domingo, 30 de outubro de 2011

Após 'A culpa é do Fidel', Julie Gavras exibe.........

.......em SP seu filme sobre um casal que precisa enfrentar a velhice, mas sem dramas

SÃO PAULO - No fundo, em seus dois longas-metragens de ficção, a diretora Julie Gavras quis retratar uma menina tentando encontrar seu caminho no mundo. O primeiro, "A culpa é do Fidel", é bem conhecido do público brasileiro: só no Rio, o filme ficou em cartaz de dezembro de 2007 a março de 2009. Ele trata de uma garotinha que precisa lidar com as mudanças no comportamento de seus pais nos anos 1970, provocadas pela influência revolucionária de esquerda - Fidel Castro à frente.
Já o segundo, que está em cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e estreia no Brasil em 11 de novembro, é a comédia romântica "Late bloomers - O amor não tem fim". Nele, a tal menina tem uns 60 anos e um problema maior para combater do que a "ameaça" comunista. Ela precisa encarar a velhice.
"Late bloomers" alterou a faixa etária que consagrou Julie, mas manteve alguns de seus temas. O filme acompanha a família de Mary (Isabella Rossellini) e Adam (William Hurt) naquele momento pelo qual todas as famílias acabam passando, quando os filhos saem de casa e é necessário se reinventar de alguma forma. Mary, mais madura como costumam ser as mulheres, opta por aceitar a idade e seguir em frente como uma senhora cheia de vigor, mas ainda assim uma senhora.
Por outro lado, Adam acredita que pode retardar a velhice e manter a ilusão da juventude. Esse conflito afasta o casal e faz a graça do filme.
- Na Europa, as pessoas com 60 anos estão se tornando uma nova geração. Antigamente, nessa idade, você era considerado velho, não teria muito mais tempo de vida. Mas hoje não é assim - diz Julie, que veio ao Brasil para a Mostra de São Paulo e fica em férias no Rio até quarta-feira. - William fez 60 anos no primeiro dia de filmagem, e Isabella tinha 58. Eles estavam passando por situação parecida à dos personagens. Por isso, compreendiam bem os sentimentos. Eu mesma fiz 40 anos durante a realização de "Late bloomers" e me vi pensando sobre o que envelhecer significa para a minha vida.
Nascida na França, Julie é filha do cineasta grego Costa-Gavras, um dos mais renomados diretores europeus, famoso por filmes políticos como "Z" (1969) e "Estado de sítio" (1972). Portanto, a história de "A culpa é do Fidel" trazia um pouco de sua própria história, a de uma criança vendo homens barbudos e sisudos se reunirem em sua casa para discutir uma possível revolução comunista. Esse enredo teve um impacto imenso no público brasileiro, atraindo mais de 130 mil espectadores.
- "A culpa é do Fidel" era tão autobiográfico que, no período de lançamento, eu me sentia no consultório de um psicanalista, tendo que falar sobre minha vida e minha família - diz Julie. - Demorei um pouco para entender a razão de ele ter feito tanto sucesso no Brasil e em outros países da América Latina. Não sei muito sobre o Brasil, mas acredito que tenha a ver com o fato de que muitos de vocês viveram durante a ditadura militar. Talvez tenham sido as crianças daquele período que se identificaram com meu filme.
Mesmo não sendo tão explicitamente autobiográfico como "A culpa é do Fidel", "Late bloomers" também traz paralelos com a vida de sua diretora. No filme, Adam é um arquiteto famoso, e Mary vive à sua sombra, ditando os rumos da casa e mantendo contato com seus três filhos. Na vida real dos Gavras, também há três filhos, e a matriarca, Michèle Ray-Gavras, é a produtora dos longas-metragens do marido.
- Um pouco da minha vida está nos filmes porque acho necessário começar uma criação a partir de uma base que você conhece. Para mim, a problemática de "A culpa é do Fidel" é a mesma de "Late bloomers": são mulheres que precisam achar seu espaço - diz Julie, que foi assistente de direção de Costa-Gavras em "Amém" (2002). - Fui a única assistente do meu pai que já levantou a voz para ele para dizer: "Por que você está tão nervoso? Fique calmo, vamos resolver."
A opção pela comédia romântica veio do temor de Julie de transformar "Late bloomers" numa história pesada, que pudesse afastar o espectador. Antes de escrever o roteiro, ela passou dois meses pesquisando as consequências de envelhecer e se deu conta de que, mais do que falar sobre a morte, era necessário fazer um filme sobre a vida.
- Quando a gente fala sobre envelhecer, o tema da morte sempre surge. Então eu tinha duas opções. Poderia tratar diretamente da morte e cair no melodrama ou tentar fazer os outros rirem. Preferi fazer rir, a partir do confronto entre duas pessoas que querem coisas diferentes da vida - explica. - Sempre gostei de comédias românticas, mas a questão das comédias românticas é que elas só são estreladas por personagens de 20 a 30 anos. Quis mudar isso. O que aconteceria com uma comédia romântica se os personagens tivessem 60 anos? Tentei responder a essa pergunta no filme.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/10/28/apos-culpa-do-fidel-julie-gavras-exibe-em-sp-seu-filme-sobre-um-casal-que-precisa-enfrentar-velhice-mas-sem-dramas-925682983.asp#ixzz1cEbcyBlr
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sábado, 29 de outubro de 2011

O Dia do Saci, por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Há tempos Aldo Rebelo sugeriu a troca do Halloween, o célebre Dia das Bruxas, por um Dia do Saci. Ele era contra uma festa tão americanizada em nossas terras.

Na ocasião, achei isso uma tolice sem fim: era trocar uma bobagem pela outra e o Estado se meter onde não é chamado. Que o povo escolhesse quem quer festejar e pronto. Foi o que pensei.

Hoje, dia seguinte da nomeação do admirador do Saci para o cargo de Ministro do Esporte, com a posse marcada para o Dia das Bruxas que poderia ter sido Dia do Saci se a ideia do ministro tivesse vingado, vejo que essa troca tem que ser feita e com urgência!

Chega de bruxarias em Brasília. O caldeirão das bruxas transbordou e o estrago já está de bom tamanho.

Mas o ministro teria que ter uma conversa séria com o Saci. Descrito como arteiro e brincalhão, um danadinho que adora pregar peças nas pessoas, tipo sumir com os óculos da gente, distrair os cozinheiros para que a comida queime, emaranhar os novelos, ele também é conhecido por fazer os viajantes se perderem na estrada.

Quer dizer, o Saci é antes de tudo um chato. Mas ao menos ele mostrou que cultiva a gratidão, uma das mais belas qualidades do homem. E chatice não é crime...

E qual a importância desse papo? Explico. Ser traquinas é um aspecto da personalidade do Saci. Mas não é sua função precípua. Essa é o domínio das matas onde ele guarda as ervas sagradas; ele perturba as pessoas que não lhe pedem autorização para colher as plantas.

O Saci controla, reconhece e sabe manusear todas as ervas. É o guardião do preparo do chá. E como todos sabemos, tomar chá em criança é fundamental para o adulto crescer educado.

O ministro tem que convocar o Saci...

Levar a sério os ditos populares não é, como querem crer os intelectuais de esquerda, burrice. Não foram criados do nada. Tomar chá em criança ou é de pequeno que se torce o pepino, são muito bons conselhos. Lembrar sempre que tanto morre o papa como quem não tem capa e, no intervalo, isto é, durante a vida, ter sempre em mente que mais vale saber que haver.

O saber fruto da educação que, é importante frisar, deve ser levada a sério nos dois sentidos: instrução e boas maneiras, bons hábitos. Ser educado não é só dar bom dia, boa noite, dizer obrigado e saber se portar à mesa. Também, e principalmente, é saber respeitar o que é do outro. Honrar o que é de todos. Não dar nem receber propina. Estabelecer limites para você e não confraternizar com quem rompe os princípios da correção e da honestidade.

Ah!, mas não somos a palmatória do mundo!, dirão alguns. É verdade. Mas precisamos ser a bagaceira?
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, é Jornalista

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Serial crise, por Dora Kramer

A quantidade recorde de seis ministros afastados em menos de dez meses de governo quer dizer o quê?

Depende. O governo certamente gostaria que a interpretação lhe fosse a mais favorável possível. Adoraria que as pessoas concluíssem que a presidente Dilma Rousseff não aceita "malfeitos".

A cena, porém, pode ser vista por outros ângulos. Um deles indica que a presidente não sabe escolher auxiliares.

Outro mostra que ela falha visivelmente no quesito imposição de critérios para nomeações, com a evidência de que o governo não faz nenhuma triagem nos nomes que lhe são submetidos como política e partidariamente mais convenientes.

Há ainda a infeliz coincidência de todos os demitidos até agora terem sido indicações sustentadas pelo ex-presidente Lula, o que não alivia a responsabilidade de quem deve, de fato e de direito, responder pelo bom andamento dos trabalhos governamentais.

A hipótese mais plausível, no entanto, é a mais simples: o governo nasceu velho, carcomido de vícios herdados e que foram aprofundados ao longo dos oito anos de gestão Lula e mantidos inalterados.
Há ainda a infeliz coincidência de todos os demitidos até agora terem sido indicações sustentadas pelo ex-presidente Lula, o que não alivia a responsabilidade de quem deve, de fato e de direito, responder pelo bom andamento dos trabalhos governamentais.

A hipótese mais plausível, no entanto, é a mais simples: o governo nasceu velho, carcomido de vícios herdados e que foram aprofundados ao longo dos oito anos de gestão Lula e mantidos inalterados.

À força da inércia juntou-se a convicção de que a vitória eleitoral acrescida da aprovação popular ao desempenho dos governos Lula e Dilma indicavam que nada precisava ser mudado. Ou, por outra: era necessário que nada fosse mudado.

A realidade está mostrando o quanto de autoengano há nessa conclusão. Apoio popular expresso em pesquisas de opinião não quer dizer que tudo vá bem.

Significa que as pessoas se sentem satisfeitas quando olham a situação como um todo, mas não pode ser interpretado como um aval para que a administração seja tocada de qualquer maneira, sem a observância de parâmetros mínimos de legalidade.

Até porque o público não dispõe de todas as informações. Já o governo, melhor do que ninguém, sabe como as coisas funcionam (ou não funcionam).

Governos sabem que se rouba e quando não tomam providências para desmontar as "igrejinhas" cujos dízimos são as verbas públicas, francamente, não há outra conclusão possível: é porque deixam roubar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Basta pararem de roubar, por Demóstenes Torres

Os cálculos da corrupção são sempre subavaliados e assombrosos. Um órgão público, a Advocacia Geral da União, admite que no período Lula foram afanados R$ 69,7 bilhões.

A soma oficial é modesta. É impossível divulgar dados precisos, mas estima-se a coleção de escândalos em R$ 85 bilhões apenas em 2010. Há quem considere que os desvios e a malversação torrem 10% do PIB ou uns 180 bilhões de dólares por ano.

Pior que levar o dinheiro é roubar o amanhã. Ou o hoje. É o cálculo da corrupção em vidas, em tranqüilidade, Educação, saúde.

Tome-se de exemplo o Ministério do Esporte. O governo se recusa a votar a proposta de emenda à Constituição que o obriga a implantar ensino integral em 100% das escolas. Uma das desculpas é que programas como o Segundo Tempo, palco das subtrações recém-comprovadas, cumpriria a função de ocupar o estudante no período em que não está na sala de aula.

Se fosse tocado em todo lugar por gente íntegra e competente, ainda assim o projeto não substituiria a Educação integral, que deve ir além do esporte, com reforço nas matérias, música, dança, literatura e outras expressões culturais.

E esporte, para ongueiros e outros serviçais da Pasta, é uma bola de couro e a meninada correndo atrás. Nada de fazer quadras cobertas, piscinas olímpicas, pistas de atletismo e skate, tatames, aparelhos de ginástica.

Envolvidos nos furtos do Segundo Tempo confessam falsificações na quantidade de atendidos. Enquanto eles carregavam as verbas, por onde andavam os alunos que deveriam estar no ginásio jogando futebol ou praticando artes marciais?

Aí aparece a face mais suja da nojeira: o programa foi criado como antídoto aos entorpecentes. Diretamente, esses ladrões empurraram os estudantes para o crack.

O ajeitamento político para o caso acabar em pizza é um atentado à moralidade, mas também um desrespeito às famílias e aos jovens que perambulam pelas ruas escravos das drogas.

A presidente Dilma Rousseff, despreocupada com esses meninos-zumbis, se contenta com explicações. A probidade e a paz são derrotadas a golpes de retórica comunista.

Dilma começou a semana inaugurando uma obra que resume sua complacência com o malfeito. Pagou R$ 1,099 bilhão pelos 3.500 metros da ponte Rio Negro, em Manaus. A maior ponte do mundo, na China, foi iniciada junto com a amazonense e feita a R$ 57 milhões cada quilômetro. A brasileira ficou 500% mais cara, R$ 300 milhões por quilômetro.

Comparando-se imagens das duas, nota-se a superioridade da chinesa em pistas e acabamento.

Na solenidade, perguntaram à presidente sobre a roubalheira no Esporte. Nem um pio. E sobre a obra superfaturada acima do rio e dentro do pântano dos aditivos? Nem interrogações. São apenas novas cifras superlativas ancoradas no mar de lama.

A presidente tinha o dever de impedir os delitos, demitir os suspeitos, apurar os malefícios e retomar os valores surrupiados. Em vez disso, transforma os crimes em oportunidades de sua base apresentar musculatura.

Dilma sabe que por trás dos recursos subtraídos há crianças sem merenda, colégios sem estrutura e um país dominado pelo tráfico. Inclusive, o de influência.

Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM/GO)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

‘Malfeito’ .......por Augusto Nunes, VEJA

....é o codinome da roubalheira promovida por corruptos de estimação

Assaltos, bandidagens, bandalheiras, crimes, cambalachos, delinquências, delitos, embustes, furtos, fraudes, falcatruas, gatunagens, imposturas, ilegalidades, ladroagens, mutretas, maracutaias, negociatas, patifarias, pilantragens, roubos, safadezas, sem-vergonhices, tungas, trampas, trambiques, trampolinagens, vigarices, velhacarias: no dicionário da corrupção, não faltam expressões que definem com muita precisão o que andam fazendo há quase nove anos quadrilheiros federais especializados em pontapés nas leis em geral e, em particular, no esvaziamento dos cofres públicos. O repertório vocabular quase vai de A a Z.

A discurseira sobre o escândalo protagonizado por Orlando Silva e pelo PCdoB no Ministério do Esporte informa que, para Dilma Rousseff, nenhum desses termos combina com os integrantes do clube dos cafajestes que dirigiu ao lado de Lula e hoje tenta administrar. Na pior das hipóteses, garante a presidente, os pecadores amigos se envolveram em ‘malfeitos”. Comete um malfeito, por exemplo, o bebê que captura a mamadeira do vizinho de berçário. É um codinome e tanto para a ladroagem promovida por corruptos de estimação.

A novilíngua falada pelos companheiros do PT e seus parceiros da base alugada é bastante inventiva. Mas a esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono, cansou-se de avisar Tancredo Neves. Por ordem de Lula, a faxineira de araque desta vez nem fingiu que tem vassoura. Foi logo se prostrando aos pés do padrinho, pronta para advogar em defesa do ministro que chama de Orlandinho. Ao insistir na malandragem semântica, só tornou ainda mais fácil identificar a turma que tem culpa no cartório.

Se alguém diz ou escreve “malfeito” ao tratar de qualquer escândalo federal, das duas, uma: ou é ladrão ou é sócio da roubalheira institucionalizada. Seja qual for a alternativa, é um caso de polícia.

domingo, 23 de outubro de 2011

Galicia nossa

http://youtu.be/7pB0fKhimBI

Pimenta, no dos outros é........

Quando 99% trabalham para enriquecer 1%///PAULO MOREIRA LEITE --ECONOMIA/EPOCA
Em sua edição que se encontra nas bancas a revista Economist, uma espécie de leitura obrigatória da elite mundial, publica um artigo que serve como advertência aos leitores que imaginam ser possível aplicar a tática do avestruz — aquele costume de enfiar a cabeça na areia para não tomar conhecimento dos problemas…

No texto, a Economist lembra que a crise dos países desenvolvidos é muito grave e séria. Também reconhece que os protestos de Wall Street e dezenas de países europeus tocam em problemas de verdade, que exigem respostas eficazes. A revista argumenta que seria um erro comparar os protestos de hoje com manifestações radicalizadas do passado, como aconteceu em Seattle, em 1999, cenário de um grande confronto de entidades sindicais e ONGs contra a Organização Mundial do Comércio.

Pelo texto da revista, pode-se concluir que, embora seja possível encontrar muitas semelhanças com este e outros episódios, a principal diferença se encontra numa realidade objetiva: o desemprego, a falta de crédito, a vida cada vez mais cara. A diferença é simples, poderíamos acrescentar. Nos protestos anteriores, as questões ideológicas tinham um peso determinante. Protestava-se contra a globalização. Denunciava-se os prejuízos que o livre comercio iria produzir nos países desenvolvidos. Mas falava-se de risco, de ameaça, de perigo futuro. Em 2001, os protestos falam da realidade presente.

Se o capitalismo sempre foi um regime desigual e excludente, permitindo que o Premio Nobel Joseph Stiglitz construísse a formula panfletária mas eficaz segundo a qual vive-se num mundo onde 99% trabalham para que 1% enriqueça, que tornou-se o slogan favorito de Wall Street, em 2010 e 2011 essa realidade tornou-se especialmente nociva e insuportável.

A desigualdade atingiu um patamar indecente mesmo em países habituados a pensar sua vida social com padrões aceitáveis para a maioria. Não é só uma questão moral nem de visão de mundo. Muita gente é a favor da desigualdade — em especial, quando se encontra no lado agradável da equação. Mas chegou-se a um ponto em que ela prejudica a economia, atrapalha o crescimento, com concordam economistas de correntes muito diferentes.

Como lembra a revista, o desemprego atinge mais de 40% dos jovens da Espanha, 17% dos norte-americanos, e, na média, mais de 20% em todos os países da Europa, menos Alemanha, Holanda e Austria. Examinando os adultos, fala de salários decrescentes. Quando chega nos idosos, mostra que na Inglaterra, por exemplo, a inflação anual já passou de 5% mas as poupança rendem 1,5%.

Neste ambiente, a Economist se afasta do coro de economistas mais obtusos, adeptos de uma política de austeridade para, em nome da pureza do mercado, promover uma regressão histórica capaz de tornar a mão-de-obra européia tão atraente como a chinesa ou peruana.

Sem abandonar seus pontos-de-vista conservadores, a revista afirma que é hora de crescer e colocar estímulos na economia. Segue favorável a suas idéias anteriores, como elevar o piso para o inicio das aposentadorias e reduzir outros benefícios do Estado de Bem-Estar social, mas admite que isso pode ser negociado para um segundo momento. Agora, diz ela, o importante é crescer.

sábado, 22 de outubro de 2011

O solido se desmancha no ar..........

Juiz é afastado do cargo após flagrante de venda de sentença no Piauí

SÃO PAULO - Um juiz do Piauí foi afastado do cargo depois de passar por uma situação que ele mesmo classificou como "constrangedora". O magistrado foi flagrado pedindo e recebendo propina, vendendo uma sentença.
A Prefeitura da cidade de Nossa Senhora de Nazaré, no norte do estado, começou a construção de uma estrada para transportar estudantes na zona rural, mas a obra foi suspensa porque o dono de um sítio recorreu à Justiça.
A decisão sobre a estrada cabia ao juiz José William Veloso, da comarca do município vizinho Campo Maior. Durante um ano o magistrado não tomou decisão sobre o caso.
Segundo a prefeita Luciene Silva, ele pediu dinheiro para dar uma decisão favorável à Prefeitura. Ela afirma que foi pressionada pelo juiz para pagar propina.
- Para liberar a sentença da estrada ele pediu mil reais - diz Luciene.
Por orientação do Ministério Público, a prefeita gravou uma conversa com o juiz.
- E quanto à sentença, como você irá fazer - diz a prefeita, ao telefone.
- Eu já estou preparando - responde o juiz.
- Mas você não me disse nada, quanto seria o caso.
- Não, é qualquer coisa, qualquer valor.
Luciene tirou o dinheiro com autorização do MP e da Polícia Federal. O encontro foi gravado. Logo em seguida, um policial federal apreendeu o dinheiro, no gabinete de Veloso. O juiz não foi preso por ter a prerrogativa do cargo.
O Tribunal de Justiça do Piauí afastou o juiz d cargo. E abriu dois processos, um administrativo e um criminal. Ele pode até ser demitido do cargo. A prefeita teve o mandato cassado pelo TER por compra de voto, mas se mantém no cargo por uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/10/21/juiz-afastado-do-cargo-apos-flagrante-de-venda-de-sentenca-no-piaui-925634257.asp#ixzz1bTm9HP5T
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Euskadi ta askatasuna & Iparretarrak

MADRI - O grupo separatista basco ETA anunciou nesta quinta-feira que vai abandonar definitivamente a luta armada que deixou cerca de 800 pessoas mortas em 43 anos de atividades terroristas. O comunicado foi divulgado em texto e vídeo nas edições digitais dos jornais "Gara" e "Berria", e acontece três dias depois da Conferência de Paz de San Sebastián que pediu à organização para deixar de lado as armas.
"É tempo de olhar para o futuro com esperança. É tempo de atuar com responsabilidade e valentia", diz o comunicado.

O ETA assegurou que "decidiu pelo fim definitivo de sua atividade armada", e chamou os governos da Espanha e França "para abrirem um processo de diálogo direto" destinado a solucionar "as consequências do conflito". O comunicado, no entanto, não detalha se os membros da guerrilha vão entregar as armas, o que para o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, é a condição para qualquer negociação com o ETA.
- Isso foi possível graças à coragem e força da sociedade espanhola, guiada pelas leis, que triunfa hoje como a única forma das pessoas coexistirem - disse Zapatero, após o anúncio. - Nossa democracia será sem terrorismo, mas não sem memória. A memória de cada uma das 829 vítimas e de tantos feridos que sofreram injustamente nos acompanhará sempre.
O grupo havia anunciado um cessar-fogo permanente em janeiro, mas até agora não tinha renunciado à luta armada como uma ferramenta para conseguir um Estado basco independente. Ex-membros do braço político e prisioneiros do ETA pressionavam pelo fim da luta armada.
O ETA é responsável pela morte de 829 pessoas em ataques a bomba e tiroteiros desde os anos 60, e é classificado como uma organiação terrorista pela Espanha, União Europeia e Estados Unidos.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/10/20/eta-anuncia-fim-da-violencia-apos-43-anos-de-acoes-terroristas-925621761.asp#ixzz1bOKjL7bH
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Vaidade dos "vivos", Vergonha dos mortos.....

Da guerrilha ao poder e a suspeitas de corrupção//O mais ideológico dos partidos no passado, PCdoB teria abandonado a própria história, dizem especialistas//Maria Lima e Luiza Damé, O Globo

Que partido é esse, que fez história na Guerrilha do Araguaia e agora surge como parceiro dos ruralistas na elaboração do Código Florestal e está envolvido em denúncias de corrupção, em pelo menos, dois setores do governo: Ministério do Esporte e Agência Nacional de Petróleo (ANP)?

Tido como o partido mais ideológico desde que nasceu da dissidência do PCB, em 1960, o PCdoB ainda tem como marca a foice e o martelo cruzados simbolizando a aliança de operários e camponeses. Mas vive uma crise de identidade com suas bandeiras e ideologias marxistas-leninistas desde que se impôs uma perestróika à brasileira, quando chegou ao poder pelos braços do PT.

Do antigo Partidão (PCB), o deputado Roberto Freire (SP), presidente do PPS, diz que os comunistas (do PCB) no Brasil já foram acusados de tudo, menos de corrupção.
Até o PCdoB chegar ao Governo.

Há alguns meses, a revista "Época" teve acesso a vídeos, cheques e documentos, que, segundo a reportagem, fazem parte de uma investigação do Ministério Público Federal no Rio, sobre o esquema de corrupção montado na ANP, presidida pelo ex-deputado Haroldo Lima (PCdoB-BA), envolvendo a autorização para funcionamento de distribuidoras de combustível. O dinheiro da propina iria reforçar o caixa do PcdoB.

— Depois que o PT chegou ao poder, amplos setores da esquerda brasileira vêm num processo de degradação perigosíssimo. No governo, o PCdoB aparelhou o Ministério do Esporte e a ANP, e deu no que deu. Os comunistas, na história brasileira, sempre foram muito criticados. Mas nunca acusados de corrupção — diz Freire.

— O PcdoB não arriou suas bandeiras do comunismo. Tivemos uma aproximação gigante com os pequenos proprietários de terras. Onde chegamos, as pessoas vêm nos cumprimentar — afirma Haroldo Lima, negando o desvirtuamento das bandeiras do PcdoB.

A principal base política do partido, além de sindicatos, é a União Nacional dos Estudantes (UNE), que teve entre seus presidentes Orlando Silva e a deputada Manuela Dávila (PCdoB-RS), e que também é acusada de ter sido cooptada pelo dinheiro público, abandonado a independência dos movimentos estudantis.

Para o historiador Marco Antônio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos, o PCdoB abandonou a sua própria história, abriu as portas para celebridades, que conquistam votos, mas não dão consistência ideológica, e passou a se envolver em situações nebulosas. Essa guinada, diz, se dá a partir da eleição de Lula à presidência da República, quando o PCdoB conquista espaço no poder.

O historiador lembra que o PCdoB nasceu em 1962, de um racha do PCB, e seguiu o modelo chinês de Mao Tse Tung. Depois veio o golpe militar de 1964, a Guerrilha do Araguaia, e o partido passou apoiar o PMDB. Após a redemocratização, o PCdoB ressurge como um partido "pequeno, mas ideológico".

domingo, 16 de outubro de 2011

BATOTA--arraigada pratica tupiniquim,tapuia, guarany,etc...

O advogado com influência, por LEONARDO SOUZA E HUDSON CORRÊA--revista EPOCA

Funcionário de carreira da Receita Federal por muitos anos, o advogado Marcos Vinicius Neder assumiu, no final de 2009, a Subsecretaria de Fiscalização, uma das mais importantes do órgão. Sua passagem pelo cargo gerou polêmica. Em dezembro daquele ano, Neder editou uma portaria sigilosa, contestada por auditores, que centralizava sob seu comando a fiscalização dos grandes contribuintes – até então pulverizada pelas delegacias do Fisco no país. Tal medida deu mais poder e conhecimento a Neder. Ele passou a ter uma gama maior de detalhes das relações de grandes contribuintes com o Fisco. Neder deixou oficialmente o cargo de subsecretário em 23 de dezembro, mas permaneceu nos quadros da Receita por mais um mês. Sua exoneração foi publicada no Diário Oficial em 27 de janeiro.
Pelo visto, Neder logo sentiu saudades da Receita. No dia 13 do mês passado, ele participou, na sede do Fisco em Brasília, de uma reunião na sala da Coordenação-Geral de Tributação (Cosit), o departamento por onde passam todas as mudanças na legislação promovidas pelo Fisco. Determinada pelo secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, a reunião visava rever as regras de tributação sobre o lucro das subsidiárias de empresas brasileiras no exterior, um tema caro a gigantes da economia nacional. Com base na legislação atual, a Receita tem aplicado multas bilionárias contra grandes empresas. Elas também têm acumulado derrotas na Justiça em suas tentativas de derrubar as normas em vigor. Nada mais objetivo, portanto, que tentar resolver a questão com os conhecimentos acumulados por Neder em seus anos de Receita.

Desde o começo do ano, Neder é sócio do escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe – e ele compareceu à reunião como advogado de empresas que, meses antes, fiscalizava: Vale, Odebrecht, Petrobras, BR Foods, Banco do Brasil, entre outras. Também foram à reunião representantes desses clientes. Eles – e Neder – declararam seu propósito sem constrangimento: queriam derrubar as normas tributárias sobre o lucro das subsidiárias. Participaram do encontro sete auditores da Receita, entre eles Márcio Angelim Ovídio Silva, Maria Olívia Queiroz Nery e Henrique Maluf, que embarcaram naquela manhã do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Os auditores não acreditavam naquilo que estava diante de seus olhos: o lobby – ou seria tráfico de influência? – institucionalizado, com a chancela do próprio secretário Barreto. A reunião fora organizada pela coordenadora de Tributos, a também auditora da Receita Cláudia Lúcia Pimentel da Silva, a número dois na hierarquia da Cosit. Detalhe: Cláudia Lúcia é cunhada de Neder.

Procurada por ÉPOCA, a Receita Federal informou que o grupo de trabalho foi criado para “desafogar” o gabinete do secretário Barreto e dar transparência no atendimento dos pleitos da iniciativa privada. Segundo a assessoria da Receita, um grupo de empresas com atividades no exterior, denominado pela sigla Giex, solicitou neste ano uma audiência com Barreto para tratar da tributação sobre o lucro das subsidiárias. Ele também foi procurado, diz a assessoria, pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ainda de acordo com a assessoria, Barreto criou esse grupo de trabalho para que especialistas cuidassem do assunto. E o que diz a assessoria sobre o potencial conflito de interesse envolvendo Neder – um ex-dirigente da Receita com relações familiares com uma funcionária graduada do Fisco? A Receita afirma que não sabia que Neder trabalhava para as empresas e que não pode interferir na escolha dos advogados dos contribuintes. E por que a cunhada de Neder foi escalada para organizar a reunião? Coincidência, diz a Receita.
Neder também preferiu não cumprir um período de quarentena, como de hábito procedem os servidores que deixam o Estado. Passou para a iniciativa privada antes mesmo de deixar o Fisco, como revela o documento obtido por ÉPOCA. Sete dias antes de deixar a Receita, já assinara contrato tornando-se sócio da Iguatemi Participações, uma consultoria que funciona no mesmo endereço da Trench, Rossi e Watanabe – as duas têm sócios em comum. Neder afirma que o contrato só foi registrado na Junta Comercial de São Paulo em março, dois meses após sua saída da Receita. E diz que pediu exoneração em 17 de janeiro (três dias antes de assinar o contrato), mas a publicação demorou dez dias para sair.
A disputa entre as empresas e o Fisco se dá em torno do Artigo 74 da Medida Provisória 2.158, de 2001. Pela norma, os tributos sobre o lucro das empresas coligadas e controladas no exterior têm de ser recolhidos no Brasil com os resultados das matrizes apurados no final do ano, respeitando um sistema de tributação conhecido tecnicamente como “regime de competência”. Tal regra foi criada para que multinacionais brasileiras não postergassem o recolhimento dos impostos de suas operações no exterior. Antes, elas só declaravam o lucro no Brasil quando desejavam – e, em muitos casos, não recolhiam os tributos.

Grandes empresas acumulam várias derrotas na Justiça na tentativa de mudar a legislação em vigor
A Vale é uma das maiores interessadas na mudança da legislação. Ela recebeu quatro autos de infração, no valor total de R$ 26,7 bilhões, relativos ao período de 1996 e 2008. Todas as multas tiveram como base o Artigo 74 da MP. A Vale luta contra essa medida provisória em duas frentes: na Justiça, desde 2003, e em processos administrativos movidos entre 2007 e 2010 dentro da própria Receita. s A Vale atua em 37 países, além do Brasil. Nos tribunais, amarga derrotas. A 7a Vara Federal do Rio de Janeiro rejeitou seus argumentos em agosto de 2005, e a mineradora recorreu da sentença. Em março passado, o Tribunal Regional Federal manteve a decisão. Um novo golpe na esfera judicial veio logo depois, em 17 de agosto passado. O STF acenou na direção de manter a tributação ao julgar ação direta de inconstitucionalidade contra a MP movida desde 2003 pela CNI.
A votação fechou com quatro votos a favor e quatro contra. O empate foi desfavorável à CNI porque a então ministra Ellen Gracie, antes de se aposentar, votara parcialmente pela constitucionalidade da MP. Falta ainda o voto do ministro Joaquim Barbosa, que está de licença médica. Doze dias após a sessão do STF parcialmente favorável à manutenção da tributação, Barreto criou o grupo de trabalho que levou Neder de volta à Receita. Neder afirma que seu escritório foi convidado a participar do encontro pelas empresas interessadas em derrubar a MP.

A Odebrecht diz que um grupo de empresários resolveu se unir contra a regra de tributação e contratou o escritório de Neder. De acordo com a Odebrecht, a reunião “foi uma iniciativa conjunta” das empresas com a Receita. A BR Foods limitou-se a dizer que participa de estudos. O Banco do Brasil disse não ter relações comerciais com Neder e seu escritório. Afirma que esteve na Cosit como convidado da iniciativa privada. A Petrobras não respondeu. A Vale afirmou em nota: “A Vale integra um grupo de trabalho para discutir aspectos da legislação de tributação de lucros no exterior, bem como propor alterações no sentido de dar mais competitividade às empresas brasileiras que atuam no mercado global. (...) Este grupo conta com o apoio técnico do escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados, com quem a Vale trabalha há mais de oito anos, em vários assuntos, inclusive tributários. Desconhecemos qualquer restrição ao trabalho do senhor Marcos Vinicius Neder na iniciativa privada”.
Questionados sobre a possibilidade de que o vínculo com Neder pudesse de alguma forma configurar um convite ao tráfico de influência, todos negam. É impossível afirmar que isso tenha ocorrido. Mas os grupos de trabalho da Receita são criados para tratar de assuntos internos. Não costumam atuar em parceria com a iniciativa privada.

Haja SAUDE!! Higiene basica esquecida......

Lixo hospitalar dos EUA é vendido em feiras de Pernambuco
Reportagem da Folha de S.Paulo deste sábado traz manchete sobre venda, em feiras de cidades de Pernambuco, de lençóis usados em hospitais dos Estados Unidos. As peças, incluindo fronhas, são negociadas por quilo. Muitas delas trazem manchas de sangue e a marca dos hospitais bordada. A Receita Federal apreendeu recentemente no Porto de Suape, na região metropolitana do Recife, dois containers com as peças. O maior flagrante de venda foi numa feira de Santa Cruz do Capiberibe (PE)
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a maioria das infecções pode ser prevenida por meio de uma única medida: lavar as mãos sempre e de forma correta. O Dia Mundial de Lavar as Mãos é comemorado neste sábado (15), e o Ministério da Saúde lançou a campanha 'Saúde a Gente Também Aprende na Escola. Lave as Mãos com Água e Sabão'. O objetivo da pasta, que conta com a parceria da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), é conscientizar a população, principalmente estudantes, professores e funcionários de colégios – sobre os benefícios de higiene adequada das mãos, afastando doenças transmitidas por bactérias, vírus e fungos.

sábado, 15 de outubro de 2011

A reforma possível, por Murillo de Aragão

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do STF, Ricardo Lewandowski, deu uma declaração exemplar e emblemática acerca da Lei da Ficha Limpa: “É a reforma política possível no que tange à moralidade dos costumes políticos”.

Mesmo assim, o STF agiu contra o interesse da cidadania, ao deixar para depois de 7 de outubro a decisão sobre a validade da lei.

Para valerem, as regras eleitorais precisam estar em vigor um ano antes das eleições. Portanto, o correto seria ter esclarecido as questões antes de 7 de outubro, para dar transparência ao processo eleitoral de 2012.

No entanto, por razões que nunca ficam límpidas nem plenamente justificadas, o STF não se manifestou. Promete que irá decidir até final do mês. Menos mal.

Como se sabe, a Lei da Ficha Limpa proíbe a candidatura de políticos que já foram condenados em decisões colegiadas de segunda instância. Com mais de 60 ações questionando a validade da lei, pelo menos dois pontos considerados polêmicos terão que ficar claros.

O primeiro diz respeito à retroatividade da aplicação da lei para políticos que já exercem mandato. O segundo ponto é elucidar se ela não fere o princípio da presunção de inocência, uma vez que, em tese, condenados em segunda instância podem ser absolvidos em última instância.

Apesar da torcida da sociedade, que deseja impor barreiras aos políticos de ficha suja, a questão é juridicamente complexa e politicamente sensível.

Luiz Fux, ministro relator de uma das ações sobre o tema no STF, prometeu emitir um juízo até o final de outubro. Fux foi contundente ao afirmar que seu julgamento – na ação impetrada pela OAB sobre a validade da lei – vai dirimir todas as dúvidas existentes. Inclusive acerca das condenações anteriores à sua vigência.

Difícil acreditar que os demais ministros não peçam vista, empurrando a decisão para o fim do ano ou para 2012. Esperamos que não.

Para o bem de todos, o alcance e a validade da Lei da Ficha Limpa devem ser esclarecidos o quanto antes. Pois, considerando o desinteresse e a omissão do Congresso em tratar do tema, a Ficha Limpa é a única reforma política possível.

Murillo de Aragão é cientista político

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Que país é este?----Miriam Leitão, O Globo

Nas vésperas do feriado, ficamos sabendo que o relator de receitas do Orçamento de 2012 refez as contas e ampliou em quase R$ 30 bilhões a previsão da arrecadação bruta para o ano que vem, calculando que a receita líquida, descontadas as transferências a estados e municípios, ficará R$ 25,6 bilhões acima do previsto inicialmente pela equipe econômica.

Essa matemática a gente já conhece, porque todo ano é a mesma coisa.

O Congresso refaz as contas e joga para cima as receitas do Orçamento, abrindo espaço para incluir na proposta novas despesas. Mas o curioso é que nos últimos anos essa previsão aparentemente inflada da arrecadação vem se confirmando, o que reflete o aumento crescente da carga tributária.

Pela nova previsão do Orçamento, a carga de impostos e contribuições cobrados pela União em 2012 alcançará 25% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 24,18% do PIB previstos pelo governo.

Se no Brasil o contribuinte paga cada vez mais impostos, não seria natural que os serviços melhorassem, assim como a infraestrutura e tudo mais que é financiado com o dinheiro dos tributos pagos por nós? Seria, mas não é. E o contribuinte tem muitos outros motivos para sentir-se lesado.

Por exemplo, quando o presidente do Senado, José Sarney, defende os privilégios dos congressistas, pagos com dinheiro público, dizendo que são uma forma de "homenagear a democracia".

Quando descobrimos que muitos parlamentares acham natural contratar mordomos, governantas, motoristas para seu uso particular, com o dinheiro da Câmara e do Senado.

Quando o Judiciário pressiona os demais poderes para aumentar seus próprios salários, legislando em causa própria, com base em parâmetros que não guardam relação com o conjunto da sociedade, pois já estão no topo dessa pirâmide.

Quando o governo namora com a ideia de um novo imposto para financiar a saúde, mas não se preocupa em fiscalizar melhor o uso do dinheiro já disponível. Faz vistas grossas ou até incentiva os ralos que impedem esses recursos de chegar na ponta do contribuinte, porque é mais fácil culpar os outros pelas falhas no sistema.

A carga tributária abusiva já seria um bom motivo para o contribuinte sentir-se lesado, mas saber que o dinheiro dos nossos impostos está financiando mordomias, privilégios, altos salários da elite federal, quando não escorre pelo ralo da corrupção, enquanto a saúde, a educação e a segurança continuam tão carentes, é um motivo ainda maior.

Assim, neste feriado do dia da padroeira do Brasil me vem à mente a música do Capital Inicial tocada no Rock in Rio: "Que país é este?"

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Catorze carros de luxo ainda são procurados, pela ReceitaFederal

RIO - Catorze veículos de luxo, com valor médio de R$ 300 mil cada um, ainda estão desaparecidos, informou na terça-feira Marcus Vinícius Vidal Pontes, superintendente-adjunto da Receita Federal no Rio. Marcus Vinicius revelou que sete proprietários, entre eles o cantor Latino - que comprou um Cadillac importado de forma fraudulenta por uma empresa -, ficaram de entregar seus carros na terça-feira, mas não o fizeram. De um total de 70 carros, 41 foram apreendidos. Proprietários de outros 15 veículos foram localizados e intimados. Eles precisam comparecer à Receita Federal e entregar os bens.
- O prazo para os sete proprietários terminava hoje (terça-feira). Eles deveriam entregar seus carros, mas não apareceram. Não dá para entender. O perdimento (confisco) está decretado, o Renavam bloqueado e os proprietários serão multados. Ou seja: podem perder o carro e ainda ganhar uma multa - informou Marcus Vinícius.

Não dá para entender. O perdimento (confisco) está decretado, o Renavam bloqueado e os proprietários serão multados. Ou seja: podem perder o carro e ainda ganhar uma multa
Em um ano, a Euro Imported Cars Veículos Ltda, do contraventor Haylton Carlos Gomes Escafura, filho do banqueiro do jogo do bicho José Caruzzo Escafura, o Piruinha, teria importado 103 veículos de luxo ilegalmente, num valor total estimado em R$ 30 milhões. A investigação identificou três brasileiros e um israelense residentes na Flórida ( EUA) que agiam como dealers (negociantes). Eles registravam os veículos usados na Alfândega da Flórida e depois providenciavam a remessa deles com a documentação adulterada.

No Brasil, sete empresas de fachadas - três no Rio, duas em São Paulo, uma em Vitória (ES) e uma no Recife (Pernambuco -, operadas por "laranjas", nogociavam os veículos como novos, mas com descontos incomuns no mercado. Em alguns casos, os carros eram vendidos com descontos de até R$ 150 mil. Todas as empresas tinham ligação com a Euro do contraventor. Sócios e o próprio Haylton - que é considerado foragido - teriam sido os principais beneficiados pelo esquema.
A operação Black Ops (expressão em inglês para operações clandestinas) foi deflagrada na última sexta-feira . Onze pessoas foram presas, 41 carros de luxo apreendidos e mais de R$ 50 milhões em bens e dinheiro em conta bancárias foram confiscados em 14 estados, na maior operação realizada pela Polícia Federal este ano no país. A organização criminosa era especializada em contrabando de automóveis de luxo. O grupo seria financiado por contraventores ligados à máfia israelense, conhecida como Albergil Family, e estaria envolvido em lavagem de dinheiro da contravenção, exploração de máquinas caça-níqueis e tráfico de pedras preciosas. O dinheiro também era lavado através da compra de imóveis de luxo. Segundo a Polícia Federal, o grupo teria comprado casas de luxo na Barra e em Búzios. Pelo menos um imóvel teria sido negociado com valor superior a R$ 3 milhões.
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cena carioca e não só........num mundo de enganos mil.

Dia desses, um cidadão atento caminhava pela Rua Voluntários da Pátria, na altura da Cobal do Humaitá, e viu um mendigo que parecia falar sozinho, deitado numa cama improvisada na calçada. Mas, ao chegar perto, viu que o homem papeava... ao celular.
Nosso amigo ainda ouviu o maltrapilho dizer:
— Onde eu tô? Ué, eu tô em casa...

sábado, 8 de outubro de 2011

Em troca do Nobel de literatura, Sarney aceita parar de escrever

Antes de receber o Nobel, Sarney teve de provar que não guardava nenhuma caneta nas mangas.

Movidos pelo medo e pela angústia, a Academia Sueca decidiu conceder a José Sarney o Nobel de literatura com a condição de que ele nunca mais escreva uma linha. “Nem hai-kai, versinho, redondilha, conto de uma página, receita de cozinha, bilhete para a empregada, nada, nada”, explicou, aliviado, Hans-Törben Mägnussen, presidente do comitê de seleção da láurea.

Ao saber que o prêmio fora dado ao poeta sueco Tomas Tranströmer, Sarney soltou uma nota dizendo que começaria a escrever, ainda hoje à noite, a sequencia de Marimbondos de Fogo, e que não descansaria enquanto a obra não fosse traduzida para o sueco.

A notícia caiu feito uma bomba na Suécia. Em Estocolmo, carros foram incendiados, lojas saqueadas e um grupo de cidadãos destemperados se reuniu diante do Palácio Real para pedir a cabeça da Rainha Sílvia.

A polícia começava a restabelecer a ordem pública, quando a gráfica do Senado exibiu, na TV Brasil, o primeiro exemplar de Brejal dos Guajás com sinais diacríticos visivelmente escandinavos. Imediatamente, a tropa de choque sueca juntou-se aos manifestantes.

Ao ser informado que o livro em breve chegaria às livrarias de seu país, o poeta Transrömer anunciou, da sacada de sua casa, que devolvia o prêmio e abandoava a carreira de escritor para se dedicar à escultura em sabonetes.

À beira de uma crise institucional sem precedentes, o governo sueco acionou o seu embaixador em Brasília e negociou o acordo com Sarney.

O PMDB ainda conseguiu emplacar dois deputados na Câmara Alta de Estocolmo, e Michel Temer ganhou o título de Conde de Uppsala.

Fonte da ruptura, por Miriam Leitão

Com Steve Jobs o mundo teve sua chance de reencontro com o verdadeiro sentido da economia: alguém que, do nada, cria riqueza, empregos, inovações, produtos. Jobs mudou o cotidiano, anteviu necessidades ainda não sentidas, produziu criaturas sobre as quais nos perguntamos como foi possível a vida sem elas. É difícil imaginar uma área não afetada por esse furacão chamado Steve.

Jobs é daquelas pessoas que aparecem raramente. Sua capacidade de inovação, genialidade e intensidade estão sendo objeto de reflexão neste momento de perda. Ao pensar nele a gente vai se dando conta do quanto ele comandou as mudanças pelas quais passamos.

Steve Jobs criou conceitos novos, ampliou o existente. O smartphone não foi invenção dele, mas o iPhone levou adiante as possibilidades do telefone inteligente; o tablet não foi criatura da sua empresa, mas o iPad redefiniu e ampliou o conceito. Ele não ficou só nos artefatos, porque o iTunes e o iPod redefiniram a indústria da música. A Pixar, de laboratório de efeitos especiais de George Lucas, virou o centro do novo cinema gráfico.

A imprensa está hoje repleta de reflexões inteligentes sobre a inteligência de Jobs e como isso alterou cada atividade econômica. É impossível separar, por exemplo, Steve Jobs do jornalismo como nós o conhecemos hoje. O especialista em mídia digital Jeff Sonderman publicou, na época da renúncia de Jobs, um artigo republicado agora no "Poynter." Na sua visão, nos últimos anos, a Apple de Jobs conseguiu ao mesmo tempo ajudar, transformar e criar uma ruptura na mídia. O título é um bom resumo da tese: "Como Steve Jobs mudou (mas não salvou) o jornalismo."

O jornalismo vive o desconforto das revoluções que ao mesmo tempo destroem conceitos, criam novos, e ampliam incertezas. A travessia nos últimos anos foi pontuada pela presença das infernais e geniais criaturas de Jobs. "O iPhone e o iPad criaram tendências inescapáveis. Eles não são apenas artefatos, mas toda uma nova categoria de produtos da economia do conteúdo", escreveu o especialista.

É avassaladora a presença dele em inúmeras áreas, sem dúvida, mas o interessante é também o fato de que ele incorpora uma figura indispensável à economia e ao capitalismo: o criador de eventos, produtos, necessidades e transformações. Sua ausência vem no meio de uma profunda crise econômica e num momento em que os Estados Unidos precisam reencontrar sua capacidade de criar inovadores. Em décadas passadas a economia americana permitiu o aparecimento de gênios que encubaram revoluções em garagens. Essa é a parte mais brilhante do país.

Hoje a economia mundial vive os danos causados pelas criaturas perigosas e tóxicas nascidas no mercado financeiro. Faz pouco sentido demonizar o mercado; as inovações e produtos financeiros permitiram geração de poupança, sustentaram negócios da economia real, protegeram iniciativas em todas as áreas produtivas. Mas é inegável que a crise está drenando as forças da economia americana e mundial. É lá que riquezas desaparecem e os bancos são salvos com dinheiro público em nome do bem coletivo.

A Apple afundou no período "jobless": quando seu fundador se afastou da empresa. Prejuízo, perda de capacidade inovadora, queda de valor de mercado foram o final daqueles anos sem Steve Jobs. Sua volta produziu o melhor momento da companhia. Curioso é que a Apple não foi ao governo americano pedir para ser socorrida alegando ser um símbolo nacional. Fez o mais racional: chamou seu mago de volta. Steve Jobs voltou melhor do que saiu. É como se no período em que esteve ocupado com efeitos especiais, toy stories da Pixar e os softwares da NeXT uma parte do seu cérebro estivesse voltada para a Apple, vendo-a de fora.

E assim, ao voltar, ele soube entender melhor a natureza da empresa que criou, e ela, como nunca, passou a oferecer complexidades simples para o usuário. O que era sofisticado tecnologicamente tinha de virar algo capaz de ser entendido por uma criança. Meu neto Daniel, de um ano e meio, está convencido de que o melhor brinquedo do mundo é o iPad de seu pai. Os adultos descobrem todas as outras dimensões do brinquedo.

As lições do evento da queda e ascensão da Apple, do período com e sem Jobs, ensinam um pouco sobre a economia de mercado, como ela deve ser. A teia protetora do Estado, que no Brasil - mas não só aqui - salva empresas quando elas se enfraquecem, impede a saída encontrada pela Apple. Se a empresa sobreviverá ao desaparecimento da sua figura central é menos importante. O relevante é entender que será vitoriosa no futuro a economia que permitir inovações que promovam rupturas. O capitalismo mostrou mais capacidade de fazer isso ao longo da história dos saltos tecnológicos recentes, mas até nisso é preciso cuidado. "Não se deixe cair na armadilha dos dogmas, o que pode significar viver com o resultado do pensamento do outro", disse Steve Jobs, certa vez.

A história de Jobs mostra que é preciso liberar a força criativa na economia. E que o medo do fracasso - como o que rondou a Apple - pode ser o melhor impulso para o salto. Saber, como os bancos sabem hoje, que todos serão salvos ao final pelo Fed ou pelos Fundos de Estabilização não faz bem à economia.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Chez les riches: Farinha pouca.......

WASHINGTON - Acossados pelos republicanos e militantes do movimento radical Tea Party e abandonados pelo governo Barack Obama e os democratas, os imigrantes ilegais nos Estados Unidos se tornaram centro da campanha eleitoral na busca de votos para o pleito presidencial do ano que vem. Índices de aprovação dos pré-candidatos republicanos variam de acordo com o maior ou menor rigor declarado em relação aos cerca de 11 milhões de clandestinos do país. Na Casa Branca, cresce a inquietação com a acentuada queda de popularidade de Obama entre a comunidade latina, que em 2008 o elegeu com 68% de seus votos.
A promessa eleitoral não cumprida de Obama de que nos primeiros cem dias de governo enviaria um projeto de reforma de imigração ao Congresso, para que fosse votado ainda no primeiro ano de seu mandato - acrescida da aprovação sucessiva de rígidas leis anti-imigratórias em cinco estados - favoreceram a radicalização do debate.
A criminalização da imigração ilegal, deflagrada no ano passado pela lei SB 1.070 do Arizona - que autoriza a polícia estadual a exigir documentos e interrogar indivíduos sobre sua situação de imigrante se houver qualquer "suspeita razoável" de ilegalidade - culminou na implementação, na semana passada, da legislação no Alabama, considerada a mais dura até hoje em termos de combate aos clandestinos. A lei autoriza as escolas a verificar o status migratório de seus alunos e penaliza o transporte e alojamento de clandestinos.
- São leis fascistas, agressivas, desumanas. A lei do Alabama legaliza o racismo institucionalizado e a perseguição contra os imigrantes ilegais, privando seus filhos do acesso à educação pública. O racismo que havia contra os negros nos Estados Unidos aflorou novamente, mas agora contra os imigrantes - critica Juan José Gutiérrez, dirigente da Coalizão dos EUA pelos Direitos Plenos dos Imigrantes.

Após sofrer uma queda de dez pontos percentuais nas pesquisas de opinião por defender a lei que concede bolsas de acesso à universidade estatal a imigrantes ilegais, o governador do Texas, Richard Perry, um dos favoritos para a cabeça de chapa republicana no pleito de 2012, endureceu seu discurso para acalmar as críticas dos partidários do Tea Party.
No lado do governo, os estrategistas de campanha lutam contra o tempo para recuperar a confiança do eleitorado latino. Segundo as estimativas, até o final de seu mandato, em apenas quatro anos, Obama terá promovido a deportação de cerca de 1,5 milhão de clandestinos (1,06 milhão até o mês passado) - nos 20 anos dos governos republicanos de Ronald Reagan, George H. W. Bush e George W. Bush foram 2,3 milhões. De janeiro de 2009 a agosto deste ano, a aprovação do presidente pelos latinos caiu de 75% para 48%, segundo o Instituto Gallup.
- Obama diz que a culpa não é dele, mas dos republicanos, que não querem cooperar. Mas, de forma conveniente, se esquece que quando chegou ao poder possuía a maioria democrata nas duas câmaras do Congresso. Nós nos sentimos ludibriados pela política tímida com que o o presidente enfrentou a ofensiva da ultradireita em questões de imigração - dispara Gutiérrez.
Na sua avaliação, o presidente poderá reaver algum prestígio se demonstrar pelo menos sinais de mudança em sua atitude.
- Recebo recados para não desanimar. Há rumores de que Obama teria uma surpresa para os latinos, que seria um acordo com os republicanos para a aprovação do Dream Act (que facilitaria o acesso de estudantes sem documentos à educação superior).
Erwin de Leon, da ONG "Feet in 2 Worlds" (Pés em dois mundos), especializada em questões de imigração, não vê perspectivas de maiores avanços políticos no controverso tema além da eventual aprovação de "leis menores" como o Dream Act:
- É uma questão explosiva e com uma alta carga política. Nada de importante deverá ocorrer até a eleição de 2012, e nem nos dois anos seguintes. O país se torna cada vez mais polarizado, e a situação no Congresso deverá permanecer bloqueada. Infelizmente não vejo um futuro promissor legal para esses imigrantes.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Bulgaridades......

Aos tapas e broncas
Dilma se relaciona com assessores e ministros não apenas com o seu jeito búlgara de ser, à base de broncas. Agora, quando bem humorada, ela deixa fluir o lado “paz e amor”, saudando-os com tapas nas costas e na barriga. Dói muito, mas ninguém reclama. Até acha graça.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A mentira

A mentira é a única verdade do mentiroso.
Já que à força de mentir ele não crê em mais ninguém.
A mentira é uma verdade que não chegou a ser executada.
O Balanço é uma mentira contábil.
A Fábula é uma mentira mitológica.
O Romance é uma mentira literária.
Para se distinguir um mentiroso de um coxo basta sair correndo atrás dos dois.

(Millôr n'O Pif-Paf/ O Cruzeiro, 1954)

As conquistas dos últimos 20 anos e os próximos desafios, por Míriam Leitão

Ontem, participei de debate em comemoração ao aniversário da CBN sobre as conquistas dos últimos 20 anos e os desafios para os próximos 20. O que falta para o Brasil ser um país rico? Para melhorá-lo, os brasileiros terão de trabalhar muito.

Há muito do que se orgulhar do que foi feito nos últimos 20 anos, mas o Brasil está no meio do caminho, ainda não é completamente maduro. Temos de começar pela educação, que inclui, melhora o país, a democracia e a competição. Cada brasileiro que está na escola vai competir não com quem está do lado, mas globalmente; os chineses estão estudando muito, os coreanos deram um salto educacional impressionante nas últimas décadas.

O crescimento tem de levar em conta novos paradigmas. Com as mudanças climáticas e os riscos aos quais o mundo está exposto, é preciso levar em consideração que a gente pode perder florestas, biodiversidade, com determinados projetos. O país precisa estar preparado para enfrentar eventos climáticos extremos mais frequentes. Também tem de tirar maior proveito da sua biodiversidade, que é uma riqueza. Não faz sentido ser tão inconsequente em relação ao seu próprio patrimônio.

A carga tributária cresceu muito nos últimos 20 anos - hoje está em 37% do PIB. Mas é preciso dar mais transparência aos gastos, aumentar a eficiência, dando espaço para a queda dos juros no Brasil. Mas reduzir a Selic produzindo inflação é fácil, temos de mantê-la sob controle para não perdermos o que já conquistamos.

Está nas nossas possibilidades eliminar a pobreza absoluta, uma das preocupações do governo Dilma.

Podemos e devemos também combater todo tipo de discriminação, que também é ineficiente do ponto de vista econômico. É preciso incluir, derrubar as barreiras.

Como estamos na era do conhecimentos, temos de investir em ciência e tecnologia.

Nesse momento, há diante de nós uma tarefa difícil: combater a corrupção, que mina a economia e ameaça duas conquistas importantes dos últimos anos: a democracia e a estabilidade da moeda. É um inimigo muito perigoso a ser enfrentado.

Não podemos perder o que conquistamos e ainda há muita coisa a se conquistar.

domingo, 2 de outubro de 2011

A lingerie de Gisele......

Certo ou errado? Gisele Bündchen, de lingerie e salto alto, seduz seu homem (e os nossos também) no comercial de TV. A modelo dá más notícias para o marido. “Amor, mamãe vem morar com a gente.” “Estourei seu cartão de crédito.” “Bati com seu carro.” Gisele séria, de vestido comportado. E sensual, de calcinha e sutiã. “Você é brasileira, use seu charme”, diz a publicidade. A Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) do governo Dilma achou a mensagem “preconceituosa e discriminatória” e quer tirar Gisele do ar.
Desconfio que a Hope, marca da lingerie, tenha contratado as mulheres de Dilma para bombar a campanha. O anúncio com a modelo mais bem paga do planeta virou uma sensação. Em inglês, francês, italiano, espanhol. A ameaça de censura do governo rodou o mundo. Vídeos legendados em diversos idiomas mostram Gisele no duplo papel. A esposa recatada. E a gata provocante. Tudo para vender lingerie... para as mulheres.
Acho o anúncio divertido, leve, maroto. Não me senti ofendida. E olha que sou chefe de família, como 30% das brasileiras. Fico boba com a falta de humor e rebolado da tal secretaria do governo. A nota de repúdio ao Conar, conselho que regulamenta a publicidade, usa uma linguagem pesada como a burca. Inspire. “O anúncio reforça o estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual e ignora os grandes avanços alcançados para desconstruir práticas e pensamentos sexistas.” Expire. Conseguiu ler até o fim? Ah, falta explicar que o governo recebeu 15 – quinze! – queixas de telespectadores indignados com a publicidade. Uma multidão. Por isso, a ministra Iriny Lopes foi à luta contra a lingerie incorreta.
Que tal uma teoria inversa? O anúncio na verdade mostraria o homem como objeto de manipulação das mulheres e não o contrário. O homem é um tolo que cai de quatro para o poder da sedução feminina. Em vez de macho fulo de raiva com o cartão de crédito estourado, o carro batido e a vinda da sogra, o marido invisível se submete, dócil, ao charme de sua mulher.
Quem achou Gisele apelativa? Luana Piovani! A atriz, que vive semipelada no cinema, na televisão e no teatro, disse: “Sei lá, sou meio feminista”. “Não curto mulher de fio dental vendendo cerveja.” Depois de processar Dado Bolabella (ops, Dolabella) por ter levado uns tapas dele na boate, Luana vai ser mãe e acha que “representa as mulheres brasileiras”. Diz que só usa lingerie em festinhas para o marido e que “faz mulher-objeto, mas só na dramaturgia”. Senti uma pontinha de inveja da mulher invisível pela diva brejeira e simpática.
Fui saber a opinião do publicitário Armando Strozenberg, presidente da 3ª Câmara do Conar, do Rio de Janeiro. “Quando vi o comercial, fiz o seguinte exercício: eu colocaria um homem no lugar da Gisele? Nas mesmas duas situações? Claro que colocaria”, diz ele. “A sedução, no Brasil, é mútua. É coisa nossa. E o comercial é uma brincadeira que lida com esse universo. Não desmerece a mulher.”
Penso nas cenas de novela com atores sem camisa, mostrando o peitoral, de sunga, de cueca, tomando banhos demorados, ou mesmo de bundinha de fora. Uma exibição deliberada de músculos, barriga tanquinho e testosterona. As mulheres gostam e suspiram. E ninguém reclama que os homens sejam objetos sexuais – eles até gostam. Não gostam?
Não somos Giseles. Estamos longe disso. Mas cada uma de nós tem algo especial para seu homem – nem que seja o sorriso aberto, o olhar sugestivo, um colo ou... E vice-versa. Há 16 anos, eu fazia mestrado em Londres, não havia internet e, em vez de gastar palavreado em cartas para o namorado artista plástico no Brasil, eu mesma fiz uma série de fotos minhas de lingerie e salto alto. Enviava a ele pelo correio uma vez por semana, toda segunda-feira. Eram cartões-postais personalizados. Um “teaser”, na linguagem publicitária. Ele se dizia ansioso a cada novidade semanal do correio.
Quando contei isso a algumas amigas, me olharam incrédulas. E como ficava a imagem de jornalista séria e “meio feminista”? Por que fez isso, Ruth ? Para brincar, seduzir, surpreender e agradar ao namorado. Estamos juntos até hoje

sábado, 1 de outubro de 2011

Mas que não é, não é...por MHRR de Sousa

Tenho pelo Supremo Tribunal Federal o respeito que me foi incutido desde jovem. Ali chegavam os homens mais capacitados de sua área.

Juízes eram pessoas com grande preparo intelectual, com longa carreira atrás de si, de vida e caráter ilibados que, indicados ao STF, nele ascendiam por mérito. Sua presença despertava, nos cidadãos, consideração natural.

Lembro perfeitamente quando o Golpe de 1º de abril cassou três juízes do STF: Evandro Lins e Silva, Hermes Lima e Vitor Nunes Leal. Não brincaram com a sorte, os oficiais-generais – cassaram a nata daquela instituição. Foi um tranco.

Por essa época eu era cliente fiel da Livraria Leonardo da Vinci, na av. Rio Branco, e muitas vezes vi Dr. Evandro caminhando entre o tribunal e a livraria, sozinho ou com um amigo, em passadas tão largas quanto os gestos que fazia com as mãos.

Não sei explicar porque simpatizava tanto com ele: nunca trocamos palavra, mas guardo sua figura na memória e ao fechar os olhos e relembrar tento ver se havia algum segurança caminhando atrás dele. Não, não havia.

Isso foi no Rio de Janeiro dos anos 50 e não na suntuosa Capital Federal de nossos dias, a Persépolis com palácios que curiosamente saíram da mente de um comunista, o para mim genial e imperdoável Niemeyer.

A grandiosidade dos prédios que projetou, naquela vastidão do Planalto Central, mexeu com a noção de grandeza dos brasileiros. Dos vira-latas de Nelson Rodrigues passamos a nos achar os titãs da América Latina.

Hoje, esse limite já foi ultrapassado; ricos, poderosos, damos lições de Economia, de Ciências Políticas e já ameaçamos com Nova Ordem Mundial.

Nossas autoridades, os Três Poderes, moram nas nuvens e não nos veem. Não se constrangem em zanzar de um lado a outro em jatinhos; não ficam sem graça ao receber auxílio moradia; não evitam se mostrar poderosos. São tão preciosos que não sabem nem o que é andar de táxi!

Isso é chocante? Não. Em se tratando dos membros dos outros Dois Poderes, confesso, preconceituosa, não creio. Ali não precisa de diploma. O grau de instrução é irrelevante.

Mas no STF? Quantos anos queimando as pestanas para ter 2822 funcionários que atendam uma instituição onde imperam 11 pessoas? 435 seguranças? 239 recepcionistas?

Não sei de quais mordomias gozam o STJ ou o CNJ. Vai ver empatam com o STF.

Não vou julgar a desavença entre os dois ministros. Os juízes são eles. Mas posso dar um palpite? Penso que ela está é certa!

Eliana Calmon não se referiu a toda uma corporação, é só ler com calma o que ela disse. Ou Cézar Peluso quer que eu acredite que a toga do juiz é um poderoso tira-manchas?