domingo, 30 de novembro de 2014

As voltas que o mundo dá (deu no Ancelmo)

É só uma constatação. Zé Dirceu viajou de carro semana passada de Brasília a São Paulo, distância de uns 1 mil km, para provavelmente não ser vaiado no avião.
É uma tragédia pessoal para uma pessoa super querida no movimento estudantil nos anos rebeldes e mesmo como presidente nacional do PT.

Comentario meu--É Zé, você confiou e se ferrou....pena. Coragem!

Recreio (The i-Piaui Herald)

Marta Suplicy deixa Ministério da Cultura para fazer Pronatec

Marta Suplicy deixa Ministério da Cultura para fazer Pronatec                             A ex-ministra foi flagrada correndo nua em Brasília

CEU - Após flagrar um cidadão usando seu Vale Cultura para comprar um livro de Olavo de Carvalho, Marta Suplicy pediu demissão do ministério. "Assim fica inviável relaxar e gozar", lamentou. Numa clara tentativa de galgar uma cadeira na ABL, Marta escreveu uma contundente carta de demissão:
"Nonada. Pitacos que a senhora ouviu foram da ordem de uma equipe econômica independente, Deus esteja. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, er­roso, os olhos de nem ser — se viu —; e com máscara de cachorro. Cara de gente, cara de cão: deter­mi­naram — era o mercado", rascunhou.
Num suspiro aliviado, entoou um ré menor: "Quantas e quantas vezes uma mulher deve se reeleger / Até que seja chamada de presidenta". Pausa. "A resposta, meus amigos, está soprando no vento", concluiu, com os olhos marejados.
Após iniciar, com sucesso, o Plano de Aceleração das Demissões, Dilma enviou um bilhete para Guido Mantega. "Quem pedir o chapéu até o final do mês terá prioridade para se inscrever no Pronatec. Marta, por exemplo, fará o curso técnico em arte circense", revelou.

Ao saber do ocorrido, Lula ameaçou pedir demissão do cargo de ex-presidente em exercício.

A MULHER QUE NÃO ACEITA CONSELHOS, por Carlos Chagas

Conselhos, Dilma não aceitava sequer de Leonel Brizola, mesmo tendo sido fundadora do PDT. De lá para cá, aumentaram sua presunção e arrogância, exceção aberta apenas para o Lula, e, mesmo assim, sem cumprir a maior parte das recomendações que tem recebido.
Dessa forma, são diminutas as possibilidades de a presidente seguir a mais preciosa das sugestões a ela feitas em meio à violenta crise de credibilidade que afeta seu governo. Coube ao senador Pedro Simon, da tribuna, propor a Dilma seguir o exemplo de Itamar Franco, talvez o único presidente da Nova República a ostentar imagem aceita pela maioria da população.
Deveria a chefe do governo, enquanto há tempo, reunir os presidentes de todos os partidos, mesmo os de aluguel, expondo-lhes a necessidade de uma política comum de salvação nacional. Ainda que boa parte dos dirigentes partidários seja olhada de viés pela opinião pública, o conjunto supriria as deficiências de cada parte. A pauta seria a composição de um ministério onde os partidos abririam mão de seus feudos e apoiariam, fora do fisiologismo em voga, uma equipe selecionada entre os melhores de cada setor. Mesmo que nenhum deles pertencesse a partidos ou grupos partidários.
Concluiu o senador gaúcho que o Congresso daria respaldo a um amplo programa de recuperação econômica e política, dada a premência com que se torna imprescindível mudar as instituições para evitar a desagregação nacional. Seria impossível negar apoio a um plano situado acima e além das querelas políticas e partidárias de hoje,
Querem saber quando a presidente Dilma adotará essa estratégia? Nem no dia em que o Sargento Garcia prender o Zorro. Menos por sua subordinação ao Lula, mais pela sua personalidade singular de dona de todas as verdades absolutas.
Pedro Simon não perdeu seu tempo ao propor uma saída para a crise que nos assola. Afinal, está encerrando uma carreira de 32 anos no Senado, depois de haver sido ministro, líder de governo e governador do Rio Grande do Sul. Foi, e continua sendo, antes de tudo, um dos pilares em que se assentou a reconstrução da democracia no país, bem como um arauto, raras vezes ouvido, de soluções éticas para rompermos o cipoal em que sucessivos governos, depois de Itamar Franco, nos aprisionaram.
Volta aos pampas, mas com uma agenda de fazer inveja: vai atender às centenas de convites recebidos para falar aos jovens, nas universidades e sucedâneos, demonstrando que apesar dos percalços, o Brasil tem saída. Pelo menos, há quem se anime a apontá-la.
QUANTO PIOR, MELHOR--ha descaminhos que tornam-se caminhos...
Recém eleito para a Câmara dos Deputados, depois de dois mandatos de senador, o ex-governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, foi sondado para candidatar-se à presidência da Câmara. Recusou com veemência, dizendo que seu candidato é Eduardo Cunha. Diante da surpresa de companheiros que concordam ser Eduardo Cunha a pior das soluções, fisiologicamente falando, Vasconcelos explicou a opção. Para ele, o atual líder do PMDB é o que de mais nocivo poderia acontecer para o Congresso. Seria a explosão final das estruturas políticas atuais. Depois, alguma coisa acontecerá em termos de mudanças fundamentais. Por isso, é eleitor de Eduardo Cunha…

Petrobras: os primeiros políticos implicados seriam… por Luiz Flávio Gomes

01. NUNCA ANTES NESTE PAÍS tantos políticos foram implicados num único escândalo: Humberto Costa (senador, PT-PE: teria recebido R$ 1 milhão), Sérgio Guerra (senador, PSDB-PE: R$ 10 milhões), José Janene (deputado, PP-PR: de 1% a 3% dos contratos superfaturados), Renan Calheiros (senador, PMDB-AL: R$ 400 mil), Gleisi Hoffmann (senadora, PT-PR: R$ 1 milhão) e Eduardo Campos (ex-governador, PSB-PE: R$ 20 milhões). Somente o delator Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras) teria citado 32 parlamentares, além de outros políticos (Estadão 23/11/14). A maioria dos nomes está sob sigilo, no STF. Várias outras delações estão sendo feitas (Youssef, Barusco, Renato Duque etc.).
02 Alguns dos nomes citados já morreram (Sérgio Guerra, Eduardo Campos e José Janene). Todos os demais políticos assim como seus respectivos partidos negam o recebimento de qualquer quantia de forma ilegal. Os executivos e presidentes das empreiteiras optaram pelo silêncio ou disseram que foram “extorquidos”. Muita tarefa probatória pela frente. O ministro do STF, Teori Zavascki, quando da homologação da delação premiada de Paulo Roberto Costa, sublinhou: “Há elementos indicativos, a partir dos termos do depoimento [de PRC], de possível envolvimento de várias autoridades, inclusive de parlamentares federais”. Ninguém sabe quais serão os efeitos políticos do escândalo.

03. NUNCA ANTES NESTE PAÍS a Justiça teve acesso a tantas provas (ainda precárias, porque não submetidas ao crivo do Judiciário) sobre o que todos sabiam, mas que ela nunca tinha em seu domínio de forma volumosa: há, não só na política e nos órgãos públicos (no Estado), senão também (e, sobretudo) no mercado(especialmente no nacional), incontáveis pessoas sem qualidades, que sempre acumularam fortunas de forma ilícita. Os internautas digladiadores, de tão centrados nos seus alvos prediletos (os partidos e os políticos adversários), muitas vezes se mostram cegos para a realidade do mercado corrupto e da abrangência do escândalo (que vergasta não somente o PT, senão todos os grandes partidos do país). Não atinam para o fato de que o novo sistema de liberdade constitucional, suscitado engenhosamente para corrigir e extirpar os abusos do pretérito despotismo militar, fulcrado na exploração dos menos favorecidos, se fez democraticamente cúmplice obsequioso das oligarquias reinantes, abrindo-lhes as portas de forma solene e servil, dando-lhes legitimação política.
04. O escândalo da Petrobras (cujos efeitos políticos são absolutamente imprevisíveis) não revela apenas mais uma faceta das crises cíclicas presentes em todos os países, crises típicas do crescimento ou da estagnação das nações. Ele escancara um tipo de crise final, entendida não como o fim do país ou da Petrobras ou do povo brasileiro, sim, como patente e progressiva impossibilidade de subsistência do nosso modelo de organização social, administrativa, jurídica e política. Não se trata de uma suposição conectada com o futuro, sim, cuida-se de uma realidade, de uma constatação do que está acontecendo hoje no nosso país.
05. Civilização ou barbárie? Chegamos a uma encruzilhada muito delicada, porque a alternativa à civilização que é vista no horizonte é a da barbárie da máfia. O Brasil, tal como a Sicília e o México, pode se converter num dos países mais mafiosos do planeta (caso não tome o rumo da civilização das suas instituições políticas, econômicas, jurídicas e sociais). Nos países mafiosos o crime organizado invade até às vísceras a política, a polícia e a Justiça, desenvolvendo seus “negócios” por meio da fraude, da corrupção, da ameaça, da violência, do medo e da omertà = silêncio. O Brasil, pelo que se sabe, ainda não chegou a esse ponto, porque ainda não houve a junção dos vários crimes organizados que atuam no país (o dos poderes privados, como o PCC, o das milícias, o das polícias e o político-empresarial, que protagoniza o escândalo da Petrobras). Mas essa combinação de fatores e de procedimentos estaria afastada?

Saiba mais:
06. O fato de que alguns crimes organizados estejam se enriquecendo cada vez mais (esse é o caso do PCC, do crime político-empresarial que está dizimando a Petrobras etc.), de forma absurdamente criminosa, mediante os expedientes da fraude de licitações, da sonegação fiscal e da ilicitude dos contratos e serviços, não significa boa saúde para nossa decrépita e fúnebre organização social, ao contrário, a acumulação de capital, quanto mais injusta e/ou corrupta, mais exterioriza a fraqueza do grupo, cujas patologias graves são públicas e notórias, em razão, sobretudo, das formas selvagens de exploração do humano, da natureza, do Estado, do Direito e das próprias instituições. Criamos uma anômala organização social em que a extrema desigualdade se perpetua e se agrava a cada dia, sobretudo por meio de expedientes ilícitos que sempre permearam a vida de todos os governos bem como de todos os maiores partidos políticos do país, cujos seguidores, com viseira limitadora, só conseguem ver o mal nos seus contrários.
07. Muitos dos estimados leitores podem não concordar com nossa tese (de que nos encontramos nos estertores de uma crise que já se aproxima velozmente do seu final, exigindo de todos nós a tomada de uma posição firme, que se bifurca entre a civilização e a barbárie mafiosa), que seria exagerada e, em última análise, misantrópica, porém, a rigor, se trata de um quadro sombrio e carregado fundado na realidade nua e crua do nosso país, cada vez mais violento, fraudulento, corrupto, parasitário, desigual, ignorante, segregado e intolerante. Somos um país com violência epidêmica (particularmente a partir de 1980), corrupção endêmica, desigualdade obscênica, escolaridade anêmica e fraqueza institucional sistêmica, tudo isso protagonizado por uma sociedade anômica (anomia = ausência ou ineficácia das normas). Por acaso não era esse o cenário assombroso vivido pela Sicília nos séculos XVIII e XIX, até se converter no berço da máfia?
08. Por acaso esse não é o mesmo cenário pungentemente descrito no livro O leopardo, do escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896-1957), que se transformou em filme pelo cineastra italiano Luchino Visconti (com Burt Lancester, Alain Delon e Claudia Cardinale)? Vista nossa realidade com imparcialidade (e muita preocupação), será que o mal que tomou conta do país (desde seu descobrimento), mal que anda carcomendo todas as relações sociais assim como as instituições, não teria semelhanças com paisagens e cenários históricos de outras plagas? Como negar que o crime organizado já se apoderou de grandes parcelas dos poderes instituídos? Não seria grande ingenuidade não ver no escândalo da Petrobras somente a ponta de um iceberg monstruoso composto por uma troyka maligna (agentes públicos + agentes econômicos + agentes financeiros) que não tem outro escopo senão o de promover a pilhagem do patrimônio público por meio de uma parceria público/privada (PPP-PPP)?
09. A paisagem do livro O leopardo encontra enorme eco na nossa realidade, que se agrava a cada dia em razão da corrupção, da violência e da miséria. Caminhamos para uma situação de absoluto desespero, mesclado com ira e indignação, o que sugere mudanças radicais em favor da civilização ou todos sucumbiremos aos métodos mafiosos, nascidos na Sicilia, a partir de um cenário muito semelhante. Quando a Justiça e o Estado de Direito se esvanecem, nos descarrilhamos naturalmente para a lei da selva, ou seja, a lei do mais forte, que conduz a nação não com a força do Direito, sim, com o direito da força, da violência, da corrupção, do engodo, do medo e da omertà (silêncio). No final do escândalo da Petrobras, que nada mais significa que a metástase da organização social que fundamos há cinco séculos, será que não ficaremos todos novamente estarrecidos (mas ao mesmo tempo indiferentes) com a atualidade daquela famosa frase do príncipe de Falconeri (do livro O leopardo), que dizia “tudo deve mudar para que tudo fique como está”?
Comentario meu---o link abaixo é convidativo. Entretanto ponderemos--nao seria mais adequado REGULAMENTAR a PROFISSAO??? Como todos os que trabalham--CV, Carteira assinada, limites de IDADE, listas de INELEGIVEIS--tem processo em curso, DIREITOS suspensos até SENTENCA DEFINITIVA--etc.....
P. S. Participe do nosso movimento fim da reeleição (veja http://fimdopoliticoprofissional.com.br/. Baixe o formulário e colete assinaturas. Avante!

sábado, 29 de novembro de 2014

Depois do vendaval, por Nelson Motta

Em Lisboa, estou me sentindo como se estivesse no Brasil: o ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates foi preso no aeroporto, chegando de Paris, pilhado com pelo menos 20 milhões de euros de negociatas depositados num banco suíço. Nunca na história desse país, ó pá. E logo um socialista, que sempre se alardeou homem de vida e posses modestas, lutando pelos pobres e oprimidos.

Depois de deixar o poder, com o governo socialista derrubado pela crise econômica que quebrou Portugal, Sócrates estava estudando Filosofia em Paris e morando num belo apartamento de milhões de euros, aparentemente alugado, mas na verdade de um testa de ferro, também preso, além do seu motorista Pedro Perna, que levava o dinheiro vivo para Paris periodicamente. Ah, os motoristas e secretárias, o que seria dos corruptos sem eles?
José Socrates (abaixo)
Portugal legislative elections 2011: Socialist leader Jose Socrates

Falando em Itália, quem acompanhou de perto a devastação provocada pela Operação Mãos Limpas, que investigou 872 empresários, 1.978 administradores e 438 parlamentares, entre eles quatro ex-primeiros-ministros, e levou centenas à prisão, não tem dúvidas: com o fim dos partidos tradicionais, mas sem uma reforma política, criou-se o vácuo em que apareceu Berlusconi, que ficou 20 anos no poder. E deixou a Itália pior do que antes da Mãos Limpas, com a segunda geração de partidos mais suja e execrada do que a primeira.

A elite das elites de que Lula tanto fala caiu no arrastão da Lava-Jato, com amigos e companheiros empresários, administradores, partidos e políticos unidos para saquear a Petrobras. Espera-se que todos sejam condenados e punidos, mas depois do vendaval é que mora o maior perigo: sem uma profunda reforma política, um Berlusconi tropical


'O BRASIL PRECISA DE MAIS TRANSPARÊNCIA SOBRE RENDA E RIQUEZA' --Thomas Piketty


Depois da tiragem inicial de 50 mil cópias, outras duas de 30 mil foram encomendadas. Apesar da piora do cenário, Piketty diz ser necessário convencer grande parte da sociedade que a globalização trabalha para todo mundo. "Há um risco de não termos boas políticas para convencer grande parte da sociedade de que a globalização pode trabalhar para elas, para todos, e não apenas para as multinacionais", afirmou. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.
 


O economista francês Thomas Piketty entrou no centro da discussão econômica mundial ao lançar o livro O Capital no Século XXI. Nele, o autor mostrou um aumento da concentração de renda nas economias centrais. 
A obra fez de Piketty um dos economistas mais conhecidos e populares mundialmente, embora também tenha recebido críticas. A obra recém-lançada não analisa a situação brasileira, mas nem por isso despertou menos interesse. 
Como o sr. analisa a repercussão do livro tanto no Brasil como internacionalmente?
Tentei escrever um livro acessível, que pudesse ser lido por qualquer um. Seu sucesso mostra que as pessoas se importam com os problemas econômicos e não querem deixar que outros decidam essas questões por elas. Eu acredito que o livro esteja colaborando para isso, com as pessoas podendo fazer sua própria cabeça sobre renda, riqueza e capital. São questões muito importantes para serem deixadas apenas para os economistas.
O sr. acredita que é possível que o livro traga essa mudança?
Acredito no poder do livro, das ideias. Creio que ele pode contribuir para transformar a opinião pública - mas é apenas uma parte da influência. A democratização do conhecimento econômico é um importante passo se quisermos uma sociedade mais democrática.
Estamos distantes dessa sociedade?
Nós fizemos alguns progressos. A pobreza foi reduzida, e a desigualdade está menor em algumas países do que era há um século. Mas alguns desses progressos são frágeis e dependem de políticas e instituições. Há um risco se não adotarmos as políticas corretas. A principal mensagem do livro é que é preciso mais transparência com a riqueza, para podermos adaptar as políticas e instituições. Seria um grande erro deixar que as forças do mercado resolvam o problema para nós.
Embora não tenha estudado a situação brasileira, alguns dados mostram uma piora como o aumento da extrema pobreza.  
Como o sr. analisa o Brasil?
A pobreza foi muito reduzida no Brasil. E isso foi bom. Mas a desigualdade ainda é extremamente grande. O Brasil continua um país muito desigual, e provavelmente há mais desigualdade no Brasil do que se pode medir pelas estatísticas oficias. Eu devo mencionar que a razão pela qual nós não incluímos o Brasil na nossa base de dados é que, até agora, foi impossível acessar os dados de Imposto de Renda no País. Acredito que o Brasil precisa de mais transparência sobre renda e riqueza. É muito importante que haja acesso mais livre às estatísticas de Imposto de Renda para que se possa entender melhor qual é a diferença social entre os grupos. Isso também pode ajudar a trazer mais confiança no governo.
Mas o sr. acredita que os brasileiros que estão no topo da pirâmide gostariam que esses dados se tornassem públicos?
Talvez eles não gostariam. Isso é parte do problema. Às vezes, as pessoas têm medo da transparência. Mas, no fim das contas, todos são beneficiados pela transparência. Se não criamos formas de confiar no governo e no sistema de tributação, todos perdem. Se nós quisermos manter a globalização, é importante mostrar que todos são beneficiados por ela. A falta de transparência pode gerar uma desconfiança na economia.
O sistema tributário do Brasil taxa mais o consumo do que a renda. Temos uma das mais altas taxa de juros. É fácil para o Brasil reduzir a desigualdade?
O sistema tributário do Brasil não é muito progressivo. De muitas maneiras, é regressivo, porque a taxação indireta é muito forte - o que faz com que os mais pobres e a classe média paguem pesadas taxas no consumo. Acredito que é possível reduzir a taxação indireta e aumentar a taxação progressiva na renda e na propriedade. Se olharmos para a taxação do Imposto de Renda, o topo recolhido não é muito alto no Brasil, cerca de 27%. A taxa sobre a tributação em propriedade também é baixa, assim como nos casos de herança. Acredito que o Brasil tem um caminho para ter um sistema de tributação mais progressivo, o que é uma parte da solução para reduzir a desigualdade no País.
E existem outras políticas?
As outras políticas são as educacionais e de salário mínimo. Todas essas políticas são importantes e complementares.
A sociedade brasileira já reclama dos altos impostos. É fácil mudar a lógica para tributar mais renda?
É sempre complicado construir a confiança no sistema de tributação. Leva muito tempo. Mas é importante ter mais transparência com o objetivo de ter um progresso. É importante mostrar para todo mundo quanto os grupos estão pagando.
Por quê?
De outra maneira, as pessoas sentem que estão pagando mais do que outros grupos. Em particular, os mais pobres e a classe média acreditam que algumas pessoas são mais ricas e pagam menos impostos. Então, é muito difícil ter confiança num sistema desse e fazer com que as pessoas concordem em pagar mais por escolas, hospitais e serviços públicos. Se você quer criar mais consentimento coletivo para pagar mais pelo serviço público, é muito importante ter mais transparência e mostrar quanto as pessoas estão pagando. Como disse, no Brasil, até agora, é impossível acessar qualquer informação de Imposto de Renda, e é muito difícil criar confiança se os dados não são revelados.
Os desafios das economias que o sr. analisa no livro são os mesmos que estão presentes na economia do Brasil?
Algumas soluções são as mesmas em todos os países, mas algumas são diferentes. Nos Estados Unidos, o aumento da desigualdade foi maior; na Europa, foi menor, e o problema europeu se dá mais em como organizar a União Europeia e a zona do euro.
Como assim?
Na Europa, temos um sério problema. É muito difícil ter uma moeda única, com 18 diferentes déficits públicos. Então, é um problema específico para a Europa. Na China, é muito diferente. O governo, até agora, não quer ter mais transparência no sistema de taxação. Falando de uma forma geral, os países emergentes têm muito a perder com a falta de transparência dos dados, mas muito para ganhar com mais transparência e informações mais completas sobre renda e riqueza.
Se nada mudar, e a desigualdade continuar crescendo, o que pode acontecer?
O principal risco para mim é que, se a gente não resolver os nossos problemas domésticos de forma pacífica, podem surgir soluções consideradas nacionalistas. De forma geral, quando não se encontram boas soluções para as questões domésticas, é muito fácil as pessoas acharem culpados, como trabalhadores estrangeiros e outros países. E, se não tivermos boas políticas para convencer grande parte da sociedade de que a globalização pode trabalhar para todos, há um risco de que grandes grupos da sociedade busquem soluções nacionalistas. E isso pode ser ruim, porque eu acredito na globalização, que eu acho que trouxe ganhos positivos.
O sr. vê um sinal dessas soluções extremistas, como os partidos radicais ganhando forma na Europa?
Sim. É um sinal. Na França, o partido extremista está indo muito bem. Na Europa, as pessoas estão tentando culpar outros países. A França e a Itália estão culpando a Alemanha, que está culpando outras economias. É uma situação muito perigosa. Eu sou a favor de mais união política e fiscal entre os países da Europa. Mas os governos da região não estão fazendo propostas, mas apenas esperando a situação melhorar. Já em outras partes do mundo há movimentos de antiglobalização. Às vezes, eu posso entender. Acredito que, se não colocarmos as políticas corretas para fazer todos se beneficiarem da globalização, haverá um risco.
Diante dessa piora, o que aconteceu com a sociedade de bem-estar social da Europa, que sempre serviu de modelo para o mundo?
Esse modelo ainda continua existindo e ainda é uma inspiração para o futuro, mas precisa ser reformado e modernizado. O sistema de pensão na França, por exemplo, é extremamente complexo e foi construído por partes. É preciso simplificá-lo, mas não desmantelá-lo, e sim torná-lo mais eficiente e produtivo. Acredito que é possível reformar o sistema para fazer esse estado de bem-estar social ainda melhor. O problema não é desmantelar esse modelo, mas torná-lo mais universal. É preciso adaptar os projetos. É importante mostrar que reformar o Estado de bem-estar social pode ser uma forma de melhorá-lo.
LUIZ GUILHERME GERBELLI - O Estado S.Paulo 

Jaguar: Noca (porta-voz do povão) II--O Dia

Rio - Nunca antes neste retângulo uma crônica teve continuação. Mas a entrevista do Noca merece. Vamos lá.
Paulo Cesar de Andrade: Qual a sua música que você mais gosta de ouvir?
Noca: Música é como filho, tenho centenas deles. No meu novo CD (‘Samba Verdadeiro, a entrevista é de 1998) gosto de ‘País dos Sem’. Com esta música me considero o Porta-Voz do povo brasileiro, que não tem acesso aos dirigentes.

Jaguar: Fale das suas relações com Ulysses, Tancredo. E do FH, quando ainda era um dos nossos.
Noca: Conheci esse pessoal através do Márcio Moreira Alves, o Marcito. Quando fiz o ‘Samba da Virada’, fiquei feliz por ter contribuído para o Brasil chegar à Democracia.
Jaguar: Guardou alguma mágoa?
Noca: Em 82, cedi a música sem cobrar direitos. Quase todos do PMDB foram eleitos, ninguém me agradeceu.
Jaguar: Você poderia ter se enchido de grana. Nunca acordou de madrugada pensando nas contas a pagar e se arrependeu de ter cedido os direitos?
Noca: Será que banquei o Mané nesta jogada? Mas não me arrependo de ter feito a minha parte por um país melhor.
Jaguar: Nunca entendi como você conseguia ser boêmio e feirante.
Noca: Às vezes eu saía do jogo de ronda — eu era craque, ganhei muito dinheiro jogando — direto para a feira. Algumas senhoras diziam que tinha me visto na televisão, no programa de Flávio Cavalcanti. Eu dizia: ‘Não, madame, aquele é meu irmão gêmeo’. ‘Mas você não é o Noca?’ ‘Sou. Mas o meu irmão é tão gêmeo que também se chama Noca’.
Jaguar: Uma coisa que sempre me intrigou é a alegria dos feirantes. Dão um duro danado mas estão sempre alegres.
Noca: É uma grande família. A feira não pode acabar.Sem ela o pobre vai ficar sem ter o que comer.
Paulo César: Qual foi o seu primeiro disco gravado?
Noca: Foi em 1954. ‘Marlene, meu bem’. As fãs da Emilinha ficaram tiriricas da vida.
Jaguar: Enquanto as macacas de auditório se engalfinhavam, as duas, na moita,eram amigas. Um golpe de marketing, antes de inventarem a palavra marketing.
Noca: As duas gravaram músicas minhas. Uma vez, no Maracanã, eu estava na pior,de chinelo, a galera cantava a música da Marlene. Quando eu disse que era o autor da música, um cara chamou a polícia. A sorte é que tinha documentos provando que era o Noca.
Paulo César: Quando vai sair aquele feijão esperto da dona Conceição?
Noca: Sem menosprezar o fogão de dona Zica, é a maior cozinheira do Brasil. Jaguar: O que te deu alegria?
Noca: Ver, com meu coração azul e branco, a Portela desfilar na Avenida.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O problema econômico é da doutora , por Elio Gaspari --O Globo--

Terminou o mandarinato do ministro Guido Mantega, resta saber se ele teve algo a ver com isso

A maior injustiça que se pode cometer com Guido Mantega é atribuir-lhe alguma participação no mau estado da economia nacional. Desde a implosão de Antonio Palocci, em 2006, esse cargo foi ocupado por Dilma Rousseff. Primeiro ela foi uma poderosa chefe da Casa Civil. Depois, acumulou o ministério com as funções de presidente da República. Como ela mesma anunciou em sua campanha, “governo novo, ideias novas”. Quais são as ideias, não se sabe direito, mas, se ela não tiver ministro da Fazenda, o que vem por aí será mais do mesmo.
Pode-se deixar de lado as grandes decisões de política econômica, pois quem foi eleita foi ela. Antes dos macroproblemas há outro, simples e essencial. O presidente preside e o ministro segue suas decisões. Se aquilo que o ministro quer fazer não confere com os desejos do presidente, ele é mandado embora. Se o mandam fazer o contrário do que foi combinado, é ele quem pede o chapéu. Desde que Pedro Malan deixou o Ministério da Fazenda essa escrita foi rompida. Detonado numa breve polêmica com a doutora, Antonio Palocci foi ficando, até que acabou perdendo o cargo por motivos estranhos ao desempenho econômico do governo. Guido Mantega substituiu-o e também foi ficando.
Durante os oito anos em que Pedro Malan foi ministro da Fazenda, toureou divergências internas do tucanato com uma bala de prata encostada na têmpora e o dedo no gatilho. Em diversas ocasiões mostrou ao presidente Fernando Henrique Cardoso que podia ir embora. Um desses episódios mostra como o tempo passa e a discussão é a mesma. Malan era conhecido pela sua retranca e o ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, disse num evento público que “desenvolvimento tem que se traduzir em renda e emprego”. Mais: “O ministro Malan concorda comigo. Dá, sim, para arriscar mais, para ousar mais. (...) Apressar o passo na retomada do crescimento não trará o apocalipse. E o excesso de cautela, a essa altura, será outro nome para a covardia.”
Malan estava na cena e ouviu calado. Dois dias depois Carvalho foi mandado embora. Se ele não fosse, Malan iria. Em outras ocasiões, até mesmo em episódios menores, porém demarcadores de território, Malan mostrou a bala de prata a FH.
Olhando-se para a biografia de Malan, sabe-se que é um homem frio e elegante. Jamais sairia batendo a porta, mas também não ficaria ficando. O mérito da sua permanência no ministério esteve no fato de que Fernando Henrique era presidente da República e estava entre as suas atribuições a administração de divergências na equipe. Tendo sido ministro da Fazenda, desencarnou.
Um ministro que trabalhe com um olho nas contas e outro no comissário Aloizio Mercadante ou nos conselheiros avulsos do Alvorada é receita certa para o desastre. No caso atual, essa dificuldade se agrava. Quem viu nas palavras de Clóvis Carvalho alguma semelhança com o que disse a doutora Dilma durante a campanha não deve achar que está diante de uma coincidência. O pensamento é o mesmo, pode ter variado apenas a sinceridade.
Se Dilma Rousseff assumir a Presidência, dispensando-se das funções de ministra da Fazenda, algo de bom pode acontecer. Do contrário, no fim do ano que vem é possível que haja gente com saudades de Guido Mantega.
Elio Gaspari é jornalista

Chegamos no fim do mundo da corrupção? por Joaquim Falcão, Professor da FGV Direito Rio

Será? Difícil saber. Por isso, sempre é bom comparar e entender o que ocorre aqui no Brasil com o que  ocorre no resto do mundo.
Por exemplo: segundo pesquisas mencionadas pelo Financial Times, entre 2009 e 2013, os 12 maiores bancos globais - não se inclui nenhum brasileiro - pagaram às autoridades monetárias europeias e americanas cerca de 105.4 bilhões de libras, ou seja, aproximadamente 420 bilhões de reais em multas por crimes financeiros. Em apenas 4 anos!

 Corrupção custa caro (Foto: Arquivo Google)
Mais ainda. Os mesmos bancos já fizeram provisões para multas futuras no valor de 61.23 bilhões de libras, ou quase 245 bilhões de reais.
Mais ainda, na penúltima quarta feira, as mesmas autoridades já multaram os seis maiores bancos em novos 4.3 bilhões de dólares, ou seja praticamente 11 bilhões de reais.
Essas multas por crimes financeiros referem-se a manipulações de venda de hipotecas, de taxas interbancárias e do índice Libor. Não tem governo envolvido.
É crime do mercado contra o mercado. É corrupção do mercado contra o mercado. Banco contra investidor, cliente, outros bancos, contra o mercado, enfim.
Desde 2008, estes crimes e multas parecem se multiplicar. O que, por um lado, pode significar que as autoridades estatais estão mais atentas e eficazes diante de práticas que existem e existiam.
Por outro, cria uma grande insegurança financeira global. Para que exista capitalismo construtivo, é preciso que exista uma competição bancária onde nenhum banco ultrapasse os limites do jogo.
Enquanto for financeiramente mais interessante para os infratores das regras cometer o crime, ser multado, mas continuar no mercado, não haverá a competição saudável necessária para os mercados e investimentos. Nem aqui, nem acolá.
Ou seja, crimes, corrupções, que são definidos diferentemente em cada país, além de questão moral, e constitucional, é, para muitos, apenas uma questão de cálculo sobre o retorno financeiro da ilegalidade.
Joaquim Falcão  é Professor da FGV Direito Rio
 

Temporada em BÚZIUS--Casa do Barao...vai quem gosta!





Em busca da credibilidade perdida, por Murillo de Aragão

Sabotados por setores do PT, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula travaram uma luta interna para impor os nomes de Joaquim Levy e Nelson Barbosa no comando da equipe econômica. A resistência é grande e há vários motivos: preconceito, medo e ideologia. Levy não goza da simpatia nem do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, nem do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Parte do PT teme que a ortodoxia de Levy termine contaminando todo o governo.
                                Joaquim Levy (Foto: Wilson Dias / Agência Brasil)
                                                                      Joaquim Levy (Imagem: Wilson Dias / Agência Brasil)
Outros temem o futuro. Caso Levy funcione bem, Dilma se transformará em uma poderosa eleitora e dependerá pouco da máquina do partido. Caso Levy não funcione bem, o PT naufragará junto com Dilma. Considerando a situação do país, não há muito o que fazer de diferente. Dilma terá de “peitar” o partido e seus aliados de ideias heterodoxas e ficar com a dupla Levy-Barbosa.
Fracassando na economia, o governo pode viver momentos de grande instabilidade, mas as mudanças são essenciais para manter o status quo. Mais ou menos na linha do que preconizou o príncipe de Falconeri, personagem do extraordinário escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa.
Levy e Barbosa vêm de extratos econômicos diferentes. Levy é mais “clássico” e ortodoxo. Barbosa é mais heterodoxo. Mas ambos têm um ponto em comum: a certeza de que o Brasil precisa recuperar a credibilidade econômica por meio de políticas fiscal, monetária e cambial sólidas.
Apesar do aparente retrocesso com a recusa de Luiz Trabuco para a Fazenda, a possível ida de Joaquim Levy para a pasta compensa em muito. Mesmo não tendo o carisma da presidência do Bradesco no currículo, como Trabuco, Levy é considerado – com toda a justiça – um dos melhores quadros econômicos do país.
As informações vazadas de que Dilma pretende indicar um quarteto forte para pastas economicamente importantes revelam que o governo corre atrás do tempo perdido. É um bom sinal que ficou evidenciado no comportamento da bolsa no final da semana passada.
A eventual escolha de dois presidentes de confederações empresariais – Armando Monteiro, ex-presidente da CNI, e Katia Abreu, presidente da CNA – mostra que Dilma tenciona reforçar seu diálogo com o setor. Outra boa iniciativa para recuperar a credibilidade.
No caso de Katia Abreu, existe uma tarefa adicional, que é compor a indicação com o PMDB, que se sentiu “by passado” pelo vazamento das intenções de Dilma. Coisas do protocolo da política que não são bem observadas nos tempos atuais.
Dilma sabe que uma imensa tempestade está se armando com o avanço das investigações em torno do Petrolão. Recuperar a credibilidade econômica é uma obrigação para dar estabilidade a seu mandato.
É certo afirmar que, na semana passada, Dilma e seu governo passaram a emitir sinais de maior pragmatismo e que Lula vem desempenhando papel fundamental para estabilizar as expectativas.
Em se consolidando essa nova direção, a presidente não apenas se respalda para as turbulências da política como cria condições para um período econômico melhor.
E para ficar melhor ainda, Dilma deve ser muito clara no sentido de dar autonomia ao novo ministro. O Brasil necessita ter uma equipe econômica tecnicamente confiável  e com espaço para trabalhar.
Murillo de Aragão é cientista político

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Reforma imigratória de Obama pode beneficiar 22 mil brasileiros---BBC-Brasil

A reforma imigratória anunciada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, pode beneficiar cerca de 22 mil brasileiros em um universo de 3,85 milhões de imigrantes irregulares que devem passar a receber proteção no país, segundo um novo levantamento do instituto Pew Research Center.
Na semana passada, Obama desafiou o Congresso americano ao assinar a ação executiva da reforma, que deve evitar, ao menos temporariamente, a deportação de imigrantes e que se aplica, sobretudo, aos que estão no país há ao menos cinco anos e são pais de crianças cidadãs ou residentes nos Estados Unidos.
Ainda que o plano do presidente não ofereça cidadania ou garanta a esses imigrantes os mesmos direitos que os dos cidadãos americanos, faz com que eles estejam aptos a receber vistos de trabalho de até três anos e fiquem protegidos de deportações.
  • Reforma imigratória de Obama pode beneficiar 22 mil brasileiros
Reforma pode evitar deportação de mais 3,85 milhões de imigrantes  (Foto: Getty Images)Reforma pode evitar deportação de mais 3,85 milhões de imigrantes (Imagem: Getty Images)

Conheça os conselhos para não entrar em furada na Black Friday:(deu no Ancelmo)


"1. Em cada compra pela internet, salve e/ou imprima a tela do site com a oferta inicial e o prazo de entrega do produto, bem como a tela de confirmação da compra. É importante ter a comprovação de tudo que foi ofertado pela empresa.
2. Busque os sites que apresentem a identificação completa da loja, com CNPJ, endereço físico e telefone fixo, oferecendo outras formas de contato além do e-mail e celular.

3. Se a empresa prometeu desconto em determinado produto, exibindo o menor preço na vitrine ou na tela inicial da internet, a oferta deve ser sempre cumprida conforme divulgada.

4. Na hora da compra, o site deve informar o prazo de entrega e se o produto está disponível em estoque.

5. Qualquer produto comprado pela internet ou por telefone pode ser trocado em até sete dias do recebimento, ainda que não tenha qualquer defeito, bastando o arrependimento do consumidor.

6. Lembre-se que, se o produto apresentar defeito, o prazo para reclamação é de 30 dias (produtos não duráveis – ex: alimentos ou cosméticos) ou 90 dias (produtos duráveis – ex: eletrônicos e eletrodomésticos). Se a loja não providenciar o conserto em 30 dias após a reclamação, o consumidor poderá escolher entre receber uma mercadoria nova ou o dinheiro de volta. Atenção ainda para o caso de produtos essenciais, como geladeiras e fogões: nessas hipóteses, a troca por um novo ou a devolução do dinheiro devem ser imediatas, sem precisar aguardar o conserto.

7. No caso de roupas, procure guardar a nota fiscal pelo menos até a primeira lavagem, pois geralmente nesse momento é que se apresentam os principais problemas.

8. No ato da entrega dos produtos, o consumidor só deve assinar o recebimento após examinar o estado da mercadoria. Havendo qualquer problema, deve ser comunicado na própria nota, justificando o não recebimento da mercadoria.

9. Nas compras pela internet, saiba que o selo “Black Friday Legal”, da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, significa que a loja assinou um compromisso de ética para a data.

10. Não compre por impulso produtos que você não tenha necessidade apenas porque estão em promoção ou com preços tentadores. O gasto pode se somar a outras dívidas e tornar difícil o pagamento, comprometendo o orçamento para as festas de final de ano e entrada de 2015."

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O pior cego, por Dora Kramer--Estadao

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,o-pior-cego-imp-,1597536O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,o-pior-cego-imp-,1597536http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,o-pior-cego-imp-,1597536
Vejam só o senhor e a senhora que curiosa essa notícia de que o PT encomendou pesquisa para saber que história é essa de tantos brasileiros manifestarem rejeição ao partido. Por que será?

No mundo da lua, realmente seria caso de investigação profunda. Seguida de amplo debate para detectar as razões, definir responsabilidades e providenciar uma arrumação na casa. 
Doa em quem doer.
Consta que os petistas estão assustados com o clima da campanha e os resultados das últimas eleições. Não sabiam de nada - como é de praxe no partido - a respeito da insatisfação disseminada País afora com o acúmulo de desmandos dos seus anos de exercício de poder.
Ficaram especialmente espantados com o ocorrido em São Paulo, onde estavam certos de que bastaria somar o natural desgaste dos governos tucanos à novidade de mais uma invenção de Lula, contar com a submissão do PMDB fazendo papel de sublegenda no Estado e esperar que a seca se encarregasse do resto.
Deu-se na vida real que a fiança dos postes perdeu prazo de validade, a longevidade do PT no Planalto revelou-se mais cansativa, o candidato do PMDB preferiu prudente distância e os paulistas, em sua maioria, resolveram dizer em alto e bom som que andavam fulos da vida.
Trata-se, obviamente, de resumo simplificado de um quadro mais complexo cuja amplitude, variadas as dimensões, alcançam todo o Brasil. Razões que qualquer cidadão razoavelmente informado não ignora.
De onde é espantoso o fato de um político com a sensibilidade e o tirocínio político de Lula não ter captado a mudança de ares no ambiente. Tão incrível quanto seu desconhecimento enquanto presidente sobre o método de organização da base de sustentação do governo no Congresso, local composto por maioria de "picaretas", conforme sua avaliação quando lá conviveu como deputado.
De modo semelhante intriga como Dilma Rousseff, uma servidora exigente, competente, detalhista e centralizadora, possa jamais ter-se dado conta, enquanto ministra das Minas e Energia, chefe da Casa Civil e presidente da República, de que havia superfaturamento nos contratos da Petrobrás, a despeito dos alertas do Tribunal de Contas da União.
Diga-se, ignorados também pelo Congresso, cuja maioria governista manteve o veto do então presidente Lula a uma decisão que suspendia obras da Petrobrás na qual havia indícios de corrupção. Na mesma época ele fazia discursos criticando duramente órgãos de fiscalização, como o TCU, dizendo que "atrapalhavam" o andamento de obras.

Em mais de uma ocasião Lula desqualificou instituições. A Justiça Eleitoral, por exemplo, por diversas vezes, chegando a debochar do valor das multas e transigindo as regras de maneira explícita. Da mesma forma, dava abrigo a atos incorretos e antiéticos de seus aliados, como José Sarney durante crise devido a privilégios no Senado e Renan Calheiros enquanto enfrentava processo de quebra de decoro.
Do alto de uma altíssima aprovação popular, Lula fez, aconteceu, desfez e o partido seguiu o modelo de completa arrogância, tratando os escândalos que surgiam jogando o lixo para baixo do tapete, contando uma mentira atrás da outra, acreditando poder fazer o Brasil todo de bobo.
Ao ponto de insistir que o mensalão não existiu e que o Supremo havia atuado como tribunal de exceção, enquanto a prisão dos companheiros era vista pelo País como um avanço institucional.
Agora o PT não compreende o motivo de ser alvo de tanta "intolerância" e "preconceito". Para desvendar o mistério, encomendou uma pesquisa para consultar os eleitores de todo o Brasil a respeito.
Perceberam o senhor e a senhora? O partido só passou a se preocupar com a opinião do público sobre suas condutas diante do risco eleitoral. 
Deve ser por isso, por não ouvir, não querer ver e ter como única referência o poder é que as coisas acontecem e ninguém sabe de nada no PT.

"Coragem, juiz Sérgio Moro", por Mara Bergamaschi

Mais uma vez, o trabalho do juiz federal Sérgio Moro, que conduz em Curitiba (PR) o inquérito da Operação Lava-Jato,  é alvo de tentativa de  interrupção e esvaziamento.

Juiz Sérgio Moro (Foto: Arquivo Google)
           Juiz Sérgio Moro (Imagem: Arquivo Google)
Desta vez, por parte de advogados de grandes empreiteiros presos. Alegam que a investigação completa deveria “subir” para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo fato de haver “agentes políticos” envolvidos.
Imaginem: se com 40 réus iniciais, o julgamento do Mensalão levou sete anos no Supremo, quanto demoraria revisar as ações da PF e Ministério Público Federal (MPF) que desbarataram o “Petrolão”, uma rede em que se estima o dobro ou mais de denunciados?
Retirar a jurisdição de Sérgio Moro para suspeitos sem direito a foro privilegiado, acusados (alguns já réus confessos) de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas -, é talvez apostar que a Lava-Jato mofará ou se perderá na Justiça que tarda.
E assim falha - pelo menos do ponto de vista da maioria da sociedade, que clama pela punição imediata dos que atentam contra o patrimônio e o erário público.
Aliás, é essa rapidez na instrução e julgamento dos processos da Lava-Jato, incomum na Justiça brasileira para crimes de colarinho branco, que tem assustado os envolvidos.
Por que a Justiça Federal do Paraná, destinatária do  valioso trabalho da força-tarefa de delegados federais e procuradores da República, já conseguiu encerrar várias ações, punindo criminosos e até recuperando valores?
O jurista Walter Maierovitch explicou, em entrevista à Globonews, que a PF e o MP  adotaram na Lava-Jato o modelo de investigação da eficiente promotoria americana, que vai fechando os inquéritos à medida que obtém provas cabais contra determinados réus.
Isso permitiu ao juiz Moro “fatiar” as condenações, sem esperar pela conclusão de toda a investigação - que continua avançando e produzindo novas evidências, num ciclo virtuoso. Inclusive em instâncias superiores: como as delações premiadas, com a descrição do pagamento de propinas a políticos,  já em poder do STF.
E tais provas foram produzidas porque a inteligência da PF mapeou e vigiou, a partir dos indícios de lavagem detectados pelo Coaf (Conselho de Atividades Financeiras), também enviados ao MPF, o funcionamento do esquema.
Os resultados da Lava-Jato devem-se à autonomia e compromisso de integrantes destas instituições - Coaf, PF, MPF e Judiciário. Mas quem pode garantir, nos momentos de riscos, que se vá até o fim desse e de outros escândalos?
Certamente não será só a presidente Dilma “lutando contra a corrupção diuturna e noturnamente” - por mais que se acredite na propaganda contorcionista do governo.
Quem se lembra dos cartazes de cartolina em que se lia “Não à PEC 37”?  Se houve uma vitória imediata das Jornadas de Junho de 2013 foi o arquivamento, no Congresso, da malfadada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limitaria o poder do MPF de investigar.
É também graças àquela mobilização de cidadãos que os procuradores podem estar hoje lá na Suíça tentando repatriar os milhões desviados da Petrobrás. É nosso direito – e nosso dever – fortalecer os que estão à frente das apurações.
“Coragem, juiz Sérgio Moro” – foi o que desejou esta semana o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Newton Trisotto, ao seu colega de primeira instância.

Mara Bergamaschi É jornalista, escritora e mãe

Recreio com bom gôsto e alegria-- Prodiges - France

Coaf identifica movimentações financeiras atípicas de R$ 23,7 bi--O GLOBO - JAILTON DE CARVALHO

BRASÍLIA - Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informa que pessoas físicas e jurídicas investigadas na Operação Lava-Jato fizeram movimentações consideradas atípicas no valor de R$ 23,7 bilhões entre 2011 e 2014. Só em espécie, o grupo movimentou R$ 906,8 milhões. Ao todo, o Coaf produziu 108 relatórios com alertas sobre possíveis irregularidades nas movimentações financeiras do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e das empreiteiras, entre outras pessoas e empresas acusadas de fraudes em contratos com a estatal.
Nos relatórios do Coaf aparecem os nomes de 4.322 pessoas e 4.298 empresas que, de alguma forma, participaram da movimentação da montanha de dinheiro, parte dele de origem ilegal, vinculados a negócios da Petrobras. O Coaf deixa claro, no entanto, que os números não são valores absolutos. Em algumas situações nomes de pessoas e empresas são mencionados várias vezes. A soma total envolve saques e depósitos. Mas, ainda assim, as cifras são consideradas estratosféricas até mesmo para autoridades acostumadas a lidar com dados expressivos.


Relatórios deram origem À operação da PF
Os relatórios do Coaf deram origem às investigações que, mais tarde, levaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal a deflagrar a Operação Lava-Jato em 17 de março deste ano. Na última sexta-feira, a sétima etapa da operação, batizada de Juízo Final, resultou na prisão de 24 pessoas, entre elas dirigentes das maiores empreiteiras do país e do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. A decisão já está sendo considerada um marco histórico. É a primeira vez que dirigentes de empreiteiras acusados de corrupção são presos no país.
Analistas do Coaf começaram a produzir os primeiros relatórios em 2011 quase de forma burocrática. Os alvos eram empresas que, sem aparente capacidade técnica e operacional, passaram a fazer movimentação financeira elevada. Naquele momento os analistas não tinham a menor ideia de que, três anos depois, o caso ganharia dimensão nacional e se tornaria a mais explosiva investigação criminal da história recente do país.
— A gente acha que tem alguma coisa estranha acontecendo e manda os relatórios para PF e MP. A investigação criminal é que vai constatar se houve ou não crime. Foi assim no mensalão. E está sendo assim agora nessa operação, que ganhou uma dimensão enorme — disse ao GLOBO o presidente do Coaf, Antonio Gustavo Rodrigues.
A produção dos analistas do Coaf aumentou no ritmo do trabalho da PF e do Ministério Público. Ano passado, quando começaram as investigações formais, foram produzidos 29 relatórios. Este ano, quando procuradores e delegados começaram a colecionar acordos de delação premiada e confissões detalhadas sobre fraudes na Petrobras e em outras áreas do governo federeal, o Coaf remeteu 78 relatórios ao procurador da República Deltan Delagnol e ao delegado Márcio Anselmo.
As análises do Coaf teriam começado a partir de empresas controladas por Alberto Youssef. O doleiro já tinha sido alvo de investigação no caso Banestado. Os analistas não imaginavam que, depois de preso e condenado, o doleiro teria fôlego financeiro para retomar e até ampliar os negócios ilegais. No decorrer da análise, acabaram se deparando com as movimentações de grandes empreiteiras vinculadas a empresas de fachada do doleiro. O emaranhado de transações ainda está sendo destrinchado.
Delações devem ampliar inquéritos
As investigações podem ser ampliadas também à medida que novas informações surgem no âmbito dos inquéritos em tramitação na 13ª Vara Federal, em Curitiba. Os primeiros inquéritos foram abertos e, a partir deles, a força-tarefa do Ministério Publico pediu e obteve a instauração de 10 processos. Mas outros inquéritos e processos devem ser abertos a partir das revelações de Paulo Roberto Costa, Youssef e do executivo Paulo Camargo, da Toyo Setal, entre outros que decidiram fazer acordo de delação premiada.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

E ainda não terminou, Zuenir Ventura, O Globo

Sem ironia, pode-se afirmar que nunca antes na história deste país houve uma sexta-feira como a da semana passada, quando a Polícia Federal prendeu duas dezenas de altos executivos de nove das maiores empreiteiras brasileiras, acusadas de pagar propinas milionárias a servidores da Petrobras.
Para o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima foi “um dia republicano”, havendo até quem propusesse comemorar a República no dia 14, e não mais no 15 de novembro.
Para outros, foi o “dia do juízo final”. Na verdade, foi a vez dos corruptores e, se não for o início de novos costumes, é pelo menos uma operação inédita que abre um precedente de exemplar valor simbólico.
Além da devida execração pública — fotos 3 x 4 no jornal e imagens na televisão sendo conduzidos por policiais —, houve episódios emblemáticos como o do suspeito Sérgio Mendes, que voou a caminho da prisão no seu próprio jatinho, porque achou constrangedor para um vice-presidente e herdeiro da Mendes Júnior ser conduzido em avião da polícia. Ele aceitou o conselho do seu advogado: “Você vai ser criticado por dois dias, mas não vai ser algemado.”
Outro, o presidente da Queiroz Galvão, Ildefonso Colares Filho, entregou-se após ter se escondido em hotéis de até R$ 2.600 a diária. Presos, tiveram que dormir em colchões no chão da carceragem da polícia paranaense. Quando é que esses personagens poderiam imaginar viver experiências reservadas exclusivamente aos prisioneiros comuns?
A partir de sexta-feira, acontecimentos se precipitaram como numa avalanche. Graça Foster admitiu que há meses fora informada por empresa holandesa do pagamento de propinas na estatal que ela preside. O atual diretor de Abastecimento foi acusado de receber comissões de empreiteiras. A própria Petrobras pediu abertura de ação contra seu ex-presidente Sérgio Gabrielli, e 14 outros envolvidos na compra de Pasadena, que deu prejuízo de quase US$ 800 milhões.
O procurador-geral, Rodrigo Janot, compara o processo de delação a um “rastilho de pólvora”: basta um começar a falar. Sendo assim, a vez dos políticos ainda está para chegar.
Segundo ele, a Justiça não é mais “a dos 3 pês: puta, preto e pobre”.
Na Austrália, ao receber a notícia das prisões, a presidente Dilma vangloriou-se de ser esta “a primeira vez que o governo está investigando a corrupção no país”, como se o mérito fosse seu, e não do Ministério Público e da polícia, órgãos do Estado. Dela pode-se cobrar que, mesmo tendo sido chefe da Casa Civil, ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, não desconfiou da lama que ali corria e onde até um clube de malfeitos funcionava com sócios VIPs e tudo.
Enquanto isso, o vice Michel Temer, como presidente interino, decretava: “O governo está tranquilíssimo.”
Viaturas conduzindo presos do prédio da Polícia Federal para o aeroporto do Galevão (Foto: Alexandre Cassiano / Agvência O Globo)Viaturas conduzindo presos do prédio da Polícia Federal para o aeroporto do Galeão (Imagem: Alexandre Cassiano / Agvência O Globo)

Zuenir Ventura é jornalista

A marcha da insensatez, Elio Gaspari, O Globo

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, também conhecido como Kakay, é uma espécie de Sobral Pinto do andar de cima.
“Doutor Sobral” era um homem frugal, sempre vestido de preto, defendendo causas de presos ferrados pelo poder dos governos.
O espetaculoso Kakay é amigo dos reis e vive na Pasárgada de Brasília.
Defendendo empreiteiras apanhadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, disse o seguinte: “Dentro da normalidade, você teria de declarar (as empresas) inidôneas. Se isso acontecer, para o país.”

Empreiteiras (Foto: Arquivo Google)
                Empreiteiras (Imagem: Arquivo Google)
Ele não foi o primeiro a mencionar esse apocalipse, no qual está embutida uma suave ameaça: se a faxina não for contida, o Brasil acaba, pois com essa gente não se deve mexer. O presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, propôs uma “repactuação” dos contratos que essas companhias têm com a Viúva: “Parece que as empresas estão demonstrando boa vontade, todas elas ajudando, estão se dispondo a devolver recursos, portanto há uma boa vontade.” Mais: “Poderíamos repactuar, eles perderiam o que está acima do preço. Como consequência, faríamos economia para o Erário.” O vice-presidente Michel Temer foi na mesma linha, propondo a “repactuação de eventuais exageros”. Falta saber o que Nardes entende por “acima do preço” e o que Temer define como “exageros”.
Como até hoje nenhuma empreiteira, salvo a Setal, reconheceu ter delinquido, parece até que a delinquência é da Polícia Federal, do Ministério Púbico e do Judiciário. A “repactuação” só pode começar pactuando-se a verdade. Se de fato houve uma “denúncia vazia de um criminoso confesso”, como disse Marcelo Odebrecht, referindo-se ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, então sua empresa nada tem a ver com a história, merece os devidos pedidos de desculpas e “Paulinho” deve voltar para a carceragem. Se a Camargo Corrêa, a OAS e a Mendes Júnior nunca praticaram atos ilícitos, dá-se o mesmo e nada há a repactuar.
Grandes empresas metidas nas petrorroubalheiras adotaram uma atitude desafiadora, talvez suicida. Tentaram tirar o processo das mãos do juiz Sérgio Moro. Em seguida, fizeram uma discreta oferta de confissão coletiva, rebarbada pelo procurador-geral da República com três palavras: “Cartel da leniência.” “Repactuação” pode ser seu novo nome.
As grandes empreiteiras oscilam entre o silêncio e a negativa da autoria. Deu certo até que surgiu o “Efeito Papuda”. Não só José Dirceu, o “o capitão do time” de Lula, foi para a penitenciária, como as maiores penas foram para uma banqueira (Kátia Rabelo) e um operador de palácios (Marcos Valério). Ocorrido esse desfecho inédito, seguiu-se a descoberta da conveniência de se colaborar com a Viúva em troca da sua boa vontade. Já há dez doutores debaixo desse guarda-chuva e tudo indica que outros virão. As empreiteiras estão rodando um programa vencido.
Quem olha para o trabalho do juiz Moro e do Ministério Público pode ter um receio. Abrindo demais o leque, ele se arrisca a comprometer a essência da investigação. Como ele tem conseguido preservar sigilos, pode-se ter a esperança de que o principal objetivo da operação é ir de galho em galho, para chegar ao topo da árvore.

Elio Gaspari é jornalista

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

“Não há uma cidade, um Estado no Brasil, sem obra superfaturada”

Entrevista com o Promotor de Justiça Marcelo Mendroni, de São Paulo. //ÉlPais
                                                      
Mudam os esquemas, mas os protagonistas continuam os mesmos. Ano após ano, grandes empresas – em especial, construtoras – são apontadas como pivôs de escândalos suspeitos de desviar uma fortuna dos cofres públicos no Brasil. O mais atual, que atinge a empresa estatal mais importante do país, a Petrobras, revelado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), pode ter causado um rombo de até 10 bilhões de reais. Para o promotor de Justiça de São Paulo Marcelo Batlouni Mendroni, especialista em investigar crimes financeiros e cartéis, somente uma ampla reforma na legislação diminuirá a ocorrência de casos de corrupção que, na avaliação dele, é endêmica.
“Não há uma prefeitura, um Estado no Brasil, sem contratos superfaturados de obras, de prestação de serviços”, disse o promotor, doutor pela Universidad Complutense de Madrid, na Espanha, com pós doutorado na Università di Bologna, na Itália. Em entrevista ao EL PAÍS, na sede do Gedec, órgão do Ministério Público paulista criado em 2008 para investigar delitos de ordem econômica, Mendroni comparou as empresas envolvidas em escândalos dessa natureza à máfia italiana.

O promotor é autor da denúncia, de 2012, um grupo de empreiteiras suspeitas de fraudar uma concorrência pública para obras do metrô paulista. Embora sejam casos completamente distintos – um afeta o Governo Federal, comandado pelo PT, e o outro o Governo paulista, a cargo do PSDB –, chama a atenção a repetição dos “personagens” da esfera privada. Dentre as denunciadas pela Promotoria de São Paulo há dois anos, seis estão agora sob a mira da Operação Lava Jato da PF: as construtoras Camargo Corrêa, Mendes Júnior, OAS, Queiroz Galvão, Iesa e Odebrecht – todas negam irregularidades. Na semana passada, 36 investigados, entre eles executivos de oito construtoras, foram detidos pela Polícia Federal.

Pergunta. Por que observamos a repetição de algumas empresas em casos diferentes de corrupção?

Resposta. Por causado volume de dinheiro envolvido nos contratos com grandes estatais. O Brasil parece que, indiretamente, vai copiando o modelo das atividades mafiosas. Se você for olhar a Cosa Nostra italiana, de um tempo pra cá, ela parou de praticar crimes violentos e entendeu que conseguia ter muito mais sucesso conseguindo ganhar grandes contratos com o poder público, através da infiltração nas obras públicas, da corrupção de agentes públicos e intimidação de concorrentes. Então eles ganham grandes contratos com o Estado, superfaturam essas obras, que foi exatamente o que parece que aconteceu na Operação Lava Jato e que acontece no Brasil... Aliás, verdade seja dita: é o que acontece em praticamente todos os municípios, todos os Estados e na União. É uma corrupção absolutamente disseminada em todo o país. Eu acho que não existe uma prefeitura nesse país, um Estado, que não tenha esquema de superfaturamento de contratos de obras e serviços públicos. E a União, evidentemente, é onde estão os maiores contratos.
Na corrupção a gente também não sabe quem vem antes, a empresa ou o político
Essas organizações empresariais também são organizações criminosas. Isso tem que ficar bem claro. Hoje em dia, sabemos de empresas perfeitamente lícitas que atuam como um modelo de organização criminosa empresarial, que praticam muitos crimes, além de corrupção, a formação de cartel, os crimes tributários, e outros por aí... ou seja, elas praticam atividades lícitas, mas se valem da estrutura empresarial pra praticar crimes.

P. O senhor foi enfático em mencionar que não tem conhecimento profundo sobre a Operação Lava Jato. Mas, pela sua experiência, é possível que o esquema que vimos na Petrobras hoje tenha começado há muitos anos, até em Governos passados?
R. Sem conhecer o caso, sem opinar especificamente sobre esse caso, acho que esse é um esquema que já vem de muitos, muitos anos. (...) A minha opinião é de que sim. Que isso não é um esquema novo. Não só a Petrobras, mas se fossem investigar a fundo as grandes estatais, todos esses contratos, a gente ia ver aí que muitos outros bilhões de reais foram levados através de superfaturamento de obras, de hidrelétricas, estradas, hidrovias, enfim... Não tenho a menor dúvida. Na verdade, eu diria que, com 99,99% de chance, sim que esse esquema existe há pelo menos aí uns 30 anos, desde que o Brasil saiu da ditadura militar... Meu palpite é que desde os anos 80 a gente tenha aí esses esquemas atravessando os Governos indistintamente. Talvez tenha sido mais forte em um Governo que em outro, dependendo muito da ação de Tribunais de Contas, do Ministério Público, da Polícia Federal, enfim, dos termos de investigação e repressão à criminalidade. Mas que existe há bastante tempo eu acho que sim.
Meu palpite é que desde os anos 80 a gente tenha aí esses esquemas atravessando os Governos indistintamente
P. Muitos classificaram como “histórica” as prisões de empresários na última semana – e recentemente de políticos envolvidos no escândalo do Mensalão. Qual a sua opinião?
R. Eu acho que o Brasil vive uma fase em que deveria rever toda a legislação, a questão da Justiça, pra de alguma forma passar o país a limpo... É lógico que a corrupção não vai ser extirpada, mas que fosse dado um golpe violento contra a corrupção, para que as pessoas tenham mais medo. Porque do jeito que ela existe hoje, eu não tenho nenhum medo de errar em dizer que a corrupção é absolutamente endêmica no Brasil. E não acho que só isso vai ser um divisor de águas. Se não se houver essa reforma processual penal e penal, eu acho que nós vamos viver esse filme mais algumas vezes, achando que dessa vez vai... E isso pode ter um efeito rebote muito perigoso, no sentido de que as pessoas fiquem incrédulas, desestimuladas...

P. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, disse à Folha de S.Paulo que algumas das empresas investigadas disseram ter sido alvo de concussão, ou seja, da exigência de dinheiro para fechar contratos. O que o senhor acha desse discurso?
R. É balela. (...) Assim como a gente não sabe quem veio antes, o ovo ou a galinha, na corrupção a gente também não sabe quem vem antes, a empresa ou o agente político. Porque é interessante para os dois. Na verdade, as duas partes se procuram...
P. Qual a dificuldade que o Brasil tem de perseguir e punir os agentes corruptores?
R. A corrupção é talvez um dos casos mais difíceis de se apurar. Porque é um crime silencioso que interessa às duas partes. Na corrupção, existem dois autores ao mesmo tempo e a vítima é o Estado, que é quieto, silencioso, não fala... A investigação da corrupção é dividida basicamente de duas formas cruciais: a primeira é quando as partes não sabem que estão sendo investigadas, que é quando temos um maior grau de possibilidade de eficiência, na medida em que nós temos instrumentos como escutas telefônicas, escutas ambientais, buscas e apreensões... Depois que os casos chegam à imprensa, corremos contra o tempo.
P. O senhor disse que, depois que a investigação vaza, fica mais difícil reunir um conjunto de provas ‘diretas’. Isso não facilita, de certa forma, o trabalho da defesa? Porque grandes empresas têm grandes advogados...
Hoje é muito vantajoso o cara praticar o crime, conseguir roubar milhões, e depois sair, resgatar o dinheiro que eles têm aplicado em outra parte do planeta, e viver uma vida nababesca
R. Se você tem poucas provas diretas, mas tem um conjunto vasto de provas indiretas, é possível que se dê maior valoração para as provas indiretas. Mas o poder Judiciário no Brasil, de uma forma geral, ainda é um pouco resistente em analisar as provas indiretas, coisas que na Europa e nos Estados Unidos, já foi absolutamente superado. Na Itália, por exemplo, os juízes aplicam nos casos de grandes máfias a questão da ‘máxima de experiência’, que é uma coisa muito nova no Brasil. (...) Mesmo a colaboração premiada, que é usada há muito tempo na Europa e nos Estados Unidos, só agora começa a ser usada no Brasil, principalmente depois da Lei de Organização Criminosa, mas ela já estava na nossa legislação. No Direito as coisas são um pouco mais lentas que nas outras ciências, porque envolvem uma adaptação da sociedade. Nós passamos por um período, e ainda passamos de certa forma, de muita resistência de advogados dizendo a colaboração premiada é imoral, mas isso é um instrumento absolutamente lícito. Então é um processo lento.
P. O que pode ser feito para diminuir a ocorrência de crimes financeiros no Brasil?
R. Em uma investigação de uma organização criminosa você precisa de uma engrenagem de três rodas: legislação adequada, estrutura e treinamento. Pra começar, já passou do tempo de os Estados terem varas criminais especializadas em crimes econômicos. Os casos de lavagem de dinheiro e de formação de cartéis, especificamente, e aqueles correlatos, são extremamente complexos. Quando você manda um caso desses pra um juiz comum, que na maioria das vezes não está habituado com esse tipo de processo, ele vai ter que começar tudo do zero.
O outro ponto é que a punição seja efetiva pra esse tipo de crime. Eu costumo dizer o seguinte: esses empresários, esses políticos e agentes públicos que praticam a corrupção não precisam de ressocialização, como os criminosos comuns. Eles precisam de uma pena com caráter exclusivamente punitivo. Não é permitindo que ele deixe a prisão depois de cumprir um sexto da pena... Por que hoje é muito vantajoso o cara praticar o crime, conseguir roubar milhões, e depois sair, resgatar o dinheiro que eles têm aplicado em outra parte do planeta, e viver uma vida nababesca. Se você tem um nível baixo de criminalidade em alguns países da Europa é porque as pessoas têm medo da mão pesada da Justiça, não porque elas nascem naturalmente boas...

P. Qual a sua opinião sobre o financiamento privado das campanhas eleitorais?
R. Eu sou um pouco radical nessa questão. Eu, por exemplo, me questiono por que tem que ter o financiamento público ou privado de campanha... Por que as grandes empresas querem financiar as campanhas? Porque elas têm interesses. Não é de graça. Não é ideológico. Elas bancam candidaturas indistintamente, de vários partidos, sem nenhuma ideologia política, dos concorrentes diretos. Isso é o óbvio ululante. Só não enxerga quem não quer ver. É um ciclo vicioso: eles financiam as campanhas e depois cobram de alguma forma, seja para facilitar os contratos com essas empresas, que são superfaturados e é, muitas vezes, a forma como recebem o dinheiro investido de volta.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Um dilema para Dilma, por Miro Teixeira

Comentario meu--...como tenho memoria....Devo ou nao acreditar nesta vestal? Uma cria do ex-Gov Chagas Freitas, ligado ao noticiario policial dos anos 70....Sei nao.....é muita fartura ética. Pobre desconfia....

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxEm tempos recentes, a facção criminosa denominada Primeiro Comando da Capital tentou coagir o governo paulista a alterar a política carcerária do estado, para que seus integrantes não perdessem as regalias lhes permitiam fazer crescer seus lucros mesmo na cadeia. Atiravam a esmo em pessoas que caminhavam tranquilamente pelas ruas ou conversavam nos bares. Deu errado porque a reação do governo foi dura.

O fato me vem à memória ao ler que senadores incomodados com a Operação Lava Jato, desencadeada pela Polícia Federal e que avança no sentido de revelar comprovadamente que deputados e senadores recebiam propinas para intermediar negócios na Petrobras e em outras empresas e órgãos públicos, prometem rejeitar o nome do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, caso venha a ser indicado para a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal.

Tal indicação obedece aos critérios da Constituição e à vontade da presidente da República, que, aliás, nada deixou transparecer sobre suas preferências, mas o veto pretende submetê-la a situação constrangedora em qualquer hipótese, indicando ou não José Eduardo Cardozo.
Pior é a situação de quem vier a ser escolhido, submetido a suspeita injusta de ser do agrado de uma escória que a população espera ver metida no Presídio da Papuda, assim que o juiz Moro considerar esgotado o período de sigilo dos inquéritos, o que parece destinado a aguardar o recebimento formal da denúncia do Ministério Público Federal e a transformação dos indiciados em réus.

Estamos em meio a uma investigação brilhante que levou à colaboração um diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que seguramente não agia sozinho na máquina do Poder, como indicam os valores roubados ao povo. É elementar supor que transações daquele vulto seriam rejeitadas se não houvesse enorme rede de proteção a ampará-lo.

Em paralelo, ressurge a figura do doleiro Alberto Youssef, velho conhecido da polícia desde o caso Banestado, encarregado de repassar dinheiro para políticos corruptos.
A partir daí, novos depoimentos robustecem as provas já colecionadas.

Aí está o espanto.

A Polícia Federal, que puxou o fio dessa meada, atuou sem que o ministro da Justiça interferisse em favor de quem quer que seja. Daí ter-se tornado a ameaça do bom exemplo, no dizer de Noam Chomsky, culpa que lhe imputam ao vetá-lo.

José Eduardo Cardozo pode ou não ser indicado para o Supremo, é problema da presidente. Pode ser aprovado ou rejeitado pelo Senado, é problema dos senadores.

O que não pode passar em brancas nuvens é a ousadia cada vez maior de ladrões públicos ampliarem o próprio poder, a garantir impunes a apropriação continuada do dinheiro público retirado dos hospitais, escolas e segurança.

Que exibam o cinismo como virtude e maquinem em favor de suas ilegalidades, não surpreende. São criminosos.

Surpresa é não terem entendido que a paciência do povo se esgotou, que o protesto está nas ruas e que a proteção da censura desapareceu.

Miro Teixeira é deputado federal (PROS-RJ)

Humor do Chico

Charge (Foto: Chico Caruso)

POSSUEM TUDO, MENOS A HONESTIDADE, por Carlos Chagas

A roubalheira na Petrobras envolve diretores da estatal nomeados por partidos políticos,  mais empreiteiras,  empresas prestadoras de serviços e políticos de diversos matizes.
Como supor que os presidentes Lula e Dilma não soubessem de nada? De que forma aceitar que não  tenham sido informados pelos órgãos  de segurança do governo ou por simples comentários de auxiliares  imunes à mãe de todas as  lambanças jamais praticadas na história da República?
Sabiam e não fizeram nada? Na ânsia de manter o poder, deixaram e incentivaram que PT, PMDB, PP e outros partidos navegassem no mar de lama hoje exposto até as profundezas?
Jamais se viu tamanha sordidez envolvendo poder público e iniciativa privada. Foram bilhões surripiados de obras superfaturadas, distribuídos pela mais  fantástica quadrilha de que se tem notícia agindo no país.  Falta conhecer mais um segmento da banda podre desse poliedro de horror, os deputados, senadores, governadores,  ministros  e funcionários envolvidos.  Parece  não demorar a exposição que nenhum segredo de justiça conseguirá ocultar.
A pergunta que se faz é sobre as conseqüências. Lula e Dilma conseguirão escapar, mesmo diante da presunção de não terem sido beneficiados financeiramente, nem  enriquecido?  E os montes de políticos que receberam propinas, irrigaram suas campanhas e  facilitaram as operações ilícitas, acolitados por empresários e executivos empenhados em dilapidar patrimônio público?  Vai todo mundo parar na cadeia?
Basta abrir o leque para supor não se limitar à Petrobras a sujeira agora descoberta. Outras empresas estatais de igual quilate estarão sendo investigadas, provavelmente incursas nas mesmas bandalheiras. Em suma, as elites nacionais estão podres, com as exceções de sempre. Policia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário vem cumprindo suas obrigações, não obstante as lacunas da lei que, como no caso do mensalão, mandaram a maioria dos réus para casa.
Falta ainda um universo a desbravar. Quando as investigações chegarem aos bancos, por exemplo, tanto os públicos quanto os privados, haverá tapete capaz de ocultar a sujeira? Será que a  garantia de maioria no Congresso vale tamanha lambança?   Certas pessoas  possuem tudo, por meio  de sua desfaçatez. Menos a honestidade…

Plano de negócios de gestão não será antecipado, diz Graça FOSTER

Comentario meu--...a nomeacao desta tecnica de carreira atendeu a necessidade de maior transparencia na empresa...PORÉM, nem ela nem a Presidente Dilma vislumbravam sequer o tamanho do iceberg do periodo Dutra/Gabrielli. E agora? Sinuca de bico, onde a paciencia briga com a eficacia, pois tudo é politica........Vamos torcer por elas e cobrar, sem quebrar a maquina PETROBRAS, pertenca da Nacao.
Nem abrir espaco aos falsos moralistas de plantao, sempre em busca da boquinha ideal!

Graça Foster (Foto: Antonio Augusto)
                   Graça Foster (Foto: Antonio Augusto)

O plano de negócios da Petrobras será divulgado no mês de abril ou de maio, segundo a presidente da empresa, Graça Foster, em teleconferência com analistas de mercado. Segundo ela, a divulgação não será adiantada para o primeiro trimestre “em hipótese alguma”. Havia a expectativa de que a divulgação ocorresse até fevereiro.
Mas, em teleconferência com analistas, Graça destacou que a prioridade dentro da companhia, atualmente, é a divulgação do balanço financeiro do terceiro trimestre deste ano e o fechamento do ano. Por isso, não há perspectiva de antecipar o plano de negócios.
Graça informou também, para explicar atraso na divulgação do balanço financeiro do terceiro trimestre deste ano, que a Petrobras pagou R$ 6 milhões para contratar o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe Advogados, no Brasil, e mais US$ 5 milhões pelo escritório Gibson, Dunn e Crutcher LLP, nos Estados Unidos.
Os escritórios de advocacia foram contratados para tentar dimensionar os prejuízos da empresa com o superfaturamento de contratos, em linha com o que está sendo investigado pela Polícia Federal, na Operação Lava Jato.

Diretoria
Graça negou que haja qualquer movimento para mudança na composição da diretoria neste momento, quando a companhia atravessa uma série de denúncias de corrupção com ex-integrantes da diretoria.
“Sou diretora da área internacional, sou integrante da diretoria colegiada e não há nenhuma informação sobre mudanças na diretoria”, afirmou a executiva.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A necessária correção de rumos , por Gaudêncio Torquato

Gilbertinho, diminutivo que Lula usa para se referir a Gilberto Carvalho, ministro Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, tem assumido mais o papel de exorcista do que o de ex-seminarista, ao fazer periódicas avaliações da presidente que despacha a poucos metros dele no Palácio do Planalto. Ao invés de um Te Deum de Ação de Graças em louvor à administração que chega ao término do primeiro mandato, o ministro acaba de “exorcizar” mais alguns demônios que perseguiram a mandatária nos últimos quatro anos, dentre eles, “a falta de diálogo com os principais atores na economia e na política”, que teria gerado pouco avanço em demandas dos movimentos sociais, particularmente nas frentes da reforma agrária e da demarcação de terras indígenas.
A senadora Marta Suplicy também decidiu não cantar um Hosana nas Alturas e, ao deixar de supetão o cargo de Ministra da Cultura, atirou no coração do governo, simbolizado pela área econômica, para a qual defende uma nova equipe capaz de resgatar “a confiança e a credibilidade” e comprometida com “a estabilidade e o crescimento”.

Causa perplexidade o fato de o canhonaço partir de integrantes do grupo comandado pela maior liderança do PT, o ex-presidente Luiz Inácio,  em torno do qual os dois ministros chegaram a entoar, meses atrás, o canto “Volta, Lula”.
Digamos que não tenha havido por parte do guru conhecimento prévio dos balaços ou mesmo autorização para que tal “campanha negativa” fosse desfechada. Sobra a hipótese de um sinal amarelo aberto no semáforo lulista, espécie de aviso para que a presidente Dilma mude os rumos do governo, a partir de reforma profunda na economia e de maior envolvimento com a esfera política e a sociedade organizada.
A verdadeira razão não seria esta? A mandatária precisa substituir as cartas de seu desgastado baralho, tarefa que exigirá mudança de atitude. Nesse ponto, a pergunta central, recorrente nas esferas política e produtiva, dispara outras: Dilma mudará a índole? Dará mais autonomia aos principais ministros? Descentralizará a gestão? São questões complexas, ainda mais quando o axioma criado pelo conde de Buffon em 1753 na Academia Francesa– le style est de l’homme même – continua na ordem do dia.
Em se tratando da presidente, pelo que se ouve e o que se sabe, emerge um perfil de forte personalidade, ciosa de seu mando, centralizadora, atenta aos detalhes, de reações ágeis, em quem os psicólogos, pela clássica classificação de Hipócrates, poderiam enxergar traços temperamentais mais próximos aos tipos coléricos e sanguíneos (em que a força de excitação é maior ou iguala a da inibição) e mais distantes dos melancólicos e fleumáticos.
Mesmo assim, há de se apostar na hipótese de mudanças (“novas ideias”), conceito que ela própria expressou na campanha. E isso pressupõe alteração na forma de pensar e agir. Significa intuir que ela vestirá o manto reformista.
Ora, para cumprir essa missão, o reformador, como lembra Samuel Huntington, carece de habilidade política mais alta que a habilidade do “revolucionário”, porquanto este precisa ser um político magistral para obter sucesso; já “o reformador de sucesso sempre o é”, diz o professor.
A presidente Rousseff atravessou o quadriênio do primeiro mandato ensimesmada e desconfiada da política. Teve que abrir espaços para partidos e líderes, mas o fez sob o império de prementes conveniências, procurando manter, porém, certa distância dos políticos.
Se o estilo é a pessoa e se ela aprecia conservar o perfil técnico, é bastante compreensível sua maneira de administrar o apetite da política. Ocorre que nas democracias representativas, os governos não sobrevivem sem as redes de comunicação com a sociedade, sem os “pisca-piscas”, os sinais de alerta gerados pelos circuitos políticos, representados por partidos e Congresso.
Alguns governantes soçobraram porque se isolaram em seus palácios. Lembre-se de Jânio e de Collor.  Poderosos mas solitários, padeceram a “solidão do poder”.
De Gaulle, com seu gaullismo que elevou ao extremo a ideia de auto-suficiência da França, refugiava-se no Eliseu; Nixon se mantinha afastado do público, da imprensa e dos partidos, inclusive o seu, o republicano, transformando Campo David, a casa de campo, numa fortaleza blindada; Stalin, que se julgava onisciente e infalível,  vivia trancado no Kremlin.
Bajulados por uma “sociedade de corte, recusando-se a ouvir as demandas sociais e políticas, estes governantes deram vazão ao que se convencionou chamar de “autismo de Estado”.
Nossa presidente não pode se ocultar na muralha do isolamento. Principalmente numa quadra em que deverá tomar decisões duras, partindo-se do princípio de que será impraticável combinar sacrifícios econômicos e recessão transitória com crescimento, expansão do emprego e melhoria de programas sociais. Deve estar preparada para sentir o governo descer na avaliação popular, manter-se por um tempo nesse nível e, em seguida, recuperar os pontos perdidos.
Essa tarefa carece de um duro programa de ajuste na economia, situação que obrigará a governante a evitar a deterioração de seu peso político. Donde se infere a necessidade de canais desobstruídos entre o Palácio do Planalto e as Casas congressuais.
Urge ainda considerar que o Brasil passou a conviver com o ciclo das ruas. E é lógico que nessa quadra de ampla locução social os governantes de todas as instâncias não podem estar longe das massas.
Sob essa teia de alterações na fisionomia social e diante de pressões políticas que, a cada dia, se tornam mais agudas, não resta à presidente da República alternativa que não seja a de criar sintonia fina com o clamor das ruas e a real politik.
Será que os canhões de Gilberto Carvalho e Marta Suplicy continham essa munição? Se a intenção era a de alertar sua Excelência sobre as nuvens plúmbeas que se descortinam no horizonte, o recado foi dado.
Mas a dúvida persiste: por que o ataque público? Por que o PT atira contra o PT?

Gaudêncio Torquato É jornalista, professor titular da USP, consultor político e de comunicação