sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Lula entre o mito e a realidade (Editorial) O Globo

Luiz Inácio Lula da Silva diria que completa hoje um ciclo “extraordinário” da História brasileira.

É o segundo presidente a ficar oito anos consecutivos no poder, em plena democracia - feito idêntico ao de FH. Ainda passa a faixa a quem apoiou nas eleições, Dilma Rousseff, fato inédito na República na vigência do estado de direito democrático. E desce a rampa do Planalto nos píncaros da popularidade, com índice de aprovação acima dos 80%, pulverizando a regra segundo a qual o exercício longevo do poder desgasta.

Costuma-se dizer que apenas o distanciamento histórico permite avaliações serenas, diluídas as paixões ideológicas e partidárias. Ainda mais quando se trata de um personagem que ultrapassou os limites entre a política e a mitologia, com pitadas de culto à personalidade — não desestimulado por ele. Sintomático que, no último pronunciamento em rede nacional, Lula tenha parafraseado a carta-testamento de Getúlio.

Mas não é preciso esperar o tempo passar. Há aspectos positivos indesmentíveis na Era Lula: a redução da miséria (20,5 milhões resgatados desta situação, segundo a FGV), com a ampliação de classes médias baixas; e também a defesa da estabilização da economia. Lula patrocinou a menor taxa de desemprego jamais calculada (5,7%) e deixa a economia num ano de crescimento de cerca de 7,5%, porém com a contrapartida da inflação em alta.

No plano político, usou o bom senso aplicado na questão econômica no primeiro mandato para contornar o risco de grave crise institucional, ao rejeitar o projeto continuísta.

Mas é preciso mesmo esperar para se saber o que será determinante para a História: se os resultados positivos ou o lado negativo destes oito anos, combatido à base de maciça propaganda ufanista.

Para quem apenas ouve o discurso dos poderosos de turno, o Brasil foi campeão no torneio de crescimento mundial. Longe disso.

Há meses, o conhecido colunista econômico do “Financial Times” Martin Wolf registrou que, de 1995 a 2009, período de FH e Lula, a participação brasileira no PIB do planeta caiu de 3,1% para 2,9%.

Estatísticas sobre o comércio internacional não são melhores: apesar do salto das exportações brasileiras, o peso do país nas trocas mundiais se encontra estacionado em pouco acima de 1%.

Tampouco a política externa serviu ao propósito de abrir mercados. Inspirada num antiamericanismo juvenil, a diplomacia companheira caiu na ilusão terceiromundista do diálogo “Sul-Sul” num mundo cada vez mais multipolar. Um contrassenso.

Se foi anêmico o crescimento durante a gestão FH - que enfrentou conjuntura mundial muito diferente da de que se beneficiou Lula --, nos últimos oito anos o país também continuou a patinar em termos de expansão comparativa do PIB.

Mas o discurso oficial trata o fracasso como grande sucesso. Em qualquer comparação que se faça, a posição do país não corresponde ao ufanismo sem medidas: no período Lula, entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China), o país é que tem a menor média de expansão anual - 4% contra 4,8% dos russos, 8,2% da Índia e 10,9% dos chineses. Mesmo na América Latina, o Brasil fica abaixo da média do continente (4% contra 4,64%). Supera apenas o México (2,1%).

Problema nada desprezível são os juros elevados - os 10,75% mantêm o país no desabonador posto de líder mundial nos juros reais (deduzida a inflação). Algo como 5% anuais, quando a tônica tem sido em torno de 2%, mesmo entre os emergentes. Já foram muito mais elevados, é verdade.

Como causa básica do problema estão gastos públicos crescentes, marca do governo Lula, principalmente no segundo mandato, característica enaltecida por parte do PT. E, sem conseguir reduzir os juros naturalmente, impossível elevar a taxa média de crescimento, e mantê-la por longo prazo, a fim de eliminar de vez a miséria. O gasto público sem controle conspira contra o combate à pobreza.

O Brasil cresceu porque foi puxado por um dos mais longos e consistentes ciclos de crescimento mundial sincronizado, com a China na função de locomotiva.

O país surfou a onda, mas não conquistou novos espaços. Poderia ter conquistado, caso a política de estabilização executada por Lula no início do primeiro mandato, para conter os efeitos negativos decorrentes da compreensível reação dos mercados às perspectivas de um governo do PT, tivesse, como sequência, as reformas da Previdência, tributária, da esclerosada legislação trabalhista, entre outras.

Mas o governo preferiu a capitalização político-eleitoral de curto prazo, e não a preparação do país para um longo ciclo de crescimento sustentado.

Em vez de investimentos, nas dimensões necessárias, na melhoria da qualidade do ensino básico, privilegiaram-se gastos de custeio (salários de servidores e contratações); em vez de aperfeiçoamento e ampliação da infraestrutura, aumentos reais excessivos do salário mínimo, sem preocupação com o impacto na Previdência.

E, quando surgiu o PAC, emergiu a incompetência gerencial de uma burocracia inchada de servidores e controlada por corporações sindicais aliadas.

Com a economia estabilizada, o crescimento em aceleração e o consequente aumento da arrecadação tributária, ficou mais visível o projeto lulopetista do “Estado forte”: carga tributária elevada (36% do PIB) e a ingerência do poder público na “indução” ao desenvolvimento. Inevitável que junto a este modelo brotassem ranços políticos autoritários.

Lula se despede com o mantra de que defende a liberdade de imprensa e expressão. Mas algumas iniciativas do governo foram em sentido oposto.

A crise mundial, deflagrada em fins de 2008, viria a conceder a Brasília a licença para gastar ainda mais em custeio - peça fundamental no projeto político-eleitoral de 2010 - e a usar instrumentos heterodoxos, arriscados, na capitalização de bancos estatais. O movimento mais notório foram os R$ 180 bilhões destinados ao BNDES por meio do endividamento público.

A parte mais clara deste projeto estatista, uma reprodução do intervencionismo do governo militar de Ernesto Geisel, está na mudança do sistema de exploração do petróleo, para restabelecer parte do monopólio da Petrobras, torná-la operadora única nas áreas do pré-sal a serem licitadas, convertendo-a em instrumento de uma arriscada política de substituição de importações de equipamentos.

A Viúva pagará a conta da aventura, como já aconteceu após Geisel.

Também é negativo o balanço na política no aspecto do seu garroteamento pelo estilo fisiológico de negociação de alianças imprimido pelo lulopetismo.

No primeiro mandato, construiu-se o esquema do mensalão, para azeitar o apoio parlamentar ao governo.

Vitorioso Lula em 2006, o lulopetismo foi mais objetivo na montagem da base do segundo mandato: negociou verbas e vagas no ministério com o PMDB e partidos menores, sem pudor – fórmula repetida na construção da equipe que assume com Dilma amanhã.

A política com “p” maiúsculo terminou emasculada. Antigas aliadas ideológicas, corporações sindicais foram convidadas ao banquete de repartição do butim do imposto sindical, na contramão da proposta de um sindicalismo “não varguista”, independente do Estado, feita por novos líderes metalúrgicos do ABC paulista no final da década de 70/início dos anos 80, Lula à frente deles.

Até a outrora combativa UNE virou correia de transmissão do governo, cevada a doses generosas de dinheiro do Tesouro.

Não se desmerecem a inteligência e a competência políticas de Lula e do PT. Mas a realidade é a realidade, e há armadilhas engatilhadas no exercício do poder pelo lulopetismo que precisam ser desarmadas para o bem do governo Dilma e do país.

Warren Buffett, bilionário americano, criou uma imagem célebre: “Somente quando a maré está baixa é que se pode ver quem está nadando nu.” E a maré da bonança mundial está na vazante há algum tempo.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Jobim acha difícil localizar corpos de militantes que atuaram no Araguaia

porEvandro Éboli
BRASÍLIA - Em relatório que encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os trabalhos de buscas de corpos de desaparecidos políticos na região da Guerrilha do Araguaia, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, conclui que a situação da paisagem da região "dificulta substancialmente" a localização dos pontos onde podem ter sido enterrados os militantes de esquerda que enfrentaram as forças do Exército. Lula havia cobrado Jobim publicamente durante uma cerimônia de entrega do 16º prêmio de Direitos Humanos. (Leia mais: OEA responsabiliza o Brasil por mortes na guerrilha do Araguaia )

A constatação faz parte do relatório da atuação do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), criado pelo governo para cumprir uma decisão judicial que cobra do Estado informações sobre onde foram sepultados os restos mortais dos guerrilheiros. A sentença, da 1ª Vara Federal de Brasília, exige o traslado das ossadas e o sepultamento.

No balanço que entregou a Lula, Jobim presta contas dos trabalhos. Desde 2009, foram ouvidas mais de 150 pessoas, entre camponeses, ex-guias e militares da reserva; foram vasculhados 33 mil metros quadrados com um radar de solo e feitas 104 escavações. Nessas operações, o governo gastou, até agora, R$ 4,6 milhões, contabilizados gastos com diárias, passagens aéreas, locação de veículos, contratação de mão de obra local para escavações, entre outras despesas. Em 2010, foram recolhidas duas ossadas, que estão sob exame do Instituto Médico Legal. Por conta das chuvas, os trabalhos de busca foram suspensos e serão retomadas ano que vem.

No final, o relatório de Jobim trata das dificuldades encontradas pelo grupo e conclui: "A Guerrilha do Araguaia ocorreu em área superior a 7 mil quilômetros quadrados, abrangendo mais de uma dezena de municípios nos estados do Pará, Tocantins e Maranhão. Os restos mortais buscados foram enterrados há quase 40 anos em região tropical muito úmida. A paisagem da região foi totalmente alterada, a floresta amazônica da época da guerrilha cedeu lugar a fazendas e pastagens, fato que dificulta substancialmente a localização dos pontos de inumação (enterrados)".
Comentario meu--Dificil mesmo é encontrar DECENCIA e, como diz o nosso POVO--Vergonha na cara---de qualquer membro do Poder, em qualquer INSTANCIA.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

De Roosevelt@edu para Lula@gov

Caro Lula,Há oito anos, quando o senhor foi eleito presidente do Brasil, eu lhe mandei uma mensagem torcendo pelo seu sucesso e lembrando-lhe a essência do meu êxito.

Governei os Estados Unidos de 1933 a 1945, ganhei a maior guerra de nossa história, mas de Franklin Roosevelt ficou a lembrança de um presidente que mudou a vida do seu povo, criando uma América onde ninguém ficasse de fora.

O mundo aprendeu que, ou haveria capitalismo para todos, ou não haveria para ninguém. O senhor fez o mesmo no Brasil.

Para quem dizia que seu país era uma Belíndia, o senhor tirou da Índia brasileira o equivalente à população de toda uma Bélgica. Entre 2003 e 2009, o número de pobres passou de 30,4 milhões para 17 milhões. O desemprego caiu a níveis históricos e, pela primeira vez em muitos anos, a maioria dos trabalhadores está no mercado formal. O crédito chegou a casas onde a pobreza era um estigma financeiro. Os plutocratas do seu país compreenderam que o acesso dos pobres aos instrumentos da capitalismo é a garantia de sua longevidade.

De tudo o que o senhor conseguiu, o que mais me comove é o resultado desse programa chamado ProUni, que coloca nas universidas jovens de famílias pobres com bom desempenho escolar. Eu fiz coisa parecida, abrindo o ensino superior para os soldados que voltavam da guerra. Em cinco anos, o seu programa atendeu 540 mil jovens. O meu matriculou 2,2 milhões entre 1944 e 1949.

Inicialmente, pensávamos apenas em proteger os veteranos da guerra. Trinta anos depois, verificou-se que a GI Bill foi um dos fatores determinantes para o surgimento de uma nova classe média. Quando o Juscelino Kubitschek me contou que a oposição foi à Suprema Corte para destruir seu programa, percebi que o Padre Eterno fez pelo senhor o que fez por mim: presenteou-nos com uma oposição que assegura nosso lugar na História.

Antes de lhe escrever, jantei com Getúlio Vargas, JK e Ernesto Geisel. Em graus variáveis, os três torciam pelo seu sucesso. Getúlio e JK invejaram sua capacidade de sobreviver ao mandato e eleger a sucessora. Já o Geisel teme que esse sucesso traga um risco. Com a experiência de quem foi escolhido pelo antecessor (um general introvertido chamado Médici) e escolheu o sucessor (outro general, não sei se Figueiredo é o nome dele ou do cavalo que monta), pede que lhe avise: cuidado com a turma da copa e cozinha. É de lá que saem as intrigas. Um deles brigou por causa de uma irrelevância na previdência do Rio Grande do Sul.

Parte de seu sucesso o senhor deve ao professor Cardoso. Não faz mal à sua biografia negar-lhe o crédito. Estive com Ruth, mulher dele, mas não posso contar o que ela me disse a respeito da ultima campanha eleitoral brasileira.

Senhor Silva, repito o que escrevi em 2002. Pouco temos em comum, eu sou de Harvard e de uma família que já havia dado aos Estados Unidos um presidente (que por pouco não morreu na floresta brasileira). O senhor veio de lugar nenhum. Dizem que fui o traidor da minha classe. Felicito-o por não ter traído a sua.
Despeço-me registrando que a admiração de Eleanor, minha mulher, pelo senhor é muito maior que a minha.

Parabéns,

Franklin Roosevelt

Quem nunca comeu melado.......

Tiririca deverá passar por cirurgia

O deputado federal eleito, Francisco Everardo Oliveira Silva (PR), o Tiririca foi internado ontem (28), no Hospital São Matheus, em Fortaleza, após sentir fortes dores na barriga. Ele deve passar por uma cirurgia de apendicite. A família do deputado pediu que não fossem divulgados boletins médicos, porém, o filho do humorista, Everson Silva, informou que Tiririca exagerou na alimentação das festas de fim de ano, o que pode ter agravado a situação.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Herança maldita

Com Lula lá, o Brasil cresceu, e a renda dos mais pobres, também. Isso é bom. Isso é ótimo. Isso faz a diferença. Mas o Brasil que Dilma recebe piorou em alguns aspectos:

1) Lula mimou, além da conta da governabilidade, políticos polêmicos como Roberto Jefferson (antes do mensalão), Jader Barbalho, Renan Calheiros, Sarney, Collor, Eduardo Cunha, Severino Cavalcanti etc. Dilma, se for seu interesse, terá trabalho para "desmimar" essa gente mal acostumada pelos afagos lulistas.

2) Dilma herda um quadro político de quinta categoria, e não só na Câmara e no Senado. O fisiologismo e a corrupção ficaram ainda mais robustos nos últimos anos. Lula, pena, não usou seu imenso e legítimo prestígio para promover uma reforma política, nem que fosse meia bomba.

3) Lula entrou e vai sair com o maior juro real do mundo, para a alegria dos banqueiros e o sofrimento do resto da economia (eu, tu, ele...).

4) Nos últimos oitos anos, os serviços dos Correios pioraram (sem falar na corrupção), e os aeroportos, idem.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Marx e seu legado de horrores

Por Ipojuca Pontes
No momento em que escrevo estas notas, o Produto Interno Bruto brasileiro está sendo avaliado em mais R$ 3 trilhões (à margem o que se opera na sábia economia paralela), 38% dos quais vão diretamente para os cofres do governo e são torrados, em sua quase totalidade, em grossos salários e aposentadorias, propaganda, subsídios e patrocínios, viagens incessantes locais e internacionais, verbas de representação, festas, almoços, jantares, manutenção e custeio da amplíssima máquina burocrática, propinas, doações a fundo perdido, além de mordomias múltiplas - para não falar nas bilionárias e permanentes falcatruas das agências, bancos, ministérios e institutos oficiais.

A justificativa encontrada pela elite política e administrativa do país para gastos tão alarmantes quanto inúteis são os imperativos de se obedecer aos dispositivos constitucionais, traçados pela própria elite, e que impõem um simulacro de deveres para com o “social” – fraude lastreada, na atual temporada, pelo ardiloso programa do Bolsa Família. De fato, aos olhos de todos (se não estiverem tapados), na medida em que crescem de forma galopante as escorchantes tributações sobre os bens e ganhos privados, dos trabalhadores e dos empresários, aumenta o número de “excluídos”, pois uma coisa decorre exatamente da outra: é o “Estado forte” (com suas “empenhadas” elites partidárias e instituições burocráticas em geral) que se apropria, por força da violência legal (e da inércia ou ignorância da população), da riqueza produzida pela sociedade para usufruto diuturno de privilégios.

A grande e inominável sacanagem que a elite política (à esquerda e à “direita”) comete contra o povo brasileiro consiste em não esclarecer alto e bom som quanto à absoluta incapacidade do Estado em solucionar o problema da pobreza e de não o alertar para o fato de que a existência do Estado se fundamenta, por principio, na exploração e escravização da sociedade (daí, a extrema necessidade de tê-lo sob o controle do indivíduo).

Pode-se afirmar, como Hegel, um professor universitário imaginoso e bem-remunerado, que o Estado representa a realidade racional do Espírito absoluto, ou tolerá-lo, no dizer de Roberto Campos, como um mal necessário. Mas, de um modo ou de outro, as medidas paliativas que em seu nome se alardeia, aqui e acolá, bem como as benfeitorias, no campo social, que a toda hora se inventa e proclama - são elas próprias a evidência do malogro.

E aqui entra, mais uma vez, o pensamento de Marx (e afins). Vociferando contra as forças produtivas da sociedade historicamente sedimentada na propriedade privada, na confiança e na solidariedade que os homens cultivam para sobreviver, o irado profeta da trombeta vermelha, por força de um caráter absolutamente egoísta e deformado, fortaleceu como nenhum outro intelectual moderno o mito do Estado (especialmente ditatorial) como instrumento para se chegar à igualdade e à justiça social. Com sua diabólica vocação para vender ilusões e promover discórdias, expressão de injustificada revolta contra uma realidade espiritual transcendente que jamais chegou a entender, ele de fato ajudou (e continua ajudando com a mística do comunismo) a erguer sociedades perfeitamente escravocratas e desiguais, mantidas ora pela mentira e pelo genocídio, ora pelo medo e pelo terror.

Ao cabo de tudo devemos nos indagar sobre a verdadeira razão do prestigio do marxismo na América Latina, levando-se em consideração que as revoluções ocorridas nos últimos 100 anos jamais se deram, conforme previsto por Marx, pelo desenvolvimento das “contradições internas do capitalismo” e menos ainda pela força do “determinismo Histórico”.

Em parte, a pergunta encontra resposta na já mencionada luta campal que grupos, partidos e corporações travam pelo poder, usando como instrumental as mais fantasiosas teorias para legitimar a exploração do trabalho da maioria –

o que significa dizer, em última análise, a exploração da riqueza criada pelo trabalhador e pelo empresário por uma minoria ativa de políticos, corporações e tecnoburocratas que usam o Estado (e seu aparato de violência legal) para impor suas vontades e garantir seus privilégios.

No que se refere à outra parte da resposta, tenho dúvidas quanto à capacidade da maioria em enxergar o óbvio ululante, pelo menos até que sinta na própria carne – a exemplo do que ocorreu na ex-URSS e ocorre hoje em Cuba, Coréia do Norte, Vietnã e China – a tirania da nomenclatura em nome da Ditadura do Proletariado - o que, bem avaliado, no Brasil de hoje é um projeto que navega firme e a todo vapor.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sigilo? Papel Higiênico?....haja.....

Cartões corporativos: governo Lula torrou R$ 350 milhões

Desde 1º de janeiro de 2003 e até o final de outubro deste ano, o governo Lula gastou R$ 350 milhões com cartões corporativos. Em 2010 a conta já ultrapassa R$ 71 milhões, segundo dados do Portal da Transparência. Só a Presidência da República consumiu quase R$ 16 milhões com cartões, este ano, em gastos “sigilosos”. Em 2007 (R$ 76 milhões) e 2010, o governo gastou mais R$ 70 milhões com cartões

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sem comentarios.......

Despesa com deputado vai a R$ 1,6 milhão ao ano; por Henrique Gomes Batista, O Globo

Para manter cada um dos 81 senadores, custo anual chega a R$ 2 milhões. Além de salário, conta inclui benefícios

Com o aumento salarial aprovado pelos próprios parlamentares na quarta-feira, o custo de cada um dos 81 senadores já ultrapassa R$ 2 milhões, por ano. Já o gasto anual de se manter um deputado federal varia entre R$ 1,4 milhão e R$ 1,6 milhão.

Na conta não entra apenas o novo subsídio — de R$ 26.703,10 —, mas também diversos benefícios e verbas indenizatórias. Além disso, os deputados recebem 15 salários por ano e, os senadores, 14, aumentando o valor final.

O número também leva em conta o parlamentar que usa integralmente todos os benefícios a que tem direito, como auxílio-moradia — pago àqueles que não ocupam os apartamentos funcionais — e verbas compensatórias, como ressarcimento para gastos nos escritórios políticos nos estados ou despesas de combustíveis.

Não entram no cálculo despesas que não têm valor estabelecido, como serviços de correio, assinaturas de jornais, revistas e TV por assinatura, além do uso da gráfica do Congresso.

Em média, cada senador custa, por mês, algo entre R$ 129.858,12 e R$ 169.524,28, (ou 255 e 322 salários mínimos) respectivamente. A diferença ocorre porque algumas verbas, como passagens aéreas, variam de acordo com o estado de origem do parlamentar.

Outros valores, como o limite para gasto com telefonia fixa, dobra se o senador for líder partidário. Assim, caso o senador utilize todos os benefícios que tem direito, seu custo anual ficará entre R$ 1,558 milhão a R$ 2,034 milhões.

O principal custo mensal de um senador é a verba de gabinete, que varia entre R$ 80 mil a R$ 100 mil mensais. O valor é determinado como base para se contratar nove servidores de carreira e 11 comissionados. Entretanto, o valor é livre e muitos parlamentares dividem os salários para contratar mais funcionários, até o limite de 79 pessoas.

Na Câmara, os custos são relativamente menores que no Senado: um deputado que usa todos os seus benefícios custa, por mês, algo entre R$ 119.378,87 e R$ 130.378,87 — o que daria para construir duas casas populares na grande São Paulo. Por ano, a conta varia entre R$ 1,432 milhão e R$ 1,564 milhão.

Os deputados contam, desde o ano passado, com uma única cota para exercício de atividade parlamentar, o chamado "cotão", que unificou verbas para passagens aéreas e telefonia, por exemplo.

O valor do "cotão" varia entre R$ 23 mil e R$ 34 mil. Mas o que torna o "preço" dos deputados mais barato que a média dos senadores é que recebem um auxílio-moradia R$ 800 menor e a verba de gabinete é de R$ 60 mil — de R$ 20 mil a R$ 40 mil a menos que no Senado.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Os conflitos de Lula, por Merval Pereira

O presidente Lula está exibindo em público seus conflitos internos à medida que a hora de deixar o poder se aproxima. Desde que Dilma Rousseff saiu do ministério para dar início à campanha eleitoral como candidata a Presidente, e mesmo depois de sua eleição, Lula vem enviando a mensagem, através de gestos e atos, de que não quer deixar o protagonismo político.

Ora surge no noticiário a revelação de que, conversando com um assessor, diz que gostaria que não chegasse o dia em que terá que deixar o cargo; ora ele mesmo brinca em público sobre o fim do mandato.

Um das características do presidente Lula é ser espontâneo no seu relacionamento com o público, revela suas emoções e se torna um íntimo dos eleitores.

E ele está fazendo questão de não esconder a dificuldade com que está lidando com a perspectiva do fim do poder, a ponto de precisar reafirmar sua ascendência sobre a presidente eleita forçando a indicação de ministros – foi o que fez com o ministro da educação Fernando Haddad e com a ministra do meio-ambiente Izabella Teixeira – ou de interferir nas decisões do futuro governo, como no caso da desautorização pública nos cortes do PAC.

Esses são sintomas de que Lula não se adaptará à vida longe da presidência da República, ou de que pretende exercer uma interferência aberta no governo Dilma Rousseff ?

Será que Lula sofrerá da “síndrome de abstinência” longe do poder ou, mais ainda, Lula ficará longe do poder ?

Três especialistas não em política, mas nos segredos da alma humana, analisaram para a coluna as reações do presidente Lula e o que elas podem sinalizar.

O psicanalista Joel Birman acha que o sucesso obtido no governo, e o consequente alto nível de aprovação por parte da população, deu ao Lula um sentimento de satisfação imenso. “Ele tem um nível de felicidade no exercício do poder que poucos políticos têm, de forma que a perda disso é difícil”.

Para Birman, Lula vai ter que ter um “trabalho de luto”. “É como quando morre alguém querido, você tem que enterrar, tem o tempo de tristeza. O Lula está vivendo isso por antecipação, de uma certa maneira ele está prevendo, está calculando o que vai acontecer daqui a vinte e poucos dias”, avalia.

Já o psicanalista Chaim Samuel Katz diz que “todo mundo que sai do centro do poder sofre naquilo que chamamos de narcisismo. E o dele foi alimentado pelo povo de modo muito muito forte”.

Mas, para Chaim, Lula não vai perder poder, vai se recompor e continuará a dar ordens de modo indireto.

O analista Fábio Lacombe considera que Lula, “com toda sua espeteza política, é capaz de perceber que pode ser inadequado levar o narcisismo dele às raias do insuportável”.

Ele ressalta, porém, que “muitos dos atos dele sugerem que vai ser muito difícil não ficar nesse primeiro plano. Ele não vai ter mais em cima dele toda a midia, e aí é o difícil”.

Essa dificuldade também prevê Joel Birman, para quem Lula “vai ter a experiência de perda, de um dia para o outro ele não vai poder exercer o que faz com satisfação”. Lula já disse que sentirá falta “dos microfones”, e, para Birman, o fato de ele estar falando isso com uma certa liberdade é bom, “é sinal de que ele está de certa maneira se antecipando ao que vai acontecer. Quer dizer que ele está elaborando isso”.

Já Chaim Katz acha que é preciso considerar que “há também um certo charme da parte dele”. Para ele, esse é um jeito que faz Lula muito popular. “Para um grupo mais intelectualizado pode parecer que ele está sofrendo, mas para o povo isso parece uma afirmação gozosa do tipo que a gente faz só numa intimidade que domina”, comenta.

O comentário de que vai ficar três meses calado quando sair da Presidência, para só depois falar como ex-presidente, é entendido por Birman como “uma proposta do tempo para fazer o “trabalho do luto”.

O psicanalista vê na “ambiguidade entre o luto inequívoco e inevitável, e o desejo de querer continuar governando” a explicitação da “gratificação imensa” que o exercício da presidência deu para ele.

O que ele está fazendo no fim do mandato, ampliando suas participações públicas, seria uma maneira de criar um clima de festa na despedida, diz Birman. “Quando a possibilidade da perda se anuncia, alimentar o clima de festa é alimentar um momento de embriaguez, uma maneira de ele se contrapor à perda que está se anunciando”.

O analista Fabio Lacombe acha que vivemos num ambiente que privilegia basicamente o registro do imaginário, um dos três registros da existência humana, sendo os outros dois o simbólico e o real, e “só o simbólico é verdadeiramente capaz de acessar o real”.

E Lula, diz Lacombe, se tornou “um mestre” na manipulação imaginária. “O imaginário é o mais primitivo dos registros, principalmente por que ele se quer real. O sujeito vive a imagem como real. Para que ele possa sustentar essa posição ele precisa evitar o simbólico, aquilo que faz o ser humano pensar”, analisa.

Para ele, a nossa política, e talvez não só a nossa, “está totalmente açambarcada por essa voragem do imaginário”.

A liderança de Lula, o que ele tem de excelência, é exatamente aquilo que traduz a precariedade da nossa realidade política, analisa Lacombe.

“Ele é um espelho dessa precariedade, passa a ser o grande representante da precariedade da política, não há a possibilidade do favorecimento de um verdadeiro pensamento. Só faz um jogo imagético”.

É preciso perguntar o que existe em termos simbólicos, verdadeiros, nesses níveis de popularidade. O que esses índices representam em termos de verdade?, questiona Fábio Lacombe. ( Amanhã, Lula o pai)