sexta-feira, 22 de julho de 2011

A prática do impossível, por JANIO DE FREITAS

A sucessão de demissões mostra que a conveniência de ser aliado do governo é maior do que o rompimento

O EXPURGO NA área governamental de Transportes não é um fato a mais como administração pública nem como ação presidencial na relação com as forças partidárias e do Congresso. É um fato com antecedentes, mas sem precedente. E, mais ainda, é a demonstração de uma possibilidade sempre negada pelos mandatários e lideranças políticas, com firmeza tão maior quanto mais se tem exposto, nas últimas décadas, a epidemia de corrupção nos poderes públicos.
Já se foram 15 ocupantes de posto-chave nos Transportes. Não se sabe quantos deveriam ir, para oxigenar o setor. Não importa. Os expurgados são todos detentores de influência em determinados setores com expressão política ou úteis representantes de ramal político.
O PR, por sua vez, recebeu os Transportes como área sua, no governo Lula, e a manteve ainda por ter na Câmara e no Senado votos importantes para a "base aliada". Daí as ameaças do PR à Presidência, quando nos seus domínios os primeiros pescoços pareceram ameaçados. Daí a certeza audaciosa de Luiz Antonio Pagot e de protetores seus no Congresso.
A ameaça pressentida e a reação política eram partes da mesma norma com vida longa por aqui. E destinada à mesma forma de dissolução do confronto. Forma bem conhecida: sob o argumento de que o governo não poderia dispensar os votos do partido ou da corrente ameaçante, a substituição do ministro é vista como suficiente, logo seguida de numerosas concessões para aplacar resíduos de insatisfação. As engrenagens pessoais de cada modalidade de corrupção preservavam-se do aparente saneamento.
Para ficar nos anos mais recentes, vimos muitas dessas operações nos governos de Fernando Henrique e de Lula. Uma como cópia da outra, todas com a mesma explicação e o mesmo resultado -este que se desvenda agora no Ministério dos Transportes.
A atual sucessão de demissões é o enfrentamento à norma consagrada pela prática. É a demonstração de que a Presidência não precisa ser uma instância institucional submetida às ambições abjetas de correntes políticas, e aberta, com seus cofres idem, à invasão de interesses opostos ao interesse público. É ainda a demonstração de que, para os partidos, a conveniência de figurar como aliado do governo é maior do que o rompimento, o que foi negado por tanto tempo. Aí está: o PR perdeu e fica.
Quebra ainda maior da norma, a nomeação do novo ministro dos Transportes contrariou não só o PR, mas também a resistência do PMDB e a irritação mal dissimulada do PT. Não foi fácil e não está a salvo de reações, mas faz prevalecer a deliberação da Presidência a respeito do seu governo. Como deveria ter sido sempre, mas as fraquezas não estiveram só no Congresso.

CRIMINAL
A Editora do Senado tem posição única na edição brasileira. Já vasto, seu catálogo é feito de obras de grande importância para o conhecimento da história política e cultural do Brasil, com preciosidades pouco conhecidas e autores já pouco lembrados. São, em geral, livros essenciais à formação de historiadores, sociólogos, intelectuais de melhor erudição. E livros, muitos deles, não encontrados, antes, mesmo em bibliotecas universitárias.
A reforma administrativa esboçada por uma subcomissão no Senado ameaça a editora. É forte a propensão para transformá-la em editora de obras dos próprios senadores. Teríamos, é fácil antever, um catálogo continuado com livros de quadrinhas e sonetos, artiguetes escritos por assessores para assinatura senatorial e, sem dúvida, farta produção de publicações com fins eleitorais. A reforma quer cometer um crime cultural.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A paga da praga

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
O PT está com medo de que o julgamento do mensalão, se ocorrer mesmo em 2012, prejudique o desempenho do partido nas eleições municipais e, por extensão, atinja os candidatos nas eleições de 2014 para presidente, governadores, senadores e deputados.

Não é um temor infundado, embora seja totalmente injustificado.

Certamente não poderá haver melhor cenário para a oposição. Ao longo de semanas e até durante um mês ou mais, o Supremo Tribunal vai revisitar episódios que por pouco não fizeram o então presidente Lula renunciar à reeleição e resultaram na denúncia do Ministério Público contra a "organização criminosa" montada pela cúpula do PT em conluio com o lobista Marcos Valério de Souza.

Não vai ser agradável a olhos e ouvidos petistas ver e ouvir de novo o desfile de acusações por corrupção (ativa e passiva), peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, entre outros.

Para o PT sem dúvida por ser eleitoralmente mortal. Ou não.

Levando-se em conta a letargia que motivou o correspondente do El País no Brasil, Juan Arias, a escrever artigo perguntando sobre as razões pelas quais o brasileiro marcha em prol da liberdade dos costumes, mas não se abala em sair de casa para protestar contra a corrupção, tudo é possível.

Mas o mais provável é que ocorra o que o secretário de comunicação do PT, André Vargas, considera um risco extremo. Diz ele, achando "muito estranha essa coincidência" de datas : "O julgamento às vésperas da eleição dará a entender ao eleitor que o PT está sendo julgado".

Óbvio que estará. Poderia até não estar se tivesse havido rigor na punição àqueles que levaram o partido ao crime.

Aceitando José Dirceu na Executiva do partido, reincorporando Delúbio Soares e absolvendo os demais mensaleiros, o PT aceitou pagar para ver o preço. Não pode agora se fazer de desavisado. É enfrentar o rojão e assumir a paga da praga que o partido se auto-rogou.

De fato e ficção. Alguém está faltando com a verdade no PMDB quando se trata da relação do partido com o governo. Em público, José Sarney, Michel Temer e Henrique Eduardo Alves, respectivamente presidente do Senado, vice-presidente da República e líder do PMDB na Câmara, elogiam a capacidade da presidente de fazer amigos, influenciar pessoas e gerenciar crises na base aliada.

No particular, o sentimento é muito diferente. Todos se queixam do tratamento de segunda dados aos ministros. Nelson Jobim e Moreira Franco, por causa do "esvaziamento" de suas pastas.

Pedro Novais por ser ignorado pela presidente, que assiste calada à disseminação de versões sobre sua iminente saída; Edison Lobão pelo monitoramento estreito no setor de Minas e Energia, onde Dilma exerce controle direto. Garibaldi Alves por ter sido orientado a não discutir reforma da Previdência.

Quanto a Michel Temer, a insatisfação decorre do papel secundário que Dilma lhe reserva ao não fazer dele um parceiro de fato no compartilhamento das decisões de governo.

Diante desse quadro e pela observação dos episódios que representaram dificuldades para o governo nestes seis meses, a avaliação real não é a de que Dilma sabe administrar crises, ao contrário: seu método (ou falta de) favorece a acumulação de passivos. O resultado é a contratação desde já de crises que podem explodir no futuro.

Caudatária. Não resta dúvida de que a intervenção da presidente no ministério dos Transportes significa um avanço em relação à rotina de impunidade do governo anterior.

Algo, contudo, segue fora do lugar. Não pelo fato de a atual presidente ter sido nos últimos anos aquela que tudo sabia e tudo controlava no governo.

Muito mais pela sistemática da presidente de só agir quando informada pelos jornais a respeito do que se passa em seu governo.

Ou estão falhando os controles internos para detectar os malfeitos ou Dilma só se sensibiliza com eles quando são levados ao conhecimento do público.


terça-feira, 19 de julho de 2011

Não ria, é a sério........

Hoje 13 de Julho de 2011—faltam 20 dias pros americanos saberem se entram em Concordata, ou continuam comendo mais do que ganham, transferindo grande parte da conta, pro resto do mundo, via emissão de moeda—imitados pelo maior parte do Ocidente, vis à vis de ex-colonias e dependentes em geral…
Cinicos praticantes do velho adagio—Quem parte e reparte, se não fica com a melhor parte… Ou é burro ou não tem Arte..
A Europa enreda-se cada vez mais na sua inércia decisora/devedora. O Colegialismo perverte a DEMOCRACIA e acoberta as covardias e conveniências individuais e nacionais.
A alemoa, nascida e criada no Leste burocratico-extremista (Merkel), com vista às eleições (proximas) que não quer perder, ferra todos, esperando…...primeiro o resulyado das URNAS NACIONAIS ! Carreirista sem Moral !
Não ferra os bancos alemães que emprestaram—IRRESPONSAVELMENTE-- à Grécia e outros….junto com os bancos franceses, ingleses, espanhois, italianos et tutti quanti…..
O BCEuropeu, liderado ( ?) pelo TRICHET monetarista ferrenho e tacanho, aperta crédito e aumenta juros, qual um AGIOTA sem visão ou imaginação.
O Trichet nem precisa dizer o que pretende ou pensa fazer. O Mercado sabe com antecedência e tome valorização do Euro!!!
Ele fazia o mesmo no Banco Central Francês…..Êle so quer uma MOEDA FORTE. Mesmo se o remédio mata o doente, êle insiste na receita…..contra tudo e todos…Salvo os politicos, claro. E o meu lugar de VIP ?!
O dolar US baixa os juros remuneratorios de referência, pra exportar bens e inflação (emissão de papeis varios, vencimentos a trinta anos…).
O Trichet sobe os juros, tudo mundo compra euro e as emprêsas vão fechando, sem capacidade de competir e sem clientes. Êle não liga. Do alto da sua cadeira, caga e anda, ha anos e anos.
O deficit em Conta Corrente da France, dentre outros, so cresce…….
Falaram em reestruturação das dividas, êle não gostou. A Moody’s “aproveitou o lance” e ferrou—em beneficio dos Fundos de Pensão Americanos e outros particulares, como G. Soros, W. Buffet (seus acionistas!) a Grecia, Portugal e agora Irlanda.
Seria engraçado, se não fosse tragico—nêste ano, a maioria dêsses paises tem tranches importantes à RENOVAR por 2, 5, 10 anos….Os juros ja andam à volta (na média) em 15% per annum. Juros de Brasil quase sem inflação….

Com a ajuda das Três Marias (Moody’s, Fitch e Standard & Poors), os ESPECULADORES (Traders) que «desertaram » em 2008, Londres (regulation primes oblige! A City brinca pouco !), fizeram subir o preço dos imoveis, em Lausanne, Genebra e outros paraisos menos conhecidos, onde se instalaram.
O « casino » continua operando, sem restrições maiores e enchendo os bolsos de quem pouco trabalha…..
Como escreveu um suiço e hoje deputado—A Suiça lava mais branco--.(titulo do livro)

Amanhã (14) (aniversario de meu pai, que nos deixou seu exemplo TRABALHADOR) festeja-se a queda da Bastilha, em 1789, iniciando-se o periodo Luminoso, da Cidade Luz (Paris) irradiado para o Mundo (com a ajuda dos Exercitos Conscritos Napoleonicos, recebidos de braços abertos pela Europa afora). Chegava a LIBERDADE, contra o FEUDALISMO resistente !).

O FIM do « casino financeiro» sera, mais uma vez, adiado. Todos (politiqueiros) querem retornar ao ramerame habitual, eleições, promessas mentirosas e quetais .
A solução passara, na Europa, pela criação dos EUROBONDS e, pra tranquilizar o povo, uma agencia de Rating Européia Independente ( ?).
Independente de quem e de quê, êles não sabem dizer……O negocio é empurrar com a barriga…
Os Eurobonds poderão sêr emitidos (por quem ?) e trocados pela divida soberana dos paises. BINGO ! Sua cotação sera « administrada ». Até quando e como ? Boa questão….depois nois vê.
O Trichet resmunga, mas se aposenta dentro de mêses. Um italiano o substitui, em outubro.
Tamos, mais ou menos como no Rio—escolhendo o samba-enredo--, antes do + um Carnaval.

Acrescente-se ai alguma REGULACAO sobre as Três Marias—êsses chatos/espertos, que vivem complicando a vida dos politiqueiros, segundo os proprios. Essas Três, participam nos Fundos e Empresas…especulando, claro. So jogam com « cartas marcadas ». Ganho garantido !

Teremos mais algum tempo (quanto ?, não sei ainda!) de « tranquilidade », dentro do ramerame.

Ficarão faltando as reais e indispensaveis medidas corretoras essenciais e saneadoras, de fato, do Sistema Financeiro Especulador e Ladravaz Internacional, via Bancos Centrais Nacionais, hoje dirigidos por gente de ôlho numa vaguinha remuneradora, num banco privado..—como, ---exemplos não exaustivos :

1. -Restabelecimento das velhas regras de CREDITO (principalmente ao Consumidor, reduzindo limites anualmente, até « enxugamento », com o seu corolario de Contrôle de Risco.
Não observadas, penalização, com a perda de assinatura no Livro do Bacen, para o superior imediato, a quem emprestar, sem garantias suficientes ou « espumosas »;
---ao subordinado concedente suspensão ou perda de sua Alçada (ainda ha ? Ou é tudo no Credit Score ?) por periodo a estabelecer, nunca inferior ao ano Fiscal, indo até à recuperação final (sem rolagem) do Credito em liquidação.

2- Controle estrito de todo e qualquer novo INDICE ou FORMULA multiplicadora de Credito ou Aplicação nos Futuros, Materias Primas, etc…. responsabilizando Presidente Executivo e o Conselho de Administração, do Banco.

3-Alternativa (aos bancos) entre --Remuneração dos depositos à vista,(OBRIGATORIA e indexada ao HotMoney) correlatas às taxas cobradas. Uma sobe , a outra também

4- Proibição de novas taxas de serviço e fixação dos maximos, nas operações mais corriqueiras.

5-Proibição de cobrar QUALQUER TAXA a quem aufira menos do que o limite impositivo do Imposto de Renda Nacional.

6- Planilha trimestral de avaliação de taxas de serviço—Uma ou mais, sem justificativa credivel, implicara-isenção a todos os clientes.

Tudo isto so seria possivel com Bancos Centrais Independentes, Profissionais e Honestos—interditando a troca-troca entre Privado e Publico.
Atualizando os Codigos Penal, Civel e Comercial—roubar galinha da cadeia—o resto da noticia…passageira.

UTOPIA ou simples BOM SENSO, valida pra quem conhece a lenda holandesa do “Menino do Dique”, uma minoria, hoje.
APS – 13/07/2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Dilma roda o mesmo filme de Lula, Elio Gaspari, O Globo

O primeiro grande escândalo do governo Lula estourou em fevereiro de 2004, 13 meses depois de sua posse. Custou o cargo a Waldomiro Diniz, subchefe da Casa Civil de José Dirceu. Ele fora filmado num achaque ao tempo em que dirigia as loterias do Rio de Janeiro.

Até o dia em que deixou o Planalto, em janeiro passado, Nosso Guia foi perseguido por escândalos que se sucederam em intervalos regulares.

O governo Dilma Rousseff foi mais veloz. Seu primeiro escândalo estourou cinco meses depois da posse e custou o cargo ao chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

Um mês depois, Dilma perdeu o ministro dos Transportes e o diretor do Departamento de Infraestrutura e Transportes, o Dnit. (Em julho de 2003, quando Lula tinha sete meses de Palácio, o mesmo Dnit deu-lhe uma pequena crise, com o ex-diretor financeiro acusando o ministro Anderson Adauto de favorecer a empreiteira Queiroz Galvão e sendo acusado de embolsar propinas.)

Deixando-se de lado o varejão da roubalheira, onde ficam contratos de serviços, de publicidade, ou despesas com cartões de crédito, mordomias e viagens, a crônica de nove anos incompletos de governo petista revela que há nele uma engrenagem blindada, metódica e articulada de corrupção.

Não há novos escândalos, há apenas novas erupções, beneficiadas por uma rotina em que uma crise só se exaure quando é substituída por outra, na qual estão personagens que passaram despercebidos na anterior.

O centro dessa rede fica no Palácio do Planalto, ora na Casa Civil, ora na coordenação política, e sempre na coleta e repasse de doações. Quando Waldomiro Diniz foi apanhado, pouca gente sabia quem era Delúbio Soares. (Em janeiro de 2003, o tesoureiro do PT organizou uma festa numa fazenda de Buriti Alegre. Entre os convidados estava o deputado Valdemar Costa Neto, do PTB, atual marquês do Ministério dos Transportes.)

Desde fevereiro de 2004 sabia-se que Delúbio pagava mesadas a deputados do PTB. Entre a crise de Waldomiro Diniz e a seguinte, com o vídeo de um pagamento de propina a um diretor dos Correios passaram-se 15 meses.

Bastaram mais quatro meses para que daí surgisse a palavra que mudaria a História do PT e do comissário José Dirceu: “mensalão”.

O novo escândalo expôs o loteamento, pelo Planalto, de cargos nos Correios, Banco do Brasil, Instituto de Resseguros do Brasil e Furnas, bem como a manipulação, pela Casa Civil, dos fundos de pensão de estatais.

Nos governos anteriores aconteceram episódios semelhantes, mas não tiveram a articulação e a blindagem conquistadas pelo comissariado. Trinta e dois parlamentares acusados de terem participado do “mensalão” e de roubalheiras nas verbas da saúde tiveram um crescimento patrimonial de 32% entre 2002 e 2006.

O “mensalão” ainda não saíra no noticiário quando puxaram-se as pontas da administração do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na prefeitura de Ribeirão Preto. Era mais do mesmo.

Negociando contratos de loterias na Caixa Econômica, Waldomiro Diniz propusera a empresários o serviço da consultoria de Rogério Buratti, ex-secretário de governo de Ribeirão, ex-sócio do chefe de gabinete do ministro da Fazenda.

Incriminado por Buratti, Palocci agonizou durante um ano. Trazido de volta ao Planalto por Dilma, aguentou 23 dias de crise e saiu de cena sem contar quem eram os clientes que o tornaram milionário.

Burattis, Waldomiros, Delúbios, Erenices e até mesmo Pagots foram peças acessórias de uma máquina. Isso pode ser entendido quando se vê como saíram de cena.

Delúbio, reintegrado recentemente à família petista, ensinou: “Faz parte da minha integridade não delatar ninguém”. Na semana passada, o doutor Luiz Antonio Pagot fechou suas oito horas de silencioso depoimento com uma frase: “Sou um leal companheiro”.

O escandaloso enriquecimento de Palocci foi substituído pelas propinas do Ministério dos Transportes. Como acontece desde o caso de Waldomiro Diniz, será esquecido, diante do próximo.

sábado, 16 de julho de 2011

A política fracassou

Em apenas um semestre de governo, já são dois os ministros demitidos por denúncias de corrupção – Antonio Palocci, da Casa Civil, e Alfredo Nascimento, dos Transportes - e muitos os casos análogos levantados.
A presidente, embora externe repúdio àquelas práticas, não é tão convincente na hora de agir.
Atenuou o tom crítico em relação às denúncias no Ministério dos Transportes, entregue à gestão do PR, e o manteve sob o domínio daquela legenda.
É refém de seus aliados, mesmo sabendo que muitos não resistiriam a um inquérito preliminar numa delegacia da esquina. No entanto, depende deles.
Para além das responsabilidades específicas do governo do PT, um fato é inquestionável: o sistema político decorrente da Constituição de 1988 fracassou. E o país colhe os frutos desse fracasso.
O presidencialismo de coalizão, além de todas as barbáries que favorece na gestão pública, é disfuncional.
As maiorias se estabelecem por processos nada transparentes (ainda que seus efeitos o sejam) e, mesmo assim, não oferecem qualquer segurança ao governante.
Nada garante ao governo fidelidade, já que um episódio como o do Ministério dos Transportes, em que um dos parceiros, ainda que tenha fornecido todos os motivos, foi contrariado, pode entornar o caldo e ensejar traições. A recomposição é penosa – e cara.
Nada justifica que o novo ministro dos Transportes seja Paulo Sérgio Passos, braço direito do ministro afastado. Saiu o seis e entrou o meia dúzia. Por mais inocente que seja, Passos simboliza a permanência do esquema afastado, o que soa como capitulação às ameaças que os demitidos fizeram questão de transmitir pela mídia.
Não foram poucas, nem subliminares. Em síntese, Dilma, como comandante do PAC no governo anterior, gerenciou o setor até as eleições, conhecendo em detalhes o seu funcionamento.
Há ainda insinuações de que dali proveio, ainda que indiretamente, parte dos recursos de sua candidatura.
Pode-se até cobrar da presidente ações mais firmes, mas está fora de seu alcance – e de quem quer que estivesse em seu lugar – promover uma faxina de fato. O sistema não o permite e levaria o governante a uma situação inadministrável.
Tudo passa pelo Congresso e, sem maioria, não há como despachar uma simples autorização de viagem ao exterior.
O que fazer? As opiniões são muitas, como se deduz das múltiplas propostas de reforma política em tramitação há anos. O diagnóstico, porém, é um só: o sistema que aí está não funciona porque é um híbrido improvisado.
Como se sabe, a Constituinte, até uma certa altura de seus trabalhos, fizera a opção pelo sistema parlamentarista de governo.
A adoção das medidas provisórias, por exemplo, é fruto daquela opção, que faz todo sentido no parlamentarismo e nenhum no presidencialismo, que afinal prevaleceu pela interferência do então presidente Sarney, que não queria virar subitamente a rainha da Inglaterra, a que reina, mas não governa.
Esse, porém, é apenas um dos subprodutos. Há outros. Os sistemas partidário e eleitoral falam por si. Há 27 partidos e, à exceção de uns quatro ou cinco, ninguém sabe exatamente o que significam, o que postulam. Sabe-se o que fazem – e o episódio do Ministério dos Transportes não é um fato isolado. É um padrão.
O resultado é o que temos: o Executivo é refém do Legislativo, que, por sua vez, vê suas funções frequentemente usurpadas não apenas por aquele Poder, mas também pelo Judiciário.
Nenhum está em condições morais de se queixar do outro, pois tudo o que cada um diz do outro, nas atuais circunstâncias, faz todo sentido.
Num sistema assim, não há perigo de melhorar.
Ruy Fabiano é jornalista

A mão que afaga


15 de julho de 2011 |O Estado de S.Paulo
Houve um tempo em que as coisas eram mais fáceis de distinguir: havia o PT na posição de guardião da ética; havia o PFL como sinônimo de fisiologismo; havia o PSDB na representação de "partido de quadros"; havia o PMDB no papel de pau para toda obra e havia as legendas-satélite que não contavam muito na ordem das coisas.
Hoje ficou tudo mais complicado: entraram novos personagens em cena com o inchaço de partidos como PTB, PP e PR, e a adesão geral à política de resultados (próprios) como objetivo central - para não dizer único - da atividade pública levou a uma mistura de papéis.
A boa notícia é que o maniqueísmo não serve mais como instrumento de análise sobre o comportamento de cada um. A má é que não se põe mais a mão no fogo por ninguém: o descrédito é a lei.
Por mais injusta que seja a generalização, convenhamos, está difícil compreender o cenário sob a perspectiva de uma escala tradicional de valores.
Tomemos como exemplo o último escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes. Deu-se por encerrado o assunto com um coquetel oferecido pela presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada, onde ela fez "afagos" nos parlamentares aliados, notadamente ao PR.
Carinhos que consistiram em algumas frases sem maior significado - "vocês são muito importantes para o meu governo", "as coisas passam, vamos para frente" - em troca da anuência em relação a demissões feitas a bem do serviço público e da declaração de que o partido continua "firme" com o governo.
O presidente do Senado, José Sarney, aprovou o método, admirou muito a competência da presidente para debelar crises.
O PT também respirou de alívio. Depois da turbulência Palocci, do ensaio da volta dos aloprados à cena e do desconforto com o parecer do procurador-geral da República pedindo a condenação dos réus do mensalão, senadores do partido sentaram-se para discutir o futuro em jantar na casa de Marta Suplicy.
A conclusão? A presidente precisa com urgência arrumar um jeito de driblar as crises com ações de propaganda mais eficazes. O PT está com saudade do modo populista do antecessor.
Melhorando a comunicação, na visão dos senadores estaria criado o antídoto perfeito para assuntos desagradáveis como o enriquecimento inexplicável de um chefe da Casa Civil e a demissão do primeiro escalão dos Transportes sob suspeita de corrupção.
A preocupação primordial, como se percebe por essas duas cenas, a da "distensão" com o PR e a da "solução" sugerida pelo PT, é a de varrer para o esquecimento o tema das malfeitorias com rapidez, na ilusão de que isso faça com que os problemas não se aprofundem.
Ledo engano. Os atos geradores das crises são ignorados, mas continuarão à espreita, prontos para assombrar o Palácio do Planalto como voltou a acontecer neste início de governo. Aliás, com força redobrada, justamente porque Lula acumulou poeira embaixo do tapete.
Tratá-los como "coisas que passam" pode até fazer com que a coalizão governista passe bem, mas faz com que a política no Brasil vá muito mal.
Inversão. O Parlamento anda tão dócil e desmoralizado que virou praxe deputados e senadores se desmancharem em agradecimentos quando alguém aceita convite ou atende a convocação para falar às comissões do Congresso.
Aconteceu recentemente com Aloizio Mercadante e de novo nesta semana com Luiz Antonio Pagot. Ambos celebrados até pela oposição como homens valorosos apenas pelo ato de comparecer.
A lógica está invertida: o comparecimento é obrigação e a ausência a exceção a ser condenada.
Engorda. Atualmente com 20 senadores, o PMDB vive a expectativa de aumentar a bancada com a volta de "algum" ministro da Esplanada para o Senado.
Garibaldi Alves, da Previdência, é citado. No caso de uma troca de ministros, valeria mais para o partido se a presidente optasse pela saída de um senador.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Não ria, é a sério........

Hoje, dia 12 de julho de 2011, (APS)

ha que voltar a mirar nos problemas financeiros mundiais, dando continuidade ao escrito em 2008, na sua vertente mais explosiva, desde 1929.

Transformaram-se em sandices, pela pratica perversa, as grandes e justas Ideias Socialistas e Maçonicas (Liberdade, Igualdade e Fraternidade), do século passado.

Vivemos 50 anos, a empurrar para o horizonte longinquo, as conquistas dos nossos antepassados. Quem trabalhavam 16/18h por dia, sem direito a saude, ferias ou qualquer outro, hoje corrente, no OCIDENTE rico e obeso.

Dignos (e esquecidos !) antepassados quais, alguns com o sacrificio da propria vida, à força de LUTA, instalaram a cidadania e seus direitos basicos, em contra os feudalismos varios, redutores e remanescentes, do século XX.
Apoderaram-se enseguida os burocratas, das estruturas assim criadas, aliaram-se aos pseudo-politicos e, com desfaçatez, transformaram DIREITOS inalienaveis, em dependências periodicas (eleições).

Como escreveu em sua bela musica, Gonzaguinha :
: »Seu dotô » uma esmola ;
Para um homem que é são ;
Ou lhe mata de vergonha ;
Ou vicia o cidadão !
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Os anos foram passando e fazendo sua obra (o tempo corre e não cansa!) laminando a Moral Fundadora, nas suas vertentes basicas.
Cada quadrilha melhorando e aperfeiçoando, seu metodo de roubar sem sêr pêgo. Até nisso Imoral. Até os ladrões têm seu Codigo de Honra….
O Trabalho (e seu corolario de satisfação e sacrificio), fonte inicial da dignidade humana e regulado apos LUTAS varias, perdeu o seu valor intrinseco inicial—virou EMPREGO, pleno de direitos e sem muitas obrigações.
Passou a vigorar a ESPERTEZA, a MALANDRAGEM, dentro e fora da empresa ou Pais. PARECER e DETER (poder), tornou-se mais importante do que SÊR e FAZER.
Engajaram-se na Politica, os que, nada sabendo fazer, sem jamais terem trabalhado, sem CV digno de respeito.
E, em poucos decênios, sob indiferença geral ou quase, passaram a gerir os destinos dos outros—praticando os maiores desmandos e abusos (às escondidas) e oferecendo (abertamente) vantagens passageiras, via Tesouro Publico, para se manterem no Poder. Dizia-se—cumprimentar com o chapéu dos outros, quando havia VERGONHA—agora os « bonzinhos », por vêzes, enrubescem rapidamente, sem mais….

Cairam os burocratas do comunismo, fizeram-se FESTAS no Ocidente……….Exultou o Capitalismo selvagem e domesticado—ambos declararam VITORIA!
Ganharam a plena e mundial LIBERDADE, com propalada (no cu pardal!) AUTO-REGULACÃO. Nascia e fortalecia-se o Neoliberalismo da dona Tchatcher!
Cada tamborete, banco ou caixa entrou na fase da « criatividade matematica » das modalidades de credito, sentindo-se TOTALMENTE LIVRE (em missão de CRUZADA contra o COMUNISMO morto, re-inventou e multiplicou, a sua propria formula pra enricar, pessoalmente, firstly.
Os PATRÕES « fecharam um olho…dando certo, tudo bem……dando errado, diriam que NÃO SABIAM!!!
(Mike Milken com os seus junk-bonds e fusos horarios, deve estar rindo, à espera de uma medalha de bom comportamento!)

Quanto mais Rapida e Indolor (em paises terceiros, claro), pros detentores PRATICANTES, melhor a FORMULA MAGICA de enriquecimento.
O Trabalho migrou pro ORIENTE, as matérias primas, patentes, desenhos, também—no Ocidente obeso e preguiçoso—ficaram a SENSACÃO de SUCESSO, as férias (varias vêzes ao ano, por favor) e as prestações sociais—Rendimentos Minimos, Subvenções variadas—maternidade ; escola, desemprego, etc….
A custa dos incautos e de DIVIDAS, claro.


Ontem 11/07/2011, o (esperto da vez, cujo chapéu é maior que a propria cabeça!) Presidente dos EUA, maior economia da sociedade de Consumo, veio declarar—solenemente—confiamos no bom senso dos Republicanos, para AUMENTAR o limite de ENDIVIDAMENTO dos EUA!

Senão QUEBRA !(default).Lembram-se da Argentina? Imaginem a nivel MUNDIAL?!

E as Bolsas começaram a cair, cair,……………

Hà CRISE braba e não hà LIDERES.

Temos AMANUENSES prontos e dispostos a culpar o primeiro OTARIO que passar, para sobreviverem as suas sujas CARREIRAS. Penso que vão começar pelo MERCADO—tirando o sofa da sala….
Sempre prontos a fazer declarações idiotas e posar para fotos. Incapazes de pensar, decidir, resolver—qualquer coisa!
Empurrando SEMPRE com a barriga e pedindo mais CONFIANCA (votos). Velhos e carcomidos ou jovens e pervertidos, à escolha. Falando abobrinhas. Confundindo barbeador com microfone…..falando, falando….

Pode-se escolher Pais, Governo, Ideologia, Côr, Religião-ha pra todos. Os atuais, em nome dos eleitores, venderam a SOBERANIA das Nações.

Assim malbarataram-se os esforços e sacrificios de varias gerações anteriores. Sejam êles Morais, Materiais, Ideologicos ou Filosoficos—em troca de…. Gorduras, duvidas existenciais (invejas varias idem) além de
….belissimas e impagaveis DIVIDAS SOBERANAS Nacionais!!

‘E hora de, cada qual « deitar contas à Vida », individualmente.
Quando barco « rola » todos enjoam.

……..continua…….
.mais detalhes quando eu quiser voltar a teclar—entretanto PENSEMOS, para continuar existindo……

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Inflação é pressionada pelos salários

Marcelo Rehder, de O Estado de S. Paulo
A inflação deu uma trégua nos dois últimos meses, puxada pela queda no preço dos alimentos, mas deve voltar a ser pressionada no segundo semestre. Para economistas, o maior sinal de preocupação com os índices de preços vem do mercado de trabalho.

As empresas estão tendo de pagar salários cada vez maiores para contratar novos funcionários, principalmente para tirar pessoal de empresas concorrentes.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que os salários de contratação na indústria cresceram 12% nos últimos 12 meses. Na média da economia, a alta foi de 10%.

No mesmo período, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços Ampliado (IPCA) ficou em 6,7% – acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo governo para 2011, de 6,5%.

"Como trazer a inflação para 4,5%, se os salários estão crescendo 10%, 12%?", questiona o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da consultoria MB Associados. Para ele, o cenário não é de descontrole, e sim de deterioração das condições econômicas.

"Não é alarmante, mas prejudica o crescimento de médio e longo prazo." Pesa ainda sobre a inflação a pressão que deve ser exercida pelos reajustes salariais das grandes categorias que querem negociar aumentos reais.

O crescimento da massa real de salários é bom para o consumidor e excelente para as vendas. No entanto, representa um aumento de custos para as empresas. "O problema é que elas estão mudando a forma de fazer preços", afirma o consultor.

Preços. Até um ano e meio atrás, segundo ele, a tabela de preços era instrumento de competição das companhias. "Hoje, elas simplesmente repassam os aumentos para os preços."

Há cerca de três semanas, Mendonça de Barros teve um almoço com um empresário do setor de embalagens de papelão, que considera exemplar. O industrial contou que, quando precisa aumentar preços, o ritual estabelecido há anos é sempre o mesmo: sua gerente de grandes clientes liga para todos e marca uma reunião. "O cidadão já sabe qual é o assunto e, se não está afim, ele diz que foi viajar." O caso é que essa gerente estava impressionadíssima. Duas semanas antes, ela ligou para os grandes clientes, falou com 100% deles, marcou a reunião com poucos dias de diferença com todos e aumentou os preços para 100% dos casos. "Evidentemente, o cara que comprou o papelão vai repassar isso para a frente."

Além da indexação informal, Mendonça de Barros acredita que muitos dos itens que hoje estão ajudando a segurar a inflação voltarão a pressioná-la.

O preço do etanol é um deles. Isso porque a oferta de cana-de-açúcar deverá permanecer praticamente estável na comparação com 2010, enquanto a demanda pelo combustível cresce fortemente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

PESQUISA DO PROCON-SP

Cartão de crédito: diferença entre tarifas chega a 100%
O número de tarifas cobradas nos cartões de crédito diminuiu, como se sabe, por conta de uma resolução recente do Banco Central. De 80 baixou para 5. A diferença entre elas, no entanto, continua nas alturas, chegando a 100%, como mostra pesquisa do Procon-SP divulgada hoje.

A segunda via do cartão de crédito pode sair por R$ 5 (Caixa Ecônomica Federal e Santander) ou R$ 10 (Itaú), o que representa o dobro do valor. O preço médio, de acordo com o levantamento feito pela instituição, estava em R$ 7,32 no dia 6 de junho, quando os dados foram coletados.

Já a diferença cobrada da taxa de anuidade do cartão básico (o mais simples) é de 33,33%; o maior valor apurado pelo Procon-SP foi de R$ 60 (Santander) e o menor, de R$ 45 (Banco do Brasil e Caixa).

De acordo com a pesquisa, que comparou três serviços de sete instituições financeiras, a avaliação emergencial de crédito pode sair de graça (Banco Safra) ou por R$ 15 (demais bancos pesquisados).

Essas diferenças de preços indicam que é muito importante pesquisar e comparar preços antes de adquirir um cartão de crédito. O Procon-SP dá ainda outra recomendação: o consumidor deve quitar o valor total da fatura no vencimento. Pelas novas regras fixadas pelo BC, o mínimo exigido passou para 15%; a partir de 1º de dezembro subirá para 20%, mas a melhor coisa é pagar tudo de uma vez.

- O atraso acarreta cobrança de multa, juros e encargos contratuais - diz a instituição.

Outro levantamento feito pelo Procon-SP mostra que a diferença de valor entre os pacotes padronizados de tarifas bancárias pode chegar a 61,90%. De acordo com a pesquisa, feita no dia 16 de maio, o menor valor praticado era de R$ 10,50 (Itaú) e o maior, de R$ 17 (Banco Safra).

terça-feira, 5 de julho de 2011

Decálogo da Boa Ética

O governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, encomendou um código de conduta para ele respeitar nas suas relações com empresários e poderosos em geral. É com o único propósito de colaborar com Vossa Excelência que apresento as sugestões de um colaborador oculto deste blog:

I
O governante deve obrigar-se à leitura, durante ao menos uma hora por semana, de “Ética a Nicômacos” de Aristóteles, “A Moralidade da Liberdade” de Joseph Raz, “O Paradoxo da Moral” de Vladimir Jankélévitch ou “A Arte de Furtar”, de anônimo do século XVIII, e elaborar resumo semanal da matéria lida, que será incorporado ao acervo do Arquivo Público.
II
Caso o governante use a frase “eu não sabia”, quando da divulgação de escândalos no seu governo, deve submeter-se a um detector de mentiras, cujo resultado será levado a conhecimento público, sem prejuízo da obrigação de ler em voz alta, sem gaguejar, na sala de audiências públicas, ao menos uma poesia de “O Livro das Ignorãças” de Manoel de Barros.
III
O governante deve editar decreto obrigando a aposição, em todas as repartições públicas, de placa alusiva ao dever da moralidade dos agentes políticos e dos servidores, conforme estabelece o art. 37 da Constituição.
IV
O governante fica proibido de usar veículo terrestre, aéreo, marítimo, fluvial ou lacustre de propriedade de terceiros, ressalvadas as hipóteses de emergência médica ou carro fúnebre.
V
O governante que ocultar patrimônio ao fisco, à Justiça Eleitoral ou à Administração Pública, sujeitará o bem ocultado à expropriação judicial não onerosa, devendo o bem ser doado para fins de assentamento de pessoas sem-terra ou sem-teto, conforme tratar-se de, respectivamente, imóvel rural ou urbano.
VI
O governante deve divulgar sua agenda de audiências, identificando, claramente, se o demandante da audiência foi doador da campanha eleitoral ou se é beneficiário de incentivo fiscal ou participante de algum procedimento licitatório, sob pena de ser obrigado a recitar, em praça pública, a letra de “Atire a Primeira Pedra”, de Mário Lago e Ataulfo Alves ou de “Um Otário pra Bancar”, da Gaiola das Popozudas, sem prejuízo de outras cominações civis e penais.
VII
O governante deve deserdar e repudiar publicamente filho ou filha que receber qualquer tipo de vantagem de concessionário de serviço público, beneficiário de incentivo fiscal ou vencedor contumaz de licitações.
VIII
O governante fica impedido de conceder benefício fiscal ou aprovar licitação de pessoa jurídica ou física que tenha contribuído para sua campanha eleitoral, sob pena de ressarcir o erário com o valor correspondente à doação eleitoral com aplicação de multa de 250%, sem prejuízo da obrigação de cantar, em rádio de grande audiência no horário comercial, a música “Errei Sim”, de Pixinguinha e João de Barro, imitando a voz de Dalva de Oliveira, ou, em caso de reincidência, “Errei Denovo” de Largados na Rua, com coro familiar.
IX
O governante, antes de nomear qualquer auxiliar direto, deve verificar suas atividades anteriores, nomeadamente a realização de consultorias ou prestação de serviços de qualquer natureza a quem tem interesse em decisões de governo, sob pena de cumplicidade.
X
O governante, no ato da posse, deve assinar documento público em que se compromete a não alegar falta de formação escolar ou educação doméstica, ou ainda demência para praticar atos em desacordo com a ética, bem como que consegue fazer a distinção, sem ajuda de terceiros, entre atos éticos e não éticos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Minuto de Gloria......

LUIZ ANTONIO PAGOT, DIRETOR-GERAL DO DENIT, É UM DOS DENUNCIADOS
A presidenta Dilma reagiu rapidamente e demitiu os representantes do Ministério dos Transportes envolvidos em denúncia da revista Veja desta semana sobre um esquema de pagamento de propina para caciques do Partido da República (PR), em troca de contratos de obras. Dilma chamou o ministro Alfredo Nascimento (Transportes) e ordenou o afastamento de Mauro Barbosa da Silva, chefe de gabinete do ministro; Luís Tito Bonvini, assessor do gabinete do ministro; Luís Antônio Pagot, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit); e José Francisco das Neves, diretor-presidente da estatal Valec, responsável pela construção de ferrovias. Em nora, o Ministério dos Transportes informa que o afastamento tem caráter preventivo e até a conclusão das investigações". Por enquanto, Nascimento continuará à frente do cargo. O ministro disse que vai instaurar uma sindicância interna para apurar "rápida e rigorosamente" o envolvimento de dirigentes da pasta e seus órgãos vinculados nos fatos mencionados pela revista. Veja mostra que, no último dia 24, Dilma se reuniu com a cúpula do Ministério dos Transportes no Palácio do Planalto para reclamar das irregularidades. Ao lado das ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e MÍriam Belchior (Planejamento), ela se queixou dos aumentos sucessivos dos custos das obras em rodovias e ferrovias, criticou o descontrole nos aditivos realizados em contratos com empreiteiras e mandou suspender novos projetos. Dilma disse que o Ministério dos Transportes está sem controle, que as obras estão com os preços “inflados” e anunciou uma intervenção na pasta comandada pelo PR — que cobra 4% de propina das empresas prestadoras de serviços