quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Cartas de Paris: Quando o Brasil decepciona


São Paulo apresentou, na sede da OCDE em Paris, na semana passada, sua candidatura para acolher, em 2020, a Exposição Universal. Estavam lá o atual prefeito, Gilberto Kassab, seu sucessor, Fernando Haddad e o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, entre outros.
Em termos de visibilidade mundial e investimentos, o evento é o mais importante depois da Copa do Mundo e das Olimpíadas. A Torre Eiffel, por exemplo, foi criada para a Exposição de 1889, em Paris.
As cidades candidatas utilizaram suportes visuais para suas apresentações. Ayutthaya, na Tailândia, explorou em imagens as belezas da região. Izmir, na Turquia, mostrou um projeto claro. Dubai, o concorrente mais forte, contou até com o apoio de Bill Gates. Detalhe importante, todos apresentaram suas candidaturas em inglês. Todos, menos São Paulo, porque, apesar de defender uma capital “cosmopolita”, Kassab e Haddad fizeram suas apresentações em português.
Patriota ainda tentou salvar a pátria, com perdão do trocadilho, discursando na língua de Shakespeare, mas com imagens do vetusto aeroporto de São Paulo, um projeto incompreensível e vídeos em português mal dublados em inglês, a apresentação foi, digamos de maneira gentil, amadora.
Eu sou consciente de que as escolhas de sedes de eventos internacionais transcendem as apresentações deste tipo e envolvem outro gênero de acordo. Mas confesso que é difícil ficar indiferente, afinal, ainda sou brasileira.
Independente de paixões e posições políticas, o amadorismo da apresentação diz muito sobre nossa maneira de trabalhar. A falta de profissionalismo é um verdadeiro cancro, difícil de ser erradicado de nossa cultura. Eu já sabia que a França, um país rico e desenvolvido, era diferente de nós. Agora descobri que a Tailândia e a Turquia também são capazes de apresentar projetos mais coerentes.
Cada vez que o Brasil participa de concorrências deste tipo, o que está em jogo é muito mais que a escolha de uma sede, é a imagem de nosso país no mundo. Era só um vídeo? Talvez. Mas convenhamos, criar uma estratégia de marketing é menos difícil que construir um aeroporto ou pacificar a capital paulista. Estou exagerando? Espero e desejo toda sorte do mundo a São Paulo. 

Mas acho que isso serve como alerta. Adoramos dizer que a França é um país em crise e que a Europa logo estará acabada. Mas eu me pergunto: quem vai substituí-la? O Brasil que vi na sede da OCDE na semana passada? Acho que já é hora de entender que ainda estamos muito longe disso.

Ana Carolina Peliz é jornalista, mora em Paris há cinco anos onde faz um doutorado em Ciências da Informação e da Comunicação na Universidade Sorbonne Paris IV. 
Comentário meu---é  Carolina quem safa a onça tupiniquim ainda e (e  ) a ALEGRIA do nosso POVO. Mas pra que este POVO exerce sua sedução  e preciso PUBLICO! E para lhe dar PUBLICO e preciso TRABALHO e COMPETÊNCIA--qualidades raras nos nossos trópicos. Nem sabem roubar direito....mas DIREITOS é todo dia....

Rodadas perdidas, por Alvaro Gribel e Valéria Maniero - interinos -


Miriam Leitão----O GLOBO

O setor de petróleo está travado desde o anúncio do pré-sal. Há quatro anos não há rodada de licitação para novos campos, a última foi em dezembro de 2008. A área de exploração, onde petróleo novo pode ser descoberto, caiu de 341 mil km2 para 115 mil, no período. O governo deixou de arrecadar cerca de US$ 4 bi em bônus de assinatura, e as ações das petrolíferas caíram muito.

A indústria do petróleo tem três preocupações básicas, que se complementam: fazer descobertas, comprovar reservas, extrair o óleo. Esse ciclo é contínuo, porque à medida em que a exploração começa as reservas caem. É preciso sempre procurar novas áreas para explorar. A falta de leilões significa que o setor está paralisado, desde 2008, no início da cadeia de produção.
Tudo começa com os leilões. A ANP faz licitações de áreas em terra e mar, dando permissão às petrolíferas para procurar petróleo. Elas começam a perfurar poços; muitos não têm nada, outros, sim. Mesmo depois da descoberta, é preciso saber se a retirada é economicamente viável, e é preciso também fazer medições para saber o volume de cada campo. Todo esse processo leva anos.
- Se as grandes petrolíferas não têm novos campos para explorar no Brasil, elas vão redirecionar equipes e investimentos para outros países. A interrupção dos leilões quer dizer que quatro anos de futuro foram comprometidos - explicou Adriano Pires, do CBIE.
Isso ajuda a compreender a performance na bolsa de algumas petrolíferas. A OGX despenca 64% este ano. A HRT Petróleo cai 53%, e a Queiroz Galvão Óleo e Gás, que já caiu 57%, tem perda de 17%. Algumas estão esgotando as áreas de exploração e não têm novos campos para atuar.
- A produção atual de petróleo e as reservas provadas são resultado de leilões feitos no início dos anos 2000. Tivemos rodadas todos os anos, de 1998 a 2008. O setor andou. Esse processo, que era contínuo, foi interrompido. A situação é grave - disse Wagner Freire, da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo (Abpip).
Em setembro, a ANP agendou nova rodada, para maio de 2013. O ciclo deve recomeçar, mas levará anos até que novos campos sejam explorados. Há uma perda já contratada e isso aconteceu por causa das discussões sobre royalties e mudanças no regime de exploração. O petróleo não descoberto no período é o mesmo que deixará de ser extraído no futuro.
EUA vão importar menos petróleo
Sem as licitações, o setor de petróleo travou no Brasil. Mas em outros países ele tem andado, como mostra o livro "Petróleo - Reforma e contrarreforma do setor petrolífero brasileiro", dos economistas Fábio Giambiagi e Luiz Paulo Vellozo Lucas. Houve recuperação da produção no Iraque e na Rússia, boom de produção na África Ocidental, e a exploração do gás de xisto nos EUA. Os riscos ambientais desse gás ainda são um mistério, mas ele tem sido considerado uma revolução na matriz energética americana. É um concorrente perigoso para o pré-sal porque vai baratear custos e fazer com que os EUA importem menos petróleo no futuro. Se hoje os americanos importam 49% do petróleo que consomem, a projeção é que caia para 36%, em 2030.
Boas novas no crédito I
A taxa de famílias endividadas teve ligeira queda de outubro para novembro, segundo pesquisa da CNC, antecipada à coluna. Foi de 59,2% para 59%. Já a inadimplência cresceu pelo segundo mês seguido. O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu de 20,5% para 21%. Essa alta foi puxada pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos. Há 20% a mais de brasileiros nessa situação do que em novembro de 2011. Já o percentual de famílias que disseram não ter condições de pagar suas dívidas em atraso está em 6,8%, o segundo menor nível do ano.
Boas novas no crédito II
Um estudo da Serasa Experian, encaminhado com exclusividade à coluna, mostra que entre janeiro e outubro cerca de 16 milhões de brasileiros pagaram dívidas em atraso e limparam o nome. O número é recorde e representa aumento de 16,3% em relação ao mesmo período de 2011. O consumidor quando entra nesse banco de inadimplentes tem, em média, cinco dívidas em atraso. Para sair dele, tem de regularizar todas as pendências, o que leva, geralmente, sete meses.

A força econômica da Constituição, por Joaquim Falcão


Em 1988, foi incluída na nossa nova constituição o artigo 192, que em sue parágrafo 3º estabelecia que os juros máximos legais eram de 12% ao ano.
Foi proposta por Fernando Gasparian, do PMDB, num momento em que nossos juros estavam altíssimos por conta da política econômica.
A quase unanimidade dos economistas condenou a proposta como irreal. A economia tinha suas regras próprias não suscetíveis de legalizações.
A política econômica não podia ser amordaçada pelo direito, a não ser pelos contratos. Juros não eram matéria constitucional. Isto seria louca invenção de políticos e juristas.
Recentemente importante e respeitado líder economista sugere propor uma emenda constitucional para “incluir na Constituição que o alcance da estabilidade de preços é um objetivo básico da organização econômica do país”.
Ou seja, metas inflacionárias, parte da política macro econômica, seria matéria constitucional. Esta semana, foi agora em Portugal.
A troika que governa financeiramente Portugal (o FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia) propôs incluir na constituição portuguesa limites legais à dívida pública e ao déficit público. Seria uma regra de ouro para salvar a economia portuguesa.
São novos tempos. A constituição feita para garantir direitos individuais e humanos, e o equilíbrio dos poderes, agora é instrumento de política econômica explicitamente.
Economistas querendo colocar na constituição juros, metas inflacionárias, e os limites do déficit público. Por quê?
Não é difícil perceber. Os economistas não têm mais uma certeza matemática em suas próprias políticas econômicas.
Ronda no ar o risco da insegurança econômica permanente. Procuram então o porto que acreditam seguro, da segurança constitucional. Como se esta fosse capaz de substituir aquela.
Assim economistas buscam dois objetivos. Primeiro, pretendem que a política econômica que defendem e constitucionalizam não possa ser facilmente mudada, mesmo se der errado.
É mais fácil mudar uma resolução do Banco Central, uma lei do Congresso, do que uma constituição. Insistir no rumo é preciso.
Segundo, e decorrente, trata-se de evitar que a população, diante de uma política econômica insuportável, eleja um novo governo e este mude a política econômica.
No fundo querem assegurar aos credores dos países em dificuldades que mesmo que o governo local aceite a política econômica imposta e que esta dê errado, a culpa é dele. E não de quem determinou a política e emprestou os recursos.
Algo como, se der certo, ganhamos. Se não der certo, eu ganho e você perde. 
Joaquim Falcão

As agências ofuscam o mensalão, por Elio Gaspari, n' O GLOBO


Para o bem de todos e felicidade geral da nação, a Polícia Federal deveria colocar na internet os documentos disponíveis do inquérito que resultou na devassa dos computadores de Rosemary Noronha, chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, e na prisão de cinco pessoas, entre as quais os irmãos Vieira. Rubens, da Agência Nacional de Aviação Civil, e Paulo, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários.

Estava escrito nas estrelas que a doutora Dilma teria uma encrenca com os amigos aerocratas de Lula. (O marido de Rosemary Noronha é assessor especial da Infraero, sua filha era assessora de Rubens, ex-ouvidor surdo da Anac, promovido a diretor de infraestrutura).
A rede denunciada pela PF chegou à sala do segundo homem da Advocacia-Geral da União e, como joia de sua coroa, ia ao deputado Valdemar Costa Neto, que acaba de ser condenado a sete anos e dez meses de prisão por suas malfeitorias no caso do mensalão. Costa Neto sempre deu atenção a aduanas.
Quem se lembra dos vazamentos administrados pela Polícia Federal no episódio de Carlos Cachoeira sabe que eles podem ser um mal a serviço do bem. Contudo, quem se recorda da Operação Satiagraha sente um frio na espinha.
Entre as muitas maluquices do episódio, circulou a informação segundo a qual o financista Naji Nahas tinha informações privilegiadas sobre mudanças na taxa de juros dos Estados Unidos. Talvez tivesse também uma casa em Marte.
Grampos vazados produzem emoções, e os de Carlos Cachoeira expuseram a amplitude de suas conexões. Há alguns anos, contudo, vazou uma conversa de Paulo Maluf com a secretária eletrônica do advogado Marcio Thomaz Bastos. O que ela provava?
Os vazamentos comprometem o processo judicial. Ora satanizam, ora aliviam o demonizado depois que se verificam os exageros. Na sexta-feira, a companheira Rose era acusada de ter recebido R$ 650 mil. Nos dias seguintes esse detalhe sumiu. Na sexta, ela teria recebido ajuda para uma cirurgia plástica. Na segunda, teria sido uma propina para operar o ouvido.
A existência de 1.169 telefonemas do restaurante de Paulo Vieira para um número do Partido da República, vazada no sábado, insinua muito, mas pode não provar nada.
Os vazamentos são desnecessários. Há documentos disponíveis e eles podem ser postos na rede, para conhecimento público.
Ao julgar o mensalão, o Supremo Tribunal Federal deu um exemplo da capacidade do Estado de punir malfeitores. Quis a sorte que esse sucesso ocorresse ao mesmo tempo em que naufragava a CPI de Carlinhos Cachoeira, iniciada depois de uma competente operação da PF.
Num caso, deu-se o rigoroso funcionamento das instituições. No outro, expôs-se a futilidade dos espetáculos.
A quadrilha que tinha um pé na chefia do escritório de Lula e da doutora Dilma em São Paulo permitirá o exame das relações criminosas existentes nas duas agências reguladoras. Puxado, esse fio pode mostrar mais que a própria investigação do mensalão, pois desta vez não há o atalho da fantasia do Caixa Dois.
• Erro: Estava errada a informação publicada pelo signatário no domingo, segundo a qual o senador Antonio Russo estava na bancada que repassou suas dívidas com a Receita para a Viúva. Ele assumiu em junho de 2011, nada lhe foi cobrado e, quando isso acontecer, pagará com dinheiro do seu bolso.

Elio Gaspari é jornalista

A Operação Porto Seguro e a hierarquia paralela, por Bruno Lima Rocha


A lista dos alvos investigados na Operação Porto Seguro tem capilaridade. Os cargos ocupados refletem a ação sistemática - por dentro do aparelho de Estado – de relações de lealdade e hierarquia informal sendo superior a hierarquia funcional dos respectivos órgãos.
São eles: a chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo; o adjunto da AGU; um ex-senador; o chefe de gabinete da Antaq; o procurador geral da Antaq; um membro da Consultoria Jurídica do Ministério da Educação; um responsável pelo banco de dados do Ministério da Educação; um funcionário dos Correios; uma assessora da Secretaria de Patrimônio da União; o diretor de Hidrologia da ANA; e o diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Anac.
Além destes, a lista também é composta por empresários e advogados. Para irmos além do fato, um pouco de teoria não faz mal.
Um dos mais importantes intelectuais brasileiros, Adelmo Genro Filho, dizia que a excessiva singularidade na cobertura factual dava a base do sensacionalismo. Ampliando o conceito, posso afirmar o mesmo em relação à desinformação estrutural. Na ausência de uma teoria generalista explicando o fenômeno da corrupção, caímos no tema dos desvios de conduta e apenas no enquadramento legal.
A Operação Porto Seguro revela uma cadeia de comando em forma de rede, onde por dentro de órgãos “reguladores”, de fiscalização e controle, além de um ministério, a quadrilha operava sobre os processos e pareceres “técnicos”. 

Qualquer pessoa que transite por dentro de um labirinto burocrático oficial sabe que a máxima do “negócio” é gerar dificuldades para vender facilidades. Indo além da insanidade gerencial, controlar os processos implica em dizer quem passa na porteira e quem é barrado. Mais do que crime de colarinho branco, temos uma relação estrutural.
Cadeias de comando paralelas indicam pessoas para cargos de confiança ou de chefia; estes sabotam a relação hierárquica formal e atendem interesses de tipo consórcio político-empresarial. Obviamente, estes operadores recebem benesses.
O neologismo criativo dos brasileiros apelida estas recompensas de “mimos”. Em busca de mais “mimos”, mede-se a relação de poder dos “chefes” ou agrupamentos segundo o orçamento que cada comissionado manipula ou autoriza.
Detalhe. Tudo isto só ocorre porque do outro lado do balcão sobra demanda. Os agentes econômicos envolvidos em compras de governo tampouco têm limites, praticando sem dó o vale-tudo empresarial para conseguirem seus objetivos.

Bruno Lima Rocha é cientista político 
www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@gmail.com

Cartas de Berlim: Conversa de cartório


- (Triiiim, triiiiim) Oi, meu nome é Maklouf e gostaria de marcar um horário para fazer um reconhecimento de firma.
- Perfeitamente, senhora Maklouf. A senhora tem preferência de horário e dia?
- Sim. Por gentileza, poderia ser no horário do almoço?
- Perfeitamente, senhora Maklouf. Amanhã às 13h está bom para a senhora?
- Está ótimo, obrigada.
- A senhora tem todos os documentos em mãos?
- Er...é só um reconhecimento de firma. Mas eu tenho sim, se a senhora precisar.
- Ah sim. Eu pergunto apenas para dar baixa aqui no formulário para gerar a conta.
- Entendi. Bem, no caso trata-se de um documento para mandar para a Embaixada do Brasil, em Berlim...
- Ok, então. Está marcado. Quinta-feira às 13h. Não esqueça de trazer seu documento de identificação.
- Certo! Não esquecerei. Obrigado e até logo.
- De nada! Ei, de qual parte do Brasil a senhora é?
- Eu? Bem, a senhora com certeza não conhece... É mais ao norte...
- Onde? Bahia? Ceará?
- Hummmm. Um pouco mais ao norte. Eu venho de Belém.
- Ahhhh, Belém eu ainda não conheço. Mas já rodei a Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro...ai, eu amo Búzios...
- Nossa, jura? A senhora conhece bastante então.
- Claro, eu amo o Brasil! A natureza, a música, a comida...Ah, a comida! Feijoada, farofa...A senhora deve cozinhar bastante comida brasileira em casa, não é?
- Bem eu...é, às vezes faço alguma coisinha sim.
- Não dá pra achar todos os ingredientes né?
- Ah, até que dá. Mas tem que improvi...
- (Interrompe) Mandioca tem aqui, pois eu já comprei. Mas não tem um gosto muito bom. Agora, carne seca não tem mesmo!
- É, de fato nunca encontrei carne seca.
- Também adoro o “Guilberto Guil”, a senhora conhece?
- Claro, também gosto muito!
- Quando era estudante tive um namorado brasileiro e ele me apresentou muita música brasileira. Até aprendi um pouco de português...
- Que legal, então a senhora fala português?
- Imagina!!! Só sei “oi tzudo beim”, “obrrrrigada”, “buenos dias”... É quase igual a espanhol, que eu falo fluente.
- Ah, mas se a senhora fala espanhol fluente, aí já é mesmo meio passo dado.
- Verdade! Nossa, mas como eu amo o Brasil! A senhora não tem saudade de lá?
- Claro, ué. Mas vou fazer o quê? A Internet está aí pra isso.
- Bem lembrado! A senhora está no Facebook?
- Er...estou sim.
- Ah, então a senhora poderia me adicionar como amiga, assim não perdemos o contato! Me chamo Geissler, Kristin*!
- Ok...Deixa eu ver aqui....Pronto! Já tá adicionada!
- Ótimo! Então desejo para a senhora tudo de bom! Auf wiedersehen!
- Auf wiedersehen, Frau Geissler...
*Nomes trocados. Vai que ela lê isso aqui...

Tamine Maklouf é jornalista e ilustradora nas horas vagas. Mora na Alemanha desde agosto de 2009, onde se encontra na “ponte terrestre” Dresden-Berlim. De lá, mantém o blog www.diekarambolage.wordpress.com

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sobre o caso Rosemary e a lulofobia, por Paulo Nogueira


Acima de tudo, ela (Rosemary) é mais uma escada pela qual se tenta pegar novamente Lula

Lula é, certamente, o homem mais odiado pelo chamado 1%, para usar a já histórica expressão do Movimento Ocupe Wall St. (Para os 99%, o posto é de Serra, com o surgimento de uma concorrência potencial em Joaquim Barbosa, o Batman.)

É impressionante o júbilo com que é celebrada pelo 1% qualquer notícia que possa servir de munição contra Lula, o lulismo, o lulo-petismo e outras designações criadas pelos obsequiosos porta-vozes de um grupo pequeno mas barulhento que torce e trabalha para que o Brasil jamais se torne uma Dinamarca, ou uma Noruega, ou uma Finlândia.

São sociedades harmoniosas, não divididas entre 1% e 99%, como o Brasil. Apenas para registro, o Brasil campeão mundial da desigualdade – com todos os problemas decorrentes disso, a começar pela criminalidade – foi obra exatamente deste grupo.

O Estado brasileiro foi durante décadas uma babá do 1%. Calotes em bancos públicos eram sistematicamente aliviados em operações entre amigos – mas com o dinheiro do contribuinte. Cresci, como jornalista, nos anos 1980, com o Jornal do Brasil transformando dívidas com o Banco do Brasil em anúncios.

Este é apenas um caso.

O BNDES foi sequestrado, também, pelo 1%: a inépcia administrativa de tantas empresas familiares malacostumadas pela reserva de mercado era premiada com operações de socorro financeiro. Sempre com o dinheiro do contribuinte.

Apenas para registro também, lembremos que a reserva de mercado sobrevive ainda – não me pergunte por que – na mídia que tanto clama por competição, mas para os outros.

O 1% detesta Lula, não porque Lula tenha nove dedos, ou seja metalúrgico, ou fale errado, ou torça pelo Corinthians. Detesta Lula porque ele não representa o 1%. Se representasse, todos os seus defeitos seriam tratados como virtudes.

Não votei em Lula nem em 2002 e nem em 2006. Portanto, não tenho mérito nenhum na sua chegada à presidência e na consequente, e fundamental, mudança de foco do governo – ainda que cheia de erros — rumo aos 99%.

Mas não sou cego para não enxergar o avanço. O maior problema do Brasil – a abjeta desigualdade social – começou ao menos a ser enfrentado sob Lula.

Hoje, quando homens públicos em todo o mundo elegem a desigualdade social como o mal maior a debelar, parece óbvio que Lula tinha mesmo que prestigiar os 99% ao se tornar presidente.

Mas nenhum presidente na era moderna nacional viu o óbvio. Mesmo ao erudito poliglota Fernando Henrique Cardoso – de quem ninguém pode subtrair o mérito por derrubar a inflação – escapou o óbvio. Tente encontrar alguma fala de FHC, na presidência, sobre o drama da iniquidade social. Em qualquer uma das múltiplas línguas que ele domina. Zero.

É dentro desse quadro de colossal ódio a Lula que se deve entender a forma com quem está sendo tratado o caso de Rosemary Nóvoa de Noronha, indiciada por corrupção pela Polícia Federal em suas funções como chefe do escritório do gabinete da presidência em São Paulo.

Rosemary foi demitida imediatamente por Dilma, e agora vai responder pelas suas supostas delinquências, como um cruzeiro e uma plástica na faixa, pelo que foi noticiado.

Mas ela é personagem secundária na chamada Operação Porto Seguro. O protagonista é Lula. Nos artigos sobre a história, Lula ocupa o pedestal. “A mulher do Lula”, escreveu alguém, embora ela tenha sido secretária por muitos anos de José Dirceu. Foi para Dirceu, e não para Lula, que, segundo agentes policiais, ela ligou desesperada quando a PF chegou a seu apartamento na prosaica 13 de Maio, bairro das cantinas italianas em São Paulo. Nada existe de luxuoso no apartamento, ainda de acordo com a polícia.

Rosemary é uma escada pela qual, mais uma vez, se tenta pegar Lula. Estaria Lula envolvido na plástica suspeita de Rosemary? E no cruzeiro? O dinheiro terá vindo do valerioduto?

Chega a ser engraçado.

Tenho para mim o seguinte. Se os lulofóbicos dedicassem parte da energia que consomem em odiá-lo na procura honesta de formas de convencer os eleitores de que são mais capazes que Lula para combater a desigualdade social, eles já estariam no Planalto a esta altura, e do jeito certo, numa democracia: pelas urnas.

Errei: o banqueiro na Rua da Carioca é outro, por Carlos Tautz


Errei no meu artigo da semana passada “Uma rua para Daniel Dantas”, sobre a aquisição pelo Banco Opportunity de casarões Rua da Carioca, no Centro do Rio.
Imediatamente, enviou-me mensagem uma assessora do Opportunity para esclarecer que: “Daniel Dantas não é e nunca foi sócio do Banco Opportunity. A instituição financeira pertence a Dório Ferman - há 32 anos, seu diretor-presidente. A atividade principal do Banco Opportunity é a administração de fundos de investimentos geridos pelo Opportunity. (...). Atualmente, o Opportunity figura entre as principais empresas independentes de gestão de recursos no mercado brasileiro com patrimônio de cerca de R$ 19 bilhões”.

Sobre o Opportunity - Fundo de Investimento Imobiliário, esclareceu que este foi “Criado, em 7 de outubro de 1996, é administrado pelo Banco Opportunity e por seu diretor que é Dorio Ferman” e, mencionando matéria d´O Globo (6/9), que “O presidente do Opportunity Fundo de Investimentos, Dório Ferman, garantiu ontem, no entanto, que não há motivo para preocupações. Ele afirmou que os inquilinos terão a responsabilidade de preservar os imóveis: — Não temos interesse em retirar lojas tão tradicionais. Nosso único interesse é a preservação dos imóveis. Vamos estudar, caso a caso, e ver o estado de conservação de cada um deles para estimular e exigir dos inquilinos que preservemos patrimônio — declarou Ferman, acrescentando que o aluguel seguirá o mercado: — Se estiver mais alto vamos baixar, se estiver mais baixo, vamos subir. Se alguém achar que está pagando muito, basta nos propor um valor.”

E fica por aqui minha imolação pública. Afinal, permanecem dúvidas quanto aos aluguéis e até à destinação dos imóveis, reforçadas por uma declaração de um dos gestores do fundo imobiliário.

“Os casarios integram um conjunto arquitetônico característico do final do século 19, quando o Rio passava por grandes transformações urbanísticas. A arquitetura colonial dos casarões da Carioca perdia espaço para as referências do estilo art déco parisiense. Cafés, confeitarias, salões de chá e lojas de artigos de luxo dominavam a paisagem da época áurea do Rio. Os atuais investimentos privados caminham para retomar essa aura sofisticada.”

(...) ‘Em dois anos, a Carioca estará muito mais bonita’, afirma Monnerat [gestor do Fundo Imobiliário do Opportunity].”(O Estado de São Paulo, 23/9).

OK, o tal Opportunity não pertence a Dantas, que foi a minha principal afirmação errada.

Mas, que diabos: será que alguém acredita que um banqueiro invista tanto dinheiro de um fundo de investimento se não for para catapultar os preços dos aluguéis, a despeito da tradição das lojas e das pessoas que estão lá há décadas?


Carlos Tautz é jornalista, coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas - www.maisdemocracia.org.br

E, de repente, é Natal... por Luiz Paulo Horta


O título é uma velha anedota jornalística. Não há nada tão previsível quanto o Natal. E, no entanto, apenas amanhece novembro, surgem os sinais da antiga festa, e há um certo frêmito no ar. Cartinhas chegam do marcador do gás, do lixeiro, do homem da Light, todos achando-se intitulados a uma gratificação. Em cada um deles, não haverá um restinho da criança que se sentia bem na vizinhança do verde pinheiro (que hoje é artificial)? 


Também há o frêmito do consumo, devidamente alimentado pelos lojistas. Mas será que é só isso? 

Há uma velha história, que se recusa a morrer. Bento XVI, que é Papa e teólogo, acaba de dedicar seu último livro às "narrativas da infância" — as histórias de que se constrói o Natal. É o final da grande trilogia que ele consagrou a Jesus de Nazaré — curiosamente, terminando pelo início. 

No mundo secularizado de hoje, ser crente é uma opção, como muitas outras. E há quem se dedique a estabelecer limites estritos às conotações religiosas. Não pode ter crucifixo aqui, ali; não pode ter "Deus seja louvado" nas cédulas etc. 

Que o Estado é laico, sabemos todos. Mas laicizar (sobretudo os lugares públicos) não significa raspar ou anular todo o conteúdo de uma história e de uma cultura. O catolicismo no Brasil perde povo, perde espaço para novas confissões religiosas ou para os que dizem que não acreditam em nada. E, apesar disso, colégios católicos como São Bento, Santo Inácio, Santo Agostinho, São Vicente continuam a ser disputados a tapa por levas e levas de crianças e adolescentes. Não será porque se sabe que, neles, subsiste uma parte importante da nossa herança cultural? 

Cultura é uma coisa funda — e misteriosa. Tem a ver com as "lendas da tribo", com os mitos fundadores — mito não no sentido de ficção, de pura invenção, mas de ideia-força, de algo orgânico, seminal. A sociedade se laiciza, se globaliza; mas ainda não inventou nada que se sobreponha aos velhos mitos. Imagine, por exemplo, que você risca o Natal do calendário brasileiro; ou a Semana Santa. Ia ficar um buraco horrível, uma insolúvel sensação de vazio — e não só porque perderíamos alguns feriados. Imagine uma Europa de onde sumissem, por um passe de mágica, as catedrais góticas, os conventos, as igrejas humildes. Como a terra ficaria estranha! 

Este é um tema que Bento XVI tem abordado com uma certa regularidade. Sim, o cristão de hoje precisa estar pronto para dialogar, sem fundamentalismos, com pessoas que não têm crenças religiosas, que às vezes não tiveram a menor formação neste sentido , e que não são menos gente por causa disso. Mas isto não significa, por exemplo, apagar da história a figura de um São Bento, cuja ordem monástica tem 1.500 anos, e em cujos mosteiros a cultura e o espírito se refugiaram enquanto os bárbaros faziam da Europa o seu campo de batalha. 

Perto do Natal, essas coisas ficam mais sensíveis; e quem não tem ligação com a velha história experimenta às vezes uma certa nostalgia — um desejo de pertencer a alguma coisa. 

Pode-se ler de muitas maneiras a saga do Natal — e o novo livro de Bento XVI há de ser uma boa introdução ao assunto (se a tradução brasileira for melhor que a do primeiro volume). Mas, certamente, um dado importante é a figura do Outro, de alguém que chega para oxigenar um ambiente opressivo. 

Uma observação que o Papa tem feito é que o grande problema do homem moderno foi ter apostado demais na sua própria autonomia. Nestes tempos nietzscheanos, investe-se no super-homem, no homem que se faz a si mesmo. Claro que a autoconstrução existe (aquilo que Emerson, tão americano, chamava de Self Reliance). Mas essa construção não parte do zero; e depende de tanta coisa... Quando desembarcamos nesse universo fascinante, apesar de todos os seus terrores, muitas coisas já estão definidas, estabelecidas — por exemplo, a necessidade de beber água, de comer, de encontrar um certo afeto... Costumamos ignorar, também, as leis da genética, o peso da formação, da hereditariedade — tudo isso para alimentar a ficção da nossa própria divindade. 

A chegada do Outro é libertadora — o que o rapazinho descobre quando encontra a sua primeira namorada. Há muitos tipos de encontros, de pequenas ou grandes libertações. Quanto não vale um mestre, ou um bom professor? Nas grandes religiões, essa ideia do Outro tem conotações mais fundas. E, nesse terreno, não há história mais bela, mais humana, que a do Jesus de Nazaré agora objeto do novo livro de Joseph Ratzinger. Até por uma questão cultural, vale a pena navegar nessas águas, e tentar descobrir por que, num determinado momento, as torres das catedrais lançaram-se como foguetes para os céus da França, da Itália, da Alemanha, de todo o mundo cristão. E por que, sem essa imponência, e seguindo uma inspiração de São Francisco, os pequenos presépios vieram dar um toque poético aos lares cristãos. 

Que o Estado é laico,  sabemos todos. Mas laicizar não significa anular o conteúdo de uma história e de uma cultura.  
por Luiz Paulo Horta é jornalista

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Delator se arrependeu e revelou o esquema em troca de acordo judicial;

Auditor do TCU daria parecer fraudulento contra Docas-SP//Germano Oliveira
SÃO PAULO - A denúncia contra a quadrilha liderada por Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Área de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), preso na carceragem da PF em Brasília, começou a ser investigada em 11 de fevereiro, quando o funcionário público Cyonil da Cunha Borges de Faria Junior, auditor de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU), em São Paulo, procurou a PF para fazer um acordo de delação premiada. Ele confessou que recebeu, em 2009, uma oferta de R$ 300 mil para redigir parecer técnico fraudulento para ser anexado a um processo que corria no TCU em Brasília, analisando possíveis irregularidades cometidas por representantes da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) no contrato de arrendamento de área portuária, em Santos, com a empresa Terminal para Conteiners da Margem Direita S/A (Tecondi), de São Paulo. Cyonil chegou a receber R$ 100 mil, mas se arrependeu, não fez o parecer encomendado, procurou a PF, fez o acordo em troca de vantagens processuais e devolveu o dinheiro à Justiça. Por isso, não foi indiciado na Operação Porto Seguro, iniciada com sua notícia-crime.

O contrato da Codesp com a Tecondi teria sido modificado para incluir a cessão de instalações não previstas na concorrência inicial. O parecer de Cyonil deveria favorecer a Tecondi, para impedir o cancelamento do contrato da Codesp com a Tecondi. Num primeiro momento, Cyonil topou o esquema, mas depois não fez o que lhe foi pedido. A oferta dos R$ 300 mil lhe foi feita por Paulo Rodrigues Vieira, que, na época, era ouvidor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Conselheiro Fiscal da Codesp.

Pelo fim dos salários extras dos senadores; por RUTH DE AQUINO


RUTH DE AQUINO é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA) Excelentíssimos senadores. Tomem vergonha e paguem o imposto devido à Receita Federal sobre o 14º e o 15º salários que os senhores vêm recebendo à custa de um tratamento imoral desta nossa República, onde uns são mais iguais do que outros. Não passem sua dívida para os contribuintes. Nós só temos direito, quando muito, ao 13º salário.

Não acreditem nos aduladores que os chamam de “homens incomuns”. Os senhores deveriam se orgulhar de ser comuns, no cumprimento às leis. Deveriam recusar mordomias incompatíveis com o serviço público. Os senhores nos representam na Câmara Alta? Deem então o exemplo – a seus filhos e à nação. Não se finjam de tolos, porque tolos não são. E não se esqueçam das multas e dos juros. Comemorem o fato de que a Receita só pode cobrar atrasados dos últimos cinco anos. Cuidado com o nome sujo na praça.

Em agosto, o Leão deu um prazo de 20 dias para Suas Excelências enviarem cópias de contracheques e comprovantes de rendimentos anuais. Foi um deus nos acuda. A cada ano, em valores atuais, um senador ganha R$ 53.400 extras, de 14º e 15º salários. Essa benesse foi criada em 1946. Os senadores nunca recolheram imposto sobre isso. Agora, pressionados pela Receita e sob ameaça de uma investigação do Tribunal de Contas da União, cada senador terá de devolver aos cofres aproximadamente R$ 65 mil, fora juros e multas, relativos aos últimos cinco anos. Convenhamos: é muito pouco. Pouco para eles, bem entendido. Se imaginarmos que o mandato de cada senador custa R$ 33,1 milhões por ano ao país, segundo o site Transparência Brasil.

Eles ficaram revoltados. Embora sejam cultos e informados, os senadores pensavam que o 14º e o 15º salários eram só uma ajuda de custo, isenta de impostos. Incrível. Esses extras apenas se somariam a verbas que ajudam os senadores a sobreviver com estilo. Por fora do subsídio mensal, eles têm moradia paga, refeição paga, passagem aérea paga, telefone pago, combustível pago, assessor pago. Alguns têm até amante paga.

Na terça-feira passada, o Senado decidiu custear a dívida dos senadores. Com dinheiro público. Isso quer dizer que você e eu daremos uma mão aos parlamentares. Pagaremos os impostos devidos por eles. Além dos nossos, claro. Natural, num país em que a carga tributária é baixinha... Os senadores dispostos a pagar a dívida do próprio bolso deveriam comunicar à Casa sua intenção até o fim da sexta-feira, quando esta coluna era escrita. Seria útil divulgar a lista.

Você e eu ajudaremos a pagar os impostos devidos pelos parlamentares – além dos nossos, é claro Sabemos da importância de um Legislativo forte numa democracia. Saudamos a independência entre os Poderes. Mas, por favor, senadores, mirem-se no Judiciário de Joaquim Barbosa. Ao tomar posse, Joaquim disse que o juiz deve guardar distância das “múltiplas e nocivas influências” – entre elas as políticas – para se manter independente. Pediu que o juiz escute o “anseio” da sociedade e não se isole “numa torre de marfim”. Reconheceu o “deficit de Justiça” no Brasil, lamentou que nem todos os brasileiros sejam tratados “com igual consideração”. Defendeu um Judiciário “sem firulas, sem floreios, sem rapapés”.

Traduzindo a fala de Joaquim para nossos 81 senadores. Mantenham sua independência sem relações espúrias com lobistas, laranjas, bicheiros e empresários. Ouçam a sociedade e não se isolem. Os eleitores estão cansados de maracutaias, de espírito corporativista e da ressurreição de fantasmas como Renan Calheiros. Votem com a consciência, e não com a conveniência. Abram mão de privilégios de casta. Sem firulas, sem floreios, sem rapapés, ataquem o nepotismo e a corrupção na Casa. E paguem seus impostos, porque isso é o mínimo que se exige dos contribuintes.

Aproveito o imbróglio para lançar uma campanha mais radical – pelo fim dos 15 salários dos senadores. Não há justificativa, excelentíssimos. É por isso que, às vésperas do recesso de fim de ano, fica todo mundo rindo e fofocando. Já pensou tirar férias assim? Existe um projeto que restringe os salários extras ao primeiro e ao último ano de mandato. Mas ninguém quer saber de votar – o texto deve estar nas gavetas empoeiradas dos porões do Congresso. Mesmo se fosse aprovado, continuaria sendo uma prática imoral.

Por que quem é pago por nós ganha dois salários a mais ao ano?

***
Presidente Dilma, com todo o respeito, não pegou bem seu rosto emburrado de tédio na posse de Joaquim Barbosa como presidente do STF. A senhora fez um gesto carinhoso e gentil, ao ajeitar a capa do ministro. Mas trancou a boca e o olhar, mostrou-se alheia ao clima nacional de alegria e comemoração. Poderia ter ignorado as orientações e mostrado personalidade. Poderia ter-se colocado acima dos erros e das paixões. A senhora fica mais bonita quando sorri.

‘Eu me senti apunhalado pelas costas’, diz ex-presidente Lula

PT reage e diz que associar o ex-presidente a Rosemary, ‘não é adequado’; por Isabel Braga (O GLOBO)
Surpreso . Ao conversar com petistas, Lula disse ter sido traído por Rosemary Noronha, que era chefe do gabinete da Presidência em SP

BRASÍLIA - Apontado como o padrinho de Rosemary Nóvoa Noronha desde sua ida para o governo, o ex-presidente Lula chegou sábado da Índia e, segundo interlocutores, recebeu com surpresa e grande insatisfação a participação de Rosemary em esquema que, segundo a Polícia Federal, favorecia empresas e pessoas interessadas em obter vantagens ilícitas junto a órgãos federais e agências reguladoras.

Além do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), Lula tem conversado com outros petistas sobre a operação da PF. Assim como aconteceu na época do mensalão, Lula se disse traído pela ex-assessora.

— Eu me senti apunhalado pelas costas. Tenho muito orgulho do escritório da Presidência, onde eram feitos encontros com empresários para projetos de interesse do país — desabafou Lula, segundo gente com quem ele conversou.

Rosemary trabalhou, durante anos, no Partido dos Trabalhadores e foi para o governo federal depois que Lula foi eleito. Nomeada para a chefia de gabinete da Presidência em SP pelo ex-presidente, ela foi mantida no cargo pela presidente Dilma, a pedido de Lula.
Lula e Dilma se reuniram pelo menos três vezes este ano no escritório da Presidência em São Paulo. Oficialmente, a assessoria de imprensa do ex-presidente Lula afirmou que ele não vai se pronunciar porque seria leviano comentar investigação ainda em andamento.

Petistas reagiram neste domingo ao que consideram uma tentativa de ligar Lula à denúncia, por ter pedido para que Rosemary fosse mantida no cargo por Dilma. Para pessoas ligadas ao PT, há uma tentativa de desgastar e atingir Lula por vias transversas, como aconteceu com o mafioso Al Capone.

Ex-líder do governo na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) diz que é inadequada a decisão de associar Lula a uma funcionária de terceiro escalão. Segundo ele, foi Lula quem indicou Dilma para sua sucessão e muitos ministros e funcionários do atual governo são ligados ao ex-presidente. Ele diz que é amigo de Rosemary e foi surpreendido pela denúncia da PF:

— Pegar um funcionário de terceiro escalão e tentar associar ao Lula não é adequado. Todos são, eu fui líder de governo e sou ligado ao Lula. Acho de muito mau gosto, cretinice falar de Al Capone.

Vaccarezza vai defender, na reunião de bancada do PT, que o partido não se oponha se a oposição quiser mesmo levar adiante a convocação de pessoas denunciadas no esquema. O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) confirmou que irá apresentar, amanhã, requerimento para que Rose e os demais envolvidos sejam inquiridos em comissões.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o momento agora é de aguardar as apurações da PF.
— A nossa orientação é que a Polícia Federal cumpra seu papel seguindo estritamente as ordens — disse Cardozo.
O governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), estranhou o fato de seu nome ter sido pinçado da agenda de encontros mantidos no escritório da Presidência em São Paulo, onde vários outros ministros e governadores mantêm agendas.
Comentario meu---estranho.....mais uma traição...no minimo vais acabar com fama de "dedo pôdre" companheiro! Que Deus te ajude e a mim não desampare jamais.

domingo, 25 de novembro de 2012

Vovôs espanhóis que não se renderam nem a Franco voltam à luta




Contra cortes do governo, Grupo Yayoflautas, de 1.100 idosos, invade Bolsa e bancos, canta, apita e faz tricô//PRISCILA GUILAYN
                                            Idosos se juntam aos protestos contra a situação econômica do país
                                                                                                 YAYOTRANKILO/DIVULGAÇÃO

MADRI E BARCELONA — A aposentada Pilar Goytre “invadiu”, em Madri, a secretaria regional de saúde com outros seis “vovôs” (yayos, em espanhol) indignados. Os seguranças do órgão público desceram as grades para evitar que os mais de 50 idosos que formavam parte do combativo grupo, denominado Yayoflautas, também entrassem na repartição. Queriam ser recebidos pelo secretário para entregar uma carta como sinal de protesto pelos recentes ajustes de 7% no orçamento destinado à Saúde, pela privatização de seis hospitais e pela medida que estipulou a cobrança de € 1 por receita médica.

Vestidos com jalecos fluorescentes e com apitos pendurados no pescoço, os “yayos” pretendiam que este fosse mais um de seus protestos relâmpagos e tranquilos, que caracterizam o movimento com 1.100 adeptos em toda a Espanha. O grupo já protagonizou diversas “invasões” pacíficas, entre elas, na Bolsa de Valores e em bancos como Santander e Bankia. Mas acabou durando quase quatro horas. Enquanto isso, os Yayoflautas, dentro e fora da secretaria, cantavam, apitavam e alguns faziam tricô.

— Dessa vez, eu senti a adrenalina. Um policial me agarrou pelo braço! Queríamos ir ao banheiro e não deixavam. Trancaram as portas dos banheiros. Tínhamos frio e pedimos café. Os funcionários da secretaria queriam nos ajudar e trazer café, mas mandaram desconectar a máquina. Só queríamos entregar uma carta ao secretário e mostrar nosso repúdio às medidas que o governo regional havia tomado — conta Pilar Goytre, uma das fundadoras do movimento dos “yayos” de Madri.

A satisfação de retomar a militância

Pilar não vive com a corda no pescoço. Recebe uma boa aposentadoria como secretária-executiva, e seu marido exerce um alto cargo numa empresa. Mas vê o empobrecimento de seu país, que, para seguir as imposições europeias, não poupa o Estado de bem-estar social de tesouradas. Ela e suas duas irmãs, Chiruca, de 62 anos, e Adela, de 78, vão juntas aos protestos.

— Lutamos durante 30 anos para ter um sistema de saúde e educação de qualidade, para ter um sistema de ajudas sociais, e agora nos arrebatam isso? Não podemos permitir. Lutei contra a ditadura, corri dos “grises” (policiais franquistas, com seus uniformes de cor cinza, ou “gris”, em espanhol). Tinha 20 anos. Agora, com 65, não cruzarei os braços — conta Pilar.

Quando jovem, Beatriz San Gregorio, de 74 anos, também não olhava a vida da janela. Escondia em sua casa militantes perseguidos pelo regime do ditador Franco e fazia cópias de materiais considerados “subversivos”. Agora, de bengala, essa assistente social aposentada, que, em 1968, chegou a ser presa por três dias num calabouço, volta a militar por uma causa:
— Eu, que sempre dizia às mulheres que deveriam ser lutadoras, continuo acreditando nisso. É preciso lutar. Mesmo com dificuldades de locomoção, não me rendo — diz a aposentada “mileurista” (que ganha cerca de € 1 mil, somadas sua pensão por invalidez e a por viuvez).

Os “yayos” originais são um grupo de catalães que tiveram a ideia de se mobilizar, há mais de um ano, em plena manifestação do 15-M (15 de maio) em Barcelona — que, na época, também foi chamado de Movimento dos Indignados, Spanish Revolution ou Toma a Praça. Velhos amigos se encontraram casualmente naquele multitudinário protesto contra a política econômica do então governo socialista e, contam, sentiram-se em casa. Recordaram seus tempos de militância, mas constataram que já não tinham condições de seguir o ritmo dos jovens.

Invasões a símbolos de injustiça social

Eles criaram, então, um movimento à sua medida, de desobediência civil pacífica, que consiste em “invadir” um lugar que simbolize uma injustiça social, entregar uma carta de protesto e ir embora. Esse lugar pode ser um ônibus, para protestar contra o aumento do preço dos transportes; um banco, para mostrar indignação contra o socorro financeiro pedido pelo governo para evitar a quebra dessas entidades; outro banco, para expressar oposição aos 532 despejos diários na Espanha; ou o consulado alemão, como mostra de rejeição às duras condições impostas por Angela Merkel.
— A sociedade tem a tendência de afastar os idosos. Com o movimento dos “yayos”, mostramos que temos possibilidade e capacidade de fazer o que queremos, e que os medos podem ser controlados — explica Celestino Sánchez, de 62 anos, fundador do movimento na Catalunha. — Protestamos porque não queremos que nossos filhos vivam pior que nós.

Os Yayoflautas formam um dos muitos movimentos criados desde o surgimento do 15-M. Só nos primeiros seis meses do ano, em Madri, houve 1.165 manifestações. No segundo semestre, a média é de dez protestos por dia.
— O governo está muito preocupado com tantas manifestações. Não é que cada movimento leve consigo uma tentativa, digamos, de destruição da sociedade. Pelo contrário, são pacíficos. Mas o neoliberalismo tem se mostrado tão brutal, os surtos autoritários nas atuações policiais contra manifestantes, tão evidentes, que há o perigo de que o fenômeno social que vemos na Grécia se repita na Espanha — acredita o antropólogo social Ubaldo Martínez Veiga, da Universidade Autônoma de Madri.


Bomba no Riocentro:(1981) dossiê revela farsa de militares


Documentos mostram como comandante do DOI-Codi agiu para responsabilizar esquerda
HUMBERTO TREZZI E JOSÉ LUÍS COSTA SÃO DO JORNAL ZERO HORA
No dia 30 de abril de 1981 uma bomba explodiu dentro de um carro no estacionamento do Riocentro/O GLOBO / ARQUIVO

PORTO ALEGRE - Missão Nº 115. Esse era o nome oficial da vigilância desencadeada pelos serviços de espionagem do Exército no centro de convenções Riocentro, no Rio, em 30 de abril de 1981, quando 20 mil pessoas ali se reuniam para um show musical em protesto contra o regime militar. Duas bombas explodiram lá, e os agentes “supervisores” da ação foram as únicas vítimas do episódio, que lançou suspeitas sobre atividades terroristas praticadas por militares e mergulhou em agonia uma ditadura que vinha desde 1964 e acabaria sepultada em 1985. Tudo isso a população brasileira já intuía, por meio de depoimentos. O que até agora permanecia oculto — e está sendo revelado pelo jornal “Zero Hora” — são registros de militares envolvidos no episódio e manobras de abafamento do incidente, arquitetadas por servidores da repressão.

O segredo está em arquivos que eram guardados em casa pelo coronel reformado do Exército Julio Miguel Molinas Dias — assassinado aos 78 anos, em 1º de novembro, em Porto Alegre, vítima de um crime ainda nebuloso. Molinas Dias era, na época do atentado, comandante do Destacamento de Operações e Informações — Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio de Janeiro, o Aparelhão. O arquivo do coronel continha 200 páginas, várias delas encabeçadas pelo carimbo “confidencial” ou “reservado”. O calhamaço evidencia que o aparelho repressivo militar tentou maquiar o cenário do Riocentro para fazer com que as explosões parecessem obra de guerrilheiros esquerdistas.
Os registros estavam guardados pelo minucioso oficial. A unidade comandada por Molinas era responsável por espionar e reprimir opositores ao regime militar. O DOI-Codi era localizado dentro do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Rua Barão de Mesquita, no bairro da Tijuca. Ao se aposentar, o coronel levou para casa documentos preciosos, contando pormenores da sigilosa rotina da caserna. O dossiê deixa transparecer que a bomba no Riocentro também fez estragos dentro da sede do DOI-Codi, distante 30 quilômetros do centro de eventos.

Oficiais forjaram o cenário
Em meio aos papéis, surgem evidências de que oficiais forjaram fatos. Há inclusive uma orientação para simular o furto do veículo pertencente ao sargento que morreu na explosão, no sentido de desaparecer com pistas que seriam comprometedoras.
O acervo de Molinas foi arrecadado pela Polícia Civil gaúcha após o assassinato dele e revela detalhes inéditos do lado de dentro dos portões de uma das mais temidas unidades das Forças Armadas durante os anos de chumbo
“Zero Hora” teve acesso a memorandos datilografados e também manuscritos, no qual o coronel registra a mobilização que se instalou naquele quartel-sede da espionagem política do Brasil, imediatamente após a explosão. São ordens, contraordens e telefonemas com a finalidade de evitar que fatos e versões indigestas ao Exército viessem à tona.
Os papéis contêm medidas de prevenção para segurança de militares, recomendações para não serem fotografados e relação de bombas e artefatos explosivos no paiol do quartel para destruição coletiva e individual. Mas o mais espesso lote de documentos do coronel é do tempo em que ele dava as ordens no comando do DOI.
De próprio punho, o coronel Molinas teria redigido parte desses memorandos, divididos em dias, horas e minutos. Trabalho facilitado porque era detalhista. Em meio à papelada sobressaem-se relatórios sobre o desastroso atentado no centro de convenções Riocentro. Uma das duas bombas que explodiram durante um show musical acabou matando o sargento Guilherme Pereira do Rosário e ferindo com gravidade o capitão Wilson Luiz Chaves Machado, chefe da seção de Operações do DOI-Codi.
Os papéis do coronel Molinas mostram que Rosário tinha o codinome de Agente Wagner e Wilson era chamado Dr. Marcos (militares de baixa patente eram chamados de agentes e oficiais eram doutores, na gíria da espionagem).

sábado, 24 de novembro de 2012

Ponto final (deu no Ancelmo)



 É como comentou um gaiato maldoso no Facebook:

— Deve ser o sucesso da campanha “se beber... não dirija”.

Nós, por Maria Helena R.R. de Sousa


A anedota que corria em meados do século passado – Deus justificando para um anjo surpreso porque beneficiou o Brasil com belezas e riquezas naturais em profusão:espera só ver o povinho que vou botar lá! – nunca pareceu tão verdadeira.
Favor não tocar. Imediatamente, seja tinta fresca ou frutas no mercado, temos uma enorme vontade de desobedecer. É proibido comprar tal remédio sem receita? "Ora, meu, isso é para os trouxas, eu compro o que quero e em qualquer quantidade".
Proibido o uso de celular no avião? Bem, aí, entra talvez a paura do avião cair. Mas mal abrem as portas do avião, a escada nem chegou a ser encaixada e o pessoal já está ligado no celular. O que será que falam tanto?
Horário de visita no hospital: de 1 às 3. Visita esbaforida: "Mas cara, são 3:08, quebra o galho, vai, é só um minutinho".
Conheci um sujeito, rico, instruído, que se gabava de trocar sapato usado uma vez se por acaso estivesse arrependido da compra. Tinha um truque para deixar a sola tinindo! Camisa usada, então? Brinquedo de criança! Precisava disso? Não. Mas, e o prazer que tirava de fazer o capiau da loja de trouxa?
Numa importante livraria do Rio tem um camarada que vai lá, pega o livro, lê um bocado, torna a colocar na prateleira e volta no dia seguinte para ler mais um bocado. Figura conhecida e tolerada porque mais vale aguentar o esperto calado do que suportar o escândalo que ele vai armar.
Washington. Estacionamos o carro, minha prima e eu, entramos lépidas no cinema. Ao sair, o susto. Carros de bombeiro, de polícia, a calçada cheia de gente."O que foi?", perguntamos assustadas para o guarda que não se contém: "O que foi? Foi isso!" E aponta indignado para um hidrante! Não nos aconteceu nada porque ela tinha passaporte diplomático, mas talvez para o bem de todos e felicidade geral da nação, devesse ter acontecido.
Missa de 7º dia. Igreja vazia. Vejo uma amiga à espera da comunhão. Sei que ela não vai nunca à missa, quanto mais dar uma passadinha para se confessar. Na saída não resisto e pergunto se ela se confessou. "Eu? Confessar? Eu, não. É que fiquei com pena da A** ver que não tinha ninguém comungando pela mãe dela...".
Pois é, somos assim.
Nossa incapacidade de respeitar leis, regulamentos, regras, ordens, nunca foi tão acentuada. O filme é proibido? "Nosso filho é alto, ele passa, vamos lá", diz a mãe para o pai na frente do garoto. E depois vão querer que o menino cresça um cidadão consciente? Vai crescer, sim, consciente de que os fins justificam os meios...
O STF condenou o Dirceu? Mas o que é isso? Onde já se viu semelhante desaforo? Vamos imediatamente organizar um almoço de desagravo, que isso não pode ficar por isso mesmo.
Você vem?

Reflexões na porta de cadeia, por FERNANDO GABEIRA


O escritor Henry David Thoreau disse que todo cidadão deveria visitar uma cadeia para ter uma ideia do nível de civilização da sociedade em que vive. É um desejo contra a corrente: todos querem esquecer a cadeia, um espaço de dramas e tristeza, uma espécie de purgatório onde as almas cumprem a sua pena.

A reforma do sistema penitenciário sempre foi um tema da esquerda brasileira. Assim que terminou a ditadura militar, formamos comissão para entrar nas prisões e estimulamos os mutirões destinados a liberar os que já haviam cumprido sua pena. Brizola foi mais longe, autorizando a implosão do presídio da Ilha Grande. Pessoalmente, preferia que o presídio fosse restaurado, com múltiplos usos, e permanecesse como referência histórica. Hoje são escombros e só os mais velhos se lembram daquilo, assim como do próprio lazareto, um espaço cavernoso na ilha que no período colonial servia para prender estrangeiros indesejáveis, alguns em regime de quarentena.

O PT faz parte dessa história. Formada no momento em que houve um massacre em Franco da Rocha, a Comissão Teotônio Vilela visitou dezenas de presídios. Dela participavam importantes intelectuais do PT: Antonio Candido, Marilena Chauí e Hélio Pellegrino, entre outros.

A primeira Comissão de Direitos Humanos da Câmara foi inspirada pelo deputado mineiro Nilmário Miranda (PT). Depois dele, Marcos Rolim (PT-RS) organizou uma caravana nacional para denunciar as condições carcerárias. Recentemente, o deputado Domingos Dutra (PT-MA) fez de novo a peregrinação pelos presídios. Estivemos juntos em São Luís, onde alguns presos foram decapitados num motim.

Com esse passado, fiquei perplexo com a afirmação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de que preferia morrer a viver anos numa "prisão nossa". Foram dez anos de governo petista, com vários ex-prisioneiros em sua cúpula, a começar pela presidenta Dilma Rousseff. Será que o tempo passou assim de forma tão imperceptível para os que assumiram o poder em 2002?

Nossas palavras não corresponderam aos fatos, nossa piscina está cheia de ratos. Nos presídios, o governo petista foi apenas uma continuidade medíocre das forças que combatia.

As cadeias brasileiras ganharam visibilidade com a passagem por elas de intelectuais da esquerda. A própria Ilha Grande foi celebrizada por Graciliano Ramos em Memórias do Cárcere, transformado em filme. Com a prisão dos opositores ao regime militar de 64, nova luz se fez sobre os presídios. Daí, no período de democratização, os inúmeros esforços para chamar a atenção sobre eles e a necessidade de humanizá-los e modernizá-los.

Com pena superior a dez anos, o destino de José Dirceu despertou em Cardozo e no ministro do Supremo Tribunal Dias Toffoli, uma nova reflexão sobre o Código Penal e os presídios. Não é o mesmo tipo de prisão de Graciliano, de Nise da Silveira ou mesmo dos opositores da ditadura militar. Os argumentos não são mais políticos nem se fala em investimentos e reformas em presídios. Toffoli lamentou que um diretora do Banco Rural fosse presa porque era uma bailarina e não representava perigo. Açougueiros ou motoristas de caminhão representam algum perigo? Sua tese indicava que a cadeia deveria ser reservada aos crimes de sangue.

Não se deve ser como a China, que fuzila corruptos. Mas daí a ter uma nova tolerância com a corrupção vai enorme distância. Não era a esquerda que afirmava que a corrupção, desviando recursos vitais para os mais pobres, os condena à morte mais rápida? É uma ironia que uma parte do universo político se interesse pelas penitenciárias porque José Dirceu foi condenado.

No mundo real - em que os delicados, como dizia o poeta, preferiam morrer -, incêndios de ônibus, assassinatos, rastros de fumaça, tudo parece vir dos presídios. Maus tratos e execuções sumárias são usados como pretexto para incendiar as ruas. Uma política real de direitos humanos tende a reduzir esses pretextos. Mas, ainda assim, há novos elementos que a experiência no campo dos direitos humanos me obriga a refletir. O primeiro é o silêncio com que o movimento recebe a morte de policiais. Continuamos vendo os direitos humanos ameaçados apenas pelo Estado, ignorado novas frentes de ameaça, como traficantes e milícias.

Outra ilusão, que os ingleses superaram: a de que os presos cessam de cometer crimes quando vão para a prisão. Eles criaram um setor destinado a prevenir, investigar e até punir os crimes dentro dos presídios. A situação carcerária é muito complicada nas cadeias superlotadas, mas também nas chamadas penitenciárias de segurança máxima, onde estão os presos mais perigosos.

O mensalão é uma gota nesse oceano que envolve 300 mil pessoas e suas famílias. Não se resolve a questão como na vida cotidiana. Roberto DaMatta diz que muitos brasileiros odeiam fila porque é um tratamento democrático. E às vezes dão um jeito de obter um tratamento especial.

As falas de Cardozo e Toffoli não me entristecem apenas porque ressaltam a ineficácia do governo na reforma dos presídios. Entristecem porque a esquerda, além de desprezar o discurso humanista na prática do poder, opta, em defesa própria, pela visão aristocrática que tanto combateu no século passado.

O problema dos presídios continua a existir, apesar de todas as abordagens escapistas. Por que não aproveitar o momento e encarar uma reforma?

É preciso aceitar a premissa de que a cadeia é para todos os condenados a ela. Isso dá novo sentido àquela frase de Thoreau. É bom conhecer a cadeia não só para testar o nível de civilização do País. Um dia, você mesmo, ou alguém muito próximo, pode passar alguns anos por lá.

Ainda sonho com a cadeia. Não com as paredes de concreto, sua atmosfera, mas como uma sensação abstrata de imobilidade. É apenas a metáfora da inércia diante de atitudes que precisam ser tomadas no cotidiano.

Os presídios no Brasil são da Idade Média, diz o ministro. E as nossas cabeças foram detidas quando? Em que cela ou calabouço elas adormecem até hoje?

Como dizia o humorista carioca Don Rossé Cavaca: acorda, já é 2012 e você precisa trabalhar.

* JORNALISTA

Dez dicas para aproveitar bem a festa de fim de ano da firma, por Jorge Antonio Barros


Com a proximidade das festas de fim de ano, a consultora de etiqueta Danielle Stipp Melamed desenvolveu um manual com dicas para você poder aproveitar o happy hour sem correr risco de ser o personagem principal dos tradicionais “micos” natalinos. Ela aconselha:

-- Aproveite o clima descontraído para se aproximar das pessoas, conhecer melhor os colegas de trabalho e até fazer bons negócios. Mas cuidado: você estará sendo observado! Qualquer erro pode ser fatal! -- afirma.
Veja algumas regrinhas básicas para que a festa de fim de ano não seja desastrosa para a sua imagem:

"1) Evite a fofoca – É péssima ideia aproveitar o happy hour para desabafar sobre o que o incomoda na empresa ou sobre os colegas que você não gosta. Evite falar da vida alheia.
2) Cuidado com a bebedeira – Não fique bêbado! Para evitar a embriaguez, para cada copo de álcool, beba o equivalente de água. Não queira descobrir o seu limite ao álcool quando estiver com colegas de trabalho. O vexame será lembrado eternamente e você poderá pagar caro, até com o emprego. Você quer ser o assunto da segunda-feira?

3) Saiba escolher a bebida - Se você não bebe, não precisa faltar ao happy hour. Escolha uma bebida não alcoólica e aproveite a companhia dos colegas. Se gosta de beber, escolha bebidas leves, como vinho ou cerveja. Passe longe dos destilados.

4) Limite – Não é aconselhavel consumir uma garrafa de vinho ou um engradado de cerveja, mesmo que você esteja acostumado. Duas taças ou duas latas são suficientes. Você não vai querer ganhar fama de pé de cana, não?

5) Nada de puxar saco - Se o chefe estiver presente, mostre a sua personalidade, mas sem excessos. Nada de bajulação.

6) Onde se ganha o pão não se come a carne - Não caia na tentação de dar em cima da colega de trabalho. Mantenha o profissionalismo, ainda que a loura seja muito gostosa.

7) Não fale só de trabalho – Nada de discussões profundas de trabalho. Deixe isso para o dia seguinte. É melhor e mais divertido falar sobre amenidades, esportes, viagens etc. Você não vai querer ser o mala da mesa, não?

8) Aprecie com moderação - Não ataque descontroladamente os salgadinhos. Se estiver com muita fome, é melhor pedir prato individual ou sanduiche.

9) Profissional preparado vale por dois – Não esqueça os cartões de visita. É deselegante anotar o telefone e o email no guardanapo. 

10) Circule - Fale com todas as pessoas. Não fique restrito à uma panelinha. Procure uma posição estratégica para não ficar gritando de uma ponta da mesa para a outra. Se estiver muito longe, levante-se e vá conversar com outros colegas.

11) Pague a sua conta - Não conte com o cartão corporativo do presidente da empresa. Se não for uma cortesia, pague a sua consumação. Sempre deixe um pouco mais que o suficiente para cobrir a sua despesa.

12) Seja generoso – Se um colega não consumiu, sugira que não entre no racha.

13) Morre ali – O que acontecer no happy hour fica no happy hour! Nada de fotografar com o celular um colega em situação constrangedora. Não seja cruel. Rede social, nem pensar!"