sábado, 29 de agosto de 2015

Dia do Soldado: e Lula de novo , por Vitor Hugo Soares

Lula passa em revista a tropa brasileira que embarcava para Haiti  (Foto: Divulgação)Terça-feira, 25 de agosto, Dia do Soldado. Desperto ao som de um dobrado que convoca à vigília e à disposição permanente ao combate, nesta data da semana que vai chegando ao fim, impactada nesta sexta-feira (28) pela entrevista do ex-presidente Lula (fundador do PT e padrinho da mandatária ocupante do Palácio do Planalto), na Rádio Itatiaia de Minas Gerais, dizendo de público, pela primeira vez, que se prepara para disputar o lugar de Dilma nas presidênciais de 2018.
Não se faz agosto sem grandes surpresas no Brasil, penso. E sigo em frente.
A execução da música, às primeiras horas da manhã da terça, vem da banda do Exército, na área do Colégio Militar, localizado bem ao fundo do prédio onde moro, no bairro Itaigara, em Salvador.
Os acordes chegam aos ouvidos acompanhados do barulho causado pelo forte e inconfundível pisar de botas no asfalto. À espaços, os gritos de palavras de ordem do grupamento de jovens recrutas que prestam serviço militar no quartel do centro de treinamento da VIª Região, onde está um dos mais gabaritados colégios de ensino secundário do Nordeste. A marcha dos soldados quebra a sonolência dos moradores do silencioso bairro de classe média da capital baiana. 
"Amaldiçoado seja aquele que pensar mal dessas coisas", repiso o ditado dos franceses. Mas sempre haverá "um fanático da objetividade jornalística" (salve Nelson Rodrigues, que nesta semana de agosto festejaria 103 anos, se vivo estivesse) para questionar: "Então, por que diabos esta salada de assuntos tão desencontrados (a extemporânea entrevista política de Lula, na emissora mineira e a marcha dos soldados na Bahia?”.  
Primeiro, digo, pelos dois fatos em si e suas respectivas relevâncias. Depois, em razão dos apelos que as duas situações evocam ao jornalista "que vêm de longe", como gostava de dizer o gaúcho Leonel Brizola. Recordo, por exemplo, de passagens marcantes, para mim, da época em que chefiava a redação da sucursal do Jornal do Brasil em Salvador, e o país ainda se debatia na luta para retomar a plenitude das liberdades democráticas, gravemente fraturadas pelo golpe que derrubou o governo legítimo de João Goulart.
Então, o Dia do Soldado metia medo, com seus comunicados e ordens do dia dos armados donos do poder, lidos nas emissoras de rádio e publicados na imprensa com direito a manchetes de oito colunas e chamada de primeira página, carregados de medos subjacentes e de ameaças mal dissimuladas.
Constato: O Dia do Soldado, neste agosto de 2015, felizmente minguou em seus estalidos políticos. Ficou restrito aos quartéis e imediações onde alcança o som dos dobrados, seus exatos e recomendáveis limites, a exemplo do que ocorreu no desfile dos recrutas em Itaigara ao amanhecer da terça-feira.
À tarde, o país já  estava de olho no salão da Câmara, em Brasília. Ali transcorria a sessão da acareação da CPI da Petrobras. Frente à frente o operador Yousseff e o ex-diretor da estatal pilhada por corruptos e corruptores em ação indissociável, na definição perfeita do juiz Sérgio Moro. Tudo transmitido ao vivo e em cores para todo o país e o debate correndo acalorado, livre e solto nas redes sociais.
Quem imaginaria algo assim em um Dia do Soldado, há algumas décadas no Brasil? E a entrevista de Lula sexta-feira, em Minas, comunicando a vontade de voltar a disputar a presidência, ontem?:  "Se a oposição tem pressa, que espere 2018. Ainda não sei se serei candidato, tem outras pessoas boas também (no PT). Eu vou para a disputa para que a oposição não ganhe as eleições".
Alguma dúvida, além do correr do Petrolão e da Lava Jato? Responda quem souber.

O país do amanhã, por Ruy Fabiano

Que futuro nos espera? (Foto: Arquivo Google)
Meu futuro ao largo, mais uma vez......
O Brasil é um país adiado. Perdeu no passado várias oportunidades de dar um salto qualitativo, em função de decisões erradas ou de manipulações eleitoreiras de iniciativas que poderiam ter dado certo, como o Plano Cruzado, concebido pelos mesmos mentores do Plano Real, mas profanado pelo governo Sarney.
O Plano Real, o mais bem sucedido da história, sofreu estupro na gestão PT – e o país, dizimado por uma organização criminosa, que o governa há 13 anos, volta à estaca zero: inflação, desemprego, recessão, descrédito popular (o dano mais significativo e mais difícil de reparar e do qual depende o resgate dos demais).
Costuma-se dizer que, no alfabeto chinês, o mesmo ideograma que designa crise designa também oportunidade. Essa duplicidade, que aponta a solução de um problema a partir de sua transmutação, não funciona entre nós.
Crise aqui é só crise mesmo, sem qualquer vontade política de aproveitar a oportunidade regenerativa.
A atual, que submete a conjuntura política a uma operação policial, poderia ser uma oportunidade de passar o país a limpo, entregando à Justiça, sem subterfúgios, os responsáveis pela rapina. O que se vê, no entanto, é algo bem distinto: as instituições – os três poderes -, em conluio recíproco, em busca de saídas indolores, que reduzam ao máximo o arco punitivo.
A palavra acordão rima como Mensalão, Petrolão e outros “ãos” que ainda virão. Rima, mas não traz solução.
Neste momento, três adiamentos impedem o desfecho da crise. O TCU concedeu o segundo adiamento de 15 dias para que Dilma explique as pedaladas fiscais, que configuram crime contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e podem dar início ao processo de impeachment.
Para impedi-lo, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, deu sua contribuição: saiu-se com uma decisão (a ser avaliada pelo pleno) que retira da Câmara, presidida pelo indigesto Eduardo Cunha, a votação das contas da presidente.
Embora a Câmara tenha votado as contas dos governos anteriores – Itamar Franco, FHC e Lula –, Barroso decidiu, sem qualquer justificativa razoável, que, daqui para frente, essas contas têm que ser votadas pelo Congresso, sob o comando do confiável presidente do Senado, Renan Calheiros.
Para complementar o acordão, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu denunciar Eduardo Cunha, poupando Renan, que passou a exercer o papel de fiador da intocabilidade de Dilma. Renan, citado diversas vezes nas delações premiadas, foi preterido em favor de Cunha, citado apenas uma vez por um delator, Júlio Camargo, que antes, por seis vezes, havia negado sua participação nas falcatruas que relatava.
Na sequência, reverberando a manobra, deputados petistas e aliados publicaram manifesto pedindo a saída de Cunha da presidência da Câmara. É o chamado ato político perfeito.
Se Cunha sair, será sucedido por um deputado do inominável PP, Waldir Maranhão, que teria a responsabilidade de convocar novas eleições para o cargo, com prazo, no entanto, para comandar (e garantir) a votação das contas de Dilma.
Cunha pode até ser culpado – e ninguém está pedindo para que não seja investigado -, mas as circunstâncias em que foi denunciado são suspeitas e aprofundam o descrédito nas instituições. E Renan? E Dilma? E Lula? E Edinho, Mercadante et caterva? Só a iniciativa privada vai para a prisão?
O TSE, por sua vez, interrompeu a votação das contas da campanha de Dilma, nutridas, segundo as delações premiadas da operação Lava-Jato, com dinheiro roubado da Petrobras. O placar estava em 4 a 1, pelo aprofundamento das investigações, num colegiado de sete - ou seja, já vitoriosa a tese de que há irregularidades que podem levar à cassação da chapa Dilma-Temer.
Eis que a ministra Luciana Lóssio, que é ninguém menos que a ex-advogada da campanha de Dilma em 2010, igualmente contaminada por dinheiro sujo, pediu vistas do processo, sem que se saiba quando será recolocado a voto.
O simples fato de alguém que exerceu tais funções estar julgando ex-clientes já indica uma anomalia profunda, absurda. Mas como estranhá-la se, na presidência da Corte, está alguém que fez o mesmo, numa escala bem mais ampla?
O ministro Duas Toffoli, como se sabe, fez toda a sua carreira dentro do PT: depois de reprovado duas vezes em concurso para juiz, foi chefe de gabinete de José Dirceu quando este foi deputado estadual em São Paulo e federal em Brasília; foi subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, também na gestão Dirceu, além de advogado da campanha de Lula em 2006. Lula, agradecido, o fez advogado-geral da União.
Na campanha de 2006, tentou, junto ao mesmo TSE, impedir que os candidatos da oposição tratassem do Mensalão, argumentando que aquele escândalo “jamais existiu”. Seis anos depois, estava no STF julgando nada menos que o Mensalão.
Na oposição, o panorama é igualmente espantoso. Com a faca e o queijo na mão, tendo diante de si o maior escândalo jamais visto, exibe discurso desuniforme e vacilante.
Diz que não há elementos que justifiquem o impeachment (??!!), que a presidente é honesta e honrada (não obstante suas contas não o serem e nenhuma investigação tenha confirmado tal premissa) e que é preciso ir devagar com o andor.
Suas maiores lideranças brigam mais entre si que com os delinquentes. O governador paulista Geraldo Alckmin quer que Dilma fique até 2018, para que, nesse prazo, ele possa firmar sua candidatura presidencial. O senador José Serra quer o impeachment para que Michel temer assuma e o faça ministro da Fazenda, ocasião em que poderá produzir o seu Plano Real e tornar-se um candidato viável à presidência.
Aécio Neves, beneficiário do recall das últimas eleições, liderando as pesquisas, quer a cassação da chapa, para que se eleja. Sem diálogo interno e sem compromisso com o clamor das ruas, a oposição presta inestimável serviço ao caos.
Rui Falcão, presidente do PT, agradece. E constata: não há chance para o impeachment porque a oposição não se entende. Ele nem precisa sustentar a inocência do governo. Basta constatar que seus oponentes são aliados na missão de mais uma vez adiar o Brasil.
Ruy Fabiano É jornalista

Documentos secretos mostram como Lula intermediou negócios........Thiago Bronzatto, ÉPOCA

...da Odebrecht em Cuba.

No dia 31 de maio de 2011, meses após deixar o Palácio do Planalto, o petista Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Cuba pela primeira vez como ex-presidente, ao lado de José Dirceu. O presidente Raúl Castro, autoridade máxima da ditadura cubana desde que seu irmão Fidel vergara-se à velhice, recebeu Lula efusivamente. O ex-presidente estava entre companheiros. Em seus dois mandatos, Lula, com ajuda de Dirceu, fizera de tudo para aproximar o Brasil de Cuba – um esforço diplomático e, sobretudo, comercial. Com dinheiro público do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, o Brasil passara a investir centenas de milhões de dólares nas obras do Porto de Mariel, tocadas pela Odebrecht. Um mês antes da visita, Lula começara a receber dinheiro da empreiteira para dar palestras – e apenas palestras, segundo mantém até hoje.
Naquele dia, porém, Lula pousava em Havana não somente como ex-presidente. Pousava como lobista informal da Odebrecht. Pousava como o único homem que detinha aquilo que a empreiteira brasileira mais precisava naquele momento: acesso privilegiado tanto ao governo de sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff, quanto no governo dos irmãos Castro. Somente o uso desse acesso poderia assegurar os lucrativos negócios da Odebrecht em Cuba. Para que o dinheiro do BNDES continuasse irrigando as obras da empreiteira, era preciso mover as canetas certas no Brasil e em Cuba.
Lula em visita a Raúl Castro, em 2014. De uma reunião de Lula com a Odebrecht, saíram ideias para obter novos financiamentos (Foto:  Instituto Lula)
Lula em visita a Raúl Castro, em 2014. De uma reunião de Lula com a Odebrecht, saíram ideias para obter novos financiamentos (Foto: Instituto Lula)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Áustria contabiliza 71 refugiados mortos no caminhão frigorífico, por Enrique Müller / El País

 
Áustria cifra em mais de 70 refugiados os mortos no caminhão frigorífico.  / HANS PUNZ | REUTERS-LIVE!

As autoridades austríacas confirmaram nesta sexta-feira que são 71 os refugiados mortos encontrados na quinta-feira passada dentro de um caminhão frigorífico abandonado em uma estrada na região leste da Áustria, perto da fronteira com a Hungria. Segundo se divulgou, eram 59 homens, oito mulheres e quatro crianças (a vítima mais nova tinha 2 anos e as outras três crianças eram meninos de 3, 8 e 10 anos). Entre eles havia cidadãos sírios. “Encontrou-se um documento de identidade sírio, então supomos que se trata de um grupo de refugiados dessa nacionalidade”, afirmou o chefe da polícia local, Hans Peter Doskozil. Ele confirmou que três pessoas, dois búlgaros e um húngaro, foram detidas na Hungria, e outros quatro mandados europeus de prisão também foram emitidos para dar conta dos outros supostos responsáveis pela tragédia.
O caminhão de 7,5 toneladas de uma empresa de alimentação, e com licença húngara, pertencia a um búlgaro de origem libanesa e foi encontrado abandonado em uma região especial para veículos avariados às margens da rodovia A4, perto da localidade de Parndorf (Áustria). Entre os presos está o proprietário do caminhão e outros dois cúmplices, possivelmente os motoristas. Tudo indica que seja uma organização criminosa formada por húngaros e búlgaros, afirmaram as autoridades. Doskozil afirmou que o número de agentes na região de Burgenland, no leste da Áustria, e junto à fronteira com a Hungria seriam aumentados para melhorar o controle da região.
Calcula-se que as vítimas estavam mortas há 36 e 48 horas e que o veículo ficou parado na estrada por mais de 20 horas. O caminhão foi visto na quarta-feira nos arredores de Budapeste (Hungria) e acredita-se que tenha entrado no território austríaco na noite de quarta para quinta-feira. Portanto, os migrantes teriam morrido quando o veículo foi estacionado na vala.
“À primeira vista não foi possível calcular o número de corpos”, afirmou na quinta-feira o diretor da polícia de Burgenland, Estado em que o veículo apareceu. Ele destacou que, quando os agentes chegaram ao lugar, escorria do caminhão um líquido próprio da decomposição dos corpos. Uma vez recuperados, os cadáveres foram transferidos ao centro de medicina legal da capital, Viena, para a determinação da causa da morte. A polícia da Hungria tinha enviado vários agentes para cooperar com seus colegas austríacos.
O diretor policial afirmou nesta sexta-feira que todo dia são interceptadas nessa região cerca de 400 pessoas que afirmam ser refugiadas de zonas de conflito. “Esta tragédia nos comoveu a todos”, afirmou na quinta-feira a ministra do Interior do país centro-europeu, Johanna Mikl-Leitner. “Os traficantes de pessoas são criminosos que só visam o lucro”, acrescentou.

Eles só pensam naquilo, por Nelson Motta

O ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, que tem como qualificação profissional a militância no Sindicato dos Bancários e na bancada federal do PT-SP, sem noção de tecnologia e do mundo das comunicações modernas, que há anos prega a “regulamentação da mídia” (e talvez por isso tenha sido colocado no ministério pela ala soviética do partido ), é a cara do Brasil atual, onde a militância sindical é a mais alta qualificação para qualquer cargo.
Agora, ele quer atrapalhar a comunicação entre os brasileiros, chamando o WhatsApp de “pirata” e querendo “regulamentá-lo”, naturalmente inspirado por operadoras de telefonia que dizem estar perdendo dinheiro enquanto o usuário economiza nas tarifas e nos impostos escorchantes. Quem vai pagar um SMS se pode mandar mensagens, vídeos e áudios de graça pelo WhatsApp? Quem é estupido o bastante? Que “causa” de alguns merece a manutenção do atraso de todos? Mas eles só pensam em regulamentar.
Esse pessoal odeia tanto a TV Globo porque, mesmo com enormes verbas públicas e publicidade oficial, nunca conseguiram fazer uma emissora (ou um jornal, uma revista, uma rádio ou um site ) “de esquerda” que fosse popular e influente. A TV Brasil, Lula dizia que seria nossa BBC, é um fracasso absoluto, que custa uma fortuna mas ninguém vê. Tem mais funcionários do que espectadores. O maior sonho deles seria estatizar a Globo e aparelhá-la para suas causas “progressistas”, mas quebrariam a empresa em seis meses, por incompetência e ladroagem.
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Quando eles falam em “regulamentar”, boto logo a mão no bolso e encosto na parede, é o Estado querendo tomar mais dinheiro do cidadão para sustentar os desperdícios e roubos de pessoas que nada entendem das áreas que comandam e têm como principal objetivo manter o partido no poder.
Enquanto isso, o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicação já acumula 18 bilhões de reais em taxas pagas por usuários e operadoras, e o governo não sabe o que fazer com a bolada, explicando por que a internet no Brasil é uma das piores e mais caras do mundo.
Na campanha Dilma falava em “banda larga para todos”... rsrs.
Ricardo Berzoini, ministro das Comunicações (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)Ricardo Berzoini, ministro das Comunicações (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Eduardo Cunha: a pauta bomba da Força Sindical, de Thiago Dantas e Silvia Amorim

O ato de desagravo ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, realizado pela Força Sindical em São Paulo, na última sexta, colocou dirigentes da entidade em confronto. O secretário-geral da central, João Carlos Juruna, criticou a manifestação de apoio e sugeriu ao deputado Paulo Pereira da Silva (SD), presidente licenciado, que "deixe a Força seguir seu próprio caminho". Paulinho foi o organizador da festa pró-Cunha que teve gritos de "Cunha, guerreiro do povo brasileiro".
Juruna disse que escreveu um texto criticando o apoio após ouvir críticas de colegas sindicalistas nas redes sociais. Ontem ele chamou o ato de "apoio descarado".

PSICANÁLISE DA VIDA COTIDIANA, por CARLOS VIEIRA

 Ponto e Vírgula

Na maioria dos noticiários da Mídia, o horror é matéria que se vende e se lucra muito; é excessão ouvir uma noticia feliz, delicada, afetiva que revele alegria e esperança; mulheres em trabalho de parto, nas calçadas dos hospitais; quando não em macas improvisadas ou dispensadas para outras maternidades; falta de vagas, falta de médicos; os pais e as mães derramando suas lágrimas de tristeza e ódio pois seus filhos foram alvo de balas da polícia e dos traficantes; mortos precocemente, vidas não vividas, futuro interrompido; o homem de carro preto ou de chapa azul estaciona em vaga dos cadeirantes e dos idosos, sem serem idosos ou vítimas de alguma patologia ortopédica; pessoas atropeladas nas faixas de pedestre; parentes de autoridades, senhoras da “alta sociedade” fazem descaramente filas duplas para comprar um medicamento ou mesmo para buscar suas jóias em casas de grifes; policiais sem formação espancam os inocentes, matam organizados em quadrilhas de extermínios, crianças, jovens, idosos; o coração dilacerado após anos de estudos, de um estudante que não quer mais fazer universidade pois tem horror da dívida que terá de pagar aos bancos em conluio com o governo; a menininha que pega uma flor vermelha e não sabe a quem ofertar diante de um mundo hostil; os aposentados, aposentados também de vencimentos precários mesmo para a dificuldade de comprar seus medicamentos das “farmácias populares”; cada laboratório tem um preço que não obedece aos preços dos programas oficiais; o Teatro Nacional de Brasilia faliu, desmoronou, sem verbas num “pais educador”; os políticos não querem reformas, desejos da população; os políticos querem reformas eleitoreiras, os políticos perderam a sensibilidade afetiva, ética, social e política; o Estado do Paraná é um exemplo de Justiça; alguns governantes mentem, prometem, usam as verbas para fins de conluios com seus parceiros e empresários, com obras de Copas e Copas; não existem verbas para programas sociais mas existem verbas para suprir a voracidade de tantas pessoas ligadas a Partidos compondo uma “feira de Ministérios”; a água se esvazia nas represas, as torneiras estão monitoradas e responsáveis por multas e mais multas; a periferia, nem se fala; hoje são as cidades grandes com sede, secas, enxutas, anunciando não o dilúvio mas a aridez das gotas ínfimas de H2O; as marchas, para que?; os ouvidos surdos dos governantes costuram não as reformas mas os ajustes para beneficios de manutenção no poder; Graciliano Ramos precisa ser relido e relido através do seu romance –VIDAS SÊCAS -; outro dia um homem da “classe média” desesperado por não poder pagar suas dívidas, pulou da ponte Rio-Niterói; a jovem moça, desistiu de viver, saltando do Viaduto de Chá, em São Paulo, ficou sem casa, sem utensílios, dois irmãos, após uma enchente “com data anunciada”; a televisão com orgulho mostrou a grande vitória dos nossos atletas na Para-Olimpíada!; a Lava Jato levantou o “tapete voador” da minoria privilegiada dessa Nação que ainda dorme em “berço explêndido?; a novela da Globo, mostra tudo sobre corrupção, faz alguma diferença?, penso que sim; os homens, ou seja, a população, o povo, já não “suportam o peso do mundo” como poetou nosso Carlos Drummond; Bandeira, certa vez, meio decepcionado, pensou voltar para o Nordeste ---- Ele queria viver de brisa!; nem deu tempo para ir à Pasárgada, mas fez uma obra prosa-poética mais lindo do mundo; Lampião dava aos pobres o que era o excesso dos ricos; Vandré cantou:”quem sabe faz a hora não espera acontecer”, e não aconteceu; e os “Vandrés da vida pararam de cantar, de compor; Chico Buarque se trasnformou em romancista; os nossos intelectuais se asilam num “autismo permitido” deixando as ruas, os conselhos para pensar o país; nem o Sertão vai virá Mar e os mares se transformaram em “arrastões”; Copacabana é linda mas os atletas reclamam da poluição; os aposentados perderam as benesses pois os governos gastaram todo o dinheiro, não é época de eleições; ponto e vírgula sempre foram as belas, lindas, poéticas prosas de Paulo Mendes de Campos; em cada governo, quem sabe, deveria ter um Papa Francisco!
“Quando ouço pronunciar a palavra guerra sinto um pavor como se falassem de bruxaria, da inquisição, de uma coisa longínqua, abminável, monstruosa, contra a Natureza”.
Guy de Maupassant em seu livro – As grandes paixões ---Editora Record, 2005, RJ.
Carlos de Almeida Vieira - psicanalista e psiquiatra.

Sindicatos: 'maquinas de fazer milhões', por HENRIQUE GOMES BATISTA e RUBEN BERTA

Dados inéditos divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho mostram que, no ano passado, uma elite de 480 de um total de 9.959 entidades sindicais recebeu, cada uma, ao menos R$ 1 milhão do imposto conhecido como Contribuição Sindical. Conforme o GLOBO mostrou no mês passado, os números vinham sendo mantidos em sigilo pelo governo federal, mas foram liberados por determinação da Controladoria Geral da União (CGU), com base na Lei de Acesso à Informação. O ranking de arrecadação mostra um predomínio do comércio. Excluindo as centrais, quatro das cinco entidades mais ricas estão ligadas ao setor. O primeiro lugar ficou com o Sindicato dos Comerciários de São Paulo: R$ 29,7 milhões.
— Esse ranking confirma a importância do setor de comércio e serviços na economia nacional, algo que ainda não foi assumido do ponto de vista político. Fiquei surpreso de sermos os primeiros em arrecadação, mas o fato é que realmente somos grandes em tudo. Temos a maior prestação de serviços do país. Somente no ano passado, oferecemos 203 mil atendimentos médicos e odontológicos — afirmou Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que também comanda a União Geral dos Trabalhadores (UGT), central que no ano passado recebeu outros R$ 39,9 milhões.
Pela primeira vez, a União disponibilizou os dados das 9.959 entidades que dividiram R$ 2,651 bilhões em 2014. No segundo lugar entre os sindicatos milionários, aparece o Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis de São Paulo), com R$ 29,4 milhões. Em seguida, vêm dois outros representantes patronais: a Confederação Nacional do Comércio (CNC), com R$ 26,9 milhões, e a Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP), com R$ 25,2 milhões. O quinto lugar é da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), com R$ 22,7 milhões.
A Contribuição Sindical tem duas origens: um dia de salário por ano de todos os trabalhadores para os respectivos sindicatos e um percentual sobre o capital social das empresas, na representação dos patrões. Os dados não mostram, porém, o faturamento total das entidades, pois elas ainda podem cobrar contribuições adicionais que não têm controle pelo poder público, como mensalidades de associados e outras taxas compulsórias.
Entre os que mais arrecadaram estão ainda categorias de peso, como o Sindicato dos Bancários de São Paulo (8º lugar, com R$ 15,3 milhões) e os metalúrgicos da capital paulista, com R$ 8,8 milhões, na 19ª posição.

O olho da crise está no bunker, Coluna Elio Gaspari

Tendo produzido uma crise econômica e política, a doutora Dilma e o PT mostram-se dedicados a agravá-la.
Chamaram Joaquim Levy para cuidar das contas e puxam-lhe o tapete. Chamaram Michel Temer para cuidar da articulação política e cortaram-lhe as asas.
Nos dois casos, os doutores contribuíram para a própria fritura. Levy esqueceu-se de traçar a linha da qual não recuaria.
Temer saiu-se com a sibilina declaração de que se precisava de “alguém que tenha capacidade de reunificar a todos”. (Ele?) Por mais que esses episódios tenham feito barulho, não justificam a encrenca que deles resultou.
Antagonismos fazem parte da rotina de qualquer governo, em qualquer época.
O que distingue a barafunda da doutora Dilma é a sua capacidade de criar novos problemas magnificando os velhos.
O governo não demorou para perceber a gravidade da crise econômica que alimentou; tentou negá-la, e deu no que deu.
A crise política tem duas peculiaridades. Uma vem do PT, a outra é de Dilma. O PT não faz alianças, recruta súditos, ou sócios. Dilma, por sua vez, chegou à Presidência da República sem jamais ter vivido o cotidiano de um parlamento.
A experiência parlamentar parece uma trivialidade, até um desdouro.
Não é bem assim. Tome-se o exemplo de dois hierarcas do Executivo: Delfim Netto e Roberto Campos. Como czares da economia, mandaram como ninguém. Foram para o Congresso e viraram outro tipo de pessoa, mais tolerantes, livres de algumas certezas que o poder lhes dera. No Executivo, o sujeito acha uma coisa, manda fazer e ponto final. O trem-bala, por exemplo. No Congresso, o mesmo sujeito vai para uma reunião, expõe seu ponto de vista e é contraditado por outro parlamentar, um idiota, talvez ladrão. Deverá ouvi-lo respeitosamente e habituar-se a perder calado, caso seu adversário consiga mais votos que ele.
No palácio, manda quem pode e obedece quem tem juízo. No Congresso, manda quem tem maioria.
A falta de experiência parlamentar (o caso de Dilma) ou a incapacidade de preservar alianças (o caso do PT) influi no metabolismo dos palácios, transformando-os em bunkers: “Nós estamos certos e todos os outros estão errados.” Em seguida, dentro do bunker, estabelece-se uma competição de egos. “Eu estou certo e meu rival dentro do governo é a causa de todos os males.”
Desgraçadamente, uma vez criada a mentalidade do bunker, o mundo em volta deixa de ter importância. Briga-se pela briga.
O exemplo extremo dessa patologia pode ser encontrado no bunker mais famoso de todos os tempos, o da Chancelaria do III Reich, em 1945. Aquilo é que era bunker, a oito metros de profundidade. Hitler e seu “núcleo duro” enfurnaram-se nele em janeiro e de lá o Führer comandava sua guerra, tendo Martin Bormann como seu braço-direito.
Velho rival do espalhafatoso marechal Hermann Goering, no dia 25 de abril Bormann teve o seu momento de esplendor e conseguiu demiti-lo de todos os cargos, expulsando-o do partido.
Os russos estavam a poucos quarteirões de distância. No dia 30 de abril, o Führer matou-se e uma semana depois o poderoso Bormann deixou o bunker. Enfim vencera, fora designado testamenteiro de Hitler e chefe do Partido Nazista. Morreu na rua, a pouca distância do bunker.
Elio Gaspari é jornalista

Arte de CHICO Caruso

Charge (Foto: Chico Caruso)

Grevistas da UFRJ mandavam na Reitoria, por Ancelmo Gois

Comentario meu---é Ancelmo, a luta pelo poder esta acirrada no Brasil.Titulos de Dr Honoris Causa, tornaram-se lixo academico nao reciclavel...Faz-me lembrar um filme do anarquista --BUNUEL,--chama-se VIRIDIANA o filme e bem retrata determinadas situacoes de confronto social...

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Um grupo de professores eméritos da UFRJ escreveu ao ministro Renato Janine Ribeiro, dia 20, véspera do fim da greve dos docentes, denunciando que questões acadêmicas estavam sendo avaliadas “por instâncias de caráter sindical, como o comando local de greve e a comissão de ética”, e não pela Reitoria.
Para eles, tais instâncias “invertem a prática universal em instituições de ensino e pesquisa do julgamento pelos pares, inviabilizam a convivência universitária sadia e prejudicam gravemente a reputação da universidade”.
Segue...
A carta cita um pedido de afastamento do país feito por um professor que queria representar a UFRJ em evento científico no exterior.
Segundo o documento enviado ao ministro, o pedido foi negado pelo comando de greve.
Eméritos...
A carta é assinada por 25 professores, como Antonio Carlos Secchin, José Murilo de Carvalho, Heloísa Buarque de Hollanda, João Saboia e Muniz Sodré.
O outro lado...
Cleusa dos Santos, professora que fez parte do comando de greve, rebate. Diz que o documento pedia a intervenção do governo na UFRJ:
— Isso é muito sério. É um retrocesso que atinge a democracia. Eles são antigrevistas com uma concepção de educação pública diferente da nossa.
Leia aqui íntegra da carta.

“Não é da sua conta” por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Comentario meu---eis o exemplo perfeito do "filhinho de papai", sem moral nem escrupulos, além de suas birras nada lhe interessa. Voto de cabresto da nisso e otras cositas mas.....

“O delator não é dedo-duro, X-9, ou alcaguete, é um colaborador”. Rodrigo Janot, sobre as críticas ao instituto da delação premiada
A mim me dá a maior tristeza lembrar que Collor já foi presidente da República do Brasil. Acho uma humilhação termos tido essa figura no posto mais alto da Nação. Saber que depois de tudo ele ainda voltou para o Senado Federal, é de amargar.

Figura em tudo hiperbólica, sem nem um fiapo de desconfiômetro, peça que faz muita falta nas engrenagens de uma pessoa, ensaboado, engomado, convencido, sempre se comportou como se já fosse um busto em praça pública. Eu não me surpreenderia se ele depositasse flores nesse monumento nos dias de seu aniversário.
Não falo isso com tranquilidade pois ele me causa medo. Sei lá, parece que tem uma cimitarra escondida dentro do paletó impecável. Mas não consigo me calar, sobretudo depois das últimas semanas, nas quais ele tornou a desonrar os votos que recebeu do povo de Alagoas.
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O senador Fernando Collor foi o primeiro a chegar para a sabatina de Rodrigo Janot (Foto: Jorge William / O Globo)
O senador Fernando Collor foi o primeiro a chegar para a sabatina de Rodrigo Janot (Foto: Jorge William / O Globo)
No plenário do Senado agrediu verbalmente o Procurador-Geral da República. Mais de uma vez. Parecia ensaio para o espetáculo que daria na quarta-feira por ocasião da sabatina do Dr. Rodrigo Janot.

A sabatina estava marcada para as 10h00 da manhã. O que fez o empertigado? Chegou às 09h40 e sentou-se na primeira fila, bem em frente à cadeira onde ficam os sabatinados. E ali ficou aguardando o Dr. Janot, que ele chama de Dr. Janó, sabe-se lá com que intuito.

Será que ele se apercebeu do papel que fez? De como deixou à vista de todos a diferença que existe entre ele e o Dr. Janot? Do modo de falar ao vocabulário que usam, às expressões faciais, à postura, ao olhar, meu Deus, parecem seres de galáxias diferentes.

De nada adiantou o lugar que escolheu sentar para apoquentar o sabatinado. De nada adiantaram as perguntas tipo “pegadinhas” que lhe fez.  De nada serviram as micagens, caretas e calões sussurrados, mas nem tanto...

Ou melhor. De nada adiantou para o Collor. Para nós, sociedade brasileira, serviu para confirmar que a permanência de Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República era uma bênção para o Brasil não perder a perfeita continuidade da Lava-Jato.
Num domingo deste agosto que já termina, um helicóptero vermelho pousou no heliporto da Casa da Dinda. Chamou a atenção de quem estava no Lago Paranoá, sobretudo depois da polícia ter apreendido as belíssimas Ferrari, Porsche e Lamborghini, as macchine de luxo do senador. O helicóptero seria dele também? Não, não era, era do senador Wilder Morais (DEM/GO) que, conforme relatou, quando a caminho de um churrasco em casa de amigos foi informado pelo piloto que, por precaução, era melhor pousarem devido a uma súbita ventania. (VEJA, 26/8/2015)
Indagado sobre a visita inesperada do senador democrata, Collor, com aquela desconsideração que lhe é peculiar, respondeu ao jornalista: “Não é da sua conta”.
Engano do senador. Tudo que se refere aos políticos que dependem dos eleitores para viver, nos interessa. E para chegar até nós, tem que passar pela Imprensa. Ando, por exemplo, muito interessada em saber por que Collor tem direito a um apartamento institucional, como ele se refere a essa benesse, quando tem casa em Brasília.

Espero que algum repórter lhe faça essa pergunta. E que ao “Não é da sua conta”, responda: “É sim, senador, aí é que o senhor se engana. Tudo sai do nosso bolso, então tudo nos interessa e muito! Faça o favor de responder”. 
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa--Professora e Tradutora 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A peleja de Flávio Dino pelo MA e contra os Sarney, Entrevista a Luiz Carlos Azenha, no Viomundo

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Governador relata sete meses sob fogo cruzado da oligarquia deposta. A luta contra a miséria. A tentativa de diversificar a economia. O raio-X da corrupção

O bombardeio é diário, sem trégua. Com “denúncias” como esta:
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Isso mesmo. O governador Flávio Dino é “acusado” de sentar-se ao lado do motorista pelo jornal O Estado do Maranhão, que integra o império midiático da família Sarney.
Nem a Veja faria melhor. Ou faria?
As críticas, especialmente na coluna Estado Maior, por onde fala o dono, são absolutamente gratuitas.
Por exemplo, na edição de 19.05.2015: “Flávio Dino não tem conseguido reagir às numerosas crises que se instalaram no Governo do Estado”.
Na mesma coluna: “Gozações — Os escândalos e constrangimentos em todas as áreas do governo Flávio Dino (PCdoB) têm feito a alegria de piadistas e gaiatos da internet. Todo dia surgem memes e banners fazendo troça do governo, que mete os pés pelas mãos quase diariamente. O que ajuda os provocadores é a postura do próprio governo de não reconhecer os erros e querer impor seu ponto de vista“.
Na mesma página, ao acusar Dino de desperdiçar dinheiro com o aluguel de um prédio, o jornal promove os dois herdeiros políticos da família: os deputados Adriano Sarney (PV) e Andrea Murad (PMDB). Eles são chamados a opinar sempre que há “denúncias” contra Dino. Propaganda política disfarçada de jornalismo.
A ênfase da cobertura é na violência, que realmente é grave em São Luís. Segundo Dino, a taxa de homicídios caiu, mas o colunismo sarneyzista cria um clima de pânico a ponto de invocar o holocausto — como se o problema não fosse parte integral da herança maldita deixada pelos Sarney. De Pergentino Holanda, colunista:
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Como a família Sarney controla a TV Mirante, afiliada da Globo no Estado, acaba definindo a agenda do que aparece sobre o Maranhão nos jornais em rede nacional da emissora. “Toda semana tem pelo menos uma reportagem negativa”, diz um assessor de Dino.
O curioso é que os ataques partem da família que controlou o estado politicamente por mais de meio século.
Que, mais recentemente, “privatizou” a segurança do complexo penitenciário de Pedrinhas, o que ajudou a provocar um escândalo de dimensões nacionais com a matança entre facções.
De um grupo político que, segundo Dino, chegou a pagar R$ 11,00 por um copo de leite servido numa refeição hospitalar.
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A unidade escolar Centro do Milton, em Brejo de Areia, Maranhão; a família Sarney deixou mil escolas assim no estado

Governador, quem olha para essa foto é difícil acreditar…
Nós encontramos mil escolas dessas, na qual existem professores de enorme capacidade de se dedicar a uma causa, que eu respeito muito, mas na qual obviamente os alunos pouco conseguem apreender. Por isso nós estamos com um programa voltado para superar isso. Realmente é inacreditável que em um país como o nosso, sexta ou sétima maior economia do planeta, essa condição social seja tão difícil. O Estado que tem o décimo sexto PIB do Brasil, que tem um porto promissor e importante, tem a base de Alcântara… agora nós precisamos fazer com que essas ilhas de modernização, de século 21, consigam chegar ao Maranhão profundo, que ainda vive em muitos casos no século 19.
Qual a importância do porto de Itaqui, considerando que 10% da soja exportada pelo Brasil saem de Matopiba, a região fronteiriça entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia? 
Para quem chega, é o porto melhor situado do Arco Norte, do ponto-de-vista do mercado brasileiro, porque ele se situa exatamente na zona de transição entre a Amazônia e o Nordeste, com amplo acesso ao Centro-Oeste do país. E ao mesmo tempo no sentido de saída. Uma empresa que vai exportar soja para a costa Leste dos Estados Unidos vai economizar três ou quatro dias de frete usando Itaqui em relação a Paranaguá (Paraná).
O senhor diz que pretende casar esta vantagem logística com energia para desenvolver um parque industrial e processar os produtos agrícolas do Maranhão no entorno de Itaqui. Qual energia?
Na verdade, nós já temos uma grande produção de gás, de cerca de 5 milhões de metros cúbicos. Já foi feita a prospecção e foi formalmente declarado pela Agência Nacional de Petróleo que esses campos estão aptos a serem comercialmente explorados. Na décima terceira rodada do leilão da ANP teremos mais 22 blocos na chamada bacia do Parnaíba, que fica quase toda no Maranhão, de modo que nós esperamos que no futuro essa abundância de fonte de energia de nosso Estado se consolide. Nós temos uma economia baseada na agricultura, na pecuária, na pesca, no extrativismo, na avicultura, tudo isso é fundamental. Mas ao mesmo tempo é importante industrializar o estado, substituir importações.
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O senhor já lidou com a herança maldita do governo de Roseana Sarney?
Nós encontramos aqui muitos absurdos, infelizmente. Havia, por exemplo, uma Universidade Virtual do Maranhão. A universidade era virtual mas o roubo era real, porque lá houve desvio de mais de R$ 30 milhões. No que se refere à Saúde encontramos situações absolutamente injustificáveis do ponto-de-vista do custo, como o copo de leite que custava 11 reais.
O senhor disse que conseguiu R$ 100 milhões em função de mudanças administrativas?
Essas mudanças em cinco meses geraram 100 milhões, porque nós combatemos problemas que havia no Detran, no sistema penitenciário, no sistema de saúde, na educação. A escola que aparece na foto, para substituir pode custar em média 500 mil reais. Dez milhões dá para fazer 20 escolas. Dá para fazer uma escola técnica estadual, que o Maranhão não tem nenhuma. Com a Universidade Virtual do Maranhão dá para dizer que essas pessoas desviaram 70 escolas.
Por que os ataques diários na mídia?
Na verdade, uma fração da elite brasileira, acostumada a um modelo coronelista e oligárquico, tem o hábito de gerar acúmulo de fortunas pessoais a partir do desvio daquilo que pertence a todos. É o velho patrimonialismo, que aqui no Maranhão está em cada esquina. Nós estamos desmontando isso e desmontando em um processo conflituoso. Todas as vezes que a gente tira um privilégio pendurado na árvore do patrimonialismo maranhense, o dono do privilégio reclama, reclama e luta. Luta, entra na Justiça, coloca seu sistema de mídia contra, porque ele quer manter o privilégio. Passou anos indo lá colher essa fruta madura e alimentando os seus às custas de milhares de maranhenses.
O que é o programa emergencial do IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano?
É uma política focalizada nos 30 municípios de pior IDH do Maranhão, que estão entre os 100 piores do Brasil. Ação de substituição de escolas, restaurantes populares, força estadual de saúde, construir casas, apoio à agricultura familiar, fornecer documento, um enxoval de direitos. Eu, quando estudei, quando dava aula de Direito, falavamos em direitos de primeira, segunda e terceira gerações. Século 18, direitos civis. Século 19, direitos políticos. Século 20, direitos sociais. Nós temos de fazer três séculos em quatro anos. Pretendemos mostrar que apesar das dificuldades nacionais é possível mobilizar investimentos públicos e privados capazes de elevar a qualidade de vida de populações antes submetidas a patamares de negação de direitos realmente inacreditáveis.
Mostrar que governo faz diferença?
Que é imprescindível para superar os problemas da população mais pobre. Durante décadas no Brasil se estabeleceu uma espécie de dualidade: o Brasil moderno era privado, o Brasil arcaico público. Isso na verdade é uma falácia ideológica. Todos nós sabemos que sem serviços públicos é impossível nós termos um Brasil verdadeiramente moderno.

A curiosa estratégia digital da Estônia, por Thiago Domenici


Proge Tiiger, projeto para ensinar jovens de 7 a 19 anos a escrever códigos de programação. Cursos não são focados na programação, mas em desenvolver aprendizagem de habilidades necessárias para ela, como a lógica
“Proge Tiiger”, projeto para ensinar jovens de 7 a 19 anos a escrever códigos de programação.

Afinal, o que tem de tão especial a pequena Estônia, uma república parlamentar do tamanho do estado do Espírito Santo e com uma população equivalente à do município paulista de Guarulhos, encravada entre a Rússia, a Letônia, e o mar Báltico?
Para obter uma resposta, Retrato do Brasil conversou com o estoniano Erik Henno em sua residência, em São Paulo, onde ele apresentou o cartão de identidade eletrônico (ID-card). 
O objeto – que, à primeira vista, assemelha-se a um cartão de crédito comum, com exceção do fato de trazer uma imagem do titular – é fornecido pelo Estado estoniano e há 12 anos é uma espécie de símbolo de um significativo avanço na área de tecnologia da informação (TI) promovido no país. Para utilizá-lo, basta ter um software adequado e um leitor plugado ao computador. Com o ID-card, Henno acessa todos os serviços eletrônicos do governo disponíveis no portal www.eesti.ee. Ao todo, são 600 modalidades colocadas à disposição dos cidadãos e 2,4 mil às empresas. Com ele, é possível, como demonstra Henno, abrir uma empresa em cerca de cinco minutos – o que, no Brasil, pode levar meses.
Para validar operações como essas, os estonianos usam um outro software exclusivo, que permite a utilização de assinatura digital – o DigiDoc. A assinatura digital nada mais é do que um código eletrônico único. Na Estônia, essa modalidade de assinatura tem o mesmo valor jurídico da grafada em papel. Mais de 100 milhões de assinaturas digitais foram realizadas desde que o sistema tornou-se disponível. Os dois sistemas (ID-card e Digital Signature) funcionam com duas senhas (os PINs), uma para identificação do usuário no sistema e outra para efetivar transações dentro dele.
O ID-card serve também como passaporte no interior da União Europeia (UE). As informações que contém, assim como um endereço de e-mail personalizado, fornecido pelo governo, são protegidas por um robusto sistema de criptografia. Em julho passado, o Parlamento Europeu e o Conselho da UE aprovaram um regulamento pelo qual os Estados-membros reconhecem e aceitam esses meios de identificação eletrônica, o que deve expandir o uso dessa tecnologia.
Por abrigar poucos dados privados do usuário em seu chip – similar ao utilizado em cartões bancários –, a autenticação do acesso e das transações é feita em servidores interligados ao X-Road, o ambiente que permite o uso de várias bases de dados de e-serviços e que troca essas informações livremente entre os domínios público e privado. 
Se o ID-card é o coração do sistema estoniano, o X-Road é sua espinha dorsal. O sistema é capaz de tratar dados heterogêneos e armazenados descentralizadamente de forma segura e eficiente. Como na internet, nele não há um controlador único nem número fixo de serviços a serem implementados – ou seja, é um sistema feito para ser expandido.
Por estar conectado ao sistema bancário estoniano, o ID-card também pode ser utilizado para acessar a conta bancária e realizar pagamentos diversos. Enquanto demonstra o uso do sistema, Henno compra um bilhete eletrônico da loteria estoniana e usa o ID-card para debitar o valor de sua conta no país.
A integração dos sistemas de saúde, educação, Justiça, etc. por meio dessa tecnologia reduziu o peso da burocracia na Estônia – os funcionários públicos são menos de 2% da população de 1,3 milhão de habitantes do país. Esse apego à TI levou a que, em 2000, quando o acesso à internet se expandia paulatinamente no mundo, ali fosse estabelecido constitucionalmente que todo cidadão tem direito de acesso à rede – em comparação, declaração similar da Organização das Nações Unidas (ONU) ocorreu somente 11 anos após.
Segundo estudo anual da ONG americana Freedom House, as primeiras conexões de internet na Estônia foram introduzidas em 1992 nas instalações acadêmicas em Tallinn, a capital do país, e na cidade de Tartu. “O monopólio das telecomunicações foi privatizado, com a inclusão das empresas de telecomunicações finlandesa e sueca, e um backbone de fibra óptica foi construído com serviços modernos de comunicações fixas e móveis”, diz o relatório. Henno diz que a cobertura wi-fi e de banda larga de alta velocidade abrange praticamente todos os 45 mil quilômetros quadrados do território estoniano, sendo o acesso fornecido por empresas privadas e pelo Estado nos chamados pontos de acesso públicos.
O que torna a Estônia incomum em relação aos países que tentam implementar tecnologias similares ao ID-card (ver “Versão brasileira”) é o grau de confiança e penetração desse serviço nos setores público e privado. Para se ter ideia, no ano passado, 99,6% das operações bancárias foram realizadas com serviços de e-banking e 95% das pessoas declararam imposto de renda on-line. No Brasil, essa modalidade de declaração, sem papel, é recente, enquanto na Estônia funciona há 14 anos, com prazo de até cinco dias para a eventual restituição do imposto cobrado a mais.
A lista de outros e-serviços do país é grande: registros de imóveis são feitos na web, sem cópia em papel, desde 2005. É possível, via celular, pagar a conta do estacionamento. Na saúde, os pacientes têm acesso a todo o seu histórico médico por meio de um banco de dados integrado com todas as instituições da área. Além disso, há quatro anos foi lançado um sistema de prescrição eletrônica, em que o paciente não precisa visitar o médico para buscar uma receita. Para adquirir o medicamento devidamente autorizado pelo médico, basta usar o ID-card na drogaria mais próxima.
Outro serviço foi implantado há 14 anos. O e-Cabinet (gabinete eletrônico) eliminou etapas presenciais nas tomadas de decisão do governo estoniano. Bem antes de a sessão semanal do gabinete ministerial começar, seus membros entram no sistema para analisar a agenda e podem determinar uma posição a respeito de cada ponto, indicando, on-line, se têm alguma objeção sobre o tema. O que não tem objeção é aprovado sem debate, economizando tempo considerável.
Em 2005 estabeleceu-se algo inédito no país: o voto on-line. Com o ID-card, seja nas eleições nacionais, locais ou europeias, o estoniano pode optar por esse mecanismo, o que não o impede de votar pelo método tradicional. Nas eleições parlamentares de 2011, 24,3% dos eleitores votaram on-line. Como na Estônia o sufrágio não é obrigatório, as facilidades apresentadas pelo sistema tendem a estimular a participação popular nos pleitos. Nas eleições europeias deste ano, por exemplo, estonianos residentes em 105 países diferentes votaram, o que seria impraticável de outra forma, uma vez que o país tem somente 33 embaixadas espalhadas pelo mundo.
O processo que levou a Estônia a obter tal destaque na área de TI teve início com o encerramento da ocupação soviética, em 1991 – a “restauração”, como a maioria dos estonianos costuma dizer. O país tornara-se independente em 1920 e, em 1940, foi tomado por forças da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Dois anos depois, após a Alemanha invadir a URSS, suas tropas ocuparam a Estônia. Quando, mais tarde, o Exército Vermelho impôs-se sobre o alemão, foi a vez de os soldados soviéticos retornarem, o que levou à anexação do país à URSS ao final da II Guerra Mundial.
Na transição da economia estatizada para a de mercado, ocorrida durante os anos 1990, a chave para o crescimento econômico do país veio, sobretudo, por meio do desenvolvimento dessas tecnologias de informação e comunicação. 
Um exemplo significativo das habilidades desenvolvidas nessa área é o famoso programa Skype, cujo código foi criado por dois programadores estonianos. Um deles, Ahti Heinla, aprendeu programação com os pais que trabalhavam no Instituto de Cibernética, fundado no país em 1960. O Skype foi vendido ao eBay em 2005, por 2,6 bilhões de dólares, e, posteriormente, a Microsoft o comprou por 8,5 bilhões de dólares. O primeiro escritório da empresa se manteve ativo no país e seu sucesso impulsionou novas startups no setor de tecnologia. Segundo a revista britânica The Economist, Tehnopol, um centro de negócios em Tallinn, abriga atualmente mais de 150 empresas de tecnologia e, segundo uma estimativa, a Estônia detém o recorde mundial de startups per capita, algo coerente com o fato de as atividades de desenvolvimento de tecnologia representarem mais de 15% do PIB do país (24,4 bilhões de dólares no ano passado). Com a crise que atinge toda a Europa há alguns anos, no entanto, essa peculiaridade não foi suficiente para evitar que a economia estoniana patinasse: o crescimento do PIB do país em 2013 foi de apenas 0,8%.
O atual presidente, Toomas Ilves, eleito em 2006 e atualmente em seu segundo mandato, é um dos protagonistas desse processo de criação da infraestrutura que proporcionou o que os estonianos gostam de chamar de e-society. Para ele, é preciso informatizar o país em todas as formas possíveis, para aumentar maciçamente a eficiência. Apaixonado por computadores e tecnologia, Ilves aprendeu a programar aos 13 anos, com o incentivo de um professor de matemática nos EUA, onde morou com os pais e se formou antes de retornar à terra natal. 
Ele é, provavelmente, o único chefe de Estado do mundo que já escreveu código com a linguagem de programação Assembly – a mais próxima da chamada “linguagem de máquinas” e, portanto, considerada de alto grau de dificuldade de aprendizagem e utilização. “Computadores e sociedade para mim são uma preocupação de longo prazo. Por isso, a tecnologia é parte de nossa independência cultural e econômica”, disse Ilves na abertura de um evento de tecnologia em Tallinn.
Ele espera que os esforços feitos pela Estônia na área de e-government sejam copiados por outras nações europeias. Segundo informações do governo estoniano, aproximadamente 40 países implementaram algum tipo de e-solução desenvolvida na Estônia. A vizinha Finlândia é um exemplo. Os dois países selaram um acordo intergovernamental neste ano – o primeiro do gênero assinado eletronicamente na história da humanidade – com foco no desenvolvimento comum de serviços eletrônicos. Outra ideia do presidente estoniano é adotar um programa de “embaixada virtual”, com o qual os governos poderiam armazenar dados nacionais em servidores fora do seu próprio país para se protegerem, por exemplo, de tragédias que afetem seus servidores físicos. “Nosso registro de imóveis poderia ser guardado em um servidor, por exemplo, na França, que, por sua vez, faria o mesmo [com outro país].” Ilves lidera, na Comissão Europeia, um grupo de orientação sobre a computação em nuvem e, em várias ocasiões, pleiteou a criação de uma “nuvem europeia” que esteja fora do alcance dos EUA (ver “Cibersegurança ambígua”). “A questão principal é que esteja resguardada pela legislação da UE”, disse.
Quanto ao Brasil, a Estônia mantém com o país uma relação diplomática e comercial tímida, mas pretende mudar essa dinâmica. Em agosto de 2014, sua embaixada foi inaugurada em Brasília, tornando-se a primeira instalada na América do Sul. “Esperamos promover nossas e-soluções de trabalho no Brasil”, diz a RB Reigo Ginter, o cônsul do país no Distrito Federal. “Temos várias e-soluções também no campo da educação.”
Com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado “muito alto”, o país ocupa a 33ª posição nesse ranking e se destaca, sobretudo, na área educacional, fortemente desenvolvida ao longo da história do país. A Universidade de Tartu, por exemplo, foi fundada em 1632, e o alto índice de alfabetização é uma marca: no final do século XVIII, cerca de dois terços dos camponeses estonianos sabiam ler. Além disso, um censo de 1881 indicou que 90% da população da Estônia eram alfabetizados – hoje, o índice atinge 100%.
Para promover a tecnologia e a ciência nas escolas, o Estado criou em 1997 a Fundação Tiger Leap e antes da virada do milênio todas as escolas do país foram conectadas à internet, sendo a Estônia o primeiro país da Europa a ter ligação DSL permanente em todas as instituições de ensino (DSL é uma conexão de velocidade muito alta que divide o uso dos cabos com linhas telefônicas). Além disso, o sistema e-School implementado anos depois permitiu a pais, alunos e professores integração on-line nas 24 horas do dia.
A mais recente onda educacional, talvez inspirada em Ilves, foi lançada no ano passado. Numa parceria público-privada, criou-se o Proge Tiiger, projeto que objetiva ensinar jovens de 7 a 19 anos a escrever códigos de programação. Para as crianças, os novos cursos não serão estritamente focados no ensino de linguagens como Java e Perl, mas sim em desenvolver a aprendizagem de habilidades necessárias para a programação, como a lógica, que tem relação com disciplinas como matemática e, potencialmente, a robótica. Existem 550 escolas no país e 20 delas participam do programa-piloto. “É um projeto único. Outros países querem começar a programar na escola secundária, mas não se atrevem a começar na escola primária”, declarou Ave Lauringson, gerente de projetos do programa, à revista Forbes.
Parafraseando Ernest Hemingway (1899–1961), que dizia existir um marinheiro estoniano em cada porto do planeta, tamanho o prazer deles em navegar, ao que parece eles continuam navegando, só que agora o fazem usando a tecnologia baseada em amplo acesso à internet.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O nosso ‘arranha-céu’--do Ancelmo

Sabe a gigante americana Tishman Speyer, que administra o Rockefeller Center, em Nova York, e acaba de erguer o Port Corporate Tower no terreno onde funcionou o Moinho Marilu, ao lado do antigo prédio do “Jornal do Brasil”?
Está interessada em comprar o Edifício A Noite, na Praça Mauá, no Rio, onde também funcionou a Rádio Nacional e que é considerado o primeiro “arranha-céu” brasileiro. Résultat de recherche d'images pour "edificio a noite rio de janeiro"Com 22 andares, foi, por um tempo, o edifício mais alto da América Latina.
Comentario meu--....construido sobre um rochedo, no meio de um lago aterrado e nêle trabalhou o pedreiro José de Sousa, pai do Ernesto, meu pai.  

Doze dicas para redescobrir Buenos Aires, Lonely Planet, Él Pais

'Tour' ciclístico guiado da empresa Biking Buenos Aires, na capital argentina. / bikingbuenosaires.com

Nem Caminito, nem Recoleta, nem Plaza de Mayo. Tudo isso é para a primeira vez que se viaja a Buenos Aires, mas as visitas seguintes à capital argentina convidam a descobrir algo novo entre mil lugares e propostas que não nos farão sentir como um turista. Sexy, animada e segura de si, sempre há motivos para redescobrir a cidade.

01 Gastronomia em movimento

Feira Masticar.
Os argentinos levam a arte da parrilla a níveis inimagináveis, suas melhores pizzas e massas rivalizam com as de Nova York e Nápoles, elaboram vinhos fabulosos, sorvetes deliciosos e a cozinha étnica causa furor em Buenos Aires. Na realidade, come-se tão bem que o tempo entre comida e jantar devemos usar para dar bons passeios, queimar calorias e abrir espaço no estômago.
As parrillas representam a tradição gastronômica e são uma aposta segura, mas os portenhos estão continuamente inovando e os fogões não escapam disso, com tendências semelhantes às europeias. Por exemplo, as novas propostas de cozinheiros experimentais com restaurantes pop-up, que podemos conhecer por intermédio da organização GAJO.
Outra tendência em alta é a gastronomia molecular, na moda no mundo todo, com grandes chefs em contínua experimentação e pratos com porções muito pequenas para propiciar experiências únicas e inesquecíveis por meio de combinação de sabores, texturas e atração visual. Podemos prová-la em La Vinería de Gualterio Bolivar, onde o chef Alejandro Digilio segue a linha do espanhol Ferran Adrià.
Os festivais gastronômicos se incorporaram recentemente à cena gastro com dois novos eventos: a Feira Masticar, organizada por alguns dos chefs mais famosos de Buenos Aires e que incorporou os tão na moda foodtrucks, assim como a Feira Raiz, dedicada à gastronomia argentina.
Quem continua preferindo a tradição gastronômica –garçons servindo malbec (vinho) e generosas fatias de carne de primeira qualidade em algum dos numerosos asadores portenhos–, mas com um toque diferente, pode reservar lugar em Adentro, um restaurante a portas fechadas no qual a pessoa se sente como na casa de um bom amigo, ou no Argentine Experience, onde se aprende a história da carne argentina e como preparar empanadas e alfajores, além de comer bifes muito tenros.

02 Aprender a cozinhar

Restaurante NOLA.
Continuamos sem sair das cozinhas, mas agora em ambiente privado, já que em Buenos Aires estão na moda os restaurantes a portas fechadas: locais que só abrem um par de dias na semana, somente com reserva e, geralmente, por um preço fixo (só aceitam dinheiro, por sinal). São estabelecimentos sem placas ou sinais e requerem que se toque a campainha para entrar. Aliás, o endereço não é informado ao comensal enquanto não for concluída a reserva por telefone. A sensação de descobrir uma joia fora dos círculos turísticos e de provar algumas das melhores cozinhas da cidade os transforma em uma experiência e tanto.
Existem duas possibilidades nesse tipo de restaurante, muitos deles localizados no bairro de Palermo. A primeira delas é jantar, diretamente, na casa do chef, em torno de uma grande mesa comunitária. Permite conhecer gente, com frequência viajantes interessantes ou estrangeiros, e é algo excelente para quem viaja sozinho. A segunda opção se assemelha mais a um restaurante convencional, com mesas separadas para diferentes grupos de comensais, só acessíveis, claro, mediante reserva.
Alguns dos melhores são iLatina, que serve deliciosa comida colombiana; Casa Saltshaker, onde se pode provar as criações culinárias do nova-iorquino Dan Perlman, radicado em Buenos Aires; NOLA, que serve pratos de fusão de Nova Orleans; Casa Felix, o paraíso dos peixetarianos (vegetarianos que comem peixe e frutos do mar), e Cocina Sunae, com pratos de fusão asiática.
Para quem estiver só alguns dias de passagem pela cidade, uma boa opção para adentrar a tradição culinária argentina são as aulas particulares de cozinha, ou em grupos pequenos, como as de Norma Soued, que permitem aprender a fazer pratos como empanadas, guisados e alfajores. Também Cooking with Teresita permite que nos iniciemos nos assados e empanadas, comprando todos os ingredientes em mercados locais. Quem dispuser de um pouco mais de tempo ou até mesmo pretende dedicar-se profissionalmente à cozinha, pode recorrer ao prestigiado Instituto Argentino de Gastronomia (IAG).

03 Villa Crespo, o bairro da moda

Este bairro, ao sul de Palermo, a cada dia está mais em voga. Continuamente surgem novos restaurantes, lojas, hotéis e pousadas –à medida que os aluguéis de Palermo se encarecem–, e é possível encontrar boas opções de hospedagem, muito perto da praça Serrano (coração comercial e social de Palermo Viejo). O sul de Palermo oferece gratas surpresas ao turista, como galerias de arte, cafés renovados ou interessantes outlets, e Villa Crespo pode ser um bom ponto de partida para descobri-los.
Puerto Madero. / Patricia Hamilton
Basta caminhar um pouco até o sul para encontrar Caballito, zona tranquila e agradável que abriga o grande parque circular do Centenário, com o Museu Argentino de Ciências Naturais. Para leste se estendem os bairros de Abasto e Once, destinos multiculturais que atraíram uma numerosa população de judeus, peruanos e coreanos, que desenvolveram ali suas respectivas gastronomias. Em Abasto há muitos teatros alternativos e também o Museu Casa de Carlos Gardel, mas o principal lugar de interesse é o mercado do bairro, remodelado e transformado em um dos centros comerciais mais atraentes da cidade.
Ao sul se encontra o Once e sua concorrida estação de trens, rodeada de centenas de vendedores ambulantes de roupas e aparelhos eletrônicos baratos. Esse bairro tem um ambiente pitoresco, agradável, embora seja uma área a ser evitada à noite. O Cidade Cultural Konex é um centro vanguardista que oferece espetáculos fusion: arte+cultura+tecnologia. Por último, vale a pena conhecer Boedo, um bairro boêmio ao sul do Once, com alguns cafés interessantes.

04 Faena Arts Center

A última novidade de Puerto Madero é o Faena Arts Center, um espaço instalado em um antigo moinho de farinha. Grande e amplo, abriga os sonhos contemporâneos de artistas e designers nacionais e estrangeiros. As exposições mais vanguardistas tiram proveito do espaço, com cordas penduradas no teto ou pirâmides de luz que se elevam até o céu.
É um incentivo a mais para se achegar a Porto Madero, ladeado por armazéns de tijolo restaurados e repleto de luxuosos lofts e prédios de apartamentos, além de alguns dos restaurantes mais caros (demais, segundo dizem) da cidade. Livre de veículos, é um lugar muito bonito para passear ao longo da margem do rio.Os amantes da arte não devem perder a Coleção de Arte Amalia Lacroze de Fortabat, que abriga a mostra da mulher mais rica da Argentina. E embora não possamos permitir-nos pagar por seus caríssimos quartos, é quase obrigatório chegar perto do Faena Hotel+Universe, um fantástico hotel projetado por Philippe Starck em um armazém reformado.

05 Tomar um café

Uma das coisas mais típicas que alguém pode fazer em Buenos Aires é sentar-se em um café e, especialmente, em alguns que são pura história portenha. Os mais tradicionais são Las Violetas, Café de los Angelitos, La Biela, Tortoni e Esquina Homero Manzi.
Café Tortoni. / Gabriel Rossi
Las Violetas pode ser considerado, provavelmente, o café mais bonito da cidade, com vitrais e um luxuoso chá da tarde. O Café de los Angelitos, famoso por seu espetáculo de tango, tem esse nome como uma irônica referência aos delinquentes que o frequentavam. Outros dois clássicos são La Biela, excelente para observar as pessoas a partir do pátio dianteiro nos dias ensolarados, e o Café Tortoni, histórico, pitoresco e, também, muito turístico. Ainda assim, não deve ser ignorado.
Se queremos sair do circuito mais popular, podemos sentar-nos na Esquina Homero Manzi, um café tradicional, de ambiente encantador.

06 O novo ponto cultural

Usina del Arte.
A Boca não se caracteriza pela elegância de seus edifícios, mas conta com novo espaço de concertos, a Usina de Arte, alojada em uma usina de energia remodelada, que pretende iniciar a regeneração de um dos bairros mais deteriorados de Buenos Aires. Trata-se de um bonito edifício de tijolos vermelhos com uma pitoresca torre de relógio, cuja nova sala de concertos é a atual sede da orquestra sinfônica nacional e da filarmônica de Buenos Aires. A Usina, de acústica excelente, tem capacidade para 1.200 espectadores e acolhe também espetáculos de dança, teatro e exposições de arte.Só abre durante os concertos e para as visitas guiadas. A programação pode ser consultada em sua página na Internet.

07 Nos museus de Palermo

O bairro de Palermo, visita imprescindível para todos que viajem a Buenos Aires, convida também a uma revisita obrigatória para os amantes da arte. Aqui se encontram alguns dos melhores museus da cidade, como o Malba, um edifício contemporâneo impressionante dedicado à arte moderna argentina e latino-americana e que abriga a coleção do mecenas Eduardo F. Costantini, com obras modernistas, vanguardistas, surrealistas e abstratas, incluindo algumas de Frida Kahlo e Diego Rivera. Também há exposições temporárias de arte internacional e um bom café-restaurante com pátio, perfeito para almoçar.
Fundação Proa. / getty
Os fãs de Evita Perón não devem perder o Museu Evita, que fica próximo e repassa a vida da mulher argentina mais conhecida internacionalmente. E já que estamos em Palermo, não é demais dar um passeio a pé ou de bicicleta pelo parque 3 de Fevereiro, onde também se pode visitar um zoo, um jardim botânico e um jardim japonês. Repleto de ciclovias, aos domingos o entorno do jardim de rosas fica fechado para os carros.
Outros museus portenhos que não convém perder são o Nacional de Arte Decorativa, uma bela mansão beaux arts que contém luxuosos objetos de um aristocrata chileno; a Fundação Proa, museu-galeria de vanguarda que expõe arte contemporânea e oferece um café no terraço com vista para La Boca, e o Palácio Paz, de estilo europeu, cujos quartos ornamentados, salões e detalhes dourados remetem ao ambiente mais clássico do velho continente.
Casa Gardel. / Martin Zabala

08 Visitar os mortos

É certo que a visita ao Cemitério da Recoleta figura em quase todos os itinerários turísticos, mas é igualmente imprescindível. Só em Buenos Aires os ricos e poderosos conservam seu status depois da morte e gerações da elite descansam eternamente nesse labirinto de ruelas repletas de ostentosos mausoléus ornamentados que acomoda, provavelmente, a necrópole mais luxuosa do mundo.
Túmulo de Eva Perón no cemitério de La Recoleta. / Jon Hicks
La Recoleta foi o primeiro cemitério público da cidade, embora logo se tornasse exclusivo; os personagens históricos mais ilustres da Argentina estão enterrados aqui e uma infinidade de estilos decora os túmulos; art nouveau, art déco, neoclássico, neogótico... Também há belas e extravagantes estátuas para descobrir. Depois de apresentar seus respeitos a Evita, o visitante pode se perder entre anjos de mármore.Uma versão maior, menos ostentosa, menos acessível e menos turística é o cemitério de la Chacarita, no bairro do mesmo nome. Foi inaugurado na década de 1870 para dar sepultura às vítimas da febre amarela de San Telmo e La Boca. Embora seja muito mais democrático e modesto, os túmulos mais elaborados de Chacarita são equiparáveis aos mais singulares de La Recoleta. Um dos mais visitados é o de Carlos Gardel, considerado quase um santo a quem muitos argentinos guardam uma devoção quase religiosa. Ao lado de sua estátua há placas de agradecimento de visitantes de todo o mundo e nos aniversários de seu nascimento e morte milhares de peregrinos visitam o cemitério.Outra personalidade espiritual de Chacarita é a madre María Salomé, discípula do famoso curandeiro Pancho Sierra. Todos os dias, mas especialmente no dia 2 de cada mês (morreu em 2 de outubro de 1928), fiéis a seu culto cobrem seu túmulo de cravos brancos.

09 Outras formas de ver Buenos Aires

Todas as cidades inventam novas formas para mostrar o melhor de si mesmas. Em Buenos Aires inventaram todo tipo de circuitos temáticos para os visitantes: de fotografia, de tango, de parrillas, de ciclistas... Esta é nossa seleção:
Biking Buenos Aires.
Biking Buenos Aires: para pedalar pelas ciclovias e pelos parques de Palermo.
Graffitimundo: Buenos Aires em sua colorida e dinâmica arte de rua.
Foto Ruta: um singular circuito autoguiado baseado em fotografar as ruas pelos bairros portenhos.
The Man Tour: propõe uma visão masculina da cidade, com as melhores bodegas para se fumar charutos, barberias para fazer a barba com navalha ou onde comprar um chapéu feito à mão.
Parrilla Tour: um guia para explorar parrillas fora dos circuitos turísticos e aprender sobre a cultura e a gastronomia da Argentina.
Narrative Tango Tour: para conhecer o tango com aulas, milongas e espetáculos.
Urban Running Tour: correr e conhecer Buenos Aires, com um guia que se adapta ao ritmo de cada um.

10 Buenos Aires a cavalo

Campo Argentino de Polo. / Daniel Sempe
Quase todos os argentinos gostam de cavalos, e embora não estejam no Pampa fazem o possível (e o impossível) para que esses animais façam parte da vida portenha. Basta se aproximar de uma partida de polo, ou jogo do pato, ou passar um dia nas corridas de cavalo para se dar conta disso. Como simples viajantes também podemos participar dessa paixão equestres e até – por que não?– aprender a jogar polo durante as férias.
O polo é um esporte muito popular em todo o país e conjuga a tradição equestre dos gauchos com a influência britânica, algo que explica por que aqui se joga o melhor polo do mundo. A argentina domina esse esporte há mais de 70 anos e conta, praticamente, com todos (ou quase todos) os melhores jogadores. Nada de príncipes britânicos. A principal figura é Adolfo Cambiaso. A temporada de polo em Buenos Aires vai de setembro a meados de novembro e culmina a cada ano com o Campeonato Argentino Aberto, o torneio mais prestigiado do mundo, realizado no Campo Argentina de Polo, em Palermo (esse esporte pode ser acompanhado por intermédio da Associação Argentina de Polo).
Mais original e desconhecido é o pato, um jogo de origem gaucha semelhante ao polo e cujo nome vem das primeiras bolas usadas: um saco de couro com um pato vivo dentro. A infeliz ave foi depois substituída por uma bola com alças de couro e os jogadores já não correm perigo no que antigamente era um jogo muito violento. As partidas e torneios de pato costumam ser realizados no Campo Argentino de Pato, a uns 30 quilômetros da cidade, embora os torneios nacionais (em dezembro) sejam em um lugar mais central: o campo de polo de Palermo.
Por fim, convém ir ao Hipódromo Argentino, majestoso edifício projetado pelo arquiteto francês Louis Fauré Dujarric em 1908, com lugar para 100.000 espectadores. As corridas mais destacadas são organizadas em novembro, tanto nessa sede como no famoso hipódromo de grama de San Isidro.E se o que queremos é tomar as rédeas diretamente, uma boa opção, além das turísticas estâncias (fazendas), é consultar Caballos a la Par, que organiza saídas guiadas por um parque da província de Buenos Aires, a uma hora de carro do centro da capital. São excursões privadas (nada de grupos em excursão) que percorrem caminhos entre bosques e campos, nas quais se aprende a montar e até mesmo a galopar no lombo de magníficos animais.

11 Visitar a catedral (do futebol)

Em um país em que Maradona é Deus, ir a uma partida de futebol é uma experiência quase religiosa. O superclássico entre Boca Juniors e River Plate se encontra entre os eventos esportivos mundiais a que se deve assistir antes de morrer, mas até outras partidas de menor ressonância servem para o visitante mergulhar em uma das grandes paixões argentinas.
Jogo do Boca Juniors na Bombonera. / Franco Origlia
Pode-se contemplar La Bombonera, o estádio do Boca Juniors, a equipe de Maradona, durante uma visita ao Museu da Paixão Boquense. Se o visitante quer assistir a um clássico (partida entre duas equipes grandes), conseguir entradas será mais complicado: O Boca Juniors não põe ingressos à venda para suas partidas mais importantes, já que todos são para os sócios. É possível conseguir por intermédio de alguma agência mediante organizações como a Buenos Aires Futebol Amigos. Não será barato, claro, mas mais fácil (e seguro).
Em Buenos Aires o futebol não é só um esporte. O passatempo nacional inspira uma paixão quase religiosa: as ruas se esvaziam e os espectadores, apinhados diante da televisão ou nos estádios abarrotados, sofrem ataques de êxtase e angústia. O ambiente é especialmente barulhento (isto é, descontrolado) quando os arquirrivais River Plate e Boca Juniors se enfrentam. A tensão é palpável no ambiente e durante essas duas horas do domingo nada mais importa.Se depois de ver um desses superclássicos ficamos com vontade de jogar, é possível participar de alguma partida com os moradores, residentes estrangeiros ou outros viajantes, organizada pela Buenos Aires Futebol Amigos. Por uma pequena quantia se joga futebol e, depois da partida, costuma haver um churrasco e recordações impagáveis.

12 Redescobrir o tango

O que a princípios do século XX era uma dança marginal relegado aos bordéis de Buenos Aires experimentou grandes altos e baixos durante sua agitada vida. Hoje, essa sensual dança volta com força. De Seattle a Xangai, todo o mundo tenta dominar ritmo e os passos, tão difíceis de executar.A popularidade do tango disparou entre fãs e profissionais, tanto que é praticado por pessoas de todas as idades e classes sociais. Mas o tango de verdade está nas milongas, encontros onde se vai exclusivamente para dançar. O ambiente dessas salas pode ser informal ou tradicional, em quase todas há um encarregado da seleção musical e algumas (poucas) contam com orquestra ao vivo. A pista de baile está rodeada de mesas e cadeiras, e costuma haver um bar na lateral.As milongas começam pela tarde (até as 23 horas) ou à meia-noite, estendendo-se até o amanhecer (quando se chega tarde, tudo está mais animado). São acessíveis e com frequência há aulas antes.Para viver uma experiência única ao ar livre pode-se ir à glorieta de Barrancas de Belgrano, onde aos sábados e domingos ao entardecer (por volta das 19 horas) há uma milonga informal, a glorieta. Também há aulas de tango.Os favoritos do LonelyPlanet para apreciar o tango portenho mais clássico são o Café de los Angelitos, com um espetáculo imaginativo e bem organizado; o Rojo Tango, espetáculo íntimo no estilo de cabaré, El Viejo Almacén, um local pequeno e em parte folclórico, e La Ventana, cuja proposta inclui gauchos cômicos e boleadores (instrumento típico dos gauchos).
Tango no Café de los Angelitos. / Christian Ender
Mais simples e informal é o tango de rua no mercado do domingo de San Telmo; o espetáculo de tango do sótão do Café Tortoni, o café mais antigo e tradicional de Buenos Aires, ou o do Los 36 Billares, outro café com história e espetáculo de tango, mas menos turístico que o Tortoni.As melhores milongas são as do Salon Canning, uma milonga tradicional muito popular e bem situada, em Palermo, para onde acorrem os melhores dançarinos; a da Confitería Ideal, o local portenho de tango mais histórico, cenário de Uma Lição de Tango, de Sally Potter, ou La Catedral, informal e boêmio, parecido com um armazém, que atrai jovens dançarinos modernos.Há aulas de tango em muitos lugares, desde albergues juvenis até academias de dança, centros culturais, quase todas as milongas e mesmo em alguns cafés e salas de espetáculos de tango. Em Buenos Aires também há várias escolas mais formais, como a Escola Argentina de Tango.