sexta-feira, 27 de maio de 2016

Artistas em CHOLERA......


Charge (Foto: Amarildo)
Charge (Foto: Moisés)

Charge (Foto: Chico Caruso)

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Enigma a ser decifrado, por Murillo de Aragão

A Torre de Belém, em Lisboa, iluminada com as cores e o brasão português  (Foto: Reuters )
A Torre de Belém, em Lisboa, iluminada com as cores e o brasão português (Foto: Reuters ) 

Desde os anos 80 venho a Portugal. Nos anos 90, por conta de uma promessa, as viagens tornaram-se anuais. Ainda que fossem pontuais e específicas, não pude deixar de ver as transformações ocorridas no país.

Em outro plano, Portugal vive no meu íntimo devido àminha antiga preferência por Eça de Queirós, o maior escritor de nossa língua. Talvez resista dentro de mim um pouco da nostalgia portuguesa. Uma nostalgia de tempos que não vivi.
Agora, neste exato momento, escrevo este artigo/crônicano Parque da Exposição de 1998. Aqui, uma arquitetura futurista está assentada sobre uma imensa calçada composta por tradicionais pedras portuguesas.
Centenas de estudantes e de turistas caminham para ver o espetáculo do Oceanário, onde o novo e o antigo se encontram.
Portugal é um enigma para a imensa maioria dos brasileiros, os quais, por desinformação e preconceito, não se interessam em desvendar. Ainda bem que alguns que conheço veem de outra maneira. Como diz José Múcio, Lisboa é Lisótima!
Por isso discordo sempre quando alguns desavisados atribuem nossos infortúnios à colonização portuguesa. Temos é que agradecer, pois os portugueses nos legaram um imenso país com ampla diversidade. Um fado tropical
Um país tão pequeno legou ao mundo uma nova pátria onde, a cada centímetro, há um pouco de Portugal. Ruy Guerra e Chico Buarque disseram: “Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/ Ainda vai tornar-se um imenso Portugal”.
Ao viajar pelas pequenas estradas de Portugal, me imagino um Jacinto de Thormes, personagem de Eça, reencontrando o que nunca vivi. Sem saudades do progresso tecnológico, na expectativa da felicidade na simplicidade da terra simples.
Já n’outro tempo, vejo o arrojo das formas futuristas do Oceanário. O paradoxo entre o novo e o antigo em Portugal se debate para o adiante. Sinto-me, de forma diferente mas parecida, o outro Jacinto dos tempos de Paris. Como o homem duplicado de Saramago: igual, mas diferentemente igual. Enigma a ser decifrado tal qual o caos de nossas dúvidas.

Arte de Antonio Lucena

Charge (Foto: Antonio Lucena)

Quem sabe Shakespeare ajuda? por Tânia Fusco--Jornalista

"Ser ou não ser, eis a questão", diálogo da obra de Shaskeaspeare em que Hamlet reflete sobre o sentido da vida e o efeito perverso da morte (Foto: Divulgação)"Ser ou não ser, eis a questão", diálogo da obra de Shaskeaspeare em que Hamlet reflete sobre o sentido da vida e o efeito perverso da morte (Foto: Divulgação)

Dia desses, ouvi de um professor: deveríamos ler mais Shakespeare. Qualquer dia, qualquer hora, em  tempos quentes, dias frios... Ontem, segunda-feira, 23 de maio, fez temperaturas baixas no Brasil. 20 graus no Rio, 12 em São Paulo e Porto Alegre, 19 em Brasília.
Quem sabe, neste outono quase inverno, leremos mais William Shakespeare - hoje ao alcance de todos, no Google? Quem sabe leremos mais Shakespeare, assim em traduções  livres, portuguesas e brasileiras,  como lemos – e apreciamos – citações e frases pretensiosas e despretensiosas, postadas nas telas da internet?  Sempre há – e haverá - proveito e aplicação para Shakespeare.
- Dois guardarão segredo, quando um nada souber de todo o enredo. (Romeu e Julieta)
- Um cetro arrebatado com violência precisa ser mantido com processos iguais aos da conquista. (Vida e Morte do Rei João)
- Sangue chama sangue.
- Aconteça o que acontecer, o tempo e as horas sempre chegam ao fim, mesmo do dia mais duro dentre todos os dias. (MacBeth)
- ...O nobre Brutus disse a vocês que César era ambicioso. E se
é verdade que era, a falta era muito grave, e César pagou por ela com a
vida, aqui, pelas mãos de Brutus e dos outros. Pois Brutus é um homem
honrado, e assim são todos eles, todos homens honrados. Venho para falar no
funeral de César. Ele era meu amigo, fiel e justo comigo. Mas Brutus diz que
ele era ambicioso. E Brutus é um homem honrado. ...
.
- ... Ontem, a palavra de César seria capaz de enfrentar o mundo, agora, jaz aqui
morta. Ah! Se eu estivesse disposto a levar os seus corações e mentes para o
motim e a violência, eu falaria mal de Brutus e de Cassius, os quais, como
sabem, são homens honrados. Não vou falar mal deles. Prefiro falar mal do
morto. Prefiro falar mal de mim e de vocês do que destes homens honrados.”

- Quem ia saber que os céus podem ser tão ameaçadores? Os que sempre souberam que a terra é povoada de erros.
- É nos dias ensolarados que a cobra sai do ninho e nos obriga a andar com passos cautelosos.
- Os que nos sorriem, este o meu receio, trazem no coração milhões de maldades.
- Homens insinceros, eles são como cavalos, cheios de energia ao se deixarem domar, exibindo e prometendo seus brios. Mas, quando eles têm de aguentar a espora sanguinária, abaixam a crina e, como enganadores rocins, não passam no teste. (Júlio César)
- O mundo inteiro é um palco, e todos os homens e mulheres, apenas atores. Eles saem de cena e entram em cena, e cada homem, no seu tempo, representa muitos papéis".  (Como Gostais)
- Triste a sorte de quem depende da vontade dos príncipes! (Henrique VIII)
- A sabedoria grita pelas ruas, mas ninguém lhe dá ouvidos. (Henrique IV)
- A virtude nunca é expulsa da corte a chibatadas. Por lá tratam-na muito bem, com o intuito de retê-la o máximo possível. No entanto, está sempre de passagem. (Conto de Inverno)

- O ser grande não é empenhar-se em grandes causas: grande é quem luta até por uma palha ... (Hamlet)

- Não poucas vezes vemos a indigente sabedoria depender em tudo da tolice suntuosa e exuberante. (Bem Está o que Bem Acaba)
- O rosto dos homens é sempre honesto, façam as mãos o que fizerem. (Antônio e Cleópatra)
-  O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui.
- Mais nobre é o perdão que a vingança. (A Tempestade)
- Só escuta de bom grado uma sentença quem em proveito próprio nela pensa. (Otelo)
- Quem sai de um banquete com o apetite que, ao sentar-se, tinha? Qual é o cavalo que a tediosa pista de volta mede com o ardor tão vivo que ao partir revelava? Sempre pomos mais entusiasmo no alcançar as coisas, do que mesmo em gozá-las.”
- Se os estados, ofícios, posições não fossem dados por maneira corrupta, e as honrarias só fossem conquistadas pelo mérito, quantas pessoas que andam descobertas, a cabeça cobririam! Quanta gente que hoje é mandada, assumiria o mando!
O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém. (Mercador de Veneza)
William Shakespeare, maior e mais influente dramaturgo e poeta inglês, viveu no Renascimento - 26 de Abril de 1564 a 23 de Abril de 1616. Viveu 51 anos e produziu uma barbaridade  - 38 peças, 154 sonetos, dois longos poemas narrativos e outros tantos conhecidos, repetidos e encenados em seguidos 400 anos de história.
PS.: Frase do dia, ontem, em Brasília: “Muito Nero para pouco Roma”. 

Sarney disse a Machado que oposição só aceitou Temer após ‘certas condições’, nas fôlhas


José Sarney (Foto: Divulgação)
José Sarney (Foto: Divulgação)

Gravado em conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) revelou que a oposição no Congresso resistia em apoiar Michel Temer na Presidência, que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atuou para convecer os parlamentares, e que a proposta de transição no governo só foi aceita após "certas condições". A gravação foi feita em março. Os trechos dos diálogos foram publicados pela "Folha de S.Paulo".

O ex-presidente Sarney é o terceiro interlocutor de Machado a ser alvo de grampos, depois de Romero Jucá (PMDB-RR), que foi exonerado do ministério do Planejamento, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Machado firmou acordo de delação premiada homologado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF)."Nem Michel eles queriam, eles querem, a oposição. Eles aceitam o parlamentarismo. Nem Michel eles queriam. Depois de uma conversa do Renan muito longa com eles, eles admitiram, diante de certas condições", diz Sarney na gravação.

Mais aqui--Sarney disse a Machado que oposição só aceitou Temer após ‘certas condições’, afirma jornal

Temer, a solução que virou problema, por Elio Gaspari

Michel Temer, presidente da república em exercício  (Foto: Divulgação)

Michel Temer, presidente da república em exercício (Foto: Divulgação)
Temer pareceu uma solução e tornou-se um problema porque, depois da revelação do conteúdo da escandalosa conversa do senador Romero Jucá com o ex-colega Sérgio Machado, cobriu-o com os seguintes adjetivos: “competente”, dotado de “imensa capacidade política” e “excepcional” formulador de medidas econômicas.
Segundo Temer, o ministro “solicitou” seu afastamento. Tudo bem, fez isso, depois de se aconselhar com Elvis Presley, que está vivo. Sua ausência estaria relacionada com “informações divulgadas pela imprensa”. Falso. O repórter Rubens Valente não divulgou apenas informações, transcreveu áudios e colocou-os na rede. Jucá tentou embaralhar a discussão e foi prontamente desmentido pela própria voz.
Temer nomeou Jucá para o Ministério do Planejamento sabendo quem ele era. O doutor celebrizou-se comemorando de mãos dadas com o notável Eduardo Cunha o fugaz rompimento do PMDB com o governo.
É impossível acreditar no que o governo disse na segunda-feira, mas é plausível supor que Temer e Jucá, homem de “imensa capacidade política”, compartilhem visões da crise. O senador foi repetidamente apresentado como um dos cinco grandes conselheiros do vice-presidente, integrante do seu “estado-maior”.
Em sua conversa com Machado, Jucá produziu um retrato perfeito e acabado da oligarquia política ferida pela Lava-Jato:
“Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”.
Pergunte-se, o que quer “essa porra”?
“Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura.”
Desde que aderiu à fritura da Dilma Rousseff, Temer deu diversos sinais de antipatia objetiva e simpatia retórica pela Lava-Jato. Pena.
Um trecho da fala de Jucá é significativo e preocupante:
“Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.”
Jucá teve seu momento de vivandeira.
Os “caras” garantem a ordem no cumprimento da Constituição e não precisavam conversar com o doutor para reiterar esse compromisso. É bom que monitorem o MST e aquilo que Lula chamou de “o exército” de João Pedro Stédile. Contudo, salta aos olhos que, para Jucá, era conveniente misturar a manutenção da ordem com uma trama política escandalosa em relação à qual os militares nada podem fazer, pois a Lava-Jato é assunto do Judiciário.
Felizmente, Machado era um grampo ambulante. Ele chocou o país com a conversa e haverá de chocá-lo muito mais revelando o que sabe do PSDB, do PMDB e da Transpetro, que presidiu por dez anos, abençoado por Lula e pelo PT.
A primeira quinzena do atual governo pode ser malvadamente comparada à lua de mel de Marcello Mastroiani com Claudia Cardinale no filme “Il Bell'Antonio”.
A ideia de que o atual governo possa aumentar impostos, mexer em leis trabalhistas e alterar os prazos para as aposentadorias de quem já está no mercado de trabalho é uma perigosa ilusão.
Se Temer tivesse formado o ministério de notáveis prometido pelo seu departamento de efeitos especiais, talvez isso tivesse sido possível. Jucá, um investigado pela Lava-Jato, deixou o ministério e, no seu lugar, interinamente, ficou um cidadão investigado pela Operação Zelotes.
Elio Gaspari é jornalista

domingo, 15 de maio de 2016

Mudando de assunto, por Ana Maria Machado

Acordos de leniência (Foto: Arquivo Google)

O tema dominante é um só: o novo governo. Como todos já falam disso (e só disso), mudo de assunto para chamar a atenção para fatos recentes quase afogados no tsunami geral, mas que podem ter repercussões importantes para todos. 
Nesse quadro merece destaque a revelação dos chamados Panama Papers, divulgados por um coletivo de profissionais de imprensa — o Consorcio Internacional de Jornalistas Investigativos — a partir do vazamento de farta documentação sobre evasão fiscal, contas de laranjas e movimentação financeira internacional em empresas offshore e paraísos fiscais.
No foco, os serviços de uma empresa de advocacia baseada no Panamá, a Mossack Fonseca, que atua em 42 países e emprega mais de 600 pessoas. O dossiê inclui mais de 11,5 milhões de arquivos de mais de 215.000 entidades e ainda levará algum tempo para ser devidamente examinado. Pode haver casos em que a manutenção dessas contas não é criminosa e se dá por razões de herança ou direitos de sucessão, ou por perseguição política no país de origem.
Algumas dessas contas podem se explicar por mecanismos de isenção fiscal em determinadas legislações, e não por evasão e tentativas criminosas de enganar os diversos fiscos nacionais. Mas, feitas essas ressalvas, é impossível não constatar que tudo aponta para uma avassaladora maioria de casos de fuga de impostos e ocultação de patri- mônio por motivos ligados à ilegalidade — como tráfico de drogas, contrabando de armas, sequestros, corrupção envolvendo políticos e empresas.
No meio desse mundo a desbastar e esclarecer, um destaque especial e positivo para o Brasil. Revelou-se que somos o único país do mundo em que as autoridades já estavam oficialmente investigando essa companhia e esses mecanismos. Mérito da Operação Lava-Jato e suas apurações minuciosas envolvendo colaboração internacional, por meio de troca de informações fiscais e financeiras.
Nessa área em que se movem as grandes empresas e a propina, num momento em que se exige transparência e respeito aos cofres públicos, vale ainda destacar no âmbito nacional a questão dos acordos de leniência.
Levando em conta que a lógica dos negócios das grandes empreiteiras com o governo teve seus crimes descobertos e isso tem de mudar, mas considerando também a quantidade de empregos que essas empresas geram e sua capacidade de contribuir com impostos para a economia do país, era natural que se pensasse em uma forma de colaboração premiada para ajudar a elucidação dos caminhos da propina.
Mas é fundamental garantir que não haja impunidade, e também incentivar a mudança dos métodos adotados até agora. Nesse quadro, a lenientíssima Dilma editou uma medida provisória em dezembro, fingindo enfrentar o problema mas, na prática (ah, esses eternos fingimentos), revogando a Lei Anticorrupção em vigor, ao retirar o Ministério Público dos acordos de leniência, que passariam a ser feitos apenas com o Executivo — eventual parte interessada, se acusado de envolvimento no crime.
Deveria ser votada até o fim de maio, acrescida de um relatório do deputado Paulo Teixeira, ainda mais bonzinho com as empresas. Agora, deve cair por decurso de prazo, junto com o governo despencado, preocupado em proteger as empreiteiras. Segundo o jurista Modesto Carvalhosa, sua aprovação seria um escândalo legislativo, garantindo a impunidade, esvaziando o Ministério Público e legalizando a corrupção.
No sentido contrário, vimos nos últimos dias uma empreiteira tomar o caminho oposto. A Andrade Gutierrez seguiu os passos da Camargo Corrêa ao fazer um acordo e foi além: se comprometeu a indenizar o Estado em 1 bilhão de reais, e publicou uma nota reconhecendo seus erros e pedindo desculpas.
Já imaginaram como tudo poderia ter sido diferente, se o governo tivesse feito algo semelhante, entendendo que não estava acima da lei, assumindo sua responsabilidade, reconhecendo erros, pedindo desculpas, e se dispondo a mudar, em vez de insistir em seu papel de vítima inocente a martelar uma perfeição arrogante?
Como se não bastasse, a nota da Andrade Gutierrez sugere algumas medidas anticorrupção, com propostas concretas que podem impedir que continuem campeando as espertezas e achaques, os aditivos e embustes, as manhas e artimanhas que vinham caracterizando a relação entre poder público e empresários no país. São sensatas, prudentes e atentas a questões ambientais. Em geral, são sugestões tão lógicas que é de espantar que as coisas já não fossem assim.
Em momentos carentes de esperança, sinais positivos são bem-vindos. É o caso desse anúncio, como é o caso da eleição de um prefeito muçulmano em Londres, lição de convivência e democracia que os londrinos dão aos radicais de toda parte, ao apostar no desmanche de preconceitos e no desmonte de ódios e polarizações. Pequenas flores furam o asfalto e brotam tímidas. Que ninguém as esmague, com passos descuidados.
Ana Maria Machado é escritora

Arte de CHICO Caruso

         Charge (Foto: Chico Caruso)

sábado, 14 de maio de 2016

Deu no New York Times, por Ruy Fabiano--Jornalista

Edifício sede do New York (Foto: Arquivo Google)
Edifício sede do New York (Foto: Arquivo Google)
O jornal The New York Times, o mesmo que meses atrás considerou o Petrolão “o maior escândalo financeiro da história da humanidade”, deu mostras esta semana de que não se conecta consigo mesmo – ou por esquizofrenia ou por amnésia. Ou ambas.
Em editorial, considerou que Dilma Roussef paga “preço desproporcionalmente grande por irregularidades administrativas”. O editorialista parece compadecido com a ex-presidente e assume seu ponto de vista, que, na essência, subscreve a narrativa petista.
Segundo dados iniciais do governo que entra, o déficit de R$ 96 bilhões que a equipe econômica anterior admitiu é bem superior. Não incluiu a queda de arrecadação (algo acima de R$ 100 bilhões) e a renegociação da dívida com os estados (R$ 8 bilhões).
Não é só. A equipe de Dilma previu algo que não existe: arrecadação de R$ 12 bilhões com a CPMF, que, mesmo com as negativas do Congresso, supunha vir a obter (estelionato contábil), além de mais de R$ 230 bilhões de restos a pagar na Saúde.
Como essa conta não sairá do bolso do editorialista do jornal norte-americano, é fácil considerá-la banal.
Mas o mais grave é que o jornal sabe que não se trata “apenas” disso. As pedaladas e as fraudes fiscais, gravíssimas e inconstitucionais – e, portanto, passíveis de impeachment –, estão longe de esgotar o repertório de delinquências do governo que sai.
No pedido aceito por Câmara e Senado, não constam os delitos de 2014 – ano eleitoral, em que chegaram ao paroxismo, para burlar as eleições -, sob o argumento cretino, do procurador-geral Rodrigo Janot, de que a Constituição (artigo 86, parágrafo 4º) não permite que o presidente, na vigência de seu mandato, seja julgado por atos estranhos ao exercício de suas funções.
O dispositivo constitucional foi aprovado ao tempo em que não existia reeleição. E foi interpretado de maneira defensiva à presidente, considerando absurdamente que seu primeiro mandato nenhuma relação tinha com o segundo, quando o delito praticado visou exatamente a permitir a reeleição.
Ou seja, a acusação que restou – mesmo assim suficiente para a penalidade que lhe está sendo imposta – é desproporcionalmente menor que a praticada. Trata apenas dos crimes fiscais de 2015.
Isso, claro, sem levar em conta o que já se sabe sobre a Lava Jato, em que dirigentes das maiores empreiteiras do país contam uma mesma história: a campanha de Dilma foi nutrida com dinheiro roubado da Petrobras. E embora o mesmo NYT tenha considerado esse escândalo como colossal e incomparável a qualquer outro, sabe-se que não é o único, nem possivelmente o maior.
Há ainda diversas caixas-pretas por abrir. Algumas, como BNDES e Eletrobrás, só pela pontinha que já se puxou, sinalizam rombos equivalentes. A Caixa Econômica Federal está quebrada, idem os fundos de pensão e o Banco do Brasil.
Há o Dnit, as verbas estatais que nutrem blogs sujos na internet, “movimentos sociais”, que se comportam como milícias fascistas, e ONGs que são células partidárias.
Mas bastaria a Petrobras para justificar a responsabilização penal do governo e da presidente, que comandava o Ministério de Minas e Energia e o conselho administrativo da estatal quando a roubalheira sistêmica começou, em 2003.
Se Dilma não roubou dinheiro, deixou que roubassem - e roubou votos de eleitores de boa fé, o que é mais grave ainda.
Al Capone foi preso por sonegação ao imposto de renda, crime modesto, se comparado ao conjunto de sua obra. Mas a polícia, ao prendê-lo por tal motivo, sabia com quem estava lidando. E, a partir do fio daquela meada, chegou ao restante.
É o que ocorrerá com a organização criminosa (expressões do ministro Celso de Melo, do STF, e do próprio Janot) que acaba de ser afastada. De pedalada em pedalada, as investigações chegarão à esfera penal, e aí ficará claro que Dilma está sendo punida pela mais amena das acusações que sobre ela e seu governo recaem.
As projeções mais otimistas sobre a economia brasileira – e que excluem os danos morais, culturais e a guerra ideológica instalada sobretudo nas universidades – falam em pelo menos uma década de sufoco para que o país comece a se recuperar. Não para que avance, mas para que retorne à posição modesta que ocupava antes de ser alvo das tropas de ocupação do PT.
Se Temer não expuser todo o prontuário administrativo do governo Dilma, contribuirá para que a versão petista acabe iludindo mais pessoas de boa fé – e nutrindo os interesses das de má fé. Não se sabe em qual das duas categorias se insere o editorialista do NYT.

Filha de ex-diretor da Petrobrás chora diante de Moro e diz que ‘nada disso compensou’, por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

Operação Lava Jato (Foto: Montagem blog do Noblat)Uma das filhas do engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás (Abastecimento) – réu e delator da Operação Lava Jato – chorou nesta sexta-feira, 13, diante do juiz federal Sérgio Moro.

Ao final da audiência no processo em que ela própria é acusada por corrupção e obstrução da Justiça, Ariana Azevedo Costa Bachmann disse a Moro que gostaria de falar sobre seu pai. “Hoje de manhã eu acordei e escrevi umas coisas. Poderia falar?”
O juiz consentiu.
“Eu sei que o meu pai errou, ele errou bastante mas ele está pagando muito caro por tudo o que ele fez. Não só ele como toda a família”, disse, inicialmente, Ariana.

Ex-executivos da Andrade acusam Cabral de receber mesada de propina, nas Fôlhas

Comentario meu---...mas como é da patota governista do pmdb....vai aliviar dayelo? 

Perguntar nao ofende......

Pablo Jacob (Foto: Agência O Globo)
Sérgio Cabral 
O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) foi acusado por dois ex-executivos da construtora Andrade Gutierrez, em depoimentos de delação premiada a procuradores da Lava-Jato, de ter cobrado propina nas obras do Maracanã, do Comperj, do Arco Metropolitano, do Conjunto de Favelas de Manguinhos e até de contratos nos quais não havia dinheiro do estado. Em seus depoimentos, divulgados pelo “Jornal Nacional", nesta sexta-feira, Rogério Nora de Sá e Clóvis Peixoto Primo disseram que Cabral teria recebido R$ 300 mil mensais, entre 2010 e 2011, referentes a 5% do contrato da reforma do Maracanã para a Copa do Mundo. Os delatores afirmaram ainda que a Andrade pagou outros R$ 350 mil por mês, sem informar a duração do pagamento, após pedido do ex-governador, em 2011, como um adiantamento. Na ocasião, Cabral teria cobrado da empresa o pagamento referente a contratos futuros, justificando que não tinha obras nem projetos porque estava no início do segundo mandato.
Os ex-executivos afirmaram, em depoimento no fim de maio, que se reuniram com Cabral no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio, onde Cabral morava à época, para tratar de propina. O percentual cobrado pelo ex-governador era de 5% dos valores dos contratos, segundo os ex-executivos. As delações incluem também o ex-secretário de Governo do estado Wilson Carlos, o dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, e Carlos Miranda, apontado como operador de Cabral nas obras do Maracanã. Segundo os depoimentos, o acerto dos pagamentos era feito com Wilson Carlos, que falaria em nome de Cabral.
Aos procuradores, Rogério de Sá e Clóvis Primo disseram que o ex-governador cobrou pagamento de 5% do valor total do contrato para reforma do Maracanã. A informação foi publicada pela revista “Época”. Com pagamentos mensais, a propina teria permitido que a Andrade Gutierrez se associasse à Odebrecht e à Delta, outras construtoras que formaram o consórcio que disputou a reforma do estádio, em 2009, para a Copa do Mundo. Segundo os delatores, os vencedores já estariam definidos antes mesmo da licitação. Orçadas inicialmente em R$ 600 milhões, a obra custou R$ 1,266 bilhão. O montante recebido por Cabral seria de cerca de R$ 60 milhões.
Povo Brasileiro (Foto: Arquivo Google)
O Brasil não poderia aventar que sentiria saudades da elegância institucional do presidente Collor ao renunciar, em 29 de dezembro de 1992, ao cargo, diante do seu inevitável afastamento em processo de impeachment já em curso na ocasião. Embora provavelmente motivado pela intenção de se esquivar da sanção de inelegibilidade, Collor despojou-se do poder, sem os traumas e as profundas máculas noticiadas diaria- mente pela imprensa no Brasil e no exterior.
Itamar Franco assumiu a Presidência e restabeleceu a estabilidade institucional. Naquela ocasião, houve verdadeiro clamor público diante das gravíssimas acusações que envolviam o presidente eleito e Paulo César Farias, tesoureiro de sua campanha presidencial. Em valores atuais, o “esquema PC Farias” teria arrecadado, exclusivamente de empresários, o equivalente a US$ 8 milhões em dois anos e meio (1990- 1992).
E os registros da época dão notícia de que o esquema PC movimentou mais de US$ 1 bilhão dos cofres públicos. Esses números, que escandalizaram o Brasil em 1992, são movimentações ilí- citas tímidas de amadores perto do que já se apurou na Operação Lava-Jato. O esquema atual de corrupção também supera, em muito, a exposição, interna e externa, do país.
Depois de interferências inéditas da Corte Constitucional no funcionamento da Câmara dos Deputados, foram vistas revelações escabrosas de senador, até recentemente líder do governo no Senado. Posteriormente, viu-se a nomeação de ex-presidente a ministro, para livrá-lo do risco de prisão preventiva. E depois de tudo isso, assistimos a uma votação repleta de mensagens familiares e exóticas de deputados, que aprovaram a abertura do processo de impedimento da presidente.
Para culminar a patacoada nacional, um obscuro deputado do Maranhão, presidente interino da Câmara, protagonizou um verdadeiro espetáculo circense, ao anular decisão do plenário sobre o processo de impedimento, que já estava submetido à jurisdição do Senado Federal. O atarantado parlamentar, para completar o seu desastroso ato, reformou no final do dia a sua esdrúxula decisão depois de receber uma enxurrada de críticas.
O Brasil e seu nobre povo, decididamente, não mereciam passar por tanta desmoralização. Imaginem o que os países que travam relações comerciais conosco estão comentando da nossa pátria? O deputado Maranhão virou personagem de primeira página dos principais jornais do mundo. E nossa presidente mostrou desespero para se manter no poder ao utilizar o advogado-geral da União, que deveria defender em juízo os interesses do Estado, e não os do governo, para entrar com uma ação judicial no Supremo Tribunal Federal contra o Congresso.
Com o fim dessa sucessão de trapalhadas, a sociedade roga pela estabilidade política e retomada da economia, que deveriam ser a prioridade de nossos políticos, neste momento de uma das maiores crises que atravessamos na nossa história.
Ana Tereza Basilio é advogada

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

Só há, de fato, um 'sem voto' no ministério de Temer, por ANCELMO GOIS

Comentario meu---Lêdo ivo engano! Êste SEMPRE vota a favor da riqueza, sem escrupulos nem estdos d'alma!! Espere pra vêr.

No mais O único “sem voto” do Ministério Temer é Henrique Meirelles. O resto são os políticos de sempre. Tomara que seja por uma boa causa.

NOVO MINISTRO DA JUSTIÇA DEFENDE DELAÇÕES E 'INDEPENDÊNCIA TOTAL' DA PF (AESTADO)

COMENTARIO MEU---ATO FALHO preocupante E REVELADOR, DECLAROU TAMBÉM ENFATICAMENTE, QUE HA MUITOS ANOS É AMIGO DO DAYELO....
PERGUNTA-SE AQUI--- O AMIGO ORIENTARA O AMIGO DIRECIONANDO AS INVESTIGAÇOES? ATENDENDO AS NECESSIDADES POLITICAS DO AMIGO? INDEPENDÊNCIA É INIMIGA DE AMIZADES, EM PRINCIPIO..........

Jaguar: O livro brasileiro de Siné

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Dessinateur et caricaturiste de renom, Siné, de son vrai nom Maurice Siné, est décédé 
jeudi 5 mai à l’âge de  87 ans à l’hôpital Bichat à Paris, des suites d’une opération.
Le dessinateur et caricaturiste sera enterré au cimetière du Père Lachaise, à Paris, où il a déjà installé sa tombe, à son image : un cactus qui rappelle un doigt d’honneur.
Dessus figure une devise : “Mourir, plutôt que crever”. Siné a fondé et travaillé pendant 27 ans pour Charlie Hebdo, avant d’en être  licencié en 2008.


Não sei quem me apresentou a Siné (1928-2016) quando ele desembarcou no Rio.

 Afinal, já se passaram 48 anos. Acho que foi o adido cultural da embaixada francesa. 

A atmosfera irrespirável (para ele) da França de De Gaulle trouxe-o ao Brasil. Fugiu às pressas, sem nada no bolso, como na canção de Caetano. 

O motivo? Juntou-se aos estudantes, nas barricadas da ‘Chienlit’, em 1968. 

Da noite para o dia transformou-se, de um dos desenhistas de mais sucesso na França, num desempregado, depois que sua revista, ‘L’enragé’, foi interditada pelo governo e passou a ser distribuída nas ruas de Paris pelos estudantes.

A fera esperava cuidar suas feridas no mormaço dos trópicos. Imagina a sua surpresa ao desembarcar justamente no dia de uma passeata. Tivemos que correr para escapar das bordoadas. “Não tive tempo de apreciar a paisagem”, escreveu para seu jornaleco, ‘L’Énragé’, por causa dos gases lacrimogêneos. 

Ênio Silveira, dono da Editora Civilização Brasileira, topou lançar um livro, SINÉ & CIA, ciente dos riscos que corria. A ideia era fazer uma série de desenhos ilustrando palavras que tivessem CIA, como GERÊN CIA, SUPLI CIA DO, EFERVESCÊN CIA, quase cem, que pesquisei no dicionário.
Fiquei pasmo com a sua criatividade; em menos de uma semana fez todas as ilustrações. Levava um bloco para a Praia de Ipanema e desenhava enquanto enchia a cara de caipirinhas e fumava sem parar cigarrilhas Talvis, que encontrei para substituir seus fedorentos Gauloises. Dedicatória do livro: “Ao Tio Sam, com toda a minha antipatia”.
Esses desenhos foram expostos numa galeria de pintura (convidado pelos donos da galeria mais pela sua fama, não sabiam o quanto era subversivo). Até um paralelepípedo de Paris que os estudantes arrancaram do chão para jogar nos policiais, autografado por Siné, foi posto num pedestal, como uma escultura.
Resultado, foi vetado pela galeria, assim como alguns desenhos mais pesados. Furioso, Siné, recolheu os desenhos, e a vernissage acabou antes da chegada dos convidados (e da polícia). 

Botamos os desenhos no meu jipe e fomos para um show da Rogéria na Lapa. Na confusão, esquecemos o paralelepípedo. Rogéria, que era minha amiga, dedicou o show a ele, com direito a sentar no colo. Adorou: “Em Paris, os travestis são deprimidos e feios. E a Rogéria é uma das maiores cantores que já ouvi!” 

Siné sabia do que falava: começou sua carreira como cantor do grupo ‘Les garçons de la rue’.
Jaguar é chargista

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sombras sobre Temer: ficha-suja, citação na Lava Jato e à espera do TSE, por Gil Alessi


O peemedebista Michel Temer ocupa interinamente, desde esta quinta-feira, o cargo mais alto da República. Alçado à presidência após decisão do Senado de afastar temporariamente a presidenta eleita Dilma Rousseff do cargo, são incontáveis os desafios do novo mandatário em exercício. No plano legal, também há vulnerabilidades, da Operação Lava Jato à ameaça de cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral. Veja as sombras legais sobre a gestão do peemedebista.
A chapa Dilma Rousseff/ Michel Temer, eleita para a presidência em 2014, é alvo de quatro ações protocoladas pelo PSDB no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pedem a cassação de ambos. O argumento utilizado nas peças é de que houve abuso de poder político e econômico por parte dos dois, além da campanha vitoriosa em 2014 ter supostamente sido abastecida com recursos desviados da Petrobras. A defesa do peemedebista pediu que as contas de campanha dele sejam analisadas separadamente das de Dilma, uma maneira de livrá-lo da cassação. A estratégia, porém, esbarra em alguns entraves, como o fato de que nas etapas iniciais do processo os dois políticos entregaram a defesa em conjunto e também na jurisprudência mais consolidada do tribunal. No entanto, o recém-empossado presidente do TSE, o ministro Gilmar Mendes, ainda que tenha citado a jurisprudência que prevê o afastamento de ambos, afirmou em entrevista recente ao Estado de S. Paulo a separação é uma questão que "tem que ser analisada". Ele citou caso do Governador de Roraima em que o desmembramento entre contas de vice e titular da chapa foi autorizado.
No dia 3 de maio o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo condenou em segunda instância Temer por ter feito doações em dinheiro para campanhas eleitorais acima do limite legal em 2014. A sentença teoricamente tornou o peemedebista ficha-suja de acordo com especialistas, e consequentemente inelegível pelos próximos oito anos. Isso não impede que ele desempenhe as funções de chefe do Executivo, mas faz dele o primeiro presidente ficha-suja da história. Juristas afirmam que Temer pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral para conseguir se livrar do pagamento da multa – de 80.000 reais –, mas que não cabe recurso quanto à inelegibilidade. Em nota enviado à Rede Globo, a assessoria do presidente interino afirmou que “em nenhum momento foi declarada pelo TRE a inelegibilidade (...) Não houve manifestação neste sentido (...) qualquer manifestação neste sentido é especulação e precipitação". Na prática, caso Temer tente concorrer a algum cargo eletivo nas próximas eleições, se abriria uma batalha jurídica para discutir o assunto.

Treino duro, combate fácil, por Alfredo Guarischi-Médico


Saúde pública (Foto: Arquivo Google)
As autoridades públicas do Rio de Janeiro vêm cometendo graves falhas de gestão: Ciclovia, Vila do Pan, Engenhão... E a saúde?
A pouco mais de três meses para o início dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, decorridos seis anos para se preparar, as autoridades federais, estaduais, municipais e da Rio 2016 explicam qual a responsabilidade de cada esfera do sistema de saúde. Já está tudo combinado.
No O Globo de 8 de maio, afirmei à excelente repórter Selma Schmidt que os hospitais públicos precisam de ajuda. A maioria das equipes de pronto-socorro não tem profissionais em número e experiência em medicina de urgência e trauma, é preciso simular e treinar as diversas possibilidades já conhecidas e estabelecer planos de contingência. Não adianta publicar normas, é mais efetivo treinar.
Mesmo sem ato terrorista, haverá muita gente na cidade - e também mais acidentes de trânsito, apendicites etc. Haverá aumento significativo da demanda por atendimento médico; vide Londres. Doenças não respeitam feriados.
Os 30 milhões de reais agora disponibilizados pelo governo federal poderão ser confiscados pelo judiciário para pagar os aposentados? Esse dinheiro corresponde ao custeio de quatro meses do Hospital Pedro Ernesto. Brasília já declarou que o dinheiro do SAMU termina em agosto. Tanta tristeza!
Um terço das ambulâncias prometidas chegou. Também vieram e foram testados seus respiradores e monitores? Como ocorrerá a "contratação da empresa que vai selecionar profissionais e operar as ambulâncias”? Haverá licitação ou contrato emergencial? 
Quantos profissionais especializados e treinados, entre motoristas, médicos e enfermeiros, trabalhando 24 horas por dia, todos os dias, durante os Jogos, serão necessários para essas 146 ambulâncias? Setecentos profissionais?
Como estão os quatro helicópteros dos bombeiros?  Será que já consertaram os que estavam sem poder voar e estão pagando em dia o contrato de manutenção dessas essenciais aeronaves ? Há algum tempo também foi noticiada a compra de mais dois helicópteros para a Polícia Militar, maiores, com autonomia para voo noturno e por instrumento,  e que podem transportar mais feridos. Já foram pagos e entregues?
As equipes dos hospitais de referência citados - Souza Aguiar, Miguel Couto, Lourenço Jorge e Albert Schweitzer - estão com suas equipes completas e treinaram arduamente os ditos planos de contingência?
Os hospitais próprios da Polícia Militar e dos Bombeiros, que atendem esses abnegados guerreiros, estão bem de saúde?
Esse tudo combinado me lembra a indagação atribuída ao Garrincha, diante das explicações lúdicas do técnico da seleção na véspera do importante jogo contra a Rússia, na Copa de 1958: “Combinou com os russos?” No contexto atual, será que venceremos os “russos”?
Não tenho a menor dúvida do profissionalismo das equipes de saúde e de segurança pública, mas é fundamental ter recursos e treinar muito.
Treino duro, combate fácil.