quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pickles inocentes


Nome do ex-doleiro de Maluf  é incluído na lista da Interpol
A Interpol (Polícia Internacional) lançou o nome do ex-doleiro do deputado federal Paulo Maluf (PP) - Vivaldo Alves, o Birigui -, na difusão vermelha, índex dos mais procurados em 190 países. A difusão vermelha é o alerta máximo da Interpol e limita os deslocamentos do alvo, que pode ser preso se ingressar em território que integra a comunidade policial. A Justiça de Nova York acusa Birigui de ter transferido, nos anos 1990, US$ 4,2 milhões para conta da família Maluf no Safra National Bank. 
Birigui desistiu de depor na Corte da Ilha de Jersey, em ação da Prefeitura de São Paulo que pede repatriação de US$ 22 milhões depositados em contas de offshores atribuídas a Maluf. O deputado, que também teve seu nome incluído na lista de procurados da Interpol, nega ter dinheiro no exterior.
Liberou geral 
Graças à nova Lei de Acesso à Informação, pesquisadores, jornalistas ou mesmo qualquer cidadão terão acesso a documentos do finado SNI e de demais órgãos de repressão da ditadura, guardados no Arquivo Nacional.
Até aqui, o cidadão só podia ter informações a seu respeito.
É que...
Esse calhamaço de 15 a 16 milhões de páginas estará aberto ao distinto público a partir de 17 de junho.
Um edital do Arquivo Nacional deu 30 dias, a vencer nesta data, para quem desejar manter secretas suas informações. Ainda assim, o pedido de sigilo vai depender de parecer da Comissão de Análise de Documentos com Informações Pessoais.

Criação coletiva--Dora Kramer - O Estado de S.Paulo-

Não, o ex-presidente Lula não perdeu o juízo como sugere em princípio o relato da pressão explícita sobre ministros do Supremo Tribunal Federal para influir no julgamento do mensalão, em particular da conversa com o ministro Gilmar Mendes eivada de impropriedades por parte de todas as partes.


Lula não está fora de si. Está, isto sim, cada vez mais senhor de si. Investido no figurino do personagem autorizado a desrespeitar tudo e todos no cumprimento de suas vontades.

E por que o faz? Porque sente que pode. E pode mesmo porque deixam que faça. A exacerbação desse rude atrevimento é fruto de criação coletiva e não surgiu da noite para o dia.

                                                 
A obra vem sendo construída gradativamente no terreno da permissividade geral onde se assentam fatores diversos e interesses múltiplos, cuja conjugação conferiu a Lula o diploma de inimputável no qual ele se encontra em pleno usufruto.
Nesse último e bastante assombroso caso, produto direto da condescendência institucional - para dizer de modo leve - de dois ex-presidentes da Corte guardiã da Constituição: o advogado Nelson Jobim, que convidou, e o ministro Gilmar Mendes, que aceitou ir ao encontro do ex-presidente.
Nenhum dos dois dispõe da prerrogativa da inocência. Podiam até não imaginar que Lula chegaria ao ponto da desfaçatez extrema de explicitar a intenção de influir no processo, aconselhando o tribunal a adiar o julgamento e ainda insinuar oferta de "proteção" ao ministro.
Inverossímil é que não desconfiassem da motivação do ex-presidente que anunciou disposição de se dedicar diuturnamente ao desmonte da "farsa do mensalão" e provou isso ao alimentar a criação de uma comissão parlamentar de inquérito no intuito de embaralhar as cartas e embananar o jogo.
Mas, apenas para raciocinar aceitemos o pressuposto da ingenuidade, compremos a versão do encontro entre amigos e consideremos natural tanto o convite quanto a anuência.
À primeira questão posta - "é inconveniente julgar esse processo agora" -, à primeira pergunta feita pelo ex-presidente - "não tem como adiar o julgamento?" -, se o ministro Gilmar Mendes tivesse agradecido ao convite e polidamente se retirado, não teria ouvido o que viria a seguir, segundo o relato que fez depois ao presidente do STF, ao procurador-geral da República e ao advogado-geral da União.
Narrativa esta que se pressupõe verdadeira. Se aceitarmos a versão do desmentido apresentada por Nelson Jobim teremos de aceitar a existência de um caluniador com assento no Supremo Tribunal Federal e de esperar contra ele algum tipo de interpelação.
Tivesse dado por encerrado o encontro logo de início, o ministro Gilmar Mendes não teria ficado "perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula".
Não teria ouvido alusões ao seu possível envolvimento com o esquema Cachoeira - razão da oferta de proteção na CPMI -, não teria escutado o ex-presidente chamar o ministro Joaquim Barbosa de "complexado".

segunda-feira, 28 de maio de 2012

De parar o trânsito, por Miriam LEITÃO


“O trem ‘garrou’ tudo”, me disse Geraldo, o motorista mineiro que estava me levando para a Bienal em Belo Horizonte. Tínhamos que atravessar a cidade e eu estava atrasada. Ele queria dizer que o trânsito tinha travado completamente. “Cê tem medo?” Eu dei carta branca, desde que ele respeitasse as leis de trânsito. Ele fugiu do excesso de fluxo de veículos atravessando uma linha de trem, uma favela e um cemitério. Chegamos.

O problema não era só daquele dia, nem só de Belo Horizonte. As cidades brasileiras estão com o trânsito cada vez mais inviável. A impressão intuitiva geral é que estamos marchando inexoravelmente para um dia “o trem agarrar” completamente. As pessoas culpam o contínuo crescimento da venda de carros dos últimos anos. De fato, a venda interna triplicou em sete anos. Era de 100 mil e está em 300 mil veículos por mês. No estado de Minas Gerais, 410 mil carros novos são vendidos a cada ano. Mas, evidentemente, não é o consumo que tem que se adaptar às possibilidades das cidades, é a mobilidade urbana que tem que ser repensada imediatamente.
Perde-se cada vez mais tempo no trânsito entre a casa e o trabalho. Isso é redução de produtividade da economia, aumento das emissões de gases de efeito estufa e, mais importante, perda de qualidade de vida. O trabalhador já chega cansado e estressado para trabalhar. As mercadorias não chegam em tempo, a produção fica mais lenta. O trânsito afeta a economia e a vida privada.
Quando se fala do problema logístico brasileiro, em geral as pessoas pensam na dificuldade de os grãos serem transportados da área de produção até o porto para serem embarcados. Mas o principal nó se forma de maneira cada vez mais desesperadora em cada centro urbano. E nem precisa ser cidade grande. As pequenas começam a repetir o mesmo padrão.
Na maior cidade do Brasil houve um dia de desespero na última quarta-feira com a greve do metrô. Incipiente, cobrindo apenas uma parte da cidade, o metrô é indispensável. Foi apenas um dia, felizmente. Provocou 240 quilômetros de congestionamento na cidade, três vezes mais do que em dias de engarrafamento considerado normal para os padrões da capital paulista. No estado de São Paulo, como um todo, são comprados um milhão de carros novos por ano.
“Embolou”, me avisou o motorista de táxi carioca, na última quinta-feira, e relaxou no volante, aumentando o volume da música que ouvia. Um acidente com uma moto foi criando círculos de paralisia no trânsito da Zona Sul do Rio. Levamos uma eternidade para cruzar a pequena distância entre dois bairros vizinhos. No estado do Rio são 252 mil carros novos por ano.
Os incentivos sucessivos que o governo vem dando à compra de carro se somam à queda dos investimentos em transporte de massa e à falta crônica de um sistema inteligente de gestão do trânsito. Isso está levando o país ao entupimento das artérias. Os trabalhadores têm que sair cada vez mais cedo de casa para tentar chegar ao seu trabalho.
O Censo de 2010 do IBGE mostrou que em São Paulo um terço dos trabalhadores levam mais de uma hora se deslocando até o trabalho diariamente. Isso significa mais de duas horas por dia, na viagem de ida e volta. Ou seja, dez horas por semana de cinco dias. Há casos muito mais espantosos, de trabalhadores que gastam de quatro a seis horas do dia para ir e voltar do trabalho. Que produtividade pode ter uma pessoa que vive esse transtorno?
Qualquer evento que quebre a rotina cria um processo exponencial de contágio que vai paralisando as cidades. Por isso, imagina-se o que será o Rio neste mês de junho, com os que desembarcarem para a Rio+20 e o aumento de pessoas indo para os mesmos lugares: membros das delegações, jornalistas, militantes de ONGs, especialistas, empresários, seguranças, chefes de Estado. O estrangulamento previsto resultou em decisão bizarra: o prefeito decretou ponto facultativo de três dias para os servidores públicos, para que menos gente fique na cidade. As crianças ficarão sem aulas.
O problema da mobilidade urbana deixou de ser apenas um desconforto das pessoas. Hoje ele reduz a expectativa de vida da população, provoca uma queda dramática no índice de produtividade do trabalho, afeta a logística das empresas. Qualquer pessoa sabe disso. Menos o governo. Ou melhor, os governos. Tudo se passa como se as autoridades não soubessem que as cidades brasileiras estão parando em congestionamentos de proporções cada vez maiores. O que esperam? Que tudo agarre ou embole completamente?
Imagine o que se poderia fazer com o tempo excessivo gasto no trânsito. Ficar mais tempo com os filhos, o que elevaria a saúde emocional das crianças. Fazer exercício físico regularmente, o que melhoraria o humor, a saúde e a autoestima de cada pessoa. Ler mais, o que elevaria o conhecimento. Dormir mais um pouco, o que reduziria o stress e tudo que é decorrente da supressão do sono.
O Brasil tem uma malha de metrô totalmente acanhada para as necessidades do nosso cotidiano, tem um sistema de concessões de ônibus que em algumas cidades chega a ser mafioso e tem compulsão pelo carro individual, que tem sido incentivada a cada pacote econômico. Esta semana foi anunciado o sétimo. Mesmo endividados, os brasileiros foram incentivados a comprar mais carros porque o governo quer esvaziar os pátios cheios das montadoras. Como os carros circularão? Isso não parece preocupar o governo.

domingo, 27 de maio de 2012

A maldição do país sem foco, por Marli Gonçalves


Puxa, já passei de meio século vendo isso e nem preciso ser doutora para perceber que há algo errado com a gente, quando continuamos fazendo igual, errando e pisando em cima, sujando a sola do sapato. Já vimos coisas assim nos tempos escuros, quando eles precisavam encobrir mortes e atentados à liberdade. Agora os mesmos que deveriam lembrar disso também querem calar a massa, enevoar seus olhos, acenando com bondades que logo podem se voltar contra os feiticeiros e enfeitiçados


Qual será a de hoje? Todo dia de manhã, logo ao acordar, abro a porta sonolenta e pego o jornal para ver bem qual será - ou já foi - a bondade que o governo despejou no país que anda ao passo do Deus-dará. Anuncia-se medidas, mudam-se as regras, fazem troca-troca de letras, como quem assoa o nariz, tira piolho da cabeça, cospe no campo de futebol. O resultado, o planejamento, a criação de condições para o desenvolvimento e independência, o foco e compasso com o resto do mundo ficam para algum dia, talvez, quem sabe?

Esta semana vimos estarrecidos o anúncio da abertura de mais algumas porteiras para o caos das grandes cidades. À beira de uma importante conferência, a Rio + 20, onde poderíamos (deveríamos) tomar a dianteira com medidas interessantes e particulares de preservação, de vida, de melhores condições, o homem que cuida da Fazenda libera crédito para carros populares, propondo com cara de pão sem manteiga que assim o país fluirá. 

Meu bem, meu bem! Supondo que eu seja uma pessoa boa, tanto quanto você que me lê: por acaso isso vai realmente, de verdade, ajudar alguém, claro, além da indústria automobilística? Pobres largarão tudo que estão fazendo e acorrerão em massa às concessionárias, com cartas de crédito dadas facilmente pelos bancos? 

Mas a ideia que passa é a da palavra que já está me dando urticária: inclusão. Vou dizer logo que tipo de inclusão. Inclusão de mais malandros no mercado político; manutenção de outros tantos, pelo populismo; inclusão de mais gente devendo as calças nos sistemas, ou vendo onde vai dar para roubar mais, para se incluir também. Inclusão de mais possibilidades de criação de uma bolha grande, grande, pronta a estourar, e que somada a outras bolhas, como a de imóveis, crise de combustíveis, de vergonha na cara, pode acabar incluindo é todo o país numa barafunda.

Ora, se dava para baixar impostos incidentes, porque eles estavam tão altos até o presente momento? Porque já não podíamos produzir, incentivando a indústria, em níveis mais decentes? É mais ou menos assim, como diria minha mãe em sua popular e direta sabedoria mineira, aperta, aperta, aperta, que ele solta um pum

Também não pensem que vai sobrar bronca só para o governo federal, que nada! Todo dia recebo mensagens, por exemplo, de como a segurança pública paulista está maravilhosa, como baixaram todos os índices - assaltos, roubos, seqüestros, latrocínios, teretetê - e ainda sobre quantos milhares de homens reforçarão o efetivo nas ruas. Só que no mesmo jornal que pego na soleira de minha porta, também todo dia leio sobre casos os mais escabrosos, assaltos mirabolantes, caixas eletrônicos explodindo, balas perdidas por aí. Agora, arrastão rola até em prédios de gente que tem menos, provavelmente, até do que quem assalta. 
Tanto que os caras levam até o cachorro, como fizeram essa semana, deixando o dono inconsolável. Daqui a pouco vão levar o quê? As crianças? As empregadas, que são produto em falta? Comida da geladeira, produtos de limpeza?

Mas tudo será investigado rigorosamente, logo que der. Pegou a senha? Senta e espera.

Aí, não bastasse, chegam as ideias, algumas até internacionais (mas impraticáveis por aqui), de jerico. E toma leis para implantá-las! Que tal essa, do motorista que não respeitar a regra de manter o carro a pelo menos um metro e meio de distância dos ciclistas levar multa de mais de 500 reais? Vocês não estão vendo - desde já - os sabiás e bemtevis do trânsito com fita métrica por aí? Como temos grandes e largas avenidas, ruas, estradas, com espaço de sobra, organização social, educação e nada para fazer, podíamos também implantar leis que proibissem os malditos pombos de voar na nossa frente, ou atravessar a rua a pé como fazem, que proibissem as moscas de bater no parabrisa. Poderiam aproveitar e proibir também, enfim, que os motociclistas barbeiros continuem fazendo ultrapassagens pela direita, e que eles se mantenham, obrigatoriamente, a mais de 5 metros dos carros, poupando assim nossos retrovisores.
Se é para dar ideia estapafúrdia, podem contar comigo. Tenho um rol delas. A de incentivar o uso de bicicletas nas ladeiras de São Paulo, alugando-as por uma puta grana, sinto muito, já roubaram e implantaram dia desses. São Paulo, campo fértil, 2012
Marli Gonçalves é jornalista - Queria muito saber por que ninguém planeja mais nada. E também vai tocando o barco como pode, tentando seguir a procissão, carregando o andor. 
************************************************************
E-mails:marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br--ATENÇÃO: Por favor, ao reproduzir esse texto, não deixe de citar os e-mails de contato, e os sites onde são publicados originalmente http:// www.brickmann.com.br e no http://marligo.wordpress.com

Ou, digo eu --- Quem meteu o pé na jaca?!--


Um fato e duas versões: Gilmar e Jobim

Um fato e duas versões. Em "furo" de reportagem, a Revista Veja revela um encontro de Lula com Gilmar Mendes no escritório de Nelson Jobim em Brasília. A conversa foi tenebrosa, pelo que se lê na revista. Indignado com o assédio, Gilmar Mendes, num gesto de coragem, confirmou tudo à revista.
Pois bem, acabo de falar com o anfitrião do encontro, Nelson Jobim, que está neste momento passeando por uma feira em Itaipava, em companhia da mulher Adrienne e de amigos do casal. Jobim confirma o encontro, mas nega seu conteúdo. Eis o resumo do seu relato à Radio do Moreno;
Conteúdo da conversa: ---- Não houve nada disso do que a Veja, segundo me informaram, está publicando. Estou aqui em Itaipava e soube desse conteúdo através de um repórter do Estadão, que me procurou há pouco. Portanto, estou falando sem ter lido a revista. Mas, posso assegurar que, se o conteúdo for mesmo esse, o de que Lula teria pedido a Gilmar para votar no mensalão, não é verdade. Quem tocou no assunto mensalão fui eu, no meio da conversa, fazendo a seguinte pergunta: " Vem cá, essa coisa do mensalão vai ser votada quando?". No mais, a conversa girou sobre assuntos diversos da atualidade."
Razão do encontro: ' ---- Desde que deixei o ministério, o presidente Lula tem me prometido uma visita. Três dias antes, a assessora Clara Ant me ligou dizendo que o presidente Lula iria a Brasília conversar com a presidente Dilma numa quarta-feira e que retornaria no dia seguinte, mas antes queria falar comigo. De pronto, respondi que o encontro poderia ser na minha casa, no meu escritório ou em qualquer outro lugar que o presidente quisesse. Lula optou pelo meu escritório, não só porque tinha prometido conhecê-lo, mas, também, porque fica perto do aeroporto. E assim ocorreu."
Presença do Gilmar --- O Gilmar e eu estamos envolvidos num projeto sobre a Constituição de 88 e temos nos reunidos sistematicamente para tratar do assunto. Por coincidência, o Gilmar estava no meu escritório, quando o presidente Lula apareceu para a visita. Conversaram cerca de uma hora, mas só amenidades. Em nenhum momento, Lula e Gilmar conversaram na cozinha. Aliás, Lula não esteve na cozinha do escritório.
Repercussões do fato --- Agora, não posso controlar as versões, especulações, que a mídia e as pessoas fazem desse encontro. Faz parte do jogo. O que eu posso dizer é que não houve nada disso.
Diante do relato de Jobim, eu, como repórter crédulo, diante de fonte tão idônea, poderia me dar por satisfeito e fazer um texto jornalisticamente convencional, tipo " Jobim nega pressão de Lula" ou, como nós furados gostamos de fazer, com muita satisfação: " Jobim DESMENTE a Veja".
Mas, durante a conversa, eu notei a voz estranha do Jobim. Ele estava cumprindo um rito, um protocolo, um dever de anfitrião de evitar mais constrangimento a si e a outros atores do espetáculo. Os bons repórteres, como os meninos da Veja, Cabral á frente, são uma espécie de Eike Batista às avessas: "Vazou, furou". Com a notícia na rua, o encontro secreto de Jobim, que tinha um proposito, pode ter outro, o de tentativa de coação de juíz ou coisa que valha. Seria coerção? sei lá.
Nelson Jobim, meu velho amigo de guerra, não ia me deixar na mão. Repito, como anfitrião, não poderia confirmar o escândalo. Mas me deu uma pista através de um controvertido depoimento. Inicialmente, me disse que a presença de Gilmar foi mera coincidência, do tipo " ah, eu estava passando por aqui...". Só que o próprio Jobim deixou escapar que o encontro fora marcado com três dias de antecedência. Logo, Gilmar sabia que naquele horário daquela quinta-feira, Jobim estaria recebendo Lula. Então, não foi surpresa nem coincidência coisa nenhuma.
E deixo pra botar no pé, o fim do mistério. Amiga minha, de Diamantino (MT), terra de Gilmar Mendes, a meu pedido, localiza Gilmar. E se atreve a perguntar se era tudo verdade:
   ---- Claro que é! Eu mesmo confirmei tudo à revista.

sábado, 26 de maio de 2012

Forçada a enfrentar a crise, Dilma imita Lula e a procissão de bravatas recomeça, por Augusto NUNES--VEJA


Confrontado com sucessivas evidências de que a crise econômica americana provocaria estragos no mundo inteiro, o então presidente Lula decidiu proibi-la de entrar no Brasil. ”Um dia acordei invocado e liguei para o Bush”, gabou-se em 27 de março de 2008. “Eu disse: ‘Bush, meu filho, resolve o problema da crise, porque não vou deixar que ela atravesse o Atlântico’”. Como Lula só fala português, Bush não deve ter entendido o recado do colega monoglota. Sem saber do perigo, o alvo da ameaça já rondava as praias do Brasil quando, quase seis meses depois da bravata telefônica, o chefe de governo voltou a tratar do assunto.

“Que crise? Pergunte ao Bush”, recomendou em 17 de setembro a um jornalista preocupado com os sinais de que o problema americano não pouparia o País do Carnaval. “O Brasil vive um momento mágico”, emendou no dia 21. No dia 22, a ressalva entre vírgulas informou que o momento não era tão mágico assim: “Até agora, graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico”. Uma semana depois, a ficha começou a cair. “O Brasil, se tiver que passar por um aperto, será muito pequeno”, garantiu em 29 de setembro. Pareceu render-se no dia 30: “A crise é tão séria e profunda que nem sabemos o tamanho. Talvez seja a maior na História mundial”.
Em 4 de outubro, o otimista delirante voltou ao palco: “Lá nos Estados Unidos, a crise é um tsunami”, comparou. “Aqui, se chegar, vai ser uma marolinha, que não dá nem para esquiar”. No dia 5 de outubro, achou prudente depositar o problema no colo do Legislativo. “Queremos que esse tema da crise mundial seja levado ao Congresso”, comunicou. No dia 8, conseguiu enxergar o tamanho do buraco. “Ninguém está a salvo, todos os países serão atingidos pela crise”. Em 10 de novembro de 2008, a metamorfose ambulante encerrou gloriosamente o desfile de frases amalucadas. “Toda crise tem solução”, ensinou. “A única que eu pensei que não tivesse jeito era a crise do Corinthians”.
O raquitismo das taxas de crescimento registradas de lá para cá mostrou o que acontece a um país governado por alguém que enfrenta com bazófias e bravatas complicações econômicas de dimensões globais. A longevidade da crise, ampliada pelas quebradeiras que abalam a União Europeia, confirmou p monstro é impiedoso com populistas falastrões. Mas o Brasil não aprende, comprova o comportamento de Dilma Rousseff. Três anos depois, a estratégia inaugurada pelo Exterminador do Plural começou a ser reprisada em dilmês.
Lula acordava invocado com Bush. Em março, Dilma deixou de dormir direito por andar invocada com um certo “tsunami monetário”. Num improviso de espantar Celso Arnaldo, atribuiu a paternidade da criatura a “países desenvolvidos que não usam políticas fiscais de ampliação da capacidade de investimento para retomar e sair da crise que estão metidos e que usam, então, despejam, literalmente, despejam US$ 4,7 trilhões no mundo ao ampliar de forma muito, é importante que a gente perceba isso, muito adversa, perversa para o resto dos países, principalmente aqueles em crescimento”.
Lula recomendava aos americanos que se mirassem no exemplo do Brasil. Dilma se promoveu a professora da Europa. “Eu acho que uma coisa importante é que os países desenvolvidos não só façam políticas expansionistas monetárias, mas façam políticas de expansão do investimento”, ensinou em 5 de março. “Porque o investimento não só melhora a demanda interna, mas abre também a demanda externa para os nossos produtos”. No dia seguinte, concluiu a lição. “O que o Brasil quer mostrar é que está em andamento uma forma concorrencial de proteção de mercado que é o câmbio, uma forma artificial de proteção do mercado. Somos uma economia soberana. Tomaremos todas as medidas para nos proteger”.
Lula zombava da marolinha. Nesta semana, Dilma reiterou que com o Brasil ninguém pode. “Nós estamos 100% preparados, 200% preparados, 300% preparados para enfrentar a crise”, preveniu. No dia seguinte, as previsões sobre o crescimento do PIB em 2012 baixaram de 4,5% para menos de 3%. Como Lula em 2008, Dilma resolveu interceptar o cortejo de índices aflitivos com outro balaio de medidas de estímulo ao consumo. Como ficou mais fácil comprar automóveis, os congestionamentos de trânsito ficarão ainda maiores. Os brasileiros motorizados terão mais tempo para pensar em como pagar o que devem ao banco.
Nesta quinta-feira, reproduzidos pelo site do jornal português O Público, trechos da entrevista concedida por Lula à documentarista Graça Castanheira comprovaram que, enquanto a afilhada cuida da economia brasileira, o padrinho socorre os países europeus mais necessitados. “Obama  pensa nos americanos, Merkel nos alemães, cada um no seu mandato”, descobriu o professor de tudo. “O mundo não está pensando de forma globalizada”. Tradução: o planeta precisa de um Lula.
A performance da dupla que gerou o Brasil Maravilha comprova que só em terra estrangeira a História se repete como farsa. Aqui, uma farsa é reprisada há mais de nove anos a plateias que engolem qualquer história. Oremos.

Cachoeira e as coisas da vida, por Sandro Vaia


Como disse o renomado filósofo contemporâneo Wagner Love, quem nunca capotou com o carro?

Tomando-se como ponto de partida essa profunda e dilacerante reflexão existencial, poderíamos replicá-la para outros cenários onde se desenvolve a penosa e enriquecedora experiência humana em busca de uma explicação para o sentido da vida.
Se nos debruçarmos , por exemplo, sobre o desenrolar de uma das mais populares e rumorosas experiências políticas deste começo de século-a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o contraventor Carlinhos Cachoeira- podemos estender a indagação filosófica de Wagner Love a outros ramos da atividade humana.
Por exemplo:
Quem nunca mandou um torpedo carinhoso e tranquilizador a um aliado político de peso assegurando-lhe que “você é nosso e nós somos teu”?
Quem nunca emudeceu diante de uma comissão de inquérito exercendo o direito constitucional de não testemunhar contra si próprio, tendo ao lado a montanha de sabedoria jurídica de um ex-ministro da Justiça pronto a comprovar quanto o silêncio pode ser de ouro - ou quanto de ouro pode valer um siêncio?
Quem nunca foi dono de uma empreiteira de obras públicas com contratos em 24 estados da federação e que, depois de dizer que políticos são amaciados com dinheiro e de dançar na boquinha da garrafa com um de seus contratantes, desaparece de cena e entrega de graça sua empresa que fatura 3 bilhões aos donos de um frigorífico que por acaso passavam por perto?
(Como até Wagner Love sabe, há uma grande sinergia entre vender carne de boi e construir estádios e obras públicas em geral).
O fato é que, com ou sem a filosofia Wagner Love, entre equívocos e silêncios, a CPMI caminha para um impasse que pode definir a sua irrelevância absoluta.
Gerada artificialmente por um cálculo político equivocado, ela começou sem um roteiro claro e definido, e não dá mostrar de estar perto de encontrar a sua porta de saída.
Ao partido do governo interessava encalacrar Demóstenes Torres, desafeto de tantos anos, e Marconi Perillo, governador de Goiás.
Sonhou que o turbilhão dos escândalos novos encobriria o impacto dos escândalos velhos, como o do Mensalão.
A oposição entrou de cabeça sonhando envolver os governadores do DF, Agnelo Queiroz, e do Rio, Sérgio Cabral.
Nada deu certo. Os governadores continuam blindados e as ações da construtora Delta, se circunscritas ao Centro-Oeste, não prometem grandes emoções. Ou se vai à Delta nacional ou a CPI morre por inanição antes do tempo.
Se tudo continuar assim, Carlinhos Cachoeira terminará a história do mesmo tamanho que começou, como o único vilão, tendo como consolação não só a teoria Wagner Love, como a de sua namorada, a romântica Andressa: “Afinal, quem está livre se ser preso”?
Assim, montar esquemas para enriquecer com dinheiro público continuarão sendo coisas normais da vida, como capotar o carro ou ser preso.
 Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Demóstenes revela: 'fui abusado por Cachoeira'


HUMOR-----The i-piauí Herald
SHOW DA VIDA – O Brasil inteiro se comoveu com o depoimento corajoso do senador Demóstenes Torres ontem à CPI do Fantástico. Com os olhos marejados, o parlamentar revelou pela primeira vez que durante a infância foi repetidamente levado para trás de uma queda d’água onde recebeu propinas à força e concedeu contratos licitatórios.
"Fui abusado por Cachoeira", disse com um esgar. Após dolorida pausa, completou: "Não foi uma nem duas vezes. Foram várias". Enfático, Demóstenes negou ter namorado Pelé: "Foi só uma tabelinha. Todo mundo sabe que a Delta foi o grande amor da minha vida", explicou.
O parlamentar também contou que o cantor Elton John teria lhe proposto casamento. Aos prantos, Demóstenes contou que disse sim. As núpcias só foram canceladas por que o megastar não concordou em contratar Fernando Cavendish para organizar o cerimonial.
“Elton me disse que tanto ele quanto a Rainha jamais concordariam em colocar um guardanapo na cabeça, e eu não poderia me entregar a alguém tão desprovido de noção”, soluçou o senador.
No Congresso, o depoimento de Carlinhos Cachoeira foi marcado por bem menos emoção. Após empregar todas as variações linguísticas existentes para explicar que ficaria calado, Carlinhos Cachoeira resolveu ceder: "Só falo se me derem um Nextel." Apreensivos, todos os parlamentares desligaram os seus celulares.

A assessoria do Senado estuda contratar um tradutor de libras para interpretar o silêncio de Cachoeira

Sem alarde, agentes da Polícia Federal anunciaram a operação Charles Chaplin: "Grampearam o silêncio de Carlinhos Cachoeira. Divulgaremos o resultado nos próximos dias", anunciou o superintendente Jean Dujardin.
Anderson Silva foi convocado para tentar quebrar o sigilo de Cachoeira.

O Rio de Janeiro continua lindo!


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cuidado! Attention! Achtung! Beware!


Crise atual pode ser pior que a Grande Depressão, diz Lagarde

Em palestra para estudantes de Harvard, a diretora-gerente do FMI alertou sobre a ameaça de uma crise financeira global e falou da incapacidade de jovens para encontrar empregos decentes
Andréia Lago, Agência Estado
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse hoje que o mundo enfrenta um dos momentos econômicos mais desafiadores desde os anos 1930.
Em palestra para estudantes universitários da Universidade de Harvard, Lagarde alertou que a crise na zona do euro ameaça espalhar outra crise financeira global e destacou a incapacidade de "75 milhões de jovens para encontrarem empregos decentes, aumentando as desigualdades que impedem que a sociedade permaneça unida". "(isso gera) um temor de que o motor da economia global não funcione mais como sempre funcionou no passado", explicou.
Lagarde disse aos estudantes da John F. Kennedy School of Government que a geração deles "enfrenta provavelmente a pior insegurança econômica em décadas, possivelmente pior até do que a da Grande Depressão".
"Eu realmente desejo que nossa geração possa deixar um legado melhor para vocês. Vamos nos concentrar nisso", afirmou Lagarde. As informações são da Dow Jones.

Politica à moda antiga........

Eleito governador do Rio Grande do Sul em 1934, o general Flores da Cunha foi pressionado pelas oito irmãs e a mãe, durante um ano, a nomear um sobrinho para qualquer cargo. Ele resistiu – considerava o rapaz um inútil. Mas não agüentou a pressão do mulherio e capitulou, dando finalmente instruções a Poti Menezes, chefe da Casa Civil:
- Prepare o ato nomeando meu sobrinho pianista do Palácio Piratini.
- Mas, governador, ele nem sequer sabe tocar piano...
- Não faz mal – retrucou o general – no Palácio não tem piano mesmo!

Artista plástico exige que Espanha se desculpe por humilhação a brasileiro


Foto

El Pais//
MENELAW SETE DISSE QUE NUNCA SE SENTIU TÃO HUMILHADO
Funcionários do truculento serviço de imigração da Espanha mantiveram detido por mais de trinta horas um artista plástico brasileiro, o baiano Menelaw Sete,  47, no aeroporto de Barajas, em Madri, e depois o deportou de volta ao Brasil. Sete fazia uma escala na capital da Esoanha a caminho de Milão, para participar de uma exppsição de arte. “Viajo desde os 15 anos à Europa com a mesma documentação", disse ele ao jornal El Pais, o mais importante da Espanha. Ele tinha uma carta de convite ara a exposição, estava tudo em ordem, mas os burocratas da imigração não quiseram conversa, nem Menelaw Sete conseguiu contato com o consluado-geral do Brasil em Madri. "Entre os detidos havia apenas negros, mexicanos e brasileiros”, relatou. "Me senti obligado a entrar nesta causa porque os brasileiros estã sendo tratados de forma humilhante na España. Minha indignação não é tanto perssoal, ma pela la forma como tratam as pessoas”. Ele aguarda um pedido formal de desculpas do governo espanhol. Durante a detenção por trinta hras, o artista plástico não teve direito nem sequer a usar ao banheiro. “A comida é horrível. Só se tem direito a beber água durante a refeição."

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Acertou no milhar




Comentario meu (abaixo (negocios) e acima (impunidade)--cotidiano de Pindorama:

A marca de simulador de estande de tiros Virtra, com um só representante no Brasil, ganha hoje (23) a licitação de R$ 1 milhão da Secretaria de Segurança do Rio. Custa US$ 80 mil nos EUA.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Brasil tà mudado.......(socialmente)...

Assédio moral-----DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo

Uma vez, lá pelos conturbados idos do governo Collor, um político alagoano cravou no adversário o apelido de "pistoleiro de almas".

Nenhum dos dois era criatura de se abrigar em casa nem flor de bom perfume. Daí, talvez, a escolha pelo acusador da designação que se aplicava de modo específico ao acusado por sua habilidade no manejo da arma do constrangimento moral para atingir seus objetivos.

Aquilo nunca me saiu da cabeça. A expressão de quando em vez escapole do escaninho onde foi guardada, por se adequar a comportamentos e situações recorrentes no cenário político.
Volta forte nesses tempos de substituição de ideias por insultos, de exercício explícito da ilação melíflua, da transformação da opinião em crime passível de rigorosa punição, da intolerância ante o contraditório, da distorção das palavras e ausência de compreensão dos raciocínios, do anonimato a serviço da agressividade no qual as redes sociais na internet encontram o ambiente ideal para replicação.
O desacato coator é o último recurso do covarde cheio de razão e carente de argumentação.
Quando tudo o mais falha, recorre à intimidação. De várias maneiras. Anos atrás, ainda no governo Fernando Henrique, um ministro agastado com declarações de uma deputada atribuiu as críticas a transtornos da menopausa.
Mais ou menos na mesma época, um sindicalista, hoje deputado, chamou a chefe da recém-criada Corregedoria (agora Controladoria) Geral da União de "feia e mal amada" por causa de uma auditoria que detectara fraudes dos repasses de verbas do Ministério do Trabalho para a central sindical dirigida pelo dito cavalheiro.
Não tendo como responder, ambos optaram por aliar humilhação e prepotência para tentar encabular.
Na ocasião não existiam as "redes" que hoje repercutem, ampliam e até conferem eficácia aos ataques. Vejamos os tucanos acusados desde o início do primeiro governo Lula de legar ao País uma "herança maldita".
Não havia substância nem lógica no carimbo, mas foi aceito por puro constrangimento. Em boa medida devido ao fato de que a ascensão de um "operário" ao poder transformava qualquer reação crítica em manifestação de preconceito.
É a dinâmica malsã do maniqueísmo. De certa maneira contribuiu muito para o sucesso do então candidato Fernando Collor de Mello, a despeito de já ter sido um desastre conhecido como prefeito de Maceió e governador de Alagoas.
Como, na condição de candidato à Presidência, se concentrava nos ataques ao impopularíssimo governo Sarney - "batedor de carteira da História", dizia ao modo da "pistolagem" referida pelo conterrâneo citado no início - críticas a ele eram computadas como apoio a Sarney e, por receio, evitadas.

Os inocentes de sempre, por Carlos Brickmann


1 - Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta à época dos fatos investigados, não foi chamado para depor.

2 - O governador fluminense Sérgio Cabral, do PMDB, amigo de Cavendish a ponto de pegar um avião emprestado para ir a seu aniversário em Porto Seguro, não foi chamado a depor. 
 
Foto: Cristiano Mariz 
3 - O deputado petista Cândido Vacarezza, da tropa de choque governista, um dos caciques do partido em São Paulo, foi filmado passando um torpedo para o governador fluminense Sérgio Cabral, do PMDB, garantindo que ele não seria alcançado pela CPI. Como disse Vacarezza (seguindo, aliás, as normas gramaticais tipo "nós pega os peixe", endossadas por seu candidato a prefeito de São Paulo, o então ministro Fernando Vaiddad): "a relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é dos nossos e nós somos dos teu". 
4- O PT queria torpedear o governador goiano Marconi Perillo, do PSDB, poupando o fluminense, Sérgio Cabral, do PMDB, e o brasiliense, Agnelo Queiroz, do PT. Queria atingir a imprensa (Veja) e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusador no julgamento do Mensalão.
O PMDB, mais velho, mais sábio, mais experiente, sabe que as coisas não acontecem assim: pau que dá em Chico dá em Francisco, o cipó de aroeira bate no lombo de quem mandou dar, etc.
O alto comando do PMDB, reunido por José Sarney e Renan Calheiros, vetou a besteira. O PMDB acha que a CPI foi um erro e é melhor enterrá-la. 
carlos@brickmann.com.br

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Cronos ou a renovação das lideranças, por Elton Simões

Não é possível saber por quê. Como frequentemente acontece com as historias dos mitos, os motivos de Cronos são incertos. Nem se sabe se ele sempre foi daquela maneira, ou se ficou assim com o tempo. O certo é que Cronos amava o poder. Para conquistá-lo, castrou o pai. Para mantê-lo, devorava os filhos.
Foi assim que ele devorou cinco de seus seis filhos. O sexto, Zeus, foi salvo por sua mãe, Régia. Ela enganou Cronos, enrolou uma pedra em um pano e ofereceu-a a ele em lugar de Zeus.
Cronos engoliu a pedra sem perceber a troca. Posteriormente, Zeus destronaria Cronos e se tornaria senhor do céu e divindade suprema da terceira geração de deuses da Mitologia Grega. Prendeu o pai com correntes no mundo subterrâneo.
Para Cronos, manter o poder implicava eliminar qualquer possibilidade de sucessão. A renovação era o inimigo a ser combatido. Por isso, eliminar os descendentes era uma necessidade.
Cronos poderia ser o símbolo do corporativismo; do combate à renovação; do esforço de manutenção do poder pela eliminação das alternativas a ele; e da manutenção do “status quo”.
Cronos é a personificação mitológica da proteção dos interesses de uma minoria em detrimento da maioria. Se corporativismo fosse uma categoria profissional, Cronos poderia ser seu símbolo.
De certa maneira, resistir à renovação é compreensível. Faz parte da tensão eterna entre a necessidade do novo e a busca pela estabilidade.
Entretanto, quando exagerada, a resistência à renovação causa grandes prejuízos à sociedade. Ela impede que novos lideres apareçam, novas ideias prosperem, evitando mudanças de direção, na tentativa de eternizar no poder um determinado grupo.
Os melhores sistemas políticos parecem ser aqueles que conseguem promover a renovação e a troca de lideranças sem traumas ou ruptura. Renovar faz parte do DNA desses sistemas e, por isso, o corporativismo fica minimizado.
Um bom sistema politico reconhece que a renovação de lideranças e alternância no poder trazem grandes benefícios. Novas ideias, conceitos e direções são adotados e testados. Se mudarem as circunstancias, novas ações e crenças podem ser adotadas. E estas novas ideias podem ser implantadas por novos lideres. Aumenta a chance de se aproveitar o melhor de cada ideia, pessoa, ou grupo.
Em ultimo caso, quando o sistema politico não ajuda, resta o tempo. O tempo garante a renovação. No limite, a renovação é biológica. Seja por briga, ódio, tedio, amor, veneno, ou remédio, avançar é inevitável. O novo sempre vem. Cronos que o diga. 
Elton Simões mora no Canadá há 2 anos. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria). Emailesimoes@uvic.ca.

O brasil tà mudado....(politicamente)...(segue)


Calçada da Fama---------por Marilia Itamirim:


 Tertuliano, frívolo peralta, 
Que foi um paspalhão desde fedelho, 
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho, 
Tipo que, morto, não faria falta;
Lá um dia deixou de andar à malta, 
E, indo à casa do pai, honrado velho, 
A sós na sala, diante de um espelho, 
À própria imagem disse em voz bem alta:
- Tertuliano, és um rapaz formoso! 
És simpático, és rico, és talentoso! 
Que mais no mundo se te faz preciso? -
Penetrando na sala, o pai sisudo, 
Que por trás da cortina ouvira tudo, 
Severamente respondeu: - Juízo. -

de Arthur Azevedo

O Brasil tà mudado...(financeiramente)...(segue)..


Brasileiro deve R$ 22 bilhões no cheque especial

GABRIELA VALENTE////GIVALDO BARBOSA / AGÊNCIA O GLOBO

BRASÍLIA — O brasileiro que precisa recorrer ao cheque especial para fechar as contas do mês usa esse tipo de crédito — um dos mais caros do mundo — por 22 dias, em média. Ou seja, o salário desses correntistas dura apenas oito dias na conta. Depois disso, começam a usar o limite. O custo da estripulia financeira é estratosférico. No Brasil, os juros cobrados nessa modalidade são de 185% ao ano. Os dados mais recentes do Banco Central (BC) mostram que mesmo num momento de crescimento dos empréstimos e de consolidação de linhas de financiamento mais baratas — como o consignado —, o volume de crédito no cheque especial cresceu 15,6% somente nos três primeiros meses do no. Ao todo, são R$ 21,9 bilhões negativos.
Se todo esse dinheiro fosse dividido pelo número de correntistas do país, significaria que cada pessoa que tem conta em banco está R$ 190 no vermelho.
Jovem solteiro é o maior cliente do cheque especial
Nem o BC nem a Febraban têm um perfil do endividado no cheque especial, mas as instituições financeiras fazem de perto esse controle não apenas para calcular o risco que correm, mas também para prever os lucros. Na Caixa Econômica Federal, os clientes que mais usam essa modalidade de crédito são os solteiros. O banco identificou ainda que são pessoas entre 25 a 35 anos, sem filhos, e com ensino médio completo e renda mensal entre R$ 700 e R$ 2 mil.
Já o Banco do Brasil constatou que os correntistas que recebem salário pela instituição são os que mais ficam no vermelho. O banco alega que só permanece nessa ciranda financeira quem desconhece o programa de redução dos juros lançado recentemente que permite um refinanciamento da dívida. Itaú, Bradesco e Santander se recusaram a informar quais as características dos seus clientes que vivem pendurados no cheque especial. Juntos, esses cinco bancos detém mais de 70% dos ativos do mercado bancário brasileiro.
Durante anos, o BC tem alertado correntistas sobre o peso pesado desses juros. “Proibitivo” é o adjetivo usado recorrentemente pela autarquia para classificar a taxa do cheque especial. A palavra foi adotada no vocabulário do brigadista Rafael Rocha.
Ele descobriu a duras penas que bastava entrar no vermelho que o seu banco aumentava o limite. Começou com R$ 40 negativos. Quando deu por si, estava com um rombo de R$ 400 na conta. A dívida não cabia mais no bolso. Rafael precisou fazer um acerto com a instituição para estancar os juros. Aproveitou o momento da economia — com taxas menores ao consumidor —, foi à agência, negociou com o gerente e trocou seu débito caro, que não parava de crescer, por um crédito mais barato e com juros fixos acertados no início do contrato.
— Hoje, só usaria o cheque especial em uma situação em que eu precisasse muito e se estivesse perto de receber salário, só para não correr o risco de cair de novo nos juros — conta Rafael.
Especialista recomenda cortar gastos supérfluos
Renegociar dívidas é o conselho do educador financeiro Ronaldo Domingos. O economista, presidente do instituto Dsop, recomenda que o endividado faça um diário por um mês. O prazo curto é para não tornar chata e cansativa a tarefa de controlar as finanças. Todas as despesas devem ser contabilizadas para que a família tenha a exata noção para onde vai o salário e onde está o desperdício.
De acordo com um levantamento da bandeira de cartão Visa, o brasileiro não sabe onde gasta 26% de tudo o que ganha. A pesquisa da empresa mostra que, em média, o descontrole consome R$ 2,4 mil por ano de cada brasileiro.
Para Domingos, é com esse dinheiro que o endividado crônico deve quitar sua dívida no cheque especial. Por isso, considera tão importante o diagnóstico feito durante o primeiro mês para cortar supérfluos e reestruturar as despesas.
— Geralmente, essa pessoa vê que gasta mais do que ganha — argumenta Domingos.
Se frear o consumo não for o suficiente para sair do sufoco, ele sugere pegar créditos mais baratos como o desconto em folha de pagamento. Nessa situação, é preciso abolir o cheque especial para não correr o risco de acumular mais dívida.
Domingos alega que este é o momento ideal para fazer essa transição. Com a queda dos juros bancários determinada pela presidente Dilma, que usou instituições públicas para forçar a concorrência, os principais bancos reduziram as taxas .
Para o especialista, a tarefa é difícil, principalmente porque o brasileiro que se afunda no cheque especial é jovem, que, para aproveitar a vida, incorpora a linha de crédito ao salário e usa o dinheiro para consumir:
— É uma ciranda, a consequência é a inadimplência .

O Brasil tà mudado (teluricamente)....


Tremor de terra atinge cidade de Minas
Um tremor de terra ocorrido na manhã deste sábado (19) na cidade mineira de Montes Claros (418 quilômetros de Belo Horizonte) assustou moradores e causou rachaduras em pelo menos um edifício. Não há registro de vítimas. O chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), Lucas Barros, falou que, mesmo sem medida de intensidade exata, o tremor está com certeza entre um dos maiores registrados na cidade. “Para deixar claro, podemos dizer que, na Escala Richter, o tremor foi de aproximadamente 4,2 pontos”, afirmou Barros.  “A cidade de Montes Claros está localizada em uma falha geológica, que fica especificamente dentro do bairro Atlântida. Por isso que sempre acontecem tremores por lá”, explicou o especialista.

domingo, 20 de maio de 2012

Um crime que ignora portas, trancas e câmeras


O Globo--por ELENILCE BOTTARI/////GUSTAVO GOULART
RIO - O furto eletrônico de imagens da atriz Carolina Dieckmann — que teve sua intimidade invadida e exposta na rede mundial de computadores, a partir de um site pornográfico — disparou o alarme sobre uma realidade cada dia mais frequente no Rio: os crimes cibernéticos. Só no ano passado, foram registrados 1.133 casos, entre crimes de injúria, estelionato, extorsão e ameaça. Mas estima-se que esse número seja muito maior, uma vez que, na maioria dos casos, o usuário sequer toma conhecimento do problema, a não ser quando se depara com imagens suas utilizadas de forma leviana na rede ou quando se vê vítima de fraudes e estelionatos. Grades, trancas e câmeras de vigilância não inibem essa nova maneira de cometer velhos crimes: usar a internet pode ser como abrir a porta de casa.
Os jovens, principalmente, ficam muito tempo na rede e acabam passando informações sobre onde moram, estudam, mostram o patrimônio que têm em casa através das fotos que postam ou de webcams, não percebem que a internet é uma porta aberta e nem sempre sabem exatamente com quem estão falando — explica o inspetor Rodrigo Valle, do Grupo de Operações em Portais da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática.
Os hackers quase sempre pedem permissão para entrar na “casa” dos internautas, enviando mensagens falsas de atualização de cadastro de redes bancárias, órgãos públicos e até mesmo de servidores de e-mails, como foi o caso de Carolina Dieckmann.
— São cadastros de contas bancárias, de cartórios eleitorais, da Receita Federal. Tudo com o objetivo de enganar o usuário e fazê-lo fornecer suas senhas. Ao preencher esses cadastros, a vítima está dando total acesso à sua vida privada — afirmou Rodrigo.
Segundo ele, dois tipos de programas são utilizados nesses casos: o phishing e o pharming.
— O phishing tem origem em fishing (pescaria). Através da senha, o hacker entra no banco de dados da vítima e “pesca” suas informações. Já o pharming altera o endereço do roteador e, quando a vítima acessa a página de seu banco, por exemplo, está abrindo na verdade uma página falsa e repassando, sem saber, suas senhas ao hacker.
Modelo teve fotos montadas em falso perfil
Em 2010, a universitária Luciana Romaneli Rodrigues, de 21 anos, soube que fotos suas pessoais haviam sido postadas num site de relacionamentos com montagens de cunho pornográfico. Bastante conhecida em Cabo Frio, onde mora e trabalha como modelo, ela se sentiu indignada com a exposição não autorizada das imagens, como uma em que aparecia de biquíni, e também com a inserção de links de comunidades pornográficas num falso perfil seu criado no Orkut. Luciana chamou o namorado, o advogado Marcos Teixeira de Meneses, que durante vários meses tentou que o site retirasse o falso perfil. No entanto, não teve sucesso. No mesmo ano, ele recorreu à Justiça pedindo a retirada imediata das fotos do site e uma indenização por danos morais no valor de R$ 30 mil.
— A Justiça ordenou a retirada imediata das fotos do falso perfil. Agora, o pedido de indenização por danos morais está sendo analisado. Nos sentimos impotentes diante de uma situação em que a ré se defende dizendo que tem poderes para impedir a inserção de perfis falsos. É um absurdo — analisou Marcos Meneses.
Internauta conseguiu R$ 30 mil de indenização
A criação de um perfil falso também causou transtornos a uma internauta em 2008. Sua página numa rede de relacionamentos foi “hackeada”. Com isso, foi gerado um falso perfil, no qual ela era ofendida. A provedora acabou sendo condenada pela Justiça a pagar R$ 30 mil de indenização por danos morais.
O inspetor Rodrigo Valle, da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, lembra um caso recente em que uma mulher procurou a polícia para reclamar da postagem, num falso perfil, de fotos dela fazendo sexo com um rapaz.
— Não se deve ser ingênuo diante dessas situações. Estamos investigando e já temos uma pista importante. O criminoso teve a maldade de botar no site o número do telefone dela e o seu local de trabalho, dizendo que era garota de programa — contou o inspetor, indignado.
O policial alerta para o perigo de usar programas piratas.
— Muitas vezes, as pessoas compram sistemas operacionais piratas. O problema é que eles não podem ser atualizados. As empresas donas dos sistemas operacionais têm profissionais que passam o tempo todo com programas fazendo análises para localizar possíveis falhas. E, quando encontram, fazem atualizações, que são enviadas para seus usuários. Os hackers analisam essas atualizações e enviam vírus direcionados a essas falhas. Quem tem programas operacionais originais e costuma atualizá-los não terá problemas. Mas os que têm programas piratas, ou não têm o hábito de atualizar seus sistemas, podem ser atacados — explicou o inspetor.

Lula e FHC iniciam amizade no Facebook


The i-piaui Herald

FACE - Após criar sua página pessoal no Facebook, o ex-presidente Lula enviou solicitações de amizades a parlamentares da base aliada. "Meus amigos e minhas amigas, peço seu voto para me tornar prefeito no Foursquare", escreveu.
Em seguida, deixou recados carinhosos para os aniversariantes e cutucou Fernando Collor. "Falar de mim é fácil, difícil é ser eu" escreveu Lula em sua timeline, enquanto alterava seu status para "em um relacionamento sério com Marisa Letícia".
A assessoria de imprensa do Instituto Lula informou que o ex-presidente conseguiu apoio suficiente para propor uma reforma agrária no FarmVille.
"Nunca antes na história desse Facebook, um metalúrgico foi tão longe", diz o texto.
O ex-presidente prometeu ainda enviar solicitações de "Meu Calendário" para as classes menos favorecidas e disse que irá se empenhar pessoalmente para implementar o Bolsa-Clique: "Todo braslieiro terá direito ao seu link patrocinado", vaticinou. Trinta milhões de pessoas curtiram.

 
 Lula compartilhou a foto acima e escreveu: "É noiz no Planalto, mano. #vidaloka"

Numa atitude que julgou "histórica", Lula enviou solicitações de amizade para Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Ambos aceitaram prontamente.
Lula, no entanto, ainda não respondeu à solicitação de amizade enviada por José Dirceu. Segundo sua assessoria, o ex-presidente quer se certificar se não se trata de um perfil falso.
Antes de fazer logoff, Lula ainda teve tempo de compartilhar o link do perfil de Fernando Haddad. "O companheiro Haddad ainda tem poucos amigos", escreveu. Só 3% das pessoas clicaram.