quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Um presidente justiceiro, um pacificador ou um mais do mesmo?, por JUAN ARIAS

O Brasil ainda parece estar à espera de alguém que demonstre que é capaz de pensar mais no futuro do país do que em suas ambições pessoais
PALÁCIO DO PLANALTO, hoje, mais pra esconderijo de sucia.......

Os assessores de imagem deveriam dizer aos candidatos à Presidência da República que ninguém consegue se eleger somente se candidatando contra alguém infundindo medo ou vendendo mais do mesmo. 
Quando chega o momento de escolher um candidato, os 140 milhões de potenciais eleitores porão os olhos em quem for mais capaz de entusiasmá-los e uni-los.

Não bastará, por exemplo, aparecer como a antítese de alguém para garantir os votos se não souber oferecer algo mais aos descrentes da política. Se há algo de que necessitam aqueles que o mau exemplo dos governantes dividiu e contrapôs não é de um justiceiro, alguém que queira se limitar a colocar ordem, ou alguém que volte a governar com os corruptos, mas de alguém que dialogue, um pacificador que saiba fazer o milagre de devolver às pessoas o gosto de se unirem para reconstruir o país. Milhões de cidadãos estão se cansando das guerras verbais, das ameaças e dos conflitos entre os políticos e de suas artimanhas para conquistar o poder de costas aos desejos da sociedade.

O velho axioma “divide e vencerás” talvez não funcione dessa vez com os brasileiros mais inclinados a buscar novos motivos para fugir dessa crispação que chegou a dividir até mesmo os amigos. Posso estar errado, mas uma análise hermenêutica e menos superficial das redes sociais me faz intuir que o Brasil está em busca de alguém que liberte. De alguém que traga de volta a harmonia e o gosto de lutar juntos por uma causa capaz de expressar o melhor da alma brasileira, que não está nos extremismos, no confronto ou na guerra e menos ainda no prato requentado dos corruptos. 
Se fosse esse o caso, seria necessário analisar se os candidatos que até agora surgem como possíveis candidatos à Presidência aparecem como capazes de agregar e entusiasmar sem necessidade de desqualificar seus oponentes, ou se acreditam que o melhor é se apresentar com a espada desembainhada. Dos personagens que começam a aparecer nas pesquisas como possíveis candidatos, existe algum capaz de apostar na concórdia nacional, ou continuam convencidos de que o que lhes dará a vitória será a tentativa de esmagar seus oponentes ou de apresentar mais do mesmo?

Nem Lula ganhará se tentar o “nós contra eles”, ou se sacudir o discurso de “extirpar da política” seus adversários, nem Bolsonaro ou Doria, se permanecerem fechados em uma campanha agressiva, o primeiro com uma linguagem vulgar, atacando sem nuances Lula e o PT, como tampouco o fará Ciro Gomes, o ex-ministro de Lula, se não contiver suas explosões que provocam mais medo do que consenso. O pragmático Lula, ao qual não falta olfato político, entendeu isso e já disse que sonha em voltar para “devolver a confiança aos brasileiros”. Ele não especificou, no entanto, como o faria. 
O recente abraço em Renan Calheiros, em Alagoas, e os elogios que lhe fez não parecem ser o melhor presságio. Lula iria novamente junto com o partido de Temer?

E Marina Silva? Por enquanto, é um enigma. Ela é, sem dúvida, uma mulher que geralmente não costuma ter o pecado dos apressados e que capitaliza milhões de votos, mas precisará sair do seu retiro e do seu silêncio para que saibamos que Brasil nos oferece. Ela é um dos poucos políticos que lê e reflete, que sabe esperar sentada na margem do rio. Existem, no entanto, momentos da história em que é necessário sair do deserto para enfrentar a realidade de um país que já sabe o que não quer, mas que parece ainda não ter encontrado o que procura.

Alguém disse que “o mundo não será daquele que mais te adula e repita que te ama, mas de quem souber demonstrar isso melhor”. O Brasil ainda parece estar à espera de alguém que demonstre que é capaz de pensar mais no bem do futuro do país do que em suas ambições pessoais de poder. De alguém que, em vez de infundir medo e excomungar seus adversários, seja capaz de acolher a todos. 
Morto o caudilho Franco, a Espanha, depois de uma feroz guerra civil e de 40 anos de ditadura, estava dividida em duas. 
Lembro-me que diante do cadáver do ditador, o então rei Juan Carlos pronunciou uma frase feliz que quebrou o gelo do medo: “Serei o rei de todos os espanhóis”. Ele o foi, e a Espanha começou pouco a pouco a respirar junta e com esperança. E hoje é uma democracia moderna e consolidada. O Brasil não está saindo de uma ditadura, mas de um cataclismo político e econômico que o dividiu. Precisa, antes de qualquer coisa, de alguém que diga com credibilidade: “quero ser o presidente de todos e cada um dos brasileiros sem excluir ninguém”.

Um oásis em meio ao deserto do jazz no Rio de Janeiro, por CHEMA GARCÍA MARTÍNEZ

Cidade recebe uma franquia do Blue Note, uma mítica casa de shows de Nova York, que receberá nomes como Maceo Parker e Chick Corea

Algumas pessoas definem a cidade do Rio de Janeirocomo uma “partitura aberta”: tudo que o amante da música estiver procurando, vai encontrar aqui. Tudo, menos jazz. O enorme vazio de locais dedicados ao gênero em uma megalópole de seis milhões e meio de moradores surpreende o visitante. “A Cidade Maravilhosa”, podia ser lido em uma publicação conhecida do gênero, “é um deserto para o jazz”. Já não por muito tempo.

A abertura nesta quinta-feira, 31 de agosto, do primeiro clube Blue Note em solo brasileiro – uma referência mítica na história deste estilo musical –, e o primeiro no Hemisfério Sul, promete transformar o deserto em um pomar, ou pouco menos que isso. Para seu impulsionador, o conhecido empresário da noite carioca Luiz André Calainho, trata-se de um sonho transformado em realidade: “Queremos construir uma ponte entre os músicos brasileiros e os ícones do jazz”.

As negociações entre os dois lados começaram no final do ano passado. Calainho teve que vencer muitos obstáculos por parte dos donos da franquia. Nisso contou com a inestimável ajuda do pianista e astuto homem de negócios Sérgio Mendes, com décadas de experiência no difícil mercado norte-americano de música.

O acordo entre o Blue Note Entertainment Group – dono do clube homônimo em Nova York, e outros sete nos Estados Unidos, Ásia e Europa, além de uma companhia discográfica e uma agência de viagens – e a L21 Participações, propriedade de Calainho, foi fechado no início deste ano. “Será o primeiro Blue Note na América Latina, mas não o último”, diz o empresário. A L21 irá investir aproximadamente 4,2 milhões de reais, incluindo a reforma do local eleito como sede do clube e o direito de uso da marca.

Momento para as declarações de intenções. Para Calainho, o Blue Note Rio (marca registrada) será um ponto de encontro entre o Brasil e o resto do mundo, algo como reunir “o swing de Nova York com a ginga do Brasil”. Mais pragmático, Steven Bensusan, 44 anos, filho do presidente e fundador do Blue Note Entertainment Group, fala em cobrir um “mercado natural em expansão”.

O primeiro Blue Note do Hemisfério Sul, construído à imagem e semelhança de seu homônimo em Nova York, está localizado no segundo andar do Complexo Lagoon, nas margens da lagoa Rodrigo de Freitas, paisagem privilegiada com tendência ao congestionamento em horários com trânsito pesado. Seguindo o padrão estabelecido pela casa matriz, os shows vão acontecer de quarta a sábado, duas apresentações por noite, exceto na quarta-feira, com ingressos separados, que é a política normal dos clubes em Nova York, não no resto do mundo. Acostumar o carioca à “cultura do show”, reconhece Daniel Stain, sócio de Calainho, “vai ser uma dificuldade”.

Quanto aos critérios aplicados na contratação dos artistas, basta dar uma olhada na programação dos primeiros três meses. São destaque os nomes de Maceo Parker, Chris Botti, Chick Corea, Spyro Gyra e a cantora de fado Teresa Salgueiro. São artistas que oferecem a imagem de um amplo espectro do jazz feito à medida de seu público. Manda a lógica do mercado, o jazz-espetáculo... Europa, as vanguardas; o jazz que marca tendência e abre caminhos, ficam de fora. “O termo ‘jazz’ tem a ver com a experiência do consumidor mais que com um estilo musical em particular”, explica Bensusan, como uma forma de prevenir antes de remediar.

Do lado brasileiro, os jazzistas, as estrelas da MPB, e os que não são nem uma coisa nem outra, nos quais estão incluídas as várias formações do Brasil Jazz Stars (com João Donato, Marcos Valle, Guinga...), além do inevitável Sérgio Mendes, Baby do Brasil, Hermeto Pascoal em duo, ou a altamente recomendada Banda Mantiqueira. A participação de cada um, dizem os responsáveis pela sala, terá uma proporção de três para um: três atrações nacionais por uma internacional. Pode-se acrescentar os almoços e brunches com jazz, as jam sessions (marca da casa), as produções próprias, como a que vai protagonizar Marcelo D2, ex-membro do grupo de rapcore Planet Hemp, chamado para quebrar o tabu segundo o qual a população negra no Brasil não quer ver jazz nem pintado.

Os preços dos shows variam de 40 reais nas localidades com visibilidade limitada a 1.900 (Sérgio Mendes, área VIP). Os ingressos postos à venda para o show inaugural a cargo do Brasil Jazz Stars, primeira edição, estão esgotados há semanas.

O sucesso do “modelo Blue Note”, explicam os responsáveis, está sustentado em alguns elementos-chave: shows de primeiro nível, ambiente confortável, comida de qualidade (a cargo de Pedro de Artagão, no caso do Blue Note Rio), excelente produção e, para os artistas, camarins minimamente decentes. Com isso o objetivo é atrair ao local um público heterogêneo e diversificado, incluindo aqueles que, em momentos como os atuais, visitam a cidade desafiando furtos e arrastões. A empresa garante a todos uma dose razoável de jazz com glamour, o que seus responsáveis definem como “atmosfera intimista” a um preço que, porém, nem sempre está ajustado à oferta. Nada que não possa ser corrigido com uma dose adequada do tradicional jeitinho brasileiro. É o que asseguram os responsáveis: “Com permissão dos norte-americanos, não haverá no mundo um Blue Note como o do Rio”. Palavra de Luiz André Calainho.

Monica de Bolle: “Privatização de Temer é vender o almoço para pagar o jantar”, por DANIEL HAIDAR

Para Monica de Bolle, professora da Universidade Johns Hopkins, venda de estatais "soa oportunismo"

A economista Monica de Bolle, professora da Universidade Johns Hopkins e pesquisadora do Instituto Peterson
A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional e professora da Universidade Johns Hopkins, em Washington, chegou a experimentar um breve momento de otimismo cauteloso com a economia brasileira no início do Governo Michel Temer. 
Mas esse sentimento não durou nem seis meses. A discussão e a aprovação da emenda do teto dos gastos públicos acabou com qualquer boa expectativa. 
E, depois da revelação da investigação sobre a suposta trama de corrupção envolvendo Temer e o empresário Joesley Batista, sócio da JBS, ela passou a defender que o presidente devia renunciar ao mandato. 
Ex-diretora da Casa das Garças, tradicional reduto do pensamento econômico liberal no Brasil, De Bolle, mesmo favorável a privatizações, critica a proposta de Temer, que considera inoportuna. 
Para a economista, as iniciativas ousadas e polêmicas de Temer são tentativas de "criar espuma" para agradar ao mercado. "Estão criando espuma desde o ano passado com todas as reformas e viram que criar espuma é bom, porque mudou expectativas. Então continuaram com a mesma tática", critica.

Pergunta. Qual a lógica do lançamento repentino de um projeto de privatizações por Temer?
Resposta. Uma coisa que tem sido absolutamente marcante no Governo Temer é essa tendência de querer fazer grandes manchetes e grandes esperanças, mas no final das contas entregar algo muito aquém do prometido. Temer faz promessas grandiosas, esperando que vai transformar o Brasil em dois anos. Houve uma tentativa bem sucedida de reverter o processo inflacionário, talvez mais influenciado pela recessão do que outra coisa, mas ao menos o Banco Central deu sinalizações corretas e vemos alguma recuperaçãozinha no consumo por conta disso. 

Houve tentativas de dar o pontapé em reformas, não geraram grande coisa, mas foi um início. Teve uma mudança na administração da Petrobras e mudanças no marco regulatório do pré-sal que foram importantes. Mas, para além disso, o problema é que esse Governo tenta o tempo inteiro inflar manchete e no fim das contas entrega a rebimboca da parafuseta. 
O teto do gasto público é um pouco disso: foi anunciado como algo revolucionário, mas para ser funcional depende da reforma da Previdência que não vai ter
E o Governo Temer trata os seus críticos da mesma forma que Dilma tratava. Nesse aspecto, é muito parecido com o governo anterior. Como Temer tem pouco tempo pra entregar resultados, está fazendo tudo no afogadilho. Teto de gastos foi feito no afogadilho e agora privatizações são feitas no afogadilho. O princípio de fazer privatizações é inquestionável. Mas sair anunciando um listão de liquidação de não sei quantos ativos, só pra botar manchete gorda, e depois ter menos de um ano pra entregar não parece nem um pouco viável. 
Querem realmente vender ativos para pagar o déficit primário? Estão vendendo o almoço para pagar o jantar. 
É pra isso que querem fazer privatizações? A legitimidade é absolutamente questionável, porque vimos, na área fiscal, o Governo dizer e fazer coisas opostas. Temer teve que fazer o fisiologismo clássico do PMDB para conseguir se manter onde está. Sacrificou-se o ajuste fiscal no altar do Temer — o espetáculo da Câmara discutindo a denuncia contra ele foi exatamente isso. E se pegar a lista de ativos que vão ser privatizados, tem um monte de coisas que estavam na lista da Dilma. Muita coisa requentada.

P. E parece um bom momento para privatizar? Podem comprar os ativos por preços justos?
R. Por um preço qualquer, até tem gente pra comprar. Mas esses ativos têm valor. Vão vender a preço de banana? Estão vendendo a preço justo? O momento no Brasil não condiz com nenhum cálculo razoável de preço justo. Nas condições atuais, ninguém vai pagar o preço justo, porque ninguém sabe o que acontece depois de 2018. O grau de incerteza em relação a essas privatizações é imenso. Então qualquer empresa ou grupo que venha a querer comprar alguns desses ativos vai querer o desconto pela incerteza e o desconto pelo desespero do governo também. Essa privatização soa oportunismo e esse é o Governo de oportunismo por excelência. 
É uma tentativa de agradar o mercado, porque, afinal de contas, não vai acontecer mais nada nesse Governo. E tem uma tentativa de criar espuma. Estão criando espuma desde o ano passado com todas as reformas e viram que criar espuma é bom, porque mudou expectativas. Deu certo. Então continuaram com a mesma tática. Qualquer pessoa que pare e pense a respeito chega à conclusão de que não vão conseguir vender nada ou, se conseguirem, vai ser a preço de banana.

P. Seria possível ter metas fiscais mais rigorosas se Temer não tivesse uma situação tão frágil?
R. Não há dúvida que não estaríamos em situação tão ruim quanto estamos se não fosse a necessidade de Temer e de outros políticos de se defenderem a qualquer custo das acusações contra eles, sejam elas fundamentadas ou não. É o fisiologismo clássico do PMDB aliado a uma necessidade de sobrevivência política, que piora o fisiologismo. Isso conspira desfavoravelmente ao ajuste fiscal. Sem dúvida alguma, perspectivas desse ano e do próximo também estão bem piores. 
Esse Governo antes de qualquer coisa quer a sobrevivência política. É a ponte para o futuro deles. Não é a ponte para o futuro do Brasil.

P. Há diferença fundamental entre perdoar dívidas em programas de refinanciamento tributário e dar isenções tributárias como Dilma?
R. Tanto a desoneração quanto o refinanciamento de dívidas geram incentivos perversos. Porque o que você está dizendo pra empresa que deixou de pagar impostos é que em algum momento você vai perdoar. Pra que empresa vai pagar imposto se em algum momento vai pagar? Então cria um risco moral e vamos lembrar o seguinte. Quando Temer começou mandato, o ministério da Fazenda não queria ouvir falar de refinanciamento. Isso foi super criticado. 
Quando era a Dilma fazendo refinanciamento, todo mundo saiu dizendo que era péssima ideia. Quando Temer faz, fica tudo bem. Por que com Dilma era ruim e com Temer é bom? Está todo mundo com espuma no olho e não consegue observar direito. É a sensação que dá. Não tem coerência. Se você criticava lá atrás, tem que criticar agora. Se você criticava listas de concessões da Dilma, tem que criticar listas de privatização do Temer, porque é a mesma coisa. Se você criticava revisões de meta da Dilma, tem que criticar revisões de meta do Temer.

P. Qual a diferença entre um Governo Temer e um governo Dilma?
R. A diferença entre Dilma e Temer é que Dilma era movida por ideologia. Ela achava que a economia funcionava de determinada forma — e não funcionava daquele modo. Tanto assim que deu no que deu. Fez um monte de experimentos e deixou o país em situação péssima, tudo isso por ideologia. 
Temer não faz nada por ideologia, faz por fisiologia. Temer é pragmático para fazer a ponte do futuro dele. Práticas escusas existiam e continuaram existindo depois de Dilma. E, sendo Temer vice-presidente de Dilma, não houve descontinuidade nesse sentido. Entre um e outro, as escolhas de política econômica acabaram sendo parecidas por razões diferentes. Dilma queria que economia crescesse de qualquer jeito e deu tudo errado. Temer não: faz o que tem de ser feito para conseguir ficar onde está. E por isso o país paga um preço. Mas acaba sendo um tipo semelhante de desordem. No lado fiscal, estamos igual ou pior do que estávamos.

P. Nesta quinta-feira, o impeachment de Dilma Rousseff completa um ano. Qual vai ser o legado do Governo Temer?
R. Temer não tem legado para deixar. Tem pra deixar o fim de um ciclo. O fim do Governo Temer vai demarcar o fim do ciclo do PT no Governo. Pelo menos desse PT que começou em 2003 com Lula. Isso não acabou no fim do governo Dilma, porque as práticas que estão aí continuam sendo exatamente as mesmas. Temer é parte absoluta desse ciclo do que se passou nessa década e meia. Não tem como ele se dissociar disso. Espero que nós todos tenhamos a sobriedade de saber eleger alguém decente, que saiba fazer um bom governo de verdade a partir de janeiro de 2019, porque fica um problema gravíssimo fiscal para próximo governo resolver. 
Foi o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy quem começou a limpar todas as pedaladas das contas públicas. O Governo Temer ainda achou muita porcaria escondida, mas já tinham herdado do Levy um bom início de faxina nas contas públicas. Mas ao próximo governo será entregue o seguinte: contas em frangalhos, déficit alto, dívida pública crescendo. Porém, boa parte dos esqueletos fiscais já terão aparecido. Não sei se todos.

TCU CONDENA CERVERÓ E GABRIELLI AO PAGAMENTO DE R$ 260 MILHÕES POR PASADENA, nas fôlhas (AE)

COMENTARIO CITOYEN---ESTES GAFANHOTOS FAZIAM MUITO SUCESSO NAS RODAS SOCIAIS E BOÊMIAS DO LEBLON E ARREDORES, ATÉ SEREM POSTOS EM CAUSA PELAS FALCATRUAS PRATICADAS--HOJE RECEBEM UM BOM DIA CAUTELOSO E RESSABIADO, DOS ANTIGOS ADULADORES.....(porque foram descobertos!) É ASSIM A PATROPI!
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VALOR DIZ RESPEITO AO DANO AO PATRIMÔNIO CAUSADO PELA COMPRA DA REFINARIA NO TEXAS
TCU CONDENOU JOSÉ SÉRGIO GABRIELLI E NESTOR CERVERÓ A PAGAR CERCA DE R$ 260 MILHÕES PELOS DANOS CAUSADOS NA COMPRA DA REFINARIA DE PASSADENA.

O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou nesta quarta (30) o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli e o ex-diretor Internacional da companhia Nestor Cerveró a ressarcir US$ 79 milhões (cerca de R$ 250 milhões) por dano ao erário na compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). A corte impôs ainda o pagamento de uma multa de R$ 10 milhões para cada.

O tribunal também solicitou que os dois tenham os bens arrestados para assegurar o ressarcimento e determinou que sejam inabilitados para o exercício de cargos em comissão e funções de confiança por oito anos. Na prática, no entanto, a quitação dos montantes é improvável, pois o patrimônio já rastreado de ambos não alcança o valor cobrado pelo tribunal. Cabe recurso contra a decisão.

As punições são as primeiras aplicadas pelo tribunal por causa das perdas no negócio, considerado um dos piores já feitos pela estatal. Outros executivos, que continuam sendo investigados em outros processos, estão com os bens preventivamente bloqueados.

Por unanimidade, os ministros do TCU entenderam que Cerceró e Gabrielli foram responsáveis por uma carta de intenções na qual a Petrobrás aceitou, em 2007, pagar US$ 700 milhões por 50% da planta de refino. Na época, a empresa já era dona de 50% dos ativos. Para o tribunal, o compromisso firmado fez com que o valor final desembolsado na aquisição ao grupo belga Astra Oil fosse US$ 78,8 milhões mais caro.

O então diretor Internacional, hoje delator da Lava Jato, foi quem elaborou o documento e conduziu as negociações, mas o tribunal sustenta haver provas de que o então presidente da Petrobrás autorizou “as tratativas empreendidas”.

Os ministros concordaram com a tese apresentada pelo procurador Paulo Soares Bugarin, do Ministério Público de Contas, que implicou os dois executivos em seu parecer. Os auditores da corte, no entanto, propunham isentar Cerveró e Gabrielli. Eles concluíram que não ficou demonstrado que a carta de intenções foi a causa do prejuízo no negócio.

Em seu voto, o relator do processo, Vital do Rêgo, defendeu a proposta que Cerveró atuou com aval da Presidência da Petrobrás. “Assevero que se examina nestes autos aquisição vultosa de ativo internacional em que se espera a participação obrigatória do presidente da Petrobrás nas etapas de negociação. Não é razoável considerar que o sr. José Sérgio Gabrielli não tivesse conhecimento das ações de seu subordinado direto para a formalização de negócio dessa monta. Ao contrário do que alega o responsável, as evidências dos autos demonstram que ele, ora detinha conhecimento sobre as tratativas da aquisição, ora detinha o controle, e, ora agia ativamente para a consecução da compra dos 50% finais da refinaria”, comentou.

Em sua delação premiada, firmada a partir de 2015, Cerveró admitiu ter recebido propina para viabilizar a compra de Pasadena. No entanto, ele não acusou Gabrielli de corrupção.

O processo julgado nesta quarta foi o primeiro dos quatro que tratam do negócio a chegar à fase final. Uma outra investigação, que avalia a responsabilidade da ex-presidente Dilma Rousseff, deve ser apreciada na semana que vem ou na seguinte. Como antecipou o Estado, a área técnica do tribunal e o MP de Contas, em pareceres recentes, propõem aos ministros que a petista e mais cinco ex-integrantes do Conselho de Administração da Petrobrás passem a responder por dano ao erário de US$ 266 milhões (R$ 840 milhões), além de ter os bens preventivamente bloqueados, com o objetivo de resguardar eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Posicionamentos anteriores, tanto do plenário quando da área de auditoria, eram para que os integrantes do colegiado fossem isentados. A decisão a respeito dependerá dos ministros.

A compra de Pasadena foi feita em duas etapas, uma em 2006 e a outra em 2012, ao custo total de US$ 1,2 bilhão. Inicialmente, com aval do Conselho de Administração, a Petrobrás pagou US$ 359 milhões por 50% da refinaria à Astra Oil – que, no ano anterior, havia desembolsado US$ 42 milhões por 100% dos ativos. “Isso representa um acréscimo de 1.690%”, disse Vital nesta quarta.

Em março de 2014, o Estado revelou que a então presidente da República votara a favor do negócio em reunião do Conselho de Administração. Ela disse que só deu seu aval porque se baseou em “resumo tecnicamente falho” que omitia cláusulas prejudiciais, as quais, se conhecesse, não aprovaria.

Após desacordos comerciais, a Astra acionou uma dessas cláusulas, que lhe assegurava o direito de vender sua fatia em Pasadena à estatal. Em 2012, a Petrobrás pagou US$ 820 milhões pelos 50% remanescentes à empresa belga.

Em 2014, após série de reportagens do Estado, o TCU apontou prejuízos de US$ 792 milhões no negócio e abriu os três processos para investigar as responsabilidades. Porém, decretou a indisponibilidade apenas do patrimônio de ex-executivos da estatal.

A defesa de Gabrielli informou que vai recorrer da decisão. Nesta quarta-feira, reiterou que o ex-presidente da Petrobrás não autorizou a carta de intenções. Os advogados do ex-presidente da Petrobrás voltaram a alegar que o processo demonstra que Cerveró extrapolou os poderes que tinha nas negociações de Pasadena. (AE)

TCU QUER 450 MIL PROFESSORES DE VOLTA À SALA DE AULA, nas folhas

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A Teoria, na pratica, É OUTRA! MILLÔR (FERNANDES)
Por iniciativa do ministro Walton Rodrigues, o Tribunal de Contas da União decidiu investigar e mapear professores de escola pública fora da sala de aula. 

Auditoria do TCU atesta que no ensino médio 70.000 professores estão nessa situação. No ensino básico é ainda pior: 380 mil têm gratificação de 40% para dar aulas, mas estão cedidos a outros órgãos. Cerca de meio milhão de professores devem ser obrigados a dar aulas. Ou terão de devolver a gratificação recebida ilegalmente.

DINHEIRO NO RALO--Por lei, 60% dos recursos do Fundeb são destinados exclusivamente para pagar professores do ensino básico que estão na sala de aula.

SALA DE AULA, NEM PENSAR--“Dezenas de milhares de professores são remunerados com verbas federais, e servem (??) em assembleias, câmaras e outros”, diz o ministro.

TC VAI AUDITAR--O TCU decidiu que caberá aos tribunais estaduais de Contas levantar o tamanho da burla à aplicação dos recursos do Fundeb.

NÃO PODE MESMO--Para Walton, recursos criados em benefício das futuras gerações não podem ser desviados para custear professores fora da sala de aula.

Qual 'Menudo' original seria André Fufuca, o 'Menudo do Maranhão'? por ANCELMO GOIS


Esse deputado André Fufuca, que vai comandar a Câmara dos Deputados na ausência de Rodrigo Maia, é chamado de “Menudo do Maranhão”. 
Dizem que é porque quando ele chegou ao Congresso, em 2015, aos 26 anos, gostava de sair para se divertir na noite da capital. 
Mas, cá entre nós, ele não lembra um dos integrantes do grupo de Porto Rico? 
Cartas para a Redação (do blog, off course!).

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Arte de Antonio Lucena

Charge (Foto: Antonio Lucena)

Como detectar se seu colega de trabalho sabota você, por PATRICIA RAMÍREZ

A síndrome de Procusto é o medo que leva pessoas a viverem em contínua mediocridade

Ilustração de Sol Undurraga.
Muitas pessoas que se sentem inseguras ou carentes de habilidades tentam prejudicar aqueles que veem como seus concorrentes, que se destacam ou podem ofuscá-las. Esse fenômeno é conhecido como síndrome de Procusto. 
Na mitologia grega, Procusto, filho de Poseidon, era um anfitrião terrível que torturava, amputava ou matava a marteladas todos os que se hospedavam em sua casa se seu tamanho não coincidisse com o comprimento da cama. Se o hóspede fosse maior que o leito, serrava-lhe as partes do corpo que sobressaíam, se fosse menor, desconjuntava-o violentamente. Esse tirano, de estatura descomunal e força desmedida, acabou provando do seu próprio veneno quando Teseu o desafiou a medir-se em seu leito.

Na atualidade, utilizamos o conceito de síndrome de Procusto para definir pessoas que tentam menosprezar quem é mais brilhante que elas. São exemplo de intolerância a tudo que é diferente e, principalmente, a tudo que é melhor. Procusto cortava a cabeça ou os pés que ficassem de fora de seu leito, e muitos colegas de trabalho ou líderes boicotam, humilham e limitam os que se destacam em relação a eles porque se tornam uma ameaça.

Podemos encontrar rastros da síndrome de Procusto em todos os setores, da empresa à política, do esporte à educação. Estão presentes em qualquer organização, pública ou privada. São muitos os que anseiam o poder, seja tentando alcançá-lo por méritos próprios seja degradando os que podem competir com eles. Todos conhecemos alguém de nosso entorno que se comporta dessa maneira mesquinha e vil, conscientemente ou não. Como detectá-los a tempo?

Demonstram insegurança e um sentimento de inferioridade. Indivíduos desse tipo se veem ameaçados por qualquer pessoa que acreditem ser capaz de superá-los. Quem apresentar ideias melhores que as suas poderá desmascará-los diante de um superior. O medo de perder posição, poder ou hierarquia subjaz nesses casos.

Vivem na defensiva. Talvez se sintam pouco criativos, não tão inteligentes, menos talentosos que outros. Quando se veem diante de uma ameaça, uma das soluções às quais recorrem é tentar passar à frente de seu rival. Mas carecem de recursos para se superar, de modo que, em vez de esforçar-se e potencializar suas capacidades, tentam limitar as dos outros. Pensam que assim terminarão todos iguais.

Monopolizam tarefas. O nível de competitividade com que se trabalha em certos ambientes leva alguns a querer ganhar a qualquer preço. Não raro assumem projetos para os quais não têm tempo só para evitar que sejam atribuídos a algum colega capaz de surpreender fazendo um trabalho melhor.

Realizam tarefas irracionais. E podem chegar a pensar que o fato de outros serem brilhantes significa necessariamente que eles não o são. Mas a criatividade, a habilidade, a capacidade e o entusiasmo estão em toda parte, não se esgotam porque alguém os possui.

Rejeitam a mudança. Existem funcionários, ou chefes, que trabalham há anos em uma organização e se acomodaram a determinado ritmo. Para eles, a chegada de alguém com maior motivação e entusiasmo, com vontade de mudar para melhorar significa que terão de se adaptar a uma nova forma de fazer as coisas e sair de sua zona de conforto.

Costumam julgar as opiniões dos outros a partir de seu próprio ponto de vista. Para eles, suas ideias são as únicas válidas e não há lugar para nada que seja diferente. Dessa maneira boicotam o pensamento criativo e as ideias do grupo, dificultando o trabalho em equipe.
ilustração de Sol Undurraga.
Quem sofre da síndrome de Procusto pode acabar desencadeando um transtorno psicológico. Fomos educados em valores como o esforço, a disciplina, a responsabilidade e a perseverança. Ser punido e humilhado por trazer algo a uma organização contradiz esses valores. 
As consequências podem ser devastadoras – tanto do ponto de vista pessoal como do profissional – para a vítima, que se verá limitada, questionada ou ridicularizada. Os efeitos também são nefastos para a organização, que perde ideias, inovação e uma saudável capacidade de concorrência.

Um empresário ou um gestor inteligente deveria querer estar sempre rodeado de pessoas mais capacitadas, mais criativas e mais engenhosas que ele. Ter talento e trazer um valor agregado a um trabalho é a melhor maneira de inovar e crescer. E isso implica em assumir riscos. Os empresários têm medo de formar e investir em funcionários que depois vão mudar de emprego. 
Mas quem quiser crescer, terá de se arriscar e fomentar uma política de pessoal que retenha o talento na empresa. 
Quem exerce a síndrome de Procusto não trabalha em equipe e rejeita a possibilidade de aprender com aqueles que estão à sua volta. E ainda os aniquila. Entende que a maneira de igualar a todos é torpedear os mais brilhantes. O medo de ser superado leva muitos a viver em uma contínua mediocridade, onde eles não avançam nem permitem que outros o façam.

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

Diplomata holandês deixa imóveis de R$ 3 milhões para o governo do Rio, que não responde, por ANCELMO GOIS

Arte de LAN

Isto pode, Pezão?
Um diplomata holandês e sua esposa, que moravam no Rio, deixaram uma cobertura em Copacabana e um apartamento em Ipanema, cada um avaliado em R$ 1,5 milhão, para o Abrigo Cristo Redentor, administrado pelo governo estadual, em Bonsucesso. 
Só que, há quatro semanas, os advogados que cuidam do testamento tentam, sem sucesso, comunicar a doação ao governo.

Uma boa devassa nos Tribunais de Contas é indispensável, por ANCELMO GOIS




Agora que até o terceiro segredo de Fátima foi revelado, já passou da hora de saber por onde some o meu, o seu, o nosso dinheiro. 

Para isso, uma boa devassa nos Tribunais de Contas é indispensável. Tem muita farra com o dinheiro do povo. 
Dinheiro que falta no posto médico ou na escola da esquina. Com todo o respeito.

Arte de Antonio Lucena

Charge (Foto: Antonio Lucena)

Para que a voz feminina seja ouvida, por SORAYA SANTOS,

Na última eleição, cinco estados brasileiros deixaram de eleger mulheres para o Legislativo: 
Espírito Santo, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Mato Grosso




Arte de AROEIRA

Ex-atriz pornô diz que foi contratada para namorar Thammy Miranda, nas folhas






Laíne Souza, que na época usava o nome Julia Paes, fez revelações em entrevista ao 'Superpop'
Thammy Gretchen e Júlia
Paes, quando namoravam
Rio - A ex-atriz pornô Laíne Souza, que usava o nome artístico de Julia Paes quando namorou Thammy Miranda, contou que o relacionamento começou como parte de um contrato. "Na época eu não podia falar por causa da revista, que hoje alegou falência. Fui contratada para fazer o trabalho", disse Laíne, em entrevista nesta segunda-feira ao "Superpop".

A revista em questão é a "Premium", para a qual ela e Thammy posaram para um ensaio sensual. Thammy e a modelo "ficaram juntas" por cerca de seis meses, em 2007. 
"A namorada dela ia posar com ela pra revista, desistiu e precisou de alguém para substituir. Trabalhava como assistente de palco na TV Bandeirantes e aceitei a proposta. Estava em um momento difícil da minha vida, precisava trabalhar. Sempre fui muito desencanada nesta vida", revelou.

Laíne conta que depois de um tempo, elas acabaram namorando de verdade. "Namoramos, sim. Não tinha atração por mulheres no começo, mas acabou virando realidade. Thammy é uma pessoa maravilhosa, não tenho nada contra. Não temos mais contato depois que me casei, nosso contato era de trabalho nos últimos tempos", admitiu. 

Atualmente evangélica, Laíne contou que parou de usar o nome Júlia Paes para esquecer o passado. "Botei meu nome original agora. Júlia Paes era uma personagem que apresentei para os filmes e para Thammy. Foi um momento de precipitação. Se eu tivesse tido um pouco de paciência, teria tido dinheiro de outras formas. Mas isso faz parte do nosso crescimento. Não ligo para as críticas, fazem parte".Modelo diz que foi contratada para namoro com Thammy Miranda

MINISTÉRIO PÚBLICO PEDE SUSPEIÇÃO DE GILMAR POR 200 REAIS EM FLORES, nas folhas

A Procuradoria da República no Rio enviou nesta terça-feira (29), o terceiro pedido de suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes ao procurador-geral, Rodrigo Janot. O objetivo é impedi-lo de julgar casos relativos ao empresário de ônibus do Rio Jacob Barata Filho. Os procuradores disseram que no dia 23 de novembro de 2015 Barata Filho enviou flores ao casal Gilmar e Guiomar Mendes, no valor de R$ 200,10, o que demonstra a "relação de intimidade", conforme dizem os procuradores, entre o ministro e o empresário.

Os procuradores dizem ter tomado conhecimento “nesta data” de uma mensagem eletrônica “que aponta para o íntimo relacionamento entre o acusado e o ministro”: a confirmação da compra de flores num site para o casal, entregue no endereço residencial deles, em Brasília. O ofício, que reproduz o e-mail de confirmação, o boleto de pagamento e o comprovante, mas não especifica qual o tipo de flor comprado.

Na semana passada, Janot pediu ao STF que declarasse a suspeição de Gilmar tanto com relação a Barata Filho quanto a Lélis Teixeira, também empresário do ramo, ambos investigados e presos pela operação Ponto Final da Polícia Federal. Ontem, a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, notificou o colega. Nos três pedidos, os procuradores sustentam que a proximidade de Gilmar e Barata Filho o impede de atuar.
GUIOMAR (ESQ.) É TIA DA NOIVA.
O ministro foi padrinho de casamento da filha de Barata Filho, Maria Beatriz Barata, em julho de 2013, com Francisco Feitosa Filho, que é "sobrinho de Gilmar", ressaltam os procuradores da República. Na verdade, é sobrinho da mulher do ministro, Guiomar Mendes. 
O fato de Guiomar trabalhar num escritório de advocacia que defende investigados da Lava Jato também é mencionado pelo Ministério Público - que não cita o nome do escritório, mas, à época, o advogado Sérgio Bermudes, titular da banca, reagiu fortemente à primeira referência, lembrando inclusive que uma filha de Rodrigo Janot atuou na defesa de investigados da Lava Jato, o que tambem o tornaria suspeito.

Outro ponto que vem sendo apontado pelos procuradores é que Barata Filho é sócio de Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, cunhado de Gilmar, em uma empresa de transportes, e seu amigo. Argumentam ainda que Barata Filho e Gilmar têm um "advogado em comum", Rodrigo Mudrovitsch.

Os novos pedidos foram encaminhados após Gilmar conceder habeas corpus que soltou Barata Filho e Teixeira. Segundo as investigações, eles estão entre os cabeças do esquema de corrupção do ex-governador Sergio Cabral (PMDB) no setor de transportes do Estado. Cabral teria recebido R$144,7 milhões em propinas para agir em favor dessas empresas.

MINHA TERRA TINHA PALMEIRAS, por JOSÉ PAULO CAVALCANTI FILHO

Comentario ecologico-- quem se cerca de oportunistas esbanja oportunidades.....Wladimir Palmeira sabe bem e jogou a toalha......
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São versos de (Antônio) Gonçalves Dias, na sua Canção do Exílio. Implorou aos céus, o poeta, “Não permita Deus que eu morra/ Sem que eu volte para lá”. Deus permitiu. 
Doente, ao perceber que não teria cura, voltou da Europa. Com só 41 anos. No navio Ville de Boulogne.Chegou a ver, em 3/11/1864, as costas do seu Maranhão. Só que o navio naufragou. E o poeta, já muito frágil, não conseguiu escapar de sua cabine. Morreu afogado. Mas essa é outra história.

Na última sexta-feira, a Caravana Rolidei de Lula programou grande ato a ser realizado na Praça (Nossa Senhora) do Carmo. Padroeira do Recife. Ocorre que o caminhão do som encontrou problemas para estacionar, no local determinado pelos dirigentes do PT. No meio do caminho tinha uma palmeira, como as do verso. Tinha uma palmeira no meio do caminho do caminhão de Lula.
Lula (Foto: AFP) | Lula (Foto: AFP)
Era uma palmeira imperial já bem grande, com mais de 20 anos, que teimava em não sair do lugar em que foi plantada. Por ser neoliberal, talvez. Solução mais simples teria sido afastar o caminhão, por 5 ou 10 metros. Mas Lula ia falar. E toda impertinência, contra o grande mestre, deve ser punida severamente. Conclusão, cortaram e retalharam a tal palmeira. Bem feito, para ela. Quem mandou ficar no meio do caminho?

Ao saber da notícia, não acreditei. Fui conferir. Encontrei, no local, três vendedoras com uniforme do “Pernambuco dá Sorte”. Em seus carrinhos de trabalho. Estavam indignadas. Disseram haver pedido que a pobre árvore não fosse cortada. Em vão. Nos mostraram o local, agora coberto por cimento. Junto de monumento ao “Herói da resistência negra do Quilombo dos Palmares”.

Em meio ao calçadão de pedras portuguesas, agora está uma bola de cimento. Como um marco à insensatez. Estátua plana para comemorar o feito heroico de abater uma palmeira viçosa. Cheguei a pensar em pedir o nome das tais vendedoras, para pôr nesse texto. Melhor não. Temi pela segurança delas. Quem mata palmeiras inocentes é capaz de tudo.

O que espanta, em ações assim, é a prepotência. É a demonstração de que se consideram acima da Lei. Como se fossem deuses. Como se o discurso em favor dos mais pobres perdoasse tudo. Só a sensação de impunidade absoluta faz com que possam ter coragem de cortar uma árvore. Bem visto, a mesma que permitiu assaltar as estatais. E cobrir o malfeito. Ou tentar. É a marca dessa gente. No caso das estatais, escondendo a corrupção com dinheiro fora do país e doações eleitorais que dizem ter sido “legítimas”. No caso da palmeira, cimento.

Há incongruências graves no discurso de PT e agregados. “Se trago as mãos distantes do meu peito/ É que há distância entre intenção e gesto”, palavras do português Ruy Guerra (em Calabar). Nos discursos, todos se dizem a favor da democracia. Enquanto apoiam a ditadura sanguinária do “companheiro Maduro”, palavras de Lula.

Nos discursos, são a favor de uma política mais limpa. Enquanto seu Presidente de Honra já foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A 9 anos e 6 meses de cadeia. Sendo réu em mais 5 processos. A Presidente do Partido também é ré, no Supremo. Ela e seu marido. Todas as figuras importantes, em volta deles, foram já condenados. Ou são réus, em processos por corrupção. Ministros, governadores, deputados. E, nos discursos, ainda têm a coragem de se dizer contra a corrupção. Só mesmo rindo.

São também, nos discursos, a favor da natureza. Enquanto matam palmeiras imperiais. Tenho ganas de vomitar. E nem é só esse caso. Também um belo e imponente pé de coração de nego foi abatido, no Marco Zero. Porque impedia o palanque do PT, vitorioso na Prefeitura do Recife. Pobre dele. E tudo sob o silêncio cúmplice de todos os simpatizantes do PT e cercanias. Ecologistas, amantes do verde, funcionários de órgãos de preservação da natureza. Todos eles. Calados. Lembro Drummond (no Caso do Vestido), “boca não disse palavra”.

A parceria entre PSB e PT já começa, também, a dar seus primeiros frutos. Quem é do time deles pode fazer o que desejem. Cortar as árvores que quiser. Onde quiser. Quando quiser. Fosse um de nós que aparecesse no Carmo, com um serrote, e seria preso. Nós, presos. Os de PT e PSB, problema nenhum. E nem desculpas pediram. Não está certo. 

Iguais também, nos seus destinos, Gonçalves Dias e aquela palmeira. Que o corpo do poeta jamais seria encontrado. Suspeita-se que foi pasto dos tubarões. Enquanto a pobre palmeira, depois de retalhada, vai se decompor em algum terreno baldio. O poeta diz, nos seus versos, “As aves que aqui gorjeiam/ Não gorjeiam como lá”. Sobre as árvores. Problema é que, por aqui, nossas aves terão agora uma palmeira a menos onde pousar.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Richard Blair: “A sociedade evoluiu para o que George Orwell viu”, por BERNARDO MARÍN

Filho do escritor e presidente da Orwell Society reflete sobre o legado do seu pai
Richard Blair, filho de George Orwell, na estação da Atocha (Madri), no último domingo. 

Em fevereiro de 1937, um jovem britânico na faixa dos 30 anos, idealista e desajeitado, chegava às trincheiras da frente de Aragão para defender a República Espanhola. 
Chamava-se Eric Arthur Blair, embora a história o recorde como George Orwell. Neste mês, 80 anos depois do começo daquela aventura, o inglês Richard Blair, único filho do escritor, um engenheiro agrícola aposentado de 72 anos, viajou a Huesca (Espanha) para participar da inauguração de uma grande exposição sobre seu pai. Em uma conversa com o EL PAÍS durante sua rápida passagem por Madri no regresso a Londres, Blair evocou a figura de Orwell e comentou a atualidade do seu legado e a onda de interesse em torno do seu último romance, 1984, transformado em best-seller mundial desde a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

“É verdade que nas últimas semanas, com as referências nos Estados Unidos aos ‘fatos alternativos’ [mencionados por Kellyanne Conway, uma das principais assessoras do presidente], aumentou muito o interesse por seu livro. 
Mas meu pai nunca deixou de estar na moda.” Originalmente, 1984 não era uma profecia, e sim uma fábula sobre os totalitarismos nazista e stalinista. Mas, como observa Blair, alguns detalhes que no romance pareciam ficção científica há bastante tempo foram incorporados ao nosso cotidiano – caso das câmeras de segurança que vigiam quase todos os nossos movimentos, ou o conhecimento que algumas empresas têm sobre nós apenas pela forma como navegamos na Internet ou pelo uso que fazemos do nosso cartão de crédito. 
“A sociedade evoluiu para o que ele viu. O mundo se encaminhou para Orwell”, afirma.
George Orwell e seu filho Richard, em 1946. VERNON RICHARDS

Blair é o presidente da Orwell Society, organização sem fins lucrativos que se dedica a promover o debate de ideias e o conhecimento sobre a vida e obra do escritor, sob uma escrupulosa neutralidade em questões políticas. Talvez por isso, escolha muito bem suas palavras quando fala de Trump. “Acho que neste momento há muita tensão e compressão na Casa Branca. 
É verdade que Trump está atacando a imprensa, mas é um completo enigma, todos estão manobrando e aprendendo a conviver.” Naturalmente se alegra com o aumento das vendas dos livros de seu pai, inclusive porque é o herdeiro dos seus direitos autorais, (“que caducam em 2020”, comenta). Mas admite que é inquietante que esse efeito se deva aos paralelismos vistos pelo público entre a situação atual e a distopia que Orwell descreveu.

O escritor e sua mulher, Eileen, adotaram Richard em 1944. Dez meses depois, Eileen morreu durante uma cirurgia. Alguns amigos sugeriram ao escritor, tuberculoso, que devolvesse o menino, mas ele se recusou. 
A relação entre pai e filho se estreitou quando ambos se mudaram para a ilha de Jura, na Escócia. Um lugar mais saudável para conviver com a doença, e tão frio que, “se você se afastasse seis polegadas [15 centímetros] da chaminé, congelava”. 

Daqueles anos, Blair guarda a lembrança de um pai amoroso, que lhe fabricava brinquedos de madeira, com um peculiar senso de humor e nenhum dos escrúpulos da educação moderna. Certa vez, deixou o pequeno Richard, de três anos, dar uma tragada num cachimbo que ele havia enchido com o tabaco que juntava das bitucas do pai. O efeito, além de um tremendo ataque de vômito, foi que o menino ficou, temporariamente, vacinado contra o vício de fumar.

Foi em Jura que Orwell concluiu 1984. Durante o dia, escrevia em seu quarto e compartilhava os entardeceres com o menino. Uma de suas atividades favoritas era a pesca, em especial das lagostas que completavam uma dieta parca por causa do racionamento do pós-guerra. Na volta de um fim de semana de descanso no oeste da ilha, naufragaram e quase morreram afogados. Salvaram suas vidas, mas segundo Blair, o incidente agravou a saúde do seu pai. 
Seu amigo David Astor, dono do jornal The Observer, onde o escritor publicava, pediu permissão para importar dos EUA o antibiótico estreptomicina, então recém-descoberto. Mas Orwell desenvolveu alergia ao medicamento, e o esforço foi em vão. “As unhas lhe caíram, brotaram bolhas nos lábios”, recorda Richard. O escritor morreu em janeiro de 1950. Tinha 46 anos, e seu filho estava prestes a completar seis.

Qual é o ensinamento mais importante que Orwell nos deixou?
Para os jornalistas, há vários, segundo Blair. “Seja honesto. O mais importante são os fatos que você puder provar, não a realidade que você gostaria que fosse. Hoje, os jornalistas não têm tempo de checar os fatos, e os erros se perpetuam e se multiplicam na Internet, até se transformarem numa verdade.” O filho do escritor recorda também suas seis regras para escrever com clareza: “Nunca use uma metáfora ou comparação que você costume ler [os clichês]; nunca use uma palavra longa se puder usar outra mais curta; se puder cortar uma palavra, corte; nunca use a voz passiva se puder usar a ativa; nunca use um termo estrangeiro, científico ou jargão se puder usar uma palavra de uso cotidiano; rompa qualquer uma destas regras se a alternativa for escrever alguma coisa francamente ruim”. E conclui com a definição de liberdade feita por seu pai:
 “Liberdade é poder dizer algo que os outros não querem ouvir”.

Blair se diz particularmente preocupado com a falta de diálogo na sociedade contemporânea. “As pessoas se dedicam a gritar umas com as outras, sem se escutarem.” E se surpreende ao ver que os jovens, em vez de falar cara a cara, passam o dia olhando seus celulares. “Até os casais nos restaurantes! Estarão se comunicando entre si por mensagens?”, brinca. E o que pensaria Orwell do século XXI, da Internet, dos grandes avanços científicos e da pós-verdade? “Ah, essa é a pergunta do milhão. Mas não é possível entrar na cabeça de ninguém. Nem responder a isso lendo seus livros. Se fosse vivo, teria 113 anos e teria tido muitas novas influências… é bobagem especular”. Portanto, nem ele sabe, nem há como saber. Mas se atreve a supor uma coisa: que, de qualquer forma, provavelmente faria reflexões cheias de bom senso.
O ESCRITOR (E SEU COMANDANTE KOPP) TOMAM UM CAFÉ EM HUESCA
Blair (em primeiro plano), junto a Kopp na inauguração da exposição de Huesca, na sexta-feira.
Richard Blair visitou a Espanha para participar da inauguração de uma exposição, intitulada Orwell Toma Café em Huesca, que recorda a participação de seu pai na Guerra Civil espanhola. A mostra, organizada pelo Governo da região de Aragão, pela administração provincial de Huesca e pela prefeitura da cidade, foi inaugurada em 17 de fevereiro, coincidindo com o 80º. aniversário da chegada do escritor à frente de Aragão, e ficará aberta até 25 de junho.

O nome da exposição é uma alusão a uma frase que Orwell incluiu em Lutando na Espanha (Homage to Catalonia), seu livro de memórias sobre o conflito, supostamente dita pelo general que comandava as tropas republicanas depois da captura da localidade de Siétamo: “Amanhã tomaremos um café em Huesca”. Mas a cidade aragonesa não caiu, embora alguns jornais da zona leal à República tenham chegado a publicar essa notícia em suas primeiras páginas.

Orwell não tomou esse café, mas Richard na semana passada aproveitou a oportunidade, na companhia de um descendente de outro protagonista da sua aventura espanhola: Quentin Kopp, organizador de eventos da Orwell Society e filho do comandante Kopp, chefe do escritor nas milícias do POUM (Partido Operário de Unificação Marxista), próximas do trotskismo.

Lutando na Espanha é uma obra honesta, que não agrada totalmente a quem mantém uma visão maniqueísta da guerra. Orwell foi à Espanha para lutar contra o fascismo, mas, como aconteceu com os trotskistas e anarquistas, acabou sendo perseguido pelos comunistas de linha soviética. 
A Espanha ainda não compreendeu bem sua história recente, segundo Blair, e esse livro, o mais vendido sobre a Guerra Civil, contribui para reduzir “esse grande buraco negro que há entre 1936 e 1975”. “Ainda há pessoas que chegam até mim com lágrimas nos olhos e me dizem: obrigado pelo que o seu pai fez”.

PÓS-VERDADE--A arte de manipular multidões, por ÁLEX GRIJELMO

Técnicas para mentir e controlar as opiniões se aperfeiçoaram na era da pós-verdade



A era da pós-verdade é na realidade a era do engano e da mentira, mas a novidade associada a esse neologismo consiste na popularização das crenças falsas e na facilidade para fazer com que os boatos prosperem.

A mentira dever ter uma alta porcentagem de verdade para ser mais crível. E terá ainda maior eficácia a mentira composta totalmente por uma verdade. Parece uma contradição, mas não é. Na sequência analisaremos como isso pode acontecer.
A pós-mentira
Hoje em dia tudo é verificável e, portanto, não é fácil mentir. Mas essa dificuldade pode ser superada com dois elementos básicos: a insistência na asseveração falsa, apesar dos desmentidos confiáveis; e a desqualificação de quem a contradiz. E a isso se soma um terceiro fator: milhões de pessoas prescindiram dos intermediários de garantias (previamente desprestigiados pelos enganadores) e não se informam pelos veículos de comunicação rigorosos, mas diretamente nas fontes manipuladoras (páginas de Internet relacionadas e determinados perfis nas redes sociais). A era da pós-mentira fica assim configurada.

Dessa forma, milhões de norte-americanos acreditaram em uma mentira comprovada como a afirmação de Donald Trump de que Barak Obama é um muçulmano nascido no estrangeiro e milhões de britânicos estavam convencidos de que, com o Brexit,o Serviço Nacional de Saúde teria por semana 350 milhões de libras (1,4 bilhão de reais) adicionais.

A tecnologia permite hoje manipular digitalmente qualquer documento (incluindo as imagens), e isso avaliza que se indique como suspeitos os que reagem com dados certos diante das mentiras, porque suas provas já não têm valor de fato. E se acrescenta a isso a perda de parte da independência na imprensa com a crise econômica. O número de jornalistas foi reduzido e ela precisou levar em consideração não só os leitores, mas também os proprietários e anunciantes. Em certos casos, utilizam também técnicas sensacionalistas para obter reações na Rede, o que fez com que perdesse credibilidade.

Com tudo isso, se chegou à paradoxal situação de que as pessoas já não acreditam em nada e ao mesmo tempo são capazes de acreditarem em qualquer coisa.

Muitos jornais dos Estados Unidos verificaram as dezenas de falsidades difundidas pelo presidente Trump (em janeiro já havia dito 99 mentiras segundo o The New York Times), mas isso não as desativou. E a imprensa britânica, por sua vez, esmiuçou as mentiras dos que pediam a saída da UE, mas isso não desanimou milhões de eleitores.

A pós-verdade
A mentira sempre é arriscada, e requer formas muito potentes para sustentar-se. Por isso as técnicas de silêncio costumam ser mais eficazes: emite-se uma parte comprovável da mensagem, mas se omite outra igualmente verdadeira. Aqui estão alguns exemplos:

A insinuação. Não é preciso usar dados falsos. Basta sugeri-los. Na insinuação, as palavras e imagens expressadas se detêm em um ponto, mas as conclusões inevitavelmente extraídas delas vão muito mais além. O emissor, entretanto, poderá se defender afirmando que só disse o que disse, que só mostrou o que mostrou. A principal técnica da insinuação na imprensa parte das justaposições: ou seja, uma ideia situada ao lado de outra sem que se explicite a relação sintática ou semântica entre ambas. Mas sua contiguidade obriga o leitor a deduzir uma ligação.

Isso aconteceu em 4 de outubro de 2016 quando Iván Cuéllar, goleiro do Sporting de Gijón, saía do ônibus de sua equipe para jogar no estádio Riazor. Recebido com vaias pela torcida do La Coruña, Cuéllar parou e olhou fixamente em direção aos torcedores. A câmera só enfocou ele, o que levava à dedução de uma atitude desafiadora diante das vaias. E a situação foi apresentada dessa forma em um vídeo de um veículo de comunicação asturiano. Dessa forma, foram mostrados, justapostos, dois fatos: a torcida rival que vaiava e o jogador que olhava fixamente em direção aos torcedores. Não demorou a chegar a acusação de que Cuéllar havia sido um provocador irresponsável.

Ocorreu algo que aquelas imagens não mostraram: entre os torcedores, uma pessoa havia sofrido um ataque epilético e isso chamou a atenção do goleiro do Sporting, que olhou fixamente nessa direção para comprovar que o torcedor estava sendo atendido (pelo próprio serviço médico do clube). Ao verificar que o atendimento foi feito, seguiu seu caminho. Tanto a presença dos torcedores como suas vaias e o olhar do jogador foram verdadeiros. A mensagem, entretanto, foi alterada – e, portanto, a realidade percebida – ao se justapor os acontecimentos ocultando um fato relevante.

A pressuposição e o subentendido. A pressuposição e o subentendido possuem traços em comum, e se baseiam em dar algo como certo sem questioná-lo. Por exemplo, no conflito catalão se difundiu a pressuposição de que votar é sempre bom. Mas essa afirmação não pode ser universal, uma vez que não se aceitaria que o Governo espanhol colocasse urnas para que a população votasse se deseja ou não a escravidão. Somente o fato de se admitir essa possibilidade já seria inconstitucional, por mais que a resposta esperada fosse negativa. Primeiro seria necessário modificar a Constituição para permitir a escravidão, e depois sim poderia ocorrer uma votação a respeito. Foi criada, portanto, uma pressuposição segundo a qual o fato de votar é sempre bom, quando a validade de uma consulta está ligada à legitimidade e à legalidade democrática do que é colocado em votação.
Por vezes os subentendidos são criados a partir de antecedentes que, - reunindo todos os requisitos de veracidade, se projetam sobre circunstâncias que concordam somente em parte com eles. 
Por exemplo, nos chamados Panama Papers foram denunciados casos reais de ocultação fiscal. Uma vez expostos os fatos reais e criadas as condições para sua condenação social, foram acrescentados à lista outros nomes sem relação com a ilegalidade; mas o subentendido transformou a oração “tem uma conta no Panamá” em algo delituoso que contribuiu com a criação de um estado geral de opinião falso. Não é crime realizar negócios no Panamá e por conta disso abrir contas nesse país; mas se isso se expressa com essa oração suspeita, o legal se transforma em condenável pela pressuposição.

A falta de contexto. A falta do contexto adequado manipula os fatos. Assim aconteceu quando o deputado independentista catalão Lluis Llach recebeu ataques injustos por declarações sobre o Senegal. Em 9 de setembro de 2015, um jornal barcelonês postava em sua manchete esta frase, colocada na boca do ex-cantor e compositor: “Se a opção do sim à independência não for majoritária, vou para o Senegal”. Daí se poderia deduzir que ir para o Senegal era algo assim como um ato de desespero (e uma ofensa para aquele país africano). Desse modo interpretaram alguns colunistas e centenas de comentários publicados sob a notícia. No entanto, o jornal tinha omitido um contexto importante: Llach criou anos atrás uma fundação humanitária de ajuda ao Senegal e, portanto, longe de expressar desprezo em suas palavras, ele mostrava o desejo de se voltar para essa atividade se o seu esforço político fracassasse. Nessa falta de dados de contexto se pode incluir a omissão cada vez mais habitual das versões e das opiniões –que deveriam ser recolhidas com neutralidade e honestidade– daquelas pessoas atacadas por uma notícia ou opinião.

Inversão da relevância. Os beneficiários desta era da pós-verdade nem sempre dispõem de fatos relevantes pelos quais atacar seus adversários. Por isso, com frequência recorrem a aspectos muito secundários.... que transformam em relevantes. Os costumes pessoais, a vestimenta, o penteado, o caráter de uma pessoa em seu entorno particular, um detalhe menor de um livro ou de um artigo ou de uma obra (como naquele caso dos manipuladores de marionetes em Madri)...adquirem um valor crucial na comunicação pública, em detrimento do conjunto e das atividades de verdadeiro interesse geral ou social. Desse modo, o que for opinião ou subjetividade sobre esses aspectos secundários se apresenta como noticioso e objetivo. E, portanto, relevante.
A pós-censura

Até aqui foram analisadas brevemente (por razões de espaço e de lógica jornalística) as técnicas da pós-mentira e da pós-verdade. Mas os efeitos perniciosos de ambas recebem o impulso da pós-censura, segundo retratou e definiu Juan Soto Ivars em Arden las Redes (Debate, 2017).

Neste novo mundo de pós-censura quem se manifesta à margem da tese dominante recebe uma desqualificação muito ofensiva que serve como aviso para outros navegadores. Assim, a censura já não é exercida nem pelo Governo nem pelo poder econômico, mas por grupos de dezenas de milhares de cidadãos que não toleram uma ideia discrepante, que se realimentam uns com os outros, que são capazes de linchar quem, a seu ver, atenta contra o que eles consideram inquestionável, e que exercem seu papel de turba mesmo sem saber muito bem o que estão criticando.

Soto Ivars detalha alguns casos assustadores. Por exemplo, o espancamento verbal sofrido pelos escritores Hernán Migoya e María Frisa a partir dos respectivos tuítes iniciais de quem confundiu o que expressavam seus personagens de ficção com o que pensava cada autor, e que foram secundados de imediato por uma multidão endogâmica de seguidores que se apresentaram para o bombardeio sem comprovação alguma. Fizeram a mesma coisa alguns jornalistas que, para não ficarem de fora da corrente dominante, simplesmente recolheram das redes o manipulado escândalo, branqueando assim a mercadoria avariada.

Esta inquisição popular contribui para formar uma espiral do silêncio (como a definiu Elisabeth Noelle Neumann em 1972) que acaba criando uma aparência de realidade e de maioria cujo fim consiste em expulsar do debate as posições minoritárias. Nesse processo, as pessoas se dão conta logo de que é arriscado sustentar algumas opiniões, e desistem de defendê-las, para maior glória da pós-verdade, da pós-mentira e da pós-censura. Assim, o círculo da manipulação fica fechado.

Arte de Antonio Lucena

Charge (Foto: Antonio Lucena)

Ex-secretário de Saúde devolve R$ 13,5 milhões ao estado do RJ, nas folhas

Sérgio Côrtes está preso por corrupção desde abril. O montante estava depositado em conta nas Bahamas
Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde do Estado do Rio, no governo Sérgio Cabral

Rio - O ex-secretário de Saúde do Estado do Rio, Sérgio Côrtes, devolveu ao estado do Rio US$ 4,3 milhões (cerca de R$ 13,5 milhões). Entretanto, o valor é bem menor do que os R$ 300 milhões que o Ministério Público Federal (MPF) estima que foram desviados da Saúde do Rio por Côrtes e outros acusados.

Côrtes, que foi secretário no governo de Sérgio Cabral, está preso desde abril por corrupção. De acordo os seus advogados de defesa, a transferência faz parte de uma "confissão qualificada", em que o réu barganha a redução de pena em troca de facilitar a devolução do dinheiro ilegal e explicar como foi obtido.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Gilmar Mendes e o cachorro sem rabo, por RUTH DE AQUINO

Ele pode ser vilão para você, mas é o herói dos políticos e empresários acusados de corrupção
Protesto contra corrupção em Belo Horizonte tem mural de mensagens para Gilmar Mendes.  Segundo o representante do movimento Brasileiros.Bros, Cipriano Antonio de Oliveira, Gilmar Mendes representa hoje "a síntese da injustiça e corrupção no Brasil" (Foto: Leonardo Augusta)
A Voz do Povo....
Curtos, longos, pequenos, enrolados. São assim os rabos dos cachorros. Quando o rabo está alto, é porque o cachorro está alerta ou consciente de algo. Quando esconde o rabo, está na defensiva. Quando abana o rabo, não é só sinal de amabilidade, pode ser nervosismo antes de morder. Há humanos que cortam o rabo de seus cachorros. E há humanos com o rabo preso. Conhecemos muitos nos Três Poderes.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes insinuou que não passam de “rabos de cachorro” os juízes federais que ousam desafiá-lo. 
O juiz Marcelo Bretas mandou prender o “rei do ônibus” no Rio de Janeiro, Jacob Barata, acusado de tentar fugir para Portugal com passagem só de ida e documento sigiloso da Lava Jato. Barata foi denunciado por envolvimento em esquema de propina no governo Sérgio Cabral. Gilmar mandou soltar. Bretas mandou prender novamente. Gilmar mandou soltar novamente. E achou a atitude de Bretas “atípica”.

“Em geral”, disse Gilmar, “o rabo não abana o cachorro, é o cachorro que abana o rabo.” Vale a pena escutar de novo o ministro, mesmo sabendo que é isso que ele quer. Suas pausas teatrais não são hesitações, elas se destinam a reforçar a mensagem de superioridade. “O. Rabo. Não. Abana. O cachorro.”

“Em geral”, os juízes e a sociedade civil acharam a declaração de Gilmar ofensiva e vulgar, imprópria de um juiz da Suprema Corte. Mas não a acharam “atípica”. Porque o Brasil conhece de trás pra frente sua arrogância, sua língua ferina e a falta total de comedimento nas relações com seus pares e juízes que estejam abaixo na hierarquia. O Brasil também conhece sua vocação de soltador geral da República. Ele pode ser vilão para você, mas é o herói dos políticos e empresários acusados de corrupção.

Gilmar não é só bonzinho com presos de colarinho branco. Mandou libertar em 2009 o médico estuprador Roger Abdelmassih, que estava preso havia quatro meses. Solto com habeas corpus de Gilmar, Abdelmassih fugiu, foi condenado e continuou foragido até 2014, quando foi encontrado no Paraguai. As mulheres têm mais um motivo para não gostar do ministro.

No mundo virtual, centenas de milhares de brasileiros pedem em abaixo-assinados a saída de Gilmar Mendes do STF. É uma rara unanimidade em nosso país polarizado. O procurador-geral, Rodrigo Janot, pediu ao STF que Gilmar seja impedido de julgar o habeas corpus de Jacob Barata. Gilmar foi padrinho de casamento da filha de Barata. O noivo é sobrinho da mulher do ministro. O filho de Barata é sócio do cunhado do ministro. A mulher de Gilmar, a advogada Guiomar, trabalha em escritório que representa os empresários de transporte. É tanto compadrio misto que a gente precisa ler de novo. Mas Gilmar não enxerga aí “nenhuma suspeição” contra ele.

Há ainda as relações “semi-presidencialistas” do ministro do STF com Michel Temer. 
Esse é o típico Gilmar palaciano, que absolve a chapa Dilma-Temer das acusações de caixa dois na campanha eleitoral de 2014. Foi por excesso de provas que Gilmar ajudou a livrar Temer da cassação. E agora sempre acha tempo para se encontrar com Temer fora da agenda oficial e inspirar o discurso do atual presidente. Ter um juiz do Supremo defendendo uma reforma política que ajude a “blindar o Estado” em crises de governo, dias depois de encontrar Temer, não faz bem à credibilidade do Judiciário.

O silêncio da presidente do Supremo, Cármen Lúcia, não ajuda a preservar o STF. Só se justifica se for uma estratégia mineira para deixar o clamor assentar e se impor na hora certa. Se Cármen acha mesmo que “cala boca já morreu”, se é rápida no gatilho ao reagir a Renan Calheiros e condenar “juizeco” como adjetivo depreciativo, alguma opinião ela deve ter sobre o destempero de Gilmar Mendes, que chama os procuradores da Lava Jato de “trêfegos e barulhentos”.

Sabemos que Cármen é a favor do direito de Gilmar de opinar como manda sua consciência. Desde que, claro, ele não seja suspeito para julgar um caso. Não pode se comportar como o rei da cocada branca, reagindo com tabefes verbais a uma contestação. Não é positiva para o país a disputa ríspida entre Gilmar e o Ministério Público.

Gilmar maculou o decoro do STF. Cármen não gosta de ser pressionada, ninguém gosta. Mas precisa se posicionar com clareza, levando o caso ao plenário. Gilmar deve ou não ser suspenso do caso de Jacob Barata? É isento ou não é isento? 

Gilmar pode ou não tratar com menosprezo decisões de juízes federais e procuradores? Sabemos como um jogo de futebol degringola quando o árbitro é omisso e tíbio diante de abusos, provocações e ofensas no campo.

O Brasil não quer um STF com o rabo entre as pernas. Ou, pior ainda, sem rabo. É muito surreal para ser verdade.