domingo, 30 de abril de 2017

Arte de Amarildo

Charge (Foto: Amarildo)

Arte de Antonio Lucena

Charge (Foto: Antonio Lucena)

O STF abriu a porta da cadeia, por Elio Gaspari-JORNALISTA

Comentário hyperbole--qui se ressemble s`assemble...Os malfeitores já tem a sua Turma no STF. 

O ministro Edson Fachin negou o habeas corpus e foi acompanhado por Celso de Mello. Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes abriram a porta da cela de Genu


Arte: André Mello
O ministro Gilmar Mendes sabia do que estava falando e o que se articulava no Supremo Tribunal Federal quando disse, em fevereiro, que “temos um encontro marcado com essas alongadas
prisões de Curitiba”.

O encontro deu-se na última quarta-feira e a Segunda Turma da Corte, aquela que cuida da Lava-Jato, soltou o ex-tesoureiro do Partido Popular, doutor João Claudio Genu, preso preventivamente em Curitiba desde maio de 2016.Em dezembro ele havia sido condenado pelo juiz Sergio Moro a oito anos e oito meses por corrupção passiva.

Genu tem uma biografia notável. Antes de chegar a tesoureiro do PP, foi assessor do falecido deputado José Janene, o grão-mestre que ensinou o PT a operar com Alberto Youssef.

Freguês no escândalo do mensalão, Genu salvou-se com uma prescrição.

A Segunda Turma julgou um habeas corpus em favor de Genu. Ele foi condenado, mas seu recurso ainda não foi julgado na segunda instância. Estava trancado preventivamente em Curitiba, por decisão de Moro. Era um caso clássico daquilo que Gilmar chamaria de “alongada prisão”.

O ministro Edson Fachin, relatando o processo, negou o habeas corpus e foi acompanhado por Celso de Mello. Por três votos contra dois, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes abriram a porta da cela de Genu.

Foi uma enorme derrota para as forças-tarefa do Ministério Público e da Polícia Federal que ralam na Lava-Jato.

Genu veio a ser o primeiro de uma série de presos de Curitiba que serão colocados em liberdade. Eike Batista foi o segundo. É improvável, porém possível, que soltem o comissário José Dirceu.

Genu foi solto a partir do entendimento que Moro e seus similares transformam prisões temporárias em cumprimento antecipado de penas.

Essas “prisões alongadas”, durante as quais delinquentes como Marcelo Odebrecht acabaram colaborando com a Viúva, são parte de um quadro complexo, sem resposta fácil.

Há coação? Há, mas é aquela que a lei permite.

Tudo bem, mas a trinca mandou soltar Genu porque acha que é isso que manda a lei.

Numa pequena amostra, sem as “prisões alongadas” e sem as colaborações, a Odebrecht ainda seria a maior empreiteira do país, Youssef continuaria operando no mercado cambial e Paulo Roberto Costa seria um próspero consultor na área de petróleo.

A Lava-Jato tomou um tiro. Até uma criança terá percebido que o Ministério Público identificou malfeitorias no Legislativo, na máquina do Executivo e pegou a mão invisível do mercado avançando na bolsa da Viúva. Faltou o Judiciário.

Lições da eleição francesa, por LUIZ RUFFATO

Perfis de candidatos que disputarão segundo turno no país europeu têm correspondentes no Brasil
Os candidatos Emmanuel Macron e Marine Le Pen disputam segundo turno das eleições presidenciais no dia 7 de maio.CHRISTOPHE ENA / BOB EDME AP

O que os rumos tomados pelas eleições na França podem ensinar a nós, brasileiros? Talvez devêssemos parar por um momento para analisar o perfil daqueles que votaram em Marine Le Pen, a candidata da ultradireita, e por que a maioria preferiu o azarão Emmanuel Macron aos tradicionais representantes dos partidos de direita, François Fillon, e de esquerda, Jean-Luc Mélenchon. 
As eleições norte-americanas, que guindaram o arrogante e instável multimilionário Donald Trump à Presidência, já prenunciavam que algo, muito sintomático, estava ocorrendo no cenário político mundial.

A América Latina sempre reagiu em bloco aos eventos externos. Com uma economia dependente dos Estados Unidos e da Europa, ficamos à mercê dos humores daqueles mercados, que definem o interesse maior ou menor por nosso destino político. Quando um terremoto (simbólico) atinge o solo norte-americano ou europeu, o tsunami (simbólico) provocado pelos abalos atinge em cheio nossos países, causando o caos e levando-nos à ruína. A corrupção é, sim, um dado da nossa cultura, infelizmente, mas o desencanto com o exercício da política mostra-se, nesse momento, um fato comum a todos os continentes.

A apatia com que assistimos o desmantelamento do Estado brasileiro, por meio das reformas propostas pelo presidente não eleito, Michel Temer, e levadas a cabo por um Congresso em sua maioria envolvido em denúncias de corrupção, e, portanto, sem legitimidade para tomar decisões que mudam de forma significativa a vida dos cidadãos, essa apatia, insisto, é alarmante. Em um ano e meio teremos eleições presidenciais e todos os candidatos dos partidos tradicionais carregam a marca da imoralidade administrativa, abrindo espaço para os aventureiros e os radicais. Como na França...

O discurso de Marine Le Pen, assim como o de Trump, conseguiu grande aceitação no meio da classe média baixa, que teme perder seus empregos, e entre os desempregados. As ideias ultranacionalistas e xenófobas de Marine Le Pen frutificam por conta das incertezas econômicas individuais, que ela, habilmente, identifica com o medo coletivo proporcionado pelo imigrante, principalmente os islâmicos. Assim, seus seguidores elegem um único bode expiatório, que seria responsável, ao mesmo tempo, pela ocupação de postos de trabalho e pelo terrorismo. E, no vazio, surge Macron, o candidato que se define pelo que não é, “nem de esquerda, nem de direita”.

Com o afundamento do PT, que nasceu ostentando o baluarte da ética, na lama da corrupção, os partidos todos se igualaram em sordidez. A pior consequência disso é que, para o cidadão comum, fica a impressão de que a política tem como único objetivo servir como meio rápido e eficaz de enriquecimento ilícito, sem distinção de nomenclatura ou de ideologia. E, a partir desse raciocínio, não importa quem escolhemos para nos representar, na vida real não faz a menor diferença. E aqui reside o perigo: é na desesperança que prosperam os arautos do fundamentalismo e os aproveitadores de toda espécie.

Embora ainda bastante insondáveis, já que alguns dos mais importantes nomes podem se tornar inelegíveis até lá, o pleito de 2 de outubro de 2018 já mostra algumas tendências preocupantes, como o crescimento do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e o surgimento, com força, do nome do atual prefeito de São Paulo, João Doria. Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece em todas as pesquisas como imbatível postulante ao segundo turno, terá de se livrar, antes, dos vários processos em que é réu no âmbito da Operação Lava Jato.

Homofóbico e machista, Bolsonaro vem alicerçando sua pregação na intolerância, no militarismo nacionalista, na defesa da tortura e da pena de morte. 
Esse viés agrada aquela parte da população que subsiste atolada na ignorância e no fundamentalismo, achacada pelo desemprego e pela violência urbana. Como Marine Le Pen, seu potencial de votos é limitado, mas só o fato de existir espaço para a expansão de suas ideias já demonstra o fracasso do nosso sistema político, que não consegue atender as demandas da população. A opção pelo radicalismo é sempre a opção pelo confronto.
Já o crescimento do nome de Doria ocorre porque todos os naturais candidatos tucanos à Presidência da República estão envolvidos em denúncias de corrupção na Operação Lava Jato: os senadores Aécio Neves e José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Doria surpreendeu ao vencer, ainda no primeiro turno, as eleições para a Prefeitura de São Paulo. Ex-executivo, inteligente, polido, amável, sorridente, empreendedor – poderíamos estar falando de Doria, mas é assim que a imprensa internacional se refere a Emmanuel Macron, o provável novo presidente da França.
Esse quadro, desolador, é que desponta no nosso devastado horizonte.

El caso del cura pedófilo que desafía al Papa, por CARLOS E. CUÉ

Julio Grassi fue el sacerdote más mediático de Argentina. Está condenado a 15 años de cárcel. Bergoglio no lo ha expulsado ni contesta las cartas de las víctimas
El Él sacerdote Julio Grassi llega en agosto de 2008 a un juzgado de Morón, 
cerca de Buenos Aires. EFE

Era el cura preferido de los ricos. Una auténtica estrella mediática, el religioso más famoso de Argentina. Desfilaba por todas las televisiones en los noventa, su gran momento. Con apoyo del Gobierno de Carlos Menem y de algunas de las personas más acaudaladas de Argentina, como Amalita Fortabat, Julio Grassi se movía cómodo en los platós y recaudaba enormes cantidades de dinero para su fundación, Felices los Niños, que llegó a acoger a 6.300 menores de la calle. Eran tiempos duros de ajuste en los que era frecuente ver a chavales sin hogar en Buenos Aires. En 2002 llegó el escándalo. El país se paralizó para ver un programa de investigación en televisión, Telenoche,en el que tres de esos niños desvalidos, de entre 14 y 16 años, que dependían de Grassi para todo, contaban los abusos sexuales a los que les sometía. Argentina enmudeció.

Desde ese día se inició una enorme batalla de poder, con todos los ingredientes habituales de un país acostumbrado a las operaciones oscuras: espionaje, amenazas, chantaje. Grassi se defendió con dureza: acudió a todos sus contactos para reivindicar su inocencia, contrató los mejores abogados, e incluso cuando entró en la cárcel —en 2013, 11 años después— logró un trato privilegiado gracias a sus contactos y el dinero de la fundación. Pero finalmente la justicia le derrotó: la Corte Suprema argentina confirmó el 23 de marzo su sentencia a 15 años por abuso sexual agravado y corrupción de menores, ya inamovible.

Pero el caso tiene un trasfondo aún mayor. A pesar de la política de tolerancia cero con los curas pedófilos impulsada por el Vaticano, aún hoy, 15 años después de la denuncia televisiva, Grassi sigue siendo cura y viste el alzacuellos en la cárcel. El sacerdote reivindica que la Iglesia le sigue apoyando y que tiene el respaldo nada menos que del papa Francisco, que era jefe de la Iglesia argentina en los años del escándalo.

“Bergoglio nunca me soltó la mano. Hablo con él, me apoya mucho espiritualmente y me cree”, llegó a decir. Algunos aseguran incluso que era su confesor. En el entorno de Bergoglio lo desmienten, admiten que alguna vez pudo confesarlo, pero aseguran que no era nada estable y no tenían una relación tan estrecha.

El Papa nunca dijo una palabra del asunto, ni antes ni después de ser elegido. “No apoyó a Grassi, no fue a visitarlo a la cárcel, pero no habló porque no era su obispo [pertenece a Morón, en los alrededores de Buenos Aires] y porque había muchas dudas de la culpabilidad. Detrás de este escándalo hubo una operación económica de los rivales de Grassi en negocios importantes, no estaba claro si era una operación de inteligencia”, señala un religioso argentino cercano al Pontífice. Con otros casos fuera de Argentina, Francisco se mostró más cercano. En este nunca se acercó a las víctimas, que le han hecho llegar varios mensajes a los que no ha contestado.

En la secretaría de prensa de la Santa Sede explican que Bergoglio nunca ha querido entrometerseen un asunto que estaba judicializado. “La respuesta del Papa es siempre tajante: máximo respeto a la justicia civil, tolerancia cero con los culpables y apoyo absoluto a las víctimas”, aseguran. Además, ante la reclamación de las víctimas para que Grassi deje de ser cura y sea convertido en laico, señalan que “la Congregación para la Doctrina de la Fe está justo en estos días dando las indicaciones precisas y terminando de examinar la situación de cara a adoptar una resolución definitiva”.

“La elección del papa Francisco fue recibida con muy buenas expectativas por el mundo, la Iglesia tomó una posición clara sobre la pederastia. Pero las víctimas de Grassi esperan que diga algo. Una de ellas le envió una carta en la que le pedía que lo recibiera y le ayudara a recuperar la fe perdida con los abusos de este sacerdote y le reclamaba que lo redujera a laico. No hubo respuesta”, explica Juan Pablo Gallego, abogado de las víctimas, que aún hoy mantienen en secreto su identidad.

“En noviembre de 2015, fui al Vaticano y hablé unos minutos con el Papa para pedirle que tenga un gesto con las víctimas”, explica Miriam Lewin, la periodista que destapó el escándalo en 2002. “Me escuchó y pensé que lo haría, pero nunca les llamó. Su discurso contra la pedofilia es muy duro, pero debería reflejarse en hechos concretos en este caso. Las víctimas necesitan una reparación, un pedido de disculpas. No se entiende cómo Grassi puede seguir siendo cura. Francisco sabe que las heridas en los niños son muy difíciles de reparar, ellos dependían para todo de Grassi, no tenían familia. Ahora algunas víctimas [de otros casos, como la irlandesa Marie Collins y el británico Peter Saunders] han abandonado la comisión del Vaticano para la protección de los menores. El Papa tiene que hacer un gesto importante”, insiste Miriam Lewin.

Muchos en Argentina creen que el Pontífice apoyó tácitamente a Grassi porque no lo creía culpable. De hecho, Bergoglio encargó y pagó al jurista Mario Sancinetti un trabajo de 2.600 páginas, Estudios sobre el ‘caso Grassi’, en el que se concluía que el cura era inocente. Los abogados de las víctimas lo entendieron como un mecanismo de presión a la justicia. Todavía en 2013, cuando entró en la cárcel, cuatro años después de la primera condena, el obispado de Morón le defendía: “Se desprenden dudas acerca de su culpabilidad”, señaló un comunicado oficial.

“El nivel de pruebas en el juicio fue altísimo, se comprobaron aspectos del órgano sexual del sacerdote que conocían las víctimas. Ganamos el juicio contra uno de los hombres más poderosos de Argentina. Era como un poder propio dentro de la Iglesia. Tuvo 26 abogados defensores, los mejores del país, los más caros, algo nunca visto. Fue David contra Goliat, y ganamos porque era culpable”, asegura Gallego. Lo cierto es que, con presiones o sin ellas, la justicia argentina ha sentenciado definitivamente que Grassi abusó de esos niños. Y ahora todas las miradas apuntan al Vaticano, y a Francisco, que ha sido tajante en otros casos internacionales pero tiene un desafío enorme en su propia casa, un país del que sigue muy pendiente pero que, sin embargo, ha decidido no visitar de momento, inquieto por las pasiones, a favor y en contra, que desatan todos sus movimientos.

UNA VIDA DE LUJO EN PRISIÓN: INTERNET Y BAÑO PRIVADO
El padre Julio Grassi mostró su poder y sus contactos incluso después de ser encarcelado. 
En 2014, otra investigación televisiva generó un nuevo escándalo. El programa de Jorge Lanata, Periodismo para todos, mostró imágenes de la privilegiada vida del religioso en la cárcel, siempre vestido de cura. Los contactos —y el dinero— de Grassi le habían permitido tener su propia oficina con ordenador con Internet, una cama y baño privado. Estaba cerca de las cocinas de la prisión de Campana, a unos 80 kilómetros de Buenos Aires.
Tenía tres teléfonos móviles, algo totalmente prohibido, con los que seguía dirigiendo la Fundación Felices los Niños, que de los 6.400 menores de las épocas de esplendor pasó a acoger a unos 50 en situación especialmente delicada, huérfanos o protegidos por casos de violencia familiar.
Además, en su celda había televisión y nevera, algo impensable en las cárceles argentinas. Pero lo que más escándalo generó es que Grassi desviaba a la cárcel en la que está encerrado parte de las donaciones que se hacían a la fundación. Repartía esa comida entre presos y funcionarios de prisiones, y con eso lograba los evidentes privilegios que tenía en la prisión. 
El escándalo fue de tal calibre que fue destituido el director de la prisión. El poder de Julio Grassi parece infinito.

Além da raiva social, por Míriam Leitão--JORNALISTA

O absurdo é a violência, de manifestantes e da polícia, como forma de crescer ou reprimir a paralisação

Ódio (Foto: Arquivo Google)

As reformas são necessárias e afetam mais os grupos que têm privilégios. Mas este é um governo que vive um equilíbrio difícil. Ele tem apoio político, mas não social. Se a manifestação assustar os políticos, que já estão com baixa credibilidade, reduzirá a chance de aprovação de projetos do governo.

Os 296 votos na Câmara para a reforma trabalhista seriam insuficientes se estivesse sendo votada uma Proposta de Emenda Constitucional.

Se os protestos reduzirem o tamanho da base aliada, haverá reflexos na frágil recuperação econômica que está ocorrendo.

O desemprego continua aumentando. O governo do PT aumentou muito a oferta de emprego e depois produziu a crise que levou à escalada do desemprego em grandes proporções.

A farra sindical, por Ruy Fabiano--Jornalista


 Arte: Bira
O fiasco da greve geral de ontem – convocada sem que nenhuma assembleia sindical tenha se manifestado – mostra que essas entidades, desviando-se de suas finalidades estatutárias, disputam hoje com os partidos políticos o troféu de desgaste popular.

Como os partidos políticos, só que numa escala bem maior, pulverizaram-se e passaram a servir-se do público para atender interesses privados. Criam-se sindicatos, assim como partidos, para se ter acesso ao dinheiro público que os sustenta.

Os partidos recebem as verbas do fundo partidário; os sindicatos, do imposto sindical – um dia de trabalho por ano de cada trabalhador, sindicalizado ou não. Há hoje, em decorrência, uma elite sindical milionária que se consolidou ao longo da Era PT.

O pretexto para a greve geral – as reformas trabalhista e previdenciária – não gerou a mesma reação quando o patrocínio era dos governos Lula e Dilma. As propostas eram equivalentes, mas não embutiam um detalhe: o fim do imposto sindical. E é ele que está na raiz da greve frustrada de ontem, não as reformas em nome das quais foi convocada. A República Sindical é cara, ineficaz e bizarra.

A propósito, alguém já ouviu falar de um certo Sindicato das Indústrias de Camisas para Homens e Roupas Brancas de Confecção e Chapéus de Senhoras? Pois é. Funciona (?) no Rio de Janeiro.

Há outros, assemelhados, como o Sindicato da Indústria de Guarda Chuvas e Bengalas de São Paulo. Ou ainda o Sindicato dos Empregados em Entidades Sindicais, isto é, um sindicato de funcionários de sindicatos. Seria até engraçado se por trás não houvesse alguns bilhões do contribuinte.

Há no Brasil, segundo o Ministério do Trabalho, nada menos que 11 mil e 257 sindicatos de trabalhadores, sem contar federações, confederações e centrais. E não é só: não cessam os pedidos para a criação de novos, que já não se classificam apenas por categoria, subdividindo-se, em alguns casos, até por local de trabalho.

Por exemplo: não basta um sindicato para os comerciários. Há um de comerciários que trabalham em shoppings, que teriam natureza diferenciada da dos comerciários que trabalham em estabelecimentos sediados nas ruas e avenidas. Questão de CEP.

A criatividade, em busca de fatias do imposto sindical, não tem limites. Cria-se numa ponta uma entidade patronal, o Sindicato de Empresas de Desmanche de Veículos (Sindidesmanche), e na outra uma entidade de trabalhadores do mesmo ramo, o Sindicato dos Inspetores Técnicos em Segurança Veicular (Sintseve).

À frente de ambas, os mesmos dirigentes: Mario Antonio Rolim, Ronaldo Torres, Antonio Fogaça e Vitorio Benvenuti, todos ligados à mesma Central, a Força Sindical, do deputado Paulo Pereira, do PDT, que, aliado de Lula e Dilma, não hesitou em aderir a Temer.

O imposto sindical foi criado por Getúlio Vargas, nos anos 40, mas, graças à Lei 11.648, de 2008, se estendeu às centrais sindicais. E graças a um veto de Lula ao artigo que submetia esse repasse à fiscalização do TCU, não é necessário que as centrais prestem conta do que é feito com essa bolada – que não é desprezível.

Em 2016, os sindicatos receberam R$ 3,6 bilhões; só as centrais sindicais, de 2008 a 2015, R$ 1 bilhão, sem precisar explicar o que dele fizeram. Esse dinheiro chega aos cofres do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e é depois repassado pela Caixa Econômica Federal. Uma festa.

Em tal ambiente, não é difícil entender a proliferação de sindicatos, que crescem na razão inversa à qualidade do atendimento ao usuário. Mas compreende-se: não se expandiram com essa finalidade, mas para servir a um projeto de poder, graças ao qual conseguem tumultuar a vida do país, falando em nome de quem não representam, mantendo-o no atraso em que ajudam a colocá-lo.

Tudo dominado, ou quase, por Zuenir Ventura--Jornalista

Comentário realista---....enquanto os da facção instalada na politica procuram safar-se do JUIZ Moro, e seguem buscando novas fontes de enriquecimento/financiamento ilícito........

Os criminosos não apenas dominam quase todas as comunidades do Rio como fazem valer seu poder sobre bairros vizinhos, a exemplo do que ocorreu no Rio Comprido e na Tijuca

As imagens e os números desses últimos dias são de uma cidade em guerra, onde se mata e se morre no varejo e no atacado, nas favelas e no asfalto, a qualquer hora do dia e da noite.

Em Copacabana, às 13h de quarta-feira, uma senhora de 76 anos levou um soco tão forte que provocou ruptura no globo ocular, tendo que ser operada para recuperar a visão. Tudo porque um assaltante, de bicicleta, não conseguiu arrancar-lhe pulseiras de apenas R$ 30. Essas gangues das duas rodas, que agem em toda a ZonaSul, são um arremedo dos “lobos solitários”.

No mesmo dia em que o impressionante close do olho roxo da vítima era estampado na primeira página do jornal, lá dentro outra foto dramática mostrava uma mãe chorando sobre um caixão a morte do filho de 13 anos atingido por um tiro no Complexo do Alemão, onde, no mesmo dia, outro jovem de 16 anos foi morto com um disparo de fuzil na cabeça.

Ao lado, a notícia de que uma médica foi baleada ao entrar por engano na Maré. Os próprios marginais se apressaram em socorrê-la antes que chegassem os inimigos da facção rival. Eles lutam contra a polícia, mas também entre si, e as vítimas são os inocentes.

O Alemão, segundo a Anistia Internacional, lidera o ranking dos conflitos, com 62 dos 184 ocorridos este ano em quatro pontos da cidade. Em seguida, vem a Maré, com 51; Cidade de Deus, com 45; Jacarezinho, 26.

Os criminosos não apenas dominam quase todas as comunidades do Rio como fazem valer seu poder sobre bairros vizinhos, a exemplo do que ocorreu com o comércio do Rio Comprido e da Tijuca, cujas lojas foram obrigadas a cerrar as portas em luto pela morte de um dos chefes do crime. Motociclistas passavam ameaçando de morte quem desobedecesse à ordem.

Se não está “tudo dominado”, como apregoam os bandidos com afrontosa arrogância, falta pouco.

Os sinais são evidentes. O mais visível é a torre à prova de explosão de granada instalada em uma das 13 favelas do Alemão, um monumento ao fim das UPPs, que foram a aposta do governo numa política de pacificação e esperança da cidade.

Essa espécie de fortaleza foi um pedido da tropa, encurralada pelos bandidos e traumatizada pelas perdas. Conforme informou o porta-voz da corporação, no estado, só este ano 58 policias foram mortos e 189 ficaram feridos.

Ao mesmo tempo, é o governador quem diz: “A gente não pode achar normal que o policial entre lá e tenha que ficar dentro de uma cabine blindada que toda hora é alvo de tiros”. Assim como não é normal a colocação de placas “Áreas de risco” para impedir o acesso a essas zonas. O normal seria que a cidade não tivesse parte de seu território controlado por traficantes e milicianos.

Artes de A. Lucena & CHICO Caruso

Charge (Foto: Antonio Lucena)
Charge (Foto: Chico Caruso)
Charge (Foto: Antonio Lucena)

Cartas de Buenos Aires: Operação Malbec, por Gabriela G. Antunes--Jonalista

Quem mora aqui sabe que a pseudo soberba dos hermanos não é nada mais que um desejo de reaver a glória do passado. E o Malbec é um bom caso de auto estima recuperada
A paixão é tanta que em Buenos Aires existe uma casa só para o Malbec
(Foto: Malbequeria)
Eu me lembrei nessa semana da explicação que dei no Brasil do porquê abandonar tudo por um mestrado na Argentina. É a “operação Malbec”, brinquei. 
De fato, o meu primeiro blog contando experiencias com os hermanos tinha como bordão “um ano dedicado ao vinho, doce de leite e la mala televisão argentina”.

Um ano se transformou em sete. A paixão pelo doce de leite já empapuçou, a televisão argentina hoje em dia me faz mal, mas continuo tomando vinho. Não aprendi a dançar tango e como carne quase nunca mas, sempre que posso, bebo vinho acompanhando as refeições.

No entanto, foi só nessa semana, enquanto fazia uma matéria sobre vinhos em Buenos Aires, que parei para me perguntar: que diabos é um vinho Malbec?

Assim, investigando sobre o assunto, descobri que a Argentina é a sexta maior produtora de vinhos do mundo, e a metade é Malbec. De longe, o país é o maior produtor de Malbec.

Na minha santa ignorância, não sabia que a uva Malbec não era exatamente uma fruta nacional e que havia sido uma bem-sucedida empreitada francesa na região. 
Aliás, francesa e argentina. Foi o ímpeto do presidente desenvolvimentista Domingo Sarmiento, aliado ao agrônomo francês Miguel Pouget, o responsável no século XIX pela entrada dessa uva no país, que permite a produção de vinho tinto com aroma que lembra frutas vermelhas e ameixas maduras.

Aqui, ela encontrou o que os enólogos chamam de “terroir”, ou seja, uma combinação ideal de solo seco, clima desértico e altitude perfeitos, principalmente em Mendoza, onde 86% da produção nacional estão concentrados. A altitude da Cordilheira dos Andes transformou a variedade francesa em um clássico argentino. Em hectares cultivados, só perde para o Syrah na Austrália.

É algo que os argentinos levam com orgulho. Quem mora aqui sabe que a pseudo soberba dos hermanos não é nada mais que um desejo de reaver a glória do passado. E o Malbec é um bom caso de auto estima recuperada.

Se antes, em algum momento da história, foi um “souvenir” francês, agora coloca a Argentina no requintado circuito mundial dos vinhos. Entre os países que mais importam vinhos Malbec estão Estados Unidos, Reino Unido e Brasil.

A paixão é tanta que, em Buenos Aires, ganhou uma casa só sua. É La Malbequeria (Gurruchaga 1418), no bairro de Palermo, que oferece degustações apenas desse tipo de vinho. No armazém há mais de 350 rótulos diferentes à venda. Porém, a mais importante rota dessa variedade ainda está primordialmente na província de Mendoza, onde é possível visitar as bodegas, com paisagens de tirar o fôlego.

Existe um ícone nacional que ninguém tem certeza se nasceu na França: o cantor de tango Carlos Gardel. No entanto, Malbec é sabidamente francês, ou era, porque agora é mais argentino que Maradona.
NB do blog--Gardel nasceu em TOULON--France, assim como Lucio Costa, o Arquiteto brasileiro de Brasilia.

Equivocos......de quem ta SEMPRE por fora....


JUIZ MORO DEVOLVE AO PLANALTO 26 OBJETOS DE VALOR QUE LULA LEVOU COM ELE, nas folhas

SERÃO DEVOLVIDOS AO GOVERNO ESCULTURAS, COROA, ESPADA, MOEDAS...
OBJETOS DE VALOR ACIMA DO PREVISTO EM LEI, RECEBIDOS POR LULA, RETORNAM AO PATRIMÔNIO PÚBLICO.
O juiz federal Sérgio Moro autorizou a Presidência da República a incorporar ao patrimônio da União 26 bens do cofre do ex-presidente Lula. 
Os objetos sumiram ao final do governo do petista e foram descobertos em uma sala-cofre no Banco do Brasil, no centro de São Paulo, e apreendidos em março de 2016 na Operação Lava Jato. Na ocasião, Lula se referiu aos objetos como "tralhas".

Durante seus mandatos, entre 2003 e 2010, o petista recebeu centenas de itens. Após avaliação da Secretaria de Administração da Presidência, Moro considerou que um acervo de 21 bens deve ser restituído em favor da União.

"Constatou este Juízo que havia alguns bens entre os apreendidos que teriam sido recebidos, como presentes, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o exercício do mandato, mas que, aparentemente, deveriam ter sido incorporados ao acervo da Presidência e não ao seu acervo pessoal. É que agentes públicos não podem receber presentes de valor e quando recebidos, por ser circunstancialmente inviável a recusa, devem ser incorporados ao patrimônio público", anotou Moro.

Dos 176 itens analisados pela Comissão Especial da Secretaria da Presidência da República, 21 foram considerados bens que não deveriam ter sido levados por Lula, como itens de seu acervo pessoal. Entre eles uma coroa, uma espada, esculturas, moedas, entre outros itens.

Há ainda outros 5 itens armazenados no cofre de Lula, no Banco do Brasil, que tiveram problemas na averiguação, mas que também foram considerados bens a serem devolvidos à Presidência. Entre eles uma caneta com brasão do Vaticano recebida em 2008 e uma escultura de Juan Miró.

"Autorizo o levantamento pela Secretaria de Administração da Presidência da República dos bens relacionados no item 61 do Relatório Final do Processo 00140.000326/2016-16 e que se encontram atualmente apreendidos por ordem deste Juízo junto a cofre no Banco do Brasil (agência do Banco do Brasil, na Rua Líbero Badaró, 568, centro, São Paulo/SP), para fins de incorporação administrativa ao patrimônio da União Federal", decidiu Moro, nesta sexta-feira, 28.

Segundo Moro, os bens a serem confiscados foram "recebidos em cerimônias oficiais de trocas de presentes com Chefes de Estados ou Governos estrangeiros, que têm algum valor mais expressivo, mas que não caracterizam presentes de caráter personalíssimo".

No mesmo despacho, o juiz determinou que permaneça na posse do ex-presidente outros objetos, como "medalhas, canetas, insígnias arte sacra, por terem caráter personalíssimo".

ANAC ARRUMOU NO CEARÁ DECISÃO QUE RESTABELECE COBRANÇA DE BAGAGENS, nas folhas

Comentário logico--os prepostos do moreira franco alias "gato angora" insistem no financiamento eleitoral privado....sempre as custas dos mesmos otários de eleitores. Acorda brasileirinho!

ANAC INSISTE EM CRIAR NEGÓCIO MILIONÁRIO PARA EMPRESAS AÉREAS
A Justiça Federal no Ceará atendeu pedido da Agência Nacional de Avião Civil (Anac) e suspendeu os efeitos da liminar que impedia a cobrança de bagagens por parte das companhias aéreas no Brasil. A liminar suspendia parcialmente a resolução da Anac que atendeu ao lobby das empresas aéreas, permitindo a cobrança do transporte de bagagens e que, com a decisão deste sábado, volta a ser integralmente válida.

Com a decisão, a Anac não condicionou a cobrança das bagagens à redução no preço das passagens, por meio de descontos. Com a nova cobrança, a agência criou um milionário negócio para as empresas aéreas, exatamente como pretendiam seus executivos, em detrimento dos clientes. 

A Anac argumentou que a decisão suspendeu a permissão para cobrança do transporte das bagagens, mas manteve o novo peso de 10 quilos permitido para bagagens de mão previsto na resolução. Com isso, segundo a agência, a liminar colocava em risco a segurança dos vôos – especialmente os lotados – e poderia aumentar o custo das companhias, que seria posteriormente repassado ao consumidor em aumento das passagens. Segundo a Anac, a decisão liminar foi tomada sem amparo técnico sobre a questão.

A Agência Nacional de Avião Civil também reiterou o argumento de que a franquia de bagagem prevista antes da resolução, de 23 quilos por passageiro em voos nacionais, está muito além da média utilizada pelos usuários, que é abaixo de 12 quilos.

JUIZ MANDA LIBERAR EIKE BATISTA PARA CUMPRIR PRISÃO DOMICILIAR, nas folhas

EMPRESÁRIO SERÁ MANTIDO PRESO EM SUA MANSÃO, NO JARDIM BOTÂNICO
Eike, sem capachinho nem Luma....
O juiz federal Gustavo Arruda Macedo determinou neste sábado que Eike Batista deixe Bangu 9 e passe a cumprir prisão domiciliar. A decisão foi tomada um dia após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes atender o pedido de liberdade da defesa do empresário. Preso desde janeiro, Eike terá que ficar em sua casa no Jardim Botânico, onde poderá receber visitas da Polícia Federal sem aviso prévio.

De acordo com o advogado de Eike Batista, Fernando Martins, o empresário deverá deixar a penitenciária neste domingo. O fundador do grupo X foi preso na Operação Eficiência, um desdobramento da Calicute, que levou à prisão o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). Eike foi indiciado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa. Ele teria pago US$ 16,5 milhões em propina ao esquema liderado pelo ex-governador Sérgio Cabral para ter benefícios em seus negócios.

Macedo listou nove medidas cautelares, possibilidade aberta no despacho de Gilmar Mendes. Além da prisão domiciliar integral, que só pode ser violada por emergência médica, Eike terá que se manter afastado da direção das empresas do grupo X. O juiz afirma que a prisão domiciliar não é um excesso porque "(...) se o réu está sendo afastado cautelarmente de suas atividades de administração das empresas, justamente com a finalidade de preservar a instrução criminal e a ordem pública até o encerramento da ação penal, mais seguro que permaneça em seu domicílio a fim de preservar a finalidade cautelar da medida ora adotada, ao menos até a sua revisão pelo juiz natural".

A prisão de Eike foi determinada pelo juiz Marcelo Bretas, responsável pelos desdobramentos da Lava Jato no Rio, mas como a decisão do STF chegou à Justiça Federal do Rio no fim de semana coube ao magistrado de plantão tomar a decisão. Eike Batista não terá que usar tornozeleira eletrônica. O empresário está proibido de manter contato com qualquer réu ou investigado em ações que tramitam na 7ª Vara Federal Criminal, da qual Bretas é titular. Terá ainda que concordar com a quebra de seu sigilo telefônico e telemático, atender a todas as comunicações judiciais e entregar seus passaportes. 

A Justiça terá o controle de todos que frequentarem a casa de Eike que só poderá receber a visita de parentes e advogados. A Polícia Federal poderá entrar na casa do empresário a qualquer momento, sem aviso prévio ou necessidade de autorização judicial. "O descumprimento de qualquer dessas medidas acarretará ipso facto o restabelecimento da prisão preventiva anteriormente decretada", diz o magistrado na decisão. 

A decisão liminar de Gilmar Mendes citava "constrangimento ilegal" ao empresário. No despacho o ministro mencionou a gravidade dos supostos crimes cometidos pelo empresário e o "sofisticado esquema para ocultação" da origem do dinheiro, apontado nas investigações. Ele considerou, no entanto, que os fatos foram cometidos entre 2010 e 2011 e, portanto, "consideravelmente distantes no tempo da decretação da prisão". 

"O fato de o paciente ter sido denunciado por crimes graves - corrupção e lavagem de dinheiro -, por si só, não pode servir de fundamento único e exclusivo para manutenção de sua prisão preventiva", escreveu Gilmar Mendes.

sábado, 29 de abril de 2017

MINISTRO GILMAR MENDES MANDA SOLTAR O EMPRESÁRIO EIKE BATISTA via (ABr)

EIKE DEVERÁ SER SOLTO SE NÃO ESTIVER CUMPRINDO OUTRO MANDADO DE PRISÃO
NO HABEAS CORPUS, A DEFESA ALEGOU QUE A PRISÃO PREVENTIVA É ILEGAL E SEM FUDAMENTAÇÃO FOTO: FÁBIO MOTTA

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, retornando de Lisboa (onde tem apartamento) e Paris, (onde foi ver as eleições francesas) mandou soltar hoje (28) o empresário Eike Batista, preso, no final de janeiro na Operação Eficiência, um desdobramento da Operação Lava Jato. 
O empresário é réu na Justiça Federal do Rio por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De acordo com a decisão do ministro, Eike deverá ser solto se não estiver cumprindo outro mandado de prisão. Caberá ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal no Rio de Janeiro, avaliar se o empresário será solto e aplicar medidas cautelares.

Segundo as investigações, Eike teria repassado US$ 16,5 milhões em propina ao ex-governador Sérgio Cabral, por meio de contratos fraudulentos com o escritório de advocacia da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, e uma ação fraudulenta que simulava a venda de uma mina de ouro, por intermédio de um banco no Panamá. Em depoimento à PF, Eike confirmou o pagamento para tentar conseguir vantagens para as empresas do grupo EBX, presididas por ele.

No habeas corpus, a defesa de Eike Batista alegou que a prisão preventiva é ilegal e sem fudamentação. Para os advogados, a Justiça atendeu ao apelo midiático da população .

"Nada mais injusto do que a manutenção da prisão preventiva de um réu, a contrapelo da ordem constitucional e infraconstitucional, apenas para satisfazer a supostos anseios de justiçamento por parte da população, os quais, desacoplados do devido processo legal, se confundem inelutavelmente com a barbárie", argumenta a defesa.(ABr)

MPF PREOCUPADO COM ‘PULVERIZAÇÃO’ DA LAVA JATO, nas folhas


FIM DO FORO LIGOU ALERTA NO MPF SOBRE POSSIBILIDADE DA LAVA JATO TER DE SER REINICIADA
Chamou a atenção do Ministério Público Federal a aprovação do fim do foro privilegiado por unanimidade, no Senado. 
Depois, deu para entender os 75x0: os atuais investigados e réus na Lava Jato ganham infinitas opções de recursos. 
Além disso, até para não sobrecarregar o juiz Sérgio Moro, há a possibilidade, prevista em lei, de pulverizar os processos para juízes dos Estados “onde os crimes foram cometidos”. 

A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) já demonstrou que não há apenas um Sérgio Moro, mas um “exército” deles em todo o País.

Nenhuma das votações nominais realizadas pelo Senado este ano teve quórum tão alto de senadores quanto a PEC do fim do foro privilegiado.

O relator Randolfe Rodrigues ficou encafifado: Renan Calheiros votou, como ele, pelo fim do foro. “É orar e vigiar”, diz o senador da Rede-AP.

Arte de AMARLDO

Charge (Foto: Amarildo)

Por fora bela viola, por dentro pão bolorento, por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa--Professora e tradutora

Michelle de Oliveira no enterro de seu filho Paulo Henrique (Foto: Domingos Peixoto)
O Rio continua lindo. Mais do que lindo, deslumbrante. No outono, é quando a beleza desta cidade assume um colorido mais nítido e suave, e deixa qualquer um estonteado.

Pena que por dentro esteja mais feio, mais medonho, mais cruel e violento do que nunca.

Ainda muito traumatizada com a morte da menina Maria Eduarda, no pátio da escola em Acari, a cidade viu morrer, nos últimos seis dias, Paulo Henrique, também com 13 anos; Gustavo; Bruno; Felipe, todos com menos de 20 anos, todos vítimas de tiroteios.

Não creio ser necessário detalhar aqui o sofrimento das famílias. A dor da perda de um filho é lancinante, rasga as entranhas de pais e avós.

E arrebenta com os menores: Pedro, de 10, irmão de Paulo Henrique, só pedia à mãe: “calma, mãe, calma, por favor, levanta”. Sentir o sofrimento de sua mãe estava sendo insuportável para ele.

Mas, e as autoridades, perguntamos todos? Onde estão? O que dizem? Que medidas tomam?

Bem, o governador Pezão não se omitiu. Falou à imprensa e pediu: “Eu preciso ter mais recursos. Eu tenho quatro mil policiais pra serem admitidos, mas, infelizmente hoje não posso admiti-los, não tem recursos”.

Não é curioso? Ele pede dinheiro ao governo federal para cobrir o buraco deixado pelo governo anterior ao seu, o do Sergio Cabral, que ontem teve a coragem de dizer ao juiz Sergio Moro que comprou, sim, alguns bens de luxo, com pagamento feito com dinheiro de Caixa 2 e com recursos próprios.

Já Adriana, sua mulher, confirmou que fez boas compras, tanto ela quanto o marido, mas que não sabia qual a origem do dinheiro. Sempre acreditou no marido que lhe dizia que o dinheiro era lícito.

Desculpem, mas a cena que passa em minha cabeça é imperdível:

Sergio chega em casa com uma caixa linda e entrega à mulher que abre o presente, vê um anel que brilha tanto que ofusca sua visão. O que ela faz? Beija o marido e agradece o mimo? Com certeza, mas antes pergunta: “foi comprado com dinheiro lícito?”.

Não é uma cena digna de um Coppola ou de um Scorcese?

Sou carioca apaixonada pelo Rio. Mas não quero que o governo federal envie mais dinheiro. Isso não ia resolver nada.

O que era bom, o que era ótimo, o que era excelente, era que o Governo Federal interviesse no Estado do Rio e que o ministro Raul Jungmann enviasse tropas federais para cá.

É disso que precisamos. E mais depressa do que nunca!

A solidão de Fachin e o dramaturgo norueguês, por Vitor Hugo Soares--Jornalista

Ministro Edson Fachin (Foto: Nelson Jr. / SCO / STF)
O ministro relator do processo da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, nesta complicada semana de quase fim de abril, buscou auxílio na obra e no pensamento do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, para sinalizar o seu sentimento de abandono e solidão, na encrencada quadra da vida política, jurídica, governamental e moral que atravessamos, na qual foi agregado, nesta sexta-feira, 28, um delicado e corrosivo ingrediente de revolta sindical espalhada pelo país.

Fachin, com seu jeitão enigmático e meio tímido (como um verso de bolero cubano Anos 50) fez seu desabafo quase em sussurro, diante do grupo de jornalistas que o aguardava na chegada ao prédio do STF, em Brasília, no dia seguinte à intrigante sessão da Segunda Turma que o deixou aporrinhado e em aparentes dúvidas sobre o seu entorno.

O fez, no entanto, com exemplo intelectualmente culto e caprichado. Usou metáforas tão poderosas e contundentes, que suas palavras ainda ressoam e repercutem com força e expressividade dos Tambores de Calanda, durante as cerimônias da Semana Santa em Saragoza. Descritas magnificamente pelo cineasta espanhol, Luiz Buñuel, em seu livro de memórias, "Meu Último Suspiro", que este jornalista não cansa de citar e recomendar. Mais que nunca, nestes tempos indecifráveis do mundo em geral, mas princi palmente do Brasil.

Foi uma espécie de repentino "cair na real", amarga sensação de estar só , ou quase, entre seus pares. do ministro que agora, além de suas atribuições próprias, como membro da Suprema Corte de Justiça, carrega nas costas, também, o pesado e desafiante encargo de conduzir o processo da Lava Jato.

A súbita percepção do abissal descompasso dos seus afazeres com a imensa responsabilidade que lhe foi passada. Depois da prematura morte do ministro Teori Zavaski, no terrível desastre no mar da tão belo quanto simbolicamente montanhosa e sinistra costa de Paraty.

Este episódio já foi exposto e repisado, em narrativas e análises diversas, ao longo dos últimos dias. Mas o fato comporta diferentes análises, segue candente e ainda queima como ferroadas das antigas abelhas africanas (antes de serem amansadas, depois de repetidas experiências científicas realizadas em laboratórios e apiários da Bahia, depois que as "africanas" viraram uma praga ameaçadora e quase mortal) .

Não custa relembrar, em mais este texto de informação e opinião. Peço só um pouco de paciência (embora saiba que sobra pouca no país atualmente, de todos os lados), para cumprir norma básica de contextualizar fatos antes de emitir opinião, lição que aprendi nos livros do mestre Juarez Bahia, e nos muitos anos de trabalho sob o comando do premiado repórter (seis Esso de Jornalismo) e saudoso editor nacional do Jornal do Brasil.

Na quarta-feira, 26, com carradas de razão, Fachin estranhou e reagiu ironicamente, ao comentar os votos de colegas na decisão que mandou soltar dois presos da Lava Jato, um deles o empresário José Carlos Bunlai (notório amigo do peito de Lula e sua família em anos de poder e mando), simbólico exemplar desta triste história da formação de organizações criminosas de corruptos e corruptores, nos âmbitos público e privado, para saquear a Petrobras e o erário em muitas outras áreas, como o desfiar do novelo vai revelando a cada dia. Para Fachin, soaram como indicadores de afrouxamento de prisões no processo cavernoso.

No dia seguinte à preocupante sessão da Segunda Turma, o ministro relator da Lava Jato comentou, ao ser questionado pelos repórteres sobre as decisões: "Saí daqui ontem com vontade de reler o (Henrik Ibsen), "Um Inimigo do Povo". Mais não disse Fachin, (além do sorriso irônico que esboçou), nem precisava!

Na famosa peça teatral, o dramaturgo norueguês trata do drama de um homem que queria salvar a sua cidade, ameaçada por corruptos e ambiciosos poderosos que poluem o seu rio, mas vira um inimigo do povo. A obra referida pelo ministro, de 1882, considerada um marco na abordagem do tema da defesa do meio ambiente - ao ter como personagem principal um cidadão idealista em luta contra a corrupção - é, acima de tudo, "uma impiedosa crítica às elites, aos governos, aos partidos, à imprensa, e ao pensamento único", como já sintetizou um dos inúmeros analistas de "Um Inimigo do Povo" ao longo do tempo. "O cenário brasileiro sugere uma releitura dessa peça do velho Ibsen", aconselhou, ainda, o homem da Justiça, antes de encerrar a conversa com os jornalistas.

Pelo exemplo citado e recomendado, também atento e antenado leitor de clássicos do realismo literário.

Na parte que me toca, a revisitação ao livro da história do Dr Stockmann, médico da cidade do interior da Noruega, cuja maior fonte de renda vem da sua Estação Balneária, já está agendada. O farei, espero, logo depois que concluir a leitura do belo, pungente e a cada página mais surpreendente "A Menina que foi Vento - Memórias de Uma Imigrante", o recém lançado livro de memórias de Symona Gropper: a jornalista nascida na Romênia, detentora, com justiça, do reconhecimento como um dos melhores textos do Jornal do Brasil.........

Ficam as duas sugestões de leituras para este feriado. Vivamente.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Lula e sua pesada bagagem, por Murillo de Aragão


Lula (Foto: Edilson Dantas)

As declarações dos empresários Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro sobre suas relações com Lula complicaram de vez a situação do ex-presidente. Mas a questão que envolve a possibilidade de sua prisão pode não ser resolvida rapidamente. Afinal, prender um ex-presidente da República provoca amplas repercussões nacionais e internacionais.

No entanto, a situação jurídica de Lula está cada vez pior e dificilmente ele conseguirá escapar de uma pesada condenação por parte do juiz Sérgio Moro, à frente das investigações na Operação Lava-Jato. Lula provavelmente poderá recorrer em liberdade e aí sua sorte estará nas mãos do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A questão crucial é saber se o TRF4, localizado no Rio Grande do Sul, cujo meio jurídico tem conhecidas tendências esquerdistas, condenará Lula com celeridade a ponto de torná-lo inelegível. Como se sabe, uma condenação em segunda instância de órgão colegiado fará dele um ficha-suja.

Lula, por sua vez, age de forma clara: transforma-se em vítima e candidato à Presidência para jogar em Moro a pecha de perseguidor de político popular. O resultado nas pesquisas de opinião endossa a estratégia de Lula: é o único que estaria assegurado no segundo turno se a próxima eleição presidencial fosse realizada hoje.

Mais recentemente, o ex-presidente e o juiz passaram a protagonizar uma polêmica sobre sobre as condições em que se dará o encontro entre ambos – dia 3 de maio ou mais tarde, com 87 testemunhas ou menos, embalado por manifestações populares alusivas ao dia do trabalhador ou um teste de pré-lançamento de campanha.

O embate serve de maneira conveniente à personalidade marqueteira de Lula, que todos os dias tem assunto para alimentar a mídia. Com a vantagem de se tratar de uma agenda positiva, que evita as palavras corrupção e propina, e põe no centro do debate a questão da democracia.

Recentemente, o sociólogo André Singer, um dos formadores das teses do lulopetismo, afirmou em artigo que a estabiidade da democracia só estará garantida se Lula concorrer em 2018: "No lusco-fusco em que nos encontramos, o destino jurídico do líder petista será chave”, escreveu.

Caso Lula seja candidato, raciocina Singer, “a recomposição do tecido democrático esgarçado pelo golpe parlamentar ganha densidade”. Na hipótese contrária, a instabilidade tende a se prolongar. Logicamente, o raciocínio de Singer é mais do que um exagero.

Como a próxima eleição não será realizada hoje e nem se sabe se Lula estará ou não elegível em 2018, tudo o que vemos é um samba-enredo destinado a transformá-lo em herói do povo mesmo com evidências chocantes de privilégios indevidos. É a construção de uma narrativa que funciona, em parte, pelo fato de os demais partidos também estarem sendo atingidos pelo tsunami da Lava-Jato.

Tal narrativa não funcionará mais adiante porque a mochila de fracassos e equívocos de Lula está transbordando e isso custará caro em uma possível tentativa de se reeleger. Em campanha, ele já não contará com a generosa ajuda das empreiteiras. Além disso, o PT está desidratado e envergonhado, por conta da sucessão de escândalos em torno de seu nome. Sem contar o fato de que o mundo sindical não estará unido a seu lado.

Para piorar, caso Lula consiga chegar a 2018 elegível, sofrerá um bombardeio midiático intenso, já que passou a personalizar tudo de ruim que aconteceu no Brasil nos últimos anos. Poderá até chegar ao segundo turno, mas ganhar é outra história.

‘Se tiver, você destrua’ , por Elio Gaspari-JORNALISTA


Até o dia em que o juiz Sérgio Moro vier a encerrar o julgamento de Lula, quatro palavras dividirão opiniões. Disse? Não disse? Nessa queda de braço com seu ex-amigo e empreiteiro Léo Pinheiro, sócio da OAS, Lula joga sua liberdade.

O prestativo mandarim acompanhou uma visita do casal Silva ao apartamento do edifício Solaris, no Guarujá. Segundo ele, em “abril ou maio” de 2014, Lula disse-lhe que destruísse quaisquer anotações relacionadas com suas transações com o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Lula nega, e não há testemunha dessa conversa.

Lula também nega que seja o proprietário do apartamento, cuja reforma acompanhou. Até bem pouco tempo Léo Pinheiro negava que a OAS distribuísse capilés e operasse políticos pelo caixa 2.

É difícil saber quando qualquer um dos dois diz a verdade.

A Polícia Federal e o Ministério Público poderão levantar detalhes que ajudem a esclarecer o mistério das quatro palavras. (O da serventia do apartamento nunca foi um enigma respeitável.)

Passaram-se três anos e a ordem dos fatos embaralhou-se na memória de quem é obrigado a cuidar da própria vida. Tomando-se “abril ou maio” como referência, percebe-se que estranhas coisas estavam acontecendo e poderiam justificar a recomendação.

No dia 17 de março a Polícia Federal prendera o operador Alberto Youssef. No dia 20, caiu Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras. Dias depois Nestor Cerveró, outro ex-diretor, foi para a Europa, em férias.

Em seu escritório, o advogado Márcio Thomaz Bastos prenunciava uma tempestade. Em 2011 ele conseguira uma vitória espetacular das empreiteiras sobre a Polícia Federal e o Ministério Público, anulando a Operação Castelo de Areia no Superior Tribunal de Justiça.

A tempestade chegou em junho, quando um procurador suíço bloqueou US$ 23 milhões depositados por Paulo Roberto Costa. Ele havia sido libertado, e um juiz pouco conhecido mandou prendê-lo de novo. Era Sérgio Moro.

Percebia-se que se estabelecera uma colaboração entre Curitiba e Genebra. Se essa colaboração vazou em “abril ou maio”, não se sabe.

Sabe-se, porém, que Lula chamou Léo Pinheiro ao seu instituto. Estava “preocupado” e fez uma pergunta “muito objetiva, muito clara”: “Se a OAS tinha feito algum pagamento no exterior para João Vaccari”. Depois, tratando de eventuais anotações contábeis de Léo Pinheiro com o PT, disse-lhe: “Se tiver, você destrua”.

Abre-se uma questão. É provável que Pinheiro e a OAS tivessem anotações. Se elas existiram seria razoável que fossem destruídas ou, pelo menos, transferidas para um lugar seguro.

Marcelo Odebrecht só mandou “higienizar” os “apetrechos” de suas “operações estruturadas” em novembro de 2014, quando diretores da empreiteira foram presos. Essa circunstância mostra a extensão da onipotência dos mandarins das empreiteiras.

Apesar disso, o caso de Léo Pinheiro é diferente. Ele recebeu a recomendação de Lula, um ex-presidente da República, padrinho da titular do cargo e comissário-chefe do PT.

A defesa de Lula sustenta que Léo Pinheiro inventou essa história para salvar a própria pele. Se ele mostrar quais provas destruiu, como e quando, fortalece sua denúncia.

Notícias da semana, por José Paulo Cavalcanti Filho--Advogado



1. Mulheres da arábia.
Domingo, a Arábia Saudita foi eleita para a Comissão de Direitos das Mulheres (na ONU). É algo estranho. Segundo a legislação do país, apenas com supervisão de um guardião (wali) do sexo masculino mulheres podem estudar, casar, divorciar, trabalhar, abrir contas em banco, se internar em hospitais ou viajar (nesse caso, se tiverem menos de 45 anos). Nenhuma dirige automóvel. E a Assembleia Consultiva (Shura) concorda. Porque, atrás do volante, estariam expostas ao mal. Em algumas regiões, ainda são obrigadas a cobrir o rosto.

A partir de 2015, passaram a poder votar e ser candidatas (em eleições locais). Mas só podem fazer discursos caso se escondam por trás de biombos. Os edifícios públicos têm entradas diferentes, para homens e mulheres.
Nas lojas, não podem provar roupas. Compram as peças tentando adivinhar, com os olhos, seus tamanhos. Agora, a Arábia Saudita vai legislar. Na ONU. Sobre os direitos da mulher. Dispensáveis quaisquer comentários sobre essa inconsequência. Seria como falar de forca na casa de um enforcado.

2. Jerry Adriani.
Fim de missa da mulher de um famoso cantor das Emoções. Esperando que a multidão se dispersasse, o puseram em uma pequena sala. Para fazer companhia ao viúvo. Depois viriam buscá-los. Foi quando tal cantor, O Cara, deu-lhe as costas, virou-se para um jarro de flores e começou a conversar: “Plantinha querida, vou lhe contar a história de minha vida. Eu nasci em...” Passados 15 minutos Jerry, por sentir não ter o que fazer ali, saiu discretamente. E comentou: Depois, dizem que o doido sou eu. Agora, domingo, saiu da vida. É pena. Vai-se o homem, ficam suas histórias.

3. Eleições francesas.
O primeiro colocado (23,9%) nas eleições de domingo, Emmanuel Macron, não é filiado a nenhum partido. Foi candidato pelo movimento En Marche. Mesma situação do terceiro (19,2%), Jean-Luc Mélanchon. Candidato pelo também movimento La France Insoumise. A segunda (21,7%), Marine Le Pen, é de partido, o Front National, com só 2 entre 577 Deputados da Assembleia Nacional.

O Partido Socialista, até então maior da França, teve só 7% dos votos. Em toda parte, o eleitor quer algo novo. Desencantado com o que conhece, prefere o risco. Será isso bom ou ruim?, é cedo para saber.

4. Lei de abuso de autoridade.
Foi aprovado quarta, por unanimidade, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, projeto de lei feito para intimidar Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário. Após alterações sensíveis no texto, ainda bem.

Autor do Projeto (85/2017), era mesmo de esperar, foi Renan Calheiros. Relator, Roberto Requião. E agradou a muitos réus. Tanto que recebeu entusiástico apoio do ex-presidente Lula – A gente não pode deixar de votar esse projeto. Está explicado.

Prefiro as palavras do Senador Cristovam Buarque: Privilegiados brasileiros sempre cometeram abuso de poder. Agora que se começa a chegar a eles, querem uma lei para se proteger. Só faltam colocar, no último artigo, “essa lei entra em vigor no início da operação Lava Jato”. Mais grave é que tudo se passa quando estão em vias de ir, à cadeia, velhos expoentes de uma forma deletéria de fazer política.

Provérbio latino ensinava que Ex digito gigas. Pelo dedo (se conhece) o gigante. Saramago, ao receber o prêmio Cidade de Lisboa (em 1982), lembrou dele. E comentou: Por pequenas coisas se pode adivinhar os homens de bem. E também os ladrões, está implícito.

Enrico Cava, o trompetista italiano que se libertou do free jazz, por Flávio de Mattos--Jornalista

Enrico Cava (Foto: Divulgação)
A vida do jovem músico italiano Enrico Rava deu uma virada naquele dia de agosto, de 1956, em que Miles Davis se apresentou em Turim. Com 17 anos, Rava era o trombonista da Torino Dixieland Band, grupo amador que tocava o repertório do Hot Five de Louis Armstrong.

“A música era incrível e Miles tinha uma presença fantástica no palco. Se movia como um grande ator, como Marlon Brando em Sindicato dos Ladrões. Era tudo um grande espetáculo. Eu vi que aquilo era o que eu queria fazer e, no dia seguinte, comprei um trompete”, relembra Enrico Rava.

Turim tinha uma vida musical muito movimentada e por lá passavam todos os grandes nomes do jazz internacional. Pela mesma época, Enrico Rava pôde escutar, outro trompetista que viria marcar profundamente seu estilo, Chet Baker. Inspirado em Miles e Baker, Rava começou sua carreira no novo instrumento.

O impulso definitivo para a profissionalização veio do saxofonista argentino Gato Barbieiri. Em 1962 eles foram apresentados por um amigo baixista que iria excursionar pela Itália com Barbieri. “Ainda me lembro daquela noite. Eu nunca o tinha visto tocar, mas logo na primeira nota ficou claro que ele era de outro planeta”, relata Rava, entusiasmado

O trompetista conta que Gato Barbieri o contratou para sua banda e o levou para Roma, onde a excursão começaria. “Tocamos juntos todas as noites, durante meses. Nos fizemos grandes amigos”, diz Rava. “A sua confiança em meu trabalho foi incrivelmente importante para mim. Tocar com Gato foi a minha pós graduação no jazz”.

Foi ainda na Itália que Enrico Rava conheceu Don Cherry, Mal Waldron e Steve Lacy, expoentes do free jazz. Eles formaram um quarteto que, curiosamente, alcançou grande êxito na cena jazz de Londres e de Buenos Aires. O grupo chegou a gravar um disco na Argentina, em 1966, The Forest and the Zoo, que se tornou um ícone para os cultores desse estilo de jazz.

Enrico Rava mudou-se para Nova York em 1967 e integrou-se ao grupo de músicos do jazz de vanguarda. Cecil Taylor, Charlie Haden, Marvin Peterson e, especialmente, o trombonista Roswell Rudd, foram seus companheiros mais constantes nos palcos da cidade.

Desde a época de sua banda de dixieland, a combinação de sons do trompete com o trombone sempre fascinou Rava. “Eu gosto do tom e do registro do trombone, que é o mesmo registro da voz masculina”, explica o músico. “O trompete e o trombone são exatamente o mesmo instrumento, sendo que o trompete é um pouco mais alto. Por isso, eles soam tão bem juntos”, argumenta ele.

O free jazz, no entanto, acabou tornando-se uma camisa de força para Enrico Rava. As experimentações e os malabarismos sonoros obrigatórios, a seu ver, limitavam sua liberdade de tocar o que quisesse, incluindo belos acordes concatenados. Ele gosta de contar uma história para exemplifica sua posição.

Rava participava do Free Jazz Meeting, que acontecia em Baden-Baden, na Alemanha, dirigido pelo jornalista Joachim Berendt. Em uma das apresentações, o baixista Eberhard Weber estava tocando e, de repente, começou a introduzir alguns acordes em meio ao tema principal, supostamente, livre. Berendt interrompeu o concerto e deu uma bronca no baixista: “Pare, imediatamente. Lembre-se, isso é um encontro de free jazz, você não pode tocar acordes aqui” disse-lhe o diretor do evento.

“Por isso voltei a tocar com ritmo e acordes, eu me sentia muito mais livre fazendo o que queria e o que gostava. Aquela música era toda muito conceitual e já não me agradava estar preso ali”, esclarece Rava. Para ele, a verdadeira liberdade é poder escolher o que tocar, de acordo com o clima do momento.

E foi esse sentimento que o pautou em sua carreira. Depois que voltou a morar na Itália, lá por finais dos anos 80, Rava se tornou o músico mais importante do jazz italiano. Hoje, com 78 anos, ele tem mais de cem álbuns gravados, sendo trinta como líder. Em suas formações, Enrico Rava tem revelado jovens músicos que fazem do jazz sua linguagem. É o caso do pianista Stefano Bollani, que começou em seu grupo e é hoje uma estrela do jazz internacional.

Celebrando sua amizade, Rava e Bollani gravaram em duo o álbum The Third Man (2011), para o selo alemão ECM. O disco abre com a peça Estate, sucesso da canção italiana que já havia ganhado soberba interpretação de João Gilberto. Nele se destaca ainda, a leitura da dupla para Retrato em Branco e Preto, de Tom Jobim e Chico Buarque.

Outro jovem músico revelado por Enrico Rava é o trombonista Gianluca Petrella. Com ele Rava tem exercitado suas ideias de combinação das sonoridades do trombone com o trompete. No vídeo a seguir podemos conferir esse resultado na apresentação de seu New Quartet com Gianluca Petrella no Festival de Jazz de Macerata, na Itália, em março de 2016.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Desastre em três dimensões, por Míriam Leitão--Jornalista

A conta no exterior existe, eles disseram que receberam, e a Odebrecht disse que pagou. Se é tudo falso, por que eles estariam inventando crimes para se culparem?
Arte: Josh Neuman / SurrealArt.com
Em recente entrevista, Dilma sustentou que Marcelo Odebrecht tinha sofrido uma “espécie de tortura” e agora diz que Santana e Mônica foram induzidos a falar mentiras. Quem estaria por trás dessa “tortura” e da indução à confissão de falso crime? Pelo que está implícito, ela quer dizer que foi o Ministério Público e a Justiça.

A situação da ex-presidente se complica. Da mesma forma que o atual presidente Temer, seu companheiro de chapa, e também respondendo a julgamento no TSE. As investigações vão derrubando a tese de que ela nada fez de errado que justificasse o que aconteceu ao seu governo.

Arte de Amarildo

Charge (Foto: Amarildo)

ESPECIALISTAS AVALIAM QUE LULA VIROU UM NOVO PAULO MALUF, nas folhs

COMO MALUF NO PASSADO, LULA LIDERA NO 1º TURNO, MAS PERDE NO 2º
Lula, Haddad & Maluf

O desempenho do ex-presidente Lula em pesquisas para presidente, na disputa de 2018, reproduz um fenômeno eleitoral de Paulo Maluf, hoje deputado pelo PP-SP. Para o especialista Murilo Hidalgo, do instituto Paraná Pesquisas, “Lula é o novo Maluf”. Se for candidato, são grandes suas chances ser o mais votado no primeiro turno, mas sua rejeição muito alta inviabilizaria a vitória na disputa de segundo turno. 

Se for mantido solto e elegível, Lula terá no primeiro turno entre 25% e 30% dos votos para presidente da República, estima Hidalgo.

Como Maluf, Lula tem rejeição muito elevada, superior a 50%, por isso quem disputar o 2º turno contra ele tem maiores chances de vitória.

Maluf teve sucesso político em SP desde 1967. Mas a partir de 1988 o capital político dele se degradou. E só voltou à política como deputado.

Em ‘90, ‘98, ‘00, ‘02 e ‘04 Maluf liderou no 1º turno para governador ou prefeito de São Paulo, mas perdeu no 2º. Em 2008 já não liderou mais.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Arte de AROEIRA

Vitória moral para o ‘insubmisso’ Mélenchon, por ÁLEX VICENTE

O candidato da esquerda antiliberal obtém surpreendentes 19% dos votos na França
O candidato da França Insubmissa, Jean Luc Melenchon, neste domingo em Paris rodeado pela imprensa. XAVIER LAINE GETTY

Ele pode ser considerado o vencedor moral das eleições presidenciais francesas. O insubmissoJean-Luc Mélenchon conseguiu no domingo, dia 23 de abril, uma verdadeira proeza. Ultrapassou os 19% dos votos e quase igualou o resultado de François Fillon, apesar das dificuldades impostas pelas eleições, com o voto progressista dividido entre três candidatos diferentes e os sufrágios trabalhistas em plena migração para as terras da Frente Nacional. O aspirante ao Eliseu da esquerda antiliberal triplicou o resultado do até agora hegemônico Partido Socialista e praticamente igualou os resultados históricos do comunismo francês nos anos setenta.

O candidato da França Insubmissa protagonizou uma ascensão espetacular nas últimas semanas, subindo mais de sete pontos em um mês nas pesquisas e absorvendo parte do eleitorado do socialista Hamon, mas também uma porção da de Emmanuel Macron. A imensa decepção em relação à ação de François Hollande e a reconfiguração da paisagem política durante os últimos meses teriam beneficiado Mélenchon. O fim do gregarismo habitual da maioria dos votantes de esquerda, fiéis durante as últimas décadas ao Partido Socialista, ampliaram seu horizonte eleitoral.

O motor de sua campanha, que seduziu especialmente jovens e as camadas mais modestas, foi a promessa de renovar radicalmente a classe política francesa. Depois das eliminações surpreendentes de Nicolas Sarkozy, Alain Juppé, Manuel Valls e da ecologista Cécile Duflot, somadas à retirada de Hollande em dezembro, Mélenchon entendeu que o eleitorado aspirava a uma mudança de rostos e de métodos. O candidato antiliberal denunciou com insistência a “monarquia republicana” e propôs terminar com o sistema institucional idealizado há mais de meio século pelo general De Gaulle. “Serei o último presidente da Quinta República. Convocarei uma assembleia constituinte para escrever uma nova Constituição”, dizia o programa do candidato, apoiado pelo Podemos e por Bernie Sanders na reta final.

Seu talento retórico nos debates televisivos e sua inventiva campanha conseguiram eclipsar os pontos de seu programa passíveis de afastar os votantes mais moderados. Por exemplo, seu “plano B para a União Europeia”, que implicava renegociar os tratados ou abandoná-la. Ou talvez a mudança de alianças no plano geopolítico, que teria exigido sair da OTAN para “não serem arrastados a guerras pelos Estados Unidos” e “unir-se a países não alinhados”, como os da Alternativa Bolivariana.

No passado remoto, Mélenchon foi senador e ministro com Lionel Jospin. Abandonou o Partido Socialista em 2008 com a clara intenção de transformá-lo em um Pasok à francesa. O resultado obtido no domingo empurra a formação adversária um pouco mais para o abismo e termina de consagrar este fogoso orador como personalidade central na vida política francesa.

SEM DECLARAÇÃO DE VOTO
Jean-Luc Mélenchon se negou neste domingo a aceitar o resultado anunciado a partir das estimativas, esperando que chegassem os números oficiais do Ministério do Interior, previstos para a meia-noite. 
De um local no norte de Paris, onde se reuniu uma multidão eufórica, Mélenchon também evitou dar declarações de voto diante de um segundo turno. 
Insinuou que será uma decisão coletiva de sua plataforma, França Insubmissa. Mélenchon também se destacou como responsável pela campanha mais original. 
Nela figuraram reuniões simultâneas graças ao uso de hologramas, um canal no YouTube, uma “rádio insubmissa” e até um videogame, Fiscal Kombat, no qual Mélenchon enfrentava adversários como Macron, Fillon e Sarkozy.

Advertência póstuma do filósofo Zygmunt Bauman, por ANTONIO PITA

Ensaios póstumos do pensador analisam a busca da utopia em um passado idealizado
Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polonês,
 em Burgos em 2015. SAMUEL SANCHEZ

Você já reparou que os filmes e romances de ficção científica são classificados com uma frequência cada vez maior nas seções de cinema de terror e de literatura gótica, ou seja, em um futuro tenebroso no qual ninguém gostaria de viver? Pode parecer algo irrelevante, mas para Zygmunt Bauman, um dos pensadores mais influentes do século XX, é o reflexo de que começamos a buscar a utopia em um passado idealizado, uma vez que o futuro deixou de ser sinônimo de esperança e progresso para se tornar o lugar sobre o qual projetamos nossas apreensões. O sociólogo e filósofo polonês deixou desenvolvida essa tese da retrotopia (a busca da utopia no passado) em dois escritos, os primeiros traduzidos ao espanhol depois de sua morte, em janeiro, aos 91 anos. São o ensaio Retrotopia (Retrotopia) e o texto Symptoms in Search of an Object and a Name (Sintomas em Busca de um Objeto e de um Nome) parte de uma obra coletiva sobre o estado da democracia, The Big Regression (O Grande Retrocesso), que chega às livrarias espanholas no dia 27 e reúne nomes como Slavoj Žižek, Nancy Fraser e Eva Illouz.

“O futuro é, em princípio ao menos, moldável, mas o passado é sólido, maciço e inapelavelmente fixo. No entanto, na prática da política da memória futuro e passado intercambiaram suas respectivas atitudes”, aponta. Bauman fala sobre medos como o de perder o emprego, do multiculturalismo, de que nossos filhos herdem uma vida precária, de que nossas habilidades de trabalho se tornem irrelevantes porque os robôs saberão fazer –melhor e mais barato– o nosso trabalho. Em suma, medo porque tudo o que era sólido (parafraseando Antonio Muñoz Molina) agora é “líquido”, usando o adjetivo que popularizou Bauman.

“Existe uma brecha crescente entre o que precisa ser feito e o que pode ser feito, o que realmente importa e o que conta para aqueles que fazem e desfazem, entre o que acontece e o que é desejável”, aponta. Bauman argumenta que voltamos à tribo, ao seio materno, ao mundo cruel descrito por Hobbes para justificar a necessidade do Leviatã (o Estado forte para evitar a guerra de todos contra todos) e a desigualdade mais gritante, na qual “o ‘outro’ é uma ameaça” e “a solidariedade parece uma espécie de armadilha traiçoeira ao ingênuo, ao incrédulo, ao tolo e ao frívolo”. “O objetivo já não é conseguir uma sociedade melhor, pois melhorá-la é uma esperança vã sob todos os efeitos, mas melhorar a própria posição individual dentro dessa sociedade tão essencial e definitivamente incorrigível”, lamenta. 
A filósofa Marina Garcés, professora da Universidade de Zaragoza, elogia a capacidade de Bauman para “assumir o fim do pensamento utópico e suas consequências”. “Ele não pretende nos enganar com novas e falsas promessas de futuro, mas tenta entender o que está acontecendo depois da era das revoluções e suas várias derrotas”, afirma.

Pensador de inspiração marxista, Bauman cita algumas vezes o filósofo alemão em Retrotopia, ataca o chamariz da sociedade de consumo de massa e não renuncia à análise científica das contradições do capitalismo, mas também “recorre a outras ferramentas” para oferecer “uma visão em grande-angular”, explica o catedrático de filosofia da Universidade de Barcelona e deputado socialista Manuel Cruz. “A ideia de que a materialização da utopia foi perdida é um zumbido no pensamento do século XX”, mas “na obra de Bauman há um esforço para reconhecer o novo que traz ‘o novo’”. “Os pensadores que agora consideramos que representaram uma revolução foram recebidos com um ‘isso nós já sabíamos’. É preciso tempo para que a sociedade entenda o que tinham de novidade”, comenta.

Nos dois textos póstumos o filósofo apresenta um desafio e uma –abstrata e pouco desenvolvida– resposta. O desafio é “conceber –pela primeira vez na história humana– uma integração sem separação alguma à qual recorrer”. Até agora, argumenta, o que funcionou é a divisão entre ‘nós’ e ‘eles’, e continuamos empenhados a buscar um ‘eles’, “de preferência no estrangeiro de sempre, inconfundível e irremediavelmente hostil, sempre útil para reforçar identidades, traçar fronteiras e construir muros”. No entanto, essa dicotomia histórica “não se encaixa” com a “emergente ‘situação cosmopolita’”. Qual é, então, a única resposta possível? “A capacidade para dialogar”, conclui Bauman depois de citar de forma elogiosa o papa Francisco.

Garcés se diz “surpresa” tanto pela chamada ao diálogo (“de quem com quem?”, pergunta) quanto pela invocação da figura do Papa. “Acredito que é um pedido de socorro” de um Bauman que “tenta desenhar um cenário para a palavra compartilhada” porque sabe que “já não há soluções parciais para nenhum dos problemas do nosso tempo”. É a advertência final do pensador polonês: “Devemos nos preparar para um longo período que será marcado por mais perguntas do que respostas e por mais problemas do que soluções. (...) Estamos (mais do que nunca antes na história) em uma situação de verdadeiro dilema: ou damos as mãos ou nos juntamos ao cortejo fúnebre do nosso próprio enterro em uma mesma e colossal vala comum”. 

ANTIDEPRESSIVOS E CEGUEIRA
A partir de seu posto de professor em Leeds (Inglaterra), Bauman teria podido lançar um olhar complacente ao presente, depois de ter vivido a invasão nazista de seu país, a Segunda Guerra Mundial na frente de batalha, o antissemitismo e os expurgos na Polônia comunista. 
Em vez disso, sua análise em Retrotopia é taxativa: “É praticamente inevitável que respiremos uma atmosfera de desassossego, confusão e ansiedade e a vida seja qualquer coisa menos agradável, reconfortante e gratificante”. 
Nesse contexto, os cada vez mais consumidos tranquilizantes e antidepressivos proporcionam alívio, mas também “contribuem para cegar os próprios seres humanos em relação à natureza real do seu padecimento em vez de ajudar a erradicar as raízes do problema”.