quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Temer faz aceno aos militares às vésperas da sucessão no Exército, por AFONSO BENITES

Presidente nomeia general para pasta da Defesa, o primeiro militar desde a criação do posto

Temer durante reunião do Conselho Militar de Defesa, no dia 22. JOÉDSON ALVES (EFE) 

"Você no passado sempre estava pensando quem era o general. Agora você não sabe o nome de nenhum general, mas sabe o nome de todos os ministros do STF." 
A frase, usada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em conversa com o EL PAÍS no ano passado, parece estar ficando obsoleta. Nunca em quase 30 anos de redemocratização os militares tiveram tanto protagonismo como agora. 
Primeiro, foi a nomeação de um general como interventor federal na área de segurança no Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira, ao efetivar a criação do Ministério Extraordinário de Segurança Pública, o presidente Michel Temer(MDB) fez mais um movimento no tabuleiro político para fortalecer as Forças Armadas, o que deve interferir na iminente sucessão no comando do Exército. Com o deslocamento de Raul Jungmann para a nova pasta, a vaga na Defesa ficou com o general Joaquim Silva e Luna.

É a primeira vez, desde 1999, que um militar assume o Ministério da Defesa. Foi o então presidente FHC (PSDB) quem extinguiu as pastas do Exército, da Aeronáutica e da Marinha e concentrou as três em uma só. Era o simbolismo final para afastar qualquer eco da ditadura militar (1964-1985): o comando político civil das três forças. 
Ao nomear Luna para a função, ainda que interinamente, Temer rompe com essa tradição e prestigia os militares, que com a intervenção federal no Rio de Janeiro assumiram, ainda que não de todo confortáveis e exigindo mudanças legais, a linha de frente do combate à criminalidade organizada.

Se a intervenção federal é lida como uma tentativa do presidente de elevar o seu prestígio junto ao eleitorado mais conservador e lançar sua candidatura para a reeleição neste ano, segundo afirmam aliados e opositores, a aliança de Temer com os militares vem sendo cultivada há mais tempo. 
Desde que assumiu a presidência da República, em maio 2016, Temer, com velhas ligações com a área de segurança - ele foi secretário da área em São Paulo no anos 80, tem buscado essa proximidade. Nos últimos dois anos, o emedebista participou de ao menos dez encontros com comandantes das Forças Armadas. Neste ano, essa aproximação se intensificou. Só nos dois primeiros meses de 2018, foram quatro reuniões oficiais, conforme consta de sua agenda pública divulgada pelo Palácio do Planalto. Na semana passada, pela primeira vez desde a redemocratização, um presidente visitou o Ministério da Defesa.

Toda essa costura acontece às vésperas da mudança de comando no Exército, a força com maior contingente - 215 mil pessoas. No próximo mês, o atual comandante da força terrestre, o general Eduardo Villas Bôas, entrará para a reserva – ou seja, ele se aposentará. Dois de seus possíveis sucessores, no entanto, ocupam cargos chaves para a gestão federal e, possivelmente, não deixarão suas cadeiras vazias. 
O general Sérgio Etchegoyen, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, era um dos favoritos para substituir Villas Bôas. Etchegoyen tem cada vez mais prestígio com o presidente - ultimamente tem sido requisitado quase todos os finais de semana para participar de encontros reservados com Temer - e é da ala que defende o papel ativo dos militares na segurança pública se preciso. O outro cotado é justamente o novo ministro da Defesa, general Luna. Ele já foi chefe do Estado maior do Exército (o número dois da corporação) e, até domingo passado, era o secretário-executivo da pasta que agora comanda.

O próprio general Villas Bôas, ativo no debate da intervenção e dono de uma conta no Twitter com 80.000 seguidores, tem papel relevante em sua sucessão. 
Acometido com uma doença degenerativa que interfere em sua locomoção, o general não ouviu as sugestões para se afastar das funções. Decidiu ficar no cargo até este março, quando quatro de seus potenciais sucessores já terão entrado para a reserva. Villas Bôas quis evitar que militares com visões distintas da dele assumissem a função. Dessa forma, ele impediu que chegassem ao topo da carreira os generais Hamilton Mourão (um defensor da intervenção militar no país), João Camilo Pires de Campos, Juarez Aparecido de Paula e Theophilo Gaspar de Oliveira. Dado esse quadro, ventila-se que o favorito para comandar a tropa é Fernando Azevedo e Silva, ex-autoridade pública olímpica e chefe do Estado-Maior.

O abacaxi da Segurança e o fiel Jungmann
Raul Jungmann foi deslocado para a Segurança Pública porque quase nenhum nome sondado demonstrou interesse no cargo ou algumas das indicações de aliados não agradaram ao Planalto. A presidência cogitou colocar um militar para essa função, mas desistiu porque já há um general em um importante posto de comando de civis, o general Walter Braga Netto, interventor no Rio de Janeiro. Pesou a favor de Jungmann o fato de ele ter bom trânsito entre os governadores dos Estados e o Congresso Nacional, já que é suplente de deputado federal e ocupou uma cadeira no parlamento por dois mandatos consecutivos.

Filiado ao PPS, o novo ministro da Segurança é visto em Brasília como um político fiel e determinado, mas que pode soar errático porque tenta se movimentar conforme os ventos da opinião pública. No ano passado, quando movimentos sociais promoveram uma violenta manifestação em Brasília contra a gestão Temer, Jungmann defendeu que os militares fizessem a segurança do Distrito Federal. Um decreto foi assinado para legalizar sua sugestão. No dia seguinte, após a repercussão negativa, o Governo revogou a ordem o mais rápido possível. Na semana passada, Jungmann primeiro afirmou que a gestão federal apoiava mandados de busca, apreensão e prisão coletiva durante a intervenção no Rio. Diante das queixas generalizadas, no entanto, ensaiou voltar atrás.

Com um histórico de planos de segurança que não saíram do papel nas costas, o desafio de Jungmann, agora em interlocução com os militares que trabalham num plano a toque de caixa para o Rio, é imenso. Nesta terça-feira, o novo ministro será empossado por Temer no cargo. Na quarta, deverá apresentar sua equipe, que contará com ao menos nove assessores e um secretário-executivo.

TORQUATO ENFRAQUECIDO E SEGOVIA NA MIRA DE RAQUEL DODGE
Se, por um lado, o Governo tem fortalecido os militares, por outro, enfraqueceu o Ministério da Justiça. A pasta que hoje está sob a responsabilidade de Torquato Jardim perderá quatro de suas principais secretarias ou diretorias. São elas: a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Secretaria Nacional de Segurança Pública e o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN). A Justiça será a responsável pela articulação das políticas voltadas aos povos indígenas, imigrantes, refugiados e pela secretaria nacional antidrogas.

A decisão de criar a pasta de segurança e enfraquecer a Justiça surge depois de outros reveses envolvendo o ministro Torquato Jardim, um advogado eleitoral e constitucionalista até então sem vínculos políticos claros. No fim do ano passado, Torquato concedeu uma entrevista na qual trouxe à tona a crise de segurança do Rio. Afirmou que policiais e alguns políticos locais teriam ligações com criminosos e aí estaria o cerne da violência local. O ministro agora fragilizado também perdeu uma queda de braço contra parte da Polícia Federal. Ele queria indicar o novo diretor-geral da PF em substituição a Leandro Daiello, mas não conseguiu. 
Por interferência de aliados de Temer, o escolhido como chefe da polícia foi Fernando Segovia, agora na mira do STF e da Procuradoria-Geral da República. Na semana passada, Segovia foi obrigado a se explicar a um ministro do STF sobre suas declarações favoráveis a Temer em um inquérito no qual o presidente é suspeito de beneficiar irregularmente um grupo de empresas. Nesta segunda, foi a vez de a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pedir ao Supremo "ordem judicial" para que o diretor-geral se abstenha de declarações a respeito de inquéritos em curso, sob pena de ser afastado do cargo.

Jungmann tira Fernando Segovia da PF e diz que sociedade financia o crime, por A. B.

Comentario PV-- tantos anos no PODER, cargos não lhe faltaram, este senhor entra em cena, num governo sem a menor credibilidade e, em jogada politiqueira pra arquibancada, descarta um imprestável. Usar o Exercito Nacional como cabo eleitoral, isso sim, é novidade. Mas dessa turma nada surpreende...Ora, como diria o Ivan Lessa, VA FAN CULO! Me engana que eu gosto, digo eu...e a platéia!.
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Novo ministro envia recados em posse. No evento, Temer diz que novas intervenções federais não estão descartadas

Temer e Jungmann durante a posse do novo ministro da Segurança. ERALDO PERES AP

Empossado nesta terça-feira no Ministério Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann começou com uma decisão de vulto - a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, o controverso Fernando Segóvia, após três meses no cargo -, e enviou alguns recados a quem atua na área. Ao assumir o que ele definiu como “maior desafio” de sua vida, ele sinalizou que está encerrando sua carreira político-partidária.

Horas depois da cerimônia, foi conhecido que Segovia será substuído na PF por Rogério Galloro. O novo número 1 da Polícia Federal já foi diretor-executivo da corporação e atualmente era secretário nacional de Segurança Pública. O movimento de Jungmann acontece quando Segovia parecia encurralado. No começo do mês, ele, que chegou ao cargo apoiado por caciques emedebistas, concedeu uma entrevista à agência Reuters e acabou comentando um inquérito envolvendo o presidente Michel Temer. A segunda havia registrado mais um capítulo da novela: a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma "ordem judicial" para que o então diretor-geral se abstivesse de declarações a respeito de inquéritos em curso, sob pena de ser afastado do cargo. Nem foi preciso.

A notícia sobre a PF ofusca, em parte, o dia da segurança pública, alçada a prioridade máxima do Planalto em dia eleitoral. 
No evento, Temer afirmou que não estão descartadas intervenções federais em outros Estados, além da que ocorre desde o dia 16 de fevereiro no Rio. “Nós não vamos ficar apenas no Rio de Janeiro. A Segurança Pública, hoje, é algo solicitado em todo País”. Os outros casos passarão a ser analisados a partir de quinta-feira, quando Jungmann se reunirá com governadores de todo o país para debater o foco de sua pasta.

A escolha de Jungmann para o comando da pasta ocorreu porque o Planalto não encontrou um nome da sociedade civil que o agradasse ou que aceitasse o desafio em um período tão curto, já que o mandato de Temer acaba em dezembro. Antes de assumir o ministério Jungmann foi deputado federal por dois mandados, suplente de deputado desde 2015, e passou por outros dois ministérios, o do Desenvolvimento Agrário (no Governo Fernando Henrique Cardoso) e o da Defesa (na gestão Michel Temer). Ele é filiado ao PPS. Eis os principais trechos das falas do novo ministro:
Consumo de drogas X insegurança
“Muitas vezes, numa ponta, por trás dos delitos, por trás dos problemas na área de segurança, está uma mãe solteira, com filhos, trabalhando solitária, sem tempo para cuidar e educar seus filhos. Que na escola lhe fecham as portas. Que na sociedade lhe fecham as portas. Que os empregos não existem. E se tornam, sim, vulneráveis. Na outra ponta, temos aquele que nada falta. Aqueles que têm recursos. Aqueles que muitas vezes chamamos de classe média. Mas que, pela frouxidão dos costumes, pela ausência de valores, pela ausência de capacidade hoje de entender os limites entre o que é lícito e ilícito passam a consumir drogas”.

“Me impressiona no Rio de Janeiro, onde vejo as pessoas durante o dia clamarem pela segurança, clamarem contra a violência, clamarem contra o crime – e estão corretas – e à noite financiarem esse mesmo crime através do consumo de drogas. Não é possível!”
Distanciamento de Estado e crime organizado
“O Estado e a sociedade não podem se equiparar ao crime organizado, sob pena de a ele se igualar. Temos que combatê-lo dentro da lei e do respeito aos direitos”.

“Estamos devendo e nos devendo um sistema unificado de segurança pública, que até aqui não conseguimos alcançar.”

Home office do crime e globalização
“É dentro do sistema prisional brasileiro que surgiram as grandes quadrilhas que nos aterrorizam. Quadrilhas estas que continuam, de dentro do sistema carcerário, a controlar o crime nas ruas e a apavorar a nossa cidadania. Sistema carcerário esse que, infelizmente, continua a ser em larga medida o home office do crime organizado”.

“O crime se globaliza (...) Já não é possível combater o crime no espaço da federação ou mesmo no espaço nacional.”

“A União precisa ampliar suas responsabilidades e coordenar e promover a integração entre os entes federativos, estados e municípios”
Fim da carreira política
“Ao aceitar esse cargo abro a mão de uma das coisas mais caras  (NBLOG--pro eleitor CARISSIMA!!) da minha vida: a minha carreira política. Encerro a minha carreira política para me dedicar integralmente a essa luta.”

“Uma população vulnerável, uma população encurralada, uma população indefesa é presa fácil da demagogia, do autoritarismo, do desrespeito e a minha geração não pode abrir mão do que fizemos juntos.”

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

ITÁLIA CANCELA CIDADANIA DE MAIS DE MIL BRASILEIROS APÓS ACUSAÇÃO DE FRAUDE, por (AE)

ESQUEMA ENVOLVIA FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS ITALIANOS E CASAL BRASILEIRO
ESQUEMA DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS ITALIANOS DAVA ATESTADOS DE RESIDÊNCIA FALSOS E CONTAVA COM A PARTICIPAÇÃO DE UM CASAL DE BRASILEIROS

Cerca de 1,2 mil brasileiros tiveram sua cidadania italiana cancelada no último dia 9 de fevereiro. Segundo documento publicado pelo município de Ospedaletto Lodigiano, que fica na região da Lombardia, nordeste da Itália, o motivo da medida é a "inexistência das condições estabelecidas" para o reconhecimento das pessoas como cidadãs italianas. Na prática, a cidade acusa os brasileiros de terem fraudado o sistema local.

A prefeitura da cidade divulgou três listas com 1.188 nomes de brasileiros que tiveram suas cidadanias duplas canceladas pelo não-cumprimento da lei que concede cidadania a estrangeiros. Destes, 889 já estavam inscritos no Registro de Residentes Italianos no Exterior (AIRE), 232 ainda não haviam concluído o processo e outros 57 ainda não haviam entregado a documentação necessária.

A anulação ocorreu para processos abertos entre julho de 2015 e julho de 2017. Conforme informado pelo site "Brazilian Times", a investigação foi realizada pela Guardia di Finanza de Lodi e concluiu que dois funcionários do município participavam de um esquema de corrupção que envolvia um casal de brasileiros.

Segundo o documento publicado pelo município de Ospedaletto Lodigiano, a concessão de cidadania aos brasileiros foi realizada porque houve o atestado falso de residência habitual no território da cidade.

O esquema se utilizava da lei italiana que concede cidadania tanto a estrangeiros que são descendentes de italianos como aos que têm residência na Itália. A regra, no entanto, não especifica um período mínimo de residência para que os estrangeiros solicitem a cidadania. (AE)

ODEBRECHT ENTREGOU PROPINA NA CASA DA MÃE DE JAQUES WAGNER, INVESTIGA/DIZ PF, nas folhas

A empreiteira Odebrecht entregou dinheiro na casa da mãe do ex-governador da Bahia Jaques Wagner, no Rio de Janeiro, segundo a delegada de Polícia Federal Luciana Matutino Caires, responsável pela Operação Cartão Vermelho, deflagrada nesta segunda-feira, 26.
O ex-ministro de Dilma Rousseff foi alvo de mandado de busca e apreensão da operação e teve sua residência e seu gabinete na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo do Estado vasculhados. A PF suspeita que Jaques Wagner tenha levado R$ 82 milhões de valores desviados das obras do estádio Arena Fonte Nova.
“A maioria das vezes em espécie, entregues através de um representante da empresa da Odebrecht, o sr Claudio Mello Filho. Através de prepostos, não era o sr Jaques Wagner que recebia de forma direta. A exceção da entrega que foi feita na casa da mãe do sr Jaques Wagner, no Rio de Janeiro”, afirmou a delegada.

WAGNER COM DILMA.

Segundo o superintendente Daniel Justo Madruga, da PF na Bahia, a entrega do dinheiro na casa da mãe do ex-governador ocorreu porque ‘os doleiros aqui em Salvador não teriam capacidade de entregar tal quantia e por isso teria sido feito um pagamento no Rio de Janeiro’.

“Os demais pagamentos foram feitos através desses intermediários e a maior parte através de doações de campanha. Isso conforme as delações e alguns outros elementos de prova que temos nos autos”, afirmou.

Jaques Wagner governou o Estado entre 2007 e 2014. A investigação mira irregularidades na contratação dos serviços de demolição, reconstrução e gestão do estádio da Copa 2014. A Polícia Federal identificou que ‘a licitação que culminou com a Parceria Público Privada nº 02/2010 foi direcionada para beneficiar o consórcio Fonte Nova Participações – FNP, formado pelas empresas Odebrecht e OAS’.

“Em razão das delações da Odebrecht e de material apreendido na OAS, nós verificamos que de fato o então governador recebeu uma boa parte do valor desviado do superfaturamento para pagamento de campanha eleitoral e de propina. Havia dois intermediários, seja pela OAS seja pela Odebrecht que também foram alvo de busca nesta data. Um destes intermediários é o atual secretário da Casal Civil do Governo do Estado da Bahia e outro é o empresário muito próximo do então governador e também foi alvo de busca nesta data”, afirmou a delegada.

COMENTÁRIOS A DIREITA TUDO---
Melhorou muito de vida do ex-sindicalista Jaques Wagner, carioca que chegou na Bahia puxando a cachorrinha até virar diretor de sindicato em Camaçari.
Ao cumprir mandado de busca contra o ex-ministro, a polícia o encontrou no 13º andar do luxuosíssimo edifício "Mansão Victory Tower".
Ali, cada apartamento naquele prédio não sai por menos de R$10 milhões.  Do sindicalista, só resta a barba estilo Lula.

PRECISA TER 'MUITO'
O edifício onde mora o ex-governador e ex-ministro Jaques Wagner fica no mais exclusivo endereço de Salvador: o Corredor da Vitória.

COISA DE MILIONÁRIO
No prédio-mansão de Jaques Wagner cada andar é um apartamento. E o morador chega ao mar utilizando um teleférico.

GEDDEL E MEIO
A PF indiciou Wagner por suspeitas de embolsar R$82 milhões roubados das obras do estádio Fonte Nova. Algo como "mais de um Geddel e meio".

O cidadão a sós, por J.R. Guzzo

Comentário despiciendo---a Lei Moral esta, ha anos, banida pela Lei Legal.
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O recado que dão é o seguinte: se a lei é demente, problema seu. Obedece e cala a boca


Soldado do exército passa por uma criança, durante operação na favela de Barbante no Rio de Janeiro, onde no início da semana traficantes destruíram um posto policial - 30/11/2017 (Leo Correa/AFP)

A intervenção do Exército no Rio de Janeiro, em mais uma tentativa de combater a ocupação armada da cidade pelos criminosos, recebeu a aprovação de 80% da população ─ é o que mostram os primeiros levantamentos feitos logo após a chegada das tropas federais a este pedaço do território brasileiro onde o crime está em guerra aberta contra os cidadãos. Houve, naturalmente, reações preocupadas por parte de muita gente ─ e não apenas da esquerda. (Com aquele seu instinto que nunca falha na hora de ficar contra a opinião da maioria, o PT e sua periferia, automaticamente, se escandalizaram com a intervenção. 
O que fizeram é o que sempre fazem quando se trata de escolher entre a criminalidade, que a seu ver toma parte nas “lutas populares”, e a ordem pública, que consideram coisa de “direita”: ficaram, de olhos fechados, a favor do crime). Junto com a reação habitual dos nossos revolucionários, veio o espanto apreensivo de uma parte do Brasil “civilizado”. 
O apoio maciço à intervenção no Rio, segundo dizem, mostraria uma angustiante e apressada inclinação do brasileiro a acreditar que os militares são “a solução” para tudo ─ crime, corrupção, incompetência e todas as demais taras do Estado e da sociedade no Brasil. Seria uma expectativa ruim, mesmo porque é impossível de ser atendida.

Não dá para medir com exatidão se os brasileiros acreditam mesmo em soluções militares. Mas, com certeza, uma população que há muito tempo não tem o mínimo motivo para levar a sério o governo, é insultada abertamente pelas decisões de um Supremo Tribunal Federal que presta vassalagem a condenados por corrupção e é tratada como débil mental pelo pior conjunto de deputados e senadores hoje presentes sobre a face da Terra, não poderia mesmo pensar como se estivesse vivendo na Inglaterra. 

Que raio se pretende, então, que as pessoas achem? Está cada vez mais difícil para o cidadão, e daqui a pouco pode tornar-se impossível, ficar a sós ─ vendo em silêncio os seus direitos mais básicos serem violados pelos criminosos, com a proteção de leis feitas para atender os interesses de bandidos e seus defensores.

Salvo os próprios criminosos à mão armada, as quadrilhas que roubam o Erário e o resto dos marginais em circulação por aí, ninguém pode permanecer calmo enquanto o sistema Judiciário, a partir de seu degrau mais alto, solta sistematicamente quem deveria estar preso, ou mantém fora da prisão quem foi condenado e deveria estar lá dentro. 
Para a população brasileira, no fim das contas, a situação criada no país é simplesmente incompreensível. “Volta dos militares”, para consertar isso? Todo mundo está no direito de achar que se trata da pior opção, mesmo porque é o tipo da coisa que tem tudo para dar errado. Mas é inútil esconder que todo o mundo também está no direito de achar exatamente o contrário. Na verdade, tem um número cada vez maior de motivos concretos para pensar assim.

O que querem, sinceramente, que o cidadão pense quando vê uma assassina que ajudou a matar o próprio pai a golpes de barra de ferro ser solta, com o apoio enfurecido do Ministério Público, para passar fora da prisão o Dia dos Pais ─ justamente o Dia dos Pais? 
É a lei, dizem advogados, promotores e juízes ─ mas não lhes passa pela cabeça que uma coisa dessas está acima do entendimento de qualquer ser humano deste planeta. O recado que dão é o seguinte: se a lei é demente, problema seu. Obedece e cala a boca. 
Como condenar alguém por sonhar com “os militares”, quando uma promotora de Justiça, que é paga (com todos os “adicionais”) para nos defender dos criminosos diz que “bandido bom é bandido vivo, e com direitos?” Concorde com a promotora, se quiser ─ mas não estranhe que alguém discorde, e um dia passe a achar que “o único jeito é chamar o Exército”. 

Mais: é razoável esperar que alguém concorde, ou entenda, que um homicida tenha o direito de cumprir apenas um sexto da pena a que foi condenado? 
De vinte anos de cadeia, por exemplo, só cumpre três. Faz sentido um negócio desses? Para que serve um Código Penal se ele é anulado pelas leis de “progressão da pena”, regime semi-aberto, prisão domiciliar ou tornozeleiras para ladrão que rouba o Tesouro Nacional?

A população brasileira, na verdade, vem sendo provocada, cada vez mais, pelo crime e por seus protetores. No Rio de Janeiro os policiais continuam sendo assassinados na média de um a cada três dias, e 90% das autoridades acham isso perfeitamente normal. 
Cerca de 40% dos moradores não recebem mais o correio, pois a entrega foi suspensa por causa dos ataques da bandidagem. As seguradoras não aceitam mais fazer seguros para cargas destinadas ao Rio. Se isso não é desafiar as pessoas e abrir a porta para o desespero, o que seria, então? 
Os cidadãos, ainda por cima, são humilhados diariamente pelo apoio público que os seus opressores recebem da elite “civilizada”, da mídia, da Igreja Católica e por aí afora. 
Dizem, estes todos, que o grande problema do Rio de Janeiro não são os crimes praticados contra a população, mas as mortes de criminosos em confrontos com a polícia. (Quando morrem em brigas entre si próprios não há maiores comentários.) Ficam indignados com os “excessos da legitima defesa”, e exigem mais rigor contra quem usa a força para defender sua propriedade e sua vida dos ataques de criminosos.

Que provocação maior se poderia fazer às pessoas do que o estímulo aos bailes “funk” e seu principal derivado, o estupro coletivo de garotas menores de idade? Tornou-se um símbolo de orgulho “do morro”, e de seus admiradores do Leblon, a “tábua do sexo” ─ um banco de maneira onde os homens ficam sentados nos bailes, enquanto meninas de até 12 anos de idade se ajoelham sobre suas coxas para fazer sexo, em público, com o maior numero possível de machos. São chamadas de “preparadas”; as que já têm “dono”, e por isso não participam, são as “cachorras”. Há garotas que ficam grávidas ─ seus bebês são os “filhos da tábua”. A polícia, obviamente, está proibida de entrar. Os formadores de opinião consideram que isso seria um ato de repressão contra o “lazer popular”. Nenhuma feminista, até hoje, abriu o bico para fazer qualquer objeção à prática desses crimes em massa contra a mulher ─ sexo com menores de 14 anos é estupro, haja ou não consentimento da vítima. Os grandes astros do “funk”, que animam os bailes da “tábua” e pregam a favor do crime em suas letras de música, têm circulação triunfal nos programas de variedades da Rede Globo; dão entrevistas à imprensa e são bajulados pelas classes intelectuais. 
A ideia-mãe é a seguinte: tudo isso forma hoje o que seria uma nova manifestação cultural, a chamada “cultura da comunidade”. Ela é sagrada. Não pode sofrer a mínima restrição. Qualquer crítica é “preconceito” da “elite branca”.

O que há de estranho, diante de tudo isso e muito mais, no fato de 80% da população aprovarem a intervenção militar no Rio? O mundo descrito acima não é normal, nem desejável, para a imensa maioria, por mais que a “esquerda” insista em dizer o contrário. Não é normal em nenhuma outra cidade do Brasil. Porque seria aceitável no Rio? A chance de dar certo é zero.

Possibilidade de Lula pedir asilo em uma embaixada é real, por Mauricio Lima

Comentario circunstancial---ditado antigo--diz-me com quem andas.....Com seus atuais conselheiros, tudo e mais alguma coisa, são possibilidades. Umbigos pretensiosos falam alto e o besteirol segue....Nunca encontrou caminho quem não sabe pra onde ir...
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Vai ser um carnaval
O ex-presidente Lula participa de missa de 1 ano da morte da ex-primeira dama Marisa Letícia, em São Bernardo do Campo (SP) - 03/02/2018 (Leonardo Benassatto/Reuters)

A possibilidade de asilo político em uma embaixada, caso seja decretada a prisão de Lula, é concreta.

Na cúpula do PT, a ideia é fazer do seu líder uma espécie de Julian Assange. Ele faria discursos gravados de dentro da representação escolhida e milhares de manifestantes acampariam ali. (??????)

Quem é mais estúpido? Trump ou Bolsonaro?, por Ricardo Noblat

Embusteiros e devotos das armas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, frequenta o café da manhã nacional de oração em Washington - 08/02/2018 (Jonathan Ernst/Reuters)

Receita de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para reduzir o número de massacres de inocentes nas escolas do seu país: armar os professores. Sim, armá-los. “Escolas sem armas são um ímã para assassinatos em massa”, disse ele no twitter, meio que se vale para governar a maior potência do mundo.

Receita de Jair Bolsonaro, deputado federal (PSC-RJ) e aspirante a candidato a presidente da República do Brasil, para reduzir o número de mulheres vítimas de violência doméstica: armá-las. Sim, estimulá-las a comprar armas para se defender dentro de casa de possíveis ataques dos maridos ou companheiros.

Foi o que Bolsonaro prescreveu, ontem, na cidade de Hamamatsu, a 200 quilômetros de Tóquio, capital do Japão. Ali vivem pouco mais de 9 mil brasileiros. É a maior colônia em terras japonesas. Bolsonaro foi recebido na estação de trem da cidade aos gritos de “Mito”. Falou, depois, para 350 pessoas reunidas num restaurante. Pegou o trem e foi embora.

Tosco pela própria natureza, disse assim, a certa altura de sua apresentação: “A mulher vai querer aquela palhaçada da Lei do Feminicídio? Tem que ter uma pistola em casa. O vagabundo quando quer fazer uma maldade para uma mulher já sabe que ele está errado, mas se a mulher tiver uma arma em casa ele não vai fazer besteira.”

Não disse onde as mulheres vítimas de violência, a maioria delas de pouca ou nenhuma renda, vão encontrar dinheiro para comprar armas. Nem indicou um só país onde tal solução tenha dado certo. A Lei do Feminicídio incluiu o assassinato de mulheres só pelo fato de serem mulheres na lista dos crimes hediondos, sujeitos a penas maiores.

Com uma taxa de 4,8 assassinatos em 100 mil mulheres, o Brasil ocupa a quinta posição em um ranking de 83 países com o maior índice de homicídios femininos, segundo dados do Mapa da Violência 2015. Somente em 2013, foram assassinadas 4.762 mulheres, quase 13 por dia. Entre 2003 e 2013, o número de assassinatos cresceu mais de 21%.

Trump não é problema nosso, embora suas loucuras possam nos atingir por tabela. Bolsonaro é problema para todos por aqui que tenham o mínimo de sensatez, discernimento e preocupação com o futuro do país.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Arte de MARIANO

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Mineradora norueguesa tinha 'duto clandestino' para lançar rejeitos em nascentes amazônicas, por Ricardo Senra

Comentário logico--a seguir serão declarados faltosos, culpados e vilipendiados, pelo acionista principal--os dirigentes BRASILEIROS que perpetraram essa maldade......et la nave va.....
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Inspeção flagra alagamento de lama vermelha com alumínio na sede da Hydro Cred | Foto: Instituto Evandro Chagas

Além de um vazamento de restos tóxicos de mineração, que contaminou diversas comunidades de Barcarena, no Pará, a gigante norueguesa Hydro usou uma "tubulação clandestina de lançamento de efluentes não tratados" em um conjunto de nascentes do rio Muripi, aponta um laudo divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde.

Após negar irregularidades, a Hydro admitiu, em nota, a existência do canal encontrado por pesquisadores.

"Durante uma das vistorias, verificou-se a existência de uma tubulação com pequena vazão de água de coloração avermelhada na área da refinaria", afirma a empresa. "Conforme solicitado pelas autoridades, a empresa está fazendo as investigações necessárias para identificar a origem e natureza do material, bem como realizando a imediata vedação desta tubulação."

A multinacional produtora de alumínio, cujo acionista majoritário e controlador é o governo da Noruega, voltou ao noticiário brasileiro após a confirmação do vazamento, no último sábado, de uma barragem que continha soda cáustica e metais tóxicos, após chuvas fortes na região.

No ano passado, em meio a críticas do governo norueguês sobre o desmatamento na Amazônia, a BBC Brasil informou que a empresa devia R$ 17 milhões ao Ibama em multas por contaminação de rios da região em 2009.

"Houve duas constatações. Primeiro, transbordo de efluentes. Os níveis de alumínio nos rios estavam 25 vezes mais altos que os estabelecidos pela legislação. Segundo, o mais grave de tudo, a empresa fez uma tubulação para jogar resíduos diretamente no ambiente", disse à BBC Brasil o pesquisador em saúde pública Marcelo de Oliveira Lima, que assina o laudo oficial.

Segundo o especialista, "a população usa estas águas para recreação, consumo e captura de peixes", o que poderia levar a contaminação também para o solo e o organismo dos moradores. Resultados de testes feitos no cabelo e pele dos vizinhos à barragem devem ser divulgados nas próximas semanas.

Após denúncias feitas por moradores de comunidades próximas sobre o vazamento, a Hydro divulgou a seus clientes uma nota em que classificava o episódio como "boato", afirmando que "não houve vazamentos ou rompimentos" nos depósitos.

Após ser informada sobre o laudo oficial, entretanto, a empresa norueguesa disse, em nota enviada à BBC Brasil, que "tem o compromisso de corrigir qualquer problema que possa ter sido causado pela sua operação".
Moradores se reuniram em audiencia pública nesta sexta-feira para discutir contaminação na região | Foto: Divulgação

"A Hydro Alunorte informa que está providenciando imediatamente o fornecimento de água potável para as comunidades de Vila Nova e Bom Futuro, com apoio da Defesa Civil. A empresa se compromete a colaborar com as comunidades, onde foram coletadas as amostras pelo Instituto Evandro Chagas, para encontrar soluções de acesso permanente à água potável, em conjunto com as partes interessadas", afirma a companhia.

Questionada sobre a tubulação clandestina apontada pelo laudo e sobre a nota em que negava o vazamento, a empresa disse que aguarda receber o laudo oficial para comentá-lo.

Procurado, o governo norueguês afirmou que não conseguiria responder às perguntas enviadas pela reportagem em tempo hábil.

Barcarena x Mariana
Nesta sexta, o Ministério Público Federal e do estado do Pará enviaram à empresa um documento que solicita que uma das bacias da empresa seja imediatamente embargada.

Segundo os órgãos, há risco de rompimento da bacia, o que despertou temor por uma tragédia semelhante à de Mariana (MG), em 2015, quando um mar de lama cobriu municípios e se espalhou pelo rio Doce até chegar ao oceano.

"Uma das bacias sequer tinha licença para operar. Estamos recomendando desde o fornecimento de água, uma vez que o Evandro Chagas constatou que essa água não é própria para o consumo", afirmou a promotora de justiça agrária Eliane Moreira, em entrevista coletiva.
Igarapé do Dendê coberto por lama vermelha as margens de comunidades | Foto: Divulgação

À BBC Brasil, o geógrafo Luiz Jardim, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), disse que as barragens de Mariana e de Barcarena "têm naturezas distintas".

"Enquanto a da Samarco, em Mariana, era para lavagem de minério, a da Hydro, em Barcarena, é industrial, e guarda os resultados tóxicos da transformação da bauxita em alumina. Ela já pressupõe a existência de produtos químicos que fazem parte desta transformação, já que a limpeza dos minérios é feita antes, em Oriximiná."

Para Jardim, que integra o Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, que reúne 110 organizações ligadas ao tema, o risco de inundação em Mariana era maior graças ao relevo mineiro.

"Em Mariana, a barragem é muito mais alta do ponto de vista de relevo, em relação à declividade da Amazônia, onde há uma planície fluvial. Então a força do rompimento, caso ele ocorra, será menor. O que é central no caso de Barcarena é o potencial mais alto de contaminação dos rejeitos", avalia.

'A gente não quer migalha'
Em junho do ano passado, a BBC Brasil revelou que a empresa controlada pelo governo norueguês é alvo de uma série de denúncias do Ministério Público Federal (MPF) do Pará e de quase 2 mil processos judiciais por contaminação de rios e comunidades de Barcarena (PA).

Segundo o Ibama, a empresa não pagou até hoje multas estipuladas em R$ 17 milhões, após outro transbordamento de lama tóxica, em 2009. Ainda de acordo com o instituto, o vazamento na época colocou a população local em risco e gerou "mortandade de peixes e destruição significativa da biodiversidade".

O trauma com o último vazamento trouxe pânico a moradores de comunidades próximas à sede da empresa, localizada em área de difícil acesso na floresta amazônica.
Peritos flagraram enxurrada de lama contaminada escorrendo da sede da empresa norueguesa em Barcarena | Foto: Instituto Evandro Chagas

"Esse não é o primeiro vazamento. O de 2009 impactou demais", diz à reportagem Sandra Amorim, moradora da comunidade quilombola sítio São João, que fica a um quilômetro da bacia da Hydro.

"Primeiro eles negaram. Depois do laudo, dizem que teve vazamento. Eles prometeram agora que vão começar a distribuir água mineral potável e comida. Isso não é suficiente pra gente. A gente não quer migalha. A gente quer essa situação resolvida", afirmou.

A moradora prossegue, dizendo que "tem pessoas com coceiras pelo corpo e gente ficando doente" na comunidade.

Não há confirmação oficial sobre contaminação de moradores da região afetada até que os testes feitos por peritos sejam divulgados. O laudo recém-divulgado pelo Instituto Evandro Chagas aponta que a concentração de elementos como alumínio, chumbo, sódio e nitrato e alumínio nos rios da região extrapolaram os limites estipulados pelo Ministério da Saúde.

O pH registrado nas águas foi 10 - extremamente alcalino, em decorrência do derrame de soda cáustica, usada no processo de beneficiamento da bauxita, matéria-prima do alumínio.

Rastro de poluição
A Ordem dos Advogados do Brasil no Pará (OAB-PA) afirmou, em nota, que vai pedir o afastamento do secretário de Meio Ambiente do Pará, Thales Belo, e intervenção judicial na Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), após a constatação da tubulação clandestina na região.

"Causou indignação especial a constatação pelos pesquisadores do IEC da existência de um dreno 'clandestino', por onde a empresa, com a aquiescência da Semas, drenava rejeitos quando as chuvas se intensificavam", diz o órgão.

Graças a uma rede de abastecimento de água que atende a apenas 40% da população local, os rios e poços artesianos são a principal fonte de água na região da pequena Barcarena - que viu sua população crescer em ritmo três vezes mais rápido que o do resto do país nos últimos 40 anos graças aos empregos gerados por mineradoras que se instalaram na região.
Duto clandestino encontrado por pesquisadores despeja material tóxico em nascentes | Foto: Instituto Evandro Chagas

Formado por dezenas de ilhas e igarapés, o município experimenta crescimento desordenado desde que se tornou um importante exportador de commodities minerais (bauxita, alumínio e caulim), vegetais (soja) e animais (gado vivo).

"O histórico de acidentes ambientais em Barcarena é impressionante, uma média de um por ano", disse à BBC Brasil, em junho passado, o procurador da República Bruno Valente, que assina uma ação civil pública movida em 2016.

"O transbordamento de lama da bacia de rejeitos da Hydro afetou uma série de comunidades em 2009 e até hoje nunca houve uma compensação ou pagamento de multa", afirmou.

Dono de 34,3% das ações da megaprodutora mundial de alumínio, o governo da Noruega ganhou manchetes em todo o mundo no ano passado, após criticar publicamente o aumento do desmatamento na Amazônia.

Despertando constrangimento na primeira visita oficial do presidente Michel Temer à Noruega, o país anunciou, na época, um corte estimado em R$ 200 milhões nos recursos que repassa ao Fundo Amazônia, destinado à preservação ambiental.

O que é a maçonaria e por que ela está rodeada de mistério e polêmica, por BBC

Denúncia de que maçons teriam influência ao redor do Parlamento britânico volta a lançar luz sobre esse grupo, que no Reino Unido tem vindo a público para se defender; integrantes rejeitam acusações de conspiração e destacam papel beneficente da instituição.

Os mistérios envolvendo os maçons voltaram recentemente ao noticiário britânico, desde que o jornal "The Guardian" informou, no início do mês, haver duas lojas maçônicas que operam em segredo no Parlamento do Reino Unido, compostas por políticos ou jornalistas.

Além disso, o presidente do principal sindicato das polícias da Inglaterra e do País de Gales denunciou que os círculos maçons dentro da corporação estariam impedindo reformas voltadas à promoção de minorias, como mulheres e negros.

Essas notícias reabriram o antigo debate sobre a suposta influência das elites dirigentes da maçonaria, que chegou a ter entre seus membros o ex-premiê britânico Winston Churchill. Estima-se que, ao redor do mundo, haja 6 milhões de pessoas ligadas à maçonaria.
Sìmbolo maçônico; estima-se que haja 6 milhões de maçons pelo mundo (Foto: kelly2/Creative Commons)

Ainda que originalmente a maçonaria tenha se constituído como uma sociedade secreta, hoje, ao menos no Reino Unido, tem optado por se defender publicamente das acusações.

A Grande Loja Unida da Inglaterra publicou anúncios publicitários de página inteira em diversos jornais britânicos, pedindo o fim da "discriminação" sofrida por seus membros, os quais se queixam da representação "tergiversada" feita deles.

David Staples, líder dos maçons ingleses e galeses, negou as acusações apresentadas no Guardian e disse que nenhum de seus membros era parlamentar ou político.

"Não somos uma sociedade secreta", afirmou ele à BBC, agregando ser "ridícula" a notícia sobre o veto de policiais maçons a reformas corporativas.
Encontro da Grande Loja na Inglaterra: detalhes do que é dito nas reuniões não são revelados ao público externo (Foto: Divulgação)

Cerimônias secretas
Staples também falou que a maçonaria inglesa levaria a cabo uma série de eventos a portas abertas para responder a perguntas da população sobre a natureza e o funcionamento da organização.
Assim, dizem querer combater o hermetismo tradicionalmente associado a maçons.
Peter, um jovem maçom de Londres, disse ao Guardian: "Meus colegas de trabalho sabem que sou membro de uma loja, e nunca me encontrei com nenhum irmão maçom que se negasse a tornar pública sua filiação ou que escondesse o que fazemos".

Cada loja se reúne oficialmente quatro vezes ao ano, em cerimônias de acolhida a novos membros que podem ter uma hora de duração.

Mas o que ocorre nesses eventos sempre foi um segredo bem guardado.

"A melhor maneira de explicar é que é como se fosse uma peça de teatro, em que todo o mundo tem um papel", disse à BBC um integrante da maçonaria britânica, pedindo anonimato.

"O venerável mestre (um dos mais altos cargos nas lojas) é o ator principal, com a maioria das falas. À medida que você vai às cerimônias, tem de aprender coisas - há perguntas para as quais precisa aprender as respostas."

De um lado, as maçonarias não veem com bons olhos que seus membros discutam política ou religião; de outro, porém, um dos requisitos para entrar para as lojas é, historicamente, a crença em um poder superior.

"(A tradição maçônica) é baseada no Templo de Salomão", diz à BBC Anna, integrante de uma das poucas lojas maçônicas femininas britânicas. "É uma alegoria, levemente baseada na religião."

Dados sobre os maçons:
Estima-se que haja 6 milhões de maçons no mundo;
Eles se reúnem em templos que chamam de lojas (em inglês, lodge, ou alojamento, que é onde antigamente se agrupavam os pedreiros responsáveis pela construção de igrejas ou catedrais);
As lojas são organizadas por região;
Os maçons geralmente usam uma espécie de avental, por conta de seu aparente elo com os antigos pedreiros das catedrais (stonemasons, em inglês);
Entre personagens históricos com elos com a maçonaria estão o político Winston Churchill e os escritores Oscar Wilde, Rudyard Kipling e Arthur Conan Doyle.

Separação por sexo
A maçonaria segrega homens e mulheres em lojas distintas.

Na Inglaterra, por exemplo, a primeira loja feminina foi criada em 1908, com um venerável mestre do sexo masculino. Depois, passou a ser integrada apenas por mulheres, com um veto à presença masculina. Elas também são proibidas nas cerimônias masculinas.

Segundo a maçom Anna, porém, "fazemos os mesmos rituais (que os homens), as mesmas cerimônias, ainda que estejamos completamente separados".

Mas essa separação por gênero é comumente alvo de críticas, inclusive entre os próprios maçons.

O maçom Peter, por exemplo, disse desejar que "a Grande Loja (britânica) se modernize completamente algum dia e permita que ambos os sexos se misturem".
"Seria magnífico para a organização", opina.

Outro maçom que pediu anonimato afirmou que "a maçonaria está impregnada de tradições, e seus rituais são peculiares, mas não mais do que na Igreja Católica".

Lealdade ou nepotismo?
Questionados sobre os motivos que os levaram a ingressar nessa irmandade, os entrevistados citaram a "veia social" das lojas, que contribuem com ações beneficentes comunitárias, e com o sentimento de lealdade e pertencimento fomentado pela maçonaria.
"Gosto de confiar nas pessoas, sou muito leal, então esse tipo de coisa (ser parte da comunidade) me atraiu", disse um deles à BBC. "Ao longo dos anos, você constrói relacionamentos, faz amigos e forma uma rede. (Mas) uso essa expressão com cuidado, porque essa rede não está lá para ser usada em seu benefício pessoal."

De fato, uma das características que se costumam atribuir aos maçons é a de que eles se valem de suas posições sociais e profissionais para favorecer outros membros e a própria organização. Os maçons, porém, afirmam que isso é um "mito".

"Acho que no passado provavelmente houve casos (de nepotismo e favorecimento), mas nunca soube de nenhum entre as maçons", afirmou Anna à BBC.

Além disso, em diferentes momentos da história, a maçonaria foi acusada de conspirar e influenciar nos bastidores da política.
Maçonaria britânica negou ter influência no Parlamento de Westminster (Foto: Stevebidmead/Creative Commons)

Staples, o líder da Grande Loja britânica, afirmou que uma investigação de um comitê especial do Parlamento concluiu não haver "nada sinistro" na atividade da maçonaria do país.

O relatório desse comitê, porém, recomendou que seja exigido que maçons com cargos na polícia e demais órgãos públicos declarem publicamente seu pertencimento à irmandade.

Steve White, que acaba de deixar a presidência do sindicato policial britânico e que denunciou o suposto bloqueio de reformas por parte de maçons, opinou, em entrevista ao Guardian, que "o que as pessoas fazem em sua vida privada é assunto apenas delas. (Mas) se torna um problema quando afeta seu trabalho".

"Houve ocasiões em que colegas meus suspeitaram que maçons foram um obstáculo para reformas. Temos que nos assegurar que as pessoas estão tomando as decisões pelos motivos certos", disse.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Arte de MYRRIA

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A intervenção no Rio e sua face (muito) lucrativa, por ARTUR ARAÚJO–

Mídia já começa a insinuar: Estados devem gastar mais em segurança, esquecer as áreas sociais e, quem sabe, privatizá-las sem delongas…

Sorrisos e interesses: no dia de sua posse, Temer recebe Cláudio Lottemberg, presidente da United Health/Amil. Saúde privada aposta no sucateamento dos hospitais e redes de atendimento públicos

Primeiro se provoca uma gigantesca recessão, com a desculpa de controle da inflação. O resultado é o único possível, a arrecadação tributária despenca e os investimentos e despesas do Estado têm que ser drasticamente reduzidos. Os verdadeiros objetivos – ampliação do desemprego para redução forçada do preço do trabalho humano e colapso proposital do setor público como “prova” de sua ineficácia estrutural – ficam mascarados.

Aí vem o segundo passo, o famigerado “teto de gastos” via emenda à Constituição, que fixa a base dos dispêndios em um patamar calculadamente deprimido. A continuidade de um Estado Nacional sem poderes de investimento e de prestação de serviços decentes está assegurada, independente do cenário econômico. Exige-se de municípios e estados engessamento idêntico.

O terceiro momento é o da repercussão amplificada e por saturação da crise no aparato de segurança pública. Operando a partir do senso comum – “há criminalidade descontrolada porque as polícias não agem com o rigor devido” – o sucateamento do setor, fruto da falta de dinheiro (artificial e propositalmente criada) é soterrado na barragem de comunicação.

A capa do Valor impresso de hoje escancara a quarta etapa: para “resolver” os problemas de segurança pública os estados “terão” que reduzir ainda mais seus investimentos e despesas. Manchetando que “Penúria é principal causa da violência nos Estados”, o jornal rasga o véu e afirma cinicamente que:

“A piora dos resultados fiscais foi a principal causa do aumento da violência no Rio e o problema pode se repetir em outros Estados. Dados de relatórios fiscais mostram que de 2016 para o 2017 o déficit primário agregado dos Estados quintuplicou. Mesmo levando em conta as características específicas da falta de segurança na capital fluminense, o Rio não é considerado por analistas como um caso único, mas somente como a face mais aguda de uma verdadeira penúria fiscal que afeta os Estados de forma geral. O ajuste estrutural é o caminho apontado para evitar a disseminação do descontrole.
(…)
‘Eu não diria que só a crise fiscal gerou o problema de segurança no Rio, mas o desequilíbrio fiscal deteriora a capacidade de planejamento e de investimento. Há impactos na qualidade dos serviços públicos, em particular na saúde, segurança e educação’, diz a economista Ana Carla Abrão, sócia da Oliver Wyman. O problema, ressalta, não é restrito ao governo fluminense. ‘O Rio é somente a face mais aguda da crise do desequilíbrio fiscal dos Estados.’

Para Ana Carla, a única forma de evitar um colapso geral é fazer um ajuste estrutural, especialmente olhando as despesas. Ceará, São Paulo, Espírito Santo e Alagoas, exemplifica Ana Carla, estão entre os Estados que estão aplicando medidas de maior rigor fiscal. ‘Se não corrigirmos o problema estrutural que hoje afeta os Estados brasileiros, vamos assistir a problemas desse tipo no país todo, como já vimos pipocar no Rio Grande do Norte e em Goiás.'”

O que se seguirá na formuleta liberal é mais do que conhecido. A título de “mais investimentos em segurança”, serão ainda mais reduzidos os recursos destinados à educação, à saúde, à habitação, ao saneamento e às obras públicas.

O quinto elemento surgirá “naturalmente”: onde falta Estado, haja mercado, em nova onda de privataria nos investimentos e de oferta de serviços privados “populares”.

Para além da jogada politiqueira, eleitoreira e oportunista da intervenção federal na segurança publica no Rio de Janeiro, que explora demagogicamente o justo sentimento popular de insegurança contínua, o rentismo quer escancarar para o mercado o atendimento das necessidades dos cidadãos, operando a inviabilização artificial da universalidade do Estado de Bem Estar definido pela Constituição de 1988.

A oposição burra perde de novo, por Ricardo Noblat

A faturar com a saída de cena da reforma da Previdência, ela preferiu perder se opondo à intervenção no Rio
Plenário da Câmara dos Deputados durante a votação (Wilson Dias/Agência Brasil)

No dia em que poderia ter celebrado sua única vitória política desde a queda da presidente Dilma Rousseff, a oposição ao governo do presidente Michel Temer preferiu ser derrotada mais uma vez.

À tarde, ontem, o governo finalmente admitiu o que tentava esconder desde o final do ano passado – que não tinha votos, e nem terá, para aprovar a reforma da Previdência Social, a joia da coroa.

À noite, a oposição (PT, PC do B e PSOL, uma vez que o PDT pulou fora a tempo) colheu menos de 80 votos para derrubar na Câmara dos Deputados o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro.

Os argumentos usados para isso foram pífios. Do tipo: o governo de Temer é ilegítimo; um governo dominado por uma quadrilha não conseguirá enfrentar o crime organizado; o Rio não é o único estado violento.

De fato, não é o único. A violência urbana está em toda parte. Mas o Rio é o único estado onde o crime organizado capturou parte do aparelho policial e emprega aliados no governo.

Em qual outra cidade tão populosa como a do Rio registra-se, em média, 10 tiroteios por dia? Em qual mais de 40% dos endereços não recebem entregas postais por falta de segurança?

Seria razoável que, contrária à intervenção, a oposição apontasse o que deveria ser feito emergencialmente para pelo menos inibir a crise de segurança pública do Rio. Não, não apontou. Não tinha nada a propor.

A oposição é vítima da armadilha montada por ela mesma. Para ela, tudo que a prejudica ou a contrarie é golpe, é um atentado à democracia, é contra o povo.

O impeachment de Dilma foi golpe. Logo, a condenação de Lula também. Logo, a intervenção será. Como teria sido golpe a reforma da Previdência. Ela dispensou-se de pensar. Liga o piloto automático e vai em frente.

A intervenção federal no Rio foi um ato de desespero de um governo próximo do fim que já não tinha mais nada de relevante a fazer. Mas está prevista na Constituição. E atende aos anseios dos cariocas.

É um paliativo, nada mais do que isso. Será temporária, como está dito no decreto. Mas se impôs desde que o governador do Rio reconheceu que perdera o controle sobre o aparelho policial do Estado.

Temer deu mais uma rasteira na oposição – menos porque foi esperto, mas porque ela é burra e continua apostando no quanto pior, melhor.

Fachin nega habeas corpus a Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras, nas folhas

Executivo foi preso em julho de 2017, acusado de ter recebido R$ 3 milhões em propina da Odebrecht

Ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine -Agência Brasil

Brasília - O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou pedido de habeas corpus pela defesa de Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil.

A defesa de Bendine pedia a substituição da custódia do executivo por medidas cautelares, como a proibição de manter contato com outros investigados, deixar o território brasileiro e exercer cargos públicos ou de natureza financeira. De acordo com Fachin, a concessão de liminar dá-se apenas em casos de "plausibilidade jurídica e possibilidade de lesão irreparável ou de difícil reparação".

"O deferimento de liminar em habeas corpus constitui medida excepcional por sua própria natureza, que somente se justifica quando a situação demonstrada nos autos representar manifesto constrangimento ilegal, o que, nesta sede de cognição, não se confirmou."

Procurada, a defesa do executivo afirmou que a decisão do relator não "concretiza nada". "Não colocaria como positiva (a decisão), porque não implicou soltura. Mas o despacho não é ruim, porque não fecha as portas sobre decisão de final de soltura", disse o advogado Alberto Zacharias Toron.

O executivo foi preso em julho de 2017 no âmbito da Operação Cobra, 42ª fase da Lava Jato, suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propina da Odebrecht.

ARTES & MANHAS

Arte de LUSCAR

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ARTE DE tacho

Responsabilidade sobre nada, por Elton Simões

Tem até quem jure que o objetivo da intervenção na segurança do Rio é melhorar a vida da população
Antonio Pezão e Michel Temer (Alan Santos/PR/Flickr)

Os últimos dias provaram. Somos viciados em improviso. Fascinados por soluções mágicas. E, sobretudo, incapazes de tomar decisões ancoradas em algum sentido quando estamos sob o impacto de desfiles de carnaval. Mas considerando que jeitinho é orgulho nacional, nada disso surpreende. Ou melhor, tudo isso (e talvez mais) é apenas esperado.

Fica para o distinto publico a tarefa de imaginar a qualidade da análise, a profundidade da discussão, o planejamento da execução, e, principalmente, os objetivos daqueles que decidiram pela intervenção na segurança do Rio de Janeiro. Tem até quem jure que o objetivo é melhorar a vida da população. Confesso tudo isso parece estranho. Ou obscuro, para dar o benefício da dúvida.

Sejam lá como tenha sido o processo decisório e quais as razões, tudo indica que os defeitos de nascença da iniciativa muito provavelmente comprometerão sua eficácia.

A questão principal parece ser estrutural. Eis que um governo com pouco mais de 10 meses de seu fim, resolve que a melhor estratégia de segurança é tomar controle parcial do um estado da federação preservando a maquina de fabricar caos em que se tornou a administração pública do estado.

A premissa para esta ação parece ser a de que, no Rio de Janeiro, tudo o mais funciona bem (!!!) ou pelo menos está sob controle. Acredita-se na ilusão de que o estado atualmente tem governo. Portanto, a segurança pode ser isolada e tratada separadamente, sem que seja necessária a remoção dos governantes nem intervir no restante da máquina.

Contra todas as possibilidades, alguém viu virtudes no atual governo estadual. Devem ter procurado muito. E talvez devessem dividir o achado com a população. Talvez assim desse para entender um pouco melhor.

Sobrou para o exército a tarefa inglória de desfritar o ovo. E com chances escassas de sucesso. Não que seja novidade. O uso do exército ali já não funcionou várias vezes. Embora em todas elas, foi anunciado com estardalhaço e como noticia nova.

Alguém dirá que não havia outra opção. Que esta era a única solução. Ou mesmo que era urgente. Houve e haverá até quem acredite. Jornalistas, inclusive. Nossa incapacidade de resolver mazelas somente é superada pela disposição de aceitar inconsistências.

Superado apenas pela queda pelo jeitinho, a disposição ao auto-engano parece ser o mais importante traço da cultura tropical. Mesmo que tudo tenha ficado ainda mais estranho, mesmo em um país onde o estranho é sempre normal.

Desde a semana passada, as balas que insistem em incomodar o Rio de Janeiro passaram a ser problema da União. E da população, claro. Enquanto isso, os governantes responsáveis pelo caos são poupados. Com toda a autoridade de quem governa o estado. Com toda a incompetência. Mas com responsabilidade sobre nada.

Elton Simões mora no Canadá

Arte de Amarildo

Preso em Curitiba, Palocci enfrenta dificuldades para acordo com procuradores, por ANCELMO GOIS

Comentário presidiário---malandro que sabe muito só canta se "disser"  a opera completa! 
Extratos e partes escolhidas, só na fase de ensaio.....Chama o Francelino!


A frustração de Palocci 
Pessoas próximas a Antonio Palocci, preso em Curitiba desde 2016, estão preocupadas com as dificuldades para um acordo com os procuradores. Achavam que, após atacar Lula, o ex-ministro teria um acordo facilitado, mas tudo o que entrega é considerado “pouco” pelos procuradores.

CENA CARIOCA -- 'Faço qualquer tipo de mudança, menos de... sexo' , por ANCELMO GOIS


Cena carioca 
Veja só o que está escrito na caçamba deste caminhão que trafegava, ontem, pelo Humaitá, o bairro da Zona Sul do Rio: “Faço qualquer tipo de mudança, menos de... sexo”. Caraaaaamba!

Crivella diz que viagem para Europa durante carnaval não foi para 'festa do guardanapo', por Yasmim Restum*

Prefeito afirmou ainda que decisão de sair do país foi um 'imenso sacrifício pessoal'. Ele disse que viagem foi sem ganhar 'hora extra'.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, afirmou nesta segunda-feira (19) que sua viagem à Europa durante o carnaval não foi para uma "festa do guardanapo". De acordo com ele, o compromisso foi a serviço do Rio. A declaração foi dada nesta tarde durante agenda oficial nas obras de contenção na Praia da Macumba, Zona Oeste.
O comentário faz relação ao episódio onde o ex-governador Sérgio Cabral apareceu em um restaurante em Paris com guardanapos na cabeça. O prefeito afirmou ainda que a decisão de sair do país foi um "imenso sacrifício pessoal".

MP investiga prefeito do Rio por problemas no carnaval e viagens

"Fui a serviço do Rio de Janeiro, não era oficial, mas era a serviço do Rio de Janeiro. Fui sem ganhar hora extra, um imenso sacrifício pessoal. Eu não fui para festa do guardanapo. Aliás, naquela ocasião.. deixa pra lá", disse Crivella.

Também nesta segunda, o prefeito afirmou que a ida para a Europa não se tratou de uma viagem oficial, mas sim "dele". A própria Agência Espacial Européia já havia informando que a visita de Crivella era particular.

Mesmo assim, a prefeitura insiste em informar que se tratou de uma viagem oficial, feita com autorização da Câmara dos Vereadores. Só as passagens do prefeito e dos seus quatro acompanhantes custaram R$ 170 mil.

Durante agenda, o prefeito também comentou a cirurgia emergencial de sua mãe em hospital público, no sábado (17), que originou a abertura de uma investigação do Conselho Regional de Medicina (Cremerj) para averiguar se houve privilégios no atendimento de Eris Bezerra Crivella.
Prefeito Marcelo Crivella visita obra na Praia da Macumba, Zona Oeste 
(Foto: Yasmin Restum)

MPRJ abre inquérito para apurar viagens de Crivella
O Ministério Público determinou que seja esclarecido o custo de cada viagem internacional, com encaminhamento de planilha das passagens aéreas e diárias, do prefeito Marcelo Crivella. O inquérito foi aberto nesta segunda-feira (19) para investigar as viagens ao exterior durante o carnaval.

Assim como Crivella, o presidente da RioTur, Marcelo Alves, também será investigado por improbidade administrativa por falhas no planejamento do carnaval. Em um ano, Crivella passa 36 dias em viagens oficiais no exterior.

Desde que assumiu, no início de 2017, Crivella passou 36 dias em viagens oficiais fora do país. A última delas foi durante o carnaval: ele foi para a Europa no domingo (11), dizendo que voltaria na quinta-feira (15). Até a manhã deste sábado (17), no entanto, a chegada dele não havia sido confirmada. Nem o temporal que deixou duas mil pessoas desalojadas mudou os planos do prefeito.

Crivella explica o que levou ao desabamento da Ciclovia Tim Maia

Vistoria em obras da cidade
Na tarde desta segunda-feira (19), Crivella fez uma vistoria nas obras da Ciclovia Tim Maia, Zona Sul, e também nas de contenção da orla da Praia da Macumba, Zona Oeste. Ele afirmou que a cidade deveria comemorar o funcionamento das sirenes da Defesa Civil, o não desabamento nas comunidades e o bom funcionamento da drenagem da cidade.

“Eu tenho equipe que ficou aqui para cuidar das coisas e levei comigo o presidente do Cor, de maneira que o computador, a tela do Cor estava do meu lado. Na quinta de madrugada, nós estávamos sentados lá para verificar no momento que saíamos de [estágio] normal para pré-atenção, para crise. Mesmo lá de fora eu estava acompanhando em vigília constante esses problemas”, disse Crivella.
Durante a vistoria, o prefeito estava acompanhado de Sebastião Bruno, subsecretário de Infraestrutura, Jorge Felippe Neto, secretário de Conservação e Meio Ambiente e Cláudio Dutra, presidente da Rio-Águas.
Sobre a obra de contenção da orla da Praia da Macumba, Crivella garantiu que a reforma vai estar concluída até o início de março. Nesta segunda, o prefeito afirmou que 90% da obra já foi finalizada, mas que o trecho ainda vai ganhar ciclovia e árvores. Ainda segundo o prefeito, o custo se mantém em R$ 14,5 milhões. Desde a inauguração em 2004, o calçadão da Praia da Macumba já afundou pelo menos sete vezes.

Crivella acompanha vistoria em São Conrado, Zona Oeste do Rio
 (Foto: Yasmim Restum)

*Yasmim Restum, Estagiária sob a supervisão de Matheus Rodrigues

Foro privilegiado, aborto, maioridade penal: veja outras PECs que devem ficar travadas com intervenção no Rio-- por Fernanda Calgaro, Danilo Martins e Guilherme Mazui

Comentário realista---ah..vocês pensaram que a intervenção era para ajudar o Povo!? Esqueceram que os nobres assaltantes ou podres incelências, desde sempre, dão e darão no em pingo d`água com os cotovelos.....sempre em causa própria!
Assim, desviar a atenção e suspender tramitações perigosas, faz parte......O eleitor é figurante e PAGA a conta! 
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Além da Reforma da Previdência, tramitação de propostas que debatem foro privilegiado e aborto também deverá ser paralisada na Câmara. Senado já suspendeu o andamento de PECs na Casa.

Além da Reforma da Previdência, outras propostas de emenda à Constituição (PEC), como a do foro privilegiado e a que discute o aborto, podem ter a tramitação paralisada na Câmara do Deputados diante da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

O artigo 60 da Constituição Federal determina que ela não pode sofrer nenhuma modificação enquanto estiver em vigor uma intervenção federal no caso do Rio, até 31 de dezembro de 2018. No entanto, não diz nada sobre a discussão ou votação na Câmara ou no Senado.

O regimento interno da Câmara também não faz observação alguma sobre a apreciação de PEC durante a vigência de uma intervenção, o que abre margem para várias interpretações.

Técnicos da Câmara defendem que a tramitação seja interrompida em todos os estágios, inclusive nas comissões. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já tirou da pauta do plenário da Reforma da Previdência, mas ainda não se manifestou sobre o que deve acontecer com as demais PECs em discussão.

Há deputados, porém, que entendem que o regimento não é específico e que, portanto, as propostas poderiam ser discutidas e votadas, mas não promulgadas, que é a fase final.

“Na minha visão, a gente pode votar aqui na Câmara sem problema nenhum. Tem muita reforma que já foi votada na Câmara e no Senado e não aconteceu nada [não foi promulgada]. Ou seja, não houve a modificação na Constituição”, afirmou o deputado Beto Mansur (PRB-SP).

Na semana passada, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, responsável pela articulação política com o Legislativo, se manifestou favorável à continuação do debate sobre PECs.

“A Constituição não veda a discussão de temas e ela continuará acontecendo”, disse em nota quando o governo assinou o decreto da intervenção.

Nesta segunda-feira (19), Marun confirmou que a tramitação da reforma da Previdência está suspensa no Congresso Nacional.

Ele se reuniu com deputados aliados ao governo para discutir a reforma. Após o encontro, ele disse que o governo não terá como votar a reforma em fevereiro em razão de a tramitação estar suspensa.

Atualmente, há 35 comissões especiais em funcionamento na Câmara para discutir diferentes PECs. Outras 22 comissões aguardam a indicação pelos partidos dos integrantes para a sua instalação. Esse é o caso da PEC do foro privilegiado, que já foi aprovada no Senado, mas travou na Câmara.

Câmara
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira (19) que “com certeza não” fará votação de propostas de emenda à Constituição (PECs) em plenário durante a vigência da intervenção no Rio de Janeiro. O deputado, porém, ainda vai decidir se essas propostas podem tramitar em comissões.

Senado
O Senado, por sua vez, já decidiu suspender todas as matérias que propõem modificar a Constituição. Levantamento no site do Senado aponta que há 536 PECs em diferentes estágios de tramitação, incluindo algumas prontas para o plenário.

Uma delas é a que proíbe o contingenciamento de verbas destinadas a fundos de apoio a projetos nas áreas de segurança pública e de prevenção à violência.

"Enquanto perdurar eu, senador (rabo preso) Eunício Oliveira, presidente do Senado e do Congresso Nacional, não darei tramitação a nenhuma medida de mudança da Constituição", declarou o presidente do Senado nesta segunda.

Veja algumas das PECs em discussão no Congresso:
Reforma da Previdência
Até então considerada a prioridade número um do governo federal em 2018, a reforma da Previdência propõe mudanças nas regras de aposentadoria. Estava pronta para ser discutida e votada no plenário da Câmara. No entanto, o governo acabou desistindo da matéria.

Foro Privilegiado
Proposta defende a restrição do foro privilegiado, que é o direito de autoridades responderem em tribunais superiores ações para crimes comuns, como corrupção e homicídio. Pelo texto, ficariam com foro apenas os presidentes da República, do Senado, da Câmara e do Supremo Tribunal Federal (STF).
A comissão para discutir o tema foi criada em dezembro na Câmara, mas ainda faltava a indicação dos integrantes para ser instalada.

Aborto
Texto que tramita em uma comissão especial da Câmara propõe incluir na Constituição a previsão de que o direito à vida fica garantido "desde a concepção". Críticos à PEC dizem que, na prática, a expressão vai acabar proibindo o aborto, mesmo nas situações hoje permitida, como no caso de estupro. O texto-base do projeto tinha sido aprovado em novembro e faltava terminar de votar destaques (sugestões para alterar o texto).

Verba para a segurança pública
Proposta proíbe o contingenciamento (bloqueio) de recursos orçamentários destinados a fundos de apoio a projetos nas áreas de segurança pública e de prevenção à violência. O texto estava na pauta do plenário desta semana do Senado.

Autonomia da Polícia Federal
Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara estava em análise uma PEC que prevê autonomia para a Polícia Federal. Pelo texto, a PF passará a ter autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de elaborar sua proposta orçamentária. O Ministério Público é contrário à PEC, por considerar que retira o controle externo da PF.

Maioridade penal
A CCJ do Senado tinha expectativa de analisar uma proposta que possibilita que jovens de 16 a 18 anos respondam como adultos pela prática de crimes graves, como homicídio, latrocínio e estupro.

Trabalho Escravo
Proposta, que precisaria ser analisada pela CCJ do Senado, torna crime imprescritível a submissão de pessoas a serviços com condições análogas ao trabalho escravo. Quando um crime prescreve, o autor não pode mais ser processado nem punido pelo delito que cometeu. A proposta quer impedir essa prescrição. Atualmente, o racismo é um crime imprescritível, por exemplo.
No ano passado, a questão do trabalho escravo ganhou destaque após o governo federal, apoiado pela bancada ruralista, publicar uma portaria que dificultava a caracterização do trabalho escravo. Pressionado, o Executivo recuou e publicou nova portaria, com definições mais rigorosas.