quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Gasto com juros da dívida federal construiria 4 milhões de casas

Comentario---a Crise é so dos outros...Europa, USA, etc.....aqui o "Arrelia3 faz e desfaz o que lhe é mandado. No problem at all! A gente somos imbativel! Nesta ilha da Fantasia.
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Cálculo é do “Jurômetro”, serviço lançado pela Fiesp para pressionar a queda da Taxa Selic, por Wagner Gomes em O Globo

SÃO PAULO. As despesas do governo com o pagamento de juros da dívida federal já somam R$ 217 bilhões este ano, quantia suficiente para a construção de 332 novos aeroportos, ou 3,7 milhões de casas populares. Os números são da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), que lançou ontem, véspera da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2011, o "Jurômetro". A exemplo do "Impostômetro", um serviço da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que registra em tempo real o volume de impostos pagos pelo contribuinte brasileiro, o "Jurômetro" pretende medir os gastos do governo com o pagamento de juros. Utilizando dados do Banco Central, o sistema da Fiesp considera a Selic e o número de dias úteis sobre o saldo da dívida pública.

— A população não sabe se um corte de 0,5 ponto percentual na Selic é bom, nem qual o impacto disso na economia — disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

O serviço teve início nesta terça-feira no site www.jurometro.com.gr. A Fiesp também pretende lançar, em janeiro de 2012, em frente ao Banco Central, em Brasília, um painel eletrônico que mostrará o quanto o governo paga anualmente com juros. Outro "Jurômetro" será instalado na fachada do prédio da Fiesp, em São Paulo. Skaf disse que aguarda apenas a liberação da prefeitura para a instalação do painel.

— Se o painel causar constrangimento (aos diretores do BC) será bom. Instalar um equipamento bem em frente à janela onde os diretores do BC ficam fará bem — afirmou Skaf.

O presidente da Fiesp disse ainda que, mantida a Selic em 11,5%, os gastos com juros da dívida pública chegarão a R$ 240 bilhões até o fim do ano. Nos 12 meses, entre julho de 2010 e junho de 2011, o setor público pagou R$ 222,9 bilhões em juros nominais líquidos, o que equivale a 5,5% do PIB e 40% do PIB da indústria de transformação.

Nesta terça-feira, também, integrantes de diversas centrais sindicais fizeram uma passeata na Avenida Paulista, onde fica a sede da Fiesp, em defesa da queda nos juros. O grupo, de quase cem pessoas, se concentrou em frente à sede do Banco Central. Participaram do ato Força Sindical, CTB, CGTB, NCST e UGT.
 http://oglobo.globo.com/economia/gasto-com-juros-da-divida-federal-construiria-4-milhoes-de-casas-3350209#ixzz1f95l9wOK

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A mídia explicadora, por Joaquim FALCÃO

Diante da atual crise econômica da Europa e dos Estados Unidos, a política nunca mais será a mesma. Porque a mídia nunca mais será a mesma.

A crise está revelando uma nova e decisiva função da mídia. Veio para ficar. Depois da mídia investigativa dos últimos vinte anos, floresce a mídia explicadora. Uma não exclui a outra. Somam-se.

Na verdade, temos vários tipos de mídia: eletrônica (internet, orkut, email, facebook, etc.), impressa (jornais, revistas, livros, etc.) televisiva (aberta, a cabo, vídeo, etc.).
Considere-se também que a mídia, na história, foi sempre exercendo funções novas. Concomitantes e não sequenciais.

Primeiro era apenas impressa, elitista e discursiva, mas fez a república, e derrubou o império. Foi fundamentalmente informativa, circulando informações quando surgiram telégrafos, telefones, telex, fax, satélites.

Passou a ser depois mobilizadora, colocou os intelectuais como articulistas e o povo na rua. Derrubou o regime autoritário. Mobilizou a causa verde e os direitos humanos.

Em seguida veio a era da mídia investigativa e derrubaram Nixon e Collor e até hoje derrubam ministros aqui e em todo o mundo. Chegamos agora no apogeu da mídia explicadora.

Cada função da mídia tem correspondido historicamente a um profissional diferente. A mídia informativa e investigativa vive dos bons repórteres. A mídia mobilizadora dos grandes editorialistas, colunistas e articulistas.

Na mídia explicadora são os especialistas que veem além da notícia e os comunicadores que dialogam com o público. Explicam conversando, descomplicando.

O objetivo maior da mídia explicadora é explicar o simples que existe por trás do complexo. Bem como o valor ético e social que se escondem ou se revelam por trás do fato.

Na verdade, o principal alvo da mídia explicadora é a política, seja a política representativa sejam as políticas públicas, mas, sobretudo a política econômica, como egoísmo ou engano.

Como propriedade de apenas alguns. Dos 0,1%. O alvo da mídia explicadora é os 99,9%, que estavam fora do processo decisório de suas nações em parte por irresponsabilidade, descuido e muito por ignorância, desconhecimento e entendimento.

Informar somente não é formar. Não basta. Há que explicar. Às vezes até didaticamente. Revelar o íntimo da política e o complexo da economia.

Quando forem escrever a história desta crise econômica, ou da primavera dos árabes, ou dos movimentos sociais contra Wall Street, com certeza este será um dado explicativo precioso.

As pessoas estão entendendo mais de economia e política porque a mídia está explicando mais.

Não adianta dizer como nos Estados Unidos que não precisa taxar os muito ricos, pois são poucos e não levantaria o dinheiro necessário. São poucos, mas se pagassem como pagavam antes, em 2020 diminuiria o déficit americano em 1 trilhão de dólares como explica o Comitê de Orçamento americano.

Como não adianta dizer ao eleitor, que para salvar os países tem que mudar de primeiro ministro, sem mudar a gestão dos bancos que emprestaram mal.
Como não adianta exigir que a China abra seus mercados, quando americanos e europeus estão fechando os seus. Etc..., etc...
Explicar hoje é democratizar. Navegar não é preciso, como diria Fernando Pessoa. Entender é preciso.

Joaquim Falcão é JORNALISTA/Explica

Verdade, por Elton Simões


A verdade talvez seja algo que as limitações da nossa experiência humana, individualmente, jamais nos permitam conhecer. Não somos oniscientes ou onipresentes. Saber a verdade não é possível sem a cooperação dos outros.

Individualmente, sabemos versões. Nunca a verdade. Quando compartilhamos versões, sabemos mais da verdade. Quanto mais sabemos sobre ela, mais completa e mais justa a nossa percepção.

Existe uma relação direta entre verdade e justiça. Justiça somente é possível se a verdade for conhecida. Conhecê-la, por outro lado, só é possível, na experiência humana, através do compartilhamento das versões individuais. A verdade é a versão compartilhada pela comunidade, construída a partir da troca de informações de lados e pessoas diferentes. Verdade, na experiência humana, é uma coleção de versões compartilhadas.

Comissões de verdade são o reconhecimento dessa realidade. Para conhecer a verdade, precisamos trabalhar juntos. Ouvir e sermos ouvidos. Contar nossas histórias e escutar as dos outros. Somente este trabalho conjunto permite construir, compartilhar e aceitar a verdade.

A verdade não vem fácil. Ela só vem se todos compartilharem suas versões individuais. Não basta acesso a documentos ou o testemunho de somente uma das partes. Todas as partes devem estar envolvidas. Todos os fatos e perspectivas devem ser conhecidos. Mas somente isto não basta. Todos precisam concordar em uma versão compartilhada dos fatos, razões e circunstâncias.

Nos países cujos habitantes foram vítimas de violência injustificada por parte do Estado, conhecer a verdade é não somente importante como vital para o futuro da nação. A verdade é um meio, não um fim. Ela abre o caminho para o mais importante dos processos de pacificação desses países: a reconciliação. Afinal de contas, mesmo depois de conhecer a verdade, todos precisam viver juntos e construir o futuro, no mesmo país.

A reconciliação ocorre quando todos rejeitam os atos de violência praticados. Quando aqueles que os praticaram, aceitam a responsabilidade sobre seus atos.

Com isso, as feridas podem ser fechadas, ainda que as cicatrizes permaneçam como uma eterna lembrança dos erros do passado. Somente neste ponto, a reconciliação da sociedade pode começar. A partir daí, a sociedade se conscientiza. Constrói empatia. Olha para o futuro. Evita repetir erros anteriores.

Comissões de verdade bem sucedidas têm os olhos voltados para o futuro, enquanto nos liberam do passado.

Elton Simoes. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FVG); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (Univesity of Victoria).Email: esimoes@uvic.ca.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Justiça, cega mas com tacto.....acredite.......

Daniel Dantas consegue acesso irrestrito a arquivos da Satiagraha
FELIPE SELIGMAN----DE BRASÍLIA

Por unanimidade, o STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou uma liminar dada pelo ministro aposentado Eros Grau e concedeu à defesa de Daniel Dantas e do presidente do grupo Opportunity, Dório Ferman, o acesso a todos os arquivos originais contidos em meio digital (discos rígidos, DVDs e pen drives) que integram a Operação Satiagraha.

Deflagrada em 2008, a Satiagraha prendeu, entre outras pessoas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, suspeitos de praticar os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.

Eles já tinham o acesso a praticamente tudo, mas não tinha ainda a permissão para verificar alguns arquivos que, segundo perícia da Polícia Federal, estavam vazios ou danificados.

O advogado de Ferman, Antônio Pitombo, que foi o autor do pedido no Supremo, argumentou que gostaria de verificar se, de fato, essas mídias estavam mesmo imprestáveis.

Tanto ele quando o advogado de Dantas, Andrei Zenkner Schmidt, reclamavam que o acesso às provas foi negado pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

A vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, argumentou que a questão era simples, já que as provas em questão não foram liberadas por haver um documento oficial da Polícia Federal, dizendo que elas não tinham conteúdo relevante.

O mesmo argumento já havia sido apresentado pelo então juiz Fausto Martins De Sanctis, que enviou ofício a Eros Grau, dizendo que a defesa do Opportunity teve acesso irrestrito às provas, com exceção de alguns arquivos corrompidos.

Os ministros entenderam, no entanto, que é um direto da defesa verificar as mídias, mesmo que sem conteúdo. Para a relatora, ministra Cármen Lúcia, o "direto de defesa foi, de certa forma, cerceado".

Os advogados afirmam que querem verificar as provas com o objetivo de averiguar se a Operação Satiagraha foi "encomendada" por interesses privados.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

VEJA, com Augusto NUNES

Depois do doutor que não lê, o Brasil inventa a faxineira que gosta de lixo

Além do brasileiro, o Brasil já inventou o analista de juiz de futebol, o jurado de escola de samba, o despachante, o senador biônico, o flanelinha, o comunista capitalista, o cabo eleitoral de ofício, o guerrilheiro que não sabe atirar e a família Sarney, fora o resto. Deve achar pouco, sugerem as duas singularidades incorporadas em 2011 ao vastíssimo acervo de assombros. No começo do ano, o País do Carnaval pariu o único doutor do mundo que nunca leu um livro e não sabe escrever. Em seguida, decidiu que Dilma Rousseff seria a primeira faxineira da história que odeia vassoura e gosta de lixo.

Promovida a ministra de Minas e Energia em 2003, Dilma fez mais que conviver anos a fio, sem qualquer vestígio de desconforto, com o lixo amontoado por Lula no primeiro escalão federal. Como atestam três itens no prontuário, a chefe da Casa Civil fez o que pôde para piorar o que já estava péssimo. Com o dossiê forjado contra Fernando Henrique e Ruth Cardoso, Dilma aumentou o lixo. Com a conversa em que tentou induzir Lina Vieira a indultar a Famiglia Sarney, escondeu o lixo. E intensificou extraordinariamente a produção de lixo ao transformar em sucessora a melhor amiga Erenice Guerra.

“A corrupção será combatida permanentemente”, mentiu no discurso de posse. Se pensasse assim, seriam outros os ministros na plateia. Ao chamar de volta Antonio Palocci e Alfredo Nascimento, por exemplo, trouxe para dentro de casa o entulho já depositado na caçamba. Ao nomear Pedro Novais e manter no emprego Wagner Rossi e Orlando Silva, afastou do aterro sanitário algumas pilhas de detritos. Ao prorrogar o prazo de validade de Carlos Lupi, revelou que já existe até o lixo de estimação.

Como atestam as fotos feitas no dia da posse, Dilma ficou muito feliz com a escolha dos seis ministros localizados pela imprensa no pântano das maracutaias. Lamentou a partida de cinco e faz o que pode para não se desfazer do sexto. A permanência de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho transforma a antiga suspeita em certeza: a faxineira do Brasil Maravilha não consegue viver sem lixo por perto.

sábado, 19 de novembro de 2011

Memento, ASINE, nomina stultorum scribuntur ubique locorum...

......por M. Helena Rubinato de Sousa, Jornalista
Esse latinorum todo fazia parte do trote dado aos calouros da Faculdade de Direito da Universidade do Brasil (falo de causo acontecido no final dos anos 50 do século passado...). Era o que estava escrito no Diploma de Burro que um amigo recebeu e teve que assinar!

Não se assustem que não vou embrenhar pelo caminho muito frequentado pelos meus contemporâneos: “no meu tempo...”.

Pelo simples motivo que meu tempo foi ontem, é hoje e será amanhã enquanto Deus me der a graça de estar viva.

Na escola não tínhamos tias. Tínhamos professoras e professores. Não havia supermercado e as compras da casa eram feitas no armazém e anotadas em um caderno. A mínima suspeita bastava para o freguês abandonar aquele estabelecimento. O caderno tinha que ser a expressão da verdade.

Qualquer objeto novo encontrado em nosso quarto, ou pasta escolar, ou bolso, uma borracha, um lápis, um apontador, era investigado como se fosse uma bomba prestes a explodir e no dia seguinte devolvido à professora. Mentir para pai e mãe era um pecado para ser confessado ao padre antes da comunhão...

Com isso quero dizer que a geração que antecedeu a minha não tem culpa. Bem que tentou. Às vezes lembro-me da Dona Iracema, diretora do Bennett, lendo em voz alta a Oração aos Moços numa daquelas assembleias semanais. Nós achávamos muito, muito chato.

Hoje acho que além de chato, que me perdoe o espírito de Ruy Barbosa, aquele célebre texto foi prejudicial porque acendeu a luz errada em nossas mentes: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Pois foi. O brasileiro desanimou e de repente, não mais que de repente, sem soneto divino, em prosa rasteira mesmo, entramos no reino da rebimboca da parafuseta.

A conclusão: o redator do Diploma de Burro, creio eu que anônimo, era um gênio. Memento, asine, nomina stultorum scribuntor ubique locorum*...

Ontem nós, brasileiros de todos os tamanhos, feitios e cores recebemos nosso Diploma de Burros das mãos dos Três Poderes. Carlos Lupi não mentiu. Nós é que o compreendemos mal. Ele jantou em casa do Adair, voou pelos céus do Brasil com o Adair, deu uma pequena ajuda de milhões às ONGs do Adair, mas ele não tem relações com o Adair. Não são nem conhecidos!

O Diploma de Burros nos foi dado a todos nós ontem: *Lembre-se, asno, o nome dos idiotas está escrito por toda parte.
Simbora assinar!







sábado, 12 de novembro de 2011

A culpa da Itália, por Mino Carta


Em 17 anos, os eleitores não foram capazes de entender aonde os levaria o sultão Silvio Berlusconi
Em um ex-primeiro Mundo de lideranças políticas medíocres, Silvio Berlusconi é grande personagem. Tragicômica. Não saberia definir o volume das doses de tragédia e de comédia necessárias à combinação, arrisco-me, porém, a imaginar que Berlusconi nas mãos de um Shakespeare se tornaria sultão perverso, devasso e ridículo, irretocável em todos estes aspectos altamente negativos.
Estamos em condições, isto sim, de medir com precisão, números à disposição, a consistência do mal causado a seu país pelo premier italiano nos últimos quatro meses: o spread, entre os títulos alemães e os da Itália, submetida ao ataque especulativo cada vez mais feroz, não chegava a 350 em julho passado e na quarta 9 de novembro transpôs o umbral da falência ao atingir 553.
Quatro meses resumem 17 anos de berlusconismo, quase duas décadas de desmandos e vulgaridades, de atraso econômico e lassidão moral, de relacionamento suspeito com o crime organizado e de assaltos à Constituição à sombra da ditadura da maioria, o espectro sinistro que conforme Tocqueville sempre ameaça a democracia. Em 17 anos, a Itália de Berlusconi dilapidou brutalmente o prestígio conquistado desde o imediato pós-guerra pela força do trabalho, pelo arrojo empresarial, pela solidez do seu Estado de Direito. 
Um país paupérrimo em recursos naturais, dotado de terras férteis em menos da metade da sua superfície, tornou-se um dos mais ricos do mundo, entre eles seu PIB alcançou o quinto lugar. Seria o caso de dizer que o bem-estar, garantido por uma razoável distribuição de renda a despeito das arcaicas diferenças entre Norte e Sul, em parte preservadas, não fez bem à nação peninsular? Ocorre-me, não se espantem, um verso de Dante: chi è causa del suo mal, pianga se stesso. Quem causa o seu mal, chore a si mesmo. Pois é, hoje me dou ao luxo de evocar os gênios.
Está clara a culpa em cartório dos italianos, que elegeram e reelegeram o sultão três vezes. Em um lapso de tempo tão largo, não foram capazes de entender quem é Berlusconi e aonde seria capaz de arrastá-los, em nome dos interesses exclusivamente seus e da sua turma, em detrimento da grei. Os resistentes foram minoria, a oposição não se habilitou a oferecer alternativas convincentes. Agora me soa patética a patriotada dos ofendidos pelo descrédito internacional da Itália. Se a senhora Merkel e o galinho Sarko trocam sorrisinhos quando alguém pergunta se Berlusconi merece confiança, não cabe surpresa e tanto mais indignação.
Nesta moldura, permito-me supor até que o Caso Battisti não teria assumido lamentáveis proporções, precipitadas em primeiro lugar pela ignorância brasileira, caso o governo italiano não fosse o de Berlusconi. Meu queixo não cairia se averiguássemos que, em visita recente ao Brasil e em contato com o então presidente Lula, o premier declinou seu desinteresse pela sorte do terrorista assassino. Naquele momento estava na expectativa do bunga-bunga organizado em algum privilegiado local de São Paulo por Walter Lavitola, lobista e proxeneta, hoje procurado pela polícia e foragido na América Central. Deveria escolher o Brasil, talvez aqui fosse considerado herói da desobediência civil. Certo é que, na gestão do caso o governo de Roma, sua chancelaria e seus representantes diplomáticos foram de extrema tibieza. 
Óbvio que este específico exemplo não é relevante em comparação com males maiores, mas nele também se destaca positivamente o presidente da República, Giorgio Napolitano, o mais autorizado a manifestar profunda contrariedade com o desfecho do Caso Battisti e com a situação atual do seu país, e a defender o Estado Democrático de Direito que a Itália é desde a derrubada do fascismo, e continua a ser, a despeito de Berlusconi. Neste momento, o país conta com um honrado, notável presidente, pronto a desempenhar um papel que de certa maneira extrapola das funções constitucionais no justo empenho de estabelecer limites a uma situação tão comprometida.
Observe-se que pela primeira vez na história da república italiana o comunicado destinado a anunciar a próxima renúncia do premier em vez de ser divulgado pelo Palácio do Governo, saiu do Quirinale, sede presidencial. Foi a garantia que Napolitano ofereceu à nação, desafiado pela notória inconfiabilidade de Berlusconi. É de se estranhar que em um regime parlamentarista o presidente da República deixe de se parecer com a rainha da Inglaterra, mas neste momento para a Itália é bom que seja assim. Quanto a Berlusconi, tem lugar garantido no panteão dos grandes vilões. • 
P.S.: Nesta edição saúdo comovido o retorno do Doutor Sócrates à sua coluna, uma página que muito valoriza CartaCapital.http://www.cartacapital.com.br/politica/a-culpa-da-italia/

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O sétimo selo, por DORA KRAMER


 O decreto recentemente assinado pela presidente Dilma Rousseff determinando uma devassa nos contratos com ONGs, impondo a responsabilidade aos ministros e ordenando que haja avaliação técnica para concessão de recursos e fiscalização para a execução dos convênios, equivale a uma confissão de que o vale qualquer coisa era a lei.

Admite-se que o ministro da área não tenha responsabilidade direta? Que não sejam seguidos pareceres técnicos? Que não se fiscalizem nem por amostragem os contratos? Que, desculpe o leitor o lugar comum, um ministério seja algo comparável ao que o vulgo chama de casa da mãe Joana?

Pois pelo visto ao governo tudo isso parecia normal. Ou, ainda, digno da mais absoluta proteção e preservação.

Agora, em face ao que aparece aos borbotões, é de se perguntar a quais interesses o governo federal atendia quando mobilizou sua maioria no Congresso para, a partir de outubro de 2007 e por três anos, até 2010, obstruir os trabalhos de uma comissão de inquérito criada para investigar em que bases se davam as atividades das ONGs com a administração pública.

Presidida por um senador do DEM e relatada por outro do PC do B, a CPI acabou sem votação de relatório, fez algumas sugestões, não investigou irregularidades e passou ao largo dos problemas que agora tanto têm contribuído para que o secretário-geral da Presidência se sinta extenuado com tantas crises.

Bala com bala. Sorriso largo, semblante confiante - não necessariamente confiável - e a impertinência na ponta da língua, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, se exibe como a imagem invertida da realidade que se desmantela à sua volta.

O Estado de S.Paulo

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Cidadão,entregue sua arma........ou aprenda a usa-la!

- Agentes da Polícia Federal interceptaram um comboio de viaturas da Polícia Miliar e da Polícia Civil que estariam dando fuga a quinze traficantes. Os bandidos estão abandonando a favela da Rocinha, cujos acessos estão cercados, para escapar à ocupação que será realizada no própximo domingo. As informações preliminares dão conta de que a PF desconfiou do comboio e o interceptou, para averiguações, realizando o flagrante. Os traficantes estariam nas viaturas na condição de "passageiros" e não de presos. Todos receberam voz de prisão e estão sendo conduzidos ao cárcere da PF. A ocupação da Rocinha será realizada com apoio das Forças Armadas, exatamente como ocorreu no Complexo de Favelas do Alemão. Entre os traficantes presos está o conhecido por “Peixe” e o outro por “Coelho”, um dos principais comparsas de Antonio Bonfim Lopes, o "Nem", chefe da quadrilha que comanda a venda de drogas na favela. Ontem (8) ele foi atendido no posto médico da comunidade por suposta overdose e não teria sido reconhecido pelos atendentes. Outra equipe da PF apreendeu um carro que transportava fuzis e granadas junto com o combio. O governo do Rio oferece R$5 mil pela captura de "Nem", o bandido mais procurado do Estado.
continuaçãao-----

'Nem' da Rocinha é preso no porta-malas de carro de diplomata do Congo


Renata Leite e O Globo
O traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico de drogas na Rocinha (foto acima), foi preso no fim da noite de quarta-feira por policiais do Batalhão de Choque da PM, na Lagoa, em frente à sede do Clube Piraquê.
Segundo a polícia, ele foi encontrado no porta-malas de um Corolla preto, onde viajavam mais três homens, que também foram presos - um deles se apresentou como funcionário do consulado da República do Congo, o segundo se disse cônsul desse país e o terceiro era advogado.
O carro foi abordado inicialmente na saída da Rocinha por policiais do Batalhão de Choque, mas o suposto funcionário do consulado, alegando imunidade diplomática, se recusou a passar pela revista e a abrir o porta-malas. Ele afirmou que só abriria o veículo numa delegacia, e os PMs seguiram então o carro em direção a uma unidade policial.
Na altura do Piraquê, no entanto, o automóvel parou e um dos homens teria oferecido R$ 30 mil aos policiais para que fossem liberados. Nesse momento, o Corolla foi revistado e Nem, encontrado.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Liderança feminina, por Ateneia Feijó

Tomei consciência do significado exato do chamado “núcleo duro” da miséria, no início deste século, numa entrevista da doutora em Educação Wanda Engel. Ela disse que filhos de analfabetos miseráveis continuariam a ter filhos analfabetos miseráveis, se nada fosse feito para quebrar esse “núcleo”. Tão óbvio e tão difícil... A educadora era a secretária de Estado de Assistência Social no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso. Costumava afirmar que, sob o ponto de vista de desenvolvimento humano, não se resolveria a questão da desigualdade social somente com acesso à renda. Teria de haver, simultaneamente, acesso à educação e à saúde. Daí seus diversos programas. Bolsa-alimentação, bolsa-escola, médico de família, saneamento etc. Mas, em julho de 2002, ela declarou à revista Isto É Independente: “Não adianta colocar dinheiro quando a prefeitura não está preparada. É preciso qualificar a sociedade civil para esse dinheiro não ir para o ralo. Depende mais disso do que da boa vontade do prefeito.” Sabia do que estava falando. Em outubro do mesmo ano, naquela fase de transição FHC-Lula, Wanda afirmaria a Ranier Bragon da Agência Folha, em BH: “O nosso problema não é inexistência de comida, mas a inexistência de recursos financeiros para a aquisição de comida.” E demonstrava-se satisfeita pelos petistas levarem adiante a agenda de superação da pobreza. Até porque acreditava que as pessoas começavam a perceber que superar a pobreza não era mais só uma questão ética, era uma questão estratégica. Entretanto, discordava dos cupons de alimentação propostos no início do primeiro governo Lula. Ela os via como um retrocesso; sempre defendera a entrega do dinheiro diretamente ao beneficiado por meio de cartões bancários. Por questões práticas e para acabar com preconceitos. Afinal, Wanda investira na “mulher gerente”, tornando-a titular do cartão para o recebimento do benefício. E, depois, ela própria exerceria a chefia da Divisão de Desenvolvimento Social do Banco Interamericano de Desenvolvimento, na sede, em Washington. Que mais? Atua, desde 2006, como superintendente-executiva do Instituto Unibanco. Agora, foi convidada pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, para fazer parte do Conselho Internacional de Liderança Feminina em Negócios (International Council on Women’s Business Leadership). O fato não surpreende? Concordo. Ah... Sim. Wanda Engel nasceu numa família pobre carioca, no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro. Ateneia Feijó é jornalista Comentario meu---ela não passou a Vida se queixando......lutou e conseguiu ver reconhecido o seu VALOR!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vergonha!!! por Elton Simoes

Chove com frequência em Vancouver. Quando isso acontece nos fins de semana, fico em casa. Leio muito nessas horas e, para mitigar a solidão, deixo a TV ligada. Em um desses meus momentos solitários, a TV reportava que, no Japão, apesar dos terremotos, das falhas nas usinas nucleares, e da falta de alimentos, não haviam ocorrido episódios de violência, saques ou desordem. Uma senhora de meia idade foi entrevistada na fila onde as rações de alimentos estavam sendo distribuídas. Perguntada por que, diante da perspectiva de falta de alimento, ela esperava calmamente pela sua vez na fila, ela singelamente respondeu: “Porque se agisse de outra maneira, traria grande vergonha para mim e minha família.”. Achei interessante que ela tenha usado a palavra “vergonha”. De fato, pesquisas conduzidas por John Braithwaite, da Australian National University (ANU), apontam para o fato de que, sociedades nas quais a vergonha é parte importante da cultura, sofrem menos com criminalidade, violência e corrupção. A possibilidade de experimentar o sentimento de vergonha externamente, atraves da sanção ou condenação por membros da familia e da sociedade; e internamente, através das noções de certo e errado advindas do processo de socialização, contribui para a criação de uma sociedade mais justa e pacifica. Ética, portanto, é ao mesmo tempo uma questão individual, cultural e coletiva. É preciso uma aldeia para educar uma criança. Nesta ótica, crime, violência e corrupção são vistos como ofensas à comunidade, e não ao Estado. Deve-se fazer o que é certo, e não o que é meramente legal. As ações devem se orientar pelo campo da ética, e não do direito. Trata-se de restaurar os danos e as relações entre pessoas, e não de punir ofensas ao Estado. Trata-se de restaurar relações, e não de fabricar presos. Existe algo fundamentalmente errado quando, em uma sociedade, as noções de legalidade ou ilegalidade substituem as noções de certo e errado. Quando o sistema jurídico fica mais importante que a ética. Quando o compromisso com o bem-estar da comunidade se esconde atrás de nossa consciência adormecida. Nesta hora, perdemos a vergonha. A vida não cabe em um conjunto de leis. Ela é maior que isso. Não cabe em livros ou códigos. Não cabe no direito. A vida é dinâmica, fluida, contraditória e cheia de dilemas. Em uma sociedade pacifica, organizada e evoluída, a ética precede a legalidade. As pessoas têm vergonha. Nestes tempos de apagão ético, talvez seja isso o que nos falte. Elton Simoes mora no Canada há 2 anos. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FVG); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (Univesity of Victoria). Email: esimoes@uvic.ca.

domingo, 6 de novembro de 2011

'Eu não sabia', por Mary Zaidan

Como passe de mágica, uma proposta para anistiar mensaleiros cassados apareceu na pauta da sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, presidida João Paulo Cunha (PT-SP), ele próprio um mensaleiro. Surgiu assim, do nada, de repente. E só não deu certo porque mais uma vez a imprensa, essa estraga prazeres, agiu a tempo.

Da lavra do então deputado Ernandes Amorim (PTB-RO), o projeto suspende a pena de oito anos de inelegibilidade aplicada a José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Correa (PP-SP). Diga-se de passagem, a única punição imputada a protagonistas e coadjuvantes do maior escândalo da história do país, que se arrasta há quase seis anos sem cadeia à vista.

Flagrado pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Cunha, um dos 36 arrolados no processo que tramita no STF, jurou de pés juntos que de nada sabia.

A frase, legado do ex-presidente Lula, que usou e abusou do nada saber quando denúncias batiam nas portas do governo e dos seus asseclas, teve efeito limitado na boca de Cunha. Primeiro ele alegou desconhecimento. Depois, voltou atrás, e disse que ia mandar retirar o projeto de pauta. Pego com a boca da botija, consertou o estrago com outro. Admitiu não ter qualquer controle da comissão que dirige, motivo mais do que suficiente para se afastar dela.

O projeto de anistia é uma pérola. Na argumentação aponta que os três deputados - entre eles o chefe da quadrilha, de acordo com o procurador-geral da República - foram os únicos punidos, enquanto outros tiveram a complacência de seus pares. Só faltou pedir indenização por perdas e danos.

Desfaçatez, cinismo, mau-caratismo é pouco para tipificar o autor da proposta e aqueles que estimularam o seu trâmite. Fosse este um país sério, fossem os representantes do povo dignos dos votos que receberam, matéria dessa natureza morreria no nascedouro. Não prosperaria.

O projeto de anistia a mensaleiros andou rápido. Bem mais veloz do que dezenas de propostas parlamentares, muitas delas relevantes, que apodrecem nos escaninhos da Câmara. Ainda que com parecer contrário, entrou em pauta na CCJ e por pouco não chega à votação.

Só parou pela vigilância da imprensa.

Da mesma imprensa espicaçada pelos donos do poder, apelidada de golpista pelos mesmos mensaleiros e suas milícias que, como discípulos, seguem cegos os mandamentos que Lula grafou na tábua da impunidade. Entre eles, as máximas do “todo mundo faz” e do “eu não sabia”.

João Paulo Cunha só fez repetir o mestre.

Mary Zaidan é jornalista.Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan

Não ha fome que não dê em fartura.......

Cada vez mais, Brasil traz alimentos do exterior: de arroz e feijão a banana
Bruno Rosa (bruno.rosa@oglobo.com.br)

Alimentos populares como feijão, arroz e até a banana plantados em países asiáticos e europeus estão cada vez mais presentes na mesa... dos brasileiros. Celeiro agrícola no mundo, o Brasil registra avanço superior a 380% na importação de alguns desses alimentos básicos só neste ano. O mercado interno aquecido, o câmbio favorável e o elevado custo de produção entre os agricultores do país explicam o aumento das compras feitas no exterior. A alta, no entanto, já preocupa especialistas e representantes dos produtores.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a importação de feijão, por exemplo, subiu 56% neste ano, após crescer 24% em 2010. O feijão chinês representa 31% das compras feitas pelo Brasil lá fora. A banana, símbolo do país tropical, também vem de longe: as importações, em alta desde 2008, avançaram 383% em setembro. Só a Tailândia respondeu por 50% dessas compras.
- O consumo está em alta, e a oferta interna não consegue se adequar em vários períodos do ano. Esse é um movimento novo e que vem ganhando força. Além disso, o foco dos produtores sempre foi a exportação. Mas, hoje, há um mercado interno comprador muito interessante. Assim como acontece com os carros e os eletroeletrônicos, os importados também chegaram aos alimentos mais populares, e isso é preocupante - afirma Maurício Mendes, presidente da consultoria Informa FNP, especializada em agronegócios.

Um sinal de alerta dado pelos especialistas é o preço. A rede de supermercados Zona Sul negocia com produtores do Chile a importação de maçã, kiwi e pera a preços mais competitivos em relação aos similares nacionais. O Hortifruti compra ameixa da Espanha, pera dos EUA e de Portugal, além de kiwi da Itália. Com a ajuda do câmbio, a empresa consegue fazer até promoções: está vendendo o quilo de maçãs da Espanha por R$ 3,99. Originalmente, o produto custa R$ 4,99. O Hortifruti ressalta ainda que compra do exterior quando não há safra no Brasil ou quando os produtos nacionais são de baixa qualidade.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/11/05/cada-vez-mais-brasil-traz-alimentos-do-exterior-de-arroz-feijao-banana-925744153.asp#ixzz1ctw1oyge
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sábado, 5 de novembro de 2011

Burrice é doença, por Ruy Fabiano

À margem da discussão sobre política pública de saúde, ensejada pela enfermidade de Lula - e sem que a mídia tenha dado qualquer atenção ao tema -, está em curso uma grave decisão, que ilustra a natureza precária, irracional mesmo, da gestão do setor.

O Ministério da Saúde decidiu transformar um dos melhores hospitais da rede SUS em todo o país – o Hospital de Ipanema, no Rio de Janeiro – em centro avançado de transplante.

Aparentemente, uma decisão interessante, que dotaria a cidade de um centro de medicina de vanguarda, não fosse o fato de que, ao mesmo tempo, privará a população de um centro cirúrgico dos mais bem equipados do país, referência em endoscopia digestiva alta, pioneiro na implantação de controle de infecção hospitalar e, entre outras coisas, o único a fazer cirurgias por video- laparoscopia avançada na rede pública.

O absurdo está em que, além de não consultar as autoridades médicas da cidade, o Ministério da Saúde desprezou o fato de que a medicina de transplantes, em todo o mundo, está atrelada a uma universidade.

E não é por acaso, conforme esclarece o médico Octávio Vaz, membro titular da Academia Nacional de Medicina, titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e professor universitário.

Segundo ele, o transplante não é uma operação que possa ser executada com segurança num centro isolado, especialmente num hospital pequeno e sem espaço, como o de Ipanema, insuficiente para abrigar os serviços necessários ao suporte técnico que esses pacientes precisam.

O detalhe, que mostra o desconhecimento de causa dos que, à revelia da comunidade médica carioca, decidiram pela extinção pura e simples de um dos raros hospitais bem equipados da rede pública, é que há na cidade pelo menos dois centros universitários em condições de abrigar o centro avançado de transplante: o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ), que conta com um centro de transplante em precário funcionamento por falta de investimento do governo estadual, mas tem pessoal qualificado e experiência nesse tipo de operação, e o Hospital Federal de Bonsucesso, que possui também um centro de transplante, que só não funciona na plenitude pelo mesmo motivo: falta de recursos.

Em vez de reforçá-los, com muito menos dispêndio de verbas, em condições bem mais propícias, opta-se pela extinção de um hospital, para começar do zero algo que já está iniciado.

O que daí se deduz é algo bem mais sério que discutir se o SUS é bom ou não. Não há dúvida de que está longe da perfeição que Lula lhe atribuiu do alto de um palanque. Mas é certo que possui algumas áreas de excelência, como o Hospital de Ipanema.

O ponto nevrálgico, revelado pela estúpida decisão de acabar com aquele hospital, é que não há visão sistêmica, coordenada, na política de saúde pública brasileira. Tem-se a impressão de que as decisões são quase aleatórias. Cuida-se da árvore sem se observar (ou mesmo sem se conhecer) a floresta.

Decide-se em Brasília algo que afetará a vida de milhares de pessoas em outra cidade, sem nem ao menos se ouvir quem atua no meio e põe a mão na massa.

E a sempre alegada falta de verba se agrava com esse tipo de conduta, que encarece custos e piora os serviços. Uma soma fatal.

Por que, em vez de extinguir um hospital público que funciona sem problemas há 55 anos – e foi o primeiro no Rio a ser credenciado pelo SUS -, tratando com competência pacientes de alta complexidade, não ativar centros universitários já instalados, com pessoal qualificado, somando, em vez de reduzir?

O doutor Octávio Vaz, do alto de sua experiência, que o fez um dos mais renomados médicos do Rio, resume: incompetência e autoritarismo.

Numa palavra, burrice (que, como se sabe, é doença incurável, tanto na rede privada como no SUS).

Ruy Fabiano é jornalista

Pimenta, no ass dos outros........

Governo uruguaio se revolta com declarações de Sarkozy na cúpula do G20

Montevidéu- O Governo uruguaio convocou nesta sexta-feira seu embaixador na França e pediu explicações ao representante francês em Montevidéu, demonstrando indignação com o presidente Nicolas Sarkozy, que qualificou o Uruguai como paraíso fiscal e afirmou que o país 'será afastado da comunidade internacional'.

Segundo informou o site do jornal 'El País', o presidente do Uruguai, José Mujica, classificou de 'barbaridade' as palavras de Sarkozy na Cúpula do Grupo dos 20 (G20, bloco das principais nações ricas e emergentes) em Cannes e anunciou que apresentará um protesto ao embaixador Jean Christophe Potton, que foi convocado em caráter urgente à Chancelaria uruguaia.

As reações de condenação pelas declarações de Sarkozy foram unânimes em todo o espectro político uruguaio.

Entre os mais indignados estava o vice-presidente Danilo Astori, que considerou 'irresponsáveis' as palavras do líder francês e o acusou de ter 'um tom ameaçador e de represália que denota uma inclinação bastante colonial e imperial' que o Uruguai não aceita 'de nenhuma maneira'.

'O Uruguai nunca foi paraíso fiscal, o senhor presidente da França não esta informado de nossa situação, temos um imposto de renda para não residentes e isso basta para não ser qualificado como tal. Além disso, o Uruguai sempre seguiu o caminho da transparência', frisou Astori.

Outro que também expressou sua rejeição foi o ministro da Economia, Fernando Lorenzo, que disse se sentir 'surpreendido' e lembrou a Sarkozy que Uruguai e França têm um convênio de cooperação tributária assinado em 2009.

Sarkozy mencionou Uruguai e Panamá entre os países que o G20 identificou como aqueles que ainda não estabeleceram um marco legal para combater a evasão fiscal.

'Não estamos dispostos a tolerar isso', declarou o presidente francês, antes de destacar que 'os países que seguem sendo paraísos fiscais mediante a falta de transparência bancária serão postos à margem da comunidade internacional'.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Os lírios do campo, por Sandro Vaia--Jornalista

Quem semeia ventos não colhe exatamente lírios do campo.

As redes sociais, no Brasil, se transformaram ultimamente num tipo de lixeira político-ideológica onde todos os dias se lincham em primeiro lugar a verdade, em segundo lugar a razão, em terceiro lugar o respeito da convivência humana e, por último, mas nem por isso menos importante, os resquícios de civilidade que deveriam reger uma sociedade aberta e democrática.

O espetáculo degradante é regido pelas turbas militantes que trocaram os debates sobre conceitos, valores, princípios e convicções numa jihad alucinada, onde o que importa não é convencer o outro mas destruir o inimigo.

A espessa estupidez dos que atribuem intenções racistas a uma frase coloquial e banal como “o ministro caiu do galho”, ou que realmente acreditam que um almoço com um embaixador transforma um jornalista em “espião”, ganha o inacreditável contraponto da estupidez de sinal trocado de pessoas que se regozijam com a doença do ex-presidente Lula como se ela fosse a manifestação de algum tipo de categoria política.

Não existe forma de expressão humana capaz de chocar tanto quanto a manifestação de indiferença- ou pior ainda, de regozijo - de um ser humano diante do sofrimento do outro.

O respeito diante do padecimento dos outros é um traço cultural importante da raça humana e às vezes é o que nos distingue de alguns irracionais.

Desejar o padecimento ou a aniquilação física de qualquer ser humano por razões politicas é uma vileza difícil de conceber. O uso político de uma doença é uma indignidade e uma canalhice que dificilmente encontrariam paralelo no vasto histórico das baixezas humanas.

Ponto e parágrafo.

Se o decoro recomenda a supressão da exploração política da doença, isso vale rigorosamente para os dois lados. Transformar o mau agouro em bandeira política é tão ultrajante quanto tentar mitificar a doença e transformá-la em valor ou estandarte triunfalista.

Reduzir tudo à literalidade das palavras empobrece e estupidifica não apenas o seu significado, encolhendo-o ao maniqueísmo mais raso, mas é capaz mesmo de interditar a validade de um debate como aquele sobre o SUS, que se abriu nas redes sociais a pretexto da doença do ex-presidente.

É evidente que Lula tem o direito de escolher onde, quando e como vai se tratar, pois ele, além do livre-arbítrio, tem as condições econômicas para arcar com o tratamento.

Pedir que o ex-presidente vá se tratar no SUS, é uma evidente figura de linguagem, um sarcasmo usado para ironizar discursos e afirmações que ele fez no passado e que seria melhor que não tivesse feito.

Isso é desrespeito?

Desrespeito não seria falar demais sem medir as consequências?

Desrespeito não seria interditar o direito do cidadão de lembrar que ele não é idiota e que ninguém tem o direito de usá-lo como consumidor passivo de demagogia e mentiras?

Desrespeito seria lembrar que um líder político não tem o direito de dizer que “a saúde no Brasil está a um passo da perfeição” sem um dia ser cobrado por isso?

Essa não é uma boa hora para essas cobranças?

Tanto quanto não é uma boa hora para gravar um vídeo chamando para o próximo comício.

Sandro Vaia--jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Paleolíticos Brasiliensis

A torcida está do seu lado, cara!, por Ateneia Feijó

Mesmo assim, é razoável que passe pela imaginação dos brasileiros a cena de alguém chegando num hospital público queixando-se de incômodo na garganta. E de rouquidão... Seria submetido a um check-up? Claro que não.

Mas isso não vem ao caso agora. Ainda bem que o ex-presidente Luiz Inácio da Silva foi prontamente atendido no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Até já iniciou o tratamento para se curar do câncer na laringe. Cirurgias políticas ou procedimentos ideológicos à parte, ele merece considerações e respeito como ser humano. Ponto. Força, Lula!

Já a discussão sobre a saúde geral no país é uma outra história. Com dramaticidade própria de qualquer ângulo. Aparece até no perfil do neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho (por Bety Orsini), no Globo de domingo (30/10). Por quê?

Ele mostra que na neurocirurgia, por exemplo, não se precisa mais viajar para o exterior em busca de cura. Nossos neurocirurgiões são ótimos, tanto quanto os americanos e japoneses. Porém não dá para comemorar. Motivo? Só privilegiados têm acesso a essa excelência. Para a população com pouco dinheiro a rede de saúde é péssima.

Os hospitais universitários, as Santas Casas e as Ordens Terceiras estão quebrados. Paulo Niemeyer Filho, que também opera de graça na Santa Casa, no Rio, queixa-se da falta de seriedade para resolver o problema da medicina pública no Brasil. “A mesma seriedade que houve para resolver o problema da inflação e da violência no país.”

A saúde dos pobres foi deteriorada principalmente pela corrupção somada à falta de educação da maioria. Afinal, a vida saudável de um povo passa por seus conhecimentos gerais e cuidados pessoais. Por aprendizado de normas de segurança para evitar acidentes em casa, na rua e no trabalho.

Sem dispensar as autoridades governamentais do saneamento básico e dos outros investimentos de infraestrutura a que têm direito todos os cidadãos. Que, por sua vez, têm deveres a cumprir.

Coisas que não têm nada a ver com casmurrice. E sim com condicionamentos, hábitos, prevenção. Querer sentir-se seguro não é ser medroso, é ter amor à vida: com qualidade, alegrias... O que não quer dizer que não se enfrente desafios ou não se se corra riscos inevitáveis.

Em janeiro, a Divisão de População das Nações Unidas avisara que em algum dia no fim de 2011 seríamos 7 bilhões de pessoas no planeta. Já somos! No Brasil, estamos beirando os 200 milhões de habitantes. Há muito sobre o que refletir e fazer.

Ateneia Feijó é jornalista

ROLANDO NA REDE

O 'Quinto dos Infernos"
Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal.

Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto".

Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro.

O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que, quando se referiam a ele, diziam ...

"O Quinto dos Infernos".

E isso virou sinônimo de tudo que é ruim.

A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama".

Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2011 a 43% ou praticamente 2/5 (dois quintos)de nossa produção.

Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos...

Para que?

Para sustentar a corrupção?? os mensaleiros?? o Senado com sua legião de "diretores", a festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar nos 3 poderes (executivo/legislativo e judiciário).

Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar essa corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa.

E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!
(E vem de novo a CPMF !!!!)