quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

TURISTA DE 86 É TRATADA COMO BANDIDA NA ALFÂNDEGA DO GALEÃO, por André Brito

SOMOS O ÚNICO PAÍS A MALTRATAR NACIONAIS QUE VOLTAM DE VIAGEM

A advogada Mariana Cavalcante e sua avó de 86 anos, que estava em uma cadeira de rodas, foram tratadas como se fossem criminosas, na alfândega do Galeão (RJ). Em relato no Facebook, Mariana conta que voltava de uma viagem de duas semanas à Índia quando avisaram que fariam uma vistoria em suas bagagens, quando o "terror psicológico" segundo ela, teve início. Ela diz ter sido alvo de "deboches, grosserias e sarcasmo" de uma auditora, Maria Lúcia Lima Barros, durante mais de quatro horas sem solução, pois a auditora teria dito que "precisaria de muito tempo para firmar sua convicção e apontar os valores eventualmente devidos".

O Brasil é o único país que trata mal seus nacionais que retornam de viagens ao exterior. Em princípio, todos parecem ser considerados suspeitos de contrabando e, frequentemente, são submetidos a revistas de suas malas, em situações muitas vezes humilhantes. É só viajar ao exterior para observar que não há nada semelhante em qualquer país democrático.

Esse tipo de tratamento é um dos entulhos do regime militar que acabou há décadas, desde o final dos anos 1980. "O Estado parece considerar brasileiros que viajam ao exterior como infratores", desabafa um médico brasileiro que retornava de breve viagem com a família a Nova York. 
Há relatos sobre atitudes, nos postos de alfândega, que sugerem outra coisa, mais pessoal. "Tem funcionário que nos trata como se estivesse com raiva, com inveja da gente", observa uma senhora que retornou ontem de viagem a Miami com a filha e os netos.
Auditora Maria Lucia
Lima Barros-facebook
'Faz parte do show'
Segundo funcionários do aeroporto e testemunhas, a situação vivida por Mariana e a avó seria corriqueira, quando Maria Lucia está de serviço. Mariana afirma que os funcionários pediram calma por várias vezes, dizendo que a atitude da auditora fazia parte do "show", pois a cada voo um passageiro era "eleito e assediado por ela".
As duas só foram liberadas após Mariana deixar suas bagagens "sob custódia" da auditora, para "posterior verificação" do imposto devido e do pagamento de R$1.500,00 pelo fato de a idosa que não aceitar deixar seus pertences no aeroporto. Mariana disse ter conseguido a liberação das bagagens junto a uma supervisora da Receita Federal quando retornou ao local, dois dias depois. Indignada, disse que denunciará a auditora à Receita, além de processá-la por danos morais, e ainda cogita uma ação judicial na esfera criminal.
Em sua resposta, por sua assessoria, a Receita Federal faz opção pelo corporativismo, sem uma única palavra sobre a atitude denunciada da auditora. 
A Receita tenta justificar o fato alegando que mãe e filha teriam sido "selecionadas para vistoria" depois que as bagagens passaram pelos aparelhos de raio-x e foram identificadas "muitas roupas" inspiradas na moda indiana. Segundo o órgão, os itens sem etiquetas “pareciam pertencer a griffes indianas de alto padrão".
A auditora da receita também imaginou que "algumas peças pareciam bordadas com fios de ouro”, um exagero. A nota da Receita se limita a dizer que "cortesia e respeito aos passageiros sempre são comportamentos exigidos dos servidores, que são treinados nas competências técnicas para atuação na função".

FORO PRIVILEGIADO: PONDO OS PINGOS NOS IS, por SANDRA STARLING

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Em simultâneo--Especialidade do Congresso Brasileiro

A muitos, certamente, já ocorreu a seguinte indagação: por que os processos da operação Lava Jato que estão sob a alçada do juiz Sergio Moro são julgados rapidamente, ao passo que aqueles que se encontram no Supremo Tribunal Federal andam em ritmo de tartaruga?

Sabemos que o ilustre magistrado de primeiro grau está liberado para dedicar-se exclusivamente aos processos da Lava Jato. Por outro lado, o ministro Teori Zavascki, relator dos casos da mesma operação que envolvem políticos com foro privilegiado que se encontram no STF, tem de lidar ainda com os inúmeros feitos, de toda natureza, que envolvem questões constitucionais.

O mais adequado seria que o STF só viesse a ser acionado, como instância derradeira, se a Corte admitisse recursos extraordinários. Há muito o decano do STF, Celso de Mello, vem sustentando que só deveriam ser julgados, em única instância, por aquele mesmo tribunal, os sujeitos políticos que formam a linha sucessória da chefia de Estado: o presidente e o vice-presidente da República, o presidente da Câmara dos Deputados, o presidente do Senado Federal e o presidente do próprio STF. Todos os demais agentes públicos, como qualquer cidadão, seriam submetidos ao juízo natural. Já vi pronunciamentos de outros ministros favoráveis à tese, que é polêmica: como reagiriam, por exemplo, os magistrados dos tribunais superiores? E os comandantes das Forças Armadas? Mas, inequivocamente, a iniciativa vai ao encontro de um dos mais nobres fundamentos republicanos: a igualdade perante a lei.

O curioso nessa história é que, em face das jornadas de protesto ocorridas em junho de 2013, o senador Alvaro Dias, então no PSDB, apresentou, em 4 de julho, um requerimento de tramitação em rito sumário para a Proposta de Emenda à Constituição 10, de sua autoria, apresentada em março daquele ano, pela qual se extinguiria o foro privilegiado. Escolhido como relator da matéria o senador Walter Pinheiro, então no PT, havia condições para a matéria ser aprovada rapidamente. Mas os protestos foram arrefecendo, e, exatamente um mês depois, o mesmo Alvaro Dias propôs que a matéria voltasse à tramitação normal na Comissão de Constituição e Justiça. O relator, por sua vez, nunca chegou a apresentar sua análise da matéria, em que pese sua importância, apesar de o regimento interno do Senado prever que esse tipo de proposta deve ser examinado em 20 dias contados de sua apresentação. Ao fim e ao cabo, ao término da legislatura, em dezembro de 2014, o relator devolveu a proposição sem parecer. Novo relator foi designado, mas logo desistiu. E desde março deste ano está com o senador Roberto Rocha para emitir parecer.

Há poucos dias, o senador Alvaro Dias cobrou celeridade na apreciação dessa sua proposição. Nada mais justo. Mas deveria, antes, fazer um mea-culpa por sua responsabilidade de, no dia 6 de agosto de 2013, ter atravancado a tramitação do projeto, que, como dito, é de sua própria autoria. A democracia e o republicanismo têm dessas coisas... Sempre é preciso pôr os pingos nos is.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Situação financeira do Rio ficará ainda pior próximo ao Natal, por ANCELMO GOIS


Luiz Fernando de Souza, ( acima) mais conhecido como Luiz Fernando Pezão(Piraí, 29 de março de 1955), é um político brasileiro filiado ao PMDB, atual governador licenciado do Estado do Rio de Janeiro.
‘Apocalypse now’
 A situação financeira do Estado do Rio, que já está ruim agora, deve ficar péssima no período natalino. 

Outra... Há uma articulação, mais política que médica, para Pezão não reassumir este ano.

Comentário desolado--administrar é ser (era?!) e praticar RESPONSABILIDADES. 
Mas, atualmente, os políticos delas (responsabilidades, promessas e comprometimentos)  fogem, como o diabo da cruz! 
Depois de eleitos e empossados, com as mais variadas desculpas e cumplicidades, colocam seus drones operacionais (e nem tanto!) e tchau!

Preso na Lava-Jato vende, em leilão, todo seu plantel de cavalos puro-sangue, por ANCELMO GOIS





Comentario solidario--........com os pobres animais.


Fora da raia 
Álvaro Novis, diretor da Hoya Corretora e que foi preso em março, na Lava-Jato, vendeu todo o seu plantel de cavalos puro-sangue em leilão, quinta à noite, na Gávea. 
Foram vendidos 65 animais, e a arrecadação chegou a R$ 2,4 milhões.
O animal mais caro saiu por R$ 140 mil.

Brasil entrou em parafuso há exatos 1.207 dias, por ANCELMO GOIS





1.207 A conta é do matemático gaúcho Tristão Garcia, 58 anos. 

Já se passaram 1.207 dias, tomando por base 6 de junho de 2013 — data da primeira manifestação na capital paulista contra o aumento, em R$ 0,20, da tarifa do transporte público —, que o Brasil entrou em parafuso, numa crise moral, política e econômica.

E, por enquanto, não se vê saída. Parece até que somos o país do passado.

Aplicativo do Ministério da Justiça tem oito milhões de downloads, por TIAGO ROGERO

Radiografia de um rato....

Criado em 2013, aquele aplicativo para celulares "Sinesp cidadão", do Ministério da Justiça, chegou à marca de 323 mil veículos apreendidos e mais de 69 mil cumprimentos de mandados de prisão de pessoas foragidas. 

Já foi baixado mais de 8 milhões de vezes.

Funciona assim: alguém que quer comprar um carro, por exemplo, pode consultar, no celular, se o veículo consta como roubado. 
Ou então: se quer saber se um sujeito é "de confiança", basta jogar os dados dele no aplicativo para descobrir se há alguma ordem judicial de prisão contra ele.

Chega de conversa fiada, por Mario Vitor Rodrigues

Comentário neutro--Ha Diógenes pra todos cara-pálida....podes seguir na busca.....e apreensivo. Um anarquista de pêso dizia--a humanidade é inviável....pois.Si non é vero....

Ontem mesmo André Singer assinou um texto medonho na Folha de São Paulo - “É hora de barrar o arbítrio” - enquanto Luís Fernando Veríssimo defendeu que cedo ou tarde nos restará optar entre o socialismo e a barbárie. Está tudo certo, apenas quem ignorava seus posicionamentos históricos ficou surpreso com tamanha falta de decência, o problema está na fartura.

É graças ao aparentemente inesgotável espaço na mídia reservado para artistas, escritores e pseudointelectuais à esquerda que pitacos como os de Singer e Veríssimo recebem atenção além da conta. Trata-se de uma lástima, não resta dúvida, entretanto é desta forma que disseminam ignorância, mentiras e absurdos como este, de sugerir o socialismo em pleno século XXI sem nem ao menos ter a obtusidade típica da juventude como desculpa.


Que seja enaltecido o livre debate, é óbvio, mas este não pode servir de trampolim para ginásticas argumentativas. Toda e qualquer tentativa de pluralizar a discussão merece uma ode, é claro, mas esta não pode favorecer o desarranjo do debate.


A pergunta que cabe e na verdade chega atrasada, ao jornalista brasileiro, é se existem ou não condições para promover um debate honesto, calcado na realidade, capaz de favorecer o amadurecimento político e mesmo intelectual dos brasileiros.


Se é possível encontrar personagens com legitimidade para fazer um contraponto bem feito, verdadeiramente capaz de tirar do eixo preconceitos do cidadão, ou se apenas restou fomentar essa infrutífera guerra de narrativas, alimentar um leva-e-trás que até divertiu mas já exasperou com folga o cidadão.


Seja como for, beira o esquizofrênico, para quem até ontem criticava a intransigência predominante nas conversas, dar voz a radicais tão somente preocupados em defender cegamente seus pontos de vista. Premissas indignas, é bom lembrar, autênticos crimes de lesa-pátria comprovados categoricamente pelas mais importantes instituições do País.


Como se não bastasse essa dificuldade em administrar a discussão - salvo raras exceções - há algumas semanas parece que se tornou imperativo criticar o juiz Sérgio Moro, a Polícia Federal e o Ministério Público.


Dá a impressão que o próprio analista se aproveita da ausência de bons interlocutores para fazer o papel de advogado do diabo e, desta forma, colocar-se na condição de diferente, daquele que rema contra o senso comum. Se for realmente este o caso, trata-se de vaidade tola, incondizente com a gravidade do momento, mas pode ser ainda pior.


Digo, ainda mais grave do que um diálogo com ruído, ou mesmo de um debate empenado, seria engendrar um falso equilíbrio. Bem ao contrário, ao bater tanto em Francisco quanto em Chico, sem necessidade, o máximo que se consegue é uma paternalização do público.


Passou da hora, isto sim, não de tornar a conversa um monólogo, tampouco de calar quem deseja defender seus pontos de vista, mas, a quem cabe e tem condições para tal, de enfrentar, questionar e retrucar, se preciso for, quando meias ou completas inverdades forem alardeadas sem o menor pudor.


Afinal, informar só não basta, ou a notícia tem qualidade, ou estaremos todos perdidos. Não só na frente como atrás das câmeras, dentro e também fora das redações.


Foto: Arquivo Google

Escancarando o voto, por Antonio Risério

Arte de IZÂNIO
Enquanto petistas e tucanos se solidarizam por baixo do pano, devidamente irmanados no vergonhoso conchavo para anistiar o crime do caixa 2, declaro aqui o meu voto.

Mantenho, para o próximo outubro, as mesmas preferências que anunciei nas eleições de 2012: apesar do PT, Haddad em São Paulo; Marcelo Freixo no Rio; e, apesar do DEM, Neto em Salvador.

Haddad é caso raro no Brasil de um prefeito que sabe encarar a cidade como fenômeno socioespacial específico. E trava uma luta terrível contra o reacionarismo e a estupidez da capital paulista, que prefere levar a cidade ao buraco a vê-la submetida a princípios básicos de racionalidade.

No Rio, fecho com Freixo. Jamais votaria em Crivela, que não deixou de ser uma invenção de Lula, ou numa absurda Jandira Feghali, retrato do fascismo travestido de socialismo.

Freixo representa avanço dos pontos de vista social e comportamental. Sabe o que é o fenômeno urbano do ponto de vista sociológico, embora, ao contrário de Haddad, pareça não ter ideia do que ele significa em sua especificidade urbanística.

Neto não precisa do voto de ninguém para se reeleger: é capaz de, com o tempo, se tornar mais popular que o avô.

O que há em Salvador, hoje, é uma disputa renhida para ver se quem fica por último é a candidata do PCdoB ou o candidato do PDT (um amalucado que diz que era gay e se curou). Covarde, o PT local fugiu da raia, safando-se de uma senhora surra.

Enfim, a única novidade, na minha lista, seria a presença de Luciana Genro, candidata à prefeitura de Porto Alegre. Para falar a verdade, eu preferiria Papai Tarso, mas, em sua ausência, tudo bem: Luciana.

Por sinal, um amigo chamou a minha atenção, durante a campanha presidencial de 2014, para o quanto Luciana, com aqueles cabelos e tudo o mais, parecia personagem das histórias em quadrinhos de Mr. Natural, desenhadas por Robert Crumb. É perfeita a comparação. Mas, bem, para presidente, eu não votaria na moça. Para a prefeitura de Porto Alegre, sim.

Mas não alimento com isso pretensão nenhuma de fazer amigos e influenciar pessoas. Na verdade, não consigo maioria eleitoral, historicamente, nem sequer dentro da minha própria família.

Quando eu votava em Fernando Henrique, por exemplo, a turma ia de Lula. Quando votei em Dilma, minha mulher Sara Victoria liderou com Plínio de Arruda Sampaio. E, quando optei por Marina, ela empatou com Luciana Genro. Ou seja: tanto na rua quanto dentro de casa, quase sempre sou ruim de voto. Mas sempre deixo meu palpite.

Chatos, por Elton Simões


De certo, somente que viramos um povo chato. Ou talvez sempre tenhamos sido. Que talvez por desenho, destino ou desejo, optamos por abandonar o verniz de tolerância que a gente (pelo menos tentava) exibir por ai. Abraçamos a intolerância. E ponto.

Nada de tentar parecer cordial, hospitaleiro, tolerante. Isso é passado. E, tudo indica, distante. Todos apaixonados pela própria voz. Muita voz. Poucos ouvidos. Inteligência, nenhuma.

Faz tempo que a gente não conversa para entender. Cada som, cada palavra, cada ato, é somente para convencer. Ou melhor, converter. E, para aqueles que estão do outro lado da conversa, resta somente a rendição. Ou o combate sem tréguas.

Controlar chatos nunca foi ciência exata. Sempre foi arte. Mas já foi mais fácil. Chatos e chatice estavam quase restritos a contatos sociais que, por escolha, poderiam ser ocasionais. Bastava evitar ou sofrer um pouco com a presença desta gente que aos outros encurralava nas festas, ou nas mesas de bar. Era ruim, mas passava. E, melhor de tudo, dava para evitar.

Não é mais assim. Graças à mídia social. Agora, acabou a distancia entre o pensamento e a publicação. Protegidos às vezes pelo anonimato, mas sempre pela frieza da tela, abusa-se do privilégio de falar. Talvez porque não ser compreendido tenha deixado de ser importante. E foi assim que os chatos venceram. E a chatice invadiu tudo.

Agora, todos falam o que desejam sem prestar atenção àquilo que não sabem. Ideias dissonantes são rapidamente combatidas. Aqueles que discordam, rotulados. Com rótulos de todo tipo, desde que seja depreciativo. Ou que sirva para denegrir e destruir reputações e credibilidade. E, se os rótulos não funcionam, vale a ofensa. Nada como violência verbal para destruir comunicação. Funciona mesmo. E, por funcionar, é utilizada a exaustão.

Preferimos perder amigos, brigar com a família, destruir relações a dar o braço a torcer. 
Impor as próprias ideias é tudo o que importa. Em qualquer circunstancia e ao arrepio dos fatos. 
Realidade, afinal, não tem mais valor. Apenas o gogó conta. E haja gogó.
Passo a passo, fomos abraçando a chatice. Brigamos com a vida. Ensurdecemos. Embrutecemos. Convivemos com a ignorância. Desaprendemos a sorrir. Quando rimos, é da desgraça alheia. Acima de tudo, chatos.

Ex-ministro de Dilma diz que Moraes 'é irresponsável' ou 'incapaz' ao falar de Lava Jato, por Isadora Peron,

Subprocurador-geral da República Eugênio Aragão critica atual titular da Justiça, que antecipou nova fase da operação 
            Alexandre Moraes e Michel Temer, conchavando ministerial-mente......
Ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, o sub-procurador­-geral da República Eugênio Aragão, disse ao Estado que as declarações do atual ministro da Justiça, Alexandre Moraes, sobre uma nova fase da Operação Lava Jato esta semana mostram que ele “é um incapaz ou é irresponsável”. 

“Incapaz porque estaria a brincar com coisa séria. Um ministro não pode se manifestar de empolgação em campanha, entregando ao público assuntos sigilosos de sua pasta”, afirmou. 
“Ou irresponsável, porque, no momento em que vivemos, autoridades públicas não devem provocar clamores. Devem, isto sim, acalmar a população”, completou. 
Para Aragão, a declaração de Moraes “dá margem à suspeita de que ele, governo, e a Lava Jato, estão agindo de comum acordo com finalidade política”. 
“Fico só imaginando se, quando ministro, eu desse uma declaração desse teor, o que aconteceria. O mundo vinha abaixo”, afirmou. 
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou neste domingo, em Ribeirão Preto (SP), que uma nova etapa da Operação Lava Jato vai ser deflagrada nesta semana. A declaração foi feita em uma conversa com integrantes do Movimento Brasil Limpo (MBL), que organizou atos de apoio ao impeachment de Dilma Rousseff, e presenciada pelo Broadcast, serviço de notícias da Agência Estado. 
“Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”, disse o ministro, que participou de evento de campanha do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), candidato a prefeito no município paulista. 
A declaração foi feita espontaneamente, sem que ninguém tivesse o questionado. Ao falar com a reportagem, o ministro reafirmou o apoio à operação coordenada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, esta última subordinada a ele. “É uma belíssima operação”, afirmou Moraes, que já advogou para um dos alvos da operação, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB­RJ), antes de assumir o cargo. 
No evento, o ministro afirmou ainda que as novas fases da operação mostram a independência da PF. A possibilidade de interferência nas investigação foi usada por defensores da presidente cassada Dilma Rousseff contra o impeachment. 
Em maio, a divulgação de uma conversa gravada em que o senador Romero Jucá (PMDB­RO) falava em “pacto” para deter a Lava Jato causou a saída do peemedebista.
Romero Jucá (PMDB­RO) falava em “pacto” para deter a Lava Jato causou a saída do peemedebista do governo. 
O diálogo foi gravado pelo ex-­presidente da Transpetro Sérgio Machado, que firmou acordo de delação premiada com os procuradores. 
‘Força de expressão’. Horas após a declaração de Moraes, o Ministério da Justiça divulgou nota em que negou tratar­-se de informação privilegiada do ministro em relação às ações da operação. “(A frase) não foi dita porque o ministro tem algum tipo de informação privilegiada ou saiba de alguma operação com antecedência, e sim no sentido de que todas as semanas estão ocorrendo operações”, diz a nota do ministério. 
Segundo a assessoria de imprensa do ministério, a declaração de Moraes sobre a Lava Jato foi “força de expressão”. 
Exageros 
Ao falar da Lava Jato, Moraes também rebateu acusações de que tenha havido exagero na prisão temporária, revogada cinco horas depois, do ex-­ministro da Fazenda Guido Mantega, na quinta-feira passada, quando ele acompanhava uma cirurgia da esposa. 
Para o ministro, a PF só cumpriu um mandado judicial e atuou de forma “absolutamente discreta” para deter Mantega no hospital. “A prisão só foi revogada por um fato superveniente (posterior), desconhecido da polícia, Ministério Público e Judiciário. Um fato humanitário, o que não leva a nenhum descrédito toda a operação e aquele momento da prisão.” Moraes comentou também a tentativa da Câmara de aprovar um projeto para anistiar a prática do caixa 2 em campanhas eleitorais passadas. 

Segundo ele, o governo defende uma maior criminalização e uma pena maior da prática e “obviamente, jamais uma extinção de punibilidade, uma abolição”, disse.

domingo, 25 de setembro de 2016

Erros em série, por Mary Zaidan--Jornalista

Comentário sardônico---a tucaninha privateira esta indocil e apreensiva. Compromissos inadiáveis com o MERCADO??!! Ou sera simplesmente uma questão estética.....Poesia não é, com certeza!! Querida cuide do Zuzinha, êle precisa muiiiito.

Depois de seu governo colecionar mais trapalhadas, desta vez nas idas e vindas sobre a necessária reforma no ensino médio, o presidente Michel Temer terminou a semana amargando o indigesto sabor da suspeição. E como na política o aliado de ontem esconde o algoz de amanhã, ele pode ter de responder por suposto pedido de propina para Gabriel Chalita, candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo em 2012, hoje vice na chapa do petista Fernando Haddad, um dos animadores do “Fora Temer”.
Mesmo que não dê em nada, o ministro Teori Zavascki empanou a comemoração dos 76 anos do presidente e encheu de delícias o prato dos opositores a uma semana das eleições municipais.

Na sexta-feira, pouco depois da notícia na internet, redes sociais destacavam a “abertura de processo” contra Temer, com uma saraivada de xingamentos e mentiras, bem ao estilo da turma alimentada pelo PT. 

Zavascki determinou a abertura de petição no âmbito do Supremo, uma espécie de investigação preliminar, sobre os trechos do depoimento em que o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, cita Temer. E encaminhou o caso para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que deverá decidir se abre ou não inquérito.

Machado diz que Temer pediu e conseguiu obter R$ 1,5 milhão para financiar a campanha de Chalita. E que a propina teria vindo da Queiroz Galvão, uma das empreiteiras investigadas pela Lava-Jato.
A delação também envolve o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), os ex-presidentes José Sarney (PMDB) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os senadores Romero Jucá (PMDB) e Aécio Neves (PSDB), a ex-ministra Ideli Salvatti (PT) e outros tantos. Diante de lista tão extensa, Zavascki decidiu fatiá-la em petições distintas.
Ainda que tudo esteja na fase inicial, o sinal verde para investigar Temer é mais um revés para um governo que necessita de vitórias e não tem conseguido produzi-las. Ao contrário. Executa o malabarismo de transformar até o que poderia ser uma boa nova em má notícia.
Ministros que falam demais, que têm encantamento absoluto com o próprio umbigo, que preferem uma manchete de jornal à solução dos problemas para os quais o país os remuneram. Projetos lançados sem negociação prévia, algo que trai a experiência congressual de Temer. Um conjunto de equívocos perdoáveis na interinidade, seriíssimos na condição de titular.

Como de praxe, debitam-se os erros à comunicação. Um diagnóstico apressado, fácil, com o qual os governos tentam esconder suas fragilidades. É sempre assim: se o governante acerta e sua popularidade cresce, o mérito é exclusivamente dele; se tropeça, a culpa é da comunicação ineficiente.

No caso de Temer, que assumiu o país em frangalhos, os problemas econômicos e sociais, políticos e morais foram herdados. Portanto, criar novos é absolutamente dispensável.

Isso vale para o vai-não-vai sobre as reformas da Previdência e trabalhista. E também para a Medida Provisória que muda o ensino médio, que, em vez de ser objeto de indecisão e recuo, poderia ser lançada como uma provocação ao debate. E alterada no Congresso até mesmo por sugestão da base governista.

Governo algum se faz em semanas ou poucos meses. Mas, ao contrário daqueles recém-eleitos que têm pelo menos cem dias de trégua, Temer carrega o passivo incômodo de ser taxado de “golpista”, de não ser popular.

Para sobreviver, terá frear os erros. E acertar em dobro.

Carta de Buenos Aires: Os “tanos”, por Gabriela G. Antunes--Jornalista.

Pintura de Quinquela retratando o antigo porto e os imigrantes (Foto: Museu de Bellas Artes de la Boca)

Que argentino não tem um avô italiano? No começo do século XX, em Buenos Aires, 80% da população eram imigrantes de várias nacionalidades.

Os argentinos costumam generalizar ao lidar com os diferentes estrangeiros que chegaram ao país em distintas ondas migratórias nos séculos passados. Os italianos são os “tanos”, ainda que nem todos venham de Nápoles. Os espanhóis são chamados de “gallegos”, mesmo que não sejam oriundos da região da Galícia. Os asiáticos levam a alcunha de “chinos”, ainda que não sejam chineses.
Todos aportaram algo, mas cada um em sua seara. A presença francesa, por exemplo, é sentida na arquitetura de Buenos Aires. Os ingleses trouxeram as ferrovias. Os espanhóis foram responsáveis pelas fundações da colônia. Os irlandeses contribuíram com certo espírito fanfarrão. No entanto, os italianos trouxeram tanto e se incorporaram de tal maneira que fazem parte da massa homogênea, difíceis de serem diferenciados do todo argentino.
Rude e caricatural, o “tano” tornou-se uma figura tanto mitológica, como corriqueira, um arquétipo de argentino.

“Desde o final do século XIX, a política favorável da costa argentina permitiu uma grande imigração de comunidades da Europa, especialmente da Espanha e Itália. No entanto, os italianos foram o mais vasto grupo que, ao contrário dos espanhóis, não falam a língua espanhola, mas um conjunto de dialetos que se tornou parte indiscutível da língua espanhola”, explicou a socióloga Maria Pia Lopez ao jornal Pagina 12. 

O próprio Mussolini reclamava da adaptação dos italianos à Argentina. “Os italianos na Argentina não nos entendem, nem nos amam. Se a coisa continuar assim, nos dirigiremos cada vez mais ao Brasil”, chegou a escrever Mussolini, que buscava apoio material e moral para suas empreitadas bélicas.

Clubes de bairro, pizzarias, associações, restaurantes, armazéns, a presença dos “tanos” em Buenos Aires foi determinante para a formação da cultura local. Também o fileteado portenho, uma espécie de mistura de arte e caligrafia muito presente na cidade, teria tido sua origem na cultura italiana.

Um dos prédios mais emblemáticos da cidade, o Palácio Barolo, nasceu do medo de um rico italiano das perdas culturais na Europa durante a guerra. Luis Barolo queria preservar o legado do escritor Dante Alighieri e encomendou um prédio baseado integralmente em sua obra principal, a Divina Comédia.

A desconfiança do argentino com os bancos, o ritmo acelerado e alterado na fala, os aperitivos alcoólicos e tantos outros traços da personalidade da Argentina igualmente parecem vir dos “tanos”.

Muitos comparam Buenos Aires a Paris sem saber que, na verdade, ela tem mais ares de Roma dos Pampas, do que de capital francesa.

CARTÕES CORPORATIVOS--CARTÕES DE TEMER e DILMA CUSTARAM R$ 23 MILHÕES APENAS ESTE ANO, por Tiago de Vasconcelos

O governo Dilma, em 135 dias de 2016, torrou R$ 13,7 milhões com cartões. 

Temer, mesmo na interinidade, gastou R$ 9 milhões em 4 meses.

O uso abusivo de cartões corporativos inclui cabeleireiro, hotéis de luxo, restaurantes, aluguel de carrões, passagens etc.

Somente em 2016, até ser afastada pelo Congresso, a ex-presidente Dilma conseguiu atingir a marca de R$ 4 milhões gastos com cartões corporativos da Presidência. Tudo pago pelo contribuinte brasileiro. Todo o governo Dilma torrou R$ 14 milhões com cartões; gastos em média, R$ 106 mil por dia, incluindo feriados e fins de semana. Em 121 dias de governo Temer, a conta subiu R$ 9 milhões; mas a média é de R$ 74 mil/dia; uma queda de mais de 30%.

O contribuinte não pode saber detalhes sobre 90% dos gastos usando cartões corporativos. Lula impôs “segredo” desde o primeiro escândalo.

A Presidência detalha apenas gastos de quatro portadores de cartões, também pagos por nós: seguranças dos ex-presidentes FHC e Lula.

Moro dá 5 dias para deputado do PMDB definir quando depõe por mulher de Cunha, nas fôlhas

Cláudia Cruz é ré por lavagem de dinheiro e evasão de divisas na Lava Jato.
Curitiba - O juiz federal Sérgio Moro deu cinco dias para o deputado paraibano Hugo Motta (PMDB) responder em qual dia, afinal, pode depor como testemunha de defesa de Cláudia Cruz, mulher do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A mulher de Cunha é ré por lavagem de dinheiro e evasão de divisas na Operação Lava Jato.Cláudia Cruz é ré por lavagem de dinheiro e evasão de divisas na Lava JatoAFP

Hugo Motta presidiu a CPI da Petrobras e fez parte da tropa de choque de Eduardo Cunha na Câmara. O deputado não compareceu à votação na Câmara que cassou o mandato do colega peemedebista. A Justiça Federal no Paraná havia colocado quatro datas (26 de setembro, 28 de setembro, 5 de outubro ou 6 de outubro) disponíveis para as testemunhas de Cláudia.

Na sexta-feira, 16, Hugo Motta solicitou o agendamento de seu depoimento para entre os dias 10 e 20 de novembro. O parlamentar alegou que estava "impossibilitado de marcar em uma das datas propostas, pois devido ao período eleitoral tem uma agenda extensa de compromissos no Estado da Paraíba".

sábado, 24 de setembro de 2016

Gaiatice: Eike Batista inventou a 'delação despremiada',por ANCELMO GOIS


Eike Batista sempre inovando. No meio jurídico, a gaiatice era que o empresário inventou a “delação despremiada”, ao confessar um crime sem receber nada em troca. 
Ele, como se sabe, disse que simulou um contrato com a empresa do marqueteiro João Santana para atender ao pedido de Guido Mantega de repassar para o PT uns R$ 5 milhões.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Gérard Depardieu : "La France ? Un Disneyland peuplé d’imbéciles", par Anthony Verdot-Belaval


Gérard Depardieu n’a jamais eu sa langue dans sa poche. Il dit ce qu’il pense quel que soit les conséquences de ses propos. Cette fois, dans les colonnes du journal italien «Corriere Della Sera», notre Gégé national s’est offert une énième sortie médiatique où il tacle sévèrement la France et plus largement le peuple français. L’acteur star, en promotion pour son livre «Innocent», commence fort en déclarant : «Je ne me sens plus français mais citoyen du monde». Mais pourquoi ? Il s’explique. «La France risque de devenir un Disneyland pour les étrangers, peuplé d’imbéciles qui font du vin et du fromage qui pue pour les touristes. Il n’y a plus de liberté, les gens sont manipulés».

"Le cinéma n’existe plus"
Mais la France n’est pas sa seule cible. Gérard Depardieu s’en prend aussi au monde du septième art.

Alors qu’il est actuellement en plein tournage de «Bonne Pomme» avec Catherine Deneuve, l’acteur de 67 ans n’hésite pas un instant à tacler l’industrie du cinéma. «Le cinéma n’existe plus. Il y a un monde du divertissement, les gens sont terrorisés par les Américains, ils ne savent plus quelle langue parler. 

Il y a dix stars et elles sont toutes américaines… Leurs films bourrés d’effets spéciaux sont des jeux, et le reste du cinéma a du mal à exister».

Pour terminer, Gérard Depardieu fait des louanges, une belle éloge à l’Italie. Presque étonnant. «En Italie, vous n’avez pas perdu votre culture et votre identité. Parce que vous êtes un pays jeune, né avec Garibaldi. Et contrairement à la moitié de l’Europe, avec la peur des migrants, vous n’êtes pas devenue fasciste». C’est dit.

Reflexo de Moro, por Alfredo Guarischi--Médico

Sucção Reflexa. É desencadeado pela estimulação dos lábios. Observa-se sucção vigorosa. Sua ausência é sinal de disfunção neurológica grave (Foto: Unicamp)
Sucção Reflexa. É desencadeado pela estimulação dos lábios. Observa-se sucção vigorosa. Sua ausência é sinal de disfunção neurológica grave (Foto: Unicamp)

Reflexos primitivos ou infantis são ações autônomas (não intencionais) que ocorrem em recém-nascidos normais, em resposta a algum estímulo específico. Esses reflexos desaparecem em geral até os cinco meses de vida. Isso decorre do desenvolvimento - amadurecimento - progressivo do cérebro.


Algumas dessas reações involuntárias, como a de sucção, de início é reflexa e posteriormente se torna voluntária, pela vontade do bebê de mamar.

Outra dessas reações é o chamado reflexo de Moro, que está presente em todos os bebês até os três a quatro meses de vida, eventualmente até os seis meses, desaparecendo depois dessa idade em crianças sem problemas neurológicos.

Surge como uma resposta a uma súbita perda do apoio, quando o recém-nascido se sente desequilibrado, como, por exemplo, ao se puxar levemente seus braços enquanto ele está deitado. Nessa ocasião, ele joga a cabeça para trás, estica as pernas, abre os braços e os fecha depois, muitas vezes chorando. O reflexo de Moro é usado para se avaliar a integridade do sistema nervoso central do bebê. Em adultos é sempre anormal.

Foi descrito por Ernst Moro (1874-1951), pediatra nascido em Liubliana, capital da Eslovênia, que foi parte do império Austro-Húngaro.

Moro trabalhou com Theodor Escherich (1857-1911), professor de Pediatria em Graz, Áustria, e um dos mais respeitados pediatras da Europa, devido aos seus estudos em microbiologia do aparelho digestivo, como a identificação da Escherichia coli, bactéria simbionte que pode ocasionar graves infecções, e pela sua luta pela saúde materno-infantil. 

Moro fez descobertas e desenvolveu técnicas fundamentais para a medicina. Por exemplo, em 1908, recebeu reconhecimento internacional por desenvolver um teste de pele simples para tuberculose que foi amplamente utilizado até 1960 em muitos países. Em 1911, ele se tornou o Médico-Chefe do Hospital Infantil de Heidelberg, na Alemanha. Em 1918, descreveu o reflexo que leva seu nome, marco na caracterização do desenvolvimento neurológico das crianças. Era o início, com sua liderança, de grande colaboração científica internacional.

Com o crescimento do nazismo e sendo sua esposa de origem judia, Moro foi sendo afastado da prática hospitalar a partir de 1933, até ser aposentado precocemente em 1936, porém continuou trabalhando como pediatra, em sua casa, até 1948.

Todos médicos devem conhecer o reflexo de Moro, mas poucos conhecem a história do homem por trás do reflexo. Sim, em todas atividades temos exemplos do pouco que se conhece por trás de muitos homens, mesmo entre especialistas.

Por conta das criteriosas e simples observações de Moro, muito antes de tomografias, ressonâncias e sofisticados exames laboratoriais sabemos que algumas doenças podem fazer reaparecer reflexos infantis em adultos, com um significado muito diferente.

Arte de AMARILDO

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Mestres e discípulos são reunidos em exposição que comemora os 200 anos da Missão Francesa (Estadão)

Debret e Taunay, que desembarcaram no Brasil em 1816, estão ao lado de Manuel Araújo Porto Alegre e Francisco Pedro do Amaral na mostra da Pinakotheke Cultural no Rio 

Organizador da exposição A Missão Artística Francesa no Brasil e Seus Discípulos, que a Pinakotheke Cultural do Rio inaugura hoje, 22, em sua sede (R. São Clemente, 300), no Rio, Max Perlingeiro conseguiu reunir na mostra obras raras dos artistas que, em 1816, desembarcaram no Rio de Janeiro, vindos do porto de Havre para estabelecer aqui o primeiro núcleo de neoclássicos franceses no Brasil.
mercado de escravos da rua do Valongo, Rio de Janeiro século 19
Mercado de Escravos da rua do Valongo (hoje Camerino)
Ainda que a existência de uma missão artística francesa, como registrada pelo historiador Afonso d’Escragnolle Taunay (1876­1958), tenha sido posteriormente contestada pelo crítico Mário Pedrosa (1901/­1981), convicto de que nunca houve um convite formal da Corte portuguesa, certo é que um grupo de artistas e artífices sob liderança de Joachim Lebreton (1760/­1819) de fato desembarcou aqui e foi bem recebido, apesar das diferenças ideológicas que separavam D. João VI desses pintores e arquitetos desapontados com os rumos que tomou a política francesa ou simples renegados políticos.
Entre eles estavam Debret (1768/­1848) e o perseguido Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny (1776­/1850), que desenhou muitos edifícios para o irmão de Bonaparte. Outros aderiram ao projeto de Lebreton, como o pintor Nicolas­ Antoine Taunay (1755­/1830) e seu irmão escultor, Auguste ­Marie Taunay (1768­/1824), além de dois outros irmãos da família Ferrez, Marc (1788/1850), escultor, e Zépherin (1797/­1851), também escultor e gravador.
The Punishment Of Slaves by Jean Baptiste Debret (1768-1848, France)
'Castigo Imposto aos Escravos', obra de Debret na mostra: seu modo de retratar o Brasil irritou autoridades do governo
A exposição da Pinakotheke Cultural, que vem acompanhada de um catálogo com textos assinados por Jacques Leenhardt e Maria Eduarda Marques, ocupa três salas do prédio carioca: na primeira estão as obras de Debret e Taunay; na segunda, as pranchas de Montigny e esculturas de Marc Ferrez, entre outras obras; na terceira sala, os curadores agruparam os discípulos dos artistas neoclássicos franceses, como o gaúcho Manuel Araújo Porto ­Alegre (1806/­1879) e o português Simplício Rodrigues de Sá (1785/1839).

O destaque da mostra fica com um pintor do século 17 que influenciou não só Debret, mas seu primo David, Nicolas Poussin (1594­1665), guia de todos os pintores neoclássicos franceses dos séculos 17 ao 19. Dele, Max Perlingeiro conseguiu o empréstimo do painel Himeneu Travestido Assistindo a uma Dança em Honra a Príapo, da coleção Masp, restaurado em 2009 e exibido pela primeira vez no Rio. “Existe no Brasil essa única pintura de Poussin e não poderíamos deixar de mostrá­-la ao lado das obras de Debret, 20 delas inéditas”, comemora Perlingeiro, que há um ano trabalha na organização da CULTURA » Mestres e discípulos são reunidos em exposição que comemora os 200 anos da …de Debret, 20 delas inéditas”, comemora Perlingeiro, que há um ano trabalha na organização da mostra, para a qual colaboraram diversas instituições além do Masp, entre elas o Instituto Ricardo Brennand de Recife, que emprestou o quadro Mercado de Escravos de Valongo, de Debret, reproduzida nesta página. Anteriormente atribuída a Nicolas ­Antoine Taunay, sua autoria foi conferida ao primeiro com base numa litografia de Debret.

Nele, um casal europeu seleciona escravos no mercado como quem escolhe frutas na feira. Debret, o jacobino, pisca para o espectador, mas não é tão enfático como nas aquarelas em que denuncia os maus­-tratos aos africanos no Brasil monárquico (há algumas delas na mostra). Compreensível: trata-­se de um quadro encomendado pelo casal, interessado em ver registrada a cena.

Em todo caso, a exposição, segundo Perlingeiro, não pretende recontar a história dos artistas emigrados ou examinar sua ideologia. O interesse da curadoria converge para a ressonância do programa neoclássico francês da era napoleônica em território brasileiro.

"As presenças de Manuel Araújo Porto ­Alegre e de Francisco Pedro do Amaral, ambos alunos de Debret, são provas dessa influência”, afirma Perlingeiro, destacando, no caso do último, os retratos que fez da marquesa de Santos, inclusive um, alegórico, que mostra a amante de D. Pedro I como uma índia nua com um papagaio na mão esquerda.
A exposição, infelizmente, não é itinerante. Quem for ao Rio, pode ainda ver outra mostra (Debret e a Missão Artística Francesa no Brasil – 200 Anos) com 70 das 700 aquarelas que Debret produziu no Brasil, entre 1816 e 1831, no Museu da Chácara do Céu (até dia 25).

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Triste papel de Temer na ONU, por ALESSANDRA NILO

Sai um Brasil contraditório, mas sempre inspirador Entra o discurso monotônico dos banqueiros, do agronegócio, dos sexistas e homofóbicos, da economia ortodoxa e ultrapassada
 Imagem: Rubem Grilo
Amanhã, 20 de setembro, mantendo a tradição, caberá ao Brasil o discurso inaugural dos debates na 71ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Desta vez será no mínimo curioso observar o Itamaraty manejando os holofotes globais, considerando o quanto significa o tema da sessão – “Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável [ODS]: um empurrão universal para transformar nosso mundo” – no contexto de um país internamente dividido.

Vale dizer que a partir de amanhã o Brasil, que assumiu uma liderança reconhecida durante as negociações que definiramos ODSs, talvez deva ser visto como “país controverso”, cada vez que a pauta for a implementação de tais objetivos, aprovados há apenas um ano.

É verdade que alguns países serão ludibriados, que outros seguirão em silêncio sobre as questões que levaram Temer à Presidência e que para vários deles isso pouco importará, desde que a “agenda de negócios” se mantenha. Mas apesar de não ter provas, tenho a convicção de que, independente da memória curta de conveniência, as diplomatas e os diplomatas atentos (estrangeiros ou nativos) não esquecerão facilmente daquele Brasil que durante os últimos anos liderou debates fundamentais para o desenvolvimento sustentável, defendendo a igualdade gênero, a diversidade, o multilateralismo, o direito ao desenvolvimento e o fortalecimento das relações Sul–Sul, apenas para citar algumas áreas. E é óbvio que a mudança da gestão federal – e da estratégia nacional– já mina nossa liderança regional e internacional nos processos relativos aos ODS cujas metas, agora, passarão a nos embaraçar.

Ter Michel Temer abrindo a Assembleia Geral da ONU, não importa o que contenha o discurso oficial, enviará ao mundo uma mensagem bem específica: que no Brasil agora ditam as cartas os defensores da privatização de bens públicos, da flexibilização de direitos, os que se opõem às tão urgentes reformas política e tributária. Venceram os que concentram riqueza, mas são paupérrimos de visão republicana: atores para os quais pouco importa o soft power acumulado há décadas por uma política externa balizada na defesa coerente de pautas nacionais, democráticas, inclusivas e progressistas.

Por isso, não importa o discurso oficial. A mensagem real de Temer será: “apesar de todas as resoluções que o Brasil já assinou sobre equidade de gênero e orientação sexual, raça e etnia, saúde e educação, liberdade de expressão, transparência, meio-ambiente, economia… os tempos são outros”. Nas entrelinhas, a realidade brasileira será lida sem dificuldades, pois os temas antes ferozmente disputados no âmbito do governo estão agora, publicamente, superados: nosso corpo ministerial é só de homens brancos; educação e saúde serão sucateadas no prazo de vinte anos, manifestações públicas serão reprimidas, direitos trabalhistas, previdenciários e ambientais serão flexibilizados. As propostas atuais sobre a mesa já indicam quem “ficará para trás” sem nenhum remorso por parte daqueles que hoje assinam os cheques e definem as políticas nacionais.

Assim, Mr. Temer, ao voltar ao para casa, deixará vários de seus diplomatas em saias–justas, obrigados a silenciar sobre políticas que, ao invés de gerarem novos paradigmas de desenvolvimento, nos farão retroceder vinte anos. Veremos como o Itamaraty justificará o fato de um país inteiro “ficar para trás” porque sem o tensionamento interno no governo entre os que pautavam um Estado defensor de direitos, vencem os que veneram apenas os mercados.
Na ONU, claro, ingênuos inexistem e suas agências e líderes dificilmente irão à público defender o governo Dilma, tão problemático e pouco estratégico quanto poderia ser. Mas aqui na 1st Avenue, onde fica a sede das Nações Unidas entende-se muito bem que, findadas as disputas por projetos políticos dentro do governo, substitui-se uma parte preciosa da nossa democracia – que incluía a luta cotidiana entre pensamentos diferentes e a crença nas suas instituições – pelo discurso monotônico dos banqueiros, do agronegócio, dos sexistas e homofóbicos, da economia ortodoxa e ultrapassada meireliana que ainda crê que a conta deve ser paga pelas pessoas mais pobres e mais discriminadas.

O Brasil que amanhã se apresenta na ONU, portanto, chega ainda mais alijado de direitos básicos como saúde, educação, segurança, paz. E encontrará interlocutores impregnados de dúvidas, influenciados por noticiários globais sobre a contínua desmoralização de nossas lideranças, sobre a corrupção sistêmica, o ódio, violência e o medo que se alastram sem freios.

É triste, mas é esta mensagem de “insustentabilidade” que ficará cristalina nas entrelinhas do discurso do Brasil. Um país que, desta vez, abre a Assembleia Geral da ONU enquanto fecha, em casa, caminhos longamente construídos em prol de um país mais justo – social, econômica e ambientalmente falando.

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

TEXTO DE ANISTIA À CAIXA 2 FOI MOTIVADO POR DELAÇÕES DE EMPRESÁRIOS, DIZ VALENTE (a.estado)

“QUEM VAI ACREDITAR QUE NÃO SE QUER LIVRAR A CARA DE TODOS?", QUESTIONOU
SEGUNDO VALENTE, O PROJETO SÓ NÃO FOI VOTADO, PORQUE HOUVE “UMA GRITA DOS DEPUTADOS QUE AINDA TÊM JUÍZO” (FOTO: LUIS MACEDO/ CÂMARA DOS DEPUTADOS)


líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente (SP), afirmou que a tentativa de votar um projeto de lei que poderia anistiar a prática de caixa 2 em campanhas tem a ver com o fato de empresários de grandes empreiteiras estarem negociando delações premiadas no âmbito da Operação Lava Jato.

“Quem vai acreditar que não se quer livrar a cara de todos? Bem na hora em que as duas maiores empreiteiras do País negociam delação, a OAS e a Odebrecht, e têm uma mega lista de parlamentares implicados, o Congresso vem e quer passar uma borracha geral nisso?”, afirmou.

Segundo Ivan Valente, o projeto só não foi votado na noite de segunda-feira, 19, porque houve “uma grita dos deputados que ainda têm juízo”. “Eu não pensei que pudéssemos chegar a tanto. Nós não tivemos acesso ao relatório. Esse projeto não tem paternidade. Foi gestado tanto por gente do governo quanto da oposição”, disse.

As declarações do líder do PSOL aconteceram durante uma audiência da comissão especial da Câmara que debate o pacote de dez medidas anticorrupção proposto pelo Ministério Público Federal. O tema dominou a discussão do colegiado, que aprovou um requerimento para que o vice-procurador-geral eleitoral Nicolao Dino venha à comissão para falar sobre a criminalização do caixa 2 em campanhas.

Delações
A delação de empresários da Odebrecht, incluindo o dono da empreiteira, Marcelo Odebrecht, está na fase final. Em março, uma planilha com a indicação de pagamentos feitos pela Odebrecht a políticos foi encontrada pela força-tarefa da Operação Lava Jato. A lista trazia pelo menos 279 nomes ligados a 24 partidos políticos.

A delação da OAS também deve ser retomada após a Procuradoria-Geral da República determinar a suspensão das negociações em agosto, depois de informações sobre o acordo vazarem para a imprensa. (AE)

Bomba na WEB

COMENTÁRIO Jocoso--CARIOCA PERDE O AMIGO...MAS NÃO A PIADA!


Geddel: quem praticou caixa 2 não pode ser punido, por SIMONE IGLESIAS

Ministro da articulação política diz que é preciso debate 'sem histeria'
Inútil comentar podridão....
Ministro-chefe da Secretaria de Governo e responsável pela articulação política, Geddel Vieira Lima afirmou nesta terça-feira ao GLOBO que caixa dois não é crime e que quem se beneficiou deste mecanismo no passado não pode ser penalizado. 
O peemedebista disse que esta discussão tem que ser feita pelo Congresso sem preconceito e sem histeria. 
Geddel explicou partir da premissa que o projeto enviado pelo Ministério Público Federal (MPF) à Câmara pede, entre outros pontos, a criminalização do caixa dois. — Se pede isso, é lícito supor que caixa 2 não é crime. Se não é crime, é importante estabelecer penalidades aos que infringirem a lei. Agora, quem foi beneficiado no passado, quando não era crime, não pode ser penalizado — disse Geddel. — Esse debate tem que ser feito sem medo, sem preconceito, sem patrulha e sem histeria. 
O ministro deixou claro que esta é sua opinião pessoal e não do governo, nem do presidente Michel Temer. — Não sou jurista e posso estar falando uma blasfêmia do ponto de vista jurídico. 

Estou analisando a situação pela lógica. Não trataria como anistia porque anistia serve a quem cometeu um crime. No caso do caixa dois, se não tem crime, não tem anistia — argumentou. 

Apesar da defesa de que não haja punição, Geddel negou que o governo Temer tenha participado das negociações com líderes dos partidos na Câmara que levaram à manobra para votar a anistia ao caixa dois na noite de segunda­-feira. 
A operação acabou frustrada pela forte reação de deputados contrários à iniciativa. 
O peemedebista considerou que o tema não foi pautado de modo “apropriado”.  — Não vi o texto, não fui consultado. Sei que este é um assunto que vem sendo tratado no Congresso — afirmou Geddel, que conversou nas últimas semanas com parlamentares sobre o assunto. 
Na avaliação do ex-­ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Velloso, a proposta que tramita na Câmara com o objetivo de anistiar políticos que praticaram caixa dois é imoral. Ele explica que uma lei nova não poderia perdoar crimes cometidos no passado, porque o caixa dois já está previsto na legislação eleitoral e na legislação penal. 

Para Velloso, o caixa dois pode ser interpretado como falsidade ideológica, já que é uma declaração falsa à Justiça Eleitoral. — 

Esse crime já está definido no Código Eleitoral e também no Código Penal, como falsidade ideológica. A anistia não passa de algo imoral. Pretendendo estabelecer um tipo penal específico, quer­-se, na verdade, anistiar delitos praticados perante o Código Penal e o Código Eleitoral. Isto não passa de uma farsa. E caixa dois é coisa de bandido, sempre foi coisa de bandido — analisa Velloso. (Colaborou Carolina Brígido)

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Os crimes da era Lula, por Ricardo Neves

Crime (Foto: Arquivo Google)
O Brasil ainda pode conviver com corrupção endêmica, mas não mais com ditadura. E Lula sempre soube disso. Mas ele julgava que o Poder pode tudo

Existem dias na vida das pessoas em que a História se realiza ante nossos olhos na forma de desconstrução irrevogável das percepções do senso comum. São dias que marcam e demarcam. Dias nos quais vivemos momentos em que temos a certeza de que uma era chega ao fim e outra se inicia.
Isso pode acontecer com a violência de um terremoto, de um ato de guerra, um desastre, ou simplesmente pelas palavras ditas por um ser humano.
Existem dias na vida das pessoas em que a História se realiza ante nossos olhos na forma de desconstrução irrevogável das percepções do senso comum. São dias que marcam e demarcam. Dias nos quais vivemos momentos em que temos a certeza de que uma era chega ao fim e outra se inicia.

No dia 25 de fevereiro de 1956, Nikita Khruschev ainda nas indefinições que se seguiram à morte de Stalin, realizou uma apresentação para uma sessão fechada do Congresso da URSS, na qual Khruschev demoliu para sempre a reputação de Stalin enterrando definitiva e irrevogavelmente qualquer ilusão e complacência com a realidade criminosa acerca de como o “paizinho” exerceu o poder.

Falou durante quatro horas de silencio, em uma sessão onde as testemunhas posteriormente afirmaram que era possível escutar um alfinete cair ao chão. Khruschev disse aos delegados perplexos: “ Stalin mostrou em uma série de casos sua intolerância, sua brutalidade, abusos de poder—ele geralmente escolheu o caminho da repressão e aniquilação física não somente contra seus verdadeiros inimigos, mas também contra aqueles que não cometeram nenhum crime contra o partido ou contra o governo soviético. ”

Dali em diante a era Stalin começava a ser historicamente descontruída e, mais do que tudo, devidamente fixada na História a verdadeira face criminosa de Stalin.

O Brasil viveu um dia assim quando tomamos conhecimento que o ex-presidente Lula é agora acusado formalmente de diversos crimes. O mais impressionante momento pode ser resumido na fala de um jovem procurador do Ministério Público Federal (MPF) que afirmou que “hoje o MPF acusa o sr. Luiz Inácio Lula da Silva como o comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava-Jato” e ajuntou referindo-se ao ex-presidente como “maestro da orquestra concatenada para saquear os cofres da Petrobras e outros órgãos públicos” e “grande general do esquema de corrupção” que a operação Lava Jato desvelou em suas investigações remontando ao longo de mais uma década atrás de evidências, provas e fatos.

A fixação na História da desconstrução de Lula ocorreu no dia 14 de Setembro aos olhos de todos os brasileiros via webcast, em uma transmissão na qual fomos contemplados não apenas com a fala dos procuradores e investigadores, mas com a exibição de farta documentação de suporte, sintetizada em conjunto de slides exibidos em grande tela. Aliás é só clicar aqui para conhecer a íntegra da acusação contra Lula, sua esposa e seus amigos.

Nas últimas duas semanas os brasileiros viveram outros dias inegavelmente históricos, começando pela conclusão pelo Senado do processo constitucional do impeachment devido a crimes de responsabilidade da presidente Dilma Rousseff, que se arrastou durante nove meses e foi concluído no dia 31 de agosto. Mas nada é mais simbólico do que o dia em que Lula passou a ser formalmente acusado na Justiça como “o comandante máximo” do maior esquema de corrupção de que se tem notícia em nossa jovem nação.

O que vem por aí ninguém sabe nem pode prever.

Mas o mais provável é que os dominós continuem caindo um a um. Lula pode ser preso a qualquer momento, mas dificilmente escapará das barras da lei. Dilma seguramente será enquadrada nas investigações, no mínimo por tentativa de obstrução de justiça. O Partido dos Trabalhadores poderá virtualmente desaparecer por meio da implosão eleitoral ou formalmente extinto pelo Tribunal Superior Eleitoral.

De qualquer forma Lula prepara-se para passar à História de forma contrária às suas próprias expectativas. Lula no Brasil foi o líder político mais popular dos últimos cinquenta anos, talvez só ultrapassado como mito popular por Getúlio Vargas, com quem Lula sempre apreciou ser cotejado.

Vargas viveu igualmente um longo período de protagonismo, mas sempre foi visto inegavelmente como um virtual ditador entre 1930 e 1945. Teve seu momento de maior glória ao voltar ao poder pela via eleitoral em 1950 até 1954, ano de seu suicídio. Mas Vargas passou ser reconhecido popularmente em termos históricos como “pai dos pobres e mãe dos ricos”.  

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Como a milícia se infiltrou na vida do Rio, por MARÍA MARTÍN

O 'Tropa de Elite 2' retrata o poder das milícias no Rio.

A milícia, que parece estar por trás da metade dos assassinatos de nove pré-candidatos e vereadores na região da Baixada Fluminense nos últimos oito meses, atua há décadas no Rio de Janeiro e controla cerca de 170 regiões no Estado. Originalmente instituídas como patrulhas de segurança contra traficantes, estas gangues integradas então por policiais, bombeiros e agentes penitenciários, eram até bem vistas pela população e as autoridades. Hoje, explica o delegado Alexandre Herdy, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, “a única motivação deles é o lucro”.
Esse lucro não costuma vir das drogas, como no caso do tráfico, mas da extorsão dos moradores dos quais os milicianos cobram taxas por serviços básicos como água, gás, transporte alternativo, venda de imóveis, sinal clandestino de TV, Internet e, claro, segurança. A mensagem é clara: quem não paga não está seguro. 
O miliciano tenta representar o Estado dentro das favelas. “Pessoas com esse perfil, de cuidador da área, perceberam rapidamente que podiam ganhar dinheiro com isso. Começou com a ideia romântica de proteger a população, até o dinheiro chegar e entenderem a morte como negócio”, explica o delegado Giniton Lages, titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, que investiga se a milícia está por trás dos assassinatos.
Os milicianos, que tradicionalmente têm mais poder na Zona Oeste da capital, estão hoje tentando penetrar na Baixada, deixando um rastro de violência em seu passo. O delegado Lages acompanha com o dedo o hipotético percurso que esses grupos estão fazendo para entrar na região, marcado com uma fileira de alfinetes vermelhos em um enorme mapa na parede. 
Cada alfinete é um morto. “A morte entra nesse cenário quando a pessoa da comunidade se opõe à milícia ou quando há um racha num grupo atuante nessa região”, explica Lages. Assim como na máfia, a morte é um recado. “Por isso matam com esses requintes de violência, à luz do dia, sabendo que há câmeras”, completa Lages.
Uma década atrás, os integrantes das milícias – hoje em dia com um perfil mais civil, mas que acolhe de ex-policiais a ex-narcotraficantes – posavam nas fotos de campanha com políticos de alto escalão, se candidatavam e até governavam. Em 2010, por exemplo, causou polêmica a divulgação de imagens e um vídeo gravado em 2007 onde o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) inaugurava uma rede de abastecimento de água junto a dois líderes do mais poderoso grupo paramilitar da cidade. Os colegas políticos, o então vereador Jerônimo Guimarães, do PMDB, e o deputado estadual Natalino Guimarães (ex-DEM), foram condenados, posteriormente, a dez anos de prisão, em um presídio de segurança máxima, por formação de quadrilha.

O compadrio começou a deixar de ser tão bem visto a partir de 2008, quando um grupo de milicianos torturou dois repórteres e um motorista do jornal fluminenseO Dia que investigavam, precisamente, os vínculos entre milícia e candidatos em uma favela carioca. O escândalo, que estragou para sempre a vida das vítimas que tiveram que fugir do Rio, deixando tudo sem olhar para trás, marcou um antes e um depois na condescendência pública com os milicianos, que optaram pelos bastidores da vida política.

Desde aquele ano, mais de 1.100 integrantes da milícia foram presos, entre eles 219 policiais militares, um deputado estadual e 791 civis, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio. Também em 2008, foi concluída uma Comissão Parlamentar de Inquérito das Milícias na Assembleia do Rio, liderada pelo deputado estadual Marcelo Freixo, desde então ameaçado de morte, e que indiciou mais de 250 pessoas. O poder ainda visível da milícia se explica, segundo Freixo, porque as autoridades se concentraram em prender, mas não cortaram suas fontes de renda.

Os traficantes do ‘ouro’ da Petrobras, por MARÍA MARTÍN


Operação policial contra a extração ilegal de óleo da Petrobras. POLÍCIA CIVIL

A cada vez que caía a noite em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio, um caminhão-tanque, às vezes disfarçado de caminhão-pipa, atravessava uma estrada de terra para entrar em um sítio, com uma casa abandonada e sem mais testemunha que a de um caseiro que plantava alface. 
Uma vez dentro, o motorista puxava uma mangueira preta escondida sob a vegetação, a encaixava num ponto de extração ilegal e abria a chave que trazia de um duto da Petrobras, a 1,5 quilômetro dali, milhares de litros de petróleo cru. 
A operação, contínua e supervisionada por homens armados com espingardas, constituía um enorme negócio para um grupo de milicianos e seu controle lhes custou a vida.
Entre os beneficiários desse esquema de roubo de óleo estavam Sérgio da Conceição de Almeida, o Berém do Pilar, pré-candidato a vereador pelo PSL e conhecido no seu bairro como “o cara que cuidava da segurança”, Denivaldo Meireles, segurança privado e com vínculos com a milícia, e Leandro da Silva Lopes, pré-candidato a vereador pelo PSDB e com duas passagens na polícia por suspeita de homicídio. 
Os três foram mortos por homens encapuzados com dezenas de tiros entre junho e julho deste ano, engordando a lista de políticos assassinados na Baixada Fluminense nos últimos meses. Com eles – tirando Denivaldo que não tinha filiação partidária –, são mais de uma dezena os políticos ou candidatos mortos na região, execuções que não necessariamente têm uma motivação eleitoral –há dois crimes passionais –, mas que evidenciam os perigosos e aceitos vínculos entre o crime e a política local.

A investigação da Polícia Civil aponta agora que quem os matou não estava tão incomodado com a ascensão eleitoral das vítimas, mas sim com o nutritivo negócio que gerenciavam. “Não mataram por serem candidatos. Há um outro ingrediente que é uma bomba relógio em época de eleição: dinheiro. E isso mata gente”, explica o delegado Giniton Lages, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, responsável pela investigação.

Os métodos usados pelos três supostos milicianos envolvidos não eram para amadores. Eles tinham conseguido furar sem causar vazamentos um duto de 24 polegadas e interligar uma segunda tubulação clandestina por onde passavam 20.000 litros de petróleo por hora e que se estendia por 1,5 quilômetro até chegar ao sítio onde carregavam os caminhões. 
A sofisticação do esquema aponta, segundo suspeita a polícia, que os criminosos contavam com a ajuda de funcionários ou ex-funcionários da petroleira com conhecimentos específicos da empresa e que forneciam informação privilegiada. Uma vez extraído, o petróleo podia ter vários usos comerciais que estão sob investigação: de combustível para caldeiras industriais e da indústria naval à matéria prima para refinarias clandestinas. 
Há informações de que os caminhões viajavam até São Paulo, o que ampliaria a rede comercial dos criminosos muito além da Baixada Fluminense.
De esquerda à direita: Leandro da Silva Lopes, Leandrinho de Xerém, pré-candidato a vereador pelo PSDB e com duas passagens por suspeita de homicídio, Sérgio da Conceição de Almeida, o Berém do Pilar, pré-candidato a vereador e conhecido no seu bairro como “o cara que cuidava da segurança”, e Denivaldo Meireles, segurança privado e com vínculos com a milícia.
A extração ilegal de combustível ou seu desvio não são práticas novas. Tanto que os que lucram com elas já são conhecidos há cerca de uma década como a “máfia do óleo” ou a “máfia do combustível”. A juíza Daniela Assumpção Barbosa, titular da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias e responsável pela fiscalização de campanhas no Estado em 2014, vai além e observa os laços dos criminosos com os pleitos eleitorais da região. “Nós temos candidatos ao pleito que têm envolvimentos na máfia do combustível há anos. Eles dominam os terrenos onde estão as bicas, têm depósitos de caminhões e travam entre eles uma guerra de domínio desses territórios e negócios”, explica.


A campanha de “matar quem atrapalha” nas eleições municipais do Rio, por MARÍA MARTÍN

A polícia investiga as motivações dos assassinatos de pré-candidatos e vereadores na Baixada. DHBF

Uma ligação, dez dias atrás, fez tremer o deputado estadual Deodato José Ferreira: “Ou você para, ou sua família vai pagar as consequências. E vai ser onde você joga bola ou no Parque São José”. Desde então, o pré-candidato a prefeito pelo DEM em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, região metropolitana do Rio, desistiu até de ir na feira. Hoje fica grudado em um segurança e passou a viajar em carro blindado.

— Você está com medo?

— Com certeza, muito.

O motivo da ameaça, diz o deputado, é que ele começa a despontar nas pesquisas e a incomodar os adversários, mas há mais: matar na Baixada é muito fácil e uma onda de execuções injetou o medo nos políticos da região.

Desde novembro, nove pré-candidatos e vereadores da região foram executados a tiros. Muitos tiros e alguns em plena luz do dia. Nem todos os crimes têm relação, nem foram necessariamente motivados por disputas políticas – há um crime passional e uma briga de trânsito –, mas a brutalidade dos assassinatos escancarou os perigosos e aceitos vínculos entre o crime – milícias, tráfico e grupos de extermínio – e a política local.

A Procuradoria Regional Eleitoral pediu que a Polícia Federal participe das investigações pela suspeita de que a morte de pelo menos dois desses vereadores e quatro pré-candidatos se tratem de crimes políticos. O procurador Sidney Madruga também solicitou que as Forças Armadas não abandonem o Rio após a Olimpíada e cuidem da segurança durante a campanha, que deve começar em 16 de agosto. A maioria dos entrevistados para esta reportagem acredita que, até as eleições municipais, mais vítimas vêm pela frente.

Em um shopping da Zona Sul do Rio, o articulador de campanha de 350 candidatos na Baixada Fluminense de um partido pequeno mas influente na política nacional explica com naturalidade práticas que diz serem comuns na contenda política, do caixa dois à compra de votos de populações dominadas por narcotraficantes ou milicianos. “Dos 13 municípios da Baixada, há pelo menos quatro onde impera a filosofia de ‘tirar quem atrapalha”, afirma sob condição de anonimato. “Quando se fala de política, se fala de poder, se fala de dinheiro.
A milícia não tem medo de polícia, mas tem medo de política e sabe que esse é o único meio para ela se perpetuar.” O articulador afirma que não dá para perceber o medo, mas que ele está aí – dois dos seus candidatos andam escoltados – e reconhece que, antes ou depois da campanha, a conversa com os grupos criminosos é necessária, de prefeitos de grandes cidades a senadores. “Todos têm acordos. Se você não se sentar com eles, você não se estabelece.”

Na manhã do dia 2 de julho uma câmera de segurança gravou a brutal execução de Sérgio da Conceição de Almeida, conhecido como Berém do Pilar, uma referência ao bairro de Duque de Caxias onde morava, a cerca de uma hora de carro do centro do Rio. Dois homens, de luvas brancas, armados com uma pistola e um fuzil deram 21 tiros nele na porta da sua casa e fizeram questão de acertar outros disparos na cabeça quando ele já estava morto.
Berém era filiado ao nanico Partido Social Liberal (PSL), aspirava a ser vereador e andava armado. No bairro era conhecido como “o cara que fazia o trabalho sujo” e “cuidava da segurança dos moradores”, segundo um dos seus vizinhos que afirma que, após a morte de Berém, os assaltos se multiplicaram.
A polícia suspeita do envolvimento da vítima com um grupo de milicianos e de que sua morte seja resultado de uma disputa de território, agravada, talvez, pela potencial ascensão política do adversário.
O vizinho, que insiste em não ser identificado, lembra a presença de várias autoridades políticas locais no enterro de Berém.