domingo, 22 de junho de 2014

Ressaca....quem pensa nisso (antes!)


A vida fora da Copa, por Zuenir Ventura

Está todo mundo tão concentrado nos jogos do Mundial, inclusive eu, e há ainda tantas semanas pela frente, que periga acontecer uma overdose. Será que vamos resistir na frente da televisão até o dia 13 de julho? Por ora, o fundamental é que a Copa não nos faça esquecer alguns acontecimentos importantes da vida fora dos estádios, como, por exemplo:

1 — que este mês os senadores vão funcionar apenas três dias e os deputados, quatro, mas receberão seus salários integralmente, o que dará uma média de R$ 8.900 por dia trabalhado no Senado e R$ 6.700 na Câmara. O sacrifício é patriótico, já que precisam estar descansados para cumprir o exaustivo dever cívico de torcer pela seleção;
2 — que, por essas e outras, os números estão confirmando um preocupante quadro de desinteresse pelas próximas eleições. Em uma pesquisa, 26% dos entrevistados não estão interessados nelas, e 29% têm pouco interesse. Só 16% se interessam. Outro sintoma: segundo o TSE, apenas 25% dos adolescentes de 16 e 17 anos tiraram seus títulos. No Rio, 27% dos eleitores vão anular o voto ou votar em branco;
3 — que o Exército insiste em tapar o sol com a peneira ao negar para a Comissão da Verdade a prática de “desvio formal de finalidade” em suas instalações durante a ditadura. A farsa prossegue, mesmo depois da confissão dos próprios agentes da repressão, como o coronel da reserva Armando Avólio Filho, ex-integrante do Pelotão de Investigações Criminais da Polícia do Exército, que revelou ter visto o ex-deputado Rubens Paiva sendo torturado na carceragem do 1º Batalhão da PE na Barão de Mesquita. Nesse mesmo lugar, o tenente-médico Amílcar Lobo atendeu a Paiva agonizando. Se isso e muito mais não eram desvios, é porque eram norma;
4 — que a banda podre da PM continua agindo. Desde o desaparecimento de Amarildo, a folha corrida do grupo só fez aumentar. Pelo menos 15 deles já foram denunciados pelo Ministério Público. Testemunhas afirmam que o pedreiro foi torturado e executado dentro de uma UPP, Unidade de Polícia Pacificadora.
O caso mais recente é o do adolescente Mateus Alves dos Santos, de 14 anos, morto com dois tiros de fuzil no Morro do Sumaré. Seu colega de 15 anos acusa dois cabos da corporação: “Vi ele dando os últimos suspiros”, disse o sobrevivente, que foi baleado nas costas e joelho, e só se salvou porque se fingiu de morto. Pode-se alegar que se trata de uma minoria, mas esses atos criminosos contaminam a imagem de toda a instituição;
5 — que um dos rostos mais bonitos (e competentes) da televisão brasileira é o de Cecília Malan, correspondente da Globo em Londres. Não sei como Verissimo e Moreno, colecionadores de musas, ainda não perceberam. Uma distração imperdoável. 
Zuenir Ventura é jornalista.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Velha guarda da portela - Nascer e florescer

                

Martinho da Vila - Você Passa, eu Acho Graça.wmv

                

DOMINIO PUBLICO ====MORRO da PROVIDËNCIA Bairros Saude & Gamboa--Rio-RJ


quarta-feira, 18 de junho de 2014

O ódio ao PT e o ódio do PT, por Elio Gaspari, n'O Globo

Lula tem toda razão. Existe uma campanha de ódio contra o PT. Esqueceu-se de dizer que existe também uma campanha de ódio do PT. Uma expôs-se no insulto à doutora Dilma na abertura da Copa.

Argumente-se que o grito foi típico da descortesia dos estádios. O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, influente aliado do candidato Aécio Neves, endossou-o durante um evento do tucanato: “O povo mandou ela para o lugar que tinha que mandar.”
Essa é a campanha de ódio contra o PT. Ela pode ser identificada na generalização das acusações contra seus quadros e, sobretudo, na desqualificação de seus eleitores. Nesse ódio, pessoas chocadas pela proteção que Lula e o partido deram a corruptos misturam-se a demófobos que não gostam de ver “gente diferenciada” nos aeroportos ou matriculada nas universidades públicas graças ao sistema de cotas.
O ódio do PT é outro, velho. Lula diz que nunca se valeu de palavrões para desqualificar presidentes da República. Falso. Numa conversa com jornalistas, chamou o então presidente Itamar Franco de “filho da puta” e nunca pediu desculpas.
O ódio petista expôs-se em situações como a hostilização ao ministro Joaquim Barbosa num bar de Brasília e na proliferação de acusações contra o candidato Aécio Neves na internet. Se a rede for usada como posto de observação, os dois ódios equivalem-se, e pouco há a fazer.
Lula antevê uma campanha eleitoral “violenta”, pois a elite “está conseguindo despertar o ódio de classes”. Manipulação astuciosa, recicla o ódio do PT, transformando-o no ódio ao PT.
Pode-se admitir que a elite não gosta do PT, mas bem outra coisa é rotular como elite todo aquele que do PT não gosta. Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras que entesourou US$ 23 milhões em bancos suíços, certamente pertence à elite e no seu depoimento à CPI viu-se que gosta do PT e o PT gosta dele.
Essa estratégia já foi explicada pelo marqueteiro João Santana. Trata-se de trabalhar com dois Lulas: ora há o “fortão”, ora o “fraquinho”.
(Talvez as palavras originais tenham sido outras, mais próximas do dialeto dos estádios.)
Quando Lula foi criticado porque tomou um vinho Romanée-Conti de R$ 6 mil durante a campanha de 2002, era a elite que negava ao “fraquinho” o acesso a um vinho do andar de cima, pago por Duda Mendonça. Anos depois, quando viajou pelo mundo em jatinhos de empreiteiras, era o “fortão” redesenhando a diplomacia brasileira.
É uma mistificação, mas contra ela só existe um remédio: vigiar a racionalidade da campanha, fugindo da empulhação. Quem quiser odiar, que odeie, mas não fica bem a uma presidente da República dizer que investiu em educação recursos que na realidade destinaram-se a cobrir o custeio da máquina.
Também fica feio a um candidato da oposição que até outro dia estava no ministério dizer que “não fico mais em um governo comandado por um bocado de raposa que já roubou o que tinha que roubar”. Não viu enquanto lá estava?
Talvez a racionalidade seja um objetivo impossível. Afinal de contas, até hoje há americanos convencidos de que o companheiro Barack Obama é um socialista que nasceu no Quênia. Nesse caso, candidatos não devem ir a estádios.

Elio Gaspari é jornalista.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

MULHERES & COGUMELOS COMESTIVEIS...ALGUNS SO UMA VEZ!

                        

No NE, desemprego entre os jovens chega a 20,1%, por Valéria Maniero

Um retrato mais completo do mercado de trabalho foi divulgado hoje pelo IBGE. A pesquisa, a Pnad Contínua, mostra como está o desemprego, por exemplo, por região, sexo, idade e nível de instrução. A taxa média no Brasil, que estava em 6,2% nos últimos três meses do ano passado, subiu para 7,1% no 1º trimestre. Entre os jovens, no entanto, o desemprego continua em dois dígitos: está em 15,7% na média nacional, mas pode chegar a 20,1% no Nordeste, que tem a maior desocupação nessa faixa de 18 a 24 anos. Em segundo lugar, aparece o Norte, com desemprego juvenil de 16%, muito perto do Sudeste (15,8%). No Centro Oeste e no Sul, a taxa é de 12% e de 9,1%, respectivamente.
Os dados mostram, mais uma vez, que as diferenças no mercado de trabalho brasileiro persistem. Em algumas regiões, os números estão bem acima da taxa média calculada para o Brasil. Vejamos, por exemplo, como está o desemprego entre as mulheres: apesar de o índice nacional estar em 8,7%, mais alto do que o resultado do quarto trimestre, quando ficou em 7,6%, no Nordeste, é mais elevado. Entre as mulheres daquela região, está em 11,4%, 3,5 pontos percentuais acima do desemprego entre os jovens nordestinos. No Norte, a desocupação entre elas subiu 2 pontos, de 8,5% para 10,5% nos primeiros três meses do ano.
Outra vez, é o Sul que tem a taxa mais baixa de desocupação entre as mulheres, de 5,4%, e entre os homens, de apenas 3,5%.
Quando analisamos os dados do IBGE por nível de instrução, notamos que a maior taxa média de desemprego, de 12,7%, está entre aqueles com ensino médio incompleto ou equivalente. Entre os que têm nível superior completo, o desemprego cai para 4% (1º trimestre).
O mercado de trabalho brasileiro melhorou muito nos últimos anos; o ritmo de criação de vagas vem desacelerando, é verdade, mas essa é uma das poucas áreas que continuam dando boas notícias. Há distorções que perduram com o passar do tempo, como o desemprego elevado entre mulheres e jovens. Mas identificadas as regiões com índices mais elevados, é possível atuar localmente, por meio de políticas públicas, por exemplo, para que a realidade melhore. Muitos empresários reclamam de falta de mão de obra qualificada, mas eles também poderiam ajudar no esforço de capacitar trabalhadores.
Essa pesquisa do IBGE sobre emprego é mais completa; mostra, com detalhes, a situação do mercado de trabalho em cada canto do país.

Comentario meu--jovem, desempregado e disposto a vencer vira até consolo de madame. Haja cafuné!!! Mas, o negocio é comer.....ou virar politico!

Jornalismo sob ataque, por Paulo Nassar

O panorama da imprensa na América Latina é sombrio. Na Venezuela, na Argentina e no Equador, por exemplo, vigoram novas regulamentações que, na prática, cerceiam a atividade dos profissionais e das empresas informativas.
Só no Brasil, nos últimos três anos, dez repórteres foram assassinados em pleno trabalho de denunciar corrupção e desmazelos políticos. Na prática, o quarto poder — em vez de intimidar os poderosos e confortar os aflitos — tornou-se ele mesmo intimidado pelos poderosos de plantão.
A organização Pew Research, porém, traz boas-novas dos Estados Unidos. A indústria de notícias, em vez de fenecer sob os desafios digitais, está crescendo e soma hoje, em todas as suas plataformas, um faturamento expressivo de US$ 65 bilhões.
Ninguém pode esquecer que os WikiLeaks e os Snowden da vida não teriam sido nada sem os abrigos corajosos do “The Guardian”, em Londres, e do GLOBO, no Brasil. Maduros e Castros não teriam nada a censurar nessas coberturas.

                

Já Obamas e Camerons chegaram a ensaiar um discurso de “traição à pátria”. Ninguém gosta de uma imprensa que fiscaliza, seja de esquerda ou de direita. Como dizia Millôr Fernandes, “jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”.
O que pode significar a liberdade de imprensa? Um termo tão singular e atual. Singular porque está intimamente associado ao exercício do poder num mundo em crise.
Já a atualidade é consequência da disseminação desses impasses, sobretudo por meio das redes sociais que ora se revelam, como disse Manuel Castells, redes da indignação e da esperança, ora são também o motor de autêntica Babel, onde todos falam a um só tempo.
A mídia é alvo contínuo de críticas: incompetência, denuncismo, culto do espetacular, manipulação, venalidade, despreparo, golpismo. No Brasil, nada aconteceu ou acontece de forma diferente.
A imprensa pode errar — e erra muito —, sem dúvida, mas a vocação dominante é oferecer informação ao público. Os fatos são, assim, o elo aglutinador da sociedade.
É como a dança das cadeiras: a cada erro, declina a credibilidade. As críticas não são tão importantes quando dirigidas por questões de posicionamento ou por condicionamentos partidários.
Mas quando comete erros factuais graves, que podem ser imputados a posicionamentos ideológicos, mente ou fantasia as notícias, nesse momento a credibilidade se rompe, trinca e como o cristal não ressoa mais o mesmo som. Jornalismo é fato. E os fatos são teimosos. São como óleo na água, sempre aparecem.
Daí, o culto aos fatos ser o tema de reflexão que inspira a liberdade de imprensa. E em torno dela é que se organizam um dos fortes vetores da liberdade da sociedade e os critérios de verdade.
Não são, pois, os fatos que se politizaram, é a politização que turva a visão da realidade concreta. Eis uma concepção de singular atualidade que o país tem descoberto na prática.

Paulo Nassar é presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial.

Leilão da Copa: ingressos chegam a R$ 66 mil em sites não oficiais, Michele Miranda, O Globo


Quanto mais o calendário se aproxima do início da Copa do Mundo, mais feroz se torna o leilão de ingressos no mercado virtual. Bilhetes para a abertura do mundial, dia 12 de junho no Itaquerão, chegam a R$ 15 mil, enquanto os da final, no Maracanã, valem até R$ 66 mil. Além dos preços exorbitantes, ainda há um agravante: não existe a garantia de que os ingressos chegarão às mãos do torcedor, que nem pode ter a certeza de que os bilhetes são verdadeiros.
O site Iguana Tickets, cuja sede fica na Espanha, vende os ingressos na moeda brasileira e promete a chegada deles a tempo dos jogos. Já o Ticket.org, que tem escritórios em Malta, Rússia, Estados Unidos e França, realiza as transações em euro e oferece ingressos a € 1.690, com direito a fotos de mulheres seminuas ilustrando a propaganda. No Facebook, existem grupos dedicados à compra e venda em que os usuários oferecem seus ingressos pedindo “propostas de preço”.

                  
                                         Ingressos para a Copa do Mundo. Foto: Ricardo Moraes / Reuters

Um dos participantes do grupo privado (é preciso pedir autorização para fazer parte) Ingressos Copa do Mundo 2014 oferece, por exemplo, um par para a partida Bélgica e Rússia, categoria 3, que acontece no Maracanã, dia 22 de junho. O preço: R$ 1.175, enquanto o valor oficial de cada um é de R$ 180, logo, o par sairia a R$ 360, uma diferença de R$ 850. Outros usuários usam a rede social para alertar brasileiros e estrangeiros sobre fraudes e cambistas, além de algumas vítimas que fizeram um pagamento antecipado, mas nunca viram a cor do bilhete. Um usuário identificado como Marcelo Simeão aproveita o espaço para denunciar usuários falsos e fazer alerta aos compradores.
“Não façam depósitos antecipados. Novamente o grupo está com pilantras em ação. É só ver a relação de amigos e o que fazem. Não acreditem em grandes milagres”, escreveu.
                          
A Fifa, através de seu departamento de imprensa, cita o Estatuto do Torcedor, que criminaliza o ato de vender ingressos por preço superior ao indicado no bilhete e tem pena de até quatro anos de prisão para os cambistas. A instituição alerta que as fontes oficiais para obter os ingressos são o site oficial (www.fifa.com/ingressos), além dos centros de ingresso. Nesta quarta-feira, inclusive, é a última chance de comprar entradas de maneira oficial, seja virtualmente ou nos postos físicos, instalados nas 12 sedes.
Além disso, no mesmo site é possível realizar legalmente trocas e revendas de ingressos ou até mesmo passar para outros nomes. Mas sempre pelo mesmo preço de compra.
Já o Procon afirma, por meio de um comunicado, que “o simples fato de comprar na internet, em sites não oficiais, já é um erro. É preciso comprar os ingressos nos postos oficiais da Fifa. Se um torcedor for enganado, o fato se torna um caso de polícia. É preciso ir a uma delegacia e fazer um boletim de ocorrência”. A Polícia Federal, que conta com um departamento de crimes virtuais para este tipo de situação, classifica a "venda de ingressos falsificados, ainda que pela internet, é uma modalidade de estelionato, conduta na esfera de competencia das Policias Civis".

E o prejuízo financeiro, muitas vezes, não fica só no preço do ingresso que nunca chega. Alguns sites criados por hackers visam ir além do golpe. Com programas de download, eles invadem o computador do usuário, com objetivo de roubar informações pessoais e até de empresas.
— Hackers têm usado artifícios atraentes nesta Copa, como desconto em ingressos e facilidade para comprar bilhetes para partidas já esgotadas, visando ter acesso a dados, como senhas de cartão de crédito e informações sigilosas — alerta Nadja Cunha, representante da Real Protect, empresa especializada em segurança virtual. — Os sites são réplicas quase perfeitas do oficial da Fifa. Eles entram e saem do ar rapidamente, depois de gerar danos a centenas de usuários, dificultando o trabalho da polícia.
Na Copa da África, em 2010, centenas de torcedores ficaram barrados na porta do estádio Soccer City, em Joanesburgo. O motivo: eles compraram ingressos falsificados pelo site euroteam.net. A empresa foi fechada. O mesmo não aconteceu ainda com os sites citados anteriormente neste matéria, embora a Match Services, responsável pelo monitoramento deste tipo de negócio ilícito, já estar ciente. A Fifa, no entanto, garante que tem se utilizado de meios legais, amparada pela legislação de defesa do consumidor, para combater o problema mundialmente.

Humor do Kibeloco

            

Marigo: 'Minhas fotos são dádivas da natureza' (por Jorge Antonio Barros, (no Ancelmo))

                          
"Minhas fotos são dádivas que a natureza me oferece. Por sua vontade o animal me espera, a luz brilha na hora certa, as flores abrem-se para a fotografia. Preciso apenas reconhecer sua beleza e estar no lugar e no momento certos para registrá-la em filme".
A frase é do fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, um campeão da fotografia de natureza, que morreu ontem praticamente na porta de um hospital público, o Instituto Nacional de Cardiologia, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, sem atendimento médico. Algumas de suas melhores fotografias, como do encontro das onças (acima) estão em seu site
Marigo era um fotógrafo engajado na preservação do meio ambiente e usava seu trabalho para tentar conscientizar as pessoas:
"O Brasil é um país de grande diversidade biológica e abriga quase a terça parte de todas as florestas tropicais remanescentes na Terra. Estes fatos, de tão grande importância, são pouco compreendidos por muitos órgãos do Governo e ainda menos pela população brasileira. Por isso, acho que a função social do meu trabalho é chamar a atenção da opinião pública para a nossa tremenda riqueza de formas de vida, com toda a sua beleza, produzindo um conhecimento mais amplo e profundo de nossos ecossistemas, plantas e animais", escreveu em seu site.

'Descanse de tudo isso, Marigo'

             
Esta foto é de autoria de Luiz Cláudio Marigo, o fotógrafo que morreu ontem sem atendimento médico a alguns passos do Instituto Nacional de Cardiologia. A fotografia foi enviada ao humorista Hélio de La Peña porque seus filhos aparecem nela, fotografando aves no Jardim Botânico, no Rio, com o pessoal do Clube de Observadores de Aves do Rio (COA RJ).
-- Meu amigo se foi nesta segunda-feira de forma absurda. Sofreu um infarto dentro de um ônibus e agonizou por cerca de uma hora em frente ao Instituto Nacional de Cardiologia que estava em greve. Marigo era uma pessoa querida, bem humorada, idealista, amante da natureza e fotógrafo reconhecidamente competente. Vai deixar muita saudade, boas lembranças, tristeza pela perda e amigos inconformados com uma tragédia que poderia ter sido evitada. Morte sem atendimento na porta do hospital. Descanse de tudo isso, Marigo! -- disse Hélio.

terça-feira, 3 de junho de 2014

CARTE. La France aux 14 régions de François Hollande, par Cécile Dehesdin

Cette fois-ci, le compte est bon. François Hollande a annoncé vouloir réduire le nombre de régions métropolitaines de 22 à 14. Quelles régions fusionnent, quelles régions restent inchangées?


On en annonçait 12, il y en aura finalement 14. La réforme territoriale de François Hollande laisse six régions inchangées: Bretagne, Ile-de-France, Pays de la Loire, Nord-pas-de-Calais, Corse et Aquitaine.
Elle fait fusionner les autres: l'Auvergne et Rhône-Alpes, les Midy-Pyrénées et le Languedoc-Roussillon, le Poitou-Charentes, le Centre et le Limousin, la Basse et Haute Normandie, la Picardie et Champagne-Ardennes, la Bourgogne et la Franche Comté, et enfin l'Alsace et la Lorraine.
Le Président n'a pas tranché entre Ségolène Royal, qui soutenait une super-région Pays de la Loire/ Poitou-Charentes, et Jean-Marc Ayrault, qui préconisait un Pays de la Loire/ Bretagne: au final, la Bretagne comme le Pays de la Loire continuent seuls.

O animal político, Paulo Delgado, O Globo

A política brasileira está na infância. Ainda valoriza o animal político. Este líder-rainha que pode tudo, construtor de labirintos destinados a desconstruir a noção de autoridade.
Conheci, em Turim, Norberto Bobbio, que sintetizava esse sentimento cansativo que tanto domina a vida pública italiana da seguinte maneira: tudo é política, mas a política não é tudo.
Na atual sucessão brasileira, três bons candidatos despontam sem nenhum risco de marcha a ré em nossa democracia.
Encontrei Mandela em uma rua de Maputo sozinho. Cumprimentei-o e disse que o havia recebido na Câmara dos Deputados do Brasil nos anos 90. “Se der, passa lá em casa”, ouvi do maior líder moral do nosso tempo.
Estava em Díli, no dia da Independência do Timor, e tinha na minha frente um grandalhão vermelho e louro na fila do café. Era Clinton aguardando sua vez para atacar o bufê, mas curioso também sobre a vida brasileira.
Vaclav Havel liderou a Revolução de Veludo e encontrava tempo para passear distraído por Praga.
Na sala de espera de um consultório médico da Rua Timbiras, em Belo Horizonte, o governador Itamar Franco aguarda sozinho sua hora de ser atendido.
José Mujica mora em um sítio nos arredores de Montevidéu e não aceita o título de presidente mais pobre do mundo. “Eu não sou pobre. Pobre é quem precisa de muito para viver.”
A política dá trabalho, mas “não me venham com essa história de que a vida é só isso”.
Dominar os códigos da política é o maior desafio posto para os eleitores nos anos de sucessão. O povo, desconfiado, os chama de “ano da política”. É cada vez mais o “ano dos políticos” diante do “curto-prazismo” que tomou conta de tudo e dessa mania de abelha que fez dos governos colmeias de fornecedores de mel.
A vantagem de encontrar um líder sozinho, como um cidadão, sem imposição ou impostura, é poder, neste caso, por mais contraditório que pareça, ver melhor na sombra do que na luz.
Muitas vezes os processos sociais são tão intensos — e uma eleição é um deles, carregada de paixão e muitas vezes irracionalismo — que os processos psíquicos e as verdadeiras motivações dos líderes desaparecem em labirintos e esconderijos.
A tendência de querer suplantar a autonomia da sociedade e subjugar a vida privada pelos interesses do Estado costuma não poupar nenhum vitorioso, liberal ou socialista. Como hoje os governos são agências de publicidade, parece não haver o mal como projeto ou qualquer política pública condenável.
Tornou-se muito fácil dar o nome que se quiser a essa democracia que se acomoda perfeitamente a slogans e simplificações. Conectar os candidatos a suas vidas e seus feitos é uma exigência da boa escolha. Já é hora de uma sucessão sem desalinhamentos personalistas e essa conversa de “botar para quebrar”.
No salão do Julinho no Liberty Mall, em Brasília, Dilma arruma seu cabelo como tantas outras mulheres do país. No Polis Sucos, no Rio, Aécio pede um de melancia e leva pela rua sem incomodar ninguém. Na Pizzaria Libório, em Recife, Eduardo Campos faz um lanche com seus filhos.
Que os aparatos de poder não mudem ou moldem nossos líderes.

Paulo Delgado é sociólogo e foi constituinte pelo PT de Minas Gerais.

domingo, 1 de junho de 2014

Cartas de Buenos Aires: Hermanos, pero no tanto!, por Gabriela Antunes

Comentario meu--desde sempre havia me mantido alheio a essa babaquice nacionalistica.....mas.....me pegaram!, e agora passei a implicar! Cada um tem o Muro de Berlim que merece!

..................................................................xxxxxxxxxxxxxxx.............................................................

Chegou finalmente o evento que todos os brasileiros morando na Argentina temem: a Copa do Mundo. Este reino de relativa paz no qual vivemos, onde a bossa nova embala as lojinhas cool de Palermo Soho, as praias brasileiras moram no éden do imaginário dos hermanos e as mulheres brasileiras desfrutam de um mimo extra dos mocinhos graças ao nosso tropicalismo, começa a desmoronar.
A trégua acabou. Não é intencional, mas a cidade pintada de azul celeste e branco começa a parecer uma provocação premeditada.
Silenciosamente, inicio um embargo aos patrocinadores da seleção argentina. Não compro os produtos. Não é uma atitude muito adulta, confesso.
Quando vim morar aqui há mais de quatro anos, cansei de ouvir comentários tipo “Argentina? Você sabe que há argentinos morando lá? ”


Admito que esperei o pior. Esperei aquele argentino da piada, aquele que, para suicidar, pula de seu ego. É certo que dei de cara com um argentino duro, desconfiado, cara fechada, difícil de conquistar. Talvez ele não seja humilde de nascença, quiçá tenha aprendido a ser mais modesto com os difíceis momentos que o país atravessa. Os argentinos padecem de melancolia crônica, mas são incapazes de desejá-la ao seu próximo. Do Brasil, invejam nossa alegria como algo inalcançável, mas não deixam de almejá-la.
Quem tem um amigo argentino sabe que ele é para a vida toda. E mais: aconselho que todo mundo, alguma vez na vida, tenha um amigo argentino.
Argentinos sobrevalorizam nossa prosperidade econômica, nossas praias, mulheres e música. Acham que a grama do vizinho é mais verde do que a deles. Isto é, até a Copa do Mundo chegar.
Eles também querem a Taça. Por enquanto, no barzinho da esquina a piadinha ainda é “ vamos levar essa, hein? ”
Eu respondo “nem a pau” sorrindo, mas me pergunto até quando vou falar de bom humor.
E tenho uma confissão terrível a fazer: prefiro que a Argentina perca a que o Brasil ganhe, se tenho essa escolha.
Serão QUATRO anos de piadinhas. QUATRO anos daquele argentino que tinha aprendido a ser modesto voltando às raízes pernósticas. QUATRO anos de comerciais de televisão com o Messi. QUATRO anos de “o Maradona é melhor que o Pelé”.
Enquanto penduro as bandeirinhas brasileiras na varanda (sou brasileira e não desisto de implicar nunca), vou lembrando do que era entrar na redação do jornal onde trabalhava, quando o Brasil perdia um amistoso que fosse: cabeça baixa, escorregando devagar na cadeira do escritório, encontrando, colado na minha tela de computador, o resultado do jogo da noite anterior. Não tardava muito, vinha um engraçadinho apontar o dedão.
Vai ser dureza.

Gabriela G. Antunes é jornalista e nômade. Cresceu no Brasil, mas morou nos Estados Unidos e Espanha antes de se apaixonar por Buenos Aires. Na cidade, trabalhou no jornal Buenos Aires Herald e hoje é uma das editoras da versão em português do jornal Clarín.