada". Se você clicar nessa opção, você pode escolher se deseja receber anúncios com seus interesses ativados ou desativados (a opção de não receber publicidade não está disponível).

O Google irá avisá-lo de que não se adequará a você porque você vai parar de ver anúncios relacionados aos seus interesses, mas cabe a você escolher.

4. Remover o histórico de localização do Google
Se você usa um dispositivo Android, o Google acompanha os locais que você visitou com seu dispositivo por meio de um recurso chamado Rotas.Página de privacidade do Google

Para apagar todas essas informações do Google Maps, você deve acessar essa página.

Na tela inicial, é possível interromper o registro virando para a esquerda a chave do "Histórico de localização".

Para excluir todo o histórico anterior, clique em "gerenciar histórico de localização" e, depois, no ícone de Configurações.

Para apagar dias específicos, basta selecionar, na mesma página, a data no calendário na área esquerda da tela e clicar no botão da lixeira.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Ziraldo sofre AVC e está internado em estado grave no Rio, por Douglas Corrêa

Criador do Menino Maluquinho está internado em CTI no Pró-Cardíaco

O cartunista e escritor Ziraldo, 85 anos, sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico nesta quarta-feira (26) e está internado em estado grave no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, zona sul do Rio. 
O hospital informou, em nota, que o cartunista e escritor Ziraldo Alves Pinto deu entrada na instituição no início da tarde com quadro de acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. 
O paciente encontra-se internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) da unidade e seu estado de saúde é grave.
O cartunista Ziraldo foi internado nesta tarde - Fernando Frazão/Agência Brasil

Carreira

Ziraldo é cartunista, desenhista, jornalista, cronista, chargista, pintor e dramaturgo brasileiro. Ele é o criador do personagem de quadrinhos infantil Menino Maluquinho. Foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, que fez muito sucesso com suas entrevistas e humor crítico durante o regime militar.

O cartunista nasceu em Caratinga, Minas Gerais, no dia 24 de outubro de 1932. Seu nome vem da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha e o de seu pai Geraldo. Desde criança já mostrava seu talento para o desenho. Com seis anos, teve um desenho seu publicado no jornal Folha de Minas.

Ziraldo estudou no Grupo Escolar Princesa Isabel. Em 1949 foi com a avó para o Rio de Janeiro, onde estudou por dois anos no Mabe (Moderna Associação de Ensino). Em 1950, retornou para Caratinga e concluiu o científico no Colégio Nossa Senhora das Graças.

Mulheres contra a opressão, por ELIANE BRUM

O maior movimento de resistência ao projeto autoritário mostra que apoiar Bolsonaro é votar a favor das forças que empobrecem o país e violentam os mais frágeis
REPRODUÇÃO FACEBOOK

Analistas do bolsonarismo acreditam que, para seus eleitores, e é um grito contra o que não funciona e contra o desamparo, ou mesmo contra a precariedade das respostas da democracia para os problemas concretos da vida cotidiana. A candidatura de Jair Bolsonaro também representaria o voto do antipetismo, esse sentimento que ganhou força a partir de 2013 e, em 2015, virou ódio. Ao se posicionarem contra o que o candidato de extrema direita representa, o movimento “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, que abriga quase 3 milhões de brasileiras em sua página no Facebook, denuncia justamente a impossibilidade do voto em Bolsonaro como um voto “antissistema”. O que essas mulheres apontam é que não há nada mais a favor do sistema do que Bolsonaro. Votar nele é votar no que nunca prestou no Brasil, mas sempre existiu. Ou na volta dos que nunca partiram.

É possível votar em Bolsonaro. Pode ser considerado por muitos imoral ou mesmo antiético, já que ele defende abertamente a violência contra os grupos mais frágeis, como mulheres, negros, gays, camponeses e indígenas. E incita a violência num dos países mais violentos do mundo. Mas, se você pensa como ele, faz todo o sentido votar naquele que representa o seu pensamento. É isso, afinal, a democracia. Por mais que para alguns seja difícil aceitar, Bolsonaro e seu autoritarismo são também um produto das contradições da democracia. Bolsonaro é um fenômeno da democracia, não fora dela.

Só não é possível votar em Bolsonaro afirmando que está votando para mudar ou votando como protesto contra tudo o que está aí. Aí não. Essa afirmação desaba logo no primeiro olhar. Votar em Bolsonaro é justamente votar a favor de tudo o que sempre esteve aí. Ou que sempre esteve aí por mais tempo do que qualquer outra coisa.

1) Bolsonaro e os novos coronelismos rurais e urbanos
Não é uma coincidência que as velhas (e também as novas) oligarquias rurais, ligadas à violência no campo, têm em Bolsonaro o seu candidato estampado nas caminhonetes. As forças que Bolsonaro representa atravessam a história brasileira. Às vezes com mais, às vezes com menos poder político. São essas forças que tornaram o Brasil um dos países mais desiguais e mais violentos do mundo.

Como fenômeno, Bolsonaro faz uma síntese entre a parcela golpista do militarismo profissional, representada pelo seu vice, o general reformado Hamilton Mourão, e o coronelismo político de um Brasil rural que usa o “agronegócio” como roupagem de modernização, mas que mantêm as mesmas práticas violentas no campo. 
Para estes, o Brasil será sempre uma grande fazenda e a luta será sempre para privatizar o que ainda há de terras públicas e coletivas no país. Essas duas forças se conectaram durante vários momentos da história brasileira. Como hoje.Bolsonaro não dialoga apenas com a ditadura civil-militar que governou o país pela força de 1964 a 1985. Ele dialoga antes com figuras e forças muito mais antigas e fundadoras do Brasil. Bolsonaro dialoga com o coronelismo que marcou o Brasil rural e que, de muitas formas, permanece até hoje. Mas atualizado, já que nada atravessa as épocas sem adquirir novas nuances e agregar novos protagonistas.

Em regiões como o Norte e o Centro-Oeste do Brasil, este coronelismo não representa as velhas oligarquias rurais do século 19 e primeira metade do século 20, mas novas oligarquias que se constituíram na segunda metade do século passado, tanto durante o processo de expulsão e massacre dos indígenas, para liberar suas terras ancestrais para projetos da ditadura, quanto na grilagem (roubo de terras públicas) de vastas porções de floresta, um processo que segue em curso até hoje e ganhou novo fôlego nos últimos anos.

Agregada aos novos e velhos coronéis, aparece a parcela urbana e mais barulhenta do Brasil evangélico, que usa as palavras com muita competência. A começar pela própria denominação religiosa. Ao transformarem o que é uma brutal disputa de poder em uma guerra do bem contra o mal, parte das lideranças encobre com o discurso religioso aquilo que é político. As críticas a essas lideranças evangélicas são lidas como uma crítica aos evangélicos como grupo religioso, colaborando para discriminar setores da população que já são historicamente discriminados. É deste truque que alguns líderes abusam. Chamar sua bancada no Congresso de “bancada da Bíblia” só os ajuda nessa transmutação da política em religião.Parte da grilagem promovida já no século 21 foi legalizada no governo Temer, que tem na “bancada ruralista” sua principal fiadora. Mas, se garantiram e garantem o governo, estes coronéis e seus representantes no Congresso nunca cogitaram votar no candidato do MDB ou do PSDB, mesmo que este seja o partido com que marcam seu poder local ou regional. São eleitores de Bolsonaro desde que ele despontou como candidato.

Os evangélicos são um grupo muito heterogêneo e com posicionamentos morais que variam, às vezes radicalmente, nas diferentes igrejas, o que tornaria imprecisa qualquer unidade. Mas o mais importante é que a crítica não é à religião nem a seus fiéis, muito menos se refere à nenhuma suposta versão de guerra santa. Ao contrário. É uma crítica aos estelionatários que usam a religião para o enriquecimento privado e para a conquista de poder político com fins de enriquecimento privado.

A maioria destes estelionatários da fé, que também podem ser chamados de “coronéis da fé”, está alinhada a Bolsonaro. São ao mesmo tempo novos e velhos. A novidade de suas origens e de sua linguagem não é capaz de encobrir que atuam para manter o Brasil exatamente como está, porque é neste contexto que conseguiram enriquecer e conquistar poder. Dependem da miséria, do desamparo e do medo para manter a clientela. Sua disputa é para continuar multiplicando riqueza privada, assim como garantir as benesses públicas que isentam suas igrejas de pagar impostos.

A religião é só o meio. O lucro privado é o fim. A estratégia de encobrir a disputa de poder com os temas morais mostrou-se tão eficaz que milícias da internet, como o MBL, eminentemente urbanas, a adotaram a partir de 2017 para ampliar seu número de seguidores destruindo artistas e manifestações artísticas.

É interessante observar como o que há de mais atrasado no Brasil se juntou a fenômenos recentes para produzir aquele que tem sido chamado na internet de “o coiso”. A nomeação, típica das redes sociais, aponta para dois objetivos: o primeiro é o de não popularizar ainda mais o candidato, o que pode garantir os votos daqueles que, quando chegam às urnas, votam no nome que lembram; o segundo, de que tudo aquilo que ele representa, em seu autoritarismo, seria inominável, ou não nomeável. No “coiso” cabem muitas coisas. Bolsonaro seria uma espécie de Voldemort, o vilão da série Harry Potter, a quem os bruxos preferem se referir como “você sabem quem”, para que a invocação do nome não o materialize como realidade física.

Em 26 anos como parlamentar, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo, Bolsonaro conseguiu aprovar apenas dois projetos de sua autoria: 13 anos de salário, benefícios, verba de gabinete etc para cada projeto. Ao ser perguntado sobre sua baixa produtividade, o candidato respondeu: “Tão importante quanto você fazer um gol é não tomar um gol”.O fato de Jair Bolsonaro liderar as intenções de voto (28%, segundo a última pesquisa do Datafolha), mostra a força com que o que há mais arcaico e sombrio no Brasil emergiu para a luz. E encarnou numa figura que é muito menos um capitão reformado do Exército e muito mais um político profissional. Não um político profissional que disputa a construção de um país, mas um que trabalha para a própria permanência na folha de pagamento do Congresso.

Estes são os fatos, caso os fatos valessem na construção mental dos eleitores. O desempenho que derrubaria qualquer funcionário, em qualquer empresa do mundo, o premiou como funcionário do povo. Tanto que Bolsonaro se tornou o líder nas pesquisas para a presidência da República. Na composição dos seus eleitores, ele lidera entre os mais ricos e os mais escolarizados, justamente aqueles que se supunha terem mais acesso à informação de qualidade, caso isso importasse na tomada de decisões. Na época da autoverdade, porém, os fatos nada valem.

Há vários adjetivos que poderiam ser usados para definir o comportamento do eleitor de Bolsonaro. Ilegítimo não é um deles. Se você acredita que o político ideal é aquele que aprovou dois projetos em 26 anos de serviço público e se sente representado pelo desempenho de Bolsonaro, faz todo sentido votar nele. Por uma questão de coerência, inclusive, este deveria se tornar o critério de produtividade para que os empresários que são também eleitores de Bolsonaro passem a selecionar seus funcionários e estabelecer planos de carreira.

2) Como as elites descobriram que as ruas não são seu “pet”
O fenômeno chamado “coiso” também expõe à luz a monumental arrogância de uma parte da elite política e econômica do Brasil, assim como a arrogância de uma parcela do judiciário. Essas elites compartilhavam da ilusão de controlar as ruas e também os processos políticos. Descobriram que ver o Brasil do alto não é o suficiente para compreender os Brasis. Começam a perceber que, quando achavam que usavam, estavam de fato sendo usadas. Bolsonaro não revela apenas a si mesmo, mas muito além de si mesmo. Não é acontecimento isolado, mas trama.

O PT descobriu em 2013 que já não era o partido das ruas de uma forma bastante dolorosa. Naquele momento, a arrogância do partido era tanta que achava que as ruas seriam dele para sempre. Tanto que nem precisava mais andar por elas. Em 2013, o PT descobriu que estava sendo expulso das ruas. Em 2015, bonecos infláveis de Lula e de Dilma como presidiários invadiram também os céus. O antipetismo virava ódio.

Aécio, o corrupto, iniciava ali uma crise e abria um precedente perigoso. Mais tarde, uma gravação revelaria Aécio dizendo que pediu a auditoria dos resultados eleitorais só “para encher o saco”. 
Aécio deve entrar para história não só pelo seu envolvimento com a corrupção, mas por esse ato de uma irresponsabilidade criminosa. O tucano deve ser marcado como um dos políticos que mais colaborou para a corrosão da democracia neste início de século.Mas o exemplo mais evidente ainda é o do PSDB, cujo drama se desenrola neste momento. Quando Aécio Neves (PSDB) perdeu a eleição de 2014 para Dilma Rousseff (PT), ele e seu partido cometeram o ato, ao mesmo tempo oportunista e irresponsável, de questionar o processo eleitoral sem nada que justificasse a suspeição do pleito. O Brasil, com as urnas eletrônicas, tem um dos mais confiáveis sistemas de votação do mundo. Aceitar a derrota faz parte das regras fundamentais da democracia.

De dentro do hospital, onde se recupera de um ataque à faca, Bolsonaro gravou um vídeo questionando as urnas eletrônicas e sinalizando que pode não aceitar o resultado da eleição em caso de derrota. Seu vice, Hamilton Mourão, já havia dado uma entrevista à Globo News afirmando a possibilidade de um autogolpe do presidente eleito, com o apoio das Forças Armadas. É irresponsável e grave demais que um político anuncie que participa do jogo, mas que só aceitará o resultado em caso de vitória. Qualquer criança jogando uma pelada de futebol num campinho de várzea sabe que não é possível só aceitar as regras do jogo quando se ganha.

O PSDB teve um papel importante no impeachment sem base legal de Dilma Rousseff e participou do governo corrupto de Michel Temer (MDB). Quando aderiram aos movimentos das ruas a favor do impeachment e contra o PT, vestidos com a camiseta da seleção brasileira, políticos tucanos também se iludiram que a rua era deles. Não era nada disso. Recentemente, um dos caciques do partido, Tasso Jereissati, afirmou que entrar no governo Temer foi “o grande erro” do PSDB. “Fomos engolidos pela tentação do poder”, admitiu. Tarde demais.

Não deixa de ser irônico o destino de Michel Temer. Quase trágico. Temer, o vice traidor, reconhecida raposa política, acreditava que poderia fazer tudo o que fez e ainda ser visto como um estadista. Logo depois do impeachment, era bem claro que Temer e seus apoiadores, no Congresso, no Mercado e em setores da Imprensa, acreditavam que estava tudo dominado e era só voltar ao que sempre foi. Temer está terminando o mandato como o presidente mais impopular da história (ou o mais impopular desde que há institutos de pesquisa para aferir a opinião da população).Quem acha que controla as ruas não estudou nem a história nem a psicologia humana. Com telhado de vidro fino, tanto Aécio quanto o PSDB são hoje menores do que nunca, em todos os sentidos. Pior do que não ter ressonância é ter perdido o respeito. O PSDB que surgiu com a volta da democracia não existe mais. O que existe agora é outra coisa que nem seus caciques sabem mais que formato tem.

O desespero dos liberais e neoliberais também sinaliza o quanto de ilusão aqueles que representam o Mercado alimentam sobre si mesmos. Parte das elites econômicas, tendo como exemplo mais evidente a poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), que atuou de forma explícita e decisiva para o impeachment da presidente eleita, assim como vários porta-vozes do que se chama “Mercado”, acreditavam que tudo andaria conforme sua receita de bolo. Botariam no Planalto alguém da sua confiança e pronto, fariam uma “ponte para o futuro” que manteria os privilégios do passado. Acreditavam que o povo nas ruas não passava de marionete, que o povo nas ruas era o verdadeiro pato da FIESP.

De repente, Jair Bolsonaro, que deveria ser apenas um parceiro bufão na derrubada do governo do PT, alcançou o primeiro lugar nas pesquisas eleitorais para a presidência. Junto com ele, está Paulo Guedes, um economista ultraliberal que é radical demais até mesmo para os liberais. Quando fala, apavora. Dias atrás lançou uma espécie de nova CPMF. Teve que sair se desmentindo e cancelando compromissos para não dizer mais bobagens sinceras, mas altamente impopulares.

Certamente não era este o roteiro imaginado por aqueles que desrespeitaram o voto dos brasileiros. Também não era este o script que a parcela da grande imprensa que atuou decisivamente para o impeachment sonhava para esse momento. A Globo descobriu logo cedo, ao fracassar em derrubar Michel Temer após as denúncias de corrupção, que seu imenso poder tinha limites. Jair Bolsonaro, aliás, não se cansa de lembrar ao vivo, nos estúdios da emissora, o quanto a Globo apoiou a ditadura civil-militar que ele enaltece com tanto entusiasmo.Não fosse a situação do Brasil ser tão trágica, seria delicioso ver uma revista liberal como a britânica The Economist, que já decolou e aterrissou o Cristo Redentor nos tempos de Dilma Rousseff, lançar Jair Bolsonaro como “a mais recente ameaça da América Latina” na capa da semana passada. A revista favorita do Mercado manifestou-se de forma inequívoca contra o ultraliberalismo de Paulo Guedes, o golpismo de Hamilton Mourão e o autoritarismo de Jair Bolsonaro. Foi chamada nas redes sociais de “The Communist”. Sim, no Brasil o realismo mágico é só realismo.

O atual cenário dificilmente deve ser o roteiro esperado também por servidores do Judiciário e do Ministério Público que decidiram personalizar a justiça, se esqueceram que são funcionários públicos e acreditaram que eram heróis. Quem venceu – e segue vencendo – é esse poder que atravessa governos e que hoje é representado pela “bancada ruralista”, grande parte dela conectada à escalada de violência no campo e na floresta contra camponeses e indígenas, que vem se acirrando desde 2015. Ao redor da bancada ruralista gravitam a bancada dos defensores de armas, que lucram com a violência, e a dos estelionatários da fé, que manipulam os temas morais para conquistar poder e privilégios.

Com possibilidades cada vez maiores de chegar ao segundo turno, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o candidato de Lula, torna o cenário ainda mais complexo. A tal da opção de “centro”, que tantos encheram a boca para falar, a duas semanas da eleição ainda não mobilizou os eleitores. De dentro da prisão, onde foi colocado por um processo rápido demais, com provas frágeis demais e juízes falastrões demais, Lula segue influenciando os destinos do país.É este o mundo de Bolsonaro, que por isso tem assustado não só a esquerda, mas também a direita chique e os liberais genuínos, estes que têm na The Economist o seu oráculo. É a parcela atrasada e violenta do Brasil rural, associada ao que há de mais podre nos fenômenos urbanos, que disputa a presidência do país com chances de ganhar. Bolsonaro representa o homem branco ultraconservador, mas bruto e sem lustro, que os ilustrados de direita e de esquerda não querem na sua sala de jantar.

Mesmo tendo sido impedido pelo judiciário de ser candidato, ele ainda é um dos principais protagonistas da eleição. Como nada é simples, Haddad e o PT têm costurado apoio entre aliados que os traíram na batalha do impeachment, têm costurado apoio inclusive entre políticos que participam do governo Temer. Aliados que se tornaram “golpistas” são aliados de novo sem deixarem de ser “golpistas”. No Brasil, a real politik é mágica. Mas, quando o eleitor não vota conforme o esperado, ele é chamado de ignorante.

3) O movimento das mulheres contra Bolsonaro é o mais importante desta eleição
As mulheres são mais da metade da população no Brasil, mas ainda têm pouca representatividade na política formal. Uma de suas representantes mais interessantes e promissoras, Marielle Franco (PSOL), vereadora do Rio, foi executada a tiros num crime ainda não desvendado e impune, apesar de já terem se passado mais de seis meses.
Seu protagonismo político incomodou muitos que estavam acostumados a falar sozinhos e, de repente, viram seus interesses serem atingidos por uma mulher. E não por qualquer mulher. Criada no complexo de favelas da Maré, Marielle era negra, lésbica e pobre. Ao longo da história do Brasil, ela representa os grupos mais frágeis e mais violentados que, graças à muita luta, começam a ter poder político. Foi então exterminada a balas de alto calibre, por uma arma de uso restrito, num percurso de câmeras desligadas.

Com o gesto iniciado na internet e programado para ganhar as ruas, as mulheres tornaram-se protagonistas desta campanha eleitoral tão complexa e delicada. O movimento autônomo começou por mulheres na Bahia, ao largo das lideranças do centro-sul e dos grupos feministas mais conhecidos do Brasil. Do debate no Facebook passou a inspirar as manifestações contra Bolsonaro marcadas para o próximo sábado em várias cidades do Brasil e do mundo. Nos atos de 29 de setembro, elas esperam também o apoio dos homens que amam as mulheres.

Quando qualquer um destes ingredientes que, na sua crença, fazem dele um “homem”, é de alguma forma questionado, sente-se ameaçado e reage com violência. Um psicólogo de almanaque possivelmente diria que Bolsonaro é inseguro. No hospital, fazendo gesto de atirar com as mãos, parecia um garotinho querendo aprovação da plateia numa apresentação da pré-escola. Mas deve ser mais complexo do que isso.A proposta dessas mulheres é fazer atos suprapartidários contra Jair Bolsonaro e tudo o que ele representa. Bolsonaro é um homem que, por suas declarações, já provou que odeia as mulheres, tanto quanto o seu vice, o general reformado Hamilton Mourão. Bolsonaro é um tipo clássico, especialmente em países que viveram suas versões de faroeste: o homem branco, que se sente superior apenas por ter nascido branco; heterossexual, mas do tipo que precisa o tempo todo apregoar sua heterossexualidade, como se silenciar sobre ela pudesse de alguma forma ameaçá-la; que se sente mais potente com uma arma de fogo na mão e, quando não a tem, simula com as mãos a expressão fálica, como uma afirmação de masculinidade que precisa ser constantemente reiterada para não ser posta em dúvida.

Para manter o privilégio de se sentir superior num mundo em que já não basta ser branco e ter uma arma para se manter no topo da cadeia alimentar, Bolsonaro desrespeita as minorias, raciais e de gênero, justamente as parcelas mais frágeis da população, e estimula a violência contra elas. Neste momento, encarna um outro tipo clássico, o fortão covarde da escola. Faz isso afirmando que está defendendo os “valores tradicionais”. Mas o que chama de valores tradicionais são apenas os seus privilégios.

É interessante observar que Michel Temer, ao assumir o poder, promoveu um retrato amarelado com seu ministério de homens brancos, a maioria deles mais velhos. Pairando sobre essa imagem, especialmente no primeiro ano de governo, estava a figura de sua mulher, 43 anos mais jovem: Marcela Temer, a esposa “bela, recatada e do lar”, como definiu a revista Veja.

Essa conformação simbólica de poder remetia à República Velha, como foi dito, mas muito mais a um folhetim de Nelson Rodrigues. Enquanto foi possível, alguns jornalistas, também homens e brancos, a maioria mais velhos, fizeram comentários encantados, alguns deles bastante constrangedores, sobre a beleza da mulher do presidente. Por algum tempo, antes de seu governo ruir por corrupção e incompetência, Temer ganhou o atributo de uma potência viril aplicada à política, por estar casado com uma mulher bonita e jovem.

Sobre a licença-maternidade, conquista histórica das mulheres (e também dos homens), o parlamentar que aprovou dois projetos de lei em 26 anos de trabalho maravilhosamente remunerado, afirmou em 2015: “Mulheres devem ganhar um salário menor porque engravidam. Quando ela voltar (da licença-maternidade) vai ter um mês de férias, ou seja, trabalhou cinco meses em um ano”.Jair Bolsonaro leva o machismo e o patriarcado a outro patamar. As mulheres não são objetos, mas um inimigo. Em 2014, na Câmara dos Deputados, disse que não estupraria a colega Maria do Rosário (PT): “Você não merece ser estuprada, é muito feia”. Depois, repetiu ao jornal Zero Hora: “Ela não merece (ser estuprada). Porque ela é muito ruim, ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria”. O comentário, dito e repetido, o tornou réu por apologia ao estupro no Supremo Tribunal Federal.

Em 2011, ele afirmou: “Sou preconceituoso com muito orgulho”. Embora os juízes brancos do Supremo Tribunal Federal não reconheçam, o que Bolsonaro chama de preconceito é seguidamente racismo. Ao responder a uma pergunta da cantora Preta Gil, ele disse que seus filhos jamais namorariam uma mulher negra ou se tornariam gays: “Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”. Em 2017, ao fazer uma palestra no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, o parlamentar contou que fez uma visita a um quilombo: “O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. (...) Não fazem nada, eu acho que nem pra procriador servem mais”.

O “preconceito” que tanto orgulha Bolsonaro é largamente aplicado contra os homossexuais, num país com alto índice de assassinatos por homofobia. Entre as várias declarações contra gays, Bolsonaro chegou a dizer numa entrevista: “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que meu filho morra num acidente de carro do que apareça com um bigodudo por aí”.

É importante compreender por que, mesmo com essas declarações, existem mulheres que votam em Bolsonaro. Há quem acredite que seria o mesmo tipo de atração pelo perigo e pela violência que faz com que algumas mulheres se apaixonem por criminosos famosos – ou mesmo não famosos. Os presídios estão cheias de romances como estes. Algumas eleitoras de Bolsonaro já justificaram o voto afirmando que este é o só o “jeitão” dele, que “na verdade” ele seria um “defensor das mulheres”. Uma delas me disse que reconhece que ele é “meio burrão”, mas ainda assim acha que ele “vai botar ordem na casa”. Neste caso, o machismo importaria menos que a crença de que Bolsonaro vai deixá-la “segura”.

O vice de Bolsonaro é sua alma gêmea. Bolsonaro e Mourão, ambos adoradores de armas, coincidem tanto na ideologia quanto na eloquência de seus discursos. Em agosto, durante um evento no sul do país, Mourão afirmou que o Brasil herdou “a indolência dos indígenas” e “a malandragem dos africanos”. Estava teorizando sobre as raízes do “subdesenvolvimento” do Brasil e da América Latina com a competência habitual.Ao escutar bolsonaristas, outras hipóteses surgiram. Para algumas, não é um voto no macho alfa, como eu supunha no princípio, mas o voto em um caçula meio bobão, mas carismático, por quem sentem um tipo de amor permissivo. Seria importante fazer uma pesquisa qualitativa e quantitativa formal com as eleitoras de Bolsonaro e Mourão, para compreender o que pode levar mulheres a votar em homens que as desrespeitam.

Em 17 de setembro, o general reformado atacou as mulheres ao relacionar a violência nas “áreas mais carentes” ao fato de as famílias serem chefiadas por “mães e avós”, sem “pais e avôs”. A criação dos filhos por mulheres sozinhas, na opinião do general, resultaria “numa fábrica de elementos desajustados e que tendem a ingressar em narcoquadrilhas que afetam o nosso país”.

As mulheres são o segmento da população que mais rejeita Jair Bolsonaro. Mas, após ele ter levado uma facada durante um ato de campanha, Bolsonaro cresceu. “Apesar de ter evoluído no estrato, cresceu sete pontos no último mês, o apoio no segmento feminino é mais localizado entre as que têm maior renda familiar —chega a 32% entre as que reúnem mais de 5 salários mínimos, contra apenas 14% entre as mais pobres”, analisam Mauro Paulino e Alessandro Janoni, na Folha de S. Paulo. O primeiro estrato corresponde a apenas 6% do eleitorado e o segundo alcança 28%.Ao fazer essa afirmação, o vice de Bolsonaro atingiu violentamente as mulheres mais pobres, a maioria delas negras, que são chefes de família e criam seus filhos sozinhas com enorme esforço. Mas não apenas elas. A afirmação provocou um apoio surpreendente ao movimento das mulheres contra Bolsonaro. A apresentadora de TV Rachel Sheherazade, uma das porta-vozes na imprensa da direita mais truculenta do Brasil, publicou em sua conta no Twitter: “Sou mulher. Crio dois filhos sozinha. Fui criada por minha mãe e minha avó. Não. Não somos criminosas. Somos heroínas”. E acrescentou uma das hashtags do movimento: #EleNão”.

Em entrevista, o estatístico Paulo Guimarães afirmou: “As mulheres não votam no Bolsonaro, mas as mulheres pobres tendem a decidir o voto mais tarde. O país é absurdamente machista. O marido vai dizer em quem elas devem votar, principalmente nas classes mais baixas, das mulheres mais agredidas. O voto da mulher tem convergido para o voto do homem, historicamente”.

Será que ainda é assim? Minha hipótese é que o crescimento do protagonismo das mulheres também na esfera doméstica, em parte possibilitados pelo Bolsa Família e pelo aumento real do salário mínimo, que beneficiou o grande contingente de empregadas domésticas do país, tenha mudado essas relações de poder. Não totalmente, mas esta é uma força emergente. Como repórter que escuta gente há 30 anos, nunca escutei tantas mulheres discordarem de seus maridos, nas entrevistas que faço com famílias, como hoje. Inclusive no voto.

É uma enormidade o significado de que a principal resistência à candidatura de Bolsonaro e a tudo o que essa candidatura representa venha justamente das mulheres. Elas, que são alijadas da política formal, quando não mortas, tornaram-se a principal força política de oposição a um projeto explicitamente autoritário. E fazem política justamente no território que até então era dominado pelos apoiadores de Bolsonaro: as redes sociais. Exatamente por isso, as administradoras da página do movimento foram haqueadas, ameaçadas e tiveram seus dados expostos, na covardia habitual dos que não confiam nos seus argumentos, só dispõem da força bruta.

Se o movimento é suprapartidário e abarca as mulheres de todas as cores e origens, é importante sublinhar que esse movimento é também racial e de classe. Como já foi dito, Bolsonaro encontra seus eleitores, segundo as pesquisas, entre os homens mais ricos e os mais escolarizados. E tem sua maior rejeição entre as mulheres e entre os mais pobres. Como as estatísticas mostram, a maioria das mulheres mais pobres do país é negra.

O movimento das Mulheres Unidas Contra Bolsonaro é o mais importante acontecimento desta eleição. Caminhar junto com elas no próximo sábado, 29 de setembro, é escolher dizer juntos, mulheres e homens, em uníssono, não apesar de todas as diferenças, mas com todas as diferenças, que escolhemos a liberdade contra a opressão. Que escolhemos o respeito contra o preconceito. Que escolhemos a igualdade contra o racismo. Que escolhemos a diversidade dos muitos contra a hegemonia do um. Que escolhemos a paz contra a violência.O voto das mulheres negras pode determinar o destino de Bolsonaro. Este não é definitivamente um dado qualquer no Brasil. Há grande poder e significado nessa constatação. É bastante simbólico que seja esta a força que toda a repressão dos últimos anos do país, todos os direitos a menos, não conseguiu parar. As mulheres que foram para a universidade pela primeira vez, as mulheres que passaram a ganhar um pouco mais, as mulheres que pela primeira vez tiveram direitos trabalhistas igualitários, como as domésticas. Talvez não seja coincidência que a criadora da página “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, que por conta das ameaças hoje é citada apenas pelas iniciais, seja negra.

Se depender das mulheres unidas contra Bolsonaro, o ódio não governará o Brasil.

Arte de NANI

domingo, 23 de setembro de 2018

Arte de YKENGA

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sábado, 22 de setembro de 2018

História e ficção, por MARIO VARGAS LLOSA

Livro de Roca Barea sobre a lenda negra espanhola questiona as próprias bases da História como uma ciência objetiva, pois demonstra que em muitos casos ela se acomoda às urgências do poder

Arte de FERNANDO VICENTE
Um livro de erudição rigorosa pode ser divertido? É raro, mas acontece no caso de Imperiofobia y Leyenda Negra(Imperiofobia e Lenda Negra), de María Elvira Roca Barea, que acabo de terminar. É aguerrido, profundo, polêmico, e é lido sem pausas, como um romance policial em que o leitor voa sobre as páginas para saber quem é o assassino. Confesso que há tempos não lia um livro tão ameno e estimulante.

Seu subtítulo é Roma, Rússia, Estados Unidos e o Império Espanhol. E é verdade que a autora se ocupa também das lendas negras geradas pelos três primeiros impérios, mas sua principal ocupação, com profundidade e utilizando com desenvoltura uma impressionante bibliografia, é a construção intelectual e fictícia que há séculos distorce profundamente a história da Espanha e ridiculariza seu povo. De acordo com ela, ainda está muito viva, porque os próprios espanhóis não quiseram e não souberam contra-atacá-la, dando as costas a essas caricaturas que os apresentavam como fanáticos, perversos, ignorantes e inimigos viscerais da ciência, da modernidade e da civilização.

Segundo Roca Barea, a lenda negra anti-espanhola foi uma operação de propaganda montada e alimentada ao longo do tempo pelo protestantismo especialmente em suas versões anglicana e calvinista —contra o Império Espanhol e a religião católica para afirmar seu próprio nacionalismo, demonizando-os até extremos pavorosos e chegando a privá-los de humanidade. 
Dá exemplos abundantes e de toda espécie sobre isso: tratados teológicos, livros de história, romances, documentários e filmes de ficção, quadrinhos, piadas e até conversas pós-refeição. 
A extensão e duração da lenda negra teve a contribuição da indiferença com que o Império Espanhol, primeiro, e depois seus intelectuais, escritores e artistas, em vez de se defender, em muitos casos tornaram sua a lenda negra, avalizando seus excessos e fabricações como parte de uma feroz autocrítica que fazia da Espanha um país intolerante, machista, lascivo e em luta com o espírito científico e a liberdade.

Você sabia que as degolas e esquartejamentos de católicos na Inglaterra de Henrique VIII e da rainha Elizabeth I, e nos Países Baixos de Guilherme de Orange, foram infinitamente mais numerosos do que as torturas e justiçamentos em toda a história da temível Inquisição Espanhola? 
Sabia que a censura de livros na França, Inglaterra e Alemanha foi tão ou mais severa do que na Espanha? 
O ensaio de Roca Barea prova tudo isso de maneira inequívoca, mas também inútil, pois, como mostra seu livro —é o mais inquietante dele—, quando uma dessas ficções malignas (hoje diríamos pós-verdades) encarna na história substituindo a verdade, alcança uma solidez e realidade que resiste a todas as críticas e desmentidos e sempre prevalece sobre eles. A ficção traga a história. Por isso, as batalhas de Napoleão narradas por Victor Hugo e Tolstói sempre nos parecem, apesar de seus abundantes erros, mais certas do que as dos historiadores mais rigorosos.

Pois bem, no livro de Roca Barea aparecem historiadores de muito prestígio, como o alemão Leopold von Ranke e o inglês Thomas Macaulay —existem muitos outros pensadores e artistas não menos distintos, como um Voltaire e um Edgar Allan Poe—, que, talvez sem ser conscientes disso, contribuíram para a lenda negra. E perpetraram distorções flagrantes à verdade histórica acomodando em seus livros os fatos de tal modo que confirmaram em vez de refutar os exageros e mentiras inventados para desprestigiar e afundar moral e politicamente o “inimigo” imperial e “papista”. 
A autora de Imperiofobia y Leyenda Negra não considera que tudo isso venha de uma conspiração conscientemente forjada pelos poderes; tudo isso é, evidentemente, encorajado e às vezes financiado pelo poder, mas também nasce de maneira espontânea, como uma excrecência natural do nacionalismo, que se forma e fortalece sempre contra algo ou alguém, pois precisa de um inimigo a quem odiar para poder subsistir. 
É a Espanha do Século do Ouro, quando a lenda negra é mais ativa, era o mais poderoso império da Europa e, certamente, o inimigo obrigatório dos países que pretendiam substituí-lo. E das denominações religiosas que queriam ser as mais genuínas herdeiras das verdades bíblicas.

Dessa maneira indireta, o livro de Roca Barea, sem sequer ter proposto tal coisa, questiona as próprias bases da História como uma ciência objetiva, pois sua pesquisa demonstra que em muitos casos nela se infiltra, em razão das circunstâncias e das pressões religiosas e políticas, a ficção como um elemento que desnaturaliza a verdade histórica e a acomoda às urgências ideológicas do poder estabelecido. E não há ácido mais eficaz e inescrupuloso na alteração das verdades históricas do que o nacionalismo, como os espanhóis têm a ocasião de comprovar atualmente com o desafio independentista da Catalunha, que, além de se rebelar contra a Constituição e as leis, se empenha em refazer a história e transformá-la em uma ficção a seu serviço.

O livro de Roca Barea é muito bem escrito, com uma prosa elegante, argumentos pertinentes e por vezes com uma ironia alegre que atenua a gravidade dos assuntos dos quais trata. Salta às vezes do passado remoto à atualidade, para mostrar que há entre ambos uma concatenação secreta e, frequentemente, indica nas notas o dia exato em que fez aquela citação e verificação nos arquivos (algo que, acredito, se faz pela primeira vez).

A autora desse livro extraordinário me dá um puxão de orelhas, em uma de suas páginas, por ter lembrado que o romance como gênero literário esteve proibido na América Espanhola durante os três séculos coloniais, porque as autoridades religiosas e políticas espanholas consideraram que as invenções disparatadas desses livros poderiam confundir os indígenas e distraí-los dos ensinamentos religiosos. É, acho, o único caso na história em que um gênero literário foi proibido. Roca Barea me recorda que naquela época surgiu na Espanha o romance picaresco (poderia ter mencionado também o principal romance: Dom Quixote). Minha afirmação não é parte da lenda negra, mas se trata de uma verdade inequívoca. A proibição, que existiu e foi reiterada várias vezes ao longo daqueles trezentos anos, dizia respeito somente às colônias, não à metrópole. E, ainda que a proibição tenha funcionado no que se refere à publicação de romances, não impediu que, graças ao profuso contrabando, os romances tenham sido lidos fartamente nas colônias americanas. Mas o primeiro romance, como tal, só foi publicado no México, após a independência: El Periquillo Sarniento (1816). Todas as boas histórias da literatura hispano-americana (recomendo as duas melhores, ou seja, a de Enrique Anderson Imbert e a de José Miguel Oviedo) reproduzem essas proibições que, desde meus anos de estudante, sempre me fascinaram. Por que a ficção foi proibida como tal? O resultado foi que, ceifada a fonte natural da ficção, que é o romance, tudo na América Latina passou a ser impregnado pela ficção proibida: não só os gêneros literários como a poesia e o teatro, também a religião, a política e a própria vida da sociedade e das pessoas.

Arte de SIMANCA

Justiça chilena condena 20 ex-agentes da 'Operação Condor', por France Presse

Ex-agentes Christoph Willike Floel e Raúl Iturriaga Neumann foram condenados a 17 anos de prisão.


Vinte ex-agentes da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) foram condenados no Chile a penas de entre 100 dias e 17 anos de prisão pelo assassinato de uma dezena de opositores durante a chamada "Operação Condor", que coordenou a repressão entre os regimes militares sul-americanos.

O juiz especial para os direitos humanos Mario Carroza "condenou os 20 ex-agentes da Direção de Inteligência Nacional (DINA)" - a polícia secreta do regime de Pinochet - "por sua responsabilidade nos sequestros" de uma dezena de opositores, informou o Poder Judiciário.

Os crimes ocorreram durante a "Operação Condor", que coordenou a repressão entre as ditaduras de Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Chile durante as décadas de 1970 e 1980.

Os ex-agentes Christoph Willike Floel e Raúl Iturriaga Neumann foram condenados a 17 anos de prisão. Outros cinco ex-funcionários da DINA receberam 15 anos; dois, pena de 10 anos; três, pena de 7 anos, e quatro cumprirão 5 anos de detenção.

Finalmente, outros quatro ex-agentes foram condenados a entre 100 e 301 dias de prisão.

A justiça absolveu 30 ex-agentes da DINA, segundo o comunicado.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

ELEIÇÕES 2018-- Como reconhecer uma notícia falsa para não compartilhar mentiras, nas folhas



Um passo a passo de checagem para não cair em truques feitos para ganhar cliques ou influenciar as eleições
A atriz Patrícia Pillar tem sido frequentemente envolvida em 'fake news'. ESTEVAM AVELLAR

Em época de eleições polarizadas, espalhar boatos (as famosas fake news) se tornou uma estratégia comum para confundir e influenciar os resultados. É só abrirmos as redes sociais e lá está aquele áudio, texto, foto, vídeo customizado para provar nossa ojeriza por determinado candidato ou alimentar nossa preferência por outro.

Essa guerra de informações não é novidade. Em 2016, mentiras criadas e espalhadas por motivação política e econômica influenciaram —em que medida ainda é um debate— a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas. Essas matérias inventadas chamam a nossa atenção por serem sensacionalistas (exemplo: Clinton vendeu armas ao Estado Islâmico ou Pablo Vittar vai ter um programa infantil na TV Globo), mas também por dialogarem com nosso desejo (muitas vezes oculto) de que determinada mentira seja verdade.

Temos que admitir: identificar uma notícia falsa nem sempre é fácil, e mais difícil ainda é vencer a tentação de compartilhar uma história só porque queremos que ela seja verdade. Por isso, antes de sair por aí espalhando mentiras (e em caso de dúvidas, claro), estes são seis sintomas que deveriam pelo menos nos fazer suspeitar do conteúdo.

1. A notícia é boa demais para ser verdade.
Imagine aquela cantora querida em todo o Brasil vindo a público para afirmar que determinado candidato conservador é na verdade gay. Foi isso que aconteceu recentemente com uma fake news envolvendo Rita Lee e Jair Bolsonaro (PSL). Um tuíte da cantora foi compartilhado nas redes e viralizou entre apoiadores e críticos do candidato:

Bolsonaro e eu tivemos um caso. Ele ñ era mto chegado na coisa, se é q me entendem. Terminamos pq Bolsinho tava d olho num colega d classe

— Rita Lee (@LitaRee_real) 17 de maio de 2011

Rita Lee realmente escreveu esse tuíte, mas, como revelou o BuzzFeed, o texto faz parte de uma série de fanfics (narrativa ficcional, escrita e divulgada por fãs)publicados pela cantora entre entre 2010 e 2013. Muitas vezes, as notícias falsas têm origem em piadas, como é o caso da frase de Fidel, também falsa, em que dizia que Cuba reataria com os Estados Unidos quando este país tivesse um presidente negro, e o Papa fosse latino-americano. E, não, Castro tampouco disse que só morreria depois de assistir à destruição dos Estados Unidos.

A intenção de veículos como Sensacionalista e The Onion (assim como da Rita Lee) não é, nem de longe, enganar ninguém, e sim parodiar a atualidade (e seu tratamento jornalístico). Mas se não conhecermos o site, ou, pior, se for difundido em outro veículo sem perceber que se trata de conteúdo humorístico, corremos o risco de nos confundir.

Em geral, é preciso desconfiar de histórias que encaixam de uma forma tão perfeita que parecem pré-fabricadas. Em geral, são mesmo.

2. Não há fontes mencionadas
Outro boato amplamente divulgado recentemente é o de que 16 milhões de dólares em dinheiro e joias apreendidos pela Polícia Federal com o vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mang, depois que ele e sua comitiva pousaram em São Paulo, teria como destino a campanha de Fernando Haddad, do PT, ou a Adelio Bisco, o homem que atacou Bolsonaro. O Projeto Comprova, uma coalizão de 24 veículos de mídia com o objetivo de combater a desinformação no período eleitoral, foi atrás da informação e afirmou que "não há indícios" para confirmar o boato.

Não é à toa que a maior parte das notícias falsas não menciona nenhuma fonte, o que dificulta seu rastreamento. Por exemplo, um dos boatos mais compartilhados durante as eleições norte-americanas dava conta de que o papa Francisco apoiava Donald Trump. O texto falava de “meios de comunicação”, citava um comunicado sem links e, em algumas versões, chegava inclusive a incorporar declarações de “fontes próximas ao Papa”, mas sem dar nomes.

Também é preciso desconfiar se a fonte é alguma variante do clássico “um amigo de um amigo”. Ou seja, se são citados dados vagos, como “todo mundo conhece alguém que…” ou “já vi muitos casos de gente que…”. No mínimo, é muito possível que o autor esteja extrapolando a partir de casos episódicos, ignorando qualquer outra informação que contrarie sua versão.

Às vezes, atribui-se a declaração a um veículo para lhe dar credibilidade, como ocorreu com a também falsa declaração de Trump de que “os republicanos são os eleitores mais estúpidos”. Pelo menos nesses casos, pode-se recorrer à fonte citada para confirmar ou não a informação.

Se o possível boato for uma foto, pode-se procurar a imagem no Google Images– usando inclusive filtros por data, para evitar o ruído gerado no buscador nos dias em que esse material é notícia. Às vezes, trata-se de fotos publicadas previamente e que nada têm a ver com a suposta notícia. Essa busca também pode ajudar a identificar montagens.

No caso de notícias sobre virais, como vídeos, fotos e outros, é importante que o veículo tenha conversado com o autor da publicação original. Às vezes, trata-se de conteúdo humorístico ou de montagens que podem ser levadas a sério quando tomadas fora de contexto.

3. O resto do site tampouco parece confiável
Se a notícia continua parecendo suspeita, outras três coisas podem ser comprovadas muito facilmente sem sair do site que a publicou:
O veículo. Obviamente, os veículos de comunicação convencionais também publicam notícias falsas, mas por engano e ocasionalmente, não de forma sistemática e porque seja parte do seu modelo de negócio, como ocorre em outros casos. Agora, é verdade também que, quando um veículo respeitado comete um erro desse tipo, as consequências são piores, porque em geral se confia mais nessa publicação.
Se não conhecemos o veículo, frequentemente basta dar uma olhada na capa para saber se o resto das suas notícias parecem confiáveis, ou se estamos diante de uma publicação satírica ou fanaticamente partidária. Segundo uma reportagem do Buzzfeed, essa última categoria difunde entre 19,1% e 37,7% de notícias falsas, enquanto nos veículos tradicionais analisados o percentual não chegava a 1%.
A URL. Muitas notícias falsas sobre as eleições foram divulgadas por meio de sites que imitavam os endereços de veículos de comunicação, mas que não eram autênticos, como bbc.co em vez de bbc.com. É importante lembrar que na internet é possível encontrar até mesmos sites geradores de notícias falsas usando o nome de empresas de comunicação. Além disso, nas redes sociais, as contas podem ser identificadas: se aparece o selo azul ao lado do nome no Twitter e no Facebook, pelo menos sabemos que se trata da página oficial da publicação.
4. Não foi publicada em outros veículos

Se uma informação que soa relevante só apareceu no WhatsApp e nenhum outro veículo de comunicação, é provável que seja falsa. Obviamente, pode se tratar de uma informação exclusiva, mas, mesmo nesses casos, é provável que outros veículos a repercutam em breve. Por outro lado, não se pode descartar que o boato se reproduza sem que ninguém tenha tomado o cuidado de tentar confirmar sua veracidade.

No caso de informação política, uma boa ideia pode ser buscá-la também em veículos que tenham uma outra linha editorial. A pesquisa A Cara da Democracia no Brasil, divulgada pelo Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação, mostra que a maioria dos brasileiros não desconfia que recebe notícia falsa. Das 2.500 pessoas entrevistadas sobre se tem recebido notícias sobre política, que desconfiam que sejam falsas, 68,3% disse que não.


Eu sou Patricia Pillar, atriz , diretora e produtora. Estou aqui para dizer que estão usando a minha imagem para divulgar notícias falsas, favorecendo um candidato que jamais seria o meu. Confira recado da Patricia no vídeo abaixo!

Mas a distorção não é necessariamente apenas da parte do veículo: muitas vezes, nós acreditamos naquilo em que queremos acreditar. É muito fácil questionar os boatos que contradigam as nossas ideias, mas não vemos nenhum inconveniente em dar como certos aqueles que as reforçam.

5. Lembra alguma coisa
Muitas dessas notícias seguem um esquema que já foi utilizado em outras ocasiões. Lembra da história da Rita Lee e do Bolsonaro? Ela se parece muito com uma história desmentida pelo Boatos.org de que o ator Marcos Frota havia sido namorado do deputado (também conservador) Marco Feliciano, em 2016. Na verdade se tratou de uma piada de Frota com o deputado, que foi compartilhada como se fosse verdade.

Outro candidato que figura na lista do "já ouvi esta história antes" é Ciro Gomes. O presidenciável foi casado com a atriz Patrícia Pillar e frequentemente surgem boatos afirmando que ele a agrediu. Pillar gravou um vídeo desmentindo: "Eu nunca sofri nenhum tipo de violência da parte de ninguém". E em um segundo vídeo afirmou que vai votar em Ciro.

Na verdade, as dúvidas sobre a relação de Patrícia e Ciro vem desde 2002. quando o então candidato à Presidência pelo PPS e disse que função de sua mulher na campanha era "dormir com ele". Ciro vem pedindo desculpas desde então pela frase que considera "o maior erro" de sua vida.
6. Sites de checagem de fatos desmentiram antes

Este conselho aparece no final, mas bem poderia ser a primeira coisa a fazer. No Brasil, há vários sites que checam boatos e mentiras em forma de notícia. Durante as eleições, o principal é o já citado Projeto Comprova, que reúne jornalistas de 24 veículos para checar o que anda circulando nas redes sociais ou no WhatsApp. Mas há outras iniciativas como a Agência Lupa (Revista Piauí), o Aos Fatos e o Truco (Agência Pública), Boatos.org, E-farsas.

Nos EUA, o Snopes é a principal ferramenta na hora de confirmar ou desmentir um boato, pelo menos em língua inglesa. Para mencionar alguns exemplos recentes, a origem do Black Friday não está na venda de escravos e Donald Trump não ganhou no voto popular, apesar do que disseram algumas notícias falsas. Há também alguns casos clássicos, como o das galinhas de quatro coxas da Kentucky Fried Chicken. O site também contém um banco de dados com os veículos que divulgam notícias falsas.

Logicamente, uma notícia pode ser autêntica e também engraçada. Ou pode seguir um esquema que lembre o de outras grandes histórias. Ou pode ser publicada em um veículo do qual não sabemos nada. Por vezes acontece de a realidade acabar imitando as lendas urbanas. Muitas boas atraem a atenção justamente por esses motivos. Mas quando vários desses indicadores aparecem juntos, convém no mínimo desconfiar.