segunda-feira, 30 de abril de 2012

Frases exemplares, por Geraldinho Vieira


“Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém; ninguém for tão pobre que tenha de se vender a alguém”.
Muito romântico, Jean-Jacques Rousseau dizia coisas assim, mais de dois séculos atrás (1712-1778). Tinha a capacidade de ver as coisas como são e de não aceitar muitas coisas da maneira como se tornaram.
Há frases que vivem muitas vidas. Normalmente são criações que nascem livres das censuras da viabilidade ou da necessidade de prova. Expressam idéias (percepções) que carregam verdades ou partes das verdades e por isso se repetem aqui e ali, agora e sempre. Podem não revelar propriamente uma descoberta, um insight, mas provocam o espírito. Dizem com certo sabor algo de uma condição para a qual a espécie parece condenada.
Mudam os séculos, os personagens, mas a tonalidade das ações humanas se reproduz por muitas e muitas vidas, como se estivéssemos configurados para a repetição.
O médico Deepak Chopra tem outra destas frases que capturam o espírito: “O ser humano é um bando de condicionamentos”.
Nas coisas da disputa de poder, por exemplo, há sempre muita água rolando (ôpa!), mas são encarnações da mesmice. A história está cheia das mesmas estórias.
Tanto é que 4 séculos antes de Cristo, lá estava Platão esbravejando à sua maneira contra a alienação do povo: “O preço a pagar pela sua não participação na política é ser governado por quem é inferior”. Pegou pesado com os políticos...
São frases que se tornam clichês porque dizem como caminha a humanidade: em círculo!
Melhor do que elas, para expressar a roda da vida, só mesmo as piadas! E a condição humana bem que se presta a uma tonelada de boas piadas.

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Geraldinho Vieira (texto) e Claudius (charge) são jornalistas

Ha malas que vêem pelo trem.......

Maluf ainda está na lista de procurados
A Justiça de Nova York negou pedido do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) para que fosse retirado da lista internacional de procurado pela polícia, conhecida como difusão vermelha. A decisão da corte norte-americana, informada pelo jornal "O Estado de S. Paulo", recusou também o encerramento da ação criminal em andamento contra Maluf em Nova York. O deputado é acusado de manter contas no exterior abastecidas com dinheiro resultante de atos de corrupção em sua gestão na Prefeitura de São Paulo de 1993 a 1996. A assessoria de Maluf afirmou que ele não iria se manifestar sobre a decisão e que o deputado "não tem e nunca teve contas no exterior".

domingo, 29 de abril de 2012

September, Lafayette, pas perdre!

Les FRANCADIENS et their "sense of humor" intacte! Centurys unused. Don't miss!ENJOY

A Big Bosta.......by Chico dos Cartoons


DEM faz proposta milionária por Guardiola; by "The i-piauí Herald"


HUMOR--Bom de linguagem corporal, Guardiola responde como será daqui para frente a relação do partido com Carlinhos Cachoeira.
ASA NORTE – Desesperados por uma tática vitoriosa que salve o partido, dirigentes do DEM fizeram uma proposta irrecusável para o técnico demissionário do Barcelona, Pepe Guardiola. 
"São dois milhões de reais por mês em fichas de pôquer, mais uma fazenda de setenta mil hectares no Mato Grosso do Sul, com cento e quinze capangas e uma mata linda esperando para ser derrubada. Além disso, oferecemos duas concessões de TV, com direito a transmitir programas em catalão, e cargos comissionados para toda parentela, extensivos aos próximos 105 anos ", explicou o presidente da legenda Agripino Maia.
Anunciado como novo presidente de honra do DEM, Pepe Guardiola anunciou seu plano de jogo para livrar o partido do rebaixamento.
"Na hora de explicar as denúncias, Agripino passa a bola para ACM Neto, que passa para Rodrigo Maia, que passa para Ronaldo Caiado, que passa para Onyx Lorenzoni. Tem de ser rápido para fugir da marcação da imprensa", explicou.
Guardiola também ressaltou a importância de atacar em bloco o governo, e marcar, por zona, a aprovação do Código Florestal.
No final do dia, como primeira medida, Guardiola promoveu a entrada de dois senadores suplentes para o time titular.

sábado, 28 de abril de 2012

Zangam-se as Comadres, sabem-se as Verdades....



As imagens mostram o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), o secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, e o empresário dono da Delta, Fernando Cavendish, no hotel Ritz, em Paris, com mais duas pessoas se divertindo muito e fazendo algumas "gracinhas".  As imagens foram publicadas pelo Blog do deputado Anthony Garotinho (PR), e segundo o texto, "Cabral e seus amigos viajavam pelo mundo em “vôos da alegria”, pagos com o dinheiro público, fazendo farras, esbanjando".


Comentario meu--êsse Garotinho, como os seus concorrentes (acima), precisa "crescer". O Rio merece mais e de melhor qualidade.
NB- Providencialmente, para os cofres publicos, o RITZ (Paris) entra em obras, por dois anos.....O de Lisboa continua aberto.....

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Arthus-Bertrand: o mar é a lata de lixo da humanidade



O fotógrafo Arthus-Bertrand diante da foto do Piscinão de Ramos
Há 20 anos, o fotógrafo e ambientalista Yann Arthus-Bertrand, francês, começou a fazer fotografias aéreas que resultaram em exposições e no fantástico livro "A Terra vista de Cima", que reúne 170 fotografias inesquecíveis. Pela primeira vez o fotógrafo está no Rio para a abertura de sua exposição na Cinelândia, com 130 fotos, e um debate dentro da série Encontros do GLOBO, no Cine Odeon, ocorrido hoje à tarde. O fotógrafo foi aplaudido quando disse que, apesar de importantes, eventos como o da Rio+20 -- a conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável -- raramente produzem resultados concretos.
-- Não são os políticos que vão mudar o mundo, mas nós, cidadãos. Não teremos uma revolução política nem econômica, mas espiritual, no sentido ético e moral -- afirmou o ambientalista, que, após o debate, apresentou seu filme "Home".
Arthus-Bertrand -- que veio a convite da Rio+, quando serão exibidos documentários dele no Cine Odeon -- transmite a ideia de que é um cético que não tem outra alternativa a não ser acreditar que o mundo vai resgatar seu meio ambiente e, ao final, a civilização vai se salvar.
-- Somos a única espécie que sabe da tragédia ambiental e não toma providências. O mundo não vai acabar mas é preciso fazermos algo para evitar isso. Consumir menos, por exemplo -- afirmou o fotógrafo, lembrando o dia em que reuniu um grupo de crianças e perguntou se elas achavam que o mundo ia acabar.
-- Sessenta por cento ergueram os braços. As crianças têm mais consciência do que os adultos da gravidade da situação pela qual atravessa o mundo hoje -- disse Bertrand, no debate que teve a participação do fotógrafo Custodio Coimbra e, como mediador, o fotógrafo e editor de suplementos do GLOBO, Marco Antônio Rezende.
A exposição terá fotografias aéreas feitas na Praia de Ipanema, Centro, Rocinha e no Piscinão de Ramos.
-- Fiz foto do Piscinão de Ramos lotado, ao lado do mar da Baía de Guanabara, toda vazia por causa da poluição -- observou Bertrand. 

Ex-piloto de balões -- o que ajudou em seu trabalho -- Bertrand já fotografou áreas em 120 países. Em entrevista ao blog de Ancelmo Gois, ele disse que os países da África apresentam maior degradação ambiental hoje e que os países nórdicos são os mais conscientes da questão ambiental, confirmando que educação tem tudo a ver com meio ambiente. Ele disse acreditar na importância de seu trabalho como testemunha da degradação do planeta, apesar da aparente contradição de o feio (a poluição) produzir o belo na plasticidade de suas fotografias
-- Minhas fotos ajudam a explicar o mundo de uma forma bonita -- diz o fotógrafo, para quem a técnica e os equipamentos não são tão importantes para se fazer boas fotos, mas, sim, a motivação para produzi-las.

Apesar de ter percorrido tantos países, Bertrand diz que o melhor lugar do mundo é a casa dele. E suas melhores fotos são as dos filhos em sua carteira.
Bertrand é engajado em educação ambiental. Para isso deu câmeras fotográficas a ONGs que atuam no Tânger (Marrocos) pra documentar a degradação ambiental lá. 

-- Infelizmente o mar é a maior lata de lixo do planeta. O mundo virou uma imensa loja em que todos querem consumir para se sentir melhor. E isso é ruim para o planeta -- afirma Bertrand.
O Centro do Rio visto de cima, em foto de Bertrand
Em 20 anos que Bertrand fotografa a terra vista de cima:
-- O PIB mundial aumentou em 75%, chegando a 63 TRILHÕES de dólares, mas ainda há UM BILHÃO de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza.
-- Cerca de 1 BILHÃO de homens e mulheres sofrem de desnutrição e quanto o mesmo número sofre de obesidade. 

-- As emissões de CO2 aumentaram em 36% e atingem 30 BILHÕES de toneladas por ano. Mas as energias renováveis progridem a uma velocidade tremenda: o uso da energia solar cresceu 30.000%.
-- As florestas mundiais perderam quase 300 MILHÕES de hectares, ou seja, quase 13 MILHÕES de hectares por ano. Mas atualmente quase 6% das florestas são certificadadas -- e hoje, 13% das terras são protegidas.
-- Uma espécie de vertebrado em cada 5 corre risco de extinção.
A entrada da Rocinha vista de cima
Uma das entradas da favela da Rocinha com a passarela sobre a auto-estrada Lagoa-Barra

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A criminalização dos agentes econômicos; por Bruno Lima Rocha


O noticiário brasileiro é uma aula de economia política. Se analisarmos o modus operandi dos líderes de oligopólios (como telecomunicações, construção civil, serviços públicos terceirizados, dentre outros), veremos conceitos-chave, capazes de explicar porque temos uma sociedade ainda tão desigual e porque a moral privada das elites políticas no Brasil (fisiológica e patrimonial) casa tão bem com o vale-tudo empresarial que nos acostumamos a ver.
Conceitos como relações assimétricas (desiguais) entre agentes econômicos e representações sociais diante do Estado; barreira político-institucional (como a bancada do latifúndio); oligopólio como classe de mercado (quebrando o falso mito do capitalismo concorrencial); o Estado como pagador de última instância (e promotor de fusões e concentrações de capital); assim como a impunidade seletiva (os grandes nunca são punidos), ocupam páginas e telas jornalísticas brasileiras praticamente todas as semanas.
Ouso afirmar que não é a corrupção político-empresarial uma pauta fixa, mas sim a criminalização do agente econômico. Isto se dá por duas razões complementares.
Uma por que as grandes empresas têm nas compras e contratos com os três níveis de governo uma fonte permanente de alta lucratividade. Segundo, pelo fato de que para estes contratos saírem, por mais que circule ideologia jacobina dentro do aparelho de Estado, tem gente importante do outro lado do balcão disposta a quase tudo.
Para a sorte deles nossa sociedade ainda é composta de uma massa de iletrados e semi-analfabetos com pouco hábito de leitura e opinião sobre os temas mais importantes do país. Assim, o contraponto da boa sorte para os piratas do erário público é a desgraça da maioria dos brasileiros.
Chaga esta alimentada pela desorganização dos setores sociais em reivindicação, pasmaceira fruto do presidencialismo de coalizão exercido por um governo de centro-esquerda não classista, portanto, distante da mobilização social.
Se tivéssemos distintas formas de reação, haveria resposta popular imediata diante de algumas operações da Polícia Federal, como a Chacal, Satiagraha, Gautama, Castelo de Areia e Monte Carlo. Teríamos outro país com dez por cento destes grupos empresariais punidos, com bens bloqueados e contratos suspensos.
Na ausência desta pressão popular, vemos através da grande mídia, a criminalização dos agentes econômicos, reagindo de forma tão distante quanto o povo boquiaberto assistindo ao golpe de Estado que proclamou a República.
 Bruno Lima Rocha é cientista político 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A deliciosa história sobre a invenção do jogo do bicho; por Luiz Antonio Simas, n'O Globo


O jogo do bicho surgiu no Rio de Janeiro em 1893. A criação da loteria popular mais famosa do Brasil se deve ao complicado contexto político daqueles tempos. A República, recentemente proclamada, tentava sepultar os resquícios da Monarquia derrubada — e desse quiproquó entre os adeptos dos regimes surgiu o jogo. Explico.

Nos tempos da Monarquia, o Barão de Drummond, eminência política do Império e amigo da família real, era fundador e proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro — que então funcionava em Vila Isabel.
A manutenção da bicharada era feita, evidentemente, com uma generosa subvenção mensal do governo, suficiente, diziam as línguas ferinas dos inimigos do Barão, para alimentar toda a fauna amazônica por pelo menos dez anos.
Quando a República foi proclamada, o velho Barão perdeu o prestígio que tinha. Perdeu, também, a mamata que lhe permitia, segundo o peculiar humor carioca, alimentar o elefante com caviar, dar champanhe francesa ao macaco e contratar manicure para o pavão.
Sem o auxílio do governo, o nosso Barão cogitou, em protesto, soltar os bichos na Rua do Ouvidor — o que, admitamos, seria espetacular — e fechar em definitivo o zoológico do Rio.
Foi aí que um mexicano, Manuel Ismael Zevada, que morava no Rio e era fã do zoológico, sugeriu a criação de uma loteria que permitisse a manutenção do estabelecimento. O Barão ficou entusiasmado com a ideia.
O frequentador que comprasse um ingresso de mil réis para o Zoo ganharia vinte mil réis se o animal desenhado no bilhete de entrada fosse o mesmo que seria exibido em um quadro horas depois. O Barão mandou pintar vinte e cinco animais e, a cada dia, um quadro subia com a imagem do bicho vitorioso.
Caríssimos, se bobear essa foi a ideia mais bem-sucedida da história do Brasil. Multidões iam ao zoológico com a única finalidade de comprar os ingressos e aguardar o sorteio do fim de tarde.
Em pouco tempo, o jogo do bicho tornou-se um hábito da cidade, como os passeios na Rua do Ouvidor, a parada no botequim, as regatas na Lagoa e o fim de semana em Paquetá. Coisa séria.
A República, que detestava o Barão, proibiu, depois de algum tempo, o jogo no zoológico. Era tarde demais.
Popularizado, o jogo espalhou-se pelas ruas, com centenas de apontadores vendendo ao povo os bilhetes com animais dadivosos. Daí para tornar-se uma mania nacional, foi um pulo. O jogo do bicho deu samba — com trocadilho.
Contei rapidamente a história da criação do jogo para constatar o seguinte: a situação atual do zoológico do Rio de Janeiro não parece ser muito diferente daqueles tempos bicudos do velho Barão de Drummond.
Dia destes, o próprio O GLOBO veio com uma reportagem chamando atenção para o desleixo a que o jardim está entregue em tempos recentes. Enquanto a loteria popular prosperou e virou uma espécie de instituição nacional, o zoológico não teve a mesma sorte.
O jogo, que a rigor foi criado apenas para tirar o zoológico da situação de abandono e com uma inocência digna das histórias de Polyana, a moça, chegou longe demais. Vejam, por exemplo, as atuais peripécias republicanas do bicheiro Carlinhos Cachoeira (curiosamente chamado por alguns da mídia de “empresário da contravenção”).
A inocente loteria popular ganhou asas e se transformou em uma complexa organização criminosa, com tentáculos inimagináveis que envolvem até mesmo cândidas vestais de ternos e togas do moralismo tupiniquim.
Deixo aqui a minha sugestão: já que o poder público aparentemente não dá pelota para a bicharada, confisquem as fortunas que o crime organizado amealhou em aparente conluio com os bacanas e poderosos da República.
Separem um pouquinho da grana tungada e, por justiça histórica, destinem o tutu ao carente Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.
Uma parte do dinheiro do mafioso Cachoeira deve servir ao nobre destino de alimentar cobras, leões, passarinhos e macacos que, afinal de contas, fazem a alegria da criançada carioca em fins de semana.
A César o que é de César. Ou alguém aí sugere a criação de uma loteriazinha inocente que pode salvar o zoológico carioca desse abandono? Não recomendo. 
Luiz Antonio Simas é historiador

terça-feira, 24 de abril de 2012

O dia à dia do "Bananão" (Ivan Lessa dixit)

BA: justiça determina prisão 
de ex-secretário de segurança

FotoGENERAL EDSON SÁ ROCHA
A Justiça da Bahia expediu mandado de prisão para o ex-secretário de Segurança Pública do Estado, general Edson Sá Rocha. Ele é acusado de estar envolvido em um esquema de fraude na segurança de Alagoas. O ato teria sido praticado quando Sá foi secretário de Defesa Social, em 2007. O esquema acabou levando a polícia a realizar a “Operação Espectro” nesta segunda (23), em Maceió. A ideia é investigar fraude na compra de alimentos para presídios alagoanos. A ação resultou na prisão de seis pessoas entre elas coronéis, uma empresária, um servidor público e um policial civil aposentado. Um capitão da Polícia Militar e outros dois coronéis também tiveram mandado de prisão expedido pela 17ª Vara Criminal.

Blogueiro maranhense executado a tiros

FotoDÉCIO SÁ


O jornalista Décio Sá, um dos mais conceituados blogueiros do Maranhão, foi executado a tiros na Avenida Litorânea, em São Luís, agora há pouco. Ele estava com amigos no bar Estrela do Mar quando uma moto parou e, enquanto o condutor aguardava, o carona desceu e disparou três tiros à queima-roupa, sendo um na testa. Décio Sá trabalhava no jornal O Estado do Maranhão, pertencente à família Sarney, e fazia também no Blog do Décio, um dos mais lidos do Estado. "Foi um crime muito ousado, encomendado. As pessoas que entrararam aqui no bar vieram com a intenção de executar o jornalista Décio Sá. As pessoas que testemunharam o fato disseram que o autor dos disparos não escondeu nem a cara", disse o secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes.



Bancos armam 'pegadinhas' para não reduzir taxas de juros

Roberta Scrivano e Paulo Justus, O Globo
Os clientes que foram [ontem] aos bancos para ter informações sobre as novas taxas de juros saíram decepcionados. A principal reclamação é que, para usufruir de menores percentuais anunciados nas propagandas, é preciso cumprir uma série de requisitos.
As “pegadinhas” vão desde a aplicação do juro menor apenas para empréstimos de prazo muito curto até a exigência de um tempo mínimo de conta no banco.
Em uma agência visitada [ontem] pelo GLOBO em São Paulo, um cliente que não se identificou disse que “não é como está na propaganda”. Até os gerentes concordaram com o comentário dos correntistas e alertam que há “muitas pegadinhas” nos novos anúncios.

Leia mais aqui---http://oglobo.globo.com/economia/as-pegadinhas-por-tras-das-reducoes-das-taxas-de-juros-4719108

domingo, 22 de abril de 2012

Quem patenteia suas invenções só no Brasil se dá mal, por Ruy Fabiano


Há dias, o paulista Mike Krieger, 26 anos, inventor de um aplicativo – o Instagram, que produz efeitos em fotos para tablets e permite compartilhá-las na internet -, foi figura central de uma das maiores negociações já feitas na Web: vendeu seu software ao Facebook por nada menos que 1 bilhão de dólares.

Como se associara a outro empreendedor, que bancou os custos operacionais de seu invento e detinha contratualmente 90% do produto, embolsou 100 milhões de dólares, correspondentes aos dez por cento de sua participação societária, mais que suficientes para turbinar sua carreira mundial de inventor.
Já o mineiro Nélio Nicolai, 72 anos, autor, entre outros, de três aplicativos mundialmente consagrados - o Bina (rebatizado pelas operadoras de telefonia de “identificador de chamadas”, para driblar a patente); o Salto (sinalização sonora que indica, numa ligação, que outra aguarda na linha); e o SMS Transações Bancárias -, luta há mais de 30 anos contra os que usurparam seus inventos e os comercializam mundialmente sem sua autorização.
O que diferencia o destino de Krieger do de Nélio? Simples: Krieger patenteou seu aplicativo nos Estados Unidos, para onde se transferiu aos 18 anos, enquanto Nélio registrou o seu no Brasil, onde permanece (mora em Brasília).
Nos Estados Unidos, direito autoral é coisa sagrada, que ninguém ousa violar.
No Brasil, muito pelo contrário...
O aplicativo de Krieger foi adquirido pelo Facebook, que temia sua crescente popularidade e inevitável concorrência. Se preferiu comprá-lo a pirateá-lo, não foi por bom mocismo, mas por uma razão simples: seria judicialmente condenado se agisse de outra forma. Ciente disso, nem cogitou de uma transgressão.
Já os usuários dos aplicativos de Nélio – as operadoras multinacionais de telefonia – não hesitaram em optar pela pirataria, e por uma razão também simples, exatamente inversa à do Facebook.
Aqui, afinal, é a terra do Capitão Gancho, onde pirataria dá certo. Então, por que pagar o autor?
Cada país tem sua lógica. Talvez por isso (talvez coisa nenhuma!), o Brasil responda hoje por apenas 0,1% da produção mundial de patentes. E essa minoria abnegada configura o que o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis, define como “alguns raros heróis que se aventuram por aí, sem contar com infraestrutura, nem estímulos concretos”.
Embora as patentes de Nélio estejam registradas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) desde 1979, cumprindo todos os requisitos legais, jamais lhe foi pago um só centavo.
Os diversos governos, desde então - do regime militar à redemocratização -, jamais se sensibilizaram com a situação, embora o país perca bilhões de dólares anuais em royalties e transferência de tecnologia. 
Se patente não significa nada, por que não fechar então o INPI?
O Bina e o Salto são serviços cobrados pelas companhias telefônicas em todo o mundo. Em São Paulo, por exemplo, a identificação de chamadas custa a cada assinante R$ 12,70 ou US$ 6.
Nélio, solitariamente, enfrenta há anos esses gigantes, comprometendo saúde e patrimônio pessoal. O que ouve de gente do governo e de advogados das operadoras é sempre depreciativo. Chamam-no de louco, visionário e, pasmem, ambicioso.
Pior: uma das infratoras, a multinacional Ericsson, responsável pela maioria das centrais eletrônicas no Brasil, teve a caradura de impetrar processo no Tribunal Federal da 2ª Região do Rio de Janeiro, pedindo nulidade da patente brasileira. Nada menos.
Se não conseguiu a nulidade, operou uma proeza: transformou a vítima em réu. A Justiça proibiu Nélio de utilizar o próprio invento, enquanto não houver a sentença final, mas, enquanto isso, a ré pode continuar a usá-lo. Lógica interessante.
Ignorado no Brasil, Nélio coleciona títulos no exterior. Entre outros, uma comenda que, em qualquer parte do mundo, seria o tiro de misericórdia nas pretensões judiciais dos que lhe usurparam o invento: um diploma do World Intellectual Property Organization (WIPO), reconhecendo e recomendando suas patentes.
Se o Instagram – de uso gratuito e interesse restrito a uma parcela dos usuários das redes sociais -, vale 1 bilhão de dólares, quanto vale o Bina, usado (e cobrado) em todo o mundo?
Somente no Brasil, há hoje 250 milhões de usuários de celular (fora os de telefonia fixa) com o serviço Bina, que garantem faturamento mensal de 3 bilhões de reais às operadoras. Quanto o país perde com isso? Quantos PACs poderiam estar sendo financiados? Quantas escolas e hospitais? Perguntem ao governo federal, ao Judiciário e às operadoras.
Ruy Fabiano é jornalista

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O encontro do PT com suas malfeitorias, por Elio Gaspari


O Globo----Materializou-se um pesadelo do comissariado petista. Foi ao ar o grampo em que o empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, diz: “Se eu botar 30 milhões na mão de um político, eu sou convidado para coisa para c.... . Pode ter certeza disso, te garanto”.

A versão impressa dessa conversa surgiu em maio passado, numa reportagem da revista “Veja”. Ela descrevia uma briga de empresários, na qual dois deles, sócios da Sygma Engenharia, desentenderam-se com Cavendish e acusavam-no de ter contratado os serviços da JD Consultoria, do ex-ministro José Dirceu, para aproximar-se do poder petista. A conta foi de R$ 20 mil.
À época, o senador Demóstenes Torres, hoje documentadamente vinculado a Carlinhos Cachoeira, informou que proporia uma ação conjunta da oposição para ouvir os três empreiteiros. Deu em nada, como em nada deram inúmeras iniciativas semelhantes. Se houve o dedo de Cachoeira na denúncia dos empresários, não se sabe.
Diante do áudio, a Delta diz que tudo não passou de uma “bravata” de Cavendish. O doutor, contudo, mostrou que sabe se relacionar com o poder. Tem 22 mil funcionários e negócios com obras e serviços públicos em 23 Estados e na Capital. No Rio de Janeiro, participa do consórcio da reforma do Maracanã. Seu diretor regional de Goiás era interlocutor frequente de Carlinhos Cachoeira.
Na última eleição, Cavendish botou R$ 1,1 milhão no cofre do Comitê Nacional do PT e R$ 1,1 milhão no do PMDB. Em ambos os casos as doações foram legais.
Em apenas quinze meses, durante o segundo mandato de Sérgio Cabral, de quem Cavendish é amigo, a Delta conseguiu contratos no valor de R$ 1,49 bilhão, R$ 148 milhões sem licitações. Suas contas com o PAC chegam a R$ 3,6 bilhões.
Talvez o comissariado petista pensasse que o grampo de 2009 seria sepultado. Seu erro foi, e continua sendo, acreditar que pode empurrar esse tipo de conta para mais tarde.
Se o comissário Ruy Falcão acreditou que a CPI em torno das atividades de Carlinhos Cachoeira exporia a “farsa do mensalão” (rótulo criado por Lula), enganou-se. O PT tem um encontro marcado com as malfeitorias de seu comissariado.
Desde 2004, quando apareceu o primeiro grampo de Cachoeira, no qual ele corrompia um servidor que se tornaria subchefe da Casa Civil, a questão é simples: corta na carne ou continua a contaminar o organismo.
O que o comissariado vem fazendo é mostrar-se poderoso o suficiente para dobrar as apostas. Tamanha é sua onipotência que há nele quem creia ser possível contaminar ministros do Supremo Tribunal Federal.
Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo e ex-ministro de Lula, condena a possibilidade de o ministro José Dias Toffoli vir a se declarar impedido de julgar o mensalão, mesmo tendo sido assessor do PT, da Casa Civil de José Dirceu e advogado-geral da União de Lula. Nas suas palavras: “Ele não tem esse direito.” (O ministro Ricardo Lewandowsky, em cuja mesa está o processo do mensalão, pertence a uma próspera família de São Bernardo, em cuja Faculdade de Direito diplomou-se).
Passaram-se sete anos do surgimento da palavra “mensalão” e o PT continua adiando a hora da faxina. Na semana passada os comissários flertaram com a ideia da criação de uma CPI que supunham letal para a oposição. Em poucos dias, descobriram que estavam enganados

É possível consumir mais de um planeta?; José E.D.Alves


Muita gente acha estranho quando se diz que a humanidade já está consumindo 1,5 planeta (um planeta e meio). Mas, segundo a metodologia da pegada ecológica, o mundo deverá atingir o consumo equivalente a 2 planetas entre 2030 e 2050, dependendo da continuidade do ritmo das loucuras do modelo atual.

Mas como é possível consumir mais de um globo terrestre?
A resposta é simples: não existe apenas um planeta Terra, mas dois, um planeta vivo e um planeta morto. O primeiro está na superfície e o segundo no subsolo.
O planeta morto é composto por material orgânico decomposto e que foi fossilizado em decorrência dos efeitos da pressão e das temperaturas elevadas atuando durante milhões de anos junto ao processo de soterramento.
A matéria orgânica é constituída por substâncias contendo carbono na sua estrutura molecular. A queima deste carbono transforma este material em combustíveis fósseis.
O carvão mineral, o petróleo e o gás natural são os combustíveis fósseis mais utilizados, servindo para colocar em movimento as locomotivas, trens, carros, caminhões, navios, além de gerar eletricidade para toda a cadeia produtiva da economia (inclusive hospitais e escolas) e para o consumo particular das famílias.
Os combustíveis fósseis, além de serem finitos, provocam grande poluição, sendo um dos principais responsáveis pelo efeito estufa que aquece a atmosfera da Terra, gerando mudanças climáticas. A utilização dos combustíveis fósseis possibilitou que a população humana e a economia apresentassem um crescimento sem precedêntes nos últimos 200 anos.
A humanidade se espalhou por todo o planeta, em muitos casos, destruindo biomas e comprometendo a qualidade das águas, ao mesmo tempo que a capacidade de regeneração da Terra é reduzida. Num processo de crescimento permanente da pegada ecológica, o ser humano tem ultrapassado as fronteiras planetárias.
Porém, cabe a pergunta: é possível consumir mais de um planeta?
Sim, no curto e médio prazo, da mesma forma como é possível uma pessoa gastar mais do que recebe.
Tudo depende das condições herdadas. Suponha que uma pessoa herdou uma empresa com um capital de R$ 10 milhões de reais, propiciando uma receita líquida mensal de R$ 20 mil para o herdeiro proprietário. Mas suponha que este felizardo resolva gastar em média R$ 30 mil por mês. Provavelmente este proprietário conseguirá viver nesta situação por 20 ou 30 anos.
Todavia, irá certamente à falência depois de destruir o patrimônio herdado. Este tipo de situação acontece com frequência e está explícito naquele velho provérbio: “Pai rico, filho nobre, neto pobre”.
Jorginho Guinle é um “bom” exemplo de pessoa que passou toda a vida torrando os recursos herdados. Segundo a Wikipedia: “Jorge Guinle (1916-2004) foi um socialite, playboy e herdeiro milionário brasileiro. Viveu a época áurea do Rio de Janeiro entre a década de 1930 e 50, onde conheceu e acredita-se que tenha tido relações amorosas com diversas atrizes de Hollywood. Residiu no hotel Copacabana Palace (fundado por seu tio, Octávio Guinle) até a sua morte, gabando-se de nunca ter trabalhado na vida. Jorge se orgulhava de ter gasto a fortuna de quase cem milhões de reais que lhe foi deixada de herança”.
De certa forma, a humanidade está seguindo o princípio de Jorginho Guinle de viver dos recursos da herança e gastar mais do que a mãe Terra oferece. A humanidade está vivendo da riqueza deixada e acumulada durante milhões de anos em forma de combustíveis fósseis. Porém, a economia e a renda per capita mundial crescem na medida em que essa herança é, literalmente, queimada.
Ao mesmo tempo em que a humanidade está consumindo e torrando o planeta morto vai também destruindo ou danificando seriamente as matas, os rios, os lagos e os oceanos. Ou seja, a humanidade está utilizando um modelo de desenvolvimento que consome a herança do passado e destrói as bases da vida do futuro.
A falta de compromissos sérios por parte dos governos e das Conferências da ONU indica que este processo deve continuar até 2050. Provavelmente, em meados do século XXI, os cerca de 9 billhões de habitantes do mundo estarão em situação semelhante àquela da senilidade de Jorginho Guinle.
Ou seja, a humanidade vai estar com um passivo contábil muito grande, mas sem a contrapartida do ativo natural para sustentar o padrão de vida alcançado.
A continuidade deste processo vai tornar quase impossível a sobrevivência de todos os seres vivos depois que a humanidade queimar os restos do planeta morto e destruir o planeta vivo.

José Eustáquio Diniz Alves é doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE. Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Justiça é cega, mas tem "tato"..........


COLARINHO BRANCO////////Cacciola recebe indulto
Réu no escândalo do Banco Marka, onde foi condenado por crimes contra o sistema financeiro, o ex-banqueiro Alberto Cacciola recebeu indulto concedido pela juíza Roberta Barrouin Carvalho de Souza, da Vara de Execuções Penais do Rio. A notícia foi dada em primeira mão pela coluna de Ancelmo Gois, no jornal O GLOBO de hoje.
O ex-banqueiro estava condenado a 13 anos de prisão. Ele fora beneficiado por liberdade condicional e  passou a responder os processos em liberdade depois de ter  ficado quatro anos preso em Bangu 8, no Rio. Cacciola ficou foragido na Itália por quase seis anos e foi extraditado ao Brasil em julho de 2008.
Para conceder o indulto, a juíza explicou ter cumprido as exigências da lei. O réu tem mais de 60 anos de idade (no caso de Cacciola são 68 anos "bem vividos"), cumpriu um terço da pena e não cometeu falta grave nos 12 meses anteriores ao benefício. Ah, bom.
A magistrada extinguiu a punibilidade do crime. Em outros palavras, Cacciola está livre como um pássaro. 
Em tempo: o indulto é uma medida geralmente tomada pela  Presidência da República.

Charge do Chico Caruso, n'O Globo


terça-feira, 17 de abril de 2012

Para ela....

Votar é para quem fez a escolha pela vida, por Elton Simões


A gente sempre consegue planejar, mas raramente consegue prever. Do ponto de vista emocional, planejar traz conforto, segurança. Do ponto de vista prático planejar nos permite saber onde e como as coisas deram certo, ou errado.
De uma maneira ou de outra, acho que o ser humano é incapaz de viver sem ter a ilusão de que ele controla, ou pelo menos influência, seu futuro.
Talvez para manter essa ilusão, desenvolvemos hábitos e rituais aos quais nos devotamos periodicamente. Hábitos têm caráter prático. Dão-nos previsibilidade. Evitam que a vida se passe em meio a um caos aparente. Ajudam todos os aspectos da vida social e prática.
É por hábito que dizemos bom dia; escovamos os dentes; acordamos na mesma hora; lemos o mesmo jornal; assistimos a um programa na televisão. Os hábitos são aquela força invisível que nos compele a fazer algo regularmente. Sem pensar. Sem refletir. Mas sempre tendo um objetivo prático como objetivo. São ações repetidas desprovidas de significado.
Rituais, embora também repetidos regularmente, são diferentes de hábitos. Rituais exigem crença, emoção e fé. São os rituais da vida que conferem significado a ela. Eles vestem as ações com o manto das ideias, sentimentos e propósitos.
É pela busca de significado que rezamos; torcemos pelo clube do coração; comemoramos aniversário, natal e ano novo; almoçamos com a família. É essa coleção de pequenas e grandes ações, cada uma com significado diferente e pessoal, que emprestam sentido à existência. Rituais que nos fazem humanos.
Nada mais triste do que a transformação de ritual em hábito. Quando viver se torna a consequência de ações rotineiras que se repetem mesmo depois terem perdido o sentido. Neste momento, viver e sobreviver se tornam sinônimos.
Na democracia, a eleição deve sempre ser um ritual. Quando a eleição é um ritual, votar é um exercício de liberdade. É a expressão dos desejos e anseios da sociedade. É a possibilidade e a responsabilidade de escolher e influenciar o futuro e se tornar parte das soluções ou dos problemas.
Entretanto, quando a democracia não funciona, eleições se tornam um hábito desprovido de significado. A democracia fica esvaziada de sentido. Eleições viram uma sucessão de gestos e palavras vazias periodicamente repetidas. Apenas um passo fútil, sem direção e sem sentido. Votar vira um fetiche.
Democracia é para aqueles que buscam sentido em suas ações. Eleição é ritual. Votar é para quem fez a escolha pela vida e não somente pela sobrevivência.

Elton Simões mora no Canadá há 2 anos. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria).