quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O capital de Thomas Piketty, Murillo de Aragão

Muito se fala sobre Thomas Piketty, que virou pop star da economia.
A França, de tempos em tempo, emplaca um. Talvez muitos ainda se lembrem, por exemplo, do sucesso de Jean-Jacques Servan-Schreiber, jornalista e político que encantou o mundo com suas ideias. 
Além de ser um pop star dos tempos atuais, Piketty abriu um novo caminho para se entender a economia. E o seu livro, O capital no século XXI (Intrínseca, 2014), é sensacional nesse sentido. Muito vendido, talvez não tenha sido tão lido, já que muitos devem desistir no meio do caminho.
Trata-se de um tijolaço de 561 páginas que não é nada fácil de ler, ainda que trate com leveza de temas áridos. Requer persistência e interesse.

Consegui, a duras penas, ir até o fim. Portanto, não devemos nos iludir com o caráter pop do sucesso de Piketty.
Para além de ser difícil e volumoso, é um livro sedutor. A capa e as recomendações da contracapa são perfeitas para atrair o interessado por temas do momento. Quem resiste a uma recomendação de um prêmio Nobel de Economia como Paul Krugman, que diz que “Piketty transformou nosso discurso econômico”?
E quem resiste ao exagero do The Economist, que afirma que ele é “maior do que Marx”? E que “nenhum outro trabalho sólido sobre economia chegou tão perto de ganhar a condição de ícone pop”? Mas existem outros adjetivos para o livro.

O capital de Piketty é surpreendente também por utilizar inúmeras referências à literatura para relacionar a vida dos personagens com os dados que ele recolheu em termos de renda e capital nos séculos passados. Além de mostrar erudição, o autor busca uma forma inovadora de saber mais sobre a vida econômica de antigamente.
Thomas Piketty, (Foto: Rex Features)
Thomas Piketty (Imagem: Rex Features)
É também um livro sincero, ao criticar a economia pela paixão infantil pela matemática e pelo distanciamento das ciências sociais. Para um cientista político, soa como música. Piketty vai na mesma linha de outro nome essencial de nossos tempos:  Colin Hay, professor de ciência política que condena o apreço de diversos cientistas políticos pelas equações para explicar a política.
É prematuro afirmar se as ideias de Thomas Piketty vão resistir aos tempos de hoje, tempos de banalização e de consumo exacerbado. Tempos de “civilização do espetáculo”, como bem disse Mario Vargas Llosa. Será que no futuro existirão “pikettistas” como ainda hoje existem “marxistas”? Seria bom. Pelo menos para ampliar o leque de opções do pensamento econômico.
Creio, porém, que Piketty precisará de outros livros, mais densos e concisos, para se consolidar como um farol da ideologia na economia. Precisará avançar em suas soluções. O imposto mundial sobre o capital é uma boa ideia, mas não é tudo.

Outros temas devem ser tratados, tais como governança econômica mundial,  recuperação da democracia representativa, livre fluxo das informações, migração para uma economia sustentável, imigração, entre dezenas de outros desafios.
Murillo de Aragão é cientista político

Mantega detalha sua gestão em relatório - e 'esquece' os erros, Ana Clara Costa, Veja

Comentario meu---economista, oportunista e obediente corno manso--este é o ARRELIA (desculpas ao verdadeiro!) que representou durante anos a melhor imagem das novas OLIGARQUIAS--eu quero é me arrumar! Foi a "palavra de ordem" e a pratica. Como ja esta "arrumado".........Deus o leve........
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O ministro da Fazenda Guido Mantega vinha trabalhando ao longo dos últimos meses num relatório detalhado sobre sua gestão no governo desde 2003, ano em que assumiu como Ministro do Planejamento – o economista tornou-se chefe da Fazenda apenas em 2006, após a saída de Antonio Palocci.
O documento de 140 páginas foi publicado nesta terça-feira e pode ser lido aqui.(Economia Brasileira em Perspectiva - 30.12.2014.

Nele, o ministro enaltece as transformações econômicas conduzidas pelos governos petistas e resume as dezenas de pacotes lançados por sua equipe ao longo dos oito anos em que foi ministro da pasta.
A maior parte deles, a partir de 2011. Segundo o texto assinado pelo próprio ministro, os percalços que vêm sendo enfrentados pelos brasileiros se devem à “seca prolongada” iniciada em 2012. É ela, diz Mantega, que causou a pressão inflacionária que vemos hoje.
A seca, segundo ele, explica o fato de a inflação se manter acima do teto da meta de 6,5% mesmo com sucessivas elevações nos juros e arrefecimento do consumo. O ministro também atribui à retirada dos estímulos monetários nos EUA a culpa pela crise brasileira e diz que estes e outros “problemas conjunturais, que apareceram nos últimos dois anos, são superáveis”.

Ministro Guido Mantega (Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil)Ministro Guido Mantega (Imagem: Elza Fiúza / Agência Brasil)
Em sua argumentação, o ministro lança mão de uma série de tabelas para mostrar a melhora dos indicadores sociais e econômicos ao longo dos últimos doze anos, como se as três gestões petistas tivessem sido, de alguma forma, coerentes entre si.
Há comparações diversas entre dados de 2003 e 2005 com os atuais, mostrando evidente melhora. Tal malandragem acaba deixando no escuro uma década de intervalo em que o Brasil atingiu o céu e, em seguida, deu sinais de adentrar o purgatório. Em suma, Mantega compara o Brasil de 2014 com o de 2003 — truque parecido com o que a presidente Dilma levou adiante durante sua campanha para a reeleição. A tática funcionou no campo eleitoral — ela, afinal, foi reeleita.
Mas, no dia seguinte, o marketing acabou perdendo espaço para a realidade e a presidente se viu obrigada a voltar atrás em praticamente todas as políticas executadas por seu ministro da Fazenda. Uma das primeiras mudanças foi tirar Mantega. O novo chefe da pasta, Joaquim Levy, faz parte da turma ortodoxa que integrou o primeiro governo Lula — e se opõe publicamente aos caminhos econômicos traçados nos últimos anos. Dilma, até agora, tem dado carta branca ao subordinado.
Não à toa, a presidente nem mesmo tomou posse e já autorizou mudanças nas regras dos benefícios previdenciários, que revertem ganhos do trabalhador.

O documento repete a teoria defendida por Mantega desde que o PIB virou pibinho: a de que os problemas que atingiram a economia brasileira são essencialmente “importados” — ou seja, nada têm a ver com a má condução da política econômica doméstica.
Para isso, o relatório mostra um gráfico com o desempenho das economias desenvolvidas e emergentes, composto por países como Estados Unidos e China. A curva de desaceleração é evidente após a crise financeira, mas também se nota a tendência de recuperação dessas economias. Deste gráfico, o Ministério da Fazenda excluiu o Brasil. Ocorre que, ao comparar a curva de crescimento da economia brasileira com a dos demais países, toda a retórica do ministro seria desfeita. A evolução do PIB brasileiro vem muitas páginas adiante, sem comparação com qualquer outro país. Ela mostra uma acentuada curva de desaceleração — mais intensa que nos países desenvolvidos e nos demais emergentes — sem tendência de recuperação. A expectativa da pasta é de que em 2014 o crescimento não passe de 0,2%. Enquanto o texto relata perspectivas de melhora para a economia dos demais países em 2015, não dá previsões sobre o PIB do Brasil no ano que vem. Segundo o último boletim Focus, a perspectiva é de alta de 0,5%. Para os países europeus, o FMI prevê crescimento de 1,3%, enquanto para os Estados Unidos, a alta deve ser de 3,1%.
A astúcia nas comparações numéricas para tentar minimizar o fracasso das políticas de governo poderia ter sido usada de forma mais virtuosa: para assumir caminhos errados e desejar sorte à nova equipe econômica para o ano de ajustes que virá. Não foi o caso. O ministro encerra seu mandato dizendo que o Brasil se tornou uma economia mais confiável justamente no período em que o país corre o risco de ser rebaixado pelas agências de classificação de risco — aquelas que medem a confiança que os investidores podem depositar numa economia com base em seus indicadores, como o superávit primário. Se ainda fosse ministro, Mantega teria colocado mais uma nuvem carregada de dúvidas sobre o segundo mandato de Dilma ao divulgar o relatório desta terça. Como não é o caso, as palavras soam apenas como relato enviesado.
Veja a retrospectiva econômica de 2014:
 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Hilda Furacão pode ter enterro modesto na Argentina, Thais Pimentel, G1-MG




Figura mítica da boemia de Belo Horizonte, Hilda Furacão, ou simplesmente Hilda Maia Valentim, pode ter uma despedida solitária e simples.
É o que acreditam os funcionários do asilo Guillermo Rawson em Buenos Aires, na Argentina, lugar onde ela viveu até sua morte nesta segunda-feira (29).
De acordo com o diretor da instituição, Jorge Stolbizer, o corpo de Hilda está em um necrotério da cidade e ninguém apareceu para reclamá-lo. Os custos para permanência dele no local são cerca de $200, pouco mais de R$400 por dia, e ainda estão sendo bancados pelo asilo.
"Nós vamos esperar até esta quarta (31). Por causa do Ano Novo, é possível que o corpo só seja entregue no dia 2. É uma lástima. Pobre mulher. Fez tanto durante a vida e agora não há ninguém para que possa lhe prestar homenagens", desabafou o diretor. Ainda de acordo com Stolbizer, caso ninguém apareça, o sepultamento será custeado pela prefeitura de Buenos Aires e deverá acontecer no Cemitério Municipal de Chacarita.
O serviço de assistência social da Argentina já foi acionado para tratar dos trâmites. Porém, Stolbizer ainda tem esperança que pelo menos um admirador reclame o corpo. "Com esta divulgação, esperamos que alguém se sensibilize e nos procure"
Na manhã desta terça-feira (30) uma funcionária do asilo entrou em contato com a reportagem do G1 pedindo indicação de alguém no Brasil para assumir a responsabilidade pelo traslado do corpo e do enterro de Hilda. Ela afirmou que ninguém havia entrado em contato ainda e que, desta forma, daria prosseguimento aos trâmites para que fosse enterrada em Buenos Aires mesmo, a cargo do governo local.
Hilda Maia Valentim, conhecida como Hilda Furacão, morreu na manhã desta segunda-feira (29) no asilo Guillermo Rawson, em Buenos Aires, na Argentina, segundo informou ao G1 o diretor da instituição, Jorge Stolbizer. Ela foi eternizada em um livro escrito por Roberto Drummond. A história virou minissérie, exibida em 1998 pela TV Globo, na qual Ana Paula Arósio representou a personagem.
Hilda era viúva do ex-jogador do Boca Juniors Paulo Valentim. O jornalista Ivan Drummond, parente de Roberto Drummond, foi quem localizou Hilda no país vizinho. Uma assistente social brasileira entrou em contato com Ivan após elucidar a história da paciente. Em agosto de 2014, a reportagem do Fantástico foi até o asilo e conversou com Hilda, que na época estava com 83 anos.
De acordo com Jorge Stolbizer, a morte aconteceu às 10h10 por "causas multiorgânicas" – ela começou a ficar debilitada por um problema respiratório, depois agravado por uma falha renal. Hilda era mantida numa ala de internação há oito meses devido à saúde frágil. Até um mês atrás, estava totalmente lúcida. Depois, passou a ter “flashes” eventuais de lucidez.
Segundo Stolbizer, ela nunca foi visitada por familiares enquanto esteve no asilo.
Viúva desde 1984, ela morava com um filho até que ele morreu, no ano passado. Hilda sofreu uma queda e ficou internada seis meses em um hospital público em Buenos Aires. Depois ela foi levada para o asilo mantido pela prefeitura.
Na obra de Roberto Drummond, Hilda é descrita como uma mulher linda, jovem da alta sociedade mineira que larga a família e se transforma em uma das mais famosas prostitutas de Belo Horizonte na década de 1950. A rainha da zona boêmia deixava os homens loucos, entre eles, até um frei dominicano, papel de Rodrigo Santoro.
O autor do livro, Roberto Drumond, morreu em 2002. Em 1991, ele deu pistas sobre a personagem. "Hilda existiu. Agora de tal forma ela foi mitificada, e mistificada que ela se transformou em um boato. Um boato festivo, colorido, maravilhoso, então o livro é contado através desse boato", contou o criador de Hilda Furacão.

Com a proteção e as armas de Jorge, feliz 2015, por Tânia Fusco, jornalista.

É fatal. Dezembro trás sempre a aflição de fazer ou concluir tudo e todo o não feito que sobrou do ano inteiro, mais as rebarbas dos não-feitos de anos e até de vidas passadas.

Como o derradeiro mês do ano tem os invariáveis 31 dias de quatro semanas onde devem caber um milhão de festas de confraternização, além dos dois costumeiros e celebradíssimos feriados, claro que a conta não fecha.

E, mais uma vez, entraremos no ano novo com o costumeiro saco de coisinhas e coisonas que vimos empurrando com a barriga nos 365 dias anteriores.

Também, como habitualmente, isso vai incomodar até o meio dia de hoje, 30. Da tarde para frente entramos no clima de festa e, para usar uma palavra mais delicada, que se dane!

Valeu. É o sentimento que vale e valerá até o dia dois, quando efetivamente começa tudo de novo. Sempre com a deliciosa sensação de recomeço. “Este” ano será diferente!

Se não for, só saberemos no decorrer dele, quando teremos os risos, lágrimas, prazeres e desprazeres, surpresas, alegrias e tristezas de sempre. É a vida e é da vida.

Se vivos estivermos, no próximo dezembro também repetiremos as mesmas aflições deste. Seguidas da alegria na virada para outro ano. E assim sucessivamente.

Mas, como também este fim de 2014, por tudo o que nele rolou, carrega pessimismos e previsões, digamos, chegadas no tenebroso, roubo letra/prece do queridíssimo Jorge Ben Jor e fecho o ano pedindo proteção a São Jorge/Ogum para nós todos.

São Jorge / Ògúm (Foto: Arquivo Google)

Salve Jorge, poderoso!
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés, não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos, não me peguem, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo, meu corpo não alcançarão
Facas, lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Salve Jorge!
Ògún gbemi o.
Tânia Fusco--É jornalista, mineira, observadora, curiosa, risonha e palpiteira, umbandeira, etc..... 

Petrobras veta contratos com 23 investigadas na Operação Lava-Jato , por Bruno Rosa, O Globo.

Em reunião de diretoria, a Petrobras decidiu proibir novos contratos com 23 empresas que estão envolvidas na Operação Lava-Jato. Na lista, estão algumas das maiores construtoras do país, como Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS, UTC, Mendes Junior, entre outras. Elas estão proibidas de participar de licitações futuras da companhia.

Esta proibição não tem prazo de validade. O comunicado não trata dos contratos em vigor. Porém, em entrevista recente, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse que as obras em andamento a cargos destas empresas não serão impactadas.
Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado de capitais, às 22h, ontem, a estatal informou ainda que constituiu a "Comissões para Análise de Aplicação de Sanção".
Segundo uma fonte da Petrobras, dependendo do resultado das análises, cada empresa poderá ser punida de forma diferente, sendo proibida, por exemplo, de participar de licitações durante um certo período ou, em caso mais grave, ser banida da lista de fornecedores.
Petrobras (Foto: Arquivo Google)
                                                         Petrobras (Imagem: Arquivo Google)
A estatal disse que o objetivo das medidas visa "resguardar a companhia e suas parceiras de danos de difícil reparação financeira e de prejuízos à sua imagem". A Petrobras informou ainda que vai notificar as empresas do bloqueio e "respeitará o direito ao contraditório e à ampla defesa".


No documento, a Petrobras explicou que o "bloqueio cautelar" inclui as empresas cujos grupos econômicos formavam um cartel para dividir os contratos da estatal. E essa lista foi feita com base nas delações premiadas dos envolvidos no esquema de corrupção.


Na semana passada, Graça Foster cobrou do governo uma posição em relação às empresas citadas no esquema. Preocupada com contratos futuros, ela disse que, sem uma solução para os novos contratos, a estatal teria que fazer licitações internacionais.


Segundo a Petrobras, foram considerados os depoimentos do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef prestados em outubro na Justiça Federal do Paraná. Foram analisados ainda os testemunhos de Julio Gerin de Almeida Camargo (do Grupo Toyo) e de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto (do Grupo Setal).

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Segundo a estatal, a constituição das comissões e o bloqueio cautelar levam em conta a sétima fase da Lava-Jato, deflagrada em 14 de dezembro, quando foram presas 25 pessoas, entre elas o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e executivos da OAS, Camargo Corrêa, UTC, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Engevix.

Nesta segunda-feira, a Petrobras informou que os escritórios de investigação contratados por ela (o Trench, Rossi e Watanabe Advogados e Gibson; e o Dunn & Crutcher LLP) identificaram sinais de que o esquema também atingiu a Petros, o fundo de pensão da estatal, e, por isso, a instituição também será alvo da apuração interna feita pela estatal.

Confira a lista das 23 empresas: Alusa, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Carioca Engenharia, Construcap, Egesa, Engevix, Fidens, Galvão Eng., GDX, Iesa, Jaraguá Equiipamentos, Mendes Júnior, MPE, OAS, Odebrecht, Promon, Queiroz Galvão, Setal, Skanska, Techint, Tomé Engenharia e UTC. 

Minha Portela querida.........

Portela ganha reforço


Entre a musa da Portela, Cecília Rabello, e a cantora Roberta Sá, o presidente de honra da azul e branco, Monarco, já comemora o carnaval 2015. Roberta foi ao barracão da escola comunicar que aceitou o convite para desfilar na Sapucaí

Ponto final, (do Ancelmo)

O PT e o PSDB têm muita coisa em comum, escondida por trás de uma rivalidade que beira o ódio de ambos os lados. Isso vale tanto para coisas positivas como para negativas. 

O governador tucano de São Paulo, a exemplo de Dilma, loteia o governo não necessariamente com os mais capazes, e sim com aqueles indicados pela sopa de partidos da base aliada. Também em SP, a Secretaria de Esportes foi entregue a um pastor (Jean Madeira, do PRB) da Igreja Universal.

A CORRUPÇÃO NÃO PODE SER ATRIBUÍDA APENAS AO PT, DIZ FINANCIAL TIMES/ae

O problema da corrupção não pode ser atribuído apenas ao Partido dos Trabalhadores e parece ser um desafio brasileiro.
Essa é a conclusão de uma reportagem do jornal britânico Financial Times publicada na edição impressa desta segunda-feira. Ao citar o suposto escândalo de corrupção para a compra de trens que envolveria o governo do Estado de São Paulo, a publicação diz que o principal partido de oposição do governo federal, o PSDB, também está “na berlinda”.



O FT cita que o noticiário internacional relacionado ao Brasil tem dedicado espaço ampliado ao suposto esquema de corrupção que envolve a estatal Petrobras e atinge os partidos da base governista em Brasília.
“Mas, ainda que receba menos atenção, outro escândalo de longa data envolvendo o sistema ferroviário suburbano de São Paulo também está chegando a um ponto crítico”, diz o jornal.

A reportagem diz que a polícia já indiciou 33 pessoas e congelou mais de R$ 600 milhões em ativos de várias empresas do setor ferroviário – entre elas a alemã Siemens e a francesa Alstom – que têm negócios com o Metrô de São Paulo e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O quadro, diz o FT, “constrange o PSDB, que governa o Estado de São Paulo há 20 anos”.

Uma das principais lideranças tucanas, o paulista José Aníbal, poderia ter ligação com o esquema, diz a reportagem que cita o processo que está na Justiça.

“A suposta manipulação das propostas para construção de linhas do Metrô de São Paulo e da CPTM são um embaraço para o PSDB, cujo candidato, Aécio Neves, esteve perto de vencer as eleições contra Dilma Rousseff em outubro”, diz o FT.
 “O escândalo ferroviário de São Paulo, que poderia se estender por 15 anos de governos do PSDB entre 1998 e 2013, mostra que a corrupção nos contratos públicos é um problema brasileiro, e não um desafio de apenas de um único partido”.(AE)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Cada macaco no seu galho, Elio Gaspari

A doutora Dilma podia ter a melhor das intenções quando anunciou que pediria ajuda ao Ministério Público na escolha de seus ministros. Ou a pior. Na hipótese benigna, não queria correr o risco de nomear um larápio. Na maligna, queria transferir para o Ministério Público uma responsabilidade que é inteiramente sua. Nomearia o sujeito, ele apareceria numa petrorroubalheira e ela tiraria o corpo fora, pois a Procuradoria nada tivera contra o magano. O ex-ministro Joaquim Barbosa disse muito bem: “Que degradação institucional! Nossa presidente vai consultar um órgão de persecução criminal antes de nomear um membro de seu governo!!! Du jamais vu.” Barbosa vocalizou em francês a expressão de Nosso Guia: “Nunca na História deste país...”

Os “nunca na História...” são muitos, mas nem um oposicionista delirante seria capaz de supor que um comissário do segundo escalão entesourasse US$ 100 milhões.
Em benefício da doutora, reconheça-se que ela conhece mal o funcionamento das instituições. Só isso explica a insistência com que propõe em pactos e plebiscitos. Se falasse sério, no caso dos petrocomissários consultaria a Agência Brasileira de Inteligência, mas esse ectoplasma palaciano do falecido Serviço Nacional de Informações ainda não mostrou a que veio. Se a Abin não colocou sobre sua mesa uma análise das petrorroubalheiras, é melhor fechá-la. Afinal, em 2013 custava R$ 500 milhões. Se a agência acendeu algum tipo de luz amarela e não conseguiu atenção, o problema é da doutora.
Durante a campanha eleitoral o comissariado repetia um bordão, segundo o qual não se poderia pré-julgar pessoas acusadas de envolvimento nas petrorroubalheiras. O próprio ministro da Fazenda despediu-se do “amigo Paulinho" agradecendo os “relevantes serviços" prestados à Petrobras. O líder do governo no Senado considerou “satisfatório” seu primeiro depoimento à CPI, anterior à decisão de colaborar com a Viúva. Era uma coleção de lorotas. Há no Planalto quem saiba bastante sobre a Petrobras. Sabem até mais que os procuradores. O que eles não sabem, e aí está o problema dos comissários, é o caminho das pedras para sair da enrascada.
Pela blindagem do Ministério Público, pelo silêncio do ministro Teori Zavascki e pelo naufrágio das primeiras patranhas dos maganos, esse caminho das pedras pode não existir. De alguma maneira, o comissariado precisa se recompor com a verdade. A doutora já se disse “estarrecida” com os malfeitos e considerou “absurdas” as quantias desviadas. É pouco. Precisa despir o manto da surpresa. Esse vem sendo o erro do PT desde que estourou o mensalão.
Outro dia, num debate na Corte Suprema dos Estados Unidos, o juiz Antonin Scalia foi confrontado por uma colega por ter votado numa posição contrária à que tomara noutro caso. Meter-se com a rapidez de raciocínio de Scalia é arriscado. Ele defendeu-se citando o grande juiz Robert Jackson: “Não vejo por que eu deva ficar conscientemente errado hoje porque, inconscientemente, estive errado ontem". Retirando-se o “inconscientemente” da frase de Jackson, a lição pode ser um presente de Natal para o comissariado.
Elio Gaspari é jornalista

365 dias mais, por Elton Simões

Não importa o método. É de a natureza humana dividir a vida em ciclos. Fatiar a existência para permitir vários finais. E para cada final, a oportunidade do recomeço. Existem anos simples. Passam suavemente, sem anomalias. E existem os complicados.
A humanidade parece ser especialista na criação de períodos complicados. Por boas razoes ou não. Às vezes mexe até mesmo no calendário, como por exemplo, em 45 a.C., quando Júlio Cesar ajustou o calendário e criou um ano de transição com 455 dias divididos em 15 meses. Ano que causou confusão de toda ordem, demorou demais para acabar, mas pelo menos acabou com data previsível.
Houve também quem subtraísse datas do calendário. Em 1545, o Papa Gregório XIII implantou o calendário atual. Para adequar a data da Páscoa com o equinócio de primavera no Hemisfério Norte, ordenou que o dia seguinte a 4 de outubro de 1582 passasse a ser o dia 15 de outubro. Foram 11 dias que, embora contados, jamais se passaram.
Com idas e vindas, confusões e cálculos, trancos e barrancos, a humanidade vai caminhando no tempo. Às vezes aprendendo, às vezes desaprendendo. Fatiando o tempo. Torcendo que, cada encontro do presente com os postos escolhidos aleatoriamente no tempo represente no futuro dias melhores que os do passado.
A vida, apesar de nossos esforços, não cabe nem segue regras que a humanidade determina para fatiar o tempo. Parece ter vontade própria. E sempre reservas surpresas e teima contrariar expectativas. Ela fez mais uma das suas durante o ano que agora aparece no retrovisor.
Foi, talvez, o ano do anticlímax. Da dor de já não ser. Da vergonha de já ter sido. Do inesperado. Do inescapável. Do inaceitável. Do inacreditável. A esperança de vitórias foi substituída pela concretude das derrotas. Do desejo de avanço, nasceu o retrocesso. Na busca do novo, escolheu-se o velho. E, da promessa de melhoria jorrou desonestidade. O novo começou velho. Quando a mediocridade parece ter parido a desesperança. Termina com um suspiro. Ou talvez seja o suspiro que parece nunca terminar.
Mas, viver não é dirigir olhando somente pelo retrovisor. Viver é manter os olhos na estrada sem perder a noção do que já passou. E principalmente daquilo que pode vir a nos ultrapassar. Não é viver do passado, nem muito menos revivê-lo.
Tomara, deste presente que já virou passado, nasça a memoria, desta vez cristalizada em aprendizado. Com os olhos no futuro, corrigir erros, pagar preços, e esperar que, em 365 dias, a gente possa comemorar o fim de outro ciclo com a chegada do ano seguinte, desta vez gravido de esperanças.
O ano novo tem cara de difícil. Mas, às vezes, a vida também traz boas surpresas. Quem sabe. Por isso, vale comemorar sua chegada. Ser otimista cauteloso.
E, apesar de tudo, como já foi dito de varias maneiras, e de muitas formas, feliz ano novo!
Reveillon (Foto: Arquivo Google)
  Elton Simões Mora no Canadá. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria

Otan encerra missão militar no Afeganistão, Jamil Chade, Estadão


Comentario meu--o primeiro derrotado foi Alexandre o Grande, depois de passar o Khyber Pass.
Depois foram os ingleses, depois os russos e agora, TODOS reunidos.
A tatica guerrilheira local é sempre a mesma, fundamentada numa Lei Tribal, e apoiada em tiros certeiros, sem desperdicio, a maioria sao naturalmente snipers, aqui mandamos nos e os nossos! Capturam as armas dos adversarios e os ARMEIROS locais refazem IDENTICAS e melhores.
Fora isso ha a competicao entre locais--quem TOMA mais coisas dos INVASORES--equipamentos primeiro, terreno (nunca OCUPAR, isso é OBRIGACAO da populacao...) segundo, etc.....
Quem quiser entender/aprender GUERRILHA la é o mellhor lugar do mundo. Ja foi no Montenegro...
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Depois de 13 anos e somando cerca de 3,5 mil mortes entre seus soldados, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) encerrou oficialmente sua missão militar no Afeganistão em uma cerimônia realizada, ontem, em Cabul. A partir do dia 1º de janeiro de 2015, a segurança passa ao exército afegão.
Mas a transferência de poder também representa a transferência de um conflito não resolvido, apesar dos bilhões de dólares investidos. A violência da insurgência do Taleban aumentou e, sem um governo, o Afeganistão continua a registrar milhares de mortes por ano.
Enquanto o presidente americano Barack Obama declarava que a missão terminava de maneira responsável, os líderes do Taleban preferiam apontar que a cerimônia era o símbolo do fracasso de uma guerra lançada como reação aos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA. As forças da Otan chegaram a contar com até 130 mil soldados em 2011.

Agora, a missão militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão (Isaf) deixa oficialmente de ser uma operação de combate e os cerca de 12,5 mil soldados estrangeiros que restarão no país terão a tarefa de assistência às forças de segurança locais, que somarão mais de 350 mil soldados e policiais.

Até o final de 2015, as tropas americanas serão cortadas pela metade. Um ano depois, ficarão apenas soldados para proteger a embaixada em Cabul.

"Juntos conseguimos erguer o povo afegão da escuridão e desespero, e demos a eles esperança no futuro", afirmou o comandante da Isaf, John Campbell. "Tornamos o Afeganistão mais forte, e nossos países, mais seguros."

Na semana passada, Obama usou seu discurso de Natal para marcar o fim da operação. "Em poucos dias a missão de combate no Afeganistão terá terminado, e nossa guerra mais longa terminará de maneira responsável", declarou.

Mas se o discurso tinha um tom positivo, a própria cerimônia que marcou o fim da operação foi obrigada a ser realizada de forma secreta diante da ameaça de ataques talebans.

Ataques. Cabul assume a responsabilidade em um momento crítico. Desde meados de 2013, os militares afegãos já estão encarregados da segurança nacional. Mas contavam com a ajuda estrangeira. Agora, enfrentarão praticamente sozinhos o Talibã, que aproveitou do vácuo político no Afeganistão nos últimos meses para multiplicar seus ataques.



"Os 13 anos de missão americana e da Otan foram um fracasso absoluto no Afeganistão. A cerimônia de hoje representa seu fracasso", declarou à AFP Zabihullah Mujahid, porta-voz do Talibã.

Dados da ONU confirmam que a violência aumentou no país em 2014 em 19%. Até novembro, 3,1 mil civis morreram no Afeganistão, além de outros 4,6 mil militares locais.

A construção de uma democracia - prometida pela missão em 2001 - também é um projeto incompleto. Uma eleição presidencial foi organizada neste ano. Mas diante de acusações de fraude, um impasse político impediu a formação de um governo, mesmo três meses depois da votação. 

O ANO É DE... (deu no Ancelmo)

... MARINA SILVA

          
A revista inglesa “Financial Times” resolveu premiá-la com o título de Mulher do Ano por ser uma “visionária e idealista que acredita com sinceridade no que diz”. Marina Silva, a ex- seringueira de 56 anos, durante mais de um mês na campanha eleitoral, encantou o país com uma mensagem de renovação e ética. Terminou sendo desconstruída pela velha política. Mas deixou uma semente. O ano também é de Malala Yousafzai, a ativista paquistanesa de 17 anos. O ano é das quatro mulheres da novela “Império”: Lília Cabral, Drica Moraes, Leandra Leal e Marina Ruy Barbosa. O ano é das duas Fernandas, Montenegro e Torres, mãe e filha. O ano é de Luciana Genro. É de Renata Vasconcellos, que assumiu a bancada do “Jornal Nacional” com segurança e competência. É também de Ivonne Caetano, a primeira desembargadora negra do Rio
... SÉRGIO MORO
       
O juiz paranaense de 42 anos, ao comandar a Operação Lava-Jato, mostrou competência técnica e coragem cívica para meter o dedo numa das mais antigas feridas brasileiras, a corrupção, escancarando desta vez aqueles empresários que participam do jogo sujo e que tradicionalmente saem impunes. O ano é também dos agentes da Polícia Federal e do Ministério Público que participam dessa versão tupiniquim da operação “Mani pulite”, que combateu a corrupção na Itália dos anos 1990. O ano é de Aécio Neves, Eduardo Campos (in memoriam), Jaques Wagner, Fernando Pimentel e Eduardo Jorge. O ano é de Frei David, o defensor das cotas. O ano é de Gabriel Medina, campeão mundial de surfe, e também, por que não?, de Neymar. O ano é de Alexandre Nero, o Comendador na novela “Império”.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Happy New Year/Feliz Ano Novo/Bonne Année 2015






  SOMOS TODOS (LATINO)AMERICANOS!!!!
      




        
                  Viva CUBA LIBRE!

sábado, 27 de dezembro de 2014

Cartas de Buenos Aires: Polêmica: transgêneros e transexuais para as festas de fim de ano

Neste Natal, uma boneca chinesa causou controvérsia na Argentina. A suposta primeira boneca “transexual” do país apareceu no bairro de Once, um lugar conhecido em Buenos Aires como uma espécie de 25 de março (SP) ou Saara  (RJ) portenha e onde muitas mães foram pechinchar os presentes dos filhos. A boneca, uma réplica da personagem Sininho, vinha com uma “surpresinha” debaixo da roupa: um pedacinho de plástico que lembrava o órgão genital masculino, que muitos especularam não passar de um erro grotesco de fabricação.
Mas o pedacinho de plástico causou reboliço nas redes sociais e debates na mídia, inclusive com avaliações de psicólogos e psiquiatras sobre a “confusão” que poderia ou não causar nas crianças. Mas a maioria dos especialistas opinou o óbvio: só afeta as crianças, se afetar os pais, pois as crianças parecem passar batidas pela polêmica.
Flor de La V em seu programa emocionada com sua identidade (Foto: Divulgação)
Flor de La V em seu programa emocionada com sua identidade (Imagem: Divulgação)
Bobagens à parte, o importante mesmo é o projeto de lei que garantiria aos travestis e transexuais de Buenos Aires uma aposentadoria aos 40 anos de oito mil pesos (2,4 mil reais). A proposta é discutida na Câmara legislativa. Outra controvérsia no país que foi o primeiro na América do Sul a legalizar o casamento homoafetivo. Os detratores da lei questionam o valor pois, na Argentina, a aposentaria básica não ultrapassa os 3 mil pesos. Mas antes de atirar a primeira pedra no projeto que muitos chamam de “bolsa traveco”, vamos aos fatos: transexuais e transgêneros na América Latina sofrem com preconceito, violência, doenças e carência de opções laborais. Isso dito pela própria Nações Unidas. A expectativa de vida  não passa dos 35 anos, quase a mesma da época medieval na Europa.
Segundo um relatório elaborado pelo PNUD, em 2009 a situação de transexuais na Argentina era grave: apenas 33% terminaram o segundo grau, 75% trabalhavam no mercado do sexo, 25% eram portadoras do vírus HIV e mais de 80% afirmavam terem sido vítimas de violência policial.
Esse diagnóstico, segundo os políticos que impulsionam o projeto de lei, seria o motivo pelo qual é extremamente relevante dar assistência financeira a esse segmento marginalizado.
De fato, não há muitas histórias com final feliz. Uma exceção é Florência de la V, atriz e primeira transexual argentina a conseguir trocar sua cédula de identidade sem precisar declarar que sofre de alguma patologia. Foi um marco na luta.
Antes de Flor, apenas Cris Miró, também do mundo do entretenimento, falecida em 1999, chegou longe. Talvez não tão longe como Flor que ganhou a “Dança dos famosos” argentina, em 2006, e que tem sua própria identidade. Juan ou Maria? Que te importa?
                                                                                      Gabriela G. Antunes É jornalista.
Comentario meu---pra quem pensa em mudar de genero, nao deixa de ser uma tranquilidade futura.

Jaguar: Leblon, o luxo e o lixo


Rio - Aqui onde moro é o mais valorizado metro quadrado do Brasil. Mas quando o pai de Célia comprou na planta o apartamento na Selva de Pedra, parte do bairro ainda era um vasto areal. Dizem que em 1969 o governador Carlos Lacerda mandou tacar fogo na Favela da Praia do Pinto para construir o condomínio com o nome de uma novela de sucesso na TV. Já morei em tudo que é lugar no Rio, mas aqui tenho a vida que pedi a Deus. Ele me atendeu, mesmo sabendo que sou ateu. Tem tudo em torno da quadra onde moramos: banca de jornal, carrocinha de pipoca e tapioca, restaurante chique e pé-sujo, farmácia, supermercado, cinema, teatro, banco, livraria, correio e o escambau. E da mesa no Clipper, no fim da tarde, se vê o mais deslumbrante desfile de mulher bonita do planeta. Mas ninguém é perfeito, como disse o Boca Larga no filme de Billy Wilder.
É chato estar bebendo um chope no Alemão e ver madame recolher o cocô do lulu num plástico e botar na bolsa. Pior ainda é quando não recolhe. Elas falam com os bichinhos: “Vamos pra casa, tá na hora da novela.” Às quintas, nem pensar em convidar alguém. Todo o lixo do condomínio é amontoado em frente ao nosso prédio. Para entrar em casa passamos entre montanhas de fedor. Mendigos e cachorros rasgam os sacos de plástico e disputam os restos. Em geral, a Comlurb recolhe aquela porcariada toda depois da meia-noite, acordando todo mundo.

E agora — essa foi de lascar — perdemos João Ubaldo. Morava perto, na General Urquiza. A risada solar nunca mais, ficou o legado do seu livro inacabado ‘Noites Lebloninas’, recentemente lançado, sobre o bairro. Nasceu numa ilha — Itaparica — e morreu em outra, o Leblon. Não é preciso nascer aqui para ser leblonino (palavra inventada por Ubaldo para o título do livro). Alguns exemplos: o gaúcho João Saldanha, o mineiro Ruy Castro, o paulista Chico Caruso, o espanhol Narciso, do Jobi. Não vou falar do livro porque o prefácio de Geraldinho Carneiro, grande amigo do escritor, diz tudo. Vou lhe passar a palavra: “Ubaldo construiu seu narrador.
Ele é porteiro de um edifício da alta classe média, nascido na Bahia, mas morador do Leblon há muitos anos, como o próprio Ubaldo.” A dupla identidade garante a verossimilhança de sua fala aqui, “no Rio de Janeiro, que é minha segunda pátria e hoje posso dizer que sou um carioca e quem me vê assim me toma por carioca, isto aqui é minha casa, não saio daqui nem deportado.”

A ILHA DO CARA, recreio da VEJA, por Leonardo Coutinho


Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)
Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)


Cultuado pelos partidos de esquerda do Brasil e da América Latina, Fidel Castro vende com facilidade a falsa imagem do revolucionário despojado, metido antes em farda de campanha e, agora, na decrepitude, em agasalhos esportivos Adidas que ganha de presente da marca alemã. Inúmeros relatos de pessoas que privaram da intimidade de Fidel haviam arranhado a aura de asceta do ditador cubano. Sabia-se que ele manda fazer suas botas de couro, sob medida, na Itália; que tem um iate e um jato particulares; come do bom e do melhor – enfim, nada diferente da vida luxuosa levada, em despudorado contraste com a miséria do povo, por tantos ditadores de todos os matizes ideológicos no decorrer da história.
Mas, como manda o manual do esquerdismo latino-americano, que nunca conseguiu se afastar do culto ao caudilhismo populista, se a realidade sobre Fidel desmentir a lenda, que prevaleça a lenda. Assim, a farsa sobrevive. Assim, as novas gerações vão sendo ludibriadas.
Resta ver se a farsa vai resistir às revelações sobre a corte de Fidel que aparecem na autobiografia de um ex-guar­da-costas do ditador, Juan Reinaldo Sánchez. O livro, que está chegando às livrarias brasileiras no fim de junho com o título A Vida Secreta de Fidel (Editora Paralela), revela excentricidades que seriam aberrantes mesmo para um bilionário capitalista.
Algum rentista de Wall Street tem uma criação particular de golfinhos destinados unicamente a entreter os netos? Fidel tem.
Os líderes das empresas mais valorizadas do mundo, Google e Apple, que valem centenas de bilhões de dólares, são donos de ilhas particulares secretas, vigiadas por guarnições militares e protegidas por baterias antiaéreas?
Leia mais....se interessar---aqui.

‘Governos e sindicatos, relações bastardas’, por Almir Pazzianotto Pinto



João Goulart (1919-1976) é personagem singular e enigmática da nossa história. Escolhido por Getúlio Vargas para sucedê-lo como condutor da política trabalhista, Jango herdou a resistência das elites e a desconfiança das Forças Armadas.
A aproximação entre Vargas e Jango iniciou-se no final de 1945 quando o presidente, deposto no dia 29 de outubro pelos generais, foi confinado na estância de Itu, município de São Borja, vizinha da propriedade da família Goulart. Partiu daí a transformação do jovem criador de gado em político do PTB gaúcho, pelo qual se tornou deputado estadual em 1947, federal em 50, presidente nacional do partido em 52, ministro do Trabalho em 53.
Convocado por Vargas ─ que voltara ao Catete eleito presidente da República em 1951 ─ para fortalecer vínculos com o movimento sindical, Jango “tornou-se figura de destaque e árbitro dos conflitos entre os trabalhistas, ao mesmo tempo em que, em estreita ligação com Vargas, passava a controlar os principais cargos de chefia na Previdência Social”. Simultaneamente, se empenhava na tarefa de atribuir importância nacional às organizações sindicais, “de forma a constituir uma força que pudesse dar respaldo ao presidente, atingido, no segundo ano do governo, pelos efeitos da crise política, latente desde o período eleitoral” (Dicionário Histórico- Biográfico Brasileiro, vol. III).
Desde a Carta Constitucional de 1937, sob a qual foi redigida a CLT, governo e sindicatos cultivam relações bastardas. Relata João Pinheiro Neto, no livro “Jango, Um Depoimento Pessoal” (Ed. Record) que, quando Ministro do Trabalho, várias vezes Goulart lhe disse “Tu, que és menino inteligente, diga a esses homens (referia-se às lideranças sindicais) que não forcem demais, que me deixem um pouco tranquilo. E acrescentava: Podes anotar: se me apertarem demais e eu cair, virá por aí uma ditadura militar que vai durar vinte anos. E, quando isso acontecer, os nossos líderes sindicais não poderão andar nem na rua…”  O temor de quem se sentia acossado, e não dispunha de força para resistir ao assédio sindical, era profético, e seria confirmado pelos fatos.
A promiscuidade com o peleguismo foi obra de Vargas, exímio na arte de manipulá-lo. Jango não aprendeu com o mestre, e (na presidência da República) se deixou envolver por dirigentes ambiciosos, que imaginavam assumir o domínio do País a partir de movimentos grevistas, como o deflagrado em outubro de 1963 por 77 sindicatos e 4 federações estaduais, representantes de metalúrgicos, têxteis, gráficos, marceneiros, químicos-farmacêuticos, liderados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) controlada por aliança entre PTB e PCB.
Apoiada abertamente por Jango e Amauri Silva, Ministro do Trabalho, a “greve dos 700 mil” não resistiu à intervenção do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, acionado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Mas eliminou a escassa confiança do setor patronal no propalado espírito cordato e conciliador do presidente.
O golpe de 31 de março de 64 provocou total desarticulação do sindicalismo comuno-petebista. Entre os primeiros 100, cujos direitos políticos foram suspensos por 10 anos pelo Ato nº 1 (de 9/4/1964) do Comando Supremo da Revolução, 40 eram sindicalistas, entre os quais Clodismith Riani, Dante Pelacani e Hércules Correia, diretores da CNTI e líderes Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Para ocupar os postos deixados pelos cassados o governo nomeou interventores como Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, que seria presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.
A truculência do governo militar provocou a substituição dos protagonistas da promiscuidade. Ao invés de sindicalistas ligados à denominada esquerda progressista, o que se observou foi a brusca ascensão de elementos das oposições na chefia de sindicatos, federações e confederações, em íntima colaboração com o Ministério do Trabalho, que lhes garantia sucessivas reeleições e os alimentava com o Imposto Sindical.
Em 1946 e 1988 perderam-se duas excelentes oportunidades de moralização do movimento sindical. O art. 8º (da Constituição de 88), o pior texto da história na matéria, afastou o poder de intervenção direta do Estado, mas conservou o sistema confederativo, a divisão de empregadores e empregados em categorias, o monopólio de representação, a Contribuição Sindical obrigatória para não associados, o registro no Ministério do Trabalho.
Governo e sindicatos cultivam relações bastardas. O primeiro, porque lhe dão tranquilidade, capacidade de controle e apoio eleitoral. Quanto aos segundos, tiram o máximo proveito da promiscuidade: recebem polpudas ajudas em dinheiro público, gozam de prestígio político, interferem na escolha de ministros, têm livre acesso a palácios e ministérios. Ser dirigente sindical próximo do governo é a melhor posição que alguém pode almejar, por trazer vantagens sem gerar preocupações.
A presidente Dilma Rousseff havia adotado postura austera e firme diante das centrais. Buscou, aparentemente, fazer com que entendessem haver larga distância entre interesses pessoais de dirigentes, ávidos de dinheiro ou de ascensão política, e relevantes projetos nacionais, como tornar a economia competitiva no mundo globalizado, começando pela reforma dos portos e aeroportos.
Aconselhada pelo ex-presidente Lula, deu um passo atrás e as reconduziu a lugar de honra no Planalto. O primeiro fruto da reaproximação consiste na atitude da Força Sindical, autora de manifestações contra a privatização de terminais portuários prevista na Medida Provisória 595, em tramitação no Poder Legislativo.
S.Exa. poderia dedicar algumas horas à história do trabalhismo janguista, e certamente concluirá que relações incestuosas, com o peleguismo, jamais trarão resultados benéficos ao País.
Almir Pazzianotto Pinto é advogado; foi Ministro do Trabalho e presidente do TST.


Estrada Real, viaje no tempo



Mais de 1.600 quilômetros de um percurso único, que combina quatro séculos de história, natureza exibicionista, gastronomia aconchegante e aventuras atemporais para todo tipo de viajante. A Estrada Real atravessou séculos vendo cargas de ouro e diamante do interior de Minas Gerais seguir rumo ao litoral fluminense. Hoje, o que se vê é uma estrutura respeitável, pronta para receber cada vez mais visitantes em uma experiência sem paralelos no Brasil. 
A maneira de explorar esses caminhos fica a seu critério. Em 2014, 55% dos turistas fizeram o percurso em veículos 4X4, 25% de bike e 5% usaram motos. Caminhada foi opção para 15% dos viajantes. Também é bom ter em mente que não é preciso (nem recomendável) percorrer toda a rota de uma só vez. A ideia é aproveitar a Estrada Real por partes, parando em cidades históricas, vilas rurais e desfrutando de cada um dos três grandes trechos. O Caminho Velho vai de Paraty a Ouro Preto; o Caminho Novo liga o Rio de Janeiro a Ouro Preto e o Caminho dos Diamantes, Ouro Preto a Diamantina. 
A maior parte do trajeto é por estradas de terra, serpenteando por entre serras e vales. Fique tranquilo: não dá para se perder. São 1.926 marcos de concreto e 726 placas, todas com a manutenção em dia, feita pelo Instituo Estrada Real. Fundado em 1999 pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, o órgão conseguiu colocar para funcionar turisticamente o percurso histórico que hoje contempla 199 municípios mineiros, paulistas e fluminenses. (Imagens Google--Estrada Real)
   
A inspiração veio do Caminho de Santiago, entre os Pireneus franceses e a cidade espanhola de Santiago de Compostela, mas sem o viés religioso da peregrinação. A versão brasileira não nega as influências, especialmente nos passaportes da Estrada Real, criados em maio. Até o início do mês, cerca de mil pessoas retiraram seus passaportes (além de mapas e planilhas) nos postos do trajeto.
Restaurantes, pousadas e centros de visitante carimbam os passaportes, com pictogramas locais. No centros históricos de Ouro Preto e Paraty são concedidos certificados para os que tiverem 14 carimbos no Caminho Velho ou 12 no Caminho dos Diamantes. Em cada ponto de apoio, uma pasta com contatos de pousadas, restaurantes e mecânicos em cada região. As informações estão em institutoestradareal.com.br.
Além de cidades históricas, a rota passa por áreas onde a natureza é o destaque, como os parques da Serra da Bocaina e Serra do Cipó, cachoeiras, sítios arqueológicos e cavernas. De 4x4, bicicleta, de moto, caminhando ou um pouco de tudo, tanto faz. A Estrada Real tem tudo para ser uma boa alternativa à infalível fórmula sol e praia. “História e cultura fazem parte de uma grandiosa oportunidade de conhecer nosso País nos recantos mais interessantes neste aspecto”, diz o presidente da Abeta, Evandro Schütz.

Em busca do fio-terra,por Ruy Fabiano, Jornalista

Dos 39 ministérios criados na Era PT, menos da metade corresponde a uma demanda administrativa real. A maioria, como se sabe, atende apenas às demandas fisiológicas do governo, decorrentes do que se passou a chamar presidencialismo de coalizão. Poderiam perfeitamente integrar – como aliás integravam - as estruturas ministeriais preexistentes.
Os que efetivamente importam não são muitos: área econômica (Fazenda, Planejamento, Previdência Social); área política (Justiça, Casa Civil); infraestrutura (Transportes, Desenvolvimento Industrial, Agricultura, Minas e Energia, Cidades); Defesa (Exército, Marinha, Aeronáutica); área social (Trabalho, Saúde), além de Educação e Ciência e Tecnologia, cuja ação envolve e influi em diversas pastas.
Para entender o segundo governo Dilma, o que importa é analisar os nomes escalados para esses setores. Nem todos foram escolhidos. Mas, dos que já foram anunciados nas áreas vitais – de que dependem todos os outros –, constata-se que formou um governo defensivo. Defensivo de si mesmo.
Os setores de ponta da economia e do desenvolvimento – Fazenda, Planejamento, Agricultura e Desenvolvimento Industrial – foram entregues a nomes que expressam a mais sólida ortodoxia.
Joaquim Levy (Fazenda, discípulo de Armínio Fraga), Nélson Barbosa (Planejamento), Agricultura (Kátia Abreu) e Armando Monteiro (Desenvolvimento Industrial) integrariam, sem a menor estranheza, um governo liberal ao estilo do DEM. Alguns seriam ortodoxos demais para um governo tucano.
O que isso significa? O óbvio: para consertar os estragos de um governo heterodoxo, de feição petista, a presidente teve que recorrer a seus antípodas ideológicos, reconhecendo que o ideário de seu partido tem a fórmula da doença, mas não a do remédio. O fio terra definitivamente não está no PT.
A crise econômica imporá correções de rumo, cuja bússola está com os adversários, chamados emergencialmente à operação-resgate. A militância petista não gostou e já manifestou sua contrariedade de diversas formas. Houve até uma invasão do MST à sede da CNA, no dia da posse de sua presidente Kátia Abreu, a que compareceu a presidente Dilma Rousseff, para convocá-la.
Kátia simboliza o agronegócio, que tem sido há anos a tábua de salvação da economia, garantindo sucessivos superávits na balança comercial. O êxito, no entanto, não significa nada para a militância, que prefere o fracasso com coerência ideológica. Mas Dilma sabe que o discurso ideológico cai bem nos palanques, mas na vida real, movida a resultados, costuma ser cúmplice de desastres.
Joaquim Levy não é também um amante da ideologia. Seu credo são os números. Sabe que dois mais dois são quatro e que a aritmética não é de esquerda, nem de direta. Simplesmente é. Tudo depende da lógica contábil do deve e do haver. Não havendo, não se faz; havendo, avalia-se, escolhe-se, faz-se ou não. Sempre depende.

Presidenta Dilma Rousseff se reúne com os líderes dos partidos da Base governista na Câmara dos Deputados (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr)
Presidenta Dilma Rousseff se reúne com os líderes dos partidos da Base governista na Câmara dos Deputados (Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr)
Essa lógica elementar foi desafiada na gestão Mantega e empurrou o país para a beira do precipício. Dilma não teve escolha: teve que pedir socorro à direita para desentortar o país.
O governo que se empossa no primeiro dia do ano, embora, na aparência, sob o mesmo comando, é bem diferente do que sai. Seu grande desafio não estará apenas na oposição – que dá sinais de ressurgimento -, mas em sua própria base.
E talvez essa seja a pior. O PSDB jamais sabotou as boas iniciativas da Era Lula – e, por isso, foi muito criticado. Mas a turma do MST, MTST, CUT e os partidos-satélites do PT (PSOL, PSTU, PCdoB etc.) são capazes de tudo, inclusive de sabotar seus próprios aliados.
Esse cenário já é em si assustador. Mas, correndo por fora, há ainda o Petrolão e as inevitáveis – e já anunciadas – CPIs da Petrobras, do PAC, do BNDES e outras do gênero. O governo, que perdeu aliados no Congresso recém-eleito, ainda tem maioria, mas já não há (sem trocadilho) combustível para controlá-la.
Num ambiente de crise econômica, arrocho salarial e escândalos, soa como ironia desejar aos que se empossam um feliz ano novo. Mas é o que resta fazer – e desejar. Sonhar é (também) cultura, já dizia Jung.
Ruy Fabiano É jornalista

Dilma adia anúncio de ministros do PT que vão participar do segundo mandato






Comentario meu, com endereco certo---um Partido criado por alguns que sacrificaram a propria carreira e vida familiar para mudar, para melhor, o Pais e re-orientar a Nacao, tornou-se numa mera Agência de Empregos--ineficiente e incompetente--obrigado Baiano e aproveita a riqueza recente--antes da ressaca--que seguramente te acossara, a defeito da consciência atrofiada que, hoje, te orienta!
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Catarina Alencastro, Luiza Damé e Fernanda Krakovics, O Globo-
A presidente Dilma Rousseff desistiu na sexta-feira de anunciar mais ministros que farão parte de seu governo. Havia a expectativa de que nessa leva fossem divulgados os cargos que ficariam com petistas, mas a pressão de correntes internas da legenda insatisfeitas com a perda de espaço no Planalto foi um dos motivos que levaram ao adiamento.
A presidente retorna de Salvador (BA), onde descansa na Base Naval de Aratu, na segunda e deverá finalizar as negociações dos últimos nomes da equipe.
Ela ainda precisa anunciar quem comandará 22 ministérios a partir de 1º de janeiro e nos últimos dias os nomes definidos para as pastas reservadas ao PT têm gerado tensão entre a presidente Dilma e as correntes do partido ligadas ao ex-presidente Lula, que acha que está tendo um esvaziamento no Planalto.





Presidente Dilma Rousseff  (Foto: André Coelho / O Globo)O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link: 

Leia também----Ricardo Galhardo - O Estado de S. Paulo 
 
São Paulo - Ao contrário de 2010, quando fez questão de ouvir o padrinho político durante a montagem do governo, a presidente Dilma Rousseff tem dado pouco espaço para os pitacos do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, ao escolher os ministros que vão acompanhá-la no segundo mandato, a partir de quinta-feira. Nesta sexta-feira, 26, esperava-se que o governo confirmasse mais nomes do PT que vão compor a equipe ministerial, mas o anúncio foi adiado para a próxima semana.
Dilma consultou o ex-presidente em novembro, e depois não pediu mais opiniões. Na época, Lula foi parcialmente atendido. Emplacou Nelson Barbosa no Ministério do Planejamento, mas teve de engolir a escolha de Joaquim Levy para comandar a Fazenda.
O resultado é a redução do número de ministros ligados a Lula no segundo mandato. A lista inclui Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Miriam Belchior (Planejamento) e Celso Amorim (Defesa), entre outros.
Na terça-feira, quando foram anunciados 13 novos ministros, o único petista a aparecer na lista foi Jaques Wagner na Defesa. Esperava-se a confirmação de outros nomes, como Aloizio Mercadante na Casa Civil e José Eduardo Cardozo na Justiça, e o deslocamento de atuais ministros para outras pastas, como Ricardo Berzoini (de Relações Institucionais para Comunicações) e Miguel Rossetto (do Desenvolvimento Agrário para a Secretaria-Geral). Nada disso aconteceu. Faltam ser indicados 22 dos 39 ministros.
Lula e Dilma construíram uma espécie de acordo tácito para manter a relação com um mínimo de atritos. A base do acordo é: Lula só opina quando Dilma consulta. Como Dilma não tem consultado, Lula não tem opinado.
Os dois se encontraram três vezes depois da eleição. Em duas ocasiões, ainda em novembro, tiveram longas conversas sobre governabilidade e a montagem da equipe econômica. O terceiro encontro foi no dia da diplomação de Dilma, quando a presidente e o antecessor conversaram rapidamente antes da solenidade, na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Baixo perfil. Dilma estava acompanhada de Mercadante, apontado como responsável pelo “baixo perfil” dos nomes anunciados até agora, principalmente na área política.
O sonho do PT era ter Mercadante na Casa Civil, Berzoini em Relações Institucionais e Wagner na Secretaria-Geral. Dilma optou por trocar a pasta de Berzoini e escalar os gaúchos Rossetto e Pepe Vargas para as cadeiras próximas de seu gabinete no Planalto.
Petistas avaliam que essa opção tem influência de Mercadante, que quer concorrer à Presidência em 2018 e manobrou para evitar a concorrência de Wagner, outro nome com potencial de candidato, na “cozinha” do governo.
Testemunhas dizem que Lula ficou profundamente contrariado ao saber que Berzoini seria remanejado para dar espaço ao deputado gaúcho. As manifestações do ex-presidente limitaram-se a interlocutores e não chegaram a Dilma.
O estilo Dilma e o protagonismo de Mercadante também têm incomodado o PT. Integrantes da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) se queixam que a Mensagem ganhou mais espaço no ministério ao emplacar Vargas e manter Rossetto e Cardozo em pastas de prestígio.
“Recebi mensagens de militantes manifestando preocupação com a representatividade do equilíbrio interno de forças do PT na montagem do ministério”, disse Francisco Rocha, o Rochinha, coordenador da CNB.
Dirigentes petistas também reclamam da falta de diálogo com Dilma. A presidente chegou a pedir ajuda a alguns deles para sondar nomes, mas não deu mais satisfações ao partido.
Comentario 2--governabilidade complicada, pelas eternas flatulências internas e daqueles que consideram-se "donos" da bola....A ex-Secretaria do Olivio vai suar e sofrer, para afirmar seus propositos de "bom governo". Parafraseando o Chico B--Vai dar merda!
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-deixa-lula-de-lado-ao-montar-equipe-e-enfrenta-resistencia-petista,1612462

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Cecilia by Simon & Garfunkel (Lyrics)

Caixa aberta,por Míriam Leitão e Marcelo Loureiro - no Globo

A abertura de capital da Caixa Econômica Federal será lucrativa para o Tesouro, mas difícil de executar com a bolsa volátil e com tendência de queda. Os possíveis compradores de ação podem se perguntar que garantia terão de que não enfrentarão escândalos como o da Petrobras. Para a Caixa, em si, pode ser uma proteção contra desastres, como foi a compra do Banco PanAmericano.O negócio foi nebuloso. A Caixa comprou 49% do banco e logo depois se descobriu que ele estava quebrado. Foi necessária uma injeção de R$ 4,3 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito para resgatar o PanAmericano e a face da CEF. Se a lei fosse seguida, a quebra do banco provocaria o bloqueio dos bens da Caixa, que era grande acionista e participava do controle.
Por que a Caixa não viu que o banco tinha esse gigantesco desequilíbrio durante a auditoria (“due diligence”) que fez antes da compra? Quanto, ao todo, foi o custo para a Caixa, já que depois do resgate ela teve que capitalizar o banco?
O governo não só não deu explicações como indicou a então presidente da CEF Maria Fernanda Ramos Coelho para uma diretoria do BID. A Caixa sempre foi depósito de indicações políticas. Com o capital aberto vai ser mais difícil nomear um político que nada entenda do assunto para os cargos de direção. Mesmo assim, como se aprendeu no caso da Petrobras, isso não garante nada. Os ex-diretores da petrolífera, presos na Operação Lava-Jato, eram quadros de carreira, mas cada um foi alçado à diretoria com o apoio de um partido da base e a esse partido prestava obediência e mandava parte do dinheiro das propinas.
Durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma disse que os adversários estavam ameaçando acabar com os bancos públicos. A verdade, que sabe quem acompanha a economia brasileira, é que tanto o Banco do Brasil quanto a Caixa Econômica Federal foram saneados logo após o Plano Real. O que causou um rombo na CEF foi essa aventura nunca explicada de entrar como sócia num banco que estava falindo.
Para enganar quem não está familiarizado com os detalhes da economia, eles disseram que o PanAmericano não foi resgatado por dinheiro público, já que o FGC é capitalizado por dinheiro recolhido pelos bancos. Argumento enganoso. O FGC foi criado em 1996 para proteger correntistas e não acionistas das instituições. E o custo do dinheiro que os bancos recolhem ao Fundo é repassado ao spread dos bancos e pago por todos os tomadores de recursos bancários. O que o FGC colocou para resgatar o PanAmericano foi comprado pelo BTG Pactual por um décimo do valor e tudo ficou parecendo uma operação estritamente comercial.
Na verdade faltou explicação em cada uma dessas etapas, principalmente sobre a decisão tomada na diretoria e que causou prejuízo à Caixa. Com o capital aberto isso seria, mais cedo ou mais tarde, questionado. Como está acontecendo agora com Pasadena ou com a dificuldade da Petrobras de divulgar um balanço auditado. Uma empresa com sócios minoritários e submetida às leis do mercado de capitais tem mais risco de ser punida pelos erros administrativos ou por atos lesivos aos interesses dos acionistas. Mas não vamos nos iludir só porque é Natal. Papai Noel não nos trouxe uma vacina contra o mau uso dos cargos de direção das empresas públicas.
O que este ano nos trouxe foi a confirmação de que só instituições sólidas e fortalecidas podem proteger a sociedade dos desmandos do governo. O que move o Tesouro a pensar em tirar da gaveta o projeto de abrir o capital da Caixa é a necessidade urgente de melhorar as contas públicas. Mas, quem sabe, ficará melhor a governança da instituição.