sábado, 30 de setembro de 2017

Aécio, o herói do quadrilhão do Senado, por RUTH DE AQUINO

Já vimos muitos exemplos de corporativismo explícito. Agora a paciência da sociedade acabou
Aécio reza para não ser preso. E o 3%?
O mineiro Aécio Neves deve estar comovido. De castigo em casa, à noite, sem as baladas que o tornaram tão conhecido no Rio de Janeiro, o neto de Tancredo Neves saboreia o motim do Senado contra o Supremo Tribunal Federal. 
Um motim em seu nome. Despido mais uma vez de seu mandato, por receber de Joesley Batista malas de dinheiro vivo, numa soma total de R$ 2 milhões, Aécio reza para não ser preso. 

Além de contar com Michel Temer, “o presidente dos 3% de aprovação popular”, e com os aliados de sempre, entre eles o ministro do STF Gilmar Mendes, que deseja soltar todo mundo na Lava Jato, o “tucano terrible” ganhou a defesa veemente do PT. Uma defesa enviesada.

A nota do PT chama Aécio de “hipócrita” e “falso moralista”. Mas condena a decisão do Supremo de punir o mineirinho. E instiga o Senado a confrontar o STF por “violar a autonomia e a soberania” do Congresso, em “desrespeito à Constituição”. O PT quer salvar o mandato de Aécio, quer o companheiro de volta às tucanagens noturnas, livre, leve e solto. Bonito isso, não? Comovente.

Numa semana em que Antonio Palocci, ex-ideólogo do petismo e um dos ex-amigos mais próximos e leais de Lula, divulga uma carta arrasadora indagando se PT é “partido ou seita” e “até quando vamos fingir acreditar” na honestidade de Lula...Numa semana em que filhos e enteadas do senador Romero Jucá, um dos maiores amigos e conselheiros de Temer, são indiciados por roubar R$ 32 milhões do programa Minha Casa Minha Vida... Numa semana em que se escolhe um deputado tucano pró-governo para relatar a segunda denúncia da Procuradoria-Geral contra Temer, “o presidente dos 3% de aprovação”, o mais impopular desde a ditadura militar...

Numa semana dessas, o Senado decide se insurgir contra o STF para proteger o mandato de Aécio. O Senado, unido, jamais será vencido? Já vimos muitos exemplos de corporativismo explícito. Testemunhamos. Criticamos. Nos revoltamos. Mas agora a paciência da sociedade se esgotou. Os políticos – além de gravados, vigiados e detidos pela Polícia Federal – hoje deparam com a enorme animosidade que despertam no eleitor. Por mordomias, privilégios, incompetência, inapetência para o trabalho e falta de espírito público. Principalmente, por roubos estratosféricos de clãs familiares.

De longe, nos Estados Unidos, Fernando Henrique Cardoso diz em palestra que “o Supremo decide, e é isso”. Não gostou? Recorre. Que Aécio recorra. Que senadores inseguros e investigados recorram. A decisão da Primeira Turma do STF não viola a Constituição. Apenas a interpreta a sua maneira – e por 3 votos a 2, dando espaço ao contraditório.

Aécio Neves talvez seja, ao lado de Sérgio Cabral, um dos que mais destruíram capital político no Brasil. Aquele que já foi uma das maiores promessas nacionais do PSDB, que poderia ter herdado a sabedoria do avô, meteu os pés pelas mãos, meteu as mãos onde não devia, meteu processos contra quem ousava criticá-lo – muitos jornalistas se queixam de intervenções e atos de censura –, meteu a vida particular numa fileira de atos incompatíveis com um homem público. 

E, enfim, quando se julgava imune, foi acusado de mandar o primo pegar as malas de dinheiro de Joesley Batista. No telefonema gravado, não perdeu a chance de zoar, dizendo a Joesley que mandaria matar o emissário antes de ele fazer delação. Aécio alega que “não era dinheiro de corrupção”, era só um empréstimo particular, de amigo empresário para amigo político, para ele poder pagar seus advogados na Lava Jato. Vamos então combinar que Aécio não tinha dinheiro de família ou dele próprio para pagar sua defesa. Dá vontade de reagir como Palocci, na carta aberta, mudando apenas o personagem central. “Até quando vamos fingir acreditar” na honestidade de Aécio Neves?

A sociedade compara, em nível de crueldade, as quadrilhas de políticos corruptos aos bandos do narcotráfico, todos sanguessugas de pobres e carentes. Como se pode usar um mandato para tirar proveito de obras públicas e enriquecer a si próprio e à prole engomadinha e herdeira de votos? Já deu. 

Todo dia vemos cenas dolorosas na TV. Nossa gente sem esgoto, sem água encanada, sem asfalto, sem transporte, sem segurança, sem saúde, sem escolas, sem oportunidade, pagando dívidas no meio do tiroteio da crise, enquanto engravatados indiciados por crimes cochicham nas sessões do Congresso, exalam prosperidade e trabalham só três dias na semana. Por que não acabamos de uma vez por todas com o Fundo Partidário, que financia uma das campanhas eleitorais mais caras do Universo?

Por que o Governo da Catalunha quer ser independente da Espanha?, --nas folhas

Esses são os dados essenciais para se entender um conflito que colocou a Espanha no momento político mais complicado em 40 anos de democracia

Estudantes colam cartazes na Universidade de Barcelona. QUIQUE GARCÍA EFE

A Espanha está vivendo o momento político mais complicado após a queda, em 1975, da ditadura militar que governou o país durante 40 anos. O intento dos nacionalistas catalães de convocar de forma unilateral um referendo de independência declarado ilegal pela Justiça causou um enorme racha com o resto da Espanha e dentro da própria Catalunha. O Governo espanhol enviou uma grande força policial à região, no canto nordeste do país, e prendeu vários dirigentes políticos que comandavam a organização do plebiscito. Apesar disso, as autoridades catalãs insistem na sua desobediência e tentarão realizar o referendo no domingo próximo, dia 1º de outubro. A tensão é muito grande, com protestos diários nas ruas de Barcelona e outras cidades da região, enquanto no resto da Espanha a posição de força do Governo de Madri (Partido Popular, centro-direita) tem um amplo apoio político e social.

A Catalunha nunca foi uma nação independente, mas tem há muito um Governo próprio, conhecido como Generalitat. Ela estava integrada dentro do reino de Aragão, cuja unificação com Castela, em 1492, deu origem ao nascimento da Espanha. Tem uma língua própria, falada pela maioria da população. A Catalunha sempre foi uma das regiões mais ricas do país e uma das primeiras a conseguir o desenvolvimento industrial. Ao longo do século XX, milhares de espanhóis de outras regiões emigraram para lá na procura de empregos. Sua economia soma hoje 19% do PIB da Espanha e seus 7,5 milhões de habitantes representam 12% da população espanhola.

O sentimento nacionalista cresceu na segunda metade do século XIX e consolidou-se no início do século XX. Nos anos 30 a Catalunha conseguiu autonomia política dentro da República espanhola e os nacionalistas governaram a região. Após um golpe militar em 1936 e três anos da Guerra Civil, o general Franco tomou o poder e resistiu nele ao longo de 40 anos. A Catalunha, como o resto do país, viveu sob a repressão. O poder ficou totalmente centralizado em Madri e o uso oficial do idioma catalão foi proibido.

A morte de Franco trouxe a democracia. A nova Constituição deu à Catalunha uma grande autonomia política e reviveu a Generalitat. Desde então o partido majoritário foi quase sempre o nacionalista conservador Convergência e União (CiU) que, ainda que lutava por conseguir mais poder para a região, não defendia posições independentistas e até assinava frequentes acordos políticos em Madri com os grandes partidos espanhóis.

O atual enfrentamento começou em 2010, em um momento no que a Espanha estava vivendo uma profunda crise econômica que afetou com especial virulência a Catalunha. Quatro anos antes, os catalães aprovaram em referendo uma nova lei autônoma (Estatuto) que ampliava os poderes da Generalitat e definia a Catalunha como uma nação dentro da Espanha. O conservador Partido Popular fez uma barulhenta campanha em todo o pais contra a nova lei catalã e apresentou um recurso no Tribunal Constitucional espanhol, o qual cortou consideravelmente o Estatuto e não permitiu o uso da palavra nação. Após a sentença, dezenas de milhares de catalães saíram às ruas para protestar na maior manifestação na democracia em Barcelona. A partir desse momento, a escalada do conflito só aumentou.

Desde então, os independentistas se esforçaram para reunir multidões em manifestações convocadas sempre em 11 de setembro, o Dia da Catalunha. Em 2012, ainda em meio à crise econômica e com muitos protestos contra os cortes nas despesas públicas, o presidente regional, Artur Mas, da CiU, disse publicamente que era hora de ter estrutura própria de Estado. Artur Mas, alvo de fortes críticas por sua política de austeridade econômica, alegou que os catalães já estavam cansados de gastar dinheiro para contribuir com o caixa da Espanha. “Não existe batalha mais urgente do que a soberania fiscal de nosso país... Produzimos recursos e riqueza suficientes para vivermos melhor do que vivemos”, disse. Pela primeira vez, um movimento até então muito minoritário via seus anseios refletidos em um presidente que prometia “plenitude nacional”. E que culpava o Governo de Madri por todos os seus problemas.

Dias depois, Artur Mas levou ao Parlamento uma lei para convocar um referendo de independência, mas fracassou. Logo depois convocou eleições antecipadas. Perdeu 12 cadeiras no Parlamento regional que foram majoritariamente para o partido que sempre defendeu a independência, Esquerda Republicana de Catalunha (ERC). Assim a demanda nacionalista se radicalizou. Em 2013, CiU e ERC combinaram um referendo. A grande maioria dos partidos espanhóis e os catalães não nacionalistas recusaram apoiar esse plebiscito. O seu argumento sempre foi que a Constituição espanhola impede a uma região de votar para se separar da União. Mesmo assim o referendo foi realizado em 9 de novembro de 2014. Como a iniciativa havia sido denunciada diante da Justiça pelo Governo central, com o apoio dos partidos contra a independência, a Generalitat deixou de chamá-lo de referendo e passou a denominá-lo “processo participativo”. Para evitar se expor a uma inabilitação judicial, os governantes catalães deixaram que a consulta fosse organizada por voluntários. A votação ocorreu com urnas de papelão. Os partidos não independentistas boicotaram e pediram que suas bases não participassem. No final votaram 2,3 milhões de pessoas de um censo estimado de 5,4 milhões de catalães. Dentre eles 80,76% foram a favor da independência.

Paralelamente, foram descobertos casos de corrupção que minaram o partido de Artur Mas. A polícia e a Justiça desvendaram que a CiU costumava cobrar 3% de propina em obras públicas. Jordi Pujol, presidente durante duas décadas, padrinho político de Mas e a grande figura do nacionalismo catalão desde a queda da ditadura, teve que reconhecer que escondeu uma fortuna no paraíso fiscal de Andorra, e acabou sendo acusado de lavagem de dinheiro e crime fiscal.

Artur Mas voltou a convocar eleições em 2015 e formou uma grande coligação nacionalista com a ERC, chamada Juntos pelo Sim. O seu objetivo era fazer dessas eleições um plebiscito a favor da independência. Embora os partidários da separação da Espanha não tenham conseguido chegar a 50% dos votos, somaram a maioria de deputados no Parlamento regional, entre o Juntos pelo Sim e uma agremiação nova, a Candidatura de Unidade Popular (CUP). A CUP, anticapitalista e defensora de uma estratégia radical de ruptura com a Espanha, obrigou Artur Mas a abandonar a presidência em troca de seu apoio para poder governar. O dirigente nacionalista foi substituído por outro membro de Convergência mais claramente independentista, Carles Puigdemont.

Apesar dos protestos dos partidos na oposição e das advertências do Governo, advogados, juízes, empresários e instituições europeias, os partidos independentistas aprovaram no dia 7 de setembro deste ano uma lei para convocar um referendo em 1º de outubro. E o fizeram impedindo as emendas da oposição, que, por sua vez, acabou abandonando suas cadeiras no Parlamento.

No mesmo dia, o Tribunal Constitucional espanhol suspendeu em caráter de urgência essa lei. No dia seguinte, os independentistas aprovaram outra lei, chamada de desconexão, que contempla todos os passos para a proclamação da República da Catalunha. Também foi suspensa pelo Tribunal Constitucional.

As pesquisas de opinião mostram que a população catalã está muito dividida, sem uma maioria clara a favor da separação da Espanha. Segundo o último levantamento feito pelo próprio Governo catalão, há dois meses, 49% eram contra a independência, e 41% a favor. Mais uma pesquisa realizada na última semana pela empresa Metroscopia para o EL PAÍS salientou que 61% acham que o referendo convocado para o 1º de outubro não é válido legalmente. Porém 82% desejam que os governos de Madri e Barcelona negociassem um acordo para realizar um plebiscito dentro da legalidade. Para isso, seria preciso a abertura dum processo de diálogo. Mas faz muito tempo que as conversas entre as duas partes foram interrompidas.

Por que eu haveria de ir embora do Brasil?, por JUAN ARIAS

Da liberdade de informação dependerá em boa parte que o Brasil possa ressurgir de suas cinzas

Parte da equipe do El País Brasil, na redação em São Paulo, na última quarta-feira, 27 de setembro.ARQUIVO PESSOAL

Pouco depois de chegar ao Brasil como correspondente deste jornal, em 1999, conheci numa praia da Bahia um outsider, já idoso, que, rodeado de gente, recitava para si mesmo como um mantra: “Eu não vou embora da Bahia. Por que haveria de ir embora da Bahia?”. Levava nas mãos uma quentinha que alguém acabava de lhe dar.

Tinha razão. Por que haveria de ir embora da Bahia, aquele paraíso natural e de proverbial calor humano, onde ninguém lhe incomodava e ainda por cima lhe davam sua comida quente todo dia? Às vezes, algum leitor que não gosta das minhas colunas pergunta nos comentários “por que não volto para a Espanha”. E isso sempre me lembra o homem que se perguntava por que haveria de ir embora da Bahia.

Às vezes me perguntam, desta vez os amigos, se com tudo o que está acontecendo neste país não sinto vontade de voltar para a Europa. Não nego que às vezes a minha mulher, a poeta Roseana, brasileira, e eu, vendo as nuvens negras autoritárias que se adensam sobre este país, ficamos tentados pelos demônios. Mas só por instantes, porque entendemos que o Brasil, com sua multiplicidade de riquezas, não se esgota no triste espetáculo de seus políticos, que, com sua incapacidade, acabam permitindo a onda de violência que golpeia as grandes cidades. Ele é maior e mais rico e mais digno do que eles.

No hotel de São Paulo onde fui alojado pela organização do prêmio de jornalismo Comunique-se, que acabava de ganhar como melhor correspondente estrangeiro, recebi um telefonema, de Madri, do meu colega de jornal, o romancista Antonio Jiménez Barca, que foi diretor da edição brasileira do EL PAÍS e voltou a Madri para trabalhar na redação central. 
Surpreendeu-me quando me disse: “Juan, acredite em mim, se eu pudesse voltaria para o Brasil. Aí os problemas são graves, mas reais, e por isso acabam tendo solução, enquanto aqui os inventamos, e assim vai”. Ele se referia ao drama que a Espanha está vivendo com a pretendida separação da Catalunha.

Foi Jiménez Barca quem, no momento de deixar o Brasil, onde me dizia que muitas coisas lhe incomodavam, acabou me confessando, ao vir se despedir de mim aqui em Saquarema, que este país havia lhe dado algo muito importante: “Ele me ensinou a ser feliz”. Não era pouco. Ele havia se impressionado com o que chamei, ao receber o prêmio, de “outro Brasil”, aquele hoje ofuscado pelos desmandos de seus governantes que acabaram envenenando os ânimos de um povo naturalmente pacífico e conciliador. É o Brasil que outro colega espanhol do jornal, Tom Avendaño, está descobrindo. Um país tão diferente, diz, “da rigidez idiossincrática da Espanha. E tão criativo”. E acrescentou: “E sem terremotos, nem tsunamis, nem terrorismo, nem separatismos”.
Encontrei-me em São Paulo, depois do prêmio, com a jovem redação do jornal, 99% brasileira, que me acolheu com esse calor humano e me confirmou o que eu havia dito de improviso na noite anterior durante a cerimônia do prêmio. Existe esse Brasil, hoje eclipsado por seus problemas políticos, mas que continua presente em seu sangue. Meu desejo, depois de já ter escrito milhares de artigos sobre este país polifacético, mas que nem em meio às crises perde sua vocação de felicidade, é que não descarrile arrastado pelo veneno criado ultimamente pela política, e que acabou ofuscando as peculiaridades do país. É, disse-lhes, referindo-me aos jovens jornalistas, o Brasil sobre o qual quero continuar escrevendo, apesar dos meus já 50 anos neste ofício. Para que ressurja o Brasil que sempre deslumbrou o resto do mundo, confio nesta nova geração de jovens jornalistas e empreendedores, vacinados contra as velhas e estéreis ideologias e com vontade de construir um país mais saudável, mais moderno e menos desgarrado.

Volto hoje a vista para trás, quando minha geração começou a entrar no jornalismo, em plena ditadura militar na Espanha, onde cada linha das nossas crônicas era revisada e profanada pelas mãos de censores incultos do regime, e me dou conta de que os jornalistas brasileiros de hoje, além de imensamente mais bem preparados intelectualmente que nós na época, podem escrever, se quiserem, em liberdade. Meu desejo é que não se deixem seduzir pelos cantos de sereia de nenhum tipo de autoritarismo ou de populismo fácil, ou pior ainda, de servilismo ao poder, que seja. De sua liberdade de informação dependerá em boa parte que possa ressurgir de suas cinzas esse Brasil capaz de ensinar muitas coisas sobre como viver a vida. E de a vivermos juntos, não encetados em inúteis brigas tão pouco brasileiras.

Encerro esta crônica, escrita com o coração, para agradecer a avalanche de felicitações recebidas por meu prêmio. É impossível para mim responder a cada um como eu gostaria. Quero apenas destacar uma mensagem de um dos grandes mestres do jornalismo deste país, Clovis Rossi, da Folha de S.Paulo, a quem me aconselharam a ler quando cheguei ao Brasil, junto com o grande antropólogo Roberto DaMatta. Clovis me escreve, com simpática ironia, que não estava de acordo com terem me dado o prêmio como correspondente “estrangeiro”, já que, segundo ele, poucos jornalistas são “tão brasileiros como você”. Considerei esse o melhor elogio.

Sinto muito por esses poucos leitores que desejariam que eu fosse embora do Brasil. A eles respondo como o outsider da minha história: “Por que eu haveria de ir embora Brasil?”. Aqui encontrei não só sua comida quente, que eu adoro e que aprendi a comer toda junta no mesmo prato, símbolo da riqueza cultural, étnica e religiosa brasileira, mas também um mundo novo por descobrir. Nele continuarei vivendo e mergulhando em suas riquezas. E continuarei a amá-lo, apesar de todos os pesares.
Obrigado a todos.

Lewandowski devolve Abdelmassih ao lar, por Julia Affonso, Fausto Macedo e Beatriz Bulla

Ministro do Supremo Tribunal Federal concede regime domiciliar para médico condenado a 181 anos de prisão por 48 estupros

Roger Abdelmassih. Foto: EVELSON DE FREITAS
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus ao ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos por 48 estupros contra 37 mulheres. A decisão foi tomada nesta sexta-feira, 29.

Roger Abdelmassih, de 73 anos, está custodiado no presídio de Tremembé, no interior de São Paulo. Agora vai cumprir prisão domiciliar.

A pedido do Ministério Público de São Paulo, Abdelmassih teve o direito à prisão domiciliar cassado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em 17 de agosto. 
O ex-médico havia perdido o direito à prisão domiciliar, de acordo com decisão da juíza Sueli Zeraik Armani, da 1ª Vara de Execuções Criminais, de Taubaté (SP), por falta de tornozeleiras eletrônicas no Estado de São Paulo­.

Entre 7 e 15 de agosto, o e-médico esteve internado no Hospital Albert Einstein, na zona oeste de São Paulo, para tratar uma infecção bacteriana no trato urinário. Em 24 de agosto, Abdelmassih foi transferido para Tremembé.

Ao mandar Abdelmassih de novo para casa, Lewandowski considerou que durante o período de prisão domiciliar Abdelmassih não cometeu nenhum ato que quebrasse a confiança depositada nele pelo poder Judiciário. Para o ministro, o ex-médico não pode suportar o ônus por um problema do Estado no fornecimento de equipamentos de monitoramento eletrônico.

O ministro também levou em conta o quadro médico do preso. No habeas corpus ao STF, os advogados de Abdelmassih apontaram que ele encontra-se “extremamente debilitado, inclusive incapaz de deambular sozinho, dependendo da utilização de cadeiras de rodas e do auxílio de terceiros para realizar suas necessidades básicas”.

Lewandowski apontou em sua decisão que assim que o Estado de São Paulo restabelecer contrato para fornecimento de tornozeleiras eletrônicas, Roger Abdelmassih deve ficar sob o monitoramento.

'Se Rogério 157 retornar, Forças Armadas voltarão à Rocinha', diz ministro--nas folhas

Comentário absurdo--este ministro tranquilizou a Rocinha--declarando guerra a UM individuo.....Ha minutos de gloria ridículos!
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Militares deixaram a comunidade nesta sexta-feira. Jungmann ressaltou que é 'utopia' pensar que os crimes sejam zerados

Rio - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que se o chefe do tráfico da favela da Rocinha, na zona sul do Rio, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, voltar à região, as Forças Armadas também retornarão. O ministro afirmou que um dos motivos para a saída das tropas foi a informação de que Rogério deixara a favela.'Se Rogério 157 retornar, Forças Armadas voltarão à Rocinha', diz ministro--foto Severino Silva 

"Soubemos que ele não estava mais na Rocinha, então não fazia mais sentido manter aquele efetivo lá, paralisado. Além disso, temos várias outras operações programadas, em outras comunidades, que também reclamam a presença das Forças Armadas", disse Jungmann nesta sexta-feira, 29. "Mas se ele voltar nós voltaremos, estamos organizados para retornar em duas horas, caso sejamos acionados de novo", afirmou.

Questionado sobre os relatos de violência que já foram registrados na Rocinha desde a noite de quinta-feira, quando foi anunciada a retirada - na manhã desta sexta houve um homem foi preso por esfaquear outro na comunidade -, Jungmann disse que "é utopia" pensar que os crimes sejam zerados.

"A Rocinha tem 70 mil habitantes e muitos homicídios, imaginar que nós vamos conseguir chegar ao delito zero é evidentemente uma utopia. Essa questão é policial e deve ser resolvida no âmbito das polícias", disse.

O ministro também criticou a proposta da Defensoria Pública da União que defende o retorno de todos os detentos que estão há dois anos ou mais no sistema penitenciário federal aos seus Estados de origem. "Isso é dar um mãozinha ao crime organizado. Espero que isso seja barrado. Isso não é a favor dos direitos humanos, é a favor dos criminosos que matam", disse.

Reportagem do jornal "O Globo" desta sexta-feira afirma que a Defensoria Pública da União pediu que todos os detentos de presídios federais sejam enviados de volta a seus Estados. A ação, protocolada no Supremo Tribunal Federal, poderia levar de volta ao Rio 55 chefes do tráfico, como Fernandinho Beira-Mar e Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem (ex-comandante do tráfico na Rocinha).

Coronéis da Aeronáutica são condenados por desviar quase R$ 2 milhões, nas folhas

Condenados em segunda instância, militares lideravam esquema que fraudou aquisição de material de informática para quartel

Rio - O Superior Tribunal Militar (STM) condenou, nesta quinta-feira, dois coronéis da Aeronáutica e outras duas pessoas por esquema de licitação fraudulento que desviou quase R$ 2 milhões de quartel no Rio. 
O esquema promovido pelos militares funcionava na Diretoria de Engenharia da Aeronáutica (DIRENG), sediada na Ilha do Governador, Zona Norte. Além dos militares, um empresário e um vendedor de uma loja de informática foram presos.
Sede da Diretoria de Engenharia da Aeronáutica (DIRENG, na Ilha do Governador Google Streetview
Segundo o Ministério Público Militar (MPM), os réus militares montaram o esquema em que forjaram um processo licitatório para aquisição de materiais de informática e pagaram, sem o poder público receber qualquer material, R$ 1.974.067,00 aos donos da empresa. Para dar credibilidade a documentos, os superiores pediram que militares subordinados, principalmente sargentos, assinassem termos de recebimento de material de forma fictícia.

Defesa
Em juízo, a defesa de um dos réus informou que, em 2006 e 2007, a Diretoria de Engenharia da Aeronáutica tinha previsão de receber verbas da ordem de R$ 82 milhões de reais. Mas, por conta de restrições orçamentárias do governo federal, apenas R$ 81 mil foram repassados ao quartel, valores que deveriam ser gastos com material de informática, a exemplo de aquisições de impressoras e material de expediente. Sem dinheiro para custear as despesas, segundo a defesa, os materiais eram solicitados antecipadamente à empresa de informática, apenas na base da confiança — o popular fiado – e “vales” (promissórias) eram assinados, como garantias de crédito a receber.

Ainda de acordo com a defesa de um dos coronéis, a licitação foi feita para “regularizar” as práticas administrativas e a regularidade contábil. O vendedor alegou em juízo que o material comprado não tinha sido todo entregue ao mesmo tempo e que, de acordo com a necessidade, emitia um documento, uma autorização de fornecimento.

Disse ainda que o quartel mandava buscar o produto na empresa, informando que o empenho estava em processamento: “(...) era como se estivesse antecipando o material, acreditando que posteriormente seria empenhado, já que possuía a ferramenta para isso, ou seja, a ata de registro de preço (...) o procedimento de adiantar o material foi feito somente com a DIRENG, porque ele era possuidor de uma garantia, que era a autorização, de que iria receber o valor correspondente (...) as ordens de compras funcionavam como uma promissória, que eram devolvidas após o Empenho no valor”, afirmou o vendedor, em juízo.

Um dos coronéis da FAB acusados na ação penal disse, também em depoimento, que a Comissão Interna para o recebimento do material foi estabelecida pelo escalão superior da Aeronáutica e que os membros dessa mesma Comissão assinaram o termo de recebimento sem conferir. “Era para um acerto contábil, haja vista materiais que vinham sendo entregues nos exercícios de 2006 e 2007”.

O oficial disse também que o tenente e sargento assinaram o termo de recebimento na sala dele, e o terceiro membro da Comissão assinou o termo de recebimento na sala do chefe de gabinete.

Segunda instância
Nesta quinta-feira, o ministro relator, Cleonilson Nicácio Silva, mudou o entendimento da primeira instância e condenou os dois coronéis e os dois civis acusados, dentre eles os empresários, na ação penal militar por estelionato, previsto no artigo 251 do Código Penal Militar.

Para o ministro relator, embora os réus tenham negado o crime investigado, confirmaram em seus depoimentos colhidos em juízo que os materiais de informática não foram entregues na Unidade Militar na data consignada no Termo de Recebimento Definitivo de Material.

Raquel Dodge (Brasília), Fernanda Torres (NY): arte e desastre da entrevista, por Vitor Hugo Soares

Raquel Dodge (em Brasília) e Fernanda Torres (em New York) mostram exemplos opostos de como uma entrevista pode ser arte ou (quase) desastre

Raquel Dodge: evasivas na
primeira entrevista à frente da PGR…

…Fernanda Torres: verdadeira na entrevista do Manhattan Connection.

A nova procuradora geral da República, Raquel Dodge, cada dia mais trancada, reticente e enigmática (ao olhar e percepção deste rodado jornalista) e a atriz e escritora Fernanda Torres (cada vez mais brilhante, carismática, bem humorada e espontânea por natureza ao bater na porta dos 50 anos de profissão), estiveram esta semana sob o crivo de perguntas e o foco direto dos holofotes, em entrevistas merecedoras de atenção e análise (de forma e conteúdo).

No caso de Dodge, pelo que pode representar de desapontamento e desperdício, uma coletiva cercada de tantas expectativas de informações e esclarecimentos, nos territórios complicados da justiça, da política, do governo e da imprensa no País na quadra atual. No caso de Fernanda, pela arte, interesse e relevância que pode representar uma boa e bem conduzida sessão de perguntas e respostas e de sua insubstituível importância para a comunicação em geral e para o jornalismo em particular. Acompanhei as duas entrevistas à distância, em Salvador, através do canal privado Globo News.

Em New York (onde já morou, estudou e trabalhou), para o lançamento de seu livro “Fim”, e festejando meio século de marcante carreira, a atriz e escritora foi a entrevistada, na quase madrugada de domingo, do programa Manhattan Connection. Revista semanal de TV ancorada pelo jornalista Lucas Mendes, nascido nas montanhas de Minas Gerais, mas à vontade, como sempre, no estúdio de onde comanda as suas “manratazanas” ( a expressão é do próprio Lucas) na cidade da maçã: Caio Blinder, Ricardo Amorim, Diogo Mainardi e Pedro Andrade.

A harvardiana Raquel Dodge, cercada de máximos elogios acadêmicos, técnico – jurídicos e oficiais, no dia seguinte, em Brasília, sob intensa carga de tensão e bombardeio de notícias, decide dar a sua primeira entrevista coletiva à jornalistas de uma imprensa ávida não só de novas informações mas, principalmente, de definição de posturas e esclarecimentos diretos da nova comandante da PGR, um pilar fundamental deste tempo de Lava Jato e de investigações de corruptos, corruptores, propineiros e atrapalhadores de investigação. Tremores e temores que começam nos palácios do atual mandatário, Michel Temer (PMDB), praticamente no fundo do poço, de descrédito da sociedade, como demonstram cabalmente os minguados 3% de aprovação da mais recente pesquisa de opinião, divulgada nesta quinta-feira pelo Ibope.

A nova comandante da PGR estava “em casa”, mas eram evidentes os sinais de que não se sentia à vontade. Parecia incomodada e fora do tom desde a leitura de morosa e inapetente (do ponto de vista jornalístico) apresentação feita por escrito. Seus entrevistadores – quase todos habituados a farta lavoura de bambu e produção de flecha – pareciam cheios de dedos e ainda mais incomodados que a entrevistada.

Aqui faço um interlúdio (obrigado Henri Miller), para uma rápida consulta ao “Dicionário de Jornalismo”, de Juarez Bahia (ex – editor nacional do Jornal do Brasil, mestre de teoria e prática de jornalismo, seis prêmios Esso de Reportagem), essencial para continuidade das informações e análise deste artigo, sobre os desempenhos de Fernanda Torres e de Raquel Dodge, no Manhattan e na coletiva em Brasília, respectivamente. Meu saudoso ex-editor destaca a essencialidade da entrevista, ao assinalar que os padrões do noticiário a valorizam e privilegiam, como essencial na comunicação de massa, pelo fenômeno psicoafetivo que esta prática envolve. Alerta, ao mesmo tempo, para os maiores riscos da entrevista – a dissimulação e a fabulação- seja em que contexto for.

A experiência demonstra –segundo está no dicionário de Bahia – quanto mais amplo e aberto o campo da entrevista, menores são os riscos que a cercam. A pergunta “fechada” (este foi bem o caso do encontro com Dodge, do começo ao fim), sugere resposta insatisfatória, dispersiva e incompleta. A entrevista de pergunta “aberta” (o caso de Fernanda Torres no programa da TV), provoca resposta espontânea, comparativa, documental. Histórica, muitas vezes.

Na primeira entrevista de Dodge à frente da crucial PGR, para o bem ou para o mal, as perguntas, em geral, foram tímidas, macias e, em alguns casos, excessivamente bem comportadas. As respostas foram quase todas evasivas, insossas, burocráticas, com o mesmo odor de naftalina e a irrelevância das falas do atual ocupante do Palácio do Jaburu. No fim, aquela incômoda sensação de que praticamente nada de novo ou relevante restou da conversa para a abertura da notícia, com a revelação ou o registro do mais importante da entrevista). Por aparente falta de assunto, ficou praticamente unânime (ou fabulado?), que o principal foi a procuradora-geral ter dito que a rescisão de acordo de delação premiada não invalida as provas obtidas no acordo. Mais gosto de coisa requentada, impossível. Ou não? Ficou a esperança, que tantas vezes experimentei em situações do tipo, em minha longa passagem pelo JB e outras redações: “vamos ver se melhora da próxima vez”.

Na entrevista de Fernanda Torres, no Manhattan Connection, o que se viu e ouviu foi praticamente o oposto, desde as irreverentes e espontâneas perguntas do âncora do programa, e as respostas à altura da ágil e sempre bem humorada entrevistada. Mesmo quando precisou responder questões pessoais, políticas e profissionais delicadas. A exemplo de responder sobre os seus piores momentos em 50 anos de vida artística no teatro, no cinema e na televisão. De falar do desastre que abala o Rio de Janeiro, sua cidade amada, e do triste e deprimente quadro político e moral, que as vezes lhe dá vontade de deixar seu país, “mas que logo passa”.

Do mesmo jeito respondeu sobre o seu amor por Portugal e admiração pelo modo dos portugueses superarem suas crises – pessoais, econômicas, políticas e governamentais. E sua notável forma espontânea e desencucada de narrar historias e situações. A exemplo de quando morou em Lisboa e dos contatos com a gente da terra na fase em que esteve à frente do elenco da peça “A Casa dos Budas Ditosos”, baseada no livro de João Ubaldo Ribeiro, e precisava repetir, em cena todas as noites, a frase do escritor baiano: “toda portuguesa gosta de dar o c…”.
Formidável e de matar de rir, inclusive diante da reação de seus entrevistadores, a começar por Lucas Mendes. Nesta entrevista, o gosto e desejo que ficaram foi o de “quero mais”. Uma entrevista para não esquecer. Bravo, entrevistada e entrevistadores.

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)
QUADRILHÃO UNIDO JAMAIS SERA.......

Palavras radioativas de Palocci, por Murillo de Aragão


Lula & Palocci (2013)
A carta do ex-ministro Antonio Palocci à direção do PT foi uma bomba de nêutrons que implodiu o PT. Mas, como os jornais, partidos também demoram a morrer. A velha Arena sobrevive até hoje no conhecido PP. O PT vai sobreviver, ainda que muito ferido. Desmoralizado e merecedor daquela sensação triste de vergonha alheia.

Não há dúvida nas afirmações de Palocci. Quase todas foram comprovadas por movimentações financeiras. Palocci, como ele próprio admite, era um dos operadores mais íntimos das entranhas da legenda. Sabia de tudo. Mas, como se sabe, ele terá que provar pelo menos minimamente tudo o que afirmou sobre Lula. As acusações devem ser acompanhadas de um corpo de provas robustas. Não deverá ter muitas dificuldades.

Lembro que o falecido deputado Ulysses Guimarães, nos tempos da Constituinte, ficou espantado ao ver uma foto de Lula em uma piscina em uma casa no Lago Sul em Brasília. Estranhou o fato de o líder operário estar gozando das delícias da burguesia que tanto atacava. Resmungou que Lula gostava de viver de obséquios.

Palocci acusa o ex-presidente Lula justamente de viver de obséquios e de colocar a conta em dona Marisa. A reação do PT é patética. Parece a negação da realidade dos discípulos de Jim Jones, aquele líder religioso que levou centenas ao suicídio coletivo na Guiana, em 1978.

Lula, o líder que transformou o PT em seita, age como Jim Jones, ao se negar a fazer autocrítica séria de sua conduta e de seu partido. Palocci, como seu ex-colaborador mais íntimo, sabe disso e está avisando que os tempos são outros.

A reação do PT é estonteante e lunática. Não poderia ser diferente para uma seita que pensa que é partido, tal qual uma borboleta que nunca deixou de se considerar lagarta.

Para outros, com mais sangue-frio, a negação é estratégica, já que, instrumentalmente, a maioria do PT entende que os fins justificam os meios e que Palocci é um rato traidor que merece ser abandonado.

No final das contas, a radioatividade das palavras do Palocci vai continuar a corroer o partido. Não seria melhor fazer uma grande autocrítica, propor um inédito acordo de leniência e dar o primeiro passo que deveria ser seguido por outros partidos igualmente comprometidos com os escândalos denunciados pela Lava Jato? Existirá grandeza e inteligência para tanto?

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Joesley: ‘Se tem batom na cueca, faz a p… da delação’, por Laryssa Borges, Marcela Mattos

Em áudios recuperados pela PF, empresário também analisa como a classe política aderiu à delação e comenta efeitos colaterais de leis contra corrupção
O empresário Joesley Batista, da JBS: o delator-conselheiro (Adriano Machado/Reuters)

No segundo áudio recuperado pela Polícia Federal, obtido por VEJA, o empresário-delator Joesley Batista conversa com um interlocutor chamado “Gabriel”, supostamente o deputado federal Gabriel Guimarães (PT-MG), e relata os fatores que um criminoso deve sopesar para decidir fechar um acordo de delação premiada. 
Ao interlocutor, Joesley diz ter aconselhado um amigo enrolado com práticas ilícitas e expõe seu raciocínio: “Ô, meu, é a coisa mais simples do mundo, porque se você tem problema e o problema é, como se diz, batom na cueca, ô, meu, corre lá e faz a porra dessa delação”. 
Os explosivos áudios de Joesley Batista foram peça-chave para embasar a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra o presidente Michel Temer (PMDB), mas a sonegação de outras conversas gravadas também levaram o então procurador-geral Rodrigo Janot a pedir a rescisão do acordo de delação do executivo e do diretor de Relações Institucionais da JBS Ricardo Saud. 
Hoje os dois estão presos por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao longo de 38 minutos de conversa, Joesley Batista e seu interlocutor avaliam o que consideram como estragos da lei das organizações criminosas, segundo eles pensada para combater facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), e não atuações ilícitas praticadas por políticos, e analisam como parte da classe política, assolada por denúncias de corrupção, passou a aderir à delação premiada. Na conversa, Joesley também detalha como montou uma espécie de estratégia de sobrevida, corrompendo o procurador Ângelo Goulart Villela, e relata como detalhava ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL) as tratativas que mantinha com o Ministério Público sobre o acordo de leniência do grupo J&F.

Arte de Paixão

random image

Escolha de tucano para relatar denúncia causa 'surpresa' e mal-estar no PSDB, por Alessandra Modzeleski e Fernanda Calgaro

Comentário consternação--surpresos ficariam os eleitores se, contrariando a "mineirice" o dito cujo PROFISSIONAL em mamatas varias (maluf que o diga) não aceita-se. Sacrifício tem preço...e quanto maior, mais rentável. Ha muito concluiu-se que os "legisladores de araque" são, em ENORME maioria PROFISSIONAIS passiveis do Art. 171 do Código Penal. Abrigados pelo Foro Privilegiado, tudo podem e não se privam, em conjunto, de enviar "bananas" ao distinto publico eleitor e pagante, sempre postergando as Varas da Lei.
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Bonifácio de Andrada será o responsável por elaborar parecer a favor ou contra prosseguimento da acusação contra Temer. Líder pediu para que nenhum deputado tucano assumisse relatoria.

O deputado  profissional Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) (Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados/Arquivo)
A escolha (??!!) do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) para ser o relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da denúncia contra o presidente Michel Temer causou mal-estar e “surpresa” em parte da bancada tucana.

Temer é acusado de integrar uma organização criminosa e de obstrução à Justiça. Também são alvo da denúncia por organização criminosa os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

Com o agravamento da crise política e as acusações de corrupção envolvendo integrantes do Palácio do Planalto, uma ala do PSDB tem defendido o desembarque imediato do governo.

Atualmente, o PSDB detém o comando de quatro ministérios (Cidades, Relações Exteriores, Direitos Humanos e Secretaria de Governo).

Para não acirrar o racha na bancada, o líder do partido na Câmara, deputado Ricardo Trípoli (SP), havia feito um apelo para que a relatoria não fosse entregue a um tucano.

Isso porque caberá ao relator elaborar um parecer favorável ou contra o prosseguimento da denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) e, independentemente da posição que ele tomar, haverá desgaste: interno ou com o governo.


Desde o anúncio do nome do relator, o G1 tenta entrar em contato com Andrada, mas até a última atualização desta reportagem não havia conseguido.

Na análise da primeira denúncia contra Temer, desta vez por corrupção, um deputado do PSDB, Paulo Abi-Ackel (MG), foi o autor do parecer na CCJ para barrar a denúncia, gerando desconforto na ala pró-desembarque.

Surpresa
A indicação de Andrada foi recebida com “surpresa” pela bancada. Parlamentares afirmam que ele não consultou o partido antes de aceitar a função e que a decisão foi, portanto, pessoal.

"Todo mundo ficou surpreso, porque eu mesmo falei com o presidente da CCJ para não indicar ninguém do PSDB e ele tinha se comprometido a não indicar. Estamos conversando para tentar entender, estamos assimilando ainda. Ele aceitou sem fazer consulta ao partido", afirmou Betinho Gomes (PSDB-PE), vice-líder da legenda e coordenador tucano na comissão, onde é titular.

Segundo ele, o líder na Câmara vai discutir essa questão com a bancada na semana que vem.

A escolha causou surpresa até mesmo entre governistas. “Estou surpreso, tinham me falado ontem à noite que seria o Evandro Gussi (PV-SP), mas, provavelmente, ele não aceitou. [A decisão de aceitar] É uma coisa absolutamente pessoal”, afirmou o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), um dos que defendem a permanência da sigla no governo.

“Tem um impacto, sem dúvida, na bancada”, acrescentou.

O deputado Daniel Coelho (PSDB-PE), da ala que defende o desembarque do governo, afirmou que a escolha de Bonifácio para a relatoria deixa "a disputa interna mais acirrada e eleva o tom daqueles que têm posição a favor da abertura denúncia".

"É uma decisão provocativa do governo, que está evidentemente tentando dividir e bagunçar a bancada do PSDB", declarou.

De acordo com ele, a indicação terá reflexos negativos. "É uma estratégica equivocada, porque a situação, que era mais equilibrada, vai começar a pender para uma maioria cada vez mais distante do governo. Esse será o resultado", avaliou.

PF indicia filhos e ex-enteadas de Jucá alvos de operação que apura desvio de R$ 32 milhões, por Ana Paula Andreolla

Policiais cumpriram mandados de busca e condução coercitiva na manhã desta quinta (28) em RR, MG e no DF. Procurado, Romero Jucá disse que ninguém vai 'intimidá-lo'.

Filhos de Jucá são suspeitos de desvio do Minha Casa Minha Vida
A Polícia Federal fez uma operação nesta quinta-feira (28), batizada de Anel de Giges, que tinha como alvos filhos e ex-enteadas do líder do governo no Senado e presidente nacional do PMDB, Romero Jucá (RR). 
A ação investiga desvios de R$ 32 milhões com a compra superfaturada de terreno e com obras do programa Minha Casa, Minha Vida.

Na ação, o genro da prefeita de Boa Vista foi preso por posse ilegal de arma de fogo. Dois filhos de Jucá e duas ex-enteadas dele foram indiciados por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Investigações dizem que a Fazenda Recreio, em Boa Vista, que era de propriedade de dois filhos e duas ex-enteadas de Jucá, valia R$ 3, 5 milhões, mas foi vendida por um valor superfaturado para obra do Minha Casa, Minha Vida. A PF informa que há documentos contraditórios com o valor de venda: uns citam R$ 4,5 milhões e outros falam em R$ 7 milhões.

No local, foi construído o residencial Vila Jardim, com mais de 2 mil apartamentos populares. A obra, que foi financiada pela Caixa Econômica Federal, custou R$ 185 milhões. Alan Robson, delegado da PF responsável pela operação, disse que a construtora que executou o projeto, a CMT Engenharia, agiu com apoio dos filhos e das ex-enteadas de Jucá. 
Assim, segundo a investigação, o dinheiro desviado na construção – cerca de R$ 31 milhões – chegou aos parentes do senador.

Delegado responsável pelo caso, Alan Robson, da PF em Roraima (Foto: Marcelo Marques/G1 RR)
Residencial Vila Jardim foi feito com financiamento do Minha Casa, Minha Vida (Foto: Roque Neto/Rede Amazônica Roraima)
"A análise dos recursos bancários mostram a movimentação de pessoas físicas e jurídicas que levam ao desvio desses recursos em benefício desses investigados e em específico desses quatro proprietários da fazenda”, declarou o delegado.

Ainda de acordo com o delegado, os recursos desviados da construção eram aplicados em empresas das quais os parentes do senador são sócios.

"Um exemplo do superfaturamento da construção é o concreto usado na obra. No papel, ele foi declarado como adquirido em Roraima [a valores mais altos], mas a perícia da PF descobriu que na verdade havia uma usina de concretagem na obra do residencial Vila Jardim, gerando uma sobra de recurso que era desviado pelos investigados.”

Ainda de acordo com a PF, há indícios de irregularidades na fiscalização e aprovação do empreendimento Vila Jardim por parte de funcionários da Caixa Econômica Federal, que financiou a obra. O superintendente da Caixa em Roraima foi levado para depor na sede da Polícia Federal.
PF cumpre mandado de busca e apreensão em endereço de familiares do senador Romero Jucá (PMDB), em Roraima 
Mandados judiciais
Ao todo, a operação teve 17 mandados judiciais emitidos: 9 de busca e apreensão e 8 de condução coercitiva (quando o suspeito é levado para depor). A PF foi a endereços em Boa Vista, Belo Horizonte e Brasília. A investigação sobre o caso começou em 2015 e, segundo a 4ª Vara da Justiça Federal em Roraima, o processo tramita em sigilo.

A operação foi batizada de Anel de Giges inspirada em um dos livros da obra “A República”, de Platão, em que é discutido o tema da Justiça. O Anel de Giges, de acordo com a PF, permite ao seu portador que fique invisível e cometa ilícitos sem consequências.

Em Boa Vista, agentes da PF estiveram na casa do filho de Romero Jucá, o ex-deputado Rodrigo Jucá. No endereço, em área nobre da cidade, agentes recolheram documentos. O advogado de Rodrigo Jucá, Emerson Delgado, esteve no local, mas não quis dar declarações à imprensa.

A PF também esteve em uma fazenda onde vive Luciana Surita, ex-enteada de Jucá. Lá também mora a mãe dela, a atual prefeita de Boa Vista e ex-mulher do senador, Teresa Surita (PMDB), que não é alvo da operação.


Nessa fazenda, o marido de Luciana Surita foi preso em flagrante por posse ilícita de um fuzil de caça 7,62 e uma pistola 45 sem registros e munições.
Marido de investigada foi preso por posse de fuzil de caça; arma estava em fazenda 

Pistola apreendida em fazenda onde
vive ex-enteada de Romero Jucá
(Foto: Divulga/Polícia Federal)
Em Belo Horizonte, a PF cumpriu um mandado de condução coercitiva e um de busca na empresa de Elmo Teodoro Ribeiro. O empresário é sócio da construtora CMT Engenharia, responsável pelo Vila Jardim.

Ribeiro prestou depoimento na sede da Superintendência da PF na capital mineira. No cumprimento do mandado de busca, nada foi apreendido. A sede da construtora em Brasília disse que a empresa não tem nada a declarar. A reportagem não conseguiu contato com construtora em Roraima.
A Prefeitura de Boa Vista comunicou que ação da PF não tem nenhuma relação com a administração municipal. 

O que diz Jucá
Em Brasília, Romero Jucá deu uma breve declaração a jornalistas no Congresso Nacional e disse que “ninguém” vai intimidá-lo. Ele também publicou uma nota sobre o assunto (veja íntegra da nota ao final da reportagem). O senador é investigado pela Operação Lava Jato, mas as diligências cumpridas nesta quinta não têm relação direta com o parlamentar de Roraima. Todos os alvos da operação Anel de Giges não têm foro privilegiado.

Responsável pela defesa de Jucá na Lava Jato, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro informou à GloboNews que o escritório dele acompanhou, em Brasília, a condução coercitiva de duas filhas do senador do PMDB.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá
 (Foto: Mateus Bonomi)
Veja íntegra do posicionamento de Romero Jucá:

Repudio mais um espalhafatoso capítulo de um desmando que se desenrola nos últimos anos, desta vez contra minha família. Como pai de família carrego uma justa indignação com os métodos e a falta de razoabilidade. Como senador da República, que respeita o equilíbrio entre os poderes e o sagrado direito de defesa, me obrigo a, novamente, alertar sobre os excessos e midiatização.

Não tememos investigação. Nem eu nem qualquer pessoa da minha família. Investigações contra mim já duram mais de 14 anos e não exibiram sequer uma franja de prova. Todos os meus sigilos, bancário, fiscal e contábil já foram quebrados e nenhuma prova. Só conjecturas.

Em junho de 2016, foi pedida a prisão de um presidente de um poder, de um ex-presidente da República e de um Senador com base em conjecturas. Em setembro agora, por absoluta inconsistência jurídica, o inquérito foi arquivado. Desproporcional e constrangedor, esse episódio poderia ter sido evitado. Bem como poderia ter sido evitado o de hoje. Bastava às autoridades pedirem os documentos anexados que comprovam que não há nenhum crime cometido.

Recebo essa agressão a mim e a minha família como uma retaliação de uma juiza federal, que, por abuso de autoridade, já responde a processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Tornarei público todos os documentos que demonstrarão a inépcia da operação de hoje.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Arte de LUSCAR

Quem são os seis brasileiros que possuem a mesma riqueza que a metade mais pobre do Brasil, nas folhas



Estudo da Oxfam divulgado nesta semana mostrou que os 5% mais ricos detêm mesma fatia de renda que outros 95%

1--Ermírio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim)
 Ermírio de Pereira de Moraes, que na foto aparece à direita, ao lado dos irmãos José Ermírio de Moraes Filho e Antonio Ermírio de Moraes também está na lista dos que concentram as maiores riquezas do Brasil. Ele é filho de José Ermírio de Moraes e um dos donos do Grupo Votorantim, um dos maiores conglomerados industriais da América Latina. 
Sua fortuna é estimada em 3,1 bilhões de dólares (9,82 bilhões de reais).GRUPO VOTORANTIM

2-- Eduardo Saverin (Facebook) EDGAR SU REUTERS
O paulista Eduardo Saverin é um dos fundadores do Facebook, ao lado de seu colega de Harvard Mark Zuckerberg. Sua fortuna é estimada em 9,5 bilhões de dólares (30 bilhões de reais). Ele vive em Cingapura, onde investe em startups. Lá ele também aparece na lista dos homens mais ricos do país.

3--Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev) 
Na foto, Carlos Alberto da Veiga Sicupira, recebe uma homenagem no Senado. Ele também é um dos sócios da 3G Capital e sua fortuna atual é estimada pela Forbes em 13,1 bilhões de dólares (41,50 bilhões de reais). O quarto homem mais rico do Brasil é o presidente do conselho de administração da Lojas Americanas.

4--Marcel Herrmann Telles (AB Inbev) 
O empresário carioca Marcel Herrmann Telles é um dos sócios da empresa de investimentos 3G Capital, ao lado de Jorge Paulo Lemann. O fundo é dono da AB Inbev e da rede de fast food Burger King, entre outros negócios. 

Sua fortuna, de acordo com a Forbes, é de 14,8 bilhões de dólares (cerca de 47 bilhões de reais). É um dos fundadores da Ismart, que oferece bolsas de estudos para alunos de destaque da rede pública em escolas privadas.

5--Joseph Safra (Banco Safra) 



Joseph Safra é o segundo homem mais rico do Brasil e é apontado pela Forbes como o banqueiro mais rico do mundo. 

Sua fortuna é estimada atualmente em 22,4 bilhões de dólares (cerca de 71 bilhões de reais). Descendente de uma família de banqueiros da Síria, ele é o dono do Banco Safra.








6--Jorge Paulo Lemann (AB Inbev) 
Empresário carioca de origem suíça, Jorge Paulo Lemann é o maior bilionário brasileiro, segundo o ranking da revista Forbes de 2017. 
Sua fortuna é estimada atualmente em 30 bilhões de dólares (pouco menos de 100 bilhões de reais). Ele é o dono da Ambev, a primeira multinacional brasileira, criada em 1999 pela união de quatro cervejarias, entre elas a Companhia Antarctica Paulista. 
Também é co-fundador da Fundação Estudar e fundador da Fundação Lemann, que investem na melhoria da qualidade da educação no Brasil.

Arte de JAGUAR

Moriremos todos, menos los Rolling Stones, por FERNANDO NAVARRO

Son ancianos, millonarios, desfasados, arrogantes y les importa un bledo que les vean como payasos
Los Rolling Stones en el Estadi Olimpic de Barcelona. MASSIMILIANO MINOCRI

Si alguna vez ha pensado que le tocará morir algún día, piense antes, o mejor justo después, en los Rolling Stones. No porque no vayan a morir, como ya se prevé en cualquier casa de apuestas tras romper todas las estadísticas y quinielas, sino porque a lo mejor encuentra en ellos una razón para que esta tragicomedia llamada vida muestre el descaro como última bala, como un quiebro final con el que irse con una sonrisa a la tumba. Son ancianos, millonarios, desfasados, arrogantes y les importa un bledo que les vean como payasos del circo que, como nadie en este estropeado planeta, ayudaron a levantar: el circo del rock and roll, al que algunos, por suerte en este mundo repleto de descreídos e interesados, encuentran aún algún significado profundo.

Los Stones –no diga, por favor, Rolling, señor, señora- no buscan significados porque ellos son el significado, con todo lo que eso conlleva. A estas alturas de la tragicomedia, solo los más osados se atreven a afirmar qué fue antes: si el huevo o la gallina, es decir, si el rock and roll o los Rolling Stones. Más de medio siglo de existencia y la banda que simbolizó como ninguna la rebeldía juvenil, el hedonismo y la liberación sexual sigue en pie, como un coloso de Rodas imponiendo el peso de su propia historia, pero también como un centro comercial dando rienda suelta a todos los males que acechan a la esencia misma del gran circo: la masificación desproporcionada, la mercadotecnia descarada, la autocomplacencia, el mimetismo…

Pero, entonces, en la noche barcelonesa, universal pese al tira y afloja de unos y otros, sonó, como una tormenta anunciando el fin del mundo, Paint It Black y todo se puso en su sitio. Los Stones lo pusieron en su sitio. Vaya alguien a decirle a cualquier chaval que está aporreando sus instrumentos ahora mismo en el garaje de sus padres que estos abuelos están acabados. El chaval, dispuesto a llegar a lo más alto con sus canciones, acabará por preguntar qué maldita pócima tienen estos vejestorios para salirse con la suya. Con Paint It Black, a mitad del concierto, se revuelven imparables las filigranas viciosas de las guitarras de Keith Richards y Ronnie Wood, Mick Jagger se contonea alocado como una serpiente enferma buscando presa y todo suena como un sueño lisérgico en el que merece la pena adentrarse. Y eso que costó.

Al saltar ante los cerca de 50.000 espectadores del Estadi Olímpic, los Stones arrancaron fríos, como momias, en Sympathy for the Devil, que perdió toda su carga maldita y seducción morbosa. Todo apuntaba a desastre en este asunto planetario llamado Rolling Stones. Pero el grupo, dueño de su propia magia, fue remontando con It's Only Rock 'n' Roll (But I Like It) y, aún más, con Tumbling Dice, que sonó pletórica, con los vientos y las coristas poniendo la quinta y Jagger bailando por primera vez en la platea central, con sus espasmos contagiosos. El estadio ya estaba dentro, como cuando tu equipo golea en la primera parte.

A partir de Just Your Fool, se esforzaron por hacer del gigantesco escenario un garito de blues. Con Jagger a la armónica, tocaron Ride 'Em on Down, también del último disco. Pero el cancionero nuevo, que no dejan de ser versiones de los bluesmen Buddy Johnson y Jimmy Reed respectivamente, no tiene consistencia ante clásicos imbatibles como Rocks Off yYou Can't Always Get What You Want, que mostraron en el escenario el brillo original que definió el rock and roll stoniano para la posteridad. También lo hizo Happy en su día, aunque anoche sonó descafeinada con Richards, cada día más alejado de sus mejores días, al micrófono. Y, entonces, como con Paint It Black, dispararon la traca: Honky Tonk Woman, Gimme Shelter, Jumpin’ Jack Flash, Brown Sugar –con Jagger corriendo por la pasarela- y Satisfaction, que cerró la actuación de dos horas con fuegos artificiales y el público cantando a pulmón abierto. Todas eran fieras, adictivas, imparables, llenas de vida imposible y actitud desvergonzada.

Si alguna vez ha pensado que le tocará morir algún día, piense en los Rolling Stones. Moriremos todos, menos ellos, que seguirán allí, como una leyenda del siguiente siglo.

Entenda o caso Cesare Battisti-- Atualizado em 31/12/2010--

Presidente Lula negou pedido de extradição do governo italiano.
Battisti foi condenado por quatro homicídios na Itália.

Em novembro de 2009, parlamentares fizeram visita a Cesare Battisti (Foto: José Cruz/Ag. Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu nesta sexta-feira negar a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti, condenado à revelia por quatro homicídios em seu país. Ele recebeu pena de prisão perpétua pelo assassinato de quatro pessoas entre 1977 e 1979. Na época, Battisti, que alega inocência, integrava a organização Proletários Armados Pelo Comunismo

A decisão de Lula acontece mais de um ano depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar a extradição de Battisti, mas deixar nas mãos do presidente uma decisão final sobre o assunto.

Veja a cronologia do caso e entenda a situação do italiano:
- Junho de 1979: prisão de Cesare Battisti em Milão como parte de uma investigação pelo assassinato de um joalheiro.

- 1981: Battisti é condenado a 12 anos e 10 meses de prisão por "participação em grupo armada" e "ocultamento de armas". Ele escapa da prisão de Frosinone, perto de Roma, e se refugia na França.

- 1982: fuga para o México.

- 1985: o presidente francês François Mitterrand se compromete a não extraditar os ex-ativistas de extrema-esquerda italianos que rompessem com o passado, embora tenha excluído os que cometeram "crimes de sangue".

- 1990: Battisti regressa à França e se converte em autor de romances policiais.

- 21 de maio de 1991: a corte de apelações de Paris nega uma demanda italiana de extradição.

- 31 de março de 1993: a corte de apelações de Milão condena Battisti à prisão perpétua por quatro "homicídios agravados" praticados entre 1978 e 1979 contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro de Milão (o filho do joalheiro ficou paraplégico, depois de também ser atingido).

- 20 de julho de 2001: Battisti pede naturalização francesa. Uma decisão favorável de julho de 2003 foi anulada em julho de 2004.

- 20 de dezembro de 2002: demanda italiana de extradição.

- 2004: Battisti é detido em Paris a pedido da justiça italiana, em meio a protestos de intelectuais, artistas e personalidades políticas francesas de esquerda. É libertado, mas mantido sob vigilância. A câmara de instrução da corte de apelações de Paris se declara favorável à extradição. Battisti recorre. O italiano não se apresenta à polícia como exige o sistema de vigilância judicial, e passa para a clandestinidade. A promotoria da corte de apelações de Paris expede uma ordem de detenção. O recurso de Battisti é rejeitado, e a extradição para a Itália torna-se definitiva. O primeiro-ministro francês Jean Pierre Raffarin assina o decreto de extradição; Battisti foge.

- 2005: o Conselho de Estado da França confirma a extradição. Os advogados de Battisti apresentam um recurso ante a Corte Européia de Direitos Humanos contra o decreto de extradição.

- 18 de março de 2007: detenção de Battisti no Rio de Janeiro. Desde então, cumpre prisão preventiva para fins de extradição na penitenciária da Papuda, em Brasília.

- 2009: o então ministro da Justiça, Tarso Genro, concede status de refugiado político a Battisti, baseado no 'fundado temor de perseguição por opinião política', contrariando decisão do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). 
O status não permite o seguimento de qualquer pedido de extradição baseado nos fatos que fundamentaram a concessão de refúgio. 
Em fevereiro, o STF nega pedido de liminar do governo italiano contra a decisão de conceder refúgio a Battisti. Após a votação pela extradição, os ministros decidiram também pelo placar de 5 votos a 4 que a decisão final sobre a extradição caberia ao presidente Lula.

- 2010: presidente Lula nega pedido de extradição.

Cesare Battisti entra com habeas corpus no STF para impedir extradição, nas folhas

Italiano Cesare Battisti  (Foto: Givaldo Barbosa / O Globo)

As voltas que o Mundo da......
Palocci pede desfiliação e acusa LULA---"sucumbiu ao pior da politica"! Depois vai ao dentista........

Com 80% das famílias com TV digital, Rio se prepara para fim do sinal analógico, por AGÊNCIA BRASIL

A partir do dia 25 de outubro apenas o sinal digital vai chegar às casas de 19 municípios do estado

Rio - Faltando menos de um mês para o desligamento do sinal analógico da TV aberta no Rio de Janeiro, cerca de 80% das famílias já adquiriram o conversor para receber o sinal da TV digital. 
Atualmente, as emissoras ainda transmitem os dois sinais, mas a partir do dia 25 de outubro apenas o sinal digital vai chegar às casas de 19 municípios do estado: Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Petrópolis, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá.

Em coletiva de imprensa hoje (27), o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Juarez Quadros, explicou que o adaptador é necessário apenas para os televisores antigos de tubo ou os de tela plana produzidos até o ano de 2010. 
A partir de 2011, todos os televisores fabricados no país já vêm equipados com o conversor digital, sendo necessário apenas adquirir a antena UHF.

De acordo com ele, é necessário atingir o índice de 93% de alcance para o desligamento poder ser efetivado. “O balanço da TV digital é que ela é altamente esperada pelos telespectadores, porque é um sinal excelente, e tanto o áudio quanto a imagem são fenomenais. Com isso, a qualidade esperada pela sociedade faz com que a televisão aberta brasileira, que é uma das melhores do mundo, tenha uma qualidade até superior à das TVs por assinatura”.

Kit número 700 mil
O presidente da Seja Digital (Entidade Administradora da Digitalização de Canais TV e RTV), Antônio Martelleto, informa que já foram entregues na região 700 mil dos 1,2 milhão de kitsconversores que estão sendo disponibilizados gratuitamente para os beneficiários de programas sociais do governo federal, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Tarifa Social de Energia Elétrica. O kit de número 700 mil no Rio de Janeiro foi entregue hoje por Martelleto e Quadros no ponto de distribuição na Rua do Senado, na Lapa, centro do Rio. 

“Ainda tem 500 mil famílias com direito a receber um kit. Quem participa de programa social do governo federal tem direito a receber um kit. Muitas vezes, a pessoa não recebe nenhum benefício, mas está no cadastro do governo federal e tem direito a receber um kit. Então, é melhor ligar pra gente no telefone 147 ou entrar no site sejadigital.com.br e verificar se tem direito a receber o kit. 
Mesmo quem já for digital e estiver no cadastro pode pegar o kit para dar a alguém que precise”, disse Martelleto.

De acordo com ele, na última pesquisa feita, no fim de agosto, o índice de digitalização já estava em 79%. “Eu tenho certeza de que a gente vai conseguir alcançar o índice necessário. A gente trabalha para que 100% da população seja digital ao final do processo. Todas as praças por onde a gente passou, por exemplo São Paulo, que é um grande centro, fizemos pesquisas logo depois do desligamento e 100% da população já era digital. No Rio de Janeiro não vai ser diferente, porque a população adora televisão e vai acontecer a mesma coisa aqui”.

Foram montados 60 pontos de distribuição dos kits gratuitos nas 19 cidades em que ocorrerá o desligamento no próximo mês. Quem não tem direito a receber o conversor e a antena, pode adquirir o aparelho no comércio local. O preço do conversor está na faixa de R$ 80. Também estão sendo organizados feirões em parceria com redes varejistas, para facilitar a aquisição do equipamento. No próximo sábado (30), os feirões serão feitos no Bangu Shopping, Shopping São Gonçalo, Caxias Shopping, Shopping Grande Rio (São João de Meriti), Mercadão de Madureira e Calçadão de Campo Grande.

No ano passado já foram desligados o sinal em Rio Verde (GO), no Distrito Federal e entorno. Em março foi a vez de São Paulo capital, seguido de Goiânia e Recife. À meia-noite de hoje, será desligado o sinal analógico em Fortaleza e em Salvador. Vitória desliga junto com o Rio de Janeiro, no dia 25 de outubro. No dia 8 de novembro é a vez de Belo Horizonte e, no dia 29, as cidades paulistas de Campinas, Franca, Ribeirão Preto, Santos e as do Vale da Paraíba. No dia 31 de janeiro de 2018, serão desligado o sinal em Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba. O cronograma termina em dezembro de 2018.

4G
O presidente da Anatel disse que, com o desligamento, a faixa de 700 MHz utilizada para transmitir a TV analógica será liberada para o uso das operadoras de telefonia celular para a internet móvel de quarta geração, o chamado 4G. Atualmente, a transmissão do 4G utiliza a faixa de 2,5 GHz.
“É uma frequência muito nobre para o acesso à internet, principalmente nas recepções internas do sinal do celular, no interior de edifícios ou residências. Essa frequência consegue uma velocidade de transmissão também muito superior às normais, feitas em outras frequências. As pessoas já podem conseguir uma velocidade de 30 MB por segundo, que é uma velocidade fabulosa para o acesso à internet”.

Segundo ele, em alguns locais onde já foi feito o desligamento, as operadoras já migraram para a nova faixa do 4G. Porém, em São Paulo e no Rio de Janeiro, a troca de frequência só será possível após a liberação da faixa de 700 MHz em todo o estado, o que só está previsto para ocorrer em novembro de 2018.

Passada a Rio-2016, Diego Hypólito, Jade Barbosa e outros atletas perdem plano de saúde, por TIAGO ROGERO



Veja como, mesmo depois de ter sediado uma Olimpíada, o Brasil ainda trata mal seus atletas de alto rendimento. 
Primeira mulher brasileira a conquistar o ouro no judô (em Londres/2012), Sarah Menezes está, desde dezembro, sem plano de saúde. 
É que, no fim do ano passado, terminou o contrato do COB com a Bradesco Seguros e, desde então, nenhum outro plano foi contratado. 
Completam a lista dos sem-plano outros nomes importantes, como Diego Hypólito (prata na Rio-2016) e Flávia Saraiva e Jade Barbosa, ambas finalistas nos Jogos do Rio.

Arte de SPONHOLZ

Os INDECENTES--MICHEL TEMER E MINISTROS SÃO NOTIFICADOS DA DENÚNCIA, nas folhas

Comentário cidadão--...e vamos continuar pagando as contas dos maganos indecentes e sem estatura, nem para quadrilheiros !
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DENÚNCIA CONTRA OS MINISTROS ELISEU PADILHA E MOREIRA FRANCO E TEMER SEGUE PARA A CCJ DA CÂMARA (FOTO: REPRODUÇÃO)

O presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) foram notificados nesta tarde de quarta-feira, 27, da denúncia apresentada pelo ex-procurador-Geral da República Rodrigo Janot, que acusou os peemedebistas de obstrução da Justiça e organização criminosa.

A notificação foi trazida ao Palácio do Planalto pelo primeiro secretário da Câmara, Fernando Giacobo (PR-PR), depois de dois adiamentos por causa de problemas operacionais no sistema da Câmara. 
O deputado trouxe o documento até a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. A notificação foi assinada pelo sub-chefe de Assuntos Jurídicos, Gustavo do Vale Rocha, às 15h02. "Acho que quanto mais rápidos passar essa questão melhor para o país", disse. "Continuo triste e estou aqui cumprindo meu papel institucional. Espero que isso se resolva e o combate à corrupção continue" afirmou.
Autor de voto contrário ao prosseguimento da primeira denúncia contra Temer, Giacobo, ao ser questionado se já sabe como vai votar, disse que "agora vamos avaliar". 

Giacobo disse que não tinha embasamento juridico para dar opinião sobre a possibilidade de desmembramento das denúncias de Temer e dos ministros e afirmou que as defesas serão apresentadas separadamente. "A partir da entrega da última defesa começa a contar cinco sessões (para a Comissão de Constituição e Justiça votar)", reforçou.

A denúncia agora será encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça, onde começará a tramitação. Ao deixar a Câmara, Giacobo já havia afirmado que iria cumprir o seu papel constitucional e que agora cada defesa terá o prazo de dez dias para apresentar seus argumentos.

No Planalto, a expectativa é de que a tramitação ocorra de uma forma “natural”, sem pressa nem morosidade. A defesa de Temer, que será separada da dos ministros, deve ser entregue apenas na semana que vem.

DEFESA 
Gustavo do Vale Rocha, que assinou as notificações, terá um papel de advogado informal na defesa do presidente nesta segunda denúncia. 
Na terça-feira, 26, Temer recebeu no Palácio do Planalto o advogado Eduardo Carnelós, que o defenderá na denúncia por formação de quadrilha e obstrução da Justiça. Carnelós, que substitui o criminalista Antonio Mariz na defesa de Temer, foi trazido ao Planalto pelo sub-chefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. Rocha participou de reunião com Mariz e Temer em São Paulo na semana passada. 

Na sexta-feira ou no fim de semana, possivelmente, o presidente vai a São Paulo para um novo encontro com o advogado para finalizar a defesa. (AE)