sexta-feira, 31 de março de 2017

Cada cabeça, uma sentença, por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa-Professora e tradutora

Nem sempre o Leblon é o paraíso (Foto: Arquivo Google)
Não fiquei revoltada com a prisão domiciliar de Adriana Ancelmo. Fiquei foi muito revoltada e chocada ao constatar que eles ainda têm o imenso e luxuoso apartamento no Leblon. Deduzo que ainda tenham outros imóveis. E como não tenho notícias das joias e da coleção de diamantes, imagino que ainda pertençam ao casal Adriana/Sergio Cabral.

Discordo, enfaticamente, dos que abraçam a ideia que o que valeu para Adriana Ancelmo – a prisão domiciliar – tenha que valer para todas as mães presas em nosso país, que isso, sim, seria Justiça.

Para mim, essa decisão depende do crime cometido. Assassinas não teriam jamais direito a esse benefício. Quem mata não pode conviver em sociedade, tem mesmo é que servir toda a pena a que foi condenado em regime fechado.

Não pensem, nem por um minuto, por favor, que eu não sei quantas vidas foram abatidas pela corrupção. Quem mora no Rio, e vê sua cidade ter sido devastada pelo roubo, sabe o quanto é violenta a corrupção.

Mas são mortes, ainda que com o mesmo efeito, a cessação da vida, diferentes.

Tenho, entretanto, uma pergunta que ainda não vi ser respondida. Segundo a Força-Tarefa da Lava Jato, Cabral e sua mulher roubaram mais de 270 milhões de reais – quer dizer, isso é o que foi encontrado (mas ao que tudo indica, o teto não é esse... Suspeita-se de um total de 340 milhões).

Onde está esse dinheiro? Quem administra a fortuna bilionária amealhada pelo casal às nossas custas?

Como eles sustentam o imóvel no Leblon? (E os outros que porventura ainda tenham?). Quem paga o condomínio, o IPTU, a manutenção que toda casa habitada acaba por precisar, a luz, o gás, o salário dos empregados?

A vida da mãe e dos filhos nesse apartamento luxuoso não será um mar de rosas, por mais que eles se amem e que ela seja uma mãe dedicada. Proibir os meninos de terem acesso à Internet e aos celulares é brutal e eles não merecem essa punição - vai prejudicar sua vida escolar, a troca de ideias com os amigos, a conversa com os avós, uma palavrinha com o pai que, embora, criminoso, é o pai deles. Há de haver outra maneira de impedir a advogada Adriana Ancelmo de continuar a delinquir sem punir seus filhos.

Estou convicta que o maior castigo para os corruptos seria obrigá-los a devolver tudo que roubaram e não permitir, jamais, que voltem a ocupar cargos públicos. De que nos adianta ter essa gente na cadeia? Queremos que eles paguem pelo que fizeram com o país ou queremos nos vingar? Justiça ou vingança?

O Brasil redescobre o samba jazz de Eliane Elias, por Flávio de Mattos--Jornalista

Eliane Elias (Foto: Divulgação)
Na próxima semana, chega ao mercado brasileiro o disco Dance of Time, o 25.o da carreira solo da pianista Eliane Elias. Morando nos Estados Unidos desde 1981, Eliane Elias é uma esplêndida representante do jazz brasileiro no mundo, mesmo que o Brasil não saiba disso. Seu disco Made in Brazil ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Latin Jazz, na premiação de 2016. E muita gente se perguntava: mas quem é Eliane Elias?

Criança prodígio, Eliane Elias foi estrela dos programas infantis, no final dos anos sessenta, no rádio e na televisão, em São Paulo. Filha de uma pianista clássica, começou a estudar música aos sete anos de idade. Com dez anos se apaixonou pelo jazz. Nessa idade, já era capaz de transcrever e executar no piano os solos mais complicados de Bill Evans, Art Tatum ou Bud Powell.

Vendo o célere desenvolvimento musical da menina, sua mãe decidiu que ela não deveria ir para um conservatório tradicional. Aos 13 anos, Eliane Elias ingressou no Centro Livre de Aprendizado de Música - CLAM, o conservatório alternativo do Zimbo Trio. Lá, seu mestre foi o pianista Amilton Godoy, o líder do grupo, o melhor professor de jazz em atividade no Brasil.

Eliane Elias conta que sua vida de adolescente estava toda voltada para a música. “Eu não ia à praia, nem saía para dançar. Eu só queria fazer música”, relata. Com isso, ela completou o programa do curso em dois anos. Amilton Godoy logo a convidou para integrar o corpo docente da escola. Com 15 anos, Eliane Elias já dava aulas de teoria musical, piano e improviso nos cursos de jazz da CLAM.

E como tudo parecia acontecer com Eliane Elias de maneira muito precoce, aos 17 anos ela passa a integrar a banda que acompanha Vinícius de Moraes e Toquinho em suas excursões pelo Brasil e pela América Latina. Há um curioso vídeo do Fantástico com Toquinho e Vinícius, de 1979, em que vemos Eliane Elias ao piano, dirigindo o grupo, aos 19 anos.

A paixão pelo jazz leva Eliane Elias a mudar-se para Nova York a fim completar sua formação na prestigiosa Juilliard School of Music. Com apenas um ano na cidade é convidada para fazer parte do quinteto Steps Ahead, um grupo importante naquele momento, com seu jazz de vanguarda, na linha do fusion. Sua presença injeta novo vigor à banda. O primeiro álbum dessa nova formação, o Steps Ahead (1983), é considerado o melhor disco do grupo.

A carreira solo de Eliane Elias começa em 1984, com o álbum Amanda, realizado em colaboração com seu então marido, o trompetista Randy Brecker. O título é uma homenagem à filha recém nascida do casal. O disco, no entanto, não teve muita repercussão. Somente quando assina com o selo Blue Note e lança o álbum So Far, So Close (1989) é que o trabalho de Eliane Elias começa a ser conhecido no meio jazzístico internacional.

O reconhecimento vem no ano seguinte, com o disco Eliane Elias Plays Jobim (Blue Note, 1990). Nesse álbum ela resgata suas raízes, interpretando o songbook de Tom Jobim, em clave de jazz, mas com todo o balanço brasileiro. Seus trabalhos seguintes para o selo Blue Note são marcados pelas mistura de samba e jazz, com um repertório em que os dois gêneros se complementam.

Em 1998, Eliane Elias retoma a interpretação da obra de Tom Jobim, dessa vez como cantora. O álbum Eliane Elias Sings Jobim (Blue Note) é o primeiro disco vocal de Eliane Elias. Só danço o samba é uma das músicas interpretadas por ela em seu segundo songbook de Jobim.

A partir daí, foram muitos discos, vários prêmios e três indicações para o Grammy até o álbum Made in Brazil, que lhe deu, finalmente a estatueta. Foi a primeira vez que Eliane Elias retornou aos estúdios brasileiros, desde que vive nos Estados Unidos. Ela queria gravar com músicos locais e que o clima de brasilidade transparecesse na obra. E tudo isso está na faixa No Tabuleiro da Baiana, de Ary Barroso.

Eliane Elias voltou ao Brasil para gravar, também, seu novo disco Dance of Time. Ela convidou para participar do álbum as pessoas que foram importantes em sua vida, desde o início de sua carreira. Estão os músicos brasileiros Toquinho e João Bosco e os americanos Randy Brecker, Mark Manieri e Marc Johnson.

O convidado mais especial de Eliane Elias nesse disco é seu mestre e mentor Amilton Godoy. Eles fazem o duo de piano na composição de Eliane Elias An Up Dawn. O álbum foi lançado nos Estados Unidos na sexta feira passada (24/03) e já está disponível nas plataformas digitais. Assim que podemos ter uma prévia dele também com as faixas O Pato e Sambou, sambou.

E para conhecermos mais do trabalho de Eliane Elias, no vídeo a seguir temos sua vertente mais jazzística junto com o grupo Steps Ahead. Eles se reuniram novamente no ano passado para uma turnê pelo mundo. Aqui vemos a apresentação no Festival Jazzaldia, no dia 24 de julho de 2016, em San Sebastian, no País Basco espanhol. O grupo tem Mike Mainieri, no vibrafone; Eliane Elias, no piano; Donny McCaslin, no sax tenor; Marc Johnson, no baixo; e Billy Kilson, na bateria. O tema que apresentam é The Time is Now mas antes temos Eliane Elias, no piano solo, com uma leitura muito particular de Asa Branca, de Luiz Gonzaga.

Os ajustes das contas, por Míriam Leitão--Jornalista



Governo viveu dia dramático para conseguir cobrir o déficit extra de R$ 58 bi nas contas públicas

Essa corrida dramática para cobrir o déficit extra só ilustra mais uma vez como estão desorganizadas as contas públicas. 
No final, os ministros da área econômica marcaram a entrevista coletiva para as 19h30m, para anunciar que haviam conseguido, enfim, uma solução.

Tudo isso é para reduzir em R$ 58 bilhões o buraco que o Brasil terá este ano em suas contas primárias, ou seja, sem contar o gasto com os juros da dívida. Juntando tudo o que recebe e tudo o que gasta, o governo tem um rombo de R$ 197 bilhões, mas está autorizado a ficar no vermelho em R$ 139 bi, porque é isso que está no Orçamento.
                          Mais aqui--Os ajustes das contas

NO RIO, TRIBUNAL MANTÉM CASSAÇÃO DE PEZÃO E DORNELLES, via AEstado

Comentario furioso--mas, entretanto e até transitar (haja engarrafamentos!) em julgado, vamos saquear o Rio. Pelo menos ficamos com algum, né. 

CORTE ELEITORAL INFORMOU QUE AO ANALISAR OS PONTOS ALEGADOS PELA DEFESA DO GOVERNADOR, ENTENDEU QUE NÃO HOUVE NULIDADE DA DECISÃO

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro rejeitou, na sessão plenária desta quarta-feira (29), os embargos de declaração do governador, Luiz Fernando de Souza Pezão, e do vice-governador, Francisco Dornelles. Com isso, a cassação do governador e do vice-governador foi mantida, mas somente produz efeito após o trânsito em julgado, ou seja, quando não cabe mais recurso, de acordo com o artigo 257, parágrafo 2º, do Código Eleitoral. Cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em nota, a Corte Eleitoral informou que ‘ao analisar todos os pontos alegados pela defesa do governador, a Corte entendeu que não houve nulidade da decisão’.

“Não ficaram configurados: quorum insuficiente para o julgamento que cassou o governador; irregularidade na declaração de suspeição da desembargadora eleitoral Fernanda Tórtima; cerceamento de defesa quanto à juntada de documentação pelo desembargador André Fontes; suspeição do desembargador André Fontes e ausência no interesse de agir”, elencou o Tribunal.

Por unanimidade, os membros da Justiça Eleitoral fluminense entenderam que não houve omissão na decisão da Corte quanto à análise da proporcionalidade e à individualização da conduta do vice-governador.

Na sessão plenária do dia oito de fevereiro, que cassou os mandatos do governador e de seu vice, tornando-os inelegíveis por oito anos, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio firmou entendimento de que, o abuso de poder econômico e político ficou configurado uma vez que o Governo do Rio concedeu benefícios financeiros a empresas como contrapartida a posteriores doações para a campanha do então candidato Pezão e de seu vice. Na mesma decisão, a Corte Eleitoral fluminense determinou que fossem realizadas eleições diretas para a escolha dos representantes do Poder Executivo estadual. (AE)

quinta-feira, 30 de março de 2017

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

A grande história de Tancredo Neves, por Elio Gaspari



A grande história de Tancredo Neves

Nas próximas semanas chegará às livrarias Tancredo Neves, o príncipe civil, do repórter Plínio Fraga. Uma biografia daquele mineiro miúdo, culto e conciliador é sempre algo mais do que uma visita ao passado. É também uma iluminação para o presente. 
Tancredo Neves (1910­/1985) foi eleito presidente da República, adoeceu e só entrou no Planalto morto. 
Arquiteto da grande conciliação de 1984, a única que partiu da oposição, Tancredo, um civil, foi a maior da figura política do período em que o Brasil era governado por generais. 
Olhando-­se para o enrosco da política de hoje, sente-­se a falta que faz um Tancredo. O que ele faria? Sabe-se lá, mas ele saberia. 
Plínio Fraga reconstruiu a figura do político conservador que viveu numa oposição legal que abrigava a esquerda, o democrata intransigente, conciliador com lances de inesperada inflexibilidade. Depois da grande campanha pelas eleições diretas, ele se elegeu presidente pelo sistema indireto. 
O livro de Fraga mostra, aos poucos, como ele operava essa mistura. O menino Tancredo teve um pajem, o negro Custódio, neto da cozinheira dos Neves, que continuou com a família depois da Abolição. Custódio ficou com os Neves até morrer, aos 90 anos, anexando o sobrenome dos velhos senhores. Sabendo­-se disso, conhece-­se a alma patriarcal de Tancredo. Fraga revirou arquivos da família, do Departamento de Estado e do Serviço Nacional de Informações, entrevistou dezenas de pessoas e produziu um cartapácio de 648 páginas, dividido em capítulos curtos. Um trabalho desse tamanho carrega sempre imprecisões, felizmente pouco relevantes. 
Juarez Távora não combateu com a Força Expedicionária Brasileira, e na fotografia da posse de Tancredo como ministro da Justiça, em 1953, o chefe da Casa Civil Lourival Fontes está na legenda, mas não está na cena. 
“O príncipe civil” faz revelações relevantes de fatos que sempre circularam à boca pequena no andar de cima, desde que não fossem contados à turma de baixo.
Segredos que os Polichinelos administraram por mais de 30 anos. Fraga expôs a caixa da campanha de Tancredo. Maluf, seu adversário, era acusado de ser “o candidato do milhão.” A caixa de Tancredo foi gorda, abastecida por dezenas de endinheirados, entre eles o empreiteiro Sebastião Camargo e o industrial Jorge Gerdau. Na equipe de coletores estiveram os empresários Sérgio Quintella e João Pedro Gouvêa Vieira, mais Tancredo Augusto, filho do próprio candidato, e José Hugo Castello Branco, que viria a ser chefe da Casa Civil do novo governo. Lá estava também o banqueiro Ronaldo Cezar Coelho, que hoje é freguês da Lava Jato. 
Estima-­se que a caixa de Tancredo tenha amealhado o equivalente a US$ 45 milhões em dinheiro de hoje. A maior parte desse dinheiro foi gasta. Talvez tenham sobrado uns US$ 10 milhões. Cadê? Teriam ido para instituições de caridade ou para Risoleta, viúva de Tancredo. “Conversa fiada”, disse Tancredo Augusto a Plínio Fraga. Ele acrescenta, referindo-­se a um depositário das “sobras”: “Filho da puta.” 
Uma pessoa devolveu um cheque dessa caixa. Foi Antônia Gonçalves de Araújo, a poderosa secretária de Tancredo. Essa é a segunda exposição de Fraga. “Dona Antônia”, uma bonita morena, era funcionária do Congresso quando conheceu Tancredo em 1971. Ela tinha 38 anos, ele 61. A relação dos dois durou até 1985. Foi um romance diferente daqueles que Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso tiveram fora de seus casamentos. “Dona Antônia” era também a chefe de gabinete do “Doutor Tancredo” e, por alguns meses, foi a mulher mais poderosa da República. 
Mencionar seu nome demonstrava prestígio, revelar sua condição, suicídio. Fraga entrevistou “Dona Antônia”. Aos 84 anos, ela tem na parede de sua sala o ato de Tancredo nomeando-­a secretária do presidente da República. Antônia fala ao longo de sete páginas emocionantes, sobretudo quando conta como conseguiu entrar no hospital, à sorrelfa, para se despedir de Tancredo.

‘Esperteza quando é muita come o dono’ 
Tancredo morreu porque, por esperteza, escondia seus problemas de saúde. Além de ter produzido a estranha saudade de um governo que não houve, Tancredo deixou suas frases. Algumas são lições. 
Sobre o medo que a direita civil e fardada tinham da esquerda brasileira: “Eles criam os fantasmas e depois se assustam com eles.” 
Quando lhe disseram que Magalhães Pinto, seu velho adversário, estava conspirando com militares radicais: 
“A cabeça do Magalhães funciona como um terreno baldio, onde há sempre alguém atirando alguma sujeira.” 
Quando lhe pediram para que examinasse um texto onde haviam sido feitos cortes: “Para cortar não precisa mostrar.” 
Referindo-­se a Bernardo Pereira de Vasconcelos e ao Marquês de Paraná, dois campeões do conservadorismo nacional: “Vasconcelos e Paraná plantaram as nossas instituições livres para ordenar o caos e disciplinar a desordem.” 
No discurso de posse que não fez: “Nosso progresso político deveu-­se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites.” 
Disentéricos 
O ministro Gilmar Mendes e o procurador Rodrigo Janot meteram­se num desqualificado bate-­boca. Gilmar age como concessionário do Apocalipse e Janot, como um Cérbero na defesa dos vazamentos de sua corporação. 
O Conselho Nacional de Justiça deveria condenar os dois a assistir ao vídeo da sabatina do juiz Neil Gorsuch, indicado para a Corte Suprema dos Estados Unidos. Ele dominou a cena e as questões do Direito que interessavam aos senadores. Deu uma aula de elegância, e fica o registro: Gorsuch é mais conservador que Gilmar e mais severo que Janot. O vídeo está na rede. 
Patos e patinhos 
O governo de Temer prometeu um crescimento de 1,6% do PIB. Aumento de impostos, nem pensar. O PIB ficará em 0,48%, se ficar, e o doutor Henrique Meirelles avisa que haverá aumento de impostos. 
Quando o povo ia para a rua pedir a deposição de Dilma Rousseff, o doutor Paulo Skaf, presidente da Fiesp, enfeitou a Avenida Paulista com um enorme pato amarelo. Meirelles não pode deixar de convidar Skaf para a cena do aumento dos impostos. Ele representaria os patos. 
Eremildo, o idiota 
Eremildo é um idiota e entendeu que a charanga de Gilmar Mendes propõe o seguinte: O financiamento público das campanhas exigirá o voto de lista, pelo qual os partidos, e não os eleitores, elencam os os partidos, e não os eleitores, elencam os deputados. Assim a choldra pagará algo como R$ 5 bilhões para perder o direito de escolha nominal. Essa seria uma tunga política.

Henrique Meirelles informa que as contas do governo não fecham e anuncia um aumento de impostos. É a tunga financeira.

Arte de AMARILDO

Charge (Foto: Amarildo)

Pedro Simon rebate críticas de FH a Itamar, por Sérgio Roxo

Comentário narcisista---o macunaima FH depois de engabelar meio-mundo quer re-escrever a própria biografia.Eita vaidade!!!Maior que o brasil!
Simon com Itamar: “Uma das coisas que diferenciou FH do Itamar foi o toma lá dá cá. Itamar não fez isso” (Foto: Marcos Michelin/19-10-2001 )

Líder do governo Itamar Franco (1992-1994), o ex-senador Pedro Simon rebateu as acusações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao ex-presidente mineiro no terceiro volume de seus “Diários da Presidência”, lançado na semana passada. Para Simon, o tucano mostrou “rancor e animosidade” inexplicáveis contra o seu antecessor.

— O Fernando Henrique disse que foi babá do Itamar, não é verdade. Eu nunca vi nada disso — afirma Simon, de 87 anos, que deixou o Senado em 2015. No livro, o tucano diz que foi a “ama-seca” de Itamar na Presidência da República.

O ex-senador nega também que o então presidente tenha colocado obstáculos à implantação do Plano Real, como FH dá a entender no livro. O tucano era ministro da Fazenda, na época.

Arte de Antonio Lucena

Charge (Foto: Antonio Lucena)

quarta-feira, 29 de março de 2017

A praga corporativista, nas fôlhas

Quando uma corporação obtém alguma vantagem, as demais imediatamente exigem o que chamam de 'simetria funcional', gerando efeito cascata
Quem parte e reparte, fica com a melhor parte.....
Apesar de a Constituição estabelecer um teto salarial para o funcionalismo e o Supremo Tribunal Federal (STF) ter editado em 2014 a Súmula Vinculante n.º 37, que proíbe o Judiciário de aumentar salários de servidores sob o fundamento da isonomia, integrantes das carreiras jurídicas do Estado continuam promovendo corridas pela “equiparação salarial progressiva” e se valendo de artimanhas para assegurar tratamento isonômico.

Quando uma corporação obtém alguma vantagem, as demais imediatamente exigem o que chamam de “simetria funcional”, gerando efeito cascata.

Por isso, não pode passar despercebida uma decisão do STF que tentou dar um basta a essa velha praga na administração pública – a ciranda da isonomia.

Reafirmando sua jurisprudência, o STF cassou decisão adotada pela Justiça Federal em 2016, que havia autorizado o pagamento mensal de auxílio-moradia a uma juíza do Trabalho, em Santa Catarina.

DOCUMENTOS SOBRE CONTAS NA SUÍÇA MOTIVARAM PRISÃO DE EX-GERENTE DA PETROBRAS, via (AE)

SUCESSOR DE PEDRO BARUSCO, ROBERTO GONÇALVES TERIA CONTINUADO ESQUEMA
SÉRGIO MORO AFIRMOU QUE, EM 2015, QUANDO O EX-GERENTE DA PETROBRAS FOI PRESO TEMPORARIAMENTE, NÃO HAVIA AINDA “CARGA PROBATÓRIA SUFICIENTE” SOBRE CONTAS NÃO DECLARADAS NO EXTERIOR (FOTO: PAULO LISBOA)

O juiz Sérgio Moro afirmou, em decisão que deflagrou a Operação Paralelo, 39ª fase da Lava Jato, que documentação enviada pela Suíça sobre contas atribuídas ao ex-gerente da Petrobrás Roberto Gonçalves motivaram a prisão preventiva do ex-executivo. Gonçalves foi sucessor de Pedro Barusco, um dos delatores da Lava Jato, na estatal, e teria, segundo as investigações, dado continuidade aos esquemas de corrupção instaurados na estatal.

Roberto Gonçalves foi preso temporariamente em novembro de 2015, na Lava Jato. Na época, a custódia não foi convertida para preventiva e o ex-gerente foi solto, depois de 10 dias detido. De acordo com Moro, naquela ocasião, ainda não havia “carga probatória suficiente, o que só foi somente agora satisfeito com a vinda da documentação das contas na Suíça”.

O magistrado ainda pontuou que ainda não havia indícios de que Gonçalves ‘durante as apurações na Operação Lava Jato’, havia, ‘praticado novos atos de lavagem, apresentado documentos falsos ao Banco na Suíça para justificar as movimentações, e dissipado parte dos ativos mantidos no exterior’.

“A prova nova e o surgimento superveniente dos fundamentos da prisão preventiva autorizam a sua decretação ainda que não tenha sido ela requerida ou decretada anteriormente”, conclui Moro.

Segundo investigação criminal da Suíça, Roberto Gonçalves teria apresentado, ao Banco Societe Generale, documentos falsos para justificar os depósitos na conta em nome da offshore Fairbrigde Finance SA, ‘especificamente um contrato de consultoria’. Os investigadores suíços afirmaram que perante o banco, onde as contas eram mantidas, Gonçalves afirmou, ‘entre outros, que os pagamentos em favor da Fairbridge teriam sido efetuados em razão de serviços de consultoria prestados por ele e fundamentados em um contrato de consultoria entre a Avantec Servicios de Engenharia Ltd. (doravante Avante) e a Magna International’.

“Ele apresentou ao Banco SG um contrato de consultoria correspondente, porém, não assinado. No entanto, conforme fontes públicas, a Avantec não está relacionada a Gonçalves, mas a Rogério Araújo, diretor da Odebrecht. Por esse ou outros motivos, as declarações prestadas por Gonçalves perante o Banco SG sobre o contexto econômico dos pagamentos recebidos parecem ser falsas, uma vez que não é razoável acreditar que Gonçalves realmente tenha prestado serviços de consultoria legal à Odebrecht”, destaca o documento suíço. (AE)

terça-feira, 28 de março de 2017

Tríplice ataque, por Chico Alencar--Professor de História (UFRJ)

Em primeiro plano o campus da UERJ. No alto a esquerda o estádio Mário Filho, o Maracanã, 12/03/1976 
Um bloco de investigados, devotos do estado mínimo e do privatismo máximo, predadores de direitos sociais. Este é o perfil da coalização que governa o Brasil e, dentre outros estados, o Rio de Janeiro.

A aprovação do projeto da terceirização sem limites, na Câmara dos Deputados, foi patética.

Resgatou-se uma proposta velha de quase duas décadas, extremamente perversa. Ela, em nome de “regulamentar” a contratação de empresas por outras, inclusive para atividades-fim, rebaixa a relação entre capital e trabalho, o contrato entre patrão e empregado, regido pela CLT desde os anos 40. Prioriza a relação entre empresas – contratante e contratada. Permite-se a “quarteirização”: a contratada pode subcontratar outras.

No Brasil de hoje, estima-se que existam 12 milhões de trabalhadore(a)s terceirizados – isto é, rotativos, precarizados – e de 37 a 40 milhões de contratados diretos. Ao longo de 5 a 7 anos, este quantitativo tende a inverter.

Os dados são do DIEESE: trabalhador(a) terceirizado ganha 24% menos, trabalha 3 horas diárias a mais, acidenta-se 70% mais, raramente goza férias (os temporários têm que buscar outra ocupação periodicamente), não tem organização sindical para se defender.

A voracidade explorar a força de trabalho é tão grande que até mesmo um projeto votado pela própria Câmara, em 2015, foi deixado de lado. Preferem o péssimo ao ruim – para o mundo do trabalho, claro.

Já a Operação Carne Fraca agora transforma investigadores em investigados. E o essencial não é tocado: o loteamento partidário das superintendências de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, colocando em risco a saúde da população.

Esse aparelhamento nefasto não começou agora, mas a situação atual, com a qual Temer está comprometido, é vergonhosa: das 27 superintendências estaduais, 10 são do PMDB, 4, do PP, 2 do PSDB, 2 do PR e 1 do PTB.

Na República Velha, a dominação oligárquica criou o Ceará dos Accioli, a Paraíba dos Rego Barros, o Pernambuco dos Cavalcanti. Atualmente, direções estaduais de órgãos federais (não só da Agricultura) são do deputado tal, da bancada qual...

Em pleno século XXI, até o atual ministro da Justiça (que anda escondido) é acusado de apadrinhamento do “grande chefe” da fiscalização sanitária do Paraná.

Por fim – mas não por último, pois novos escândalos estão vindo à tona enquanto você lê este artigo – o mais paradoxal: o governador Pezão, cujo patrono é interno em Bangu 8, ameaça descontar salários de professores da UERJ, por não estarem trabalhando.

À parte o absurdo de o gestor da “saída” da crise falimentar do Rio de Janeiro ser um de seus responsáveis, qual vampiro a gerenciar banco de sangue, ainda se tenta intimidar quem quer trabalhar e não pode, desprovida está a nossa Universidade de condições mínimas para funcionar.

Ao lado do prédio central da UERJ jaz imponente e adormecido o estádio do Maracanã, símbolo de uma das maiores propinagens do mundo. Tristeza, vergonha, aberração!

O bagulho do amor, por Tânia Fusco--Jornalista



Se tem uma coisa no mundo que é muito difícil é esse bagulho chamado amor. O termo bagulho, na gíria da hora, é sinônimo de coisa - trem, traduziriam os mineiros. Tem ainda outros usos, define gente ou coisa muito feia, objeto furtado, de pouco valor ou traste, também maconha e etc. Ou seja, o sentido de bagulho é quase tão amplo quanto o do amor.

Até outro dia – não sei bem quando -, a gente costumava amar demais, de menos. Amar a pessoa errada, a pessoa certa na hora errada, a errada no momento certo. Amar muito quando devia amar menos. Amar coisas quando deveria amar pessoas. Amar pessoas que são trastes. Sofrer de amor, sofrer por amor. Carecer de amor. Querer mais. Pedir muito amor para quem só sabia – ou só podia – dar pouco.

Enfim, seguíamos vida afora, nas dificuldades desse bagulho chamado amor. Mas quando estávamos dentro dele – qualquer que fosse o objeto dele – ah que delícia! Suave na nave.

Sou devota do amor. Ele anda em desuso. Isso dói.

Deveríamos mesmo só se deliciar com o bagulho do amor. Amo porque amo. Sou capaz de amar muitos, ao mesmo tempo, com a mesma intensidade. Posso amar um canteiro de flores, um quadro, um computador novo com a mesma intensidade que amo um filho, um homem, uma mulher, um amigo/a. Todos juntos e misturado.

Tipo: amo porque amo e pronto. E amo o que estou amando no momento e até depois de passado o momento.

Sou daqueles que têm certeza: amor não acaba. Muda de configuração. Hiberna. Na necessidade, reaquece, põe na estufa que ele brota. Morrer não morre.

A medida do amor é desmedida mesmo. Amar é gostoso. Só dói quando a gente deixa doer. E deixa doer quando cisma de matar ou porque inventa de medir com régua própria. Tipo: o meu amor por você – ou pelo canteiro de flores – tem que ter obrigatórios 100, 50 ou XX de intensidade. E vice-versa. Mais ou menos do que essa medida (de criação própria) faz a receita desandar.

Que receita? Que medida? A gente fuça que fuça, mas não acha. Porque, fala sério, medida e receita de amor não existe. Amor é bicho solto. Destrambelhado mesmo.

Mas esse não é, digamos, um modelo globalizado. Aliás, ao contrário. O que foi globalizado mesmo é o bagulho do desamor. Que consegue ser mais complicado do que era – foi um dia - o bagulho do amor.

Desamando geral, juntamos radicais certezas certas em caixinhas onde só cabem os iguais. Diferente não serve. Globalizamos os guetos. Movidos a raiva, ódio e vingança. Cada um deles – os guetos - falando só pra dentro, pra “sis” mesmos. Com dentes cerrados e impaciência máxima. Sem amor.

Amar virou abobrinha. Das com agrotóxico. Foi para prateleira do glúten e da lactose. O amor foi interditado. E, sem amor, a vida anda muito chata. Perigosa. Pertinho do vazia. Sem sentido.
Já viu alguém em estado de amor praticar chatices?

Será que ainda não deu para sacar que é justamente o desamor geral e irrestrito, ou o descrédito no amor, a causa dessa sinuca de bico que estamos encarando?

Alguém que ama e curte amar teria coragem de fraudar alimentos, remédios? Desviar merenda? Roubar de pobre? Matar filhos para se vingar da mãe? Vaiar doentes em hospital? Dizer bem feito na morte de adversário?

Ta tudo no noticiário. E o noticiário é uma desgraceira de desamores.

São tempos de cultivar o desafeto e os desafetos. Tempos de solidão camuflada na multidão de “amigos” das redes sociais. Amigos? Ou só um povaréu de portadores da síndrome de auto importância? Quase todos “auto” em tudo e sempre em alta conta própria.

Nas redes, a troca costuma ser pequena e a ilusão imensa e intensa.

Será que o mundo assim grandão, vem nos fazendo pequenos? Apequenados até na prática do difícil e delicioso bagulho do amor?

segunda-feira, 27 de março de 2017

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

Para julgamento de chapa, Planalto aposta em novos ministros do TSE, por SIMONE IGLESIAS

Comentário batoteiro--essa cambada só joga com cartas BEM marcadas. Nao va o diabo tece-las....

Saída de Henrique Neves e Luciana Lóssio pode mudar placar de votação
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, e ministro Herman Benjamin, relator do processo contra Dilma e Temer - Michel Filho

BRASÍLIA — Na tentativa de evitar a condenação, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer nas eleições de 2014, o Palácio do Planalto articula para influenciar prazos e o placar do julgamento que poderá levar à cassação do presidente.

O relator do processo, ministro Herman Benjamin, concluirá seu voto nos próximos dias e, com isso, caberá ao presidente do TSE, Gilmar Mendes, colocar o julgamento na pauta. O governo trabalha para que isso ocorra só a partir da segunda semana de abril.

Além de esperar de Herman um voto “muito duro” pela condenação, auxiliares presidenciais avaliam que o relator trabalha para influenciar dois ministros a seu favor: Henrique Neves e Luciana Lóssio. Formado por sete ministros, ter três votos pela condenação complicaria muito a vida de Temer.

O motivo central da preocupação do governo é a avaliação de que não há a mínima margem, por parte do ministro relator, para aceitar a tese da separação das contas de Dilma e de Temer. Com isso, mesmo que o peemedebista se defenda argumentando que teve participação ínfima na arrecadação da campanha presidencial, será afetado por uma eventual condenação.

O Planalto trabalha com potenciais vantagens: Henrique Neves deixará o tribunal no dia 16 de abril, e Luciana Lóssio, em 5 de maio. Temer já decidiu os substitutos e indicará, nesta semana, o jurista Admar Gonzaga como novo ministro do TSE, antes mesmo da saída de Neves. A nomeação será efetivada no dia 17 de abril. O nome foi definido por Temer a partir de lista tríplice enviada pelo Supremo Tribunal Federal. Para a vaga de Luciana, o indicado deverá ser o ministro substituto Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, que também integrará uma lista tríplice a ser encaminhada pelo STF. Quem tem maior influência na formação das listas é o presidente do TSE, e cabe ao presidente da República a palavra final.

O governo tenta evitar que Neves e Luciana votem, o que vai depender essencialmente de Gilmar Mendes, já que cabe a ele, como presidente do tribunal, decidir a data do começo do julgamento. Pelos cálculos de um auxiliar presidencial, a última sessão que Henrique Neves participará será no dia 6 de abril, já que o tribunal não costuma funcionar nos dias que antecedem a Semana Santa, neste ano, a partir do dia 13 de abril.

Sem Neves, pessoas próximas a Temer acreditam num placar de 5 x 2 contra a cassação da chapa, e de 6 x 1, se Luciana deixar a vaga antes do começo do julgamento. Integram o TSE os ministros Luiz Fux, Rosa Weber, Napoleão Maia Filho, além de Gilmar Mendes, Herman, Luciana e Neves.

TSE AFIRMA QUE NÃO HÁ COMO INFLUENCIAR 
Com.Bat--(me engana que eu gosto!)
A decisão de Herman de rejeitar a inclusão de novas testemunhas de defesa, pedido feito pelos advogados de Dilma, atrapalhou as projeções do governo, que contava também com a possibilidade de reinquirições e produção de contraprovas para postergar o processo.

A assessoria do TSE afirmou que não há como o governo influenciar prazos no tribunal, e que não é possível ainda fazer uma estimativa.

“O ministro relator ainda não disponibilizou nem o relatório final nem o seu voto. Só depois disso que o caso pode ser pautado. Assim que o ministro Herman Benjamin finalizar seu voto e disponibilizar o processo para pauta, o ministro Gilmar Mendes irá marcar a data do julgamento. Mas ainda não temos previsão. Cabe ressaltar que as alegações finais das partes foram encaminhadas ao TSE apenas na última sexta-feira. O ministro Herman tem trabalhado para finalizar seu voto o quanto antes”, afirmou, por meio de mensagem, a assessoria do TSE.

A elite que se manifesta contra a reforma da Previdência, nas fôlhas



Em um país muito desigual, um casal com duas aposentadorias de R$ 1.270, valor médio do benefício, está no extrato dos 20% mais ricos da população



A conjugação de crise política com severa turbulência econômica gera um rastro de mazelas de toda ordem, mas serve ao menos para instigar a sociedade a enfrentar distorções com a finalidade de evitar que tudo não se repita. Até por uma questão de sobrevivência.

No caso do Brasil, se nada for feito para abortar a tendência de aumento autônomo de gastos públicos engessados em regras que obrigam o administrador a destinar boa parte do Orçamento para setores específicos, e se for mantida a indexação de parcela ponderável das despesas, a insolvência do Tesouro é certa. Com todas as implicações dessa quebra: hiperinflação, recessão profunda, desemprego ainda mais assustador.

De forma correta, a equipe econômica do governo Temer ataca essa corrida suicida, para o precipício da derrocada fiscal, com o teto dos gastos — emenda constitucional já aprovada — e, o pilar central do ajuste, a reforma da Previdência, esta o grande fator de desequilíbrio crescente das contas públicas.

Afinal, 48% das despesas primárias da União já são absorvidos por aposentadorias e pensões. Uma conta que não para de crescer. Estima-se que, se nada for feito, 100% do Orçamento serão destinados ao sistema previdenciário em 2024.

Mas a Previdência não é apenas o principal vilão na geração de déficits estruturais. Há outro aspecto do sistema pouco abordado: ele é um dos fatores que concentram renda no país. Não é o único, é verdade. Há, por exemplo, bilhões do Tesouro usados para subsidiar crédito de empresas. Mas o sistema previdenciário tem também esta faceta deletéria.

Artigo dos economistas José Márcio Camargo e André Gamerman, publicado recentemente no GLOBO, mostrou, em números, como aposentadorias e pensões também funcionam como um instrumento de canalização de renda para fatias minoritárias da população.

Os economistas registram que se um casal de idosos tiver uma aposentadoria de R$ 1.270 cada um, o valor médio dos benefícios, a soma da renda dos dois os coloca no extrato dos 20% mais ricos do país.

O disparate aumenta quando se considera a aposentadoria média de um servidor público federal: R$ 9 mil, ou mais de sete vezes o que recebe o aposentado do setor privado. Juntos, segundo o artigo, aposentados do INSS e do serviço público são 16,3% da população brasileira, mas absorvem 54% do Orçamento.

Por diversas razões — o poder de corporações sindicais e outras —, um país com ainda uma grande proporção de jovens dá prioridade a despesas com os mais idosos e, portanto, deixa em segundo plano a educação básica, por exemplo.

Estatísticas como estas ajudam a esclarecer quem são mesmo os que gritam nas ruas contra a reforma da Previdência.

Artes & Manhas

Charge (Foto: Chico Caruso)
Arte de CHICO Caruso
Charge (Foto: Amarildo)
Arte de Amarildo

Ex-assessor direto de Dilma vai trabalhar na Câmara dos Deputados, por ANCELMO GOIS


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Comentário burocra---..é por isso que havendo concurso pra GARI a multidão inscreve-se. Tendo uma MATRICULA e "jogando" com as requisições e cedências, o GARI de origem, sem nunca pegar uma vassoura, pode virar, na aposentadoria, mais um MARAJÁ! Estes são os verdadeiros donos inamovíveis do Poder Republicano, salvo a pedido.....

Giles Azevedo, que foi secretário-executivo do gabinete de Dilma e um dos mentores da política energética dos governos do PT, vai dar expediente no Congresso. Azevedo, que é funcionário do Ministério de Minas e Energia, acaba de ser cedido outra vez. Será assessor da liderança do PT na Câmara dos Deputados.

domingo, 26 de março de 2017

Ultraje, por Rosiska Darcy de Oliveira--Escritora

Comentário esperança---É, estes arroubos de moral e decência bem escritos e melhor fundamentados esbarram, no minimo, na TOTAL AUSÊNCIA de contraponto idêntico na pandilha adversa. Ha muitos, muitos anos perderam TOTALMENTE o respeito pela NAÇÃO. Re-Organizaram-se, desde   que TANCREDO morreu (incorporaram o neto!) e mantem-se, desde então, tal qual síndicos de um condomínio que lhes PERTENCE. Nele só "entra" quem obedecer a regra básica, "Vales os VOTOS que tens na "loteria congressual" e recebes em consequência"
Para preservar-se mantem a "freguesia" (maioria de eleitores) no limiar da sobrevivência, sem tempo nem energia sequer para manisfestar-se contra ou a favor. No período eleitoral alguns caraminguás "acalmam" os mais vistosos recalcitrantes, inclusive e se necessário, incorporando-os ao "esquema" e assim LA NAVE VA.....até a pantomina eleitoral seguinte.
Hipocrisia
 A resposta da ministra Cármen Lúcia à pergunta — “E agora, Brasil?” — exprime de forma luminosa a gravidade do momento que estamos vivendo. “E agora, brasileiros? O que vocês, incluindo todos nós, vão fazer para mudar? Este é o momento de despertar, como em outras oportunidades que tivemos”.

A apresentação da lista de Janot é um destes momentos raros na vida das nações em que sentimos com um misto de exaltação e inquietação que a história se acelera e que estamos jogando o nosso destino. À frente, uma encruzilhada: um salto em direção ao futuro ou a regressão ao charco em que o país agonizava sem que soubéssemos. Chegou a hora da verdade.

A denúncia do procurador-geral revela a metástase da corrupção que devastou o Brasil. O sistema político implodiu, fez-se um campo de ruínas. Exacerba-se o desespero dos políticos que, desmascarados, não pensam em nada senão em salvar a própria pele, custe o que custar. Da tentativa de aprovação a toque de caixa de uma auto-anistia à adoção do voto em lista fechada para assegurar sua reeleição e foro especial, as tramoias urdidas no Congresso provocam uma sensação de náusea.

Vivemos tempos de “italianos” e “amigos”, todos amigos dos amigos, tempos de mafiosos, bandidos com codinomes, batizados por empresas criminosas. O que explica o sorriso meio irônico, meio Mona Lisa, do insondável Marcelo Odebrecht.

O Brasil tem um vasto capital de homens e mulheres dignos. A respeito da auto-anistia, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ayres Britto foi cristalino: “Não existe a figura da auto-anistia. O Estado não pode perdoar a si mesmo, é inconcebível, um disparate, um contrassenso, uma teratologia. É a negação do estado de direito”.

A introdução do voto em lista fechada, controlada pelos caciques dos partidos e com lugar reservado para os detentores de mandato, expropria o eleitor do seu direito de escolha e os cidadãos do direito de se candidatar. Garante a esta gente seu foro privilegiado ainda que à custa de mumificar a representação política, impedindo toda e qualquer esperança de renovação. É este objetivo escuso que está por trás da manobra, e não qualquer preocupação com a reforma do sistema eleitoral.

O desfecho do processo de reconstrução nacional, que é o sentido profundo da Lava-Jato, está à vista. A afirmação de que ninguém está acima da lei vence a descrença e muda o Brasil. Daí a violência da reação destes que sentem seu poder e seus privilégios ameaçados. Já não têm mais nada a perder, nem honra, nem dignidade. Em suas próprias palavras, sua única preocupação é “estancar a sangria”. Comportam-se como feras acuadas, dispostas a tudo.

A desfaçatez dos políticos à cata de impunidade contém outro imenso risco, o de deixar intactos os múltiplos esquemas de corrupção ainda não alcançados pela Lava-Jato. É provável que o que já veio à tona seja apenas a ponta de um iceberg cuja parte ainda submersa se espraia por todos os níveis da administração pública, estatais, fundos de pensão, agências reguladoras, enfim, por todo e qualquer espaço em que haja recursos públicos a serem saqueados.

Há os que argumentam que a investigação e a punição dos culpados abrem uma crise institucional que desestabiliza a economia. Nonadas. O que destroça a economia é o megassistema de corrupção. O que gera instabilidade é a impunidade. A volta por cima que estamos dando só valoriza nossa imagem e lugar no mundo.

Há que dar um basta às tentativas de impunidade sob pena de perpetuação do sistema de corrupção. Como alertou um dos procuradores da Lava-Jato, uma noite no Congresso pode destruir tudo o que se vem construindo nos últimos anos. Auto-anistia e ameaças a juízes e procuradores representam um último ultraje à população que exige decência. São aberrações que não podem passar sob pena de desmoralização da democracia.

Atenção às palavras da ministra Cármen Lúcia. “Acho que talvez estejamos quase na ruptura de um modelo político-institucional em que passavam-se coisas que não vinham a público e, se viessem, dava-se um jeitinho. Agora, não. Agora o jeito é aplicar a lei, e será aplicada! Há juízes no Brasil para aplicar a lei, e ponto. Podem acreditar nisso!”

Acreditamos. Agora, mais do que acreditar, é preciso agir. Os que queremos a redenção do Brasil não podemos ser espectadores, temos que ser protagonistas. Cada gesto conta, cada palavra dita ou escrita, cada opinião compartilhada em conversas, redes e blogs, cada protesto público. Se assim for, a impunidade não passará.

sábado, 25 de março de 2017

Os fantasmas do Planalto, por LUIZ RUFFATO

Um país se constrói com investimento massivo em educação – e também com a diminuição da diferença entre ricos e pobres
Michel Temer discursa na Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos. PAULO WHITAKER REUTERS

Ao ufanismo irrealista da era Lula da Silva seguiu-se a tragédia anunciada do segundo governo Dilma Rousseff, marcado pela inapetência administrativa e inabilidade nas negociações com o Congresso. 
O resultado foi o golpe perpetrado por políticos corruptos, secundados por um Judiciário comprometido e assentados em movimentos de rua que, patrocinados por partidos de oposição, defendiam (e defendem) somente a manutenção dos privilégios da nossa elite
Em meio à turbulência, entre 2014 e 2016, a renda dos brasileiros caiu 9,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O cálculo leva em consideração a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) – crescimento positivo de 0,5% em 2014 e negativo de 3,8% e 3,6% em 2015 e 2016, respectivamente – e o aumento da população, de 0,9% ao ano, em média.A crise política e econômica, que se arrasta desde 2014, agravada pela incompetência e insensibilidade do presidente não eleito, Michel Temer, vem solapando com inacreditável rapidez o pequeno, mas essencial avanço conquistado pelas populações mais carentes ao longo da primeira década do século XXI. Segundo o estudo do Banco Mundial, “Prosperidade compartilhada e erradicação da pobreza na América Latina e Caribe”, entre 2001 e 2013 o percentual da população brasileira vivendo na miséria caiu de 10% para 4%. E isso, devido ao crescimento econômico, às políticas de transferência de renda e ao aumento do emprego formal.

O recente escândalo da “carne podre” – que revela que a ganância e a corrupção por aqui não têm limites – pode ser um fator a mais para prolongar a agonia da recessão. A venda de carnes para o exterior representa sozinha 7,5% do total das exportações – atrás apenas do minério de ferro e da soja – e, dependendo da reação internacional às notícias sobre a qualidade do produto nacional, poderá haver grande impacto no índice de desemprego (que já se encontra em 12,6% da população economicamente ativa) e no crescimento do PIB (estimado em pífios 0,49% para este ano). Um desastre, como afirmou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, caso os importadores suspendam a compra de carne brasileira.

A recessão tem sempre, entre suas vítimas preferenciais, os pobres. E, no meio deles, as crianças são as que mais sofrem. Segundo o estudo da Fundação Abrinq, “Cenário da Infância e Adolescência no Brasil”, cerca de 17 milhões de crianças de até 14 anos – o que equivale a 40,2% da população nessa faixa etária – pertencem a famílias de baixa renda, aquelas que sobrevivem com o equivalente a meio salário mínimo por mês (R$ 468,50 ou 152 dólares). 
O levantamento também mostra que em 2014 e 2015 foram registrados aumento de 11% no número de meninos e meninas de cinco a nove anos trabalhando. De 2005 a 2013, o trabalho infantil nesta faixa etária havia sido reduzido em 81%. A maioria das crianças, 85,5%, trabalha na área rural, ajudando a família.

Estudo publicado na revista norte-americana JAMA Pediatrics, divulgado aqui em EL PAÍS, indica que as estruturas cerebrais destinadas a processos críticos da aprendizagem são vulneráveis a circunstâncias ambientais da pobreza, como estresse, baixa estimulação e alimentação. Os autores do trabalho afirmam que os problemas decorrentes do desenvolvimento cerebral atípico explicariam até 20% da fraca performance escolar das crianças de famílias de baixa renda.

O Brasil vem piorando o desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que avalia os conhecimentos de estudantes de 15 anos de 70 países ligados à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em Ciências, caímos de 59º lugar no ranking em 2012 para 63º em 2016; em Leitura, descemos do 55º para 59º e, em Matemática, despencamos do 58º para 65º lugar. Um país se constrói com investimento massivo em educação – e também com a diminuição da diferença entre ricos e pobres.

O que talvez tenha assustado a família Temer no Palácio do Planalto, a ponto de eles voltarem a residir no Palácio do Jaburu, destinado à Vice-Presidência, sejam os fantasmas dos nossos sonhos mortos que vão se acumulando, geração após geração, na história deste país.

“É muito preocupante a proximidade do presidente com ações que tentam barrar a democracia”, ROGERIO CHEQUER | LÍDER DO VEM PRA RUA, entrevista de MARINA ROSSI

Líder de um dos movimentos pelo impeachment de Dilma Rousseff afirma que as manifestações de domingo pedirão renovação política, mas que não há razão, "por enquanto", para a destituição de Temer

Em seu perfil no Twiter, Rogerio Chequer se descreve como um “engajado firmemente no propósito de um Brasil melhor, com renovação política e zero de impunidade”. 
Depois de fazer parte dos movimentos que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff, o líder do Vem Pra Rua bate agora firme na tecla da renovação política. "Todas as pautas que defenderemos estão sob esse guarda-chuva", disse, sobre a manifestação que ocorre neste domingo, em diversas cidades do país, organizada por esses mesmos movimentos pró-impeachment da ex-presidenta.
Rogerio Chequer, líder e porta-voz do Vem Pra Rua. DIVULGAÇÃO

Essa renovação defendida por ele tem como objetivo "trocar todos esses políticos que estão aí". Ou quase todos. "Os que estão envolvidos na prática antiga", diz. Mas garante que isso não passa por lançar candidatos em 2018.

Com o Governo Temer completando sete meses, Chequer avalia que a gestão do peemedebista tem aspectos "positivos e negativos". As reformas, como a da previdência e a trabalhista, fazem parte do lado positivo, "mesmo que passem por pontos impopulares". Já a dificuldade de o Governo se desconectar da corrupção é um dos aspectos negativos. Mesmo assim, "isso não é motivo, por enquanto para impeachment".

Pergunta. A manifestação de domingo é pelo fim do foro privilegiado, contra o aumento do fundo partidário, contra o voto em lista fechada e em apoio à Lava Jato. Não são muitas pautas?
Resposta. As pautas que levaremos para as ruas estão todas sob um guarda-chuva que é o da renovação política. Isso é, trocar os políticos que estão aí.

P. Todos?
R. Não todos, mas os que estão envolvidos na prática antiga.

P. Quais, por exemplo?
R. Vamos anunciar alguns deles no domingo.

P. Renan Calheiros e Romero Jucá entram nesse anúncio?
R. Muito provavelmente.

P. E Aécio Neves?
R. Aécio não sei ainda.

P. O MBL [Movimento Brasil Livre, um dos grupos que convocam o protesto] está defendendo uma proposta de reforma da Previdência que, segundo eles, é uma "emenda aditiva à reforma proposta pelo Governo Federal". Vocês defenderão essa reforma?
R. Não conheço os detalhes da reforma que está sendo proposta pelo MBL. 
Nós reconhecemos a necessidade de um ajuste previdenciário no país, mas os detalhes disso sobram para os especialistas. É um termo extremamente técnico que não temos condições de julgar as nuances. O que nós reconhecemos é que um ajuste previdenciário para o país é fundamental.

P. O fim do estatuto do desarmamento é a principal pauta de ao menos um dos movimentos que estarão nas ruas domingo. O Vem Pra Rua está engajado nesse tema?
R. Isso não faz parte da pauta do Vem Pra Rua nem pro domingo e nem pro movimento. Definitivamente não.

P. Você enxerga algum racha entre os movimentos que pediram o impeachment, dentre eles, o Vem Pra Rua?
R. Não enxergo um racha. De que racha você está falando? Rachando no quê?

P. Principalmente nas pautas que cada movimento defende. Algumas lideranças afirmam que o Vem Pra Rua não é um movimento de direita e sim de centro-esquerda.
R. (risos). Eu desconheço tanto o racha quanto esse posicionamento do Vem Pra Rua. Eu acho que as pautas para o domingo estão extremamente alinhadas. Houve uma reunião no domingo com vários movimentos e a pauta foi totalmente alinhada, a gente saiu de lá concordando com a pauta de renovação política, [contra] lista fechada e financiamento público de campanha. Não teve nenhum racha no encontro. Eu não sei de onde vem isso.

P. O Vem Pra Rua é um movimento de centro-esquerda?
R. O movimento Vem Pra Rua não é de centro-esquerda e não se posiciona na regra esquerda / direita que está totalmente distorcida no Brasil. Três pessoas diferentes podem entender centro-esquerda de formas completamente diferentes. Eu nunca tinha ouvido falar que o Vem Pra Rua se posiciona como centro-esquerda. Confesso que é a primeira vez. Acho que isso é uma alucinação de alguém.

P. Você já foi criticado por parabenizar publicamente a posição do deputado do PSOL, Ivan Valente, sobre a votação da medida que anistiava o caixa 2...
R. Exatamente. A nossa posição é muito transparente com relação a isso. Apesar de nós não lançarmos candidatos, nós fazemos interlocução política com qualquer partido. E o nosso critério é que o partido esteja verdadeiramente comprometido com alguma pauta que nós defendemos. No caso do Ivan Valente, ele não foi defendido. Foi defendida a sua atitude que, na época, era exigir uma votação aberta quando estavam falando sobre as 10 medidas contra a corrupção, uma posição igual à nossa. 
Ele defendeu a votação aberta e nós defendemos a posição dele. E defendemos como defenderemos a posição de parlamentares de qualquer partido se estiverem alinhados com o que a gente acha que é bom para o Brasil. Isso não nos posiciona em qualquer lugar do espectro de esquerda e direita de forma fixa.

P. Mas quando isso ocorreu – de elogiar publicamente o deputado Ivan Valente - muita gente acabou criticando o movimento. É impossível imaginar o Vem Pra Rua contemplando pautas defendidas pela esquerda?
R. Contemplando?

P. Contemplando, abrigando.
R. Abrigando? Nós não vamos abrigar nem esquerda e nem direita. De novo: é um movimento que tem pautas, tem objetivos, tem uma agenda para o Brasil. Não é partidário.

P. Sobre a renovação política. Vocês pedirão pelo Fora Temer?
R. Não. A renovação é em 2018. Não estamos querendo derrubar congressista fora de mandato, a não ser que seja por um motivo legal. Michel Temer tem algumas coisas positivas e tem várias negativas que nós temos criticado. Uma coisa é criticar ações, outra é pedir o impeachment do presidente. Se aparecer evidências suficientes que justifiquem a gente pedir o impeachment, faremos uma nova avaliação.

P. O que é positivo e negativo no Governo Temer?
R. O positivo são nomeações mais equilibradas no ministério da Fazenda, o que é fundamental para o país e, consequentemente, para o Banco Central, via ministério da Fazenda. Essas nomeações passarão a priorizar para o país coisas que estavam totalmente esquecidas e irresponsavelmente tratadas nos governos lulopetistas. Por exemplo, o controle de inflação, controle monetário, controle fiscal, independência do Banco Central.... Essas coisas mudaram completamente e já começam a colocar o Brasil numa trajetória diferente. Isso, por si só, já é uma diferença abismal do último Governo. Fora isso, as leis que passaram a regular as pessoas que controlam estatais são muito importantes para separar a influência do Governo nas empresas estatais brasileiras. O foco do Governo em reformas é absolutamente fundamental para o desenvolvimento do Brasil. Mesmo que passem por pontos impopulares, os ajustes são importantes para o Brasil, então tudo isso são características positivas deste Governo.

P. E negativas?
R. A escolha de nomes que compõem o Governo. Desde o começo, o quadro escolhido não é dos melhores. Nós já tivemos vários ministros que tiveram que sair, tiveram outros que estão sob questionamento, então nós não assistimos ainda a este Governo criando um quadro desconectado da realidade de corrupção sistêmica que a gente assistiu nas últimas décadas. Quanto a isso, deixa a desejar. 
Uma nomeação para o Supremo de alguém que era próximo ao presidente [o ex-ministro da Justiça e agora do STF, Alexandre de Moraes], um ministro que servia ao presidente, nós também não consideramos adequado. 
E fora isso, é muito preocupante a proximidade que o presidente está tendo dessas ações do Congresso de tentarem salvar os parlamentares e barrar a democracia, como a anistia, como a lista fechada, o foro privilegiado, o aumento do financiamento de campanha. Nessa semana veio a tona a possibilidade de que ele [Michel Temer] estaria participando dessas articulações. Isso seria muito preocupante para o país.

P. Qual é o sentimento de vocês, que lideraram um movimento pelo impeachment de um Governo apontado como corrupto, e que agora tem um Governo com um terço dos ministros citados em delações?
R. Não é um sentimento, é uma atitude de crítica. Isso é altamente indesejável e está carregando os aspectos de uma política velha. Nós somos totalmente críticos a isso. Agora, antes que você pergunte, ou já que está comparando com outros casos, isso não é motivo, por enquanto de impeachment. Essa é a grande diferença. Nós só adotamos a posição favorável ao impeachment da Dilma quando vieram evidências irrefutáveis de que ela havia cometido crimes de responsabilidade [fiscal]. 
Eu tenho certeza que o vem Pra Rua vai criticar todos os presidentes do Brasil em alguns aspectos, porque é inevitável que haja aspectos de discordância. Existe uma diferença entre criticar alguns aspectos e tentar derrubar o Governo, são coisas que não têm relação direta.

P. Você disse que a renovação será nas urnas, em 2018. O movimento lançará candidatos no ano que vem?
R. Não. Isso vai acontecer em 2018, mas começa agora. Porque nós temos agora o Congresso pensando em empurrar um combo em cima da população, que é um combo de anistia, foro privilegiado, voto em lista fechada e aumento de financiamento público. Então essa batalha já começou. A anistia acaba de voltar à pauta, ela é perigosa, os parlamentares estão começando a aderir a isso de novo, apesar de o presidente ter negado isso há alguns meses e essa tentativa de aumentar o [teto de] financiamento [de campanha] para 3 ou 4 bilhões de reais com o nosso dinheiro e de fazer uma lista fechada absolutamente antidemocrática, isso já começa a comprometer as eleições de 2018. 
Então é algo que começa agora. Com relação a candidatos, não, nós não vamos lançar candidatos em 2018, da mesma forma como não lançamos em 2016. Não é plano do Vem Pra Rua de se partidarizar e lançar candidatos próprios.

El Papa alerta del riesgo de muerte de la U.Europea, por DANIEL VERDÚ

El Pontífice ofrece un discurso muy crítico ante los líderes europeos y alerta sobre los populismos, la gestión de la inmigración y la negligente gestión de la pobreza en las periferias
Foto de familia del Papa con los líderes de la UE, en la Capilla Sixtina, en Roma. AFP | ATLAS
El escenario y el momento constituían el propio guion de un discurso esperado. Celebración de los 60 años de los Tratados de la Unión Europea y todos sus líderes reunidos en el Salón Regio del Palacio Apostólico del Vaticano ante el papa Francisco, el primer pontífice no europeo de la era moderna. 
De este modo, Jorge Mario Bergoglio, en un minucioso y cuidado discurso político ha desgranado este viernes todos los males que asolan al club comunitario: populismo, empobrecimiento, dejadez en el conflicto de la inmigración y tendencia a homogeneizar las diferencias. 
Un organismo político, dijo, en plena madurez, pero “llamado a un replanteamiento, a curar los inevitables achaques que vienen con los años y a encontrar nuevas vías para continuar su propio camino”. Un tirón de orejas, pero con el elemento constructivo y de esperanza al que obliga un aniversario.

El discurso del Papa ha comenzado tras las intervenciones del primer ministro italiano, Paolo Gentiloni, y del presidente del Parlamento Europeo, Antonio Tajani, que han reconocido los problemas por los que atraviesa la UE y la necesidad de buscar soluciones a nuevos desafíos. “Europa no siempre ha mostrado su mejor cara al mundo”, ha admitido el primer ministro Italiano ante el resto de líderes europeos. Unas palabras que anticipaban y parecían aceptar las culpas respecto a las críticas que iban a llegar a continuación.

El discurso, detalladamente descriptivo de la situación actual, ha comenzado invocando a los padres fundadores de la UE —con referencias a Adenauer o al Ministro de Asuntos Exteriores francés Pineau— para interrogarse por hasta qué punto se han respetado o traicionado sus ideas y los riesgos que entrañaría la desorientación. “Cada organismo que pierde el sentido de su camino, que pierde este mirar hacia delante, sufre primero una involución y al final corre el riesgo de morir”.

Pero especialmente, el Pontífice ha rebuscado en el pasado para constatar lo lejos que, cada vez más, están las instituciones de la gente a la que representan. “A menudo se tiene la sensación de que se está produciendo una separación afectiva entre los ciudadanos y las Instituciones europeas, con frecuencia percibidas como lejanas y no atentas a las distintas sensibilidades que constituyen la Unión. […] Los Padres fundadores nos recuerdan que Europa no es un conjunto de normas que cumplir, o un manual de protocolos y procedimientos que seguir. Es una vida, una manera de concebir al hombre a partir de su dignidad trascendente e inalienable”.

Los tiempos de la fundación no son los que corren hoy. Un periodo que el Pontífice definió como una época de crisis —“de la familia, económica, de la inmigración…”— que, sin embargo, puede interpretarse como un tiempo de desafío y oportunidad para desarrollar las herramientas que subyacen en los tratados como la solidaridad: “El mejor antídoto contra los modernos populismos. Los populismos, al contrario, florecen precisamente por el egoísmo […]. Es necesario volver a pensar en modo europeo, para conjurar el peligro de una gris uniformidad o, lo que es lo mismo, el triunfo de los particularismos. A la política le corresponde ese leadership ideal, que evite usar las emociones para ganar el consenso”.

La última vez que el Papa se había encontrado con los líderes europeos, les reprendió duramente por la crisis humanitaria desencadenada por la torpe gestión de la inmigración. Hoy ha insistido en una cuestión que no debe tratarse como “si fuera sólo un problema numérico, económico o de seguridad”. “Ahora se discute sobre cómo dejar fuera los peligros de nuestro tiempo: comenzando por la larga columna de mujeres, hombres y niños que huyen de la guerra y la pobreza, que sólo piden tener la posibilidad de un futuro para ellos y sus seres queridos.

Al final de su discurso, Jorge Mario Bergoglio, un Papa llegado del fin del mundo, como el mismo dijo, se ha acordado de las periferias: culturales, sociales y económicas. “No existe verdadera paz cuando hay personas marginadas y forzadas a vivir en la miseria. No hay paz allí donde falta el trabajo o la expectativa de un salario digno. No hay paz en las periferias de nuestras ciudades, donde abunda la droga y la violencia”. Al final del acto, todos los líderes se han hecho la foto de grupo en la Capilla Sixtina, con el simbólico telón de fondo del Juicio Final.

O universo paralelo do PT, por Ruy Fabiano--Jornalista


As denúncias da semana, centradas no depoimento de Marcelo Odebrecht ao TSE, movimentaram a cena política de Brasília, mesmo não revelando, a rigor, nada que já não se soubesse.

Não significa, porém, que nada acrescentaram ao contencioso da organização criminosa (denominação dada pelo ministro Celso de Melo, do STF) que governou o país por treze anos – e que subsiste em parte no atual governo. Afinal, todos os ministros afastados do governo Temer (e os que restam por segui-los) serviram a Lula e Dilma. O PMDB, vale o lembrete, era o segundo escalão do PT – e somente por isso o sucedeu. Os que pedem “fora, Temer” são exatamente os que nele votaram e permitiram que lá esteja.

Com relação às denúncias, o impacto deriva do fato de que confirmam e dão detalhes da rapina, mostrando método, estilo e linguagem nas relações entre os criminosos, públicos e privados.

Há sempre uma excitação mórbida em contemplar os bastidores do crime, de onde deriva o sucesso dos filmes de gângsteres e suspense policial. Não faltam, nos depoimentos, cenas de forte impacto, ao ponto de alguns bradarem contra o vazamento, tendo em vista possivelmente o teor obsceno dos relatos, impróprios para menores e pessoas nervosas.

Compreende-se, por aí, o zelo de alguns ministros do STF, do TSE, dos partidos envolvidos e de intelectuais petistas. Num sucinto relato, eis parte do que está em detalhes nos depoimentos.

Entre 2006 e 2014, o departamento de propinas da Odebrecht pagou 3,4 bilhões de dólares - mais de R$ 10 bilhões – a políticos de diversos partidos, a maior parte ao PT, secundado pelo PMDB e PP, parceiros carnívoros nos governos Lula e Dilma.

Lula era titular de uma “conta corrente” no departamento de propinas da Odebrecht. De um saldo de R$ 23 milhões, em 2012, sacou R$ 13 milhões. Tinha ainda R$ 10 milhões de saldo, de que já não poderá dispor. Dilma sabia de tudo, enviou emissários a Marcelo Odebrecht - inicialmente Antonio Palocci e depois Guido Mantega - para cuidar dos repasses e teve sua campanha bancada com dinheiro roubado da Petrobras. Os detalhes estão no noticiário.

Sobrou lama para todos, desde o revolucionário PCdoB, que vendeu por R$ 7 milhões o seu apoio e tempo de TV, junto com o PDT e outros dois partidos nanicos, até o PSDB, também beneficiário do caixa dois. Há, claro, gradações. Como diz FHC, “não se pode comparar um homicídio com uma surra”.

Mas a turma da surra está agora unida aos homicidas em busca de uma saída, via Congresso. E a ideia central é anistia. O único temor são as ruas. Amanhã, quando está convocada nova manifestação em todo o país, será possível dimensionar o tamanho da reação popular. O temor é que já haja fadiga com o tema.

O PT investe nisso. Não havendo defesa, parte para o ataque.

Ontem, quando jornais, telejornais e internet reverberavam as denúncias de Odebrecht, Lula, com a habitual veemência, jurava: “Tenham a certeza que nunca ninguém vai dizer que eu pedi dez centavos”. Ninguém duvida: Lula jamais pediu dez centavos

Num evento intitulado “O que a Lava Jato tem feito pelo Brasil”, ontem, em São Paulo, a cúpula do PT e alguns intelectuais aliados mostraram aos céticos que existe de fato um universo paralelo. E é lá que habitam. Quanto mais provas e evidências vêm à tona, mais eles afirmam o contrário. Palavras de Lula:

“Nós, do PT, fomos criados para mudar a história do país e não para ficar com medo. Quem errou pague pelo erro.”

O PT, de fato, mudou a história do país. Levou as piores tradições da política nacional a tal paroxismo que a implodiu. Provocou uma diarreia cívica, cujos efeitos ainda não cessaram, mas hão de ter desfecho purificador. Já estão tendo.

Quanto ao desafio de cobrar punição a quem errou, é exatamente o que está em curso, embora Lula não se reconheça na fita, mesmo sendo seu protagonista. O presidente do PT, Rui Falcão, dá uma pista do que se passa na cabeça dos seus correligionários. Considerou “uma burrice” penalizar as empreiteiras corruptas.

São suas palavras:
“Esquece-se que até mesmo as empresas que sediaram a corrupção contribuem para a riqueza nacional. Penalizá-las é uma vingança infantil, para não dizer simplesmente burra.”

Lênin ensinava que a moral revolucionária não devia respeito à moral burguesa e a nenhum outro código legal. Roubar em nome da causa não constituiria vergonha, senão cumprimento do dever.

O PT governou sob essa inspiração – ou a pretexto dela -, o que o levou a unir-se a companheiros de viagem que, embora desprovidos do manto ideológico, partilhavam do mesmo objetivo. Alguns ainda sobrevivem no atual governo; muitos estão no Congresso – e outros já estão na cadeia.

Lula, Dilma e o rio: Exército Brancaleone no Nordeste, por Vitor Hugo Soares--Jornalista,

Dilma e Lula (Foto: Facebook Dilma Rousseff)
Mal (ou bem?) comparando, só faltou, no domingo passado, o grito de guerra “Branca! Branca! Branca!, Leon, Leon Leon”, para a extemporânea encenação político eleitoral misturada com patético e desesperado ataque à Lava Jato e ao juiz Sérgio Moro se completar, no esturricado sertão nordestino, no final do verão brasileiro de 2017.

O ambiente fica cada vez mais parecido – principalmente depois da Operação Carne Fraca – com o cenário medieval da fabulosa comédia do cinema italiano, “O Incrível Exército Brancaleone”.

Basta observar, com um mínimo de atenção e distanciamento crítico e ideológico, para logo se constatar: o que se tem visto nas últimas semanas na localidade de Monteiro, e em áreas próximas na Paraíba, Pernambuco e Ceará, não passa – apesar de todos os penduricalhos e disfarces jornalísticos, geopolíticos, antropológicos e intelectuais - da mais completa e deslavada imitação do memorável filme de Mario Monicelli – uma notável paródia a Dom Quixote, que satiriza também a própria situação da Europa no século XI.

No cinema, Brancaleone (magnificamente encarnado por Vittorio Gasman) e os quatro miseráveis famintos que acabam se tornando seu exército de desesperados “confrontam boa parte das grande polêmicas da Baixa Idade Média. Percorrendo o longo caminho até Aurocastro no lombo do pangaré Aquilante (referência ao Rocinante de Quixote”, como sintetiza um crítico de cinema.

No caso da comédia nacional do século XXI, temos no centro do cenário – ou no palanque principal, para ser mais exato -, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao seu lado, a mandatária deposta Dilma Rousseff (uma espécie de representação feminina de Sancho Pança) na encenação com dois propósitos: um, declarado, de “fazer a inauguração popular das obras de transposição das águas do São Francisco (visivelmente exangue e, em alguns trechos de seu leito, já devastado e sem água para ele próprio se manter vivo); outro implícito, de demonstração de força política preservada no Nordeste). “O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu um lugar carregado de simbolismo para lançar de vez sua pré-candidatura à presidência em 2018”, diz o jo rnal espanhol El Pais em reportagem sobre o fato. 

E acrescenta: o petista reuniu uma multidão no sertão da Paraíba em uma espécie de comício, onde Dilma afirma que “há interessados em impedir que ele se candidate”, numa referência velada às ações que responde na Justiça, incluindo as da Operação Lava Jato. E ainda nem se conhecia o teor devastador do depoimento de Emílio Odebrechth ao TSE, segundo o qual a ex-mandatária sabia da “dimensão” das doações por meio de Caixa 2 feitas pela empresa que ele presidia até ser preso e condenado pelo juiz Sérgio Moro, à campanha da petista à reeleição. 

Em volta do palco em Monteiro, o regimento de curiosos somados a militantes, chamados de “multidão” pelos oradores e mestres de cerimônia, parecem tão fora da realidade quanto os que os estimula a gritar palavras de ordem do tipo “Lula lá” e “É golpe”. Melancólica expressão farsesca das multitudinárias manifestações políticas realizadas pela militância petista e seus aliados nos anos de mando Lula - Dilma.

Tudo isso ao sol fervente do fim do verão, na beira de uma obra inacabada – prevista para custar R$ 4 bilhões, mas que já engoliu mais de R$ 8 bilhões desde o seu lançamento em 2007. Desde então, irriga fortunas de muita gente e sucessivas campanhas eleitorais; municipais, estaduais e presidenciais. Dias antes da “festa de Lula”, fora precariamente entregue à população em outro comício (regado a farta propaganda), pelo mandatário da vez, Michel Temer, acompanhado de ministros, parlamentares, líderes regionais e claque providenciada pelo claudicante governo do PMDB e grupos que o apoiam.

Ao tempo em que acompanho as manobras políticas, às custas do sacrificado rio da minha aldeia, no agreste nordestino, escuto em Salvador, capital da Bahia, os alertas do governo estadual petista de Rui Costa, sobre dificuldades no abastecimento de água, pela Embasa, seguidos de pedidos para a população economizar o líquido, jogando a culpa na seca, histórico vilão de maus governos sustentados pela propaganda. Quase "absurdado", palavra da hora para resumir o espanto diante dos desmandos em todas as áreas, assisto, da janela do meu apê, e no entorno, num bairro classe média, mais pra A, a movimentação de "carros-pipas" botando água nos tanques dos prédios, escolas e etc. O inusitado me transportou, estarrecido, ao tempo da minha infância, em Macururé, em pleno coração do chamado Polígono da Seca. - Meu divino São J osé! Meu glorioso Santo Antonio, - rogava-se então, para enfrentar tal agrura.

“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, repito a irônica frase dos franceses, nesta semana em que se comemorou o Dia Mundial da Água. E relembro, também: o São Francisco é o rio da minha aldeia. Nasci em um antigo arraial, pequena localidade na sua margem baiana, a apenas 6 km de distância da cidade pernambucana de Cabrobó, no chamado Marco Zero da obra de transposição, que, vigilantemente, acompanho desde o primeiro dia. Tudo o que se relaciona ao rio que me viu nascer, me toca de perto e, apaixonadamente, me emociona. Espero jamais ficar alheio à sua morte ou ser cúmplice dos que exploram, roubam e estão matando "o maior rio genuinamente brasileiro", como aprendi na escola, "ao pé dele".