terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Anticapitalismo, agora contra as mega-corporações,por Brid Brennan e Gonzalo Berrón/Tradução: Inês Castilho e Antonio Martins

Comentário matusalém---com mais de 50 anos de atraso, alias desde a Lei Anti-Trust norte-americana, os ativismos vários dão-se conta de onde mora o perigo....sempre crescente....e sem direito/obrigação de ELEIÇÕES! A Igreja de Mamon.....e o Bezerro de Ouro.

Cresce, entre ativistas de todo o mundo, ideia de que não basta denunciar governos. Transnacionais são o centro do ataque aos direitos. É preciso enfrentá-las

Os efeitos da atual crise do capitalismo tornaram-se mais manifestos globalmente em 2016, provocando inesperadas reviravoltas políticas. Contudo, as pessoas mais severamente atingidas pela atual crise econômica escolheram, em sua maioria, apoiar figuras e posições políticas [1] contrárias às formuladas durante anos pela esquerda altermundista, também conhecida como movimento por justiça global.
Em parte, isso se deve ao fato de que, na primeira rodada de respostas ao neoliberalismo na América Latina, as forças políticas progressistas fracassaram [2] – seja por fraqueza ou por projeto – em desmantelar os mecanismos que contribuem à consolidação do “capitalismo extremo”, hoje globalmente hegemônico. Essa forma de capitalismo apresenta, somada às suas contradições clássicas, “extrema concentração de riqueza e tendência para extrema concentração de propriedade de corporações” [3], como tipificado no processo monopolista via fusões e aquisições. É o que vemos, quando seis das maiores corporações de agroquímicos e sementes do mundo procuram fundir-se em apenas três megacorporações (Monsanto-Bayer, Dow-Dupont e Syngenta-ChemChina).
Contudo, vale notar que os movimentos da esquerda altermundistas não foram os derrotados em 2016. Ao contrário, eles transformaram-se em forças políticas efetivas e ascendentes: parcialmente convergindo em torno de Bernie Sanders, Jeremy Corbyn e o Podemos, que emergiram como sinais de esperança. O que foi definitivamente derrotado em 2016 é o que podemos chamar de ‘neoliberalismo social democrata’. Como escreveu Naomi Klein: “Foi a adesão dos Democratas ao neoliberalismo que deu a vitória a Trump.”[4]

A nova conjuntura internacional poderia encorajar uma nova onda altermundista, fortalecida pelas lições das recentes derrotas, e galvanizada pelas esperanças que inspirm uma oposição de esquerda contra as tendências fascistas que emergem globalmente – tanto no Norte como no Sul.
Como William Robinson alertou profeticamente, em 2011, “o contraponto ao fascismo do século 21 deve ser um contra-ataque coordenado pela classe trabalhadora global. A única solução real para a crise do capitalismo global é uma redistribuição maciça de riqueza e poder – para a maioria pobre da humanidade. E a única maneira de iniciar essa distribuição é por meio de uma luta transnacional em massa, a partir de baixo”.[5]

O debate atual no Comitê de Direitos Humanos da ONU (UNHRC, na sigla em inglês) sobre a criação de um Tratado Relativo a Direitos Humanos e Corporações Transnacionais e Outras Empresas oferece uma grande oportunidade para confrontar os atores centrais da economia capitalista global, hoje comumente referidos como “poder corporativo”, e contribuir para a emergência de uma nova onda de ativismo antineoliberal. Essa oportunidade foi criada em parte por meio das lutas alternativas à globalização em processo, na quais a “Campanha para Desmantelar o Poder Corporativo, Acabar com a Impunidade e Reconquistar a Soberania dos Povos”[6] é uma protagonista. Essa campanha global reúne comunidades, movimentos e organizações sociais afetadas de todos os continentes. Em junho de 2014, mobilizações da Campanha e do Treaty Alliance (Aliança pelo Tratado) [7] em nível nacional e em Genebra, tanto dentro como fora do Conselho de Direitos Humanos da ONU, culminou num bem sucedido voto para iniciar um processo formal de preparação de um tratado.[8]

Na atual conjuntura de lutas, áreas-chave do poder corporativo estão vulneráveis a golpes fatais – que, junto com o processo do Conselho de Direitos Humanos, pode contribuir para o avanço dessa onda emergente de luta por alternativas à globalização. Eis alguns dos objetivos pelos quais lutar:

1. Fim da impunidade legal das corporações
Desde o início dos anos 1980, a elite corporativa global começou um assalto ininterrupto aos direitos humanos e interesses públicos. Essa ofensiva tornou-se visível pela erosão da soberania dos Estados, o desmantelamento do Estado de bem-estar social, a privatização dos serviços públicos, a desregulação econômica, a liberalização do comércio e dos investimentos e o estabelecimento da primazia dos direitos das corporações e investidores sobre o direito dos povos.

Em plano internacional, o livre comércio e os acordos de investimento, em suas várias formas, combinam-se com as políticas da OMC, FMI e Banco Mundial para oferecer a definitiva garantia de proteção ao capital. Sob o regime dessas políticas, as corporações transnacionais (TNCs) adquiriram direitos que vão além dos poderes dos Estados – o que tornou possíveis mecanismos punitivos tais como Mecanismo de Resolução de Disputas entre Investidor e Estado (ISDS, na sigla em inglês).
Por meio deles, as corporações podem processar os Estados exigindo bilhões de dólares, enquanto os Estados não podem processar ou sancionar as corporações.
O mecanismo ISDS está em operação nas Américas desde o início dos anos 1990, quando foi embutido no Capítulo 11 do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, na sigla em inglês). Também é agressivamente perseguido no Tratado Transpacífico (TTIP, na sigla em inglês), Tratado de Livre Comércio entre União Europeia e Canadá (CETA) e Parceria Transpacífica (TPP), assim como em outros tratados da “nova geração”.

O resultado dessa estrutura política tem sido a construção de uma verdadeira arquitetura de legitimação e impunidade, que tem priorizado os direitos dos investidores sobre os direitos humanos, ou seja, sobre os direitos dos povos. Esse privilégio sem precedentes, a garantia de que os direitos das corporações serão respeitados sem levar em conta os efeitos de suas operações, é um dos pilares sobre os quais se baseia o “capitalismo extremo”. É parte da fundação do hipertrofiado poder corporativo – a Lex Mercatoria – que reina no mundo de hoje [9]. É sobre o princípio da primazia da norma corporativa que poderia tratar o tratado sobre a regulação das TNCs que a ONU está formulando. Ao propor que os direitos humanos sejam colocados em seu legítimo lugar, acima de qualquer outra norma da lei internacional [10], esse tratado poderá tornar ilegais as arbitrariedades atuais permitidas pelos acordos de comércio e investimento internacional, e identificar certas operações corporativas como crimes internacionais.

2. Cortar a ligação entre poder econômico e democracia
A crescente assimetria econômica entre corporações e Estados, e entre a elite dos negócios corporativos e os outros cidadãos, hoje mais extremos do que em qualquer outro tempo da história recente, é outra característica que define o capitalismo contemporâneo. Essa assimetria leva a sua expressão política, a “privatização da democracia”, e é perpetuada por ela. Mecanismos de captura corporativa tais como organizações lobistas, portas giratórias entre corporações e governos, financiamento de campanhas eleitorais e outros canais legais e ilegais, bem como corrupção operando nos níveis executivo, legislativo e judiciário das democracias contemporâneas, transformam os maiores “bens comuns” da sociedade em um mecanismo para beneficiar uns poucos. Susan George se refere a isso como poder corporativo ilegítimo e irresponsável e explica que “grupos de empresas de, digamos, Estados Unidos e Europa reúnem-se para chegar a resultados que entendem ser do seu interesse coletivo. “Chear a resultados” inclui resultados políticos, e a capacidade de arrancá-los dos governos está crescendo inapelavelmente. Isso, para mim, implica uma séria ruptura da democracia” [11].

A privatização da democracia coopta instituições criadas para o bem comum e o interesse público, transformando-as em instrumentos para garantir e aumentar os interesses privados daqueles que assumem o controle.
Uma plutocracia direta ou indireta, mais e mais escandalosa, exclui a maioria das pessoas e produz nelas a apatia e desencantamento crescente com a “democracia”. Vozes autoritárias e fascistas (de Trump a Marine Le Pen) começaram a aparecer no palco global e são ecoadas no debate público e representadas em vários parlamentos. Romper o elo entre poder econômico e instituições democráticas é um dos objetivos do trabalho no tratado da ONU. Isso será essencial, se os movimentos populares quiserem conquistar a soberania dos povos, ou, como colocou W. Robinson, avançar no caminho da “redistribuição poder”.[13]

A captura corporativa está internacionalmente reproduzida nas instituições da chamada “governança global” – um eufemismo que esconde a natureza antidemocrática do sistema internacional manifesto na OMC, FMI e Banco Mundial.

Essas instituições estão totalmente capturadas pelos atuais interesses econômicos das corporações que, hoje, ditam suas agendas e o financiamento de seus programas internacionais. Essa tendência global manifesta-se na transferência da governança, das “áreas de conflito político” nos espaços intergovernamentais para espaços “multi-stakeholder” (multi-investidores, acionistas, partes interessadas). Eles são fortemente influenciados, quando não dirigidos, pelos interesses do setor corporativo. Essa tendência vem sendo agressivamente promovida pelo Fórum Econômico Mundial através de sua política de “Global Re-design Initiative (Iniciativa de Re-desenho Global, GRI)”, que promove a governança “multi-stakeholder” como sua opção preferencial. Esta não é uma estratégia ad hoc – ela é na verdade uma das principais estratégias promovidas pela classe de Davos, as elites econômicas globais, em resposta à crise financeira de 2008 e outras crises relacionadas a ela.[13]

A abordagem multi-stakeholder já está bem avançada, especialmente em relação ao nexo comida, nutrição e saúde – e um exemplo é a iniciativa SUN (Scale Up Nutrition, ou Nutrição Aumentada), que reúne uma significativa concentração de corporações, e uma agenda pautada pelo setor privado. Além disso, esta tendência exclui aqueles que não concordam, e ignora os espaços intergovernamentais de políticas alimentares e nutricionais legitimamente estabelecidos, tais como o CFS, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a FAO.[14]

3. Acabar com a festa financeira
Uma das máquinas centrais do capitalismo são hoje as finanças, a dimensão mais globalizada da economia internacional. É bem sabido que o setor financeiro domina o capital produtivo e que há bancos e fundos de investimento de longe mais poderosos do que muitos Estados membros da ONU.
O sistema financeiro impõe uma lógica do lucro imediato, que “seleciona naturalmente” os negócios mais lucrativos, gerando padronizações de todos os tipos, extinguindo a diversidade (cultural, gastronômica etc.) e despersonalizando decisões para evitar qualquer conexão com e responsabilidade com relação às pessoas atingidas.

Como aponta Sivanandan, operadores-chaves em mega escândalos bancários rejeitam responsabilidade, como quando Bob Diamond, executivo-chefe do Banco Barclay no período de manipulação da taxa Libor de juros, transferiu responsabilidades para os “níveis inferiores” e pediu uma moratória às desculpas dos banqueiros por seu papel na crise financeira.[15]

O poder das corporações financeiras está baseado em dois elementos chave. Primeiro, a extrema desregulamentação, que permitiu a invenção de infinitos “produtos” financeiros, multiplicando as oportunidades de lucro enquanto eleva o risco geral para o sistema (como revelado pela crise financeira de 2008). Segundo, a habilidade para a evadir impostos e facilitar a evasão fiscal de terceiros (mesmo que por meio de práticas criminosas, como lavagem de dinheiro).
Em muitos países, nenhum imposto é cobrado em transações financeiras ou operações na Bolsa, ou são cobrados tributos proporcionais mínimos sobre os lucros gerados pela especulação. Paraísos fiscais e acordos para evitar dupla tributação têm servido, junto com soluções tecnológicas, como mecanismos centrais para facilitar o movimento de capitais pelo planeta.
Eles adquiriram liberdade quase total para evitar impostos, esconder riqueza, explorar trabalhadores, praticar “evasão salarial”[16] e especular com os bens de países vulneráveis a financiamentos internacionais via pagamento de juros exorbitantes e dívida extorsiva.

De acordo com Walden Bello, foi preciso que a crise financeira global desse outro golpe no neoliberalismo “ao varrer a Teoria da Escolha Racional e a Hipótese dos Mercados Eficientes, que haviam sido a vanguarda da globalização das finanças”. [17] Contudo, até o presente as corporações bancárias conseguiram resistir a uma séria restruturação e a uma regulação substantiva.

Se queremos que as instituições financeiras trabalhem em benefício de toda a população, é urgente insistir na redução do poder estrutural do establishment financeiro no quadro do poder corporativo global, promovendo, entre outras soluções, regulação financeira estrita, abolindo os paraísos fiscais, eliminando acordos que eliminam a dupla taxação e limitando o tamanho dos bancos e fundos.

4. Frear a mercantilização do conhecimento
As patentes industriais – particularmente as farmacêuticas – são uma estratégia favorita do capitalismo global para a apropriação selvagem de enormes fatias da riqueza produzida pelos seres humanos. As corporações, assumiram, especialmente nos últimos 40 anos, o papel de estabelecer uma estrutura de leis nacionais e internacionais que garantem o controle de patentes sobre descobertas científicas e tecnológicas. Os que detêm as patentes beneficiam-se, em geral, de muitos anos de uso exclusivo. Ou seja, mantêm exclusividade na produção e venda das produtos, a um preço lhes permitirá obter o máximo lucro possível.

A concentração dos Direitos de Propriedade Intelectual e dos regimes de comércio na Organização Mundial do Comércio (OMC) foi primeiramente proposta pelo governo dos EUA, em favor das corporações norte-americanas, sob forte oposição dos governos dos países em desenvolvimento [18].

No contexto deste regime internacional, as corporações que controlam as patentes (que têm seus efeitos expandidos na nova geração de acordos de “livre” comércio) não levam em conta se os preços dos medicamentos. Privam, por exemplo, os pacientes de baixa renda do acesso a tratamentos contra a AIDS ou a Hepatite C. Ritira-se dos camponeses o direito de produzir suas próprias sementes. Evita-se acesso a tecnologias que poderiam contribuir para enfrentar problemas como a mudança climática e a fome.

O regime das patentes e a mercantilização do conhecimento são hoje a base para a acumulação de capital em muitos setores econômicos: comunicações, energia, saúde, medicamentos, alimentação, transporte e tantos outros. Interromper este processo contribuiria para desmantelar o poder das corporações. Também audaria a promover o bem-estar das sociedades. Se o regime de patenes das corporações desempenhou, em algum momento do passado um papel na aceleração do desenvolvimento tecnológico, isso deixou de ocorrer [19]. Ao contrário: de maneira geral, os Estados investem, por meio das instituições públicas, muito mais pesadamente que o setor privado, gerando as condições que tornam o progresso tecnológico possível. Não há razões válidas para transformar de maneira tão absurda os recursos públicos em lucros privados.

5. Cortar o acesso das corporações aos bens comuns da natureza
Estabelecer definitivamente o caráter público da natureza e administrar seu uso em favor do bem comum, cortando o acesso restrito das corporações à mineração, energia e produção de alimentos parece ser um objetivo óbvio. No entanto, na prática, os artifícios de propaganda e coptação do senso comum pelos interesses econômicos transformam tal mete em algo pelo qual somos obrigados a lutar.

Um mundo sob risco iminente de desastres climáticos e ambientais exige decisões urgentes para acabar com o extrativismo selvagem que se encontra por trás de tantas crises ambientais – a devastação dos oceanos, mares e rios; o envenenamento dos solos e das florestas; a corrosão da biodiversidade. A solução para estas crises não está nas mãos daqueles que desprezam a lógica dos bens comuns e perseguem a do lucro. Thomas Berry propôs “estruturas leais e decisões políticas conscientes de que o caminho para o futuro não passa pelo desenvolvimento industrial incessante [20]. Como tantos movimentos pela justiça climática enfatizam, as soluções de mercado são falsas e não pdem oferecer uma resposta para a devastação do ambiente.

Só uma proteção da natureza pública e participativa pode reverter a marcha rumo ao colapso em que a humanidade se encontra. Só ela pode estabelece um limite real, por exemplo, à ação das companhias petrolíferas e às corporações do agronegócio e da mineração – que acumularam podere econômico e político para bloquear os avanços civilizacinais indispensáveis para a sobrevivência de nossa espécie. Esta visão – desenvolvida na Declaração de Marrakesh construída pela Via Campesinas e outros movimentos sociais durante a COP 22 – percebe que “a implantação de alternativas, de outras soluções voltadas a acabar com a lógica arrogante do capitalismo, só pode tornar-se real se articular lutas nacionais e globais, até que o balanço de poder penda em favor dos povos [21].

Acabar com a captura da natureza pode ser outro glope fatal contra o poder das corporações.

Ao menos cinco ações: táticas e estratégia para uma segunda rodada do altermundismo

Há sinais de que os povos do mundo estão, cada vez mais, exasperados com as violações praticadas pelo poder corporativo, a impunidade e a arrogáncia com a qual os instrumentos democráticos foram capturados. O desafio desta segunda onda de altermundismo é organizar e fazer convergir estratégicas capazes de impor ao menos estes golpes contra o poder das corporações; é, além disso, passar das resistências à prática de alternativas. É significativo que o caminho para esta ação esteja aberto com o processo do Tratado sobre as Corporações Transnacionais, no Comitê de Direitos Humanos da ONU. Trata-se da maior oportunidade que temos hoje para dar um passo na direção de um mundo justo e sustentável.

* Brid Brennan e Gonzalo Berron são membros da equipe do projeto sobre Poder das Corporações no Transnational Institute (TNI).
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[1] O blog de Michael Moore, (2016) explica por que a cólera de tantos contra a ruptura do sistema político resultou em milhões de votos para Trumphttp://michaelmoore.com/trumpwillwin/

[2] Emir Sader (2011) The New Mole: Paths of the Latin American Left , Verso New Delhi – “a direita recuperou sua capacidade de contra-ofernsiva e de sabotar a rejeição dos governos progressistas ao ‘livre’ comércio e a outras políticas do neoliberalismo” p.147

[3] Gonzalo Berrón e Lus González, “A privatização da Democracia. Um catálogo da captura corporativa no Brasil”, Vigência!, São Paulo, 2016 Pg. 10. http://www.vigencia.org/catalogo/vigencia-2016/
Ver também referência a Vitali S, Glattfelder, JB, Battiston, S (2011) The Network of Global Corporate Control-







[8] Open Ended Intergovernmental Working Group (OEIGWG) foi designado e mandatado em 24/6/2014, em votação do Comitê de Direitos Humanos da ONU (UNHRC), para desenvolver um instrumento legal de cumprimento obrigatório sobre Corporações Transnacionais e outras empresas, em relação aos Direitos Humanos http://www.ohchr.org/EN/HRBodies/HRC/WGTransCorp/Pages/IGWGOnTNC.aspx


[9] Ver o Capítulo 1: The International Peoples Treaty on the control of Transnational Corporations http://www.stopcorporateimpunity.org/wp-content/uploads/2016/11/PeoplesT…


[10] Maurice De Zayas (2016) Report of the Independent Expert on the promotion of a democratic and equitable international order – see Chapter IV-Primacy of the International Human Rights Treaty regime


[11] Susan George (2014) The State of Corporations – The rise of illegitimate power and the threat to democracy https://www.tni.org/sites/www.tni.org/files/download/state_of_corporatio…


[12] Ibid Robinson


[13] Ver, de Harris Gleckman “Multi-stakeholderism: a corporate push for a new form of global governance ” 2016 https://www.tni.org/en/publication/multi-stakeholderism-a-corporate-push-for-a-new-form-of-global-governance




[15] Sivanandan, A (2013) The market state vs the good society, Race and Class Institute of Race Relations, Vol.54(3): 1-9 London http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0306396812464009


[16] O relatório “The Bermuda Connection: Profit Shifting, Inequality, Unaffordability at Lonmin 1999-2012″ (Forslund, Dick AIDC, 2015) expõe o papel da companhia mineradora Lonmin na evasão de salários, ou seja, mostra como a companhia deixou de responder às reivindicações salariais dos mineiros alegando problemas econômicos que na verdade serviram de pretexto para transferências ilegais de lucros ao exterior. http://aidc.org.za/download/Illicit-capital-flows/BermudaLonmin04low.pdf


[17] Walden Belo (2016) Revisiting the Lessons of the Battle of Seattle and its aftermath


[18] C.M. Correa (2016) Innovation and the Global Expansion of Intellectual Propoerty Rights: Unfulfilled Promises southcentre.int/wp-content/uploads/2016/08/RP70_Innovation-and-IP-Unfulfilled-Promises_EN.pdf


[19] Ibid p. 26 Correa cita pesquisas que apontam os problemas provodados pelo regime de propriedade intelectual nos países desenvolvidos. Ela argumenta que “se a propriedade intelectual não funciona nos países desenvolvidos, ao contrário do que é geralmente aleado por seus defensores, a situação só pode ser pior nos países em desenvolvimento, que têm estruturas frágeis de Ciência e Tecnologia, escassez de capitais de risco e perfis de produção não sofisticados. Eses países estão hoje pagando o preço de um sistema que serve primariamene com plataforma para extrair rendas de privilégio (na forma de pagamentos de royalties e preços altos) e faz muito pouco para promover a inovação local e o desenvolvimento econômico”.

[20] Berry, Thomas In Introduction, Cullinan Cormac Wild Law, (2001) 2nd edition Siber Ink, Capetown


[21] Ver a Declaração de Marrakesh contra a Cúpula das Falsas Soluções e por um Futuro Justo e sustentável para Todos os Povos, novembro de 2016. https://viacampesina.org/en/index.php/actions-and-events-mainmenu-26/-climate-change-and-agrofuels-mainmenu-75/2213-marrakech-declaration-against-the-summit-of-false-solutions

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Eike Batista tem cabeça raspada e é transferido para presídio em Bangu por,Miguel Caballero

O empresário Eike Batista com a cabeça raspada (Foto: Guilherme Pinto 30-1-2017 ) 
O empresário Eike Batista deixou o presídio Ary Franco, em Água Santa, por volta das 13h35m desta segunda-feira e foi levado para a Penitenciária Bandeira Stamba, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. A unidade recebe presos do regime fechado, em sua maioria policiais cumprindo pena por envolvimento com milícias. De acordo com dados coletados em dezembro, a unidade também opera acima da capacidade: na ocasião, tinha 657 presos para 547 vagas. Segundo agentes da Seap, as celas são para seis detentos cada.

Preso por policiais federais ainda no Aeroporto Internacional Tom Jobim, logo após chegar em um voo de Nova York, pouco antes de 10h, Eike passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), antes de ser encaminhado ao Ary Franco, em Água Santa, por volta de 11h15m.

Após passar por triagem no Ary Franco, onde teve a cabeça raspada e vestiu o uniforme de interno, ele foi transferido para Bangu 9. O motivo seria a falta de segurança na penitenciária de Água Santa.

Eike Batista, nem santo nem diabo, por Ruth de Aquino--Jornalista

Eike hoje paga pela ostentação, pelos carrões, jatinhos, barcos e botox. O povo não perdoa ricos exibidos
Eike Batista
Eike Batista uma hora vai delatar. Não por maldade ou vingança. Não para crucificar a enorme lista de políticos que ele beneficiou, à vista de todos ou por baixo da mesa. Vai delatar porque nenhum empresário famoso consegue se manter “foragido da Interpol” por muito tempo, mesmo com passaporte alemão.

Vai delatar porque o ex-homem mais rico do Brasil, pai de Thor e Olin, ex-marido de Luma, se recusará a ser trancafiado em cela comum de presídio.

Eike não concluiu o ensino superior de engenharia na Alemanha e, por isso, sem diploma, não tem direito a regalias. É o X do problema.

Falência financeira, tudo bem, Eike já se reergueu com saídas mirabolantes. Falência moral é outra coisa para o filho do nonagenário Eliezer Batista.

Eike não se enxerga como chefe de quadrilha criminosa. Seus amigos e ex-funcionários tampouco o viam assim. Muitos ganharam e perderam dinheiro embarcando em seus delírios. Louco, visionário, audacioso, megalômano, empreendedor, místico e generoso – e até cafona e ingênuo – são adjetivos mais associados a Eike do que “bandido” ou “mau-caráter”, segundo quem o conhece bem. Era “mão-aberta”, não só em troca de incentivos fiscais. Não fazia segredo de sua carência maior: ser amado, especialmente no Rio.

Acusado de repassar e ajudar a esconder propina de US$ 16,5 milhões – um pingo no oceano que inundou as finanças do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral –, Eike é o alvo da hora da Operação Lava Jato. Mesmo antes de ter mandado de prisão preventiva contra ele, Eike já despertava misto de ódio e inveja. Era o 171 mais bajulado e contraditório do Brasil, recebido como Midas por banqueiros do mundo.

Hoje paga pela ostentação, pelos carrões na sala de sua casa no bairro do Jardim Botânico, os jatinhos, os barcos de corrida, os implantes de cabelo e Botox. Paga pela insistência em prever, com seu riso estranho, que se tornaria o homem mais rico do mundo. O povo não perdoa ricos exibidos. 

O que me surpreende é que seus amigos não tenham coragem de vir a público defender seu outro lado. Uma vez testemunhei, no restaurante chinês Mr Lam, de sua propriedade, os efeitos de sua personalidade. O trabalho parecia ser sua maior diversão. Seus convidados, um bando de empresários orientais, só faltavam beijar seus pés. Ao longo de sua ascensão, vimos alguns admiradores ferrenhos de Eike.

“O Eike é nosso padrão, nossa expectativa e orgulho do Brasil”, afirmou a então presidente Dilma Rousseff na inauguração do Porto do Açu, em São João da Barra, Norte Fluminense. Para Dilma, Eike tinha “capacidade de trabalho”, buscava “as melhores práticas”, queria “tecnologia de última geração”, percebia “os interesses do País” e merecia “o nosso respeito”. 

Eike arrematou por R$ 500 mil o terno usado por Lula na primeira posse de janeiro de 2003. Era um leilão beneficente promovido pelo cabeleireiro da então primeira-dama, Dona Marisa, para arrecadar dinheiro para crianças do projeto Escola do Povo, na favela de Paraisópolis, em São Paulo.

Eike fez Madonna chorar, num jantar íntimo no Rio em sua casa, ao dar R$ 12 milhões para a Fundação SFK (Success for Kids), que ajudaria crianças brasileiras e suas mães vítimas de violência. Eike deu para a Santa Casa da Misericórdia um aparelho de ressonância magnética que custou quase US$ 2 milhões. “Todo mundo pede socorro ao Eike. Daqui a pouco vão ter de fazer uma estátua dele de braços abertos no alto de um morro”, afirmou o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho.

Uma vez, caminhando no Morro do Borel com o ex-secretário de Segurança José Mariano Beltrame, perguntei sobre o acordo entre o governo do estado e sete grandes empresários que criaria um fundo para infraestrutura nas favelas ocupadas. “Só o Eike Batista honrou esse acordo”, disse Beltrame. “Ele contribui com R$ 20 milhões por ano.” A sede azul e branca da UPP exibia carros reluzentes. “Viu as camionetes?”, perguntou Beltrame. “Todas compradas com a ajuda do Eike. As motos para coleta de lixo também.”

O ator Rodrigo Santoro disse que o apoio financeiro de Eike foi “o fator decisivo” para que o filme Heleno de Freitas acontecesse. Eike ajudou Arnaldo Jabor a financiar A suprema felicidade, ajudou Cacá Diegues a realizar Cinco vezes favela. Nunca vimos antes no Brasil um pilantra com essas conexões.

Eike começou comprando ouro no Xingu aos 22 anos, magrelo, com botas e chapéu. Terminou vendendo ilusões e pasta de dentes – seu negócio mais recente. Dizia, no auge, que seu sonho era nadar “numa Lagoa Rodrigo de Freitas limpa” e por isso deu milhões para a despoluição-fantasma. Seu pesadelo agora é a cela comum de Bangu.

Eike Batista saiu do Rio sabendo que seria preso, por ANCELMO GOIS

Running away....
Eike, que deve chegar ao Rio por volta de 10h30m de hoje, no voo 973, da American Airlines, sabia da ordem de prisão quando foi para os EUA, dia 26. O mandado fora expedido dia 13. 

Procura-se

Aliás, de Nova York, onde se recupera de virose gastrointestinal, Marcius Melhem, um dos melhores artistas de sua geração, brinca: — Estou atento. Se eu encontrar o Eike, eu aviso à polícia.

LAVA JATO-- CÁRMEN LÚCIA HOMOLOGA AS 77 DELAÇÕES DE EXECUTIVOS DA ODEBRECHT, nas fôlhas


MINISTRA APROVA DELAÇÕES DA ODEBRECHT ANTES DA DATA PREVISTA

CONTRARIANDO EXPECTATVAS, A MINISTRA CÁRMEN LÚCIA AGIU RÁPIDO

Um dia antes da data prevista, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, homologou os 77 acordos de delação premiada da empreiteira Odebrecht.

Há dias, o procurador da República Deltal Dallagnol, em entrevista à Agência France Press, disse que essas doações deve duplicar o número de personalidades denunciadas e investigadas na Operação Lava Jato.

A ministra Cármen Lúcia preferiu não esperar a designação do novo relator da Lava Jato no STF, dando sequência às providências de oitiva dos delatores, para que confirmassem não terem sido coagidos a prestar depoimento, e para finalmente homologar o acordo.

A presidente do Supremo passou o fim de semana debruçada sobre os acordos de delação. O juiz-auxiliar Márcio Schiefler, braço direito do ministro Teori Zavascki, esteve no STF no sábado. Cármen e Schiefler têm mantido contato constante desde a morte do ministro. Ele assessorou a ministra na análise das delações.

O Supremo retoma os trabalhos após recesso na próxima quarta-feira (1º). Nesta segunda, a ministra vai definir a pauta de julgamento para a primeira sessão do plenário.

PRIMEIRO-MINISTRO CANADENSE DIZ QUE SEU PAÍS ESTÁ ABERTO A REFUGIADOS

TRUDEAU QUER MOSTRAR A TRUMP O ÊXITO DA POLÍTICA CANADENSE
JUSTIN TRUDEAU PUBLICOU UMA FOTO COM UMA MENINA REFUGIADA COM A HASHTAG #BIENVENUEAUCANADA (BEM-VINDA AO CANADÁ).
 FOTO: REPRODUÇÃO/TWITTER
No Twitter, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau afirmou que o país está aberto a todos que estão "sofrendo com o terror e guerra". "Diversidade é a nossa força. Bem-vindos ao Canadá", escreveu no sábado, 28.

Também na rede social, neste domingo, 29, o ministro dos Transportes do Canadá, Marc Garneau, afirmou que está em contato com os Estados Unidos para explicar o impacto de restringir viagens, assim como o próprio Trudeau já manifestou a intenção de apresentar o sucesso da política de refugiados canadense a Donald Trump.

O primeiro-ministro também publicou uma foto em que recebe uma criança síria no aeroporto de Toronto em 2015. Desde que ele assumiu o cargo, no segundo semestre de 2015, mais de 39 mil refugiados da Síria ingressaram no Canadá. 

Na sexta-feira, 27, Donald Trump assinou um decreto que impede a entrada nos Estados Unidos de cidadãos nascidos no Iraque, no Irã, no Sudão, na Síria, na Líbia, na Somália e no Iêmen. A medida inclui até mesmo pessoas com visto, inclusive o chamado "Green Card", que permite a residência no país. A determinação foi, contudo, suspensa sábado, 28, pela juíza federal de Nova York Ann Donnelly.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Empresário de estimação, por Mary Zaidan--Jornalista.

O foragido Eike Batista (Foto: Reuters)
Em março de 2010, o ranking de bilionários da revista Forbes anunciava um feito extraordinário: Eike Batista subira 53 posições em apenas um ano, tornando-se o oitavo homem mais rico do mundo. Um vencedor, um exemplo - “nosso padrão, nossa expectativa, o orgulho do Brasil”, segundo a ex-presidente Dilma Rousseff.

O então megaempresário, que já criara constrangimentos ao petismo – além de dívidas impagáveis que todos os brasileiros já estão pagando -, quebrou um ano depois dos elogios de Dilma. Agora, diante de um mandado de prisão, é uma bomba que pode detonar a qualquer momento. Daquelas que o alto comando petista preferia ver protegida pela cidadania alemã de Eike.

Assim como tudo que se refere a Eike, a história de sua prisão também é megalômana, digna de best-sellers. Envolve política e corrupção, milhares de dólares, ouro, fuga, dupla nacionalidade, Interpol. 

Alvo da operação Eficiência da Polícia Federal, Eike foi delatado por dois doleiros aos procuradores da Lava-Jato, no Rio de Janeiro. Apurou-se que ele pagou US$ 16,5 milhões de propina ao ex-governador Sérgio Cabral, hoje na penitenciária de Bangu. A transação teria sido feita em 2011, por meio de uma triangulação entre bancos do Panamá e do Uruguai, maquiada por um contrato de venda de uma mina de ouro.

Dois dias antes de o mandado de prisão ser expedido, Eike embarcou para os Estados Unidos – a negócios, segundo seus advogados – usando seu passaporte alemão. Simplesmente espetacular.

Como se sabe, Eike não está só.

Trazê-lo à tona pode fazer com que a Lava-Jato encaixe mais peças no sofisticado quebra-cabeça que tem revelado a institucionalização da corrupção no país desde as primeiras incursões do mensalão, vista hoje como um ensaio de amadores.

As palavras dele podem corroborar com informações coletadas em arquivos e delações de dirigentes de outras empresas pagadoras de propinas. Dinheiro farto para engordar campanhas eleitorais, assegurar maioria parlamentar, rechear bolsos, garantir conforto e delícias de inescrupulosos.

Mesmo que Eike nada fale, só a expedição do mandado de prisão escancara a criminosa associação da corrupção com a política de campeões nacionais, cuja conta, estima-se, supera R$ 200 bilhões, só no BNDES.

Dinheiro que garantiu o posto de homem mais rico do Brasil para Eike e fez a fortuna de escolhidos de Lula e Dilma. Dinheiro que não financiou milhares de empreendedores capazes de amenizar a crise e o desemprego. Dinheiro que está sendo pago por todos os brasileiros.

A lista dos amigos campeões não é extensa. São empresas frequentes no rol de escândalos ou de grandes devedores. Ou nos dois.

Nela, incluem-se empréstimos à criminosa confessa Odebrecht, à Friboi, enrolada com o José Carlos Bumlai, amigo de Lula, à Fibria e à Lactos Brasil. Também está a falida megaoperadora de telefonia Oi, que manteve negócios suspeitos com a Gamecorp de Fábio Luís, filho de Lula. E instalou uma estação de rádio base (Erb), antena exclusiva próxima ao sítio de Atibaia que Lula garante que não é dele, mas que, como no lobo da história infantil, tem olhos, focinho e boca que remetem ao ex.

Eike conseguiu torrar R$ 20 bilhões do BNDES.

Cinco meses depois de frequentar pela primeira vez o top ten da Forbes, o empresário de estimação do PT, a quem Lula conferiu privilégios de interlocução antes mesmo de fazer o seu primeiro discurso na ONU, arrematou em um leilão beneficente o terno que o ex usou na posse, em 2003. Pagou R$ 500 mil.

Queria moldar a imagem de empresário do bem. E, assim como Lula, usou o chapéu alheio.

Prepotência de Eike servia à corrupção, por Elio Gaspari- JORNALISTA

Sérgio Cabral, Eike Batista e Adriana Ancelmo (Foto: Governo do Rio de Janeiro / /Divulgação)
Em junho de 2011, o empresário Eike Batista admitiu que emprestara o seu jatinho Legacy ao governador Sérgio Cabral para que ele chegasse a um resort da Bahia para a festa de aniversário do seu amigo Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta.

Interpelado sobre a eventual impropriedade do mimo, Eike vestiu o manto de homem mais rico do Brasil, oitavo do mundo, e respondeu:

"Tive satisfação em ter colocado meu avião à disposição do governador Sérgio Cabral, que vem realizando seu trabalho com grande competência e determinação. Sou livre para selecionar minhas amizades, contribuir para campanhas políticas, trazer a Olimpíada para o Rio (...) e auxiliar a realização de diversos projetos sociais e culturais do Estado".

Batista exercitava a superioridade dos poderosos. Ele sabia a natureza de suas relações com o governador e tinha certeza de que esse segredo jamais seria rompido.

Entre 2009 e 2011 o casal Cabral voara 13 vezes nas asas de Eike, mas isso era apenas um aperitivo. Ele deslizara US$ 16,5 milhões para os bolsos de Cabral, sempre "com grande competência e determinação".

A sabedoria convencional leva as pessoas a acreditar que empresários muito ricos são também muito inteligentes. Os casos de Eike e de Marcelo Odebrecht mostram que às vezes a prepotência lhes embaça o raciocínio.

Eike não precisava ter assumido um tom principesco ao tratar do empréstimo do avião.

Da mesma forma, em 2014, ao ser incriminado na Lava Jato, Odebrecht deu uma lição de moral à imprensa: "A euforia de se publicar notícias de impacto em período eleitoral extrapolou o razoável. (...) Neste cenário nada democrático, fala-se o que se quer, sem as devidas comprovações, e alguns veículos da mídia acabam por apoiar o vazamento de informação protegida por lei, tratando como verdadeira a eventual denúncia vazia de um criminoso confesso e que é 'premiado' por denunciar a maior quantidade possível de empresas e pessoas".

Tanto no caso de Eike como no de Odebrecht, as suspeitas de 2011 e 2014 revelaram-se conversas de freiras. A verdade ia muito além. Para glória da Viúva, Marcelo Odebrecht e seus 77 executivos tornaram-se "criminosos confessos". Eike irá pelo mesmo caminho.

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

‘Quem achou que ia me ver pelas costas se enganou’, por Vera Rosa e Tânia Monteiro--Jornalistas

Comentário judicioso---a certeza da impunidade alimenta a ironia...
Homem forte do governo Temer, Padilha ironiza adversários que torcem por sua queda e ameniza efeitos da Lava Jato
Eliseu Padilha 
O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, amenizou o efeito das delações premiadas de executivos e ex-diretores da Odebrecht sobre o Palácio do Planalto e disse que permanecerá no cargo. “Eu lastimo que todos aqueles que pensavam que iam me ver pelas costas tenham se enganado”, ironizou, em entrevista ao Estado.

A frase do ministro, homem forte do governo, foi um recado aos adversários. Citado como “preposto” do presidente Michel Temer no anexo da delação do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho, Padilha afirmou que não se manifesta sobre o que “não existe”, pois nada ainda foi homologado.

Pela sua contabilidade, o número de candidatos à cadeira do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki – relator da Lava Jato morto em acidente aéreo no dia 19 – já “passa de 30”. O chefe da Casa Civil disse que Temer está à procura de um “perfil técnico”, como o de Zavascki, mas não descartou a possibilidade de alguém do governo ocupar a vaga.


Contratos com a União ampliam fortuna de Eunício Oliveira, por Fábio Fabrini--Jornalista


Eunício Oliveira (Foto: Moreira Mariz / Agência Senado)
Segundo senador mais rico no exercício do cargo, com um patrimônio declarado de R$ 99 milhões em 2014, Eunício Oliveira (PMDB-CE) ampliou sua fortuna fechando negócios com o governo federal, enquanto exercia funções públicas. 

As duas principais empresas do peemedebista, favorito na eleição para a presidência do Senado, marcada para a próxima quarta-feira, têm contratos de R$ 703 milhões com bancos controlados pela União. O valor corresponde aos pagamentos previstos entre 2011 e 2019, período que coincide com o mandato do peemedebista.

A Confederal e a Corpvs, que prestam serviços de vigilância, limpeza e transporte de valores, integram a holding Remmo Participações, na qual o senador tem 99% de controle, conforme sua declaração de bens mais recente à Justiça Eleitoral. 
O Banco do Brasil pagará às empresas R$ 542,8 milhões por serviços contratados em dez Estados e no DF, entre 2015 e 2019. 
A Caixa, que tem parte da cúpula loteada pelo PMDB, vai desembolsar outros R$ 147 milhões entre 2011 e 2019. O Banco Central fechou outro contrato, de R$ 14 milhões, entre 2014 e 2017.

Somam-se a essas cifras os valores pactuados com diversos outros órgãos da administração direta, a exemplo do Ministério da Saúde e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que renderam R$ 70 milhões à Confederal nos últimos dois anos.

Eike procurou MP para delatar; mas da missa não contou um terço , por ANCELMO GOIS

Businessman Eike Batista, left, and Rio de Janeiro's governor Sergio Cabral in a photo from 2009. Picture: AP
Salve-se quem puder !!!!
+ aqui---FUGITIVE HUNT

Foi, como se sabe, a partir de delações espontâneas ao Ministério Público — dos irmãos e doleiros Renato Hasson Chebar e Marcelo Hasson Chebar — que detonaram a ação policial contra Eike Batista e Cabral. Como já saiu aqui, uma multidão de empresas e pessoas que já fizeram negócio sujo com algum encrencado na Lava-Jato tem batido na porta do MP para delatar — antes de ser deletado. Eike fez isso. Só que, na época, da missa não contou um terço. 
Aliás, os telefones do MP federal são: em Brasília (61) 3105-5100; no Paraná, (41) 3219-8700; e no Rio, (21) 3971-9300.

"GRILAGEM" PROCURADOR DIZ QUE GOVERNO DE MATO GROSSO AGE EM FAVOR DE ELISEU PADILHA AE)

Comentário policialesco---...olhem que Padilha já foi nome respeitado pela bandidagem.....carioca!

EMPRESA DE MINISTRO DA CASA CIVIL É ALVO DE AÇÃO POR CRIME AMBIENTAL
O MINISTRO FOI ALVO DE UMA AÇÃO DO MP QUE APONTA A PARTICIPAÇÃO DE UMA DE SUAS EMPRESAS EM DESMATAMENTOS, PECUÁRIA IRREGULAR E ALOJAMENTOS PARA TRABALHADORES RURAIS EM CONDIÇÕES DEGRADANTES (FOTO: MARCELO CAMARGO/ABR)
O procurador-geral de Justiça em exercício de Mato Grosso, Luiz Alberto Esteves Scaloppe, acusou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), e o governador Pedro Taques (PSDB) de atuarem para tentar reverter uma ação do Ministério Público do Estado por crime ambiental. Padilha e seus sócios tiveram cerca de R$ 180 milhões bloqueados em bens bloqueados no processo.

"Quem invade indevidamente é grileiro, é assim que a gente chama", disse Scaloppe sobre Padilha em uma entrevista à imprensa em Cuiabá anteontem.

O ministro foi alvo de uma ação do MP que aponta a participação de uma de suas empresas em desmatamentos, pecuária irregular e alojamentos para trabalhadores rurais em condições degradantes no Parque Estadual Serra de Ricardo Franco.

Scaloppe acusa o governo mato-grossense de ter colocado a Procuradoria-Geral do Estado a serviço da defesa de interesses particulares do ministro. O governo conseguiu derrubar uma liminar que obrigava o Estado a adotar providências para a efetiva regularização do parque estadual.

"Considero uma indignidade o governo do Estado de Mato Grosso agir em defesa de interesses privados em detrimento do bem público relevante que é o Parque Serra de Ricardo Franco", disse o procurador. A tensão entre o MP, Padilha e o governador começou após uma reunião convocada pelo governo com a promotora que atua no caso, Regiane Soares Aguiar.

"Quando saímos do Palácio do Governo, a doutora Regiane me disse: tem alguém muito forte por trás, porque é muita dedicação. E quando vimos era realmente a Presidência da República, ou alguém que está na Presidência movendo seus pauzinhos", afirmou o procurador.
Andamento
Segundo Scaloppe, após a ação proposta pela promotora contra uma empresa que tem Padilha como sócio, as coisas começam a acontecer. "Pressões, reações, ações do governo. Isso é lamentável", disse o procurador de Justiça.

"O ministro Padilha está ocupando irregularmente o parque, que é uma unidade de conservação. Deduzo que ele não tenha consciência ambiental de que está fazendo isso, além das pressões, que temos notícias, que ele faz para permanecer no parque. O que melhor faria o ministro, para dar um exemplo nacional, era aceitar o Termo de Conduta oferecido pelo parque, é bom que se entenda isso. Nesse acerto ele daria um exemplo de que iria cumprir as normas, de acordo com a Constituição e as leis brasileiras", afirma Scaloppe.

Ontem, o Ministério Público estadual protocolou agravo de instrumento na tentativa de reverter a decisão que suspendeu os efeitos da liminar que obrigava o Estado de Mato Grosso a adotar providências para a efetiva regularização do Parque Serra de Ricardo Franco.

Situado no extremo oeste do Estado, no município de Vila Bela da Santíssima Trindade, na fronteira com a Bolívia, o Parque Serra de Ricardo Franco é uma Unidade de Conservação com 158 mil hectares e possui ambientes de floresta com espécies arbóreas de grande e pequeno porte e de cerrado que ocupa a maior parte da sua área, além de ambientes de Pantanal ao longo do Rio Guaporé que compõe sua zona de amortecimento.

Segundo o Ministério Público, desde a sua criação, no ano de 1997, até os dias atuais, foram desmatados mais de 19.998,52 hectares de área verde na Serra de Ricardo Franco.

Defesa. 
Questionado, Padilha afirmou, em nota, "não ter nada a declarar, pois o fato alegado não existe".

O secretário da Casa Civil de Mato Grosso, Paulo Taques, negou que a PGE tenha trabalhado em favor do ministro ou de qualquer outro proprietário. "Os proprietários também recorreram", disse. Paulo Taques defendeu as ações e negou qualquer tipo de pressão vindo da presidência. "O Estado não olhou nomes ao atuar na questão", afirmou. Em dezembro de 2016, durante reunião com agricultores, Paulo Taques afirmou considerar a decisão da Justiça absurda e irresponsável. Na ocasião avisou aos proprietários que a PGE entraria com um pedido de suspensão: "Com o pedido está a liminar para suspender os efeitos destas decisões que estão atingindo a cada um de vocês", disse na ocasião.

O procurador-geral do Estado, Rogério Gallo, negou que o órgão que chefia tenha atuado em defesa de interesse do ministro na ação.

Outra ação. 
Padilha também é alvo de ação que contesta a posse de uma propriedade que ele reivindica em Palmares do Sul, no litoral do Rio Grande do Sul.

O ministro da Casa Civil disputa uma área de 1.929 hectares, o equivalente a 12 parques do Ibirapuera, com a empresa Edusa Edificações Urbanas, do empresário João Perdomini.

O terreno fica numa região de dunas, de frente para o mar, cobiçada por empresas do setor elétrico por ser ideal para construção de um parque eólico. O ministro afirma que reivindica a área por usucapião. (AE)

A IRREVERSÍVEL LAVA JATO, POR FERNANDO GABEIRA


A morte de Teori Zavascki aconteceu de uma forma que aciona dúvida do tipo que existe desde o Descobrimento: intencional ou por acaso? Como isso se resolve ao cabo de uma rigorosa investigação, o foco, a meu ver, é o destino da Operação Lava Jato. Ela deve prosseguir com o mínimo de atraso possível.

A delação da Odebrecht abalou a vida política de muitos países latinos. Em alguns deles já houve não só prisões, como também a decisão de expulsar a empresa.

Sou moderadamente otimista quanto ao futuro da Lava Jato. Homologar a delação não é complicado: apenas confirmar se os delatores falaram sem pressão e avaliar a redução das penas. Felizmente, a decisão de prosseguir os trabalhos com a equipe de Teori e a possibilidade de Cármen Lúcia, ela mesma, homologar resolvem o problema imediato.

Em outro plano está a escolha do novo relator. Tenho lido inúmeras possibilidades e a que mais temo é um sorteio como se todos estivessem no mesmo plano. Seria um pouco como levar a Lava Jato a uma decisão por pênaltis, em que tudo pode acontecer.

Francamente, grande parte das pessoas que foram às ruas acha que Lewandowski e Dias Toffoli, caso escolhidos, soltariam todo mundo e ainda mandariam prender quem acusou.

O caminho ideal seria um processo de negociação no qual o Supremo encontre um nome que se aproxime das posições de Teori e tenha credibilidade quanto à sua isenção. Esse é o caminho ideal, mas com base na realidade. A ideia do sorteio seria uma realidade baseada na ilusão de que todos, igualmente, apoiam a Lava Jato.

A terceira dimensão do problema: a substituição de Teori. O novo ministro terá de passar por uma sabatina no Senado: precisa mostrar firmeza diante de um Congresso que vê a Lava Jato como um perigo. Na tentativa de sabotá-la, o Congresso só produziu trapalhadas noturnas.

A Lava Jato tornou-se, sobretudo por causa da delação da Odebrecht, uma esperança continental de punir os políticos corruptos e desmontar seus vínculos com as empreiteiras. Pelo que ouço e vejo nos outros países, era algo de que sempre suspeitavam. Alguns jornalistas e mesmo procuradores já até haviam denunciado. Mas com a Lava Jato as coisas chegam na forma de provas, delações premiadas, agora, sim, é possível jogar areia na engrenagem.

Essa possibilidade animadora é uma contribuição da Lava Jato, que, por sua vez, está ligada à imagem do próprio Brasil. A exportação dessa esperança foi a melhor mensagem que o País enviou para o continente, num período em que tantas desgraças acontecem aqui, das decapitações à febre amarela.

Foi por acaso, pode-se argumentar. Aí voltaríamos às origens com a mesma pergunta do Descobrimento.

Por acaso ou intencional, a Lava Jato trouxe para o Brasil respeito em outros países. Às vezes esse respeito, como entre os empresários reunidos em Davos, é acompanhado de preocupação: a Lava Jato está sendo boa ou não para o mercado?

A criação de uma atmosfera de negócios com menos corrupção, mais segurança jurídica, em médio e a longo prazos, é uma grande vantagem que as pessoas com visão muito imediata nem sempre compreendem. Para muita gente, atrasar ou até melar a Lava Jato é um sonho de consumo. No entanto, a maioria do País considera o processo saudável e irreversível.

Duas razões me fazem duvidar da tese de atentado, no caso de Teori. Uma é a situação climática e as condições geográficas do aeroporto de Parati e, de certa maneira, também os de Angra dos Reis e Ubatuba. A outra é o próprio avanço da operação. Ela pode ser retardada, mas dificilmente neutralizada, como foram tantas outras no Brasil.

Não creio que os interessados em bloquear o processo ousem enfrentar o País de cara aberta. Estão sujeitos não só à prisão, porque muitos são investigados, mas também a um lugar vergonhoso na história.

Exceto o PT nos seus tempos de governo, são raros os que ousam defender a corrupção em nome de um ideal superior. Mesmo o Renan Calheiros, que gostaria de liquidar a Operação Lava Jato, publicamente a considera “sagrada”.

Posso parecer ingênuo. Mas procuro estar atento a todas as possibilidades num país com grande riqueza de expedientes sospechosos.

Quando Gilmar Mendes, num discurso no Congresso, praticamente ignorou a importância da Lava Jato, não deixei de criticar. Considero-o um juiz capaz e bem formado. 
No entanto, ignorar a maior operação de todos os tempos, com a mais ampla delação premiada, o maior volume de retorno do dinheiro roubado, mais influência positiva na vida dos outros países do continente, pareceu-me um movimento estranho.

E, mais ainda, ignorar que a lei de abuso de autoridade seria votada por um Congresso que tem um recorde histórico em número de investigados também é muito esquisito. No entanto, seu confronto com procuradores pode ter incluído um elemento de paixão, o que elimina as piores suspeitas.

A Lava Jato definiu um campo claro, pelo qual vale a pena lutar, sobretudo para quem não pretende deixar o Brasil.

A definição de um campo não significa maniqueísmo. Críticas à Lava Jato, aspiração por uma lei de abuso de autoridade, tudo isso pode acontecer e, às vezes, acontece entre pessoas que desejam um País melhor. 
No entanto, aquela conversa telefônica do Romero Jucá com o Sérgio Machado, na qual falavam em estancar a operação, com a ajuda do Temer, talvez não fosse repetida hoje. 
Tanto Jucá como Machado devem ter percebido que os inimigos da Lava Jato perderam o timing.

Ingênuo ou mesmo otimista, sigo acreditando que, apesar das desgraças que nos envolvem, será possível melhorar a atmosfera política a partir do legado da Lava Jato. Minha suposição é de que chegamos a um ponto em que não adianta matar ninguém para deter o processo: ele foi assumido pela Nação, não se mata a esperança nacional com um simples atentado.
Fernando Gabeira--escritor, jornalista e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro.

O navegador do futuro já está aqui e se chama Neon, por JOSÉ MENDIOLA ZURIARRAIN


Revolucionário protótipo apresenta um ‘browser’ com aspecto de sistema operacional 
Aspecto do novo navegador Opera Neon.
Até há pouco tempo, a potência de um computador se media pela capacidade de seu hardware e a memória. Eram épocas em que a conexão à Internet não era tão difundida como é agora e a maioria dos trabalhos se realizava nele. 
Mas agora tudo mudou e a nuvem se impôs com autoridade, até o ponto em que o Google optou por apresentar uma plataforma, a Chrome OS, “um sistema operacional feito para a rede” como eles mesmos definem. 
Agora, a Opera acaba de dar um importante passo nessa mesma direção apresentando um protótipo de navegador totalmente diferente de tudo o visto até hoje: o Neon.

O que é o Neon exatamente? A definição mais lógica seria a de navegador, e não resta dúvida de que o é, mas na realidade a Opera vai muito mais longe. Essa aposta oferece ao usuário, na verdade, uma interface no modelo de plataforma sobre a qual os elementos (todos eles objetos na rede), são tratados visualmente como se fossem aplicativos. Esse enfoque é exatamente o mesmo que o proposto — com notável sucesso, diga-se de passagem — pelo Google e seus Chromebooks (os notebooks que equipam o sistema operacional na nuvem). E não restam dúvidas de que tem suas vantagens.

Você já se sentiu em algum momento agoniado com a quantidade de janelas abertas ao realizar algum trabalho? O pior não é só a sensação de agonia e excesso, mas essa disposição também consome recursos e o sistema pode ficar mais lento. Nesse sentido, a primeira medida da Opera foi transformar todas essas páginas abertas em bolhas que ficam minimizadas na tela sem realmente incomodar. Mas vão muito mais além: o Neon oferece uma ilha na parte central da tela na qual podemos colocar as bolhas que utilizamos com mais frequência.A primeira coisa que chama a atenção ao se instalar o Neon é a simplicidade e a limpeza visual: na tela praticamente não há mais elementos além de um enorme campo de buscas de onde se inicia a aventura. A Opera, de qualquer forma, teve a lembrança de deixar ao usuário bolhas flutuando na parte central da tela com diferentes redes e serviços muito populares (Facebook, Mashable, etc.) para nos dar uma dica de como funciona exatamente o Neon. Do ponto de vista do usuário, o mais importante é mudar os hábitos e esquemas mentais dos navegadores anteriores: isso é outra coisa.

Tela do Neon.
É aqui que a Opera combina sabiamente o conceito “janela” com o de “aplicativo”: o Neon trata as redes como aplicativos e é uma forma inteligente de manipulá-las uma vez que, na realidade, em 99% das situações trabalharemos com o computador conectado à Internet. Chegando a esse ponto e transcorridos poucos minutos de uso, o usuário se verá capaz de criar seus próprios apps com os sites visitados com mais frequência: Facebook, YouTube, o e-mail... o melhor do assunto é que o Neon permite também criar ícones com links específicos, de modo que podemos ter uma bolha de esportes e outra de política de um mesmo jornal.

O enfoque conquista em muito pouco tempo quem realmente quer simplicidade e eficácia no uso do computador, mas além disso a Opera acrescenta a todos esses ingredientes sua marca própria: uma velocidade de navegação alucinante que facilita muito a experiência de uso. Defeitos do Neon: Muitos, mas centrados basicamente no fato de que se trata de um protótipo inicial sobre o qual se acrescentarão complementos. O Neon não só chegou para ficar como quer também ser o centro do trabalho de seu computador, até o ponto em que camufla a tela de fundo do navegador utilizando a mesma imagem do escritório, algo que pode chegar a confundir. Essa é a ideia, na verdade.

DEEP WEB Os melhores motores de busca para mergulhar na ‘internet oculta’, por JOSÉ MENDIOLA ZURIARRAIN

Estes sites permitem acessar o ‘lado B’ da internet

Gráfico da 'deep web'. REZONANSOWY/WIKIPEDIA

Embora a internet já nos pareça insondável, talvez você não saiba que há uma gaveta oculta, uma área não descoberta, que alguns dizem é até 500 vezes superior à rede das redes. Estamos falando da deep web ou internet profunda, essa zona fora de controle à qual APENAS uma pequena parte dos usuários tem acesso, porque fica fora do uso habitual da rede. Trata-se de uma parte da internet cuja característica principal é que não existe um rastreamento pelos motores de busca (o Google e outras ferramentas de pesquisa mal cobrem uma mínima dela) e, claro, o anonimato é rei: o usuário é um número a mais, a não ser que queira se identificar voluntariamente.

A deep web tem sido vinculada com atividades criminosas e conteúdo proibido, embora, na verdade, não tenha de ser assim: as páginas existentes nesta web simplesmente desviam os bots rastreadores dos principais motores de busca e ficam em uma espécie de limbo que só é acessível usando outros motores de busca. Mas é verdade que este anonimato e falta de controle têm alimentado a internet profunda de todos os tipos de conteúdo ilegal e criminoso, que são os que lhe deram verdadeira fama. É um lugar oculto e imenso, mas como é possível acessá-lo?

A primeira coisa a fazer é instalar um navegador compatível: o principal conteúdo desta rede anônima está sob o domínio “.onion”, que não pode ser acessado pelos navegadores convencionais. Apesar de existirem várias maneiras de acessar a internet profunda, a mais simples é instalar o navegador TOR, sigla em inglês para The Onion Router, que se refere ao tipo de rede nas conhecidas “redes de cebola”, que protegem o anonimato do usuário. Com o TOR instalado no computador, não é preciso fazer mais nada e já se tem acesso a esse mundo paralelo.

Uma vez dentro dessa rede fora de controle, o próximo desafio é saber como encontrar o conteúdo e, por isso, a melhor solução é acessar o The Hidden Wiki, um diretório que mostra uma infinidade de links organizados por categorias. Em questão de minutos, o usuário estará mergulhando em vários sites fora de controle, uma rede paralela, sem filtros, na qual se pode encontrar absolutamente tudo.
O passeio pela deep web, além de ser obscuro em todos os sentidos do termo, é lento, lentíssimo até a exasperação, e é assim por uma razão. A conexão é anônima e, para que isso seja assim, a informação viaja de nó em nó aleatoriamente nos mencionados nós de cebola.

Carta de Buenos Aires: O muro de Macri, porGabriela G. Antunes--Jornalista

O argumento do governo é que a imigração teria uma influência direta na criminalidade. Mito ou não, é comum ver argentinos culpando estrangeiros pela marginalidade
Los inmigrantes, obra do pintor argentino Rodolfo Campodónico 
Dizem que a América Latina olha para cima e não para os lados. Os internacionalistas usam o termo “alinhamento automático” com os Estados Unidos para explicar a estreita relação ideológica, política e econômica que esses países costumam manter com a nação do norte. 

Coincidência ou não, nem bem os resultados da eleição nos Estados Unidos foram anunciados, o presidente da Argentina Mauricio Macri levantou uma bola que não era levantada há muito tempo no país, se é que já foi tema alguma vez da pauta prioritária de governo. 

Conhecida como generosa, a política imigratória argentina foi responsável pelo fluxo de muitos habitantes de países limítrofes, para a Argentina. Se bem que o país não conta com a pujança econômica dos países do norte, a universalidade de direitos como saúde, educação e saneamento básico atraiu, durante muitos anos, pessoas naturais do Peru, Paraguai e Bolívia, e muitos brasileiros, chilenos e colombianos, também seduzidos pela qualidade do sistema de ensino superior do país. 

Isso tudo parece estar mudando. O primeiro argumento do governo é que a imigração teria uma influência direta na criminalidade. Mito ou não, é comum ver argentinos culpando estrangeiros pela marginalidade em Buenos Aires, pois muitos imigrantes moram nas favelas da capital. Racismo, xenofobia ou um trabalho de estatística que reitera o argumento, o curioso é que o contexto se aproxima da retórica do recém empossado presidente dos Estados Unidos.

As primeiras medidas incluem um decreto a ser assinado por Macri que prevê a deportação de estrangeiros com ficha criminal no país. O que mais chama a atenção é o prazo para recorrer da deportação: três dias úteis.

Adicionalmente, as empresas aéreas terão que informar os nomes dos passageiros que ingressam no país até pelo menos meia hora antes da decolagem, decisão que já foi tomada. O objetivo é saber se o viajante tem antecedentes criminais. 

Na primeira entrevista do ano na Casa Rosada, Macri já havia dito que queria atuar “preventivamente”, mostrando que o assunto tem importância na agenda, e que o governo julga que essas medidas irão auxiliar o combate, principalmente, do narcotráfico no país. Para Macri, é “um absurdo” um processo de extradição levar “oito anos”. 

A política de imigração é regida pela Lei argentina de número 25.871, vigente desde 2003. A lei estabelece que a situação irregular de um imigrante não pode impedí-lo de ser admitido como estudante e que não se pode negar a um estrangeiro o direito à saúde e ao bem-estar.

Macri pode estar construindo o primeiro muro ideológico em um país conhecido pela generosidade imigratória.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Mi5 da Xiaomi, o smartphone chinês que combina alta tecnologia e baixo preço, por ROSA JIMÉNEZ CANO

Xiaomi volta a surpreender com o primeiro modelo acessível com o chip Snapdragon 820---Barcelona 25 FEV 2016T

MI5 de Xiaomi, alta gama e baixo preço.
Como uma autêntica estrela, apareceu Hugo Barra em um patinete elétrico, um Hoverboard chamativo que sua empresa chama de Ninebot, circula com velocidade de 16 quilômetros por hora e pode chegar a 20 km/h. O ex-executivo do Google, que se transformou no símbolo internacional da Xiaomi, atuou como mestre de cerimônias na última grande apresentação da Mobile World Congress (MWC), feira de tecnologia móvel realizada em Barcelona. A fabricante chinesa, cujos consumidores mais parecem fãs, revelou sua aposta para 2016. Com razão, esperaram até o terceiro dia do evento para conseguir a atenção desejada.

O telefone Mi5 estará à venda na China na semana que vem. Será o primeiro celular equipado com o processador mais potente do momento, o Snapdragon 820 — de fato, o diretor-presidente da Qualcomm estava na apresentação —, por cerca de 1.500 reais. Custa menos da metade do que os outros modelos apresentados na feira com o mesmo núcleo.

O aparelho inclui uma bateria 3000 mAh em um dispositivo que pesa 129 gramas. Uma maravilha da engenharia cuja chegada em outros países além da China ainda é um mistério. Ao contrário da One Plus, na Xiaomi não são usados convites para controlar a demanda, mas sim suas próprias lojas on-line. Embora a empresa se recuse a falar sobre o assunto, o setor dá como certo que a unidade de telefonia móvel não é rentável, ao contrário de seu universo de acessórios: câmera de ação, uma pulseira que mede a atividade física, o patinete, um humidificador, fones de ouvido sofisticados...

A Xiaomi não é resultado de um milagre, e sim um caso peculiar. A empresa, fundada em 2010, se define como uma startup. Barra chegou do Google em 2013, onde liderava o grupo do sistema Android. Desde então, a empresa subiu para o primeiro lugar na China em seu segmento e já é a quinta maior do mundo. No ano passado, vendeu 70 milhões de celulares. Ao mesmo tempo, a Xiaomi é a marca número um do mundo em vendas de baterias externas, esse acessório desconfortável e útil que recarrega a vida do celular.

"O software e os serviços consomem quase todo nosso investimento, contamos com mais de 700 pessoas, mais do que o grupo de hardware", revelou Barra, para reforçar o valor do Miui, seu sistema operacional. Ao contrário da Apple, o software da empresa chinesa funciona com outros modelos Android. É compatível com 347 modelos de 96 fabricantes diferentes. A nova atualização é compatível com o 6.0 do Google. Até reconheceu parte de seu segredo: "O importante não é o número de celulares que vendemos, mas sua atividade. Nosso lucro depende disso, de que nosso sistema operacional seja usado".

O Mi5, protagonista do dia, também é equipado com uma antena 4G de última geração e conexão WIFI de até 100 megabytes. Apesar da fina espessura, tem um sensor de impressão digital frontal, disponibilizado pela primeira vez pela fabricante chinesa, e um chip NFC para pagamentos.

A tela de 5,15 polegadas do Xiaomi exibe qualidade, mesmo sob luz solar direta. A câmera é fabricada pela Sony, com 16 megapixels, e conta com um estabilizador óptico de quatro eixos. A frontal, com sensor luminoso, tem quatro megapixels.

ANO NOVO CHINÊS==O que é o Ano do Galo de Fogo?, por MACARENA VIDAL LIY

Uma sexta parte da Humanidade celebra a chegada do novo ano lunar
Ensaio para as celebrações do Galo de Fogo em Pequim. HOW HWEE YOUNG EFE


O Ano Novo chinês, também conhecido como Festa da Primavera (“chunjie”, em mandarim), é festejado de acordo com o calendário lunar, por isso muda de dia todos os anos. Em 2017 será em 28 de janeiro. As celebrações durarão 15 dias, até 11 de fevereiro, quando este período festivo se encerrará com a Festa dos Faróis.

Por que este ano é o do Galo?
O horóscopo chinês é formado por ciclos de doze anos. A cada um corresponde um animal. O Galo é o décimo no ciclo, precedido do Macaco. O ano de 2018 será o do Cachorro. Cada ciclo é governado por um entre cinco elementos: o fogo, a terra, o metal, a água e a madeira. Outros anos passados do Galo foram 2005, 1993, 1981, 1969 e 1957.

Como são as pessoas nascidas no ano do Galo?
Os especialistas em “feng shui” chineses afirmam que são gente trabalhadora, embora possam parecer vaidosos em um dado momento. Entre as famílias chinesas o galo é considerado um período menos auspicioso para um bebê que o do dragão ou do porco, mas mais que o do tigre ou da cabra.

Os especialistas alertam, porém, que o ano do animal sob cujo signo se nasce costuma ser uma época de má sorte. Este ano os “galos” serão desafortunados. Uma maneira de evitar isso, segundo o costume, é vestir roupas vermelhas, especialmente as peças íntimas.

Como é festejado na China?
A tradição dita que as famílias se reúnam no lar tradicional e compartilhem um jantar na véspera, para aguardarem juntas a entrada do ano. São comuns os pastéis recheados de carne, preparados em forma de lingotes de prata, ou o peixe servido inteiro. A palavra “peixe” em mandarim (“yu”) tem um som semelhante a outra palavra que designa abundância. Os bolinhos doces de arroz simbolizam a unidade da família.

É também o momento de limpar a casa para receber o novo ano: as portas de entrada das residências são decoradas com inscrições em cor vermelha — que é a da felicidade, na cultura chinesa —, desejando prosperidade e boa sorte.

No dia do Ano Novo as crianças chinesas recebem envelopes vermelhos (“hongbao”) com dinheiro e desejos de boa sorte. A tradição se atualizou e há alguns anos é cada vez mais comum que os envelopezinhos vermelhos sejam enviados eletronicamente.

Em que outros lugares se festeja o Ano Novo lunar?
Aproximadamente um sexto da população mundial o comemora. Na Mongólia é conhecido como Tsagaan Sar; na Coreia, Seollal; Losar no Tibete e Tet no Vietnã.