terça-feira, 31 de julho de 2012

Brasileiros que emergiram nos últimos anos já consomem US$ 500 bilhões por ano


O Brasil que queremos: uma Coreia na classe média; por VIVIAN OSWALD
colaborou HENRIQUE GOMES BATISTA, n'O GLOBO

BRASÍLIA e RIO. Um dos maiores ativos econômicos e sociais do país para o futuro próximo, a nova classe média brasileira é a grande aposta do governo para o desenvolvimento nas próximas décadas. Dados inéditos antecipados pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República mostram que esse exército de quase 120 milhões de brasileiros já é o 17º maior mercado do mundo, consumindo mais do que a Holanda e tanto quanto toda a Coreia do Sul. Isso será fundamental para que o Brasil se firme na quinta posição entre as maiores economias globais, conforme informou ontem O GLOBO no primeiro dia da série “O Brasil que Queremos”.
O estudo da secretaria indica que esta camada da população consome anualmente nada menos que US$ 500 bilhões do US$ 1 trilhão consumido pelo mercado brasileiro de maneira geral. Esta é a principal explicação para o fato de todas as grandes empresas estarem investindo pesado em pesquisas para saber o que quer e o que consome essa faixa da população que será dominante nos próximos 20 anos.

— É o grande ativo e legado do governo Lula, desde que o governo e a sociedade conseguiram ter moeda. Mas temos que evitar que a nova classe média retorne à situação anterior e que sejam criadas condições para que se consolide — disse o ministro da SAE, Wellington Moreira Franco.
A partir de setembro, a SAE passará a divulgar um conjunto de documentos, “Vozes da classe média”, com um perfil dessa camada da população a partir de pesquisas quantitativas e qualitativas inéditas, que serão feitas a partir do acompanhamento dos mesmos 15 grupos focais a cada seis meses. A ideia é entender as necessidades dessas pessoas para que não só se mantenham onde estão, como continuem ascendendo.
Para o secretário de Ações Estratégicas da SAE, Ricardo Paes de Barros, o desafio para a nova virada do Brasil, depois da estabilidade da moeda em 1995 e do boom dos rendimentos que levaram à ascensão de mais de 40 milhões de pessoas à classe média, é a educação. E a qualidade é fundamental para esse avanço, segundo ele:
— Hoje, um jovem brasileiro recebe a mesma educação que tinha um chileno na década de 50.
Inclusão e educação financeira também estão na lista dos temas estudados pelo governo neste momento para assegurar à nova classe média a manutenção do seu novo status social e econômico. Segundo a SAE, 50% do consumo da classe média hoje são financiados, e a maior parte destes recursos está fora do banco. Os financiamentos são tomados no mercado varejista.
Essas pessoas usam pouco outros serviços financeiros, e levá-las ao sistema bancário é considerado também um dos segredos para o Brasil passar a ter a sua poupança. De acordo com especialistas, ainda são raros os casos de brasileiros de classe média que tenham o hábito de poupar. Dados do BC mostram que, de 2007 a 2010, mais pessoas de todas as classes passaram a ter um acesso mais amplo ao sistema financeiro. No entanto, ele ainda é um luxo das classes A e B. Nesta categoria, 70% das pessoas têm conta corrente, contra 52% da classe C e apenas 29% da DE.
— Poupança é fundamental. E eu espero estar melhor e ganhar muito dinheiro nos próximos 20 anos por juntar recursos. Mas é preciso saber aplicar esse dinheiro. Por isso, estou diversificando os meus investimentos, aplicando na Bolsa, por exemplo — disse o ilusionista Guilherme Ávila, de 22 anos, filho de uma família de classe média em Brasília, que acabou de ser formar em Economia.
Os outros meios de pagamento (cartões de crédito e débito, cheque, débito automático e vale-refeição) são usados por 23% da população em geral, mas têm a preferência de 45% das classes A/B.
Vanessa Petrelli Corrêa, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirma que os bancos públicos tiveram papel relevante no crescimento com o avanço da classe média. Ela acredita que poucos economistas mediram com exatidão essa contribuição. E, para ela, esse fenômeno ainda continuará:
— O Brasil deve viver um longo período de juros historicamente baixos. O impacto desse novo patamar ainda está sendo conhecido, mas certamente pode ser um dos pilares para o crescimento com inclusão social — disse.
Mais opiniões sobre o Brasil que queremos
“Eu espero que o Brasil desenvolva ascondições sociais e econômicas necessárias para que todos os brasileiros realizem seus sonhos”
Michael klein, Presidente do conselho de administração da Viavarejo

“A infraestrutura no Brasil é ineficiente e imunda. O transporte de cargas é feito em caminhões a diesel. Isso é uma oportunidade, que é muito maior do que os custos. mas Não há planejamento de longo prazo”
Sergio Besserman, Economista
Comentario meu: exportando matérias primas e incentivando o consumo?!....ou seja imitando os que, reconhecidamente, ja erraram e estão em dificuldades HOJE! 
Precisa-se que, em lugar de "em quantas vêzes," o consumidor pergunte " qual o custo final, taxas e juros incluidos?"  A partir dai os juros não mais se "sentarão à mesa" dos cidadãos esbulhados pelos "raqueteiros" bancarios--designa-los como "banqueiros" é elogio absurdo, hoje.
Deus é brasileiro...claro! Mas também cansa!


Hora da verdade, por Ricardo Noblat


Já valeu!

No país da jabuticaba e do jeitinho, do esperto que leva vantagem em tudo e da impunidade que beneficia os mais influentes e endinheirados, dá gosto ver 38 notáveis do governo passado enfrentando anos de incerteza quanto ao seu futuro próximo.
Na condição de réus são acusados pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.
Acabarão condenados?
Convenhamos: foram condenados, embora possam ser absolvidos pela Justiça.
Lembra-se de Fernando Collor?
Acusado de corrupção, renunciou ao cargo de presidente para escapar do impeachment no Senado. Ignorou-se sua carta-renúncia. Decisão política, meus caros!
O mandato de Collor foi cassado por larga margem de votos. Mais tarde, o Supremo Tribunal Federal (STF) o absolveu por falta de provas de que prevaricou.
Mudou a situação de Collor? Ele passou a ser apontado como uma triste inocente vítima de escandalosa injustiça?
Collor pode se reeleger senador em seu Estado quantas vezes queira ou quantas os alagoanos desejem. E ser tratado pelos poderes da República com as mesuras reservadas a todo ex-presidente.
Pouco importa. Daí não passará.
Está escrito com tinta irremovível na memória coletiva que ele deixou roubar antes e durante o seu governo. E que desfrutou do roubo. Isso é suficiente para impedi-lo de sonhar com a recuperação da sua imagem.
Mesura nada tem a ver com respeito. Tem a ver com protocolo. Collor é um morto-vivo, um fantasma que vaga pelos corredores do Senado.
As prerrogativas dele são iguais às dos seus colegas. Nem por isso Collor é igual a eles. Faz parte de um passado que desejamos envergonhadamente esquecer.
O "caçador de marajás" foi uma fraude. Hipnotizou a maioria dos brasileiros ansiosos por mudanças. Os candidatos da mudança foram para o segundo turno. Collor derrotou Lula.
Por que Lula, que considerou "prática inaceitável" o suborno de parlamentares, confessou sentir-se traído por antigos companheiros e foi à televisão pedir desculpas?; por que ele, agora, se refere ao "mensalão" como uma farsa montada com o único propósito de derrubá-lo? O que o fez mudar de lado?
Não vale responder que Lula é uma "metamorfose ambulante". E que se reconhece como tal.
A verdade - ou algo parecido: o julgamento dos mensaleiros é também o julgamento de Lula e do PT. Lula quer ser lembrado como o "pai dos pobres". Não como o chefe dos mensaleiros. Nem dos aloprados. Nem...


O julgamento marcado para começar nesta quinta-feira não revelará o PT que temos por que esse já sabemos qual é. Revelará o STF que temos. Um STF capaz de ignorar o clamor popular pela condenação dos acusados - e assim afirmar sua independência. Ou um STF capaz de ouvir o clamor - e assim dar o basta mais forte à impunidade.
Da redemocratização do país para cá, dois dos três poderes da República se viram expostos a sucessivas avaliações da sociedade – o Executivo e o Legislativo. Esse último foi reprovado todas as vezes.
Chegou a hora do Judiciário, o poder mais refratário a qualquer tipo de exame. O mais fechado. O mais autocrático.
Oremos por ele!
Ricardo Noblat é Jornalista e blogueiro independente. 
Comentario meu :  e trabalhou na equipe da eleição do ZéDu, em Angola. Sabe das coisas......e não precisa de "oculos" pra vêr claro. Et veritas filia temporis est........

Coração ferido: a irracionalidade da razão, por Leonardo Boff


Comentario meu--não sera o fim do mundo, mas sim, o fim de mais uma logica. Que começou (chutando) com a loucura (pelo PODER) da Isabel dita Catolica, na Peninsula Ibérica. A seguir veio a Inquisição (e os Papas fazendo filhos...e "cagando" moralismos).... por ai foi-se. O que vira? A proxima geração vera......
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Não estamos longe da verdade se entendermos a tragédia atual da humanidade como o fracasso de um tipo de razão predominante nos últimos quinhentos anos. Com o arsenal de recursos de que dispõe, não consegue dar conta das contradições, criadas por ela mesma.

Já analisamos nestas páginas como se operou, a partir de então, a ruptura entre a razão objetiva (a lógica das coisas) e a razão subjetiva(os interesses do eu). Esta se sobrepôs àquela a ponto de se instaurar como a exclusiva força de organização histórico-social.

Esta razão subjetiva se entendeu como vontade de poder e poder como dominação sobre pessoas e coisas. A centralidade agora é ocupada pelo poder do "eu", exclusivo portador de razão e de projeto. Ele gestará o que lhe é conatural: o individualismo como reafirmação suprema do "eu". Este ganhará corpo no capitalismo cujo motor é a acumulação privada e individual sem qualquer outra consideração social ou ecológica.

Foi uma decisão cultural altamente arriscada a de confiar exclusivamente à razão subjetiva a estruturação de toda a realidade. Isso implicou numa verdadeira ditadura da razão que recalcou ou destruiu outras formas de exercício da razão como a razão sensível, simbólica e ética, fundamentais para a vida social.

O ideal que o "eu" irá perseguir irrefreavelmente será um progresso ilimitado no pressuposto inquestionável de que os recursos da Terra são também ilimitados. O infinito do progresso e o infinito dos recursos constituirão o a priori ontológico e o parti pris fundador desta refundação do mundo.

Mas eis que depois de quinhentos anos, nos damos conta de que ambos os infinitos são ilusórios. A Terra é pequena e finita. O progresso tocou nos limites da Terra. Não há como ultrapassá-los. Agora começou o tempo do mundo finito. Não respeitar esta finitude, implica tolher a capacidade de reprodução da vida na Terra e com isso pôr em risco a sobrevivência da espécie.

Cumpriu-se o tempo histórico do capitalismo. Levá-lo avante custará tanto que acabará por destruir a sociabilidade e o futuro. A persistir nesse intento, se evidenciará o caráter destrutivo da irracionalidade da razão.

O mais grave é que o capitalismo/individualismo introduziu duas lógicas que se conflitam: a dos interesses privados dos “eus” e das empresas e a dos interesses coletivos do “nós” e da sociedade. O capitalismo é, por natureza, antidemocrático. Não é nada cooperativo e é só competitivo.

Teremos alguma saída? Com apenas reformas e regulações, mantendo o sistema, como querem os neokeynesianos à la Stiglitz, Krugman e outros entre nós, não. Temos que mudar se quisermos nos salvar.

Para tal, antes de mais nada, importa construir um novo acordo entre a razão objetiva a a subjetiva. Isso implica ampliar a razão e assim libertá-la do jugo de ser instrumento do poder-dominação. Ela pode ser razão emancipatória. Para o novo acordo, urge resgatar a razão sensível e cordial para se compor com a razão instrumental.

Aquela se ancora do cérebro límbico, surgido há mais de duzentos milhões de anos, quando, com os mamíferos, irrompeu o afeto, a paixão, o cuidado, o amor e o mundo dos valores. Ela nos permite fazer uma leitura emocional e valorativa dos dados científicos da razão instrumental. Esta emergiu no cérebro neocortex há apenas 5-7 milhões de anos. A razão sensível nos desperta o reencantamento e o cuidado pela vida e pela mãe-Terra.

Em seguida, se impõe uma nova centralidade: não mais o interesse privado mas o interesse comum, o respeito aos bens comuns da Humanidade e da Terra destinados a todos. Depois a economia precisa voltar a ser aquilo que é de sua natureza: garantir as condições da vida física, cultural e espiritual de todas as pessoas.

Em continuidade, a política deverá se construir sobre uma democracia sem fim, cotidiana e inclusiva de todos seres humanos para que sejam sujeitos da história e não meros assistentes ou beneficiários.

Por fim, um novo mundo não terá rosto humano se não se reger por valores ético-espirituais compartidos, na base da contribuição das muitas culturas, junto com a tradição judaico-cristã.

Todos esses passos possuem muito de utópico. Mas sem a utopia afundaríamos no pântano dos interesses privados e corporativos. Felizmente, por todas as partes repontam ensaios, antecipadores do novo, como a economia solidária, a sustentabilidade e o cuidado vividos como paradigmas de perpetuação e reprodução de tudo o que existe e vive. Não renunciamos ao ancestral anseio da comensalidade: todos comendo e bebendo juntos como irmãos e irmãs na Grande Casa Comum.

Leonardo Boff é teólogo e filósofo e autor de Virtudes para um outro mundo possível, 3 vol.Vozes 2009.

Fim do mundo, por Elton Simões


Em uma das entradas da Universidade de Victoria, sempre encontro um sujeito que, todos os dias, garante que o fim dos tempos está chegando. Segundo ele, a conspiração armada por Satã inevitavelmente resultará em nossa extinção.

Ele não é muito especifico em relação à data ou às circunstancias do fim. Também não consegui entender muito bem porque Satã estaria provocando o fim do mundo, nem o que ele fará com seu tempo vago depois que o mundo acabar. Mas o fato é que ele garante que o fim dos tempos está próximo. Muito próximo.
Já lá se vão três anos que esse sujeito está por ali. Talvez ele e eu tenhamos noções diferentes sobre o que é “próximo”. Eu, cá do meu lado, diria que três anos já é tempo suficiente para abalar sua credibilidade como profeta. Ele provavelmente discorda e por isso fica ali pregando o fim do mundo com data marcada, mas não divulgada.


Parece que denunciar conspirações é uma ocupação popular nestes dias em que o imediatismo reina. Ligada à fornalha da curiosidade, a sede insaciável por entretenimento demanda roteiros de histórias com desfechos rápidos e emocionantes condensados em algumas horas, como se fosse um filme.
Explicar tudo através de tramas e conspirações com desfechos inevitáveis onde cada um de nós é um espectador ou participante involuntário torna tudo mais fácil de ser justificado.
Seja lá como for a vida não é nem tão dinâmica, nem pode ser editada ao sabor da nossa sede de novidades. A existência é construída em pequenos atos diários, constantes e, na maior parte das vezes, sem qualquer glamour.
Esses atos vão, a cada segundo, minuto após minuto, construindo a trajetória e a identidade de cada um de nós.
A essência de cada um se revela todos os dias. É com tempo, consistência e valores que se constroem as trajetórias. Erros e acertos se misturam com tropeços e reerguimentos e, a cada passo, moldam aquilo que somos ou nos tornamos.
A construção das coisas verdadeiramente importantes acontece em velocidade lenta e imperceptível. Por isso, tudo o que é bom é também frágil e precisa ser cuidado. O patrimônio ético de cada um é conquistado diariamente, a cada segundo, em cada decisão, por menor que seja.
É a somatória das ações de cada um que forma a jornada da existência. Credibilidade e honra são patrimônios que demoram a ser construídos, mas cuja posse é precária. Credibilidade se constrói em capítulos, mas se perde em parágrafos. Honra é aquilo que ninguém dá e ninguém toma.

Elton Simões mora no Canadá há 2 anos. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria). Email: esimoes@uvic.ca.

Receita de pizza - José Henrique Calazans

Dissolva dois tabletes de hipocrisia
numa porção de promessas não cumpridas.
Acrescente uma xícara e meia
de descaso e oportunismo.
Tempere com caixa dois à gosto
e não esqueça de rechear bem os bolsos
com bastante dinheiro público.
Leve ao Congresso por tempo indeterminado
e você terá todo o sabor
do político tipicamente brasileiro.

José Henrique Calazans, carioca, 26 anos. Em 2009 lançou o livro de poemas Quem vai ler esta merda?, cuja 2ª edição será lançada este ano. Publicou em várias revistas e coletâneas, incluindo a antologia luso-brasileira Um rio de contos. Integra o Livro da Tribo desde 2008. É membro do grupo de poesia Farani 53

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Museu do Almirante ; d'o Ancelmo

Começam em agosto, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, as obras do Museu João Cândido  (1880-1969), o “Almirante Negro”, eternizado no samba de João Bosco e Aldir Blanc.
O líder da Revolta da Chibata viveu seus últimos dias ali. O museu terá o formato de um navio.


Agora é HISTORIA, eu conto:
comecei a trabalhar, (para patrão e com salario) em 1959. Primeiro emprego na Editora Irmãos Pongetti, entregador de livros.
Empacotava os pedidos das livrarias pela manhã, entregava (de bonde) à tarde.
Um dos livros editados foi este--A Revolta da Chibata, de Edmar Morel-- no lançamento, estava presente e conheci o João Cândido, a quem pedi que autografasse um exemplar (depois descontado em meu salario...) o que êle fez. Era um negro desempenado e simples--como são os VERDADEIROS grandes homens.
Nunca esquecerei a sua singeleza e simplicidade.
Respeitado até hoje, isso é que importa.
Embora tenha vivido e falecido na pobreza material, no suburbio do Rio, não se queixava--tinha acabado com a chibata na Armada e permanecera o ALMIRANTE mais lembrado e amado da marinhagem do BRASIL----.
Disse, quem quiser que conte mais---APS

Pensamentos instigantes

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Bertold Brecht

Nossos pobres pelo olhar estrangeiro, n'o Ancelmo


Dois importantes intelectuais estrangeiros — o escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942) e a poetisa americana Elizabeth Bishop (1911-1979) viveram no Brasil mais ou menos na mesma época e tinham um olhar muito parecido sobre nossa gente humilde. 

Veja o trecho desta carta que o autor de “Brasil, país do futuro” escreveu a Manfred e Hanna, irmão e cunhada de Lotte, sua mulher (veja o casal na foto), em outubro de 1941, e que consta do livro “Stefan e Lotte Zweig, Cartas da América — Rio, Buenos Aires e Nova York, 1940-1942”, lançado na semana passada pela Versal Editores: 

“Aqui as pessoas pobres são tão boas como vocês nem podem imaginar; nossa empregada negra é silenciosa (agora ela começou a cantar), ativa, limpa e agradecida a nós por estar conhecendo coisas que ela nunca teria oportunidade de conhecer na vida — para ela, batata já é um luxo, e peixe é um animal desconhecido. Ela leva nossas latas vazias para casa como tesouro e as usa lá como copos. Mas, apesar disso, ela é limpa e possui a civilização e a humanidade inatas que admiro tanto aqui neste país.” 

Também despertou a curiosidade de Elizabeth Bishop a “intimidade agradável” com as pessoas que trabalhavam para o casal, paradoxo que conduziu a escritora, como lembrou o coleguinha Roberto Pompeu de Toledo num artigo, à seguinte conclusão: “O Brasil é o lugar mais democrático que já conheci, sob certos aspectos.”

“A escritora”, prossegue Pompeu, “se encantava por ser tratada pelas empregadas e empregados de ‘minha senhora’ e, no momento seguinte, ‘minha filha’. ” Aliás, ela estimulou uma de suas empregadas, a baiana Madalena dos Santos Reinbolt (1919-1977), a se transformar numa artista plástica popular de sucesso. 

Uma curiosidade. Tanto Zweig como Bishop moraram em Petrópolis. O austríaco viveu num casarão na cidade, onde se suicidou em companhia da mulher, Lotte, há 70 anos, e que se transformou num museu graças a um grupo de abnegados — entre os quais, o jornalista Alberto Dines. 

Já a americana construiu uma casa com sua companheira, Lota Macedo Soares, na antiga Fazenda Samambaia — que, aliás, foi projeto premiado do arquiteto Sérgio Bernardes. Mas aí é outra história.

domingo, 29 de julho de 2012

Obrigado Amarildo! Temos de tudo.......


Mais de mil ativistas invadiram prédio público e viraram carros no leste do país

QIDONG, China - Autoridades chinesas cancelaram neste sábado um projeto de um duto de dejetos industriais depois que cerca de mil manifestantes ocuparam um edifício público no leste da China, destruindo computadores e revirando carros. Zhang Guohua, prefeito da cidade de Nantong, responsável pela obra, divulgou um comunicado no qual afirma que iria desistir da construção da tubulação, cujo objetivo seria lançar no mar a água usada por uma fábrica japonesa de papel, perto da cidade de Qidong, onde ocorreram as manifestações
- O governo diz que os dejetos não vão poluir o mar, mas se isso fosse verdade, por que eles não os jogam no rio Yangtsé? - disse a manifestante Lu Shuai, de 25 anos, que trabalha com logística - É que se eles lançarem no rio, haverá impacto em Xangai e as pessoas de Xangai vão se opor - reforçou a ativista.
Vários manifestantes entraram no principal edifício governamental, onde danificaram computadores, reviraram mesas e jogaram documentos pelas janelas, enquanto a multidão do lado de fora gritava em apoio. A Reuters presenciou cinco carros e um micro-ônibus sendo revirados.
Pelo menos dois policiais foram arrastados pela multidão e espancados a ponto de ficarem sangrando. As preocupações com o meio ambiente têm desencadeado reivindicações de mais direitos para os cidadãos e mais consultas por parte das autoridades da China, país fortemente controlado pelo Partido Comunista, o único legal.
O protesto foi o último de uma série de revoltas desencadeadas pelo temor de degradação ambiental e é uma evidência das tensões sociais que o governo chinês enfrenta, num ano em que haverá transição no poder. Esse foi também o segundo cancelamento de um projeto industrial este mês como resultado da pressão de manifestantes.
Comentario meu--consciência ecologica progressa....entre os homens. Bem haja!

Meu Brasil brasileiro--também sou ufanista!!


Primeira medalha de ouro em Londres, formada, treinada e residente no PIAUI (capital Teresina) gente!! Prova que o brasileiro não se entrega! E hà-de fazer um grande pais, humano, ordeiro e democratico. Não duvidemos! Lutar é preciso!

CRIME E POLÍTICA ou last but not least.....de Jorge Antonio Barros.


O mensalão em 21 charges de Chico Caruso 

Se o Brasil é realmente um país sem memória, o arquivo do jornal não. 
Para relembrarmos o que foi o mensalão, às vésperas de seu julgamento pelo STF -- sete anos depois de ter vindo à tona, vale a pena ver de novo algumas das melhores charges de Chico Caruso, um dos maiores intérpretes da cena política brasileira. Um dos pioneiros a publicar charges na primeira página, no GLOBO, Chico tem um olhar sagaz sobre a história recente do Brasil. E o mensalão é um capítulo que foi acompanhado praticamente ano a ano.

2005
 
12 de junho: cinco dias depois que veio à tona a delação de Roberto Jefferson 
 
8 de junho: -- É tudo invenção -- diz Delúbio
-- Ah bom! -- replicou Lula
 
28 de junho: COMPASSO DE ESPERA (2) - Difíceis dias estes em que a única coisa que muda no Planalto é o figurino do Márcio Thomas Bastos...
 
12 de agosto: "E no show do Moulin-Rouge" 
 6 de junho - Roberto Jefferson grita: "Madeira!!!"
 

10 de agosto: Jefferson descasca Marcos Valério


 
 24 de outubro
2006


 5 de fevereiro:  Segue o Baile - Vamos relembrar o grande Gonzaguinha: "Começaria tudo outra vez..."

28 de fevereiro


16 de março: o publicitário Duda Mendonça é um túmulo
11 de maio de 2006 - Lula e Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT acusado de ter ganhado uma Land Rover e ter sacado mais de R$ 4 milhões das contas de Marcos Valério

 
 Novembro: Berzoini, Gushiken, Genoíno e José Dirceu

2007


 2 de julho: -- Ouçam meu conselho: o principal não é o fato, é a versão! -- diz Jefferson 

27 de agosto:  -- Não se preocupem, esse julgamento ainda vai dar muito pano para mangas...

2009


 

 24 de março: Marcos Valério e José Dirceu

2011

12 de setembro

22 de dezembro
 
23 de dezembro
 
26 de dezembro

2012


Sexta-feira, dia 27 de julho
É uma boa hora para se reler "Memorial do Escândalo -- Os bastidores da crise e da corrupção no Governo Lula" (Geração Editorial), de Gerson Camarotti e Bernardo de La Peña, o coleguinha emérito da turma da coluna. O livro-reportagem foi publicado no calor da hora, em novembro de 2005

sábado, 28 de julho de 2012

Marina Silva revela orgulho por integrar festa olímpica


Brasileira é apresentada como 'líder e referência na luta pela proteção ao meio ambiente'

JAMIL CHADE - Agência Estado

LONDRES – Marina Silva rouba a cena da presidente Dilma Rousseff em Londres. Entre as surpresas guardadas a sete chaves pelos organizadores dos Jogos estava a participação de Marina entre as personalidades mundiais para carregar a bandeira olímpica no estádio em Londres. Apresentada como” líder e referência na luta pela proteção ao meio ambiente”, Marina não disfarçava o entusiasmo ao terminar de carregar a bandeira.  “Levei ao estádio a mensagem de que a paz se faz com a proteção do meio ambiente”, disse em entrevista ao Estado.

Marina sorri carregando a bandeira olímpica - Jonne Roriz/AEJonne Roriz/AEM
Marina sorri carregando a bandeira olímpica
Emocionada por ter sido acompanhada por milhões de pessoas pelo mundo, a brasileira confessou que não conseguia falar. Marina estima que levou para os Jogos a mensagem de que existe hoje no mundo “a possibilidade de quebrar com paradigmas de crescimento e estabelecer novos padrões”. Marina levou a bandeira ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, do maestro Daniel Baremboin e de premios Nobeis da Paz. 
Se na ala VIP Dilma teve de ficar de pé para aplaudir os atletas entrando no estádio, ao lado da filha, e foi mostrada por apenas alguns segundos, Marina ganhou os holofotes mundiais por vários minutos, enquanto desfilava com a bandeira. Marina revelou que só recebeu a confirmação de que seria convidada na última terça-feira. Na quarta viajou para Londres e conta que foi mantiva em um local discreto. “Ficamos concentrados. A ordem era sigilo total sobre como seria o evento”, contou. Segundo ela, nem Dilma, que representa o país anfitrião dos próximos Jogos de 2016, sabia de sua presença.
Ao passar por Mohamed Ali, Marina comoveu muitos ao lhe fazer um gesto de carinho. 'Ele representa todo o esforço do mundo e a prova de que não há limites para a humanidade", completou. 
Para a brasileira, a relação entre a proteção ambiental e os Jogos é evidente. “As Olimpíadas se referem a uma competição que não gera uma perda traumática e é essa competição saudável que precisamos ter no mundo”, disse. “A ideia é a de que se pode conseguir harmonia e crescimento e usar o palco olímpico para passar essa mensagem é algo maravilhoso”, disse.

Desgaste inevitável, por Ruy Fabiano


O julgamento do Mensalão, que começa daqui a cinco dias, ainda que não dê em nada (como receia boa parte da população), já é um revés considerável para a imagem do PT e do ex-presidente Lula.

A transmissão direta pela TV confere às sessões do Supremo Tribunal Federal contornos de espetáculo político, a condicionar e moldar o comportamento de juízes, advogados e promotores.
Cada qual, mesmo escondendo-se atrás de uma linguagem cifrada, o juridiquês, sabe que está sendo visto e avaliado por milhões de espectadores. A mídia se encarrega de traduzir o que cada qual diz e a oposição reverbera os aspectos mais negativos.
Em ano de eleição, isso é trágico, o que explica o empenho frustrado de Lula em procurar ministros do STF em busca de adiamento, que levaria à prescrição de boa parte das acusações.
Lula, embora não seja réu, é personagem central de toda essa história, seja porque ocorreu em seu governo, seja porque a negou, seja porque é acusado de ser o seu mentor – ou por tudo isso somado.
Embora tenha indicado nada menos que sete dos onze ministros – incluindo um ex-advogado do PT, José Antonio Toffoli, e um amigo da família, o relator revisor Ricardo Lewandowski -, não tem qualquer segurança de que os trabalhos serão conduzidos favoravelmente.
O fator imponderável chama-se opinião pública. Lewandowski, por exemplo, teve que acelerar seu relatório em face das pressões que recebeu dos próprios colegas de tribunal. Havia dito, mais de uma vez, que não tinha pressa para concluí-lo. Chegou a cogitar de entregá-lo no ano que vem, mas acabou cedendo às reações.
Além dos casos pontuais que serão examinados, estará em jogo o caráter bipolar do PT, que surgiu e se firmou como uma espécie de vestal da política brasileira, fiscal da moral alheia e que, ao chegar ao poder, transformou-se no seu antípoda, levando ao paroxismo as piores tradições da vida pública brasileira: alianças espúrias, aparelhamento do Estado, corrupção ativa e passiva. O Mensalão é a síntese desse comportamento.
Há quem argumente que, se ao tempo em que foi denunciado, o Mensalão não impediu que Lula se reelegesse, por que agora faria diferença? Simples: Lula foi então beneficiário de dois fatores convergentes: de um lado, o temor de envolvê-lo e provocar turbulências sociais (Roberto Jefferson, o denunciante, o proclamou inocente); de outro, o boom econômico e a febre de consumo que estimulou.
A esses fatores, se agregou a avaliação equivocada da oposição de que Lula sangraria em público e que até um poste o derrotaria nas eleições. Era o que proclamava na época o senador Antonio Carlos Magalhães, que procurou o então presidente da OAB, Roberto Busato, pedindo-lhe que não encaminhasse à Câmara dos Deputados o processo de impeachment. O Conselho Federal da OAB acatou o pedido.
Hoje, o quadro é outro. A economia já não está em alta e os denunciantes, como Roberto Jefferson, não hesitam em atribuir a Lula o comando do Mensalão. Podem até não dispor de provas que o levem às barras da Justiça, mas o expõem a um desgaste incontornável, na medida em que há verossimilhança na acusação.
Como poderia Lula, que dirige o PT com mão de ferro desde sua fundação, ignorar operações de tal magnitude?
Não bastasse, José Dirceu, apontado pelo procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, como “chefe da organização criminosa”, disse mais de uma vez que tudo o que fez foi com “o conhecimento e o consentimento do presidente”.
Essas e outras declarações serão relembradas ao longo das sucessivas sessões do STF, nos discursos da tribuna do Congresso e nos inevitáveis replays que infestarão as TVs e a internet.
Ainda que as figuras maiores do PT sejam absolvidas, não escaparão do desgaste que essa história lhes impõe. A presidente Dilma, ciente disso, mantém prudente distância do problema, ainda que, de forma indireta, tenha sido dele beneficiária. 
Ruy Fabiano é jornalista
Comentario meu: todo sonho de Justiça e Liberdade tem um dia seu fim anunciado.O "predador" homem não muda, senão forçado por circunstâncias. Este julgamento representa, para mim ex-sindicalista "autêntico" com mandato cassado pela ditadura dos covardes; o fim de mais uma epopeia trabalhadora e operativa, pela propria Liberdade. Não pela "boquinha" conveniente e passageira. Qual, alias, como tudo.........passa.
Tenho pena dos velhos companheiros mas espero justiça pros oportunistas. Aqueles que nunca aprenderam, na cadeia, a enrolar um de palha, mas povonearam anos com "cohibas" entre dedos.

Julgar o STF? Claro que não. Mas avaliá-lo? Claro que sim. Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa


Se a ministra Eliana Calmon disse que só conhece o processo do mensalão pelos jornais, imagina uma simples cidadã como eu. Ou você?
E, no entanto, palpitamos a plenos pulmões, com a facilidade que nós, brasileiros, temos para, em poucas leituras, nos tornarmos experts em tudo. Um primo que foi um gato hetero e requisitadíssimo desde o berço, apaixonado por futebol, durante os jogos da Copa do Mundo preferia ver um argentino ao seu lado que a mais linda das moças. “Durante a Copa, elas se acham mais que o João Saldanha e falam mais asneiras por minuto do que meus ouvidos toleram...”
Assim somos...
Sábado retrasado fui a um almoço cujo prato principal era uma feijoada, acompanhada do bósom de Higgs. Fiquei espantadíssima ao ver amigos de infância e adolescência de repente professores do Stephen Hawkins. E no último sábado fui a um cozido acompanhado do julgamento do mensalão. No meio da algaravia que se seguiu, a sala cheia, percebi dois calados: o dono da casa, Procurador da República aposentado, e eu.
Não pensem que me calei por um inesperado acesso de bom senso. Não, nada disso. Ando deprimida, sem ânimo para discutir. Simples assim.
Mas, e nosso anfitrião? Inquirido, sorriu e disse: Estou só aprendendo, só aprendendo. E espantado ao ver como circularam os volumes do processo. Todos aqui parecem ter lido tudo!
Daqui a poucos dias entraremos numa espécie de moenda: os meritíssimos começarão por debater se apenas 3 dos 38 reus podem ser julgados pelo STF! Com essa eu não contava... Não acredito que essa discussão vá dar frutos, mas dizem que talvez sirva para balizar de vez a questão. Tomara.
Creio que o STF honrará seu papel. Saberá respeitar nossos valores e cumprir o que diz o Livrinho. O contrário seria a morte de nossa democracia.
Só uma dúvida roi meu espírito: o ministro Dias Toffoli. Muito jovem, em primeiro lugar, para ocupar o lugar que ocupa. Mas juventude não é defeito, nem doença. Já a falta de preparo para o cargo, essa é um imenso defeito e demonstrativo de doença grave: o excesso de vaidade.
Será que um simples bacharel em Direito, duas vezes reprovado em concurso para juiz estadual em São Paulo, tem condições de julgar na mais alta corte do país um processo no qual figuram pessoas que foram seus chefes, já que ele foi, entre outras coisas, advogado do PT?
Por mais que me esforce, não consigo acreditar que a sabedoria jurídica necessária num processo dessa monta se aprenda por osmose. E sei que nunca o peso da opinião pública foi tão real – pois trata-se de opinião formulada por nós mesmos nas diversas redes sociais.
Não vamos julgar o STF, mas que vamos avaliar sua atuação e a de seus componentes, disso estou certa. E a hora é essa

Revolução de Outubro, o proximo, insista não desista!!


Chico Buarque grava programa para Freixo ( deu no Ancelmo)

 
 O cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda gravou hoje em seu apartamento, no Leblon, a sua declaração de apoio à candidatura de Marcelo Freixo (PSOL) a prefeito do Rio de Janeiro. Essa será a sua participação no programa eleitoral da campanha de Freixo, que vai ao ar a partir de agosto. O artista também garantiu que vai se engajar na campanha. Já a estratégia do prefeito Eduardo Paes, que está em primeiro lugar nas pesquisas, com 54% da intenção de votos, será conquistar o voto dos sambistas, no segmento mais popular(atenção: êle proprio pertence à Ala dos Compositores, na Portela...). Esta semana ele almoçou com o grupo DNA do Samba, dona Ivone Lara, Nelson Sargento e Monarco, entre outros bambas

Se liga malandro!


SP: ligações para celular deverão ter o dígito 9 antes do número local

A partir do próximo domingo (29), as 42 milhões de linhas de celular existentes em São Paulo terão nove dígitos. A mudança foi anunciada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em janeiro. Serão 90 dias de adaptação, e neste período as ligações poderão ser realizadas com ou sem o nono dígito. Após a conclusão dos 90 dias, nenhuma chamada com oito dígitos para telefones móveis de área 11 será completada. Para o usuário, basta colocar o número 9 na frente do número de celular que deseja contatar. Para a Anatel a mudança é significativa, pois com o nono dígito serão possíveis 90 milhões de combinações, o que permitirá a venda de novas linhas por mais alguns anos.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A sombra presente, por Miriam Leitão


Não direi que um fantasma ronda a Europa. Ele já chegou. Não assombra apenas a Zona do Euro, atinge também o Reino Unido. Os ingleses tiveram o terceiro trimestre de encolhimento do PIB e temem a perda da classificação de triplo A. A Espanha admite que o inevitável bate à porta: o país vai quebrar pela falência múltipla das regiões autônomas. Sem qualquer autonomia de voo, elas pedem socorro à União, que também pede socorro.

As partes da Espanha querem ser financiadas pelo Estado espanhol, que está sendo socorrido pelo comando da Zona do Euro. Até agora, o socorro não é direto. Tentou-se a ficção da ajuda aos bancos, que foi aprovada no final de junho, mas ainda não implementada. Agora, com as dificuldades das suas partes, é a própria Espanha que está totalmente encrencada.
O Reino Unido comemorava o fato de estar livre do peso da moeda comum e fazia admoestações à Alemanha por erros na condução da crise. Mas também tem alto endividamento, também tem gastos excessivos e, ontem, foi anunciado o terceiro trimestre de queda do PIB, confirmando a recessão. O número de -0,7% para o segundo trimestre do ano foi maior do que o previsto e provocou vários debates no país, além de elevar os temores de que a nota de risco possa ser rebaixada.
Mas existem diferenças. A Inglaterra sofre a crise em forma de recessão. O governo conservador vive a ironia de governar um país menor do que o que recebeu dos trabalhistas, aos quais tanto acusou de não saber administrar a crise. O que acontece na Espanha é uma crise de confiança, o risco da insolvência. Ontem, José Antonio Herce, sócio da consultoria AFI (Analistas Financeiros Internacionais) e professor de Economia da Universidade Complutense de Madri, admitiu em conversa com Valéria Maniero que a crise espanhola passou para uma nova fase. O momento atual foi consequência da demora das decisões, da piora da recessão econômica e do pedido de socorro das regiões autônomas.
— O risco mais grave é de uma estagnação da atividade e do emprego que dure anos. Isso é o que aconteceria se o Tesouro precisasse ser resgatado, e há probabilidade alta de que isso aconteça — disse Herce.
Ele acredita que com o colchão de liquidez que tem, o país aguenta até o outono — que começa no fim de setembro, mas não mais do que isso. A tentativa — aparentemente inútil — de evitar o resgate do país é para não submeter a Espanha a medidas de cortes ainda mais severas. As atuais já levaram o país a dois anos de recessão. O fantasma agora é de novos e mais profundos ajustes determinados pelos credores, através da chamada troica, que fiscalizariam as contas em caso de resgate. A Espanha tem pouquíssima chance — se é que tem alguma — de evitar o resgate pela Zona do Euro.
Ontem, a empresa espanhola Telefônica anunciou em Madri que vai suspender o pagamento de dividendos e cortar uma parcela dos salários dos altos executivos como parte do processo para se proteger da crise do país. 
A Catalunha tem 7,5 milhões de habitantes, representa 16% da população espanhola, 18,7% do PIB, mas é a região mais rica. A renda per capita é 17% superior à do conjunto da Espanha. É a mais endividada, 21% do PIB, acima de Valência e Castilla-La Mancha, por exemplo. A importância econômica da Catalunha para a Espanha é enorme.
O que Patricia Gabaldón, do IE Business School, escola de Negócios de Madri, contou ilustra bem como são esses eventos. Há sempre um círculo vicioso. No caso: a crise fez com que a capacidade de arrecadação das regiões caísse e elas tiveram dificuldade de cumprir seus compromissos financeiros; como a falta de confiança dos mercados eleva o custo da dívida, essas regiões ficaram sem capacidade de se financiar.
— Ao pedir financiamento ao Fundo de Liquidez, as comunidades autônomas terão que enfrentar condições orçamentárias duras. Uma parte importante do ajuste espanhol é transferida para as regiões. Dado o nível de dívida que já tinham, não são capazes de fazer frente aos compromissos — diz Patricia Gabaldón.
Não há solução de curto prazo para nenhum desses países em dificuldade. A Grécia caminha para sair da Zona do Euro. Hoje, os economistas se dividem apenas sobre em quanto tempo isso ocorrerá. A maioria das apostas é para o ano que vem. Isso, que antes parecia ser um grande problema, já se dá hoje como favas contadas. 
A complicação da Espanha é que o país é grande, o quarto maior, já vinha adotando medidas de austeridade que não funcionaram e está com um quadro social dramático pela dimensão do desemprego.
— A verdadeira tragédia para a Espanha e para a Europa seria deixar que as coisas chegassem ao ponto extremo em que estivesse comprometida a própria sobrevivência do euro. Isso é algo que as futuras gerações teriam o direito de censurar na atual geração de líderes europeus, que estão se mostrando dramaticamente incapazes de controlar os problemas — disse José Antonio Herce.
O fantasma da crise econômica profunda que, por contágio, atinge vários países já é uma realidade entre os europeus. O que ainda ronda a região é o do colapso da experiência de uma moeda comum.