domingo, 24 de dezembro de 2017

Arte de LUSCAR

MUITOS 'NOMES INTOCÁVEIS' FISGADOS PELA LAVA JATO CONTINUAM ATRÁS DAS GRADES (AE)

LISTA TEM POLÍTICOS, EMPREITEIROS, DOLEIROS, GESTORES ENTRE OUTROS
PROCURADORES DA FORÇA-TAREFA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Uma cena impensável até outro dia, e para perplexidade geral, marca o País na proximidade das festas de mais uma passagem de ano. Políticos, ex-ministros, empreiteiros, doleiros, gestores públicos, ex-dirigentes da Petrobras, todos fisgados pela Lava Jato, continuam atrás das grades. São quadros históricos de Brasília, nomes até então tido como intocáveis, que caíram na malha fina da grande investigação. Muitos já estão condenados, pegaram penas severas, outros estão prestes a receber o veredicto.

Integram esse rol o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), dois ex-presidentes da Câmara, Eduardo Cunha e Henrique Alves, ambos também peemedebistas, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, ex-diretores e gerentes da estatal petrolífera, como Jorge Zelada e Renato Duque, o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, ex-deputados, como André Vargas (ex-PT/PR), ex-senadores, como Gim Argello (PTB/DF). E por aí vai.

A lista é extensa.
Na sexta, 22, chegou lá Paulo Maluf. Emblemático nome da política, condenado a 7 anos, nove meses e dez dias por lavagem de dinheiro que teria desviado dos cofres públicos quando exerceu o mandato de prefeito de São Paulo, ele está entrando na Papuda, onde já estão o ex-senador Luiz Estevão, quase 30 anos de pena por desvios de dinheiro das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, este o homem do famoso bunker de R$ 51 milhões em dinheiro vivo.

Alguns chegaram lá em 2015, como Vaccari Neto, capturado em abril daquele ano. Ele vai passar o seu terceiro Natal atrás das grades, no Complexo Médico Penal de Pinhais, arredores de Curitiba, base e origem da Lava Jato.

Outros estão recolhidos há menos tempo. Por exemplo, Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras, que chegou em julho, alvo da Fase Cobra da Lava Jato. É o seu primeiro Réveillon lá.

Em setembro de 2016, chegou Antônio Palocci, capturado na Omertà. Um mês depois, passou a fazer companhia ao grupo Eduardo Cunha. Mais um mês adiante, novembro de 2016, foi a vez de Sérgio Cabral, que governou o Rio por oito anos sucessivos e agora já acumula penas de 87 anos de cadeia - a ele impostas pelos juízes federais Sérgio Moro e Marcelo Bretas.

Assim, Cunha e Cabral - o primeiro na cadeia de Curitiba, o outro no Rio - experimentam o segundo Natal confinados.

Henrique Alves, que até ministro foi, é alvo de duas missões de uma só vez, a Operação Manus e a Operação Sépsis, que vieram na esteira da Lava Jato.

Na Custódia da Polícia Federal em São Paulo estão os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS/J&F. Chegaram em setembro, acusados de usar informações privilegiadas de suas próprias delações premiadas para auferir ganhos milionários no mercado financeiro. Ricardo Saud, executivo do grupo, também vai passar o Natal e a virada para 2018 na cadeia, mas no caso dele em Brasília.

Muitos já passaram por lá, mas, graças a decisões judiciais - a maioria pelas mãos do ministro Gilmar Mendes, do Supremo -, conseguiram sair da prisão ou pegaram regime domiciliar. É o caso dos ex-governadores Garotinho e Rosinha, do 'Rei do Ônibus' Jacob Barata Filho, do ex-bilionário Eike Batista, da mulher de Sérgio Cabral, Adriana.

No último dia 19, o empreiteiro Marcelo Odebrecht - depois de quase mil dias recolhido - deixou o Complexo de Pinhais. Preso em 19 de junho de 2015, ele passou dois réveillons atrás das grades. Agora, vai ficar em casa os próximos dois anos e meio, com tornozeleira eletrônica. Faz parte do acordo de delação premiada que fez.

Assim como Palloci e Léo Pinheiro, Odebrecht confessou ter cometido crimes. A maior parte dos outros encarcerados nega. (AE)

Arte de IZANIO

Gilmar manda investigar áudio que o acusa de receber dinheiro para soltar Garotinho, por Fausto Macedo e Luiz Vassallo

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Comentario desairoso indignado---até quando esse sapo sem barba vai seguir tripudiando da inteligencia alheia????Ninguém trava esse pulha, meliante legal e desavergonhado??

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes pediu para que o Corregedor Nacional de Justiça, ministro João Otávio Noronha, e ao diretor-geral da PF, Fernando Segovia, 'tomem providências' para investigar áudio em que é acusado de tomar propinas para soltar o ex-governador do Rio Anthony Garotinho e tirar a tornozeleira de Rosinha Garotinho. 

Em áudio atribuído ao juiz eleitoral Glaucenir Oliveira, da Vara de Campos dos Goytacazes, que mandou prender Anthony Garotinho pela primeira vez, é mencionada 'mala grande' ao ministro Gilmar Mendes, que determinou a soltura do ex-governador.

O autor do áudio, que diz ser 'Glaucenir', afirma ter conversado com o juiz da 100ª Vara de Campos dos Goytacazes a respeito da soltura de Rosinha Garotinho.

"Ele ontem me ligou , trocou uma ideia comigo, com a soltura do Garotinho e decidiu perguntar ao Gilmar Mendes mediante oficio muito respeitoso , por sinal, se podia estender as medidas cautelares diversas da prisão não só ao Garotinho mas também aos outros envolvidos no processo, tendo em vista que um dia anterior ao que o Gilmar soltou o Garotinho, o Dias Toffoli proferiu uma decisão em relação ao outro réu, que é o Fabiano Alonso, e soltou ele também e decretou essas medidas alternativas. E a rosinha, como vocês sabem, já estava com medidas alternativas, prisão domiciliar e com a pulseira da tornozeleira eletrônica. Pois o assessor do ministro Gilmar mendes ligou para o colega hoje, à tarde, e disse que o Gilmar mendes determinou que nenhum dos réus vai ficar com medidas cautelares".

Ele faz acusações ao ministro. "E eu não quero aqui ser leviano, estou vendendo peixe conforme eu comprei, de comentários ouvidos aqui em Campos hoje, de pessoas inclusive do grupo do Bolinha, tá? E o que se fala aqui em Campos eu tenho acesso de pessoas que sabem que entendem porque estão no meio. Então, eu estou vendendo peixe conforme eu comprei, mas o que se cita aqui dentro do próprio grupo dele é que a quantia foi alta".

O autor do áudio, supostamente Glaucenir, diz ter sugerido ao magistrado que peça suspeição. "Eu até falei para ele. Se fizer isso faça numa linguagem técnica mas mostrando por a mais b a razão da sua insatisfação e ´porque você não tem mais trabalhar no processo, porque quem sabe ler, o pingo é letra, né? Vai entender a sujeirada que o Gilmar Mendes está fazendo".

E volta a falar em propinas.
"A gente leva pedrada, tiro, enquanto o grande general desse poder judiciário que é ele agora, parece que é o dono do poder, mela o trabalho sério que a gente faz, com sarcasmo , falta de vergonha, e segundo os comentários que ouvi hoje, comentários sérios de gente lá de dentro, é que a mala foi grande", afirma.

Glaucenir Oliveira, suposto autor do áudio, espalhado em grupos de WhatsApp de juízes e procuradores, foi o magistrado que mandou prender Anthony Garotinho duas vezes. A primeira, no âmbito da Operação Chequinho, que investiga o uso do programa Cheque Cidadão, do município de Campos, para obter apoio eleitoral. Na segunda vez, o magistrado deflagrou a Operação Caixa D'Água, contra supostas propinas de R$ 3 milhões da JBS ao ex-governador do Rio. De acordo com a denúncia, a suposta organização criminosa chefiada por garotinho tinha até mesmo a participação de um segurança usado para ameaçar e extorquir empresários.

A prisão foi revogada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, na última quarta-feira, 20.

COM A PALAVRA, GILMAR
"O ministro Gilmar Mendes solicitou providências ao Corregedor Nacional de Justiça, ministro João Otávio Noronha e instauração de inquérito ao diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, a respeito do áudio que circulou hoje nas redes sociais no qual são feitas graves acusações caluniosas à sua pessoa e às recentes decisões tomadas por ele. Também foram comunicados o presidente e o corregedor do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O ministro Gilmar reitera que suas decisões são pautadas pelo respeito às leis e à Constituição Federal"

COM A PALAVRA, GLAUCENIR
A reportagem está tentando localizar o magistrado desde a manhã deste sábado, 23. O espaço está aberto para manifestação.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Arte de J. Bosco

random image

AUMENTO DE R$ 55 BILHÕES, nas folhas (ABr)

DÍVIDA PÚBLICA AUMENTA 1,6%, ATINGINDO OS R$ 3,49 TRILHÕES
MONTANTE INCLUI ENDIVIDAMENTO INTERNO E EXTERNO DO BRASIL

DÍVIDA PÚBLICA AUMENTA EM R$ 55 BILHÕES EM NOVEMBRO, CHEGANDO A R$ 3,493 TRILHÕES (FOTO: DIDA SAMPAIO)

A Dívida Pública Federal – que inclui o endividamento interno e externo do Brasil – aumentou em R$ 55 bilhões em novembro. O estoque da dívida subiu 1,60%, passando de R$ 3,438 trilhões em outubro para R$ 3,493 trilhões em novembro, informou nesta quarta (20), em Brasília, a Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda.

Esse crescimento da dívida ocorreu por conta da apropriação positiva de juros, no valor de R$ 25,70 bilhões e pela emissão líquida de R$ 29,48 bilhões.

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), que é a parte da dívida pública que pode ser paga em reais, teve o estoque ampliado em 1,83%, passando de R$ 3,311 trilhões para 3,371 trilhões.

O estoque da Dívida Pública Federal Externa (DPFe), captada do mercado internacional, teve redução de 4,46%, encerrando novembro em R$ 121,40 bilhões (US$ 37,22 bilhões). No último boletim, referente a outubro, houve um aumento de 6,88%, o que fez com que a DPFe encerrasse em R$ 127,07 bilhões (US$ 38,78 bilhões).

Endividamento do Tesouro
A variação do endividamento do Tesouro pode ocorrer por meio da oferta de títulos públicos em leilões pela internet (Tesouro Direto) ou pela emissão direta.

Além disso, pode ocorrer assinatura de contratos de empréstimo para o Tesouro, tomado de uma instituição ou de um banco de fomento, destinado a financiar o desenvolvimento de uma determinada região. Já a redução do endividamento se dá, por exemplo, pelo resgate de títulos.

De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), a dívida pública poderá fechar este ano entre R$ 3,45 trilhões e R$ 3,65 trilhões.

Em novembro, os maiores detentores da dívida pública eram os fundos de Previdência (25,37%). O estoque desse grupo passou de R$ 840,17 bilhões para R$ 855,60 bilhões, entre outubro e novembro.

Em seguida, estão as instituições financeiras, com 21,84%, os fundos de investimentos (25,96%), os investidores estrangeiros (12,67%), o governo (4,60%), seguradoras (4,02%) e outros (5,54%). (ABr)

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Arte de Antonio Lucena

Charge (Foto: Antonio Lucena)

Charge (Foto: Antonio Lucena)

Arte de Cazo

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

OPERAÇÃO LAVA JATO --Não à delação do marqueteiro é revés para Lava Jato e alívio para PMDB do Rio, por DANIEL HAIDAR

Proposta de Renato Pereira foi rejeitada pelo STF, mas acabou divulgada de forma inédita. Situação cria imbróglio legal na corte e é mais um golpe nas investigações
O marqueteiro Renato Pereira, ao lado de sua advogada Danyelle Galvão

Narradores talentosos conseguem construir histórias à semelhança de uma boneca russa, como se uma trama escondesse outra sucessivamente. Não à toa a proposta de delação do marqueteiro Renato Pereira parece ter virado uma dessas. As declarações do estrategista que se tornou a cara do sucesso eleitoral do PMDB do Rio parecem saída de dentro da delação da Odebrecht contra os principais políticos fluminenses, só que com novas provas e novos crimes. Tem potencial não só de acabar de vez com os planos do partido que dominou a cena no Estado como, de quebra, já criou um novo e delicado imbróglio legal no Supremo Tribunal Federal para a Operação Lava Jato.

Embora sejam raros os casos de delações recusadas pelo Supremo Tribunal Federal na operação– antes de Pereira, só o ex-deputado Pedro Corrêa teve proposta rejeitada pela corte – a situação do marqueteiro pode abrir um precedente para que novas propostas de delação sejam recusadas em sequência, na visão do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Isso porque, depois do acordo firmado entre Pereira e Janot, o ministro Ricardo Lewandowski rejeitou a homologação da delação porque entendeu que o ex-procurador geral concedeu benefícios penais sem que houvesse previsão legal para isso. Pereira tinha conseguido de Janot o perdão judicial em vários crimes narrados, mesma situação do empresário Joesley Batista. E o Supremo Tribunal Federal já tinha deixado essa possibilidade de benefício em aberto no julgamento em plenário que validou a delação da JBS. 
Mas Lewandowski foi voto derrotado naquela ocasião e agora abriu nova divergência ao analisar o caso do marqueteiro.

A discordância de Lewandowski também trouxe uma situação inédita. Sob o argumento de que já tinham sido publicados na imprensa trechos da delação de Pereira, o magistrado tornou pública a íntegra dos depoimentos, vídeos e documentos do marqueteiro. Se algum delatado não sabia quais riscos corria, a retirada de sigilo da proposta de delação terminou de mostrar quais foram os crimes revelados pelo marqueteiro e facilitou a ocultação de provas pelos criminosos delatados. Pereira ficou sem o bônus do benefício penal, mas arcou com o ônus de ser alcaguete e o Ministério Público avalia que a retirada de sigilo também trouxe risco à segurança da família do marqueteiro.

Com a recusa da delação de Pereira também foram prejudicadas investigações da força tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, de acordo com o procurador Eduardo El Hage. Sem acordo homologado, as revelações podem acabar inutilizadas, porque o Ministério Público Federal tem considerado que não podem ser utilizadas provas e informações obtidas em proposta de delação premiada caso um acordo não seja assinado e homologado. Ou seja, sem homologação, é como se nada existisse a não ser que procuradores descubram as provas por conta própria de outras formas. El Hage criticou a rejeição da homologação, porque a delação do marqueteiro revelaria crimes desconhecidos na área de comunicação do Governo do Rio de Janeiro e da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Em proposta de delação, marqueteiro narra
como recebeu pagamento
dissimulado para ajudar Pezão 
Os depoimentos iniciais do marqueteiro mal tinham começado a desvelar todos os crimes. Pereira ainda não tinha detalhado como funcionou a guerrilha virtual de apoio ao PMDB nas redes sociais, por exemplo, nem o favorecimento de órgãos de imprensa na publicidade do Governo do Rio de Janeiro, assuntos insinuados na proposta de delação. E o marqueteiro tomou o cuidado de falar apenas que cometeu a prática de “caixa dois” na proposta de delação, como o empresário Emilio Odebrecht chamava de “ajuda” aquilo que procuradores consideravam serem pagamentos de propina. Para os procuradores que analisaram a delação de Pereira, não foram delatados apenas pagamentos de "caixa dois". Para investigadores, a delação de Pereira trouxe provas de lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública em contratos dos governos Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão – no governo do Rio – e Eduardo Paes – na Prefeitura do Rio. E Paes, mesmo depois da delação da Odebrecht, ainda é cogitado como candidato ao governo do Rio em 2018 – a delação do marqueteiro pode enterrar esses planos.

Cabral, preso e condenado a 72 anos e quatro meses de prisão, já estava em situação comprometedora mesmo sem as revelações do marqueteiro. 
Mas a delação poderia dar impulso para ações penais contra o ex-prefeito Eduardo Paes e o governador Luiz Fernando Pezão. Não à toa advogados de políticos do PMDB pediram acesso à delação de Pereira logo depois da divulgação da rejeição do acordo por Lewandowski.

No caso do ex-prefeito do Rio, Pereira disse que começou a receber pagamentos em espécie de Paes antes da campanha eleitoral de 2012. Segundo a proposta de delação do marqueteiro, o ex-prefeito “avisou que eu seria procurado por Leandro Azevedo, da Odebrecht, o que de fato ocorreu”. Azevedo já tinha revelado esses pagamentos em acordo de delação premiada. Mas Pereira trouxe provas complementares: e-mails e informações sobre os locais de entrega dos pagamentos. O marqueteiro também revelou os locais em que recebeu pagamentos em espécie de um assessor de Paes, lotado na Prefeitura do Rio, entre agosto e setembro de 2012.
Em proposta de delação, marqueteiro revela  acerto com Paes para receber pagamento dissimulado  e ajudar na campanha de Pedro Paulo 

O marqueteiro também narrou como foram os encontros com Pezão, em seu apartamento, de onde saíram definições para receber pagamentos dissimulados em 2014. Pereira disse que recebeu pelo menos 5 milhões de reais da construtora Andrade Gutierrez, que foram repassados por ordem de Pezão. Segundo o marqueteiro, Pezão tinha combinado esses repasses com o empresário Sérgio Andrade, sócio da Andrade Gutierrez.

Mesmo no auge da Operação Lava Jato, na campanha de 2016, Pereira disse que voltou a receber pagamentos dissimulados. O marqueteiro contou, na proposta de delação, que ganhou cerca de 180 mil reais por mês, em espécie, antes da campanha oficial, pouco depois de uma reunião em março de 2015 com Paes e seu candidato à sucessão, o deputado Pedro Paulo Carvalho Teixeira (PMDB). O dinheiro também foi entregue por funcionários da Prefeitura, de acordo com o marqueteiro. Antes da campanha oficial, Pereira disse que também recebeu um pagamento, combinado com Paes, do empresário Jacob Barata, hoje um dos presos da Operação Lava Jato.

"Diante disso, em maio de 2016, fui chamado à Prefeitura para discutir o pagamento das parcelas referentes aos três últimos meses de pré-campanha, à produção de filmes para o PMDB e a despesas extras. Nessa oportunidade, Eduardo Paes consultou-me sobre a possibilidade de realizar um último pagamento via caixa dois, com o objetivo de sanar todas as despesas pendentes (cerca de dois milhões de reais) com um único empresário, o sr. Jacob Barata, do Grupo Guanabara", afirmou em proposta de delação. "Dias depois, enquanto estava viajando, recebi mensagem de Eduardo Paes via Wickr solicitando que uma pessoa da Prole fosse buscar um milhão de reais em espécie na sede da Guanabara Diesel, na Avenida do Brasil", acrescentou.

O marqueteiro também delatou que recebeu pagamentos dissimulados para ajudar a senadora Marta Suplicy (PMDB) e que foi beneficiado em licitação pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf (PMDB), com quem combinou o resultado. Na Fiesp, Pereira fez a campanha "quem vai pagar o pato?", que colocou um pato de borracha na Avenida Paulista.

Ao falar de todos os pagamentos delatados, o marqueteiro disse que eram oriundos de serviços de campanha, mesmo fora de anos eleitorais. Justificou que fazia serviços eleitorais para Paes e Pezão mesmo antes das campanhas oficiais. Mas, na avaliação de procuradores, a situação é mais complicada do que o simples “caixa dois”, porque houve ocultação da origem desses pagamentos e o marqueteiro disse que participou de fraudes e combinações de resultados de licitações na Prefeitura do Rio e no Governo do Rio, antes e depois das campanhas.

O marqueteiro João Santana também tinha a versão de que só recebeu pagamentos de "caixa dois" e que usou todos esses recursos para saldar dívidas de campanhas, mas acabou condenado por lavagem de dinheiro pelo juiz Sérgio Moro. Para complicar a situação dos políticos, foi nesse processo de Santana que o tesoureiro João Vaccari Neto , do PT, acabou condenado pela primeira vez em segunda instância por intermediar o repasse de dinheiro de um empresário para Santana. Se adotados os mesmos critérios que condenaram Vaccari e Santana, os políticos do PMDB precisam torcer para continuar inútil a delação do marqueteiro.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

As relações perigosas entre Gilmar Mendes e Joesley, por Rodrigo Rangel, Daniel Pereira

Como magistrado, ministro do Supremo é implacável com a JBS e os irmãos Batista. Mas, em privado, a relação entre eles reúne um histórico de favores
Último encontro - Na imagem acima, Joesley (de paletó, sem gravata) chega ao IDP, em Brasília, acompanhado por Gilmar Mendes (no fundo),... (//Reprodução)

O ministro Gilmar Mendes, há quinze anos no Supremo Tribunal Federal (STF), é um homem de posses muito além de seu salário de 33 700 reais. 
Uma de suas principais fontes de renda é o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do qual é sócio junto com seu filho Francisco Schertel Mendes, de 34 anos. O IDP, além de uma fonte de receita, passou a ser uma fonte de dor de cabeça para o ministro, depois que veio a público o caso da JBS e das traficâncias dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Isso porque, nos últimos dois anos, Gilmar e Joesley mantiveram uma parceria comercial e uma convivência amigável, a ponto de se visitarem em Brasília e São Paulo, trocarem favores, compartilharem certezas e incertezas jurídicas e tocarem projetos comuns. 
De 2016 a junho deste ano, a JBS transferiu 2,1 milhões de reais para o IDP em patrocínios que nem sempre foram públicos. Os valores de patrocínios de empresas iam parar, por vezes, na conta pessoal de Gilmar Mendes. 
É o que revela uma das mensagens obtidas por VEJA, que na edição desta semana traz mais detalhes sobre a relação entre o juiz e o empresário.

Em entrevista na reportagem, o ministro Gilmar Mendes disse que Joesley Batista quis conhecê­-lo após um pedido de patrocínio ao seu instituto. 
Ele admite ter encontrado o empresário algumas vezes, mas garante que a relação nunca ultrapassou os limites éticos.

Arte de Myrria

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Charge do Frank

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Arte de BENNET

random image

Diretor da PF confraterniza com réu em festa, nas folhas

© Se o esforço para conquistar o público interno vem dando resultado, da porta para fora a nova direção é vista com desconfiança

O diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, foi convidado especial do ex-senador Clésio Andrade (PMDB-MG) para a cerimônia da 24º edição do prêmio de jornalismo da CNT (Confederação Nacional do Transporte), em Brasília.

Segovia e sua mulher se sentaram para jantar em uma mesa reservada especialmente para Andrade, que renunciou ao mandato de senador em 2014.

Andrade preside a CNT e é réu no processo do chamado mensalão tucano, em Minas Gerais.

Sua renúncia foi interpretada na ocasião como um gesto para levar o processo do STF (Supremo Tribunal Federal) à primeira instância da Justiça.

O diretor-executivo da PF, Sandro Avelar, número 2 do comando da polícia, acompanhou Segovia no evento da CNT.

Após a cerimônia de entrega do prêmio, Avelar e Segovia jantaram com Andrade na mesa principal da cerimônia, próxima à pista de dança.

O jantar foi servido aos presentes à mesa, ao contrário da maioria dos convidados, que teve a opção do buffet distribuído pelos cantos do salão.

A cerimônia ocorreu em um centro de convenções em Brasília.

O diretor-geral da polícia conversou a sós com o ex-senador por alguns minutos e tirou fotos com Andrade.

Depois, acompanhou o show dos cantores sertanejos Leonardo e Eduardo Costa e dançou com a mulher ao som de clássicos como "Não aprendi dizer adeus", "Solidão", "Você vai ver" e "As Andorinhas".

O prêmio da CNT é um dos mais tradicionais do país, e jornalistas dos principais veículos de imprensa, inclusive da Folha, foram convidados para a cerimônia de premiação. Andrade foi vice-governador de Minas na primeira gestão de Aécio Neves (2003-2006).

Ele é acusado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro na denúncia que apontou desvios de R$ 3,5 milhões de estatais em Minas para financiar, em 1998, a campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo, do PSDB.

Andrade, que na época concorreu como vice, nega as acusações.

POLÊMICO
Tendo assumido o cargo com a pecha de estar incumbido de blindar políticos e frear investigações, o novo diretor-geral da Polícia Federal teve de explicar as relações com os que o indicaram.

A escolha de Segovia foi vinculada a uma articulação dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, do ex-presidente José Sarney e do ministro do TCU Augusto Nardes, chancelada pelo presidente Michel Temer.

Procurada, a assessoria da PF disse que o diretor-geral recebeu um "convite institucional" da CNT e que gestões anteriores também foram convidadas para o mesmo evento no passado.