sábado, 28 de fevereiro de 2015

Mulher preserva cemitério com 50 mil escravos debaixo de casa no Rio



Mas tinha um viaduto no meio do caminho para o mar. Em cinco segundos ele foi ao chão. Os motoristas vão fazer o mesmo trajeto em um túnel que está sendo aberto 40 metros abaixo da superfície. Quando ficar pronto, no ano que vem, ele terá 3,4 quilômetros de extensão. Será o maior túnel para a passagem de carros do país.
Os buracos no subterrâneo abriram as portas do passado. Nos montes retirados das obras, surgem cacos, lembrança das famílias que habitaram a região.
As pedras irregulares fazem parte de um sítio arqueológico. O Cais do Valongo recebeu, somente em cinco décadas, um milhão de escravos.
“E esta região era um complexo dedicado ao tráfico da escravidão, as pessoas chegavam aqui, as que chegavam doentes iam para o lazareto, as que chegavam mortas iam para o cemitério dos escravos, que, na verdade, era uma vala comum, uma dimensão bastante desumana de como isso acontecia.”, conta o presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade Washington Fajardo.
Em ruas do Rio, os africanos que chegavam muito magros, iam para as chamadas casas de engorda. Mas muitos não resistiram aos suplícios da viagem e acabaram no maior cemitério de escravos do país. Ele foi descoberto por acaso durante as obras na casa de uma família, em uma vizinhança. Dezoito anos após a descoberta, a dona da casa continua morando no mesmo lugar.
Globo Repórter: Mas pra sua família, como foi sentir isso, em casa?
Merced Guimarães, empresária: A minha família, ela, por parte das minhas filhas, elas não gostaram muito da história, não. Porque elas estavam na pré-adolescência e isso atrapalhou o sonho do quarto, da reforma, da piscina.
Ela fundou uma instituição de memória e pesquisa, que recebe visitantes e promove palestras.
“A gente estima que se tenha aqui debaixo enterradas mais de 50 mil pessoas. Eu acho que isso aqui é uma missão, eu já pego como uma missão, de ser a voz de 50 mil, que foram jogados como se fossem lixo. Tem gente que não entra aqui comigo e eu falo ‘Nossa, por quê? Você tem medo de cemitério? Tenha medo de vivos, não tenha medo de mortos.’”, diz a empresária.
Debret retratou época em que a população de escravos era maioria no Rio
Os negros, escravos ou livres, de várias nações africanas, já foram a imensa maioria da população desta cidade, retratada pelo pintor e arquiteto francês Jean Baptiste Debret. Repórter atento, cronista do cotidiano, Debret desenhou o barbeiro que atendia os fregueses no meio da rua, o sapateiro com uma profusão de sapatos amontoados e pendurados no teto da pequena loja. Muitas dessas profissões resistem até hoje na cidade. 
De repente, parece que o tempo não passou. E os cariocas tomaram outras vezes as ruas e praças do centro da cidade para fazer história.
Do terraço de um prédio, em frente à Igreja da Candelária, o fotógrafo Evandro Teixeira acompanhou a missa em protesto pelo assassinato do estudante Edson Luís de Lima Souto em março de 1968.
“Nós estávamos aqui desse prédio, desse local, daqui de cima, e a cavalaria chegou arrasando com tudo”, lembra o fotógrafo Evandro Teixeira.
“Os padres fecharam a igreja com medo. E aí aqueles fiéis que não conseguiram entrar e ficaram do lado de fora, aí esses sim, esses foram massacrados, pisoteados, foi uma coisa terrível. Mas o jornalismo teve muita coragem nessa época. E pra isso nós estamos aqui contando aqueles momentos, quantos anos depois?”, relembra o fotógrafo.

Cidade Maravilhosa, por SERGIO MAGALHÃES

Ao comemorarmos os 450 anos do Rio de Janeiro, vale realçar uma característica fundamental da cidade que estamos festejando.


Entre as famosas obras do prefeito Pereira Passos que deram uma nova feição ao Rio, no início do século XX, a construção da Avenida Beira-Mar talvez seja a de mais profunda influência.

Claro que o símbolo mais conhecido é a Avenida Central, hoje Rio Branco. A Beira-Mar, porém, com cinco quilômetros, indo da Cinelândia a Botafogo, foi além da função de ligação viária Centro-Zona Sul. Teve pelo menos duas outras importantes contribuições: definiu a paisagem geocultural e uniu a cidade e o mar.

Ao passar pela orla, criou um ponto de vista que coloca a arquitetura da cidade em primeiro plano e, ao fundo, os grandes ícones geográficos, Pão de Açúcar, Corcovado e Maciço da Tijuca. Antes, visto o conjunto desde o mar, a geografia dominava a imagem. Depois, associada à arquitetura, a geografia "culturalizou-se". A simbiose é a nova paisagem do Rio.
Imagem LAN


À época, as cidades não se integravam ao mar (veja o Palácio do Catete, de frente para a terra, de costas para a água). A Beira-Mar incorporou o mar à cidade e garantiu a praia para o uso público, um novo conceito que Pereira Passos ainda replicou na Avenida Atlântica, em Copacabana. Criou-se um paradigma de ocupação para a costa brasileira, onde a praia é pública e o seu acesso é livre — diferentemente, aliás, do que ocorre nos Estados Unidos, na França, em Portugal e na Espanha, entre outros países.

Demonstram os cronistas, o carioca sempre amou a vida no espaço público — lugar da interação. Sua identidade é indissociável dessa característica. A obra de Pereira Passos somou aos já então qualificados espaços públicos interiores um novo espaço público de excelência, a praia. É dessa soma que, na década seguinte, emerge a expressão "Cidade Maravilhosa", a cidade da bem-aventurança, idealizada desde a fundação. Essa feliz expressão está fazendo o seu centenário por agora, junto com os 450 anos do Rio.

No Brasil, nós não temos os guetos étnicos, religiosos e culturais que embasam ódios mundo afora (o carnaval é uma das evidências de como a população pratica e quer a integração). Nós temos uma só nação, de muitas cores e grandes desigualdades. Mas, urbanisticamente, nas últimas décadas, de modo descuidado, importamos a segmentação social dos shoppings, dos condomínios fechados e do monofuncionalismo, parentes do multiculturalismo em que cada grupo quer seu lugar exclusivo. Não é um bom caminho — está aí o mundo a demonstrar que a segregação e a intolerância andam juntas.

Em muitas cidades brasileiras abandonamos a cidade misturada em busca da miragem imobiliária mais ordinária. Grande parte de nossos espaços públicos é descaracterizada pela falta de manutenção, pela perda de população, pela violência, pelo consequente enfraquecimento econômico e pela invasão rodoviarista. Conformam-se cidades cada vez mais difíceis.

As grandes cidades têm, mesmo, muitos problemas. Mas elas são o motor do mundo contemporâneo. Precisam preservar o seu papel de lugar da sociabilidade e valorizar a qualidade de vida — base sobre a qual constroem seu protagonismo.

Para o Rio, em especial, há de haver um cuidado máximo na permanente qualificação dos espaços públicos, matriz da sua identidade cidadã. Praias limpas, seguras e sem poluição é uma condição cada vez mais básica que, em uma metrópole, somente poderá ser garantida com espaços públicos interiores igualmente seguros, limpos, bem tratados, bem mantidos, com vitalidade econômica e social. A grande obra de Pereira Passos consolidou um modo de vida que encheu de orgulho a cidade e o país. É persistir no bom caminho
Salve os 450 anos da Cidade Maravilhosa!
 
Sérgio Magalhães é arquiteto

Tesoura afiada, por Míriam Leitão e Alvaro Gribel

De todas as medidas de redução de imposto, a que era menos “brincadeira” era a desoneração sobre a folha, porque enfrentava um problema realmente existente. Mas as isenções ou reduções de IPI para carros merecem a definição do ministro Joaquim Levy. A tesoura afiada da dupla Levy-Barbosa é a única forma de o país sair do atoleiro em que foi jogado por erro, displicência e esperteza.
Há um longo caminho para se sair do buraco de um déficit nominal de 6,7% do PIB. Não é brincadeira não. Será preciso tomar medidas seriais, como os ministros da área econômica fizeram esta semana, e enfrentar o conjunto equivocado de crenças do partido do governo. Sozinha, a equipe nada fará. Se o governo como um todo não entender o tamanho do buraco, no primeiro número ruim o PT vai querer acabar com a brincadeira da equipe. E aí a crise que se seguirá não será nada engraçada.
Se o país escapar de um rebaixamento da dívida será em função da persistência com que os ministros estão tentando pôr ordem na casa, que foi deixada em grande desordem pela dupla anterior, Mantega-Belchior. Aliás, trio, porque o impagável Arno Augustin era o maior inventor dos brinquedos contábeis que ainda estão sendo pagos.
O forte superávit primário de janeiro teve grande participação de governos estaduais, municípios e empresas estatais. Eles economizaram R$ 11 bilhões, pouco mais da metade do primário de R$ 21,1 bi do mês. Ao Tesouro, coube a economia da outra parte, que veio abaixo da média para meses de janeiro dos últimos quatro anos.
“Levando em conta a sazonalidade favorável para meses de janeiro, o número não foi tão positivo. Nos últimos quatro anos, o superávit primário do Tesouro Nacional teve média de R$ 18 bilhões em janeiro”, escreveu o Itaú Unibanco em relatório.
Parte do problema está no fato de a nova equipe econômica ainda ter que lidar com as alquimias e pedaladas fiscais da equipe anterior. Para evitar um déficit primário ainda maior em 2014, Augustin só autorizou o gasto de R$ 1,25 bilhão com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) no último dia do mês de dezembro. Dessa forma, o desembolso aconteceu em janeiro, contaminando as estatísticas deste ano. Brincadeira!
O tamanho da dificuldade de ajustar as contas públicas pode ser visto no superávit primário acumulado em 12 meses. Mesmo com esse número forte de janeiro, a estatística pouco mudou. Ao sair o dado de janeiro de 2014 e entrar o de janeiro de 2015, o déficit caiu de R$ 32,5 bilhões para R$ 31,4 bi, ou de 0,64%para 0,61% do PIB. Há um longo caminho até se chegar à meta positiva de R$ 66 bilhões ou 1,2% do PIB em dezembro deste ano.
O raciocínio é o mesmo para o resultado nominal. Apesar do superávit de R$ 3 bilhões em janeiro, o déficit em 12 meses caiu apenas de 6,71% do PIB para 6,42%. A dívida bruta continuou subindo e chegou a 64,4% do PIB, alta de 0,9 ponto sobre dezembro.
Há duas dificuldades para o ajuste fiscal. Primeiro, o aumento de impostos e o corte de gastos são medidas recessivas e vão agravar a situação de uma economia que está estagnada. A segunda é política. Parte do ajuste precisa ser aprovada pelo Congresso, e o governo tem tido enorme dificuldade para conseguir o apoio de sua própria base, principalmente o PT.
O que torna mais difícil convencer a base é exatamente a incoerência entre o discurso da candidata e as ações da presidente. Mas, se alguém não tinha entendido isso no partido da presidente, fica agora explicado pelos fatos que, durante a campanha, o governo mentiu para ter mais um mandato.

Nos últimos dois dias, o governo cortou despesas e agora suspendeu parte dos benefícios fiscais que havia concedido aos empresários. De todos os da lista de bondades com os cofres públicos, a desoneração da folha era o único defensável, porque o sistema de recolhimento patronal à Previdência sempre puniu quem emprega muito. Os setores intensivos em mão de obra sempre pagaram proporcionalmente mais do que as outras empresas. A medida foi parcialmente suspensa exatamente quando o aumento do desemprego já começou a acontecer. De novo, é culpa do passado, mas o partido do governo culpará a nova política econômica.

Frei Betto: Para formar cidadãos

Rio - A educação crítica é o grande desafio nesse mundo dominado pelo capitalismo neoliberal. Ela tem como princípio formar não apenas profissionais qualificados, mas cidadãos protagonistas de transformações sociais.

Ela supera os limites físicos da escola e vincula educadores e educandos a movimentos sociais, sindicatos, ONGs, partidos políticos; enfim, a todas as instituições que desempenham atividades de transformação social.
A educação crítica só se desenvolve em sintonia com os processos reais de emancipação em curso e as reflexões teóricas que fundamentam tais processos. Deve levar em conta três tempos que se intercalam: o das estruturas (mais longo); o das conjunturas (mais imediato e mutável); e o tempo do cotidiano (no qual vivenciamos o conflito permanente entre a satisfação de interesses pessoais e a consciência das demandas desinteressadas).
O tempo das estruturas deve ser objeto da educação escolar. Ele nos remete à história dos grandes processos sociais com seus avanços e recuos. Ter consciência do tempo das estruturas é ter consciência histórica e não se deixar afogar no mar de contradições dos tempos de conjunturas e do cotidiano. Cada um de nós é um pequeno elo na vasta corrente do processo social. Só tendo consciência da amplitude da corrente, apreendemos a importância do elo que somos.

Uma educação que não se abre para o tempo das estruturas corre o sério risco de ser cooptada pela estrutura mundialmente hegemônica.
O tempo das conjunturas é o das mutações cíclicas sem, no entanto, alterá-las substancialmente. O grande desafio é como se comportar em determinada conjuntura de modo a aprimorar ou transformar a estrutura.
O tempo do cotidiano é o do dia a dia, no qual trafegamos e tropeçamos, movidos por ideais solidários e, ao mesmo tempo, atraídos pelas seduções do comodismo e do individualismo. É nele que a Educação atua e desperta o imperativo de se comprometer com a transformação da estrutura.
Nesse tempo cotidiano vivemos imersos, muitas vezes movidos por utopias e, ao mesmo tempo, desanimados ao reconhecer, a cada dia, que a matéria-prima do futuro é humana, sempre frágil e contraditória.
A formação da consciência crítica resulta de um processo pedagógico que intercala os três tempos, de modo a evitar a mesquinhez de um cotidiano que nem sempre reflete os valores em nome dos quais o assumimos e queremos educar.

Spock out.......

Imagem by AROEIRA

Jaguar: Três velhinhos safados


A ilustração acima é do poema ‘Filó, a fadinha lésbica’ (censurada por mim)
Foto:  Jaguar / Agência O Dia
Rio - Na verdade, uma velhinha e dois velhinhos: Hilda Hilst, Millôr e eu. Dela, raros ouviram falar, mesmo depois de Léo Gilson Ribeiro, grande crítico literário (também pouco lembrado) ter dito que era “a mais perfeita escritora viva em língua portuguesa”, alguém que escrevia “a mais abissal e deslumbrante prosa poética do Brasil posterior à genialidade de Guimarães Rosa”. Passo, sem pedir licença, a palavra para Humberto Werneck, que escreve muito melhor, para apresentá-la. São trechos que fazem parte do livro ‘Pornô Chic’, coletânea de alguns textos safados de Hilda, em recente lançamento da Biblioteca Azul: “Desde sua estreia em livro, há 40 anos (o artigo é de 1990), Hilda Hilst viu cristalizar-se em torno de si a legenda de uma autora de textos herméticos, impenetráveis. Muito a contragosto, viu-se transformada num desses escritores ‘difíceis’ de quem, aqui e ali, se fala elogiosamente, mas que pouquíssimos atravessam de ponta a ponta.
Enfurnada num sítio nas vizinhanças de Campinas, a cem quilômetros de São Paulo, onde vive desde meados da década de 1960, Hilda Hilst, paulista de Jaú, arrastou estoicamente esta imagem ao longo de 28 livros de poesia, ficção e teatro.
Até que um dia, algum tempo atrás, cansada de não ser reconhecida, ela explodiu e — para o pasmo de seu esquálido ciclo de admiradores — anunciou conversão à pornografia. ‘Eu não vou escrever mais nada, a não ser grandes e, espero, adoráveis bandalheiras’, proclamou.”

Foi aí que Millôr e eu entramos na história. Levei um susto quando recebi um telefonema dela, que não conhecia pessoalmente (não me perguntem a data, só sei que foi na segunda metade do século passado). “Jaguar”, disse ela, “cansei de fazer literatura séria sem ganhar dinheiro. Queria que você ilustrasse um poema pornográfico, ‘Bufólicas’. O Millôr topou fazer desenhos de ‘O Caderno Rosa’, de Lori Lamb. Queria que você ilustrasse esse.”
Topei na hora, obviamente honradíssimo. A ilustração acima é do poema ‘Filó, a fadinha lésbica’ (censurada por mim).
A noite de autógrafos foi numa boate gay, em São Paulo. Receio que Hilda não tenha ficado rica, pois escolheu um editor insólito: Massao Ohno. Pra você ter uma ideia, ele publicou um livro, ‘Sete desenhistas brasileiros de humor’, que nunca chegou às livrarias. E agora, saia correndo para comprar ‘Pornô Chic’ antes que acabe. 

+ 1 Feliz Aniversario Cumpadi JAGUAR

Mugabe comemora hoje 91 anos com festa de milhões de dólares

Comentario meu--Zimbabué antes Rodésia, era MUITO rico e produzia quase tudo. Hoje so os poderosos tem o que querem.

Os racistas estao errados, a pilantragem é geral, em todas as cores de pele e racas..

O Presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, comemora hoje o seu 91º aniversário com uma festa de milhões de dólares que conta com a presença de milhares de apoiantes partidários.
Mugabe comemora hoje 91 anos com festa de milhões de dólares
Black FAT Cats--horrendous!
Os críticos consideram "obscenas" estas festividades, num país onde milhões de pessoas vivem na pobreza.
Mugabe está no poder desde 1980, desde a independência da Grã-Bretanha, e é o líder mais antigo do mundo.
Ao mesmo tempo em que é saudado por muitos dos seus pares africanos como herói da libertação, os críticos afirmam que ao longo das décadas seguintes Mugabe passou de alguém em quem o povo tinha esperança para "um caso perdido", atropelando direitos humanos, justiça e democracia.
Levou a cabo uma "reforma agrária" sangrenta que expulsou a maioria dos fazendeiros brancos do país e causou a escassez de alimentos e hiper-inflação, mas numa entrevista para assinalar o seu aniversário Mugabe admitiu que errou ao dar vastas extensões de terra aos agricultores negros mal-equipados.
"Acho que as fazendas que demos às pessoas são muito grandes. Eles não conseguem geri-las", disse Mugabe.
Na mesma entrevista, minimizou a queda que deu no início deste mês.
"Ainda não estive com uma pessoa que nunca tenha caído. Foi uma ligeira queda, falhei um degrau", disse Mugabe à televisão controlada pelo Estado.
O homem que afirma que vai viver até aos 100 anos desmentiu, até agora, todos os rumores sobre o seu estado de saúde -- depois de várias vezes o terem dado como moribundo, padecendo nomeadamente de cancro -- ou a eventual intenção de passar o testemunho do poder.
A Constituição zimbabueana permite-lhe teoricamente manter-se no poder até aos 99 anos.
Os primeiros anos do novo Zimbabué, após a independência, em 1980, foram para ele os bons tempos dos abraços e apertos de mão com os dirigentes de todo o mundo. Foram, então, exaltadas as suas vitórias -- reais -, os seus programas de construção de escolas, hospitais e casas para a maioria negra, antes marginalizada.
Mas desde logo o Ocidente preferiu não ver que as eleições decorriam num clima de intimidação e que uma brutal repressão se abateu, a partir de 1982, sobre a província de Matabeleland (oeste), terra dos Ndebeles conquistada ao seu adversário Joshua Nkomo. O balanço dos massacres é de entre 10 mil e 20 mil mortos.
Robert Mugabe soube depois silenciar todas as oposições, quer através de purgas no Zanu-PF, o seu próprio partido, quer arranjando maneira de ganhar todas as eleições.
Depois de ter arruinado o Zimbabué ao adotar uma política económica desastrosa, Robert Mugabe foi, no entanto, reeleito em 2013 para um novo mandato de cinco anos. Os seus adversários, confortados por alguns observadores independentes, garantem que ele cometeu fraude, nomeadamente manipulando as listas eleitorais.

Passos Coelho esteve cinco anos sem pagar à Segurança Social

A dívida acumulada diz respeito a um período em que o primeiro-ministro de Portugal trabalhou como a recibos verdes. Passos Coelho admite que vai pagar à Segurança Social, mas que não é obrigado a fazê-lo porque a situação prescreveu.

Passos Coelho esteve cinco anos sem pagar à Segurança Social
Nem te ligo, farinha de trigo.....
ECONOMIA
DR
De acordo com o Público, o primeiro-ministro tem uma dívida no valor de 5.016 euros, a que acrescem 2.413 em juros de mora, ascendendo, no total, os sete mil euros.
A edição deste sábado da mesma publicação indica que Passos Coelho deixou as funções de deputado em outubro de 1999, pelo que, mesmo trabalhado a recibos verdes desde 1996, era através da Assembleia da República que descontava para a Segurança Social.
Contudo, não continuou a fazê-lo como trabalhador independente até começar a trabalhar, em 2004, por conta de outrem, ao tornar-se administrador de empresas do grupo Fomentinvest.
Em 2007, muitos portugueses foram notificados dos valores que teriam em falta no Instituto de Segurança Social. Mas o chefe do Governo alega que não foi o seu caso. Mais, admite que a sua dívida é apenas de 2.880 euros, a que se somam pouco mais de mil em juros de mora. Segundo os documentos a que o Público teve acesso, este valor dirá respeito à dívida contraída até 2012.
São este valor (perto de quatro mil euros), que Pedro Passos Coelho admite pagar, ainda antes do término do seu mandato como primeiro-ministro, para “por termo às acusações infundadas sobre a sua situação contributiva”.
Porém, frisa fazê-lo “voluntariamente, já que a prescrição ocorrera em 2009.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O homem que "disse" a que veio....

Charge (Foto: Chico Caruso)
Imagem Chico Caruso

Foto do dia

Ilha de Manhattan, vista do Rio Hudson coberto de gelo


Nova York enfrenta um dos maiores períodos de frio da sua história  (Foto: AFP)Nova York enfrenta um dos maiores períodos de frio da sua história (Imagem: AFP)É nos, ainda mais a NORTE, andamos com (menos) --17C as costas.....

Cartoon (Imagem: Amarildo)

Charge (Foto: Amarildo)
Comentario meu--Desde sempre e como outros incautos--Instrumentalizada e sem nada poder fazer.............

Sob a proteção de Bendine, por Ricardo Noblat

Em 2006, Lula nomeou dois diretores da Petrobras que deram origem ao esquema que roubou a empresa.

Lula dirá, certamente, que a culpa não foi dele. Não nomeou os diretores para que roubassem.
Há menos de um mês, Dilma promoveu Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil no seu primeiro governo, a presidente da Petrobras.
Em país de princípios e valores mais rígidos, isso não teria acontecido. Simplesmente porque Bendine, no emprego anterior, é suspeito de ter misturado o público com o privado. E às nossas custas.
Dilma não terá qualquer desculpa para dizer mais tarde que não sabia.
Na administração Bendine, o Banco do Brasil patrocinou o quadro apresentado pela socialite Val Marchiori no programa de TV Amaury Jr., entre 2010 e 2011.
Em país de princípios e valores mais rígidos, isso não teria acontecido. Simplesmente porque Bendine, no emprego anterior, é suspeito de ter misturado o público com o privado. E às nossas custas.
Dilma não terá qualquer desculpa para dizer mais tarde que não sabia.
Na administração Bendine, o Banco do Brasil patrocinou o quadro apresentado pela socialite Val Marchiori no programa de TV Amaury Jr., entre 2010 e 2011.
Gastou R$ 350 mil. O patrocínio durou só enquanto Marchiori trabalhou no programa.
Val Marchiori (Foto: Divulgação)
Val Marchiori (Imagem: Divulgação)
                                                                Gastou R$ 350 mil. O patrocínio durou só enquanto Marchiori trabalhou no programa.
- [O patrocínio era] só para ela. Ela trouxe o patrocínio, o quadro trouxe o patrocínio - disse o apresentador Amaury Jr., em entrevista à TV UOL.
Em depoimento ao Ministério Público, um ex-vice-presidente do Banco do Brasil revelou que Bendine, em abril de 2010, deu carona a Marchiori num jato a serviço do banco em viagem à Buenos Aires.
Os dois se hospedaram no mesmo hotel.
Em 2013, o banco emprestou a empresa de Marchiori R$ 2,79 milhões a juros subsidiados e atropelando regras internas da instituição.
Marchiori ofereceu como garantia de pagamento do empréstimo a pensão que recebe do seu ex-marido. Era insuficiente.
Bendini nega que tenha voado com Marchiori a Buenos Aires. Diz que a encontrou por lá. E que por coincidência, os dois se hospedaram no mesmo hotel.
A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar o caso.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O governo na defesa dos gatos gordos, por Elio Gaspari

A retórica do Planalto, do ministro da Justiça e da AGU embute uma ajuda às empreiteiras, driblando o MP.
Quando o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, trata das malfeitorias das empreiteiras e diz que “é preciso separar as pessoas das empresas”, pressupõe que milhões de dólares rolavam porque “pessoas” delinquiam. Ele acrescenta: “Temos que ter cuidado para não atentar contra a economia, contra o emprego e contra o bem-estar da sociedade.”
É amargo....mas é BOM

É a Doutrina Engevix. Em novembro, quando a Lava-Jato começou a cercar as empreiteiras, um de seus maganos anotou: “Janot e Teori sabem que não podem tomar a decisão. Pode parar o país.” Ou seja, o procurador-geral Rodrigo Janot e o ministro Teori Zavascki travariam o processo. Não travaram. Essa doutrina ecoa a tolerância com o tráfico de escravos no século XIX. A lei o proibia, mas, se fosse cumprida, as fazendas de café quebrariam. Com uma diferença: Dom Pedro II não recebia doações de negreiros.

Trazendo a Doutrina Engevix para a vida real, o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, defendeu a tese segundo a qual as empreiteiras podem negociar acordos de leniência com a Controladoria-Geral da União, um órgão do aparelho do Executivo. Sua argumentação parte da constatação de que há no Brasil uma “especifidade”, a “sobreposição” de órgãos e leis. De fato, para caçar larápios, há uma sopa de letras (CGU, TCU, CVM, Cade, MP) e de números de leis (2.864, 8.429, 8.433). Deu no que deu.

Na sua exposição, Adams ofendeu os fatos. Disse o seguinte: “No caso americano, quem faz os acordos é a SEC, que é o nosso correspondente à Comissão de Valores Imobiliários.” Nem pensar. Os acordos que a SEC faz, como os da CVM, são pontuais, quando não há processo penal. O ex-diretor financeiro da Petrobras fechou sete acordos com a CVM, no valor de R$ 1,75 milhão, desembolsados pela seguradora da empresa. Num deles estava o “amigo Paulinho”. Deu no que deu.

Adams ilustrou sua posição dizendo mais: “A Siemens fez no mundo, empresas americanas fizeram e fazem.” Nem pensar.

A Siemens foi apanhada na Alemanha e nos Estados Unidos. Suas “pessoas”, como diria o ministro Cardozo, haviam aspergido US$ 1,4 bilhão pelo mundo afora (inclusive no Brasil). A empresa não propagou a patranha do perigo de desemprego para 400 mil empregados em 190 países. Gastou US$ 1,3 bilhão para se investigar e achou mais US$ 1 bilhão de capilés. Negociou com o governo e propôs acordos ao juiz federal americano e ao Ministério Público alemão. Pagou US$ 1,6 bilhão em multas e chamou um ex-ministro das Finanças da Alemanha para fazer uma faxina em sua práticas. O acordo foi precedido pelas chancelas do juiz e do procurador. Nessas especificidades há lógica.

Como o pulo do sapo de Guimarães Rosa, a balbúrdia de leis e siglas brasileira não é produto da boniteza, mas da precisão.
Elas tecem uma rede de atalhos úteis para o andar de cima, inacessíveis ao andar de baixo. Para que os paralelos mencionados por Adams tivessem solidez, as empreiteiras precisariam da chancela do juiz Sérgio Moro ou do Ministério Público.

Adams mostrou que um acordo com a CGU não trava o processo penal. Era o que faltava. Ele disse que nesse processo “as provas que forem carreadas levarão à condenação ou absolvição dos culpados”. Em seguida corrigiu-se: “dos acusados”. Ainda bem.

Elio Gaspari é jornalista

SwissLeaks cita 31 pessoas ligadas a empresas de ônibus do Rio, do G1 Rio

Um novo capítulo do "SwissLeaks" – como foi batizado o vazamento de dados bancários de clientes do HSBC envolvidos em fraudes fiscais – mostrou que 31 sócios, integrantes da diretoria e empresários ligados a empresas de ônibus do Rio tinham recursos aplicados em contas na subsidiária do banco na Suíça, nos anos de 2006 e 2007.
 A informação, divulgada nesta quarta-feira (25) pelo blog no jornalista Fernando Rodrigues, do portal UOL, é coordenada pelo International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), que recebeu os dados por meio de um acordo com o jornal francês "Le Monde".
Entre os nomes de empresários de ônibus do Rio citados na lista de clientes do HSBC estáo empresário Jacob Barata, conhecido como o "Rei dos Ônibus". Barata, que tem participação em 16 empresas de ônibus na cidade, teria mantido US$ 17,6 milhões em uma conta conjunta com familiares no HSBC da Suíça, entre 2006 e 2007.
A assessoria do empresário divulgou nota negando que ele tenha contas bancárias na Europa. Segundo o documento, Jacob Barata Filho nega "veementemente a existência das mencionadas contas relacionadas à sua família, cujos supostos valores divulgados pela imprensa são absurdos".
De acordo com o Banco Central, residentes no Brasil – pessoas físicas ou jurídicas – podem ser titulares de contas em moeda estrangeira no exterior, desde que as remessas sejam feitas em rede bancária autorizada a operar em câmbio. Além disso, donos de contas e ativos no exterior superiores ou equivalentes a US$ 100 mil devem prestar declarações anualmente ao BC.
HSBC fala em 'transparência fiscal'
De acordo com os dados divulgados na reportagem publicada nesta quarta-feira, a família de Jacob também teria recorrido ao HSBC da Suíça para administrar recursos depositados no Banco Santos, falido em 2005. O empresário também nega ter possuído contas no Banco Santos, em seu nome ou de sua família. 
O HSBC, em comunicado enviado à imprensa, informou que preza pela transparência fiscal, atende às regras dos órgãos reguladores e colabora com as autoridades. Leia íntegra da nota: "O HSBC informa que o caso está relacionado ao Private Bank da Suíça. O HSBC reforça que o Global Private Banking (‘GPB’) e, em particular sua subsidiária na Suíça, passaram por uma transformação radical nos últimos anos e vêm colocando em prática padrões de primeira classe e também relacionados à compliance com os órgãos reguladores e transparência fiscal. Nos últimos anos, o Private Bank da Suíça reduziu o número de contas em quase 70% e tem agora uma equipe de compliance de mais de sete mil colaboradores, mais de duas vezes o que tinha em 2011. O banco segue os mais altos padrões de compliance em todos os países nos quais atua e colabora com as autoridades sempre que requisitado."
Receita chega a 342 nomes
Segundo a Receita Federal, já estão em andamento medidas de cooperação internacional. O O objetivo é obter com autoridades europeias a lista oficial e integral dos supostos contribuintes brasileiros que possuiriam contas bancárias na subsidiária do banco HSBC na Suíça. "Após tomar conhecimento da existência de lista parcial pela imprensa, a Receita Federal iniciou imediatamente procedimentos de pesquisa e investigação, por meio de sua área de Inteligência".

Segundo a Receita, a lista "contém 342 nomes e traz informações relevantes para a identificação de eventuais indícios da prática de ilícitos tributários".
O órgão diz que "busca agora a obtenção de mais elementos que comprovem integralmente a autenticidade das informações. As ações em andamento estão articuladas com outros órgãos de prevenção e combate aos crimes de lavagem de dinheiro, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central".
Desde o ínicio do mês, a investigação batizada de "SwissLeaks" apontou que várias personalidades políticas, do entretenimento, do esporte e dos negócios estão envolvidas em um caso de fraude fiscal com suas contas no HSBC. Os clientes teriam utilizado artifícios para manter em suas contas dinheiro não declarado entre 2005 e 2007.
​Outros nomes de sócios e donos de empresas de ônibus do Rio de Janeiro constam do levantamento publicado na reportagem desta quarta-feira. Na lista do "SwissLeaks" está o administrador da empresa de ônibus Braso Lisboa Generoso Martins das Neves, que detinha, na época, 3,3 milhões de dólares no HSBC suíço.
O Brasil aparece como o nono país da lista, com US$ 7 bilhões nas contas no período em questão. Segundo os arquivos, 8.667 clientes tinham algum vínculo com o Brasil, sendo 55% com a nacionalidade brasileira.
Dados das contas
O ICIJ compartilhou as informações com quase 50 meios de comunicação internacionais, e os dados foram analisados por 154 repórteres de 47 países, segundo a France Presse.
G1 entrou em contato com o ICIJ a respeito da divulgação dos dados sobre os empresários de ônibus do Rio de Janeiro, mas até a publicação desta reportagem não havia recebido retorno.

Charlie Hebdo : " C'est reparti ! "

Le Relais H de la gare a reçu 132 exemplaires du dernier Charlie Hebdo. - Le Relais H de la gare a reçu 132 exemplaires du dernier Charlie Hebdo. - (Photo NR, Patrick Gaïda)
Le Relais H de la gare a reçu 132 exemplaires du dernier Charlie Hebdo. - (Photo NR, Patrick Gaïda)
Le Relais H de la gare a reçu 132 exemplaires du dernier Charlie Hebdo. - (Photo NR, Patrick Gaïda)

Chez les marchands de journaux, la une sur fond rouge remplace la couverture verte. Ce dernier Charlie Hebdotitrant « C'est reparti ! » et édité à 2,5 millions d'exemplaires, ne devrait pas atteindre les sommets du Numéro des survivants, tiré à 8 millions d'exemplaires. Même si dès 9 h, hier, la grande majorité des points de vente castelroussins était à sec. Le nombre d'exemplaires mis à disposition des kiosques castelroussins n'était pas faramineux. « Une dizaine » pour La Gitane, place Monestier, qui propose encore quelques exemplaires du précédent numéro ; « sept » au Paradis des fumeurs, rue Bertrand, qui espère « un réapprovisionnement dans la semaine » ; « neuf » au Marigny, place Gambetta, dont « trois mis de côté pour mes fidèles clients qui l'achetaient déjà avant le drame ».
Aucun attroupement
Pour finir par en trouver un, il faudra aller jusqu'au Relais H de la gare. « Il vous reste un Charlie ? » lance un homme qui arrive, bredouille, de La Civette. Pas de problème : ici, les stocks sont conséquents. « Nous avons reçu 132 exemplaires, explique Ferdinand, gérant du Relais H. C'est la direction qui a passé les commandes. » Vers 9 h 30, il en restait 90. Les ventes sont bonnes, mais rien à voir avec la ruée de mercredi 14 janvier. Ce jour-là, il fallait s'être levé très tôt pour réussir à se procurer le numéro sorti une semaine après les attentats. Hier matin, on était loin des attroupements. Ce numéro se vend doucement, mais sûrement. Toujours plus, c'est certain, qu'avant les attentats. « Je vendais en moyenne deux exemplaires par semaine avant le drame », se souvient Ferdinand. Jacky, le client qui vient d'acheter son Charlie, explique qu'avant les événements, il était un lecteur occasionnel de l'hebdomadaire satirique. « Je l'achetais de temps en temps, suivant les unes. Je pense que je vais devenir un fidèle. » Un train en provenance de Paris entre en gare. Plusieurs voyageurs font un arrêt au kiosque. « Ça coûte combien, Charlie Hebdo ? » demande cette dame, avant de repartir avec son exemplaire en main. Une maman s'approche, avec son fils âgé de 10 ans à peine. A qui elle dit : « Comme ça, tu verras par toi-même ce que c'est, Charlie ».
Naëlle Le Moal

De esperança à ameaça - a trajetória de Lula--por Ricardo Noblat

Ex-presidente Lula  (Foto: Marcos de Paula / Estadão)

Em 2002, quando Lula se elegeu presidente da República, se disse que a esperança vencera o medo.

Aquele que há 12 anos representou a esperança emite sinais de que poderá representar uma ameaça caso tente voltar à presidência da República em 2018.
Para não cair no rastro do escândalo do mensalão em 2005, Lula ameaçou ocupar as ruas com os chamados movimentos sociais, organizações que se venderam ao governo dele e ao de Dilma.
De olho em 2018, Lula parece disposto a repetir a dose.
Anteontem, por exemplo, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, Lula disse que queria a paz, mas que faria a guerra se necessário.
E mencionou o MST do seu amigo José Pedro Stédile como um exército pronto a atender à sua convocação.
Fanfarronice?
Pode ser. Mas antes de tudo é um gesto irresponsável. E um péssimo exemplo.
Menos de 24 horas depois, o presidente do PT do Rio, Washington Quaquá, usou seu perfil no Facebook para defender porrada”.
Quaquá convocou a militância a “pagar com a mesma moeda” dos “burguesinhos” qualquer ataque que sofrer. “Agrediu, devolvemos dando porrada!”, ensinou.
Depois tentou se justificar: havia reagido com palavras aos insultos sofridos pelo ex-ministro Guido Mantega, da Fazenda, em um hospital de São Paulo, aonde sua mulher está internada.
De fato, parentes de internados no hospital agrediram Mantega com palavrões e sugeriram que ele procurasse o SUS.
Condenáveis os que procederam assim. Mas a melhor maneira de enfrentá-los não é apelando para a “porrada”.
O discurso da guerra e da agressão física tem sido até aqui privativo do PT e dos seus líderes.
Lula, na época em que era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, 13 de maio de 1979 (Foto: Divulgação)Lula, na época em que era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, 13 de maio de1979 

A Consciência do NóS, por CARLOS VIEIRA--Psicanalista

Nascemos não por nossa decisão, a escolha é de nossos pais. Nascemos, surpresos com um mundo desconhecido, logo ameaçador, pois necessitamos de adaptação a um meio ambiente diferente do uterino. Dúvidas estariam na mente do bebê de colo, dúvidas, muitas incertezas. Será acolhido ou rejeitado, posto de lado como algo não desejado ou recebido com disponibilidade afetiva dos pais? Penso que os pais vão se preparar para serem pais, depois do nascimento do seu filho ou filha. Lembro-me agora de uma passagem do “Grande Sertão: Veredas”, onde Guimarães Rosa na fala de Riobaldo diz que perigoso não é mais viver nem morrer e sim nascer!

Nascemos fundidos e confundidos com nossa mãe, é inevitável, pois o animal-humano não vem ao mundo provido de independência, a dependência é a marca maior que haveremos de carregar alguns anos. Uma dependência que cria na relação da mãe com o bebê, uma coisa intrincada, indiferenciada e misturada. Por esse motivo, essa relação define alguns “destinos” e vai depender da entrada em cena, do pai, marcando presença de um terceiro e trazendo um significado maior em nossa vida –- a possibilidade da noção do outro, fora da fusão, do terceiro, ou melhor, da primeira forma de existência grupal. Daí a importância do Nós – além de mim, além da minha pessoa como singularidade existe o outro, os outros, a Alteridade.


Mas que é o “Nós”? Será que somos suficientemente competentes para funcionar nos triângulos da vida? Tudo vai depender como “esse trio” primordial consegue dar acolhimento aos sentimentos implícitos nessa relação: ciúme, competição, rivalidade, inveja, e tantas outras facetas dessa vida complexa que é a vida dos Afetos. É no trânsito turbulento das relações grupais que podemos observar noções de parceria, individualidade própria, dependência, independência, noção de trabalho em conjunto, porque não dizer, noção de sociabilidade.

Num belo livro de questões filosóficas e existenciais, em forma de pequenos ensaios (“Episódio Humano – prosa – 1929-1930”, editoras Babel e Desiderata, 2007”), a nossa querida musa da literatura brasileira, Cecília Meireles escreveu em “Uma criatura sozinha” ---“Ah! Não houvesse dentro de nós esta visão sempre alerta que observa o curso da vida como um rio, distinguindo cada reflexo, cada brilho, cada tremor, cada mácula...Não houvesse este sentido oculto que mede até onde vão nossos desejos, que sabe o caminho que seguem nossas inquietudes, e a forma que toma nosso destino quando se mira nos destinos alheios!”... No fim, anoitece. Ali estamos. Que é da vida? Não se sabe. É assim. Os vultos passaram, levando nomes que os designam. E os dias passaram também. Mas deixaram seus espaços, alargando-nos o pensamento para mais longe. Passaram também nossas esperanças, com respostas ambíguas. Passaram nós. Nós? Não: passei “eu”, também. E deixei este resto de mim, como tudo aquilo que passa, para formar meu sonho nas horas pálidas em que somente eu e a lua nos contemplamos, na nossa fronteira solidão.”

“Fronteira solidão”, será que Cecília fala de “eu-com-tu”? Associo com um nome de um standar de jazz, não me recordo agora o autor, mas se chama ---“Alone together”. Olha que coisa profunda: sozinho com! É verdade, somos sozinhos e com os outros, pois uma relação amadurecida psiquicamente inclui a ideia de “juntos-separados”, caso contrário jamais passaríamos daquela fusão primeira que lembro acima.

E então, como é a vida hoje? Diante de uma cultura que cultua o Narcisismo, estamos juntos-separados, ou não existe o “Nós”? O “Eu”, este eu desesperado que hoje nasce dentro de uma sociedade que perdeu: a unidade familiar, a possibilidade de ter modelos para identificações, uma justiça injusta, pais despreparados para educar, um governo que pouco acolhe as necessidades básica de educação, saúde e noção do social, uma população minoritária que contém a riqueza em suas mãos, uma falta de compromisso com a defesa dos direitos humanos e um uso e abuso do outro como meio de exploração e minimização de inveja e voracidade, este “Eu” desconhece o “Nós”.

Retomo Cecília em seu ensaio: “Escutem bem: “eu”. Assim se faz uma criatura sozinha. Todas as criaturas carregam consigo essa palavra terrível? Todas estão fechadas assim no seu destino, trazidas por um acontecimento que não conhecem, aguardando a chegada de outro que não preveem?...Oh! Se fossemos mais amplos! Se outros braços se juntassem aos nossos braços, para suportarmos nas mãos os pesadíssimos céus resplandecentes!

ATÉ TU, LULA?, por PEDRO LUIZ RODRIGUES

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter boas e muito animadas conversas em particular com a presidente Dilma Rousseff. Mas quando está longe dela, o anjo vira um diabo de tanta maledicência.

Me engana que eu gosto....

 

Lula, pela influência que ainda exerce, deveria refletir melhor sobre o que fala, abstendo-se de, em público, criticar ou ficar a toda hora chamando a atenção da presidente Dilma Rousseff.  

Tudo parece desandar, é verdade, para onde se olhe na atuação do governo federal, não se identifica nenhum setor que justifique o otimismo.  Temos um ministro atuando como o cavaleiro solitário, o Lone Ranger das historias em quadrinho, chamado para ordem na bagunça. Mas do outro lado temos nada menos de 38 ministros que não querem saber de recursos escassos.

Mas exatamente por estar o  Brasil atravessando momento delicado, não é o melhor momento para criador ficar espicaçando sua criatura, retirando-lhe autoridade. 

Ontem, em desarrumada participação em cerimônia organizada na Associação Brasileira de Imprensa (ABI)  pela CUT e a Federação Única dos Petroleiros, Lula insinuou que a Presidente estivesse adotando a postura de ema (que em momentos difíceis enterra a cabeça no chão): tem de mudar essa postura, disse Lula referindo-se a Dilma, tem de levantar a cabeça e dizer ‘eu ganhei as eleições’! 

Há dias, Lula reclamou que Dilma havia destruído seu legado na esfera a política externa. Segundo relato da imprensa, não desmentido, no ano passado Lula convidou o ministro Luiz Alberto Figueiredo para uma conversa em São Paulo. Para saber o que tinha desandado na área, Lula insistia, Figueiredo desconversava, até que o ex-presidente foi a ponto: “É a Dilma, não é?”.

Desde o ano passado, Lula vem sistematicamente dando trancos em Dilma.  Em março, em almoço promovido pela Merril Lynch, disse, ferinamente, que já havia advertido a Presidente para que ela deixasse de atuar como uma ministra e assumisse de vez a Presidência da República:”  Tem de delegar, tem de ser mais líder e menos general”.

Em junho, em Porto Alegre, em evento patrocinado pelo jornal espanhol El País, Lula foi abundante em críticas contra a política econômica de nossa governanta-mor. No final do mesmo dia, o Instituto Lula desculpou-se pelos ataques do ex-presidente, alegando que eles haviam sido feitos em tom de brincadeira.

Em outubro, na reta final da campanha presidencial, foi a vez de uma meia-irmã de Lula, Lindinalva Silva, dar sua bordoada: ““Dilma já teve a chance dela. Em quatro anos não fez o que prometeu.”

Mais tarde no ano, Dilma foi apunhalada nas costas pelo secretário-geral da Presidência e pessoa da intimidade de Lula, Gilberto Carvalho. Em novembro, em entrevista à BBC, Carvalho disse sem qualquer constrangimento que comparativamente ao governo anterior, o de Dilma não conseguira avançar grande coisa.

Críticas à Presidente não são exclusividade de Lula. Não são poucos os  dirigentes tradicionais do PT a têm em baixa conta. Em setembro de 2013, o ex- -ministro da Casa Civil do governo Lula e mais influente dirigente do PT depois do ex-presidente, José Dirceu chamou Dilma de “incompetente” e desastrada, isso diante de uma dezena de convidados para um almoço, em Brasília.

Mas Dilma é a presidente do Brasil e esses ataques que lhe fazem do PT – gerados pela vocação original da agremiação, que é ser oposição -  só fazem comprometer ainda mais a governabilidade do  País.

Público pagante, por Míriam Leitão e Alvaro Gribel

A inflação chegou a 7,36% com a economia estagnada. Foi o dado do IPCA-15 divulgado ontem. Em dois meses, a taxa acumulada é metade da meta do ano. O aumento da energia elétrica em 12 meses é de quase 30%. Dez de 11 capitais pesquisadas pelo IBGE têm inflação acima do teto da meta. O IPCA-15 de 1,33% deve ser confirmado no IPCA do mês de fevereiro.

Até recentemente os economistas brasileiros achavam muito altas as taxas de inflação da Índia, que oscilaram de 7% a 11% entre 2006 e 2012. Os indianos eram o patinho feio inflacionário dos Brics, ao lado da Rússia, pois tinham taxas mais altas quando comparadas às da China, Brasil, e África do Sul. Hoje, a inflação no Brasil é maior que a da Índia, que tem se beneficiado muito da queda dos preços do petróleo, dos alimentos e da energia. O BC indiano está cortando juros.
Nas 11 capitais pesquisadas, apenas Salvador não está com a inflação acima do teto da meta, com 6,19%. As outras 10 estão com índices acima de 6,5%. O Rio de Janeiro é quem sofre mais com a alta dos preços, que dispararam 8,84% em um ano. O Rio passou quase todo 2014 com a inflação acima do teto, e agora se aproxima de 9%. Goiânia e Porto Alegre também têm índices na casa dos 8%. Recife, Brasília, Belém, Curitiba e São Paulo marcam inflação na casa de 7%.
A inflação é mais um caso de Dilma versus Dilma. Ela errou no governo passado, e a conta chegou no atual mandato. Os preços administrados foram contidos artificialmente e agora estão sendo corrigidos. Têm subido muito os grupos transporte e habitação.
Nos transportes, é o efeito da alta da gasolina e da volta da Cide, mas, em fevereiro, foi principalmente aumento de ônibus em todas as cidades pesquisadas. Há dois anos, o então ministro da Fazenda Guido Mantega ligou para prefeitos e governadores pedindo para que eles não reajustassem as tarifas de transporte público. Queria evitar que a inflação do mês de janeiro fosse alta demais. Em junho de 2013, no meio dos protestos, o governo segurou os pedágios nas rodovias federais.
Preço que é contido em um momento aparece em outro. A gasolina e o diesel foram mantidos com preços abaixo do que a Petrobras pagava no mercado internacional. Agora, quando cai a cotação lá fora, os combustíveis sobem aqui dentro. A consequência se viu ontem nas estradas: os caminhoneiros pararam rodovias em oito estados protestando contra o aumento do diesel e a alta dos pedágios. Além disso, o frete, o que eles recebem, não subiu. A paralisação em si já provoca efeitos econômicos. Há cidades desabastecidas e preços subindo. Isso produzirá mais inflação.
Há aumentos que acontecem num período do ano, como o do item educação, o que mais subiu no IPCA-15 de fevereiro. Há outros que vão incomodar o ano inteiro, como a energia. Além dos 29,5% de alta nos últimos 12 meses, o item vai continuar subindo pelos reajustes nas datas de cada concessionária e elevações extraordinárias que estão previstas. Vão subir porque o governo derrubou o preço artificialmente, desequilibrou as empresas financeiramente, deixou que elas pegassem empréstimos para serem cobrados do consumidor. É isso que fará o item habitação ficar alto o ano inteiro.
As projeções para a inflação de 2015 estão se distanciando do teto da meta de 6,5%. O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, estima que a inflação vá terminar o ano entre 7,5% e 8%. O Itaú Unibanco estima alta de 7,4%, a mesma projeção da consultoria Rosenberg Associados.
O IPCA-15 é uma espécie de prévia. Pega a metade de um mês e a metade do outro. E subiu em relação ao IPCA de janeiro, que deu 1,24%. Mesmo se essa aceleração não continuar, o IPCA do mês de janeiro deve ficar acima de 1%, o que elevaria a taxa em 12 meses para 7,6%.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, já havia avisado que esse seria o pior bimestre do ano e que em março a inflação em 12 meses começaria a cair. Tomara que seja só um momento ruim. Há muita pressão de alta. Uma delas é a do dólar. Há dias de queda, como ontem, mas a tendência tem sido de fortalecimento da moeda americana. O aumento do dólar tem efeito em vários produtos, inclusive a tarifa da energia de Itaipu. Dilma recebeu de Dilma uma pesada herança. E o público pagante somos todos nós.