segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Anacom (da) vem aí........

Franklin Martins (filho do falecido senador Mario Martins-ES) quer fundir Anatel e Ministério das Comunicações na Anacom, Agência Nacional das Comunicações. Para ele presidir, claro.

28 Agôsto Entrevista coletiva--Brasilia

domingo, 29 de agosto de 2010

Dirceu tenta barrar avanço de Palocci

Wilson Tosta e Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo
RIO e BRASÍLIA - A 35 dias da eleição de 3 de outubro e confiantes na vitória de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno, os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci disputam os rumos de eventual novo governo comandado pelo partido. Depois de emitir sinais contrários à possível indicação de Palocci para a Casa Civil, Dirceu luta agora para impedir que ele volte a ditar os caminhos da economia, a partir de 2011.

Os dois "generais" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reeditam a queda de braço que travaram no primeiro mandato do PT para definir a fisionomia do governo. Abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005, e cassado pela Câmara, Dirceu vislumbra perda de influência se Palocci - ex-ministro da Fazenda - assumir a Casa Civil sob Dilma.

A preocupação não é à toa: cabe ao ministro da Casa Civil coordenar a equipe, o que lhe dá muito poder e pode torná-lo candidato natural ao Planalto. Foi o que ocorreu com a própria Dilma, puxada para o cargo após a queda de Dirceu. Nove meses depois, em março de 2006, Palocci também caiu, no rastro da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

Embora se movimente nos bastidores para evitar que o antigo colega vire uma espécie de "primeiro-ministro" de Dilma, Dirceu sabe que pode perder a aposta. Motivo: Palocci é um dos principais coordenadores da campanha e, além de tudo, tem Lula como padrinho. O plano do presidente é reabilitar o ex-titular da Fazenda na cena política.

Se Palocci for para a Casa Civil, o grupo de Dirceu - que quer empurrar o deputado para o Ministério da Saúde - espera uma "compensação". Sob o argumento de que "o governo Dilma não pode ter a cara do ajuste fiscal de Palocci", aliados do ex-chefe da Casa Civil defendem, agora, a permanência de Guido Mantega (PT) na Fazenda em dobradinha com "alguém de esquerda" no Planejamento.

Apesar das críticas ao "conservadorismo" do Banco Central, Dirceu não deverá se opor à manutenção de Henrique Meirelles, na cota do PMDB, desde que Palocci fique distante da seara econômica e Mantega não saia da Fazenda. Meirelles, porém, não pretende continuar no BC.

Mesmo com rachas internos, a corrente do PT Construindo um Novo Brasil (CNB) - integrada por Lula, Dirceu e pelo presidente do partido, José Eduardo Dutra - emplacará as principais indicações do petismo no eventual governo Dilma.

Nem todos da CNB, no entanto, falam a mesma língua. Palocci, por exemplo, também é da CNB, antigo Campo Majoritário, mas atua de forma independente e quase não tem ligação com a cúpula partidária.

Dirceu, ao contrário, procura frequentar todas as reuniões da corrente e do Diretório Nacional. Ex-presidente do PT, mantém um canal de comunicação com os militantes por meio de seu blog e tem papel discreto na campanha.

Queimada

O fogo amigo contra Palocci ganhou força há uma semana, depois de notícias dando conta que Dilma recorreria à tesourada nos gastos logo no início de eventual governo.

"Podemos assumir o compromisso de uma meta de inflação mais ambiciosa, sem um maior custo de política monetária. As condições estão dadas para, gradualmente, baixar a meta de inflação", disse Palocci, em entrevista publicada pelo Estado, na segunda-feira, no segundo caderno da série Desafios do Novo Presidente. "É um compromisso fiscal muito forte, porque Dilma vai se comprometer com nível de endividamento, além da meta de superávit."

Dilma já havia indicado, em maio, o desejo de reduzir a meta de inflação. Fez o comentário durante encontro com investidores promovido pela BM&F-Bovespa, em Nova York. Detalhe: Palocci estava com ela na viagem. Depois que o ex-titular da Fazenda passou a mexer no vespeiro da economia, porém, o grupo de Dirceu intensificou o bombardeio longe dos holofotes.

"O que esse cara quer? Uma nova Carta aos Brasileiros?", perguntou um interlocutor do ex-ministro da Casa Civil, numa referência ao documento divulgado por Lula, na campanha presidencial de 2002, para acalmar o mercado financeiro.

Em conversas reservadas, Dirceu tem dito que vai brigar pela "embocadura" de um possível governo Dilma. Nunca esteve nos planos de sua sucessora na Casa Civil - e nem dele próprio - qualquer tarefa oficial antes do veredicto do Supremo Tribunal Federal no caso do mensalão.

Dilma e Dirceu, de toda forma, se dão bem. Além de deixar com ela o labrador Nego, que apareceu no primeiro programa de TV, o ex-ministro sempre entra em cena quando é preciso desarmar crises, principalmente entre aliados nos Estados.

Quando é perguntado sobre Dirceu, Palocci abre um sorriso. "Mesmo no governo, ele nunca fez todas as maldades que vocês diziam, mas levava a fama", diz.

Programa de Propaganda de Marina Silva - 28/8 (à noite)

sábado, 28 de agosto de 2010

Duralex.........

Fidel Castro recebeu na quinta-feira o escritor lituano Daniel Estulin, famoso por suas teorias conspiratórias, e parece ter se inspirado.

Após o encontro em Cuba, expôs suas próprias teses e não titubeou ao garantir: Osama bin Laden, responsável pelo maior atentado da história dos Estados Unidos, é na verdade um agente da inteligência americana (CIA).

Segundo Fidel, Bin Laden sempre aparecia para assustar o mundo quando o ex-presidente George W. Bush (2001-2009) precisava. O líder cubano deu a entender que sabe disso porque acompanha o WikiLeaks, o site especializado em revelar documentos confidenciais.

"Toda vez que Bush ia meter medo e pronunciar um grande discurso, aparecia Bin Laden com aquela história do que ia fazer e ameaçando. Apoio de Bin Laden nunca faltou a Bush. Parecia um quadro, e quem demonstrou efetivamente que ele era um agente da CIA foi o WikiLeaks", afirmou Fidel, em declarações reproduzidas pelo site Cubadebate.

O escritor lituano aparentemente gostou da teoria de Fidel e lembrou que a última vez que ouviu a voz de Bin Laden foi em 21 de dezembro de 2001. "A partir desta data, ele desapareceu. Foi substituído por um ator ruim, que se veste como ele, mas não se parece com ele", comentou

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Quem ‘entende’ ditaduras deve ler ‘Sussurros’ por Elio Gaspari

Chegou às livrarias "Sussurros — A vida privada na Rússia de Stalin", do historiador inglês Orlando Figes, autor de "A tragédia de um povo", de longe a melhor narrativa da Revolução de 1917 e da implantação do bolchevismo. O título diz tudo, é a história de uma sociedade que viveu aos sussurros. É um livro que serve como advertência para quem "entende" ditaduras. Um pedaço da elite intelectual do século XX "entendeu" o stalinismo, outro, menor, "entendeu" o maoísmo. Ainda hoje ainda há quem "entenda" o castrismo e o regime iraniano.

Figes é um historiador do calibre de Simon Sebag Montefiore ("A corte do czar vermelho"). Tira seus livros de documentação recentemente descoberta e traz de volta para a História personagens que, à época, não valiam um sussurro. (Se ele não tivesse se metido na baixaria de derrubar o trabalho de outros autores com mensagens anônimas na internet, seria possível dizer que tem a elegância de Montefiore, mas ela lhe falta.)

"Sussurros" é um mergulho no cotidiano de um regime totalitário. Suas primeiras páginas dizem tudo. Contam a história de Antonina Golovina. Aos oito anos ela foi mandada com a família para a Sibéria. De volta, entrou para a Juventude Comunista e trabalhou durante 40 anos no Instituto de Fisiologia de Leningrado.

Casou-se duas vezes e não contou seu passado aos maridos, muito menos à filha. Um deles também não lhe contou que seus pais haviam sido presos. O outro só nos anos 90 revelou-lhe que passara pelo Gulag.

Eles foram pedaços de um país onde uma pessoa em cada 1,5 família foi perseguida. Golovina pertenceu ao Partido Comunista até 1991, quando ele foi dissolvido. São essas tensões que fazem de "Sussurros" um grande livro.

Sua descrição da metamorfose de uma revolução coletivista num regime totalitário a partir da supressão das individualidades e da doutrinação da juventude conduz o leitor de tal forma que, a cada volta do parafuso, ele é até capaz de "entender" o que sucedia.

A primeira ekipekonômica do bolchevismo morava num conjunto residencial, com banheiros, cozinhas e refeitórios comunitários. Figes publica uma comovente carta com a história infantil do gato Shammi, escrita para a filha pelo economista Nikolai Kondratiev, autor da teoria dos ciclos que leva seu nome.

Estrela da equipe de Lenin, ele estava preso e, quase cego, foi fuzilado em 1938. O historiador manuseia habilmente narrativas e explicações: "O terror foi a inspiração e não a consequência do Plano Quinquenal" (era o festejado projeto de industrialização acelerada de Stalin).

"Sussurros" detém-se na trajetória do jornalista e escritor Constantin Simonov ("Os vivos e os mortos"), um Herói do Trabalho Socialista. Simonov foi uma das grandes estrelas do jornalismo de sua época. O aparelho que o exaltava não conseguia trabalhar direito com outro repórter, Vassily Grossman, cuja esplêndida biografia ("Um escritor na guerra") foi editada no Brasil.

Infelizmente, até hoje nenhum editor nativo interessou-se pelo seu romance "Vida e destino". Mikhail Suslov, o ideólogo da URSS pós-stalinista, disse que ele não poderia ser publicado em menos de duzentos ou trezentos anos. É uma joia da literatura da Segunda Guerra.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O velho agoniza e o novo custa a nascer, por Leonardo BOFF


Entre os muitos problemas atuais, três comparecem como os mais desafiadores: a grave crise social mundial, as mudanças climáticas e a insustentabilidade do sistema-Terra.

A crise social mundial deriva diretamente do modo de produção que ainda impera em todo o mundo, o capitalista. Sua dinâmica leva a uma exacerbada acumulação de riqueza em poucas mãos à custa de uma espantosa pilhagem da natureza e do empobrecimento das grandes maiorias dos povos. Ela é crescente e os gritos caninos dos famélicos e considerados “óleo queimado” não podem mas ser silenciados.

Este sistema deve ser denunciado como inumano, cruel, sem piedade e hostil à vida. Ele tem uma tendência suicida e se não for superado historicamente, poderá levar o sistema-vida a um grande impasse e até ao extermínio da espécie humana.

O segundo grave problema é constituido pelas mudanças climáticas que se revelam por eventos extremos: grandes frios de um lado e prolongadas estiagens de outro. Estas mudanças sinalizam um dado irreversível: a Terra perdeu seu equilíbrio e está buscando um ponto de estabilidade que se alcançará subindo sua temperatura. Até dois graus Celsius de aumento, o sistema-Terra é ainda administrável. Se não fizermos o suficiente e o clima atingir até 4 graus Celsius (conforme advertem sérios centros de pesquisa), então a vida assim como a conhecemos não será mais possível. Haverá uma paisagem sinistra: uma Terra devastada e coberta de cadáveres.

Nunca a humanidade, como um todo, se confrontou com semelhante alternativa: ou mudar radicalmente ou aceitar a nossa destruição e a devastação da diversidade da vida. A Terra continuará, entregue às bactéria, mas sem nós.

Importa entender que o problema não é a Terra. É nossa relação agressiva e não cooperativa para com seus ritmos e dinâmicas. Talvez ao buscar um novo ponto de equilíbrio, ela se verá forçada a reduzir a biosfera, implicando na eliminação de muitos seres vivos, não excluindo seres humanos.

O terceiro problema é a insustentabilidade do sistema-Terra. Hoje sabemos empiricamente que a Terra é um superorganismo vivo que harmoniza com sutileza e inteligência todos os elementos necessários para a vida a fim de continuamente produzir ou reproduzir vidas e garantir tudo o que elas precisam para subsistir.

Ocorre que a excessiva exploração de seus recursos naturais, muitos renováveis e outros não, fez com que ela não conseguisse, com seus próprios mecanismos internos, se autoreproduzir e autoregular. A humanidade consome atualmente 30% mais do que aquilo que a Terra pode repor. Desta forma ela não se torna mais sustentável. Há crescentes perdas de solos, de ar, de águas, de florestas, de espécies vivas e da própria fertilidade humana. Quando estas perdas vão parar? E se não pararem qual será o nosso futuro?

Tudo isso nos obriga a uma mudança de paradigma civilizacional. Mudança de civilização implica fundamentalmente um novo começo, uma nova relação de sinergia e de mútua pertença entre a Terra e a humanidade, a vivência de valores ligados ao capital espiritual como o cuidado, o respeito, a colaboração, a solidariedade, a compaixão, a convivência pacífica e uma abertura às dimensões transcendentes que dizem respeito ao sentido terminal nosso e do universo inteiro.

Sem uma espiritualidade, vale dizer, sem uma nova experiência radical do Ser e sem um mergulho na Fonte originária de todos os seres de onde nasce um novo horizonte de esperança, certamente não conseguiremos fazer uma travessia feliz.

Enfrentamos um problema: o velho ainda persiste e o novo custa a nascer, para usar uma expressão de Antonio Gramsci.

Vivemos tempos urgentes. São as urgências que nos fazem pensar e são os perigos que nos obrigam a criar arcas de Noé salvadoras. Estamos inconformados com a atual situação da Terra. Mesmo assim cremos que está ao nosso alcance construir um mundo do "bem viver" em harmonia com todos os seres e com as energias da natureza e principalmente em cooperação com todos os seres humanos e numa profunda reverência para com a Mãe Terra.

Leonardo Boff é autor de Proteger a Terra e Cuidar da vida: como evitar o fim do mundo, a sair pela Record 2010

Ponto final

Sarney, -(alias, de seu verdadeiro nome, José Ribamar) na “Folha”, celebra, com razão, a descoberta de gás no Maranhão e fala do esforço de sua geração para tirar o estado da pobreza.
Só não explica por que, 50 anos depois, os maranhenses ainda colecionam os piores indicadores sociais do país. Com todo o respeito.

Prata em Paris
George Prata, chefe do cerimonial do Itamaraty, deve ser o próximo embaixador em Paris.

sábado, 21 de agosto de 2010

Brincando de casinha, por Sandro VAIA

“Querem infantilizar os brasileiros com essa história de pai e mãe”. Essa foi a frase politicamente mais significativa e importante que a candidata Marina Silva pronunciou em toda a campanha eleitoral.Mais importante que todas as suas quilométricas panacéias sobre sustentabilidade.

Na véspera,o presidente Lula,num discurso em Pernambuco,decretou que “a palavra não é governar; a palavra é cuidar.Eu quero ganhar as eleições para cuidar de meu povo como uma mãe cuida de seu filho”

A declaração de Marina,feita durante o debate UOL-Folha, colocou as coisas em seus devidos lugares: estamos numa das campanhas políticas mais despolitizadas da história recente do País e devemos isso aos candidatos principais,seus partidos e aos construtores de suas estratégias eleitorais-que ouvem o galo cantar há dezenas de anos e não sabem onde.

Na semana passada,quando escrevi neste espaço sobre a predominância do emocional sobre o racional nas campanhas políticas, baseado nas experiências neurológicas de cientistas norte-americanos descritas no livro “O Cérebro Político”, não estava me referindo aos tangos chorosos de Libertad Lamarque, mas a narrativas políticas construídas sobre bases emocionais, na reafirmação de crenças e valores básicos que diferenciam candidatos e partidos políticos.

Um vídeo postado esta semana no blog de Augusto Nunes mostrando um debate entre Mário Covas e Paulo Maluf na campanha eleitoral de 1998 para o governo de São Paulo é um exemplo do que se entende por uso legítimo e correto do fator emocional no discurso político.

Cansado de ser submetido à tediosa enumeração de realizações supostas ou não, medidas em números verdadeiros ou forjados, de total irrelevância e absolutamente intraduzíveis para o eleitor comum, Covas deixou de lado por alguns momentos aquilo que se convencionou chamar de “programa de governo” (que de resto cada candidato pode copiar do outro ou pode inventar ou maquiar à vontade) e partiu para um duelo de fundamentos que se resumia a isto: mostrar a diferença que havia entre ele e Maluf em história de vida,crenças,princípios.

Em suma,ele mostrou que era Covas e que o outro era Maluf. No segundo turno, a diferença entre ambos, que era de 1.5milhão de votos a favor de Maluf, passou para quase 2 milhões a favor de Covas.E ele não venceu porque prometeu mais 14 unidades de saúde ou 73 km de estradas ou redução de 0,3% no ICMS dos liquidificadores, mas porque mostrou a diferença substancial que existia entre ele e seu adversário.

Os marqueteiros políticos têm horror ao confronto e às verdades.Os “soi disant” analistas políticos, a maioria deles de rabo preso com algum dos interesses em jogo, se horrorizam com “a agressividade” de alguém que se dispõe a questionar o adversário,como se os candidatos estivessem em cena apenas para interpretar um “pas de deux” de cordialidade forjada e hipócrita substituindo o verdadeiro confronto das idéias que constituem a substância política de cada um.


Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

SP: político Hélio Bicudo é internado


HÉLIO BICUDO FOI UM DOS FUNDADORES DO PT
O advogado e político Hélio Bicudo foi internado nesta sexta (20) no hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. Porém, a família do político, não autorizou a divulgação do boletim médico. Bicudo foi um dos fundadores do PT e deputado federal pelo partido. Além disso, ele foi vice-prefeito de SP na gestão Marta Suplicy. Presidente fundador da Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos, Bicudo é considerado um dos maiores defensores desses direitos no Brasil. Em 2005, ele deixou o PT, e neste ano, declarou apoio à candidatura de Marina Silva (PV) à Presidência.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

CAMPANHA ELEITORAL ....sera o Benedito?

Pergunta do trouxa- Quem tem garrafa pra vender??!!!


Comentario meu---Campanha Eleitoral?! Parece coisa de Lavadeira--perdão lavadeiras do Brasil!

China fará investimento bilionário para carros elétricos

O governo chinês, determinado a se tornar líder em tecnologia verde, anunciou que pretende investir até US$ 15 bilhões nos próximos anos no desenvolvimento de carros elétricos e híbridos, informou nesta quinta-feira o "New York Times".

Um grupo de 16 empresas estatais já concordou em formar uma aliança para pesquisar, desenvolver e criar padrões para os novos veículos.

A aliança foi batizada de União Automotiva Nova Energia e foi anunciada na noite de quarta-feira pela Comissão de Administração e Supervisão de Ativos da China. O órgão, que supervisiona as 125 maiores estatais chinesas, forneceu poucos detalhes sobre o plano.

Oficialmente, serão canalizados US$ 200 milhões para o projeto. A imprensa local, porém, disse que a medida faz parte de um programa mais amplo para reestruturar o parque industrial do país que consumiria cerca de US$ 15 bilhões.

Além de companhias estatais, petrolíferas, empresas de energia e do setor de aviação e grupos militares estarão envolvidos no projeto.

Comentario meu--a China detêm, hoje, 99% dos segredos e tecnicas industriais do resto do Mundo.Antecipou, com contratos firmados por 20 anos, compras de Materias Primas e terras, (principalmente nos BRIC) alhures....
Comercialmente ensinaram o Mundo ha séculos.....O sacrificio de uma geração, na perseguição da meta "consumista" ocidental mostra, ja, suas consequências....
Nos estamos preparados para mais 1.400.000.000--(um bilhão, quatrocentos milhões) de consumidores desvairados e insanos, imitadores do Ocidente? E a Terra suporta?
Sinuca de bico é isso--se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come.Think about.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010



Lula: 'quero ganhar as eleições'

Faltando somente cinco meses para deixar o poder, o presidente Lula afirmou nesta terça (17) que ele e os demais nordestinos querem continuar governando o País. "O Obama disse que nós podemos. Eu digo para vocês: "Nós não apenas podemos, como gostamos, como queremos continuar governando este País para melhorar o Nordeste e o Brasil". A declaração foi feita durante discurso de improviso no canteiro de obras da ferrovia Transnordestina em Salgueiro, no interior de Pernambuco. Sem citar o nome da candidata Dilma Rousseff (PT), Lula deixou claro que quer ganhar as eleições. "Um presidente da República não tem que inventar. Ele tem que cuidar do povo. Eu quero ganhar as eleições para cuidar do meu povo, como a mãe cuida do seu filho", afirmou.
NB-obrigado Millôr.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Procurador pede investigação (e, digo eu, perde o emprego...)


....sobre Roseana Sarney e o Banco Santos

ROSEANA SARNEY
O procurador da República Silvio Luis Martins de Oliveira, do Ministério Público Federal em São Paulo, pediu nesta segunda (16) para a Procuradoria-Geral apurar as denúncias de suposta lavagem de dinheiro cometida pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Segundo informações do Estado de SP, documentos do Banco Santos indicam que Roseana simulou empréstimo para lavar dinheiro. Os documentos mostram que o valor de R$ 4,5 milhões concedido pelo Banco Santos a Roseana Sarney e seu marido, Jorge Murad, foi regularizado no Brasil poucos dias antes da intervenção judicial na instituição bancária, em 12 de novembro de 2004.

NB-Roseana é filha do "carrapato de poder" e ex-presidente (por acaso)da Republica, atual presidente do Senado. O seu estado, Maranhão, onde "domina" ha mais de 40 anos, é um dos mais atrasados do Pais.Em todos os aspectos.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A era das mãos entrelaçadas; por Leonardo Boff

Meus artigos sobre a situação ecológica da Terra poderão ter suscitado nos leitores e nas leitoras não poucas angústias. E é bom que assim seja, pois são as angústias que nos tiram da inércia, nos fazem pensar, ler, conversar, discutir e buscar novos caminhos. A tranquilidade em tempos sosmbrios como os nossos se afigura como uma irresponsabilidade. Cada um e todos devemos agir rápido e juntos porque tudo é urgente. Temos que nos mobilizar para definir um novo rumo à nossa vida neste Planeta, caso quisermos continuar habitando nele.

Os tempos de abundância e comodidade pertencem ao passado. O que está ocorrendo não é uma simples crise, mas uma irreversibilidade. A Terra mudou de modo que não tem mais retorno e nós temos que mudar com ela. Começou o tempo da consciência da finitude de todas as coisas, também daquilo que nos parecia mais perene: a persistência da vitaiidade da Terra, o equilíbrio da biosfera e a imortalidade da espécie humana. Todas estas realidades estão experimentando um processo de caos. No início ele se apresenta destrutivo, deixando cair tudo que é acidental e meramente agregado, mas em seguida, se revela criativo, dando forma nova ao que é perene e essencial para a vida.Até agora vivíamos sob a era do punho cerrado para dominar, subjugar e destruir. Agora começa a era da mão estendida e aberta para se entrelaçar com outras mãos e, na colaboração e na solidariedade, construir "o bem viver comunitário" e o bem comum da Terra e da humanidade. Adeus ao inveterado individualismo e bem-vinda a cooperação de todos com todos.

Como os astrofísicos e os cosmólogos nos asseguram, o universo está ainda em gênese, em processo de expansão e de auto-criação. Há uma Energia de Fundo que subjaz a todos os eventos, sustenta cada ser e ordena todas as energias para frente e para cima rumo a formas cada vez mais complexas e conscientes. Nós somos uma emergência criativa dela.

Ela está sempre em ação mas se mostra especialmente ativa em momentos de crise sistêmica quando se acumulam as forças para provocar rupturas e possibilitar saltos de qualidade. É então que ocorrem as "emergências": algo novo, ainda não existente mas contido nas virtualidades do Universo.

Estimo que estamos às portas de uma destas "emergências": a noosfera (mentes e corações unidos), a fase planetária da consciência e a unificação da espécie humana, reunida na mesma Casa Comum, o planeta Terra.

Então, nos identificaremos como irmãos e irmãs que se sentam juntos à mesa, para conviver, comer, beber e desfrutar dos frutos da Mãe Terra, depois de haver trabalhado de forma cooperativa e respeitando a natureza. Confirmaremos assim o que disse o filósofo do Princípio Esperança, Ernst Bloch:"o gênesis não está no começo mas no fim".

Faço minhas as palavras do pai da ecologia norte-americana, o antropólogo das culturas e teólogo Thomas Berry: "Não nos faltarão nunca as energias necessárias para forjar o futuro. Vivemos, na verdade, imersos num oceano de Energia, maior do que podemos imaginar. Esta Energia nos pertence, não pela via da dominação mas pela via da invocação".

Temos que invocar esta Energia de Fundo. Ela sempre está ai, disponível. Basta abrir-se a ela com a disposição de acolhê-la e de fazer as transformaçõs que ela inspira.

Pelo fato de ser uma Energia benfazeja e criadora, ela nos permite proclamar com o poeta Thiago de Mello, no meio dos impasses e das ameaças que pesam sobre nosso futuro: "Faz escuro, mas eu canto". Sim, cantaremos o advento desta "emergência"nova para a Terra e para a humanidade.

Porque amamos as estrelas, não temos medo da noite escura. Elas são inalcançáveis mas nos orientam. Lá nas estrelas se encontra nossa origem, pois somos feitos do pó delas. Elas nos guiarão e nos farão novamente brilhar. Porque é para isso que emergimos neste Planeta: para brilhar. Esse é o propósito do universo e o desígnio do Criador.

Leonardo Boff é autor de Meditação da luz: o caminho da simplicidade, Vozes (2010)

Entre elogios e críticas ao Brasil, iraniana Nobel da Paz pede pressão internacional para salvar Sakineh


Graça Magalhães-Ruether n'o Globo
BERLIM - Prêmio Nobel da Paz em 2003, a advogada iraniana Shirin Ebadi, de 63 anos, acha que o presidente Lula ainda não sabe bem que posição adotar em relação ao Irã. Afinal, lembra ela, de um lado, ele apoia as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra Teerã; de outro, toma a iniciativa unilateral de negociar com o país. Ela critica Lula também num episódio ligado ao sindicalista iraniano Mansour Ossanla, que está preso. Como considerava o presidente brasileiro um defensor dos sindicalistas, Shirin pediu que Lula, em sua última viagem ao Irã, visitasse a família de Ossanla, mas o apelo não foi atendido. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, Shirin elogiou, porém, a tentativa brasileira de pressionar o Irã no caso de Sakineh Ashtiani, iraniana condenada à morte por apedrejamento. O aumento da pressão internacional poderia influenciar na anulação da pena de morte, opina a advogada, que desde as eleições presidenciais do Irã em 2009 vive na Europa, pois teme ser presa se voltar ao seu país. "A situação dos direitos humanos piorou muito", afirma, lembrando que a situação da mulher é insuportável desde a revolução islâmica. Embora 65% dos estudantes nas universidades sejam mulheres, as leis do país estabelecem que "a vida de uma mulher vale apenas a metade da de um homem". O caso de Sakineh traz lembranças amargas para Shirin. Pouco depois da revolução, ela defendeu uma acusada de adultério. E de nada valeram os protestos que organizou contra a execução. A mulher foi morta por apedrejamento.

O GLOBO: Como a senhora viu a negociação do Brasil com o Irã na questão atômica?

SHIRIN EBADI: Para mim, o presidente Lula ainda não sabe direito que posição quer adotar em relação ao Irã. De um lado, diz-se comprometido a seguir as decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas. De outro, toma a iniciativa unilateral de ir a Teerã negociar com o Irã.

Já defendi uma mulher em situação semelhante à de Sakineh Ashtiani, uma mulher que foi condenada à morte por apedrejamento. Ela vivia em Teerã, era muito infeliz no casamento e um dia encontrou um ex-namorado, com quem teve uma relação extraconjulgal
O GLOBO: O Brasil ofereceu asilo político a Sakineh Ashtiani, mas o embaixador do Irã em Brasília negou a existência oficial dessa oferta. Na sua opinião, a confusão é um mal-entendido diplomático ou uma jogada política do Irã?

SHIRIN: Trata-se de algo entre dois estados. Não quero atuar como juíza nesse caso nem comentar. Mas vejo como positiva a tentativa brasileira de interferir a favor da condenada à morte. O mundo inteiro deve tentar intervir para que Sakineh Ashtiani não seja executada. Pela minha experiência, eu diria que, se a pressão internacional aumentar, há a chance de ela sobreviver, de a sentença de morte ser anulada. No passado, o regime iraniano já mudou de posição claramente reagindo à pressão de fora.

O GLOBO: No seu trabalho em Teerã, já foi advogada de defesa de mulheres condenadas ao apedrejamento?

SHIRIN: Já defendi uma mulher em situação semelhante à de Sakineh Ashtiani, uma mulher que foi condenada à morte por apedrejamento. Ela vivia em Teerã, era muito infeliz no casamento e um dia encontrou um ex-namorado, com quem teve uma relação extraconjulgal. Infelizmente, toda a campanha de protestos que fizemos contra a sentença não teve resultado, a mulher foi morta por apedrejamento. Foi pouco depois da revolução islâmica, e nessa época a opinião pública internacional não reagia muito aos crimes contra os direitos humanos praticados no Irã. Havia ainda a guerra fria entre o bloco leste e o Ocidente e ninguém prestava muita atenção ao que acontecia no Irã.

O GLOBO: Quais são, atualmente, os maiores problemas para as mulheres no Irã?

SHIRIN: O Irã é um país onde 65% dos estudantes nas universidades são mulheres. As mulheres são bem representadas na administração, em diferentes profissões, também nos altos escalões. Há muitas mulheres entre os professores das universidades iranianas, há muitas mulheres que trabalham como advogadas, médicas ou engenheiras. Apesar do alto nível de educação da mulher iraniana, depois da revolução foram introduzidas muitas leis que discriminam as mulheres. A vida de uma mulher vale para a lei apenas a metade do valor que tem a vida de um homem. Isso significa que se um homem e uma mulher são vítimas de uma agressão na rua, e ficam com o mesmo grau de ferimentos, a mulher recebe apenas a metade da indenização que é paga à vítima masculina. Num processo judiciário, o testemunho de um homem tem o valor do testemunho de duas mulheres. De acordo com a lei, um homem tem o direito de ter quatro esposas ao mesmo tempo. As mulheres iranianas fazem tudo o que podem contra essas leis discriminatórias. Há anos lutamos contra essa discriminação ordenada pelo Estado. Muitas das mulheres que participaram dessa luta foram presas, condenadas pela prática de atividades contra a segurança nacional. Num desses processos, onde era advogada de defesa, indaguei com ironia ao promotor: "Então, se uma mulher é contra o seu marido ter outra esposa, os americanos vão atacar o Irã". O promotor não respondeu, mas a mulher foi condenada a três anos de prisão.

O GLOBO: Desde as eleições presidenciais do Irã ano passado, a senhora vive na Europa porque tem medo de voltar ao seu país. A situação piorou muito desde a reeleição da Mahmoud Ahmadinejad?

SHIRIN: A situação quanto aos direitos humanos piorou muito.

domingo, 15 de agosto de 2010

Sócios do desastre

..................leia mais no link.........................
— O projeto Avança Brasil, do governo Fernando Henrique, avançou pouco, e os projetos do PAC, do governo Lula, para o setor ferroviário não serão executadas durante o seu mandato — disse o diretor-executivo da ANTF, Rodrigo Vilaça.

Os números comprovam o que disse Vilaça: em 1996, a malha ferroviária do país era de 28 mil quilômetros. Em 2010, era de 29 mil quilômetros. O governo Federal financiou, em média, uma expansão de 70 quilômetros de trilhos por ano. Nem mesmo os impostos recolhidos com a concessão das ferrovias foram usados para aumento da malha.

— Uma boa pergunta a ser feita é: por que os R$ 11 bilhões pagos pelas concessionárias não se transformaram em aumento da malha ferroviária? Para construir mil quilômetros de trilhos, gasta-se, em média, R$ 1 bilhão. Com esse dinheiro, poderíamos ter mais 11 mil quilômetros de trilhos — questionou Vilaça.

Para os próximos cinco anos, estão programados investimentos de R$ 57 bilhões no setor. Só que R$ 40 bilhões serão usados em um único projeto: o trem-bala. Com essa distorção de prioridades, a malha ferroviária deve chegar a 40 mil quilômetros somente em 2020. Segundo Vilaça, a economia brasileira hoje demanda 52 mil quilômetros de trilhos. Ou seja, pelo projeto do governo Lula, daqui a 10 anos, teremos 40 mil.

Nos portos, o governo Lula acordou somente no final de 2007, com o lançamento do Programa Nacional de Dragagem. Mas os gargalos continuam. Ontem, a informação no Porto de Santos era de que 106 navios aguardavam para atracar. Em Paranaguá, no Paraná, 76 esperavam. A capacidade máxima do porto, de 16 navios, já havia sido atingida. O período médio de espera para o embarque de um navio carregado de açúcar é de 20 dias. O embarque de grãos precisa ser suspenso sempre que chove. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Mantele, isso acontece porque o porto não possui área coberta.

O governo investe pouco, regula mal, não usa o dinheiro arrecadado nas áreas específicas. Não só o atual governo, o anterior também. Os números fantasiosos da candidata do PT não escondem os fatos; a estratégia de ataque do candidato do PSDB não esconde as falhas do governo tucano. Tanto PSDB quanto PT negligenciaram os investimentos em infraestrutura no país. Como resultado disso, o país já teve apagão de energia, tem estado sempre a um passo do apagão logístico e tem indicadores indigentes de saneamento básico. Quem governou ou governa o Brasil deveria propor soluções, em vez de ficar nessa briga sobre quem errou mais. Ambos erraram

sábado, 14 de agosto de 2010

Vinhos de outras pipas

Dora Kramer//Publicado em 13/08/2010-

Obrigados pela lei a fabricar omissões onde a honestidade com o público requereria nitidez, os analistas da cena política são forçados a mentir no rádio e na televisão em suas análises sobre o desempenho dos candidatos presidenciais nesta temporada de debates e entrevistas. De onde se produz, por exemplo, a obra de ficção segundo a qual Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva tiveram atuações “equivalentes” e que são mais ou menos iguais.

Só na cabeça de ervilha dos parlamentares inspiradores dessa legislação passa a ideia de que a opinião de comentaristas possa criar desigualdade a ponto de distorcer a vontade do eleitor. Por muito mais – o uso desbragado da máquina pública – o presidente da República investe diariamente no desequilíbrio do jogo.

Até pelo tempo de estrada, se José Serra se apresentasse no mesmo patamar das adversárias seria uma demonstração de incompetência com certidão passada em cartório do céu.

Serra já disputou várias eleições majoritárias (presidente, prefeito, governador e senador) e passou algumas dezenas de anos fazendo as coisas de modo a um dia concretizar o projeto de ser presidente.

Suas oponentes entraram nessa vida de exposição, cobranças e assédio praticamente anteontem, sendo que Dilma nunca pediu um voto e Marina se elegeu senadora por um estado diminuto, o Acre.

Por essas e algumas outras a exigência do eleitor/telespectador em relação ao tucano é muito mais rigorosa.

A superioridade de Serra no assunto em pauta, o exercício da Presidência da República, é obvia e irrefutável. Tanto isso é verdade que os correligionários de Dilma comemoraram o fato de ela não ter tido uma atuação desastrosa. A candidata do PT leva vantagem neste aspecto: se não é péssima, fica convencionado que foi ótima.

Marina fica em certa desvantagem, pois a expectativa de que faça algo exótico e altamente estimulante do ponto de vista eleitoral é muito alta. No primeiro debate de televisão, por exemplo, a candidata do PV teve uma participação, digamos, normal.

Foi o suficiente para ser considerada a grande perdedora. Plínio de Arruda Sampaio, de quem não se esperava coisa alguma, conseguiu “vencer” e, de acordo com a tolice da estação, “bombar no Twitter”, mesmo dizendo ligeirezas radicais. Alguém já pensou o que seria feito de Serra ou de Dilma se à meia-noite um dos dois olhasse fixo para a câmera e falasse olho no olho para “você camponês que está me ouvindo”?

Pois é, a avaliação do desempenho dos candidatos no debate da Band, nas entrevistas do Jornal Nacional/Jornal das Dez (Globonews), depende da perspectiva e da expectativa do público.

O PT já está fazendo um carnaval por aí, alegando que a dupla de entrevistadores do JN favoreceu José Serra. Não se vê, entretanto, provas disso. Qual o assunto que poderia ser abordado e não foi? Qual a pergunta que poderia ter sido feita e não foi?

A temática economia e Banco Central – um tanto elaborada para o público em questão – foi abordada mais tarde no noticiário da TV paga e Serra tirou de letra, ao contrário de ocasiões outras em que saiu de si e caiu na besteira de se irritar quando cobrado sobre o assunto.

A questão é que a prática tornou Serra afiado no treino e o plano de vida o fez acumular passivo menos polêmico. Não há – ao menos à vista – constrangimentos sérios com os quais possa ser confrontado.

Dilma, além de precisar responder pelos crimes dos outros ainda tem de ouvir se está preparada para ser presidente. A mesma pergunta para o tucano não faz o menor sentido, a não ser como forma de levantar uma bola para favorecê-lo.

Já foi dito aqui, mas convém repetir: qualidade de conteúdo e vitória eleitoral não são fatores que andam necessariamente juntos. Nem separados. Já tivemos excelentes governantes bem votados, preparadíssimos candidatos perdedores e fraudes evidentes celebradas pelo eleitor, que nem sempre tem compromisso com a lógica

A luta contra à miséria continua.......

Afronta na Bahia
Vice de Jaques Wagner (PT) na Bahia, Otto Alencar se aposentou com R$ 25 mil mensais, após cinco anos no Tribunal de Contas do Estado. “É uma afronta”, reagiu o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), que se inspirou no caso para propor projeto de lei “coibindo a imoralidade”.

Honorável baderna
Um novo lançamento do livro “Honoráveis bandidos”, de Palmério Dória, com o senador José Sarney na capa, acabou em pancadaria, tiros e bombas, outra vez, no Maranhão. Desta vez em Imperatriz.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Almas perdidas, a trôco do efêmero Poder

Supremo volta a julgar mensalão do PT
O Supremo Tribunal Federal volta a analisar nesta quinta (12) o processo do mensalão petista, esquema de pagamento a deputados da base aliada do governo que estourou em 2005. O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, interrompeu licença médica nesta semana para retomar parte dos trabalhos parados. Entre os reús no processo, estão os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Comunicação) e Anderson Adauto (Transportes). Além deles, figuram os deputados federais João Paulo Cunha (PT-SP), José Genoino (PT-SP) e Roberto Jefferson (PTB-RJ), que na época denunciou a distribuição de dinheiro para colegas na Câmara. Em 2007, os ministros acataram denúncia oferecida pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra 40 suspeitos de participarem da suposta compra de apoio de congressistas

Haja "boquinha"....a Nação paga....

Ibope salarial
O extraordinário interesse por notícias de Moçambique deve justificar a designação de um assessor do ministro da Propaganda, Franklin Martins, como correspondente da TV Brasil. Na pobre Maputo, Eduardo Castro será um ricaço: R$ 46 mil por mês, R$ 1,1 milhão pelo contrato.

Entretanto, cela va sans dire....

Obra de igreja
Lula não esconde mais sua contrariedade com o atraso nas obras do Palácio do Planalto.
Era para a reforma ter acabado em abril. Depois, em agosto. O que não aconteceu.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

--FRASE DO DIA--

"O presidente Lula, a meu modo de ver, é o melhor presidente que o Brasil já teve".
Fernando Collor, candidato do PTB ao governo de Alagoas com o apoio de Lula

Comentario meu--....e salve-se quem puder!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Por que persiste a Igreja-poder?

Vou abordar um tema incômodo mas incontornável: como pode a instituição-Igreja, como a descrevi num artigo anterior, com características autoritárias, absolutistas e excludentes se perpetuar na história? A ideologia dominante responde: “só porque é divina”. Na verdade, este exercício de poder não tem nada de divino. Era o que Jesus exatamente não queria. Ele queria a hierodulia (sagrado serviço) e não a hierarquia (sagrado poder). Mas esta se impôs através dos tempos.

Instituições autoritárias possuem uma mesma lógica de autoreprodução. Não é diferente com a Igreja-instituição. Em primeiro lugar, ela se julga a única verdadeira e tira o título de “igreja” a todas as demais. Em seguida cria-se um rigoroso enquadramento: um pensamento único, uma única dogmática, um único catecismo, um único direito canônico, uma única forma de liturgia. Não se tolera a crítica nem a criatividade, vistas como negação ou denunciadas como criadoras de uma Igreja paralela ou de um outro magistério.

Em segundo lugar, se usa a violência simbólica do controle, da repressão e da punição, não raro à custa dos direitos humanos. Facilmente o questionador é marginalizado, nega-se-lhe o direito de pregar, de escrever e de atuar na comunidade. O então Card. Joseph Ratzinger, Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, em seu mandato, puniu mais de cem teólogos. Nesta mesma lógica, pecados e crimes dos sacerdotes pedófilos ou outros delitos, como os financeiros, são mantidos ocultos para não prejudicar o bom nome da Igreja, sem o menor sentido de justiça para com as vítimas inocentes.

Em terceiro lugar, mitificam-se e quase idolatram-se as autoridades eclesiásticas principalmente o Papa que é o “doce Cristo na Terra”. Penso eu lá com meus botões: que doce Cristo representava o Papa Sérgio (904), assassino de seus dois predecessores ou o Papa João XII (955), eleito com a idade de 20 anos, adúltero e morto pelo marido traido ou, pior, o Papa Bento IX (1033), eleito com 15 anos de idade, um dos mais criminosos e indignos da história do papado, chegando a vender a dignidade papal por 1000 liras de prata?

Em quarto lugar, canonizam-se figuras cujas virtudes se enquandram no sistema, como a obediência cega, a contínua exaltação das autoridades e o “sentir com a Igreja (hierarquia)”, bem no estilo fascista segundo o qual “o chefe (o ducce, o Führer) sempre tem razão”.

Em quinto lugar, há pessoas e cristãos com natureza autoritária, que acima de tudo apreciam a ordem, a lei e o princípio de autoridade em detrimento da lógica complexa da vida que tem surpresas e exige tolerância e adaptações. Estes secundam esse tipo de Igreja bem como regimes políticos autoritários e ditatoriais. Aliás, há uma estreita afinidade entre os regimes ditatoriais e a Igreja-poder como se viu com os ditadores Franco, Salazar, Mussolini, Pinochet e outros. Padres conservadores são facilmente feitos bispos e bispos fidelissimos a Roma são promovidos, fomentando a subserviência. Esse bloco histórico-social-religioso se cristalizou e garantiu a continuidade a este tipo de Igreja.

Em sexto lugar, a Igreja-poder sabe do valor dos ritos e símbolos pois reforçam identidades conservadoras, pouco zelando por seus conteúdos, contanto que sejam mantidos inalteráveis e estritamente observados.

Em razão desta rigidez dogmática e canônica, a Igreja-instiuição não é vivida como lar espiritual. Muitos emigram. Dizem sim ao cristianismo e não à Igreja-poder com a qual não se identificam. Dão-se conta das distorções feitas à herança de Jesus que pregou a liberdade e exaltou o amor incondicional.

Não obstante estas patologias, possuimos figuras como o Papa João XXIII, Dom Helder Câmara, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Luiz Flávio Cappio e outros que não reproduzem o estilo autoritário, nem apresentam-se como autoridades eclesiásticas mas como pastores no meio do Povo de Deus. Apesar destas contradições, há um mérito que importa reconhecer: esse tipo autoritário de Igreja nunca deixou de nos legar os evangelhos, mesmo negando-os na prática, e assim permitindo-nos o acesso à mensagem revolucionária do Nazareno. Ela prega a libertação mas geralmente são outros que libertam.

Leonardo Boff é autor de Igreja: carisma e poder, Record 2009

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os bárbaros estão chegando

Brasil, Rússia, Índia e China, os BRICs, somam 15% do comércio mundial e entram no jogo. Mas já há reações em favor de um sistema mais seguro, que preserve o peso das grandes potências,por Andrew Hurrell

O multilateralismo funcionou na maior parte do período pós-1945, porque não era muito multilateral. Centrava-se num grupo central de países desenvolvidos. Excluía o bloco soviético e a ameaça soviética era essencial para sua coesão institucional e para enfrentar o desafio representado pela ascensão econômica do Japão e dos tigres asiáticos.

O Terceiro Mundo tinha um papel marginal. Onde se envolveu, seus interesses eram limitados e predominantemente defensivos (o que se via claramente na participação dos países em desenvolvimento no GATT). Quando ele tentou desafiar a ordem estabelecida, nos anos 70, o desafio foi derrotado.

Tudo isso mudou. O sistema internacional é caracterizado por uma difusão do poder, que inclui potências emergentes e regionais; por uma difusão de preferências com muito mais vozes exigindo serem ouvidas, tanto globalmente quanto internamente, como resultado da globalização e da democratização; e por uma difusão de ideias e valores, com uma retomada das grandes questões da organização social, econômica e política que se supunha já sepultadas com o fim da Guerra Fria e a ascensão do liberalismo.

Há um consenso geral de que os novos poderes regionais e emergentes são atores indispensáveis de qualquer ordem global viável. Mas há pouco acordo quanto à natureza ou aos princípios dessa ordem.

A escala de desafios à governança é gigantesca. Da União Europeia ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o multilateralismo e as instituições formais estão em desordem. E a ascensão de novos poderes traz consigo uma heterogeneidade ainda maior de interesses e valores, assim como fortes demandas por status e reconhecimento - os chamados "positional goods" - a respeito dos quais é praticamente impossível chegar a um acordo estável.

Uma reação já visível é a tentativa de voltar a uma ordem mais centrada nas grandes potências. Segundo essa visão, os Estados Unidos reduziriam o tamanho de suas responsabilidades ao negociar uma nova série de barganhas com as atuais potências emergentes. Esse pensamento é aparente na interminável retórica das "parcerias" e na maior proeminência de agrupamentos informais como o G-20. As cadeiras ao redor da mesa de negociações seriam rearrumadas e a mesa, ampliada.

A ordem global iria envolver um mosaico de agrupamentos diferentes e muito do que o diplomata Richard Haass, assessor do governo George Bush, chamou de "multilateralismo bagunçado". O ministro de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, falou recentemente de uma maneira semelhante, enfatizando a importância das relações com as potências emergentes e argumentando que a influência depende de redes de Estados com padrões fluidos de lealdades, alianças e conexões.

Novas entidades como os BRICs, os BASICs e o IBSA pertencem, por igual, a esse cenário. Elas representam tentativas de se organizar para ter mais influência. Às vezes refletem um desejo de equilíbrio em relação aos Estados Unidos e uma tentativa de deslegitimar as pretensões ocidentais de ditar a ordem global. Às vezes eles são orientados por uma questão mais específica. Mas eles também se marcam por interesses heterogêneos e muitas vezes conflitantes, e oferecem uma base fraca para um programa de ação.

Apesar de a linguagem das novas parcerias estratégicas estar sempre presente, a realidade e a retórica frequentemente divergem - mesmo no caso muito alardeado da relação Estados Unidos-Índia.

O G-20 é supostamente o principal foro para a cooperação econômica internacional, mas ainda é incerto o que isso inclui - seria um centro de redes técnicas para uma governança da economia global? Um diretório dos principais Estados coordenando e apoiando a ação de instituições formais? Ou uma concertação mais antiquada de potências já estabelecidas e em formação, com eficiência sustentada em hierarquia, exclusão e realização? É essa incerteza a respeito da função do G-20, e não a questão sobre o melhor tamanho ou abrangência, a maior fragilidade do agrupamento.

Essas incertezas refletem o caráter complexo, híbrido e contestado da sociedade internacional contemporânea - uma sociedade que enfrenta uma série de desafios westfalianos (especialmente relacionados à transição de poder e ao surgimento de novas potências); mas que enfrenta esses desafios em um contexto marcado por fortes características pós-westfalianas (tanto em termos das condições materiais da globalização como da mudança do caráter da legitimidade política).

Seriam mais factíveis os movimentos em direção a uma ordem mais centrada nas potências? Quase certamente, não. As grandes potências de hoje parecem incapazes ou relutantes a desempenhar seus papéis tradicionais nesse tipo de ordem, ajudando a resolver o problema de outros povos e definindo seus interesses de maneira ampla, para ganhar algum apoio dos Estados mais fracos. Eles também compartilham uma grande relutância a pensar sobre reforma institucional séria e sobre a reconstrução de instituições multilaterais eficientes. Essa não é uma combinação feliz.

Os problemas de legitimidade são particularmente sérios. Os valores que definem direitos humanos e democracia foram manchados pelos excessos da era Bush; os atrativos do "soft power" do capitalismo de livre-mercado foram enfraquecidos pela crise financeira; e as alegações das instituições ocidentais sobre competência técnica e propriedade intelectual foram abaladas.

Por outro lado, as potências emergentes de hoje se sentem tentadas a ver uma política externa escorada em princípios como algo pertencente a uma era de fraqueza ( caso do não-alinhamento na Índia); ou a enfatizar, corretamente, a hipocrisia e seletividade que faz parte dos apelos ocidentais a valores globais (como exemplo, se tratando de direitos humanos na Índia e no Brasil).

Mas legitimidade é indispensável - tanto para o poder nacional como para a ordem global. E é especialmente importante para um país como o Brasil, cuja influência não pode depender de força coercitiva. Essa é uma das razões pelas quais o multilateralismo continua indispensável.

Um desafio final está relacionado à política doméstica. Isso emerge automaticamente no caso dos Estados Unidos. Mas, neste ponto crítico, algo semelhante pode ser dito a respeito das potências emergentes, grandes e complexas. As restrições domésticas da Índia à mudança climática são tão complicadas quando as registradas nos EUA. Isso é novo? Em termos gerais, não.

Pensemos nas tensões que foram geradas pela rápida mudança econômica no decorrer da ascensão dos Estados Unidos, da Alemanha e do Japão. Mas o que é novo, ou pelo menos difícil de evitar, é o grau pelo qual a substância das relações entre as potências necessariamente envolve uma gama de questões oriundas da estrutura profunda da sociedade doméstica.

A politização da política externa no Brasil indubitavelmente reflete questões que são particulares ao país - como as mudanças ideológicas dentro da América do Sul. Mas o que vemos no Brasil faz parte de uma tendência mais geral.

Ricas campanhas.....

Fábio Fabrini, Gustavo Paul e Isabel Braga

Aliados de Dilma Rousseff nos estados arrecadam 63% a mais que seus adversários

No quesito arrecadação, as campanhas a governador aliadas à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (PT), levam franca vantagem sobre as alinhadas ao principal adversário dela, o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

A exemplo do que ocorre na disputa presidencial, os doadores têm enchido os cofres dos políticos próximos ao Palácio do Planalto nas eleições regionais, deixando a oposição, em alguns casos, descapitalizada.

Levantamento do GLOBO sobre as prestações de contas parciais apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que, nos 15 maiores colégios eleitorais do país onde há polarização entre apoiadores da petista e do tucano, a máquina governista amealhou 63,8% mais.

A comparação foi feita entre os candidatos que, dos dois lados, estão mais bem colocados nas pesquisas.

Apoiadores de Dilma levantaram R$ 29,3 milhões até agora, ante R$ 17,9 milhões dos adversários.

Para o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília (UnB), os números expressam uma característica da política brasileira: quem tem a máquina nas mãos, controlando contratos e a destinação de verbas públicas, tem mais facilidade de angariar apoios e recursos.

— Ninguém quer ficar com a oposição. Isso é um indício claro e irrefutável da capacidade de cooptação que o governo federal tem — afirma o especialista.

Para Nogueira, essa lógica é nociva ao jogo político, pois evidencia que a democracia brasileira ainda está em processo de consolidação:

— É ruim. Se verificarmos nas democracias mais avançadas, esse fenômeno não existe.

Nos 15 colégios eleitorais, a campanha mais rica é a do senador Osmar Dias (PDT) ao governo do Paraná, que declarou receitas de R$ 9,7 milhões, contra R$ 2 milhões do adversário Beto Richa (PSDB).

Não por acaso, o palanque do pedetista foi disputado por Dilma e Serra até quase o início do período eleitoral. A folga no caixa não se reproduz no desempenho eleitoral. A mais recente pesquisa Ibope/RPC aponta que o tucano tem 46% das intenções de voto, contra 33% de Dias.

No Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB) bate Fernando Gabeira (PV), que apoia Serra e Marina Silva (PV), por R$ 4,6 milhões a R$ 100 mil.

No Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) conseguiu R$ 1,3 milhão, mais que Yeda Crusius (PSDB) e José Fogaça (PMDB), seus principais adversários, juntos (R$ 852 mil).

No Nordeste, a maioria das campanhas que servem de palanque para Dilma — e têm como vantagem as máquinas estaduais — arrecadou mais.

Em Pernambuco, a diferença de Eduardo Campos (PSB) para Jarbas Vasconcelos (PMDB) é de R$ 2,2 milhões para R$ 1,4 milhão.

No Ceará, Cid Gomes (PSB) obteve R$ 1,4 milhão, ante R$ 740 mil de César Cals (PSDB).

No Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), com R$ 645 mil, declarou 21 vezes mais que o pedetista Jackson Lago (R$ 30 mil).

domingo, 8 de agosto de 2010

Brasil perde US$ 27 bi por exportar menos manufaturas

BRASÍLIA - O novo perfil da pauta de exportações brasileira pode custar caro ao país a partir deste ano, mostra reportagem de Vivian Oswald e Martha Beck, publicada na edição deste domingo do GLOBO. Estudo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), revela que o Brasil deve deixar de ganhar este ano cerca de US$ 27 bilhões (aproximadamente R$ 48 bilhões) com a queda nas vendas ao exterior de produtos industrializados, que têm maior valor agregado e independem do vaivém das cotações, como é o caso das matérias-primas.

A fatura bilionária refere-se à diferença entre o que poderia ser exportado até o fim do ano (não fossem o real valorizado, as deficiências estruturais e o custo Brasil) e o que o país embarcou em 2008, um ano antes da crise internacional que atingiu em cheio o setor.

O valor seria suficiente para cobrir 56% do déficit em conta corrente (resultado das transações realizadas pelo país com o exterior) previsto pelo mercado para 2010, de US$ 48 bilhões. A queda do saldo comercial é um dos principais motivos para o rombo nas contas externas, deixando o país mais dependente de capitais de curto prazo.

A participação dos manufaturados vem sofrendo queda progressiva na pauta de exportações brasileira. Em 2000, bens industrializados eram 58,91% de tudo o que se enviava ao exterior, contra 22,79% de produtos básicos. Em 2010, até junho, os produtos de maior valor agregado foram 40,52% do total, contra 43,38% dos básicos.

A última vez que o Brasil exportou mais produtos básicos do que manufaturados foi em 1978. À época, a participação das commodities (matérias-primas, como minério de ferro, soja etc.) na pauta era de 47,2%, contra 40,2% dos manufaturados.

sábado, 7 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

...E la nave va......

Pilantropia
Bilionários dos EUA vão doar 50% de suas fortunas aos americanos. Os bilionários do Brasil tiram 50% dos nosso dinheiro no BNDES.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CAOS AÉREO

Multas não garantem o ressarcimento dos prejudicados
A Anac multou a Gol em R$ 2 milhões, mas a pergunta é: a quem isso ajuda? Até agora, a agência vai arrecadar R$ 15 milhões, o dobro do valor do ano passado. Mas a questão toda é que a agência reguladora deve evitar que os problemas aconteçam.

Há gente que perdeu compromisso, negócios, tempo, que ficou ali com o voo atrasado. As pessoas ganharam um café, um lanche e, se demorou muito, ficaram num hotel. Elas foram atingidas, mas é a Anac que vai embolsar R$ 2 milhões. Não entendo qual é o motivo de as agências cobrarem multa das empresas, porque vira apenas mais um imposto, não algo que ressarce quem foi, de fato, prejudicado.

A CVM faz isso também. Quando há risco de comportamento inadequado por parte das empresas de capital aberto, quem ganha não é o acionista prejudicado pela manipulação de mercado ou algum vazamento, mas a CVM. No Cade, é a mesma coisa.

A Anac tem que garantir que, num dia de volta das férias, a Gol não faça a maluquice de mudar escalas. Tem que agir preventivamente para evitar que isso aconteça. As multas vão enchendo os cofres das agências, mas não corrigem as distorções nem ressarcem os prejudicados. Ela pode inibir, mas quem ganha, quem está lucrando? A agência. Vira um imposto a mais e não uma forma de evitar que os problemas se repitam.

Sem vontade de governar


Tentando de todas as formas entender por que carambolas o Roriz quer governar Brasília pela 5ª vez, me dei conta que "aposentadoria" é uma palavra que não está presente nos dicionários dos políticos brasileiros. Custo a acreditar que esses senhores nutram um amor assim muito grande pelos municípios e Estados que governam, então só me resta crer que eles querem mesmo poder ou dinheiro eternos (o que é uma conclusão infeliz e totalmente óbvia, admito).

O pior é quando as coisas esquentam, quando estão envolvidos em crimes. E o senhor vai lá e quer de novo concorrer, como se não houvesse amanhã. Mesmo sob "perigo" de impugnação, não adianta. Não há nada no mundo mais interessante para esses senhores do que a política. E eles vão lutar até o fim, geração após geração, aparentemente, mesmo tendo possivelmente outros empregos em vista.

Em artigo publicado há algumas semanas no jornal alemão Die Zeit, o jornalista Dieter Buhl analisa um fenômeno que é o contrário dessa onda: cada vez mais líderes de governo estão entregando seus cargos, indo embora, desistindo, em meio a crises e desentendimentos entre colegas de partido. Mas, mais do que tudo, pela desmotivação de continuar no cargo. Sem vontade de governar, querendo "seguir novos rumos", dar uma "guinada de 360 graus na vida" (sic), dar continuidade a seus projetos pessoais, entrar para a Cabala, etc, esses clichês de prominentes.

Todos esses políticos que pediram demissão em 2009 são do mesmo partido, o CDU, que, não por acaso, é o mesmo da primeira-ministra da Alemanha. Nessa onda de desmotivação e "falta de tesão", está como pivô Angela Merkel e seu estilo frio de governar e com a má fama de deixar empoeirar importantes homens do governo, que, sem seu apoio político ou até "moral", ficam a ver navios. Começando pelo próprio presidente, Horst Köhler, que pediu demissão em maio. Dizem que rolou um diálogo mais ou menos assim:

Köhler: Aqui ó, minha demissão. Tô indo, Angela.

Merkel: (continua assinando papéis)...

Köhler: É sério mesmo! Tô saindo dessa joça...Olha que eu vou mesmo, hein!

Merkel: (continua assinando papéis)...

Köhler: Tô abrindo a porta...já tô com os pés pra fora... Não vais dizer nada?!

Merkel: Hum, claro. Uma pena. Só não esquece de fechar a porta quando sair, beleza?

Outros casos parecidos são os de Friedrich Merz, Günther Oettinger, Roland Koch e Ole von Beust. Eles deixaram os cargos alegando X, Y e Z, mas para a população o que ficou mesmo foi um grande sentimento de frustração. Que tipo de políticos são esses que abandonam o barco quando a parada começa a afundar? Ninguém se impõe mais na política? Basta um gelão da Merkel para causar uma debandada? Parece que sim.

O caso de Roland Koch, primeiro-ministro da região de Hessen, é exemplar. Ele anunciou em maio sua saída para o próximo dia 31 de agosto. Seu argumento foi "a política não é minha vida". "O que mais seria nos seus 52 anos de vida?", se pergunta o jornalista Dieter Buhl no artigo intitulado "República dos dissidentes". "Se pelo menos ele tivesse sido franco, dito que não tinha mais vontade nem mais chances de ser reeleito, ou que quer finalmente começar a ganhar dinheiro, seria mais honesto", lamenta Buhl.

Ole von Beust, aos 55 anos, prefeito de Hamburgo, também pediu para sair. Resolveu partir para o exílio na paradisíaca ilha de Sylt, ao norte da Alemanha, pois sua missão na política "não fazia mais parte do seu plano de vida". Ora vá!

Repare que em nenhum desses casos houve uma razão forte para o abandono do cargo. Nenhuma doença terminal, nenhum distúrbio de comportamento, nenhum escândalo de corrupção ou pornografia. Mas pode isso? Sim, não há lei que impeça essa atitude, o que inicia um forte debate no país sobre a chamada Null-Bock Mentalität, ou mentalidade da vontade zero.

O que não se aplica somente aos políticos. A mentalidade em questão é também associada a um certo "espírito de época", um "mal do século" versão mini, mas suficiente para trazer à tona uma reflexão sobre a motivação e o interesse dos alemães pelos problemas da nação. Principalmente em um momento em que a migração de alemães atinge recordes: em 2009, mais de 734.000 cidadãos deixaram o país em busca de mais qualidade de vida (?), dinheiro e, enfim, motivação. Considerando que 2/3 dessas pessoas voltam dentro de no máximo 5 anos, ainda é um número alto, pois os índices de natalidade também diminuem dramaticamente a cada ano na Alemanha (em 2009 foram 30.000 bebês a menos).

Acordem, alemães!

Tamine Maklouf é jornalista e ilustradora nas horas vagas. Mora na Alemanha desde agosto de 2009, onde se encontra na “ponte terrestre” Dresden-Berlim. De lá, mantém o blog www.diekarambolage.wordpress.com