quinta-feira, 30 de junho de 2016

Após Islândia bater Inglaterra, essas são as quartas de final da Eurocopa, por JUAN L. CUDEIRO


Jogadores da Islândia celebram a vitória sobre a Inglaterra. TIBOR ILLYES EFE

Serão quatro jogos em quatro dias, oito países na disputa para definir quem vai chegar às semifinais da Eurocopa. Entre as grandes seleções que ficaram de fora das quartas de final está a atual campeã, Espanha, e a sempre esperada e nunca vitoriosa Inglaterra. Sentimos falta da Croácia, que se postulava como uma das candidatas para dar o salto, e há três convidadas inesperadas: Polônia e as debutantes Gales e Islândia, que vão tentar passar por ilustres como França, Alemanha, Itália, Bélgica e Portugal.

Polônia-Portugal (quinta-feira, 30 às 16h em Marselha – horário de Brasília).Há quatro anos, os poloneses saíram sem ganhar um jogo e na Eurocopa em que eram os anfitriões. Agora sonham chegar à final graças a uma forte equipe madura, tão sólida que levou apenas um gol em quatro jogos. “Soubemos nos sacrificar”, afirmou o técnico Adam Nawałka após o triunfo contra a Suíça, nas oitavas de final. Tudo é visto de um prisma positivo na Polônia, onde Lewandowski não marca, mas todos pesam sua contribuição ao grupo. “Ele concentra a atenção dos rivais e seus companheiros podem ficar livres”, diz o treinador. Não há pouca coisa ao redor do atacante do Bayern. Nos onze titulares contra os suíços havia oito jogadores que atuam nas grandes ligas. E surgem novos talentos como o central Glik, do Torino, ou Blaszczykowski, que chega pela primeira vez à Eurocopa: disputou pouco mais de vinte jogos com a Fiorentina, antes de perder o posto para o espanhol Tello.
Portugal está em sua sexta presença consecutiva nas quartas de final da Eurocopa. Há 20 anos não passa daí e agora tem uma boa chance de fazer história e levantar seu primeiro título em nível de seleção. A ocasião é tão boa que nem sequer o estilo está em debate. “Não é o momento de discutir se o jogo é bonito ou feio”, afirma o treinador Fernando Santos, que chamou uma base de jogadores do Sporting de Lisboa para cimentar o meio-campo com Adrien Silva, William Carvalho e João Mário. Os dois primeiros começaram o campeonato como suplentes. O goleiro Rui Patricio também defende o gol do Sporting, de onde saíram outros titulares contra a Croácia como Cedric Soares, Fonte, Nani e Cristiano Ronaldo. Inclusive o ressuscitado Quaresma. “Não devemos fazer análises clubistas. Esta é a seleção de Portugal e vamos morrer no campo para dar alegria ao nosso povo”, garante Santos, valorizando a Polônia. “Eles têm uma boa equipe. Muitos dos seus jogadores estão na Bundesliga”. Apesar de que apenas Piszczek e Lewandowski jogaram esta última temporada na liga alemã.

Gales-Bélgica (sexta-feira, 1, às 16 horas, em Lille). Começaram com uma derrota e uma enxurrada de críticas e desconfiança, mas os belgas querem mais, reforçados também moralmente porque sabem que seguem pela parte mais fácil da disputa. “São os favoritos para ganhar a Eurocopa”, disse o veterano goleiro húngaro Király, depois de perder para eles nas oitavas de final. A animação belga é reforçada pela explosão de Eden Hazard nestas oitavas de final, há muito esperada após uma campanha com o Chelsea na qual só se exibiu para marcar um golaço contra o Tottenham que valeu o triunfo do Leicester. “É o capitão e deu um passo à frente”, diz o técnico Marc Wilmots, que o havia escolhido antes do campeonato. O treinador fez retoques na sua ideia inicial. Fellaini deixou o time, e tanto Mertens quanto Carrasco dão à equipe uma maior amplitude e libertam tanto o meio-campista do Chelsea quanto De Bruyne para jogar por dentro. Contra Gales deverá procurar uma alternativa a Vermaelen, que terá que cumprir suspensão.
“Por que não vamos sonhar?”, pergunta Chris Coleman, o treinador de Gales, que aprecia como sua equipe venceu a Irlanda do Norte, sem dar seu melhor. “Se ganhar a Eurocopa agora, terá que se aposentar imediatamente”, disse o zagueiro Neil Taylor ao seu companheiro Andy King, que acaba de ganhar a Premier com o Leicester. A equipe sente que a Bélgica está ao seu alcance. As duas seleções se encontraram na fase de classificação para esta Eurocopa, empataram em Bruxelas em zero e em Cardiff venceram os galeses há um ano com um gol de Gareth Bale. Coleman vai tomar nota desses encontros e também do último jogo contra a Irlanda. “Mostrou que não ficamos confortáveis se começamos como favoritos”, reflete o ex-treinador do Real Sociedad. Contra a Bélgica vão retomar com prazer seu papel de equipe menor e contarão com o capitão Ashley Williams que saiu com dor no ombro no último jogo, mas estará pronto para jogar na sexta-feira.

Alemanha-Itália (sábado, 2, às 16 horas, em Bordeaux). Os alemães parecem ter entrado em velocidade de cruzeiro após um início instável no qual o debate girava em torno ao falso nove ou à necessidade de escalar um atacante. Os dois gols de Mario Gómez nos últimos dois jogos parecem ter fulminado o debate e enviado, de passagem, Mario Götze para o banco, embora Joachim Löw tenta diminuir a importância disso. “A questão não é essa, mas ser capaz de chegar pelas laterais”, diz o técnico. E surge aí a contribuição de Draxler. “Estou muito satisfeito com ele, está se mostrando muito corajoso nas jogadas individuais”. Quem ainda não chegou, pelo menos ao gol, é Thomas Müller. “É melhor não pensar se marco gols, mas na contribuição e no rendimento”, se defende. Mas não deixa de ser estranho em alguém acostumado a se exibir nas grandes ocasiões, um jogador que já marcou dez gols nas fases finais de uma Copa do Mundo e tem um estranho azar nas Eurocopas, na qual ainda não conseguiu estrear.

A Itália tem De Rossi e Candreva machucados e perde Thiago Motta por suspensão, mas chega fortalecida, depois de três vitórias e uma única derrota contra a Irlanda em uma partida sem nenhum objetivo de classificação. Nem a Bélgica, nem a Suécia, nem a Espanha foram capazes de marcar contra Buffon e sua defesa com três centrais que normalmente o protegem na Juventus. Vice-campeã na última Eurocopa, mas eliminada na primeira fase das duas últimas Copas do Mundo, a Itália recuperou suas melhores sensações e agora se prepara para um novo clássico, desta vez contra a Alemanha que, historicamente, conseguiu dominar nos encontros mais marcantes. Quatro anos atrás, conseguiu eliminá-la (2-1) nas semifinais. Mas na memória também estão as vitórias nessa mesma fase na Copa do Mundo de 2006 e de 1970, em duas partidas inesquecíveis e agonizantes coroadas por longas prorrogações. Ou a final em Madri em 1982, com Sandro Pertini celebrando no Bernabéu.

França-Islândia (domingo, 3 às 16 horas, em Saint-Denis). Os anfitriões avançam aos empurrões, sem saber no entanto se são mais músculo que classe, lutando para vencer rivais de segunda linha. Agora sobe o nível de exigência e Deschamps não terá Rami e Kanté, suspensos. Para substituir o central, possui duas opções: Mangala ou Umtiti. Sem Kanté pode haver espaço para Cabaye ou Schneiderlin ou mesmo apostar desde o início por um homem bem aberto e deixar o meio-campo para Matuidi e Pogba. Coman pode exercer esse papel, mas está dolorido e será dúvida até o último minuto. Mas Deschamps continua a ser uma caixa de surpresas. “Nossos rivais sabem muito sobre nós, por isso temos de buscar constantemente novas soluções”, justifica. No entanto, a França também tem motivos para respirar porque seus criticadíssimos atacantes Giroud e Gignac melhoraram seu rendimento em uma equipe sempre órfã de Benzema.

Não há maior surpresa nesta Eurocopa que a Islândia, o país com menos habitantes que nunca jogou uma fase final de uma grande competição de seleções, uma equipe forte e com alguns tiques rústicos que remetem ao futebol britânico, mas bem jogado, com uma solidariedade que comove. Eles beberam dessas fontes. “Lagerback merece uma estátua”, disse Rody Hodgson, da Inglaterra, sobre o treinador da Islândia antes que seu país perdesse de forma inesperada em uma histórica eliminatória de oitavas de final. A Islândia ultrapassou qualquer fronteira previamente conhecida. Agora vai atrás do mais difícil: França em Saint-Denis.

Um roteiro pelo Pantanal em 29 imagens--ESTADÃO--






Arte (naif) de Moysés

Charge (Foto: Moisés)

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Sexo: Maior preocupação dos homens é com performance; mulheres, com DSTs, nas Fôlhas

Rio - Receio de não satisfazer a parceira e temor de pegar uma doença sexualmente transmissível. Essas são as maiores preocupações de homens e mulheres, respectivamente, quando o assunto é sexo. Esse é o resultado da pesquisa Mosaico 2.0, coordenada pela psiquiatra Carmita Abdo, do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da farmacêutica Pfizer. Foram ouvidas três mil pessoas — 1.530 homens e 1.470 mulheres —, com idade entre 18 e 70 anos, divididas em cinco faixas etárias. Os participantes foram entrevistados em sete regiões metropolitanas: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Porto Alegre e Distrito Federal.


Pela pesquisa, 55% dos homens têm medo de não ter uma boa performance na cama. 
Já entre as mulheres, 46% têm pânico de pegar uma doença sexualmente transmissível (DST) — a segunda maior preocupação masculina. 
O grande problema é que, apesar disso, o uso do preservativo – única forma de prevenção – ainda é frequentemente negligenciado: apenas 28% dos participantes afirmaram usar camisinha em todas as relações. 
O levantamento, que é uma atualização da pesquisa Mosaico Brasil, realizada em 2008, revelou ainda que 9% dos brasileiros entre 18 e 70 anos não fazem sexo: 7% são mulheres e 2% homens.
De acordo com a psiquiatra Carmita Abdo, a pesquisa apontou uma mudança perceptível no comportamento das mulheres em comparação com 2008. 
No levantamento atual, 57,1% das mulheres disseram que fariam sexo com alguém só por atração, contra 43% em 2008. No caso dos homens, 76,4% fizeram essa afirmação. Outra coisa curiosa observada na pesquisa é o fato de “sono saudável” ganhar de “vida sexual satisfatória” para as mulheres. Já para os homens, ter bom sexo é quase tão importante quanto se alimentar.
No levantamento, a dificuldade na ereção foi relatada por 32% dos homens. Enquanto o baixo desejo sexual foi admitido por 30,9% da população masculina do País e se apresenta de forma ainda mais forte no Rio de Janeiro (34%) e em Porto Alegre (34%).
Entre as mulheres destacou-se também a dificuldade para alcançar o orgasmo, condição que afeta quase metade das entrevistadas (43%), de forma leve à grave, com predominância entre as mais jovens, de 18 a 40 anos. 
Em Belo Horizonte, por exemplo, a maioria da amostra, ou 51%, relata que enfrenta esse problema.
Chamou a atenção ainda dos pesquisadores a porcentagem de mulheres (40,3%) que relatam ter dor durante o ato sexual.

Contratos fictícios ocultaram repasses de propina para Delfim Netto, diz delator, por Julia Affonso, Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Fábio Sserapião

Comentario--dizia a malandragem antiga da Providência--"Malandro é o gato, que come peixe e nunca pescou"......
Delfim Neto, ou, alias, "o Rôlha/" --fluctuat et nec mergitur--...
Um dos principais responsáveis pelo projeto da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em nome da construtora Andrade Gutierrez, o executivo Flávio David Barra afirmou à Procuradoria Geral da República, em novo depoimento dentro de seu acordo de delação premiada, que os repasses de propinas para o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto foram feitos por meio de contratos fictícios.

“A Andrade Gutierrez fez o repasse de sua parte, proporcionalmente à sua participação no Consórcio Construtora, a Delfim Netto, por meio de transferências a partir de contratos fictícios, à LS, empresa de consultoria de Luiz Apolônio, representante de Delfim Netto, e à Aspen, empresa de consultoria de Delfim”, afirmou Barra, em depoimento no último dia 24.

O ex-presidente da empresa Otávio Marques Azevedo foi o primeiro a revelar o acerto de repasse de R$ 15 milhões para Delfim, a pedido do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Os valores, segundo afirmam os delatores, seria pela participação do ex-ministro da Fazendo e principal conselheiro econômico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na formação do consórcio formado por pequenas empresas, em parceria com estatais, vencedor do leilão de Belo Monte, em 2010.

Foi a causa, companheiro!, por Hubert Alquéres-- membro do Conselho Estadual de Educação (SP)

João Vaccari Neto, tesoureiro do PT (Foto: Divulgação)
Ramon Mercader, o assassino de Trotsky, passou vinte anos numa cadeia mexicana sem jamais admitir ter agido a mando de Stalin, sem revelar sua real identidade. Esse militante dedicado não se via como um assassino e sim como quem cumpriu uma tarefa revolucionária, como quem nunca traiu seus companheiros de causa. 
Por isso mesmo foi condecorado como herói da União Soviética, em 1961.
Não foi uma exceção. Rudolf Ivanovich Abel nunca reconheceu que era o chefe da espionagem soviética nos EUA, nem mesmo quando foi trocado pelo piloto norte-americano Francis Gary Power.
Como estes personagens, de “O homem que amava os cachorros” e “Uma ponte entre os espiões”, João Vaccari Neto é um militante disciplinado, mas tem uma ética diferente. Em vez de aguentar o tranco sozinho, quer que o Partido dos Trabalhadores assuma, formalmente, que os assaltos aos cofres públicos, investigados pela Lava-Jato e outras operações, foram feitos em nome da legenda e não por iniciativa pessoal de seus militantes. O mea-culpa do PT abriria a possibilidade de quem está preso assumir a sua cota, sem grandes dramas de consciência, entre eles o da “traição”. 

Vaccari sempre foi um cumpridor de tarefas, jamais um formulador. Não deve, portanto, ser o autor da ideia. Provavelmente ela saiu de uma cabeça mais refinada, como a de José Dirceu, este sim um estrategista responsável por grandes inflexões na história do PT, para o bem ou para o mal; na maioria das vezes para o mal.

A estratégia do “Foi a causa, companheiro” teria vários objetivos. O primeiro deles, claro, o de livrar a própria pele dos dirigentes presos, abrir uma possibilidade para que não passem o resto de suas vidas atrás das grades. Como isso aconteceria não se sabe muito bem. Não há o menor indicativo da Justiça quanto a um possível abrandamento das penas de Dirceu, Vaccari, André Vargas a partir de um pedido de desculpas do PT.

O pulo do gato estaria em outro movimento. O Partido dos Trabalhadores assumiria a culpa, mas se colocaria duplamente na condição de vítima. Tanto da “perseguição” da Lava-Jato, da qual seria o alvo final, como do próprio sistema político, ao qual os petistas apenas teriam aderido. Assim, o pedido de desculpas viria acompanhado da defesa arraigada da reforma política. 

Culpar o sistema político pelos ilícitos cometidos serviria tanto para o público interno como para o público externo. É um discurso roto, esfarrapado, mas é o único ao alcance das mãos, para o PT tentar sobreviver à previsível hecatombe eleitoral de 2016 e de 2018.

Vaccari é o escudo de José Dirceu, por uma razão muito simples. O ex-tesoureiro é um homem de reputação ilibada nas hostes petistas. Na ética do PT, nunca fez nada de errado. Apenas cumpriu a missão que lhe foi dada, desviando recursos públicos para a causa e não em benefício pessoal, diferentemente de Dirceu e André Vargas, que cederam às “tentações burguesas” e locupletaram-se com o erário público.

Parodiando a Bíblia: para os petistas, Vaccari é o bom ladrão, já Dirceu e Vargas os maus, e não merecem o perdão.

A distinção entre o “bom” e o “mau corrupto” serve para consumo interno, para aplacar a militância, mas não resolve o problemão colocado à frente do PT. O tempo vai passando e o peso da cadeia começa a se fazer sentir. Vaccari está com 58 anos, tem como perspectiva uma pena de 24 anos. Ou seja, se tivesse de cumprir a punição integralmente sairia da cadeia com 82 anos! Não há horizonte para quem tem 70 anos e é condenado a 20 anos de cadeia, como é o caso de José Dirceu.

O sentimento de abandono, a rotina gris da vida carcerária, a irritação com o imobilismo petista, para utilizar uma expressão do próprio João Vaccari, e a pressão dos familiares podem dobrar os mais fortes, sobretudo em uma época em que não há mais ideologia e bandeiras para justificar o sacrifício. Elas foram enterradas pelo Partido dos Trabalhadores há muito tempo.

Vaccari mandou seu recado. Não tem vocação alguma para Ramon Mercader ou para Ivanovich Abel.

A loba de Roma, por Daniel Aarão Reis

Prefeita quer conferir transparência ao governo e garantir honestidade na administração dos dinheiros públicos

                                          Virginia Raggi (Foto: Divulgação)

CoRAGGIo! Em italiano, coragem! 
Foi com este lema, misturando-o com o próprio sobrenome, que Virginia Raggi elegeu-se prefeita de Roma em 19 de junho passado, com cerca de 67% dos sufrágios, uma notícia que mereceria mais destaque e análise. Com efeito, embora fundada há mais de 2.700 anos, a cidade nunca foi governada por alguém do sexo feminino.

Narra a lenda, porém, que, nas origens, uma loba salvou a vida de Remo e do irmão, Rômulo, fundador e primeiro rei da chamada Cidade Eterna. A escultura da loba dando de mamar a dois meninos imortalizou a narrativa mítica e suscitou outras versões que associaram o uso do nome — lupa, em latim — à forma como eram chamadas as prostitutas.

Assim, graças aos bons ofícios de uma mulher, salvou-se o primeiro governante da cidade. Os romanos, porém, como bons seres humanos, foram ingratos e só agora, muitos séculos depois, é que resolveram entregar o leme da cidade a uma representante da segunda metade do céu.

Virginia Raggi, jovem advogada, 37 anos, solteira, mãe de um filho de 7 anos, iniciada há pouco nas lides políticas, vai precisar mesmo de coragem para vencer os desafios que terá pela frente. O primeiro deles foi enfrentar a tradição machista, entranhada nos costumes. Silvio Berlusconi, conhecido líder das direitas, não se permitiu afirmar que a maternidade era incompatível com a atividade política?

Ao votar na nova prefeita, os romanos rejeitaram o preconceito, mas estão longe de tê-lo superado, pois, no que diz respeito à presença das mulheres na política, a Itália, entre 193 países, ocupa uma modesta 42ª posição. A nova prefeita quer conferir transparência ao governo e garantir honestidade na administração dos dinheiros públicos.

Não será pouco: em fins de 2015, o escândalo da Máfia Capital, envolvendo políticos de diferentes partidos — de direita e de esquerda — reforçou o descrédito que os romanos devotam há anos à política e aos políticos. Não por acaso, nas últimas eleições municipais, a abstenção chegou perto de metade do eleitorado.

Na capital, apesar dos debates aquecidos, e da polarização do segundo turno, só pouco mais de 60% dos eleitores foram às urnas. Outro desafio é contrariar os poderosos interesses econômicos. Renegociar a dívida da administração municipal com os bancos, de quase 13 bilhões de euros, e abolir as abusivas isenções de impostos de que desfrutam os estabelecimentos comerciais do Vaticano.

Com estas e outras medidas, entre as quais o combate à corrupção, seria possível melhorar as finanças e dar conta de problemas locais que se tornaram estruturais e exasperantes ao longo do tempo. Como o caótico trânsito. Com três milhões de habitantes, 70 carros para cada cem habitantes, e perto de 700 mil “duas rodas” motorizadas (motocicletas, lambretas e assemelhados), haverá que formular novas concepções de cidade e de mobilidade urbana, que privilegiem as ciclovias e o transporte coletivo — uma terceira linha do metrô local, cujo término fora previsto para o começo deste novo século, ainda está em construção...

Além disso, será necessário negociar com a corporação de funcionários da prefeitura, responsáveis pelo precário transporte público e afeitos a greves periódicas e remuneradas. Um outro aspecto diz respeito à organização eficaz da coleta do lixo, eliminando uma sujeira que compromete as condições de saúde, o bom gosto e o senso estético dos romanos e dos milhões de visitantes que a cidade acolhe.

A nova loba de Roma pertence aos quadros do Movimento Cinco Estrelas, partido alternativo que, desde 2009, quando apareceu, subverte a atmosfera política italiana e questiona as hegemonias consagradas. As direitas e os fascistas não confiam nele. As esquerdas tradicionais o acusam de “fazer o jogo das direitas”.

Grandes interesses econômicos o caracterizam como “populista”. Mas muitos partidários das esquerdas alternativas não apenas ingressaram no Cinco Estrelas, como votam preferencialmente em seus candidatos. Na Europa atual a díade direita-esquerda, embora ainda válida, já não é mais uma chave que abre todas as portas do conhecimento político.

Mesmo agora, no plebiscito que agitou a Inglaterra, pessoas de direita e de esquerda votaram a favor e contra o Brexit. O mesmo acontece na Itália, onde subsistem ambivalências e ambiguidades. Virginia Raggi terá de lidar com elas. Em certa medida, é expressão delas e sobre elas deverá definir-se.

Mas não deixa de ser estimulante que “candidatas alternativas”, como Ada Colau, em Barcelona; Manuela Carmena, em Madri e, na própria Itália, Chiara Appendino, em Turim, também do Cinco Estrelas, estejam ganhando eleições com propósitos críticos ao “sistema”. Como avisavam os antigos: caveant consules! Ou, traduzindo-se livremente a advertência: que se cuidem as elites tradicionais, de direita e de esquerda!

Daniel Aarão Reis é professor de História Contemporânea da UFF

CUNHA ENTREGOU A FATURA, por CARLOS CHAGAS

Negociatas "politicas"...

O deputado Eduardo Cunha confirmou o encontro, domingo, com o presidente Michel Temer, cuja assessoria de imprensa negou. Pelo jeito, conversaram no palácio da Alvorada. Terá sido um acerto de contas entre os dois. Porque Temer não chegaria à presidência da República, mesmo interina, sem a colaboração de Cunha. A ele coube aceitar e dar andamento ao pedido de impeachment contra Dilma Rousseff, bem como colaborar para a maciça votação dos deputados em favor do afastamento da presidenta.

O problema é que Madame deu o troco. Desencavou dos meandros da espionagem oficial informações variadas a respeito do comportamento do deputado no capítulo do aproveitamento de dinheiros públicos.

O resultado foi Dilma afastada do palácio do Planalto,por 180 dias, e Cunha impedido de exercer a presidência da Câmara.

Como Temer só chegou à presidência da República, mesmo como interino, graças às manobras de Cunha, a conta ficou em aberto, diante da possibilidade de sua cassação, para acontecer ainda esta semana, conforme as previsões. Resultado: o deputado entregou a fatura. Ou conta com o apoio do presidente para mobilizar as bancadas governistas e evitar sua degola, ou revela episódios ainda desconhecidos envolvendo Michel, hipótese capaz de devolver o poder a Dilma, ainda dentro do prazo de 180 dias.

Nessa intrincada equação, ainda inconclusa, papel fundamental cabe ao ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal. Depende dele acionar a lâmina da guilhotina capaz de fulminar Eduardo Cunha, ainda esta semana, ou aguardar o tempo necessário para que se faça sentir a influência de Michel Temer, se ele aceitar pagar o que deve.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Bem vindo ao inferno, por Tânia Fusco--Jornalista,


Assim o sindicato dos policiais do Rio de Janeiro receberam ontem os desembarcados no Galeão. Têm salários atrasados, nas delegacias falta papel higiênico, água, tinta para imprimir documentos – boletins de ocorrência inclusive.

O governador anunciou que suas viaturas também podem parar - falta dinheiro para manutenção e combustível. Falta politica de Estado para a Segurança no Brasil. E não é de hoje. Não é só no Rio.
Gisele. José Josenilson. Denilson Theodoro. Teresa. Valdik. Mortos da vez. Entre outros tantos que não viraram notícia na corriqueira mortandade brasileira.

Gisele, médica, 34 anos, José e Denilson, policiais de 31 e 48 anos, foram mortos por bandidos. Teresa, 48 anos, pelo namorado Valdik, de 10 anos, foi assassinado por agentes da Guarda Civil paulista, com tiros certeiros na cabeça. 

Balas, também certeiras, mataram Gisele, José e Denilson. Vieram dos sem farda na Zona Norte do Rio, região que o viúvo de Gisele chamou de Faixa de Gaza, onde arrastões, tiroteios, assaltos chacinas e balas perdidas são rotina de polícia e bandido, com papeis misturados, sem cerimônia. O alvo somos nós, o povo.

Um soco preciso fez a cabeça de Teresa bater e estourar no chão do Paraná.

Bandidos, policiais, maridos, namorados, companheiros e ex matam, cada vez mais, no Brasil violento, nada cordial.

Sem política de Estado para Segurança, o prefeito de São Paulo, assim como quem não tem quase nada a ver com isso, pode classificar a violência de seus guardas como “ação equivocada”.

O prefeito do Rio, mais uma vez, lamenta a morte do policial que era seu segurança e oferece sua solidariedade à família. Vai cuidar da Olimpíada para o que, já garantiu, não faltará dinheiro do Estado e do estado quebrados.

O governador trata a falta de gasolina como mais um dos seus muitos problemas do estado insolvente que recebeu de seu antecessor que, assim mal gerido, recebeu de outro antecessor, que recebeu de outro e outro que recebeu igual de outro.

De penúria em penúria, a policia brasileira, que morre e que mata feito formiga é violenta, mal preparada, mal armada e mal paga. Nem nos tempos de bonança econômica merece preferência – ou deferência - nos gastos públicos. Isso desde sempre.

Segurança por aqui só é prioridade nos programas políticos dos candidatos prometedores em todas as esferas da administração.

Não tem prefeito que não leve a Segurança Pública para o palanque, Ainda que para eles reste apenas a responsabilidade sobre a Guarda Civil – vez por outra “equivocada”, que existe para zelar pela população e pelo patrimônio público, mas, armada para se equivocar, mata primeiro, pergunta depois. Ih, foi mau. Era só um menino, de 10 anos, desarmado.

Segurança não é política de Estado. Quem for safo –polícia, bandido ou mocinho – que se safe.

A cada ano, as policias brasileiras matam 3 mil pessoas – 8 por dia. Um 11 de Setembro por ano. (Foram 2.977 os mortos daquela tragédia americana).

Policiais também morrem as pencas. Foram 408 em 2015. No Rio, nesses seis meses do ano, já morreram 54. São Paulo enterrou 43 no ano passado.

Quem chora por uns e outros? As famílias, os amigos. Atolado em desacertos, cuidando sempre da salvar a economia do Mercado da vez, os estados não têm disponibilidade orçamentária nem para reles coroas de flores aos que morrem a seu serviço.

Na minha insignificância de cidadã jornalista já perdi as contas das vezes que escrevi sobre a violência crescente, assustadora, sem solução a vista. 
Aqui, parece, o medo só faz comprar alarmes e grades domésticas e aumentar penas para os criminosos do dia a dia que, sabem, muito poucos viverão para cumpri-las. De tão corriqueiro, o tema não leva ninguém às ruas, nem faz bater panelas.

O Brasil hoje é um país violento de norte a sul, capital e interior.

Aos de fora, que aqui padecerem, agora podemos também mandar essa: Não foi por falta de aviso! No aeroporto, nosso receptivo policial saudou: Bem vindo ao inferno.

Silêncio é ouro, palavra é prata, por Ricardo Noblat

Comentario---vêr artigo no blog....aqui o proficional e interino em acao....perante, sobretudo, os asseclas conhecidos.
                     Temer perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado

O que significa: “A Lava-Jato deve ser mantida enquanto houver irregularidades”, mas “o país não pode ficar dez anos nessa situação”?

Foi o que disse o presidente interino Michel Temer em entrevista no fim da semana passada.

Irregularidades sempre haverá. Então quem dirá quais são as irregularidades que justificam ou não a continuidade da Lava-Jato?

E uma vez que alguém diga isso, a Polícia Federal e o Ministério Público serão obrigados a obedecer?

A que tipo de situação Temer se refere ao afirmar que o país não pode ficar nela por dez anos? A um tipo de situação onde o Ministério Público investiga bandalheiras e a polícia prende?

Ou isso poderá continuar sendo feito, mas num ritmo lento, quase parando? E quem modulará o ritmo das ações do Ministério Público?
Temer perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado.





EE UU halla culpable del asesinato de Víctor Jara a un exmilitar chileno, por ROCÍO MONTES


Pedro Pablo Barrientos Núñez
Coronel de Ejército

El ex--teniente Pedro Barrientos deberá pagar 28 millones de dólares a la familia del cantautor, de acuerdo con el dictamen de un tribunal de Orlando (Florida--EUA).

Luego de casi 43 años de búsqueda de Justicia, la viuda y las hijas del cantautor chileno Víctor Jara terminan lentamente con décadas de impunidad por el asesinato de una de las víctimas más icónicas de la dictadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Un tribunal federal de Orlando, Estados Unidos, ha determinado este lunes que el ex-militar chileno Pedro Barrientos, nacionalizado estadounidense, es culpable de tortura y asesinato extrajudicial del artista. El ex-uniformado deberá pagar una compensación por daños y perjuicios de 28 millones de dólares para la familia, según ha determinado el jurado. 

El juicio civil comenzó con la demanda que interpuso la viuda, Joan Turner Jara, y las dos hijas de la pareja, Manuela Bunster y Amanda Jara. Fue presentada en 2013 por el Centro de Justicia y Responsabilidad (CJA), con sede en San Francisco y el juicio arrancó el pasado lunes 13 de junio. “Aquí empieza la justicia para todas las familias de Chile que esperan conocer el destino de sus seres queridos”, indicó Turner este lunes afuera de la corte federal en Orlando.
Aunque hace tres años la justicia chilena identificó a Barrientos como autor material del homicidio, no se ha logrado su extradición para que enfrente a los tribunales locales. En 2013, el juez Miguel Vásquez determinó que el artista, uno de los símbolos del Gobierno socialista de Salvador Allende, murió el 16 de septiembre de 1973 a causa de “al menos, 44 impactos de bala”, según la autopsia.



Las pesquisas judiciales indicaron que el hombre que apretó el gatillo fue Barrientos, que era un teniente del Ejército. En esa ocasión, otros siete oficiales en retiro fueron procesados por el asesinato cometido en el Estadio Chile de Santiago, uno de los mayores centros de detención y tortura al comienzo de la dictadura de Pinochet. 

Tanto la viuda del cantante como sus dos hijas prestaron testimonio en la corte a cargo del juez Roy Dalton. Luego de conocer la decisión del jurado, después de dos días de deliberaciones, Joan, Amanda y Manuela comenzaron a llorar de alegría y se abrazaron con sus representantes legales, informa EFE. Para su abogada Catherine Roberts, “el veredicto supone un mensaje no solo a otros perpetradores, sino también al Gobierno de Estados Unidos para que agilice la extradición a Chile de Barrientos”. 
Radicado desde la década de los noventa en la ciudad de Deltona, Florida, al menos hasta hace un par de años Barrientos se dedicaba a la compra y venta de coches. El exmilitar siempre ha negado su relación con el crimen y durante el juicio tampoco reconoció su culpabilidad. El exmilitar negó conocer en esa época al popular cantautor y aseguró que supo sobre él y los sucesos que llevaron a su muerte mucho tiempo después de ocurridos

El testimonio entregado a la justicia en 2009 por José Paredes, que a los 18 años presenció el asesinato mientras realizaba su servicio militar, fue crucial para la investigación en Chile y relaciona directamente a Barrientos con el crimen de Jara. “Lo tenían sentado, tenían unas camillas, esas que son de campaña del Ejército, ahí lo tenían y le daban, le daban y le daban (…) Y Barrientos le dispara… a quemarropa casi”, relató el antiguo recluta a los tribunales chilenos. Para el juez Vásquez, que investigó el caso en Chile, no hay ninguna duda: “Él le disparó a Víctor Jara”, declaró después de procesarlo como autor de homicidio calificado. 
Para la presidenta de la Agrupación de Familiares de Detenidos Desaparecidos (AFDD), Lorena Pizarro, “el veredicto es el resultado de una lucha larga. No tiene que ver con la indemnización, sino con que hay un tribunal que dice que hay un responsable del crimen de Víctor Jara, a pesar de los tantos años de impunidad”. Entrevistada por el sitio web de T13, Pizarro indicó que “representa una lección al poder judicial chileno y al Estado de Chile en general”.

CUNHA NEGA ENCONTRO COM TEMER CONFIRMADO PELO PLANALTO--AgEstado

Extra! Extra!
Dialogo deste encontro ENTRE DOIS MAGANOS, fortuito, porém programado por ambos com a devida antecedência, --
Magano1--vai me tirar dessa ou abro o bico!
Magano 2--fica frio e para de sacolejar, tamos operando....mas ta todo mundo de ôlho pô! O negocio é segurar a onda e esperar .......cê sabe que as memorias sao curtas.....e a gente é proficional! (com c mesmo).
NB do blog--Profissional carrega marmita e tem direito ao seguro desemprego.
DE ACORDO COM ASSESSORIA DA PRESIDÊNCIA, ELES DISCUTIRAM CENÁRIO POLÍTICO
Segundo interlocutores o objetivo da reunião foi avaliar o atual cenário político. Apesar da confirmação, Cunha nega o encontro, que teria ocorrido por sua própria iniciativa. "Não estive com ele ontem (domingo). Eu não confirmo."O presidente em exercício Michel Temer recebeu na noite deste domingo, 26, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em sua residência oficial, o Palácio do Jaburu.
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O peemedebista está afastado da Presidência da Câmara desde o mês passado, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República.
Embora o Planalto confirme o encontro entre Temer e Cunha no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-presidência, a reunião não constava da agenda oficial do presidente em exercício.
Além das implicações de Cunha no âmbito da Operação Lava Jato e suas possíveis consequências para o governo de Temer, o Planalto também se preocupa com a sucessão na presidência da Câmara dos Deputados. O governo teme que um racha entre os aliados para a disputa prejudique a governabilidade na Casa e votações de seu interesse.
Além de afastado do mandato parlamentar e, consequentemente, da presidência da Câmara, em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal, Cunha também responde a um processo na Casa que pode levá-lo à cassação. Ele também é réu em dois processos em tramitação do STF porque o Ministério Público viu indícios de que ele se envolveu no esquema de corrupção que atuou na Petrobras e é investigado na Operação Lava Jato, o que o peemedebista nega.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Viver dá trabalho, por Míriam Leitão

Ministra Cármen Lúcia , vice-presidente do STF, presidindo a sessão plenária (Foto: Carlos Humberto / SCO / STF )


“A lã não pesa ao carneiro”. Com esta frase a ministra Cármen Lúcia respondeu como se vê diante do fato de que poderá até assumir a presidência da República, por chegar ao comando do Supremo Tribunal no período mais conturbado da nossa história. 

Ela disse estar preparada para as suas responsabilidades e relativizou a tensão atual: “em cada época os problemas parecem os maiores da história”.
A ministra que assumirá a presidência do STF é definida, nas conversas gravadas dos investigados, como “carne de pescoço”.

Sérgio Machado diz no diálogo com o senador Renan Calheiros que “o novo Supremo com essa mulher vai ser pior ainda”. Ela foi na sexta-feira conversar com jornalistas e estudantes no Congresso da Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos (Abraji). Chegou sem assessores e sem pose. Defendeu fortemente a liberdade de expressão, falou do seu amor ao Brasil — “sou capaz de morrer pelo país’ — e criticou os que pensam que podem pressionar os ministros da suprema corte brasileira.
Diante da pergunta feita por uma pessoa da plateia de como se sentia ouvindo as gravações de políticos falando em pressionar os ministros do Supremo, ela disse que muitos falam isso para demonstrar importância aos interlocutores. Mas que os ministros tomarão suas decisões com independência. “O Brasil tem juízes”, disse.
A frase não significou defesa corporativa. Na palestra-entrevista que concedeu à Abraji, Cármen Lúcia criticou fortemente os juízes do Paraná que entraram com uma sequência de ações contra jornalistas da “Gazeta do Povo”, por publicarem matéria sobre os salários dos magistrados. Primeiro, dizendo que os juízes são parte. 

Depois, lembrando que a informação é pública. E se não era divulgada é porque não estava sendo cumprido o princípio da transparência. Disse que quem vai para o espaço público perde parte da sua privacidade.

Na defesa da liberdade de expressão, ela deu uma aula de como, através da história, jornalistas foram ameaçados. Falou aos jovens sobre Orestes Barbosa, jornalista, cronista e compositor. Entre outras, ele fez a letra de “Chão de estrelas”.

— Orestes Barbosa foi duas vezes preso pelo que escreveu e em pleno governo de Epitácio Pessoa. Não foi no período Artur Bernardes, que impôs o estado de sítio, foi em um governo democrático. Numa das vezes em que foi preso, foi por uma manchete. Na prisão tornou-se cronista dos encarcerados.

Neste contexto, Cármen Lúcia defendeu a liberdade de imprensa e de expressão como parte fundamental da democracia. Diante da pergunta sobre o momento atual, de um governo interino e uma presidente afastada, ela disse que o país vive em normalidade democrática com as instituições funcionando perfeitamente.

Um jovem da plateia perguntou se o “monopólio dos meios de comunicação, principalmente na teledifusão” não seria um risco à liberdade de expressão. Cármen respondeu que, em tese, monopólios reduzem liberdades, mas que no contexto atual das comunicações em que há uma multiplicidade de formas de exercer o jornalismo, qualquer poder de mercado é naturalmente limitado pelas diversas possibilidades de veicular notícias pelos meios digitais.
Sobre a crítica feita à divulgação de partes do processo da Lava-Jato, que os investigados chamam de “seletiva”, ela respondeu que a publicidade do processo é constitucional e não depende da vontade do juiz. Tem que ser divulgado. O sigilo é sempre temporário, explicou, e serve, para proteger a investigação, em determinadas fases.
Curioso como a questão judicial está mesmo na ordem do dia, e o melhor resumo disso veio numa pergunta que, infelizmente, chegou às mãos dos organizadores quando já se encerrava o painel de uma hora e quarenta minutos. A pessoa perguntava o que ela achava do fato de que hoje o país sabe de cor o nome dos onze ministros do Supremo, mas não é capaz de dizer os onze jogadores titulares da seleção.
Citando poetas, fatos da história, casos de família, a ministra deu uma aula sobre o país. Ressaltou que o tempo da política e da economia é difícil, a corrupção, uma erva daninha a combater, ao mesmo tempo em que animou os jovens a enfrentar os problemas sem se desanimar diante das dificuldades, porque “viver dá trabalho”.
Míriam Leitão é jornalista

Brexit na veia, por Dorrit Harazim-Jornalista

Brexit (Foto: Arquivo Google)
As bolsas em queda de 12%, os bancos com perdas de 20%, a libra com a menor cotação em três décadas — o day after estava apenas começando. O tamanho da encrenca, também.

A dose pode ter sido excessiva, até para quem dela quis provar. Após cortar com arrebito as amarras que os ligavam à União Europeia, até os 17 milhões de britânicos que assim votaram acordaram aturdidos com o próprio triunfo.

Enquanto no resto do continente lideranças nacionalistas de extrema direita saudavam o “voto pela liberdade” brandindo a bandeira britânica, em Londres, os cabeças da vitória do Brexit foram mais comedidos.
O líder do Partido Independente Britânico (Ukip), Nigel Farage, por exemplo, optou por retificar já na manhã da sexta-feira a principal e mais eficaz promessa da campanha vitoriosa. Ele era o estelar entrevistado do programa “Good Morning Britain”, que foi ao ar poucas horas após o anúncio do resultado final.
Indagado se manteria o compromisso de reverter ao combalido Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido as 350 milhões de libras esterlinas até então alocadas à União Europeia, Farage foi de uma sinceridade tão brutal quanto tardia. “É uma promessa que eu jamais teria feito”, admitiu. “A meu ver, ela foi um dos grandes erros da campanha”.
O franjado ex-prefeito de Londres Boris Johnson, favorito a suceder ao primeiro-ministro demissionário David Cameron por ter comandado a rebelião “das pessoas comuns, decentes”, também optou pela cautela.
Ao invés da esperada declaração de triunfo na manhã da vitória, escapuliu de fininho dos holofotes que o aguardavam na residência em Islington e, quando falou, foi com um pé no freio. Não haveria pressa em acionar o artigo 50, que dá início às negociações da saída de um membro da União Europeia. “Nada mudará a curto prazo”, tentou sustentar em sua primeira coletiva, ao arrepio da sensação geral de que tudo já mudara.
As bolsas em queda livre de até 12%, os bancos do país com perdas de 20%, a libra com a menor cotação em três décadas, a Escócia prestes a convocar novo referendo para se desgarrar de vez da Inglaterra, o Sinn Féin da Irlanda do Norte mirando juntar-se à República da Irlanda — o day after estava apenas começando. O tamanho da encrenca, também.
Em parte, é a velocidade dessa avalanche mundial que desconcerta. Pouco tempo atrás, só entendidos e interessados sabiam que Brexit era abreviação de British + exit da União Europeia. Para o resto dos mortais, podia ser nome de barra de cereal ou xarope para expelir bronquite.
Hoje, alcançado o objetivo original, Brexit representa o começo do fim de uma era e passa à categoria de nova realidade política e histórica. Seu potencial para influir e alterar o panorama já pode ser atestado pelo efeito cascata em países-membros da própria União Europeia.
Está servindo de combustível mais que perfeito para os partidos de extrema-direita robustos como os da França, Itália, Alemanha, Holanda, ou mesmo para os de extrema-esquerda com igual ojeriza pelos tratados europeus. Sem falar na fileira de países do resto da Mitteleuropa, solidários na higienização de suas pátrias contra qualquer imigração.
Da capital do Irã, vieram votos para que a Escócia e a Irlanda se libertem logo “do jugo tirânico da monarquia, da chamada Grã-Bretanha”. Para o czar Vladimir Putin, apesar de ter investimentos pesados na Inglaterra, a novidade é um alívio, pois os britânicos eram os mais aguerridos defensores do boicote da UE contra a Rússia.
De quebra, a vitória do Brexit também injetou uma inesperada lufada de oxigênio na campanha presidencial à Casa Branca do virtual candidato republicano Donald Trump. Há duas semanas ele vinha levando uma surra de sua provável adversária democrata Hillary Clinton em arrecadação de fundos e nas pesquisas de opinião. Acumulara erros em demasia mesmo para seu perfil errático e demitira seu chefe de campanha. Chegou a sumir do noticiário, o que era gravíssimo.
E quando reapareceu, a notícia foi risível: Trump estava embarcando para a Escócia, onde reinauguraria um hotel-resort de sua propriedade. Isso, a poucas semanas da crucial convenção do Partido Republicano em Cleveland. Mas foi o que ele fez, e tirou a sorte grande.
Voou na noite da quinta-feira de Nova York para Glasgow, ali embarcou num de seus três helicópteros e pousou no gramado do Trump Turnberry Golf Resort pouco antes das 9h. Boné branco com o bordão “Make America Great Again” na cabeça, deu uma coletiva sobre a vitória do Brexit antes de muitos políticos ingleses.
“É fantástico”, proclamou. “O Reino Unido voltou a assumir controle próprio. Os britânicos reconquistaram sua independência. Vejo um paralelo com o que está ocorrendo nos Estados Unidos. Aqui e lá as pessoas não querem ver gente desembarcando sem saber de onde elas são, sem ter ideia de quem são. E acredito que elas não apenas querem, mas exigem a saída dessa gente...”
Para Trump, cada novo Brexit, Italeave, Czechout, Oustria, Swedone, Nexit ou similar serve de impulso à sua campanha, assim como cada novo atentado terrorista em território americano ou alhures alimenta sua lógica de murar os EUA contra o islamismo.
É conhecido um bordão de Churchill com o qual resumia sua opinião sobre o povo do outro lado do Atlântico: “Você pode contar com os americanos para fazerem a coisa certa depois de terem esgotado todas as outras possibilidades”.
As eleições de novembro próximo dirão se ele tinha razão. Mas seria curioso saber se o “British Bulldog” diria a mesma coisa de seus patrícios à luz do voto desta semana.

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

Barretão é filiado ao Partido do Cinema Brasileiro, por ANCELMO GOIS


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Comentario---oportunista é aquêle que JAMAIS muda de opiniao. So muda de roupa... de ôlho num subsidiozinho...sempre benvindo.

Produtor do filme “Lula, o filho do Brasil”, de 2009, e grande admirador do ex-presidente, 

Luiz Carlos Barreto, 88 anos, foi visto, esta semana, numa Livraria Argumento, no Rio, dando vivas a... Temer. .É como dizem alguns amigos: o único partido que Barretão é filiado é o PCB (Partido do Cinema . Brasileiro)










SANATÓRIO GERAL--Augusto Nunes---06/09/2013 ÀS 16:23

    BREXIT PREJUDICA PORTUGAL, por SILVIA CAETANO


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    Rua Augusta--Baixa lisboeta
    Portugal poderá ser dos países europeus a sofrer maiores perdas com a saida da reino Unidos da UE,que é seu quarto cliente , sétimo fornecedor ,importante investidor e maior emissor de turistas anuais.
    Com apenas 10 milhões de habitantes, o país recebe anualmente cerca de 13 milhões de turistas, o que constitui uma das suas principais fontes de renda.
    Isso sem contar os ingleses que se mudaram para Portugal em busca de clima mais ameno e boa qualidadade de vida.
    Para se ter uma idéia do significado da cifra, o Brasil ,com 204 milhões de habitantes não atrai mais de 6 milhões de visitantes por ano.
    O turismo é dos mais importantes setores da economia portuguesa. Somente a hotelaria, sem contabilizar todos os demais serviços utilizados pelos visitantes,representa 7% dos empregos nacionais.

    Pais seguro, sem violência,com mais de 300 dias de sol por ano,inverno aprazível, em torno de 10ºc médios, praias fantásticas, centenas de campos de golf, boa comida e dos mais baratos custos de vida da UE,
    Portugal é a bola da vez do turimo, não somente europeu.Triste reconhecer, mas o setor tem sido beneficiado pelos conflitos no Oriente Médio e nos países limítrofes,destino evitado pelos turistas que se desviam para Portugal.
    Nunca antes se viu tal multidão de visitantes inundando as ruas de Lisboa e do Porto,complet amente atravancadas pela adoção dos TukTuk como meio de transporte.
    Habituado a buzinar por qualquer motivo, apesar do novo congestionamento no trânsito, os motoristas portugues reclamam pouco porque identificam o benefício que isso acarreta para suas vidas.
    Lisboa tornou-se um verdadeiro canteiro de obras, sobretudo de reabilitação de imóveis antigos na zona histórica, até então prestes a desabar.
    De olhos também no turismo, o governo equacionou dificuldades provocadas por uma obsoleta lei do inquilinato, que desmotivava proprietários a investir na manutenção dos seus imóveis.
    Como era praticamente impossível reajustar rendas ou despejar quem pouco pagava, optaram pela decadência dos predios locados.
    Adotou-se então uma razoável via legal, com alguma proteção para os mais velhos e desempregados e, de repente, Lisboa e Porto começaram a reluzir.
    Interessante que não se trata de plástica artificial, pois é obrigatório respeitar a traça original.Dessa forma, as cidades estão recuperando o antigo esplendor.
    Não há rua na Baixa Pombalina sem tapumes a esconder obras de construção e renovação de antigos imóveis.O mesmo ocorre no Porto, um das mais lindas cidades européias.
    Conhecidos milionários e importantes famílias européias compraram antigos palácios na região do Castelo de São Jorge,
    como o conhecido sapateiro Christian Louboutain.
    Toda essa movimentação do setor imobiliário tem contribuido para recuperação da construção civil,que, com o agravamento da crise econômica, a partir de 2010, praticamente desapareu.
    Cerca de 40 novos hotéis estão sendo edificados na zona histórica de Lisboa.Paralelamente , são criadas inúmeras pousadas e moradias de curta duração para turistas.
    Brotam cafés,bristôs ,tascas e restaurantes em toda as cidades.Na primavera e no verão é difícil conseguir reservas nos hotéis das praias do Algarve.,.
    Como sabe que o Brexit trava negócios e que Portugal não pode se dar ao luxo de perdê-los, o O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assegurou que esse desligamento não deve afetar a boa relação de mais de 600 anos com o Reino Unidos.
    No entanto, com a desvalorização da libra, turistas ingleses podem desistir ou adiar viagens,enquanto as incertezas podem levar investidores ingleses a adiar projetos.
    Nada é certo, contudo, porque não se sabe como será o desdobramento do referendo.
    Menos de 24 horas depois da abertura das urnas, começou a circular na internet manifesto em favor de nova consulta sobre o tema, elevando os percentuais para efetivar a decisão de quinta feira passada.

    EDUARDO CUNHA AFIRMA QUE DILMA 'PARTICIPAVA E SABIA DE TUDO', Entrevista "IstoÉ" em 23/06/2016

    Comentario--Ex-presidiarios sabem que, dentro do presidio so ha "inocentes e vitimas". 
    E também que, alguns sao TAO dependentes que nao resistem a solidao. Trazem para lhes fazer companhia os "amigos" de quem relutam em "separar-se". Diz-me com quem andas e dir-t-ei.....
    Na noite de 12 de outubro de 2015, dia santo de Nossa Senhora Aparecida, o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estava no Rio sob um calor inclemente de 35°C à sombra quando recebeu um telefonema do recém-nomeado chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, Jaques Wagner. O chamado era urgente. O clima, àquela altura, era de elevadíssima tensão.

    O peemedebista tentava se livrar de um processo no Conselho de Ética, enquanto Dilma buscava a todo custo evitar o início de um processo de impeachment contra ela, que dependia exclusivamente do parlamentar – seu desafeto declarado. Wagner tinha pressa de encontrar Cunha e, para não perder um minuto sequer, se ofereceu para esperá-lo na Base Aérea de Brasília, onde o parlamentar aterrissaria a bordo de um jato da Força Aérea. Assim que o então presidente da Câmara pousou na capital federal, ambos conversaram a sós. 
    O inteiro teor daquela conversa crucial tanto para Cunha quanto para Dilma nunca havia sido tornado público.
    Até agora. Cunha resolveu esmiuçá-la em detalhes em entrevista exclusiva à reportagem de ISTOÉ concedida em sua residência, em Brasília, na última quinta-feira 23 –, um dia depois de o STF torná-lo réu pela segunda vez na Operação Lava Jato.
    E.Cunha
    Segundo Eduardo Cunha, Wagner tinha um plano para salvá-lo do cadafalso. Em troca do arquivamento no nascedouro do processo do impeachment contra Dilma, o então ministro disse que poderia garantir votos de deputados petistas no Conselho de Ética. Ofereceu também influenciar o Poder Judiciário para que os processos de investigação de sua filha, Danielle, e de sua mulher, Cláudia Cruz, não fossem para a primeira instância. Cunha considerou que o petista não tinha condições de entregar o que prometia. Wagner quis deixar claro, então, que ele falava em nome da principal mandatária do País: Dilma Rousseff. Foi além. Disse que deixaria a Base Aérea com destino ao Palácio da Alvorada. Naquele mesmo dia, ele relatou à presidente o andamento da negociação. “Todas as vezes em que ele (Jaques Wagner) esteve comigo, que tocou nesse assunto, deixou claro que relatava todas as conversas para Dilma e que ela sabia. O que torna um pouco mais grave a situação. Na conversa do dia 12 de outubro, Wagner disse que naquela noite mesmo ainda conversaria com a presidente e que falaria comigo depois. O que comprova, mais uma vez, que ela participava e sabia de tudo”, disse Cunha à ISTOÉ. Depois dos encontros, parlamentares designados pelo Planalto procuravam Cunha para medir a temperatura das tratativas. Certa feita, o ministro da Casa Civil forneceu exemplos de como o PT poderia contribuir para amarrar o processo contra ele no Conselho de Ética. “Como não marcar quórum em determinada sessão para tentar adiar. Ele tentou continuar essa oferta”, afirmou Cunha na entrevista.
    Na última quarta-feira 22, o STF acolheu a segunda denúncia contra o presidente da Câmara afastado por contas na Suíça por unanimidade. Ele virou réu pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica com fins eleitorais. Até mesmo na avaliação de seus aliados, a decisão acelera ainda mais seu processo de cassação. Apesar da grave situação, Cunha tenta transparecer confiança: “Este vai ser o critério adotado pelo STF em qualquer desses casos. Ou seja: denúncia apresentada pelo Procurador Geral da República contra qualquer parlamentar será aceita”.
    Na véspera da decisão, alguns de seus mais próximos seguidores chegaram a acreditar que Cunha renunciaria ao mandato, com anúncio em coletiva organizada pelo próprio parlamentar. Sozinho, ele se defendeu e voltou afirmar que não desistiria do mandato. A cena, retrato mais bem acabado do isolamento de Cunha, repercutiu negativamente no ambiente político. Nos bastidores, até seus defensores históricos lamentavam a iniciativa, considerada “desastrosa”. 
    A cassação é tida como questão de tempo por aliados. Seus advogados entraram com recurso na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que terá de analisá-los antes de a votação seguir para o Plenário. A previsão é de que o processo seja concluído antes do recesso parlamentar.
    Há entre seus mais fieis escudeiros a crítica velada à sua insistência em permanecer no mandato. 
    Hoje, Cunha conversa regularmente com poucos deputados. No seleto grupo, estão Jovair Arantes (PTB-GO), Rogério Rosso (PSD-DF), Carlos Marum (PMDB-MS), Hugo Motta (PMDB-PB), Arthur Lira (PP-AL) e Marcelo Aro (PHS-MG). 

    O presidente afastado tenta justificar a fuga de apoiadores: “A impressão de que estou isolado é porque não estou podendo ter um convívio maior.” Profundo conhecedor dos submundos do poder, Cunha sabe que já foi mais poderoso. Bem mais. Há não muito tempo, comandava uma bancada de mais de 100 parlamentares. 

    Segundo seus adversários, o séquito era alimentado com o que a política tem de mais sedutor para um parlamentar: verbas de campanha e cargos em postos-chave. 

    O peemedebista nega a utilização desses métodos. 

    Hoje, além do isolamento político, Cunha experimenta uma outra situação insólita em sua trajetória como homem público. A convivência com denúncias não é novidade para ele. A diferença é que, agora, as cortes da Justiça não admitem mais suas explicações. Não parece ser um fim com o qual o parlamentar sonhou, semelhante ao que ocorre com Dilma.
    Se em algum momento já pareceram feitos um para o outro, Cunha e Dilma são hoje como água e óleo. Atualmente, experimentam o mesmo infortúnio: ambos estão afastados do cargo para o qual foram eleitos. Na narrativa petista, a queda de Dilma significaria a salvação de Cunha. No Congresso, a maioria aposta no harakiri duplo.

    Cunha

    A ENTREVISTA
    O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, recebeu ISTOÉ na quinta-feira 23. Adornavam a residência oficial abundantes arranjos de astromélias brancas, que significam lealdade. Espalhados pelos dois aparadores e pelas cinco mesinhas laterais havia 49 porta-retratos: a maioria emoldura o rosto da mulher, Cláudia Cruz. Abaixo, os principais trechos da entrevista:

    O sr. disse que recebeu o então ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Jaques Wagner, em outubro do ano passado em três diferentes ocasiões, nas quais ele lhe propôs um acordo para que o sr. livrasse a presidente do impeachment. Em troca ele garantiria sua absolvição no Conselho de Ética da Câmara. Como se deu essa abordagem? 
    Obviamente que toda conversa política tem sempre os seus meandros, suas idas e vindas. Mas o que aconteceu clara e textualmente é que ele sentou para discutir pontos de governabilidade, tentando uma aliança comigo, para que pudéssemos andar juntos. E para isso, começou a oferecer justamente votos no Conselho de Ética. Ele ofereceu textualmente algo que eu até reputei como ridículo, que foi a interferência do governo para que mantivessem a minha mulher (Cláudia Cruz) e minha filha (Danielle) sobre a ótica do processo do Supremo. O que eu já disse de pronto que eu não acredito nesse tipo de interferência. Não creio que o governo tenha esse controle de quem quer que seja. Refutei.
    A presidente Dilma Rousseff sabia das propostas de Jaques Wagner para o sr?
    Todas as vezes em que ele esteve comigo, que tocou nesse assunto, ele deixou claro que Dilma sabia das conversas. Que ele relatava todas as conversas e que ela sabia. O que torna um pouco mais grave a situação. E depois desses encontros, existiram parlamentares que ficaram fazendo a ponte. Algumas vezes, Jaques deu exemplos de como o PT poderia me ajudar no Conselho de Ética, como não marcar quórum em determinada sessão para tentar adiar. Ele tentou continuar essa oferta. Isso tudo estou falando simplesmente para rebater essa fantasiosa história de que abri o processo de impeachment por vingança, que é o que eles chamam de desvio de poder.
    Aliados de Dilma vazaram a versão de que, na verdade, as conversas de Wagner com o sr. eram para te enrolar até que fossem aprovadas as metas fiscais.
    Quando dão uma desculpa dizendo que estavam querendo me enrolar, na verdade estão é confirmando que fizeram a oferta. E enrolar faz parte da natureza deles. Enrolaram o Brasil esses anos todos e deu no que deu. Minha pergunta é: estão querendo dizer que a presidente Dilma era a cabeça de um plano de enrolar o presidente da Câmara no intuito de aprovar um projeto? Na conversa do dia 12 de outubro, na Base Aérea, quando ele (Jaques Wagner) me ligou e marcou, ele saiu do nosso encontro e disse que naquela noite mesmo ainda conversaria com a presidente e que falaria comigo depois. Que era para relatar a conversa a ela. Então, a cada conversa, ele dizia que ia sair e que ia até a presidente para relatar. O que comprova, mais uma vez, que ela participava e sabia de tudo.
    O sr. sempre aglutinou muitos aliados. Agora se sente abandonado?
    Fui afastado pelo STF e estou sendo cerceado. Ele (Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot) entrou com pedido de prisão só porque eu disse em uma entrevista que eu ia à Câmara. Não estou podendo exercer nem a minha autodefesa no Conselho de Ética e nem fazer o que o julgamento político pressupõe, que é estar em corpo a corpo com os parlamentares, que são meus julgadores, para me justificar. Então, se eu não estiver afastado, daqui a pouco eu posso até ser preso por conversar com deputado.
    Mas o sr. poderia receber visitas aqui na residência da Presidência da Câmara.
    Eu acho que eu posso exercer quaisquer atividades que não sejam do exercício do mandato. Eu não perdi meus direitos políticos. A impressão de que estou isolado é porque eu não estou podendo ter um convívio maior, o que está prejudicando.
    Tem parlamentar que não quer ser visto falando com o sr., nem ser fotografado ao seu lado por que agora não interessa mais ter essa proximidade ? O governo Temer te abandonou?
    Não tenho condições de te afirmar isso. Ficam tentando me colocar numa clandestinidade. Essa decisão do Supremo e ameaça de prisão (caso eu vá à Câmara), é uma tentativa de me constranger e criar uma coação contra mim. O governo Michel Temer não tem nem que me abandonar nem que me abraçar. É um processo político interno da Câmara.

    O sr. disse em nota que argumentos da sua defesa não foram considerados…
    Nesse processo da aceitação da segunda denúncia, a gente sempre reclama da seletividade do procurador (Rodrigo Janot) de me escolher para apresentar rapidamente as suas peças – lembrando que desde a abertura do processo de impeachment , em 17 de abril, ele abriu seis novos inquéritos contra mim. Ele apreciou duas denúncias em três meses, enquanto o presidente do Senado (Renan Calheiros) está há três anos e três meses sem apreciar. Quarta, chegou-se ao julgamento sem decidir todas as peças que deveriam ter sido decididas com relação a este processo. O exemplo mais gritante é: para justificar que eu participei da discussão do tal contrato de Benin (na África) eles dizem que eu teria participado de uma reunião na Petrobras com a presença de um diretor internacional, no dia 12 de setembro de 2010, onde eu teria chegado de helicóptero acompanhado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. 
    Então, primeiro: ele nem denunciou o Eduardo Paes. Segundo: minha defesa juntou a comprovação documental de que nem eu nem o tal diretor estávamos na Petrobras naquele dia, que era um domingo de campanha eleitoral e que nem helicóptero pousou naquele dia lá. Ou seja, prova factual de que a reunião não existiu. 
    Apesar de anexar à minha defesa, isso foi ignorada pelo relator (ministro Teori Zavascki), que proferiu o voto aceitando a denúncia dando como justificativa a própria reunião. Ou seja, meus argumentos de defesa são ignorados. Não é um julgamento, é um linchamento, um justiçamento.
    O sr. diz que os argumentos da sua defesa estão sendo ignorados, mas fala também ter a certeza de que será absolvido pelo STF. A decisão de acatar sua denúncia foi unânime.
    Provavelmente, este vai ser o critério adotado em qualquer desses casos. Ou seja: denúncia apresentada pelo PGR contra qualquer parlamentar será aceita. Mas eu acredito no bom senso durante o processo comprobatório e que poderemos fazer valer nossos argumentos. Acredita que me fizeram três denúncias sem nem me ouvir? Usaram minhas falas públicas em entrevistas jornalísticas como se fosse depoimento de investigado. Espanta-me essa violação.
    Sua família está sendo perseguida?
    No caso da minha filha, fizeram uma cópia adulterada da ficha do banco excluindo a declaração do que ela realmente era. Ela não tinha nada a ver nem com a conta da minha esposa. Ela tinha apenas um cartão adicional, mas ignoraram. O caso da minha esposa é diferente do meu. Eu nunca disse que a minha esposa não tinha conta (no exterior). Ela detém a conta sim, mas a discussão é que ela não tinha obrigatoriedade de declarar porque, no nosso entender, em 31 de dezembro de cada ano ela tinha um saldo inferior a US$ 100 mil.
    Os procuradores disseram que dinheiro de propina bancou luxos de sua esposa no exterior. É uma imagem forte para a opinião pública.
    Matematicamente isso é impossível. O patrimônio que eu detinha e que foi doado ao trust foi de muitos anos atrás, oriundos de minhas atividades privadas. A prova disso é que estão elencando um valor que teria sido recebido através do trust de 1,3 milhões de francos suíços (R$ 5 milhões). E 2,3 milhões francos suíços foram bloqueados. Ou seja, foi bloqueado 1 milhão a mais do que eles contestavam. Então, como os gastos foram feitos decorrentes desse dinheiro? A defesa dela vai provar exatamente o roteiro do dinheiro. 

    (Entrevista publicada originalmente na revista IstoÉ, neste fim de semana)