domingo, 31 de outubro de 2010

Bulgária e Itália no sangue da decisão de domingo; por Jota Alves

Serra, filho do italiano Francesco e de Serafina Chirico. Dilma, filha do búlgaro Petar Rusev e da professora Dilma Jane. Semianalfabeto do pobre sul da Itália, o calabrês vendedor de frutas conseguiu manter seu filho único nas escolas, vê-lo líder estudantil paulistano no tempo da campanha “o petróleo é nosso” e presidente da União Nacional dos Estudantes. Francesco morreu em 1981.
Ao término da década de 1930, Petar, viúvo, deixou Gabrobo a vila onde nasceu na Bulgária e foi parar em Buenos Aires. de onde veio para São Paulo. Trabalhou em siderúrgica. Foi construtor e vendedor de imóveis. Faleceu em 1962. Oriundos do movimento estudantil Dilma e Serra lutaram contra a ditadura militar e a censura, por liberdade e democracia. Como todo filho de imigrante em qualquer país do mundo eles passaram por momentos de discriminação e adaptação. Ele, “filho do homem que vendia lingüiça calabresa”. Ela, filha do “vermelho” que a incentivou na leitura e nas idéias socialistas.
A trajetória e o exemplo dos pais, a superação, dedicação aos estudos, e liderança em suas respectivas atividades fazem deles uma história de sucesso, infelizmente, não mostrada pelos marqueteiros da campanha eleitoral. Serra ou Dilma significam também a boa globalização influindo na presidência do Brasil. Com DNA latino e eslavo. Ambos brasileiríssimos como cada um de nós com um “pé” em alguma tribo indígena, Península Ibérica, África, Oriente Médio, Américas.
Como milhões de imigrantes, seus filhos e netos engrandecem o Brasil e sem os quais não teríamos atingido o atual nível de progresso e desenvolvimento, apesar de carimbados por Lula de “elite” branca de olhos azuis, verdes, claros. O presidente nunca fala que a sua esposa, primeira-dama do país, requereu e assegurou para si, filhos e netos, a cidadania italiana.
Mas, com toda essa riqueza natural e as muitas conquistas obtidas, por que patinamos na mediocridade, ignorância, em analfabetismo total e parcial, no crescendo da criminalidade, impunidade, fraqueza das instituições e nos afogamos em corrupção? Quem sabe o DNA de Dilma e Serra nos ajude a encontrar respostas e soluções para sairmos desse atoleiro moral que nos intoxica, humilha e envergonha tanto.
A candidatura de Dilma é uma decisão exclusiva de Lula, que numa explosão verbal sentenciou: “Meu partido é uma merda. O PT é composto de facções demais, muitas classes de pessoas que vivem brigando entre elas: sindicalistas, ex-guerrilheiros, professores universitários socialistas, funcionários públicos, políticos profissionais, católicos radicais, trotskistas. Eu não me envolvo nessas disputas, tento manter o PT unido. Nunca fui ideológico. Nunca na vida li um livro sobre o marxismo.” Quando o mensalão e outros escândalos pipocaram, o presidente concluiu que o candidato à sua sucessão não poderia sair das fileiras do PT. Naqueles dias tenebrosos, correndo risco de desmoralização total e ate impeachment, Lula gritou: “não vou para o matadouro.”.
Com maestria descartou aloprados, tirou o tapete de possíveis “sombras” de seu partido, fez pacto com todos os diabos, deu a volta por cima e, anunciando que as “elites vão ter que me engolir outra vez”, se reelegeu. Ao “descobrir” que Dilma, que passou a preencher um imenso vazio de liderança ao seu redor, não lhe contestava e mostrava serviço, pousou-lhe a mão na cabeça e decidiu ser ela sua sucessora na presidência. Algo assim como um Perón (de Pernambuco), que doente e distante impôs e conseguiu fazer Isabelita presidente da Argentina, onde o povão ate hoje idolatra “santa” Evita.
Lula disse também que “o que está em jogo é a respeitabilidade de nossas instituições, das quais eu sou o guardião principal”. Preocupado, agitado e agressivo com o segundo turno das eleições, o presidente deixou de ser o guardião da respeitabilidade da instituição Presidência da Republica e “entrou na chuva pra se molhar”.
Lula é o único responsável pela vitória, sucesso ou fracasso de Dilma Rousseff, que leva em seu sangue eslavo o DNA de Átila, o rei dos Hunos, Alexandre, o Grande, Stálin, gregos, turcos, ciganos. Reclamam que Dilma não aprendeu a ser meiga. Se eleita, cercada por bárbaros, parasitas, espertalhões, mentirosos, corruptos e corruptores, tomara que ela prefira dureza à ternura para governar o país. Se o PT e Lula deixarem.

Jota Alves fundou o jornal The Brasilians e criou o Dia do Brasil em Nova York.Ex-Secretário de Governo em Mato Grosso.
alves-jota@uol.com.br
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sábado, 30 de outubro de 2010

O cabo eleitoral, por Ruy Fabiano

A presente campanha eleitoral, que amanhã (enfim) chega ao fim, entra para a história como aquela em que os personagens centrais não foram nem os candidatos, nem suas propostas, mas um cabo eleitoral: o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele foi o fator de desequilíbrio, colocando em segundo plano – na verdade, em nenhum plano – os temas que poderiam ter algum relevo, reduzindo a campanha a um plebiscito entre ele e “os outros”.
Nesse embate, valeu tudo: atribuir ao adversário causas que não sustentou – como a privatização da Petrobras – e condutas que não teve, como a de forjar uma agressão que efetivamente sofreu, num ato eleitoral no Rio, semana passada.

Até hoje, não obstante demonstrações periciais – não apenas a da TV Globo, mas também a do SBT -, Lula insiste em que Serra foi atingido apenas por uma “bolinha de papel”, deixando de lado o fator essencial do episódio, que foi a tentativa da militância do PT de barrar uma manifestação eleitoral legítima, mediante truculência.

Seja quem for o vencedor, haverá consequências, dado o ambiente de exacerbação que essa conduta ocasionou. Lula investiu no sentimento divisionista da sociedade, o que é sempre perigoso, além de contraproducente.

Não poucas vezes, incitou a luta de classes, atribuiu ao candidato adversário a pecha de inimigo dos pobres e do Nordeste, empenhado em vender o patrimônio público e desfazer benesses sociais, como o Bolsa Família, que, na verdade, nem foi concebida em seu governo, mas no do adversário. O resultado é preocupante.

Vencendo, Dilma Roussef não contará com a boa vontade dos derrotados para estabelecer um padrão equilibrado de oposição. Vencendo Serra, o clima será ainda mais hostil, dados os efeitos da conduta presidencial sobre a militância petista. A agravar o quadro está a perspectiva de que o país está no fim do ciclo de bonanças.

Ciro Gomes, aliado de Dilma, já antevia uma séria crise fiscal no horizonte, que obrigará o futuro governo a tomar medidas impopulares. Isso implica a necessidade de um ambiente político propício ao debate e à negociação. Não é preciso dizer que esse ambiente inexiste e tende a se agravar com o resultado eleitoral, não importa quem vença.

Embora as pesquisas indiquem razoável margem de favoritismo para Dilma, o próprio PT sabe que não há tanto conforto assim e que há chances concretas de um resultado adverso. Daí a radicalização dos dias finais. Quem está seguro da vitória não radicaliza. Ao contrário, providencia pontes com o adversário, tendo em vista o day after. Não há nenhuma ponte à vista – só muros.

Lula errou na dose. Jogou toda a sua popularidade em prol de uma facção, embora ela lhe advenha do conjunto da sociedade e não de um partido. Basta ver que sua candidata obteve em votos, no primeiro turno, pouco mais da metade da aprovação dada nas pesquisas a seu governo, o que indica que nem todos que aprovam Lula querem Dilma como sucessora. É uma leitura óbvia.

É legítimo que um presidente da República tenha um candidato e que o manifeste. Todos os antecessores de Lula o tiveram e o manifestaram. Nenhum, porém, ao ponto de atropelar a liturgia do cargo e se transformar em cabo eleitoral, envolvendo nessa empreitada toda a estrutura do governo.

O cabo eleitoral Lula criou ainda a figura inédita do expediente presidencial, como se o chefe da Nação estivesse circunscrito a uma carga horária específica e abdicasse da função nos feriados e fins de semana, deixando o Estado acéfalo diariamente entre as 18 horas e as 8 horas e em tempo integral nos dias em que não há expediente nas repartições públicas.

Não bastasse, ajustou a agenda de governo aos comícios de sua candidata, confundindo-os. Providenciou inaugurações onde não havia o que inaugurar, misturando as despesas do partido com as do governo. Pior que tudo: violou o calendário eleitoral, antecipando-o em quase dois anos, colecionando multas judiciais que configuram também outro ineditismo na história das eleições e da República, desde que Deodoro a proclamou.

É ele, sem dúvida, o principal personagem que esta campanha eleitoral levará para a História.

Ruy Fabiano é jornalista

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A luta continua, por Dora Kramer

Em oito anos uma das marcas do governo Luiz Inácio da Silva foi a total falta de disposição para comprar brigas com este ou aquele setor em prol do bem coletivo. Para não se indispor com áreas que poderiam a vir lhe fazer falta nos momentos que realmente interessam - os eleitorais -, o presidente da República desistiu das reformas sindical, trabalhista, previdenciária, política e tributária.

Defendeu malfeitorias em público e precisou até desistir de seu plano de conquistar um terceiro mandato quando viu que o Senado não aprovaria e, se aprovasse, o Supremo Tribunal Federal não deixaria prosperar. Mudou, então, o plano e decidiu disputar por meio de interposta pessoa.

De um só propósito Lula e o PT não desistiram até hoje: de controlar os meios de comunicação. As tentativas têm a idade dos dois mandatos de Lula, mudam de feição, alteram o figurino, mas não abandonam o ringue.

O mais direto seria propor regras mediante as quais o governo federal exercesse controle sobre o conteúdo do que é divulgado nos jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão.

Mas, por aí o caminho está interditado. Há a acusação de censura e reação forte.

Tenta-se, então, montar um disfarce e construir um discurso de defesa da "democratização" dos meios de comunicação. A palavra de ordem é desconcentrar, romper a ação da "mídia monopolista". O objetivo, entretanto, é sempre o mesmo: controlar, fiscalizar, punir, pressionar.

Todas as iniciativas que surgiram até agora tiveram esse mesmo caráter: o conselho lá do início, aquele cuja proposta de criação o próprio Planalto se comprometeu a encaminhar ao Congresso, a Conferência de Comunicação, o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, o programa do PT aprovado em congresso no início deste ano e agora essas iniciativas estaduais de montagem de conselhos controladores.

Claro que a exposição de motivos oficial não é essa assim tão dura. Apresentam-se como defensores da sociedade contra abusos e ilegalidades cometidas por revistas, rádios, jornais e televisões.

E para isso evidentemente o Estado precisa ter instrumentos de fiscalização sobre os conteúdos. Ora, aquela argumentação acima é falsa pelo seguinte: para coibir abusos há a Justiça, para controlar ilegalidades, também; para regular confiabilidade há a avaliação do público e para assegurar a multiplicidade há a concorrência.

Mas, como o que interessa de fato é o controle direto para assegurar o enquadramento na "linha justa" e a disseminação do mesmo tipo de pensamento para que se possa, assim, construir uma hegemonia social em torno de um projeto de poder, torna-se imprescindível criar os conselhos.

E, se não for de um jeito, vai de outro como o Poder Legislativo do Ceará fez e como os Poderes Executivos dos Estados da Bahia, Piauí e Alagoas propõem.

Os dois primeiros governados pelo PT, mas o último pelo PSDB que se diz contrário às ofensivas autoritárias, mas não se pronunciou a respeito da proposta feita pela Casa Civil do governo Teotônio Vilela Filho.

Nenhuma das ofensivas prosperou até hoje. Dificilmente prosperarão as novas, exatamente porque a imprensa está atenta (daí a contrariedade).

Mas convenhamos que é um atraso uma democracia que se pretende madura precisar ficar de vigília para que não lhe roubem a liberdade de pensar e de dizer.

Simplicidade. Pelo menos um dos políticos de muito destaque que procuraram Marina Silva em busca de apoio eleitoral no segundo turno, ouviu dela com todos os efes e erres que será candidata a presidente em 2014.

Como aposta em ser reconhecida como a alternativa à dicotomia entre PT e PSDB, Marina explicou que não poderia se associar agora a nenhum dos dois candidatos.

O interlocutor não insistiu, mas saiu se perguntando se Marina tem noção de que só nas asas do PV não chegará nem perto de seu intento.

Achou bonita, mas um tanto utópica a ideia dela de juntar o melhor do PT e o melhor do PSDB para governar

Facil, facil......

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ex-diretor da Petrobras afirma....

.....que Dilma permitiu privatização da 'franja' do pré-sal//Leila Suwwan///
SÃO PAULO - Alçada ao centro do debate eleitoral, a ameaça de "privatização" do petroléo já é uma realidade, na opinião de Ildo Sauer, ex-diretor da estatal (2003-2007). Segundo ele, o modelo de concessões criado no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi ampliado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E mais grave: os leilões ocorreram mesmo depois da descoberta do pré-sal - o chamado "filé mignon" das reservas brasileiras - e abrangeram blocos conhecidamente promissores, como o arco do Cabo Frio.

Sauer sustenta que a candidata Dilma Rousseff, ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, tinha conhecimento do que ocorria e foi conivente com o favorecimento de pelo menos uma empresa privada, a OGX, do empresário Eike Batista, que recrutou executivos estratégicos da Petrobras meses antes do leilão de 2007 (9ª rodada).

Veja a seguir os principais trechos da entrevista.

O GLOBO: Por que o sr. afirma que foi feita uma privatização do petróleo, inclusive do pré-sal?

ILDO SAUER - Em 2006, a ANP e o governo - o presidente da República e a chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras - foram avisados de que a Petrobras, depois de muitos anos de estudo, resolveu furar o sal. Tínhamos feito um poço em Tupi que não encontrou petróleo até o sal, um fracasso. Mas era o lugar ideal para fazer o teste e saber se o pré-sal existe ou não existe. Em julho, furaram e encontraram o petróleo. Portanto, em julho, a especulação de mais de duas décadas estava confirmada. O governo foi avisado. E a ANP foi avisada, conforme manda a lei. O que faltava era dimensionar a reserva. O conselho de todos os técnicos da Petrobras e dirigentes que tinham acesso ao governo, sindicalistas e o grupo de engenharia do Rio de Janeiro pediram para suspender todos os leilões. No entanto, em 2006 o leilão não só foi mantido como limitava, na oitava rodada, a quantidade de blocos que a Petrobras poderia comprar. Dos 280 blocos que iam a leilão, a Petrobras poderia comprar menos de 60.


O GLOBO: Por que limitar?


SAUER - A ANP arbitrariamente resolveu fazer isso. com apoio do governo porque dizia que era contra o retorno do monopólio da Petrobras. Como era discriminatório contra a Petrobras, houve ação judicial e teve ganho de causa, uma liminar de suspensão do leilão. O leilão já tinha vendido alguns blocos sobre o pré-sal, um deles para a empresa estatal italiana, quando foi bloqueado. Até hoje não terminou. Isso foi em 2006. O ministro Lobão volta e meia ameaçava retomar o leilão, mesmo sabendo que a maior parte dos blocos dessa oitava rodada estavam sobre o pré-sal.


O GLOBO: Por que?

SAUER - Ele que tem que explicar. Porque tudo isso contradiz o discurso que faz agora a então ministra da Casa Civil e então presidente do conselho da Petrobras. Naquele tempo ela agia na outra direção, de acelerar a entrega do petróleo, fazer leilão e concordava com a redução da participação da Petrobras. Parecem duas pessoas completamente distintas. Eu fazia duas perguntas naquele momento: ou eles não entendiam a dimensão do que estava em jogo ou a ANP e a Casa Civil - o que é grave - entenderam e mesmo assim insistiram em entregar o petróleo.


O GLOBO: E o que aconteceu na nona rodada, em 2007?

SAUER - Entramos com força, imploramos para suspender o leilão. Mantiveram. Tudo que fizeram foi retirar 41 blocos premiados. Novamente, o que me deixa perplexo é que, sabendo que o pré-sal era verdadeiro, já confirmados os campos de Tupi, Cacharel e Pirambu, mesmo assim fizeram o leilão de 2007. Diziam que iriam leiloar fora do pré-sal. Mas leiloaram a franja do pré-sal, em 10 blocos. Uma empresa, que foi criada em 2007, que arrancou de dentro da Petrobras o dirigente máximo da área de exploração, que era o gerente-executivo Paulo Mendonça, com toda sua equipe. Ele saiu de lá a peso de ouro e foi trabalhar para investidor privado que, por sua vez, foi assessorado por ex-integrantes do governo anterior e do atual, pagos a título de "consultoria".


O GLOBO: Mas não houve quarentena?

SAUER - Nos negócios normais do capitalismo, quando uma empresa subtrai de outra núcleos estratégicos do conhecimento, as pessoas ficam impedidas de trabalhar, em quarentena técnica ou legal. Neste caso, a presidenta do Conselho de Administração da Petrobras, sabendo que o núcleo estratégico foi retirado, não fez nada e ainda manteve o leilão. Recrutaram a equipe em meados de 2007 e, em novembro, compraram os blocos. Em julho do ano seguinte, venderam 38% de seu capital por R$ 6,7 bilhões. E, desde ano passado, vem anunciando descobertas, confirmando tudo aquilo que nós já dizíamos sobre aquelas áreas, que eram promissoras. Já anunciaram de 2,6 a 5,5 bilhões de barris. Em valor de mercado, em torno de R$ 50 a R$ 80 bilhões, valor maior que a capitalização da Petrobras. Fora esses barris entregues ao Eike Batista, há tantos outros entregues durante os anos. O governo Lula leiloou mais blocos sobre o pré-sal e verteu por mais tempo o modelo inventado pelo FH do que o FH. FH começou a leiloar em 2000, fez 4 rodadas. Lula leiloou 6, dos quais cinco tinham blocos sobre o pré-sal.


O GLOBO: Ou seja, eram blocos que abrangiam áreas onde depois foi confirmado o pré-sal?


SAUER - Em 2006 e 2007 eles continuaram fazendo de conta que era pós-sal, mas já sabiam que o pré-sal estava lá. E o governo sabia sim. Em 10 de julho de 2007 é a comunicação formal, carimbada e juramentada de que o sal foi furado e o petróleo foi encontrado. Mas, politicamente, eu sei que o presidente da Petrobras, meu colega, porque fui diretor também, comunicou tanto a presidenta do conselho quanto o presidente da República. Minha perplexidade desde então está baseada na entrega do petróleo do Arco do Cabo Frio. Foi um dos maiores enriquecimentos individuais da história do capitalismo. Agora, o detentor desse patrimônio ainda é visto como figura benemérita ao fazer filantropia, por exemplo, comprando em leilão o terno de posse do presidente da República. Para quem ganhou tantos bilhões tão facilmente, é uma migalha. Por isso eu tomei a peito, mesmo correndo todos os riscos, de contar essa história publicamente, para que isso seja debatido antes das eleições.


O GLOBO: O que Dilma argumentava para manter esses leilões?

SAUER - Ela não dizia nada porque não dava explicação, apenas mandava. Em algumas reuniões, ela costumava dizer que a Petrobras tentava enganar o presidente. Era frase costumeira dela: "Presidente, a Petrobras está te enganando, não acredite na Petrobras. A Petrobras pensa primeiro nela e depois no povo brasileiro". Agora, eu espero que ela tenha se convertido para sempre e, se for eleita, não tenha uma recaída.


O GLOBO: O sr. teme ser acusado de estar participando de uma manobra eleitoral?

SAUER - Eu não estou fazendo campanha, estou relatando fatos e quero explicações. Minha contribuição é para cobrar dos dois candidatos uma explicação sobre o que fizeram no passado e um compromisso de transparência e ética. Durante a transição, entre FH e Lula, houve a promessa de que os leilões seriam suspensos e o modelo seria revisto. Não foi até agora e o governo exerceu muito mais o modelo. O modelo novo proposto também não serve porque apenas obriga a Petrobras a ser operadora, o que reduz o risco para os outros e a coloca a serviço do capital estrangeiro. No projeto proposto, quem decide quanto petróleo vai ser leiloado e quando, além da participação da Petrobras, é o Conselho Nacional de Política Energética, inteiramente nomeado pelo presidente. Ou seja, em última instância, a decisão é do presidente.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Popular, sim. Grande, não! por Ricardo Noblat

Bolinha de papel, rolo de fita crepe, pano de bandeira, chumaço de algodão - nada pode ser usado de forma hostil para atingir alguém sob pena de tal ato configurar uma agressão.

O que militantes do PT foram fazer no calçadão de Campo Grande, no Rio de Janeiro, quando o candidato José Serra (PSDB) esteve por lá na tarde da última quarta-feira em busca de votos?

Não foram saudá-lo democraticamente. A tal ponto de civilidade não chegaremos tão cedo.

Aos berros, munidos de bandeiras e dispostos a tudo, tentaram impedir que o candidato e seus correligionários exercessem o direito de ir e de vir, e também o de se manifestar, ambos assegurados pela Constituição.

O PT tem uma longa e suja folha corrida marcada por esse tipo de comportamento violento, autoritário e reprovável, que deita sólidas raízes em suas origens sindicais.

A força bruta foi empregada muitas vezes para garantir a ocupação ou o esvaziamento de fábricas. E também para se contrapor à força bruta aplicada pelo regime militar na época em que o PT era apenas uma generosa idéia.

Para chegar ao poder, o PT sentiu-se obrigado a ficar parecido com os demais partidos – para o bem ou para o mal. Mas parte de sua militância e dos seus líderes não abdicou até hoje de métodos e de práticas que forjaram sua personalidade. É uma pena. E um sinal de atraso.

Uma vez no poder, vale tudo para permanecer ali.

Vale o presidente da República escolher sozinho a candidata do seu partido.

Vale ignorar a Constituição e deflagrar a campanha antes da data prevista.

Vale debochar da Justiça.

Vale socorrer-se sem pudor da máquina pública para fins que contrariam as leis.

Vale intimidar a Polícia Federal para que retarde investigações que possam lhe causar embaraços. E vale orientá-la para que vaze informações manipuladas capazes de provocar danos pesados a adversários.

No ocaso do primeiro turno, pouco antes de Dilma se enrolar na bandeira nacional e posar para a capa de uma revista como presidente eleita, a soberba de Lula extrapolou todos os limites.

Ele foi a Juiz de Fora e advertiu os mineiros: seria melhor para eles elegerem um governador do mesmo grupo político de Dilma.

Foi a Santa Catarina e pregou irado a pura e simples extirpação do DEM.

Foi a São Paulo, investiu contra a imprensa e proclamou com os olhos injetados: "A opinião pública somos nós".

O mais sabujo dos auxiliares de Lula reconhece sob o anonimato que o ataque de fúria do seu chefe contribuiu para forçar a realização do segundo turno.

Não haverá terceiro turno.

Se desta vez as pesquisas estiverem menos erradas, Dilma deverá se eleger no próximo domingo – e até com uma certa folga.

Mas a eleição ainda não acabou, meus senhores. A história está repleta de casos onde um passo em falso, um gesto impensado ou uma surpresa põe tudo a perder.

O que disse Lula a respeito do episódio do Rio protagonizado por Serra e por militantes do PT só confirma uma vez mais o quanto ele é menor - muito menor - do que a cadeira que ocupa há quase oito anos.

Lula foi sarcástico quando deveria ter sido solidário com Serra, de resto seu amigo de longa data.

Foi tolerante e cúmplice da desordem quando deveria tê-la condenado com veemência.

Foi cabo eleitoral de Dilma quando deveria ter sido presidente da República no exercício pleno da função.

Sua popularidade poderá seguir batendo novos recordes -e daí? Não é disso que se trata.

Popularidade é uma coisa passageira. Grandeza, não. É algo perene. Que sobrevive à morte de quem a ostentou.

Tiririca é popular. Nem por isso deve passar à História como um político de grandeza.

No seu tempo, Fernando Collor e José Sarney, aliados de Lula, desfrutaram de curtos períodos de intensa popularidade. Tancredo Neves foi grande, popular, não.

Grandeza tem a ver com caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade. Tudo o que falta a Lula desde que decidiu eleger Dilma a qualquer preço.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

À tripa-forra, por Dora Kramer

A convicção tem suas vantagens, mas quando excessiva pode virar obsessão, levar a erros cruciais e se transformar em enorme desvantagem ao impedir o convicto, ou obcecado, de enxergar as variantes da realidade.

Foi mais ou menos o que aconteceu com o presidente Luiz Inácio da Silva, com o PT, o governo, o comando da campanha e com a candidata Dilma Rousseff na primeira etapa da eleição presidencial: não olharam para os lados, não consideraram uma segunda hipótese, apostaram tudo no vermelho 3 (de outubro).

Lula diz as coisas mais estapafúrdias e quase todo mundo acredita; natural, portanto, que quase todo mundo tenha acreditado quando ele deu por ganha a eleição em primeiro turno baseado nas pesquisas de intenções de voto e no próprio voluntarismo.

Tão certos estavam da vitória que não se prepararam minimamente para a hipótese do segundo turno. Surpreendidos, gastaram todos os recursos (públicos e privados) de uma vez só e deixaram a frustração transparecer no abatimento de quem terminou a primeira etapa com mais de 13 pontos na frente, o equivalente a cerca de 14 milhões de votos.

Pois agora com a situação beirando o empate - a estarem corretas as pesquisas - é que a candidatura governista precisaria de toda força: presença constante do presidente da República, apoios políticos esfuziantes, candidata serena administrando a vantagem de escolhida pelo presidente mais popular da história do Brasil, uma profusão de boas notícias.

No lugar disso, o que se tem?

Políticos contrariados com deslealdades do PT, petistas aborrecidos porque foram preteridos em favor de aliados, candidata de garras postas, fatos negativos e, pior de tudo, o encolhimento de Lula, criticado publicamente por seus aliados por ter exagerado na soberba na primeira etapa.

Não foi o único, e dos prudentes de última hora não se ouviu uma só palavra de reparo ao estilo presidencial apesar da quantidade de análises e alertas diários sobre as exacerbações de Lula. Quando se acreditava que iria dar certo, era aplaudido, temido, celebrado. Quando se viu que não deu, foi condenado.

E agora? Agora o PT se vê obrigado a improvisar diante da necessidade de consertar os excessos e a "economizar" aquele que é seu principal trunfo e razão única de Dilma ter tido 47 milhões de votos: o presidente Lula.

Talvez ele esteja sendo guardado para a reta finalíssima, mas se a curva se inverter nesse meio tempo será necessário recorrer aos préstimos do criador, já que a criatura sozinha não dá conta do recado.

Há um dilema no PT quanto a isso: usar Lula pode ser um risco por conta de todos os abusos da etapa inicial, mas não usá-lo, ou "economizá-lo" em excesso pode custar a eleição.

Ainda o seguinte aspecto: tivesse a história se resolvido no dia 3 Lula seria o autor de uma vitória espetacular; passando para o segundo turno será sócio fundador de um sucesso relativo ou de uma derrota inesperada.

sábado, 9 de outubro de 2010

93% dos deputados se elegem com votos “emprestados” por Jose Roberto de Toledo

Dos 513 deputados federais eleitos para a próxima legislatura, apenas 35 chegaram lá exclusivamente pelo desejo de seus eleitores. Olhando-se o copo meio vazio: 93% da nova Câmara será composta por parlamentares que precisaram de votos alheios para se eleger.
É fruto do sistema eleitoral brasileiro: os candidatos derrotados e os votos na legenda do partido são canalizados para a eleição dos mais bem colocados na chapa partidária ou da coligação. O eleitor vota em fulano, mas ajuda a eleger sicrano -às vezes do partido rival.
Em 11 estados, nenhum deputado se elegeu às próprias custas. No Amapá, apesar de um dos quocientes eleitorais mais baixos do país, ninguém alcançou o mínimo de 39,4 mil votos. Os 8 eleitos precisaram “emprestar” votos de seus companheiros de chapa. Resultado: 60% dos eleitores amapaenses ficaram sem representante na Câmara dos Deputados.
Em São Paulo, apenas dois deputados federais, Tiririca (PR) e Gabriel Chalita (PSB), ultrapassaram o quociente eleitoral de 304 mil votos e ajudaram outros a se eleger com suas sobras. Os outros 68 representantes paulistas irão a Brasília na garupa.
Outra consequência desse sistema é que 38 milhões de eleitores brasileiros ficaram sem representação direta no Congresso. Ou seja, os eleitos representam apenas 61% do eleitorado que foi às urnas e votou em um candidato a deputado ou na legenda de um partido.
Os defensores do sistema de listas dizem que assim é melhor, pois todos os eleitores de coligações ou partidos que conseguiram eleger deputados estão, mesmo que indiretamente, representados na Câmara. Na prática, a teoria é outra.
O eleitor de Adamantina (SP), por exemplo, não deve concordar com a tese. Afinal, nenhum dos três deputados federais mais votados no município foi eleito. O prefeito terá que apelar a um parlamentar que teve mais votos em outras cidades para ter suas reivindicações ouvidas em Brasília.

O que os dez maiores colégios eleitorais paulistas têm em comum? Além de Tiririca entre os cinco deputados federais mais votados, essas cidades elegeram “vereadores federais”. São ex-prefeitos (ou candidatos a prefeito derrotados), seus parentes ou lideranças locais que concentram sua votação num município e adjacências.
A regra se aplica a todos os partidos. São os casos do tucano Emanuel Fernandes em São José dos Campos e da petista Janete Pietá em Guarulhos; ou de Vicentinho (PT) e Dib (PSDB) em São Bernardo do Campo. E ainda de Jonas Donizete (PSB) e Carlos Sampaio (PSDB) em Campinas.
Cada vez há menos puxadores de votos que se destacam pela defesa de um tema ou que atravessam as barreiras geográficas por sua celebridade e conquistam grandes quantidades de eleitores em lugares distantes e diferenciados. Na próxima bancada paulista, com esse perfil, há Tiririca e Chalita.
O problema dessa distritalização de facto do voto é que largas áreas de território ficam sem representação na Câmara. Em países que adotam o voto distrital isso não ocorre, porque as disputas se dão entre candidatos do mesmo distrito. E os distritos cobrem todo o País.
Oitavo maior colégio eleitoral paulista, Sorocaba dispersou seus eleitores entre vários candidatos regionais, com os ex-prefeitos Renato Amary e Pannunzio (ambos do PSDB) e um filho de ex-prefeito (Crespo, do DEM). Acabou não elegendo nenhum deles. Vai ter que contar com Tiririca, o quarto mais votado no município, para ter voz em Brasília.


Mas o principal problema de representação do sistema eleitoral brasileiro é outro. De tão recorrente, deixou de ser notícia. No último domingo, o voto de um paulista registrado em Roraima teve peso 11 vezes maior do que o de um roraimense registrado em São Paulo, na eleição para a Câmara.
Essa foi a diferença entre o quociente eleitoral do maior e do menor colégio eleitoral. Mas a desproporção ocorre entre Estados de todas as regiões: um deputado potiguar representa cinco vezes mais eleitores que um do Acre, um mineiro representa duas vezes mais eleitores do que um tocantinense.
Em resumo, pelo atual sistema eleitoral brasileiro, um eleitor pode valer até 11 vezes mais do que o outro, as listas privilegiam celebridades apolíticas como Tiririca e a distritalização de facto deixa grandes áreas do território sem representação parlamentar na Câmara.

Hitler se enfurece ao descobrir que Lula escolheu Dilma como sua candida...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O voto é do eleitor (marineiros garantem! )


A frase aí acima foi dita por Marina Silva. Até o resultado da apuração das urnas, no domingo, havia quem duvidasse da vontade própria dos cidadãos brasileiros. E, portanto, desprezasse os "marineiros" que provocaram a onda verde responsável pelo afogamento da idéia de plebiscito. Aquela idéia que defendia uma eleição decidida em um único turno: PT x PSDB ou lulismo x anti-lulismo. Lembra? Uma pobreza...

Foi quando a onda surgiu para defender diversidade de propostas e variedade de pensamentos; o voto independente da escolha única. E, por mais que uns e outros duvidassem, impulsionou o jogo das eleições presidenciais de 2010 para um segundo tempo. Forçado.

Mas tudo começou com a marolinha da palavra de ordem mágica: "marinar". Deu certo. Seus adeptos estão comemorando o terceiro lugar da candidata do PV, com 19,4% dos votos válidos. Sim, uma verdadeira vitória.

Enquanto isso, os petistas radicais tentam se recuperar de uma baita e inesperada ressaca. Os votos alcançados por Dilma Rousseff ficaram abaixo do nível propagado pelas pesquisas eleitorais; fizeram água sem ultrapassarem 46,8%. A previsão era a de que a candidata do PT seria eleita presidenta da República no primeiro turno. E ponto final!

Os tucanos? Surpreendidos também pela pororoca, pularam alegremente para um novo pleito. E José Serra teve de reconhecer, com humildade, que Marina "contribuiu para a democracia". Ele conseguiu 32,6% dos votos.

Passou. Agora, bola para frente. Após uma boa lição com seus quase 20 milhões de votos, a senadora Marina deve voltar a ser professora de História. O término de seu mandato, porém, não significa seu distanciamento da política institucional. Afinal, mesmo pertencendo a um partido, ela afirma fazer parte de "um movimento muito maior".

Ter levado as eleições para o segundo turno, por exemplo, tem a ver com esse movimento. Como assim? Forçar daqui por diante o debate e o compromisso dos dois candidatos presidenciais com os eleitores. Dispensando, logo de saída, "promossômetros" e "cuidados maternais".

De tudo isso, o mais curioso está na probabilidade dela passar a ser cortejada por petistas e tucanos a fim de pegarem jacaré no primeiro banzeiro favorável que surgir no horizonte verde.

Quanto aos "marineiros", parece-me que continuarão atuando discretamente... à espera. Porque tudo indica que daqui a quatro anos Marina poderá voltar na crista de uma tsunami para concorrer, com muito mais força e energia, à presidência de nosso país. Tomara que sim.
Ateneia Feijó é jornalista

Inesquecível-fumando espero la mujer qué màs quiero...(tango)



"Bilhete azul” humilhante ninguém esquece. E Marina Silva não deve apagar da memória sua demissão do Ministério do Meio Ambiente, por ordem de Lula e comunicada por Dilma, com seu jeito brutal de ser.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O melhor 3º lugar após a redemocratização


Catarina Alencastro--O Globo, Rio--
Candidata do PV à Presidência, a senadora Marina Silva (AC) obteve o melhor terceiro lugar de todas as disputas presidenciais desde a primeira eleição após a redemocratização do país, em 1989.

Apuradas as urnas, Marina teve quase 20% do total de válidos. Embora não tenha ido para o segundo turno, o seu desempenho nas urnas, após uma campanha por um partido pequeno e sem estrutura pelo país, pode ser retratado pelo que ela mesma definiu como uma luta de David contra Golias.

O terceiro colocado de disputas presidenciais com melhor desempenho, depois de Marina, foi Anthony Garotinho, em 2002, quando foi candidato pelo PSB e ficou com 17,8% dos votos válidos, atrás de José Serra, com 23,1%, e de Lula, que passou para o segundo turno com 46,4% dos votos.

Antes de Garotinho, em 1989, Leonel Brizola conquistou 15,4%, contra 16% de Lula (na segunda posição), e 28,5% de Collor, que foi para o segundo turno com o petista.

Em 1998, Ciro Gomes, pelo PSB, levou 10,9%. Em 2006, a então senadora Heloísa Helena (PSOL) registrou apenas 6,8%. O célebre Enéas, que ficou conhecido com o jargão "Meu nome é Enéas", amargou a terceira posição em 94 com pífios 2,1%.

Marina, que tinha só 10% das intenções de voto no fim de março, segundo o Datafolha, quase dobrou o percentual de eleitores que optaram por ela, colocando-se como uma candidatura competitiva de terceira via.

— Foi uma luta de David contra Golias, acertamos a primeira pedra, quebramos o plebiscito e promovemos o debate — disse Marina no início da manhã de ontem, após fazer uma oração com seu pastor na Assembleia de Deus, antes de votar.

Ao chegar na noite de sábado em Rio Branco, exausta depois de passar por quatro estados num único dia, Marina encontrou o marido Fábio Vaz, que não via a mulher há dias.

— Estamos fazendo manejo sustentável da saudade — brincou Marina.

— Manejo sustentável do relacionamento — emendou Vaz.

De sábado para domingo, Marina disse que dormiu apenas quatro horas, mesmo tempo de sono de que dispôs nos três dias antes das eleições, segundo ela. Apesar do cansaço e das restrições à saúde frágil, Marina não cogitou em nenhum momento a opção de desistir antes da hora.

Ontem de manhã, ainda era incansável na busca de votos:

— Hoje (ontem), eu estou pedindo a cada brasileiro que se mantenha em estado permanente de campanha até o último minuto, e faça do seu coração um palanque. E, quando a ideia está no coração do eleitor, não há quem possa demovê-lo. E o bom de tudo isso é que cada um vai se sentir autor dessa vitória.

Os próximos passos de Marina são a grande aposta da próxima etapa da campanha. Seu correligionário Fernando Gabeira diz que é difícil prever o que será feito do grande manancial de votos verdes — ela liderou a disputa só no Distrito Federal, com 41% dos votos válidos contra 31% de Dilma e 24% de Serra, quando quase 90% estavam apurados.

Já o pai de Marina, Pedro Augusto da Silva, iletrado na política, aposta que a filha não dará seu apoio a nenhum dos adversários:

— Ela vai soltar os eleitores dela para fazerem o que eles quiserem. Acho que ela não junta com nenhum dos dois.

Era SUSTENTAVEL inicia-se, por Marina Silva


A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, tem quase 20% dos votos válidos. Em São Paulo, ela disse que se não foi ao segundo turno, está em primeiro lugar no turno da nova política que se inaugura no Brasil.

domingo, 3 de outubro de 2010

BC: brasileiro gasta 13,3% do salário com juros de financiamentos


Segundo estudo divulgado esta semana pelo Banco Central, nos financiamentos, os brasileiros gastam mais com o pagamento de juros do que com o produto comprado. Publicado no Relatório Trimestral de Inflação, a pesquisa mostra que, atualmente, as famílias gastam 13,3% do salário para pagar os juros dos financiamentos existentes. Já o comprometimento da renda para pagar a dívida, o chamado pagamento do principal, consome 10,5%. Ou seja, o brasileiro gasta, na média, mais com juros do que com o bem adquirido. Em julho de 2006, a parcela destinada aos juros era de 11,3% e a destinada ao pagamento do principal era de 10,1%.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Domingo sob Oliveiras

DF: MARINA SUPERA DILMA E LIDERA



Na mais recente pesquisa do Instituto Soma Opinião e Mercado, cujo campo foi realizado nesta quinta-feira (29), aponta o crescimento espetacular das intenções de voto na candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, em todo o Distrito Federal. Ela soma agora 34%, contra 29% de Dilma Rousseff (PT), que caiu oito pontos percentuais em sete dias (a pesquisa anterior foi realizada no dia 22), e 24% de José Serra (PSDB), que registrou crescimento de quatro pontos percentuais no mesmo período. Brancos e nulos, são 5%, mesmo percentual dos indecisos. Ricardo Penna, presidente do Soma, tradicional instituto de pesquisa de Brasília, lembrou que "o provável virou possível e o possível realidade", no DF