quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Lula fez lobby para a Odebrecht, diz ministro em e-mail, por Renato Onofre, Thiago Herdy e Cleide Carvalho

E-mails apreendidos pela Polícia Federal (PF) nas buscas realizadas na sede da Odebrecht em junho deste ano, em São Paulo, mostram uma relação de influência e intimidade da empresa junto ao Palácio do Planalto, durante os governos Dilma e Lula.
Nas mensagens, o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, tenta influenciar diretamente o que o será dito pelos presidentes a chefes de estados de outros países em agendas oficiais, sugerindo a postura presidencial nos encontros. A pressão surte efeito. Em mensagem para executivos da construtora, o então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, escreveu que Lula fez lobby pela empresa em um dos encontros com líderes estrangeiros, em 2007.
Nos e-mails, a Odebrecht atua para evitar a escolha de um secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia que ele considerava prejudicial à Odebrecht. Os documentos mostram, pela primeira vez, que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, era um dos elos entre a empreiteira e o presidente, de acordo com a interpretação da PF. Carvalho nega. Para os investigadores, o ex-chefe de gabinete é o "seminarista" a quem Marcelo se refere em mensagens. Carvalho é ex-seminarista e possui forte ligação com os movimentos sociais ligados a Igreja. No governo Dilma o papel do “seminarista” passou a ser cumprido por Giles Azevedo, chefe de gabinete da presidente, e Anderson Dorneles, assistente pessoal de Dilma. Os dois recebiam mensagens enviadas diretamente por Marcelo Odebrecht, em nome dos interesses da empresa.
O então presidente Lula com o presidente da o presidente da Namíbia, Hifikepunye Pohamba (Foto: Agência Brasil)O então presidente Lula com o presidente da o presidente da Namíbia, Hifikepunye Pohamba (Foto: Agência Brasil)
 

A nuvem do desemprego, Coluna José Casado



No Centro do Rio, fila no Ministério do Trabalho para pedir seguro-desemprego  (Foto: Adriana Lorete / Agência O Globo )No Centro do Rio, fila no Ministério do Trabalho para pedir seguro-desemprego (Foto: Adriana Lorete / Agência O Globo)
A segunda-feira estava nublada em Nova York. Letreiros eletrônicos na Times Square anunciavam a descoberta de água em Marte. Visto da cadeira presidencial, o futuro transparecia promissor. Se há dificuldades, ressalvou Dilma Rousseff na Assembleia Geral da ONU, são circunstanciais — derivadas do moinho de forças ocultas da crise mundial. O importante, lembrou, é que “no Brasil, o processo de inclusão social não foi interrompido”. A manhã de ontem também estava nebulosa a 7.800 quilômetros de distância. O líder da oposição deixou seu confortável apartamento na Zona Sul do Rio para contemplar o horizonte. Não poderia estar melhor, concluiu o senador Aécio Neves, presidente do PSDB: “Em nenhum outro momento dos nossos 27 anos de história tivemos momento tão positivo, porque o PSDB é antítese disso que está aí, do mal que aconteceu com o Brasil.”
O país de Dilma e Aécio, porém, estava dominado por uma certeza: no fim do dia, um novo contingente de mais de três mil brasileiros estaria desempregado.
Foram 573 mil demitidos de janeiro a agosto. Na média, mais de 3.300 demissões a cada dia útil, ou 1.100 a cada turno de oito horas.
O ritmo de desemprego não deixa dúvida sobre o panorama deste início de primavera: em outubro o Brasil deve ultrapassar a marca do milhão de novos desempregados nos últimos 12 meses.
Na região metropolitana de São Paulo, onde a maioria do eleitorado proporcionou uma inflação de votos ao oposicionista Aécio na eleição passada, a taxa de desemprego passou de 5,1% para 8,1%, entre julho de 2014 e agosto último.
No Nordeste, cujos eleitores viabilizaram a reeleição de Dilma, o desemprego cresce a velocidade significativa. Em Salvador, por exemplo, o índice era de 9,3% em agosto de 2014. Subiu para 12,4% no mês passado.
Governo e oposição, porém, fingem nada ver.
Dilma se mantém prisioneira de si mesma, contornando o quadrado retórico que traçou mentalmente — assim, nas suas palavras: “Nós sabemos que muitas pessoas no Brasil, em algum momento do passado, repetiam algo que escutavam em certas áreas e repetiam por não ter uma contraposição, por não ter uma consciência diferenciada... Qual era essa história? Essa história era uma história simples: era dizer que os pobres eram pobres porque queriam ser pobres; que os pobres eram pobres porque tinham preguiça, e não que os pobres eram pobres por um processo de exclusão histórica e sistemática do nosso país, que começa com a escravidão.”
De volta a Brasília, Dilma começa dia de hoje resolvendo o problema do desemprego entre aliados. Vai entregar mais cargos a integrantes da sua base parlamentar, na tentativa de preservar o próprio emprego. Chama isso de reforma ministerial.
Aécio continua a repetir seu mantra predileto: “Nós não vamos virar as costas para as dificuldades que o Brasil e que você está atravessando.” Como? Não respondeu na campanha do ano passado, nem parece motivado a fazê-lo por enquanto, mas ontem inovou ao prometer na televisão que vai lutar “dentro das regras democráticas”.
A presidente e o líder da oposição agora só precisam combinar seus planos com as ruas. As calçadas estão cada dia mais cheias de desempregados.
José Casado é jornalista

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Arte de Chico

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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Entenda o esquema---Denúncia da PGR enviada ao STF

Denúncia da PGR enviada ao STF; uma das provas é a delação premiada de Júlio Camargo

domingo, 27 de setembro de 2015

A teoria Toffoli: como o STF retirou de Sergio Moro novos casos da Lava Jato, por Daniel Haidar

O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli – ex-­advogado eleitoral do PT, ex-advogado-geral da União no governo Lula – estava num dia para lá de inspirado.Começava a tarde de quarta-feira, dia 23 de setembro, no plenário do STF, e Toffoli se preparava para brilhar. Ele havia levado aos demais ministros uma chamada questão de ordem: queria que um dos casos da Lava Jato em andamento no Tribunal saísse de lá e, em vez de retornar a Curitiba, como vinha entendendo a Corte, fosse remetido a São Paulo, para longe do juiz Sergio Moro. A questão de ordem fora apresentada por Toffoli às pressas, no dia anterior.
Capa edição 903 (Foto: Época)

Toffoli, o advogado do PT que chegara ao Supremo nomeado pelo presidente Lula, hoje um dos alvos principais da Lava Jato, o advogado que fora reprovado duas vezes num concurso para juiz, pôs-se a dar lições jurídicas e morais, indiretamente, ao juiz Sergio Moro – e aos procuradores e delegados da força-tarefa. “Há Ministério Público, há Polícia Federal e há juiz federal em todos os Estados do Brasil, com uma capilaridade enorme”, disse Toffoli, erguendo a cabeça e mirando todos os colegas ministros.
 “Não há que se dizer que só haja um juízo que tenha idoneidade para fazer uma investigação ou para o seu devido julgamento.” 
Toffoli fez, então, o que pareceu uma longuíssima pausa diante do profundo silêncio do pleno.
“Só há um juízo no Brasil?”, ele perguntou. Nova pausa dramática. 
“Estão todos os outros juízos demitidos de sua competência? Vamos nos sobrepor às normas técnicas processuais?”
Para além dos arroubos retóricos,Toffoli argumentava que o caso em discussão, de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a senadora Gleisi Hoffmann, do PT do Paraná, e outros petistas sem foro privilegiado em desvios no Ministério do Planejamento, não tinha relação com a Lava Jato. Sendo assim, aqueles petistas que não detêm foro não precisariam ser julgados no Supremo e, ademais, deveriam ser processados em São Paulo, onde, no entendimento de Toffoli, dera-se a maioria das operações de lavagem de dinheiro. O mesmo raciocínio passaria a valer para os demais casos da Lava Jato. Se não envolver político com foro, e nada tiver a ver com a Petrobras, cada investigado deveria passar a ser julgado no Estado em que os crimes foram cometidos. É a teoria Toffoli, como ficou conhecida no Supremo: a Lava Jato tem de ser fatiada país afora.
O fatiamento da Operação Lava Jato já era algo esperado dentro do Tribunal. Em reservado, alguns ministros criticavam a postura de Sergio Moro, considerada midiática e com diversos recados em suas decisões. O relator da operação, o ministro Teori Zavascki, já dava sinais de cansaço com o acúmulo de casos, que envolvem despachos quase diários para definir prazos e autorizar diligências, como quebras de sigilo. Ele chegou a dizer em sessão que a operação “se alastrava como ondas”. Três ministros ouvidos por ÉPOCA confidenciaram que ainda estão sob o trauma do processo do mensalão, que tomou dois anos da Corte. Perceberam que a Lava Jato tende a tomar cada vez mais tempo de todos, monopolizando, mais uma vez, os trabalhos do Tribunal. “Ninguém aguenta mais tanto processo criminal”, diz um dos ministros.
 
Ministro Dias Toffoli  (Foto:  Ag. STF)
Esse estado de ânimo entre os ministros, porém, não explica por que eles não se ativeram a devolver, o máximo possível, os casos da Lava Jato a Curitiba, como vinha sendo feito. Na sessão em que prevaleceu a teoria Toffoli, os ministros pareciam incomodados com o protagonismo de Moro – e aborrecidos com a dimensão que o caso tomou. “Temos de dar um HC (habeas corpus) ao ministro Teori”, brincou, mas nem tanto, o ministro Barroso. Durante a sessão que pode vir a ser a mais importante deste ano no Supremo, os ministros não debatiam energeticamente ou se mostravam preocupados com a gravidade moral de um caso que mobiliza as atenções do país. Revelavam-se, nos silêncios e nas poucas palavras, alheios à necessidade de assegurar aos brasileiros que a decisão não representava um golpe na Lava Jato.
 
Ministro Teori Zavascki (Foto: Ag. STF)
Fora da Corte, todos se perguntavam: por que agora? O que mudou? A quem interessa essa mudança? Desde abril do ano passado, réus tentavam retirar o julgamento do Paraná, sob o argumento de que o Tribunal competente era o do Rio de Janeiro, sede da Petrobras. Mas diferentes subsidiárias da estatal foram envolvidas na investigação e o STF avaliou que os casos deveriam continuar com o juiz Moro. Nenhum dos ministros explicou a razão dos súbito cavalo de pau nessa interpretação.
A argumentação de Toffoli, enfim, prevaleceu – outros sete ministros acompanharam o voto dele, apenas Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e o decano Celso de Mello discordaram, além, é claro, da Procuradoria-Geral da República. A tese é, portanto, juridicamente defensável. Mas Toffoli e seus colegas recorreram a uma premissa frágil e, ao mesmo tempo, se esqueceram da mais forte premissa envolvendo o caso. A premissa frágil: a Lava Jato resume-se à corrupção na Petrobras. A premissa forte, mas ignorada: a Lava Jato envolve uma organização criminosa sofisticada.
As evidências do caso apontam que, ao contrário do que argumentou Toffoli, a Lava Jato não se restringe à Petrobras. A Lava Jato começou com uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público sobre quatro grupos de doleiros, que lavavam dinheiro de corrupção, narcotráfico e contrabando, entre outros crimes. Um desses doleiros era Alberto Youssef, cujo esquema de lavagem levou os investigadores à corrupção na Petrobras. Como num efeito dominó, só possível graças aos instrumentos de investigação de organizações criminosas complexas, seguiu-se a prisão do diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e a descoberta dos políticos, dos partidos e dos grandes empresários que lucravam com os desvios na estatal.
Não tardou para que essa organização criminosa, no melhor entendimento possível diante das provas já colhidas, se desnudasse pelo o que ela é: uma ampla quadrilha de políticos e empresários, com clara divisão de tarefas, unida pelo objetivo de fraudar os cofres públicos para lucrar e se manter no poder. Com o acúmulo de delações premiadas e provas bancárias, especialmente as obtidas em paraísos fiscais, conseguiu-se comprovar crimes em outros órgãos do governo, também sob influência de PT, PMDB e PP, os partidos que davam sustentação ao esquema: Eletrobras, Eletronuclear, Belo Monte, Ministério da Saúde, Caixa, Ministério do Planejamento, entre outros. Quanto mais a Lava Jato avança, mais empresários, políticos, operadores e órgãos públicos aparecem no esquema.
Esse crescimento exponencial de fatos, em tantas e tantas fases da Lava Jato, não é desordenado. Emerge dele um mosaico de um só esquema, com pontos comuns incontornáveis. Do lado político, o comando e a divisão de tarefas cabia a gente grande do PT, do PMDB e do PP. Do lado econômico, havia um cartel de empreiteiras, organizado com o único propósito de, com a cumplicidade criminosa desses políticos e agentes públicos, roubar dinheiro público – e não apenas na Petrobras. A lavagem do dinheiro desse esquema, apesar do grande número de intermediários, envolvia os mesmos corruptores e os mesmos corruptos.
O triunfo da teoria Toffoli põe em risco o futuro da Lava Jato. Abre o precedente para que, a partir de agora, qualquer caso fora da Petrobras seja encaminhado a outro juiz, que não terá a experiência no assunto e o acúmulo de provas para avaliar com mais elementos os crimes. A experiência criminal mostra que esses desmembramentos produzem processos órfãos, com alta chance de fracasso. Entre alguns dos próprios ministros do Supremo, restou a convicção de que os políticos a serem julgados no Tribunal terão vida mais fácil – de que o precedente Toffoli é o primeiro passo de uma distensão entre a Corte, que está sob extrema pressão, e a maioria dos políticos poderosos de Brasília, que dependem dela para sobreviver até as próximas eleições. Ainda na quarta-­feira, políticos no Planalto e no Congresso, do PT e do PMDB, trocavam mensagens de comemoração com aliados e advogados. Pela primeira vez em muito tempo, o tempo estava mais leve em Brasília.
A consequência mais grave da decisão do Supremo será a interrupção da salutar sucessão de acordos de delação premiada, no caso de pessoas físicas, e de leniência, no caso de empresas. Há meses, as negociações entre procuradores e possíveis delatores centram-se cada vez mais em provas de corrupção em outros órgãos públicos, e não apenas na Petrobras. Pois essa é a natureza da delação premiada, quando bem executada: buscar provas de crimes que, de outra maneira, o poder público não conheceria. Como os procuradores da Lava Jato já detêm um poderoso arsenal de informações sobre a Petrobras, os mais recentes delatores e empreiteiras como Andrade Gutierrez, que estava para fechar um acordo de leniência com a força-tarefa, estavam sendo estimulados a entregar evidências de crimes em outros órgãos públicos. Assim que o Supremo fatiou a Lava Jato, boa parte dessas negociações foi suspensa.
 
Sede da Andrade Gutierrez, em São Paulo (Foto: Wesley Rodrigues/Folhapress)
“Terrível” e “péssima” foram algumas das palavras usadas por investigadores para classificar a ordem do Tribunal. Nos próximos dias, procuradores que coordenam as investigações da Lava Jato vão esquadrinhar uma nova estratégia para enfrentar o desmembramento dos processos da operação. A Procuradoria-Geral da República acredita que para garantir o mesmo padrão nas investigações – que poderão ficar espalhadas por todo o Brasil – será preciso estabelecer novos grupos e metodologias de trabalho. Hoje o grupo que coordena a Lava Jato está concentrado no gabinete do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e em Curitiba. O temor do grupo é que as investigações percam fôlego e apoio popular. Outro receio é o compartilhamento em massa de informações.
Uma das medidas em análise é a criação de uma “força-tarefa volante” entre os procuradores que já atuam na Lava Jato. A ideia é que eles possam rodar entre as cidades que venham a ter investigações em curso auxiliando os integrantes do MPF na contextualização dos casos em apuração. Ainda que o Supremo tenha decidido pelo desmembramento, a orientação da PGR é a de manter a visão de uma única organização criminosa que atuava em todo o país e em diversos órgãos públicos. A PGR deve ainda preparar um manual detalhando o método da organização, suas ramificações, personagens e atuação, como forma de garantir a unidade dos inquéritos.

sábado, 26 de setembro de 2015

Arte de Aroeira

Ai, que preguiça!, por Ruy Fabiano

Mário de Andrade, se vivo fosse, haveria de identificar no PMDB as qualidades (ou a ausência delas) que reuniu em seu personagem Macunaíma, o “herói sem nenhum caráter” – e que alguns enxergam como o arquétipo do próprio brasileiro.
Grande Otelo em Macunaíma (Foto: Divulgação)
Grande Otelo em Macunaíma (Foto: Divulgação)
Não é justo. Mais adequado é vê-lo como o arquétipo do político brasileiro. Senão vejamos. O país está economicamente arruinado, a presidente não consegue governar e a sociedade clama por mudanças cuja premissa é a saída do poder do partido hegemônico, o PT, que demonstrou não ter remédio contra a crise, posto que ele próprio é a crise, já que a produziu.
A população vai às ruas, aos milhões, em manifestações sucessivas, pedindo o impeachment. Treze propostas nesse sentido vão ao Congresso, enquanto, em Curitiba, o juiz Sérgio Moro e um grupo de procuradores expõem as vísceras de um esquema que o ministro Celso de Melo, do STF, chamou de “macrodelinquência governamental”. E o que faz o Congresso?
Depois de alguns meses de absoluta indiferença – período em que todos os índices econômicos pioraram, até o país perder o grau de investimento -, decide dar uma espiada de leve nos movimentos de rua e examinar a viabilidade do impeachment.
O PMDB resume a ambiguidade. Está nas mãos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a decisão de encaminhar o pedido de impeachment. Faltava uma assinatura graduada - e apareceram duas: as dos juristas Hélio Bicudo, fundador arrependido do PT, e de Miguel Reale Junior, ex-ministro de FHC.
Eis então que Cunha promete se debruçar sobre cada pedido, mesmo sabendo que o de Bicudo e Reale fala por todos, e promete lá para o final de outubro uma avaliação.
Quem anteontem assistiu ao programa do PMDB na televisão supõe que o partido já rompeu com o governo. Falou-se o tempo todo em mudança, em novos tempos, com ênfase na conjuntura crítica, sobretudo na economia, que reclama projeto, que não há. E o partido repetiu isso várias vezes.
Não obstante, paralela e simultaneamente, seus caciques, que fazem parte do governo desde o início da Era PT, negociam com a presidente uma maior fatia no bolo ministerial. A crise não é um desafio, mas oportuna moeda de troca.
Lula esteve com Cunha e pediu-lhe que segurasse os pedidos de impeachment. Não se sabe a contrapartida que lhe ofereceu, mas não é difícil deduzir, tendo em vista o que disse a Dilma: “É melhor perder ministérios que a presidência da República”. Esse é o projeto contra a crise, que passa ao largo do clamor das ruas.
Enquanto isso, governadores oposicionistas reuniram-se em São Paulo e, em síntese, disseram que é preciso repensar o impeachment, que a impopularidade da presidente não o justifica. FHC chegou a dizer, à Folha de S. Paulo, que “ainda falta uma narrativa convincente para desencadear o impeachment”.
Ora, nada menos que cinco delatores da Lava Jato já disseram, com todas as letras, que Dilma Rousseff foi eleita com dinheiro roubado da Petrobras: Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Ricardo Pessoa, Fernando Baiano e Nestor Cerveró.
O ministro Gilmar Mendes, do STF, não hesita em afirmar que “nós estamos nesse caos por conta desse método de governança corrupta, um modelo cleptocrata”. Referia-se ao PT e ao governo Dilma, resumindo o que o juiz Sérgio Moro e o Ministério Público têm mostrado ao país, há meses.
Há ainda as pedaladas fiscais, que configuram crime contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e respondem pela bagunça nas contas públicas, que findaram pelo envio ao Congresso de um orçamento deficitário, cujas consequências imediatas foram a perda do grau de investimento, a alta desenfreada do dólar e o aumento do desemprego, com todo o seu cortejo de danos sociais.
Mas FHC acha o enredo “insuficiente” para o impeachment e seus correligionários estão divididos. O PMDB, partido de profissionais, gente pragmática, opta pela ambiguidade, que, desde a redemocratização, tem sido sua característica.
O STF, por sua vez, decide enfraquecer as investigações, fatiando os processos da Lava Jato, que, mesmo conexos, serão agora examinados separadamente, para gáudio dos denunciados.
Macunaíma, aboletado nos três Poderes, não entende – e por isso teme e rejeita - gente como Sérgio Moro. Machado de Assis dizia haver dois brasis, sendo o real bom e promissor, e o oficial, burlesco, assemelhado a Lilipute, o país dos anões, das “Viagens de Gulliver”. É possível mudá-lo? “Ai, que preguiça!”, diria Macunaíma, num vasto bocejo.

Nuvens de suspeitas: STF fatia Lava Jato, Kakay festeja, por Vitor Hugo Soares

Antonio Carlos de Almeida Castro, O Kakay (Foto: Divulgação)Antonio Carlos de Almeida Castro, O Kakay (Foto: Divulgação)

"Meu mestre e amigo Mário de Andrade tem razão: Pior do que uma baioneta calada é uma baioneta falante", (Da coletânea das 100 melhores frases de Ulysses Guimarães, selecionadas por dona Mora Guimarães.
Publicada em "Rompendo o Cerco”, livro editado pouco antes do desastre de helicóptero, no qual Ulysses desapareceu e jamais foi encontrado no fundo do mar.)
A frase antológica do doutor Ulysses vem do período das batalhas políticas e sociais contra o regime militar (apoiado desde o começo, em 1964, por poderosos grupos civis no parlamento, no judiciário e na chamada grande imprensa). Ressurgiu na memória esta semana, durante a justificação dos votos na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, que fatiou o processo de investigação e julgamento na Operação Lava Jato, conduzido desde Curitiba, pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná.
A sentença produziu fato jornalístico relevante no Brasil, com repercussão internacional. Seguramente, afirmo - pela experiência acumulada em décadas de redação em tempos de crises brabas ou de maré mansa e céu de brigadeiro na política e na economia -  com apelo suficiente para ficar assinalado como um dos momentos mais estranhos, nebulosos e suspeitos da historia da corte suprema do País em décadas. Ou séculos, talvez, mesmo incluindo o tempo cavernoso da baioneta calada.
Para o jornalista, tudo se deu de repente, não mais que de repente. Ao simples clicar do controle remoto, que liga o aparelho de TV sintonizado no canal aberto da TV Justiça, no começo da tarde de quarta-feira, 23. No ar, em transmissão aberta para todas as regiões do território nacional, a sessão presidida em parte pelo visivelmente pressuroso ministro Ricardo Lewandowski (alegou outro compromisso no mesmo horário da crucial decisão), e encerrada, mais às carreiras ainda, pela ministra Carmen Lúcia.
“Honi-soit qui mal y pense” (amaldiçoado seja aquele que pensar mal dessas coisas), diriam os irônicos franceses.
O fato é que o STF, por maioria de votos dos membros da sua atual formação (com jeito e sotaque adquiridos nos 13 anos de mando federal dos governos petistas (de Luís Inácio Lula da Silva a Dilma Roussef ), decidiu pelo fatiamento (ou mutilação se preferirem) da maior investigação de corrupção não só da história do Brasil, mas em escala mundial atualmente.
Isso permite que parte dos inquéritos da Lava Jato seja retirado das mãos do juiz paranaense, atualmente saudado com júbilo e aclamado em todo lugar por onde passa ou fala. O episódio é de amplo conhecimento público, mas vale repetir aqui, para contextualizar um caso no qual as razões de fundo seguem nebulosas: Foi uma repentina decisão (que ocupou todo o tempo da plenária), a partir do caso ligado à senadora Gleisi Hoffmann, do PT do Paraná, ex-ministra do peito da presidente Dilma em seu primeiro mandato. Estrela petista no Senado.
A votação representa, de saída, uma derrota para os procuradores (a começar pelo Procurador-Geral, Rodrigo Janot) e para Moro, defensores da tese de que os crimes investigados em Curitiba são costela de um mesmo esqueleto, de um esquema que se ramifica em diversas frentes e órgãos do poder público, em conluio mal escondido ou escancarado com poderosas empresas (e seus donos) no setor privado.
O resultado da sessão de quarta-feira no STF, no entanto, foi saudada e vivamente comemorada (ainda nas dependências da Suprema Corte), pelos advogados dos acusados (vários deles já presos), que desde o começo da Lava Jato agridem o juiz Sérgio Moro e o acusam "por supostamente agir em sintonia com a Polícia Federal e o Mininistério Público e conduzir o processo com mão de ferro”, como registrou o jornal espanhol El Pais, em reportagem sobre a sessão do Supremo.
À frente dos festejos ruidosos, o notório Kakay, advogado de defesa de vários endinheirados acusados de atividades corruptas, corruptoras e criminosas no Petrolão (assim como antes, no Mensalão, diga-se).     
Voz praticamente solitária na sessão, o polêmico e explosivo ministro Gilmar Mendes foi direto ao ponto (ao emitir seu voto e em aparte contundente ao ministro Celso de Mello). Usou mira de precisão em seus disparos verbais: "No fundo, o que se espera (e corre na boca  e na mente da sociedade no Brasil e no exterior) é que os processos saiam de Curitiba, e não tenham a devida sequência em outros lugares. É bom que se diga, em português claro!”, arrematou Mendes.
E cai o pano, lentamente, sobre o palco do Supremo Tribunal Federal.
Em Salvador, a Cidade da Bahia, no dizer de Gregório de Matos e Jorge Amado, fui praticamente conduzido para dentro do insólito cenário da sessão em Brasília, através das imagens e do áudio da TV Justiça. O inesperado que, jornalisticamente falando, em geral escancara armações até então submersas nos desvãos das tramoias dos bastidores e dos intestinos de um governo, de uma nação e da sua justiça.
Quando o pano cai e os protagonistas deixam o palco, fica a amarga sensação de que muita coisa foi dita, ou simplesmente sugerida (os significativos diálogos e ares nas trocas de afagos e salamaleques entre os ministros Toffoli e Lewandowaki, por exemplo), mas faltou ainda muito por dizer e ser esclarecido. Esperemos então as próximas representações judiciais deste drama nacional. Ou, quem sabe, o despertar definitivo da imprensa para o desafio de cavar mais fundo na investigação de fatos e informações cruciais desta trama de interesses e cumplicidades mal disfarçadas. O tempo, senhor da razão, dirá. A conferir.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

PSICANÁLISE DA VIDA COTIDIANA, por CARLOS VIEIRA

O Tempo da Maturidade

“Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário...Perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver...Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira...Desapegar-se, é renovar votos de esperança de si mesmo. É dar-se uma nova oportunidade de construir uma nova história melhor. Liberte-se de tudo aquilo que não tem te feito bem...”.
Fragmentos do poema “Praticando Desapego”, de Fernando Pessoa.
Outro dia, recebi esse fragmento do poema de Fernando Pessoa de um amigo meu e, como se alguém conspirasse, uma amiga deixou também em meu email um outro poema atribuído ao poeta Mário de Andrade. Atribuído, pois há dúvidas se é dele ou de outro poeta, Ricardo Gondim – “O valioso tempo dos Maduros”. Ambos têm em comum uma invariante: a questão da maturidade em nossa vida. Deixarei para transcrever o outro no fim da minha crônica. Vamos pensar um pouco no tempo da maturidade!
Nascemos carregando dentro de nós aquilo que Freud chamou de “narcisismo primário”, ou dizendo de outro modo, um amor por si mesmo, absoluto, e enxergando tudo como se fosse extensão do nosso ser. A diferenciação entre Eu e não Eu é um processo lento, que vai acontecendo na medida em que vamos reconhecendo o outro, a alteridade. Claro que isso não é fácil uma vez que exige renúncia, humildade, saber se colocar no lugar de alguém, considerar não só os nossos desejos e passar a criar relações de parceria, de troca, onde cada um do par cuida para abrir mão da sua prepotência, arrogância, ou seja, um narcisismo destrutivo da dupla.
Ao longo da vida criamos laços, fazemos parte de grupalidades em nossa vida amorosa, social e profissional. Participamos de comissões, de agremiações, de diretorias, de cargos de poder, enfim, somos levados a dirigir e realizar alguns projetos representando funções de lideranças. Acontece que toda vez que se chega ao Poder, “o poder tende a subir à cabeça” e aí se formam os líderes messiânicos, prepotentes, donos da verdade, ditadores ou coisa semelhança. Caso nossa saúde psíquica não esteja adequada ao convívio grupal, queremos o poder e queremos sempre permanecer nele. 
A ciência do bem viver aconselha que as pessoas participem do poder, passem um tempo e saiam, dando lugar aos sucessores. Quando se é tocado pelo veneno do “narcisismo destrutivo” a tendência é permanecer nesse poder, ainda que seja de uma maneira indireta: “pastores que criam suas ovelhas”, pois elas continuarão a mantê-los na função poderosa criando a figura tão conhecido como “Eminência Parda”.
Essa dinâmica é em casa, no grupo social, nos clubes e em todos os cargos políticos que uma pessoa possa exercer.
“No tempo da maturidade”, dito de outro modo, quando sentimos que essas relações que implicam exercícios de poder, que lidam constantemente com situações de ciúme, rivalidade, inveja, fantasias de onipotência e onisciência trazem desgastes sérios à nossa saúde física e mental, é hora de sair, de “desapegar-se”, de saber que a passagem chegou ao fim. ´E hora de recolhimento, de se libertar daquilo que não mais lhe faz bem, enfatiza nosso querido Fernando Pessoa.
A hora da maturidade é o momento que “confraternização demais” desgasta, e merecemos viver numa relativa distância para que possamos nos dedicar um pouco mais a nós mesmos sem necessariamente nos convertermos em “autistas” ou “anoréxicos afetivos”. Não, a maturidade é a hora do repouso, de se dedicar a outros projetos que não nos exponha a conviver com sentimentos fortes de hostilidade humana.
Friedrich Nietzsche escreveu em uma de suas obras da maturidade – “Aurora”: aquele que “caminha por suas próprias trilhas”, é aquele que pode viver uma “necessária solidão e recolhimento”.
Pensemos caro leitor, em várias figuras humanas que exercem o poder e não realizam sua maturidade, mantém-se apegado às lutas que envolvem competições pretensiosas e fantasias de onipotência. Deixo-os com o poema “atribuído” ao grande mestre do Modernismo – Mário de Andrade:
“O valioso tempo dos Maduros”.
“Contei meu anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui pra frente do que já vivi até agora./ Tenho muito mais passado do que futuro./Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas./ As primeiras ele chupou displicente,/ mas percebendo que faltam poucas,/ rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades./ Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados./ Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,/ cobiçando seus lugares, talento e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,/ para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha vida./ Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,/ que apesar da idade cronológica, são imaturos./ Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral./ As pessoas não debatem conteúdos, apenas rótulos./ Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,/ minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia,/ quero viver ao lado de gente humana, muito humana,/ que sabe rir de seus tropeços,/ não se encanta com triunfos,/ Não se considera eleita antes da hora,/ Não foge de sua mortalidade,/ Quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade./ O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial”.
Carlos de Almeida Vieira - psicanalista e psiquiatra.

Mais Médicos: 820 profissionais já desistiram do programa, por ANDRÉ DE SOUZA

BRASÍLIA - Faz mais de 45 anos que Iara Nazareno de Lima se formou em Medicina. Já William Hastenreiter terminou o curso há pouco mais de dois anos, em junho de 2013. Além da carreira, ambos têm outro ponto em comum: são alguns dos 820 profissionais que acreditaram no Mais Médicos, lançado em julho de 2013, mas que saíram do programa. Os motivos vão da aprovação em residência médica até problemas pessoais e de saúde, mas há também críticas às condições de trabalho.
Assim como eles, quase 90% dos desistentes são médicos que já tinham registro profissional no Brasil. É o caso de quem se forma no país ou consegue revalidar o diploma obtido no exterior. Os desligamentos ocorrem em todos os estados e na maioria das capitais, mas se concentram no Nordeste e nas cidades pequenas.
Segundo o Ministério da Saúde, existiam 17.790 médicos ativos no programa no começo de agosto. Ou seja, para cada desistente, 21,7 médicos estavam trabalhando. Os dados foram obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação.
O Ministério da Saúde identificou nove razões para o abandono do programa. Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Hêider Aurélio Pinto, o médico não precisa informar o motivo na hora de solicitar o desligamento. Assim, as saídas a pedido, sem maiores detalhes, responderam por mais da metade das desistências: 470.
Há um número significativo de profissionais que foram aprovados em residência médica e, por isso, não podem mais participar do programa: 181. Ausência injustificada é o terceiro motivo mais comum, com 56 afastamentos, todos de cubanos, o que indica que desertaram da missão oficial de seu país. Completam a lista: motivos pessoais (46 casos), mudança de cidade (22), aprovação em concurso público (16), motivos de saúde (12), dificuldade de deslocamento ao local de trabalho (9) e incompatibilidade de carga horária (8).
Iara Nazareno, de 74 anos, mora no Recife e já estava aposentada quando se inscreveu no programa, em 2013. Foi alocada em Olinda, que integra a região metropolitana da capital pernambucana. Em dezembro de 2014, ela resolveu se desligar por questões de saúde. Iara Nazareno apoia o programa, mas aponta alguns problemas.
— A gente fica com medo do lugar onde há muitos pontos de venda de droga. Os agentes de saúde também tinham medo — descreve: — A estrutura do posto foi reformada. Quando saí de lá, precisava de reparos de novo. Acho que a reforma que fazem não tem fiscalização. Era horrível. Pingando água no posto quando chovia.
Problemas semelhantes são relatados por William. Formado no Rio, ele escolheu trabalhar em Itaboraí. Começou em setembro de 2013, mas deixou o programa quando foi chamado para fazer residência médica em otorrinolaringologia, em Belo Horizonte. Segundo ele, a área onde trabalhava também era controlada por traficantes, embora eles não criassem problemas com os profissionais de saúde.
— As condições de trabalho são precárias. Falta material para atendimento — disse.

'Corrupção é ampla e transcende questões partidárias'--Sérgio MORO

Juiz afirma que 'havia uma certa naturalização da propina'
Moro foi o principal palestrante do almoço-debate promovido pelo Lide – Grupo de Líderes Empresariais – em São Paulo (Foto: Estadão Conteúdo)
O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato, afirmou nesta quinta-feira, 24, que o ‘problema da corrupção é mais amplo e que transcende as questões político-partidárias”.  Moro foi o principal palestrante do almoço-debate promovido pelo Lide – Grupo de Líderes Empresariais – em São Paulo.
O magistrado não comentou o ‘fatiamento’ de um dos desdobramentos da Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal, na quarta-feira, 23. A maioria dos ministros entendeu que a investigação que envolve a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) não deve ficar somente sob relatoria do ministro Teori Zavascki, responsável pelo caso na Corte, e sob os cuidados do juiz Sérgio Moro, que conduz a operação na primeira instância, em Curitiba.
Na segunda-feira, 21, antes do julgamento do plenário do STF, o juiz da Lava Jato afirmou, em sentença que impôs 15 anos de prisão para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, que a ‘dispersão das ações penais não serve à causa da Justiça’. Segundo ele, a decisão de manter o processo na capital paranaense “não é fruto de arbitrariedade judicial”.
Corrupção. Em sua palestra na Lide, o juiz federal citou quatro ações penais da Lava Jato que já tiveram sentença proferida, sobre os quais lhe é permitido falar, para afirmar que, ao menos nestes casos, constatou-se indícios de “pagamento sistêmico de propinas a agentes públicos” para a celebração de contratos junto a agentes públicos. “O que se percebe é que havia uma certa naturalização da propina”, disse.
O magistrado lembrou que, ao menos nestes casos, durante a investigação houve uma certa dificuldade de se obter, até entre os réus confessos, do motivo para o pagamento de propinas. “Não houve extorsão, houve uma naturalização do pagamento de propinas, o que é extremamente assustador”.
Moro encerrou sua palestra citando uma frase em italiano, cuja tradução diz: “uma população inteira que paga propina é um povo sem dignidade”. “Isso aplica ao nosso caso aqui”, disse.
O juiz da Lava Jato participou de um almoço-debate com executivos no Grupo de Líderes Empresariais (Lide). O magistrado discursou para uma plateia com cerca de 600 empresários, líderes e autoridades, sobre as “Lições das Operações Mãos Limpas” – emblemática investigação sobre corrupção na Itália, na década de 1990. (AE)

PARTIDO MATREIRO, por Miguezim de Princesa

PMDB matreiro,
Cheio de querrequequé:
Se deita, mas fica em pé;
Devagar, porém ligeiro.
Finge detestar dinheiro,
Franze a testa, fica sério;
Leva até o cemitério,
Chora mas fica contente;
Quer tirar a presidente,
Mas não larga o Ministério.

II
Quando a banda militar
Soltou o último suspiro,
Ulisses, que eu admiro,
Pensou que ia governar,
Mas Sarney saiu de lá
Das bandas do Maranhão,
Deixou a situação,
Virou PMDB,
Continuou no poder
E Tancredo no caixão.

III
No governo colorido,
O partido se achegou:
Foi devagar, mas entrou
Sem fazer muito alarido
(Mulher que trai o marido,
Trai sem arrastar tamanco).
Collor não aguentou o tranco,
Retornou para Alagoas
E o tal partido “de boa”
No Governo Itamar Franco.

IV
Aí veio FHC,
Todo intelectual,
Lançou o plano real
E arrochou pra valer.
De novo o MDB,
Com gente da ditadura,
Montou sua estrutura
Na Esplanada em Brasília,
Ficou até com a mobília,
Não largou a rapadura.

V
E saiu se pendurando
No Governo do PT:
Dava e mandava vender,
Comia, saía mastigando,
Lula só autorizando
Canal e transposição.
PMDB dá pão,
Mas fica com a padaria,
No final ninguém sabia
Quem foi que passou a mão.

VI
Veio Dilma e os bestinhas
Chafurdaram no petróleo,
Lambuzaram a mão de óleo
A que chamam de graxinha.
Cada um fez uma caixinha,
Mas foi a fonte secar
Começaram a reclamar,
Dizer que estavam com o povo:
- Ou roda a roda de novo
Ou vamos te empichar!

VII
Michel combinou com Cunha
Para espalhar o boato
Que o Brasil tinha carrapato
E a febre xincungunha.
Fez munganga, fez mumunha,
Misturou-se com os tucanos,
Traçou um monte de planos,
Juntou um monte de gente
Pra tirar a presidente
Até o final do ano.

VIII
Foi aí que a presidente
Parou com os coices de mula,
Se aconselhou com Lula,
Que é mais experiente,
Traquinoso e saliente,
Esperto e muito afamado,
Direto, sem rodeado:
- Dê a eles o filé,
Pra comer como quiser,
Que eu já tô empanzinado!

IX
Nesse instante a rebeldia
De súbito se transformou
Em muita paz e amor,
Entendimento e harmonia.
PMDB queria
Era fazer um acerto:
O longe ficou mais perto,
Cachorro não larga osso,
Botou o Brasil no bolso,
Nunca mais passou aperto.

sábado, 19 de setembro de 2015

Politica Familiar--nua e crua....Ilimar Franco

Papai mandou-Ilimar Franco

Bancada do PR (Foto: Divulgação)
Bancada do PR (Foto: Divulgação)
Dias atrás, a bancada do PR se reuniu para acabar com traições de deputados em votações do governo. O encontro corria tranquilamente até que Clarissa Garotinho (RJ) abriu o coração.
 “Política, às vezes, tem disso. Meu pai elegeu seis deputados no Rio, e agora todos se voltam contra ele”, disparou.
O deputado Altineu Côrtes (RJ) deu o troco: “Primeiro, ele não é presidente do partido (no Rio). É dele próprio. 
Segundo, que a primeira a trair o seu pai foi você mesma, que está de malas prontas para o PSDB. Aliás, não sei nem o que você está fazendo aqui”. 

Clarissa rebateu. “Só estou aqui mesmo porque papai mandou. Por mim, já estava no PSDB”, admitiu, irritada.
                  
 

Migrantes: "Procriem com os europeus para conquistarmos a Europa"--Sheikh Muhammad Ayed

Quem o disse foi um pregador islâmico.

O discurso foi realizado e gravado numa mesquita em Jerusalém e o pregador islâmico que o proferiu não podia ser mais pragmático nas declarações, citadas pelo Daily Mail.
No vídeo, o líder islâmico pede aos migrantes sírios que "aproveitem" a oportunidade para "procriar com os europeus", com um intuito muito simples: "Para que possamos conquistar os seus países".
Sheikh Muhammad Ayed vai mais longe e refere que a Europa vive uma crise demográfica, e que apenas aceita os emigrantes sírios para conseguir "mão de obra barata".
"Em toda a Europa, os corações estão voltados contra os muçulmanos. Eles queriam que estivessemos mortos, mas perderam a fertilidade e agora procuram a nossa ajuda", acrescenta.
"Nós dar-lhe-emos a fertilidade. Procriem com eles e nós conquistaremos os seus países, como sempre foi a vontade de Alah", conclui o pregador.

Arte de Amarildo

Charge (Foto: Arquivo Google)
Comentario meu--Pequeno detalhe tecnico--agora suas excelencias vao votar o financiamento publico...para isso ja votaram o USO IRRESTRITO dos Fundos Partidarios. A conta, cada vez mais salgada, sera sempre de todos....a maioria sem levar qualquer vantagem!!! Ex:Escolas, estradas, esgotos...ficam pra depois, claro.

Lula e Dilma: os “fiéis”, os “traidores” e Mercadante, por Vitor Hugo Soares

Segue o baile do poder. Levanta poeira no balanço da gafieira em que se tornou o segundo mandato do governo petista da presidente Dilma Rousseff. Nesta semana divisória das duas quinzenas de setembro, o rolo aumentou com a “bolsa de apostas” de Brasília pulsando em ritmo febril, em relação a cabeças cortadas que devem rolar.
As orquestras (são várias e barulhentas) tocam alto “pra polícia não manjar”, mas é inútil. E o reboliço é mais intenso e nervoso na casa da mandatária - corredora de bicicleta do Planalto nas horas vagas - que na oscilante e quase modorrenta Bovespa . Salvo os sustos das variações violentas na cotação do dólar e das quedas  incontroláveis das ações da Petrobras, fonte de riqueza e orgulho nacional corroída “pela ditadura da propina” (curta e mais que perfeita definição do jurista Miguel Reali Jr) por corruptos e corruptores, públicos e privados, de máscaras ou capuzes arrancados pela Operação Lava Jato.
Multiplicam-se os palpites e as especulações sobre a crescente e veloz perda de prestígio e relevância do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, acompanhados dos ruídos sobre a sua queda (ou manutenção), e os inevitáveis fuxicos sobre nomes do (a) provável substituto (a) no cobiçado gabinete do Palácio do Planalto, apesar da má fama de ter-se transformado em usina de queimações e crises políticas e administrativas nos anos de domínio petista.
São emblemáticas, no particular,  as previsões opostas colhidas nos bastidores, de dois dos mais lidos e bem informados colunistas políticos (repórteres furadores da melhor cepa) do jornalismo político brasileiro. Ambas abrigadas no portal G1, de O Globo: Aloízio Mercadante sai da Casa Civil, diz Cristiana Lobo, na Globo News. Aloízio Mercadante fica, afirma Camarottii, no mesmo canal privado de televisão.
“Coisas de um tempo em que a cabra não reconhece o filhote cabrito”. Diriam os sábios mineiros da política na época de seu Laio, personagem notável de Guimarães Rosa na novela “A volta do marido pródigo”, de Sagarana; ou o arguto Tancredo Neves, se vivo estivesse. Um cenário bem parecido, também, com o descrito no samba famoso Piston na Gafieira, de Billy Blanco.
Enquanto o duro Mercadante vai não vai, é bom dar uma olhada em volta do salão. Observar os modos e atitudes  dos principais personagens que dançam agarradinhos, daqueles que procuram briga, ou dos que simplesmente circulam ou fazem rondas periódicas no lugar.
À exemplo do ex-presidente Lula, que voltou a Brasília na quinta-feira (17), repentinamente, pela primeira vez desde o lançamento do novo pacote de ajuste fiscal, com CPMF e tudo. Ele levou uns dias fazendo fita, “costeando o alambrado” (a expressão feliz é de Leonel Brizola), ciscando no terreiro peronista da Argentina, em campanha no palanque presidencial de André Sciolli, o candidato do peito da presidente Cristina Kirchner à sua  sucessão. Ela empenha o canavial da sogra para manter o mando do clã dos Kirchner na Casa Rosada. Antes de voltar, Lula deu uma passada pelo Paraguai, para mais uma rodada de proselitismo político na base do “não tenho nada com isso”.
Dilma, Lula e Mercadante (Foto: Divulgação)
No reencontro com a afilhada, no Alvorada, porém, o ex-presidente, fundador do PT, principal líder do partido no poder há 13 anos, mostrou as garras que - mesmo desgastadas pelos mais recentes episódios da Lava Jato que lhe tiram o sossego - , ainda arranham e ferem. Revelou, ao mesmo tempo, não ter perdido o interesse pelo palácio, e que anda ligado, de olho no jogo pesado em curso no planalto central. Em especial, na reforma administrativa que Dilma deve anunciar até o dia 30, antes de embarcar para New York, onde fará o discurso de praxe na abertura de mais uma Conferência Anual das Nações Unidas (ONU).
Pelo relato publicado no Estadão (assinado por Vera Rosa), Lula recomendou a Dilma que faça uma reforma ministerial mais ampla para garantir sustentação política e evitar o processo de impeachment. Foi direto ao ponto: pediu à mandatária (como no tempo dos antigos barões ou velhos coronéis da política brasileira, que aumente o espaço dos aliados “fiéis” e reduza os cargos dos “traidores”. Muitas orelhas arderam na madrugada de quinta-feira em Brasilia, e algumas seguiam pegando fogo ontem (19).
Principalmente ao lembrar: antes do novo e inesperado desembarque de Lula para a conversa no Alvorada, o jornal espanhol El Pais jogou mais álcool no fogo, ao revelar que a “bolsa de aposta” em Brasília coloca a atual ministra da Agricultura Katia Abreu, a ruralista do governo petista, como uma das favoritas de Dilma para substituir o petista Mercadante no gabinete vizinho ao da mandatária, que assim daria espaço ao rebelde PMDB.
O outro pretendente é o ministro da Defesa, Jaques Wagner, ex-governador da Bahia. Petista histórico do peito de Lula, que perde fôlego e força a olhos vistos no governo, como o Rio São Francisco à míngua, antes da transposição, ou a própria Bahia no governo de Rui Costa, o afilhado de Wagner. O resto, a conferir.

Veja esta foto abaixo (Ancelmo)


Temer, então presidente da Câmara, recebe Lula e Dirceu, em 1999
Da esquerda pra direita--Narigudo esperto, Dirceu, Lulla, Miguel Arraes et Clara Marighella, além dos "papagaios "...
Pela segunda vez, Michel Temer é personagem involuntário de um processo que pede o impeachment de um presidente.
No dia 26 de agosto de 1999, o atual vice, na época presidente da Câmara, recebeu Arraes,Lula e Dirceu com o pedido de instalação de uma CPI contra FH, recém-eleito. Horas antes, os dois tinham liderado a manifestação “Fora FHC”.

Também naquela época...
Para a imprensa, Temer elogiou o caráter democrático das manifestações “Fora FHC” como o fez, recentemente, com o “Fora Dilma”. O moço é um lorde.

Fim do bloqueio a Cuba, do Ancelmo

Papa Francisco desembarca amanhã em Havana para sua primeira visita a Cuba (Foto: Reuters)O Papa Francisco, na visita que faz a Cuba amanhã, vai pedir, para alegria de Raúl Castro e Barack Obama, não necessariamente nessa ordem, o fim do bloqueio econômico à ilha, que depende do Congresso dos EUA.
O assessor...
Frei Betto, 71 anos, desembarcou em Havana ontem. Vai assessorar o governo cubano na visita do Papa, como já tinha feito nas idas de João Paulo II (1998) e Bento XVI (2012) à ilha.
Aliás, o motivo que leva tanto Papa a visitar a ditadura comunista é... não sei.
Comentario meu--ora Ancelmo....os Castro (como os de la Serna) sao originarios da Galicia, a parte CELTA da Espanha. 
Foram educados em Colégio Jesuita e o Fidel chegou pertinho do Seminario......agora ta chegando a hora de "falar com Deus" e, quem tem, tem mêdo...entendeu??

Historia repete-se como FARSA (deu no Ancelmo)

Ponto final - 18/09/2015

Jornal do futuro.

Fernanda Montenegro: 'eu sou suburbana', por Daniel Brunet

Comentario meu--o talento nunca teve vergonha das suas raizes. Ja os novos ricos, quando tornar-se moda, farao, com certeza, Curso de Pobre.....a procura tempo perdido enganando a si proprios.
Fernanda Montenegro, 85 anos, a grande atriz
Fernanda Montenegro, 85 anos, a nossa grande atriz, falou de sua raiz no subúrbio carioca ao dar entrevista ao Canal Curta! sobre o filme "Infância", de Domingos de Oliveira. Vai ao ar domingo, às 20h:
- Quando eu tinha três anos a minha família foi morar em Engenho de Dentro, porque eu sou suburbana, eu conheço todo o subúrbio do Rio. Nós íamos a um “mafuá”. 
Nesse “mafuá” da igreja passavam sempre os filmes do Chaplin. Eu era uma cinemeira alucinada. Na minha infância e adolescência, o cinema é que era a grande diversão.

Fofoca do Dia--PT discute neutralizar (ou desmoralizar) Dirceu

Comentario meu--Pura especulacao de fofoqueiro profissional. A "cupula" ta mais pra copula (pro garanhao de sempre) e nunca soube distinguir seriedades. Eternos dependentes da boquinha.
O Zé, por êle proprio, cala-se. Sabendo que é fusivel...É formacao antiga, sem paralelo presente mas...o Destino a Deus pertence e, com tanto malandro-otario nas paradas, tudo, especular inclusive, é verossimel/possivel.
 

A cúpula do PT continua atônita com relatos de Curitiba sobre supostas pressões psicológicas, de investigadores da Lava Jato, para levar José Dirceu a negociar redução de pena por meio de delação. Até familiares que o visitam estariam sendo usados na pressão. O PT discute como abordá-lo na prisão. Caso isso seja inútil, pretende expulsar o ex-ministro, como forma de desqualificá-lo como testemunha-bomba.
Após Lula, Zé Dirceu é o político mais influente no PT e no governo Dilma. Mesmo preso, dizem que recebeu mais de R$ 34 milhões em propinas.
O medo do PT é o mesmo de Lula: para a cúpula petista, Dirceu seria um dos poucos cuja delação pode “meter o ex-presidente na cadeia”.
Aos 69 anos, Dirceu anda deprimido. Ele diz que estar junto da filha de 6 anos, seu xodó, é seu derradeiro projeto de vida.
Um mês apos sua prisão, José Dirceu e outras 16 pessoas foram denunciadas por corrupção, lavagem e organização criminosa.

Ex-governador tentou ajuda de Temer para tirar mulher da cadeia, nas Fôlhas

Ex-governador queria que Temer ajudasse a soltar sua mulher, mas êste, candidatissimo a "tomar" a Presidência,nega.Ninguém quer cair do poleiro.....so mamar na têta gorda da Républica, assim PRIVADA!

Roseli, presa em agosto, e o marido, ex-governador Silval Barbosa, preso agora.
Relatório do Grupo de Combate ao Crime Organizado, braço do Ministério Público de Mato Grosso, indica que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB/2011-2014) teria buscado ajuda do vice-presidente da República Michel Temer (PMDB-SP) para tirar sua mulher da cadeia. Roseli Fátima Meira Barbosa foi presa em 20 de agosto, em São Paulo, por suspeita de envolvimento em esquema de desvio de quase R$ 3 milhões da Secretaria de Assistência Social de Mato Grosso.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o vice-presidente afirmou que ‘não fez nenhuma gestão para liberação da mulher de Silval Barbosa’ e que nem recebeu o ex-governador de Mato Grosso.
Os promotores do Gaeco interceptaram ligações telefônicas do ex-governador que na última segunda-feira, 14, teve sua prisão preventiva decretada pela juíza Selma Arruda, de Cuiabá, no âmbito da Operação Sodoma. Silval Barbosa teria cobrado R$ 2 milhões de três empresas em troca de benefícios fiscais. Nesta quinta-feira, 17, o ex-governador se entregou à Justiça.
O monitoramento do peemedebista revela que ele esteve em Brasília no dia 25 de agosto. Segundo o relatório, 16h57, Silval Barbosa recebeu ligação de um telefone da capital federal, de uma mulher que se identificou por ‘Nara’. “Vem agora, pode vir agora, Nara, tá?”, disse a mulher.
Silval agradece e diz que o trânsito ‘está meio ruim’. Nara diz que ‘dá tempo’. Silval, então, questiona se a procura. Ela diz sim, e que “aí coloco o senhor pra falar com ele”. Ambos se despedem.
O relatório subscrito por um analista da Gerência de Interceptação Telefônica e Telemática do Gaeco informa. “Diante da ligação, de imediato procuramos identificar quem seria tal pessoa que Silval Barbosa queria tanto falar, já que aparentava ser alguém de renome, visto a forma com que a senhora interlocutora (Nara) se reportou a tal pessoa, ‘aí coloco o senhor pra falar com ele’. Assim, ao identificar o terminal que Silval havia recebido a ligação, em breve e informal pesquisa junto ao Google constatamos que se tratava de um terminal do Palácio do Planalto - Presidência da República.”

Às 17h34 do mesmo dia, 26 de agosto, o ex-governador recebe uma nova ligação de Nara, desta vez de outro número. Ela indaga se Silval já chegou. “Está trancado-o trânsito aqui, não está passando nada”, diz o ex-governador.
Nara, segundo o Gaeco, diz que “ele vai ter que sair, não vai dar para esperar, ele tá saindo agora”. Em seguida, ela questiona se daria para ele falar por telefone. Silval diz que ‘vai ver um fixo’ e pergunta se liga no número que Nara está ligando. Ela diz que não, que esse é PABX. Nara o orienta a ligar para outro número, e ‘que é para ele ligar agora, pois ele vai sair’.
O documento do Gaeco destaca. “Até este momento detínhamos apenas o conhecimento que Silval Barbosa procurava alguém ligado à Presidência da República, sem, contudo, precisar quem seria tal figura, já que os terminais que o mantiveram contatos apenas apontavam para a titularidade da Presidência da República.”
O relatório diz ainda. “Entretanto, na mesma ligação, a senhora Nara, em tese telefonista, informou outro telefone para que Silval Barbosa devesse retornar a ligação. Ao realizar a busca informal da aludida linha telefônica junto ao Google constatamos que se tratava de um terminal do Gabinete do Vice-Presidente da República.”
A Promotoria concluiu que a interlocutora do ex-governador é Nara de Deus Vieira, ‘Chefe de Gabinete do Vice-Presidente da República, senhor Michel Miguel Elias Temer de Lulia, presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), mesmo partido político do ex-governador Silval Barbosa’.
Ainda segundo o documento do Ministério Público de Mato Grosso, às 21h50, de 25 de agosto, Nara, usando seu celular funcional, entra em contato com Silval e questiona o nome completo de sua mulher. O ex-governador responde: Roseli de Fátima Meira Barbosa. “Tá bom, eu já vou, falamos amanhã então”, diz Nara.
Segundo a Promotoria, a defesa de Roseli havia perdido um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Estado. “Após essas conversas que, em tese, apontam para uma tentativa de obter junto ao vice-presidente da República um apoio para a demanda negada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (êxito na liberdade da paciente Roseli Barbosa), no dia seguinte (26 de agosto de 2015) o Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, empossado no Superior Tribunal de Justiça no dia 26 de maio de 2015, deferiu o pedido da defesa e determinou a soltura da senhora Roseli Barbosa”, afirma o relatório.
O Ministério Público de Mato Grosso destaca no relatório. “A sequência de conversas travadas entre Silval e a Chefe de Gabinete de Michel Temer, senhora Nara de Deus Vieira, demonstra com clareza que o ex-governador contatou o vice-presidente com esse propósito, senão fosse isso, por qual motivo Nara Vieira questionaria a Silval se poderia falar esse assunto via telefone? E, por que Silval preferiu contatar de um telefone fixo para ligar ao fixo do Gabinete de Michel Temer? E ainda, porque Nara Vieira contataria Sival quase às 23 horas (horário local de Brasília), para questionar o nome completo de Roseli? Ao realizar tais questionamentos, não há dúvida que o propósito de Silval, ao contatar com o vice- presidente da República, não é outro senão a liberdade de sua esposa.”
Por meio de sua assessoria de imprensa, Michel Temer informou que o ex-governador Silval Barbosa ‘tentou entrar em contato’. Segundo a assessoria, o ex-chefe do Executivo de Mato Grosso queria pedir a Temer ‘um auxílio, uma orientação no caso da esposa (Roseli Barbosa)’. Silval, por seus advogados, já tinha perdido habeas corpus para a mulher no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O vice-presidente da República, segundo sua assessoria, ‘não conseguiu abrir espaço na agenda, naquele dia, não recebeu (Silval Barbosa)’
“O vice presidente Michel Temer não fez nenhuma gestão para liberação da mulher (Roseli Barbosa) nesse processo, em nenhum momento”, destaca a assessoria.

Protesto contra ajuste e autoridade movimenta a Paulista

Protesto na Paulista contra Dilma, Temer, Renan, Cunha, Aécio...
Cerca de quarenta entidades foram representadas nas manifestações desta sexta-feira. (Foto: André Tambucci)
Militantes de 40 entidades ligadas à defesa dos direitos dos trabalhadores e minorias marcharam nesta sexta-feira, 18, pela Avenida Paulista para protestar contra o ajuste fiscal e outras medidas tomadas pelo governo federal que atentam contra garantias trabalhistas. Em um protesto que teve palavras de ordem tanto contra a presidente Dilma Rousseff e o PT, quanto ao senador Aécio Neves e o PMDB, passando por Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, os trabalhadores foram convocados a promover uma greve geral e "paralisar o País". 
Com gritos de ordem como "um, dois, três, quatro, cinco, mil. Ou para o ajuste ou paramos o Brasil" e "Não vai pagar, não vai pagar, por essa crise o povo não vai pagar", e bonecos tanto de Dilma quanto de Aécio, a Marcha Nacional dos Trabalhadores em São Paulo contou com a participação de cerca de 15 mil pessoas, segundo os organizadores. A polícia Militar não estimou a quantidade de pessoas.
O manifesto, o primeiro de uma série que estão sendo programados para convocar trabalhadores para uma greve geral, foi liderado pela Central Sindical Popular (CSC Conlutas) e contou com a participação de sindicatos de trabalhadores, muitos deles em greve como os servidores federais e funcionários dos Correios, além de partidos políticos como PSTU e PCB. Cerca de 170 ônibus foram responsáveis pelo transporte de manifestantes de outros Estados. Marchas também foram realizadas em Belém, Recife, Fortaleza e Manaus, segundo a organização. 
Na capital paulista, os manifestantes se concentraram em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo) e, por volta das 18h iniciaram uma caminhada até a praça Roosevelt, no Centro. Ainda na Paulista, o carro de som parou em frente ao edifício onde está localizado o escritório da Presidência da República, e oradores de diversos Estados e estrangeiros se revezaram em críticas ao governo. 
"É preciso unir os trabalhadores para se construir a greve geral no Brasil contra Dilma e contra a burguesia", disse Paulo Barela da executiva nacional da CSP Conlutas. "O pacote fiscal é um ataque aos direitos dos trabalhadores. Enquanto isso, o governo aprovou isenção para grandes empresas", completou. 
Barela afirmou que o manifesto tem o objetivo de construir uma alternativa para os trabalhadores àquela ligada à CUT e UDT, considerada por ele como instituições cooptadas pelo governo. Segundo ele, os organizadores da marcha não defende diretamente o impeachment, mas não cogitam a antecipação do mandato da presidente da República. "Vamos discutir os meios. Pode ser parando o País com a greve geral, eleições gerais, uma nova Constituinte ou uma ação direta", disse Barela.
Uma reunião entre lideranças das organizações está marcada para este sábado no Sindicato dos Metroviários, onde será discutida uma agenda de mobilização para o mês de outubro. A expectativa é de participação de 1,5 mil pessoas de diversos Estados. "Essa é uma movimentação da base, de baixo contra o governo e a oposição que brigam no varejo e se acertam no atacado", disse Cacau Pereira, membro da executiva nacional da CSP Conlutas.

Des Syriens réfugiés en Uruguay demandent à en repartir, par Christine Legrand LE MONDE

Des réfugiés syriens sur la place de l'Indépendance à Montevideo, le 7 septembre 2015.

Plusieurs pays d’Amérique latine ont annoncé, au cours des derniers jours, qu’ils étaient prêts à accueillir des milliers de migrants fuyant les conflits au Moyen-Orient.

Cinq familles de Syriens – soit 42 personnes, dont une trentaine d’enfants – arrivées en octobre 2014, manifestaient au cœur de Montevideo depuis le 7 septembre, face au palais présidentiel. Leur campement coloré a surpris les habitants de la capitale uruguayenne. Ces réfugiés, assis sur leurs valises, ont exprimé leur désir de quitter l’Uruguay, où ils disent ne pas parvenir à s’intégrer, en raison notamment du coût élevé de la vie.
« Nous n’avons pas fui la guerre pour mourir ici dans la pauvreté », déclarait Maher Al-Dis, 36 ans. « Nous voulons vivre avec [notre] identité et [nos] valeurs », renchérissait Maraa Al-Chibli, 55 ans, père de 15 enfants. « Les Uruguayens sont gentils, nous n’avons pas de problèmes avec les gens ni avec le gouvernement, précisait Ibrahim Al-Mohamed, mais tout est très cher, et j’ai peur de l’avenir, car il n’y a aucune opportunité pour nous dans ce pays. »

« Cultures différentes »

Ils ont finalement levé leur campement le 10 septembre au soir. Le président uruguayen, Tabaré Vazquez, leur a proposé « de choisir en toute liberté le pays où ils souhaitaient aller », précisant que son gouvernement « parlerait avec les autorités des pays choisis pour voir s’ils voulaient bien les accueillir ». Une des familles syriennes a tenté récemment de quitter l’Uruguay pour aller en Serbie, mais a été retenue deux semaines en Turquie, pour des problèmes de visas, et a finalement été renvoyée à Montevideo. M. Vazquez a rejeté les accusations selon lesquelles son gouvernement n’avait pas respecté les promesses d’aide financière à l’égard des réfugiés.
Fuyant la guerre en Syrie, ces derniers proviennent de camps de réfugiés du Liban. Ils s’expriment par l’intermédiaire d’un traducteur car leur espagnol reste balbutiant, mis à part les enfants et les adolescents qui ont vite appris la langue. En Uruguay, pays aux fortes racines européennes, la communauté arabe est très réduite, et il n’y a aucune mosquée. « C’est une intégration complexe, difficile, ce sont deux cultures différentes », a reconnu le ministre des affaires étrangères, Rodolfo Nin Novoa.
La décision de l’ancien président de gauche José « Pepe » Mujica (2010-2015) d’accueillir ces réfugiés avait provoqué une vive polémique, divisant l’opinion publique. Les détracteurs rappelaient que l’économie uruguayenne n’échappe pas à la récession et au chômage.
L’Uruguay a été le premier pays d’Amérique latine à implanter un programme d’accueil, incluant une aide pour trouver du travail et un logement et une allocation pendant deux ans. Un programme qui devrait coûter à l’Uruguay de 2 à 2,4 millions d’euros. Les Uruguayens se demandent désormais si le président Vazquez reviendra sur l’offre, faite par son prédécesseur, d’accueillir, d’ici à la fin de l’année, sept nouvelles familles syriennes.
Comentaire du blog--.....commenter pourquoi faire....un nouveau marché s`ouvre au Monde, celui du refugié exigeant et soucieux de confort, matériel et spirituel. Prenons acte et attendons les décisions des burocrates au POUVOIR, en EUROPE et ailleurs.....

'UE precisa parar com jogo de empurra', diz presidente do Conselho Europeu, Reuters

Comentario meu---...alguém viu por ai um LIDER? PROCURAM-SE......lideres que demitam os burocratas.
Sem distincao de PAIS, RELIGIAO ou Tendência Politica. 
 
Bruxelas - Os europeus fracassaram em proteger suas fronteiras externas diante de uma crise de migração e estão jogando a culpa e responsabilidade de um país para o outro, disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ao mesmo tempo em que pediu que seja estabelecida uma política migratória europeia credível.
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Líderes da União Europeia vão se reunir em um cúpula extraordinária sobre migração na próxima quarta-feira em Bruxelas, para decidir como lidar com os mais de 500 mil imigrantes que chegaram à Europa somente este ano, vindos sobretudo de Síria e Iraque, países destruídos pela guerra.
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Tusk, que preside as cúpulas com os líderes dos 28 países da UE, escreveu em uma carta-convite aos chefes de Estado e governos que a crise representa um teste para a humanidade e responsabilidade europeias, e que a migração continuaria a ser um desafio por muitos anos.
“Nós, como europeus, não somos atualmente capazes de administrar nossas fronteiras externas comuns, por isso alguns Estados decidiram proteger a si mesmos fechando suas fronteiras nacionais”, disse Tusk.
“A proteção da comunidade europeia é nosso primeiro dever e obrigação, e nós fracassamos nessa frente. Por tempo demais nossas discussões ficaram centradas em jogar a responsabilidade sobre outros”, escreveu Tusk na carta.
Ele disse ser essencial estabelecer uma política migratória europeia em que se possa acreditar. As discussões na quarta devem também abordar questões como maneiras de ajudar Itália, Grécia e Hungria, países mais expostos à entrada de imigrantes. Também deve ser debatida a cooperação com os países dos Bálcãs Ocidentais, através dos quais viajam os imigrantes.

Obama nomeia primeiro homem gay para liderar Exército dos EUA

Comentario meu-- ...sem abandonar o estilo videogame de guerrear, claro. Tornar-se-a habito seguir "a frente" da soldadesca??

Estados Unidos da América do Norte - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nomeou Eric Fanning como próximo secretário do Exército, disse a Casa Branca nesta sexta-feira, abrindo caminho para a posse do primeiro homem assumidamente gay a liderar uma das Forças Armadas na história dos EUA.
Fanning ocupa atualmente o cargo de subsecretário do Exército e trabalhou anteriormente como subsecretário da Força Aérea e chefe de gabinete para o secretário de Defesa dos EUA, Ash Carter.
Sua nomeação para o posto deve ainda ser confirmada pelo Senado norte-americano.
Obama nomeia primeiro homem assumidamente gay a liderar Exército dos EUA--Foto: Reuters / Chris Muncy
“Eric traz muitos anos de experiência comprovada e liderança excepcional para seu novo cargo”, disse Obama em um comunicado. “Estou confiante de que ele vai ajudar a liderar os soldados norte-americanos com distinção.”
Grupos ativistas disseram que a nomeação de um homem abertamente gay para liderar uma das Forças Armadas representa um sinal significativo de progresso na proteção aos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) que trabalham na maior força militar do mundo.
O Pentágono atualizou sua política de oportunidades igualitárias em junho de 2015 para proibir a discriminação baseada em orientação sexual, mudança anunciada por Carter durante uma celebração do orgulho gay e lésbico.

Professora que era estrela pornô pede demissão após ser descoberta

Comentario meu--....enquanto isso, no Pais das Aparências, a Vida ta cada vez mais rasteira.....mas, fora isso, o prazer é garantido!


Estados Unidos da América do Norte- Uma professora de Ohio, nos Estados Unidos, pediu demissão após a direção da escola na qual lecionava música descobrir que estrelava vídeos pornográficos na web. Kristin Sundman, de 31 anos, atendia pelo nome "MelodyXXXtune" na Internet. Ela deixou a escola na última semana após ser colocada sob "investigação administrativa".
Vídeos pornográficos e fotos da professora Kristin Sundman foram descobertos por escola--Foto: Reprodução Internet
Depois de os vídeos de performances sexuais serem descobertos, o conteúdo foi retirado da Internet. Um dos responsáveis pelo colégio de ensino médio Theodore Roosevelt, George Joseph, assegurou aos pais que seus filhos "estão a salvo".
Joseph acrescentou que apesar do ocorrido, Kristin era uma ótima funcionária. Segundo ele, ainda não há certeza se a mulher mantinha os dois empregos ao mesmo tempo, trabalhando como estrela pornô enquanto lecionava.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Laurindo Almeida, a influência brasileira no jazz , por Flávio de Mattos

Laurindo Almeida (Foto: Divulgação) 
Laurindo Almeida (Foto: Divulgação)

O violonista Laurindo Almeida é, bem provável, a primeira influência do samba no jazz norte americano. Ele se mudou para os Estados Unidos em 1947 e logo se tornou o solista da Orquestra de Stan Kenton, uma das mais importantes da época. Stan Kenton fazia uns arranjos revolucionários e sua orquestra sempre buscava novas sonoridades. Laurindo Almeida contribuiu levando à banda a música brasileira e a música latina em geral.
Nascido em 1917, na pequena Miracatu, São Paulo, Laurindo Almeida, desde os nove anos de idade já se interessava pela música. Seu pai era ferroviário de profissão, mas seresteiro, de paixão. E sua mãe, pianista amadora, foi quem lhe deu as primeiras lições ao piano. Contudo, ele gostava mesmo era de tocar no violão os acordes que a irmã lhe ensinava escondido da mãe.
Ainda menino, Laurindo Almeida acompanhava o pai nas serestas e arrebatava as audiências com seu virtuosismo. Adolescente, foi morar com um irmão mais velho em São Paulo, onde começou a tocar profissionalmente. Mas foi quando transferiu-se para o Rio de Janeiro, em 1936, que começou a destacar-se no meio musical.
Seu primeiro emprego foi na orquestra da Radio Mayrink Veiga, que disputava a audiência com a Rádio Nacional e tinha um quadro igualmente fantástico. Lá ele trabalhou com os maestros Heitor Villa-Lobos e Radamés Gnattali, com o violonista Garoto, com Pixinguinha e Carmen Miranda, só para citar alguns dos expoentes da época.
Já liderando seu próprio grupo, Laurindo Almeida foi contatado para comandar as noites do Cassino da Urca, em 1942. Passou cinco anos como a principal atração da casa, até que o governo proibiu o funcionamento de cassinos no Brasil. Foi quando o músico resolveu mudar-se para os Estados Unidos.
Compositor de sucessos, teve suas músicas gravadas pelos cantores mais populares no Brasil, como Orlando Silva, Carmen Miranda e Aracy de Almeida. Mas quem financiou seu bilhete para os Estados Unidos foi sua canção Johnny Peddler, gravada na América pelas Andrews Sisters.
Laurindo Almeida publicou seu primeiro disco nos Estados Unidos em 1949, o álbum Concert creation for guitar. Mas foi o álbum de 1953, Laurindo Almeida featuring Bud Shank – Braziliance, que estabeleceu um novo paradigma, com a introdução dos ritmos brasileiros na cena do jazz americano.
Laurindo cunhou a expressão Jazz Samba para sua música dez anos antes do disco de Stan Getz e Charlie Byrd, que teve esse título. E muito antes ainda dos jovens músicos do Beco das Garrafas, como Sérgio Mendes, que desenvolveram por lá um Samba Jazz, que foi dar na bossa nova por volta de 1958.
No Braziliance, Laurindo Almeida traz os vários gêneros da música brasileira para misturar com o jazz. Não só o samba, mas ainda o choro e o baião.  Bud Shank e Laurindo fazem uma bela leitura do clássico Carinhoso, de Pixinguinha. E revisitam Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira com Blue Baião.
Um músico completo, Laurindo Almeida movia-se com seu violão entre o popular e o erudito. Ganhador de cinco prêmios Grammy, foi o primeiro músico da história dessa premiação a ganhar Grammys tanto por gravações de música erudita como de jazz.
Nos anos 60, Laurindo Almeida gravou e excursionou com o Modern Jazz Quartet, que também navegava entre o jazz e o clássico. Juntos, faziam uma música que classificaram como Jazz de Câmera. No álbum Collaboration, de 1964, está uma sensacional interpretação para Fuga em Lá menor, de Bach, com Laurindo e o MJQ.
Laurindo Almeida morreu em Los Angeles, em 1995, deixando uma obra com mais de 40 discos gravados, dez trilhas sonoras para filmes em Hollywood e incontáveis participações em trabalhos de outros músicos. Completa celebridade no mundo do jazz norte americano, mas pouco lembrado no Brasil.
No vídeo temos uma performance de Laurindo Almeida com o Modern Jazz Quartet, em 1964. Já época da Bossa Nova de Tom Jobim, eles apresentam o Samba de uma nota só