O pequeno Largo fica defronte da Praça Albino Pinheiro, onde começa a rua Montenegro, endereço do Veloso. Naquele bar, depois de incontáveis rodadas de uísque e chope, Vinicius e Tom fizeram ‘Garota de Ipanema’. Localizaram o lugar? Claro que não; nem o satélite da Nasa seria capaz de me achar. Na virada do ano, assistirei daqui, pela TV, esse réveillon-catástrofe. Filmes-catástrofe estão na moda, suponho que equipes de Hollywood já estejam no Rio para fazer as gravações.
Deu no jornal que dois milhões de pessoas estarão presentes na praia para ver a queima de fogos em Copacabana. Vamos supor que a prefeitura instale 200 banheiros na orla durante o espetáculo pirotécnico. Cada banheiro seria usado, em tese, por 20.000 pessoas. Se cada usuário gastasse só um minuto, essa multidão levaria quase duas semanas para fazer suas necessidades (apenas as hídricas). Me corrijam se eu estiver errado, esqueci a maquininha de calcular no Rio.
Por que fiz essas contas? Para mostrar o quanto o raciocínio matemático pode ser surrealista. Voltando ao réveillon, já botei um bom estoque de Erdingers sem álcool no isopor para ver a festa pela TV. Ou não, depende da Ampla. Ampla é a Light local; deve ter esse nome pela incompetência ampla, geral e irrestrita.
Como Celia e eu dependemos da internet para trabalhar, investimos uma grana preta num potente gerador comprado na Paver Motos, em Itaipava. Quando começa o apagão a geringonça liga automaticamente. Funcionou 36 horas e pifou. Até agora não conseguiram consertar. Se na hora da queima de fogos a luz acabar, ficaremos a ver estrelas. E nem isso, caso chova.