sábado, 30 de junho de 2012

Eike tem crediário recusado na Ricardo Eletro


HUMOR-----The i-piauí Herald
RIOX - Após queda de rendimento nas ações de todas as empresas terminadas em X - como OGX, BMX, MMX, McDonaldX, PhllipX e LeviX -, o megaempresário Eike Batista fez uso de seu network em busca de novas fontes de financiamento. Não logrou êxito no segundo páreo do Jockey Club, onde perdeu 150 reais, tampouco conseguiu arrecadar fundos com a venda de rifas no centro de São Gonçalo.
Aturdido e desencorajado, Eike tentou, em vão, recorrer a um crediário na Ricardo Eletro. "Não conseguiram aprovar meus comprovantes de renda", reclamou o bilionário.
Sem alternativas, Eike tentou acalmar o mundo através de uma vídeo-conferência traduzida para 73 idiomas e convertida, simultaneamente, para 65 moedas locais. "Eu me casei com a Luma e eduquei o Thor. Não há crise que eu não saiba superar", argumentou. Imediatamente, todas as bolsas mundiais entraram em convulsão.

Contrariado, Eike anunciou sua adesão ao comunismo de resultados: "Funciona para o Lula, pode funcionar comigo" 

Para salvar seu Império e conquistar mais tempo de TV, Eike cogitou uma coligação com Paulo Maluf. O ex-prefeito já mandou avisar: "Só se vier conversar e tirar foto comigo chez moi!".
No final do dia, Eike foi visto pedindo dinheiro emprestado a garçons do Cervantes

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Notícia boa: a inflação recua; a ruim: o crescimento também, por Miriam Leitão


Foi divulgado hoje o relatório de inflação do BC. A projecão de crescimento do PIB em 2012 caiu muito, de 3,5% para 2,5%. Seria uma taxa menor do que a do ano pasado, de crescimento ruim.

Segundo o BC, a produção agropecuária foi muito afetada negativamente. Além disso, a indústria está fraca; os serviços, mais fortes, e o investimento, baixo. O BC diz que nos próximos trimestres o investimento deve se recuperar, tomara que esteja certo; mas até agora, está baixo.
Os dados de queda da inflação são bons. Este ano tem tido comportamento melhor do que no ano pasado. Assim, os juros podem continuar caindo.
O governo já fez vários pacotes, mas a economia, que está muito fraca, não teve reação. Parte disso é efeito de um quadro internacional pior do que o imaginado.
A Europa cotinua o centro dos problemas, mas ainda pior. Nos EUA, há duvidas sobre a retomada do crescimento. Na parte mais dinâmica do crescimento mundial, China e Índia desaceleram. Tudo isso cria uma frente fria que ajuda a puxar a economia para baixo.
A notícia boa é que a inflação está em queda. A ruim é que o crescimento também está.
O desemprego vem caindo bastante, mas o BC diz que é preciso melhorar a mensuração da taxa. A PME, do IBGE, é muito parcial. O mercado de trabalho melhora num ritmo menor.

O jornalista ético e a hipocrisia na política-- Por João Dell’Aglio



“Hoje, pedi demissão do site Bocão News, onde trabalhei nos últimos três meses. Escrevi, com base em dados oficiais, uma matéria que mostrava o crescimento exponencial dos gastos com publicidade do governo Wagner. Para minha surpresa, cerca de uma hora após a matéria ter sido postada, ordens da chefia chegaram até a redação para que a reportagem fosse retirada do ar. De maneira truculenta e desrespeitosa, fui comunicado da decisão por terceiros através de mensagens de texto via celular. Também me foi dito que, por interesses econômicos e por pressão do ‘democrático’ governo petista, a ordem era irrevogável. Diante disso, não poderia agir de outra forma. Não se trata de querer bancar o herói, mas a demissão era a única saída honrosa. A coerência, a dignidade e a liberdade são valores inegociáveis para mim...”
Este texto foi escrito por um jovem repórter baiano, Guilherme Vasconcelos, de 22 anos, e postado semana passada em um blog de origem regional (blogdobrown), de onde caiu nas redes sociais, principalmente nas contas pessoais de jornalistas da Bahia. O desabafo de Vasconcelos expõe de maneira clara o quanto políticos inescrupulosos ditam as regras a serem seguidas pela mídia baiana. Trata-se de um problema enfrentado dia após dia por grande parte dos nossos jornalistas. Na realidade, trata-se de um câncer que maltrata a ética e acaba por assassinar a tão sonhada liberdade de imprensa nas terras de Gabriela, dos coronéis e seus capangas.
O motivo pelo qual o jornalista pediu demissão do site baiano é gravíssimo e certamente atinge outras searas midiáticas, portanto merece profunda reflexão. Necessita ser discutido nacionalmente e com mais intensidade tanto pelos profissionais que trabalham na área quanto por instituições que lutam pelo direito de livre expressão em nosso país.
Livre veiculação de notícias
Se o caso do quase anônimo Vasconcelos – que nos mostrou como deve agir um verdadeiro profissional – tivesse acontecido em algum grande veículo do eixo Rio-São Paulo, provavelmente, e merecidamente, teria ocupado as manchetes dos jornais, telejornais e sites com visibilidade nacional, até porque tudo o que aconteceu e acontece em nível regional, guardadas as devidas proporções, certamente já aconteceu e ainda acontece nacionalmente, da mesma forma e com os mesmos objetivos.
Atitudes arbitrárias como esta, praticadas seja onde for, devem ser investigadas e denunciadas não só pela grande imprensa comprometida com a defesa do Estado Democrático de Direito, mas também pelo Ministério Público, que tem o dever de atuarna defesa dos interesses sociais. O cidadão brasileiro tem o direito de saber o que se passa nos bastidores escusos que envolvem o mundo político e o midiático.
Ao mesmo tempo, os donos dos veículos de comunicação devem se profissionalizar e respeitar as normas éticas que norteiam a atividade jornalística. Eles precisam entender que a publicidade pode e deve patrocinar a imprensa, mas que esta mesma publicidade não tem o direito de cercear a livre veiculação de notícias, principalmente quando se trata de um assunto de relevante interesse social.
Hipocrisia e desrespeito
De acordo com a Declaração de Chapultepec, documento elaborado em 1994, no México, pela Sociedad Interamericana de Prensa e assinado por 44 chefes de Estado (inclusive pelo ex-presidente Lula, amigo e correligionário do governador da Bahia) e por dezenas de entidades internacionais, “nenhum meio de comunicação ou jornalista deve ser penalizado por difundir a verdade, criticar ou fazer denúncias contra o poder público”.
Acredito que o ato praticado pelo governo da Bahia pode ser definido como abuso do poder econômico, com objetivo explícito de cercear a livre expressão da atividade de comunicação – atividade esta protegida pela Constituição Federal de 1988, artigo 5º, inciso IX. É preciso, portanto, que providências urgentes sejam tomadas com o firme propósito de coibir, de uma vez por todas, esta prática ainda tão comum em um país carente de informações com conteúdo verdadeiro e de qualidade.
Ainda falando de coerência, dignidade e liberdade, e aproveitando a oportunidade, a postura assumida pelo jovem jornalista baiano contrapôs-se ao caso de alguns outros homens que se dizem brasileiros e que insistem em querer se valer do bom caráter e ingenuidade do povo para alcançar benesses, sejam elas quais forem, nas entranhas do poder público. Refiro-me, obviamente, ao encontro do ex-presidente Lula com o deputado federal Paulo Maluf na segunda-feira (18/6).Simplesmente os dois políticos, que até então se diziam inimigos irreconciliáveis, nos brindaram com a mais pura e cruel demonstração de hipocrisia, de falta de coerência política e de desrespeito para com o cidadão brasileiro.
Perda de confiança
Em um congraçamento nos belos jardins da casa do deputado mais procurado pela Interpol, acusado pelos crimes de conspiração, roubo de dinheiro público em São Paulo e auxílio na remessa de dinheiro ilegal para Nova York, entre outros, os dois senhores oficializaram uma esdrúxula adesão do Partido Progressista (PP) à chapa do pré-candidato Fernando Haddad (PT) a prefeito de São Paulo, simbolizado por largos sorrisos, abraços e apertos de mãos. Leitores e telespectadores ingênuos que defendiam um ou outro político, deste ou daquele partido, movidos, certamente, por ideologias infelizmente ultrapassadas, sentiram o chão tremer e desmoronar os seus castelos que abrigavam verdadeiros sapos trasvestidos de príncipes encantados.
A sensação que ficou na mente dos correligionários e eleitores do ex-presidente, com sua história política já conturbada pelas suas declarações estapafúrdias proferidas em diversas ocasiões, foi a de que – parafraseando um dito policialesco – a casa caiu. Do lado malufista, ao contrário, correligionários e eleitores festejaram mais uma artimanha bem sucedida do picareta-mor da política brasileira. Lula perdeu a confiança dos eleitores de todo um país em troca de 1m35s de tempo de TV na eleição municipal, enquanto Maluf, afastado por muitos anos do poder federal, ganhou, apesar de ter negado o fato, um cargo no Ministério das Cidades, onde pretende empossar o engenheiro Osvaldo Garcia, um dos seus pupilos.
Mais respeito
A lição que nos fica é a de que, tanto no mundo da mídia quanto no da política nada se perde, tudo se transforma. Se ACM foi o grande coronel da Bahia, Jaques Wagner parece ter ocupado o seu posto e Lula está se tornando o poderoso coronel do Brasil, considerando a prepotência com que o ex-presidente (des) tratou a atividade política brasileira ao dizer que não admite que a oposição chegue ao poder em 2014, como se o país fosse apenas um pequeno e desinformado feudo comandado inteiramente por ele.
Não milito na política e não compactuo com qualquer partido político. Sou apenas um jornalista, observador dos caminhos e descaminhos por onde o país trafega, portanto sinto-me à vontade para propor, tanto a Lula quanto a Maluf e a outros tantos que fazem da política brasileira um ninho de cobras, que se espelhem no jovem Guilherme Vasconcelos (isto se ainda houver um pouquinho de bom-senso em suas mentes maquiavélicas). Peçam demissão de suas atribuições políticas, e deixem o povo viver com o respeito que merece. Caso isto não aconteça, certamente, nas próximas eleições presidenciais, os cidadãos votarão em massa no deputado Tiririca para presidente do Brasil, mesmo se porventura não seja ele candidato ao cargo, e por um motivo muito simples: assim como o personagem interpretado pelo senhor Francisco Everardo Oliveira Silva, todos nós estamos nos sentindo verdadeiros palhaços do Gran Circo Brasil.
[João Dell’Aglio é jornalista, Salvador, BA

O ministro pouparia as tripas do risco de enfarte se não tentasse contentar o padrinho, por Augusto NUNES


O ministro Ricardo Lewandowski demorou mais de seis meses para revisar o relatório de Joaquim Barbosa sobre o processo, iniciado há cinco anos, que trata de um escândalo ocorrido há sete. Em países sérios, o doutor teria entregado a encomenda na calada da noite e pela porta dos fundos, para não ter de explicar a lentidão inexplicável. Como estamos no Brasil, pendurou-se num palanque imaginário, caprichou na pose de magistrado exemplar e cumprimentou-se pela performance.

“É o voto-revisor mais curto da história do Supremo Tribunal Federal”, fantasiou. “A média para um réu é de seis meses”. Se é assim, comoregistrou o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, Lewandowski precisaria de 19 anos para resolver o que fazer com cada um dos 38 envolvidos. Para evitar que fosse decidido só em 2031 o destino dos pecadores sobreviventes, o ministro jura que  andou trabalhando 20 horas por dia.
Pelo menos não lhe faltou companhia, informa a folha de pagamento do Supremo. Além do chefe de gabinete, do recepcionista e de três agentes de segurança, a pequena multidão de funcionários subordinados ao ministro inclui pelo menos 17 analistas judiciários, 4 técnicos judiciários, 3 técnicos em secretariado, 1 procurador federal e 1 assistente administrativo. “Eu fiz das tripas coração para respeitar o que foi estabelecido pela Suprema Corte”, elogiou-se Lewandowski.
Não fez mais que a obrigação ─ com um dia de atraso. E teria poupado as tripas do risco de enfarte se não tivesse esperado tanto tempo para colocar no papel o que está pronto na cabeça desde o dia em que chegou ao Supremo. “Nenhum ministro sofreu tantas pressões”, lamuriou-se. O presidente do STF, Ayres Britto, limitou-se a cobrar respeito ao cronograma combinado. Os brasileiros decentes limitaram-se a cobrar respeito à palavra empenhada. São cobranças legítimas.
Nada a ver com as pressões criminosas feitas pelo padrinho Lula. No começo do ano, como revelou na desastrada conversa com o ministro Gilmar Mendes, o ex-presidente que se acha inimputável visitou o afilhado no condomínio em São Bernardo para pedir-lhe que retardasse o julgamento do mensalão até 2013. Ou, se possível, até o século 22. A reação do país que presta e as ponderações dos colegas menos insensatos dissuadiram Lewandowski de atender ao pedido.
Terá de esperar a hora da votação para mostrar que sabe ser grato. Como sabe até o cabide em que pendura a toga, o ministro vai absolver os peixes graúdos ─ “por falta de provas” ─ e distribuir castigos de mãe entre meia dúzia de alevinos. Isso se sentir a faca roçando o pescoço. Caso lhe pareça segura a distância que separa a sede do STF do mundo real, poderá até decretar a absolvição póstuma de José Janene.
E talvez se anime a proclamar a inocência do Silvio Pereira, fixando em seguida a indenização que o Estado tem de pagar ao ex-secretário geral do PT. Mensaleiro juramentado, Silvinho Land Rover se submeteu a um período de trabalhos comunitários em troca da exclusão do processo. O que torna o caso especialmente intrigante é que foi o acusado quem propôs o acordo. Se os parceiros de quadrilha escaparem por falta de provas, Silvinho terá purgado pecados que não cometeu. Aliás, nem existiram.
Nessa hipótese, o mundo será apresentado à mais recente maravilha da fauna brasileira: a vítima voluntária de um grave erro judicial.

Alianças esdrúxulas, por Murillo de Aragão


Em um bom artigo da Folha de S.Paulo da semana passada, a senadora Marta Suplicy condena as alianças “estapafúrdias” e aponta para o esgotamento do que chama de “realpolitik”. Marta se refere à aliança de Haddad (PT) com Maluf e, ainda, de Serra (PSDB) com o PR de Alfredo Nascimento. Todas ocorridas na disputa eleitoral municipal.
Em que pese Marta dar mais um troco por ter sido preterida como candidata do PT à Prefeitura paulista, sua observação é mais do que válida. Porém, apesar dos riscos de rejeição do eleitorado às alianças estapafúrdias, nada vai mudar tão cedo na política brasileira.
Adversários de ontem são, hoje, amigos de infância e, quem sabe, inimigos amanhã. Tudo depende dos ventos do poder. Quem pode ajudar mais é o que interessa, independentemente de seu passado ou sua trajetória.
Na essência, somos todos mais ou menos iguais em nossa visão de Estado, de governo e de sociedade. A maior parte do universo político-partidário nacional gosta de Estado forte, verbas públicas, poder burocrata e intervenções regulatórias.
Sendo assim, é muito fácil adaptar programas a ambições, e vice-versa. Maluf e Lula são homens de poder, tanto quanto Serra e Nascimento.
O que importa, como diria um velho político nordestino, “é o pudê”!
A lógica está presente em muitos momentos da vida política nacional. O que vale é ganhar o poder, independentemente dos compromissos e das alianças. Basta ler obras como Getúlio, de Lyra Neto, ou João Goulart, de Jorge Ferreira, para vermos episódios semelhantes no passado brasileiro.
Infelizmente, o modelo não vai se esgotar, ainda que tenha limites claros. Eleitores mais esclarecidos tendem a repudiar alianças esdrúxulas.
No entanto, a maior parte não está interessada em tomar partido a respeito de decisões da politicagem desde que o tema ou as pessoas não estejam com a imagem “carbonizada” pela mídia eletrônica no momento da decisão.
Em regra, passando o tempo e diminuindo a ira midiática, qualquer um pode ser aliado de qualquer um. Basta um bom motivo eleitoral. Caso a consciência crítica não seja despertada por maciças doses de informação televisiva, as questões passam despercebidas.
As mudanças no comportamento do eleitor vão demorar a acontecer e estarão associadas à distribuição de renda, a uma melhor educação e a um maior interesse pelas questões políticas. Trata-se de processos lentos que não se dão de uma hora para outra, mas que podem ser acelerados por eventos extraordinários ou inusitados. Como, por exemplo, aqueles que provocaram a Primavera Árabe.

Murillo de Aragão é cientista político

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A leviana diplomacia do espetáculo, por Elio Gaspari


Poucas vezes a diplomacia brasileira meteu-se numa estudantada semelhante à truculenta intervenção nos assuntos internos do Paraguai. O presidente Fernando Lugo foi impedido por 39 votos a 4, num ato soberano do Senado. Nenhum soldado foi à rua, nenhuma linha de noticiário foi censurada, o ex-bispo promíscuo aceitou o resultado, continua vivendo na sua casa de Assunção e foi substituído pelo vice-presidente, seu companheiro de chapa.

Nada a ver com o golpe hondurenho de 2009, durante o qual o presidente Zelaya foi embarcado para o exílio no meio da noite.
Quando começou a crise que levou ao impedimento de Lugo, a diplomacia de eventos da doutora Dilma estava ocupada com a cenografia da Rio+20. Pode-se supor que a embaixada brasileira em Assunção houvesse alertado Brasília para a gravidade da crise, mas foi a inquietação da presidente argentina Cristina Kirchner que mobilizou o Brasil.
A doutora achou conveniente mobilizar os chanceleres do Unasul, uma entidade ectoplásmica, filha da fantasia do multilateralismo que encanta o chanceler Antonio Patriota.
As relações do Brasil com o Paraguai não podem ser regidas por critérios multilaterais. Foi no mano a mano que o presidente Fernando Henrique Cardoso impediu um golpe contra o presidente Juan Carlos Wasmosy em 1996. Fez isso sem espetacularização da crise.
A decisão de excluir o Paraguai da reunião do Mercosul é prepotente e inútil. Quando se vê que o presidente Hugo Chavez, da Venezuela, cortou o fornecimento de petróleo ao Paraguai e que a Argentina foi além nas suas sanções, percebe-se quem está a reboque de quem.
Multilateralismo no qual cada um faz o que quer é novidade. Existe uma coisa chamada Mercosul, banem o Paraguai mas querem incluir nele a Venezuela, que não está na região e muito menos é exemplo de democracia.
Baniu-se o Paraguai porque Lugo foi submetido a um rito sumário. O impedimento seguiu o rito constitucional. Ao novo governo paraguaio não foi dada sequer a palavra na reunião que decidiu o banimento.
Lugo aceitou a decisão do Congresso e agora diz que liderará uma oposição baseada na mobilização dos movimentos sociais. Direito dele, mas, se o Brasil associa-se a esse tipo de política, transforma suas relações diplomáticas numa espécie de Cúpula dos Povos.
Vai todo mundo para o Aterro do Flamengo, organiza-se um grande evento, não dá em nada, mas reconheça-se que se fez um bonito espetáculo.
O multilateralismo da diplomacia da doutora Dilma é uma perigosa parolagem. Quando ela se aborreceu, com razão, porque um burocrata da Organização dos Estados Americanos condenou as obras da hidrelétrica de Belo Monte, simplesmente retirou do fôro o embaixador brasileiro. A OEA é uma irrelevância, mas, para quem gosta de multilateralismo, merece respeito.
A diplomacia brasileira teve um ataque de nervos na Bacia do Prata. O multilateralismo que instrui a estudantada em defesa de Lugo é típica de uma política externa biruta. O chanceler Antonio Patriota poderia ter se reunido com o então vice-presidente paraguaio Federico Franco vinte vezes, mas, se a Argentina queria tomar medidas mais duras, ele não deveria ter ido para uma reunião conjunta, arriscando-se ao papel de adorno.
Comentario meu---esta sempiterna ausência de COMPETENCIA, à altura das situações/circunstâncias. Relembra-me o "foquismo" dos anos 70.D de triste e sangrenta memoria, para os praticantes....

Começa estourar a bolha do mundo X de Eike



Começa estourar a bolha do mundo X de EikeFoto: Edição/247

SABE AQUELE PETRÓLEO TODO QUE EIKE BATISTA PROMETIA A SEUS INVESTIDORES? NÃO EXISTE. E, NUM SÓ DIA, AS AÇÕES DE SUAS EMPRESAS DERRETERAM; ESTOURO DA BOLHA DEVERIA COLOCAR EM ALERTA O GOVERNO E A PRÓPRIA PETROBRAS, QUE JÁ COMEÇAVAM A ESTUDAR PARCERIAS COM O BILIONÁRIO POPSTAR

27 de Junho de 2012 às 20:11
247 – Eike Batista corre o risco de entrar para a história das finanças como a maior bolha financeira individual de todos os tempos. Na história do capitalismo, já houve várias manias de investimento, seguidas de crashes e desilusões. Bolha das tulipas, bolha das ferrovias, bolha do ouro, bolha da internet... Mas nunca houve uma bolha concentrada nas promessas de um único indivíduo. Eike Batista talvez abra este precedente.
Na noite de ontem, a maior de suas empresas, a OGX comunicou ao mercado que todo aquele petróleo prometido não era tão grande quanto se imaginava. As reservas do campo de Tubarão Azul tinham um terço do que se previa. Resultado? As ações da OGX caíram 25% no pregão desta quarta-feira. A queda acumulada no ano já supera 55% e Eike tentava acalmar investidores, numa conferência programada para o início da noite.
Outras ações do “mundo X”, empresas de Eike Batista criadas com esta letra no nome por superstição, também sofreram no pregão desta quarta. A LLX, que constrói o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, caiu 7,88% - o tombo no ano soma 52,6%. A mineradora MMX desabou 6%, acumulando queda de 25% no ano. E a OSX, empresa que de navegação, recuou 13%, somando retração 40% no ano.
O que há de comum a esses negócios é que estão em fase pré-operacional. Não produzem, são apenas promessas. Ainda assim, Eike conseguiu vender a vários investidores do Brasil e do mundo a promessa de que criaria uma nova Petrobras e uma nova Vale. Enquanto isso, ele foi um dos mais ativos personagens da vida social brasileira. Passou dias no Twitter, participou de leilões beneficentes para ajudar projetos sociais de Madonna, comprou ternos usados pelo ex-presidente Lula e não dispensou capas de revistas de negócios, além de ter publicado um livro de autoajuda.
Mas produzir o que havia prometido...
Há um dia, porém, que chega a hora da verdade. E, ao que tudo indica, este dia, para o mundo X foi esta quarta-feira. Um problema apenas de quem comprou suas ações? Nem tanto. Como os investidores já estão escaldados para as promessas de Eike, o bilionário de papel ronda cada vez mais os governos. Num evento em que anunciou o início da produção da OGX, foi chamado de “orgulho do Brasil” pela presidente Dilma Rousseff. Depois disso, a presidente da Petrobras, Graça Foster, deu entrevistas sinalizando que poderia fechar parcerias com Eike Batista.
Como se diz no jargão do mercado financeiro, as ações do mundo X estão micando. Espera-se que o mico, tal qual no jogo de cartas, não morra nas mãos do governo federal.
Comentario meu----velha regra (não escrita) do Mercado Financeiro--tudo que sobe desce! (não é Mestre Lavoisier?)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ex-delegado do Dops diz a Comissão da Verdade que incinerou corpos em usina


Brasília – Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) Cláudio Guerra reafirmou os crimes que cometeu durante a ditadura militar (1964-1985). Entre as denúncias, relatadas no livro Memórias de uma Guerra Suja, está a incineração de corpos de militantes de esquerda na Usina Cambaíba, em Campos dos Goytacazes, no norte do Rio de Janeiro.
De acordo com o coordenador da comissão, ministro Gilson Dipp, durante a oitiva, Guerra sugeriu que o grupo ouvisse algumas pessoas citadas por ele no livro. Em entrevista ao programa Observatório da Imprensa, da TV Brasil, Guerra fez um apelo aos militares que atuaram com ele durante o regime militar para que falassem sobre os crimes cometidos.
As denúncias de incineração de cadáveres feitas por Guerra estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Perguntado sobre a possibilidade de as investigações atrapalharem os trabalhos da Comissão da Verdade, Dipp disse apenas que é necessário esclarecer que o grupo não é jurisdicional ou persecutório, nem trabalha visando a fornecer dados para o Ministério Público.
“O Ministério Público trabalha numa linha própria e eu não conheço nenhum detalhe. Se vai prejudicar, em um momento desses as pessoas podem ter algum temor”, disse o ministro.
Dipp informou ainda que pretende convocar o tenente-coronel reformado Paulo Malhães, que em entrevista ao jornal O Globo nesta segunda-feira (25), disse que jacarés e uma jiboia eram usadas para torturar presos políticos. “Em uma conversa informal, demonstrei minha opinião de que devemos ouvi-lo. [Malhães] é alguém que estará na nossa pauta para oitiva”.

Uma dívida histórica de Chico com Piazzolla


Cartas de Buenos Aires: 

Em 1974, o músico Astor Piazzolla sofreu um infarto justo quando estava na Argentina – vivia em Paris. Durante sua recuperação, recebeu a visita do jornalista brasileiro Eric Nepomuceno, que já naquela época morava em Buenos Aires (segue aqui, escrevendo seus belos textos para Carta Maior).
Na ocasião, ele teve o privilégio de escutar uma música nova que Piazzolla tinha feito e que queria que Chico Buarque pusesse letra. Cassete gravado, Nepomuceno foi o portador da encomenda. Chico achou a composição linda, mas não conseguiu se inspirar.
Em 1988, Piazzolla fez uma turnê de três semanas pelo Brasil e houve um encontro entre os dois artistas. O argentino fez, então, um arranjo especial para a música e Chico prometeu que, dessa vez, a letra saía. Quer dizer, que iria fazer em cinco dias o que não tinha feito em mais de dez anos. Novamente não rolou.
O problema é que Piazzolla ia participar do programa Chico & Caetano, e teve uma crise de fúria quando ficou sabendo que continuava só com a melodia. Pareceu-lhe um descaso.
Precisou ser contido por Tom Jobim que, de mestre para mestre, conseguiu apaziguar os ânimos. "Ele vai jogar futebol e deixa a gente sem música", teria dito Jobim, numa tentativa de acalmá-lo e convencê-lo que o problema não era pessoal, era com todos.
Esta e outras histórias sobre as passagens de Piazzolla pelo Brasil estão na excelente livroAstor Pizzolla – su vida y su musica, biografia escrita por Maria Susana Azzi e Simon Collier.
São muitas.
Entre elas o dia em que Dori e Nana Caymmi o levaram para escutar Milton Nascimento no Teatro da Lagoa, no Rio de Janeiro, e o concerto íntimo que o argentino deu apenas para a nata dos músicos brasileiros, que se estendeu até às seis da manhã, com Amelita Baltar cantando Balada para um Louco e todo mundo chorando.
Aparece também a vaia que recebeu no Maracanãzinho durante o Sexto Festival Internacional da Canção; o dia em que conheceu Vinícius; e os bastidores da criação de “Tango Suíte”, obra que compôs para os violonistas brasileiros Sergio e Odair Assad.
No próximo dia 4 de julho completam 20 anos da morte deste que é, talvez, um dos maiores músicos do século XX. O espaço desta coluna não é suficiente para explicar a importância de Piazzolla para o tango e para o mundo.
Melhor escutá-lo. Ou caminhar por Buenos Aires num dia frio de inverno.
Mas é espaço bastante, sim, para fazer um pedido: pôxa, Chico, faz essa letra!

Gisele Teixeira é jornalista. Trabalhou em Porto Alegre, Recife e Brasília. Recentemente, mudou-se de mala, cuia e coração para Buenos Aires, de onde mantém o blog Aquí me quedo, com impressões e descobrimentos sobre a capital portenha

Cresce em toda parte a autoridade da Suprema Corte, por Joaquim Falcão


O que tem a ver com o Brasil a renúncia do ministro do Supremo na Espanha?

Aliás, mais do que ministro, a renúncia foi do presidente do Supremo e do CNJ de lá, que se chama Conselho Geral do Poder Judiciário (CGPJ). O que tem a ver com o Brasil? Aparentemente nada. Na verdade, tudo.
O presidente tentou permanecer no cargo. Conseguiu até uma decisão de seus colegas do Supremo a seu favor. Mas só de protestos na internet foram mais de cem mil. Não foi preciso decisão em processo legal. A pressão ética e política foi maior.
O Presidente Carlos Dívar teve que renunciar porque usou dinheiro público para fazer viagens de fim de semana não oficiais. Pouco dinheiro. Não importa a quantia. Importa o gesto, suas consequências e a evidência da acelerada mudança do fundamento político da autoridade do Supremo. Na Espanha, no Brasil e no mundo.
Nestes mesmos dias uma decisão do Supremo na Venezuela não reconheceu a legitimidade de dois líderes de partidos que se opunham ao governo, o que prejudica a possibilidade de vitória da oposição contra Chaves.
No Egito, o Supremo considerou a eleição para o Parlamento inconstitucional e ordenou sua dissolução, o que altera os rumos da vida política de um país com Supremo, mas sem constituição.
No Paquistão, o Supremo também decidiu pela inabilitação do Primeiro Ministro, cuja consequência deve ser a necessidade de nova escolha e novas eleições para preencher o cargo no Parlamento. Tudo em menos de três semanas.
Sem falar nos países da Europa. As políticas econômicas recessivas e o incontido apoio dos governos aos bancos vão, como foram nossos planos econômicos, ser contestadas nos seus respectivos Supremos. Provavelmente.
Parece ter razão o ministro Lewandowski quando lembra que o século XX pode ter sido o século dos executivos fortes. Mas o século XXI será o século dos Supremos fortes. Detentores da última palavra. Para o bem ou para o mal.
De onde está vindo a crescente autoridade de Supremos mais poderosos? Mais do que de uma necessidade política estabilizadora, esta autoridade precisa da autoridade moral de seus ministros, de sua aceitação pela sociedade, de decisões não partidárias ou corporativas.
Cresce sobretudo a necessidade de ilibada reputação da vida pessoal dos magistrados.
Não podem pairar dúvidas de comportamentos não explicados. Ou quando explicados, não convincentes. O intenso e mobilizado mundo da participação política na internet protesta. Retira legitimidade e autoridade de ministros e instituições.
De certa maneira estamos voltando à aldeia antiga. Onde a autoridade comunitária residia nos velhos sábios de reputação ilibada. De vida vivida e comprovada. Sem ambições futuras que não o bem de sua própria aldeia.
Estes fatores – reputação pessoal, isenção política, desambição corporativa e de enriquecimento - estão voltando à moda. O mundo está exausto da apropriação pessoal e política das instituições democráticas.
Esses fatores deverão pesar nas futuras escolhas da Presidente Dilma para nosso Supremo. 
Joaquim Falcão

Crise do Paraguai: Sarney anuncia apoio a Franco e Lugo


HUMOR----The i-piauí Herald
MARANHÓN - Após crispado debate para definir a posição do PMDB frente à crise política no Paraguai, José Sarney anunciou que o partido não transigirá e, com desassombro, adotará a posição resoluta de apoiar tanto Fernando Lugo quanto Frederico Franco.
“Somos intransigentemente a favor de quem foi deposto e de quem depôs”, perorou o senador vitalício, com firmeza. “Há espaço para todos!"

 
Sarney e Kassab afirmaram que torcerão para que Corinthians e Boca Juniors ganhem a Libertadores

Sarney anunciou que, nas próximas horas, uma comitiva do PMDB desembarcará em Assunção para ajudar a compor o governo de transição.
"Temos experiência em gerir crises políticas. No Brasil, produzimos e nos beneficiamos de quase todas", disse, com ar grave.
O diretório internacional da Juventude Peemedebista instalou-se na casa de Fernando Lugo com o objetivo de capitanear uma revolta infanto-fisiologista que leve o ex-presidente de volta ao poder.
Até o momento, o partido já conseguiu aumentar substancialmente o número de empregados domésticos do ex-presidente. De uma diarista que vinha às segundas, quartas e sextas, Lugo agora busca recursos para remunerar dois mordomos, três cozinheiros, sete copeiras e três arrumadeiras, todas ligadas à família Sarney, além de um indivíduo cuja função é estabelecer parcerias com ONGs de cunho social com o intuito de desviar o curso de pelo menos duas quedas d’água de Itaipu.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Palavra de "pizzaiolo parlamentar" (PP)........


O centenário do Rei do Baião!, por Téta Barbosa


Comentario meu---Eita Nordeste bão!!!!!!!!!!!

Tem o rei do brega, do pop, do futebol, tem até o rei da coxinha (quem já passou por Gravatá, conhece), mas é para o rei do baião que a gente tira o chapéu esse ano. Luiz Gonzaga, seu Lua, completaria cem anos do seu nascimento justamente no ano que disseram que o mundo iria se acabar.
- O mundo acabou não, seu moço. A gente é que vai se acabar de dançar no salão!
Porque, para comemorar o centenário do rei do baião, só mesmo com muita música. Música e estilo, sim senhor, porque o cara se apresentava com gibão de couro, óculos Ray Ban e sanfona, fazendo a linha Elvis Presley tupiniquim.
E foi Gonzagão que, vestido com roupa de vaqueiro, puxou o fole da sanfona e disse:
“Eu vou mostrar pra vocês 
Como se dança o baião 
E quem quiser aprender 
É favor prestar atenção”
E saiu pelo mundo afora divulgando a cultura nordestina. Cantou a seca, o amor, o Sertão, os boiadeiros, os retirantes e a folia de São João. Cantou não só o Nordeste, mas o país. O Brasil dos esquecidos e dos explorados.
Nascido numa sexta-feira 13, na zona rural do Sertão pernambucano, Gonzaga foi soldado e cantor de rádio, mas foi com o baião que ganhou o mundo. O baião e a composição do hino oficial sertanejo: Asa Branca. Até mesmo, disse ele, o Columba Picazuro, um tipo de pombo típico da região, asa branca para os íntimos, não agüentou a seca do Sertão e bateu suas asas para longe. Era o lado político de Seu Lua.
“Asa Branca é um protesto que fiz. Um protestozinho cristão, puramente nosso. Protesto perigoso é aquele importado, de agitação. Asa Branca não é isso”, disse o rei do baião em reportagem à Folha de São Paulo, lá pelos idos de 1978. E desde lá, quando o assunto é seca, a gente continua se perguntando: “porque tamanha judiação?”.

Luiz Gonzaga dança com sua mulher Helena ao som da sanfona e do bumbo de 'seu' Januário e Santana, seus pais

Hoje, troco minhas palavras, pelas de Luiz Lua Gonzaga:
“Quando "oiei" a terra ardendo 
Qual a fogueira de São João 
Eu perguntei a Deus do céu, ai 
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai 
Por que tamanha judiação
Que braseiro, que fornaia 
Nem um pé de "prantação" 
Por farta d'água perdi meu gado 
Morreu de sede meu alazão
Inté mesmo a asa branca 
Bateu asas do sertão 
"Intonce" eu disse, adeus Rosinha 
Guarda contigo meu coração
Hoje longe, muitas légua 
Numa triste solidão 
Espero a chuva cair de novo 
Pra mim vortar pro meu sertão
Quando o verde dos teus "óio" 
Se "espaiar" na prantação 
Eu te asseguro não chore não, viu 
Que eu vortarei, viu 
Meu coração
Eu te asseguro não chore não, viu 
Que eu vortarei, viu 
Meu coração”

Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa ali e fora dali. Escreve aqui sempre às segundas-feiras sobre modismos, modernidades e curiosidades. Ela também tem um blog - Batida Salve Todos

A Rainha Má, por Elton Simões


Ravenna confiava somente no seu espelho. Dá para entender. Por um lado, espelhos não mentem. Por outro, sua fama de rainha má provavelmente afastava qualquer possibilidade de diálogo franco com interlocutores confiáveis.
Imagino que ela tenha formado uma corte incapaz de lhe contar a verdade. Seus conselheiros mais próximos provavelmente utilizavam meias verdades para construir mentiras inteiras. Apesar de tudo, ela tinha pelo menos algo ou alguém em quem podia confiar. Seu espelho, sempre prestativo, estava ali, a seu dispor, para responder a qualquer pergunta que sua rainha quisesse fazer.
Ela poderia ter perguntado ao espelho sobre as verdades do seu reino, sobre as necessidades dos seus comandados, ou sobre as consequências de suas ações. Ao invés, perguntava somente sobre sua beleza.
Obcecava com Branca de Neve como se esta fosse a razão pela qual as coisas não iam bem. Para Ravenna, matar Branca de Neve era sinônimo e garantia de beleza eterna e, claro, de poder.
Ravenna podia ser rainha, mas não era uma líder. Ela era apenas chefe. Era detentora do poder naquele reino que, como rainha, comandava pessoas e tinha autoridade para mandar e exigir obediência. Se quisesse ser líder, a Rainha Má deveria ser muito mais que isso.
Ela deveria ser capaz de conduzir seus comandados de maneira a transformá-los numa equipe. Deveria ter a habilidade de motivar e influenciar os liderados, de forma ética e positiva, para que estes contribuíssem voluntariamente e com entusiasmo para alcançarem os objetivos do reino.
Liderança pressupõe a capacidade de aliança com os liderados. Exige que o líder se cerque de interlocutores confiáveis capazes de lhe entregar verdades amargas e evitar a embriaguez das mentiras doces.
O verdadeiro líder não olha para si. Olha para seus comandados e, fazendo-o, compreende e atende suas necessidades. Procura saber onde estão os problemas com a finalidade de resolvê-los, e não de justificá-los.
O papel de líder não permite o luxo de atribuir todos os problemas a causas externas. Não permite a apropriação do crédito do que dá certo enquanto atribui culpa aos outros por aquilo que dá errado. Líderes perdem pouco tempo justificando. Eles investem seu tempo na busca de soluções.
O líder compreende sua responsabilidade. Assume responsabilidade sobre tudo que acontece sob sua guarda. Seja ou não sua culpa. A ausência de culpa não o exime do peso da liderança. A reponsabilidade sobre erros, acertos e circunstancias é o ônus da liderança.

Elton Simões mora no Canadá há 2 anos. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria). Email: esimoes@uvic.ca.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

As aparições do ‘Inexorável da Silva’, por Elio Gaspari, n'OGlobo


Atribuem ao filósofo húngaro Giorgy Lukács a seguinte afirmação: “O erro de Stalin não foi ter assinado um acordo com Hitler, foi ter acreditado nele”. Em 1939, Stalin aliou-se ao Reich e comeu um pedaço da Polônia. Dois anos depois Hitler invadiu a Rússia e o Guia Genial dos Povos, incrédulo, entrou em estado de catatonia.

Pensando bem, Stalin não acreditou no pacto (tanto que acelerou a produção de armas), acreditou em si. Desprezou pelo menos oitenta avisos de que Hitler atacaria, inclusive dois deles com a data.
Lula cavalga uma desastrosa autoconfiança. Longe dos mecanismos do poder, com os movimentos e a oratória limitados, investiu-se de um desembaraço autocrático que, em seis meses, produziu três desastres:
Sem discutir os prós e contras da ideia, participou de uma cenografia para abrilhantar a adesão de Paulo Maluf à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. Humilhou Luiza Erundina e detonou a chapa petista, levando os companheiros a catar vice até no falecido movimento “Cansei”, teoricamente destinado a combater a corrupção. (A ex-prefeita aceitava o apoio de Maluf, desde que não houvesse espetáculos como o do jardim do palacete da rua Costa Rica. O mesmo se pode dizer do tucanato, que buscava intermediações para negociar com Maluf.)
Sem ouvir os interessados, meteu-se num périplo, catituando junto a ministros do Supremo a postergação do julgamento do mensalão. Foi detonado pela exposição da manobra.
Impôs ao PT uma aliança com o prefeito Gilberto Kassab, atropelando a senadora Marta Suplicy, que não queria “acordar de mãos dadas” com seu adversário. Dias depois, Lula acordou sozinho, e viu Kassab abraçado ao PSDB.
Deixando-se de lado o conteúdo das decisões (o que não é pouca coisa), cometeu três erros. Chutou três vezes e três vezes marcou contra o próprio gol.
A doutora Dilma acha que a crise financeira mundial é influenciada pelo fator “Inexorável da Silveira”. Seu governo terá que lidar com outro fator, o do “Inexorável da Silva”. Por enquanto, ele restringiu-se à casa de louças petista, mas o perigo é que vá além, encrencando o governo.
Os “inexoráveis” acham que podem tudo.

domingo, 24 de junho de 2012

Lamentáveis peculiaridades, por Mino Carta (Il toscano)



                                    Raro exemplo. Erundina, honrada e coerente.
Mino CARTA------------------
Se Paulo Maluf fosse de outra terra, já estaria há tempo na cadeia, ou teria sido trucidado pela turba enfurecida, ou teria sido pendurado de cabeça para baixo em uma bomba de gasolina. Ou teria sofrido, na melhor das hipóteses para ele, o ostracismo político. Paulo Maluf é, porém, brasileiro. E de cadeia para ricos e de turba enfurecida, nem sombra.
O Brasil é bastante peculiar, como alguns sabem, outros fingem não saber e outros mais simplesmente ignoram porque vivem no Limbo. A sociedade nativa não prima pelo caráter e não cultiva a memória. Refiro-me aos brasileiros que poderiam e deveriam ter a consciência da cidadania. O Brasil é o país onde uma Lei da Anistia imposta manu militari pela ditadura continua em vigor, embora acreditemos usufruir de uma democracia plena.
É apenas um exemplo do nosso atraso político, cívico, cultural, moral. O Brasil é o país onde um oligarca como José Sarney, feudatário do estado mais infeliz da Federação, pode tornar-se presidente da República. E é o país onde, diante da indiferença geral, 50 mil conterrâneos são assassinados anualmente e 64% da população não conta com saneamento básico. E é o país onde a casa-grande e a senzala ainda estão de pé e, embora dono do sexto PIB do mundo, ombreia-se com as mais miseráveis nações africanas em matéria de péssima distribuição de renda.
O Brasil é também o país onde pululam os políticos corruptos, prontos a entender que o poder lhes entrega o bem público qual fosse privado, e onde os partidos nunca deixaram de ser clubes recreativos de grupelhos de senhores dispostos a funcionar como bandeirolas. Houve, por algum tempo, uma exceção, o Partido dos Trabalhadores, nascido à sombra do sindicalismo liderado por um certo Luiz Inácio da Silva, dito Lula. Partia de uma plataforma radical e seu ideólogo chamava-se, pasmem, Francisco Weffort.
Até aqui, coisas do Brasil. Peculiaridades. A situação evoluiu. Enquanto Weffort aderia à sua verdadeira natureza e alegremente tucanava, o PT ganhava contornos mais contemporâneos para assumir a linha de um partido de esquerda afinado com os tempos. Depois de três tentativas frustradas de chegar à Presidência, Lula, enfim no sobrenome, emplacou a quarta. O PT, contudo, revelou outra face e no poder portou-se como os demais que o precederam. Nos últimos dez anos, o Brasil deu importantes passos à frente, tanto do ponto de vista social quanto na independência da sua política exterior, mas não os devemos ao PT e sim a Lula e agora a Dilma Rousseff.
Nada de surpresas. A atuação de um líder no Brasil sempre foi mais determinante do que a de um partido ou de uma ideologia. De resto, a população está acostumada a votar naqueles, autênticos ou falsos, em lugar deste e muito menos desta. Peculiaridades. Grandes e tradicionais partidos, obviamente estrangeiros, cuidaram sempre de manter constante contato com os eleitores para convencê-los, tempo adentro, da qualidade das suas propostas e da validade da sua linha política. Setores da Igreja Católica realizaram esse gênero de aproximação em tempos da ditadura e mostraram em vão o caminho, sem imaginar que viria João Paulo II. Hoje contamos com a ação capilar e exitosa das confissões evangélicas, visceralmente desinteressadas em doutrinação política. Muito bem-sucedidas, no entanto. Nada parecido o PT soube ou quis realizar.
Isso tudo explica inclusive como e por que o Brasil é ingovernável sem que alianças de ocasiões sejam seladas ao sabor do oportunismo contingente. As agremiações políticas lembram-se dos eleitores somente às vésperas do pleito e a combinação que resulta está longe do ideal, infinitamente longe. 
Observem o comportamento mais recente da bandeirola Maluf. Apoiou Marta Suplicy contra José Serra em 2004 na eleição à prefeitura paulistana. Apoiou Serra em 2010 contra Dilma na eleição presidencial e logo bandeou seu PP para a base de sustentação do governo. Agora posta-se ao lado do candidato Fernando Haddad depois de ter ameaçado apoiar novamente Serra.
Nefandas peculiaridades, tradicionais. Parece, no entanto, que outra está em xeque, aquela que periodicamente conclama à chamada “conciliação das elites”. Claro está que Lula enxerga no pleito municipal da maior cidade do País um embate decisivo para os destinos da guerra contra a reação, tão bem representada pela candidatura de José Serra e pela mídia nativa. Neste sentido, tranca-se a porta da conciliação, e Lula e Dilma confirmam escapar à regra.
No confronto paulistano, CartaCapital escolhe Haddad. Entende e louva, entretanto, a atitude de Luiza Erundina, honrada, coerente, rara personagem em meio às peculiaridades, assim como lamenta o aperto de mão de Lula com Maluf à sombra da coleção de porcelana da Companhia das Índias que decora a mansão (esta sim, mansão, prezados perdigueiros da informação) do único político brasileiro procurado pela Interpol, com lugar de honra no hall of fame da corrupção, organizado pelo Banco Mundial.
Resta ver qual é o limite do pragmatismo desta nossa peculiar realpolitik. No caso, dói engoli-la.

O fiasco do Lula+90, por RUTH DE AQUINO


RUTH DE AQUINO  é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA)
O que se faz por 90 segundos na televisão? Chamam de propaganda gratuita, mas já saiu caro o minuto e meio que Lula ganhou na telinha, em sua luta pragmática pelo poder em São Paulo. O preço alto nada tem a ver com a aliança explícita entre o PT e o PP, mas com a figura do aliado. Haddad o Novo apareceu com sua carinha de lebre entre duas raposas, Lula e Maluf. Saiu amassado da história.
Conta assim Esopo: uma lebre encontrou com a raposa da qual só conhecia a fama. Perguntou: “Na verdade ganhas mesmo muitas coisas ou tu as tens porque teu nome é raposa?”. Responde esta: “Para tirar as dúvidas vem à minha casa onde vou servir um almoço”. Quando entrou na toca da raposa, verificou tarde demais que ela, lebre, era o almoço! A própria lebre conclui: “Na minha desgraça, finalmente descobri que a fama da raposa não vem do mérito, mas da astúcia”.
Como na fábula, assim se deu o encontro, cuja foto não aparece no site do Instituto Lula, mas será explorada por adversários na campanha pela prefeitura em São Paulo. Maluf, “símbolo da pouca-vergonha nacional” segundo o Lula barbudo de 1984, condicionou a aliança a uma feijoada com refrigerantes e pudim em sua casa, com direito a foto nos jardins.
Em 1993, Maluf comparou Lula a uma “ave de rapina que não trabalha há 15 anos e não explica como vive”. Mas, “por amor a São Paulo”, decidiu lular e passou a mão na cabeça de Haddad o Novo para que todos os fotógrafos registrassem o gesto do padrinho. Levantou o dedo polegar e sorriu seu sorriso de raposa procurada pela Interpol.
Quem comeu quem afinal? Quem vai rir por último? A indigestão tirou de cena a vice socialista Erundina, que achou “abominável” o encontro com o inimigo. Maluf destruiu o slogan criado por João Santana para Haddad: “Um homem novo para um tempo novo”. Lembrei-me de O bebê de Rosemary, de Roman Polanski. Não parece?
A operação abafa foi intensa. O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que houve apenas “uma troca de cargos” no acordo com o PP de Maluf. “Não houve dinheiro”, disse Carvalho. Ah, bom. O esclarecimento se faz necessário diante do personagem.
O verbo malufar, associado a roubar, ultrapassou fronteiras e ganhou o mundo. “De tanto malufar, os Maluf foram presos”, escreveu o jornal Le Monde em 2005, quando o ex-prefeito e seu filho foram detidos pela Polícia Federal. Segundo a PF, coagiram uma testemunha que os acusou de chefiar empresas offshores e contas bancárias em seis países.
Por um minuto e meio na TV, Lula esqueceu o homem novo e se aliou ao ferro-velho de Maluf 
O apoio de Maluf era disputado tanto pelo PSDB de Serra quanto pelo PT de Haddad até uma semana atrás. Ambos os candidatos queriam mais “inserções” na TV. Que se lixassem os princípios, as siglas, as histórias dos partidos, os programas de governo. Serra já tinha como aliado o PR, maior parceiro do governo Lula no escândalo do mensalão. Uma promiscuidade de fazer inveja ao Bataclan da Ilhéus de Nacib e Gabriela.
Lula prometeu a Maluf mais do que Serra. Prometeu um cargo no Ministério das Cidades. Lula malufou porque, nas palavras serenas do sociólogo petista Emir Sader, citado no jornal Folha de S.Paulo, “o fundamental é derrotar a tucanalha”. É vergonhoso que, mesmo fora da Presidência e convalescendo de um câncer agressivo, Lula continue a rasgar todas as bandeiras éticas de um partido que chegou a ser visto como a esperança para renovar a política no Brasil.
Os mais calejados perguntam. Por que a surpresa? Ao lado de Sarney, Collor, Jader e Renan, ou abraçado ao iraniano Mahmoud Ahmadinejad, Lula reescreveu sua história em oito anos de governo. Confessou-se metamorfose ambulante. É viciado na falta de regras do jogo político brasileiro.
Seria interessante saber como Dilma engole os afagos entre Lula e Maluf – o homem que, quando governava São Paulo em 1979, a poucos dias da Lei da Anistia, formalizou a instalação do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações) num terreno do governo de São Paulo. “As marcas da tortura sou eu”, disse Dilma. “Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu.” O novo amigo de Lula é um soco no estômago de petistas históricos. Mais um.
Maluf diz que Lula não impôs restrição a que ele apareça na propaganda de TV: “O tempo é meu e sou proibido de aparecer?”. Faz sentido. Haddad já chama malufistas de “companheiros”. E assim o PT faz mesuras e ouve calado as lições de Maluf: “Não tem mais no mundo esquerda e direita. O que tem hoje é ‘efficacité’ (eficácia em francês)”. Argh.
Se a Rio+20 pecou por falta de ambição, o Lula+90 peca por excesso. A foto já histórica dessa aliança simboliza a política do ferro-velho. Ela polui e contamina mais o ambiente no Brasil do que muitos esgotos a céu aberto. Saneamento já.