quarta-feira, 26 de março de 2014

Grupos econômicos que ganharam com a ditadura, por Carlos Tautz

Os 50 anos do golpe empresarial-militar e o amplo movimento social de investigação histórica inspirado pela criação da Comissão Nacional da Verdade (CNV) estimularam o aprofundamento das pesquisas sobre origens, causas, consequências e agentes do planejamento e consecução da derrubada do presidente João Goulart em 1964 e da ditadura que durou até 1985.
Sabendo ou não que esse movimento aconteceria, a presidenta Dilma acertou ao criar – mesmo com evidentes limites políticos e legais – a CNV para investigar, particularmente, violações de direitos humanos cometidas durante os 21 anos de arbítrio.
Mas, ainda é necessário fechar as enormes lacunas de desconhecimento do papel que jogaram no golpe e na ditadura grandes grupos econômicos. Nesse período, eles forjaram seus superlativos patrimônios em simbiose com o Estado e, quando imaginaram que a esquerda tivesse sucesso em se sublevar, não duvidaram em financiar os aparelhos repressivos que torturaram e mataram centenas de brasileiros.
Um emblema desse financiamento foi Henning Boilesen, presidente do Grupo Ultragás, que em 69 coletava a “caixinha” de empresários que financiaram a Operação Bandeirante, centro de tortura em São Paulo, e era ele mesmo um dos verdugos dos presos políticos.
Um precioso ponto de partida para entender essa simbiose de interesses econômicos com políticas públicas é a seminal obra de René Armand Dreifuss - a começar pelo extraordinário “1964: a conquista do Estado”.
Nela, o professor uruguaio (falecido em 2003) mostrou a elite militar da Escola Superior de Guerra (ESG) se aproximando de empresários e militares estadunidenses para fundar organizações golpistas como o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), onde a CIA despejou milhões de dólares.
Dreifuss revelou nomes de generais, coronéis, executivos dos setores de comunicação, das finanças, das indústrias que puseram em marcha uma enorme máquina de propaganda mentirosa para desgastar João Goulart e, assim, criar um clima social que justificasse a quebra violenta da ordem constitucional. Sempre em atendimento aos interesses dos EUA, personificados no “pacifista” John Kennedy, que preconizava a deposição de Jango.
O professor, já em 1981, revelou que a elite militar também integrava conselhos e diretorias de grupos multinacionais. Provou que o golpe expressava um projeto empresarial de Brasil e, desta maneira, pode tranquilamente ser qualificado de golpe de classe.
Ter clara essa questão possibilita identificar a verdadeira estrutura econômica e política que se mantém mesmo após a ditadura. São relações privilegiadas e obscuras, entre Estado e agentes empresariais, e que estão base da persistente desigualdade social no País.

Carlos Tautz, jornalista, coordenador do Instituto Mais Democracia – transparência e controle cidadão de governos e empresas.

ÀS PORTAS DA DESAGREGAÇÃO FINAL, por Carlos Chagas

O país parece haver chegado ao limite. Não há uma cidade, uma região ou um estado onde a população tenha deixado de manifestar  sua indignação diante da má prestação de serviços públicos, de episódios de violência policial contra pessoas, de corrupção  envolvendo recursos públicos ou atividades  privadas e até de deficiência no funcionamento das instituições nacionais. Trata-se de um fenômeno novo em nossa realidade, iniciado em junho do ano passado com as primeiras manifestações populares de protesto e multiplicado até hoje,  trazendo em seu bojo excessos, violências e confronto entre o cidadão comum e a autoridade pública.
Tornou-se rotina assistir o povo ir para a rua, interromper o tráfego, erigir barricadas, queimar lixo, pneus e material de toda espécie, protestando porque uma bala perdida tirou a vida de um inocente, uma patrulha policial exorbitou de suas obrigações, uma determinada linha de ônibus ou um trecho do metrô não funcionou.  Ou uma quadrilha apropriou-se de seus direitos elementares.  Em ritmo  maior ou  menor,  segmentos cada vez maiores impõem sua resistência diante da  má qualidade das obrigações que o Estado deveria prestar às custas de extorsivos impostos e taxas cobrados em ritmo sempre maior. Claro que em meio a essas manifestações infiltram-se bandidos empenhados em  depredar, invadir e até matar. Para não falar que o crime organizado aproveita-se de cada episódio para tirar partido da impotência  do poder público em garantir a lei e a ordem, ampliando sua ação  perversa e deletéria.
Do que se fala hoje é da evidência de um sentimento de basta,   de chega,   levado dos corações de cada um para  a explosão de todos. Tome-se Brasília, nas duas últimas semanas. Rodovias interrompidas, ônibus saqueados e incendiados, trabalhadores  impedidos de locomover-se, famílias obrigadas a refugiar-se, autoridades públicas desmoralizadas e sitiadas em locais onde seu resgate torna-se mais humilhante do que a impotência demonstrada em manter a lei e a ordem. A hora é do “cada um por si”, diante da falência do poder público.
Indaga-se onde tudo isso vai dar. A resposta surge clara: no caos. Na  impossibilidade de continuar indefinidamente o processo de desagregação social corroendo os princípios básicos  da convivência civilizada. Em pleno Século XXI retornamos à barbárie, da qual escapam apenas os privilegiados, por ironia os maiores responsáveis pela débâcle que nos assola. Até justiça pelas próprias mãos começou a ser feita pelos incapazes de conter a própria indignação.
Devem tomar cuidado os chamados poderes constituídos, em pleno processo de desagregação. Já não conseguem mais preservar a autoridade, sequer os locais onde se encastelam. Não é de hoje que as multidões tentam invadir os palácios, depois de haver tomado conta das ruas. O pior é que agem assim sem ideologia, sem partidos políticos, muito menos sem planos, propostas  e programas definidos. São impulsionadas pelo descrédito no que existe à sua volta  e pelo desespero de não poder  erigir alternativas. Não demora chegará a desagregação final.

Joaquim Barbosa, Noblat e a história , por Bartolomeu Rodrigues

O processo aberto pelo Ministério Público contra o jornalista Ricardo Noblat a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, é uma daquelas situações que transpõem o fato jurídico. Em busca de significados, resvalei pela nossa historiografia, não raro titubeante, rasa, preconceituosa e bajuladora. Com honrosas exceções, claro.
Ipso facto, me ocorre que talvez esteja faltando tessitura a Joaquim Barbosa nessa controvérsia. Usar o racismo para processar um jornalista que fez críticas ao seu comportamento como juiz equivale explorar a superfície da História, desconsiderando o todo, que é mais profundo, aquilo que representou a saga dos negros aqui desembarcados ao longo de três séculos – sofridos, maltratados, brutalizados, assassinados e injustiçados.
A elevação do Brasil à nação deve-se, em escala muito alta, a mais de três milhões de homens e mulheres que deixaram sonhos e esperanças no seio da mãe África. Aliás, o que afinal forjou nossa identidade étnica é obra do sacrifício – dos negros escravizados aos índios caçados nas matas. Eu, você, Noblat e Joaquim somos produtos acabados dessa mistura, produtos inesperados de um empreendimento colonial destinado a ser uma mera feitoria, na feliz definição de Darcy Ribeiro. Ainda não compreendemos bem isso porque insistimos em nos banhar nas águas rasas, temos um medo inexplicável do que está no fundo.
Sendo assim, torna-se mais fácil e cômodo a tudo nivelar e uniformizar, ao invés de reverenciar a História e os personagens que a tornaram essencial ao que somos e seremos no futuro. Como não tenho interesse na causa nem estou aqui para defender ninguém, digo apenas que a crítica, por si só, incomoda, ainda mais quando filosófica. Os fortes de espírito são capazes de aprender com ela.
Pão, pães, é tudo uma questão de opiniães, diria o mineiro mais sabido de que já ouvi falar, João Guimarães Rosa.

Brasileira Helena Rizzo é eleita a melhor chef do mundo


  Helena Rizzo
                                        Helena Rizzo

A escolha é da revista londrina ‘The Restaurant’, a mais prestigiada do planeta
Helena Rizzo, do restaurante paulistano “Maní”, foi eleita a melhor chef mulher de 2014. O prêmio Veuve Clicquot é uma categoria especial do World’s 50 Best, da revista britânica Restaurant, que todo ano elege os 50 melhores restaurantes do mundo. A lista completa de vencedores será anunciada em Londres, no dia 28 de abril. Premiadíssimo no Brasil (o Maní é a casa com mais vitórias no Prêmio Paladar, entre outros títulos), o restaurante que Helena Rizzo comanda ao lado do marido, o chef espanhol Daniel Redondo, entrou para a lista dos 50 melhores do mundo em abril do ano passado, na 46ª posição. Em setembro, foi eleito o 5º melhor da América Latina. As apostas agora são de que o Maní deve subir algumas posições no ranking.
“Eu não sou a melhor cozinheira do mundo, é obvio, mas esse prêmio é um reconhecimento do trabalho que a gente faz”, disse a chef. “O prêmio não é meu, sem falsa modéstia, é de toda a equipe do Maní – e muito do Dani.” A homenagem ao marido não é por acaso, Helena e Daniel criam pratos, testam ingredientes, fazem de tudo juntos no Maní – só não ficam ao mesmo tempo na cozinha, o que faziam apenas no início. O restaurante nasceu de um sonho do casal, que se conheceu no El Celler de Can Roca, em Girona, na Espanha – atualmente, o número 1 do ranking 50 Best.
A gaúcha havia trocado a carreira de modelo pela de cozinheira e tinha passado por restaurantes na Europa. Estagiou em diversas cozinhas na Itália e na França e acabou parando na casa dos irmãos Roca, onde Daniel trabalhava havia 15 anos. Voltou ao Brasil casada com ele e com planos de abrir o restaurante. O casal inaugurou o Maní em 2006, com a atriz Fernanda Lima entre os sócios.
Aos 36 anos, a gaúcha Helena Rizzo está em grande forma. Sua cozinha é criativa, técnica e reflete uma capacidade ímpar de combinar sabor, frescor e beleza. O menu do Maní é composto de pratos leves, surpreendentes, que podem ser pedidos à la carte ou em forma de degustação (o menu de oito tempos custa R$ 340 por pessoa sem vinhos e R$ 480 com harmonização de vinhos).
“A habilidade de conciliar tradição e técnicas contemporâneas é parte talento e parte experiência”, destaca o texto que anuncia a vitória da brasileira. Helena venceu a quarta edição do prêmio – e é a única eleita até agora, que não tem a cozinha classificada com a cotação máxima de três-estrelas do célebre guia francês Michelin. (O guia não é editado no Brasil).
Este prêmio foi criado em 2011, uma categoria especial, e já consagrou a francesa Anne-Sophie-Pic (restaurante Pic), a italiana Nadia Santini (Dal Pescatore) e a espanhola Elena Arzak (Arzak). “Embora no Brasil não exista esse negócio de discriminação da mulher na cozinha – pelo menos no meu tempo, nunca senti – acho que esse prêmio é bom porque valoriza a cozinha brasileira, a gastronomia nacional”, disse a chef.

terça-feira, 25 de março de 2014

Real Gabinete Português de Leitura (1887), RJ, por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

           

As grandes bibliotecas são lugares apaixonantes. Sempre olhei as prateleiras cheias e coloridas com um misto de respeito e encantamento. Em primeiro lugar, formam um cenário lindo, do qual ninguém se cansa. E depois, a curiosidade, o mistério...
O que será que aqueles tesouros encerram? Que pensamentos, histórias, amores, casos, pessoas, lugares, cidades, paisagens? É fascinante sentar, em silêncio, e olhar essa fieira de amigos silenciosos, e à nossa disposição, que estão ali para nos encantar e instruir.
Nestas duas semanas, falamos das obras-primas que conservam obras-primas. Foi uma doce viagem por lindas e históricas bibliotecas. Na verdade, e vou me repetir, é um passeio que se faz por porta-joias que são verdadeiras joias.
Não encerro pela mais antiga, nem pela mais rica, nem pela guardiã dos maiores tesouros. Mas pela que sempre figura entre as mais importantes do mundo, em beleza e riqueza do acervo, e que fica no Rio, no coração desta cidade, atrás do histórico Largo de São Francisco, ao pé da Praça Tiradentes e a dois passos das ruas do Ouvidor e Gonçalves Dias, por onde andaram Machado, Lima Barreto, Bilac, Nabuco, João do Rio, e outras figuras de nossa herança cultural. Aliás, todos frequentadores do belíssimo Real Gabinete.

              

A instituição foi fundada em 1837 e em 1880 a sede original já era pequena para o grande acervo acumulado. Basta dizer que a biblioteca, em 1860, contava com cerca de 33.000 volumes e, vinte anos depois, rondava os cinqüenta mil exemplares.

Inaugurada em 1887, a fachada da nova sede, inspirada no Mosteiro dos Jerônimos, em pedra de Lioz trazida de Lisboa, tem quatro estátuas, a saber: Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Infante D. Henrique e Vasco da Gama, e nos medalhões, os escritores Fernão Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano e Almeida Garrett.


O interior também é em estilo neomanuelino nas portadas, nas estantes de madeira e nos monumentos comemorativos. Infelizmente, não tenho muitas fotos, mas as que tenho, são representativas.
Aberta ao público desde 1900, a biblioteca do Real Gabinete possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal.
Com cerca de 350.000 volumes, possui obras raras como um exemplar da edição "princeps" de “Os Lusíadas” (1572); “As Ordenações de D. Manuel” (1521); os “Capitolos de Cortes e Leys que sobre alguns delles fizeram” (1539); a “Verdadeira informaçam das terras do Preste Joam, segundo vio e escreveo ho padre Francisco Alvarez” (1540); um manuscrito da comédia "Tu, só tu, puro amor", de Machado de Assis, e muitas outras.

            

Morador do Rio que nunca lá esteve, francamente... não merece morar aqui!

E quem veio ao Rio e não foi lá, sinto muito, foi ao ar e perdeu o lugar...

Rua Luis de Camões, 30  Rio de Janeiro, RJ

Perguntas não respondidas sobre a Petrobras (Editorial) o Globo

Comentario meu--.. "investigadas com o devido rigor" por quem e praquê cara-palida?? Tudo farinha do mesmo saco! E o sonho da maioria é entrar nesse saco! Ou esqueces-te o velho e confirmado axioma--NEGOCIATA é um excelente negocio para o qual VC nao foi convidado! Bolas, brasil acorda! Sobram falsos moralista e faltam CIDADAOS!

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A aberração das cifras em torno da compra de uma refinaria em Pasadena, Texas, junto à empresa belga Astra, era conhecida. 

A história ganhou outra dimensão, e gigantesca, com a iniciativa da presidente Dilma Rousseff de redigir nota de próprio punho para explicar que aprovou a exótica operação, em 2006, quando estava à frente do conselho de administração da Petrobras, com base num sumário “técnica e juridicamente falho” feito pelo diretor da área internacional da empresa, Nestor Cerveró.

A decisão da presidente ajudou a iluminar facetas obscuras do estilo de administração do ramo lulopetista que passou a controlar a estatal a partir de 2003. Uma delas, o apadrinhamento de políticos e partidos a diretores, mesmo em áreas técnicas.

                   
                                   Nestor Cerveró. Foto: Agência Petrobras

O fato de Cerveró, embora sob críticas da então ministra-chefe da Casa Civil e futura indicada a suceder Lula no Planalto, sobreviver na estatal — foi transferido para a diretoria financeira BR Distribuidora, cargo também de confiança — se deve, vê-se hoje com clareza, ao fato de ter sido ungido pela dupla de senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Delcídio do Amaral (PT-MS), embora os dois procurem hoje apagar aquela indicação dos currículos.
Mas persistem pontos de interrogação sobre o intenso tráfico de influências na estatal. Preso pela Polícia Federal, numa investigação sobre lavagem pesada de dinheiro, o ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, é outro caso idêntico. Teria obtido a proteção do PMDB e PP.
O grave disso tudo é que se estabelece relação direta entre a farra de interferências políticas na Petrobras e perdas bilionárias em certos negócios, com gritantes indícios de superfaturamento.
Presidente da estatal em boa parte daquele período, José Sérgio Gabrielli se apressou a fazer reparos a Dilma e explicar que uma das cláusulas do contrato de compra da refinaria que a presidente criticara, a put option, segundo a qual o sócio em divergência com o outro compra a parte deste, é usual no mercado.
Mas como explicar o fato de uma refinaria comprada pelos belgas por US$ 42,5 milhões custar não muito depois US$ 1,2 bilhão, mesmo considerando a elevação do preço do petróleo no mercado internacional?
E parece haver uma sucessão de maus negócios fechados pela estatal naqueles tempos. Neste fim de semana, O GLOBO ampliou a história de outra compra nebulosa de refinaria, esta no Japão: a Petrobras pagou por ela, em 2008, US$ 71 milhões, já teria gastado US$ 200 milhões na empresa e tenta repassá-la adiante. Mas a última oferta obtida foi de US$ 150 milhões. Importante: negócio fechado na gestão Gabrielli, com Cerveró e Paulo Roberto Costa na empresa.
Há indícios demais de práticas pouco sérias na administração da estatal de 2003 em diante para que não sejam investigadas com o devido rigor, em nome de um mínimo de ética na gestão pública.

Cartas de Berlim: Vale o quanto pesa?, por Albert Steinberger

Berlim é uma cidade conhecida por ter várias opções de se comer e beber bem e barato. Por cinco euros é possível encontrar pratos bons e nas ruas ainda existem lugares que vendem uma cerveja de meio litro por um euro.
Mas o lugar que eu fui no último fim de semana, não tem a ver com opções baratas de restaurantes, ou bocadas. Lá você paga o quanto quiser, depois de comer e, principalmente, beber vinho à vontade.
A Weinerei (na tradução significa algo como vinharia) são, na verdade, três restaurantes todos próximos uns dos outros no bairro de Prenzlauer Berg. Fui com amigos no menor e mais aconchegante deles, chamado Perlin.
Ao chegar uma garçonete/somelier veio nos explicar como funciona o lugar. São dois euros para pegar uma taça e se servir a vontade. Em cima do bar existem cerca de cinco opções de vinho de uvas e regiões diferentes. "A ideia é que se possa experimentar uma grande variedade e conhecer sabores diferentes", explicou ela com muita simpatia.
Eu não sou um grande especialista em vinho e resolvi obedecer. Comecei com um vinho Crianza espanhol, mas depois experimentei um Chianti e um Tempranillo. A partir daí, confesso que já não me lembro mais.

               

E para comer nos foi trazido o menu do dia, com uma sopa, salada e depois o prato principal, que no nosso caso foi cuscuz com batatas e peru. O ambiente é bem descontraído, sem frescura e algumas vezes parece até que você está na casa de um amigo se servindo.
E no final, o pedido é que se pague o que você deixaria normalmente em um restaurante, mas não há preços e vai da consciência de cada um. Aí começa a parte mais interessante da Weinerei que é um apelo ao bom senso das pessoas.
No fim da noite, você se encontra embriagado e tentando contar mais ou menos quanto consumiu. Eu tentei me afastar ao máximo daquela voz da lei de Gérson, que ecoa dentro de cada um de nós nestas situações. A máxima individualista de levar vantagem em tudo deu lugar a um respeito por um restaurante que tem um princípio de confiar nas pessoas.
Um negócio deste tipo baseado na boa-fé parece, a princípio, fadado ao fracasso, mas a Weinerei funciona desde os anos 90 e continua firme e forte. Claro que com este modelo de negócio não é possível ter uma margem de lucro muito grande, mas a ideia nem é esta.
A Weinerei se tornou famosa com base neste princípio, que é quase um apelo a generosidade dos clientes. Eu deixei 20 euros em uma jarra de vidro que ficava em cima do balcão, o equivalente a uns 65 reais, e saí com a certeza de voltar em breve, com ainda mais amigos.

Albert Steinberger é repórter freelancer, ciclista e curioso. Formado em Jornalismo pela UnB, fez um mestrado em Jornalismo de Televisão na Golsmiths College, University of London. Atualmente, mora em Berlim de onde trabalha como repórter multimídia para jornais, sites e TVs.

O “fascismo do bem”, por Ricardo Noblat


         
Imaginem a seguinte cena: em campanha eleitoral, o deputado Jair Bolsonaro está no estúdio de uma emissora de televisão na cidade de Pelotas. Enquanto espera a vez de entrar no ar, ajeita a gravata de um amigo. Eles não sabem que estão sendo filmados. Bolsonaro diz: "Pelotas é um pólo exportador, não é? Pólo exportador de veados..." E ri.
A cena existiu, mas com outros personagens. O autor da piada boçal foi Lula, e o amigo da gravata torta, Fernando Marroni, ex-prefeito de Pelotas. Agora, imaginem a gritaria dos linchadores "do bem", da patrulha dos "progressistas", da turma dos que recortam a liberdade em nome de outro mundo possível... Mas era Lula!
Então muita gente o defendeu para negar munição à direita. Assim estamos: não importa o que se pensa, o que se diz e o que se faz, mas quem pensa, quem diz e quem faz. Décadas de ditaduras e governos autoritários atrasaram o enraizamento de uma genuína cultura de liberdade e democracia entre nós.
Nosso apego à liberdade e à democracia e nosso entendimento sobre o que significam liberdade e democracia são duramente postos à prova quando nos deparamos com a intolerância. Nossa capacidade de tolerar os intolerantes é que dá a medida do nosso comprometimento para valer com a liberdade e a democracia.
Linchar Bolsonaro é fácil. Ele é um símbolo, uma síntese do mal e do feio. É um Judas para ser malhado. Difícil é, discordando radicalmente de cada palavra dele, defender seu direito de pensar e de dizer as maiores barbaridades.
A patrulha estridente do politicamente correto é opressiva, autoritária, antidemocrática. Em nome da liberdade, da igualdade e da tolerância, recorta a liberdade, afirma a desigualdade e incita a intolerância. Bolsonaro é contra cotas raciais, o projeto de lei da homofobia, a união civil de homossexuais e a adoção de crianças por casais gays.
Ora, sou a favor de tudo isso - e para defender meu direito de ser a favor é que defendo o direito dele de ser contra. Porque se o direito de ser contra for negado a Bolsonaro hoje, o direito de ser a favor pode ser negado a mim amanhã de acordo com a ideologia dos que estiverem no poder.
Se minha reação a Bolsonaro for igual e contrária à dele me torno igual a ele - eu, um intolerante "do bem"; ele, um intolerante "do mal". Dois intolerantes, no fim das contas. Quanto mais intolerante for Bolsonaro, mais tolerante devo ser, porque penso o contrário dele, mas também quero ser o contrário dele.
O mais curioso é que muitos dos líderes do "Cassa e cala Bolsonaro" se insurgiram contra a censura, a falta de liberdade e de democracia durante o regime militar. Nós que sentimos na pele a mão pesada da opressão não deveríamos ser os mais convictamente libertários? Ou processar, cassar, calar em nome do “bem” pode?
Quando Lula apontou os "louros de olhos azuis" como responsáveis pela crise econômica mundial não estava manifestando um preconceito? Sempre que se associam malfeitorias a um grupo a partir de suas características físicas, de cor ou de origem, é claro que se está disseminando preconceito, racismo, xenofobia.
Bolsonaro deve ser criticado tanto quanto qualquer um que pense e diga o contrário dele. Se alguém ou algum grupo sentir-se ofendido, que o processe por injúria, calúnia, difamação. E que peça na justiça indenização por danos morais. Foi o que fizeram contra mim o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas daí a querer cassar o mandato de Bolsonaro vai uma grande distância.
Se a questão for de falta de decoro, sugiro revermos nossa capacidade seletiva de tolerância. Falta de decoro maior é roubar, corromper ou dilapidar o patrimônio público. No entanto, somos um dos povos mais tolerantes com ladrões e corruptos. Preferimos exercitar nossa intolerância contra quem pensa e diz coisas execráveis.
E tudo em nome da liberdade e da democracia...

segunda-feira, 24 de março de 2014

Avanço tecnológico desafia capitalismo

Com muitos bens e serviços chegando a um custo quase zero, o que será da economia?///Por Redação Link
    
              Jeremy Rifkin //// The New York Times
Estamos começando a testemunhar um paradoxo no coração do capitalismo. O dinamismo inerente de mercados competidores está baixando de tal forma os custos que muitos bens e serviços estão se tornando quase gratuitos, abundantes, e não mais sujeitos às forças do mercado. A revolução tecnológica está trazendo esses custos a quase zero.
Os primeiros indícios do paradoxo surgiram em 1999 quando o Napster desenvolveu uma rede permitindo que milhões de pessoas compartilhassem música de graça, causando estragos na indústria musical. Fenômenos parecidos abalaram seriamente as indústrias de publicação de jornais e livros.
A enorme redução dos custos marginais abalou esses setores e agora está começando a remodelar o setor de energia, a indústria de transformação e a educação. Apesar de os custos fixos da tecnologia de energia solar e eólica serem um tanto salgados, o custo de capturar cada unidade de energia depois de instalada é baixo. Este fenômeno penetrou até no setor manufatureiro. Milhares de amadores estão fazendo seus próprios produtos com impressoras de 3-D, software aberto e plástico reciclado como matéria-prima a um custo quase zero.
Por sua vez, mais de 6 milhões de estudantes estão matriculados em cursos online cujo conteúdo é distribuído a um custo marginal quase zero.
Observadores do setor reconhecem a realidade assustadora de uma economia com custo marginal quase zero, mas argumentam que produtos e serviços gratuitos atrairão um número suficiente de consumidores para comprar bens e serviços mais sofisticados, assegurando margens de lucros suficientes. Mas o número de pessoas dispostas a pagar pelos bens e serviços especiais é limitado.
Internet das coisas. Agora, o fenômeno está prestes a afetar a economia como um todo. Uma formidável nova infraestrutura de tecnologia – a internet das coisas – está surgindo com o potencial de empurrar boa parte da vida econômica para um custo marginal quase zero nas próximas duas décadas. Esta nova plataforma tecnológica está começando a conectar tudo e todos. Hoje, mais de 11 bilhões de sensores estão afixado em recursos naturais, linhas de produção, a rede elétrica, redes logísticas e fluxos de reciclagem, e implantados em casas, escritórios, lojas e veículos, alimentando uma enormidade de dados na internet de coisas. Em 2020, segundo projeções, seriam pelos menos 50 bilhões os sensores a ela conectados.
A questão não resolvida é como esta economia do futuro funcionará quando milhões de pessoas puderem fazer e compartilhar bens e serviços quase de graça? A resposta está na sociedade civil, que consiste de organizações sem fins lucrativos que atendem às coisas na vida que fazemos e compartilhamos como comunidade. Em termos monetários, são uma força poderosa. As receitas dessas organizações cresceram sólidos 41% de 2000 a 2010, mais que o dobro do crescimento do Produto Interno Bruto, que cresceu 16,4% no mesmo período. Em 2012, o setor sem fins lucrativos nos Estados Unidos respondeu por 5,5% do PIB.
Inclusão
O que torna a comunidade social mais relevante hoje é que estamos construindo uma infraestrutura de internet das coisas que aprimora colaboração e acesso universal, cruciais para a criação de capital social e marcar o início de uma economia solidária.
Esta abordagem colaborativa em vez de capitalista diz respeito mais ao acesso compartilhado que à propriedade privada. Por exemplo, 1,7 milhão de pessoas em todo o mundo integram serviços de compartilhamento de carros. Uma pesquisa recente revelou que o número de veículos possuídos por participantes desse sistema caiu pela metade após sua adesão o serviço, pois os membros preferiram acesso em vez de propriedade. Milhões de pessoas estão usando sites de mídias sociais, redes de redistribuição, aluguéis e cooperativas para compartilhar não somente carros, mas também casas, roupas, ferramentas, brinquedos e outros itens, a um custo marginal baixo ou quase nulo. A economia solidária teve receitas projetadas de US$ 3,5 bilhões em 2013.
O fenômeno do custo marginal nulo é particularmente impactante no mercado de trabalho, onde fábricas e escritórios sem trabalhadores, varejo virtual e redes automatizadas de logística e transporte estão prevalecendo. Não surpreende que as novas oportunidades de emprego estejam na comunidade cooperativa em campos que tendem a ser não lucrativos e fortalecem a infraestrutura social – educação, saúde, ajuda aos pobres, recuperação ambiental, atendimento infantil e atendimento a idosos, promoção das artes e recreação.
Nos Estados Unidos, o número de organizações sem fins lucrativos cresceu aproximadamente 25% entre 2001 e 2011, de 1,3 milhão para 1,6 milhão, enquanto as empresas com fins lucrativos cresceram apenas 0,5%. Nos EUA , Canadá e Grã-Bretanha, o emprego no setor sem fins lucrativos excede 10% da força de trabalho.
O sistema capitalista deve permanecer entre nós por muito tempo, ainda que com um papel mais delimitado, principalmente como agregador de serviços e soluções de rede e prosperando como um poderoso operador de nicho. Entramos em um mundo parcialmente fora dos mercados, onde estamos aprendendo a viver numa comunidade cada vez mais interdependente, cooperativa e global. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

domingo, 23 de março de 2014

To whom it may concern


In dubio pro reo....ou nao!?


...piaba cantava..êta briga boa (muito desigual!)......pra alguns um investimento, perdendo a grandeza




.....nos "enta", "papo amarelo" canta afinado.....


Aos vinte a Banda passa.....disparada!!!

 


Chegou a conta da Bolsa Conselho, por Elio Gaspari, O Globo

A prática é velha: reforça-se o orçamento dos hierarcas nomeando-os para conselhos de empresas. Ela vale tanto na administração federal como nas dos estados. Tome-se o exemplo de Dilma Rousseff.
Em 2006, como chefe da Casa Civil, tinha um salário mensal de R$ 8.362. Em 2007, ganhava R$ 8.700 mensais como conselheira da Petrobras e de sua distribuidora. À Casa Civil, ela ia todo dia; aos conselhos, uma vez a cada dois meses (e às vezes chegava atrasada).
O conselho de Itaipu, joia da coroa do comissariado, paga R$ 19 mil. Em 2012 havia 13 ministros nas bolsas Conselho, e os doutores Guido Mantega e Miriam Belchior fechavam os meses com um total de R$ 41,5 mil. A comissária Belchior estava no conselho da BR Distribuidora, para quê, não se sabe.
Quando o PT estava na oposição, reclamava disso. No governo, acostumou-se. Agora chegou a conta. Como integrante (e presidente) do Conselho da Petrobras, Dilma é responsável pela aprovação da ruinosa compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos.

            
                            Dilma Rousseff. Foto: Ana Araújo / Arquivo

A repórter Andreza Matais obteve do Planalto uma nota, escrita pela doutora, informando que a decisão foi tomada com base num relatório “técnica e juridicamente falho”. A ver. A ruína estava em duas cláusulas do contrato, e elas viriam a custar US$ 820 milhões à empresa.
A explicação segundo a qual esses dispositivos só chegaram ao conhecimento dos conselheiros depois da aprovação do negócio é plausível. Mesmo que a doutora só tenha percebido a ruína depois, era a poderosa chefe da Casa Civil. Quem pode tirar quaisquer dúvidas sobre o caso é o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que está preso na Polícia Federal.
Numa estrutura séria, seria demitido o presidente da empresa, ou iriam embora os conselheiros que se julgaram desinformados.
Os conselhos de estatais não são sérios, são bicos. O caso da refinaria acertou a testa da doutora Rousseff, a gerentona que pode ser acusada de viver num mundo de verdades próprias, mas nunca se meteu em transações tenebrosas.
A vida é arte, errar faz parte. Enquanto houver hierarcas em boquinhas, o erro será a arte.

Elio Gaspari é jornalista.

Credo de um Guerreiro Samurai - anônimo do séc. XIV




Credo de um Guerreiro Samurai - anônimo do séc. XIV


Não tenho pais: fiz do céu e da terra os meus pais.
Não tenho lar: fiz da percepção o meu lar.
Não tenho vida ou morte: fiz do fluir e refluir da respiração a minha morte.
Não tenho poder divino: fiz da honestidade o meu poder divino.
Não tenho recursos: fiz da compreensão os meus recursos.
Não tenho segredos mágicos: fiz do caráter o meu segredo mágico.
Não tenho corpo: fiz da resistência o meu corpo.
não tenho olhos: fiz do relâmpago os meus olhos.
Não tenho ouvidos: fiz da sensibilidade os meus ouvidos.
Não tenho membros: fiz da diligência os meus membros
Não tenho estratégia: fiz da mente aberta a minha estratégia.
Não tenho perspectivas: fiz de "agarrar a oportunidade por um fio" as minhas perspectivas.
Não tenho milagres: fiz da ação correta os meus milagres.
Não tenho principios: fiz da adaptabilidade a todas as circunstâncias os meus principios
Não tenho táticas: fiz do pouco e do muito as minhas táticas.
Não tenho talentos: fiz da agilidade mental os meus talentos.
Não tenho amigos: fiz da minha mente o meu amigo.
Não tenho inimigos: fiz do descuido o meu inimigo.
Não tenho armadura: fiz da benevolência e da imparcialidade a minha armadura.
Não tenho castelo: fiz da mente imutável o meu castelo.
Não tenho espada: fiz da ausência de ego a minha espada.
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"Um guerreiro não desiste daquilo que ama, ele encontra amor no que faz.”





Jaguar: Somos racistas--O Dia


Rio - Porque somos brasileiros e cada vez me convenço mais de que no Brasil existe o pior tipo de racismo, o enrustido, que não ousa dizer seu nome. Chegamos a um paradoxo: o Brasil é racista mas nenhum brasileiro admite que é. Os recentes casos nos campos de futebol, do juiz lá no Sul, do Arouca e do Tinga, focaram os holofotes da mídia no tema. No caso do Tinga, a TV mostrou torcedores imitando macaco e jogando cascas de banana no gramado.
Então por que a polícia não prendeu na hora os caras na arquibancada, já que racismo é crime imprescritível, inafiançável, hediondo e o escambau? E depois temos que aguentar cartolas e autoridades lamentando e condenando, com ar consternado, o episódio. Na verdade, a repressão é só da boca pra fora, fica tudo por isso mesmo. E ouso dizer que aqui o racismo tem mão dupla. Para exemplificar, repito uma história que aconteceu comigo: fui vítima do racismo tanto de brancos quanto de pretos. Quando morei com uma preta, tive que ouvir do dono de uma grande editora o seguinte: “Queria convidá-lo para um jantar na minha casa, mas por favor não leve sua mulher.” Na época (começo dos anos 70), eu estava na pior, vivia de biscates.


Morava num ‘subúrbio’ de Caxias, numa favela chamada Lote 15. Era discriminado pelos meus vizinhos, todos crioulos. Para eles eu era o branco azedo. O racismo no Brasil tem mão dupla. Acaba sobrando até para os macacos, que não têm nada com isso e viraram sinônimo de insulto em campo de futebol. A Sociedade Protetora de Animais devia protestar em defesa dos nossos ancestrais. Por falar em crioulo, é uma palavra que sempre usei afetivamente, mas agora é considerada politicamente incorreta. Em resumo, racista. Isso me faz lembrar o samba ‘Quatro Crioulos’, do show ‘Rosa de Ouro’, de 1965 (atenção, pauteiros, ano que vem fará 50 anos), do admirável Hermínio Bello de Carvalho. Segundo o Tio Guga, como chamo o Google, é — pasmem — de autoria de Nara Leão. A moça da Zona Sul fez um samba que poderia ser assinado pelo Cartola.


Cito o começo da letra: “Eram quatro crioulos inteligentes/ rapazes muito decentes/ fazendo inveja a muita gente/ muito bem empregados/ numa diretoria/ educados e formados em Filosofia/ e quando chega fevereiro/ ver os crioulos no terreiro/ é sensacional/ no dia de Carnaval/ são figuras de destaque/ no desfile principal/ esses quatro crioulos/ são o orgulho da gente de cor.”

sábado, 22 de março de 2014

'Humor não serve mais para nada', diz Jaguar, .......

........em sua 'última entrevista'

Arnaldo Bloch
                 

RIO - O título acima pode dar a entender que Jaguar, o cartunista mais escrachado do país, está amargurado. Afinal, aos 82 anos, teve que parar de beber, um duro golpe. Mas, em quatro horas de conversa, ele emenda uma piada na outra sem perder o fôlego, ri como criança, chama a fotógrafa Ana Branco de ditadora e, quando ela deixa o local para fotografar um bueiro que explodiu, sugere que gazeteie a pauta: “Bueiro estourado e Jaguar, dá no mesmo”. Sem medo de patrulha, o fundador do “Pasquim”, hoje chargista do “Dia”, dispara contra todo mundo. E desenha, bebe cerveja sem álcool, canta e, apesar da amnésia abstêmia que às vezes interrompe sua fala, passa a limpo, ou a sujo, uma vida que daria livro, filme ou ópera. De vanguarda...
No próximo dia 29 você faz 82 anos. Acontece que fevereiro de 2014 só tem 28 dias. Como é que fica?
Só faço aniversário de quatro em quatro anos. Na prática, tenho 20 anos e meio. Mas ando alquebrado. Este olho esquerdo está caído. Eu ia hoje ao médico dar uma levantada, mas tinha esta entrevista. Estou cansado de entrevistas. Outro dia me ligou uma menina da revista “F,” eu achei que era “S”, aí ela disse: “É ‘F,’ de foda-se”. Eu respondi: “Que modos são esses? Eu sou um velhinho!” Quando chegou aqui, era uma garota de 18 anos, olhos azuis, uma santa. Trouxe 20 pessoas. Veio também o (desenhista e roteirista) Arnaldo Branco, que eu respeito muito. E o Allan Sieber, que dizem que é o maior cartunista do mundo. Bom, o mais tatuado tenho certeza de que é. Mas chega! Esta é minha última entrevista. Ou não... mas é, sim. Depois de sair no GLOBO, só falo para o “New York Times”.
Há dois anos você levou um susto. Com a bebida. Parou mesmo?
Tive um carcinoma no fígado. Um “Che”. Segundo os exames, está extinto. Fiz muito turismo hospitalar em São Paulo. Agora só vou lá para comer, porque no Rio atualmente se come mal e caro. Se parei de beber? Parei. Agora, só cerveja sem álcool. Quer dizer, tem 0,5% de álcool. Ou seja, de 0,5 em 0,5 a gente pode chegar a um resultado expressivo! Como disse aquele comediante Marcelo Adnet, que também está abstêmio, “é zero, mas pelo menos não é usada”. Boa, né? Mas para quem tomava Underberg depois do café... eu até ganhei uma placa deles, a bebida foi criada no ano do meu nascimento: “Pelos serviços prestados desde 1932”. Na época, fiquei indignado: eu só comecei a beber Underberg com 10 anos!
Essas oito décadas foram bem loucas, não? Para quem quis servir ao Exército e sonhava comandar navio...
Eu entrei para a tropa porque tinha asma e era tão mimado pela minha mãe que achava que ia virar bicha. Meu número, para piorar, era 4-24. Depois, passei para a Marinha Mercante. Quando ia fazer minha primeira viagem, gamei numa guria e larguei tudo. Minha vida sempre foi assim. Como no filme “Match point”, do Woody Allen: a bola no filete da rede. Eu cometi todos os crimes possíveis — pode ser até que já tenha matado gente —, mas acho que já prescreveram. Cometi crimes ecológicos terríveis. No início dos anos 1950, saí do Exército muito doidão e fui dar um rolezinho na Amazônia. Passava os dias tomando cachaça, comendo as índias e dando tiro de chumbinho em macaco-prego. Mas eles não eram inocentes. Invadiam a palafita, roubavam tudo. Rádios, gravadores, comida. Eram alcoólatras. Bebiam nossa cerveja e à noite desabavam na mesa de sinuca, chapadões.
Como anda o Brasil na sua opinião? E o humor, tão importante durante a ditadura?
O Brasil continua uma merda, graças a Deus. Se não, o que seria de mim e dos meus colegas? Mas o humor não serve mais para nada. Quando uma charge, hoje, vai ser um acontecimento? O mundo e a internet assimilaram o humor de uma maneira que virou cocô de mosca. Pode xingar a mãe, falar o que quiser que não faz a menor diferença. E a gente ainda tem que concorrer com os grafiteiros, que agora os críticos chamam de artistas, mas só fazem emporcalhar a cidade e impôr-se. Isso me faz lembrar aquele polvo psicodélico da Tomie Ohtake na Lagoa. O Marcos Vasconcellos, meu amigo, compositor, desenhista, arquiteto, um radical, comprou bananas de dinamite e me chamou para a gente pegar um pedalinho de cisne e explodir aquilo. Declinei. Ainda bem, pois ia matar os mendigos que moravam naquele horror. Mas, voltando ao humor, ele anda muito sério, muito inteligente, sofisticado, mesmo quando é bom. O pessoal não se preocupa em fazer rir. A gente se sente feliz da vida quando consegue entender a piada. Por isso eu mudei. Detestava os Três Patetas. Hoje, adoro aquela coisa de martelada na cabeça, panelada na cara, dente arrancado. É o suprassumo. Mesmo assim, como hoje colaboro com um jornal popular, “O Dia”, sou reconhecido por taxistas e mendigos. Uma caixa de supermercado outro dia viu minha assinatura e perguntou: “Jaguar, o cartunista?” Eu disse: “Como é que você sabe?” E ela: “Eu posso ser humilde, mas me interesso por cultura.” Eu achei tão bonitinho!
Passados os acidentados anos Sarney/Collor/Itamar, tivemos três presidentes: Fernando Henrique, Lula e Dilma. Qual o seu olhar sobre eles?
São todos muito fraquinhos. Está faltando um estadista. Dilma é atrozmente medíocre. “Estresse hídrico” é o cacete. Lula eu conheci levado pelo Henfil, camisa de malha, jeans e Conga. Nunca acreditei nele. É um cara rancoroso. Uma vez me entregou um prêmio no Municipal. Olhou com uma raiva que nunca superei. Fernando Henrique eu entrevistei e depois ele me pediu para acompanhá-lo ao aeroporto. Estava orgulhoso de um relógio que tinha tudo. Dava para ver hora em Marte. Ele disse: “Olha, faz cálculos, tábuas, o diabo. Pode perguntar o que quiser.” Aí eu perguntei: “Que horas são?” Ele ficou pasmo. Não respondeu até hoje.
Quem foi nosso último estadista? Você tem candidato para as eleições?
Eu? Candidato? Eu não voto! A última vez em que votei foi no Brizola. E me arrependi. Sobre último estadista, não sei. Todo político tem um passado sórdido, que vem à tona ou não. Pensando bem, todo mundo. Só sofre quem espera alguma coisa. Mas isso não me deprime. Eu sofro só se não tiver dinheiro para o chope. Como no tempo em que morei num cubículo na Lapa, lado a lado com Madame Satã. Eu vivia com uma filha de santo. Um dia, baixou nela uma entidade que falava grosso como um monstro. Madame Satã veio acudir e cantou pro santo subir. Depois, a mulher me botou para fora. Fiquei na pior até conhecer a Celia (Regina Pierantoni), no Lamas, naturalmente. Ela arrumou minha vida. São 25 anos de casados. Tomou conta de mim. O que eu acho ótimo. É formidável, doutora, referência mundial em saúde pública. Estamos vivendo muito bem.
Você foi muito criticado pela indenização que recebeu do governo, em 2008, por perseguições durante a ditadura. Ficou com dilemas éticos?
Eu não. Eu achei ótimo. Foi o que salvou minha vida. A ditadura me ferrou, perdi emprego, fiquei no miserê. Foi uma iniciativa da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), eu topei. Nunca tive dinheiro, plano de saúde, carteira assinada. Tem gente que é rica e recebeu o triplo. Faço charges há 60 anos e ganho pouco. Nunca saí com pastinha no braço, como o Mauricio de Sousa, nem tenho a energia produtiva do Ziraldo, de quem sou fã. Nunca tiro férias por medo do bilhete azul. No caso da indenização, o que estragou foi o Ziraldo. Tem horas em que é melhor ficar na moita. Ele foi à ABI e fez um auê, esculhambou todo mundo, disse que quem era contra estava botando o rabo entre as pernas. Aí saiu a maior pancadaria, o Elio Gaspari dando porrada em todo mundo. Só podia ser, não é?
Como você se avalia?
Sou um bom cronista de situações. Mas não sei desenhar. Nunca soube. Se tenho que fazer caricatura, copio do Chico, do Angeli, e as pessoas acham que é um estilo. No Brasil, qualquer um que dure dez anos num ofício é considerado grande profissional. Fui um fiasco nas escolas de desenho. Houve um instituto onde eu tinha que desenhar um busto de Voltaire e aí pus uma mosca no nariz dele. Fui expulso.
Bom, mas a mosca é sua essência. O seu gênio...
É a minha deformação profissional. O.k., faço bons cartuns. Hoje a palavra cartunista ficou importante. Todo mundo é cartunista, mesmo os quadrinistas. Só que tudo podia ser diferente. Houve um tal de Brandão, que fez concurso comigo pra substituir o Borjalo na “Manchete”. Ele era meu colega no Banco do Brasil, onde trabalhei. Meu pai era inspetor lá. O Brandão virou bancário... Eu fiquei só um tempo. Bebia a noite toda, chegava às três com minha lambreta. Assinava a “New Yorker”. Entrei por aí, “A notícia”, “Senhor”, “Pasquim”. Fiz até quadrinhos para O GLOBO. Podia ter virado quadrinista e ganhar tutu, mas dá trabalho... O Quino fazia legendas que eram poesia nas charges. Mas “Mafalda” é uma merda. Eu disse isso a ele, e a chata morreu. Sei lá se foi por isso...
O “Pasquim” foi o auge?
Foi o auge do sucesso. Mas a revista “Senhor” tinha mais qualidade. Paulo Francis, Scliar, Glauco Rodrigues, Bea Feitler. Turma da pesada. Já o “Pasquim” foi só diversão. Até a censura era um barato. Era feita pelo Coronel Juarez, um bonitão, sósia do Gary Cooper. Recebia a gente na garçonnière dele. Pegava o material e riscava a lápis. A gente argumentava. Havia diálogo. O pessoal torcia para chegarem as garotas. Ele apresentava: “Esses são meus amigos do famoso ‘Pasquim’.” Aí liberava as maiores atrocidades! Ele tinha uma turma de coroas na praia, a gente contratou uma loura espetacular de biquíni. Ela levava o material, e ele censurava na praia! E ela, alisando o velho, dizia: “Ah, meu bem, não faz isso, os meninos vão ficar tão tristes...” Ele ficava orgulhoso e liberava.
Já o tempo na prisão (em 1970) não deve ter sido tão divertido...
O quê? Fiquei três meses na Vila Militar. Nunca bebi tanto. Não é piada: foi a fase mais feliz da minha vida. Acordava e pensava: “O que tenho para fazer hoje? Porra nenhuma!” Subornava os guardas para ter cachaça. Bebia do gargalo e jogava num matagal atrás da cela. Consegui ler 60 páginas de “Ulisses”. Depois não retomei. “Ulisses” ou você lê na prisão ou não lê. O Paulo Francis e o (fotógrafo) Paulo Garcês vinham com uns pedaços de pau e apontavam para mim, imitando colonizadores: “Look... this is almost human!” (Olhe... isto é quase humano!) Quando fomos soltos no réveillon de 1970, fui espiar o matagal, e tinha uma pirâmide de garrafas. O coronel responsável vinha perguntar se eu estava sendo bem tratado, eu tinha que tampar a boca por causa do bafo. “O que houve?”, ele perguntava, e eu dizia que era dor de dente. Ele oferecia dentista e eu recusava, explicando que preferia a dor ao dentista. Era tão divertido! Depois o coronel foi exilado para Goiânia porque tinha tratado bem os intelectuais. Coitado.
De que maneira você passa hoje seus dias?
Já li muito, principalmente poesia. Ouço bastante jazz. E fico em casa vendo futebol inglês, espanhol, italiano. O futebol nacional está muito ruim. Eu morei em Santos no tempo de Pelé... Acho que a Copa vai ser um desastre de organização. E não vejo o Brasil batendo os europeus.
O que você gostaria de ter feito e não fez?
Lamento a burrice dos diretores de cinema brasileiros, que não perceberam que sou um grande ator. Em “Natal da Portela”, do (Paulo Cesar) Saraceni, fiz uma ponta, no papel de um comerciante judeu. Só me falaram: Você tem que dizer “Bom-dia, seu Natal!” Procurei um velho judeu e perguntei como ele falava “Bom-dia, seu Natal”, e ele repetiu, com aquele sotaque, até eu aprender. Na hora de filmar, eu digo a fala com um ar servil de estereótipo, e o Milton Gonçalves responde: “Bom-dia é o caralho!” Eu não sabia. Fiz uma cara de espanto. Porra, eu bebia com o Milton e ele me ofende? Depois, fiz em “Tanga (Deu no New York Times?)” o papel de um correspondente americano no país de um ditador, e minha fala era: “E se os marines chegarem?” Minha carreira de ator são nove palavras! Mas foram grandes atuações.
Para terminar, uma análise do jornalismo de hoje.
No meu tempo de redação, de “A notícia”, eu trabalhava com a garrafa de uísque do meu lado, passava a mão na bunda das moças e dormia em cima da mesa. Hoje é cada um fechado na sua mesa, aquele silêncio total, todo mundo olhando para as telinhas... Fico meio pasmo. Agora, o jornalismo? Sou muito velho. Sou viciado em jornal de papel. Leio três por dia. Gosto de tudo. Dizem que vai acabar, mas não enquanto eu viver.

Monarco, Zeca Pagodinho e Velha Guarda da Portela--Meu coracao por ti gela.

Samba é ritmo e alegria. Nao fosse uma briga continuaria na Mangueira. Mas, sem duvida a Portela tem uma das mais harmoniosas batidas e as mais belas cores do Samba Carioca. Alias, so sambistas sabem--cada escola tem a sua propria e peculiar "batida"-- , prestai atencao.Em 1973, depois de desfilar, segui Joao Nogueira e me encantei com a Velha Guarda da Portela -Zeca Pagodinho faz parte.


Catedral de Chartres (1260), por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

          

Em 24 de Outubro de 1260, na presença do rei Luís IX foi inaugurada essa maravilha da Idade Média. A tal idade que depois chamariam de a Idade das Trevas...
Notre Dame de Chartres, se me for permitida uma opinião pessoal, é minha catedral favorita. Seus vitrais são o que os meus olhos viram de mais bonito até hoje, excluindo sempre e em todas as ocasiões, as crianças.

Mais nada se compara ao azul de Chartres e à sensação de paz que sentimos ali.
Na imagem que apresentamos hoje dá para compreender o que ela deve ter significado para os peregrinos que vinham de longe. Imaginem só essa imensa catedral, sem nada mais em volta a não ser o campo e bem junto dela, um casario.
Até hoje, quando se entra na estrada que vai dar em Chartres, bem longe, ainda bem distante, e vemos sua silhueta impressionante que vai crescendo, crescendo à medida que nos aproximamos, ela impressiona. Penso então no peregrino que vinha a pé...
De longe, se ele já se sentia pequenino, ao entrar naquele imenso espaço, prenhe de quietude e beleza, com a luz filtrada pelos vitrais de cores celestiais, ele não podia deixar de acreditar em Deus.
Nas catedrais góticas, a emoção está nas pedras e nos vidros. Até hoje. Emociona.
Mas a catedral tem muitos outros tesouros: o órgão que inunda nossa alma ao ecoar naquele templo; os lindos sons de seus sinos; a pedra transformada em arte. Chartres é inesquecível.
Há em Chartres um labirinto, no chão, todo em mosaicos de mármore. No centro está uma rosa. Para chegar ao centro é preciso caminhar pelos quatro quadrantes, que representam a cruz de Cristo.
A rosa representa a força do cristianismo.
Esse labirinto, ao contrário de outros labirintos, não foi feito para nos perdermos, foi feito para que nos encontremos com nossa fé e tornou-se rota alternativa de peregrinação a Jerusalém.

Impossibilitado de ir à Terra Santa, o fiel da Idade Média percorria o Labirinto de joelhos. Todas as catedrais da Idade Média tinham seu labirinto, mas poucas são as que o conservam até hoje. 

Todas as vidas - Cora Coralina

Todas as vidas - Cora Coralina


Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem-feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
- Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem chiadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera das obscuras.

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi poeta e contista brasileira. Produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás. Começou a escrever poemas aos 14 anos, porém, Publicou seu primeiro livro em 1965, aos 76 anos.

Carvalho recebe ‘boquinha’ do Sesc Nacional

Agarrado há 33 anos à presidência da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antonio Oliveira Santos mantém-se no poder atraindo figurões para compor colegiados da entidade, mediante generosos jetons.

Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria Geral da Presidência, por exemplo, recebe jeton de R$ 20 mil mensais para integrar o conselho fiscal do Sesc Nacional, considerado o braço operacional da CNC.

Comentario meu--ralar de batina ......NEM PENSAR!. T`ESCONJURO TRABALHO !!!

sexta-feira, 21 de março de 2014

O Labirinto de Chartres: Espelho do Caminho, por Dazur (Tradução de Ana Rita Borges)

 
Assim que se entra na catedral de Chartes, bastam alguns passos para se achar frente ao labirinto. Ele está lá, como um desafio a reanimar. À volta, os seus espinhos velam no silêncio da pedra. A rosa no seu centro será o troféu daquele que souber chegar até ela.
Os nossos primeiros passos, após um pequeno desvio, conduzem-nos rapidamente até muito perto da rosa. Somos encorajados por esta promessa de sucesso...
...mas eis que o caminho se afasta e prossegue como as circunvoluções do nosso cérebro. E andamos sobre o lado esquerdo. Hemisfério esquerdo do cérebro: o intelecto. Aquele que calcula, que conta, que raciocina. O caminho atrai-nos. Prosseguimos.
Passamos para a direita e, outra vez, muito rapidamente, aproximamo-nos do centro para daí nos afastarmos.
Hemisfério direito do cérebro: as primeiras experiências psíquicas marcantes, as impressões subjectivas; tomamos consciência de um mundo diferente. Mas logo queremos analisar e regressamos ao hemisfério esquerdo do cérebro.
Procuramos conhecimentos e tentamos fazer a viagem intelectualmente. Depressa inúmeros conceitos, até então desconhecidos, tornam-se familiares. Alguns, não vendo o que mais poderiam aprender, não irão mais longe. E passarão o resto da sua existência a fazer discursos e a explicar a vida aos outros. Estagnação.
Outros atravessarão esta ponte, a conexão entre os dois hemisférios, que é a mais próxima do Oriente. E eles entrarão neste mundo ignorado do intelecto, onde não se pode permanecer senão depois de o ter satisfeito e controlado, fazendo dele uma ferramenta e não mais um obstáculo. Neste mundo novo é então necessário viver e ousar a experiência e vivê-la plenamente. Aqui, o discurso não tem lugar. A hora é de acção: acção-serviço para com a humanidade, assim como, acção-caminhar activa em direcção ao centro do Ser.
Mas o caminho eterniza-se e a rosa é sempre questão... e é uma dupla circunvolução tão longa e tão distante do centro que tudo se torna desencorajamento, não mais intelectual, mas interior, até mesmo físico: a noite obscura do iniciado, onde o vivido perde o seu sentido para além da ideia que se pode fazer dele.
Alguns, ainda, permanecerão lá: decepcionados, cansados, prostrados. Outros extrairão de uma fé sem objecto a coragem de prosseguir. E, reencontrando o eixo de partida, viverão novamente a dúvida num último desvio, como se fosse demasiado simples avançar para o coração. Porque é bem no coração que penetraremos então, na rosa na qual, finalmente, respiraremos o perfume.
Orgulhosos por termos percorrido este longo périplo e por nele termos ultrapassado com sucesso todas as provações, acreditamos ter chegado, ao passo que, por esta análise simples, criamos de todas as peças, os mais subtis e os mais perigosos dos obstáculos do caminho. Acreditando ter conquistado a rosa, estamos na realidade enclausurados no centro da nossa Satisfação, por termos controlado os nossos dois hemisférios e por termos avançado, com coragem, até ao fim do caminho.
Se nos deixarmos ficar, viveremos cativos na ilusão de sermos livres. O nosso orgulho terá, então, todo o tempo para se exprimir. É preciso sair e continuar, porque o coração do santuário não é aqui. Mas será necessário refazer todo este caminho e abandonar o labirinto pelo Oeste, em direcção ao pôr do Sol? Como uma derrota com o gosto amargo do esforço inútil? Antes de tornar a partir, desfrutamos ainda deste local e é ajoelhados que oramos o resto da noite, para que a luz apareça de novo por entre as nossas trevas. Então, se o nosso coração é puro nesta demanda, com os primeiros raios do Sol nascente, a Luz surge finalmente.
Levantamos os olhos banhados de lágrimas de Profunda Alegria e andamos em frente, em direcção à luz  do Oriente, sem ver mais nenhum dos muros do labirinto.
Atravessamo-los de qualquer modo, tomando consciência que eles não são mais do que linhas desenhadas por terra: labirinto ilusório do nosso mental e da nossa auto-satisfação.
 
 Livres, desta vez, nós o somos, e avançamos banhados de Luz até ao encontro do Coração verdadeiro, no seio do qual, finalmente, compreendemos plenamente estas palavras: Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini Tuo da Gloriam.
 "Não por nós, Senhor, não por nós, mas pela Glória do Teu Nome.”
Divisa dos Cavaleiros da Ordem do Templo

O desenho da catedral no cimo desta página foi retirado da excelente obra de Michel Neillo “La symphonie symbolique ou les merveilles de la Cathédrale de Chartres" - 1989 - Ed. du Chariot
Poderá consultar este artigo no original em francês em:
 

Quando chamar alguém de fascista, por CHRISTIAN CARYL

Palavras são armas. E, quando você mira num inimigo político, a palavra "fascista" equivale a um obus. Na era pós-Auschwitz, acusar alguém de "fascista" é uma das mais devastadoras acusações.
Raramente a palavra experimentou um retorno como o que vemos hoje. O maior acelerador hoje é a crise na Ucrânia. Vladimir Putin e a mídia estatal russa adoram descrever os revolucionários em Kiev como "fascistas" (termo firmemente rejeitado pelos defensores dos protestos que derrubaram o presidente Viktor Yanukovich). O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, usa "fascistas" para os manifestantes que têm saído às ruas para pedir sua demissão. (Madonna respondeu aplicando a mesma palavra a Maduro.) Turcos de esquerda que se manifestam contra o premier Recep Erdogan denunciam seu "fascismo".
Na Ásia, comparar países com a Alemanha nazista tornou-se um jogo de salão. Os norte-coreanos chamam o premier japonês, Shinzo Abe, de "Hitler asiático". Os chineses acusam Abe de "venerar nazistas orientais" por suas visitas a um controvertido santuário da Segunda Guerra Mundial. Hillary Clinton não empregou a palavra para Putin, mas comparou a ocupação da Crimeia à tomada dos Sudetos por Hitler.
Quando as pessoas usam uma palavra tão carregada com tal facilidade é tempo de um choque de realidade. Há consenso entre historiadores e cientistas políticos sobre como defini-la.
1. Começa com a quimera da pureza racial.
Historicamente, o fascismo nasceu das ansiedades do fim do século XIX, quando radicais de direita em países europeus começaram a se ver como parte de "nações" orgânicas, que enfrentavam ameaças existenciais diante das poderosas novas ideologias do socialismo e do capitalismo. Para eles, teorias abstrusas pareciam confirmar a ideia de que minorias "inferiores" (judeus, eslavos) conspiravam para atacá-los. O colapso das monarquias dominantes e do sistema tradicional de valores na Primeira Guerra Mundial abriu um vácuo que os fascistas correram a preencher.
E no mundo de hoje? Há muitos racialistas xenófobos por aí. Mas apenas o racismo não faz de você um fascista.
2. O Estado reina supremo.
"Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado." A frase é de Benito Mussolini, uma das primeiras pessoas a falar com aprovação de "totalitarismo". Fascistas acreditam no Estado porque o veem como a manifestação lógica da vontade de uma nação de afirmar e defender seus direitos coletivos. Assim, sindicatos, clubes e a imprensa deveriam ser subordinados ao governo. Noções como "direitos humanos" nada significam fora da moldura da "comunidade popular". Os fascistas têm pouco em comum com, por exemplo, supremacistas brancos americanos, profundamente desconfiados de qualquer tipo de governo. Fascistas e anarquistas ocupam lados opostos do espectro político.
3. Um único homem forte dá as ordens.
Foi o fascismo que nos deu a noção de um líder todo-poderoso, carismático — o Duce ou o Führer — que pessoalmente encarna os anseios da nação. (O comunismo também tinha seu Grande Timoneiro e seus Jardineiros da Felicidade, mas mesmo esses personagens sobre-humanos ainda estavam supostamente seguindo os ensinamentos de um certo filósofo judeu alemão.) Muitos autocratas pós-1945 — vem à mente o argentino Juan Perón — aprenderam com esses modelos.
É digno de nota que os movimentos de protesto na Ucrânia ou na Venezuela não lutam para instalar um líder em particular. Eles querem democracia — o oposto do poder de um só homem.
4. Fascistas põem os militares acima de todos.
Os fascistas celebram as massas — mas apenas quando elas são rigidamente organizadas em torno das necessidades do Estado. Os militares oferecem uma imagem perfeita de como os fascistas veem o mundo. Visitantes à Alemanha nazista notavam a pletora de uniformes: para os não iniciados, era difícil diferenciar motoristas de ônibus e outros funcionários de membros das forças armadas. E política externa agressiva, expansionista, tem sido marca registrada de muitos regimes fascistas, embora não todos. A Espanha de Franco e Portugal de Salazar são talvez os melhores exemplos de regimes fascistas clássicos que preferiam manter um perfil discreto.
5. Fascistas zombam da racionalidade.
As raízes do fascismo clássico estão no período romântico — uma estirpe aparente na ênfase fascista na emoção, na vontade e na unidade orgânica e sua rejeição aos valores do Iluminismo —, no individualismo e no pensamento crítico. A ligação pode ser feita com os "decadentes" do fim do século XIX, como o poeta italiano Gabriele d'Annunzio, que celebrava a morte, a violência e a destruição dos "valores burgueses". Os fascistas sempre veem a nação como ameaçada e sua tomada do poder é retratada como um renascimento nacional que varrerá a decadência e a fraqueza.
6. Partidos fascistas se veem como "terceira via".
Hitler e Mussolini viam suas versões do "nacional-socialismo" como a única alternativa válida a todas as outras ideologias políticas. Rejeitavam violentamente o socialismo e o "capitalismo burguês", enquanto diziam se apropriar das melhores características de cada um. Por exemplo, absorveram ideias marxistas de revolução e uma abrangente engenharia social, deixando de lado a divisiva luta de classes. Também tentavam preservar os aspectos competitivos do capitalismo (o que, para eles, assegurava a "sobrevivência dos mais aptos"), enquanto afirmavam o controle estatal sobre setores estratégicos da economia. É verdade que alguns fascistas tentavam incorporar a Igreja Católica em seu sistema ideológico. Mas Hitler, um zeloso anticlerical, sonhava com o dia em que as massas pendurariam o Papa pelos calcanhares na Praça de São Pedro.

Publicado no Globo. Christian Caryl, pesquisador no Legatum Institute, é editor do Laboratório de Democracia da revista "Foreign Policy", para a qual escreveu este artigo.

Vítimas da Casa da Morte foram............

....jogadas dentro de rio, diz coronel


Casa da morte em Petrópolis
Foto: Custódio Coimbra / O Globo
Casa da morte em Petrópolis / Custódio Coimbra / O Globo
RIO — Um rio da Região Serrana, nas proximidades do distrito de Itaipava, foi o destino dos corpos das vítimas da Casa da Morte de Petrópolis. E nada foi feito sem o conhecimento prévio dos generais do regime militar. Em 20 horas de depoimento à Comissão Estadual da Verdade, o coronel reformado Paulo Malhães, de 76 anos, um dos mais atuantes agentes do Centro de Informações do Exército (CIE) nos anos de chumbo, finalmente deu as respostas perseguidas há décadas. Ele também confirmou ter desenterrado e sumido com o corpo do ex-deputado Rubens Paiva, morto sob torturas em janeiro de 1971, e explicou como a repressão fazia para apagar os vestígios de suas vítimas.
Um dos trechos marcantes do depoimento é o método de desaparecimento. Para evitar o risco de identificação, as arcadas dentárias e os dedos das mãos eram retirados. Em seguida, o corpo era embalado em saco impermeável e jogado no rio, com pedras de peso calculado para evitar que descesse ao fundo ou flutuasse. Além disso, o ventre da vítima era cortado para impedir que o corpo inchasse e emergisse. Assim, seguiria o curso do rio até desaparecer. Sobre Rubens Paiva, ao GLOBO, Malhães disse que lançou o corpo no mar. À Comissão da Verdade do Rio (CEV), contou que o destino do ex-deputado foi o mesmo rio da Região Serrana onde foram jogados outros desaparecidos políticos:
— É inaceitável que o Exército finja que nada acontece e não se pronuncie. Ele tem obrigação legal e moral de vir a público, confirmar ou desmentir os relatos dele (Malhães) e de outros agentes. Sugiro até ao comandante do Exército que compareça à audiência pública sobre a Casa da Morte, convocada pela Comissão Nacional da Verdade, e esclareça em definitivo o que o povo quer saber — disse Wadih Damous, presidente da CEV.


No domingo, O GLOBO publicou, sob o compromisso de sigilo de fonte, o relato de Malhães sobre a operação que desenterrou o corpo de Rubens Paiva no Recreio dos Bandeirantes e o lançou ao mar, em 1973. Porém, o próprio coronel decidiu assumir publicamente o seu papel no episódio. Ele disse que o corpo foi enterrado inicialmente no Alto de Boa Vista e, posteriormente, levado para o Recreio, de onde o retirou, por ordens do gabinete do ministro do Exército (na época, Orlando Geisel), porque havia risco de vazamento da sua localização dentro da própria repressão.
Veja as principais revelações do depoimento de Malhães sobre a Casa da Morte:
Inês Etienne, a sobrevivente
“Foi decretada a morte dela, mas com fins políticos. Tinha que ser um membro do gabinete do ministro do Exército a fazer, matá-la, para eles — os próprios caras que tiveram a ideia —, tornarem isto público, o ministro cair e subir outro general de Exército que levaria um time todo grande a ser general.”
Casa da Morte de Petrópolis
“E nós não tínhamos só um (aparelho clandestino) em Petrópolis. Nós tínhamos outros mais desviados. Nós queríamos um lugar que fosse tranquilo, que fosse calmo. E a casa de Petrópolis era o ideal. O CIE (Centro de Informações do Exército) tinha controle daquilo. Sabia o que se passava por ali.”
Outro aparelho em Petrópolis
“O aparelho (Casa da Morte) foi transferido. Foi para um (local) que era mais afastado, em Itaipava, uma casa até bonita, na beira do rio. Deve existir. Não funcionou muito tempo não, aí já estava esse negócio de vai, não vai, fica e não fica, o melhor é apagar isso do mapa. Era alugada por algum de nós, mas com outro nome.”
Desaparecimentos de corpos
“Jamais se enterra um cara que você matou. Se matar um cara, não enterro. Há outra solução para mandar ele embora. Se jogar no rio, por exemplo, corre. Como ali, saindo de Petrópolis, onde tem uma porção de pontes, perto de Itaipava. Não (jogar) com muita pedra. O peso (do saco) tem que ser proporcional ao peso do adversário, para que ele não afunde, nem suba. Por isso, não acredito que, em sã consciência, alguém ainda pense em achar um corpo.”
A técnica
“É um estudo de anatomia. Todo mundo que mergulha na água, fica na água, quando morre tende a subir. Incha e enche de gás. Então, de qualquer maneira, você tem que abrir a barriga, quer queira, quer não. É o primeiro princípio. Depois, o resto, é mais fácil. Vai inteiro. Eu gosto de decapitar, mas é bandido aqui (Baixada).”
Rubens Paiva
“Rubens Paiva, calculo, morreu por erro. Os caras exageravam naquilo que faziam, sem necessidade. Ficavam satisfeitos e sorridentes ao tirar sangue e dar porrada. Isso aconteceu com Rubens Paiva. Deram tanta porrada nele que, quando foram ver, já estava morto. Ai ficou o abacaxi, o que fazer? Se faz o que com o morto? Se enterra e se conta este negócio do sequestro. Só que o cara, primeiro, enterrou na estrada que vai para o Alto da Boa Vista. Aí, estavam fazendo a beirada da estrada, cimentando, e o cara viu que eles iam passar por cima do corpo. Foi lá e tirou.”
Destino final de Paiva
“Enterrar, queimar, botar no ácido, que desaparece. Tudo isso passou pela minha cabeça. Mas as dificuldades encontradas para fazer isso, já eram outras. Então, disse: ‘vamos resolver esse problema de modo que não deixe rastro’. Aí surgiu essa ideia. Discutimos a ideia e achamos que era a ideia mais viável.”
Prisões clandestinas
“Quando o cara entra no quartel, sabe que está seguro, que ninguém vai matá-lo. Quando você prende ele em uma casa, pensa: ‘Por que me trouxeram para cá e não me levaram para o quartel?’ E a gente ameaçava com isto: ‘Você já viu que você está preso, mas não está preso no quartel. Você está preso em uma casa. Daqui você pode ir para qualquer lugar. Aqui você não está inscrito em nada.”
Cadeia de comando
“Ele (o ministro) era sempre informado. Estava sabendo. Relatórios eram feitos e entregues ao chefe da seção com os EEI, Elementos Essenciais de Informações. Então, através desses EEI, eles sabiam tudo.”
Interrogatórios
“Aprendi que um homem que apanha na cara não fala mais nada. Você dá uma bofetada e ele se tranca. Você passa a ser o maior ofensor dele e o maior inimigo dele. A rigidez é o volume de voz, apertar ele psicologicamente, sobre o que ele é, quais são as consequências. Isto sim. Tudo isto é psicológico. Principalmente quando houve outros casos, né? Fulano foi preso e sumiu. Ele não é preso em uma unidade militar, ele vai para um lugar completamente estranho, civil, vamos dizer assim, uma casa. Ninguém sabe que ele está lá. Não há registro. Tudo isto é coação psicológica.”
Guerrilha
“Destruímos todas as organizações subversivas porque acabamos com a cabeça delas. Quando você corta a cabeça de uma cobra você acaba com a cobra. Então, este foi o nosso trabalho.”
Sono perdido
“Poxa, não. Só perdi noite de sono estudando (as organizações de esquerda). Até hoje, estudo.”
Aposentadoria
“Me retraí quando o meu mundo começou a virar. Quando fui sentindo que nós, que tínhamos lutado, e não fomos tantos assim, estávamos perdendo poder. Foi mais ou menos na época do governo Sarney.”
Carreira na repressão
“O DOI (Destacamento de Informações de Operações) é o primeiro degrau. Você entra ali, voando. Aí, se brutaliza, passa a ser igual aos outros, mas depois vai raciocinando e se estruturando. Houve uma mudança da porrada para o choque. Você pode dizer: ‘Foi uma mudança ruim’. Foi não. Não deixava trauma, não deixava marca, não deixava nada. Já foi uma evolução. Ai, você vai caminhando, aprende de outros lugares, também. De outros países, como é feita a coisa. Então, você se torna um outro personagem, um outro cara e, por causa disto, você é guindado a um órgão superior por ser um cara diferente e agir diferente. Tem muito mais amplitude, tem um universo muito maior, aí você se torna um expert em informações.”
Criação do Cisa
“Levamos a ideia do CIE para o Burnier (brigadeiro João Paulo Burnier). Ele mostrou para o ministro (da Aeronáutica, Márcio de Souza Melo), que disse: ‘Poxa que troço! Então funciona’. Aí, fundou o Cisa (Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica. Tanto é que recebi a medalha de Mérito da Aeronáutica. Eu até me senti muito orgulhoso, foi o dia em que eu fiquei mais vaidoso.”