terça-feira, 31 de março de 2015

Dilma negativada, por Tânia Fusco

Em algumas coisas sou igual a comunista dos tempos de Stalin: acredito que aquele mal será para o bem. E sigo na fé até mesmo quando ela está esfarelada, ralinha. Não consigo deixar de ser assim com as mulheres na política. Estou sempre apostando nelas, botando fé no agora - essa - vai!

Treinamento de feminista dos anos 70, quando havia muito mais pedras do que hoje para quebrar, alimenta a crença de que ao chegarmos lá - nos mandos da política - vamos arrebentar. Não o país, o estado, a cidade, mas arrebentar de bom. Quebrar paradigmas, refazer, reinventar, mostrar que é possível fazer diferente. E revelar competência no fazer.

Porque somos diferentes no corpo e na alma. Humanas, como qualquer um, temos entre nós melhores, nem tanto, piores. Humanas, sabemos umas coisas, não sabemos outra. Mas, porque trilhamos um caminho mais difícil, também temos mais empenho no aprender e no fazer.

Presidente Dilma em evento em São Paulo (Foto: El País)

Não venha me dizer que não há mais diferença da nossa estrada para a deles. Ainda há. Infelizmente. Mas isso não é um chororô de coitadinhas. Não somos mais "inhas". Cada vez mais somos agentes do nosso destino - para o erro e para o acerto.

Somos diferentes particularmente no sentir. A maioria de nós, ao menos, sente e reage diferente. O histórico, o treninamento ancestral foi diferente. Para o bem e para o mal, conseguimos fazer coisas distintas e ao mesmo tempo. Sabemos tanto. Sabemos, por exemplo,  abrir a geladeira e transformar três ítens de sobra num banquete.

Fico sempre esperando esse banquete - ainda que de sobras - na política.

Foi assim com a Erundina. Botei fé na Roseana, na Marta Suplicy, na Marina. Não foi diferente com a Dilma. Dói vê-la assim negativada na opinião pública. Barata tonta. Ou barata voa. Vai saber. O negócio é que dói.

E dói principalmente porque nós sempre capitulamos. Tentamos repetir a receita, fazer igual a eles, sem sermos como eles. Dai ficamos um nada. Pior do que eles, muito pior do que poderíamos ser.

Tanto tempo vendo de perto a política se exercendo, não restam muitas ilusões. É uma seara árida, solitária e traiçoeira. É um mundo de macho no pior da expressão. Há que ser cangaceiro.

Há que ser dissimulado. Há que trair e ter casco duro para sobreviver às traições. Há que mentir. Há que dizer sim querendo dizer não e vice-versa. Há que principalmente  ter jogo de cintura e aprender a realizar conta de chegada. O tempo inteiro.

Vezes e vezes, botar a bola no meio do campo, engulir sapos e contentar-se com o possível.

Parece que nós não conseguimos aprender - ou seria apreender - a coreografia dessa dança. Assim, sambamos. Quando era para valsear. E rodamos.

No meu modesto sentir, nenhuma das citadas acima imprimiu assinatura própria na velha coreografia da política. Sorry. Ficamos na imitação do mesmo.  Não aprendemos o minueto. Imagina esse funk de quadradinho que se apresenta na pista para Dilma nesse momento...

Negativados são os que perderam inteiramente o crédito. Devem mais do que podem pagar. Ainda assim, o mundo dos negócios tira a derradeira casquinha deles. Todo dia, toda hora se anuncia: crédito para negativados. Os juros, claro, são escorchantes. Proporcionais ao risco, obviamente.  Assim funciona o velho capitalismo, não é?

E segue o baile que, como jogo, só acaba quando termina. Se não há ilusão, há a tonta esperança. Essa que faz acreditar até em ET de Varginha. Que a dança não seja só das cadeiras.

Quem sabe elas - ou outras elas -, um dia, mudem a coreografia no baile repetitivo da política.

(Nem sou Velhinha de Taubaté, não. Só velhinha. Com vício de botar fé nas mulheres. Em nós.)

PS.: Hoje, uma homenagem a colega e amiga Beatriz Thiemann, que morreu domingo. Impecável pessoa. Mulher que imprimiu assinatura em tudo que fez e viveu. Tchau bela Bia.

Tânia Fusco É jornalista, mineira, observadora, curiosa, risonha e palpiteira.

O PT perdeu o controle sobre a corrupção e não sabe o que fazer, Ricardo Noblat

Comentario meu---nada envelhece mais que uma mordomia. O "lider" pensa que "brasileiro so respeita dinheiro" e o "idéologo" diz que "todo mundo faz". Dai em diante o céu é o limite. O Inferno é depois (agora!)......
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No auge do escândalo do mensalão em 2005, tendo assumido temporariamente a presidência do PT, Tarso Genro, atual ex-governador do Rio Grande do Sul, propôs a refundação do partido.

Isso passaria, entre outras coisas, pelo reconhecimento dos erros do PT, o afastamento de militantes suspeitos de envolvimento com corrupção e a escalação de novos nomes para comandar o partido.

A proposta de Tarso esbarrou na força da corrente majoritária no PT, aquela liderada, na época, pelo ex-ministro José Dirceu. Lula também não se empenhou para que a proposta de Tarso vingasse.

O mundo gira, a Lusitana roda, e o PT se vê metido outra vez em crise semelhante, mas muitas vezes superior à do mensalão. Saiu o pagamento de propinas a deputados. Entrou o Petrolão.

As diferenças: o escândalo de agora movimentou muito mais dinheiro. E não serviu apenas para financiar campanhas. Serviu também para enriquecer muita gente.

À falta de novas ideias, Tarso voltou a propor uma limpeza em regra no partido. A começar pelo afastamento de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT e réu no processo da Lava-Jato.

Tudo indica que sairá derrotado novamente. Ontem, os 27 diretórios estaduais do PT se reuniram em São Paulo com a presença de Lula. E nada se falou sobre Vaccari. Pelo contrário.

É tal o desligamento do PT da realidade em sua volta que foi aprovado um manifesto onde o partido afirma que vem sofrendo não por seus erros, mas “por suas virtudes”. Pode crer. Foi isso mesmo.

Como resposta à crise, o PT sugere o aprofundamento da reforma agrária, o apoio à criação de um imposto obre grandes fortunas e aprovação do projeto de lei que estabelece o direto de resposta nos meios de comunicação. Tudo ideia velha. Sem apelo nas ruas.

Pelo seu absurdo, o trecho do manifesto destinado a mais repercutir é aquele onde o PT se diz vítima de uma campanha que almeja o seu aniquilamento.

- Condenam-nos não por nossos erros, que certamente ocorrem numa organização que reúne milhares de filiados. Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e de brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades.

Até hoje, o PT, Lula à frente, não admite que o mensalão existiu. Não é de duvidar que possa dizer o mesmo quando chegar ao fim o caso da roubalheira na Petrobras.

A verdade é que o PT perdeu o controle do esquema de corrupção que ele mesmo montou nos últimos 12 anos. E a essa altura não sabe mais o que fazer. 

Na Justiça, a Semana Santa já começou e não haverá sessões de julgamento até quinta-feira, por CAROLINA BRÍGIDO

Plenário do Supremo Tribunal Federal - STF
BRASÍLIA – Oficialmente, o feriado da Semana Santa é só na sexta-feira (3).

Para a cúpula do Judiciário, porém, a festividade cristã é mais longa e começa antes.
No Supremo Tribunal Federal (STF), não haverá julgamentos durante a semana inteira.
A rotina no STF é de sessões da Primeira Turma e da Segunda Turma nas tardes de terça-feira.
Nas quartas e quintas-feiras à tarde, há julgamentos no plenário. Todas as sessões foram canceladas nesta semana. E não é por falta de trabalho: existem 449 processos prontos para serem julgados em plenário, faltando apenas serem agendados. A fila do tribunal tem 57.808 processos.
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Tribunais seguem decisão do STF e aumentam em até 83% diárias pagas em viagens, por POR VINICIUS SASSINE E CAROLINA BRÍGIDO

BRASÍLIA - O reajuste de 83% no valor das diárias pagas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a partir de janeiro deste ano, provocou um efeito cascata quase imediato nos demais tribunais superiores, nos Tribunais Regionais Federais (TRFs), nas Varas Federais, nas Varas do Trabalho e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Desde o fim de janeiro, o STF começou a pagar diárias de R$ 1.125,43 aos ministros; até então, eram pagos R$ 614 — valor que constava de uma resolução de 2013.

O custeio de alimentação, hospedagem e locomoção em viagens internacionais também foi reajustado, de US$ 485 para US$ 727,46. A iniciativa do STF foi seguida em fevereiro e este mês por todos os tribunais superiores, que optaram por também pagar o teto do valor das diárias. O efeito cascata se estendeu quase imediatamente às varas da Justiça Federal e do Trabalho.

A resolução do STF é de 22 de janeiro, com reajustes de diárias tanto para ministros quanto para juízes auxiliares (95% da diária de ministro), analistas (55%) e técnicos judiciários (45%). No dia 4 de fevereiro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou resolução em que estabeleceu os mesmos critérios para o pagamento de diárias. Uma diária equivale a 1/30 do subsídio de ministro do STF, que é de R$ 33,7 mil. Viagens internacionais levam a um acréscimo de 70%. Assim, a cada aumento da remuneração básica, as diárias são reajustadas automaticamente.

EFEITO CASCATA IMEDIATO
Depois do STJ, o efeito cascata prosseguiu. O CNJ decidiu em 6 de fevereiro pagar os mesmos valores aos conselheiros. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Dias Toffoli, editou portaria no dia 9 de fevereiro. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu pela equiparação integral aos ministros e por 90% do valor para juízes do Trabalho, em ato do dia 12. Um dia antes, o Conselho da Justiça Federal reajustou os valores para todos os magistrados dos TRFs e todos os juízes federais.

Os TRFs passaram a pagar 95% do valor da diária de um ministro do STF. Nas varas federais, recebe-se 95% da diária paga a integrante do TRF. O último tribunal a editar ato normativo foi o Superior Tribunal Militar (STM), em 3 de março.

Uma resolução do CNJ de abril de 2009 orienta que “as diárias concedidas aos magistrados serão escalonadas e terão como valor máximo o correspondente à diária paga ao ministro do STF”. Todos os tribunais superiores decidiram, então, adotar o valor máximo.

O TSE explicou que a opção pelo teto ocorreu em razão de o tribunal não fazer “distinção de valores de benefícios aos demais ministros não oriundos do STF, como os do STJ e da advocacia”. O STJ, por sua vez, sustentou que, em nota, “não há que se falar em teto”. “A resolução do STJ apenas segue as diretrizes da resolução do STF. E sempre foi assim”.

A revisão do valor das diárias no STF em 83% levou em conta o fato de que não havia reajuste desde 2006. Decidiu-se que seria pago um dia de trabalho, como consta na resolução do presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski. O pedido pelo reajuste partiu da associação de servidores do STF.
Ricardo Lewandowsky
Já em fevereiro, Lewandowski recebeu diárias para uma viagem internacional com o valor reajustado. Ele esteve na Itália e na Inglaterra. Pela viagem de 11 a 25 de fevereiro, recebeu de diárias R$ 31.188,30. Em Roma, Lewandowski teve uma audiência com um dirigente do Conselho Superior da Magistratura italiano, órgão semelhante ao CNJ. No Vaticano, foi recebido pelo Papa Francisco. Na Inglaterra, pela rainha Elizabeth II.

Dias Toffoli
O presidente do TSE, Dias Toffoli, por sua vez, recebeu R$ 30,4 mil em diárias em fevereiro, mesmo mês em que foi editada a portaria do TSE com o reajuste. A assessoria do tribunal não detalhou as viagens feitas pelo ministro.

VIAGENS EM CLASSE EXECUTIVA
Outra resolução de Toffoli permitirá que servidores comissionados, viajando em companhia de ministros, possam voar em classe executiva. Ministros viajam em primeira classe. A resolução deve ser publicada depois da Semana Santa. “Quem geralmente viaja com o presidente do TSE é o assessor de Assuntos Internacionais, cargo com status de secretário”, informa a assessoria de imprensa do tribunal.

Os gastos com diárias variam de tribunal para tribunal. É difícil mensurar o tamanho dos gastos dos juízes federais. No segundo semestre de 2014, o CNJ gastou R$ 423,8 mil em diárias. O STJ informou que ministros e juízes auxiliares receberam R$ 47,5 mil por diárias nacionais e US$ 7,4 mil por diárias internacionais em 2014. No STM, o valor gasto com os magistrados em 2014 foi bem maior: R$ 1,39 milhão.

“As diárias não eram reajustadas desde 2006 e não havia critérios objetivos para reajustes”, afirma o STF. “A fixação dos valores observou o escalonamento da magistratura”, diz o TST. O STJ também disse que o reajuste se explica pelo fato de as diárias não terem sido atualizadas desde 2006. A assessoria do TSE informou que é competência do presidente alterar os valores das diárias, como consta em resolução de 2010.

O CNJ ressaltou que o regimento interno prevê aos conselheiros o mesmo tratamento dado a ministros de tribunais superiores. “O CNJ não tem jurisdição sobre o STF, por isso a equiparação se dá em relação ao STJ.”

Os interesses e as paixões, por Liszt Vieira

Para o filósofo e teórico da economia Albert Hischman, o que move o mundo são as paixões e os interesses. Isso parece contrariar a tese de que “os mortos governam os vivos” (Auguste Comte), ou seja, são as ideias que governam o mundo.

Hegel via o presente como antítese do passado, visto como um peso que a humanidade carrega como um fardo. Para Marx, que via a História como conflito entre interesses de classe, “a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”. E, para Chesterton, “tradição não significa estarem os vivos mortos, mas sim os mortos vivos”.

Tenho observado que os argumentos, por melhores que sejam, têm pouco poder de persuasão. As pessoas muito dificilmente conseguem sair de sua armadura de interesses e paixões. Comportam-se mais como torcedores de futebol do que como comentaristas: se o juiz erra contra o meu time, é ladrão. Se erra a favor, o juiz é ótimo.

E muitas vezes os argumentos são elaborados, consciente ou inconscientemente, como expressão direta dos interesses e paixões. Assim, não adianta muito discutir racionalmente política — ou qualquer coisa — com “torcedores”, pois seus argumentos estão a serviço de suas paixões.

Uma das grandes conquistas da democracia é que ninguém pode ser condenado sem provas, baseado apenas em hipóteses, conjecturas e especulações. Mas este princípio irredutível às vezes é ignorado no discurso articulado com argumentos provenientes diretamente das paixões e dos interesses.

Um bom exemplo disso é ver a esquerda tradicional defender a Petrobras sem criticar a corrupção que a corrói por dentro, e a direita pedir impeachment sem provas, com base apenas em conjecturas, expressão direta de seus interesses. Enquanto uns ignoram a corrupção no governo que apoiam, outros fingem acreditar que a corrupção só existiu no atual governo.
Investir em corrupcao tem menos risco que trabalhar!

Não apenas a corrupção é um traço de união entre o atual governo e a oposição, já que ela existia quando a atual oposição era governo. Há muitas outras semelhanças. A atual política econômica, por exemplo, é comum a ambos.

O que mais incomoda na atual política de ajuste fiscal é que os sacrifícios são impostos apenas ao “andar de baixo”. Não se pede nenhum sacrifício ao setor financeiro, por exemplo.

Em contrapartida, a tributação das grandes fortunas voltou a ser proposta por algumas correntes sindicais e políticas. A proposta é justa, mas as grandes fortunas não encontram dificuldade de se alojarem em paraísos fiscais.

Talvez mais eficaz seja taxar mais pesadamente o imposto sobre herança. Enquanto no Brasil esse imposto é de apenas 4%, nos EUA e na Alemanha, gira em torno de 29%; na França, é de 32,5%, na Suíça, é de 25%; na Inglaterra se eleva a 40%. É verdade que na Suécia não existe, pois aí a carga tributária é elevadíssima.

Mas a pré-condição de uma justiça social e econômica é uma reforma política que elimine o financiamento de campanhas eleitorais por empresas. Necessitamos de uma nova ética política que nos poupe do espetáculo degradante de ver políticos de todos os partidos financiados por meia dúzia de empreiteiras.

O Supremo Tribunal Federal começou uma votação para suprimir o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas. A maioria dos ministros do STF, por seis a um, votou a favor da proibição de doações de empresas privadas para campanhas políticas.

Mas um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes suspendeu em 2 de abril do ano passado o julgamento pelo STF da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4.650, em que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) questiona dispositivos da atual legislação que disciplina o financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais.

O ministro pediu vista, engavetou o processo e não mais o devolveu. E parece que não tem prazo para devolver. Aqui não há argumentos. Só interesses.

A cada 15 anos os brasileiros esquecem o que aconteceu, nos ultimos 15 anos--Ivan Lessa dixit

Jovem é preso pela polícia ao contestar ato em favor dos militares
O ator Victor Santana, de 27 anos, morador de Campo Grande, encaminhou ontem uma denúncia ao MP. Ele diz que passava sábado em frente a Central do Brasil quando viu uma manifestação a favor da intervenção militar. 
Foi até lá fazer um desabafo e relembrar os torturados durante o período.

Só que...
Vitor diz que os policias o cercaram, deram uma gravata e ainda jogaram spray de pimenta em seus olhos, enquanto os manifestantes aplaudiam. Veja no vídeo no Youtube que está postado no blog da coluna. Depois, Vitor foi levado para a 4 DP. Foi acusado de desobediência, desacato e resistência. 

Em tempo...
Hoje, completam-se 51 anos do golpe civil-militar de 1964.

Empresas recuperam em contratos até 39 vezes o valor doado a políticos, por GIL ALESSI


Vigília em frente ao STF em Brasília pressiona pelo julgamento de ação que pode vetar financiamento privado de campanha. / NBR

“É política de boa vizinhança. Evidentemente quando você apoia um partido ou um candidato, no futuro eles vão procurar ajudá-lo”, afirmou o empresário Cristiano Kok, da empreiteira Engevix, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. A empresa está envolvida no esquema de corrupção investigado pela Lava Jato, e um dos sócios está preso há mais de três meses. Os números parecem concordar com o argumento de Kok: o estudo ‘The Spoils of Victory’ ('Despojos da Vitória', em tradução livre), feito por pesquisadores de três universidades dos Estados Unidos, concluiu que as empresas que financiaram candidatos a deputado federal do PT nas eleições de 2006 receberam entre 14 e 39 vezes o valor doado por meio de contratos com o poder público nos anos subsequentes.

A pesquisa, publicada em 2014, cruza os dados oficiais de doações para as campanhas e os contratos obtidos pelas empresas nos anos seguintes - sem levar em conta eventuais pagamentos ilegais. Segundo os autores, não foi possível estender o estudo para Governos anteriores por falta de dados públicos confiáveis, e não foi encontrada correlação entre doações e contratos envolvendo outros partidos. “Este modelo de financiamento de campanha que favorece doadores é comum em todas as nações em desenvolvimento”, afirma Taylor Boas, professor de ciência política na Universidade de Boston e um dos autores do estudo. Para ele, isso ocorre porque nestes países o Estado de Direito tende a ser mais fraco, e o processo de orçamento público mais facilmente manipulável, assim como as licitações, ainda que nenhuma grande democracia, quer a França ou os EUA, estejam a salvo das polêmicas e escândalos envolvendo doações de campanha e influência desproporcional no processo político.

Nos países em desenvolvimento os problemas se agravam, de acordo com Boas, porque eles têm poucas leis que regulamentem as doações de campanha. "No Brasil o limite para a doação corporativa é de 2% de seu faturamento bruto anual. Isso é um valor muito alto já que estamos falando de grandes empresas", diz. A influência das grandes empresas brasileiras, com atuação internacional em especial na América Latina e na África, não se restringe às eleições brasileiras. Segundo o cientista político, “a Odebrecht foi uma das maiores doadoras para a campanha do candidato à presidência do Panamá Ricardo Martinelli em 2011”. Após a vitória do candidato a empresa obteve “o maior contrato de obra do país até então: o metrô da Cidade do Panamá”.

"No Brasil o limite para a doação corporativa é de 2% de seu faturamento bruto anual. Isso é um valor muito alto já que estamos falando de grandes empresas"
Quatro investigadas pela Lava Jato estão entre as maiores doadoras das bilionárias eleições brasileiras de 2014: Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão. Juntas, elas injetaram 353 milhões de reais nas campanhas de dezenas de candidatos e comitês partidários de várias legendas. O 'retorno' do investimento não tardou: apenas nos três primeiros meses deste ano estas empresas já receberam em pagamentos diretos do Governo Federal a quantia de 142 milhões de reais.

Comportamento diferente
"As grandes empresas têm um comportamento diferente nas eleições proporcionais e nas majoritárias”, afirma o cientista político Wagner Pralon Mancuso, da Universidade de São Paulo. Segundo ele, nas majoritárias a tendência é que elas doem para todos os candidatos que têm chance de serem eleitos. “As empresas da Lava Jato, por exemplo, doaram quantias muito parecidas para o Aécio e para a Dilma”, diz. Reportagem do jornal O Estado de São Paulo deste domingo revela que o conjunto de 21 empresas investigadas pela Lava Jato foi responsável pela doação de 40% dos recursos privados destinados aos cofres do PT, PMDB e PSDB entre os anos de 2007 e 2013. Foram 321 milhões de reais para os diretório nacional do PT, 137,9 milhões de reais para o PSDB e 97,6 milhões de reais para o PMDB. Esses valores não levam em conta nem as doações feitas diretamente a candidatos, nem os recursos doados para as eleições no ano passado.

Quando se tratam de eleições para deputados federais e senadores, as empresas doam principalmente para candidatos com “capital político testado, que disputam a reeleição. Assim elas aumentam as chances de acerto”, afirma Mancuso. Esse comportamento dificulta a renovação do Congresso, já que os parlamentares que estão eleitos possuem uma base de financiadores já definida: 60% dos candidatos foram reeleitos em 2014.

Os parlamentares contam ainda com outro instrumento para beneficiar as empresas doadoras: as emendas orçamentárias, que segundo o site do Senado são uma possibilidade para que os congressistas possam “influir na alocação de recursos públicos em função de compromissos políticos que assumiram durante seu mandato”. Na prática, segundo Luciano Caparroz Santos, advogado especialista em Direito Eleitoral e um dos fundadores do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE), que esteve à frente do projeto da Ficha Limpa, as emendas são uma maneira de “favorecer doadores de campanha, oferecendo obras nos redutos eleitorais com a finalidade de agradar as empresas”. Cada parlamentar pode apresentar até 25 emendas totalizando 10 milhões de reais.

Um exemplo dessa prática irregular é o caso do ex-deputado federal João Caldas da Silva (PEN-AL), que foi condenado em 2014 pelo escândalo conhecido como a ‘máfia das ambulâncias’. O Ministério Público Federal alegou que Silva direcionava emendas orçamentárias para determinados municípios com o objetivo de favorecer empresários e companhias que doaram para sua campanha. Os preços eram superfaturados em até 120% com relação a valores de mercado, com prejuízos estimados em 110 milhões de reais para os cofres públicos.

Leia mais aqui--Quatro investigadas pela Lava Jato estão entre as maiores doadoras das bilionárias eleições brasileiras de 2014


segunda-feira, 30 de março de 2015

Oportunidade Perdida, por Elton Simões

Uma crise é mudança brusca. Alteração importante, física ou simbólica, que, por repentina e imprevisível, se manifesta situação complicada ou de escassez. Crise é desequilíbrio e incerteza. E, por isso mesmo, mudança.

Talvez por isso, os otimistas costumam dizer que crise é sinônimo de oportunidade.  A possibilidade de fazer diferente, melhorar, aperfeiçoar, aprender, enfim. É pelo menos o que dizem.
Talvez seja verdade que crises gerem oportunidades. O diabo é que oportunidade não se traduz automaticamente em melhoria. Requer reflexão, interesse e ação. Sem estes elementos, crise é simplesmente sofrimento a ser repetido periódica ou permanentemente, dependendo das circunstancias.
Quando a vaca tosse. Quando a mula tropeça. Quando o bovino aponta para o lodaçal. Quando vem a crise, é que a oportunidade se mostra. E é ai que se separam aqueles capazes de aproveitar o aprendizado que emana do sofrimento presente para construir soluções futuras, daqueles que simplesmente tem por objetivo atravessar a crise sem atacar suas causas.
É muito estranha a falta de imaginação com que se tem analisado a crise ou atacado seus efeitos. Diante da falha coletiva dos mecanismos e organismos de controle públicos e privados, tudo o que se consegue é clamar pela punição dos envolvidos.Governança (Foto: Arquivo Google)
Certamente punir é muito importante. Evitar a impunidade é vital, indispensável, imprescindível. Mas aproveitar as oportunidades que emanam da crise (ou, no nosso caso, das crises), vai muito além da simples punição dos envolvidos. E ai  falta liderança. Desaparecem os lideres. Inexistem projetos.
Sobram, entretanto, desculpas inócuas, repetitivas, travestidas de humildade falsa,  forçada. O ridículo das explicações atinge níveis jamais esperados. Todos apontam para os culpados e os culpados apontam para os fatores externos que, alegam eles, seriam incontroláveis.
Entre uma confissão de incompetência e explicações sobre a impossibilidade ou inevitabilidade dos problemas, o debate adquire a profundidade de uma poça d’água. Tudo é reduzido a uma discussão sobre a ética e moral individuais. Como se o problema não fosse sistêmico.
É espetacular que, depois de tudo, se despreze a necessidade de melhorar a governança. De garantir que, no futuro, independente de virtudes de cada indivíduo, os problemas não se repitam. Falta mudar a maneira como as empresas, governo e órgãos de controle funcionam. Aperfeiçoar processos. Melhorar. Prevenir.
Boa governança  é, e sempre será, o melhor remédio para evitar crises.
Elton Simões Mora no Canadá. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD)

Quase glacial, por Míriam Leitão e Alvaro Gribel

Será longo o inverno. Nós o atravessaremos com nossa alma tropical duvidando do sol. Mas ele voltará. Durante a travessia, vamos conviver com inflação alta, notícia de desemprego, recessão e todos os efeitos em cadeia da maior operação de combate à corrupção já vista no Brasil. O governo se desfaz rápido demais para início de mandato, e sua base política foge da fraqueza exposta.
Rir é o melhor remédio....?!
Na economia, o inverno será o segundo ano de estagnação, no qual a atividade descerá um degrau a mais. O crescimento zero este ano seria o melhor cenário, mas nem o Banco Central acredita mais nele. O magro 0,1% de 2014 não configura crescimento, mas livrou o governo da feia palavra recessão estampada nos jornais. Dela, entretanto, não escapará de novo. O país tolera não crescer, mas detesta inflação alta. Quando os dois incômodos aparecem juntos, o desconforto econômico cresce. Ninguém gosta. A certa altura, procurarão um culpado, e o remédio será acusado de provocar a doença. Será um erro de análise, mas ele já está sendo incentivado pelo partido do governo, onde o conhecimento de teoria econômica é, em geral, raso. Os dedos apontarão cada vez mais para a equipe econômica, como sendo ela a causadora dos males que foram contratados no mandato passado.

Ainda estamos no outono, mas não parece. As empresas já começaram a fechar algumas janelas. Investimentos são suspensos, cancelados, empréstimos não são concedidos, as taxas cobradas pelos credores sobem, empresas preferem não correr riscos. Um ambiente assim é quase glacial. Exceto pela temperatura literal que permanece lembrando, em certos momentos do dia, o verão escaldante e seco que tivemos no Sudeste e Nordeste.

Mesmo em momentos invernais, é preciso pensar na volta do sol, porque quem corta demais não se prepara para aproveitar as oportunidades quando elas aparecem. Mas este é o tempo mais difícil de tomar decisões. Cortar parece sensato. A partir de um determinado ponto, no entanto, é contrassenso.

Na política, o ambiente é de fuga em massa, como se o centro do poder fosse não o que é, mas um meteorito que caiu ameaçando arrastar quem se aproxima dele. Isso sempre acontece nas crises. O poder atrai; a perda do poder afugenta. O inesperado é a fraqueza visitar o governo em início de mandato. A situação pode ser superada, mas é preciso que a crise diminua ao entrar no palácio. Não tem ocorrido isso. Hoje, quando a crise entra no centro do governo, ela encontra um vazio de pessoas e ideias e sai de lá ainda mais forte.

Nesse clima, não se pode escalar o técnico da economia para enfrentar os desencontros do campo político. Esse corpo a corpo tem que ser entregue aos articuladores políticos. Eles desapareceram. Foram incompetentes, erraram muito ou foram neutralizados pela briga intestina no núcleo do poder sobre quem é o melhor para o papel. O poder emagreceu a olhos vistos.

Os tremores do combate à corrupção continuarão atraindo todos os olhos. Eles provocarão um efeito dominó na economia. A Petrobras permanece perdida em seu labirinto contábil. Com medo de errar, suspende contratos, que atinge empresas, que não recebem empréstimos, os bancos têm que fazer provisão e vão reclamar seu quinhão às seguradoras. Algumas empresas aproveitarão para se dizer vítimas do tratamento contra a doença da corrupção, quando na verdade elas eram insustentáveis sem os vícios que dominaram a economia. Qualquer generalização é perigosa. Há empresas saudáveis e outras dependentes crônicas das formas escusas de se fazer negócios que se propagou pelo país. Talvez o ano separe os grupos. Mas todos sofrerão com os tremores. O importante para se guiar no meio da confusão é não perder o norte: o combate à corrupção é o tratamento indispensável para haver uma economia mais forte no futuro.

Os ventos frios virão dos quatro cantos. A inflação reduzirá renda, as crises nas empresas aumentarão o desemprego, a correção dos erros passados reduzirá o gasto público, a fragmentação da base de sustentação do governo alimentará a incerteza em todos os cantos. Por isso tudo comecei dizendo aqui que será longo o inverno. Mas nossa alma tropical precisa ser informada de que o sol voltará.

domingo, 29 de março de 2015

La Divina Comedia, por Dante Alighieri-musicada por Chicho Sanchez


Pai de Santo procura Dilma e promete trazer o PIB amado em 2 anos, do i-PiauyHerald

Pai de Santo procura Dilma e promete trazer o PIB amado em 2 anos
Por recomendação de Pai Uzêda, o PT colou cartazes em Brasília

CANJERÊ - Após alertar Dilma sobre a besta Eduardo Cunha, o babalorixá Pai Uzêda se ofereceu para desfazer alguns trabalhos que vêm carregando a energia da presidente. "Farei uma amarração para trazer o PIB amado em 2 anos", explicou, enquanto recomendava um laquê de sal grosso para Dilma manter o topete estático e protegido.

Pai Uzêda também fez uma sessão de desobsessão para expurgar a força de Mercadante do corpo governamental. "Faremos também um severo trabalho de descarrego para livrar Dilma das forças obscuras do PMDB", evidenciou.

No final da tarde, Joaquim Levy garantiu que seu Produto Interno Bruto vai crescer. "Não é o tamanho do PIB que importa, mas o poder de compra que ele proporciona", argumentou.

"Fados" a film by Carlos Saura

Dilma, Lula e o diabo, por Mary Zaidan-- jornalista.

Em abril de 2013, durante encontro com prefeitos na Paraíba, Dilma Rousseff surpreendeu a todos com sua sinceridade: “Podemos fazer o diabo quando é hora de eleição”.  Confessou e fez, como é sabido. E o belzebu cobrou. Com juros e correção, sem carência ou parcelamento. Pior, encarnado em gente experiente nesse tipo de pacto.

Mais do que a paralisia do país, a economia estagnada, a inflação e o desemprego em alta, os demônios que assombram Dilma estão incorporados nos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), antigo desafeto, e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fiel aliado até poucos dias. E em seu padrinho Lula.
Cunha e Renan têm se divertido em lançar chamas, assustar e pregar peças no governo. 
Ainda que os objetivos de ambos não sejam nada republicanos, há muito não se via um Parlamento tão ativo. Até altivo. Câmara e Senado passaram a reivindicar suas prerrogativas, falar alto, questionar o governo.
Não há, no entanto, o que comemorar. O Legislativo só parou de dizer amém a partir das diabruras dos peemedebistas. E só se manterá assim enquanto for do interesse do PMDB, partido que mais do que qualquer um sabe o momento de aderir – e gozar as benesses do paraíso -, e a hora de escapar do incêndio, não raro colocando mais lenha na fogueira.
Mas é Lula quem melhor personifica o inferno de Dilma.
Lula, Dilma e o Diabo  (Foto: Montagem Blog do Noblat)
(Imagem: Montagem Blog do Noblat)
Safo como ninguém, Lula é senhor do bem e anjo do mal. Reúne-se com a afilhada, presta-lhe solidariedade, lhe acarinha o ego. Chegou a defender o ajuste fiscal proposto pela pupila, mesmo se o PT ficasse contra. E o fez na cerimônia de aniversário do partido. Registre-se: uma única, apenas uma vez.
Ao mesmo tempo, estimula a reação petista contra as medidas econômicas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e incita o exército de Stédile a ir às ruas. Aposta na esquizofrenia de uma tropa comandada – e paga - que carrega cartazes de apoio a Dilma e grita contra o que o governo dela tem de fazer.
E vai além. Depois de cada encontro com a presidente, o ex faz a imprensa saber que Dilma insiste em não ouvi-lo. Uma suposta briga entre os dois, ocorrida no Planalto, ilustra bem isso. Lula teria perdido a paciência, batido os punhos na mesa, gritado, disparado palavrões.
Quer porque quer que o distinto público creia que os desacertos do governo devem-se ao fato de Dilma não seguir os conselhos dele. Que ele, só ele, é a salvação.
É perverso, diabólico.
Pior para Dilma, que nada aprendeu e acha que tudo sabe. Que não tem como quitar a dívida de um pacto que não é para iniciantes, mas que ela contraiu. Que colocou o coisa ruim na roda, admitindo fazer o diabo na hora de eleição.
Esperto e experiente,  Lula faz o diabo sempre. E a altíssima conta que o capeta cobra ele empilha nos ombros dos outros. 
Mary Zaidan-- jornalista.


Acabou-se a festa do Carf, Elio Gaspari, O Globo

Junto com a blitz da Polícia Federal em cima da quadrilha que operava no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Carf, vem uma boa notícia: ao contrário do que sucedeu na Lava-Jato, na qual a Petrobras e as empreiteiras relutavam em colaborar com a investigação, desta vez há centenas de auditores da Receita querendo contar o que sabem, o que provam e o que denunciam há anos.

Através dos tempos e com outros nomes, o Carf é uma espécie de instância especial para grandes vítimas da Receita. Um lambari apanhado na malha fina acha melhor pagar do que discutir. Uma grande empresa recorre e acaba no Carf.

Lá, seu recurso é julgado por turmas presididas por servidores da Fazenda e compostas por três outros servidores, mais três representantes do sindicalismo patronal. Nenhum outro país digno de menção tem um sistema semelhante.

No Carf tramitam 105 mil processos com R$ 520 bilhões em autuações contestadas. A porca torce o rabo quando auditores viram consultores e ligam-se a escritórios de advocacia que militam junto ao Conselho.

A PF já achou 70 processos com desfechos suspeitos. Nove extinguiram cobranças que iam a R$ 6 bilhões. Se procurarem direito acharão cinco cobranças que valiam R$ 10 bilhões e viraram pó. Na casa de um conselheiro acharam R$ 800 mil em dinheiro vivo. (Há alguns anos, na casa de um auditor da Receita, acharam uma máquina de contar dinheiro.)

O Carf tem uma caixa-preta. É impossível obter dele algumas estatísticas simples: quantos recursos são apreciados? Quantos são acolhidos e quantos são rejeitados? Quantos são os recursos aceitos nas faixas de até R$ 10 milhões, R$ 100 milhões e acima de R$ 1 bilhão?

Diversas tentativas, até mesmo em pedidos de informações de parlamentares, bateram num muro de silêncio. Quais foram os cinco maiores recursos negados? E os concedidos? Tudo isso pode ser feito sem revelar o nome dos contribuintes. O Ministério da Fazenda informou que “se forem constatados vícios nas decisões” do Conselho “elas serão revistas nos termos da lei”. Seria possível o contrário?

Os contubérnios vêm de longe. Durante o mandarinato do doutor Guido Mantega, eles foram combatidos e gente séria estima que se a taxa de malandragens era de 70%, hoje estaria em 30%. Ainda assim, a operação da PF poderá transformar a Lava-Jato num trocado.

O prejuízo da Viúva pode chegar a algo como R$ 19 bilhões. Enquanto as petrorroubalheiras envolviam obras, essas são exemplos de pura corrupção, com o dinheiro indo do sonegador para o larápio, e mais nada. Uma autuação de R$ 100 milhões era quitada por fora ao preço de R$ 10 milhões.

Nesse tipo de malfeito não há partidos políticos, nem doações de campanha, legais ou ilegais. Só há bolsos. Empresas de consultoria e escritórios de advocacia que julgavam ter descoberto o caminho das pedras precisam procurar bons defensores.

Prédio Ministério da Fazenda, Rio de Janeiro, RJ (Imagem: Arquivo Google)

Canción de soldado, por Chicho Sanchez Ferlosio--cantautor--1940/2003

Solidão do poder



Durante o seu primeiro mandato, Dilma tinha três assessores no Palácio do Planalto que realmente gostavam dela: Gilles Azevedo, Beto Vasconcelos e Thomas Traumann. 

Beto foi para o Ministério da Justiça.

Traumann vai para a iniciativa privada. E agora só restou Gilles.

A maioria dos demais, como se sabe, gosta mesmo é do poder.

OS ROBÔS ABANDONAM O BARCO, por FERNANDO GABEIRA

O documento que vazou do Planalto falando dos robôs usados nas redes sociais me fez lembrar de 2010. Foi a última campanha que fiz no Rio de Janeiro. Na época detectamos a ação de robôs, localizamos sua origem, mas não tínhamos como denunciar. Ninguém se interessou.

Os robôs eram uma novidade e, além do mais, o adversário não precisou deles para vencer. Tinha a máquina e muito dinheiro: não seriam mensagens traduzidas, grosseiramente, do inglês - contrataram uma empresa americana - que fariam a diferença. Essa campanha de 2010 pertence ao passado e só interessa, hoje, aos investigadores da Operação Lava Jato.

Os robôs abandonaram Dilma Rousseff depois das eleições. E o Palácio dá importância a isso. Blogueiros oficiais também fazem corpo mole em defendê-la, por divergências políticas. Isso confirma minha suposição de que nem todos os blogueiros oficiais são mercenários. Há os que acreditam no que defendem e acham razoável usar dinheiro público para combater o poderio da imprensa.

Vejo três problemas nesse argumento. O primeiro é uma prática que se choca com a democracia. O segundo, o governo já dispõe de verbas para fazer ampla e intensa propaganda. E, finalmente, Dilma tem todo o espaço de que precisa. Basta convocar uma coletiva e centenas de jornalistas vão ao seu encontro. Se Dilma quiser ocupar diariamente cinco minutos do noticiário nacional, pode fazê-lo. O chamado problema de comunicação do governo lembra-me O Castelo, de Kafka. A porta sempre esteve aberta e o personagem não se dá conta de que a porta está aberta.

O problema central é que Dilma não sabe tocar esse instrumento. Todos os presidentes da era democrática sabiam. Lembro-me apenas do marechal Dutra, no pós-guerra, mas era muito criança. Falava mal, porém fez carreira militar, era um marechal, que comprou muita matéria plástica. Mas era um outro Brasil comparado com o avanço democrático e a onipresença do meios de comunicação.

Os robôs que abandonaram o barco não me preocupam. Esta semana parei um pouco para pensar na terra arrasada que o PT deixará para uma esquerda democrática no País. Não só pelo cinismo e pela corrupção, pelas teses furadas, mas também pela maneira equivocada de defender teses corretas. Ao excluir dissidentes cubanos, policiais brasileiros, opositores iranianos da rede de proteção, afirmam o contrário dos direitos humanos: a parcialidade contra a universalidade.

Algo semelhante acontece com a política sobre os direitos dos gays, que apoio desde que voltei do exílio, ainda no tempo do jornal Lampião.

Ao tentar transformar as teses do movimento numa política de Estado, chega-se muito rapidamente à desconfiança da maioria, que aceita defesa de direitos, mas não o proselitismo. Tudo isso terá de ser reconstruído em outra atmosfera. Será preciso uma reeducação da esquerda para não confundir seus projetos com o interesse nacional.

Isso se aprende até nas ruas, vendo o desfile de milhares de bandeiras verdes e amarelas. Na sexta-feira 13 houve um desfile de bandeiras vermelhas. Essa tensão entre o vermelho e o verde-amarelo é expressão pictórica da crise política.

Se analisamos a política externa do período, vemos que o Brasil atuou lá fora como se sua bandeira fosse vermelha. Ignora a repressão em Cuba e na Venezuela, numa fantasia bolivariana rejeitada pela maioria do País.

Discordo de uma afirmação no documento vazado do Planalto: o Brasil vive um caos político. Dois milhões de pessoas protestam nas ruas sem um incidente digno de registro. Existe maturidade para superar a crise, sem violência.

Bem ou mal, o Congresso Nacional funciona. O caos não é político. É um estado de espírito num governo e num partido que ainda não compreenderam seu fim. Nada mais cândido que a sugestão do documento: intensificar a propaganda em São Paulo.

Com mais propaganda, mais negação da realidade, o governo contribui para aumentar o som do panelaço. E exige muita maturidade da maioria esmagadora que o rejeita.

Li nos jornais a história de um deputado no PT reclamando de ter sido hostilizado em alguns lugares públicos. Se projetasse o que virá no futuro, teria razões para se preocupar.

A crise econômica ainda vai apresentar seus efeitos mais duros. Um deles é o racionamento de energia. Sem isso, acreditam os técnicos, não há retomada do crescimento em 2016. Como crescer sem dispor de mais energia?

As investigações da Lava Jato concentram-se no PT. Muitos depoimentos convergem para inculpar o tesoureiro João Vaccari Neto. Li que uma das saídas do partido seria culpar o tesoureiro, uma versão petista de culpar o mordomo.

Um governo que recusa a realidade, crise econômica que caminha para um desconforto maior e o foco da investigação da Lava Jato no PT são algumas das três variáveis de peso que conduzem a uma nova fase.

Diante desse quadro, não me surpreende que os robôs estejam pulando do barco do governo. Apenas confirmam minha suspeita de que se tornam cada vez mais inteligentes.

Eles continuam à venda no mercado internacional. O secretário da Comunicação recomendou ao governo dar munição a seus soldados na internet, Lula ameaça com o exército de Stédile. Um novo exército de robôs seria recebido com uma gargalhada nas redes sociais.

Juntamente com os robôs, Cid Gomes saltou do barco. Ao contrário dos robôs, seu cálculo é político. Superou em 100 a marca de Lula sobre os picaretas no Congresso. Preservou-se com os futuros eleitores.

Mas, e aquela história da educação como o carro-chefe do projeto de Dilma?
Confusão entre os estudantes que não recebem ajuda e o ministro contando picaretas no Congresso.

É tudo muito grotesco. Os partidos querem ver Dilma sangrando. Além de ser muito sangue o que nos espera pela frente, é preciso levar em conta que, de certa maneira, o Brasil sangra com Dilma.

Arrisca-se a morrer exangue.

Fernando Gabeira é escritor, jornalista e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro.

sábado, 28 de março de 2015

Valei-me São Mangabeira, o protetor dos que dizem hoje uma coisa e fazem outra amanhã, por Ricardo Noblat

Renato Janine Ribeiro, o novo ministro da Educação, há 20 dias, em entrevista ao O Globo, falou mal da presidente Dilma Rousseff e do seu governo.

Sem perder a elegância, disse coisas acertadas do tipo:
- Me sinto enganado no sentido em que houve um compromisso implícito de que ela mudaria o estilo de governo, ia parar de governar pela braveza e ia começar a dialogar mais e a delegar mais.
- A maior parte do ministério é fraca, com honrosas exceções. Ela tem uma imagem de quem dialoga e delega pouco e isso não é uma boa imagem para um presidente na democracia.
E daí? Por causa disso não deveria ter aceito o convite para ser ministro? Que nada.
Mangabeira Unger, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (Foto: Elza Fiúza / Arquivo ABr)
Mangabeira Unger, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (Imagem: Elza Fiúza / Arquivo ABr)
O sociólogo Roberto Mangabeira Unger, atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, virou ministro de Lula no primeiro governo dele depois de ter escrito coisas como:
- Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.
- Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento.
Mangabeira Unger é o melhor álibi para quem diga uma coisa hoje e, aparentemente, faça outra amanhã.

Mal parados, por Míriam Leitão e Alvaro Gribel

Comentario meu--.....e mal pagos! Salvo as "cupulas"...que continuam como sempre, copulando as nossas expensas, custas e prejuizos varios.
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A economia parou em 2014, apesar da Copa do Mundo, das eleições que normalmente aumentam o gasto público e incentivam a atividade econômica, e a despeito da melhoria da economia mundial. Na divulgação dos dados, ontem, ficou provado que o número ruim foi resultado da política econômica errada: o país teve um resultado de 0,1% no PIB e uma inflação no teto da meta.

Não há esperanças de melhora a curto prazo. A queda de 4,4% do investimento, por si só, já indica que 2015 não será um ano fácil. Para quem tinha alguma dúvida, ela acabou com a declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que o país está vivendo neste começo de ano uma “forte desacelerada”. Está preparando, talvez, a opinião pública para o número que virá do primeiro trimestre de 2015. O que Levy espera é que a alta do dólar acabe produzindo o efeito de empurrar as exportações, e isso ajude a economia neste ano que já se sabe que será de recessão.

O PIB não saiu do lugar, mas muita coisa mudou na forma de cálculo pelo IBGE. Os dados foram revisados de 1996 até agora, mudando ligeiramente alguns anos, mas com alterações mais fortes no governo Dilma. Em 2011, como já foi divulgado semanas atrás, o crescimento saiu de 2,7% para 3,9%. O de 2012 saiu de 1% para 1,8%. O de 2013 saiu de 2,5% para 2,7%. Com o 0,1% de 2014, o país teria, se os números não fossem alterados, uma média de crescimento anual de 1,5% no primeiro governo Dilma. As mudanças levaram o crescimento médio a ser de 2,1%. Mesmo assim, é a pior taxa desde o real.

O IBGE mudou a metodologia e, além disso, fez agora as revisões que normalmente são feitas de forma mais espaçadas.

— Todos os países divulgam os dados preliminares e depois fazem revisões. Aqui no Brasil, também. Só que, como estávamos mudando a metodologia do PIB, deixamos para fazer depois essas revisões, que são feitas a partir das novas pesquisas que são incorporadas — explicou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais.

A nova forma de calcular o PIB fez três alterações importantes, como explicou Roberto Olinto, coordenador de pesquisas do IBGE, e Rebeca Palis. Primeiro, pesquisa e desenvolvimento deixaram de ser classificados como gasto para virarem investimento. É bem verdade que isso não provoca um salto grande porque, no Brasil, infelizmente, há poucos centros de pesquisa. Segundo, houve uma reformulação da forma de calcular a construção civil, com a incorporação de salários, o que fez subir 2010 e 2011, principalmente. A terceira mudança afetou negativamente 2010 e positivamente 2011, que é o uso das térmicas.

— Quando se usa as térmicas há uma queda da renda do setor de eletricidade, e, portanto, ele contribui menos para a alta do PIB. Em 2010, houve grande uso das termelétricas. Em 2011, elas foram desligadas, e isso favoreceu mais o cálculo de 2011 — disse Roberto Olinto.

Essas alterações da forma de calcular são aperfeiçoamentos naturais do indicador e, em alguns casos, seguem orientações internacionais, mas mesmo com revisões e mudanças, o fundamental permanece igual. De 2011 para 2012, o Brasil desacelerou durante o governo Dilma. Melhorou um pouco em 2013, para parar completamente em 2014. Agora se prepara para um PIB negativo em 2015. Um período sem brilho algum, apesar dos fortes subsídios dados aos setores industriais, principalmente, e do incentivo ao endividamento.

O governo usou a desculpa durante todo o ano passado de que a crise internacional explicava o resultado ruim da economia, mas ontem os Estados Unidos divulgaram o crescimento do ano de 2014 em 2,2%. Os Estados Unidos vêm retomando o crescimento, a Europa cresceu mais que o Brasil, a Alemanha terminou o ano em 1,6%. A China desacelerou, mas ficou acima de 7%. A Índia acelerou para 7%. A Colômbia cresceu 4,6%. Em relação à América Latina, o Brasil só está melhor do que a Venezuela, que enfrenta forte recessão.

Com todos os números na mão, não há dúvida: não crescemos porque o Brasil errou na condução da política econômica. E ainda teremos que passar por mais turbulências para colocar a casa em ordem.

As reais proporções do desafio, por Rogério Furquim Werneck

A impressão que se tem é que, a cada dia que passa, surge um novo e grave problema a enfrentar. A penosa agenda da reconstrução da economia continua em aberto. Não parece ter fim. A combinação perversa de recessão, aceleração inflacionária, insustentabilidade fiscal e desequilíbrio externo — agravada pelas crises da Petrobras e do setor elétrico — vem-se desdobrando em vasto leque de problemas específicos de solução assustadoramente difícil. E quanto mais nítidas se tornam as reais proporções do desafio que o país tem pela frente, mais preocupantes parecem a fragilidade e o despreparo do governo para levar adiante a reconstrução que se faz necessária.

O que mais impressiona é que, diante dessa agenda tão pesada, o Planalto se tenha permitido dilapidação tão devastadora de seu capital político em menos de 90 dias do segundo mandato. Na esteira das retaliações que se seguiram à desastrosa tentativa de tornar o governo menos dependente do PMDB, o Planalto se vê hoje com pouca ascendência sobre o Congresso e perigosamente vulnerável às demonstrações de força da cúpula peemedebista.

Não é só pela extensão da perda do apoio parlamentar que a dilapidação de capital político pode ser aferida, mas também pela vertiginosa deterioração da imagem da presidente e da avaliação do seu governo, evidenciada pelas pesquisas de opinião, e pela surpreendente escala das manifestações de 15 de março.
Socorro!!!!!!!!
Não bastassem todas essas dificuldades, o governo se vê agora envolvido num grande embate federativo em campo aberto, em torno da renegociação das dívidas dos governos subnacionais com a União. Tendo concordado em abrir a caixa de Pandora dessa renegociação no final do primeiro mandato, para propiciar alívio fiscal sob medida a prefeitos aliados, o Planalto percebe, afinal, que não tem como fechá-la, por mais que, agora, lhe pareça que a distribuição de benesses seria, a esta altura, “absolutamente inconsequente”. 

Diante da disposição do Congresso de exigir que a União conceda as reduções de dívidas pleiteadas pelos governos subnacionais, é difícil que, com a simples alegação de que “nós estamos fazendo um imenso esforço fiscal” e “não temos condições de fazer essa despesa agora”, a presidente possa comover a ampla frente parlamentar mobilizada para dar apoio à medida. É mais um revés para o ajuste que se faz necessário nas contas públicas. Um novo e grande esqueleto a ser debitado ao surto de irresponsabilidade fiscal que marcou o primeiro mandato da presidente Dilma. 

Nada disso tira o mérito do esforço de ajuste fiscal que vem sendo comandado pelo ministro Joaquim Levy. Muito pelo contrário. Especialmente quando, depois de tantos anos, o ajuste vem afinal respaldado por um discurso econômico que faz sentido. Mas há que se perceber com clareza a dura realidade que vem sendo enfrentada. A montagem da coalizão requerida para a aprovação das medidas no Congresso avança com inegável dificuldade. É bem possível que a aprovação não ocorra antes de junho. E não se sabe em que extensão as medidas serão afinal desfiguradas.

Nesse quadro, cada esqueleto e cada revés, como o da renegociação forçada das dívidas dos governos subnacionais com a União, levantam dúvidas adicionais sobre as limitações do esforço de ajuste fiscal em curso. É bem sabido que, mesmo que a meta de 1,2% do PIB para o superávit primário seja rigorosamente cumprida, a dívida bruta do setor público, como proporção do PIB, deverá mostrar nova e expressiva elevação em 2015. E quanto maiores os esqueletos desenterrados ao longo do ano, maior será tal elevação. 

Para que a sustentabilidade fiscal possa ser restaurada, o esforço de 2015 terá de ser só o primeiro passo de um processo mais longo e ambicioso de ajuste fiscal, que perdure pela maior parte do atual governo. E é isso que continua pouco crível, tendo em vista a falta de convicção da presidente e a alarmante fragilização política do Planalto.
Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio

O Distritão avança, por ILIMAR FRANCO

Comentario meu---como pode-se lêr abaixo, o Legislativo, o Executivo e o Judiciario também, so atuam em causa propria. Nem lhes aflora a necessidade ou urgencia da Nacao! Conquistar ou preservar FEUDOS é a "palavra de ordem", nos três pilares (pôdres q.b.) da Republica brasiliana!
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          O vice Michel Temer vai se reunir com o presidente do PSDB, Aécio Neves, nos próximos dias. Quer convencê-lo a apoiar o Distritão, pelo qual são eleitos os deputados mais votados. A proposta tem cerca de 246 votos na Câmara. Aprovada, ela elimina o quociente eleitoral e torna desnecessário votar leis para proibir as coligações ou instituir a cláusula de desempenho.

A formação da maioria
A intenção do PMDB é isolar o PT no debate da reforma política. Os petistas defendem o voto em lista de candidatos, mas não têm apoio. O PSDB tem sua preferência, o voto distrital misto, mas também lhe falta voto. Os defensores do distritão tentam convencer os tucanos que suas propostas são muito próximas, pois levam à redução do número de partidos. Mas ainda não há acordo. Por isso, Aécio Neves vai apresentar a reforma do seu partido, após a Páscoa. Ela contempla: voto distrital misto; fim da reeleição para o Executivo, com mandato de 5 anos; fim das coligações nas proporcionais; cláusula de desempenho; coincidência dos pleitos; e tempo de TV limitado à cota dos partidos do presidente e do vice.

“Os presidentes Renan Calheiros (Senado) e Eduardo Cunha (Câmara) apoiam. O PMDB banca o ajuste. Mas o PT tem que acompanhar o governo”
Eliseu Padilha---Ministro da Secretaria da Aviação Civil

Uma mão lava a outra
Para os governadores do Nordeste, a presidente Dilma foi taxativa. Afirmou que não vai nem pode assumir qualquer compromisso com novos investimentos, enquanto não tiver garantida a aprovação do ajuste fiscal pelo Congresso.

Abrindo caminho
O presidente do PDT, Carlos Lupi, está exultante. Ele dá como certa a filiação ao PDT do ministro Armando Monteiro (Indústria e Comércio), na foto. Ele é filiado ao PTB, mas planeja deixar a sigla assim que for anunciada sua fusão com o DEM. O novo partido terá tintura de oposição e Armando apoia o governo Dilma e quer continuar ministro.

Jaguar: Millôr, Deus e o Papa--O DIA

Rio - Parece que foi ontem que Millôr deixou o Brasil sem graça. A sua. E foi ontem mesmo, 27, só que há três anos.
Ouso afirmar que ele foi o maior humorista do seu tempo. Groucho Marx e Woody Allen, juntos, não dão um Millôr.
Para um ateu convicto, tinha quase uma obsessão por Deus, a começar pelo título do livro: ‘Millôr Definitivo — a Bíblia do Caos’.
Para alumbrar o sábado, cito algumas frases definitivas do Guru do Meyer, como ele se nomeava:
 “Está bem. Deus é brasileiro. Mas, pra defender o Brasil de tanta corrupção, só colocando Deus no gol.
 # O ateísmo é uma espécie de religião em que ninguém acredita. # Deus no sétimo dia descansou. Aí choveu paca e não deu praia.
# Há padres que falam de Deus com tanta convicção que a gente se convence de que Deus não existe. 
# Com esse mundo desgraçado, e cada vez mais, em que fomos condenados a viver, uma coisa é certa: Deus não merece existir. 
 #  Deus fez o mundo em sete dias apenas porque ainda não tinha sindicato. Hoje levaria trinta. 
 # Estranho: os capitalistas acreditam em Deus. Os comunistas, não. 
# Se Deus existe, onde é que ele está quando a gente fura um pneu na estrada? 
# O mal do mundo é que Deus e o Diabo envelheceram. Mas o Diabo fez plástica.

Quando eu vejo esse pessoal acordando cedo pra ir rezar, se benzendo sempre que passa na frente de uma igreja, ou antes de disputar uma prova esportiva, ou mesmo antes do mais simples mergulho no mar; quando vejo o número de rezas que devem ser aprendidas, o variado número de gestos e genuflexões a serem feitas, quando vejo a quantas liturgias e cerimônias um religioso é obrigado, vem-me sempre um sentimento de profundo respeito — como dá trabalho acreditar em Deus!
 # Deus existe. Mas é ateu.” Parece que Millôr curtia encher o saco de Deus.

Mas, sobre papas, nada. A gente tem a impressão de que ele dispensava intermediários. Mas acredito que mudaria de opinião se conhecesse o Papa argentino que tanto inferniza (epa!) com sua informalidade a vida de alguns cardeais.
Passei a crer em Deus depois que Francisco se revelou o primeiro humorista do Vaticano.
Adorei sua piada sobre suicidas argentinos: “Eles sobem nos próprios egos e se jogam.” Os hermanos devem ter ficado zonzos. E a Casa Rosada, com Dona Cristina dentro, vermelha de raiva. E completou: não vai aguentar muito tempo. Aquela pompa toda o entedia, gosta mesmo é de flanar sem aparatos papais e conversar com as pessoas. Depois que ele sair, volto a ser ateu.

Comentario meu---subscrevo e assino embaixo--EU TAMBÉM!

sexta-feira, 27 de março de 2015

Onde é a saída?, por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Ilustração: Jean François Rochez (Foto: Cartoon Movement)
Ilustração: Jean François Rochez
 (Imagem: Cartoon Movement)


Não somos um país de História monótona, longe disso. Já vimos de tudo um pouco. Mas agora estamos batendo muitos recordes


‘Sobre a nudez forte da verdade o manto diáfano da fantasia’, célebre frase de Eça de Queiroz que está gravada no monumento que o homenageia no Chiado, em pleno coração de Lisboa,  se fosse usada em Brasília teria que ser substituída por ‘Rasgaram o véu diáfano da fantasia e a verdade apareceu em toda a sua feia nudez’.

Eu nem diria que o véu foi rasgado. Diria que foi estraçalhado!

Os presidentes do Senado e da Câmara, do partido do vice-presidente da República, não parecem remar na mesma direção do Governo Federal. Ao menos no vocabulário que usaram para se referir a uma moção dos ministros Aloísio Mercadante e Gilberto Kassab junto ao TSE: ‘molecagem’ e ‘alopragem’. Sabem o que esses dois ministros pediam? O registro de um novo partido, o PL. Esse palavreado fino, dito assim justo quando o Governo Federal está patinando em gelo finíssimo, veio a calhar, não foi não?

Tudo bem que eles são presidentes das duas casas que formam um dos poderes da República e que também foram eleitos pelo povo, mas um foi eleito senador e o outro deputado. Não foram eleitos presidente da República. Nem de longe!

Será que dona Dilma não sabe que em Brasília nenhum espaço fica vazio mais do que um minuto, se tanto? Será que Lula não lhe ensinou o bê-á-bá? Ou será verdade o que dizem: ele fala, ela ouve, mas não escuta?

O Executivo está deixando espaços vazios e isso, todos sabem, é muito perigoso.

Houve um tempo em que o articulador político dos governos era o ministro da Justiça. Depois passou a ser o Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Agora, retrato dos novos tempos, é o ministro da Fazenda.

Que já bate boca com o prefeito do Rio. Poderíamos dizer: ‘eles que são cariocas que se entendam’. Mas acontece que Eduardo Paes estava lembrando ao Levy uma lei sancionada pela presidente em 25 de novembro do ano passado. Joaquim Levy retrucou que ele não tem nada com isso, já que só assumiu seu posto em 27 de novembro!

Resposta de Eduardo Paes: “Mas você não pode achar que o mundo se restringe ao que aconteceu depois de sua entrada no governo”.

Ótima e verdadeira resposta, se não fosse o fato do Brasil estar quebrado e do ministro da Fazenda estar com o freio na mão.

Dona Dilma foi empossada presidente da República há três meses. Não era neófita, este é seu segundo mandato. Ela escolheu seu gigantesco ministério livremente, que se saiba. Mas desde a posse estamos aos solavancos. Três ministros já caíram e nada até agora nos garante que mais tombos não virão.

Alguém arrisca tirar o freio das mãos do Levy?

Estarão os brasileiros preparados para, nesse caso, enfrentar a borrasca que viria por aí?

Já há quem pergunte: a saída, onde é a saída? Sairemos sozinhos? Sem ajuda?

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa--É professora e tradutora

Operação Zelotes investiga corrupção no 'tribunal' da Receita, por WASHINGTON LUIZ E JAILTON DE CARVALHO

BRASÍLIA e SÃO PAULO - Com 41 mandados de busca e apreensão — 24 em Brasília, 16 em São Paulo e um no Ceará —, a Polícia Federal (PF) iniciou ontem operação para desarticular uma organização suspeita de fraudar julgamentos de processos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), do Ministério da Fazenda. Os mandados alcançaram bancos, empresas, lobistas e integrantes do conselho, acusados de envolvimento em uma estrutura de corrupção e sonegação fiscal, cujos desvios podem chegar a R$ 19 bilhões. Batizada de Zelotes, a operação tem entre os investigados uma das empresas do empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que, até recentemente, era coordenador da Câmara de Gestão e Planejamento do Governo Federal. Nas buscas em São Paulo, os policiais federais apreenderam documentos e computadores na sede do Banco Safra, na Avenida Paulista.
Sugestao..novo nome p/ banco estatal brasileiro
O Carf é o tribunal administrativo que julga todos os autos de infração e processos administrativos que envolvem tributos federais. O conselho tem em mãos mais de dez mil processos que envolvem decisões sobre bilhões de reais. Ele é composto de mais de 200 conselheiros, sendo a metade deles auditores fiscais indicados pelo Ministério da Fazenda e a outra metade representantes de entidades de classe como a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Cada conselheiro tem mandato de 3 anos e não recebe remuneração adicional por esse serviço.

Propina de 1% a 10% da multa devida
São dez conselheiros do Carf investigados, entre eles, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, pai do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), líder do PP na Câmara. O ex-secretário da Receita Federal e ex-presidente do conselho Otacílio Cartaxo e seu genro Leonardo Manzan são suspeitos das fraudes. Foram apreendidos documentos na sede do Carf, na casa de conselheiros, advogados e lobistas suspeitos de envolvimento nas fraudes.

Até o fim da tarde de ontem, a polícia apreendeu R$ 2 milhões em espécie. Pelas investigações da PF e do Ministério Público, representantes de empresas e bancos pagavam propina para conselheiros do Carf atrapalhar o andamento de processos fiscais e, com isso, reduzir ou mesmo eliminar multas e somas expressivas de impostos devidos e não pagos. O valor da propina, conforme a polícia, poderia variar de 1% a até 10% das multas a serem pagas.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os crimes já denunciados envolvem o desvio de aproximadamente R$ 2,1 bilhões, enquanto os prejuízos podem chegar a cerca de R$ 5 bilhões.

O esquema teria sido iniciado em 2005, mas começou a ser investigado pela PF em 2013. Só nos últimos dois anos, mais de 70 processos suspeitos foram identificados. Nove deles foram encerrados e extinguiram cerca de R$ 5 bilhões do montante de créditos tributários lançado pela fiscalização da Receita.

Empresas do ramo bancário, siderúrgico e automobilístico são investigadas por contratar consultorias que tinham influência junto ao conselho e conseguiam controlar o resultado de julgamentos de forma a favorecê-las. A suspeita é que conselheiros cooptados manipulavam o andamento de processo, pedindo vistas e apresentando teses de maneira complexa e bem fundamentada para evitar decisão desfavorável às instituições.

— Percebemos que havia uma questão endêmica para fazer o patrocínio de interesses privados se utilizando de serviços públicos. A partir de agora, vamos tentar casar informações financeiras com movimentações processuais para fechar melhor as investigações sobre as pessoas investigadas — afirmou o delegado Marlon Oliveira Cajado.

Pelas investigações, as fraudes eram negociadas por intermediários de conselheiros e das empresas. As duas partes evitam contatos diretos. As propinas eram pagas disfarçadas de honorários advocatícios ou de consultorias. Nos casos mais graves, investigadores chegaram a cogitar pedido de prisão dos investigados. Mas o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, entendeu que as prisões seriam desnecessárias no momento.

A função do Carf é julgar recursos em que contribuintes questionam a cobrança de tributos, multas e juros. Para o procurador Frederico Paiva, que está à frente das investigações, a formação do conselho é frágil e facilita atos de corrupção.

— É preciso repensar esse modelo, basta cooptar um conselheiro do Ministério da Fazenda, por exemplo, que você já tem um julgamento favorável ao contribuinte — afirmou o procurador.

O Banco Safra informou que não se manifestaria sobre a operação em sua sede.

Fazenda instaura processos administrativos
Procurado pelo GLOBO, o empresário Jorge Gerdau disse, por intermédio da assessoria de imprensa da empresa, que não recebeu qualquer informação das autoridades sobre o caso. “A Gerdau esclarece que, até o momento, não foi contatada por nenhuma autoridade pública a respeito da Operação Zelotes”, afirmou em nota ao jornal. No texto, o empresário diz ainda que a Gerdau “também reitera que possui rigorosos padrões éticos na condução de seus pleitos junto aos órgãos públicos”.

Gerdau foi até recentemente presidente da Câmara de Política de Gestão. No primeiro mandato, foi um dos principais conselheiros da presidente Dilma Rousseff. O empresário teria pedido afastamento da câmara em dezembro. Mas no final do mês passado ele teve encontro com a presidente ainda na condição de coordenador da câmara.

A câmara, vinculada ao Conselho de Governo da Presidência da República, foi criada em 2011 com o objetivo de aprimorar a gestão, com propostas de redução de custos, racionalizando processos e serviços prestados à sociedade.

A assessoria do deputado Eduardo da Fonte informou que ele não vai comentar sobre o assunto.

Procurado, o Ministério da Fazenda se manifestou em nota, na qual informa que a Corregedoria-Geral da Fazenda e a Receita são partes atuantes do processo de investigação, em parceria com o Ministério Público e a Polícia Federal: “Estão sendo instaurados os processos administrativos disciplinares, sindicâncias patrimoniais e processos administrativos de responsabilização contra as empresas envolvidas (nos termos da Lei 12846, de 2013, conhecida como Lei Anticorrupção). Essas ações tem em vista à aplicação das medidas punitivas pertinentes, sem prejuízo da eventual responsabilização civil e penal.” A Fazenda destacou também uma série de reformas nos processos internos do Carf para dar mais transparência ao órgão.

Zelotes combatiam cobrança de impostos
A operação foi buscar seu nome na Antiguidade. Os zelotes eram um grupo criado na Judeia no ano 6 d.C. para combater a ocupação romana na região, mais especialmente a cobrança de impostos por Roma. O historiador judeu Flávio Josefo (37-100) os classificava como “quarta seita” do judaísmo, ao lado dos fariseus, dos saduceus e dos essênios, embora o Talmude — um dos livros sagrados do judaísmo — e historiadores posteriores não os identifiquem como grupo religioso à parte.

Os zelotes, cujo nome vem da palavra grega para fanático, pregavam ataques contra romanos e gregos, fossem militares ou civis, e mesmo contra judeus acusados de colaboracionismo. Durante a grande revolta contra a ocupação romana, em 66 d.C., o grupo teve papel de destaque, chegando a controlar a capital, Jerusalém, até ela ser tomada e destruída pelas legiões do general Tito, em 70 d.C. Segundo o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos, ao menos um dos seguidores mais próximos de Jesus, Simão, o Zelote, seria originalmente integrante do grupo.

EM TORNO DE UM PERIGO REAL E IMEDIATO, por CARLOS CHAGAS

O confronto virou conflito. No caso, entre o governo e o PMDB. Melhor dizendo, entre a presidente Dilma e os presidentes Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Do jeito que as coisas vão, o rompimento não passa da semana que vem. Em vez de servir de base parlamentar, o partido transformou-se em adversário. É real e imediato o perigo de o palácio do Planalto ficar desamparado, sob a evidência de que o Congresso readquiriu sua independência.
De um lado, erros e contradições de Dilma. De outro, ressentimentos e ambições de Cunha e de Renan.
O problema é saber as consequências da beligerância para o país. A sombra do impeachment pode adensar-se, assim como a abertura de inquéritos no Supremo Tribunal Federal contra os presidentes da Câmara e do Senado será capaz de transformá-los em réus. Nesse meio tempo, o palco para a batalha maior será montado em torno da reforma política. A tendência no PMDB é aprovar o maior número de mudanças institucionais em condições de atingir o governo e o PT. Uma preliminar desse entrevero estará na votação das medidas de ajuste econômico.

Disse uma vez o então presidente da Câmara: “o que o povo quer esta casa acaba querendo”. É nítida, nas ruas, a rejeição do aumento de impostos, a elevação dos preços e tarifas dos combustíveis, dos serviços de água e luz, além da supressão de direitos trabalhistas. O governo perdeu a classe média e vem sendo abandonado pelo proletariado e pelos empresários. O Congresso atinge níveis de rejeição superiores aos do Executivo. Não demora e assistiremos a repetição, como farsa, da solução adotada em 1945 quando do fim da ditadura do Estado Novo: “todo o poder ao Judiciário”. As forças armadas não vão intervir, os sindicatos não podem, enfraquecidos pela administração do PT. A Igreja Católica saltou de banda, as demais igrejas manifestam desinteresse pelas coisas terrenas e as elites cuidam de sobreviver. Também real e imediato é o perigo da desintegração nacional.
“POR QUE NÃO SE CALA?”
Ficou para a História a indagação do rei Juan Carlos, da Espanha, ao presidente da Venezuela, Hugo Chaves: “por que não se cala?”
A pergunta precisa ser feita ao ex-presidente Fernando Henrique, que todos os dias dá os mais desbaratados palpites sobre a realidade nacional. Deveria lembrar-se de sua responsabilidade na crise que nos envolve.