quinta-feira, 30 de setembro de 2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mary Zaidan - caras-de-pau

A política sempre atraiu caras-de-pau. Tem centenas deles por aí. E não são apenas os folclóricos Tiririca, Mulher Pera ou Mulher Melão. São os Collor de Mello, "o defensor dos descamisados", Paulo Maluf, que mesmo pego com a boca na botija insiste que não tem dinheiro no exterior, José Dirceu, "vítima de golpismo", e outros tantos Sarneys, Jaders, Newtões, Renans ou Arrudas. Mas difícil será bater Joaquim Roriz, um dos ícones entre os fichas sujas, banido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e responsável pelo recurso que provocou o julgamento de 0 x 0, ou melhor, de 5 x 5, no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a validade ou não da lei Ficha Limpa nas eleições deste ano.

Com uma velocidade impressionante - menos de 24 horas depois da longa sessão do STF que deveria definir o destino não só de Roriz, mas dos demais candidatos espremidos na cesta suja -, o ex-governador renunciou à sua candidatura e colocou sua mulher, dona Weslian, como substituta. Distribuiu um manifesto abominável, uma verdadeira afronta aos eleitores do Distrito Federal e a todos os brasileiros, e ainda teve o desplante de confirmar, com todas as letras, que escolhia uma candidata-laranja para o seu lugar: "a eleição correrá em meu nome e o povo de Brasília me honrará, elegendo minha amada esposa...".

Na entrevista à imprensa, recheada de impropérios, alguns beirando a doidice pura, como o de dizer que existia uma "orquestração" para instalar o socialismo no Brasil e que ele seria um entrave, Roriz deve ter provocado engulhos até nos seus correligionários: "Nunca avancei sobre o patrimônio público, nunca sujei minha mão na lama onde chafurdam os corruptos".

Ainda que provoque asco, o episódio Roriz é pedagógico. Por um lado sabe-se que a renúncia só ocorreu porque ele vislumbrou a proximidade de sua primeira derrota eleitoral, e ainda por cima para o petista Agnelo Queiroz. Por outro, mostra que, mesmo se não valer para o próximo domingo, a existência do Ficha Limpa e o entendimento do TSE sobre a lei, impugnando candidatos, já funcionou como alerta para o eleitor. Líder absoluto nas pesquisas por meses a fio, Roriz despencou devido a sua ficha suja, seja ela constitucional ou não, válida ou não para 3 de outubro.

Outra lição, e essa mais funda, tem a ver com a frouxidão moral de que o país se tornou refém. Se sempre mostrou ser cara-de-pau, Roriz desta vez foi mais longe possivelmente porque a sensação de impunidade – ou a impunidade real – é cada vez maior. Se nada acontece nem mesmo quando o presidente da República infringe descaradamente a lei, por que aconteceria algo com um ex-governador, um mero candidato, ainda por cima historicamente popular?

Se o presidente Lula pode dizer que o mensalão foi golpe para depô-lo, se comparando a Getúlio, Jango e Juscelino – e assim o fez na entrevista ao Portal Terra, concedida na última quinta-feira – por que Roriz não falaria sandices como a de armação de um golpe socialista? Uma afirmação tão ou mais surrealista que a outra. Se o presidente acusa a mídia de persegui-lo, por que Roriz não usaria argumento semelhante?

Para os mais afoitos, ressalta-se que nem de longe Lula pode ser comparado a Roriz.
Mas, ao insistir em desrespeitar todo o tipo de regras para vencer o jogo, a qualquer preço e custe o que custar, o presidente abriu um caminho perigosíssimo: jogou leis no lixo, abusou do cargo, praticou e avalizou o vale-tudo. Estimulou os caras-de-pau e, ainda que sua candidata vença, como tudo indica, perdeu a chance de descer a rampa do Planalto de cara limpa.

Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DF: Marina abre para Serra e lidera em eleitores de nível superior e alta renda


Pesquisa realizada pelo instituto Soma Opinião e Mercado, no Distrito Federal, revela que a candidata do PV a presidente, Marina Silva, (n° 43 eleitoral) confirma a segunda posição na disputa presidencial, abrindo sete pontos percentuais em relação a José Serra (PSDB). Segundo Ricardo Penna, diretor do Soma, a pesquisa mostra também que a candidata "verde" supera também a petista Dilma Rousseff, no DF, entre eleitores de alta escolaridade e renda elevada, ou sejam, os de classes A e B. "Com o momentum que carrega a candidata do Partido Verde pode ocupar o primeiro lugar no DF", explica Penna. No cômputo geral, na pesquisa entre eleitores do DF, Dilma segue na liderança, mas estacionou nos 37 pontos percentuais. Marina agora soma 27% das intenções de voto e Serra 20%. Os indecisos representam apenas 8% do eleitorado e 5% ainda não sabem ou não responderam. Foram aplicados 920 questionários, estruturados, com peso proporcional ao perfil do universo, no Distrito Federal, entre 20 e 22 de setembro. A pesquisa foi registrada no TSE sob número 31418/2010.

domingo, 26 de setembro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

Lógica de palanque--- Dora Kramer

Sempre foi muito difícil conversar com Luiz Inácio da Silva e, pelo visto na entrevista ao Portal Terra, nada mudou.

Os oito anos na Presidência não serviram para que Lula aprendesse a atuar numa lógica diferente da que considera a disputa permanente o motor da vida. O mundo, as coisas para ele têm essa dimensão: há o nós, há o eles, há o objetivo e um só valor, o resultado.

O resto – os meios, os preços, a coerência, a decência, as circunstâncias, as consequências – não interessa. A dinâmica mental do presidente – isso fica nítido na esclarecedora entrevista – é apenas partidária.

Tanto que se define em um momento como “dirigente partidário”, no outro diz que não exerce a Presidência com viés partidário e, no seguinte, defende seu direito de assumir “um lado” quando em época de eleições.

Lula acha que pode adaptar as regras da República à própria conveniência – uma delas a suspensão das obrigações presidenciais em períodos de campanha, sem sequer aludir à hipótese de pedir uma licença do cargo – e mede as pessoas por sua régua.

Acredita que todos competem o tempo todo. Exibe absoluta convicção de que os meios de comunicação disputam e que a informação é só um negócio de fachada.

Lula tem até razão quando defende que os veículos assumam suas posições....

http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1049982&tit=Logica-de-palanque

Gisele Bündchen está com Marina

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Programa de Propaganda de Marina Silva - 23/9/2010 (à noite)

TCU pediu a Policia Federal.........

......para investigar filho de Franklin Martins
A denúncia de suposto tráfico de influência envolvendo o filho do ministro Franklin Martins (Propaganda) na estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC) está há 18 meses no Tribunal de Contas da União, que pediu investigação da Polícia Federal.
Outra acusação envolvendo o mesmo ministro, considerada no TCU ainda mais explosiva, foi encaminhada ao Ministério Público Federal no DF.
Comentario--o filho do senador capixaba adora uma mamata! Tem a quem sair......alias...
Abaixo a ditadura
Antes, foi a passeata dos Cem Mil. Agora é a dos “Quero R$ 100 mil”.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A negação do outro

Alberto Dines # editorial do Observatório da Imprensa em 21/9/2010

A ciência favorece a razão – certo ou errado? A resposta estaria na coluna do meio. No condicional pode-se dizer que a ciência deveria favorecer à razão, mas não é o que acontece.

Neste mundo dominado pela ciência e pela tecnologia, a razão fica geralmente em segundo plano. A irracionalidade e a insensatez produzem mais manchetes do que a sabedoria. A barbárie conseguiu apossar-se daquilo que é um dos acervos mais preciosos da humanidade: a capacidade de comunicar-se.

O século 20 começou com a Primeira Guerra Mundial, testemunhou a catástrofe da Segunda Guerra e no fim da primeira década de um novo século, o 21, estamos assistindo ao vivo, em cores e em três dimensões um compacto de reprises dos dois últimos milênios dominados pela intolerância e o rancor contra o diferente e amplificado pelo formidável poder dos meios de comunicação.

O pior é que a maré montante do ressentimento tem como matéria prima a religião. A fé que deveria inspirar sentimentos superiores mesclou-se à política e à ideologia e está produzindo um fanatismo de última geração, globalizado, integral, onde não há o menor traço de amor ao próximo.

Penso, logo existo – o mote de René Descartes que nos preparou para a modernidade tem nova versão: não penso, o outro não existe.

A negação do outro

Alberto Dines # editorial do Observatório da Imprensa em 21/9/2010

A ciência favorece a razão – certo ou errado? A resposta estaria na coluna do meio. No condicional pode-se dizer que a ciência deveria favorecer à razão, mas não é o que acontece.

Neste mundo dominado pela ciência e pela tecnologia, a razão fica geralmente em segundo plano. A irracionalidade e a insensatez produzem mais manchetes do que a sabedoria. A barbárie conseguiu apossar-se daquilo que é um dos acervos mais preciosos da humanidade: a capacidade de comunicar-se.

O século 20 começou com a Primeira Guerra Mundial, testemunhou a catástrofe da Segunda Guerra e no fim da primeira década de um novo século, o 21, estamos assistindo ao vivo, em cores e em três dimensões um compacto de reprises dos dois últimos milênios dominados pela intolerância e o rancor contra o diferente e amplificado pelo formidável poder dos meios de comunicação.

O pior é que a maré montante do ressentimento tem como matéria prima a religião. A fé que deveria inspirar sentimentos superiores mesclou-se à política e à ideologia e está produzindo um fanatismo de última geração, globalizado, integral, onde não há o menor traço de amor ao próximo.

Penso, logo existo – o mote de René Descartes que nos preparou para a modernidade tem nova versão: não penso, o outro não existe.

MÍRIAM LEITÃO Câmbio errado

Quinta-feira, Setembro 23, 2010///O Globo

A taxa de câmbio está errada no Brasil, o real está supervalorizado. Quem diz isso é o economista José Alfredo Lamy, da Cenário Investimentos. Reverter a situação é muito difícil. O dólar está caindo em relação à maioria das moedas do mundo. Um dos motivos é o anúncio do Federal Reserve, que vai despejar mais dólares na economia para tentar tirá-la da estagnação.

Lamy acha que o câmbio está errado e prescreve um caminho difícil: — É preciso cortar gasto público, trazer os juros para baixo e, assim, derrubar naturalmente o excesso de valorização da moeda brasileira.

Não tem outro caminho — diz o economista.

Hoje, o Brasil está neste desconforto: a moeda se valorizando, e isso reduz competitividade das exportações, aumenta as importações e o déficit em transações correntes é cada vez maior. O desconforto vem da dificuldade de se saber como evitar a valorização sem medidas que interfiram no sistema de câmbio flutuante.

O Ministério da Fazenda tem falado que tomará “medidas”, o Banco Central acha que o aumento do déficit externo vai naturalmente provocar a desvalorização da moeda brasileira, porque ele é um sistema que se corrige automaticamente.

Mas hoje, há vários fatores agindo na mesma direção: a da queda do dólar, aqui, e no resto do mundo.

Países exportadores de commodities estão com uma pressão adicional, porque as compras da China estão elevando os preços desses produtos e ajudam a valorizar as moedas desses países. Segundo a Ativa Corretora, em 23 de março de 2009, a relação do dólar australiano com o dólar americano estava 1,42 para 1; agora, está em 1,05. O gráfico abaixo, feito pela Tendências, mostra a valorização de algumas moedas em 12 meses. No Brasil, há ainda a pressão da entrada de dólares pela capitalização da Petrobras, mas Lamy acha que isso é temporário e não é o mais relevante. Para ele, o importante é o que se passa na economia internacional.

— Neste momento, o mundo vive a expectativa da expansão monetária adicional nos Estados Unidos, que vai acontecer em novembro.

O FED deu um recado claro de que a inflação (1,30%) está abaixo do que é o mandato (meta), ou seja, eles querem inflacionar a economia. Para isso, vão comprar títulos do Tesouro para aumentar o afrouxamento monetário. Em momentos assim, há busca por ativos de risco e o Brasil ainda é emergente, é ativo de risco — diz Lamy.

Ele acha que, enquanto o Brasil for bem visto como é agora, enquanto continuar a busca por ativos de risco, o país conseguirá financiar tranquilamente seu déficit em conta corrente, mas alerta que o desequilíbrio é crescente.

Para Lamy, o Brasil vive hoje a situação inversa da de 2002.

— Naquela época, o país tinha arrumado o lado fiscal, feito uma série de reformas, estava com a política monetária correta e câmbio flutuante, tinha tudo para ser bem avaliado, mas pelas incertezas políticas, a moeda ficou superdesvalorizada. Hoje, está muito bem avaliado, mas há uma série de sinais de que a situação fiscal está se deteriorando e a política monetária não é mais tão autônoma quanto já foi. Em economia, as coisas demoram a fazer efeito. Essas distorções podem acabar complicando a situação, quando o quadro internacional mudar.

O economista alerta que há uma enorme incerteza no mundo com o rescaldo da crise. Europa ainda não resolveu seu problema fiscal, a expansão monetária adicional dos Estados Unidos não levará à retomada da economia.

— O mundo está muito ruim, os parâmetros pioraram e, por isso, o Brasil tem sido considerado bom, relativamente aos outros, na área fiscal, mas não é bom para o Brasil a situação difícil do mundo — disse.

Por tudo isso, o economista não acredita que as compras de dólar do Fundo Soberano vão resolver o problema.

— Não vejo muito sentido nessas compras do Fundo Soberano, já que o Banco Central tem comprado naturalmente dólares. Se o Ministério da Fazenda quisesse ajudar, deveria cortar gastos e diminuir a absorção doméstica, permitindo a queda dos juros. Porque é uma contradição: o país está muito bem, mas tem uma taxa de juros de quase 11% — conclui.

Uma fábula brasileira da direita mais à direita


Semanalmente recebo questionamentos e participo de debates onde pessoas de distintas formações buscam compreender os porquês da oposição de elite ao governo de Luiz Inácio e, especificamente, contra a candidatura de Dilma.

Geralmente a pergunta é simples: “Do que esta gente está reclamando tanto?!” As questões são expressas com bastante perplexidade, o que é muito razoável diante dos argumentos expostos.

Para analisar um governo e a sucessora por este indicada, é preciso adentrar algumas variáveis. Destas, àquelas relacionadas com a estabilidade e o evitar das incertezas são as mais importantes para a manutenção da divisão de poder, assegurando os ganhos nababescos daqueles de sempre.

Vejamos. Ninguém em sã consciência pode dizer que Lula aprofundou a reforma agrária, diminuiu o lucro dos bancos, taxou o capital transnacional, encurtou as grandes fortunas, redistribuiu as verbas de publicidade (liquidandos os opositores midiáticos), incentivou o aumento do nível de protesto e organização popular assim como nenhuma outra das demais bandeiras históricas que deram cara e corpo para seu partido na década de 1980.

Muito pelo contrário, o presidente atingiu uma nova base social, foi beneplácito com os históricos adversários sindicais (hoje representados na Força Sindical) e tranqüilizou os movimentos sociais com subsídios e projetos de infra-estrutura.

Executou as suas políticas sem aumentar a tensão social e foi diminuindo paulatinamente o poder das lideranças populares que não ele próprio. De quebra, seu governo desorganiza a esquerda social e também a eleitoral, deixando as legendas que crêem nesta via (PSOL, PSTU, PCO e PCB) com ínfimos índices de intenção de voto, muitas vezes sequer pontuando.

Se buscarmos em alguns dos feitos narrados acima pelo governo de Luiz Inácio, não veremos nenhuma razão de interesse material para a oposição mais à direita. Mas, como política não se faz com a máquina de calcular apenas, é óbvio que o problema é de fundo.

Certa vez escrevi neste blog que o preceito da racionalidade dos empreendedores não estava acima de suas opções ideológicas. Parafraseando James Carville, figura carimbada na CNN e estrategista do Partido Democrata durante a campanha presidencial de 1992, quando Bill Clinton derrotou a George Bush Pai, constata-se que: “É a ideologia, estúpido!” No caso, me referia à sanha privatizante dos neoliberais da Província de São Pedro (Rio Grande do Sul), mesmo isto implicando no hipotético fim de sua fonte de recursos quase exclusiva e na maior parte das vezes atendendo ao neologismo de “empréstimos a fundo perdido”.

Os seus fluxos de caixa não justificam a permanente vontade política de desmontar toda e qualquer estrutura que lembrasse o passado positivista (nos governos do PRR), o Estado Nacional-desenvolvimentista deixado aqui por Leonel Brizola (quando governador do pago) e aprofundado pela ditadura através de sua modernização conservadora.

É esta mesma falta de “lógica” cartesiana que leva ao desespero qualquer avaliador pretensamente sensato, como se isso existisse no Jogo Real da Política. É um problema de identidades e não de conseqüências societárias.

Recordo da fábula do sapo e do escorpião, quando o primeiro leva o aracnídeo sobre seu dorso ao atravessar o charco (ou seria o “mar de lama”). Se o segundo picasse o sapo a transportá-lo, ambos morreriam afogados. Mas, como é de sua “natureza” o ataque venenoso, o escorpião o realiza, não importando as mais funestas conseqüências. A sorte do andar de cima da pirâmide social brasileira é que o atual mandatário leva outros bichos consigo além dos que contra ele combatem.

Vejamos o paradoxo. Quando ainda podiam “marchar com Deus e a família pela democracia”, não o fizeram. Agora, imagino o arrependimento dos que apostam no tudo ou nada na reta final do primeiro turno. Tivessem esta mesma disposição no auge dos depoimentos durante a crise política de 2005 e até poderiam arrumar alguma coisa. Mas agora, na reta final do primeiro turno da sucessão, fica tudo muito difícil quando não impossível.

Bruno Lima Rocha é cientista político www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@gmail.com

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Autocombustão, por Dora Kramer

O desfile triunfante do governador Pedro Paulo Dias pelas ruas de Macapá ao deixar a cadeia e o discurso do presidente Luiz Inácio da Silva acusando a imprensa de destilar “ódio e mentiras” enquanto os fatos mostram violação de sigilo fiscal, corrupção e nepotismo no governo são partes de um todo.

E qual é esse o todo? É a transposição da verdade em mentira e vice-versa, da vergonha em orgulho, da acusação em defesa, da razão para comemorar em motivação para a fúria, do presidente da República em cabo eleitoral, da volta de Lula ao patamar de origem.

Deixa a Presidência menor do que quando chegou, dando margem a que se conclua que quem nasceu para sindicalista nunca chega a estadista.

E isso em nome de quê?

Pelo que se vê dos atos do presidente, pela desconstrução que faz do próprio símbolo do lutador, do vencedor, do democrata, do fundador do partido renovador, do exterminador de corruptos, o mais importante para ele é a disputa da hora.

Por isso não leva em conta o passado nem se preocupa com os efeitos futuros: interessa o aqui e o agora. E agora só o que importa é eleger Dilma Rousseff no primeiro turno.

Se o país retrocede institucionalmente, se o presidente perde prestígio e respeitabilidade, se a democracia é ferida, nada disso é visto. Só se enxerga a construção de uma vitória grandiosa.

Maior que as duas anteriores, pois Lula terá criado um ser eleitoral do nada e conseguido impor uma derrota avassaladora ao adversário que se preparou a vida toda para ser presidente.

A possibilidade de que as coisas não saiam exatamente como o sonhado e o empenho para que saiam a contento parecem para Lula valer o risco de pôr a perder a parte mais sólida de seu patrimônio: a imagem construída ao longo dos últimos 30 anos.

Quando demonstra desapreço pela democracia na política externa, o presidente sempre pode recorrer à desculpa de que não se imiscui na política dos países. Ainda que ditaduras.

Mas quando faz o mesmo no país que governa, mas cuja Constituição desrespeita no tocante à liberdade de imprensa e na obrigação de ser impessoal no cargo, não há disfarce possível e acaba por contrariar os próprios interesses.

Lula quer manipular a realidade jogando ao mesmo tempo para dois públicos: o informado, que exige punições; e o não informado que acredita quando diz que a imprensa mente e o persegue.

Não aceita jogar na regra, parte pra cima, como no sindicalismo, mas o problema é que ao fazer isso acaba se revelando manipulador e truculento à vista de todos.

Não que Lula seja diferente do que sempre foi: ao contrário, está mais igual do que nunca. Quando na oposição nunca carregou com distinção as derrotas nem conviveu bem com as críticas.

De jornalista para político, conversas com ele que não fossem de concordância ou admiração eram conversas difíceis. Dos tempos do sindicato às candidaturas presidenciais.

Não obstante as evidências, Lula sempre foi muito festejado, principalmente na imprensa, jamais se apontou nele qualquer traço autoritário.

Mesmo o ex-presidente Fer nando Henrique Cardoso, que o conhece muito bem, em 2002 acreditou que teria a biografia enriquecida com o fato de o sucessor ser “um líder operário que chegou a presidente”, sendo recebido pelo antecessor derrotado com todas as fidalguias de uma transição civilizada.

Fato é que, independentemente da realidade, a imagem de Lula aqui e no exterior para a maioria sempre foi das melhores. E não falamos da maioria de triste destino que de tão carente não precisa de muito para adotar um salvador.

Lula sempre privou da maior respeitabilidade entre bem estudados, bem nascidos, bem alimentados e bem vestidos. Notadamente aqueles com acesso ou com assento nos meios de comunicação. Foi aí que se originou o mito.

E é por aí também que se desmistificam as imposturas.

Uma ou outra

Não dá para a Ordem dos Advogados do Brasil ao mesmo tempo defender a liberdade de imprensa e pedir a interdição de uma obra na Bienal. Questão de princípio.

Ana Carolina - Só de Sacanagem

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Duas mulheres?




O dia 3 está chegando. Fim de guerra? É quase certo que Dilma Rousseff seja eleita. Quase. Se ela perder 7% dos votos válidos para os concorrentes, teremos segundo turno. E se isso acontecer com Marina Silva tendo ultrapassado José Serra, assistiremos a uma competição emocionante: duas mulheres disputando pela primeira vez a presidência do Brasil. Aí sim, um grande avanço republicano.

Por enquanto, a 12 dias das eleições, há um estranho silêncio nas ruas. Desinteresse, arrogância, depressão ou o quê? O jogo é mortal. Sabe-se. Mas jogar a toalha antes da derrota final ou se julgar por cima sem a vitória decisiva é coisa de amador. Quaisquer que sejam as previsões do resultado, não dá para exterminar a possibilidade de um imprevisto. Irreversível, só a morte.

E mesmo assim tem que ser morte matada ou morrida de verdade. Com o avanço da ciência, hoje se consegue ressuscitar quem já está no limiar do outro mundo, a partir de um atendimento de emergência altamente especializado. No caso, refiro-me à morte e à ciência políticas. Aos falecimentos súbitos, ou não, das candidaturas nesta competição presidencial.

Sem desprezar o empirismo. A experiência de velhas raposas não perdeu o prazo de validade. Basta observar políticos adaptados às incertezas. Eles conhecem a natureza humana, que adora desestabilizar previsões e pode mudar o clima de uma campanha política. A qualquer instante.

Vai que nesses próximos dias os escândalos estressem o eleitorado, o tiroteio de acusações o assuste e o encantamento publicitário não o atinja mais. De repente, eleitores poderão começar a enxergar Dilma como uma pessoa normal: mulher de carne e osso; não mais mulher-Lula, de fantasia. E aí, já dentro da normalidade, se permitiriam dar uma chance a Marina. Por que não?

Entre os candidatos, ela é quem tem o menor índice de rejeição. Reconhece os acertos dos governos de Itamar, FHC e Lula. Quando precisa critica com civilidade e firmeza. De quebra, tem uma bela história de vida pública e privada. Portanto, conseguiria ressonância para suas propostas de investimento no bem-estar social brasileiro. As quais dão continuidade à estabilidade econômica, ao Bolsa Família, ao sistema de crédito e outras conquistas que a população não quer perder.

Uma parte das classes sociais emergentes pode sacar, por exemplo, que quando a economia e o sistema de crédito vão bem, a iniciativa privada toca o mercado imobiliário numa boa; dando emprego à vontade (desde que a mão de obra se atualize e se qualifique). Assim como a indústria, a agricultura, o agronegócio e outros setores. Seja qual for a cor do governo.

Ainda há tempo para os eleitores se ligarem no desenvolvimento sustentável aplicado à qualidade de vida? Ou melhor, se ligarem nas idéias da candidata verde?

Para conseguir um segundo turno, porém, Marina terá de passar por uma prova decisiva. Terá de convencer 9,4 milhões de eleitores (num total de 135,8 milhões, não é tanto assim) de que somente um governo identificado com o meio ambiente estaria preparado para traçar os caminhos do país daqui por diante. Com infraestrutura adequada, urbanizado com saneamento, saúde e educação condizentes com o século em que vivemos, transportes...

Em resumo: Marina conseguirá tirar um número suficiente de votos da sua concorrente Dilma?

Ateneia Feijó é jornalista

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Marina defende liberdade de expressão

Adriana Franciosi, Zero Hora, RS

Um dia após o presidente Lula ter atacado a imprensa, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, fez uma crítica indireta às declarações ao dizer que as instituições precisam funcionar com neutralidade e defender a liberdade de expressão.

— Posso até discordar da crítica que me é feita. Mas vou defender, com profundidade, que as pessoas tenham o direito de manifestar sua posição — disse a candidata, que ontem cumpriu agenda de campanha no Rio Grande do Sul.

Marina evitou comentar se sua candidatura poderia ser beneficiada pelas denúncias de corrupção na Casa Civil. Ela disse que o caso está com o Ministério Público e que prefere debater propostas, em vez de partir para o "vale-tudo eleitoral".

— Nunca fiz a política do quanto pior melhor, não ajuda a ninguém — disse ela, alfinetando as coligações de seus adversários, que estariam contrariando seus princípios.

— Se ganhar, quero ganhar ganhando. Porque a gente pode ganhar perdendo. E ganha perdendo quem abre mão dos seus valores e faz alianças incoerentes.

Marina esteve ontem no Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre, que reúne galpões de mais de 300 centros de Tradições Gaúchas.

Vegetariana, ela não comeu churrasco, prato obrigatório no evento, que integra as comemorações da Semana Farroupilha.

Em seguida, ela fez caminhada no Parque da Redenção, principal ponto de campanha nos fins de semana na capital gaúcha.

À tarde, a candidata seguiu para Pelotas, onde visitou uma Casa de Marina.

Lula: o conquistador dos sete mares


Durante os quase oito anos do governo Lula, o número de postos do Itamaraty no exterior passou de 150 para 212. Veja aqui alguns lugares incríveis onde a diplomacia brasileira está fincando nossa bandeira:
TUVALU: São nove atóis miudinhos situados no centro da Oceania. Sua população de uns 12 mil habitantes é menor do que a de Frei Paulo. A Fifa, que se gaba de ter mais membros que a ONU, ainda não chegou lá. Mas Lula, com sua astúcia, já autorizou a criação de uma representação brasileira. Só que a instalação não pode demorar, pois o paraíso é um dos primeiros da lista de ameaçados de serem engolidos pelo mar por causa do aquecimento global. Uma das fontes de renda de Tuvulu é a venda de selos e moedas. Afinal, é chique entre colecionadores dizer que tem um selo de um lugar que fica pra lá do fim do mundo.
UAGADUGU: A cidade com nome de palavrão é a capital de Burkina Faso, país africano à beira do deserto do Saara. A nossa embaixada foi inaugurada em 2008. Lá tem leões, elefantes e hipopótamos. As crianças vão adorar.
SAINT GEORGE’S: É do Caribe. A cidade foi fundada pelos franceses em 1650 e depois virou uma colônia britânica. O pessoal do Itamaraty tomou pé no ano passado. É a capital do país-ilha Granado. A população local dá uma meia Copacabana. Vive do turismo. Mas também exporta cardamomo, banana, noz-moscada e cacau. (Bernardo de la Peña)

domingo, 19 de setembro de 2010

Partido oculto, por Dora Kramer

Consta que o PT e o Planalto ficaram desolados com a divulgação da palestra feita para uma plateia de petroleiros pelo ex-presidente do partido, deputado cassado, réu processado por corrupção e autoproclamado “camarada de armas” de Dilma Rousseff, José Dirceu.

O secretário de Comunicação do PT, André Vargas, chegou a discorrer muito claramente sobre o espírito da coisa.

“O aconselhável é que todos nós, eu, qualquer dirigente do PT, o José Dirceu, falemos pouco, falemos menos ou não falemos de jeito nenhum. Se queremos ajudar a campanha, todos nós temos de falar o menos possível”, disse Vargas.

Uma campanha presidencial em que quanto menos falarem os que estão envolvidos nela, melhor? O natural seria exatamente o oposto. Durante a campanha mesmo é que se deve falar muito, os concorrentes precisam ser expostos, responder a tudo e a todos, fazer frente a cobranças de toda ordem, ter passado, presente e futuro muito bem esquadrinhados.

A lei enunciada pelo secretário de Comunicação prega a ocultação. Em outras palavras, a manutenção do eleitor na ignorância a respeito das coisas como elas realmente são.

Por essa norma não se pode repetir em público o que em particular dizem os petistas por todo lado, graduados ou soldados rasos.

Justificam o engajamento na campanha de uma candidata imposta e antipatizada justamente em nome do “projeto” a que se referiu Dirceu naquela fala menos discutida do que merecia, por causa da queda da ministra da Casa Civil.

O projeto está detalhado em documento aprovado pelo partido em fevereiro último e causador de constrangimento quando apresentado à Justiça Eleitoral como sendo o programa de governo de Dilma. A campanha reapresentou uma versão “light” provisória, prometendo uma definitiva nunca apresentada.

O assunto morreu na imprensa e, depois, não valia a pena abrir uma guerra entre partidos aliados por causa do programa de governo nem seria produtivo dar destaque ao PMDB em demasia.

Essas coisas devem ser escondidas, assim como deve ser ocultada a proximidade de José Dirceu, bem como a candidata é mantida atrás do biombo de Lula a fim de que a massa do eleitorado não tenha contato mais espontâneo e amiúde com ela.

Por quê? Porque Dilma não segura a onda, Dirceu é malquisto pelo público, o PMDB é mal falado e o PT divide a “base” – dentro e fora do Congresso.

José Dirceu disse duas verdades: que o PT considera o governo Dilma sua grande chance de exercer de fato o poder e que considera excessiva a liberdade da imprensa.

Mas se esqueceu de que antes da eleição a palavra de ordem é bico calado.

Cenografia
Foram 70 dias entre o prazo regulamentar e as duas notificações da Comissão de Ética Pública para que Erenice Guerra apresentasse informações sobre o patrimônio e a família. Ela ficou 170 no cargo.

Portanto, havia 100 dias que a ministra estava em situação irregular sem que ocorresse aos conselheiros dirigir-lhe a censura feita depois da saída. O silêncio teria sido menos desmoralizante.

A então ministra não atendeu aos pedidos porque ninguém no governo dá bola para a referida comissão nem para a ética pública.

Certidão
“Onde está a prova de que eu esteja envolvida?”, pergunta a candidata do PT, a propósito da rede de tráfico de influência, extorsão, empreguismo e nepotismo que envolvia sua sucessora na Casa Civil.

A prova é o aval que Dilma deu à nomeação de Erenice.

Dissociar uma da outra seria como considerar que o presidente Lula não tenha responsabilidade alguma sobre o que faça e diga ou venha a fazer e dizer Dilma Rousseff.

Em português
Pode ser mais sonoro, mas é errado dizer “doa a quem doer”. As coisas doem “em” alguém e não “a” alguém

sábado, 18 de setembro de 2010

Compromisso histórico com a democracia, por José Dirceu, 64, advogado e ex-ministro da Casa Civil

A despeito dos que querem me rebaixar —usando inclusive o horário eleitoral, que é um espaço de apresentação de propostas para melhorar o país—, minha história política está diretamente associada à liberdade. Só quem sofreu as chagas da Ditadura Militar neste país sabe, na pele, o que é ser defensor da democracia. E não existe democracia sem garantia ao direito à expressão e ao livre exercício da atividade jornalística.

Ensina a boa doutrina jurídica que não há direito absoluto, ou seja, o limite à aplicação de um direito é estabelecido por outro direito. Nesse sentido, não se pode dizer que o direito de ir e vir está acima do direito à propriedade, e assim por diante. É preciso confrontar os direitos no caso concreto, para se definir qual prevalecerá. Trata-se de uma atividade típica e exclusiva ao Judiciário.

Aliás, esse confronto é que diferencia uma democracia de um regime totalitário, absolutista, imperial. Ao contrário do que muitos pensam, tal condicionamento é sinal de solidez e avanço democrático. Em certa medida, equivale dizer que todo direito embute responsabilidades. Essa compreensão não é somente minha, está expressa na nossa Constituição, que, não à toa, é tida como uma das mais democráticas e avançadas do mundo.

Com base nesse preceito constitucional é que precisamos refletir sobre o papel e comportamento da grande imprensa no Brasil de hoje. A prática que tem prevalecido é a de acusar e formar culpas antes sequer da abertura de um processo judicial. A estratégia é cristalizar na sociedade opiniões para pressionar a Justiça.

Mas a conquista do respeito ao rito jurídico não é mera formalidade, é imprescindível ao pleno funcionamento da democracia. É tão valiosa quanto a liberdade de expressão. Da mesma forma, configura-se fundamental respeitar o direito de imagem e o direito de resposta de qualquer cidadão. Caso contrário, estaremos jogando no lixo um dos pilares de nossa democracia, comprometendo todo o regime.

Ocorre que a grande imprensa nacional, imbuída do claro propósito de defender determinados interesses e a pretexto de sua inquebrantável liberdade de expressão, tem usurpado com frequência o direito de cidadãos de se defender. É preciso que a própria mídia suspenda tais práticas e reflita sobre as responsabilidades e papéis que tem a cumprir perante a sociedade. O irretocável direito de informar não pressupõe manipulações.

Infelizmente, o comportamento da grande imprensa nas atuais eleições tem caminhado no sentido oposto. Claramente, escolheu-se um dos candidatos e passou-se a contaminar o noticiário com vistas a atender os interesses eleitorais dele. O que a grande imprensa não percebeu é que o preço dessa adesão “contaminada” é o sacrifício de sua própria credibilidade e do bom jornalismo: a abstenção de juízo de valor, a pluralidade ideológica, a isonomia de espaço para acusadores e acusados e a defesa do direito à imagem e à honra.

Liberdade de expressão plena e verdadeira prescinde da existência de mão dupla no relacionamento entre imprensa e sociedade, não tentativas de manipular as opiniões. É isso, e apenas isso, que o monopólio da comunicação tem buscado defender, colocando a mídia acima dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Exageros como a proposição de que caminhamos para o totalitarismo no Brasil só acentuam esse processo de perda da credibilidade. E, convenhamos, não condizem com a realidade. Resta à grande imprensa retomar os princípios democráticos em sua cobertura.

Como sempre, reafirmo minha defesa desses valores com responsabilidade, pois abalos a quaisquer —repito, quaisquer!— direitos constitucionais só interessam aos quem não têm compromisso histórico com a democracia.

José Dirceu, 64, é advogado e ex-ministro da Casa Civil

Aos jornalistas, por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa


Se me fosse dado o direito de decidir se deveríamos ter um governo sem jornais, ou jornais sem um governo, eu não hesitaria um segundo em escolher a segunda opção, disse Thomas Jefferson em 1787.

Se a mim me fosse dado o direito de julgar tudo que Jefferson fez e escreveu, esse gigante do pensamento e da ação, eu não hesitaria um segundo em escolher essa como sua melhor frase.

Rádio, TV, internet, estou certa que Thomas Jefferson, como eu, iria se apaixonar por todas essas ferramentas da notícia. O importante é que a notícia circule livremente, bem dada, com isenção e justiça. A notícia deve chegar até nos limpa e clara.

Sou muito grata à nossa imprensa. Falo com tranquilidade pois não sou jornalista, que dirá repórter. Sou uma escrevinhadora que diz aqui o que sente, o que pensa, o que deseja para quem ama, para si, e para o Brasil.

Mas sem a imprensa para nos manter informados, como juntar as ideias e concluir o que queremos?

Sou membro declarado dos 4%. Estou muito confortável aqui dentro do fusca. Não pretendo sair daqui. E não pretendo aceitar mordaças e outras palhaçadas.

Quero continuar a saber o que se passa em meu país. Quero ter uma imprensa livre para transmitir as notícias tal como elas aconteceram e analistas e colunistas para comentar o assunto e nos dar sua opinião.

Como é que nós, cidadãos contribuintes eleitores, poderíamos ficar sabendo de tudo que se passa na cidadela lulopetista, se não fosse a imprensa? Como saber que o coração do governo – a imagem, excelente aliás, é do presidente Lula – ia ser atacado dessa maneira torpe e voraz?

Como íamos ficar sabendo que o ex-governador Serra, irritadiço, não teve controle suficiente diante das perguntas de uma jornalista, num programa em que estava sendo entrevistado para falar de si e de seu programa de governo?

Como ficar sabendo que o líder do PT no governo disse “Por que a Dilma precisa falar desse assunto? Não foi ela quem admitiu nem demitiu Erenice. A Dilma não tem nada com isso. Não é assunto de campanha é assunto de governo”!

(A frase desse senhor, aliás, é um primor. A Dilma não admitiu nem demitiu a amiga. Ela não tem nada a ver com isso! Quem admitiu e demitiu a Erenice foi o Lula. Então, ou muito me engano, ou a conclusão vaccarezziana é a seguinte: a culpa é do Lula!)

Dizem que está em gestação uma serpente: a imprensa calada.

Sabe o que conseguiram no tempo em que tentaram censurar a imprensa e calar nossas bocas? Que nós lêssemos cada palavra impressa no jornal mais de uma vez, três se fosse necessário, para pescar tudo que estava nas entrelinhas.

Gosto muito do Expresso, que leio para saber notícias de Portugal e, confesso, para tentar não esquecer como se deve escrever... E li hoje num blog muito simpático, A Tempo e a Desmodo, de Henrique Raposo, uma nota na qual constato, mais uma vez, que nosso cordão umbilical com a terrinha é muito forte e nunca foi cortado. Sabem o que ele diz dos seus conterrâneos?

“A parte sinistra disto tudo é a seguinte, my friends: os portugueses confundem democracia com estado social. A maioria dos portugueses não se importava de viver num Estado Novo com um Estado Social lá dentro. Não querem saber de parlamentarismo e de estado de direito. Querem é saber do seu Estado Social, do seu subsídio, da sua educação paga e da sua saúde paga (com um hospital dentro de casa, se possível). Querem, no fundo, viver num sítio onde tudo é de borla, e onde se vota nuns tipos que nos dizem que tudo deve ser à borla. Uma maravilha”.

À borla, para quem só fala brasileiro, é de graça. Se trocar portugueses por brasileiros e à borla por grátis, pode sair num blog daqui como coisa local.

Infelizmente, aqui também o que a maioria quer é tudo à borla, no aqui e agora. Ninguém parece muito preocupado com o Espírito da Nação. Que os desvalidos pensem assim e se vejam felizes por estarem usufruindo das franjas da fortuna, é mais do que compreensível. Mas os outros? Que desculpa têm para só pensar na matéria? Um bom ditador que ofereça tudo à borla seria muito bem vindo?

Por falar em Portugal, há um lindo fado que diz: “Foi Deus que deu-me esta voz a mim!”. No meu caso, infelizmente, é voz que não serve para cantar, mas é voz que serve para falar. Que eu pretendo usar até quando chegar a minha hora.

Hoje foi para dizer: obrigada, jornalistas que ralam para nos manter bem informados. Muito e muito obrigada.

Segundos fora!

"Pobres" fusiveis abandonados à propria sorte....manter o Poleiro/palanque, é preciso....

Deu no Jornal.

A Comissão de Ética da Presidência decidiu aplicar nesta sexta (17) "censura ética" à ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, por não ter apresentado ao órgão, logo após a sua posse, declaração de informações confidenciais, que deve ser apresentada por autoridades submetidas ao Código de Conduta da Alta Administração Pública, até dez dias após a posse. Segundo o conselheiro Fábio Coutinho, relator do processo, Erenice chegou a ser notificada pela comissão para que apresentasse a declaração, mas não se manifestou. A comissão decidiu também hoje abrir um processo para apurar se a ex-ministra praticou falta ética no caso da denúncia de tráfico de influência. Segundo Coutinho, após ser notificada da decisão da comissão, a ex-ministra terá 10 dias para apresentar sua defesa. "A defesa prévia será analisada, vamos ver quem ouvir. Não dá para dizer quanto tempo levará o processo. Ele correrá em caráter de reserva", explicou

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Quem ta levando......

Outro dia, o canteiro de obras de Angra III teve que acionar um serviço de limpeza para a estação de tratamento de esgoto por causa de um entupimento dos banheiros.
Motivo: muitas camisinhas.

Programa de Propaganda de Marina Silva - 16/9/2010 (à noite)

Programa de Propaganda de Marina Silva - 16/9/2010 (à noite)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A parentela de Erenice, por Elio Gaspari

Erenice Guerra chorou quando Lula levou-a para conhecer o Palácio da Alvorada. Seu pai fora um dos candangos que deixaram o sertão nordestino na segunda metade dos anos 50 para construir Brasília.

Pedreiro, ajudara a montar aquela caixa de vidro e mármore. Em 1958, os peões da empreiteira da obra do palácio quebraram barracões do acampamento onde viviam porque encontraram vermes na carne que lhes era servida. As revoltas dos candangos não fazem parte da crônica épica da construção de Brasília.

A filha do candango do Alvorada diplomou-se em Direito, criou quatro filhos na cidade-satélite de Guará, tornou-se servidora pública, militou nas ações sociais da igreja católica e ajudou a organizar o PT.

Passou pela Secretaria de Segurança do Distrito Federal e pela Eletronorte. Como consultora jurídica do Ministério de Minas e Energia, conheceu Dilma Rousseff.

Uma história comovente, variante dos "2 Filhos de Francisco", eco do estucador Pedro Nieddu, o avô de Fernanda Montenegro que trabalhou na construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

A história de Erenice, de um Brasil capaz de tudo, no qual uma jovem mãe que percorria as ruas de Guará numa bicicleta se tornou chefe da Casa Civil da Presidência, desembocou na rotina das vorazes parentelas de Brasília.

Erenice voltou ao palácio no último domingo, para explicar a Nosso Guia as circunstâncias em que o neto do pedreiro do Alvorada virou despachante de pleitos milionários na sua área de influência.

Aos 19 anos, seu filho Israel entrou no mundo dos negócios como sócio de uma empresa montada pela mãe e registrada em nome de uma professora casada com um auxiliar de bombeiro hidráulico. Seu nome: Asa Imperial.

O propósito: "atividades de investigação particular", "segurança e vigilância privada". (O PT conquistara o governo de Brasília havia dois anos, em 1995, e Erenice chefiava o gabinete do secretário de Segurança da cidade.)

Em 2006, Israel tornou-se gerente técnico da maternal Agência Nacional de Aviação Civil. Dois anos depois pousou no gabinete do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO).

Saulo, irmão de Israel, é dono da Capital Assessoria e Consultoria Empresarial, contratada por uma linha aérea para azeitar a venda de serviços aos Correios. Tem como sócia Sonia Castro, mãe de Vinicius Castro (ex-Anac), sobrinho do ex-diretor de operações dos Correios. Até segunda-feira ele foi assessor da secretaria-executiva da Casa Civil.

Antonio Eudacy Alves Carvalho, irmão de Erenice, esteve na Controladoria Geral da União e na Infraero, mãe de tantos bons companheiros.

Maria Euriza de Carvalho, outra irmã da doutora, trabalhou no Ministério do Planejamento e é consultora da Empresa de Pesquisa Energética, de onde contratou, sem licitação, o serviço da banca de advocacia onde trabalhava Eudacy.

José Euricélio, outro irmão de Erenice, foi funcionário do Ministério das Cidades.

Ao longo de 15 anos, a partir da instalação de um governo petista no Distrito Federal, quatro filhos e dois netos do pedreiro do Alvorada passaram por pelo menos 14 cargos nas áreas de transportes, saúde, planejamento, segurança, energia e burocracia legislativa.

Pelo visto, pode ter sido pouco.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Amigos dos Amigos (ADA?)


JOSÉ CARLOS BUMLAI, O FELIZ AMIGO DO PRESIDENTE
A fazenda São Gabriel, em Corumbá (MS), pela qual o Incra teria pago R$ 7,5 milhões a mais do que o valor de mercado, pertencia à família Bumlai, cujo patriarca, José Carlos Bumlai, é amigo pessoal do presidente Lula e integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social criado pelo governo federal. A informação é do site Campo Grande News. Na ação na Justiça Federal em que o Ministério Público Federal questiona a venda da fazenda, e obteve a suspensão do pagamento pelo Incra, aparecem como beneficiários da transação quatro filhos de José Carlos Bumlai, Maurício de Barros Bumlai, Fernando de Barros Bumlai, Cristiane de Barros Marques Bumlai Pagnoceli e Guilherme de Barros Costa Marques Bumlai. A denúncia feita pelo MPF à Justiça é de que a área foi comprada por R$ 7,5 milhões acima do valor de mercado. A fazenda, de 4,6 mil hectares, foi avaliada, em 2005, época da aquisição pelo Incra, em R$ 20 milhões. Desse total, R$ 4 milhões eram referentes às benfeitorias, que são pagos à vista, e R$ 16 milhões para a terra nua

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A pobreza da democracia brasileira, L. BOFF


Tempos de campanha eleitoral oferecem ocasião para fazermos reflexões críticas sobre o tipo de democracia que predomina entre nós. É prova de democracia o fato de que mais de cem milhões tenham que ir às urnas para escolher seus candidatos. Mas isso ainda não diz nada acerca da qualidade de nossa democracia. Ela é de uma pobreza espantosa ou, numa linguagem mais suave, é uma “democracia de baixa intensidade”na expressão do sociólogo português Boaventura de Souza Santos. Por que é pobre? Valho-lhe das palavras de uma cabeça brilhante que, por sua vasta obra, mereceria ser mais ouvida, Pedro Demo, de Brasília. Em sua Introdução à sociologia (2002) diz enfaticamene:”Nossa democracia é encenação nacional de hipocrisia refinada, repleta de leis “bonitas”, mas feitas sempre, em última instância, pela elite dominante para que a ela sirva do começo até o fim. Políitico é gente que se caracteriza por ganhar bem, trabalhar pouco, fazer negociatas, empregar parentes e apaniguados, enriquecer-se às custas dos cofres públicos e entrar no mercado por cima…Se ligássemos democracia com justiça social, nossa democracia seria sua própria negação”(p.330.333).

Essa descrição não é caricata, salvo as poucas exceções. É o que se constata dia a dia e pode ser visto pela TV e lido nos jornais: escândalos da depredação do bem público com cifras que sobem aos milhões e milhões. A impunidade grassa porque crime é coisa de pobre; o assalto criminoso aos recursos públicos é esperteza e “privilégio” de quem chegou lá, à fonte do poder. Entende-se porque, em contexto capitalista como o nosso, a democracia primeiro atende os que estão na opulência ou têm capacidade de pressão e somente depois pensa na população atendida com políticas pobres. Os corruptos acabaram por corromper também muitos do povo. Bem observou Capistrano de Abreu em carta de l924:”Nenhum método de governo pode servir, tratando-se de povo tão visceralmente corrupto com o nosso”.

Na nossa democracia, o povo não se sente representado nos eleitos; depois de uns meses nem mais sabe em quem votou. Por isso não está habituado a acompanhá-lo e a fazer-lhe cobranças. Ao lado da pobreza material é condenado à pobreza política, mantida pelas elites. Pobreza política é o pobre não saber as razões de sua pobreza, é acreditar que os poblemas dos pobres podem ser resolvidos sem os pobres, só pelo assistencialismo estatal ou pelo clientelismo populista. Com isso, se aborta o potencial mobilizador do povo organizado que pode exigir mudanças, temidas pela classe política, e reclamar políticas públicas que atendam a suas demandas e direitos.

Mas sejamos justos. Depois das ditaduras milatares, surgiram em toda América Latina democracias de cunho social e popular que vieram de baixo e por isso fazem políticas para os de baixo, elevando seu nivel. A macroeconomia capitalista segue mas tem que negociar. A rede de movimentos sociais, especialmente o MST, colocam o Estado sob pressão e sob controle, dando sinais de que a democracia pode melhorar.

Vejo dois pontos básicos a serem conquistados: primeiro, a proposta de Boaventura de Souza Santos que é de forjar uma “democracia sem fim”, em todos os campos, especialmente na economia, pois aquí se instalou a ditadura dos patrões. Ela é mais que delegatícia, é um movimento aberto de participação, a mais ampla possivel.

O segundo, é uma idéia que defendo há anos: a democracia não pode ser antropocêntrica, só pensando nos humanos como se vivêssemos nas nuvens e sozinhos, sem nos darmos conta de que comemos, bebemos, respiramos e estamos mergulhados na natureza da qual dependemos. Então, importa articular os dois contratos, o social com o natural; incluir a natureza, as águas as florestas, os solos, os animais como novos cidadãos que têm direitos de existir conosco, especialmente os direitos da Mãe Terra. Trata-se então de uma democracia sócio-cósmica, na qual os seres humanos convivem com os demais seres, incluindo-os e não lhes fazendo mal. O PT do Acre nos mostrou que isso é possível ao articular cidadania com florestania, quer dizer, a floresta respeitada e incluida no bem viver dos povos da floresta.

Utopia? Sim, no seu melhor sentido, mostrando o rumo para onde devemos caminhar daqui para frente, dadas as mudanças ocorridas no planeta e no encontro inevitável dos povos.

Leonardo Boff é autor de A nova era: a civilização planetária, 2003.

"Fusiveis" queimando."Instalação" resiste.


BRASÍLIA - O assessor da secretaria-executiva da Casa Civil, Vinicius de Oliveira Castro, pediu exoneração do cargo. Em nota divulgada nesta segunda-feira pela Casa Civil, o assessor declara que "repudia todas as acusações". Também nesta segunda-feira, a Comissão de Ética Pública da Presidência, instaurou um procedimento para apurar se a ministra Erenice Guerra praticou conduta contrária ao código de ética das autoridades do poder executivo. Segundo o o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, o processo foi instaurado a pedido da ministra . O diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, determinou que a Corregedoria Geral do órgão analise a denúncia sobre o suposto tráfico de influência de Israel Guerra, filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, para saber se cabe à instituição abrir inquérito para investigar o caso. A corregedoria deve deliberar sobre o assunto até quinta-feira.

Leia mais em - O Globo

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O eixo perdido


Se há divergências entre os geofísicos quanto aos níveis de deslocamento do eixo terrestre, tema que ganhou repercussão depois dos terremotos do Haiti e do Chile, difícil é ter dúvidas quanto à movimentação do eixo que deveria balizar a política.

Parece ser um fenômeno mundial. Nos Estados Unidos, a oposição ao democrata Barack Obama pinta-o como um comunista de carteirinha. Na Europa, berço da social-democracia, a onda conservadora continua a banhar a maior parte dos países do continente. Na América Latina convive-se, em pleno século 21, com um esquerdismo primário e juvenil encabeçado pela ditadura Chávez.

No Brasil então, o eixo virou pelo avesso, perdeu-se. Já nem pode mais ter seus graus aferidos. Tudo está fora de lugar, seja no terreno ideológico, legal, constitucional ou moral.

Do ponto de vista partidário, o PT arrota regras de cima para baixo, incentivando todo tipo de peleguismo político. Um partido que abriu mão de qualquer princípio ideológico – se é que realmente os tinha - em nome de se perpetuar no poder. Mesmo que seja com Dilma Rousseff, cristã-nova, mas que, imposta goela abaixo pelo presidente Lula, tudo merece.

E não há greve de fome ou desfiliações de petistas históricos capazes de consertar o eixo torto. O partido se rendeu ao pragmatismo de Lula, vendendo-se aos Sarneys, Jaders, Collors e Malufs. Rendeu-se a tudo. Arrepia-se com a hipótese, hoje tida como remota, de perder o conforto dos cargos públicos para milhares dos seus.

Mas, mesmo aliado ao que há de mais retrógrado na política nacional, o petismo continua bradando-se como a única esquerda confiável do país. E não se cansa de tentar constranger os que ousam dele discordar.

O PSDB, a anos luz de distância das premissas da social-democracia e do parlamentarismo que pregava, nem mesmo sabe onde guardou a bússola. Distancia-se cada vez mais do DEM, seu aliado histórico e debita todos os reveses da campanha presidencial ao candidato José Serra, sem fazer mea-culpa de sua omissão.

Não ousou a se opor à popularidade de Lula quando podia e quer agora, em pouco mais de 20 dias, fazer o que não fez em oito anos. Uma missão quase impossível.

Nem Marina Silva escapa. Após 3 de outubro, pouco deverá sobrar do seu véu de santidade e pureza. E o PV, ao qual se filiou na bacia das almas, há muito abriu os seus filtros ideológicos para conseguir melhores resultados eleitorais. A assunção de Marina na sigla foi apenas mais um deles.

As campanhas? Essas então são um desatino total. Nunca antes neste país se viu eleição tão despolitizada. Algo que só favorece a candidata oficial, cujo papel ensaiado é o de expor um país de cinema, uma Hollywood, ainda que tropical. Mostram-se números e realizações, em geral sem lastro; um futuro promissor, de Brasil grande. A mesma cara do Brasil dos militares, do “ame-o ou deixe-o”, base do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao reclamar da “turma do contra” que não ama a pátria.

O absurdo é tamanho que o presidente da República transforma o “Brasil, um país de todos”, slogan original de seu governo, em “Brasil, um país daqueles que estão do lado do Lula”. E tem o desplante de taxar como preconceituosos todos os cidadãos que não apóiam a sua candidata e a ele próprio.


Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa

sábado, 11 de setembro de 2010

DINHEIRO NA MALA do Padre......cagüetado!

RIO - Acusado de evasão de divisas depois de ter sido preso, no domingo passado , transportando, sem declarar à Receita Federal, cerca de 53 mil euros (aproximadamente R$ 116 mil), o monsenhor Abílio Ferreira da Nova, de 77 anos, encarregado da administração dos bens da Arquidiocese do Rio e pároco da Igreja Nossa Senhora de Copacabana, será denunciado pelo Ministério Público Federal na próxima segunda-feira.

Como o monsenhor Abílio foi preso em flagrante e só não está preso porque teve sua liberdade decretada pela Justiça Federal, a denúncia precisa ser feita em 15 dias. O caso, informou a Justiça Federal, será apreciado pelo juiz Roberto Schuman, da 3ª Vara Federal do Rio.

A Arquidiocese do Rio deverá se reunir na próxima semana para avaliar os estragos causados pela prisão do padre. Desde 1984 ele é o interventor Ordem Terceira de São Francisco de Paula. Formado em administração de empresas, Abílio foi escolhido para sanear as finanças da ordem. Na época em que o monsenhor assumiu a missão, a instituição - uma das mais tradicionais da Igreja Católica - administrava um hospital na Quinta da Boa Vista, o cemitério do Catumbi e um asilo em Jacarepaguá.

Hoje, o hospital passou para a rede D'Or - ganhando o nome Quinta D'Or -, que paga aluguel entregue à paróquia da igreja Nossa Senhora de Copacabana, onde o padre Abílio é pároco. Já o cemitério e o asilo foram arrendados por particulares.

Como O GLOBO informou, o monsenhor Abílio viajou sete vezes para o exterior nos últimos dois anos. Na maioria das vezes, seguiu em voos da TAP para Portugal, onde tem parentes na cidade de Póvoa de Varzim, no litoral norte, na região do Porto.

Português naturalizado brasileiro, monsenhor Abílio disse à Polícia Federal e afirmou em nota à imprensa que sua viagem no domingo seria de férias . Ele planejava voltar à cidade natal para descansar, cuidar da saúde, visitar parentes e celebrar um casamento e um batizado. Ele também explicou que a intenção, ao viajar com tanto dinheiro, era ajudar parentes pobres e a paróquia onde foi batizado. Monsenhor Abílio responderá em liberdade ao crime de evasão de divisas e poderá ser condenado a até seis anos de prisão.

Os policiais federais do Aeroporto Internacional Tom Jobim prenderam o monsenhor às 16h45m, pouco mais de meia hora depois de o religioso ter sido denunciado por meio de um telefonema ao Disque-Denúncia - documento número 1352.9.2010, recebido às 16h11m

Macapa-Policia Federal apreendeu mais de R$ 1 milhão


A Polícia Federal apreendeu mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Mãos Limpas, deflagradas nesta sexta-feira no Amapá. Na operação, determinada pelo ministro José Otávio Noronha, do Superior Tribunal de Justiça, foram presos o atual governador, Pedro Paulo Dias (PP), o ex-governador Valdez Goes (PDT) e outras autoridades. Além de dinheiro e documentos, foram apreendidos também cinco automóveis, incluindo uma Masseratti.

Lula pediu votos para político preso
- Desta vez não foi problema de pé-frio presidencial, mas caso de polícia, Polícia Federal. O ex- governador do Amapá e candidato ao Senado Waldez Góes (PDT) está entre os presos hoje na Operação Mãos Limpas, em Macapá. O governador Pedro Paulo Dias (PP) também foi preso na operação, com outras 16 pessoas, acusadas de pertencer a uma organização criminosa que desviou recursos do Estado. PP e PDT compõe a aliança da candidata Dilma Rousseff à presidência e o governador aparece no material de campanha com a candidata. Em favor dela, Lula gravou um vídeo, afirmando "que quando for presidenta, Dilma vai precisar de senadores que apoiem seus projetos e ajudem o Brasil a avançar no rumo certo. Por isso, aqui no Amapá, vote Waldez Góes, que está comigo. " No momento, Góes está mesmo é com os agentes na carceragem da PF. A Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, mobilizou cerca de 600 agentes para cumprir 18 mandados expedidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) de prisão temporária, 87 de condução coercitiva e 94 de busca e apreensão. A Prefeitura de Macapá e a Assembleia Legislativa foram fechadas pelos agentes. Segundo a PF, a operação vai cumprir ainda mandados de busca a acusados de desvios de verbas em São Paulo, Pará e Paraíba.

Ministro Noronha deu a ordem - Inicialmente a cargo da Seção Judiciária do Amapá, a investigação teve o seu processamento deslocado para o Superior Tribunal em razão da presença, entre os investigados, de pessoas que possuem prerrogativa de foro, conforme dispõe a Constituição Federal. Dessa forma, a condução do inquérito no STJ encontra-se sob a presidência e relatoria do Ministro João Otávio de Noronha, na Corte Especial.
Sarney elogiou ex-governador preso - Em junho passado, o senador José Sarney (PMDB-AP) elogiou a gestão do ex-governador do Amapá Valdez Góes, que está entre os presos nesta sexta-feira, afirmando que "foi capaz de unir forças políticas, por seu "temperamento e espírito público". Disse mais: Por dever de lealdade e, ao mesmo tempo, um testemunho de verdade, quero dizer que ele realizou uma obra política reconhecida por todos os amapaenses e por toda a classe política do Amapá."
Minha NB- o "senador" sarnento nunca morou, raramente vai, mas sempre se elege "senador" pelo Amapa.....parece estranho.....e é!

Comentario: Brava gente brasileira.....que não se revolta! Andara ocupada demais com o "sonho americano" de consumo?. Lei sono tutti buona gente, vero!