quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Reencarnação, por ROBERTO DAMATTA


O Dalai Lama disse: só eu posso decidir sobre minha reencarnação! A frase perturbou-me. Seria possível decidir sobre a reencarnação? Curioso, descobri por meio de meu primo Ronaldo um médium chamado Álvaro Alvez, kardecista emérito que poderia confirmar se era mesmo possível decidir reencarnações.

Repito o que ouvi de mestre Álvaro: "A reencarnação anula o fosso entre o viver e o morrer porque ela vincula um estado com o outro. Em conformidade com a Lei do Eterno Progresso Espiritual, reencarnamos até o resgate satisfatório das dívidas contraídas em vidas passadas. Com a reencarnação — continuou Álvaro Alvez — recusamos definir a vida pela morte. Assim sendo, enquanto a maioria olha a morte pelo espelho retrovisor, os reencarnacionistas sabem que a morte leva a olhar para a frente porque teremos sempre novas vida para viver. A ideia de reencarnação muda tudo!"

Ao receber a pergunta sobre planejar reencarnações, mestre Álvaro foi claro como um ministro: "Roberto — falou — nada no campo espiritual, é impossível. Decida-se, como um Lama, relativamente às suas próximas existências e quem sabe você as realiza? Pois como já profetizava Quincas Berro D'Água, ao morrer pela terceira vez: "Cada qual cuide do seu enterro, impossível não há!"

Como, porém, iria reencarnar? Que papel escolheria para reexistir no mundo e, nele, no Brasil? As incertezas eram infinitas e maiores ainda as possibilidades.

Primeiro, veio-me a fantasia de voltar como craque de futebol, artista de TV, sambista e até mesmo como o Eike Batista ou o William Bonner. Um conselho do mestre, porém, obrigou-me a descartar essas escolhas iniciais.

Fixei-me então em regressar como alto funcionário do governo. Ministro de algum órgão sortido de recursos para obrar à vontade. Que tal chefe da Casa Civil? Ou diretor da Casa da Moeda? Ou representante do povo na Câmara ou no Senado? Nesses cargos teria não só a oportunidade de resgatar minhas obrigações passadas, mas de criar em dólares e falcatruas inúmeras dívidas futuras de modo que eu estaria sempre reencarnando (e assim vivendo) sem parar.

Nisso veio o recém-passado carnaval que me fez pensar em renascer como carnavalesco. Imaginei o sucesso de um enredo baseado nas "Mitológicas" de Claude Lévi-Strauss. O desfile abriria com uma alegoria baseada no Cru e o Cozido, sendo seguida pela ala Do Mel às Cinzas, para logo exibir o grande banquete inspirado na Origem dos Modos à Mesa para terminar sensacional e apoteoticamente com O Homem Nu! Que coisa incrível esses destaques, alas, e carros alegóricos no qual todas as transformações, reversões, torções e códigos dos mitos ameríndios estivessem em cena. Seria a carnavalização dos carnavais. Ademais, poria em foco o "homem nu" (esse ser esquecido dos carnavais) e não essas bundudas bombadas e, tenham dó, vestidas até o gargalo!

Muita fumaça e pouco fogo. Disse a mim mesmo em Angra dos Reis neste último fim de semana, quando gozei da grata hospitalidade de Romulo e Paula. Ali, diante de um mar transparente e de montanhas que me levavam para um céu infinito, uma tremenda inveja deliberou que eu iria reencarnar como dono de um daqueles modestos domicílios à beira-mar, com um BMW numa porta e um barco de 60 pés flutuando na minha praia. Viveria saindo de um veículo para entrar no outro e assim resgataria definitivamente minha dívida com o tal "trabalho" que os velhos romanos sabiam ser mais um castigo do que um chamado ou vocação.

Assim cogitava quando vi na TV a selvageria dos sambistas paulistanos diante da apuração de seu concurso de escolas de samba e, ato contínuo, ouvi as diversas possibilidades interpretativas do regulamento que as governa. Ao escutar as pérolas hermenêuticas diante de uma norma de concurso de carnavalesco, decidi-me. Se puder, prometi a mim mesmo, retornarei como foi meu avô Raul: juiz!

Como magistrado interpretaria as leis do carma. E dentro da nobreza republicana teria não apenas um excelente salário e outros auxílios mais do que justos para a serenidade requerida pela minha profissão, mas só poderia ser julgado por colegas e condenado unicamente por maioria absoluta. E, caso isso fosse possível, seria penalizado à prisão domiciliar com direito, eis um dano extraordinário, a salário integral. E, como tudo o que quero no momento atual de minha encarnação é ficar em casa, pois sair para o trabalho no Grande Rio é um inferno, encontrei minha perfeita futura vida.

Só me resta agora realizar os exercícios espirituais condizentes para determiná-la. Estou seriamente pensando em me encontrar com o Dalai Lama, pois ser juiz neste nosso Brasil republicano bem vale uma viagem ao Tibete.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Para você que lá de cima vê a gente melhor


Caro Armando,

Em Março próximo se completará mais um ano desde que o mundo ficou mais triste, mais feio e menos inteligente. Serão mais 365 dias sem poder contar com sua presença aqui na Terra.

Você sabe que sou ateu e, portanto, não acredito na continuidade da existência humana após a morte. Torço para que eu esteja errado e que você, ai de cima, receba esta minha mensagem. Às vezes, estar errado é bom.

Quando você andava cá embaixo, tive a oportunidade (ou talvez a pretensão) de ser seu colega e amigo. Sempre admirei várias de suas qualidades. A maior delas era o seu talento para desmanchar no ar as tensões e conflitos entre as pessoas que te cercavam. Você sempre trouxe harmonia. Talvez tenha sido esta uma das minhas inspirações para me dedicar ao estudo da resolução de conflitos.

De certa maneira, sou um estudante em segunda época. Provavelmente, se tivesse prestado mais atenção em você, não precisaria dos livros. Compreendo agora que os conflitos estarão sempre presentes na vida e que, se bem trabalhados, são parte importante da experiência humana. São os conflitos que nos levam para frente, mas para isso, eles precisam de alguma maneira ser endereçados. Tudo isso, você já sabia e praticava.
Por aqui me ensinaram que o que você intuitivamente praticava se chama mediação. Aprendi que, para mediar, é necessário ser imparcial e compreender que a chave da solução está sempre na comunicação entre as partes, e, para isso, o mediador precisa aprender a ouvir cada uma das partes, interagindo com elas de maneira clara, franca, e não acusatória.

O mediador precisa, em suma, ser o intermediário confiável entre duas partes que não tem, em principio, confiança uma na outra.

Fazer as perguntas certas ilumina o caminho para a solução do problema e diminui a hostilidade. Você fazia tudo isso como ninguém. Você já compreendia que, por trás de posições aparentemente incompatíveis em cada conflito, há interesses que, se identificados e endereçados, poderiam ser conciliados.

Queria que você estivesse por aqui para eu poder discutir estas coisas todas com você e, quem sabe, aprender um pouco mais. Conforme disse no inicio desta carta, torço para que você esteja ai em cima nos assistindo da arquibancada. Se estiver, por favor, arranque desta mensagem um abraço apertado deste seu amigo.

Cá embaixo, gente como você está em falta.

Saudades,

Elton Simoes

(Ao meu amigo Armando (1927-2010), que lá de cima vê a gente melhor).

Elton Simões mora no Canadá há 2 anos. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

The winner is..........

.......always glamourous Meryl Streep!!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Aryane teve que trocar de roupa quando ia interpretar Debussy

The i-piauí Herald-----rir é o melhor remédio----

VATICANO - Em pleno carnaval, a panicat Aryane Steinkopf foi flagrada de calça jeans e casaco a caminho do cinema. Segundo fontes não confirmadas, teria dito ao namorado: "Adoro filme iraniano. Uma amiga sublinhou que o roteiro de A Separação expõe as contradições comportamentais e religiosas de forma visceral. Li na revista Cinética que o diretor Asghar Farhadi bebe na fonte de Mohsen Makhmalbaf e fiquei instigada".
Ao avistar os paparazzi, entretanto, a Aryane tirou o disfarce e posou para os flashes só de calcinha. "Tá vendo, perdi o filme", lamentou e, após um breve suspiro, concluiu: "Ontem foi a mesma coisa. Botei óculos escuros e uma peruca para ler Proust num camarote VIP. Mas fui descoberta e tive que mostrar o bumbum".

Em flagrante solidariedade feminina, Susana Vieira mostrou os seios enquanto cantava Per Amore num baile de carnaval do Residencial Geriátrico Butantã.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Parados no ar, DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo


O passivo é grande e alcança os três Poderes. Findo o carnaval, 2012 começa para valer a partir da próxima segunda-feira e já com um acúmulo substancial de pendências no Executivo, Legislativo e Judiciário, que foi o primeiro a resolver uma delas, a Lei da Ficha Limpa.

Mas a maior de todas ainda está para ser enfrentada no Supremo Tribunal Federal, segundo as expectativas, neste ano: o processo do mensalão, em suspenso desde 2007 quando o STF aceitou a denúncia contra 40 (hoje 38) acusados de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e peculato.

No Executivo há diversas, mas duas chamam especial atenção por serem leis aprovadas, de execução mais difícil do que fazia supor o clima de celebração quando da sanção pela Presidência da República.

A Comissão da Verdade, criada para trazer à luz todas as informações sobre agressões aos direitos humanos cometidas durante o regime militar sofre restrição dos militares e até hoje não se sabe quem integrará o grupo nem quando serão indicados.

A Lei de Acesso à Informação entra em vigor em maio próximo, mas até agora o governo não construiu meios e modos para dar-lhe eficácia na prática.

Os ministérios enfrentam dificuldades para montar estruturas capazes de atender à legislação que obriga o poder público a fornecer todo tipo de informação livre do sigilo de Estado, havendo ainda o obstáculo mais difícil que é a cultura da falta de transparência em relação a dados oficiais.

No Congresso, 2012 começa sem que tenha sido votada a Lei Geral da Copa, a dois anos do Mundial, nem que tenha sido resolvido de que modo Estados, municípios e União farão um entendimento sobre a distribuição dos royalties do petróleo.

Isso sem falar de problemas eternos: reforma política - em discussão agora transferida para o âmbito de uma proposta de plebiscito - e medidas provisórias, cujo excesso e sistemática de tramitação obstruem o trabalho do Parlamento.

Sobre eleições, tudo o mais seguirá pendente até que se resolva o drama dos tucanos em São Paulo, em mais uma reprise do show de hesitações permanentemente em cartaz.

Contramão. O PSD pleiteia na Justiça receber parte do Fundo Partidário equivalente à sua bancada atual no Congresso, formada por parlamentares eleitos por outras legendas.

Se por decisão judicial ficou estabelecido que os mandatos pertencem aos partidos e não às pessoas físicas dos políticos, seria uma contradição em termos transferir para estes a posse dos votos para efeito de cálculo de distribuição do dinheiro do Fundo.

Resistência. A insistência do PMDB em manter a candidatura de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo é tida como ponto de honra.

O único restante, num ambiente em que o partido se sente tratado com desdém no governo federal e visto no PT como um adversário a ser afastado do maior número possível de prefeituras nas próximas eleições.
Se colar. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, nomeou Carlos Lupi assessor especial e, em boa hora, recuou.

Mas o fez por causa da má repercussão, já que antes dela não vira nada de mal em dar a alguém recém-saído do Ministério do Trabalho sob uma série de suspeições éticas e penais, a função de promover "interação" com o governo federal.

Na cola. A Associação dos Magistrados do Brasil, autora da ação para retirar prerrogativas do Conselho Nacional de Justiça "aceitou" a decisão do Supremo de manter o poder originário do CNJ para abrir investigações.

Mas já dá sinais claros de que continuará a contestar no STF todas as ações do conselho que possam significar subtração de privilégios a magistrados.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Aos 80 anos de um mestre


por  EUGÊNIO BUCCI - n'O Estado de S.Paulo

"Dizer que jornal é trabalho de equipe é dizer muito pouco. Jornal bem-sucedido é trabalho de uma orquestra de personalidades e ideias diferentes ou mesmo antagônicas, porém complementares, harmonizadas e equilibradas por normas ou metas comuns"

Alberto Dines, em 'O Papel do Jornal'

Na profissão de jornalista, em que os princípios pessoais parecem não resistir aos dez primeiros anos de carreira, o nome de Alberto Dines reluz como um patrimônio inspirador. No dia 19 de fevereiro, domingo passado, ele completou 80 anos de idade. Também neste ano de 2012 ele comemora seis décadas de profissão: uma trajetória brilhante, acidentada, por certo, e modelar. Olhando para ele, hoje, a gente compreende o que significa ser jornalista - e gosta do que compreende.

Como todos nós, Dines cometeu erros. Ele mesmo reconhece. Durante o almoço, volta os olhos para cima, a cabeça indo de um lado para outro, num balanço leve, e conta dos tropeços, das vezes em que deu vazão à aresta mais cruel das palavras com o propósito de ferir, mais do que de informar. Acontece. Deixemos isso de lado. No legado que de fato importa, sua biografia é fonte de ensinamento: uma lição de trabalho intenso e extenso, com produção incessante, diária, e uma obra que vai da crítica cinematográfica a livros de pesquisa histórica, passando pela reportagem cotidiana, pela crítica de imprensa e pelos artigos de opinião. Dines é a prova de que a experiência não concorre necessariamente para diluir os princípios e de que o caráter não esmorece. No caso do jornalista, o caráter alimenta-se da independência intelectual e material, assim como se alicerça no cultivo da liberdade e do espírito crítico - portanto, ganha vigor com o passar do tempo.

Assim como os escritores realmente grandes são aqueles que ensinam a seus pares a arte da narrativa, o jornalista maior tem a capacidade de despertar vocações nos mais jovens. Dines também desperta vocações. Embora seja difícil afirmar que esta ou aquela vocação tenha nascido por influência deste ou daquele profissional, há pelo menos uma, nem que seja uma só, que deve ser creditada a ele. A coluna Jornal dos jornais, que Dines assinou na Folha de S.Paulo entre 1975 e 1977, motivou um adolescente, então estudante numa cidade da região da Alta Mogiana, no interior paulista, a firmar a decisão de trabalhar na imprensa e, pelo menos até o instante em que assinou este artigo - este aqui, que você lê agora -, aquele adolescente dos anos 70 não se tinha arrependido da escolha que fez.

Na velha coluna de Alberto Dines, que ajudou a firmar a crítica de mídia no Brasil, o adolescente da Alta Mogiana começou a se dar conta de que escrever na imprensa também era uma forma de pensar sobre a imprensa, e ele começou a achar aquele negócio interessante.

As mais belas reportagens renovam o lugar do discurso jornalístico dentro da cultura. É verdade que podemos dizer algo parecido sobre quase tudo, sobre a poesia, a arquitetura, o cinema e também sobre a medicina e até mesmo a engenharia: o engenho humano, onde quer que ele se manifeste, na arte ou na ciência, na técnica, na política ou na religião, tende a redefinir a si mesmo - o que, no fim das contas, é uma constatação um tanto óbvia, quase banal. Não teria por que ser diferente com o jornalismo - e, no entanto, é diferente. Sutilmente, mas é.

Na nossa profissão, que navega nas franjas do que é notícia, daquilo que é verdade hoje, mas não era verdade até ontem, os imperativos da velocidade, da aceleração e da mudança pesam muito mais. Mais que outras atividades, o jornalismo depende de saber se redefinir a cada dia. Ao registrar a História no calor da hora, a sangue-frio, o jornalista é agente da História, um catalisador do fato histórico em alta velocidade, o que faz dele um profissional das ideologias, mesmo quando guarda em si a convicção ideológica de que nada tem de ideológico. Se ele não desenvolve consciência sobre o que faz, corre o risco nada desprezível de estar a serviço de ideologias que não vê enquanto empina o nariz imaginando desconstruir as que vê. Se não acumula reflexão, dificilmente fará algo de útil ou de valioso.

Comparemos o jornalista com o cirurgião. Este, o cirurgião, pode muito bem se revelar um gênio do bisturi sem nunca ter dedicado um segundo sequer ao exame intelectual das relações entre seus atos e o sentido geral da civilização, ou sobre o emaranhado de sentidos que tece a fronteira instável entre saúde e doença. Para o jornalista, o mesmo grau de alienação constituiria falta grave. Se obstinadamente técnico, perde de vista o que há de controverso na cena humana, da qual lhe cabe fazer a crônica.

A imprensa ocupa-se mais das incertezas que das certezas. Sem método, sem critérios e sem pensamento (epistemológico) ela se perderia. A sua dupla condição - ter de fazer e ter de refletir - não é dúplice nem ambígua, mas íntegra. Aí se inscreve o significado mais fecundo da longa trajetória de Alberto Dines. Como professor universitário - que não tem diploma de nenhuma faculdade -, ele ajudou a lançar no Brasil, quando começou a dar aulas na PUC-Rio, ainda nos anos 60, as bases da disciplina Jornalismo Comparado. Como jornalista, no comando do Jornal do Brasil, ou na direção de revistas da Editora Abril em Portugal, ou ainda como fundador do Observatório da Imprensa, um marco pioneiro do jornalismo online no Brasil, criado há 15 anos, ensinou a credibilidade da imprensa laica, apartidária e plural.

Onde o mundo é uma gritaria, uma babel caótica, o grande editor identifica a orquestra passível de afinação. Também por isso a imprensa encarna com tanta intensidade o sonho democrático. Movido por esse sonho, o jornalista faz, pensa e depura o caráter. Não pode haver profissão melhor.

*JORNALISTA, É PROFESSOR, DA ECA-USP E DA ESPM

PT, PSD e o pragmatismo político, por Bruno Lima Rocha


A última instância nacional do PT foi seguida de uma enxurrada de editoriais e comentários críticos, em geral apropriados, abordando o tema da política de alianças visando a vitória eleitoral na maior parte das capitais em outubro próximo.

Chama a atenção a eminente dobradinha em São Paulo, entre a legenda de José Dirceu e a de Gilberto Kassab, o PSD. É possível que na boca da urna eletrônica, tal aproximação até gere votos. O debate é o preço destes e as consequências que os mesmos acarretam.

Ao contrário da maior parte de meus artigos nesta publicação, desta vez não critico a contradição do Partido dos Trabalhadores em seu giro à direita, e sim a coerência desta manobra.

Para quem não se lembra, "a tal da governabilidade" já cobra o preço da dissidência, do racha interno, ainda no primeiro ano de governo Luiz Inácio. Tal movimento veio a gerar a criação do PSOL, racha a CUT definitivamente, e abre o espaço na cúpula da legenda visando a aproximação com o partido de José Sarney e Renan Calheiros.

Antes mesmo do PMDB adentrar o primeiro mandato de Lula, lembro que deste já faziam parte PP (um dos herdeiros da Arena), PTB (a legenda cujo controle fora um lance de gênio de Golbery) além do extinto PL, partido do então vice-presidente José Alencar.

Se retrocedermos um pouco mais, ainda no ano de 2002, a Carta ao Povo Brasileiro já continha os elementos básicos do programa a ser implantado e das alianças ("parceiros" na gíria contemporânea) a dividir glórias e desgraças planaltinas.
Se antes de chegar ao Planalto o paradigma era o teto eleitoral, após a posse o obstáculo a ser superado seria exorcizar o fantasma de um parlamento golpista, ou no mínimo, tranca pauta. Avaliara-se que governar com tranquilidade era (e é), assegurar maioria folgada em ambas as casas do Congresso, pagando-se o preço que for preciso.

Junto do escândalo do Mensalão - que alguns ex-stalinistas insistem que não existiu, tal como os Gulags, outra "suposta invenção" - a sociedade brasileira conheceu a face da nova política.

Pragmatismo, possibilismo e inclusão social caminhando de mãos dadas. Vale o paradigma da transição lenta gradual e restrita que o PT tanto combatera; transitar entre quase todos para atingir os grandes objetivos.

Diante de tal quadro, aconselhar-se com Delfim Netto foi a cereja do bolo do desencanto da política, onde um governo recheado de ex-guerrilheiros - tal como a presidenta, de comportamento digno dentro e fora das masmorras do regime - e sindicalistas autênticos, dividia o poder com arenistas e tomava notas do pensamento do ex-ministro todo poderoso de Médici e Figueiredo!

Por fim, na garantia da permanência do projeto, consolida-se a aliança com o PMDB e a sigla de Orestes Quércia indica Michel Temer como vice-presidente.

A frieza analítica me obriga a constatar. Outras circunstâncias já foram dignas de muita indignação, senão com o legado do maior partido de "esquerda" da América Latina, ao menos com o classismo que o motivara em suas origens.

Após quase uma década de sucessos governamentais e desastres ideológicos, aliar-se com o PSD revela coerência com as escolhas anteriores, e gera apenas a indignação contra o pragmatismo de momento.

Bruno Lima Rocha é cientista político

Plano de saúde não pode fixar teto de despesa hospitalar



Decisão do STJ pode abrir precedente para outros casos/// jornal O Globo

BRASÍLIA - Os planos de saúde não podem estipular um teto para cobertura de despesas com internações hospitalares ou para o tempo de internação. Essa foi a decisão da quarta turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sobre ação ajuizada pela família de uma mulher que morreu em decorrência de um câncer, após seu plano de saúde recusar a custear parte de seu tratamento, alegando ter sido alcançado o limite de custeio, de R$ 6.500.

A decisão, que foi tomada na semana passada mas divulgada apenas nesta quarta-feira, pode abrir precedente para outros casos, e foi tomada no julgamento de recurso especial contra decisão da Justiça paulista, que considerou legal a cláusula que limitava os custos. Em primeiro e segundo graus, os magistrados entenderam que não havia abuso em estipular um limite para os custos médicos, porque a cláusula estava apresentada com clareza e transparência, de forma que o contratante do plano de saúde tinha pleno conhecimento da limitação.

Porém, a quarta turma entendeu que a cláusula era abusiva, principalmente por estabelecer limite muito reduzido, de R$ 6.500, para esses custos.

- Esse valor é sabidamente ínfimo quando se fala em internação em unidade de terapia intensiva (UTI), conforme ocorreu no caso em exame - afirmou o relator, ministro Raul Araújo.

O ministro ressaltou que o bem segurado é a saúde humana, sendo inviável a fixação de um valor monetário determinado, como acontece com o seguro de bens materiais.

- Não há como mensurar previamente o montante máximo a ser despendido com a recuperação da saúde de uma pessoa enferma, como se faz, por exemplo, facilmente até, com o conserto de um carro - explicou Araújo.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Por que as pessoas valorizam o esforço e a sedução?---IVAN MARTINS

Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?

Eu suspeito que não.

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.

Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?

Minha experiência sugere o contrário.

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.

Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.

Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?

Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?

Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.

Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?

Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.


IVAN MARTINS----É editor-executivo de ÉPOCA

Passo num gesto que eu sei - José Saramago


Passo num gesto que eu sei

Deste mundo agoniado para o espaço

Onde sou quanto serei

No tempo que sobra escasso



No outro mundo sou rei

E o meu rosto de cristal e puro aço

É o espelho que forjei

Com suor pena e cansaço



E se o mundo que deixei

Tem as marcas desenhadas do meu passo

São baralhas que enredei

São teias e vidro baço



Tantas provas cá terei

Tantas vezes do pescoço solto o laço

Se me sagraram em rei

Aceitem a lei que eu faço


Vem a ser que o homem novo

Está na verdade que movo


José de Sousa Saramago (Azinhaga, Golegã, Portugal 16 de novembro de 1922 - Tías, Lanzarote, Espanha, 18 de junho de 2010) - Além de escritor, foi contista, dramaturgo, jornalista e poeta português. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, assim como o Prêmio Camões de Literatura. Dentre sua vasta obra, publicou três livros de poemas: Poemas Possíveis (1966), Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975).
Pequenas antologias em http://cartilhadepoesia.wordpress.com



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Receita de Bolo: Como Criar um Conflito Insolúvel


1. Junte na mesma questão valores, interesses e/ou identidades diferentes. Distorça-os a gosto e misture-os bem até que eles sejam percebidos como incompatíveis.
2. Escale o conflito com o objetivo de satisfazer apenas as suas necessidades e desconsiderando as necessidades da outra parte.

3. Transforme a outra parte em adversário.

4. Use coerção ou violência para impor custos ao adversário.

5. Mobilize-se. Devote tempo, recursos e esforços para encontrar uma solução que satisfaça 100% dos seus objetivos, sem levar em consideração os interesses do adversário.

6. Transforme o adversário em inimigo.

7. Alargue o conflito e introduza aos poucos outras pessoas ou grupos não diretamente relacionados à discordância original de maneira a aumentar o numero de aliados. Utilize partes não relacionadas ao conflito para dar mais consistência e aumentar poder sobre o inimigo.

8. Polarize. Introduza novos assuntos ao conflito de maneira a torná-lo mais complexo e aumentar a área de atrito. Importante: desconsidere completamente o mérito individual de cada um dos assuntos introduzidos. Assuma que o inimigo, por definição, está sempre errado.

9. Torne vencer mais importante do que ser justo.

10. Deixe o conflito crescer até que o relacionamento entre os inimigos esteja muito comprometido.

11. Invista na dissociação com os adversários. Recheie a massa com a mistura da diminuição do contato físico com o inimigo; com a promoção da sua desumanização.
12. Salpique a comunicação com o inimigo com mensagens de coerção e ameaças.

13. Jamais tente entender o ponto de vista do inimigo. Tentativas de comunicação civilizada tendem a diminuir o crescimento da massa do conflito.

14. Cubra o conflito com argumentos unilaterais. Agarre-se a eles e intensifique ações contra o adversário continuamente. Convença-se de que não existe alternativa senão intensificar o conflito.

15. Caia na armadilha: dedique cada vez mais tempo, esforço, recursos ao conflito. Não leve em consideração a eficiência desta estratégia. Pensar em resolução utilizando métodos pacíficos ou comunicação com a outra parte pode resultar na sua redução ou eliminação. A comunicação honesta e racional entre adversários pode acabar com as discordâncias.
16. Sirva muito quente.

Baseado no “Modelo de Dinâmica de Escalação de Conflitos” (LeBaron, M., & Pillay, V. (2006). Conflict Across Cultures: A Unique Experience of Bridging Differences. Boston: Intercultural Press).

Elton Simões mora no Canadá há 2 anos. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria).

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Carnaval Rio 2012

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Como hotéis são insuficientes, americanos, europeus e chineses disputam aluguel

A trabalho no Rio, estrangeiros dão seu jeito para morar na cidade

RIO - Morar no Rio de Janeiro. O desejo de milhares de turistas tem se tornado tarefa árdua para os estrangeiros que vêm à cidade para trabalhar. Sem hotéis suficientes para atender a uma demanda crescente, muitos estão dando o seu jeito. Alugam apartamento por temporada, dividem casa e até procuram quartos em sites da internet.
Na lista, europeus, americanos e até chineses. A maior parte trabalha para o setor de óleo e gás, na esteira do avanço do pré-sal. Atenta a essa dificuldade, muitas multinacionais intensificam parcerias com imobiliárias.

— Os estrangeiros que vêm morar no Rio por uma temporada procuram primeiro um apart-hotel. Mas, como a procura está maior que a oferta, muitos optam por apartamentos. Neste início de ano, aumentou em 15% a procura por um aluguel entre os estrangeiros — diz Mario Henriques, consultor sênior de realocação de estrangeiros da Atlantis International, lembrando que um apart-hotel em Ipanema cobra até R$ 10 mil por mês.

Após tentar procurar um hotel, o executivo americano Mark Zschiesche alugou apartamento em Ipanema. Ele contou com a ajuda do administrador Nereu Caldeira, que diz que muitos dos seus contratos são fechados após recomendação de multinacionais. Ele ressalta que os negócios crescem a cada ano, mesmo com a alta nos altos preços:

— Não é fácil achar apartamento para alugar. O mercado está aquecido. O aluguel de um imóvel de dois quartos em Ipanema é de R$ 7 mil para cima.

Zschiesche lembra que o fato de o Rio estar no centro das atenções eleva a procura:

— O Rio está em alta. Todos querem vir para cá.

Nas imobiliárias, a demanda é crescente. Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel, diz que o aluguel para estrangeiros soma 10% dos contratos de locação. Vasconcelos destaca a chegada de chineses em grande quantidade no Rio para trabalhar com petróleo. A demanda até virou alvo de campanha publicitária, na qual a imobiliária teve textos em inglês e espanhol.

— O mercado busca oportunidades, como imóveis mobiliados, pois o número de hotéis não cresce na mesma proporção.

O canadense Louis Martin Losier, presidente da Geovoxel, incubadora do Parque Tecnológico da UFRJ, lembra que em 2011 teve que hospedar um executivo canadense em sua casa porque não havia hotel. Agora aconteceu algo semelhante com sua mulher. Esta recebeu a peruana Carmen Sotelo Montes, que trabalha com engenharia florestal em Mali, na África Ocidental.

— Vim para ficar 40 dias no Rio. Não consegui ficar no mesmo hotel onde sempre fico no Centro do Rio. Por isso, fiquei na casa de Losier e sua mulher. Estou fazendo uma pesquisa na UFRJ com ela -— conta Carmen.
No site de aluguel de imóveis VivaReal, o número de estrangeiros procurando imóveis no Rio subiu 20% em 2011. Em janeiro de 2012, o avanço foi de 60%:

— O avanço é uma ótima oportunidade para o mercado se profissionalizar — diz Brian Requart, presidente do VivaReal.
Sem apartamentos, os estrangeiros recorrem ainda à internet para alugar apenas quartos:
— Oferecemos a opção de ficar na casa das pessoas, em um dos quartos. Com a falta de hotéis e os preços altos, é uma boa opção. Podemos afirmar que a maioria é de americanos e alemães — diz Jakob Kerr, gerente de comunicação da Airbnb.

URL: http://glo.bo/yGtVOF



sábado, 18 de fevereiro de 2012

Lágrimas ocultas - Florbela Espanca


Se me ponho a cismar e outras eras

Em que ri e cantei, em que era qu'rida,

Parece-me que foi noutras esferas,

Parece-me que foi numa outra vida...



E a minha triste boca dolorida

Que dantes tinha o rir das primaveras,

Esbate as linhas graves e severas

E cai num abandono de esquecida!



E fico, pensativa, olhando o vago...

Toma a brandura plácida dum lago

O meu rosto de monja de marfim...



E as lágrimas que choro, branca e calma,

Ninguém as vê brotar dentro da alma!

Ninguém as vê cair dentro de mim!


Florbela D'Alma da Conceição Espanca nasceu no dia 8 de dezembro em 1894 em Vila Viçosa (Alentejo). Demorou para ser reconhecida como boa poeta. Com uma vida bastante confusa, sobretudo nos casamentos, teve apenas dois livros publicados em vida, Livro de Mágoas e Livro de Sóror Saudade. Florbela de suicidou no dia 8 de dezembro de 1930 em Matosinhos.
                              Pequenas antologias de poeta em http://cartilhadepoesia.wordpress.com/

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Gois na Folia 2012!!!!!







quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O que é sagrado, por E. Verissimo


Recomendo a quem não leu o artigo publicado na “Folha de S.Paulo” do último dia 9 de fevereiro, intitulado “Ainda o Pinheirinho”, do desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo e professor de direito civil José Osório de Azevedo Jr.

O artigo trata da violenta ação de reintegração de posse da área chamada de Pinheirinho, próximo a São José dos Campos, SP, quando 1,500 famílias faveladas foram despejadas e seus precários barracos arrasados num dia.

Uma ação que só não teve mortos porque os favelados não tinham como se defender dos tratores e da truculência da polícia, que cumpria ordem da Justiça e do Executivo estadual.
Escreveu o professor Azevedo Jr.: “O grande e imperdoável erro do judiciário e do Executivo foi prestigiar um direito menor do que aqueles que foram atropelados no cumprimento da ordem. Os direitos dos credores da massa falida proprietária são meros direitos patrimoniais. Eles têm fundamento em uma lei também menor, uma lei ordinária, cuja aplicação não pode contrariar preceitos expressos na Constituição.”

E quais são os preceitos expressos na Constituição que contrariam e se sobrepõem à autorização legal para a terra arrasada, como no caso Pinheirinho?

O principal deles está logo no primeiro artigo da Constituição: a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos da Republica. Um valor, segundo Azevedo Jr., “que permeia toda a ordem jurídica e obriga a todos os cidadãos, inclusive os chefes de Poderes”. Mas que não deteve a violência em Pinheirinho.

Outro principio constitucional afrontado foi o da função social da propriedade. Que se saiba, a única função social da área em questão, até ser ocupada por gente à procura de um teto, era como garantia para empréstimos bancários do Nagi Nahas.

É comum ouvir-se falar no “sagrado” direito à propriedade. É um direito inquestionável, mas raramente se ouve o mesmo adjetivo aplicado ao direito do cidadão à sua dignidade. Prestigia-se os direitos menores e esquece-se os fundamentais.

O maior valor de artigos como o do professor Azevedo Jr. talvez seja o de nos lembrar a espiar a Constituição de vez em quando, e aprender o que merece ser chamado de sagrado.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Made in China


Toda vez que um brasileiro em passagem pela Alemanha ou outro país da Europa vai às compras, ouço sempre a mesma coisa: “nossa, como as coisas aqui são baratas!”. Referem-se principalmente a lojas de roupas bacaninhas como H&M e Zara, ou de móveis como a imbatível suíça Ikea.

Sim, realmente é tudo muito, muito barato. Às vezes nem eu mesma acredito que comprei uma mesa por 5 Euros ou um pacote de 6 meias por 1 Euro. É quase inacreditável, ou, melhor dizendo, barato demais para ser verdade. Ou socialmente responsável.

O varejo baratal tem uma razão de ser: é tudo fabricado na China. Ué, mas isso é óbvio. É, mas para quem está chegando nem tanto. Outro dia fizeram um auê no Brasil porque a Zara mantinha funcionários em regime de semi-escravidão em São Paulo. Pensei: “mas na China são bem uns milhões de escravos a serviço de possibilitar esse precinho camarada para todo mundo”. Mas na Europa todo mundo faz a festa sem mais peso na consciência, né?

Enfim, além de nada que é muito barato ser fabricado na Alemanha (senão não seria barato), para conseguir vender por aqueles preços inacreditáveis, a produção passa por um processo muito duvidoso de barateamento da matéria prima, mais precisamente, adição de substâncias tóxicas para um melhor aproveitamento da mesma e uma produção mais rápida e alheia a qualquer padrão ambiental.

Cheguei nesse assunto porque essa semana vi um programa interessante no canal alemão ZDF. Um engenheiro especializado em consultoria ambiental vai à casa de uma família para identificar com quais objetos contaminados produzidos na China eles convivem diariamente.

O resultado foi assustador: desde o piso onde as crianças brincam até a roupa preta que eles vestem. Nada está livre das malignas substâncias.

A solução seria um movimento que trouxesse de volta a produção aos países onde a mercadoria é vendida. E é aí que entra o princípio Cradle to Cradle (C2C), tido como a “nova revolução industrial”: uma produção sustentável onde o produto final seja totalmente reciclável. Mas a ideia do químico alemão Michael Braungart ainda permanece no plano da utopia...

Vou confessar que há um tempo achava toda essa preocupação um exagero. Afinal, crescemos fortes e sadios (?) sem nossos pais terem desenvolvido esse tipo de nóia. O problema é que para suprir a demanda atual de consumo da população - que aumentou em 2 bilhões desde que eu nasci - os chineses têm que fazer “milagre".

E fazem mesmo. Só fiquemos ligados. Agora fiquei super “grilada” com qualquer roupa preta que visto, pois é a cor mais difícil de tingir. Se você comprou uma blusa preta por 2,99 Euros pode ter duas certezas: 1) as tintas usadas são da pior qualidade; 2) sua blusa é tóxica.

Tamine Maklouf é jornalista e ilustradora nas horas vagas. Mora na Alemanha desde agosto de 2009, onde se encontra na “ponte terrestre” Dresden-Berlim. De lá, mantém o blog www.diekarambolage.wordpress.com



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Frio e o Cobertor, por Elton Simões


Não me lembro de ter ouvido ou lido alguém dizer que a sua geração enfrenta desafios menores que as gerações que vieram antes. Todos nós, acredito, fantasiamos sobre um tempo em que a as coisas eram mais simples, os políticos mais honestos e vida melhor. Em retrospecto, as coisas sempre fazem mais sentido. O passado não lida com incertezas.

Infelizmente, para as gerações atuais e futuras, nostalgia não é uma opção. Neste tempo e era, os países desenvolvidos estão muito endividados; as teorias econômicas não mais explicam a realidade; e os recursos naturais rapidamente se exaurem.

Tudo parece apontar para um período de grandes mudanças sociais e institucionais. Esta é, portanto, uma era de grandes desafios para instituições, países e indivíduos. Estes desafios certamente se darão através de conflitos em todas essas esferas.

Ter e viver conflitos são parte da vida coletiva e individual. Quando bem resolvidos, os conflitos são positivos. Eles são o motor por traz das grandes mudanças. São os conflitos que, para bem ou para o mal, reformam e transformam o mundo humano. Tudo depende de como (e se) desenvolvemos os mecanismos para resolvê-los. Conflitos acorrentam ao passado ou melhoram o futuro, dependendo de como lidamos com eles.

Parece estar havendo uma tendência de mudança na maneira em que conflitos são resolvidos. Parece estar havendo um movimento em direção a um consenso de que não se deve deixar para o Estado a responsabilidade pela resolução de todos os conflitos existentes. Por isso, particularmente nas duas ultimas décadas, o campo de Solução Alternativa de Conflitos (em inglês, Alternative Dispute Resolution ou ADR) tem crescido e se popularizado.

Cada vez mais, pessoas, instituições e grupos em conflito preferem utilizar a mediação, arbitragem ou justiça restaurativa como forma de resolução de suas disputas. Essas formas de resolução de conflito visam resolver disputas de maneira mais rápida e barata, e, ao mesmo tempo, aumentar o grau de satisfação das partes com a resolução alcançada.

Em outras palavras, pessoas, indivíduos, instituições tendem, progressivamente, a assumir a responsabilidade pela solução dos seus próprios problemas. Adotar, melhorar e encontrar novas formas de solução de conflitos parece ser um dos grandes desafios das gerações atuais e futuras.
Sou um otimista. Acredito que o desafio está e continuará sendo vencido. Afinal, como diria Adoniran Barbosa, “Deus dá o frio conforme o cobertor”.

Elton Simões mora no Canadá há 2 anos. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria).

Série--Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades...


Advogada liga Toffoli e Gilberto Carvalho a máfia do DF
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/advogada-infiltrada-pela-mafia-no-governo-faz-revelacoes-explosivas

Nascida em Maceió, em uma família humilde, Christiane Araújo de Oliveira mudou-se para Brasília há pouco mais de dez anos com o objetivo de se formar em Direito. Em 2007, aceitou o convite para trabalhar no governo do Distrito Federal de um certo Durval Barbosa, delegado aposentado e corrupto contumaz que ficaria famoso, pouco depois, ao dar publicidade às cenas degradantes de recebimento de propina que levaram à cadeia o governador José Roberto Arruda e arrasaram com seu círculo de apoiadores. Sob as ordens de Durval, Christiane se transformou num instrumento de traficâncias políticas. No ano passado, depois de VEJA mostrar a relação promíscua entre o petismo e o delegado, Christiane foi orientada a sumir da capital federal. Relatos detalhados de suas aventuras com poderosos, no entanto, já estavam em poder do Ministério Público e da Polícia Federal. Na edição que chega às bancas neste sábado, VEJA revela o teor de dois depoimentos feitos pela jovem advogada no final de 2010.

Em oito horas de gravações em áudio e vídeo, Christiane revelou que mantinha relações íntimas com políticos e figuras-chave da República. Ela participava de festas de embalo, viajava em aviões oficiais, aproveitava-se dos amigos e amantes influentes para obter favores em benefício da quadrilha chefiada por Durval, que desviou mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos. Ela também contou como o governo federal usou de sua proximidade com essa máfia para conseguir material que incriminaria adversários políticos.
A advogada relatou que manteve um relacionamento com o hoje ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Toffoli, quando ele ocupava cargo de advogado-geral da União no governo Lula. Os encontros, segundo ela, ocorriam em um apartamento onde Durval armazenava caixas de dinheiro usado para comprar políticos – e onde ele eventualmente registrava imagens dessas (e de outras) transações.

Christiane afirma que em um dos encontros entregou a Toffoli gravações do acervo de Durval Barbosa. A amostra, que Durval queria fazer chegar ao governo do PT, era uma forma de demonstrar sua capacidade de deflagrar um escândalo capaz de varrer a oposição em Brasília nas eleições de 2010. Ela também teria voado a bordo de um jato oficial do governo, por cortesia do atual ministro do STF, que na época era chefe da Advocacia Geral da União (AGU).

Por escrito, Dias Toffoli negou todas as acusações. “Nunca recebi da Dra. Christiane Araújo fitas gravadas relativas ao escândalo ocorrido no governo do Distrito Federal.” O ministro disse ainda que nunca frequentou o apartamento citado por ela ou solicitou avião oficial para servi-la. Como chefe da AGU, só a teria recebido uma única vez em seu gabinete, em audiência formal.

Nas gravações, Christiane relatou ainda que tem uma amizade íntima com Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República. No governo passado, quando Carvalho ocupava o cargo de chefe de gabinete de Lula, ela pediu a interferência do ministro para nomear o procurador Leonardo Bandarra como chefe do Ministério Público do Distrito Federal. O pedido foi atendido. Bandarra, descobriu-se depois, era também um ativo membro da máfia brasiliense – e hoje responde a cinco ações na Justiça, depois de ter sido exonerado.

Gilberto Carvalho também teria tentado obter do grupo de Durval material para alvejar os adversários políticos do PT. Ele nega todas as acusações, e disse a VEJA: “Eu não estava nesse circuito do submundo. Estou impressionado com a criatividade dessa moça.”

Há uma terceira ligação de Christiane com o petismo. Ela trabalhou no comitê central da campanha de Dilma Rousseff. Foi encarregada da relação com as igrejas evangélicas – porque é, ela mesma, evangélica e filha de Elói Freire de Oliveira, fundador da igreja Tabernáculo do Deus Vivo e figura que circula com desenvoltura entre os políticos de Brasília, sendo chamado de “profeta”. Com Dilma eleita, a advogada foi nomeada para integrar a equipe de transição. Mas foi exonerada quando veio à tona que ela teve participação na Máfia das Sanguessugas.

Segundo o procurador que tomou um dos depoimentos de Christiane, o material que ele coletou foi enviado à Polícia Federal para ser anexado aos autos da Operação Caixa de Pandora. Um segundo depoimento foi tomado pela própria PF. Mas nenhuma das revelações da advogada faz parte oficial dos autos da investigação. A reportagem de VEJA, que reproduz imagens das gravações em vídeo, conclui com uma indagação: “Por que será?”

sábado, 11 de fevereiro de 2012

ANGELA ZHANG COM SEU PRÊMIO

Garota descobre cura para o câncer

Uma estudante de 17 anos da Monta Vista High School recebeu uma bolsa de US$ 100 mil por ter descoberto a cura do câncer. A informação do site Daily Mail. A jovem se chama Angela Zhang e foi premiada porque ganhou o Siemens Competition Math, Science & Technology com um projeto que consiste na utilização de nanopartículas para identificar as células cancerígenas, que podem ser enviadas ao centro dos tumores quando combinadas com uma droga à base de salinomicina. Desta forma, com o auxílio de uma ressonância magnética será possível que os médicos descubram exatamente onde se formarão os tumores. Por meio de uma luz infravermelha, as nanopartículas são “derretidas” e liberam o medicamento que eliminará as células cancerígenas de dentro para fora. Quando testada em ratos, a tecnologia acabou quase que completamente com os tumores. Angela trabalha no projeto desde os 15 anos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Desabafo - Vitorino Nemésio

Não espero amor nem glória de ninguém:

Espero terra e cinza,

Os blocos do abordar lá na doca esquecida,

E ao longe o rolo branco

Livre e amargo do mar

Que traz com água e indiferença

O cadáver e o frasco azul do adeus marinho.

Como as gaivotas levo a água e o ferro no bico:

Por isso passo e fico.



Naquilo que os outros vêem um vago talento e sorte,

Outros: «belas qualidades, mas purgativo, aquele magnésio…»

Levo coisas tão simples como o meu sonho e a minha morte:

O menino que eu fui, parado nos meus olhos,

O garoto que eu fui, e os sinos que rachei à pedra ainda a vibrar,

Minha mãe no que tenho de condescendente e feminino,

Meu pai na força e pressa do meu próprio coração.



Não espero amor nem glória de ninguém:



Espero a terra e a lisura

Da pá que ma estender,

Além da erva ou torrão de calcadura,



E os filhos velhos, graves

Com um bocado de pão, a minha memória e uma acha a arder

Tudo isso espero com a força e a determinação da esperança,

Com as lágrimas do fraco melodioso,

Mas, cheirando a esturro, a pulso,

Sozinho e perigoso,

Terei vestido e pão no mar e nos seus fundos

E nos peixes de cor as flâmulas de guerra;

Hei-de cravar o Sol no meu destino.

Dar a lua a roer aos que duvidaram de mim,

E transparente como as baías me verão,

Que, vendo-as mansas me verão a mim.



Mas, se acharem as baías bravas, que se aguentem!

Quando meu tio foi para Manaus, lá me aguentei!

Ah, baías salvadas e coléricas,

Açores de ronda ao vagalhão partido!

Morrer é bom quando se deixa

Algum pecado redimido.


Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores, 19 de dezembro de 1901 - Lisboa, 20 de fevereiro de 1978) - Poeta e escritor, publicou livros de poemas, crônicas, biografias, romances, ensaios e críticas. Recebeu o Prêmio Ricardo Malheiros por seu romance Mau Tempo no Canal. Também foi professor do curso de Letras da Universidade de Lisboa.

Leia mais--Pequenas antologias de poetas aqui http://cartilhadepoesia.wordpress.com/

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Padrão de bilionário chinês, por, Elio Gaspari, O Globo


Chineses
Fala-se muito da ascensão da classe D aos padrões de consumo da classe C, mas o andar de cima de Pindorama atingiu os padrões de despesa dos bilionários chineses.

Um carioca resolveu passar cinco dias num bom hotel de praia no Nordeste. Pagou US$ 1.100 pela passagem e US$ 5.800 por cada noite no apartamento, sem café da manhã.

Outro, de Miami, resolveu passar cinco dias em Washington. Pagou US$ 500 pela passagem e US$ 320 por noite num hotel a um quarteirão da Casa Branca, com café.

O carioca de Miami marcou uma consulta (sem qualquer recomendação), com o renomado neurocirurgião Barth Green, entrou no hospital às sete da manhã, passou por uma ressonância magnética, fez oito chapas de raios-X, foi examinado por três assistentes e teve uma consulta de uma hora com o médico.

Na saída, quitou a conta e trouxe o recibo para emoldurá-lo: pagou US$ 320, ou R$ 545.

* * * * * *

Grande pergunta (ou, o bom senso ainda respira!)

O Supremo Tribunal discutia a prerrogativa de os magistrados serem julgados em sigilo e o ministro Luis Fux defendia o privilégio, quando o ministro Carlos Ayres Britto perguntou: “Vossa Excelência acha que fica bem um cidadão ser absolvido em sigilo?”

O Executivo sem tempo.......

.......e o politico em campanha (Petropolis 05/02/2012)

As carreiras se constroem, pouco a pouco, por atos e feitos ou dizeres (depois confirmados por fatos) daquêles que querem ser reconhecidos por suas capacidades e progredir na Carreira escolhida—

Atenção—a Carreira é uma escolha, por vêzes aleatoria, claro.

A VIDA é algo maior—encaixar as duas sem prejuizos de ambas é uma ARTE.

Pode e deve aprender-se. Para bem de todos.

O EXECUTIVO médio que pretenda chegar ao topo da Carreira ou da Empresa.

Para isso deve DEMONSTRAR suas capacidades de GESTAO, PERSUASAO ( RELACIONAL) e ORGANIZACAO.

Isso implica SEMPRE numa capacidade pessoal de DISCIPLINA auto-imposta.

Em inicio de carreira, ser-lhe-a “perdoado” alguma indisciplina/falha—esta aprendendo e fazendo suas escolhas. E Jovem, inexperiente, etc…..quase todos nele investem

(menos os que se sentem “desafiados”. Esses « exploram politicamente » as falhas, aprofundando ou semeando duvidas, sobre as capacidades do « concorrente »).

Faz parte do jogo da Vida.

Quem sai de casa pela manha, querendo ou não, esta fazendo (a sua) ou « sofrendo » (de terceiros) POLITICA.

Pode-se fingir que não vemos.

Pode-se desprezar a pratica de terceiros.

Pode-se « refugiar » numa rejeição liminar e definitiva, pessoal—em qualquer dos casos havera um preço a pagar, pela atitude escolhida.

Ha o Executivo inseguro ou incapaz de situar-se (perspectivar) corretamente no « Espaço tempo » das 24h do dia, sacrifica o LAZER e a FAMILIA. Para compensar a sua falta (real ou imaginaria) de competência.

Invariavelmente, perde algo, fruto dêsse « sacrificio » inconsciente ou consciente.

Ha também o Executivo hiper auto-confiante, fecha-se aos demais e acredita que seu valor—flagrante e invejavel, segundo o proprio…—lhe sera reconhecido, mais cedo ou mais tarde.

Duas situaçoes evitaveis ou a evitar. No longo prazo—uma carreira leva 15 anos a construir, 15 anos a progredir e galgar escalões e, 5 anos a « transmitir ou desfrutar—antes da aposentadoria merecida ou não-aqui e antes—questão de « ponto de vista ».

Dentro da Vida Média—à volta de 45 anos uteis—infancia e velhice são 25 anos de Formação/Posicionamento.

Ha muitos DIAS—constituidos de 24h. Desde que os homens fixaram o TEMPO em segundos, minutos, horas, dias, mêses, anos, etc….

Nos ultimos mil anos. Estas « medidas » são recentes para a humanidade e, ainda hoje não abrangem todos os terraqueos—uma tribo foi recentemente descoberta (contra sua vontade !) na Amazonia.

Vivem nus e despojados. Nem sabem se sao felizes ou infelizes—vivem SIMPLESMENTE e DISCIPLINADAMENTE—a Natureza, principalmente, tampouco perdoa falhas.

Aprenderam e transmitem capacidade de (sobre)vivência, no seu meio ambiente. Como os demais humanos em outras latitudes e situações.

Voltemos ao TEMPO e as CARREIRAS PROFISSIONAIS.

Como então deve proceder o EXECUTIVO/Gestor, para atingir seu (s) objetivos ?

Organizando seu tempo---a base tem uns 200 anos—8 horas de (descanso) sono, 8 horas de Lazer (familia, teatro, passeios, etc…e 8 horas de (produção) Trabalho.

Ora, o Patrão (Produção) espera algo mais, la se vão uma ou duas horas…..A Familia, consente algum « sacrificio INICIAL (depois cansa) até sentir-se « sacrificada/abandonada ».

O tempo de Lazer acaba servindo para « aparar » arestas, prenchendo lacunas familiares ou profissionais.

Também se « rouba » parte do tempo de sono (Descanso)—ou levantando mais cêdo (trabalho e outros) ou deitando mais tarde, por razões mil.

O QUE FAZER E COMO FAZER ????

A Palavra chave é DISCIPLINA !! Pessoal, intransferivel e auto-imposta consentida.

A disciplina pessoal é chave maior da PRODUTIVIDADE e EQUILIBRIO.

Quando ha 200 anos, na Place de Greve (hoje CONCORDE) os operarios qualificados decidiam os preços a cobrar pelos seus serviços, essa decisão era por todos decidida (GUILDENS) e respeitada.

Durante séculos a base de calculo foi – de Sol a Sol (desde que o Sol se levantava até que o Sol se punha) e a sociedade ORGANIZADA diferentemente. Hoje ha eletricidade….

Por « exploração abusiva » de seus PRIVILEGIOS, a NOBREZA criou a necessidade de uma Revolta, pela suas abusivas praticas junto à vassalagem. Esta, mais tarde, virou Revolução. Com a participação ativa dos « LIVRES ».

Posteriormente criaram-se as Bolsas do Trabalho (substituindo as Guildens ou Confrarias de Artesãos Livres (Pedreiros, Carpinteiros, etc) ainda hoje existentes em França sob o nome de Compagnonage.

—os Compagnons reunem-se em Cayennes, através da França (sua « capital » é TOURS) e são os unicos habilitados à recuperação dos prédios historicos, pois o « saber » lhes foi transmitido pelos Mestres Construtores de Catedrais—apadrinhados e protegidos pelos Cavaleiros do Templo (Templarios).

Essa proteção lhes permitia « escapar » da condição social e feudal de « vassalos ». Eram LIVRES !

Podiam circular sem restrições. Mas a condição era de trabalharam, coletivamente, para o engrandecimento de Deus—GOTT— e “elevar-se, acima da média (mérito) pela qualidade crescente individual da ARTE (CARREIRA) praticada”.

Financiados pelos Templarios e pagos pelas ORDENS, Mosteiros e Abadias (varias, CLUNY, BENEDITINOS, ) etc…. construiram COLETIVAMENTE (cada parte da OBRA tem as marcas do individuo/compagnon/mestre, que o fez, mas o TODO é coletivo) os MONUMENTOS GOTICOS que orgulham a Europa.

Não enriqueciam materialmente—mas sim aperfeiçoavam-se profissionalmente e eram « apreciados, julgados e notados » pelos seus PARES.

Iniciavam-se como APRENDIZES, depois de trabalhos feitos e notados COMPANHEIROS (intermédio demi-compagnon). Depois do Tour de France, quando passavam em diversas cidades e obras, apresentavam uma final « obra de Arte » pessoal e, se APROVADA ascendiam ao Titulo Honorifico de MESTRES—passavam a poder ter APRENDIZES……

Tudo MUDA e PERMANECE igual. O Homem é um IMITADOR nato. A ruptura serve-lhe para PROGREDIR ou INVOLUIR, mas sempre dentro de valores conhecidos e reconhecidos, pelo TEMPO.

Hoje, depois de muita luta, os Sindicatos chegaram a definições (cada categoria tem a sua) de Horarios, Direitos e Deveres.

Alguns desrespeitam ou ultra-respeitam êsses Contratos Sociais. Cada um tem suas razões…profissionais, familiars ou politicas.

Mas, sem duvida alguma—a divisão do dia, oriunda e posterior à Revolução Francesa de 1789 e seguintes, permanence imutavel e resiste ao TEMPO—8x3=24h.

O EXECUTIVO do XXI Século dispoe de varios instrumentos e é « empurrado e sacudido » por varias alternativas.

De Vida, Profissionais e Familiares—cabe-lhe, para seu bem PERENE equilibrar e calibrar esta aritmética e antiga « equação » 24 : 8=3 –periodos diarios.

Sempre que errar, recomeçar evitando o mesmo êrro…..

Se conseguir, podera praticar GEOMETRIA (« G » de Gott) e construir uma belissima e apreciada (CATEDRAL de) VIDA.

Ou passar grande parte de sua velhice, perguntando-se—onde foi que ERREI.

Mas, o jogo jogado não mudara. RESULTADO é RESULTADO.
APS
NB- O POLITICO, presentemente, não se acha com OBRIGACAO de RESULTADO—constroi, hoje, sua CARREIRA com base no ENGÔDO. Mau exemplo…….HOJE ! Voltaremos a essa parte……





sábado, 4 de fevereiro de 2012

Paparicando, por DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo


Francamente, não é uma coisa nem outra. Gilberto Kassab simplesmente lança mão de um patrimônio público, tira proveito da cadeira onde senta e da caneta que empunha, para paparicar Lula e o PT com quem quer se aliar na eleição que se avizinha.

Alguma diferença entre o que faz o prefeito e o que fizeram ministros (alguns) obrigados a deixar seus cargos porque usaram dinheiro público ou se valeram da condição de ocupante de cargo público para obter benefícios próprios e/ou partidários?

Na essência, nenhuma diferença. Ah, trata-se de uma lei que ainda precisa ser aprovada pelos vereadores? Ora, Kassab controla a Câmara. À exceção da bancada do PT, todos votam com o prefeito.

Aliás, será interessante observar se os vereadores petistas desta vez deixarão de lado a sistemática de votar sempre contra Kassab para aprovar a lei da bajulação. E os do PSDB, como se comportarão?

Se não quiserem abrir mão de agradar ao prefeito, terão de arranjar alegação diferente da que circula por aí dando conta do benefício que a instalação do Instituto Fernando Henrique Cardoso levou a outra área do centro da cidade de São Paulo.

FH não ganhou nada do Estado, comprou as instalações da massa falida do Automóvel Clube. A comparação correta é com o Maranhão de José Sarney.