segunda-feira, 29 de abril de 2013

Outra fábula do andar de cima, por Elio Gaspari, n'O Globo


De uma hora para outra, o reconhecimento de que os empregados domésticos têm direito às mesmas garantias que seus empregadores se tornou um retrato das ansiedades do andar de cima nacional.

O doutor Romero Jucá, ex-líder do governo no Senado, defendeu a redução da multa em casos de demissão sem justa causa para algo como 5% ou 10% sobre o saldo do FGTS.
Tudo bem, quando o patrão é demitido, embolsa a multa de 40%. Quando ele demite a cozinheira, paga só 10%. Afinal, ela é "gente diferenciada".
A doutora Gleisi Hoffmann trabalha com outra ideia, a de aumentar o desconto no Imposto de Renda para os gastos com empregados domésticos.
Tudo bem, a Viúva subsidiará a contratação da cozinheira que, por sua vez, ralará na fila do SUS. Quem não tem empregado ficará com o custo social do mimo dado a quem tem.

Adam Smith 
Nada de novo no capitalismo brasileiro. Afinal, Adam Smith (1723-1790), o pai da economia moderna, vivia do seu trabalho como professor e diretor de uma alfândega. Quando interrompeu um curso, tentou devolver o dinheiro das aulas que não deu.
Ensinou ao mundo as virtudes da "mão invisível" do mercado. Seu similar nacional, o Visconde de Cairu (1756-1835), conseguiu sua aposentadoria pública aos 50 anos e foi o primeiro professor de "ciência econômica" de Pindorama.
Ganhava 400 mil réis (mais a aposentadoria), mas nunca deu uma aula. Cairu descobriu outra mão invisível, aquela que tira dinheiro de quem não o tem e o coloca no bolso de quem o tem. 
Elio Gaspari é jornalista.

Desabamento em Bangladesh revela lado obscuro da indústria de roupas; Andrew North in BBC


Equipes de resgate trabalham dia e noite buscando sobreviventes do desabamento

O desabamento de um prédio de três andares onde funcionava uma fábrica de tecidos em Bangladesh revelou não só o amplo descumprimento com normas básicas de segurança no país, mas também o lado obscuro da indústria de roupas internacional.
Na tragédia, que ocorreu na capital Dhaka na semana passada, morreram pelo menos 377 pessoas.

Neste domingo, um incêndio iniciado no meio dos escombros impediu o resgate de mais uma sobrevivente e retardou o trabalho de buscas.
Por causa do fogo, quatro bombeiros foram hospitalizados.
Estimativas iniciais dão conta de que 3 mil pessoas trabalhavam no momento em que o prédio desabou. Cerca de 2.430 sobreviveram.
Confira, abaixo, o relato do correspondente da BBC no Sudeste da Ásia, Andrew North, que visitou o local da tragédia.
"É no norte da capital Dhaka que se concentra a maior parte das fábricas de roupas do país.

Muitas delas fabricam peças para marcas internacionalmente conhecidas.
Das casas de um quarto e dos casebres onde os operários vivem, podem-se ver blocos de concreto de múltiplos andares atravessando os céus da região.
Nos telhados, vigas de aço reforçado estão aparentes, na esperança de que outro piso repleto de máquinas de costura seja erguido.
Trata-se de um sinal, para os críticos, de que o "boom de roupas" ultrapassou os limites, na tentativa desesperadora de alimentar o apetite do Ocidente por vestimentas mais baratas.
O Rana Plaza, que desabou na semana passada, era mais uma entre as dezenas de fábricas locais, com a cadeia de lojas britânica Primark como um de seus principais clientes.
Em sua defesa, a Primark informou que estava "chocada e entristecida" pelo desastre e que exigiria de seus outros fabricantes uma revisão dos padrões de segurança no trabalho.
Mas esta é apenas uma pequena amostra de um cenário conhecido há bastante tempo na região.
Há menos de seis meses, no mesmo local, um incêndio reduziu a cinzas uma fábrica que fazia roupas para a cadeia americana de supermercados Walmart, matando 100 trabalhadores, até então o maior acidente industrial já ocorrido em Bangladesh.
Desde essa tragédia, no entanto, esforços vinham sendo feitos timidamente.
Humayun Kabir, CEO da DIRD Ltd, que fabrica cerca de 20 milhões de peças de roupa por ano para varejistas britânicos, como Tesco, Sainsbury's e Next, afirmou que seus clientes já estão "muito mais vigilantes", realizando, inclusive, inspeções não programadas em suas plantas.
A placa com a frase "Proibido trabalho infantil" adorna a entrada de muitas fábricas, assegurando o cumprimento de uma lei nacional que impede o trabalho de menores de 18 anos na indústria de roupas.
Mas ainda não está claro se os fiscais das grifes internacionais também vêm procurando "falhas estruturais" nos edifícios onde muitas dessas fábricas estão localizadas.Segredo?

Varejista britânica Primark encomendava roupas de fábrica que desabou
Em paralelo às grandes corporações, dezenas de fábricas ilegais floresceram na capital de Bangladesh na última década tentando tirar proveito do "boom" de roupas baratas.
Inúmeras dessas operações ocorrem à margem do poder governamental e não cumprem com os requisitos mínimos de segurança, como proteção contra incêndio.
Além disso, menores de idade trabalham nas linhas de confecção de roupas.
Uma dessas fábricas "ilegais", diz ele, fazia roupas destinadas ao Reino Unido nos últimos meses.
Não é segredo que muitas das grandes fábricas da região sub-contratem plantas menores, como essas, para puxar os custos para baixo e atender aos prazos dos clientes.
Nesses locais, a atividade pode ser apenas pregar botões ou costurar zíperes. Em seguida, as roupas retornam à fábrica contratante e "legal", sem que os compradores conheçam qualquer detalhe desse processo.
Quando foi noticiado que a fábrica de Tazreen fazia roupas para o Walmart, a varejista americana disse que não tinha conhecimento dessas práticas.
A mesma estratégia de defesa é usada por outras fábricas localizadas no norte de Dhaka.
O governo de Bangladesh, por outro lado, alega que quer melhorar as condições de trabalho, mas diz que se preocupa com as consequências para as milhões de pessoas que dependem da indústria para garantir sua sobrevivência.
"O maior direito humano é o direito à sobrevivência", havia dito o ministro do Comércio do país, Ghulam Mohammed Quader, em entrevista antes da tragédia da semana passada.
Entretanto, espera-se que a catástrofe convide a uma maior reflexão sobre o assunto.
Como um integrante de um sindicato de Bangladesh disse à BBC: "Quando você compra algo e leva outro de graça – não é exatamente de graça"".

Bancos barram transferência de dívida, por BRUNO VILLAS BÔAS, n'O GLOBO


Pesquisa da Proteste mostra dificuldades que instituições financeiras impõem para quem busca juros menores

RIO - No momento em que a inadimplência volta a dar sinais de crescimento no país, os brasileiros ainda enfrentam a resistência das instituições financeiras para transferir suas dívidas de um banco para outro, em busca de melhores condições de pagamento. Criada em 2006, a chamada portabilidade bancária continua cercada de restrições e desinteresse dos bancos, o que inviabiliza a concorrência e acesso a melhores taxas, segundo uma pesquisa inédita realizada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).
Para testar a portabilidade, a associação fez dois empréstimos pessoais no Rio de Janeiro, em março passado: um na financeira IBI, no valor de R$ 2 mil; e outro no HSBC, de R$ 6 mil. Depois de dois meses de tentativas, a Proteste não conseguiu transferir o saldo restante dos empréstimos para outra instituição financeira com taxas mais competitivas, como Itaú, Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF).
Segundo Renata Pedro, técnica da Proteste, os problemas começaram no primeiro passo: conseguir do banco e da financeira qualquer comprovante, extrato ou informativo sobre o saldo devedor do empréstimo. Esse saldo foi conseguido apenas “de boca”, sem comprovante, após muita insistência.
— Eles têm que informar o saldo num formulário. Existe um procedimento, uma base indicada pela Federação dos Bancos (Febraban) para isso, mas que não é cumprida. Dificultam sua saída do empréstimo — explica Renata.

EM IMÓVEL, ECONOMIA DE R$ 33 MIL
Na etapa seguinte, os técnicos da Proteste procuraram bancos dispostos a assumir os empréstimos. No Itaú, eles foram informados de que a portabilidade só seria aceita caso um imóvel ou outro bem fosse dado como garantia. Na Caixa, a atendente informou que o banco “não faz operação de transferência de dívida bancária”, apenas se o crédito for consignado (desconto em folha). O mesmo ocorreu no BB.
— Escolhemos esses bancos porque eles têm taxas melhores, seguindo uma pesquisa recente nossa. Faria sentido a transferência para esses bancos. Mas eles não se interessaram — explica Renata. — O banco não é obrigado a receber a portabilidade de outras instituições, mas criam restrições que não estão previstas na resolução do Banco Central que trata sobre o assunto.
Os brasileiros perdem assim uma ferramenta importante para trocar um empréstimo “caro” por outro mais barato, ou a chance de alongar suas dívidas para ter uma prestação que caiba no bolso. Isso num momento em que a inadimplência do consumidor cresce em todas as modalidades de dívida. Segundo dados da Serasa, a inadimplência subiu 3,6% em março, frente a fevereiro. Já o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde de 62,9% em março, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Simulação dos professores do Ibmec-Rio Gilberto Braga e Marcos Heringer mostra que a portabilidade pode ser ou não vantajosa, o que varia de caso a caso. No caso de um empréstimo pessoal de R$ 30 mil, a economia gerada pode ser de R$ 187. Os benefícios saltam aos olhos quando envolvem a compra de imóveis. Num financiamento imobiliário de R$ 480 mil, a economia pode chegar a R$ 33.688 se os juros caírem de de 11% para 9,57%, segundo a simulação dos especialistas.
— É importante fazer as contas antes de decidir pela portabilidade. Quem tinha um empréstimo de 10% ao ano e mudou para uma taxa de 9,5%, por exemplo, pode achar que essa troca vale a pena. Mas existem custos dessa portabilidade que precisam ser considerados — explica o especialista.
O engenheiro Édner Castilho fez essa conta e viu que era melhor fazer a portabilidade seu financiamento imobiliário, do Bradesco para o Santander.
— Mas os custos disso não são nada baratos. Gastei R$ 2.500 com registros em cartórios. Foi uma burocracia, mas no final eu consegui a portabilidade e valeu a pena — afirma Édner.

BANCOS SE DEFENDEM
Procurada, a financeira IBI informou que “seus processos atendem a condições de portabilidade”. O HSBC lamentou o ocorrido, que seria “pontual”, e informou que “reforçará a orientação padrão já existente” para que suas agências fornecem a carta com o saldo devedor ao cliente. Itaú e Caixa reconhecerem não trabalhar com portabilidade de empréstimo pessoal, mas que oferecem linhas de crédito em que o cliente pode pegar um empréstimo para quitar a dívida do outro banco. Neste caso, o cliente teria que pagar, no entanto, IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre o empréstimo, o que não existe na portabilidade. O Banco do Brasil informou em nota que “cumpre integralmente a legislação que rege a portabilidade de crédito”.

Comentário meu-- não cumprem, não deixam cumprir e mentem DESLAVADAMENTE, sem consequências quaisquer. O "fregues" ta entregue a bicharada gulosa e meliante.

Agentes da ditadura são investigados por ocultar corpo, por TATIANA FARAH


Estudante de Medicina desapareceu e foi enterrado com nome falso--leia mais--

SÃO PAULO - O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação criminal contra agentes da repressão por crimes de ocultação de cadáver. Até agora, os procuradores da República só haviam denunciado militares e delegados civis do período da ditadura por sequestro. Para o MPF, tanto sequestro como ocultação de cadáver são crimes permanentes e estão fora do alcance da lei da Anistia.
O primeiro caso investigado é o do estudante de Medicina Hiroaki Torigoe, morto aos 28 anos. Em 1972, Torigoe foi preso pelo DOI-Codi, que era comandando pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Torigoe foi enterrado sob o nome de Massahiro Nakamura, um estudante de Economia de São Paulo que chegou a procurar o delegado Alcides Singillo dias depois da divulgação da morte, para esclarecer o caso. Tanto Singillo quanto Ustra são processados pelos procuradores da República pelo sequestro de outro militante de esquerda, Edgar de Aquino Duarte, desaparecido desde 1971.
Torigoe foi morto em 5 de janeiro de 1972, mas a versão de “morte em tiroteio” só foi divulgada pelo regime militar 15 dias depois. Sua família nunca foi avisada pelas autoridades policiais e soube da morte pela televisão. O atestado de óbito do estudante aponta como causa “anemia aguda traumática” provocada por projétil de arma de fogo. Tem um enorme “T” escrito a mão, como identificação para “terrorista”.
O procurador da República Sergio Suiama afirma que as investigações desmentem as duas versões do regime militar: a de que as autoridades não sabiam seu nome verdadeiro e a de que o estudante fora morto em tiroteio. A ata de uma reunião da comunidade de informações, dias depois da morte, mostra que os agentes já sabiam que Torigoe estava morto. Uma foto encontrada no Dops mostra Torigoe morto com o corpo marcado por torturas.
Pelo menos duas testemunhas confirmaram ao MPF que o estudante foi preso e torturado no DOI-Codi e que os agentes sabiam de quem se tratava. Um militante preso na mesma ocasião afirmou que ouviu Torigoe gritar “Eu não tenho medo de vocês” e que, a essa frase, sucedeu-se um “barulho forte de paus e ferros e, depois, um silêncio”.
— O modus operandi era enterrar a vítima com nome falso e só comunicar a morte depois, com o objetivo de ocultar o cadáver. Duas testemunhas viram Torigoe chegar vivo ao DOI-Codi, provando que os agentes sabiam quem era ele — diz Suiama, apontando ainda que foram levantados documentos que corroboram com as testemunhas.
Torigoe deixou a ALN e participou da criação do Molipo (Movimento de Libertação Popular), uma dissidência do grupo. Dois meses antes de sua morte, procurou seus familiares com um cartaz em que apareciam dez militantes procurados pela polícia como “terroristas”. Disse à família que era o único sobrevivente entre aquelas fotos.
A mais recente iniciativa para localizar os restos mortais de Torigoe foi feita este mês, com uma investigação da Equipe de Antropologia Forense da Argentina sobre 23 das mais de 1.040 ossadas descobertas na vala clandestina do cemitério Dom Bosco, em Perus, em 1990. Os restos mortais não foram localizados nesse lote.

As folhas dizem......

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TIM acusada de aplicar golpe em clientes que viajam para o exterior


NB:...se fosse so a TIM....mas o capitalismo galopante, aético e sem vergonha, anda a solta, ha muito tempo e em todas as áreas  Industrial, comercial, financeira (cruz credo, nessa então ..!) e outros Serviços.
Ta pior que caderno de quitanda, quando a turma nem sabia ler ou contar.... 

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Após ser acusada pela própria Anatel de aplicar golpe na clientela do plano Infinity (que pagam pelo número de telefonemas e não pela duração deles), derrubando de propósito as ligações para provocar outras, a empresa de telefonia celular TIM está sendo acusada de criar mais uma maneira de aplicar golpes nos clientes em viagem ao exterior. Cliente da TIM que viaja principalmente para os Estados Unidos, é obrigado a pagar, sem nenhuma outra opção, R$ 29,90 por um período de 24 horas após realizar uma ligação ou receber um chamado do Brasil. Esse valor dá direito ao usuário a falar por 50 minutos no período estabelecido pela TIM. A partir daí, as ligações – feitas e recebidas – são cobradas individualmente. O problema é que, invariavelmente, o usuário consegue receber ligações (sempre de péssima qualidade) e, no máximo, durante as 24 horas que está pagando pelo serviço, consegue fazer uma, ou, às duras penas, duas ligações para o Brasil e sempre com dificuldade de ser entendido. A situação é tão crítica que neste domingo (28), às 01h27m (horário de Brasília) um cliente da TIM ligou dos Estados Unido os para o telefone que a empresa coloca à disposição para reclamações  (00551128476144) feitas do exterior. Após tentar a ligação por várias horas, o cliente conseguiu ser atendido pela funcionária de nome Eliete. Para o seu desespero, assim que começou a relatar o problema a ligação começou a falhar  e, logo em seguida, caiu. O máximo que o cliente da TIM conseguiu foi receber no seu aparelho iPhone o número do protocolo de reclamação com o “obrigado da empresa pela ligação”. O golpe da TIM é antigo e apesar das várias reclamações de clientes que viajam para o exterior, ela não apresenta uma solução. A TIM cobra mas não apresenta um serviço de qualidade. Não é novidade.
Prestando serviço
Há uma corrida no Senado entre os governistas. A razão: as duas vagas de ministro do TCU que serão abertas com a aposentadoria, em 2014, dos ministros Valmir Campelo e José Jorge, ambos do ex-PFL. Um dos mais notórios candidatos é o líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF). Não é por acaso que ele é um radical defensor do projeto que dificulta a criação de novos partidos.
NB- esses são os espertos em ação  Gim Argello tem um mandato 'herdado' depois que o titular morreu--e dizem que foi ele o mandante, sera? 
No Tribuna de Contas da União  (TCU)  estão as raposas mais felpudas, cuidando do galinheiro. Falar, ali, no pau é contra-senso.....
Um dia depois do outroNo debate da reforma da legislação partidária e eleitoral a história se repete, só mudam os papéis. Hoje, no governo Dilma, o PT, em nome de defender “o fortalecimento dos partidos”, quer deixar sem Fundo Partidário e sem tempo de TV os novos partidos. O PSDB acusa: “é um atentado à democracia”. Mas nem sempre foi assim. Em 1999, no governo Fernando Henrique, o então líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (hoje presidente da Transpetro), liderou a aprovação da cláusula de barreira, que segundo o cientista político Jairo Nicolau, deixaria fora do Congresso 11 dos 18 partidos com deputados eleitos, mas que não atingiram 5% dos votos para a Câmara.
Mudança de lado no balcão
Os petistas protestam contra a liminar do STF que suspendeu a votação do projeto que restringe a criação de novos partidos. Mas em 1996, no governo FH, aplaudiram liminar do STF que suspendeu a votação da PEC da Previdência.
País da carteirada
Seis agentes da Polícia Federal entraram na base da carteirada num espaço reservado à imprensa no Mineirão, no jogo Brasil e Chile, na quarta-feira.

Boca-livre
Aliás, num país que adora uma boca-livre, Ricardo Teixeira disse a mais de uma pessoa que, ao sair da CBF, tinha se livrado de uma das aporrinhações da Copa.
Temia receber muitos pedidos de ingressos vindos de ministros, deputados, juízes, jornalistas etc.

Ponto final


Deve ser terrível viver num país onde tem gente do Legislativo querendo enfraquecer o Judiciário, e gente do Judiciário querendo enfraquecer o Legislativo. Com todo o respeito.


domingo, 28 de abril de 2013

A sentença de morte de uma praça, por Ignez Barretto e Newton Carvalho


Ignez Barretto e Newton Carvalho, moradores de Ipanema

A Construtora Norberto Odebrecht (CNO), empresa líder do Consórcio Rio Barra, o Governo do Estado do Rio de Janeiro e o INEA já sabiam que a aplicação do método vala aberta ou invertida na construção da estação do metrô na praça N. Sra. da Paz, em Ipanema, seria a sentença de morte deste importante patrimônio ambiental, histórico e social, e também que o método subterrâneo é perfeitamente viável e factível no subsolo do local.
A empresa do grupo inglês (CH2M Hill \ Halcrow) apresentou um projeto ruim tanto pela total despreocupação com o meio ambiente, a sustentabilidade do bairro, assim como pelo aspecto social da praça que com os acessos mal localizados matarão também a sua função de praça, essencial para a comunidade.
Essa empresa não teve o menor cuidado em ouvir a população, respeitar o tombamento da praça, preservar o patrimônio histórico, cultural, ambiental e a sustentabilidade do bairro, entre outros pontos.
O lançamento intensivo de lama bentonítica no subsolo, exigido pela vala aberta, termina deixando o terreno remanescente como uma espécie de “massa cimentada”.
O resultado é que mesmo as árvores que não serão cortadas e todas de dentro e do entorno da praça, nas ruas Barão da Torre, Maria Quitéria, Visconde de Pirajá e Joana Angélica, poderão acabar mortas.

Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
É bom lembrar que na Rua Barão da Torre, mais ou menos um ano após o final das obras da estação de metrô General Osório, estranhamente todas as árvores da rua morreram.
Segundo a CNO, a adoção agora do método subterrâneo “arco celular” pode implicar no atraso de 12 meses para a entrega da Estação Nossa Senhora da Paz. Ora, a população vem há quase um ano propondo a mudança no método. Por que não foi ouvida?
E nós sabemos que ainda há tempo para alternativas, sem alterar muito os custos e a infraestrutura montada para a operação do TBM.
A estação de metrô "Venezia", em Milão, com acabamentos, escadas rolantes, bilheteria e tudo mais. custou 56 milhões de euros, ou seja, R$ 145.600 milhões, preço bem diferente do que está afixado nas placas da obra na N. Sra. da Paz!
A falta de transparência, o desprezo pelo diálogo e pela opinião da população, a incompetência e o sentimento de impunidade estão assinando a sentença de morte da praça e mais grave ainda, a da cidadania, que no caso tem sido exercida exemplarmente.

Erenice assessora multinacionais em projetos bilionários, n'O GLOBO


                             Erenice Guerra: Escritório de advocacia do qual ex-ministra é sócia representa empresas do setor de energia

Dois anos e meio depois de ser demitida da Casa Civil, ex-ministra defende empresas interessadas em negócios com o governo federal

BRASÍLIA - Pouco mais de dois anos e meio após ser demitida da Casa Civil em meio a denúncias de tráfico de influência, a ex-ministra Erenice Guerra tem defendido interesses de grandes multinacionais que buscam conquistar negócios junto ao governo federal, inclusive em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O escritório Guerra Advogados, do qual é sócia, está representando empresas do setor de energia. Erenice era consultora jurídica do Ministério de Minas e Energia quando a presidente Dilma Rousseff era titular da pasta.

Ex-braço-direito de Dilma, de quem foi secretária-executiva na Casa Civil no governo Lula, Erenice assumiu o comando da pasta quando a petista saiu para disputar a Presidência em 2010. A ex-ministra foi prestigiada pela antiga chefe mesmo após ser defenestrada do governo Lula. Erenice estava na ala dos convidados especiais do Palácio do Planalto na cerimônia de transmissão da faixa presidencial de Lula para Dilma. Também foi à festa da posse no Palácio do Itamaraty.

Com experiência na administração pública e uma rede de contatos no governo federal, Erenice foi contratada, por meio de seu escritório, pela multinacional Isolux Corsán, com sede na Espanha. Ela atua, por exemplo, em processo administrativo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para rever as condições da concessão de trecho de linhas de transmissão de Tucuruí, sob controle da empresa espanhola.

A Isolux afirmou que contratou o Guerra Advogados e outros dois escritórios de advocacia de Brasília “com atuação administrativa junto à Aneel, para a discussão e o encontro de soluções em relação ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão de linhas de transmissão — Linhão de Tucuruí.” Área que Erenice conhece profundamente.

Na França, está o controlador de outro megaempreendimento do setor elétrico com a participação de Erenice, segundo fontes credenciadas do setor. A ex-ministra atua na disputa de bilhões de reais entre as usinas de Jirau e Santo Antônio pela alteração do nível do Rio Madeira, duas obras do PAC. Ela, segundo essas fontes, presta consultoria para a Energia Sustentável do Brasil (ESBR), que administra Jirau. A ESBR, que é controlada em 60% de suas ações pela francesa GDF Suez, disse que não se pronuncia sobre o tema da reportagem.

Segundo políticos que atuam na área de energia, Erenice está intermediando a negociação para venda de ativos da Petrobras na Argentina. E trabalhando para o grupo argentino Indalo, que fez uma oferta de compra. Procurado, o grupo Indalo não se manifestou. Já a Petrobras disse, em um primeiro momento, que não comentaria o assunto. Duas horas e meia depois, informou desconhecer qualquer ligação de Erenice com o grupo Indalo e esse tema.

Erenice não retornou as ligações do GLOBO. Nenhuma das empresas citadas negou relação com ela ou com o escritório dela quando procuradas.

No meio político, chamou atenção a passagem de Erenice por Fortaleza, no início de abril, na mesma data em que a presidente Dilma cumpria agenda oficial na cidade. Mas não há informação de que as duas tenham se encontrado. A presidente passou poucas horas na cidade, em eventos públicos. Na ocasião, a ex-ministra teve uma audiência com o vice-governador do Ceará, Domingos Filho (PMDB).

Segundo o vice-governador, Erenice pediu o encontro como consultora de uma empresa chamada Brasil Solar. Posteriormente, ao checar a sua agenda, a assessoria de Domingos Filho afirmou que, na verdade, a ex-ministra marcou audiência como consultora da Solar Technics, subsidiária do grupo GDF Suez, o mesmo da usina de Jirau. A empresa trabalha com instalação e financiamento de grandes sistemas industriais de produção de energia solar.
— Ela queria saber da política energética do estado. O Ceará é o único polo no Brasil de produção de energia solar. Várias empresas nos procuram para conhecer o projeto — disse o vice-governador ao GLOBO.
O governo do Ceará criou o Fundo de Incentivo à Energia Solar (Fies), para atrair investimentos nesse setor. A mulher de Domingos Filho, Patrícia Aguiar, é prefeita de Tauá, localizada em uma região que, segundo estudo, concentra a maior radiação solar do país. Em Tauá está localizado um projeto de produção de energia solar do empresário Eike Batista.

Advogada, ex-funcionária pública com carreira na Eletronorte, de onde se desligou no auge do escândalo, Erenice tem atuado basicamente na área de energia, segundo informações obtidas nas duas últimas semanas com diferentes fontes do governo e da iniciativa privada.
O nome de Erenice é citado em esquema de fraude do programa Minha Casa Minha Vida, do Ministério das Cidades, como O GLOBO informou no dia 14. Em ação judicial, Fernando Lopes Borges, ex-sócio da RCA, empresa no centro do caso, diz, sem apresentar provas, que o desvio de recursos teria começado com Erenice. Ela teria articulado a entrada de bancos privados na operação do programa habitacional em pequenos municípios. Segundo o denunciante, ela teria direito a R$ 200 por casa construída.

Erenice é filiada ao PT desde 1981. Trabalhou no governo de Cristovam Buarque (na época no PT) no Distrito Federal e na assessoria da bancada do partido na Câmara, onde produzia pareceres técnicos na área de energia. No final de 2002, na equipe de transição, passou a atuar na área de infraestrutura, onde conheceu Dilma.

O Grande Irmão ataca, por Merval Pereira; O Globo


Em questão de poucos dias, uma instrução normativa da Receita Federal e uma resolução do Conselho de Controle de Atividade Financeira (Coaf) confirmaram a tendência autoritária do governo federal. Uma violação da privacidade, na definição do tributarista Everardo Maciel, ex-secretário da Receita. Um Big Brother multiplicado por milhões, segundo o advogado tributarista Brasil do Pinhal Pereira Salomão, do escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia, que deu o alerta em seu site.

A resolução do Coaf determina que pessoas físicas ou jurídicas que vendam itens com preço maior que R$ 10 mil precisam, obrigatoriamente, fazer um cadastro de seus clientes, com nome, CPF ou CNPJ, documento de identidade e endereço completo, que deve ser mantido por cinco anos.
Se o cliente, no período de seis meses, fizer aquisições de serviços ou produtos em valor superior igual ou superior a R$ 30 mil, o vendedor ou prestador está obrigado a comunicar isso ao Coaf pelo site.
Já a instrução normativa da Receita Federal exige que quem gaste mais de US$ 20 mil por mês com serviços no exterior informe onde esses valores foram gastos, com notas fiscais.
A regra vale para hospedagem, transportes, alimentação ou mesmo saúde, em caso de pessoas física; e viagens, honorários advocatícios, treinamentos, licenciamento, direitos, software, prestação de serviços em geral no caso das jurídicas.
A declaração deve ser feita no site da Receita, no centro virtual de atendimento ao contribuinte (e-CAC) e ficará no Siscoserv (sistema criado no ano passado para monitorar compra e venda de serviços de pessoas físicas e jurídicas no exterior).
O advogado tributarista Brasil Salomão diz que a primeira regra, referente aos gastos de R$ 10 mil, já é extremamente gravosa para o empresário, mas não o transforma em “agente” do governo. No segundo caso, “serei obrigado a comunicar o Coaf, dando início a um expediente administrativo de verificação da vida do cliente. É terrível”.
Ele considera a medida “uma violação inconteste aos artigos 1º e 170 da Constituição, que enaltecem, como fundamento do Estado democrático de direito, a livre iniciativa”. Salomão está aconselhando a seus clientes que questionem essa nova regra na Justiça. A Ordem dos Advogados do Brasil já conseguiu isentar os advogados no exercício da profissão dessa obrigação.
Brasil Salomão vê ainda “uma violação ao sigilo de dados porque em toda operação empresarial (prestação de serviços ou venda de mercadorias) há um contrato entre pelo menos duas partes, ainda que verbal, e alguns dos seus dados estão protegidos pela Carta Constitucional”.
Já Everardo Maciel, ex-secretário da Receita, classifica as medidas como “tentativas de controlar a vida das pessoas” e compara com o que foi feito na Argentina, “coisa de país subdesenvolvido”.
Maciel cita o advogado Paulo José da Costa, autor do livro “O direito de estar só”, para falar da “violação da privacidade das pessoas” que essas medidas representam: “São contra nosso direito de estar só.”
Porque elas não correspondem ao dever fundamental de pagar impostos, nem a nenhuma obrigação fiscal, Maciel as considera “uma violência, bisbilhotice desnecessária”. Ele diz que o que estão fazendo na área tributária é inacreditável. “Lido com isso há 40 anos e nunca vi uma coisa tão desastrada como essa. Há uma sinfonia das loucuras, crise da estupidez desassistida.”
Há diferenças entre as duas novas regras. Enquanto o advogado Brasil Salomão alerta que “a nova e draconiana regra, se não atendida, poderá gerar multas pecuniárias de até R$ 200 mil, cassação de registro profissional e, para o comércio, vedação do exercício da atividade”, Everardo Maciel lembra que a instrução normativa da Receita Federal é inócua para as pessoas físicas, pois a Receita não tem autorização para multar os que se recusarem a colocar os dados no Siscoserv. A portaria prevê apenas multa para as pessoas jurídicas, de R$ 1.500 por mês.

Cartas de Buenos Aires: Me quiero ir, por Gabriela Antunes


"Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim esconde", captaram os microfones abertos da Rede Globo no dia 01 de setembro de 1994, quando o então Ministro da Fazenda Rubens Ricupero se preparava para entrar ao vivo no Jornal da Globo e mantinha uma conversa informal com o jornalista Carlos Monforte. As declarações causaram uma grande comoção e poucos dias depois o Ministro deixava o Governo de Itamar Franco.

Esta semana, um episódio parecido ocasionou reboliço na Argentina. A gafe cometida pelo Ministro da Economia Hernán Lorenzino está causando frisson nas redes sociais e deu à luz a frase do momento: “me quiero ir” (Eu quero ir embora).
No final do ano passado, uma jornalista grega procurou o Ministro para uma entrevista para um documentário. Eleni Varvitsiotis fez toda a via crucis que jornalistas conhecem bem. Finalmente, conseguiu ser recebida por Lorenzino.
Durante os 40 minutos que durou a entrevista, o Ministro relutou em responder as perguntas, deu dados insólitos, antes de finalmente desistir e ser pego pelo microfone aberto do canal grego dizendo (ao que parece ser a um assessor de imprensa) o que se tornaria, posteriormente, o bordão do momento. Diante da pergunta de quanto é a inflação na Argentina, o Ministro titubeou, deu voltas, aludiu à complexidade do tema e, finalmente, resolver pedir “resgate” aos seus assessores: “me quiero ir”.
A conversa continuou ainda com o Ministro gaguejando, diante de perguntas aparentemente simples. "O FMI disse que o país pode passar por sanções por falsas estatísticas. Que vai fazer a respeito?", pergunta a jornalista. "Não sei. Pode cortar por um minuto?", responde o alto funcionário. A jornalista é, então, “consolada” por uma assessora do Ministro - “A verdade é que não podemos falar sobre inflação com você". "Se eu não perguntasse isso, não estaria fazendo bem o meu trabalho", diz a jornalista. 

O tema da inflação parece ser o calcanhar de Aquiles da administração da Presidenta Cristina. Os números oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC) já viraram uma piada nacional. O Governo não admite uma inflação superior a 11% anuais, enquanto consultores independentes estimam que ela esteja entre 25% e 30%.
O Secretário de Comércio Guillermo Moreno até tentou congelar os preços no supermercado, mas não é preciso ser um cientista nuclear para ver que os preços não param de subir e que o Governo perdeu totalmente o controle.
A frase do Ministro já é um hit em ritmo brega aqui, a cumbia, virou até camiseta e já ganhou site próprio (o divertidíssimo www.mequiero-ir.com) 
Gabriela Antunes é jornalista e nômade. Cresceu no Brasil, mas morou nos Estados Unidos e Espanha antes de se apaixonar por Buenos Aires. Na cidade, trabalhou no jornal Buenos Aires Herald e mantém o blog Conexão Buenos Aires.

Joaquim Barbosa: De tirar o chapéu, por Vitor Hugo Soares


Os incomodados que me perdoem, por insistir em batucar na mesma tecla, mas nestes últimos sete dias de outono no Brasil – falsamente esquentados pelo simulacro de crise entre Legislativo e Judiciário - deu Joaquim Barbosa na cabeça mais uma vez.

Assim como na semana passada, o presidente do Supremo confirmou, dentro e fora do País, um desempenho invejável em múltiplas situações: no segundo e revelador episódio da conversa, na televisão, com o ator e apresentador Lázaro Ramos, no programa “Espelho”(Canal Brasil); na palestra jurídica na Universidade de Princeton (Nova Jersey) e no ato social e político do jantar de gala da revista Time, em Nova Iorque, no qual recebeu o diploma de uma das 100 mais influentes personalidade do mundo.
Uma performance de dar inveja (e muitos ciúmes) em tarimbados nomes da justiça e da política. Ou até mesmo no cada dia mais vasto, volúvel e mutante cenário das “celebridades” nacionais e internacionais em outras esferas, que pululam aqui dentro e lá fora, à procura de holofotes.
Tivemos Lewandowisk também, é verdade. Não o nosso jurista do Mensalão, de atuação sofrível, para dizer o mínimo. Refiro-me ao craque de bola polonês que brilha ultimamente no futebol da Alemanha. Quarta-feira (24) ele espantou o mundo ao enfiar quatro gols na lavagem que o time do Borússia Dortmund aplicou no Real Madri, pela Taça dos Campeões da Europa.
Nesse caso, prefiro esperar um pouco mais e verificar se o novo fenômeno confirma a performance no jogo de volta, na próxima semana, no estádio Bernabeu, em Madri.
Assim, não vejo como nem quero fugir do tema de abertura deste texto de opinião. O reconhecimento da atuação do ministro Joaquim Barbosa e da sua relevância sob múltiplos aspectos, a começar pelo jornalístico. 
O chef Alex Atala e o ministro Joaquim Barbosa em festa da revista Time. 
Foto: Getty Images 
Fugir disso só seria possível, estou convencido, através da omissão, tapeação ou escamoteando a verdade com uso de tantos disfarces quantos os utilizados pelo ator LonChaney, o incrível homem das mil e uma faces, no tempo do
cinema mudo
O ministro Joaquim Barbosa, repito sem temor de estar cometendo uma injustiça, é de novo grande personagem da justiça e da política do País nos últimos sete dias. Com ecos internacionais retumbantes, talvez e injustificadamente, mais até que em seu próprio país.
Afinal, diante de seus atos e palavras ao transitar entre o Brasil e os Estados estes dias, ele ocupou até os principais espaços da campanha antecipada para a sucessão da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014
.Fato é fato. “Sua Excelência a quem se deve tirar o chapéu”, já recomendava Ulysses Guimarães, um mestre imortal da arte de fazer política. No jornalismo, então, o fato é o soberano supremo e, quando “Sua Excelência” se apresenta, nítido e transparente como neste caso, não adianta tergiversar ou escamotear diante dele. Quem o fizer, ou simplesmente tentar, corre sério perigo de se esborrachar e perder credibilidade - a maior das desonras e vergonhas na profissão.
Sob o ponto de vista factual, a semana foi quase completa para o “Chefe da Justiça do Brasil”, como definiu a qualificada Universidade de Princeton no convite aos seus estudantes, professores e convidados para a palestra do presidente do STF na terça-feira, 23.
Horas mais tarde, no mesmo dia em que começou a correr o prazo para que as defesas dos condenados no processo do Mensalão apresentem seus recursos, o presidente do STF brilharia sob luzes ainda mais intensas do outro lado do oceano Atlântico.
Em Nova York, transitou sobre tapete vermelho para receber o seu diploma na cerimônia de gala que marca, há uma década, a edição da revista “Time” com a aguardada lista das 100 pessoas mais influentes do planeta. Na honrosa relação deste ano, o nome do chefe do Judiciário brasileiro aparece ao lado de figuras como o papa Francisco, a jovem ativista paquistanesa Malala Yousafzai e o cineasta Steven Spielberg.
“É uma honra extraordinária para mim, para o órgão ao qual eu pertenço e para o meu país”, disse sinteticamente o ministro, que ontem desembarcou de volta ao Brasil. No meio do ruidoso bafafá verbal Congresso x Judiciário, artificialmente provocado sabe-se lá por quem e com quais submersos interesses.
A propósito, vale lembrar o que disse o ministro no segundo episódio do “Espelho” do Canal Brasil, quando o baiano Lázaro Ramos quis saber da “fama de objetividade” do ministro no meio jurídico.
“Acho isso muito importante, mais ainda no Direito, onde você pode resolver grandes problemas em um parágrafo. Uma frase muito bem feita. Mas esta não é a cultura brasileira. A cultura brasileira é a do palavrório. Falar, falar e não dizer nada. Eu tenho horror a tudo isso'.
De tirar o chapéu, ministro Joaquim!
Vitor Hugo Soares é jornalista, edita o site blog Bahia em Pauta em Salvador. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

sábado, 27 de abril de 2013

Três poderes? É muito, por Sandro Vaia


Partido bom é partido a favor.
Partindo desse elementar princípio de isonomia e justiça, o partido do governo e seus epígonos, que constituem a base aliada no Congresso, estão tratando de inviabilizar as siglas que ameaçam turvar a reeleição de Dilma no primeiro turno das eleições de 2014.
Inviabilizar, no caso, não quer dizer proibir a criação de novas siglas. O projeto proíbe o acesso delas ao Fundo Partidário e aos horários de propaganda na TV.
O Congresso, em seu surto autoritário (a PEC 33 que pretende castrar os poderes do STF, e a PEC 37, que quer castrar os poderes de investigação do MP são assuntos que merecem considerações à parte), está de olho nas eleições de 2014. Como aliás está a presidente Dilma, que em plena campanha reeitoral diz que não está em campanha.
Os alvos do projeto castrador de partidos são a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, e a Mobilização Democrática (MD), resultado da fusão do PPS com o PMN.
Marina e seu manto diáfano de fantasia sonhática amealharam 20 milhões de votos na eleição passada e têm potencial para repetir a dose e ajudar a levar a eleição para o segundo turno. O PPS e o PMN, que formaram a DM, podem ajudar Eduardo Campos, do PSB, em sua suposta travessia para a paradoxal condição de candidato situacionista de oposição .Também obstáculos para a vitória de Dilma no primeiro turno.
A mesma Câmara, que meses atrás não reagiu à decisão do STF que deu ao PDS de Gilberto Kassab as condições que quer negar aos partidos recém criados, agiu com um oportunismo tão descarado que lembrou, nos fundamentos, o famoso Pacote de Abril do presidente Geisel, o memorável casuísmo dos casuísmos. 
 Um senador do PSB entrou no STF com um pedido de liminar para suspender a tramitação do projeto.O ministro Gilmar Mendes concedeu a liminar e abriu uma crise com o Legislativo.
Como fundo musical para essa crise, a CCJ, integrada por dois condenados pelo mensalão, toca a sinfonia desafinada da PEC 33, regida por um obscuro deputado petista do Piauí chamado Nazareno Fonteles ,que pretende transferir para o Congresso várias atribuições do STF.
O deputado, cujo mandato é contestado pelo STF, é o mesmo que em 2004 apresentou um projeto de lei estabelecendo limites máximos de consumo para todas as pessoas físicas que vivem no País. Antecedentes extraordinários, como se vê.
“Não aceitamos influência do Judiciário”, diz o presidente do Senado, Renan Calheiros. Influência? É a mesma coisa que dizer que o Congresso dispensa a obediência às leis.
E tanto isso é verdade, que o Legislativo quer tomar o lugar do Supremo e, além de fazer as leis, quer decidir se elas são constitucionais ou não. Pra que três Poderes se dois já resolvem, é ou não é?
 Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br

Cartas de Seattle: Vida simplificada é ecologicamente correto


Melissa de Andrade
Era o elemento que faltava para completar o pacote ecologicamente correto do estereótipo do povo de Seattle. Além de fazer reciclagem, comprar produtos orgânicos produzidos localmente e trocar o carro pelo transporte público, o típico morador de Seattle também simplifica a vida praticando o “downsizing”.
Na falta de melhor tradução, o “enxugamento” significa optar por uma rotina mais prática. Ao reduzir a complexidade dos compromissos, a pessoa teria uma sensação de liberdade. Menos itens para dar atenção, menos motivos de preocupação.
Enquanto no mundo corporativo o conceito está associado a racionalização de custo e demissão de funcionários, na vida pessoal o enxugamento é o reflexo de qualquer mudança em prol de uma vida mais simples.
Um colega de trabalho vendeu um carro antigo que era seu xodó e reduziu as despesas de manutenção. Uma conhecida mudou de uma casa ampla para um apartamento pequeno, mesmo tendo que vender parte dos móveis. Uma amiga doou a televisão e usa o tempo livre para ler mais.
Por quê? Os três me deram a mesma resposta: estavam fazendo downsizing na vida e se sentiam muito bem com a decisão. Mesmo tendo uma redução de custo associada a vender um carro, morar em um lugar menor e não pagar pela TV por assinatura, a motivação nem sempre é financeira.
O objetivo é “ter” menos itens e depender menos das atividades relacionadas a administrá-los. Um carro extra e uma casa grande exigem tempo, dinheiro e trabalho. Uma TV toma horas que podem ser preciosas quando é preciso dedicação a uma outra atividade. É uma opção. 
Foto: Robert Benner @CC 
O conceito prevê que se viva em prol do que dá prazer, em vez de ter o foco concentrado em manter os pequenos e grandes confortos acumulados ao longo dos anos. Ter clareza do que você precisa versus o que você apenas quer ter.
Tem gente que leva o downsizing ao extremo. Fiz um curso com uma menina que mora num sobradinho de 30 metros quadrados numa área de preservação ambiental num subúrbio de Seattle. Não é orçamento curto: o marido dela gosta desse estilo de vida e construiu a casa dos sonhos. É daquelas sem divisórias por dentro, que no Brasil seriam chamadas de loft. Ela jura que gosta da casa, mas cortou os planos do marido de continuar morando lá após terem filhos.
Cada um tem o seu limite para uma vida enxuta.

Melissa de Andrade é jornalista com mestrado em Negócios Digitais no Reino Unido. Ama teatro, gérberas cor de laranja e seus três gatinhos. Atua como estrategista de Conteúdo e de Mídias Sociais em Seattle, de onde mantém o blog Preview.

A quadratura da bola; por NELSON MOTTA


Antigamente, quando o Brasil era um país pobre e atrasado, o futebol tinha enorme relevância não só por ser uma paixão nacional, mas pela crença de que, na falta de outros, tínhamos esse dom para jogar bola como nenhum povo do mundo. O futebol era nossa única esperança de excelência internacional, éramos a pátria de chuteiras, era nossa vingança contra o mundo rico e desenvolvido, mas de cintura dura. 


Por tudo isso, perder a final para o Uruguai no Maracanã em 1950 teve o peso de uma tragédia nacional, com profundos reflexos na nossa já combalida autoestima. Por tudo isso, a vitória na Suécia em 1958 com Pelé e Garrincha não só maravilhou o mundo como nos redimiu do complexo de vira-lata perdedor e se tornou um marco do desenvolvimento e da modernização do país nos Anos JK.

Muita bola rolou de lá pra cá, e fomos descobrindo que, além dos temidos e invejados argentinos, jogadores de outros países podiam ter tanta habilidade individual como nós, e muito mais espírito coletivo e tático, como o "carrossel holandês" de Cruyff e do professor Rinus Michels em 1974.

Hoje em 19º lugar no ranking da Fifa, há anos não ganhamos de seleções de primeira linha, o Santos foi humilhado pelo Barcelona em Tóquio, e qualquer outro time brasileiro, ou mesmo a atual seleção, seria goleado pelo Bayern com facilidade. Em dez jogos contra Espanha, Alemanha ou Argentina perderíamos seis ou mais.

Quando se alterna na televisão os jogos das grandes ligas europeias e do Brasileirão, pela lentidão e violência, pelos gramados carecas, pela pobreza técnica e tática, pelas torcidas selvagens, os nossos parecem jogos da segunda divisão.

A ilusão dos reis do futebol acabou. Mas somos a sétima economia do mundo, nossa agricultura alimenta o planeta, lideramos em várias áreas de produção, nossa música é sucesso internacional, o vôlei e outros esportes nos dão grandes alegrias, temos muitos motivos de orgulho, energia, crédito, divisas, mas enquanto o Brasil, a CBF e a cartolagem ficavam ricos, o futebol empobrecia. Restou a antiga paixão. E o pesadelo de enfrentar a Argentina numa final no Maracanã.

Emprego: caminho da empresa é qualificar trabalhador; por Míriam Leitão


Uma pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral com 130 executivos de empresas de grande porte mostrou como está difícil encontrar trabalhador preparado: 92% têm dificuldades para empregar profissionais capacitados para os cargos que oferecem. Há vagas, mas falta mão de obra. Essa pesquisa foi publicada hoje pelo jornal "O Globo".

Está acontecendo uma coisa muito interessante no mercado de trabalho brasileiro. Os empresários com que converso dizem sempre a mesma coisa: falta gente capacitada. Nos últimos anos, temos ouvido falar em apagão de mão de obra.
Por outro lado, as estatísticas mostram que o Brasil ainda tem muita gente no mercado informal e desemprego alto entre jovens que, hoje, têm mais anos de estudo do que a população de outras gerações. Então, tem alguma coisa esquisita aí.
A notícia boa é que, de fato, o desemprego tem ficado muito baixo. Ontem saiu a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). A taxa de desocupação ficou em 5,7% em março, a melhor para o mês desde 2002, apesar de o país estar crescendo tão pouco. Em março de 2012, estava em 6,2%.
Houve aumento da desocupação em São Paulo; a indústria demitiu, mas isso não afetou o dado geral. A inflação está corroendo a renda, que caiu um pouco.
O mercado de trabalho não está "bombando", mas se mantém muito bom, com nível de desemprego baixo. Só para fazer uma comparação: na Espanha, o desemprego está em 27,2%; aqui, em 5,7%.
A pesquisa da Fundação Dom Cabral mostrou também que 76% dos entrevistados promoveram cursos de capacitação para novos funcionários. Que notícia boa! É esse o caminho.
Está na hora de diminuir exigências e aumentar o esforço da empresa para qualificar essa mão de obra que quer entrar no mercado de trabalho. Ela tem pouca qualificação e baixa escolaridade, sabemos disso. As empresas podem treinar esses trabalhadores que estão fora do mercado. É isso que elas têm de fazer.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Eike, emblema e indício, Demétrio Magnoli, O Globo


Eike Batista valia US$ 1,5 bilhão em 2005, US$ 6,6 bi em 2008, US$ 30 bi em 2011 e US$ 9,5 bilhões em março passado, depois de 12 meses nos quais seu patrimônio encolheu num ritmo médio de US$ 50 milhões por dia. Desconfie das publicações de negócios quando se trata do perfil dos investimentos de grandes empresários.

Apenas cinco anos atrás, uma influente revista de negócios narrou a saga de Eike sem conectá-la uma única vez à sigla BNDES. Mas o ciclo de destruição implacável de valor das ações do Grupo X acendeu uma faísca de jornalismo investigativo. Hoje, o nome do empresário anda regularmente junto às cinco letrinhas providenciais — e emergem até mesmo reportagens que o conectam a outras quatro letrinhas milagrosas: Lula.
A história de Eike é, antes de tudo, um emblema do capitalismo de estado brasileiro. Durante o regime militar, Eliezer Batista circulou pelos portões giratórios que interligavam as empresas mineradoras internacionais à estatal Vale do Rio Doce.
Duas décadas depois, seu filho converteu-se no ícone de uma estratégia de modernização do capitalismo de estado que almeja produzir uma elite de megaempresários associados à nova elite política lulista.
“O BNDES é o melhor banco do mundo”, proclamou Eike em 2010, no lançamento das obras do Superporto Sudeste, da MMX. O projeto, orçado em R$ 1,8 bilhão, acabava de receber financiamento de R$ 1,2 bilhão do banco público de desenvolvimento, que também é sócio das empresas LLX, de logística, e MPX, de energia.
No ano seguinte, o banco negociou com o empresário duas operações de injeção de capital no valor de R$ 3,2 bilhões, aumentando em R$ 600 milhões sua participação na MPX e abrindo uma linha de crédito de R$ 2,7 bilhões para as obras do estaleiro da OSX, orçadas em pouco mais de R$ 3 bilhões, no Porto do Açu, da LLX.
Hoje, o endividamento do Grupo X com o banco mais generoso do mundo gira em torno de R$ 4,5 bilhões — algo como 23% do seu valor total de mercado.
“A natureza sempre foi generosa comigo”, explicou Eike. “As pessoas ricas foram as que mais ganharam dinheiro no meu governo”, explicou Lula. A política, não a economia, a “natureza” ou a sorte, inflou o balão do Grupo X. Dez anos atrás, o BNDES não era “o melhor banco do mundo”. Ele alcançou essa condição por meio de uma expansão assombrosa de seu capital deflagrada no fim do primeiro mandato de Lula da Silva.
A mágica sustentou-se sobre o truque prosaico da transferência de recursos do Tesouro Nacional para o BNDES. O dinheiro ilimitado que irrigou o Grupo X e impulsionou uma bolha de expectativas desmesuradas no mercado acionário é, num sentido brutalmente literal, seu, meu, nosso, dos filhos de todos nós e das crianças que ainda não nasceram, mas pagarão a conta da dívida pública gerada pela aventura do empresário emblemático.
Eike é emblema, mas também indício. A saga da célere ascensão e do ainda mais rápido declínio do Grupo X contém uma profusão de pistas, ainda não exploradas, das relações perigosas entre o círculo interno do lulismo e o mundo dos altos negócios.
Na condição de “consultor privado”, em julho de 2006, o ex-ministro José Dirceu viajou à Bolívia, num jatinho da MMX, exatamente quando o governo de Evo Morales recusava licença de operação à siderúrgica de Eike. Nos anos seguintes, impulsionado por um fluxo torrencial de dinheiro do BNDES, o Grupo X atravessou as corredeiras da fortuna.
Durante a travessia, em 2009, o empresário contou com o beneplácito de Lula para uma tentativa frustrada de adquirir o controle da Vale, pela compra a preço de oportunidade da participação acionária dos fundos de pensão, do BNDES e do Bradesco na antiga estatal. Naquele mesmo ano, o fracasso de bilheteria “Lula, o filho do Brasil”, produzido com orçamento recordista, contou com o aporte de um milhão de reais do empreendedor X.
A parceria entre os dois “filhos do Brasil” não foi abalada pela reversão do movimento da roda da fortuna. Em janeiro passado, a bordo do jato do virtuoso empresário, Eike e o ex-presidente visitaram o Porto do Açu. O tema do encontro teria sido um plano de transferência para o Açu de um investimento de R$ 500 milhões de um estaleiro que uma empresa de Cingapura ergue no Espírito Santo.
Em março, depois que Lula recomendou-lhe prestar maior atenção às demandas dos empresários, Dilma Rousseff reuniu-se com 28 megaempresários, entre eles o inefável X. Dias depois, numa reunião menor, a presidente e um representante do BNDES teriam se sentado à mesa com Eike e seus credores privados do Itaú, Bradesco e BTG-Pactual.
Equilibrando-se à beira do abismo, o Grupo X explora diferentes hipóteses de resgate. O BNDES, opção preferencial, concedeu um novo financiamento de R$ 935 milhões para a MMX e analisa uma solicitação da OSX, de créditos para a construção de uma plataforma de petróleo.
Entrementes, diante da deterioração financeira do “melhor banco do mundo”, emergem opções alternativas. No cenário mais provável, o Porto do Açu seria resgatado por uma série de iniciativas da Petrobras e da Empresa de Planejamento e Logística.
A primeira converteria a imensa estrutura portuária sem demanda em base para a produção de petróleo na Bacia de Campos. A segunda esculpiria um pacote de licitações de modo a ligar o porto fincado no meio do nada à malha ferroviária nacional, assumindo os riscos financeiros da operação.
No registro do emblema, a vasta mobilização de empresas estatais e recursos públicos para salvar o Grupo X pode ser justificada em nome da “imagem do país no exterior”, como sugere candidamente o governo, ou da proteção da imagem do próprio governo e de seu modelo de capitalismo de estado, como interpretam as raras vozes críticas. No registro do indício, porém, o resgate em curso solicitaria investigações de outra ordem e de amplas implicações — que, por isso mesmo, não serão feitas.
 Demétrio Magnoli é sociólogo

Mata mosquitos, Dora Kramer, O Estado de S.Paulo


Se o governo é tão popular, tão forte política e eleitoralmente falando, tão bom, eficiente e detentor do monopólio da justiça social; se a presidente Dilma Rousseff está com a reeleição garantida, se os pretendentes à Presidência estão, em verdade, jogando para 2018 como se diz por aí, por que cargas d'água emprega toda sua energia, canaliza todos os seus esforços, ocupa todo o seu tempo com artimanhas eleitorais?

O governo não precisaria cometer a irresponsabilidade de abusar de suas prerrogativas para ficar em campanha diuturnamente, muito menos teria para isso necessidade de flertar com o crime de responsabilidade ao apropriar-se indevidamente da máquina pertencente ao público.
A rigor, não teria razão alguma para a presidente da República se expor ao desmentido dos fatos dizendo que não está em campanha porque a governança lhe ocupa todas as horas do dia, todas as semanas do mês, todos os meses do ano.
Tampouco haveria motivo para o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, lançar mão de cinismo em estado sólido dizendo não enxergar oportunismo no projeto que nega a novos partidos as benesses concedidas pela Justiça ao PSD, depois entronizado no altar do governismo.
Segundo Carvalho, trata-se da mais pura defesa da fidelidade partidária e da moralização do sistema de locação de legendas. Disse também que o Planalto não se envolveu na tramitação do projeto na Câmara.
Isso a despeito das digitais e do registro da voz da ministra da Articulação Política, Ideli Salvatti, ao telefone orientando as bancadas para a votação. Mas, se havia alguma dúvida, o fechamento de questão do PT em torno do tema a ser agora examinado pelo Senado cuidou de dissipá-la.
A ordem obviamente veio de cima e com requintes de humilhação para os senadores petistas Jorge Viana, Wellington Dias e Paulo Paim, que na véspera haviam denunciado a manobra como casuística e anunciado a disposição de votar a favor da entrada em vigor da regra só depois da eleição de 2014.
O PT está obrigado a votar em bloco. O "enquadramento" escancara a presença da mão de ferro do governo.
Tudo isso para criar obstáculos a possíveis oponentes oficialmente tratados com menosprezo. Por essa visão, Marina Silva é frágil, Eduardo Campos não vai adiante com seus planos e Aécio Neves padecerá dos males da divisão do PSDB.
O que leva tão poderosos chefões a usar tiros de canhão para matar mosquitos? Difícil saber, mas vai ver não os consideram tão inofensivos assim, ou talvez seja um caso de ambição desmedida pelo poder eterno.
Comentário meu--ha malas que veem pelo trem....(um corinthiano ilustre) e os ratos não tardarão a manifestar-se!!