sábado, 29 de maio de 2010

Ordem na casa do Lago Sul; deu na Veja.....

.....mas, claro, deve ser mais uma intriga da Oposição, ou não?

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O comando da campanha do PT à Presidência teve de intervir pesado para evitar que companheiros afoitos reeditassem o escândalo dos "aloprados" de 2006

Policarpo Junior e Daniel Pereira:

"Campanha é lama, irmão!" Este era o bordão usado por um operador de terceiro escalão do PT de São Paulo quando seu chefe-candidato perguntava se ele e a turma não estariam indo longe demais nas atividades de coleta de evidências potencialmente desastrosas para os adversários.

O candidato foi aceitando a justificativa até que a lama estourou mesmo foi no colo dele. O PT nacional agiu de forma bem mais rígida com os companheiros sinceros mas radicais que estavam tentando montar em Brasília um esquema de espionagem de adversários e até de correligionários rivais baseados na ideia de que campanha é lama.

Os companheiros mais afoitos foram ao mercado em busca das competências necessárias à execução das missões planejadas. Profissionais para esse tipo de trabalho abundam em Brasília, e eles foram contatados. São policiais, ex-agentes dos serviços de espionagem do governo e detetives particulares especializados em obter provas de adultério ou fazer varreduras ambientais e telefônicas para afastar a possibilidade de grampos.

A turma começava a exercitar os músculos e testar suas rotinas subterrâneas quando o pessoal do andar de cima soube do que se passava naquela casa do Lago Sul protegida por muros altos e vigiada por seguranças. Desceu sobre eles então uma rajada de bom senso vinda do comando da campanha mandando parar com toda atividade de inteligência que se valesse de métodos ilegais. Houve gritos de "é para parar com isso já" e ameaças de demissão dos envolvidos nos planos.

"Já tivemos problemas demais com esse tipo de coisa no passado, deixando que fosse muito longe. A ordem agora foi cortar tudo pela raiz de uma vez por todas", diz um dos mais próximos colaboradores de Dilma Rousseff, candidata do PT, de quem partiu a ordem irada para alagar os porões que, de outra forma, iniciariam suas operações.

Dilma deixou claro a outro colaborador próximo sua posição sobre a questão: "Não é para fazer nada disso. Se fizer, demito. Mesmo assim, se aparecer sobre minha mesa, jogo no lixo sem ler". Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, dizia com amargura que algumas vezes ele se sentia de pés e mãos amarrados no exercício do cargo, como se desse ordens em um cemitério: "Ninguém embaixo ouve". Se na Presidência é assim, o que não seria em uma campanha presidencial?

Em outras palavras, será que a estrutura montada na casa de Brasília, alugada por 18 000 reais, onde trabalham dezenas de pessoas, deu marcha a ré na linha de montagem de ilegalidades e passou a funcionar apenas como o braço de comunicação e internet da campanha?

Ninguém pode responder com toda a certeza. O que se sabe é que a linha justa foi dada por Dilma Rousseff - e é sobejamente conhecida sua disposição, demonstrada no cargo de ministra, de garantir que abaixo dela as pessoas não se finjam de mortas para descumprir ordens.

A casa do Lago Sul não deve assombrar mais durante a campanha se depender da atividade e - diga-se - competência da turma dos porões contatada pelos companheiros mais afoitos. Antes que viesse a ordem de cima para interromper as ações bem e mal-intencionadas, porém, foi uma festa de trapalhadas.

Os espiões foram a campo bisbilhotar a vida de adversários políticos e até de petistas. Rui Falcão, vice-presidente do PT e deputado estadual paulista, entrou no radar da arapongagem amiga. Ele ficou sabendo e deu um espalho geral na turma da casa do Lago Sul.

Falcão foi informado de que não se tratava de espionagem, mas de contraespionagem - ou seja, ele estava sendo investigado para seu próprio bem. Falcão não se convenceu. Até os telefones do coordenador da campanha, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, podem ter sido grampeados.

Não se sabe bem se por espiões da casa ou do lado adversário. Pimentel não deu ao episódio muita importância. Diz ele: "Eu trabalho sempre com a hipótese de que todos os meus telefones estão grampeados. Isso não me preocupa, pois, como dizia o doutor Tancredo Neves, ‘telefone é para marcar reunião no lugar errado e não comparecer’".

Os repórteres de VEJA procuraram quem parece ser o responsável pela casa do Lago Sul. Ele se chama Luiz Lanzetta e é dono da Lanza Comunicação, uma das empresas contratadas pelo PT para coordenar a área de produção dos programas de Dilma Rousseff. Lanzetta nega as intenções, mas não nega que recrutou gente da pesada com experiência em espionagem - ex-agentes dos serviços de inteligência, um delegado aposentado da Polícia Federal e até um ex-jornalista que teria conhecidos dotes investigativos.

O grupo se reuniu pela primeira vez na área reservada de um tradicional restaurante de Brasília, ocasião em que se discutiram finanças e a maneira como seria feito o trabalho. Os pagamentos variavam de 15 000 a 30 000 reais por mês e seriam feitos em dinheiro vivo. Todos receberiam verba extra para custear as despesas operacionais.

Do encontro saiu uma lista de "alvos", da qual constavam o ex-governador José Serra, candidato tucano à Presidência, e o deputado Marcelo Itagiba (PMDB), identificado pelos presentes à reunião como o "espião-chefe" da candidatura tucana. Mas como explicar que entre os alvos estava o companheiro Rui Falcão?

Um dos participantes da reunião contou que Falcão era apontado como líder em uma conspiração interna para sabotar o trabalho do grupo que comandava a campanha. Nada mais se falou na sala reservada do restaurante.

VEJA procurou saber por que Lanzetta montou um time com sujeitos com aquelas características. Assessores dele explicaram que tudo o que se falava aqui acabava saindo nos jornais. Foi feita, então, uma varredura, e ela encontrou evidência de grampos nos telefones de Fernando Pimentel e de três funcionários contratados.

Pimentel corrobora a versão da contraespionagem interna e benigna sustentada por Lanzetta e reconhece que nem tudo são flores quando se monta uma campanha eleitoral complexa como a presidencial. Diz ele: "Houve de fato um atrito entre quem já estava na campanha e quem estava chegando. Além, é claro, de uma disputa empresarial". Qual a intensidade do atrito?

Não se sabe, mas as fontes de VEJA que presenciaram os eventos mais de perto contam que, a certa altura, Luiz Lanzetta deu a dimensão da encrenca ao se referir ao ex-secretário de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo, Valdemir Garreta, como "gordinho sinistro" e "ladrão dos Bandeirantes". Garreta seria a opção paulista para dirigir a campanha caso o grupo de Lanzetta fosse defenestrado.

Depois da intervenção de cima, essas disputas terão de ser resolvidas sem arapongagem. Até porque mesmo o pessoal do ramo contatado pressentiu que não haveria um futuro muito glorioso na empreitada. "Aquilo ia acabar numa nova versão dos aloprados. Foi bom o negócio não ter dado certo", explica o ex-delegado Onésimo de Souza, convidado para chefiar a equipe que, segundo ele, nunca chegou a trabalhar de fato. Onésimo de Souza se referiu aos "aloprados", como ficaram conhecidos os trapalhões que se meteram a espionar adversários do PT na campanha estadual paulista de 2006.

Talvez o contato com espiões trapalhões que não conseguem ficar de boca fechada seja um problema menor para a campanha do PT do que explicar o real papel de um misterioso frequentador diário da casa do Lago Sul - o empresário Benedito de Oliveira Neto. Ele não tem vínculos formais com o PT e oficialmente não faz parte da campanha do partido.

Segundo informa o próprio comitê de campanha, Benedito custeou a vinda ao Brasil dos especialistas em internet que trabalharam na campanha vitoriosa do presidente americano Barack Obama. Meses depois do favor feito por Benedito, os luas pretas digitais americanos foram contratados oficialmente pelo PT. Até 2005, Benedito era diretor da pequena empresa do pai, a Gráfica e Editora Brasil - que naquele ano prestou serviços ao governo no valor de 494.000 reais.

Nos dois anos seguintes, o faturamento da gráfica saltou para 50 milhões de reais ao ano. Benedito é agora também dono da Dialog, uma companhia de eventos que nos últimos dois anos se transformou em potência do ramo em Brasília. A Dialog faturou 40 milhões de reais em contratos com ministérios, agências reguladoras e a Presidência da República.

A ascensão meteórica das empresas de Benedito chamou a atenção do Tribunal de Contas e da Controladoria-Geral da União, que passaram a investigá-la por suspeitas de manipulação e fraudes nas licitações. As investigações ainda estão em curso. Foi de Benedito a escolha da casa do Lago Sul para sediar o comitê de comunicação da campanha petista. Como se vê, toda a vigilância é pouca quando o objetivo é evitar que a campanha vire lama.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Estado é Lula? por Sandro Vaia


A história de vida de um nordestino que saiu da miséria para a Presidência da República parece um conto de fadas e poderia ser um bom roteiro de filme.Quem não gosta de histórias heróicas de superação de alguém que sai do nada para chegar à glória?

Esse é um dos motivos da espantosa popularidade de Lula, embora ela só tenha se materializado depois de três tentativas de chegar à Presidência da República , e não por coincidência, depois que a sua imagem, até então abrasiva e conflituosa, foi moldada por um arranjo mercadológico e político que aparou as arestas que o separavam do convívio pacífico com o status-quo.A maquiagem do paz-e-amor somada à rendição aos dogmas do mercado, representada pela “Carta ao Povo Brasileiro”, fizeram do zangado sindicalista de resultados um presidente amado pelo povo e mitificado em boa parte do mundo.

Até aí, tudo bem.É justo que Lula se orgulhe de seu destino, de sua história de vida, de seu triunfo.

Perfeito seria se ele usufruísse de seu instante histórico de glória para ajudar a fortalecer as frágeis instituições da jovem democracia brasileira em vez de dedicar-se a desrespeitá-las, no deboche contínuo e deliberado que ele comete ao confundir a popularidade com a onipotência.

A sabedoria grega criou uma palavra para isso- húbris- que Houaiss define como “orgulho arrogante ou autoconfiança excessiva; insolência”, e é isso que o presidente vem praticando, com a mesma prodigalidade com que os novos ricos investem sua fortuna recente em gestos e objetos que tornam evidentes a sua pouca familiaridade com o decoro e as regras elementares da convivência civilizada.A fortuna recente de Lula são os seus 80% de aprovação.

Lula foi multado 4 vezes por crime eleitoral e sua resposta foi debochar da Justiça.Não deu e nem dá qualquer sinal de que pretende respeitar as leis.Lula inaugurou o canal internacional da TV Brasil a chamou de “minha TV”, em mais uma de suas contínuas e repetidas confusões entre público e privado. Lula herdou uma sólida plataforma econômica e institucional dos governos que o precederam, e nunca disse uma palavra de reconhecimento.Afirmou -e depois repetiu para confirmar- que o Brasil de verdade começou no instante de sua posse.Lula tornou supérfluos, ou dispensáveis , os tribunais de contas, ironizou as CPIs, tripudiou do Ministério Público. Se falasse francês, diria, como Luiz XIV, “L’Etat c’est moi”.

Tudo em nome de uma tentativa de perpetuação no poder de seus conceitos e estilos, ainda que através de interposta pessoa- que tenta obstinadamente moldar à sua imagem e semelhança.

Nas democracias maduras, as instituições estão acima das pessoas.Nas democracias jovens,como a nossa, talvez esse personalismo seja um defeito temporal, episódico, um tributo pago à pouca maturidade e à curta convivência com a prática da democracia.

Lula provavelmente não é capaz de avaliar o estrago que a sua “húbris” pode provocar às instituições e o prejuízo que isso pode trazer ao futuro da democracia no País.Se estivesse cercado por bons conselheiros, em vez de áulicos,aproveitadores e aduladores , poderia empenhar-se em ser um presidente para a História e não apenas para a glória dos fogos de artifício que se apagam e dos ibopes que o tempo derrete.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

Justiça pede ação contra senador Romeu Tuma
 por ocultação de cadáver

Comentario--Diz-me com quem andas e dir-t-ei quem és. Foto ROMEU TUMA É ACUSADO DE OCULTAR CADÁVER EM 1972

O juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, reencaminhou o ofício que pede a abertura de ação penal por ocultação do cadáver do guerrilheiro Flávio Carvalho Molina, em 1972, contra o senador Romeu Tuma (PTB-SP) ao Supremo Tribunal Federal. Molina foi capturado pelo Destacamento de Operações de Informações, morreu e teve a certidão de óbito expedida com um nome falso. Para Mazloum, Tuma sabia da operação. Segundo o portal Terra, o juiz considera que o crime não prescreveu pois os restos mortais de Molina foram identificados apenas em 2005.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O insustentável


Míriam Leitão:

A Polícia Federal trabalhou mais de dois anos usando duas armas: monitoramento telefônico e perícia de imagens de satélite. Depois, foi usada uma terceira arma: a quebra do sigilo bancário e fiscal dos suspeitos. Isso levou dezenas de pessoas à prisão na Operação Jurupari, em Mato Grosso, e levantou uma dúvida: o ex-governador Blairo Maggi (foto acima) não tinha mudado?

Seu ex-secretário de Meio Ambiente Luiz Henrique Daldegan era o chefe da operação limpeza de reputação de Blairo, que no passado era o maior antiambientalista e depois passou a dizer que era um defensor do meio ambiente. Daldegan hoje está preso como suspeito de fazer parte de um esquema de esquentamento de madeira retirada ilegalmente de terras públicas.

O ex-secretário de Mudanças Climáticas Afrânio Migliari também está no mesmo processo, como chefe de inúmeros ilícitos. Ao todo, foram expedidas ordens de prisão de 91 pessoas entre políticos, servidores, autoridades da Secretaria de Meio Ambiente, empresários.

Na questão ambiental houve dois Blairo Maggi nos últimos anos. O primeiro disse que destruir 24 mil km de floresta num ano era pouco perto do tamanho da Amazônia; afirmou que o país não podia ficar catando coquinho na floresta; hostilizou ministros do Meio Ambiente e acusou o Inpe de erro técnico. Um segundo Blairo Maggi disse que tinha se convencido de que estava errado.

Numa entrevista que me concedeu em agosto de 2009, Blairo disse:

— Tive que fazer uma inflexão, reavaliar as minhas posições. Não só minhas, como as dos demais componentes do agronegócio do meu estado. Tive que chamá-los e dizer que o caminho que estávamos seguindo não era o mais correto.

O que o delegado da PF Franco Perazzoni, que comandou a investigação, conta é que foi flagrado um grande conluio entre empresas, funcionários públicos, políticos e autoridades com poder para liberar os "planos de manejo".

— As grandes fraudes acontecem no inventário da madeira. Pelo plano de manejo é preciso dividir a terra em 30 talhões, ir explorando um a cada ano, de tal forma que só no final do trigésimo ano se volte ao primeiro talhão. Com planos assim é que se consegue a emissão do guia florestal, documento exigido para se transportar madeira e vendê-la no mercado legal. A fraude consiste em pôr no inventário o que não tem. Isso gera um registro fictício que é usado, depois, para legalizar madeira retirada ilegalmente de área pública. O registro falso esquenta a madeira ilegal — diz.

A diferença de preço entre a madeira ilegal e a supostamente legal é imensa:

— Numa tora, numa árvore em pé, em área que não pode ser explorada, não se dá mais que R$ 50,00. Se ela for apresentada como retirada de plano de manejo, pode chegar a R$ 1.400 o m. Nem tráfico de drogas dá lucro tão grande.

Pelo monitoramento telefônico foi possível acompanhar o tráfico de influências para conseguir licenças falsas. Com as imagens de satélite era possível verificar, por exemplo, que a terra da qual se pedia licença para retirar madeira já estava degradada há muito tempo.

O que os proprietários conseguiam eram relatórios de vistoria feitos por técnicos atestando haver a madeira que não havia no local. Depois, era só ir numa área pública, muitas vezes indígena, tirar a madeira e usar a guia falsa para esquentar aquela madeira. Tudo passava pela Secretaria de Meio Ambiente.

O curioso é que o braço direito de Maggi, para provar que o estado do Mato Grosso tinha virado exemplo de sustentabilidade, era justamente o secretário Daldegan. Com ele, e grande comitiva, o governador foi a Copenhague participar de debates sobre créditos pelo desmatamento evitado. Alegava ter desenvolvido ferramentas modernas para detectar, prevenir e combater o desmatamento. Enquanto isso, a Polícia Federal investigava:

— O monitoramento telefônico não é usado como elemento de prova, mas como orientação para conduzir as investigações que ganharam consistência com os laudos periciais — diz Perazzoni.

Inúmeras falsas licenças foram assinadas exatamente pelo subsecretário de gestão de florestas, e depois secretário de Mudanças Climáticas, Afrânio Cesar Migliari. Existem indícios, diz o relatório da Polícia Federal, de que Migliari era dono de fato de empresas investigadas e inclusive madeireiras.

As propriedades investigadas ficavam perto de áreas indígenas ou protegidas. Em geral, já estavam desmatadas, mesmo assim conseguiam licenças de exploração que tinham indícios eloquentes de fraude.

Por exemplo, segundo o delegado, houve um inventário que registrava que uma determinada terra estava 60% ocupada pela mesma espécie nobre. Com a diversidade da floresta nativa é difícil acreditar em tal percentual de uma mesma espécie.


Há uma licença espantosa dada pela Secretaria de Meio Ambiente: plantar eucalipto na Chapada dos Guimarães, uma Área de Preservação Permanente onde era proibido plantar espécies exóticas.

Blairo, candidato ao Senado e líder nas pesquisas, aparece no inquérito pressionando para apressar a liberação de licenças que favoreciam políticos. É assim que se desmata na Amazônia com o conluio de gente muito fina. E que fica por aí usando em vão a palavra sustentabilidade.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eles pecam, o eleitor paga; por Mary ZAIDAN


Pobre coitado do eleitor brasileiro. Tem quase tudo contra ele. Não bastasse o voto obrigatório, que ao contrário do que dita a lógica transforma direito em dever, é vítima de toda sorte de desfaçatez patrocinada por aqueles que deveriam representá-lo. Convive ainda com um sistema federativo injusto, herança do Pacote de Abril imposto pelos militares, e um conjunto esquizofrênico de leis que protege todo tipo de interesses, menos os dele. E quando, finalmente, consegue ganhar uma batalha, sua vitória é de Pirro.

Aprovada com euforia na Câmara dos Deputados e no Senado, a proposta Ficha Limpa, iniciativa popular que impede a candidatura daqueles que têm contas com a Justiça, corre o risco de cair no vazio. Dificilmente valerá para o próximo pleito e, ainda que valha, terá pouco ou quase efeito algum.

Mesmo que se supere o escandaloso ardil semântico introduzido pelo deputado Francisco Dornelles (PP-RJ) - que, ao substituir a expressão “que tenham sido” por “que forem” condenados, salvou dezenas de políticos e dificultou o caminho para a punição imediata -, não faltarão contestações às novas regras.

Alguns consideram que a modificação feita pelo Senado impõe a devolução da matéria à Câmara, posição do líder do governo, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), que enterraria de vez qualquer possibilidade de vigência neste ano. Sem contar aqueles que vêm a proposta como alteração nas normas eleitorais e, portanto, inaplicável em 2010.

Mas foi o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ricardo Lewandowski, o primeiro a derramar a água fria do balde – “uma lei não pode retroagir para prejudicar ninguém”. Assim sendo, ela não tem qualquer efeito para crimes do passado e só poderá ser aplicada contra pessoas condenadas no intervalo de tempo entre a sanção pelo presidente Lula e o registro das candidaturas. Ou seja, de 10 de junho a 5 de julho.

Pior. Não valerá também para quem for condenado depois da data de registro, já que nos julgamentos, a Justiça Eleitoral costuma analisar a situação do candidato apenas na data da inscrição. Cassá-la posteriormente é dificílimo. Estranho costume esse. Nem considera a hipótese de proteger o eleitor e acaba por estimular a impunidade.

Ainda no âmbito judicial, as punições irrisórias aplicadas aos que descumprem a lei são mais uma afronta ao eleitor. Por campanha antecipada, o presidente Lula já recebeu quatro multas e sua candidata Dilma Rousseff outras duas. Como nada mais acontece, o baixo valor – as seis juntas somam R$ 40 mil – incentiva a dupla a continuar no mesmo tom, desafiando a Justiça e, de quebra, desrespeitando o eleitor.

O descaso não é novidade. O eleitor só adquire alguma importância nos anos pares, quando, em seu nome, faz-se todo o tipo de bondades, sejam elas exeqüíveis ou não. Basta ver a recente votação do fim do fator previdenciário. O Congresso aprova a irresponsabilidade, fica bem na foto, e deposita a questão no colo do presidente Lula e nas frágeis contas do país.

Nesse caso, Lula já antecipou a intenção de veto e a disposição de arcar com o ônus do gesto impopular. Mas isso não servirá de perdão para os pecados cometidos e os que ele continua a cometer. Seus agrados com o dinheiro público representam nada menos do que um rombo de R$ 2,2 trilhões, 64,4% do PIB.

Mesmo com tudo contra ele, o eleitor reage. Não se contenta mais com o papel de coadjuvante que os políticos tradicionalmente tentam lhe reservar. A duras penas, busca ser protagonista, como mostrou a mobilização pelo Ficha Limpa.

Mas não tem saída. As caras contas terão de ser pagas. E com o suor do eleitor.

Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa'.

domingo, 23 de maio de 2010

Funeral - Scottish - Bag Pipes and Drums of the 48th High Sc

Marina e Vitória, Leão e Jaguatirica; por Victor Hugo Soares

Mal comparando, como se diz nas barrancas do rio São Francisco da minha aldeia, a acreana Marina Silva, pré-candidata do Partido Verde à presidência da República, desembarcou nesta sexta-feira, 21, em Salvador, decidida e surpreendente. Do jeito que o time do Vitória, o rubro-negro baiano, aportou nas finais da Copa do Brasil na noite histórica para o futebol estadual da última quarta-feira,19 de maio.

O time dos quase anônimos Viáfara, Berola e Junior e de veteranos notáveis que parecem jogar com uma fita métrica de passes perfeitos nos pés, como Ramon, qualificou-se para brigar pelo título máximo com o Santos dos fenômenos indiscutíveis da hora para a mídia inteira do País - até na baiana - Ganso, Neymar e companhia dos "meninos da Vila".

No futebol da Bahia, o Leão da Barra provoca paixões e tem tradição mais que centenária. Mas só agora conseguiu romper o círculo de ferro das disputas entre paulistas e cariocas. À exceção de uma boquinha de vez em quando para representantes mineiros e gaúchos, como variação da batida de uma nota só que não raramente deslumbra e até causa cegueira em boa parte da chamada "crítica esportiva do Brasil".

Na política, a ambientalista e evangélica pré-candidata do PV à sucessão de Lula deixou claro em suas entrevistas, conversas e encontros na capital baiana - um deles com o arcebispo de Salvador e cardeal Primaz do Brasil, Dom Geraldo Magella -, que um de seus sonhos e motor fundamental da campanha que empreende com vistas às eleições presidenciais deste ano, é muito semelhante aos do Vitória nesta Copa Brasil a ser decidida em agosto.

Marina, voz mansa e figura aparentemente frágil, pisa no chão devagarinho, chega como quem aparentemente não quer nada, navegando pelas beiradas dos igarapés de sua região natal. No entanto, é contundente e firme ao dizer a que vem: quer mostrar e discutir projetos novos, mostrar a face de uma parte sem voz e sem mídia no país.

Em síntese - e nisso foi contundente nas conversas da sexta-feira e deve repetir no discurso deste sábado no lançamento dos candidatos verdes à eleição estadual: fará o que estiver ao seu alcance para evitar que tudo se transforme em mero plebiscito entre a mineira-gaucha Dilma Rousseff (PT) e o tucano paulista José Serra (PSDB).

Na primeira e emblemática entrevista do dia, concedida ao programa da Rádio Metrópole do apresentador Mario Kertész, a pré-candidata do PV lamentou a ausência na disputa de um nome que ela considerava aliado crucial na defesa da apresentação de projetos nacionais e dabate de ideias, como em princípio deveria ser no primeiro turno de uma campanha como a que se aproxima: o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), tirado do jogo na hora H por razões que nem os socialistas ainda conseguiram explicar direito.

A "doce, frágil e gata" Marina de repente vira jaguatirica - como ela própria já antecipou a um blogueiro -, ao repelir a ideia dos eleitores serem conduzidos e reduzidos em 2010 a passivos observadores de uma disputa plebiscitária entre petistas e tucanos, entre Serra e Dilma.

Pior ainda, pensa Marina, se tudo virar um grande Palmeiras e Flamengo eleitoral. Uma inaceitável disputa de egos, como muitos já antecipam, entre o tucano Fernando Henrique Cardoso, "cujo mandato duplo terminou há oito anos", e o petista Lula, "cujo governo também de oito anos, está prestes a chegar ao fim", protesta Marina em Salvador.

E a candidata verde volta a considerar imperdoável a rasteira do PSB e do governo Lula - "de quem Ciro Gomes foi um dos amigos e aliados mais competentes e leais, até em questões polêmicas e delicadas como a transposição das águas do rio São Francisco" - no deputado socialista pelo Ceará.

"Quem poderia dizer se o Ciro seria ou não presidente eram os brasileiros e brasileiras", disse Marina na conversa com Mário Kertész na Rádio Metrópole, cercada por todos os lados de mensagens via internet e telefonemas de aprovação e elogios de ouvintes durante e depois de um dos programas de maior audiência do rádio na Bahia.

Na entrevista e nas andanças e contatos baianos, a pré-candidata lançada domingo passado pelo PV em ato na cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (com anúncio do empresário da Natura como candidato a vice -, tambem para marcar diferenças), Marina falou de sua saída do PT sem atirar pedras em antigos companheiros.

A senadora acreana destacou avanços do governo do presidente Lula - sem esquecer o de FHC, e sem o mesmo entusiasmo em relação ao presidente petista revelado recentemente por Serra na visita a Recife, ou os petardos pesados que Dilma costuma disparar contra o período do governo tucano.

No fim, disse fazer política com humildade e sabedoria - que segundo a senadora acreana são virtudes tipicamente femininas . Mas deu o tom pessoal que ela pretende seja a marca de sua caminhada nesta campanha presidencial e de um eventual e surpreendente caso de triunfo eleitoral: "Vamos manter o que já temos de bom, mas vamos transitar para o futuro".

A torcida do Vitória, o glorioso Leão da Barra de garra e tradição, que acaba de chegar de supresa para a decisão com o Santos da Copa do Brasil, também agradece.

Bola pra frente!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares@terra.com.br

sábado, 22 de maio de 2010

Carisma, atraso e poder; por Ruy Fabiano


Carisma, palavra grega que expressa o fascínio de uma personalidade sobre as demais, incrustou-se na religião e na política. Numa, é tratada como dom divino; na outra, como atributo de poder. Numa, faz sentido; na outra, faz estragos.

Tornou-se, porém, praxe avaliar a qualidade de um candidato a partir de seu encantamento pessoal, não de seu conteúdo. Não ser carismático é um defeito. No entanto, a história está cheia de carismáticos que operaram tragédias. Hitler, carismático, destruiu a Alemanha. Konrad Adenauer, desprovido do dom, reconstruiu-a.

Jânio Quadros e Fernando Collor deixaram um rastro de crises em sua passagem pelo poder, ao qual ascenderam via carisma. Tancredo Neves, sem qualquer carisma, operou a redemocratização.

Quanto mais atrasada ou problemática uma sociedade, mais o fator carisma há de pesar. O carisma leva o eleitor a votar com a emoção, não com o bom senso, deixando de lado fatores fundamentais como coerência de atos e propostas.

Não é casual que quase todos os ditadores sejam carismáticos. Vivem do mito que constroem e governam por meio dele. O resultado não costuma ser bom. Se há alguma qualidade na presente eleição, é a ausência do fator carisma entre os postulantes, o que permite o eleitor avaliá-los com algum grau de realismo.

Nem José Serra, nem Dilma Roussef, nem Marina Silva exibem qualquer carisma. Fala-se que o diálogo entre eles é morno. Não é. É tenso, administrado. Sabem que não sensibilizarão o eleitor pela emoção, mas pelo poder de convencimento de suas idéias.

Há marqueteiros que pensam o contrário; que eleição é emoção. Tudo bem, desde que a emoção esteja nos substantivos, não nos adjetivos. Machado de Assis dizia que um bom texto é o triunfo dos substantivos sobre os adjetivos.

Estava certo: um expressa conteúdo; o outro, a ausência dele. Não se governa por slogans.

Carisma e demagogia formam uma dupla predadora na política. Costumam ser indissociáveis. Um dos truques mais comuns que operam é provocar a bílis do eleitor. Denunciam a trapaça para capitalizar a indignação coletiva, a mais elementar forma de trapaça, e põem em cena os instintos mais primitivos.

Não apenas os políticos, mas a própria mídia age freqüentemente dessa forma: critica o jogo político para melhor situar-se dentro dele. Na América Latina dos nossos dias, é uma tendência em curso. Basta ver Hugo Chavez, na Venezuela, além do eterno Fidel, em Cuba. Personificam a indignação popular denunciando trapaças políticas (reais e fictícias), mas não pretendem eliminá-las – senão monopolizá-las.

No Brasil, a velha UDN (União Democrática Nacional) de Carlos Lacerda fez do denuncismo sua maior arma. Levou Getúlio Vargas ao suicídio a partir da exploração do tema da corrupção, o “mar de lama”, que, segundo a retórica da época, escorria dos subterrâneos do Palácio do Catete. De denúncia em denúncia, numa época movida a discursos, levou o país ao golpe militar de 64.

A redemocratização, a partir de 1985, gerou ganhos políticos e econômicos cumulativos. Aboliu a velha prática de o sucessor demolir a obra do antecessor, pondo fim à era das rupturas. A estabilidade econômica, hoje evocada como obra desse ou daquele governo, é, na verdade, obra contínua.

Começou com os sucessivos e pedagógicos fracassos de planos econômicos, como o Cruzado, que desembocaram no Real. Vieram na sequência a Lei de Responsabilidade Fiscal, as bolsas assistencialistas que atenuam a pobreza, avanços na saúde (o SUS) e a expansão da rede de ensino (à qual falta dar conteúdo).

Os atuais candidatos não mencionam qualquer intenção em mudar nada disso. São conquistas consolidadas. Ao público, não interessa saber quem é o pai (ou a mãe) da criança. Quer saber o que pretendem fazer com ela daqui para a frente.

Num contexto desses, não cabe falar em plebiscito. Não há heróis ou vilões, mas carências imensuráveis, que exigem argúcia, inteligência e conteúdo por parte de quem for eleito.

Na religião, carisma evoca santidade; na política, costuma ser o contrário. Rezemos para que os carismáticos fiquem nos templos.

Ruy Fabiano é jornalista

Intriga da Oposição...muito barato!


A camiseta do PT caiu bem em Roseana

Para apoiarem a candidatura da governadora Roseana Sarney, petistas estão recebendo ofertas de pacotes de dinheiro que chegam a 40 000 reais. Nos últimos dias, treze companheiros mudaram de lado. Por que será?

Sofia Krause da Revista "Veja:

Diz-se nas ruas de terra do interior do Maranhão que a família Sarney é dona do estado. O clã tem sociedade em tudo. Se algo está no Maranhão, pertence aos Sarney. Eles detêm participações em TVs, rádios, jornais, fazendas, mansões, ilhas, ONGs, fundações, holdings...

Nos últimos meses, na esperança de conquistar a única mercadoria que talvez ainda lhe escape, a família expandiu agressivamente os negócios. Passou a investir em petistas. Petistas? Sim, petistas – e no varejo. No mercado eleitoral do Maranhão, petistas aparentemente têm um preço.

Os mais caros podem custar 40 000 reais. Na promoção, alguns saem pela metade desse valor: 20 000 reais. Esta, ao menos, é a cotação estabelecida pelos Sarney. Nas últimas semanas, operadores da família procuraram integrantes da direção do PT maranhense para fechar negócio.

O produto a ser comerciado, no caso, é apoio político. A governadora Roseana Sarney, do PMDB, candidata à eleição, precisa desesperadamente assegurar a aliança com o PT, que chegou a declarar apoio ao candidato concorrente, do PCdoB.

As negociações começaram em razão do resultado da convenção estadual do PT, ocorrida em março, que deveria ratificar o apoio do partido à candidatura de Roseana Sarney. A lógica política dessa decisão deriva da aliança nacional entre os petistas e o PMDB, na qual o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, deverá ser o vice na chapa de Dilma Rousseff.

Pela natureza desse acordo, PT e PMDB obrigam-se a resolver diferenças que venham a surgir na formação dos palanques estaduais. E já surgiram muitas, como demonstra o notório salseiro armado em Minas Gerais. No Maranhão, porém, as dificuldades de união entre os dois partidos extrapolam quaisquer conveniências eleitorais. Ali, ambos são inimigos há décadas, desde que Sarney é Sarney e PT é PT – bem, ou eram, nos tempos em que havia distinções mais nítidas no mundo político.

Na convenção petista de março, delineou-se alguma. Pela magra vantagem de 87 votos contra 85, os delegados do PT maranhense ignoraram as determinações da direção nacional do partido e resolveram apoiar formalmente a candidatura ao governo do deputado comunista Flávio Dino.

As compras começaram assim que se encerrou a convenção. Para reverter a derrota, o clã articulou um ardil político destinado a forçar a candidatura Roseana de cima para baixo. Petistas amigos prontificaram-se a montar um abaixo-assinado contrário à decisão tomada na convenção estadual e remetê-lo ao diretório nacional do partido.

Com a medida, pretendia-se anular o apoio ao comunista e, ato contínuo, selar a aliança com o grupo de Sarney. Para elaborarem o abaixo-assinado, operadores de Roseana saíram à cata de petistas. VEJA localizou quatro que admitiram ter recebido a proposta de suborno para mudar de lado – e, portanto, subscrever o tal documento.

Segundo esses depoimentos, o pagamento variava de 20 000 a 40 000 reais. Todos negaram ter aceitado a oferta. Um deles, entretanto, admitiu ter assinado a lista, mesmo depois de votar contra a aliança com o PMDB, o que não faz o menor sentido político.

As propostas se deram em ambientes propícios a esse tipo de negociata. O delegado petista Francivaldo Coelho conta que recebeu a oferta no estacionamento de um shopping em São Luís, capital do estado. Segundo Coelho, o intermediário chama-se Rodrigo Comerciário, um leal aliado da família Sarney. O encontro ocorreu no dia 14 deste mês, uma sexta-feira. Durou apenas dez minutos.

Narra o petista: "Ele nem desceu do carro, estava tremendo de medo. Disse que ficariam 40 000 para mim e 40 000 para um delegado amigo meu. O dinheiro já estava com ele". Coelho assegura que declinou da proposta. O tal amigo delegado, Arnaldo Colaço, também não topou. E confirma o negócio: "Eles me ofereceram 40.000 reais para apoiar a Roseana".

O petista Marcelo Belfort, do município de Ribamar Fiquene, ganhou até passagem de ônibus para ir a São Luís negociar o passe num hotel. Diz ele: "A proposta inicial era 20 000 reais. Eles estão fazendo isso com vários delegados. Mas eu não quis". A petista Maria de Lurdes Moreira, que votou contra o apoio a Roseana e depois mudou de lado, confirma que também recebeu uma proposta de 20 000 reais, porém antes da convenção. Houve outro intermediário nesse caso. Segundo ela, José Antônio Heluy, secretário de Trabalho do governo do Maranhão. "Estive realmente lá, mas não houve esse tipo de conversa", diz o secretário.

A notícia dos subornos correu a língua dos petistas. O deputado federal Domingos Dutra, um dos principais adversários dos Sarney no estado, descobriu o rolo: "Eles estão tentando comprar os nossos delegados". Completa o deputado Flávio Dino, o candidato que está prestes a perder o apoio do PT: "É um absurdo o que se está fazendo na região".

A artimanha de Roseana corre tranquilamente. Na semana passada, remeteu-se o caríssimo abaixo-assinado à direção nacional do PT. Nele, há 98 nomes. Treze petistas, portanto, cederam aos encantos da candidatura Sarney – não se sabe por quais razões.

Haveria um encontro do PT maranhense no último fim de semana para ratificar o apoio à candidatura comunista, mas a direção nacional da sigla cancelou o evento. Diz o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo: "Estamos acompanhando a situação do Maranhão e tomaremos as medidas cabíveis diante dos fatos de que tivermos conhecimento". A governadora Roseana Sarney não quis comentar o caso

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Síndrome por L.F. Verisssimo

Sobre a suposta falta de jeito da Dilma como candidata, ou no que a Dilma não é nada como o Lula. Há tempos escrevi que vivíamos num vai e vem entre duas formas de ditadura, a ditadura mesmo e a ditadura da personalidade. Só Dutra, Sarney e Itamar, não por acaso três homens com nenhum carisma, que foram mais transições do que presidentes, escaparam da síndrome. O governo Juscelino foi "normal" só na fachada, já que poucas vezes uma personalidade determinou a política de uma era como a dele, mesmo respeitando as formalidades democráticas. A síndrome é antiga. Depois do Estado Novo veio o Dutra, depois da breve volta do Getúlio e dos anos com a grife JK veio o Jânio, uma espécie de apoteose burlesca do poder personalizado. Depois da renúncia de Jânio, da frustração com Jango, dos vinte anos de governo de generais intercambiáveis e da transição Sarney, Collor, para mostrar que a nação não aprendera com Jânio a desconfiar dos homens providenciais. Na origem desta alternância entre duas formas de poder excepcional, sem cara ou com cara demais, estava uma descrença nacional com as regras de uma democracia ortodoxa. Só acreditávamos em exceções das regras. Nossas opções eram os ditadores ou os malucos, com curtos intervalos de ortodoxia. Só a proteção de um Deus, que, se não é brasileiro, é simpatizante, nos poupou de alguém que acumulasse as duas condições, de ditador e doido.

O governo Fernando Henrique, na minha opinião, significou uma volta à ditadura da personalidade. Ele não era nem maluco nem discricionário, mas a soma dos seus atributos pessoais — que incluíam desde a simpatia e a boa estampa até a inibição que sua biografia impunha aos críticos — lhe dava um poder que só podia ser chamado de exceção. A indulgência da imprensa e do público que o reelegeu se explica pelo fascínio da personalidade. O que seria um presidente realmente moderno, símbolo de uma maturidade política finalmente alcançada, na verdade fazia parte da velha alternância entre o poder autoritário e o poder como sortilégio.

O que veio depois foi, está sendo, um exemplo ainda mais claro desta constante. Lula continuar com os mesmos índices de popularidade quase no fim do seu governo, apesar do massacre da grande imprensa, mostra que a sua personalidade se impôs a tudo. Nunca antes na história deste país, desde, quem sabe, Getúlio, houve um sortilégio maior que o do Lula, que também não é nem maluco nem totalitário, graças ao nosso amigo Deus.

Dilma no governo seria uma anti-Lula para confirmar a síndrome do nosso vai e vem. Serra, outro sem nenhum sortilégio aparente, também

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ofensa pessoal, por Tânia Fusco

Imagine se fosse a presidente da Argentina e não o Lula a protagonista de um acordo como esse que envolve Irã e Turquia? Argentinos de A a Z estariam todos de peito estufado enrolados no azul e branco do orgulho nacional. Si, si. Como no? Hicimos! Cada argentino carregaria vida afora uma porção dessa glorieta.

Mas aqui não. Aliás, já disse Tom Jobim: No Brasil, sucesso é ofensa pessoal. E a torcida do contra vem que vem. No caso dessa intermediação com o Irã tem sido de lascar. Ou se debocha da ousadia de Lula de se meter em briga de cachorros tão grandes assim.

E, ainda por cima, ter a ousadia de ir contra a posição oficial dos donos do mundo? Ou tenta-se provar por A mais B que não vai dar certo por isso, aquilo e aquele outro. Afinal, esse pulo ainda é maior do que nossas pernocas emergentes.

A causa do nariz torcido seria ranhetice da nossa inteligenzia? Complexo crônico de inferioridade? Ou será preconceito – aquele escondidinho que aflora até sem querer, quebrando a cadeia do politicamente correto? O que é que esse Lula ta pensando? Não basta ser o cara local, e agora quer também ser o cara mundial, antagonista do belo Obama? Ganhar Copa do Mundo é obrigação. Se meter na política internacional já é pretensão demais. Esse Lula não se enxerga, não?

Ta bom que é ano eleitoral e as torcidas contra e a favor ficam mais acirradas, sem nem disfarçar nas manchetes de que lado estão. Ta certo que estamos disputando O Poder e que, nessas ocasiões, ninguém é cordial e bonzinho com o adversário. Ta bom que toda a unanimidade é burra e a gente precisa ficar atenta e alerta contra o adesismos. Ta bom que uma torcidinha contra não faz mal a ninguém. Até segura o salto alto. Não deixa o cara ficar se achando muito.

Tudo certo. Mas não precisa exagerar. Ninguém é obrigado a admirar o Lula, nem só babar ovo por ele. Pode-se dizer que essa articulação Irã/Turquia ajuda Lula a galgar uns degrauzinhos na direção do sonho de comandar a ONU. Mas e se der certo – as duas coisas, o caminho para o acordo e a ONU –, não será muito bom para o orgulho nacional? Não será vitória para o Brasil?

Ou a gente vai justamente repetir o próprio Lula que deixou de apoiar um ilustre brasileiro, Marcio Barbosa, para direção da UNESCO, ficando na furada de um egípcio de quinta? Foi bonito isso? Não foi. E não importam os motivos. Vamos combinar: também ta feio paca essa torcida explícita pro causo Irã não dar certo.

Tânia Fusco é jornalista

terça-feira, 18 de maio de 2010

Marina com fé, por Ateneia Feijó


Podem anotar. Marina Silva vai surpreender. Com 51 quilos e 52 anos, ela não é nem de longe a figura frágil que aparenta ser. Para começar, sua biografia é um testemunho de superação. Sua decantada fé? Ora, a ciência anda buscando o significado desse valioso sentimento. Que, segundo pesquisadores, trata-se de um combustível poderoso que impulsiona as pessoas para uma vida melhor.

"Mas tem a ver com religiosidade!", dizem. Qual o problema? "Ela (Marina) é conservadora!", gritam. Por acaso Lula não é conservador, principalmente em matéria de religiosidade? E Dilma, será que é ateia? E Serra o que é? Católico ou do candomblé? Ah, a petista e o tucano também podem ser islamitas, kardecistas... Ou agnósticos. Então, tá. Cada pré-candidato com sua religião, seu Deus ou sem ele.

Longe de ser uma fundamentalista ou intolerante, Marina é, sim, uma mulher de fé. E parece-me que esta fé tem a ver com sua energia extraordinária na busca de um aprendizado constante. Que não desperdiça nem desdenha de lições do passado. Até porque ela é formada em História. Mas há quem não consiga ou se recuse, por preconceito, a acompanhar suas idéias avançadas.

Há pessoas que nem se dão ao trabalho de perguntar: o que é essa tal sustentabilidade? No seu discurso durante a convenção do Partido Verde, no domingo, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, o empresário Guilherme Leal (dono da Natura), lançado pré-candidato a vice-presidente da pré-candidata Marina, tinha uma resposta na ponta da língua: "Não se conhece lucro sustentável num modelo econômico predatório." Seja qual for. As crises mundiais comprovam.

O que não quer dizer que sustentabilidade tenha a ver apenas com economia. Tem também com políticas sociais, ambientais, de segurança pública, de cultura. E ética. Como se materializa isso? Vencendo desafios. Uma das bandeiras preferidas da pré-candidata verde: a igualdade de oportunidades para todas as pessoas desenvolverem suas potencialidades. Ela crê no ser humano como um sujeito desejoso de fazer suas próprias escolhas; no momento certo.

Talvez por isso transmita confiança. Que se saiba, não foi pega em mentira. Marina diz muitas coisas boas de se ouvir. Por exemplo, a de que não se faz política por negação. Não tem medo de apontar os acertos dos outros, argumentar e explicar porque os defende. Citando, por coerência, acertos de Fernando Henrique e Lula. Totalmente à vontade.

Em resumo, seu projeto de governo não é de poder pelo poder. Afinal, os governantes são eleitos e pagos para servir ao país. Na proposta de Marina não cabe um líder que queira impor um destino ao povo. Ou se achar o máximo. "Temos que aprender e nos dispor a coautorias, em vez da exclusividade do feito. Essa é a liderança do século XXI."

Ela entende que na pós-modernidade em que vivemos é preciso cada vez mais criatividade. Principalmente na educação. De que forma? Manejando o conhecimento; sem encastelá-lo ou petrificá-lo. Porque tudo neste planeta tem a ver com tudo. Olha a crise econômica europeia mostrando a necessidade de uma política social de terceira geração.

E aqui? Marina deu seu recado de esperança. Com emoção: "Um Brasil mais justo, mais harmônico e sustentável é possível." Haja fé.

Ateneia Feijó é jornalista

domingo, 16 de maio de 2010

‘Herança maldita’ de 64% do PIB

Lula deixará para seu sucessor dívida bruta que é a maior dos últimos dez anos

De Regina Alvarez:

Importante indicador da saúde fiscal de qualquer país, a dívida bruta — que é a dívida total do setor público — pode chegar a 64,4% do PIB no fim de 2010, o maior patamar em dez anos.

Essa herança do governo Lula para seu sucessor foi turbinada pelas operações batizadas de “empréstimos” que o Tesouro vem realizando com o BNDES desde o ano passado, por meio da emissão de títulos públicos.

A projeção de que a dívida pode alcançar o montante recorde de R$ 2,2 trilhões em dezembro (ou 64,4% do PIB) é do economista Felipe Salto, da Consultoria Tendências, e já considera a emissão de R$ 80 bilhões em títulos do Tesouro para reforçar o caixa do BNDES.

Na semana passada, o Tesouro concluiu a emissão desses papéis, que, somados, engordam a dívida bruta em R$ 180 bilhões. A primeira parcela de R$ 100 bilhões foi repassados ao BNDES em 2009, contribuindo de forma substantiva para o crescimento da dívida em cinco pontos percentuais do PIB, em relação ao ano anterior. Passou de 57,9% para 62,8% do PIB.

O crescimento robusto da dívida bruta — decorrente do aumento da dívida interna, já que a externa corresponde a apenas 3,4% do PIB — é visto com preocupação por muitos analistas.

É um fator de risco futuro, em especial depois que a crise na zona do euro colocou em evidência a saúde fiscal dos governos. O que está em jogo, no caso do Brasil, é a credibilidade conquistada a duras penas nos últimos anos junto ao mercado internacional.

A crise global de 2009 abriu espaço para uma mudança radical de postura do governo do PT em relação às contas públicas. O acúmulo de superavits, que serviam para reduzir a dívida em relação ao PIB, foi substituído por uma combinação de aumento dos gastos com expansão do crédito por meio do crescimento da dívida pública.

— O próximo governo terá a tarefa adicional de sinalizar que a dívida bruta vai cair em relação ao PIB. Não é um cenário caótico, tem ainda uma gordura, mas a gordura acaba — destaca o economista Felipe Salto.

A preocupação dos analistas cresceu depois que foram revelados alguns truques que o governo utiliza para reforçar o caixa do Tesouro e abrir espaço para acomodar mais despesas.

O BNDES tem servido de instrumento para essas manobras. Revitalizado pelos empréstimos do Tesouro, o banco passou a repassar à União valores muito maiores em dividendos. No ano passado, foram R$ 10,9 bilhões, quase o dobro de 2008 (R$ 6 bilhões). Outros R$ 3,5 bilhões foram “comprados” da Eletrobrás e também transferidos para o caixa da União, ajudando a fechar as contas.

Este ano, o banco já repassou R$ 3,8 bilhões em dividendos ao Tesouro até abril, contribuindo para fechar o caixa no primeiro quadrimestre.

— A dívida bruta é um indicador que precisa cada vez mais ser observado pelo uso desses mecanismos de expansão de crédito. O caminho que está sendo adotado é errado — afirma Salto.

Mas o o governo não demonstra preocupação com o aumento da dívida bruta. A equipe econômica prefere destacar em suas avaliações a trajetória da dívida líquida, que não está sendo influenciada por esses empréstimos. Por esse conceito, o mesmo valor dos títulos emitidos entra nas contas como créditos do governo federal, neutralizando essas operações.

Lêr em O Globo

sábado, 15 de maio de 2010

Pará - Auditorias do PT detonam governo do PT, por Ronaldo Brasiliense

Nunca antes na história do Pará – quem sabe do Brasil – se viu algo parecido.

Auditorias comandadas pelo PT, feitas em secretarias de estado e autarquias públicas do governo de Ana Júlia Carepa (PT), apontam um mar de corrupção em todos os setores da administração pública paraense.

Na Secretaria de Educação, mais de R$ 900 milhões foram gastos em obras realizadas sem licitação; na Secretaria de Transportes, em apenas duas obras a Auditoria Geral do Estado (AGE), foram encontradas irregularidades que, somadas, superam R$ 100 milhões.

Os documentos referentes às auditorias foram entregues na semana passada à Assembléia Legislativa do Pará pela ex-auditora-chefe da AGE, Tereza Cordovil – exonerada do cargo pela governadora Ana Júlia – e trazidos ao publico, ontem, dia 13, pela presidente da Comissão de Finanças da Assembléia Legislativa, deputada Simone Morgado (PMDB).

As fraudes são assustadoras. Na Secretaria de Educação, por exemplo, do total da execução orçamentária previsto para 2008, por tipo de licitação, apenas 17,18% passaram por processo licitatório, sendo que 5,12% foram dispensa de licitação, percentual superior ao somatório das demais modalidades: convite, tomada de preços e concorrência, que totalizaram 4,14%.

A execução orçamentária, no item que aponta “licitação não aplicável”, totalizou 82,82% dos recursos da Seduc, registrados no Siafem.

Segundo a Auditoria Geral do Estado (AGE) existe a possibilidade de ocorrências indevidas de registros no sistema, podendo assim, omitir situações de dispensa em número e proporção acima do registrado (5,12%). Os 82,82% correspondem a bagatela de R$ 907.900,492,89.

O governo de Ana Júlia Carepa, segundo mostram as auditorias, fraudou até contratos da merenda escolar das crianças da rede pública do Pará.

É o que exibe, às claras, o contrato firmado entre a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e as empresas Distribuidora Brasil Ltda., Alibra e ATV, auditado pela Auditoria Geral do Estado (AGE) e encaminhado à Assembléia Legislativa pela demissionária ex-auditora-chefe, Tereza Cordovil.

Do contrato, no valor de R$ 9,1 milhões, o governo Ana Júlia pagou R$ 5,7 milhões, mas somente 39,2% do contrato foram executados - devidamente entregues à Seduc -, segundo o relatório da AGE.

Os auditores também comprovaram “fragilidade do planejamento na aquisição da merenda escolar”, “pagamento antecipado a fornecedores, caracterizando favorecimento”; “aquisição de merenda escolar sem formalização contratual” e “ausência de baixa no controle de material.”

Em outra auditoria feita na Secretaria de Educação entre os dias 10 de novembro e 18 de dezembro de 2009, constatou-se que houve superfaturamento de R$ 1.873.300,00 na aquisição de kits escolares –, que a governadora Ana Júlia distribuiu aos milhares em todas as regiões do Estado, num escândalo que resultou em Ação Civil Pública por improbidade administrativa movida contra autoridades do governo pelo Ministério Público Federal e que acabou na demissão da então secretária de Educação, Billa Gallo.

Na análise do contrato 167/2008, os auditores do estado encontraram irregularidades no contrato firmado, por R$ 7.920,000,00, com a empresa IK Barros e Cia Ltda. para o fornecimento de kits escolares para o governo. Após exaustivas análises, chegou-se a seguinte conclusão na AGE:

1 – Houve direcionamento do objeto por inexigibilidade de licitação;

2 - Autorização de despesa por pessoa sem competência legal;

3 - Alteração do contrato sem amparo legal, através de errata no Diário Oficial, alterando o prazo de vigência de dois meses e meio para dois anos e o valor de R$ 825.000,00 para R$ 7.920.000,00;

4 - Ausência de identificação das escolas beneficiadas nos processos de aquisição do programa "TV Pará Educar";

5 - Superfaturamento da despesa no valor R$1.873.300,00;

6 - Inexecução contratual e inefetividade do gasto público;

7 – Utilização orçamentária indevida para execução do "TV Pará educar".

As fraudes com dinheiro público na Secretaria de Estado de Transportes (Setran) superam R$ 100.000,000,00 (Cem milhões de reais), segundo a Auditoria Geral do Estado (AGE), do governo do PT.

A mãe de todas as irregularidades ocorreu em contrato firmado pela Secretaria de Transportes do Pará (Setran) com a empreiteira Delta Construções S/A, no valor de R$ 48 milhões, para restauração da rodovia PA-150, uma das mais importantes do Estado – ligando o sul do Pará à região metropolitana.

Os auditores comprovaram que o contrato foi assinado de forma indevida “por se basear em concorrência pública revogada”. A conclusão é de auditoria feita na Setran, no período de julho a setembro de 2008.

A concorrência pública 010/2006 que previa a restauração da rodovia PA-150 nos subtrechos localizados entre o entroncamento da PA-151 até Eldorados dos Carajás, Xinguara e Redenção foi revogada pelo então governador do Estado, Simão Jatene (PSDB), três dias antes de passar o governo para a atual governadora Ana Júlia Carepa (PT).

O ato da revogação da concorrência foi publicado no Diário Oficial do Estado número 30.832, de 28 de dezembro de 2006.

Outro contrato feito pela e cheio de irregularidades teve a ver com rodovia PA-154, no trecho entre Camará e Cachoeira do Arari, e a rodovia PA-395, obras contratadas junto ao Consórcio Marajoara por R$ 53,4 milhões para a implantação e pavimentação com asfalto.

Inspeção física realizada somente na PA-127 constatou que foram executados apenas 10 km de pavimentação com asfalto dos 30 km contratados e que alguns trechos encontram-se deteriorados.

A auditoria realizada na Setran detectou uma série de irregularidades no contrato, como a ausência de detalhamento no Plano de Trabalho omitindo, por exemplo, os trechos que teriam intervenções, suas localizações exatas e o tipo de serviço, remendo ou pavimentação de forma contínua, o que impediu a análise do bom uso dos recursos públicos.

Constatou-se também a existência de "trechos com revestimento asfáltico não executado ou deteriorado" e o "pagamento em duplicidade do trecho localizado entre os municípios de Xinguara e Redenção.

De acordo com o Siafem, foram pagos R$ 28.644.617,51, equivalentes a 53,63% do total contratado, havendo um saldo contratual de R$ 24.767.561,94, mas o prazo de vigência do contrato expirou em 31/12/2008, dizem os auditores da AGE