segunda-feira, 31 de julho de 2017

Prostituição de Políticos-- Paulista tem protesto contra Temer e em defesa da Lava-Jato


Movimento é apoiado pelos juristas Hélio Bicudo e Modesto Carvalhosa
Movimento Quero um Brasil Ético protestou contra o presidente Michel Temer em ato na Av. Paulista - Divulgação

SÃO PAULO — Um protesto contra o presidente Michel Temer e em apoio à Lava-Jato ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo, na manhã deste domingo. O ato, convocado pelo movimento Quero um Brasil Ético, reivindicou a aprovação a denúncia contra Temer no plenário da Câmara e o fim do financiamento público de campanhas eleitorais. 
O jurista Hélio Bicudo, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, e o humorista Marcelo Madureira estiveram presentes e discursaram do alto de um carro de som.

— Não é possível aguentarmos mais o que está acontecendo com o nosso país — declarou Bicudo.

Em sua vez de falar, Madureira afirmou existir "um abismo" entre "a classe política que fica escondida em Brasília" e a população brasileira.

— Eles ficam lá na madrugada, combinando esquemas e negociatas para se apropriar do dinheiro público e se perpetuarem no poder — disse.

O grupo de manifestantes se reuniu na esquina com a alameda Ministro Rocha Azevedo entre 10h e 13h. Ao todo, 12 pessoas discursaram. O ato foi planejado pelo advogado Luiz Flávio Gomes, criador do movimento, e divulgado em redes sociais. Em sua página pessoal, Gomes publicou ser “contra todos os corruptos”. No panfleto de divulgação, destacou: “Fora Temer! Fora Lula! Fora Aécio!”.

O movimento, formado principalmente por juristas, tem por objetivo pressionar que os deputados aceitem a denúncia contra Temer em votação marcada para esta quarta-feira. O grupo, inclusive, já havia sinalizado interesse na pré-candidatura do advogado Modesto Carvalhosa em caso de eleições indiretas para a presidência.

Presente no ato, Carvalhosa foi outro que ajudou a convocar os manifestantes por meio de vídeos em seu perfil na rede. “Estou na Paulista por um Brasil decente - além dos juristas, da imprensa e demais figuras públicas, o povo já começou a chegar! Queremos o fim do fundo partidário, candidaturas civis independentes e combate implacável à corrupção”, publicou esta manhã em sua página do Facebook.

O POLÍTICO E O INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA, por ALMIR PAZZIANOTTO PINTO


Como ser vivo o homem é dotado de profundo instinto de sobrevivência. Diante do perigo recua, protege-se, defende-se e se necessário atacará para afastar ou eliminar a ameaça. Em nenhum homem, porém, tal impulso é tão apurado como no homo politicus, espécie singular do homo herectus, (quis dizer erectus ou hereticus??) com bons exemplares entre habitantes de Brasília.

A reflexão ocorre-me ao ler no “Correio de Capivari”, editado em minha cidade natal desde 1932, e do qual tenho sido colaborador, notícia publicada na edição de 22 deste mês de julho, sob o seguinte título: “Macris se antecipa e confirma voto favorável às investigações de Michel Temer”.

Macris é o deputado federal pelo PSBD Vanderlei Macris, da cidade de Americana, próspera comunidade paulista onde mantém o principal reduto eleitoral. Fomos ambos eleitos deputados estaduais pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) no distante ano 1974 Reelegemo-nos em 1978 e 1982, na vitoriosa campanha de Franco Montoro ao governo do Estado. Em 1983 enveredei pelo Poder Executivo como Secretário de Estado do Trabalho e, posteriormente na qualidade de Ministro do Trabalho, até ingressar no Poder Judiciário em 1988 como Ministro do Tribunal Superior do Trabalho.

S. Exa. persistiu no Legislativo, desenvolveu longa e brilhante carreira, até ser conduzido à Câmara dos Deputados em 2006, reelegendo-se em 2010 e 2014.

A notícia do jornal capivariano reproduz altiva declaração do deputado Macris na tribuna da Câmara, feita no dia 12, da qual extraio o seguinte trecho: “Sou favorável pela admissibilidade da investigação do presidente Temer pelo Supremo. E faço isso com a consciência de quem não quer paralisar o País, mas jamais vai tolerar que ele siga pelo caminho errado.” Pouco depois acrescenta S. Exa. “O PSDB não pode ser flexível com o jeitinho. O PSDB tem que ser inflexível com deslize moral. E não podemos deixar os nossos ideais de lado. O Brasil é outro, Sr. Presidente.”

Interpreto a publicação do discurso como prestação de contas do deputado Macris aos eleitores de Americana, Limeira, Campinas, Santa Bárbara D’Oeste, Capivari, Rafard, nem sempre atentos ao que se passa na Câmara dos Deputados. Em viril desafio à vacilante posição do partido tucano, S. Exa. afirmou que comparecerá à sessão da quarta-feira dia 12, e votará no pelo recebimento do pedido de abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal, destinado à elucidação de crimes dos quais é acusado o presidente Michel Temer.

Devo assinalar, a leitores do Diário do Poder, que Michel Temer é natural de Tiete, cidade vizinha de Capivari e próxima de Americana. Temer, como Macris, participou do PMDB de Montoro, Ulisses Guimarães, Orestes Quércia. Hoje pertencem a partidos distintos.

O instinto de sobrevivência do veterano político contribuiu para que Vanderlei Macris revelasse posição favorável à abertura de investigações, e a levasse ao conhecimento do interior paulista, em frontal divergência com dirigentes e parlamentares tucanos que, em 2018, deverão explicar as razões da cômoda permanência sobre o muro.

Concordando ou discordando, é impossível deixar de reconhecer que o deputado Macris honra o mandato que lhe foi conferido.

Almir Pazzianotto Pinto ex-Chefe do Depto Jurídico do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SP) e ex- Ministro do Trabalho pelo PSDB........

sexta-feira, 28 de julho de 2017

O advogado da Odebrecht que escapou da Lava Jato fala pela primeira vez, por JOSÉ MARÍA IRUJO & JOAQUÍN GIL

Rodrigo Tacla Durán diz que empresa ofereceu pagar a ele 15 anos de salário para ele aceitar delação
Brasileiro com cidadania espanhola conseguiu ficar na Espanha 


Rodrigo Tacla se transformou em uma bomba-relógio. Em um dos homens mais temidos pelos presidentes e altos funcionários da América Latina. Aos 44 anos, este advogado conhece bem os segredos da Odebrecht, a gigante brasileira da construção que abalou as estruturas políticas do continente depois de confirmar o pagamento de subornos milionários a Governos de 12 países. 

Até 2016, Tacla trabalhou como advogado do Departamento de Operações Estruturadas da empresa, a hermética unidade de negócios especializada em comprar vontades. Campanhas eleitorais, presentes, festas, prostitutas... Tudo valia para afagar os políticos. Como contrapartida, presidentes e chefes de Estado correspondiam com contratos de obras públicas, principal fonte de receita da maior construtora da América Latina. Um colosso com 168.000 empregados e tentáculos em 28 países.

O EL PAÍS localizou em Madri esse advogado de nacionalidade hispano-brasileira que foi preso em novembro por ordem do juiz de Curitiba, estrela da Operação Lava Jato, Sérgio Moro. 
Depois de passar 72 dias na prisão de Soto del Real –acusado de suborno e lavagem de dinheiro–, encontra-se em liberdade provisória. 
Tacla será julgado na Espanha depois que um tribunal superior do país rejeitou o pedido de extradição feito para que voltasse a seu país natal, Brasil. O advogado só tem nacionalidade espanhola desde 1994, porque seu pai e avô eram galegos.

A CONEXÃO ESPANHOLA
Pergunta. A Promotoria Anticorrupção investiga obras na América Latina de construtoras espanholas que integraram consórcios com a Odebrecht. Empresas como Acciona, que participou no metrô de Quito (5,1 bilhões de reais), ou FCC, que construiu o metrô do Panamá (6,11 bilhões), estão sob suspeita. Qual foi o papel dessas empresas?
Resposta. Não posso dar detalhes porque estou colaborando com a Promotoria Anticorrupção espanhola. O que posso dizer é que Promotoria perguntou se estava interessado em fornecer informações ao Panamá. Respondi que não tinha nenhum problema, desde que a colaboração seguisse pela via judicial. Não posso aceitar que a Promotoria do Panamá ligue para as autoridades espanholas de um modo informal [extrajudicial]. Quando pedi que a colaboração deste país fosse oficial, não me ligaram novamente.

P. Por que o Panamá não quer continuar a via convencional da colaboração judicial?

R.A chave está na amizade do responsável da filial da Odebrecht no Panamá, André Rabello, com o presidente do país, Juan Carlos Varela. Querem saber o que digo na Espanha.

A Justiça brasileira pede sua extradição por supostamente lavar mais de 50 milhões de reais a pedido da empresa. E a Odebrecht afirma que o contratou para lavar as comissões ilegais. Tacla nega. Argumenta que só prestou serviços. E que conheceu os esgotos da empresa porque “avaliou riscos” como advogado naqueles países onde a construtora comprou dezenas de políticos.

O advogado, que está colaborando com o Departamento de Justiça dos EUA e a Procuradoria anticorrupção espanhola, revela em sua primeira entrevista os pontos-chave do maior escândalo da América. Uma bomba política carregada de metralha que já afeta os presidentes Michel Temer (Brasil), Juan Manuel Santos (Colômbia) e Danilo Medina (República Dominicana), e os ex-mandatários Ollanta Humala (Peru) e Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil).

Pergunta. Você foi preso em um hotel em Madri em 18 de novembro de 2016, dois dias após desembarcar na Espanha. Foi detido por ordem do juiz Sérgio Moro que o acusa de suposto delito de suborno, lavagem de dinheiro e de integrar uma organização criminosa, por que veio para Madri?

Resposta. Não fugi do Brasil. Cheguei a Madri para participar da inspeção do Ministério da Fazenda nas minhas duas empresas espanholas. Depois da explosão do caso Odebrecht, as autoridades brasileiras e a construtora tentaram me pressionar para ser parte do acordo, um documento que assinaram 78 diretores da empresa e que significou reconhecer crimes em troca de uma redução da sentença e uma multa. 
No meu caso: seis meses de prisão domiciliar com tornozeleira, serviços comunitários e uma multa de até 44 milhões de reais. Odebrecht se ofereceu para me pagar 15 anos de folha de pagamento, se eu aceitasse o acordo. Neguei por uma questão de princípios. Enquanto falava com o Departamento de Justiça em Washington, o Brasil exigiu minha prisão em julho e setembro de 2016. Os EUA, no entanto, não me prenderam. Não quero trair ninguém.

P. A Audiência Nacional (tribunal espanhol para crimes especiais) decidiu não extraditá-lo ao Brasil, por que quer ficar na Espanha?

R. Os promotores do Brasil querem que eu reconheça crimes que não cometi. Não respeitaram meus direitos como advogado. Além disso, também querem atribuir crimes por informações que obtive na minha condição de advogado. Estão me atribuindo delitos sem provas, com base em declarações. Não houve nenhuma investigação policial.

P. Como a Odebrecht atuava?

R. A construtora arranjava tudo pagando. Distribuía comissões ao funcionário mais baixo da Administração e ao chefe de Estado. O primeiro contato era estabelecido na campanha eleitoral. A Odebrecht arcava com os gastos do marketing político dos candidatos. Tinha um acordo com o publicitário João Santana [responsável pelas bem-sucedidas campanhas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff]. A construtora sugeria depois as obras que seriam incluídas nos planos do Governo.

O dirigente incluía em seu plano de Governo as obras que interessavam à Odebrecht. A construtora, em alguns casos, assessorava os países sobre como conseguir financiamento por meio de órgãos como o Banco Mundial ou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).P. O político devolvia o favor quando chegava ao poder...

P. Quantos funcionários, candidatos e presidentes a Odebrecht subornou?

R. Mais de 1.000. Através da empresa, receberam desde gerentes de empresas públicas a chefes de Estado. Somente no Brasil há 500 pessoas afetadas. E existem políticos e altos funcionários brasileiros cujos nomes ainda não apareceram.

P. A Odebrecht pagou em 2016 a maior multa da história –-8,25 bilhões de reais– aos Governos do Brasil, Suíça e EUA para poder voltar a se candidatar a licitações públicas. A construtora reconheceu com este acordo que desde 2001 distribuiu subornos em 12 países. Consta a existência de mais Estados implicados?

R. Sim. Por exemplo, a empresa desembolsou 11 milhões de reais em janeiro de 2016 ao primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne. [O EL PAÍS tentou sem êxito contactar Browne. O primeiro-ministro de Antigua e Barbuda negou a meios locais ter recebido propina da Odebrecht]. O pagamento foi feito por intermédio do diplomata desse país Casroy James. E contou com o aval do vice-presidente jurídico da Odebrecht, Maurício Ferro. O dinheiro tinha por objetivo evitar que Antígua e Barbuda comunicasse às autoridades judiciais do Brasil as movimentações no Meinl Bank, uma instituição local adquirida pela Odebrecht e que foi utilizada para a lavagem de recursos dos subornos.


P. Pode explicar qual era a missão desse pequeno banco de Antígua e Barbuda comprado pela construtora?Embora Browne tenha recebido 11 milhões, a operação custou à Odebrecht 39 milhões. A maior parte desse dinheiro acabou no bolso de vários diretores da construtora e do Meinl Bank. A decisão [do suborno de Browne] foi adotada em setembro de 2015 durante uma reunião no Hotel InterContinental de Madri da qual eu mesmo participei.

R. O Meinl Bank era uma fachada nesse paraíso fiscal do Caribe, tinha só três empregados em um pequeno escritório. Sua sede em São Paulo estava no Consulado. Era o centro nevrálgico de onde se faziam os pagamentos irregulares. Daí se transferia dinheiro a outros bancos, como a Banca Privada de Andorra (BPA), uma instituição fechada em 2015 por corrupção. Mediante pagamentos internos se evitava deixar rastro e escapar das digitais dos fundos quando se inclui o Swift (código de transferência internacional).

P. Que papel desempenharam na estrutura de lavagem a Banca Privada de Andorra (BPA) e sua filial na Espanha, o Banco Madrid?

R. A BPA era o banco encarregado dos pagamentos finais. A Odebrecht abria contas nessa instituição em nome de Pessoas Politicamente Expostas (PEPs), que é como se denominam os cargos públicos suscetíveis de lavar dinheiro. A construtora ordenava transferências ao BPA de seu banco em Antígua e Barbuda. Depois, o dinheiro no BPA era transferido através de movimentações internas –alheias aos registros– até as contas dos beneficiários.

P. Quanto a empresa gastava por ano em propina?

R. Cerca de 960 milhões de reais. Era movimentado em dinheiro por meio de contas em paraísos fiscais e transferências internacionais. A construtora, por segurança, nunca pagava nos países de origem do beneficiário. E usava o Meinl Bank para enviar fundos a Pessoas Politicamente Expostas (PEP). Assim se fez chegar dinheiro a Michelle Lasso, uma pessoa próxima ao presidente do Panamá, Juan Carlos Varela.

P. Quem idealizou o esquema de lavagem de dinheiro? Quem era o cérebro?

R. Não há um cérebro. Há um banco como cérebro: o Meinl Bank de Antígua e Barbuda. O funcionário do Departamento de Operações Estruturadas (o escritório que distribuía os subornos), Luiz Eduardo da Rocha Soares, idealizou o sistema. Ele foi também o responsável pela compra do Meinl Bank. Havia dois diretores da construtora que eram acionistas dessa entidade em Antígua e Barbuda sem que a empresa soubesse, o próprio Rocha Soares e Fernando Migliaccio.

P. Quantas empresas a Odebrecht manejava em paraísos fiscais?


O presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, foi condenado a 19 anos de prisão. Junto com ele, 77 executivos da empresa colaboraram com o Ministério Público do Brasil em troca da redução de suas penas. A Odebrecht admitiu o pagamento de 2,5 bilhões de reais em subornos. Esse número está correto?R. Mais de uma centena. Eu cheguei à construtora em 2011. Mas a estrutura já existia desde 2006.

R. Não. Um ex-diretor do Meinl Bank declarou que essa instituição movimentou 8,15 bilhões de reais. E esse banco trabalhava exclusivamente para a Odebrecht. Não tinha clientes normais.

P. Por que a Odebrecht aceitou um acordo que implicava a admissão de culpa?

R. Porque havia muita pressão por parte dos funcionários. Se os diretores não tivessem feito o acordo, os trabalhadores o teriam feito individualmente. E a empresa não teria controlado o processo.

P. Foram pagos subornos em espécie?

R. Sim. Em 2014 a Odebrecht tentou dar um avião ao ex-presidente Panamá, Ricardo Martinelli. O político recusou. A empreiteira queria agradar Martinelli e o candidato do seu partido (o governista Mudança Democrática), que disputava as eleições gerais de 2014, José Domingo Arias, o Mimito.

A Odebrecht também organizava festas. E mandava mulheres do Brasil para festas com políticos no Panamá e na República Dominicana. Era a maneira de a empreiteira manifestar sua gratidão. Mas isso também se tornou uma chantagem...

P. Eram feitas fotos nessas festas?

R. Sim. E eram guardadas. O executivo da Odebrecht no Panamá, André Rabello, sabia como usar essas fotos. Rabello também lidava com informações sobre as esposas e as relações extraconjugais dos políticos panamenhos. A empreiteira dava presentes às esposas destes. Participei de uma reunião na qual Rabello disse que tinha a confirmação do presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, de que o país não iria responder às solicitações da Justiça do Brasil [sobre o caso Odebrecht].

P. A Odebrecht sabia que as esposas e as amantes dos políticos recebiam subornos?

R. Sim. A empreiteira resolvia a vida financeira das esposas dos políticos. Especialmente a das ex-mulheres.

P. No Brasil, a Odebrecht admitiu o pagamento de 1,12 bilhões de reais em subornos para obter contratos de obras no valor de 1,6 bilhões durante as presidências de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff...

R. O montante foi muito maior. A empresa gastava 481 milhões de reais por ano em propina. O pagamento era feito em espécie ou por meio de transferências. Até o porteiro recebia. Os subornos respingaram em todos os partidos. De direita, de esquerda... Do Governo, da oposição... E não há somente políticos entre os beneficiários... A empresa apostava. Por exemplo, na disputa entre Lula e Dilma, a Odebrecht preferiu Lula.

P. A empresa confirmou que na Colômbia pagou 37 milhões de reais em subornos para conseguir contratos no valor de 159 milhões entre 2009 e 2014. O montante está correto?

R. Não conheço em profundidade o caso da Colômbia, como tampouco tenho detalhes da situação na Argentina, Peru, Venezuela ou Guatemala. Mas os números da Colômbia reconhecidos pela empresa são muito baixos. Não acredito que a Odebrecht tivesse uma estrutura no país por causa de apenas 159 milhões de reais.

P. E no Equador, a empreiteira admitiu ter destinado 107 milhões de reais para propina ilegais para obter contratos no valor de 370 milhões durante o mandato do presidente Rafael Correa (2007-2017). Quais políticos equatorianos estão envolvidos?

R. Acabo de responder na Espanha a uma comissão rogatória –pedido de auxílio judicial entre Estados– do Equador. Informei que o ex-ministro de Eletricidade do Governo de Rafael Correa, Alecksey Mosquera, que foi preso pelo caso Odebrecht, recebeu uma comissão de 3,22 milhões de reais por meio da Banca Privada de Andorra (BPA), onde teve uma conta. Desconheço porque Mosquera recebeu essa comissão.

P. O que nos pode dizer sobre o México?

R. Que a Odebrecht acreditava que o presidente do México seria o ex-diretor geral da companhia petrolífera estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), Emilio Lozoya Austin. E gostava da ideia. A empreiteira tinha muito interesse em Lozoya.

P. A Odebrecht admitiu que pagou 189 milhões de reais em subornos a funcionários do Governo no Panamá entre 2010 e 2014, o número está correto?

R. A quantia é maior. A empresa arcou com as despesas dos principais candidatos às eleições gerais panamenhas de 2014: o situacionista José Domingo Arias e seu adversário, o atual presidente Juan Carlos Varela. Apostou nos dois. A empreiteira também pagou 3,7 milhões de reais a dois fornecedores de uma empresa de rum de propriedade de Varela. O pagamento foi feito através de uma conta no HSBC em Hong Kong. Quando Varela era vice-presidente (2009-2014), foi enviado dinheiro a Michelle Lasso, uma pessoa ligada ao político que tinha uma conta no banco da Odebrecht em Antígua e Barbuda. A empreiteira ficou assustada porque Lasso teve um problema de negócios nos EUA e temia que fosse investigada.

P. A empreiteira reconheceu o pagamento de 296 milhões de reais em comissões ilegais na República Dominicana, onde conseguiu contratos no valor de 526 milhões. Quem se beneficiou desses subornos?

R. A Odebrecht tinha uma relação muito próxima com o presidente da República Dominicana, Danilo Medina. E recomendou a Medina o publicitário João Santana. Além disso, Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira, decidiu mudar o departamento de Operações Estruturadas (o escritório que pagava os subornos) de São Paulo para Santo Domingo em 2015. O objetivo era ter maior controle contra possíveis operações policiais e investigações.

P. O senhor já recebeu ameaças nos EUA ou na Espanha?

R. Sim, por telefone e pelas redes sociais. Exigiam que me calasse. Minha mãe também foi ameaçada. Denunciei essa situação às autoridades da Espanha e dos EUA. [Tacla mostra uma mensagem de WhatsApp da mãe com o seguinte: texto: “Filho, estou sendo ameaçada por telefone. Eles dizem que te amarraram. Que é um assalto. Que querem joias, dinheiro para te libertar... São três horas da manhã..."].

P. O senhor acredita que altos funcionários e governantes da América Latina temem sua confissão?

R. Sem dúvida. Meu depoimento pode afetar muita gente poderosa no mundo.

"NUNCA PAGUEI POLÍTICOS"
Rodrigo Tacla enfrenta a acusação de ter lavado mais de 44 milhões de reais em cinco anos para a Odebrecht. De acordo com dois diretores da empresa brasileira UTC, envolvida no chamado caso Petrobras, o advogado criou uma constelação de empresas para lavar os fundos da construtora que acabavam em subornos.

Tacla diz que pode esclarecer até o último centavo de seu patrimônio. E, como exemplo, indica que está colaborando com as autoridades suíças para justificar suas contas naquele país. Acrescenta que seu principal depósito, 48 milhões de reais em uma empresa de Cingapura, é produto da venda de uma empresa de telefonia. E diz que recebeu da Odebrecht, em seis anos, 28 milhões de reais pelos seus serviços como advogado.


P. Qual o papel que desempenharam suas nove empresas no pagamento de comissões?

R. Nenhum. Nunca paguei a políticos. Jamais

P. Uma de suas empresas na Espanha, Vivosant, recebeu em 2010 um total de 37 milhões de reais de uma empresa ligada à Odebrecht através do banco Pictet de Cingapura. O que tem a dizer sobre isso?

R. É falso. Essa quantia corresponde à venda de uma empresa de telefonia. Já apresentei os detalhes do pagamento para a Promotoria Anticorrupção espanhola.

P. A empresa assegura que você foi contratado para uma missão: evadir capitais.

R. A Odebrecht diz que eu me dedicava a transformar fundos em dinheiro. Nunca retirei dinheiro em espécie.

E se a classe média de Pinheiros tivesse se omitido?, por ELIANE BRUM

Padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, abençoa a carroça de Ricardo Nascimento
Padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, abençoa a carroça de Ricardo Nascimento 

PF prende Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, por corrupção, por REGIANE OLIVEIRA

Nova fase da Lava Jato, batizada de 'Cobra', em referência ao apelido do executivo na lista de pagamento de propinas da Odebrecht

Aldemir Bendine durante conferência quando era presidente da Petrobras em 2016 SERGIO MORAES REUTERS
A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta quinta-feira em Sorocaba, interior de São Paulo, Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. 
Bendine é suspeito de prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro e foi preso durante a 42ª fase da Operação Lava Jato. Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior e o publicitário André Gustavo Vieira da Silva também foram detidos no Recife (PE). Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária no Distrito Federal e nos Estados de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

Esta fase da Lava Jato foi batizada de Cobra em uma referência ao codinome dado a Bendine nas tabelas de pagamentos de propinas apreendidas no chamado Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, descobertas durante a 23ª fase da Operação Lava Jato. 
A operação foi realizada um dia antes de uma viagem, aparentemente só de ida, de Bendine para Portugal. "Como ele tem cidadania italiana, consideramos que havia risco dele se refugiar no país", afirmou Athayde Ribeiro Costa, procurador da República, do Ministério Público Federal (MPF). André Gustavo foi preso no portão de embarque com destino a Portugal. A PF afirma que ele tinha negócios no país, tendo atuado inclusive em campanhas presidenciais.

Desde que começaram as delações de executivos da Odebrecht, Bendine está no radar da PF. O delator Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, contou que a empresa vinha sendo achacada por Bendine, desde a época em que ele era presidente do Banco do Brasil. O executivo estaria contrariado porque Marcelo Odebrecht tratava apenas com Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda) durante o Governo Dilma Rousseff, pois queria ter acesso às benesses do caixa da empreiteira.

Segundo o empresário Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, para facilitar alongar uma dívida da Odebrecht Agroindustrial com o banco, Bendine teria pedido 17 milhões de reais em "pédágio". Mas a empresa considerou que ele não tinha poder para decidir de forma ativa no contrato de financiamento do Banco do Brasil e negou o pedido.
Sigam a coletiva de imprensa da 42° Fase da #LavaJato - Operação Cobra https://youtu.be/BetqVLIbPkc via @YouTube

A situação mudou quando Bendine foi alçado por Dilma à presidência da Petrobras, após a renúncia de Graça Foster, no início de 2015, uma vez que o grupo tinha relações profundas com a petroleira. De acordo com a PF, Bendine utilizava o nome da ex-presidente Dilma para tentar se aproximar dos empreiteiros. No entanto, não há indícios de que ela esteja envolvida com os crimes do executivo.

Os delatores afirmaram que Bendine e seus operadores financeiros pediram 3 milhões de reais pra não prejudicar as relações entre a Petrobras e a Odebrecht. Os valores seriam pagos em três parcelas. Marcelo Odebrecht assumiu em delação que cedeu ao "achaque de Bendine" porque a coisa mudou de figura. "O cara é nomeado por ela [Dilma Rousseff], recém-eleito presidente na Petrobras, e a gente cheio de problemas na Petrobras, Lava Jato (...). A gente não vai pagar 17 [milhões], mas vamos administrando", afirmou o empresário.

De acordo com a PF, aparentemente, estes pagamentos somente foram interrompidos com a prisão de Marcelo Odebrecht, quando a Lava Jato já estava em operação. Bendine renunciou a presidência da estatal em maio de 2016, após uma sucessão de escândalos que envolvia a Petrobras e em meio a um cenário em que a empresa apresentava um dos maiores prejuízos da empresa na história.

Histórico de problemas
Polêmicas envolvendo Bendine começaram antes mesmo dele assumir o Banco do Brasil. Em 2010, a mídia divulgou que o executivo havia comprado um apartamento no interior de São Paulo pagando cerca de 130.000 reais em dinheiro vivo. O fato gerou estranheza à época por ele ser um executivo que incentiva os demais a depositar suas economias em banco.

Em 2015, o MPF começou a investigar empréstimos suspeitos concedidos pelo BB, com a autorização de Bendine, à socialite Val Marchiore – que ficou famosa no programa Mulheres Ricas –, e a seus parentes. A procuradoria regional solicitou documentos ao banco para saber se a concessão de um crédito de 2,7 milhões de reais, a juros subsidiados do BNDES, teriam sido feitos de forma irregular. Na época, Marchiore era devedora do BB, o que, em tese, deveria limitar o acesso ao crédito. Bendine negou qualquer irregularidade.

Mais recentemente, o ex-presidente da Petrobras também foi citado na delação do diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud. Segundo ele, Bendine tentava negociar uma posição na Vale. Saud afirmou ainda que utilizava os serviços de André Gustavo Silva para repasse de propinas a agentes políticos.

Bendine e os demais detidos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba onde permanecerão à disposição do juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba. A reportagem ainda não conseguiu contato com os advogados do executivo para comentar sua prisão.

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

terça-feira, 25 de julho de 2017

Arte de AMARILDO

Charge (Foto: Amarildo)

MUITOS QUERIAM FIM DO GOVERNO DILMA E NÃO DA CORRUPÇÃO, DIZ PROCURADOR SANTOS LIMA--NAS FOLHAS

COMENTARIO PRUDENTE E CONCISO-- na "politica" brasileira, como na física de Lavoisier--nada se perde e tudo se transforma...---

PARA SANTOS LIMA, ‘PRÓXIMO PASSO DO PMDB’ PARECE SER ACABAR COM A LAVA JATO
PROCURADOR DA LAVA JATO CRITICOU AFIRMAÇÃO DE PEEMEDEBISTA QUE DETERMINA PRAZO PARA A OPERAÇÃO (FOTO: RODOLFO BUHRER)
O procurador regional da República, Carlos Fernando dos Santos Lima, que atua na força-tarefa da Lava Jato, reagiu à entrevista do vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), ao jornal O Estado de São Paulo, na qual o parlamentar defendeu um “prazo de validade” para a operação.

Em mensagem publicada no Facebook nesta segunda-feira, 24, Santos Lima afirma que ‘o próximo passo do PMDB’ parece ser acabar com a investigação. No entanto, o procurador garantiu que ‘as investigações vão continuar por todo o País’.

Santos Lima afirmou ainda que muitos queriam fim do governo Dilma e não da corrupção.

“Acabar com a Lava Jato. Esse parece ser o próximo passo do PMDB. Infelizmente muitas pessoas que apoiavam a investigação só queriam o fim do governo Dilma e não o fim da corrupção. 

Agora que Temer conseguiu com liberação de verbas, cargos e perdão de dívidas ganhar apoio do Congresso, o seu partido deseja acabar com as investigações. Mas, mesmo com todas as articulações do governo e de seus aliados, as investigações vão continuar por todo País”, escreveu.

Na entrevista ao Estadão, Fabio Ramalho afirmou que ‘o Brasil não vai aguentar isso para o resto da vida’, ‘ela (Lava Jato) não pode ser indeterminada. Ela já fez o seu trabalho”.

“Defendo a Lava Jato, mas tem de ter prazo de término. O Brasil não vai aguentar isso o resto da vida. Além da corrupção, tem de se avançar na desburocratização do País, na segurança jurídica do País, nas reformas.”

Questionado sobre qual seria o prazo para a Lava Jato terminar, o deputado declarou: “Determina um tempo: seis meses.”

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Preso pela PF, Jacob Barata Filho soube antes de operação, nas folhas

Empresário de ônibus teve informações antecipadas das investigações sobre o pagamento de propina pela Fetranspor

Prisão do empresário Jacob Barata Filho durante Operação Ponto Final - Fabiano Rocha

Preso no último dia 2 de julho na sala de embarque do Galeão, na ação que deflagrou a Operação Ponto Final, o empresário de ônibus Jacob Barata Filho teve informações antecipadas das investigações sobre o pagamento de propina pela Fetranspor a autoridades do governo do Rio.

Jornal, mostrou que, além de informações privilegiadas, Jacob Barata Filho, ao contrário do que vinha afirmando sua defesa, tinha passagem apenas de ida para viajar a Portugal.

Numa escuta telefônica feita com autorização da Justiça no dia de sua prisão, Barata afirma a um interlocutor: “Vou hoje à noite, com a Bia (sua filha) Comprei ida, a volta deixa”, diz. No momento de sua prisão, a Polícia Federal (PF) encontrou na pasta que Barata carregava papéis relativos à Operação Ponto Final, como uma lista de investigados e até a ordem judicial para quebra de sigilo bancário de suas empresas.

O Ministério Público Federal (MPF) e a PF classificaram como “grave” o vazamento das informações. Uma suspeita é que, por ser dono do Banco Guanabara, ele tenha tido acesso aos informes emitidos pelo Banco Central (BC) a outras instituições sobre o bloqueio. 
O BC diz que seu sistema é protegido e de acesso exclusivo da Justiça e de outros bancos. Ao Jornal Fantástico, a defesa de Barata insistiu que ele tinha passagem de ida e volta a Portugal e que se tratava de uma viagem de negócios.

No dia da prisão, a assessoria de imprensa de Jacob Barata Filho negou que ele estivesse fugindo. Segundo o texto, ele "estava realizando viagem de rotina a Portugal, onde possui negócios há 
décadas e para onde faz viagens mensais". 

O pai do empresário, Jacob Barata, atua no ramo dos transportes via ônibus no Rio de Janeiro há várias décadas. Ele é conhecido como "Rei do Ônibus" e é fundador do Grupo Guanabara, no qual Jacob Barata Filho também é um dos gestores. 

Várias empresas do conglomerado atuam no transporte de passageiros no Rio.

Temer comprou imóveis de Yunes que valem R$ 18,4 milhões, diz revista

Transações ocorreram quando político do PMDB era deputado federal

A família do presidente Michel Temer é dona de imóveis do empresário José Yunes, investigado por suspeita de corrupção na Lava-Jato, segundo reportagem publicada neste fim de semana pela revista “Veja”. 

Dois escritórios, uma casa e o andar de um prédio em áreas nobres de São Paulo valem atualmente R$ 18,4 milhões de reais. Transações ocorreram quando político do PMDB era deputado federal.
De acordo com a publicação, o imóvel mais valioso é um andar do prédio Spazio Faria Lima, no bairro Itaim Bibi, zona nobre de São Paulo, comprado por Temer três anos antes do seu lançamento, em 2003. Segundo registro, o político do PMDB teria pagado R$ 2,2 milhões à Yuny Incorporadora, empresa fundada por Yunes, responsável pela construção do edifício e atualmente controlada pelos seus filhos. Nos dias atuais, o andar valeria R$ 14 milhões, segundo corretores imobiliários consultados pela revista, não identificados na reportagem.
O imóvel está registrado em nome de uma empresa administrada por uma filha do presidente. 
Yunes é um dos citados da delação da Odebrecht como beneficiário de pagamentos em dinheiro destinados a políticos do PMDB. O caso ainda está sob investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e levou o empresário a pedir, no fim do ano 
passado, demissão do cargo de assessor especial da Presidência. Ele nega ter recebido valores da Odebrecht, mas apenas um pacote entregue pelo doleiro Lúcio Funaro, operador do PMDB investigado na Lava-Jato e que está preso há um ano em Brasília.

De acordo com a “Veja”, em junho de 2010, Yunes comprou uma casa no bairro Alto de Pinheiros, também zona nobre, por R$ 750 mil. 
Um mês depois o imóvel foi vendido à atual primeira-dama Marcela Temer por R$ 830 mil, quantia doada a ela pelo marido antes da compra, segundo informou a assessoria do Planalto à revista.
Consultores imobiliários disseram que a casa valia, à época, pelo 
menos o dobro do que foi declarado. Atualmente o imóvel tem valor estimado em R$ 2,4 milhões, de acordo com a reportagem.

O terceiro negócio foi registrado no ano 2000: trata-se da venda de duas salas comercias do Edifício Lugano, no Itaim Bibi, comprado por R$ 380 mil quando a estimativa de mercado apontava R$ 900 mil como valor dos imóveis. A “Veja” estimou em R$ 2 milhões o valor atual do patrimônio, doado para o filho de Temer, Michelzinho, de 8 anos.

Neste sábado, o advogado de Yunes, José Luis de Oliveira Lima, informou em nota que “todas as operações são regulares e perfeitamente legais”. Segundo ele, “José Yunes jamais efetuou qualquer operação comercial ou empresarial que fugisse da legalidade ou dos preceitos éticos”.
A assessoria do Palácio do Planalto informou que não se manifestará sobre a reportagem. À revista, a assessoria afirmou que os negócios foram “absolutamente normais”. Segundo o governo, os valores “foram de mercado” e, os pagamentos, feitos “com cheques de contas pessoais de Michel Temer”.

Gado usado em propina da JBS a políticos não era abatido, diz auditoria, nas fôlhas

No MS, empresa simulava vendas com notas frias para desviar dinheiro para governador
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Reinaldo Azambuja, governador
do Mato Grosso do Sul - Reprod. Google
Uma auditoria fiscal federal agropecuária nos documentos entregues pela JBS na delação premiada 
detalhou como se dava o esquema de pagamento de propinas a políticos do Mato Grosso do Sul usando a compra e o abate de bovinos. Os fiscais chegaram à conclusão de que o gado era vendido e pago, mas nunca entregue ao comprador.

O Jornal Nacional, teve acesso às notas fiscais e as guias de trânsito animal que mostram a fraude que era operada por políticos e pelos donos da JBS, os irmãos Wesley e Joesley Batista.

— No caso das guias de trânsito em que houve a consulta aqui ao Ministério da Agricultura, através da superintendência, nós não verificamos a existência do abate daqueles lotes correspondentes. Então, não tem registro de entrada daqueles bovinos no frigorífico —detalhou Celso de Souza Martins, superintendente federal de agricultura em Mato Grosso do Sul.
Só nos últimos 10 anos, a J&F, holding que controla todas as empresas do grupo JBS, teria pago R$ 150 milhões em propina em troca de descontos de R$ 500 milhões no ICMS só no MS.

Wesley Batista entregou ao MPF uma lista com 56 notas fiscais do frigorífico Buriti, pelo fornecimento de carne, e 23 notas de compra de gado vivo de 12 pecuaristas. O Ministério da Agricultura informou que "não foram encontrados registrados de
ocorrência dos abates" dos animais em nenhuma dessas transações.

Wesley disse que o Buriti foi usado pelo governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), para lavar dinheiro de propina. Um dos executivos do grupo, Valdir Boni, era o responsável por buscar as notas fiscais e fazer os pagamentos.

— O próprio governador tratava comigo, ele próprio. O Boni ia lá no Palácio do Governo, em Campo Grande. Essas notas o Boni pegou em mãos com o governador, essas notas fiscais e processou o pagamento — disse Wesley.

Outros auxiliares do governador também estão envolvido no esquema da emissão de notas frias, segundo os delatores:

Zelito Alves Ribeiro e Nelson Cintra, coordenadores políticos do governo, e o secretário de fazenda do estado, Márcio Monteiro.

Em nota (fria?!), o governador Reinaldo Azambuja declarou que  nunca recebeu qualquer vantagem indevida de Joesley e Wesley Batista. Disse ainda que “as quantias relativas à doação eleitoral, através do diretório nacional do PSDB, constam na prestação de contas da campanha de 2014, e que foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”. Com relação às notas fiscais frias, o governador disse que “este fato não tem qualquer relação com o nome ou as atividades dele”.

Zelito Alves Ribeiro, Nelson Cintra e Márcio Monteiro disseram que 
venderam gado à JBS e que, segundo eles, pode ser comprovado nas notas fiscais (frias?!). O PSDB declarou que as doações da JBS estão nas prestações de contas declaradas à Justiça Eleitoral.

O arauto do desastre, por Ruth de Aquino

Por que sustentamos calados um Estado inchado e ineficiente que mete a mão no nosso bolso?
(Foto: Arquivo Google)

“Estamos tratando com seriedade o dinheiro do pagador de impostos, disse o presidente Michel Temer ao anunciar o temível aumento de imposto que nos empobrecerá ainda mais. “São tantos feitos administrativos que a garganta acaba falhando”, afirmou Temer, emocionado consigo próprio. Criticou “os arautos do desastre”, que são todos aqueles que não vivem em sua ilha da fantasia. O impacto na bomba de gasolina é a pauta-bomba da semana.

Quando vejo a nova versão confiante de Temer, esculpida na compra explícita de apoio no Congresso para se manter presidente e longe do alcance da Justiça, eu me pergunto se a doença do cinismo é incurável e hereditária no Brasil. Passa de partido a partido, de governo a governo, sem pedido de desculpas. Convivemos com escaramuças fiscais, jurídicas e linguísticas, com promessas descumpridas. E, agora, escutamos novidades velhas. Um exercício de marketing desesperado. Os R$ 344,3 milhões prometidos para a saúde bucal deveriam ser “realocados” para a saúde mental dos governantes brasileiros. Eles descolaram da realidade.

Lembro ao leitor, perdido na guerra dos números e dos gráficos: a meta do governo Temer é um déficit de R$ 139 bilhões. Como fazer o povo entender isso? Qualquer pessoa honesta se deprime com o nome sujo na praça, ao não conseguir pagar uma conta. 

Mas Temer continua a rir depois de pagar R$ 1,8 bilhão pela cumplicidade de parlamentares na forma de emendas. 
O aumento do imposto na gasolina, etanol e diesel – e a alta resultante no transporte e nos alimentos – são nosso sacrifício para ajudar Temer a cumprir sua meta deficitária. O aumento não cobrirá o rombo extra do rombo original. O que ainda virá por aí? Provavelmente a CPMF.

Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, esperam boa vontade, solidariedade, compreensão. Esperam que o cidadão, assaltado por bandidos cotidianamente, também aceite ser assaltado por um Estado inchado, ineficiente, incapaz. 
O governo é o grande “arauto do desastre”. Temer pede aos bobos da Corte que tenham “o que é muito comum nos brasileiros, o otimismo extraordinário”. O senhor não tem lido as pesquisas, presidente. O que existe hoje é um “pessimismo extraordinário”, com base na realidade.

A vida das famílias dos ministros, senadores e deputados não mudou com a crise econômica. Todos recebem em dia não só os salários, mas as mordomias. A vida melhorou para todos os que receberam benesses para suas emendas, quando Temer abriu o cofre público para comprar consciências e se garantir no Palácio do Jaburu, com seu misturador de vozes em ação.

A Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, publicou anúncio intitulado “O que é isso, ministro? Mais impostos?”. O texto sublinha os motivos do pessimismo brasileiro. “Aumento de imposto recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo. Todos sabem que o caminho correto é cortar gastos, aumentar a eficiência e reduzir o desperdício.”

O Brasil é um país esquizofrênico. Enquanto no estado do Rio de Janeiro tem servidor na fila para pegar cesta básica porque não recebeu o 13º de 2016, nem maio nem junho, o governo Temer aumentou em R$ 12 bilhões seus gastos com pessoal, 11,8% acima da inflação. Chega de pagar o pato.

Há uma palavra, entre tantos clichês da macro-economia, que me dá calafrios. É o “contingenciamento”. Dos gastos do governo, 90% são obrigatórios. As obrigações deveriam mudar, para o Brasil ser mais justo. Meirelles afirma ser favorável ao corte de gastos, “mas a máquina pública tem de funcionar”. A máquina pública não funciona, ministro!

Vários órgãos do governo, entre eles a Câmara dos Deputados, estouraram o teto de gastos. Temos cerca de 30 ministérios com quase 100 mil cargos de confiança e comissionados. Pagamos aluguéis, passagens, diárias, saúde, beleza e educação dos poderosos. O funcionamento da Câmara e do Senado custa R$ 28 milhões por dia, mais de R$ 1 milhão por hora, informa a ONG Contas Abertas, do economista Gil Castello Branco. Por que pagamos viagens de Dilma Rousseff e outros ex-presidentes? Dilma gastou R$ 520 mil neste ano em viagens para contestar o impeachment. Nós gastamos. Lula, Collor, Fernando Henrique Cardoso, Sarney também têm suas viagens financiadas pelo povo.

Por que sustentamos calados um Estado que mete a mão no nosso bolso sempre que está em apuros e que continua inchado, ineficiente e incapaz? As autoridades ainda riem nas fotos, como o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que não sabe de nada, inocente, por estar desligado num spa de luxo. É absurdo, escandaloso. Nessa guerra de tronos, enredo e atores precisam mudar.

GOVERNO É CINISMO, por José Maria Couto Moreira--Advogado.

Charge (Foto: Chico Caruso)
Arte de CHICO Caruso
Governo na nação tupiniquim é cinismo, nada além de cinismo. Esta virtude maquiaveliana, originariamente europeia, não está presente no mundo europeu, principalmente entre os nórdicos, muito pra lá do Atlântico. 
Aliás, lembrando Machiavel, o Michel não está perfilando o figurino daquele mago de Florença, que cunhou o epigrama de que a maldade deve ser feita toda de vez, enquanto as bondades devem sobrevir em gotas. É assim que os príncipes são amados, e não, temidos, como queria a doutrina. 
Aqui, o cinismo é quase preceito de como manter a posição conquistada. As trincheiras estão sempre voltadas contra o eleitor, que conduziu os protagonistas desta pantomima chamada governo. 

Os acontecimentos políticos no país não conseguem acalmar os espíritos, que, a cada dia, mais se surpreendem. A afirmativa do ministro da Fazenda e do próprio presidente, ao assumirem os rumos do governo, era de que não se admitiria o aumento de impostos, velha e já apodrecida estratégia dos governantes desalmados. Parecia que o compromisso, então, seria cumprido. Contudo, não passou de balela, como estamos certos de que novas surpresas anti-povo serão engenhadas.

Tudo faz crer, a esta altura, é que não carecemos de ministro de fazenda, mas alterem-se as diretrizes e finalidades daquele órgão muito enfraquecido por uma nova ordem, uma nova ação e um novo ministério, o Ministério da Economia, que estaria presente com nova inspiração.
A este estaria afeto o rumo da economia no atacado, não mais cuidando de arrecadação ou de equilíbrio fiscal, mas de orientação e guia gerais para a economia nacional, na mesa o exame, discussão e linhas de atuação setorizadas visando o desenvolvimento nacional equilibrado, estimulando o empreendedorismo, em plantão permanente a intervir em resultados inesperados.

A economia em metas, e suas consecuções, constituiria o vértice de nossa pirâmide de gestão das atividades econômicas, e o novo ministério coordenaria a tutela de nossos superiores interesses econômicos, condizentes sempre com nossa soberania. Não mais perduraria a preocupação, o costume, o varejo e nem o viés que caracteriza o atual ministério da Fazenda em preocupar-se com processos de arrecadação, multas e outros expedientes menores que consomem a ação ministerial e reduzem a boa execução de políticas públicas de desenvolvimento. 
O que mantém o atual ministério da Fazenda é um poder solerte e calado exercido pelos bancos que para lá encaminham só gestores afinados com os seus interesses. 
Um ministério da economia já não mais teria lá um representante dos banqueiros, mas um cientista social, um agente público igualmente interessado na política bancária que melhor serve ao país mas empenhadamente voltado para a macro-gestão econômica.
É possível que o governo esteja seguindo aquela máxima de Nelson Rodrigues (o Nelson também produzia máximas, e vale a paráfrase) segundo a qual o cinismo no governo é como o cinismo no casamento, que o redime ...

domingo, 23 de julho de 2017

Um dia, os turistas vêm a Alfama para se verem uns aos outros", por GORETI PERA

Raquel Tavares é a entrevistada desta sexta-feira do Vozes ao Minuto. Numa conversa descontraída, a fadista fala-nos do seu bairro de Alfama, do “equívoco” em relação ao “triste fado” e do fenómeno Salvador Sobral.
© Global Imagens
Foi a partir da casa onde mora, em Alfama, que Raquel Tavares falou com o Notícias ao Minuto. Fê-lo com uma gargalhada sempre presente e um orgulho pelo bairro que transparece a cada frase que profere. Tinha apenas seis anos quando cantou fado pela primeira vez e foi a fadistice que a levou aos bairros mais típicos de Lisboa.

O cenário que apresenta quando interpreta ‘O Meu Amor de Longe’ é o mesmo com que convive no dia-a-dia. Senta-se na mercearia à conversa com os vizinhos, tem um saco que lança pela janela para não ter de descer as escadas e passeia pelos miradouros. Quem é de Alfama, está habituado à sua figura, não de fadista, mas de moradora do bairro.

Aos 32 anos, Raquel Tavares lida com o sucesso daquele que é o seu primeiro hit – que assume não ser um fado, mas “uma canção cantada por uma fadista” – e levanta a voz quando lhe dizem que o fado é triste. Não resistiu à tentação de cantar parte de alguns temas para provar que “o fado tradicional tem coisas felicíssimas” e garantiu ter vivido a vitória de ‘Amar Pelos Dois’, de Salvador Sobral, na Eurovisão como se fosse sua.

Tinha apenas seis anos quando começou a cantar. Crescer em Alfama fez com que o fado se enraizasse na sua identidade?
Eu nasci no Alto do Pina [freguesia de Lisboa], mas, como comecei a cantar muito pequenina, ia com a minha mãe para as coletividades dos bairros, que organizavam as noites de fado: Alfama, Mouraria, Madragoa, Marvila. Cresci nesses bairros todos porque a fadistice era muita. Mas não fui, de todo, aculturada. E minha irmã ouvia Guns N' Roses, Prince, Rui Veloso, e na minha casa ouvia-se muito Roberto Carlos, Duran Duran, não se ouvia fado.
Isto aconteceu por mero acaso numa festa de escola, quando a professora achou que eu tinha perfil para cantar um fado. Foi a partir daí que comecei a ter interesse pelos fados e daí a minha relação com os bairros e especialmente com Alfama, onde moro há 11 anos, muito perto de uma coletividade onde cantava aos sete, oito, nove anos. Sou alfacinha de gema (o meu pai é da Mouraria, a minha mãe é do Bairro Alto) e tenho uma profunda paixão por esta cidade. As pessoas de Alfama são a minha família diária. Há muita tradição ainda, embora estejamos a passar por esta fase um bocadinho claustrofóbica no que toca ao turismo. É ótimo, obviamente, para a economia geral, mas…

Considera que desvirtua aquela que é a identidade de Alfama?
É isso. Diariamente, vejo vizinhos a irem embora, a saírem das suas casas porque o negócio do Airbnb está a ganhar uma força tremenda. O povo do bairro de Alfama está a sair daqui, porque os prédios são vendidos e os compradores decidem apostar no turismo.
O povo de Alfama está a sair do bairro porque não tem condições para pagar a renda quando os prédios são remodelados. Estamos a falar de uma taxa muito elevada e, dessa forma, o bairro perde toda a graça. Um dia os turistas vêm aqui para se verem uns aos outros a passear. Quem faz o bairro são as pessoas. Há lojas de artesanato muito bonitas e gastronomia gourmet, mas Alfama não vive sem os tascos e sem o fado tradicional, sem as vendedeiras, as mercearias e talhos, a roupa lavada estendida na janela e esta gente. Se obrigarem as pessoas a sair daqui, não sei até quando vamos manter o bairro de Alfama como sendo o mais tradicional de Lisboa. É uma dualidade, eu percebo que é muito bom para a economia, mas é demais.

Sente que há um aproveitamento por parte de comerciantes, donos de restaurantes ou tuk tuks, por exemplo?
Claramente. Mas só quem fosse tolo é que não o faria, as pessoas têm de ganhar a sua vida. Obviamente que tudo inflacionou, restauração, hotelaria. Tenho amigos com tuk tuks, mas confesso que já tive uma relação mais simpática com eles. Há alturas em que sair do meu bairro para chegar a algum lado é muito difícil. [risos] A cidade é pequena, a zona histórica é muito pequena e é habitada, ao contrário de outras grandes capitais da Europa. Os segways, por exemplo, são giríssimos mas a classe média-baixa não tem dinheiro para os usar, porque é muito caro. Os preços são inflacionados para o turismo. Não condeno quem o faz, mas lamento que muitas pessoas não tenham essa oportunidade, de dar uma voltinha aqui no bairro.

Considera que deveriam ser impostos limites?
Acho que sim. Para mim, o alojamento local é definitivamente o maior problema, porque tem de ser regulamentado. E, na minha opinião, deveria ser feito um estudo para que a maçã dourada que abrilhanta Lisboa não perca a sua validade. Porque, à velocidade que isto está a acontecer, desaparece. A minha gente é muito querida, simpática, a receber. Mas chega a haver uma certa exploração desse lado. Eu não gosto de sentir que as pessoas vêm para o meu bairro como se fossem para um safari. Há quem fotografe o interior das casas sem autorização, quem fotografe as próprias pessoas sem autorização. Isso é abusivo. As pessoas não são uma atração, andam na sua vida normal.

Às vezes olham para nós como os 'coitadinhos, que vivem nestas casinhas'. Isso incomoda-me e já me insurgi contra algumas pessoas. Há guias que contam a verdadeira história do bairro e há aqueles que ainda dizem que nós não temos casas de banho e que temos um balneário público. É verdade que existe, porque no início do século XX as casas não tinham casa de banho, mas estamos no século XXI e isso já não acontece. Vamos lá regrar a coisa.
Mas atenção, não tenho nada contra o turismo nem em que visitem o nosso bairro. Mas tudo tem a sua conta, peso e medida. É preciso adaptar a cidade para receber as pessoas. No Porto de Lisboa, às vezes temos quatro navios atracados e não tem noção das pessoas que saem daqueles navios. Às vezes, para subir a minha rua apanho trânsito a pé [risos]. É muita, muita gente.

A Raquel Tavares faz parte de uma nova vaga de fadistas que mudaram a forma como ouvimos fado. É a prova de que o fado não é triste?
O fado nunca foi só triste, isso é uma grande mentira e um perfeito disparate. Há fados do início do século XX que falam das tradições de Lisboa com muita graça. Cantar fado, para mim, é cantar a vida. As pessoas estão muito equivocadas em relação ao fado tradicional. Se eu lhe perguntar como é que é o samba, dir-me-á que é alegre. Eu mostro-lhe sambas aparentemente felicíssimos que são de uma tristeza profunda. O povo brasileiro canta a tristeza de uma forma feliz. Eu conheço bem o samba de raiz porque vivi no Brasil no meio de sambistas. Se há música triste neste mundo, é o samba. Pensarão que não sei o que estou a dizer, mas sei e dou nomes de samba de raiz: Cartola, Zeca Pagodinho, Beto Carvalho, Clara Nunes. Eu canto-lhe um fado tradicional feliz. O fado tradicional tem coisas felicíssimas: ‘A casa da Mariquinhas’, de Alfredo Marceneiro, não tem nada de infeliz, é uma história da casa da Mariquinhas.

Irrita-a que as pessoas digam que o fado é triste?
Não fico zangada, mas dá-me vontade de fazer um projeto e apresentar na escola aos miúdos, que é uma coisa que acho que devia ter acontecido quando a fado foi declarado Património Imaterial da Humanidade. Vamos lá falar da história moderna em Portugal. Isto passa tudo por um aculturamento. O fado está agregado à tristeza por conta da sua história, não necessariamente por conta da sua música. Eu vou à Holanda cantar fado e as pessoas tanto choram como riem às bandeiras despregadas, quer no fado tradicional que canto feliz e triste, quer nas cantigas que canto agora. Porque este disco [‘Raquel’, 2016] não é um disco de fados, tem alguns fados, mas é um disco de canções cantadas por uma fadista.

Eu nunca tinha tido um hit na vida, para mim é uma novidade. É maravilhosoComo é que tem sido lidar com o sucesso de ‘Meu Amor de Longe’?
Eu nunca tinha tido um hit na vida, para mim é uma novidade. Quando digo nos concertos que vou cantar o ‘Meu Amor de Longe’, as pessoas gritam. Eu nunca tinha tido essa experiência, é maravilhoso. As pessoas abordam-me na rua com carinho, tenho ouvido histórias de pessoas que se identificam com aquela letra porque têm o seu amor longe. Gravei o videoclipe no meu bairro e não podia ter um cenário mais bonito. Há emigrantes que vêm a Alfama e fazem o percurso do videoclipe, depois encontram-me e perguntam-me se a parte do saco de laranjas é verdade. É verdade, eu tenho um saco em casa que mando para baixo para me porem alguma coisa e não ter de descer a escada. O lavadouro onde está a Maria Alice e a Olga a lavar os tapetes já não é tanto usado para lavar roupa, mas os tapetes sim. Aquilo é tudo verdade. As pessoas por quem passo e com quem falo são os meus vizinhos, não precisei de figuração. O miradouro onde termino é o Miradouro de Santa Luzia, vou lá imensas vezes.

‘Amor Maior’ é não só o nome de uma música de Paulo Gonzo com a Raquel Tavares como banda sonora de uma telenovela. Que papel tem a televisão na promoção dos artistas e da música?
Eu acho que, mais do que a televisão, as rádios tem um enorme poder. A promoção serve para dar imagem a quem ouvem na rádio. A televisão é um enorme veículo de promoção à pessoa, à imagem, ao reconhecimento do artista, mas quem eu acho que é o maior aliado da música é a rádio.

É certo que algumas músicas se tornam virais nas telenovelas, como é exemplo o ‘Loucos’, de Matias Damásio. As novelas tem essa capacidade, mas há um estudo grande por trás disso, aquelas músicas não foram postas ali à toa. Além disso, as músicas escolhidas para as novelas podem ter um lado positivo para o artista ou não. Às vezes, pode até nem ser tão bom assim, porque as pessoas associam a música à novela e não ao artista.

As novas plataformas de streaming revolucionaram a forma como ouvimos música. O artista ganha ou perde com plataformas como o Spotify ou o YouTube?
Essa é uma questão a que ainda não sei responder, porque ainda não consegui filtrar. Tenho o Spotify, obviamente, que dá um acesso à musica brilhante, mas eu, Raquel, sou a pessoa que compra discos quando gosta muito. Aliás, ao mesmo tempo que surgem todas essas plataformas, o vintage está a voltar, o que é delicioso. O ato de tirar o vinil da capa e de abrir o gira-discos faz parte da forma como se ouve a música. As plataformas não são boas para as editoras, que precisam de vender discos, mas são boas para os artistas serem divulgados. Não tenho uma opinião formada acerca disso.
Atuou há poucos dias no concerto pelas vítimas de Pedrógão Grande. O que é que sente quando a música é usada em causas tão nobres?
Sente-se que estamos a cumprir aquilo para que a música serve, que é unir pessoas. É uma linguagem universal. Foi das coisas mais bonitas que fiz na minha vida e fiquei muito grata por poder usar a minha arte para unir as pessoas. Eu detesto a definição de figura pública mas, se é para ser, que seja com utilidade cívica, para ter voz ativa em causas dignas e necessárias.

Como é que olha para o fenómeno Salvador Sobral?
Eu não conhecia o Salvador, já conhecia a Luísa, e vivi aquela vitória como se fosse minha. Música portuguesa, bonita, bem feita, com bom gosto e bem cantada, é o que me parece. Aquele menino tem isto tudo e aquela menina fez isto tudo. Eu até já cantei a música em concertos porque gosto dela, porque me apeteceu cantá-la.

É preciso reconhecimento internacional para que um artista seja reconhecido no seu país de origem?
Já não, já foi. Há 15 anos atrás era assim. Olho para a carreira de algumas amigas e colegas que tenho, como é o caso da Mariza ou da Ana Moura, que já disseram que precisaram de reconhecimento lá fora para serem reconhecidas em Portugal. Hoje em dia, isso já não é necessário. Eu não precisei de fazer absolutamente nada lá fora para ter as pessoas que gostam de mim. O fenómeno Salvador começa antes da vitória na Eurovisão, quando foi à eliminatória, por causa da controvérsia. A controvérsia é o melhor que pode acontecer. E a verdade é que quem falou mal teve de se calar.

O festival da Eurovisão ganhou uma nova vida em Portugal?
Pela primeira vez em Portugal, o país voltou a parar para ver a Eurovisão, como fazia quando eu era miúda. Há quantos anos isto não acontecia? E isto a propósito da controvérsia que o Salvador criou, porque ele era bom mas criava discórdia. E o bom ganhou, porque o que importa é a música, o seu intérprete e o autor, não é o espetáculo nem o fogo-de-artifício. O festival ganhou uma nova vida em Portugal pela controvérsia. A vitória foi a cereja no topo do bolo e uma chapada com luvas de pelica a quem acha que aquilo não é música representativa da canção portuguesa.

O Governo de António Costa restaurou o Ministério da Cultura. Como é que olha para o trabalho que tem sido feito pelo ministro Castro Mendes?
Eu tenho obviamente opinião política, obviamente que tenho religião e clube desportivo. Mas, sabendo eu a repercussão que estas coisas têm, prefiro nunca me pronunciar acerca de política, religião e futebol.

O que é que precisa de ser feito em Portugal a nível de promoção da Cultura?
Há uma coisa muito importante que eu aprendi no Brasil e que Portugal precisa de aprender um bocadinho: é ver o copo meio cheio. Seria muito injusto da minha parte dizer que não estamos a melhorar, porque nós estamos a melhorar no que diz respeito à Cultura, pelo menos à música. Eu sei que há outras áreas menos beneficiadas, mas eu não posso queixar-me. A música está a ganhar um lugar muito importante. Porém, enquanto artista e enquanto cidadã que desconta, acho que há medidas que precisam de ser tomadas para nos defendermos, para um dia termos uma reforma. A nível de condições de trabalho, há coisas que podiam ser um bocadinho melhores. Devemos olhar para os exemplos de Espanha e França, que têm um sindicato de artistas, e uma forma diferente de lidar com artistas. Gosto de acreditar num futuro breve melhor.

PT silencia sobre governos autoritários, diz professor, por VALMAR HUPSEL FILHO, PEDRO VENCESLAU e GILBERTO AMENDOLA

Ex-presidente do PT do Estado do Rio e docente na Universidade Federal Fluminense (UFF), o historiador Daniel Aarão Reis
O historiador Daniel Aarão Reis Foto: TIAGO QUEIROZ
Para o professor de História Contemporânea na Universidade Federal Fluminense (UFF) e ex-presidente do PT do Estado do Rio Daniel Aarão Reis, o partido prefere se manter em silêncio sobre a escalada de violência na Venezuela em nome de uma “solidariedade nacional popular contra as grandes potências”. “Se a vocação democrática do PT fosse mais forte, isso estaria sendo cobrado e discutido”, disse ao Estado. 

O posicionamento de apoio ao governo venezuelano de Nicolás Maduro é unânime no PT?
O PT, como todos os partidos políticos brasileiros, dedicou ao longo do tempo pouca relevância às relações internacionais

Feita essa ressalva, fez parte do PT, desde o início, embora com oposição interna, apoio a Cuba e regimes nacionalistas, o que eu chamo de nacional-estadista. 
Isso se articulou na defesa do Mercosul e da Unasul e, em termos mundiais, na articulação com os Brics (bloco formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Esse tipo de política sempre mereceu simpatia do conjunto da militância do PT. 

Como explicar a postura do PT em relação à Venezuela? 
A despeito da vocação democrática que o PT tinha e a meu ver de certo modo tem, silencia-se muito diante dos regimes autoritários. E em nome da solidariedade terceiro-mundista, age-se do mesmo jeito em relação ao nacionalismo latino-americano. Silencia-se muito em relação aos regimes autoritários que se opõem à dominação das grandes potências capitalistas. Silencia-se de maneira muito inconsequente, a meu ver, do ponto de vista democrático, contra os desmandos e surtos autoritários desses regimes nacionalistas. 
E esse é o caso muito visivelmente em relação à Venezuela em que o Maduro, a “Dilma do Chávez”, enfrenta claramente um questionamento social em função da crise econômica e de sua própria competência em gerenciar a crise. 

A vocação democrática do PT não se opõe ao apoio a regimes que impõem violência ao povo? 
Se a vocação democrática do PT fosse mais forte, isso estaria sendo cobrado e discutido internamente. Mas prefere-se manter silêncio sobre o assunto em nome de uma solidariedade nacional popular contra as grandes potências. Se o PT quer realmente se colocar como partido democrático, tem de rever isso e lidar com a situação.

Arte de CHICO Caruso.....ninguém esta.....

Charge (Foto: Chico Caruso)

TRF DA 4ª REGIÃO AMPLIA PENA DE EXECUTIVOS DA MENDES JÚNIOR, nas folhas

TRIBUNAL É O MESMO QUE JULGARÁ RECURSO DO EX-PRESIDENTE LULA

Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre
Três executivos da construtora Mendes Júnior tiveram a pena aumentada por dois desembargadores da 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, em relação a condenações do juiz Sérgio Moro em processo da Lava Jato.

A maior das penas aumentadas foi para o ex-vice-presidente da empreiteira Mendes Júnior Sérgio Cunha Mendes, condenado por dois desembargadores a 47 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Moro havia condenado Sérgio a 19 anos e 4 meses de reclusão pelos mesmos crimes.

O desembargador federal do TRF-4 João Pedro Gebran Neto leu seu relatório e votou, aumentando a pena. O desembargador Leandro Paulsen, revisor do processo, também leu o voto, seguindo o relator. O julgamento, que ocorreu na quarta-feira, no entanto, foi suspenso por um pedido de vista do desembargador Victor Luiz dos Santos Laus.
Se o voto dos dois juízes for mantido, a sentença estará confirmada. Caso o resultado não seja unânime, a defesa dos executivos pode entrar com novo recurso para reverter a pena. A sessão, com o voto de Laus, está marcada para o dia 2 de agosto.

Na ação que envolve os executivos da construtora, eles são acusados de crimes de corrupção envolvendo contratos da Petrobrás com Mendes Júnior. Rogério Cunha de Oliveira, ex-diretor de Óleo e Gás da empresa, teve a pena aumentada de 17 anos e 4 meses para 32 anos e 8 meses. Alberto Vilaça, também ex-diretor da empresa, viu a pena subir de 10 anos para 33 anos e 6 meses.

O advogado da empreiteira, Marcelo Leonardo, criticou a decisão. "Todos tiveram elevação absurda da pena. Mas vamos aguardar o julgamento se completar. Os juízes podem modificar seus votos", afirmou. A pena de 47 anos e 3 meses de prisão foi imposta ao ex-vice-presidente da Mendes Júnior Sergio Mendes por dois desembargadores do TRF-4 em julgamento na 2ª instância, que foi suspenso.

É a 8.ª Turma do TRF-4 que vai analisar a apelação da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva, condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex.

PARA A PF, JUCÁ, RENAN E SARNEY NÃO ATRAPALHARAM A LAVA JATO, nas folhas, com informações da agência Brasil)

Comentário jocoso--...como diria o honesto Fernandinho Beira-Mar--ta tudo dominado--- o capo di tutti capi e seus "tenentes" passaram na lavanderia PF. 
Dom D. vai ser "promovido"....em qual Embaixada??? Saberemos depois que a marmita esfriar.
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Policia Federal CONCLUÍ QUE JUCÁ, SARNEY E RENAN NÃO OBSTRUÍRAM A JUSTIÇA

A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal relatório no qual descartou a suposta tentativa dos senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros (PMDB-AL), e do ex-senador José Sarney de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, como acusava em denúncia a Procuradoria-Geral da República.

No relatório final da investigação, enviado hoje (21) ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF entendeu que as conversas gravadas entre os três políticos com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, não configuraram crime.

Renan, Jucá e Sarney respondem a um inquérito no qual são acusados pela PGR do crime de embaraço (obstrução, tentativa de atrapalhar) à Lava Jato.

Aberto em fevereiro a pedido de Rodrigo Janot, o inquérito contra os políticos têm como base os grampos incluídos no acordo de delação premiada de Sérgio Machado.

As gravações foram divulgadas em maio do ano passado, após a retirada do sigilo do conteúdo das delações de Machado.

O processo, no entanto, ainda não foi concluído. Relatada pelo ministro Luiz Edson Fachin no STF, a ação precisa ser transitada em julgado. 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Quando comprar a passagem de avião mais barata? Este algoritmo te avisa, POR JOSÉ MENDIOLA ZURIARRAIN

Google atualiza o Flights, incorporando sistema de alerta para se conseguir vôos mais em conta

É quase impossível captar a olho nu, mas os preços das passagens aéreas seguem um padrão determinado de comportamento. 
Isto é: os preços flutuam em função de vários fatores que escapam ao olho humano, mas não ao grande cérebro do Google. O gigante californiano anunciou em alto estilo uma atualização de peso no Google Flights, seu buscador de voos. 
A partir de agora, essa poderosa ferramenta passa a incorporar um algoritmo que leva em conta o histórico dos preços das rotas e nos avisa quando o preço de um determinado trecho vai aumentar e, consequentemente, para quando seria melhor fazer reserva para essa ou aquela viagem.
O funcionamento da ferramenta é o mais simples possível: o usuário digita o aeroporto de origem e o de destino, assim como a data da viagem, e clica intro para ativar todo o mecanismo de big data do Google. 
O motor de busca começa a analisar o histórico de preços dessa rota e, se ativarmos a notificação da variação de valores, o Google irá nos avisar para quando está previsto um aumento, a partir de um preço mínimo. Com esse dado, o próprio usuário pode decidir suas opções de compra com base em dados comparados, tendo a certeza de conseguir a tarifa mais econômica possível.
Se o usuário ativar o recurso de acompanhamento dos preços, o Flights então enviará um e-mail alertando sobre futuras variações de um determinado preço com uma margem de erro mínima, podendo também configurar critérios de busca como aeroportos próximos, linhas aéreas preferidas e até mesmo distinguindo entre voos diretos e outros voos com muitas escalas. 
Além disso, o Google criou a possibilidade de que, no momento de selecionar um voo, o sistema nos avise da possibilidade de existência de preços mais em conta se viajarmos em outras datas próximas daquela que prevíamos.
Tela do Google Flights 
Tudo isso, embora já seja muito, é apenas a ponta do iceberg daquilo que é oferecido por essa ferramenta. 
O Google Flights possibilita também que o usuário autorize a própria ferramenta a sugerir destinos em função do tipo de experiência que ele almeja; logicamente, com o melhor preço. Assim, se alguém quer viajar para os Estados Unidos em dezembro, mas não tem preferência por nenhuma cidade, o Flights abrirá um mapa com os diferentes destinos e respectivos preços, especificando, além disso, para qual semana seria melhor reservar os bilhetes.

O Flights chega ao ponto de informar detalhes sobre o voo escolhido: se dispõe de wifi, o entretenimento a bordo ou se o assento contém tomada. A ferramenta especifica também o tempo de escala previsto em cada aeroporto, se for o caso. A atualização já está disponível, mas por enquanto apenas como página na internet, sem um aplicativo próprio, embora este não deva demorar para chegar.

Saudades da Lava-Jato, por Nelson Motta

O que mais vou ter saudades é da alegria esfuziante que me invadia a cada prisão de pessoas acima da lei
Charge (Foto: Amarildo)
Arte de AMARILDO
Seria maravilhoso se, ao fim da Lava-Jato, nos fosse dado um Brasil livre de políticos corruptos — pelo menos até o surgimento dos novos corruptos — com os condenados presos e falidos, sob o império da lei.

Só que não. Ou alguém acredita que o Senado, com mais da metade de seus membros investigados ou réus em vários processos (alguns têm 13, como Renan Calheiros, ou nove, como Aécio Neves ), não vai votar leis que facilitem o objetivo coletivo de escapar da cadeia e não devolver o roubado?

E a Câmara, que tem um terço dos seus integrantes acusados dos mais diversos crimes, vai votar contra o seu espírito corporativista?

O bom é que os partidos podem acabar, como na Itália depois da Operação Mãos Limpas, quando tiveram que mudar de nome e fazer novas alianças. Aqui o PMDB, PSDB, PT, PP, PR, PTB não farão falta, mas o que virá depois deles? Uma remota chance de novas ideias e práticas?

Na Itália, políticos investigados dos novos partidos de esquerda, direita e centro se juntaram para aprovar leis que anistiavam ou minimizavam seus crimes. Quem conhece o Brasil sabe que aqui não vai ser muito diferente.

A Lava-Jato vai passar, mas o seu espírito vai ficar na memória nacional como um tempo em que o Ministério Público, a Polícia Federal e os juízes de primeira instância deram todo o seu esforço e competência para proteger o Estado e a democracia, perseguindo e punindo os que afrontam a lei e a Justiça, estabelecendo uma nova mentalidade em que a lei é mesmo para todos, sem exceções.

O que mais vou ter saudades é da alegria esfuziante que me invadia, e a milhões de brasileiros, ao receber a notícia, ou melhor, ver ao vivo, gente como Eduardo Cunha, Marcelo Odebrecht, Sérgio Cabral, Zé Dirceu, Palocci, Eike Batista, presos como qualquer ladrão de galinhas. Era como comemorar um gol de placa do Brasil.

Pena que a maioria vai escapar. Unidos, eles enfrentarão a opinião pública e os meios de comunicação para se proteger, pagarão os piores micos, se submeterão aos mais constrangedores vexames, mas no final escaparão e formarão novas alianças “por um país mais justo e solidário”.