sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Lula entre o mito e a realidade (Editorial) O Globo

Luiz Inácio Lula da Silva diria que completa hoje um ciclo “extraordinário” da História brasileira.

É o segundo presidente a ficar oito anos consecutivos no poder, em plena democracia - feito idêntico ao de FH. Ainda passa a faixa a quem apoiou nas eleições, Dilma Rousseff, fato inédito na República na vigência do estado de direito democrático. E desce a rampa do Planalto nos píncaros da popularidade, com índice de aprovação acima dos 80%, pulverizando a regra segundo a qual o exercício longevo do poder desgasta.

Costuma-se dizer que apenas o distanciamento histórico permite avaliações serenas, diluídas as paixões ideológicas e partidárias. Ainda mais quando se trata de um personagem que ultrapassou os limites entre a política e a mitologia, com pitadas de culto à personalidade — não desestimulado por ele. Sintomático que, no último pronunciamento em rede nacional, Lula tenha parafraseado a carta-testamento de Getúlio.

Mas não é preciso esperar o tempo passar. Há aspectos positivos indesmentíveis na Era Lula: a redução da miséria (20,5 milhões resgatados desta situação, segundo a FGV), com a ampliação de classes médias baixas; e também a defesa da estabilização da economia. Lula patrocinou a menor taxa de desemprego jamais calculada (5,7%) e deixa a economia num ano de crescimento de cerca de 7,5%, porém com a contrapartida da inflação em alta.

No plano político, usou o bom senso aplicado na questão econômica no primeiro mandato para contornar o risco de grave crise institucional, ao rejeitar o projeto continuísta.

Mas é preciso mesmo esperar para se saber o que será determinante para a História: se os resultados positivos ou o lado negativo destes oito anos, combatido à base de maciça propaganda ufanista.

Para quem apenas ouve o discurso dos poderosos de turno, o Brasil foi campeão no torneio de crescimento mundial. Longe disso.

Há meses, o conhecido colunista econômico do “Financial Times” Martin Wolf registrou que, de 1995 a 2009, período de FH e Lula, a participação brasileira no PIB do planeta caiu de 3,1% para 2,9%.

Estatísticas sobre o comércio internacional não são melhores: apesar do salto das exportações brasileiras, o peso do país nas trocas mundiais se encontra estacionado em pouco acima de 1%.

Tampouco a política externa serviu ao propósito de abrir mercados. Inspirada num antiamericanismo juvenil, a diplomacia companheira caiu na ilusão terceiromundista do diálogo “Sul-Sul” num mundo cada vez mais multipolar. Um contrassenso.

Se foi anêmico o crescimento durante a gestão FH - que enfrentou conjuntura mundial muito diferente da de que se beneficiou Lula --, nos últimos oito anos o país também continuou a patinar em termos de expansão comparativa do PIB.

Mas o discurso oficial trata o fracasso como grande sucesso. Em qualquer comparação que se faça, a posição do país não corresponde ao ufanismo sem medidas: no período Lula, entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China), o país é que tem a menor média de expansão anual - 4% contra 4,8% dos russos, 8,2% da Índia e 10,9% dos chineses. Mesmo na América Latina, o Brasil fica abaixo da média do continente (4% contra 4,64%). Supera apenas o México (2,1%).

Problema nada desprezível são os juros elevados - os 10,75% mantêm o país no desabonador posto de líder mundial nos juros reais (deduzida a inflação). Algo como 5% anuais, quando a tônica tem sido em torno de 2%, mesmo entre os emergentes. Já foram muito mais elevados, é verdade.

Como causa básica do problema estão gastos públicos crescentes, marca do governo Lula, principalmente no segundo mandato, característica enaltecida por parte do PT. E, sem conseguir reduzir os juros naturalmente, impossível elevar a taxa média de crescimento, e mantê-la por longo prazo, a fim de eliminar de vez a miséria. O gasto público sem controle conspira contra o combate à pobreza.

O Brasil cresceu porque foi puxado por um dos mais longos e consistentes ciclos de crescimento mundial sincronizado, com a China na função de locomotiva.

O país surfou a onda, mas não conquistou novos espaços. Poderia ter conquistado, caso a política de estabilização executada por Lula no início do primeiro mandato, para conter os efeitos negativos decorrentes da compreensível reação dos mercados às perspectivas de um governo do PT, tivesse, como sequência, as reformas da Previdência, tributária, da esclerosada legislação trabalhista, entre outras.

Mas o governo preferiu a capitalização político-eleitoral de curto prazo, e não a preparação do país para um longo ciclo de crescimento sustentado.

Em vez de investimentos, nas dimensões necessárias, na melhoria da qualidade do ensino básico, privilegiaram-se gastos de custeio (salários de servidores e contratações); em vez de aperfeiçoamento e ampliação da infraestrutura, aumentos reais excessivos do salário mínimo, sem preocupação com o impacto na Previdência.

E, quando surgiu o PAC, emergiu a incompetência gerencial de uma burocracia inchada de servidores e controlada por corporações sindicais aliadas.

Com a economia estabilizada, o crescimento em aceleração e o consequente aumento da arrecadação tributária, ficou mais visível o projeto lulopetista do “Estado forte”: carga tributária elevada (36% do PIB) e a ingerência do poder público na “indução” ao desenvolvimento. Inevitável que junto a este modelo brotassem ranços políticos autoritários.

Lula se despede com o mantra de que defende a liberdade de imprensa e expressão. Mas algumas iniciativas do governo foram em sentido oposto.

A crise mundial, deflagrada em fins de 2008, viria a conceder a Brasília a licença para gastar ainda mais em custeio - peça fundamental no projeto político-eleitoral de 2010 - e a usar instrumentos heterodoxos, arriscados, na capitalização de bancos estatais. O movimento mais notório foram os R$ 180 bilhões destinados ao BNDES por meio do endividamento público.

A parte mais clara deste projeto estatista, uma reprodução do intervencionismo do governo militar de Ernesto Geisel, está na mudança do sistema de exploração do petróleo, para restabelecer parte do monopólio da Petrobras, torná-la operadora única nas áreas do pré-sal a serem licitadas, convertendo-a em instrumento de uma arriscada política de substituição de importações de equipamentos.

A Viúva pagará a conta da aventura, como já aconteceu após Geisel.

Também é negativo o balanço na política no aspecto do seu garroteamento pelo estilo fisiológico de negociação de alianças imprimido pelo lulopetismo.

No primeiro mandato, construiu-se o esquema do mensalão, para azeitar o apoio parlamentar ao governo.

Vitorioso Lula em 2006, o lulopetismo foi mais objetivo na montagem da base do segundo mandato: negociou verbas e vagas no ministério com o PMDB e partidos menores, sem pudor – fórmula repetida na construção da equipe que assume com Dilma amanhã.

A política com “p” maiúsculo terminou emasculada. Antigas aliadas ideológicas, corporações sindicais foram convidadas ao banquete de repartição do butim do imposto sindical, na contramão da proposta de um sindicalismo “não varguista”, independente do Estado, feita por novos líderes metalúrgicos do ABC paulista no final da década de 70/início dos anos 80, Lula à frente deles.

Até a outrora combativa UNE virou correia de transmissão do governo, cevada a doses generosas de dinheiro do Tesouro.

Não se desmerecem a inteligência e a competência políticas de Lula e do PT. Mas a realidade é a realidade, e há armadilhas engatilhadas no exercício do poder pelo lulopetismo que precisam ser desarmadas para o bem do governo Dilma e do país.

Warren Buffett, bilionário americano, criou uma imagem célebre: “Somente quando a maré está baixa é que se pode ver quem está nadando nu.” E a maré da bonança mundial está na vazante há algum tempo.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Jobim acha difícil localizar corpos de militantes que atuaram no Araguaia

porEvandro Éboli
BRASÍLIA - Em relatório que encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os trabalhos de buscas de corpos de desaparecidos políticos na região da Guerrilha do Araguaia, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, conclui que a situação da paisagem da região "dificulta substancialmente" a localização dos pontos onde podem ter sido enterrados os militantes de esquerda que enfrentaram as forças do Exército. Lula havia cobrado Jobim publicamente durante uma cerimônia de entrega do 16º prêmio de Direitos Humanos. (Leia mais: OEA responsabiliza o Brasil por mortes na guerrilha do Araguaia )

A constatação faz parte do relatório da atuação do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), criado pelo governo para cumprir uma decisão judicial que cobra do Estado informações sobre onde foram sepultados os restos mortais dos guerrilheiros. A sentença, da 1ª Vara Federal de Brasília, exige o traslado das ossadas e o sepultamento.

No balanço que entregou a Lula, Jobim presta contas dos trabalhos. Desde 2009, foram ouvidas mais de 150 pessoas, entre camponeses, ex-guias e militares da reserva; foram vasculhados 33 mil metros quadrados com um radar de solo e feitas 104 escavações. Nessas operações, o governo gastou, até agora, R$ 4,6 milhões, contabilizados gastos com diárias, passagens aéreas, locação de veículos, contratação de mão de obra local para escavações, entre outras despesas. Em 2010, foram recolhidas duas ossadas, que estão sob exame do Instituto Médico Legal. Por conta das chuvas, os trabalhos de busca foram suspensos e serão retomadas ano que vem.

No final, o relatório de Jobim trata das dificuldades encontradas pelo grupo e conclui: "A Guerrilha do Araguaia ocorreu em área superior a 7 mil quilômetros quadrados, abrangendo mais de uma dezena de municípios nos estados do Pará, Tocantins e Maranhão. Os restos mortais buscados foram enterrados há quase 40 anos em região tropical muito úmida. A paisagem da região foi totalmente alterada, a floresta amazônica da época da guerrilha cedeu lugar a fazendas e pastagens, fato que dificulta substancialmente a localização dos pontos de inumação (enterrados)".
Comentario meu--Dificil mesmo é encontrar DECENCIA e, como diz o nosso POVO--Vergonha na cara---de qualquer membro do Poder, em qualquer INSTANCIA.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

De Roosevelt@edu para Lula@gov

Caro Lula,Há oito anos, quando o senhor foi eleito presidente do Brasil, eu lhe mandei uma mensagem torcendo pelo seu sucesso e lembrando-lhe a essência do meu êxito.

Governei os Estados Unidos de 1933 a 1945, ganhei a maior guerra de nossa história, mas de Franklin Roosevelt ficou a lembrança de um presidente que mudou a vida do seu povo, criando uma América onde ninguém ficasse de fora.

O mundo aprendeu que, ou haveria capitalismo para todos, ou não haveria para ninguém. O senhor fez o mesmo no Brasil.

Para quem dizia que seu país era uma Belíndia, o senhor tirou da Índia brasileira o equivalente à população de toda uma Bélgica. Entre 2003 e 2009, o número de pobres passou de 30,4 milhões para 17 milhões. O desemprego caiu a níveis históricos e, pela primeira vez em muitos anos, a maioria dos trabalhadores está no mercado formal. O crédito chegou a casas onde a pobreza era um estigma financeiro. Os plutocratas do seu país compreenderam que o acesso dos pobres aos instrumentos da capitalismo é a garantia de sua longevidade.

De tudo o que o senhor conseguiu, o que mais me comove é o resultado desse programa chamado ProUni, que coloca nas universidas jovens de famílias pobres com bom desempenho escolar. Eu fiz coisa parecida, abrindo o ensino superior para os soldados que voltavam da guerra. Em cinco anos, o seu programa atendeu 540 mil jovens. O meu matriculou 2,2 milhões entre 1944 e 1949.

Inicialmente, pensávamos apenas em proteger os veteranos da guerra. Trinta anos depois, verificou-se que a GI Bill foi um dos fatores determinantes para o surgimento de uma nova classe média. Quando o Juscelino Kubitschek me contou que a oposição foi à Suprema Corte para destruir seu programa, percebi que o Padre Eterno fez pelo senhor o que fez por mim: presenteou-nos com uma oposição que assegura nosso lugar na História.

Antes de lhe escrever, jantei com Getúlio Vargas, JK e Ernesto Geisel. Em graus variáveis, os três torciam pelo seu sucesso. Getúlio e JK invejaram sua capacidade de sobreviver ao mandato e eleger a sucessora. Já o Geisel teme que esse sucesso traga um risco. Com a experiência de quem foi escolhido pelo antecessor (um general introvertido chamado Médici) e escolheu o sucessor (outro general, não sei se Figueiredo é o nome dele ou do cavalo que monta), pede que lhe avise: cuidado com a turma da copa e cozinha. É de lá que saem as intrigas. Um deles brigou por causa de uma irrelevância na previdência do Rio Grande do Sul.

Parte de seu sucesso o senhor deve ao professor Cardoso. Não faz mal à sua biografia negar-lhe o crédito. Estive com Ruth, mulher dele, mas não posso contar o que ela me disse a respeito da ultima campanha eleitoral brasileira.

Senhor Silva, repito o que escrevi em 2002. Pouco temos em comum, eu sou de Harvard e de uma família que já havia dado aos Estados Unidos um presidente (que por pouco não morreu na floresta brasileira). O senhor veio de lugar nenhum. Dizem que fui o traidor da minha classe. Felicito-o por não ter traído a sua.
Despeço-me registrando que a admiração de Eleanor, minha mulher, pelo senhor é muito maior que a minha.

Parabéns,

Franklin Roosevelt

Quem nunca comeu melado.......

Tiririca deverá passar por cirurgia

O deputado federal eleito, Francisco Everardo Oliveira Silva (PR), o Tiririca foi internado ontem (28), no Hospital São Matheus, em Fortaleza, após sentir fortes dores na barriga. Ele deve passar por uma cirurgia de apendicite. A família do deputado pediu que não fossem divulgados boletins médicos, porém, o filho do humorista, Everson Silva, informou que Tiririca exagerou na alimentação das festas de fim de ano, o que pode ter agravado a situação.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Herança maldita

Com Lula lá, o Brasil cresceu, e a renda dos mais pobres, também. Isso é bom. Isso é ótimo. Isso faz a diferença. Mas o Brasil que Dilma recebe piorou em alguns aspectos:

1) Lula mimou, além da conta da governabilidade, políticos polêmicos como Roberto Jefferson (antes do mensalão), Jader Barbalho, Renan Calheiros, Sarney, Collor, Eduardo Cunha, Severino Cavalcanti etc. Dilma, se for seu interesse, terá trabalho para "desmimar" essa gente mal acostumada pelos afagos lulistas.

2) Dilma herda um quadro político de quinta categoria, e não só na Câmara e no Senado. O fisiologismo e a corrupção ficaram ainda mais robustos nos últimos anos. Lula, pena, não usou seu imenso e legítimo prestígio para promover uma reforma política, nem que fosse meia bomba.

3) Lula entrou e vai sair com o maior juro real do mundo, para a alegria dos banqueiros e o sofrimento do resto da economia (eu, tu, ele...).

4) Nos últimos oitos anos, os serviços dos Correios pioraram (sem falar na corrupção), e os aeroportos, idem.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Marx e seu legado de horrores

Por Ipojuca Pontes
No momento em que escrevo estas notas, o Produto Interno Bruto brasileiro está sendo avaliado em mais R$ 3 trilhões (à margem o que se opera na sábia economia paralela), 38% dos quais vão diretamente para os cofres do governo e são torrados, em sua quase totalidade, em grossos salários e aposentadorias, propaganda, subsídios e patrocínios, viagens incessantes locais e internacionais, verbas de representação, festas, almoços, jantares, manutenção e custeio da amplíssima máquina burocrática, propinas, doações a fundo perdido, além de mordomias múltiplas - para não falar nas bilionárias e permanentes falcatruas das agências, bancos, ministérios e institutos oficiais.

A justificativa encontrada pela elite política e administrativa do país para gastos tão alarmantes quanto inúteis são os imperativos de se obedecer aos dispositivos constitucionais, traçados pela própria elite, e que impõem um simulacro de deveres para com o “social” – fraude lastreada, na atual temporada, pelo ardiloso programa do Bolsa Família. De fato, aos olhos de todos (se não estiverem tapados), na medida em que crescem de forma galopante as escorchantes tributações sobre os bens e ganhos privados, dos trabalhadores e dos empresários, aumenta o número de “excluídos”, pois uma coisa decorre exatamente da outra: é o “Estado forte” (com suas “empenhadas” elites partidárias e instituições burocráticas em geral) que se apropria, por força da violência legal (e da inércia ou ignorância da população), da riqueza produzida pela sociedade para usufruto diuturno de privilégios.

A grande e inominável sacanagem que a elite política (à esquerda e à “direita”) comete contra o povo brasileiro consiste em não esclarecer alto e bom som quanto à absoluta incapacidade do Estado em solucionar o problema da pobreza e de não o alertar para o fato de que a existência do Estado se fundamenta, por principio, na exploração e escravização da sociedade (daí, a extrema necessidade de tê-lo sob o controle do indivíduo).

Pode-se afirmar, como Hegel, um professor universitário imaginoso e bem-remunerado, que o Estado representa a realidade racional do Espírito absoluto, ou tolerá-lo, no dizer de Roberto Campos, como um mal necessário. Mas, de um modo ou de outro, as medidas paliativas que em seu nome se alardeia, aqui e acolá, bem como as benfeitorias, no campo social, que a toda hora se inventa e proclama - são elas próprias a evidência do malogro.

E aqui entra, mais uma vez, o pensamento de Marx (e afins). Vociferando contra as forças produtivas da sociedade historicamente sedimentada na propriedade privada, na confiança e na solidariedade que os homens cultivam para sobreviver, o irado profeta da trombeta vermelha, por força de um caráter absolutamente egoísta e deformado, fortaleceu como nenhum outro intelectual moderno o mito do Estado (especialmente ditatorial) como instrumento para se chegar à igualdade e à justiça social. Com sua diabólica vocação para vender ilusões e promover discórdias, expressão de injustificada revolta contra uma realidade espiritual transcendente que jamais chegou a entender, ele de fato ajudou (e continua ajudando com a mística do comunismo) a erguer sociedades perfeitamente escravocratas e desiguais, mantidas ora pela mentira e pelo genocídio, ora pelo medo e pelo terror.

Ao cabo de tudo devemos nos indagar sobre a verdadeira razão do prestigio do marxismo na América Latina, levando-se em consideração que as revoluções ocorridas nos últimos 100 anos jamais se deram, conforme previsto por Marx, pelo desenvolvimento das “contradições internas do capitalismo” e menos ainda pela força do “determinismo Histórico”.

Em parte, a pergunta encontra resposta na já mencionada luta campal que grupos, partidos e corporações travam pelo poder, usando como instrumental as mais fantasiosas teorias para legitimar a exploração do trabalho da maioria –

o que significa dizer, em última análise, a exploração da riqueza criada pelo trabalhador e pelo empresário por uma minoria ativa de políticos, corporações e tecnoburocratas que usam o Estado (e seu aparato de violência legal) para impor suas vontades e garantir seus privilégios.

No que se refere à outra parte da resposta, tenho dúvidas quanto à capacidade da maioria em enxergar o óbvio ululante, pelo menos até que sinta na própria carne – a exemplo do que ocorreu na ex-URSS e ocorre hoje em Cuba, Coréia do Norte, Vietnã e China – a tirania da nomenclatura em nome da Ditadura do Proletariado - o que, bem avaliado, no Brasil de hoje é um projeto que navega firme e a todo vapor.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sigilo? Papel Higiênico?....haja.....

Cartões corporativos: governo Lula torrou R$ 350 milhões

Desde 1º de janeiro de 2003 e até o final de outubro deste ano, o governo Lula gastou R$ 350 milhões com cartões corporativos. Em 2010 a conta já ultrapassa R$ 71 milhões, segundo dados do Portal da Transparência. Só a Presidência da República consumiu quase R$ 16 milhões com cartões, este ano, em gastos “sigilosos”. Em 2007 (R$ 76 milhões) e 2010, o governo gastou mais R$ 70 milhões com cartões

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sem comentarios.......

Despesa com deputado vai a R$ 1,6 milhão ao ano; por Henrique Gomes Batista, O Globo

Para manter cada um dos 81 senadores, custo anual chega a R$ 2 milhões. Além de salário, conta inclui benefícios

Com o aumento salarial aprovado pelos próprios parlamentares na quarta-feira, o custo de cada um dos 81 senadores já ultrapassa R$ 2 milhões, por ano. Já o gasto anual de se manter um deputado federal varia entre R$ 1,4 milhão e R$ 1,6 milhão.

Na conta não entra apenas o novo subsídio — de R$ 26.703,10 —, mas também diversos benefícios e verbas indenizatórias. Além disso, os deputados recebem 15 salários por ano e, os senadores, 14, aumentando o valor final.

O número também leva em conta o parlamentar que usa integralmente todos os benefícios a que tem direito, como auxílio-moradia — pago àqueles que não ocupam os apartamentos funcionais — e verbas compensatórias, como ressarcimento para gastos nos escritórios políticos nos estados ou despesas de combustíveis.

Não entram no cálculo despesas que não têm valor estabelecido, como serviços de correio, assinaturas de jornais, revistas e TV por assinatura, além do uso da gráfica do Congresso.

Em média, cada senador custa, por mês, algo entre R$ 129.858,12 e R$ 169.524,28, (ou 255 e 322 salários mínimos) respectivamente. A diferença ocorre porque algumas verbas, como passagens aéreas, variam de acordo com o estado de origem do parlamentar.

Outros valores, como o limite para gasto com telefonia fixa, dobra se o senador for líder partidário. Assim, caso o senador utilize todos os benefícios que tem direito, seu custo anual ficará entre R$ 1,558 milhão a R$ 2,034 milhões.

O principal custo mensal de um senador é a verba de gabinete, que varia entre R$ 80 mil a R$ 100 mil mensais. O valor é determinado como base para se contratar nove servidores de carreira e 11 comissionados. Entretanto, o valor é livre e muitos parlamentares dividem os salários para contratar mais funcionários, até o limite de 79 pessoas.

Na Câmara, os custos são relativamente menores que no Senado: um deputado que usa todos os seus benefícios custa, por mês, algo entre R$ 119.378,87 e R$ 130.378,87 — o que daria para construir duas casas populares na grande São Paulo. Por ano, a conta varia entre R$ 1,432 milhão e R$ 1,564 milhão.

Os deputados contam, desde o ano passado, com uma única cota para exercício de atividade parlamentar, o chamado "cotão", que unificou verbas para passagens aéreas e telefonia, por exemplo.

O valor do "cotão" varia entre R$ 23 mil e R$ 34 mil. Mas o que torna o "preço" dos deputados mais barato que a média dos senadores é que recebem um auxílio-moradia R$ 800 menor e a verba de gabinete é de R$ 60 mil — de R$ 20 mil a R$ 40 mil a menos que no Senado.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Os conflitos de Lula, por Merval Pereira

O presidente Lula está exibindo em público seus conflitos internos à medida que a hora de deixar o poder se aproxima. Desde que Dilma Rousseff saiu do ministério para dar início à campanha eleitoral como candidata a Presidente, e mesmo depois de sua eleição, Lula vem enviando a mensagem, através de gestos e atos, de que não quer deixar o protagonismo político.

Ora surge no noticiário a revelação de que, conversando com um assessor, diz que gostaria que não chegasse o dia em que terá que deixar o cargo; ora ele mesmo brinca em público sobre o fim do mandato.

Um das características do presidente Lula é ser espontâneo no seu relacionamento com o público, revela suas emoções e se torna um íntimo dos eleitores.

E ele está fazendo questão de não esconder a dificuldade com que está lidando com a perspectiva do fim do poder, a ponto de precisar reafirmar sua ascendência sobre a presidente eleita forçando a indicação de ministros – foi o que fez com o ministro da educação Fernando Haddad e com a ministra do meio-ambiente Izabella Teixeira – ou de interferir nas decisões do futuro governo, como no caso da desautorização pública nos cortes do PAC.

Esses são sintomas de que Lula não se adaptará à vida longe da presidência da República, ou de que pretende exercer uma interferência aberta no governo Dilma Rousseff ?

Será que Lula sofrerá da “síndrome de abstinência” longe do poder ou, mais ainda, Lula ficará longe do poder ?

Três especialistas não em política, mas nos segredos da alma humana, analisaram para a coluna as reações do presidente Lula e o que elas podem sinalizar.

O psicanalista Joel Birman acha que o sucesso obtido no governo, e o consequente alto nível de aprovação por parte da população, deu ao Lula um sentimento de satisfação imenso. “Ele tem um nível de felicidade no exercício do poder que poucos políticos têm, de forma que a perda disso é difícil”.

Para Birman, Lula vai ter que ter um “trabalho de luto”. “É como quando morre alguém querido, você tem que enterrar, tem o tempo de tristeza. O Lula está vivendo isso por antecipação, de uma certa maneira ele está prevendo, está calculando o que vai acontecer daqui a vinte e poucos dias”, avalia.

Já o psicanalista Chaim Samuel Katz diz que “todo mundo que sai do centro do poder sofre naquilo que chamamos de narcisismo. E o dele foi alimentado pelo povo de modo muito muito forte”.

Mas, para Chaim, Lula não vai perder poder, vai se recompor e continuará a dar ordens de modo indireto.

O analista Fábio Lacombe considera que Lula, “com toda sua espeteza política, é capaz de perceber que pode ser inadequado levar o narcisismo dele às raias do insuportável”.

Ele ressalta, porém, que “muitos dos atos dele sugerem que vai ser muito difícil não ficar nesse primeiro plano. Ele não vai ter mais em cima dele toda a midia, e aí é o difícil”.

Essa dificuldade também prevê Joel Birman, para quem Lula “vai ter a experiência de perda, de um dia para o outro ele não vai poder exercer o que faz com satisfação”. Lula já disse que sentirá falta “dos microfones”, e, para Birman, o fato de ele estar falando isso com uma certa liberdade é bom, “é sinal de que ele está de certa maneira se antecipando ao que vai acontecer. Quer dizer que ele está elaborando isso”.

Já Chaim Katz acha que é preciso considerar que “há também um certo charme da parte dele”. Para ele, esse é um jeito que faz Lula muito popular. “Para um grupo mais intelectualizado pode parecer que ele está sofrendo, mas para o povo isso parece uma afirmação gozosa do tipo que a gente faz só numa intimidade que domina”, comenta.

O comentário de que vai ficar três meses calado quando sair da Presidência, para só depois falar como ex-presidente, é entendido por Birman como “uma proposta do tempo para fazer o “trabalho do luto”.

O psicanalista vê na “ambiguidade entre o luto inequívoco e inevitável, e o desejo de querer continuar governando” a explicitação da “gratificação imensa” que o exercício da presidência deu para ele.

O que ele está fazendo no fim do mandato, ampliando suas participações públicas, seria uma maneira de criar um clima de festa na despedida, diz Birman. “Quando a possibilidade da perda se anuncia, alimentar o clima de festa é alimentar um momento de embriaguez, uma maneira de ele se contrapor à perda que está se anunciando”.

O analista Fabio Lacombe acha que vivemos num ambiente que privilegia basicamente o registro do imaginário, um dos três registros da existência humana, sendo os outros dois o simbólico e o real, e “só o simbólico é verdadeiramente capaz de acessar o real”.

E Lula, diz Lacombe, se tornou “um mestre” na manipulação imaginária. “O imaginário é o mais primitivo dos registros, principalmente por que ele se quer real. O sujeito vive a imagem como real. Para que ele possa sustentar essa posição ele precisa evitar o simbólico, aquilo que faz o ser humano pensar”, analisa.

Para ele, a nossa política, e talvez não só a nossa, “está totalmente açambarcada por essa voragem do imaginário”.

A liderança de Lula, o que ele tem de excelência, é exatamente aquilo que traduz a precariedade da nossa realidade política, analisa Lacombe.

“Ele é um espelho dessa precariedade, passa a ser o grande representante da precariedade da política, não há a possibilidade do favorecimento de um verdadeiro pensamento. Só faz um jogo imagético”.

É preciso perguntar o que existe em termos simbólicos, verdadeiros, nesses níveis de popularidade. O que esses índices representam em termos de verdade?, questiona Fábio Lacombe. ( Amanhã, Lula o pai)

sábado, 27 de novembro de 2010

Decretadas as prisões da mulher e da amante de Marcinho VP, assim como dos advogados dele e de Elias Maluco

RIO - O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 1ª Vara Criminal de Bangu, decretou nesta sexta-feira a prisão preventiva dos advogados dos traficantes Marcinho VP e Elias Maluco, responsável pela morte do jornalista Tim Lopes. Além dos advogados Flavia Pinheiro Fróes e Luiz Fernando Costa, também foram decretadas as prisões de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Marcinho VP -, e de Beatriz da Silva Costa de Souza, que segundo denúncia do Ministério Público seria amante de Marcinho.

Márcia foi presa em sua residência, em Jacarepaguá. A prisão foi decretada por crime de lavagem de dinheiro. A Justiça pediu o sequestro de bens imóveis de alguns familiares. Já os outros são acusados de passar as ordens de Marcinho VP e de Elias Maluco, que estavam presos no presídio federal de Catanduvas, para o restante da quadrilha, que realizaram os ataques contra alvos civis e policiais no Rio.

Além deles, Marcinho VP e Elias Maluco irão responder por associação para o tráfico e por homicídio, já que eles têm envolvimento direto nos crimes praticados pela quadrilha nos últimos dias. A Justiça determinou ainda que sejam proibidas as visitas íntimas dos presos para evitar a comunicação com a quadrilha. Alexandre Abrahão determinou a transferência imediata dos presos para presídios federais fora do Rio.

O presidente da Ordem dos Advogados do Rio (OAB-RJ), Wadih Damous, afirmou que já está solicitando informações ao Tribunal de Justiça do Rio sobre os dois advogados. Segundo Damous, na segunda-feira deverá ser aberto um processo contra os profissionais no Conselho de Ética e Disciplina da OAB. Eles poderão também ter o registro profissional suspenso temporariamente.

- Não tenho nenhum comunicado do TJ. Vou tentar um contato com o desembargador Luiz Zveiter (presidente do TJ). Na segunda, será aberto um processo no Conselho de Ética e Disciplina com base das informações do TJ. Vamos garantir o amplo direito de defesa, mas se os índicios forem veementes, nós podemos, em tese, suspender preliminarmente o registro profissional deles.

Já o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, afirmou que advogados que ajudam ações criminosas de traficantes são também bandidos.

- A se confirmar que advogados contribuíram com ações do crime organizado no Rio, devem eles responder pelos seus atos, na forma da lei. Nesse sentido, a Ordem dos Advogados do Brasil não transige: se advogado utiliza sua condição para conduzir droga, arma ou telefone celular para o interior da prisão, ou serve de "pombo-correio", deve ser denunciado e punido. Quem faz isso é bandido, não é advogado. A OAB já demonstrou, em inúmeras ocasiões, o que acontece quando o advogado rompe a linha da ética profissional: excluído dos quadros da entidade, consequentemente ele perde o direito de advogar _ afirmou Ophir

DESDE QUE O MUNDO É MUNDO, A MESMA FARSA. Por Carlos Chagas

Não é por acaso que na Europa as populações protestam através de passeatas, greves e confrontos com a polícia. Em Portugal, França, Inglaterra, Grécia, Irlanda e outros países sucedem-se manifestações cada vez menos pacíficas contra os governos respectivos, elevando a temperatura em suas capitais e principais cidades. O cidadão comum europeu, com os estudantes à frente, protesta contra a adoção das milenares receitas para enfrentar crises econômicas: redução de salários, demissões de funcionários públicos, enxugamento das empresas privadas, também com dispensa de trabalhadores, aumento de impostos e supressão de direitos sociais.

Tem sido assim desde que o mundo é mundo: a conta dos erros, excessos e incompetência das elites vai para os menos favorecidos, incluindo-se a classe média no rol. Mesmo variadas, as causas da crise debitam-se em especial à especulação financeira, à ganância e à irresponsabilidade dos grupos econômicos, em geral artífices, formadores e integrantes dos governos.

Desta vez generaliza-se a reação dos oprimidos. Nada que possa redundar em revolução ou impasses institucionais profundos, mas, com toda certeza, movimentos capazes de alterar o equilíbrio político-partidário vigente na maioria dos países referidos. Basta esperar as próximas e sucessivas eleições para constatar que o conservadorismo estará saindo pelo ralo. Em termos democráticos, é a melhor solução, caso haja tempo para a extinção por via pacífica da farsa das elites.

Essas considerações se fazem a respeito das recentes declarações de Guido Mantega, conservado no ministério da Fazenda, pela necessidade de o Brasil apertar o cinto. A barriga continua sendo a nossa, ou seja, os funcionários públicos não terão reajuste salarial, ano que vem, os cortes atingirão os investimentos públicos e o custeio da máquina oficial, além da ameaça de aumento de impostos. A mesma receita, por enquanto menos aguda do que no Velho Mundo, mas seguindo o modelo de sempre.

Nem lá nem cá o poder público preocupa-se em tirar recursos de onde eles são fartos. Nada de taxar especulações, muito menos de restringir privilégios e benefícios das elites. É bom tomar cuidado. Um dia as manifestações de protesto eclodirão por aqui, e não haverá bolsa-família que dê jeito...

É TERRORISMO MESMO

O que aconteceria caso os narcotraficantes estivessem vendendo livros de Marx e Lênin em vez de cocaína, pregando a ditadura do proletariado em lugar de dominarem comunidades cada vez maiores no Rio de Janeiro, onde pensa o leitor que estariam as Forças Armadas? Claro que nas ruas, com todo o seu poderio, combatendo e esmagando a subversão.

Qual a diferença, se a antiga capital vive dias de guerrilha urbana explícita, com todo o horror e a bestialidade que mídia apresenta? Nenhuma, porque metralhar postos policiais em nada difere de explodir quartéis, como queimar ônibus e carros particulares é a mesma coisa do que incendiar viaturas militares.

Com todo o respeito, as Forças Armadas já deveriam estar ocupando bairros e subúrbios do Rio, intimidando com sua presença a ação do terrorismo. Invadir as bocas de fumo no alto das favelas difere em quê, das operações antes desencadeadas contra “aparelhos” no alto de edifícios?

À maneira dos paquidermes, o poder público arrasta-se no sentido de reconhecer a necessidade imperiosa de mobilizar Exército, Marinha, Fuzileiros e Aeronáutica. Já era para o presidente Lula ter dado a ordem, com base na Constituição, mesmo sendo o bandido de bermudas e sandálias havaianas fisicamente distinto dos subversivos do passado, de calças jeans, camisas pólo e sapatos sem cadarço.

A pedido das autoridades fluminenses a Marinha saiu na frente, oferecendo viaturas de combate para a Polícia Militar invadir uns tantos morros. Falta pouco, mas é um parto perigoso, significando perda de tempo por parte do poder público e ocupação de espaços, pela bandidagem. O terrorismo tem muitas faces, mas Osama Bin Laden e Elias Maluco formam uma só pessoa.

A TAREFA MAIS DIFÍCIL

Montada as equipes econômica e palaciana, por Dilma Rousseff, aceitando indicações do Lula, mas nem tanto, a pergunta é como a presidente eleita se livrará da tutela dos partidos da base oficial. Chegou a hora de começar a escolher os representantes do PT, do PMDB, do PSB e outros aliados. Caso prevaleçam as indicações partidárias exclusivas, começará aos tropeções o novo governo. Menos mal se ela exigir dos partidos a apresentação de gente com capacidade óbvia para dirigir os diversos setores da administração pública.

Já se alertou aqui para a importância de a presidente dar um murro na mesa. Se deu, estava de luvas. Ou atingiu apenas o vento.

A corrida por lugares na equipe não se limita a ministérios, envolvendo diretorias de órgãos da administração direta e de empresas estatais. O perigo é de um agrônomo acabar nomeado para a Fundação Nacional de Saúde ou de um médico tornar-se coordenador político (ops, cala-te boca...).

ANTES DA HORA NÃO É HORA
O comentário era do presidente Castello Branco: “antes da hora, não é hora, mas depois da hora, também não”.

Tem gente cobrando de Dilma Rousseff definições que ela ainda não pode tomar. Como escolher o novo ministro das Relações Exteriores sem antes definir se manterá a política ditada por Celso Amorim, de que só diplomatas de carreira devem ocupar embaixadas e postos correspondentes do Brasil, lá fora? O presidente Lula começou nomeando três embaixadores fora da carreira: Itamar Franco para a Itália, Paes de Andrade, para Portugal, e Ildem Santiago, para Cuba. Em menos de dois anos o ainda chanceler conseguiu tirar o tapete dos três, convencendo o chefe de só indicar funcionários do Itamaraty.

Historicamente, nossas representações lá fora tem servido para acomodar políticos, amigos e até incomodas presenças para os donos do poder. Delfim Netto foi mandado por Ernesto Geisel para Paris, já que aqui continuaria criando problemas. Dilma Rousseff não teria de quem se livrar, a começar pelos companheiros derrotados no último outubro? O novo (ou a nova) chanceler, antes da escolha, precisará definir-se a respeito da norma do antecessor, ou melhor, esperar que a presidente eleita se defina.
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Equipe econômica e o dedo de Lula

Futuros nomes da área, como Mantega, Miriam Belchior e Tombini, não estavam no desenho original de Dilma//Gerson Camarotti, Patricia Duarte e Eliane Oliveira

Os três principais nomes que serão anunciados hoje pela presidente eleita, Dilma Rousseff, para sua equipe econômica tiveram grande influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. São mais ligados a Lula do que a Dilma.

Conforme antecipou ontem O GLOBO, a trinca será formada pela gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Miriam Belchior, que assumirá o Ministério do Planejamento; pelo diretor de Normas do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, que irá para a presidência da instituição; e por Guido Mantega, que permanecerá no Ministério da Fazenda.

Esse não era o desenho original pensado por Dilma.

Pesaram na decisão da presidente eleita a força do continuísmo e o esforço por um gesto de conciliação na transição.

Segundo interlocutores, o nome preferido de Dilma para comandar a Fazenda era o do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que ficará no cargo e deve ser confirmado hoje.

O secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, era pensado para o Planejamento. Os dois são os economistas mais consultados por Dilma.

Hoje, antes de participar de uma audiência pública no Senado, o presidente do BC, Henrique Meirelles, dará entrevista para falar do caso do banco PanAmericano, que quase quebrou devido a fraudes, e confirmará que deixará o cargo no último dia deste ano.

Meirelles e Dilma teriam um encontro ainda ontem à noite. Também ontem à noite, Dilma voltou a se encontrar com Lula no Palácio da Alvorada.

Dilma não gostou do fato de Meirelles ter exigido manter a autonomia do BC para permanecer no cargo, como noticiado semana passada.

Hoje, Meirelles dirá que considera concluído seu trabalho à frente do BC de manutenção da estabilidade econômica do país.

A escolha de Tombini foi uma decisão pragmática de Dilma — para evitar solavancos na política econômica —, mas também teve grande influência de Lula. Ainda na semana passada, Lula comentou com parlamentares que Tombini seria o futuro presidente do BC, e que o nome era do agrado do próprio Meirelles.

Apesar das concessões a Lula, Dilma sinalizou que quer comandar pessoalmente o processo decisório da política econômica e influir na troca de cargos importantes da Fazenda, como a Receita.

Ela já avisou que deseja uma equipe harmônica. Ou seja, não adotará o modelo de Lula de estimular divergências para construir o consenso.

O nome de Miriam Belchior não era a opção original para o Planejamento. Apesar de ser subordinada a Dilma na Casa Civil, Miriam sempre foi ligada a Lula e ao chefe de Gabinete, Gilberto Carvalho. Nos bastidores, Carvalho defendeu a indicação de Miriam. Quando Lula quis nomeá-la para chefiar a Casa Civil, em março, foi a própria Dilma quem pediu a Lula pela sua então secretária-executiva, Erenice Guerra.

Miriam integra o seleto grupo de auxiliares diretos de confiança máxima de Lula. Ela e Carvalho foram secretários em Santo André (SP), na gestão do então prefeito Celso Daniel, morto em 2002, com quem Miriam foi casada.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

DUAS CATEGORIAS DISTINTAS , por Carlos Chagas--Jornalista

Na hora em que se protesta contra o trancamento dos arquivos da ditadura, seria bom que algum historiador ou aluno de doutorado em ciência política se dedicasse a identificar, entre as vítimas da truculência anterior, quantos optaram pela luta armada apenas para restabelecer a democracia entre nós e quantos praticavam a guerrilha visando estabelecer outra ditadura, no caso, do proletariado. Porque a divisão, à época encoberta e até sigilosa, serviria para definir muita gente hoje galgando ou já incrustada no poder. Não que muitos não possam ter mudado. Ninguém é obrigado a aferrar-se a concepções do passado. Mas muita gente se surpreenderia, caso a pesquisa fosse feita...

ELA JÁ SABE

Dilma Rousseff está de novo em Brasília para uma profusão de rodadas de conversas, debates, consultas e entendimentos visando a formação de seu programa de governo e, em especial, de seu ministério. Essa é a versão oficial, mas há quem suponha que, desde seu retorno da Coréia, a presidente eleita já compôs a equipe e definiu as linhas base de sua administração.
Apenas, guarda umas e outras para o travesseiro, preservando-se do desgaste de agradar uns poucos e desagradar muitos.
Claro que retificações poderão ser feitas até quinze minutos antes do anúncio, geradas por fatores variados, mas arrisca-se a passar por bobo quem supuser que Dilma ainda não sabe quem será o seu chefe da Casa Civil, seu ministro da Fazenda, seu ministro da Defesa e seu chanceler.
E muitos outros ministros. Fala-se da cristalização das escolhas a partir da volta da Coréia tanto pelas sucessivas horas de conversa da presidente eleita com o presidente Lula quanto do tempo de que ela dispôs para meditar, em Seul e nos deslocamentos, sem estar cercada do enxame de assessores e de bicões dispostos ao seu redor.

Respostas da Petrobras a ataque da folha para queimar a diretora Foster.

Veja abaixo a pergunta feita pelo jornal O Globo e a resposta enviada pela Petrobras para a matéria publicada nesta segunda-feira (15/11):
Petrobras fecha contrato com marido de diretora..
Pergunta: Estou com a suíte da matéria da Folha de SP sobre os 42 contratos firmados entre a empresa C.Foster e a Petrobras (empresa do marido da diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster) e, conforme contato telefônico, seguem algumas dúvidas:
- Gostaria de saber o que a Petrobras fala sobre o possível favorecimento à C.Foster, após a entrada de Mª das Graças na diretoria de gás e energia;
-Os contratos não tiveram licitação, isso não reforçaria a denúncia de favorecimento?

-O que a diretora Mª das Graças diz sobre a denúncia da Folha?

Resposta: A respeito de matéria publicada hoje (14/11) na imprensa, a Petrobras esclarece que não houve favorecimento à empresa C. Foster e que não houve qualquer irregularidade nas pequenas compras de componentes (e não contratações, como publicado). A Petrobras reafirma que 20 compras foram realizadas por dispensa de licitação, pois os valores foram abaixo de R$ 10 mil. As demais foram feitas por meio de processo licitatório, conforme estabelece o Decreto nº 2.745/98 e o Manual de Procedimentos Contratuais da Petrobras. A C. Foster não foi a vencedora em mais de 90% das licitações da Petrobras de que participou. Portanto, nunca houve favorecimento à empresa. De 2005 a 2010, as compras somaram R$614 mil, contra os cerca de R$50 milhões que a Petrobras adquiriu no período de outras empresas que fornecem os mesmos tipos de materiais da C. Foster. As compras foram feitas por quatro áreas da Companhia, nenhuma delas vinculada à Diretoria de Gás e Energia.Tratam-se, portanto, de compras realizadas em estrita conformidade com as normas – tanto com as que regulam os procedimentos de aquisição de equipamentos e serviços da Petrobras quanto com as que versam sobre a conduta ética dos administradores da Companhia.

Leia também o esclarecimento enviado ao Jornal do Commercio nesta segunda (16/11): Em relação à matéria sob o título “Mulheres ganham força no tabuleiro de Dilma“, a Petrobras esclarece que a diretora de Gás e Energia, Maria das Gracas Foster, nunca foi presidente da Sulgas como afirma a matéria”.

Contratos com fornecedores: respostas e carta à Folha de S. Paulo

Leia a matéria “Petrobras tem 43 contratos com marido de ministeriável” ( versão on-line) e “Petrobras tem 42 contratos com marido de ministeriável” ( versão impressa), publicada neste domingo (14/11) pelo jornal Folha de S.Paulo.
Confira aqui a carta enviada ao jornal e abaixo as perguntas e respostas encaminhadas pela Petrobras.

Pergunta: Dos 43 contratos da Petrobras com a C.Foster (CNPJ 31.043.482/0001-90) quantos foram firmados a partir de 2007 e qual o valor deles?

Resposta: A Petrobras tem processos de pequenas compras realizados diretamente e descentralizados pelas unidades da Companhia. No caso concreto, as pequenas compras realizadas pelas áreas de Tecnologia de Informação e Telecomunicações – TIC, Serviços Compartilhados e Exploração e Produção, feitas no período de 2007 a 2010, totalizaram 42 processos de compras de componentes eletrônicos que somaram o valor de R$ 599 mil, sendo 20 processos realizados por dispensa de licitação em razão do valor ser abaixo de R$ 10 mil e os 22 restantes, por meio de processo licitatório, conforme estabelece o Decreto nº 2.745/98 e o Manual de Procedimentos Contratuais. Cumpre informar que a Petrobras tem inúmeros fornecedores de componentes eletrônicos, cujo volume anual de compras é de cerca de R$ 10 milhões.

Pergunta: Como Diretora de Gás e Energia, a sra. Maria das Graças Foster assinou quantos deles?

Resposta: Não assinou nenhum processo de compra.

Pergunta: Qual foi a participação dela na contratação da empresa C.Foster?

Resposta: Nenhuma.

Pergunta: Para a Petrobras há algum impedimento para firmar contratos com empresas de parentes de diretores? Se positivo, em que circunstância?

Resposta: As normas legais que tratam da matéria estão contidas no Código de Conduta da Alta Administração Federal, no Código de Ética da Petrobras e no Decreto n° 7.203/2010. Todos estabelecem que seja vedada à autoridade pública a contratação direta sem licitação na área sob sua responsabilidade na empresa, cujo titular ou sócio guarde relação de parentesco. Portanto, os processos de compra objeto desta matéria, não foram realizados por qualquer área subordinada à Diretoria de Gás e Energia.

Pergunta: No período em que esteve no Cenpes, a sra. Maria das Graças Foster foi alvo de dois trabalhos investigativos. Gostaria de saber o resultado das apurações relacionadas a um flagrante de invasão na sala do chefe da Diplot e a um suposto favorecimento às empresas C.Foster e Chandler Engineering Co, no Cenpes

Resposta: Houve somente um processo investigativo, consubstanciado numa Comissão de Sindicância instaurada em 1999 e encerrada em abril/2000, que concluiu não haver provas de má-fé ou intuito de auferir vantagens financeiras nos processos sob análise. A Petrobras, em nome do princípio de transparência, submeteu à matéria ao Ministério Público que concluiu pelo arquivamento, deferido pela 20ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, por absoluta inexistência de provas. Quanto à apuração do caso da Diplot, não há qualquer participação da Diretora de Gás e Energia.

Pergunta: Quais são as outras investigações internas na Petrobras (em curso ou já encerradas) envolvendo a sra. Maria das Graças Foster e a C.Foster?
Resposta: Inexistem.

Pergunta: Como a sra. Maria das Graças Foster e a Petrobras respondem às suspeitas de que a empresa do marido dela possa ser beneficiada em função dos cargos em que a engenheira ocupa?

Resposta: As respostas já foram dadas acima.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Real forte acelera renovação industrial

Raquel Landim - O Estado de S.Paulo
O real forte está ajudando em uma das maiores renovações do parque industrial brasileiro. Nos últimos quatro anos, o País importou US$ 124 bilhões em bens de capital (entre 2007 e outubro deste ano). A cifra impressiona porque significa mais que o dobro dos US$ 57 bilhões adquiridos entre 2003 e 2006. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento.

São milhares de prensas, fresas, tornos, tratores e todo tipo de equipamento destinados a elevar a capacidade de produção do País, que cresce a um ritmo de mais de 7% ao ano. A desvalorização do dólar barateou as máquinas importadas e a crise global provocou uma "liquidação" de equipamentos no exterior.

Um ciclo de investimentos dessa magnitude aumenta a oferta de produtos na economia e, consequentemente, reduz a pressão sobre os preços. Mais máquinas também significam mais tecnologia. Cálculo da Consultoria Tendências mostra que a produtividade da indústria avançou 6% ao ano entre 2007 e setembro de 2010 - o dobro do registrado entre 2002 e 2006.

Os investimentos brasileiros são capitaneados pela infraestrutura e pelo mercado interno. A Votorantim Cimentos comprou R$ 225 milhões em máquinas em meados do ano. Os equipamentos foram adquiridos na Dinamarca e na Alemanha e serão instalados nas oito novas fábricas de cimento que a empresa pretende construir até 2013.

A Klabin vai aplicar R$ 142 milhões na compra de máquinas para a produção de caixas de papelão ondulado. A empresa também vai instalar uma nova linha de sacos industriais no primeiro semestre de 2011. Segundo o diretor de suprimentos, Francisco Razzolini, essa área representa um terço dos investimentos.

"Várias empresas aproveitam a situação cambial para adquirir equipamentos e comprar ativos no exterior. No médio prazo, é positivo para o comércio exterior, porque garante ganhos de eficiência e redes de distribuição", disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral.

Para David Kupfer, coordenador do grupo de indústria e competitividade da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ocorreu um "estouro" de importações de bens de capital quando o Brasil saiu da crise. Ele acredita que o atual ciclo de investimentos está só no início e deve durar muito mais. "Esse período se estenderá por sete a oito anos."

Efeito negativo. O dólar forte, no entanto, também traz impactos negativos para a indústria, reduzindo a competitividade na exportação e acirrando a concorrência no mercado interno. "Nos últimos anos, predominou o efeito positivo do câmbio. Mas é evidente que caminhamos para o segundo efeito se tornar predominante, com a substituição da indústria nacional por importados", disse Paulo Miguel, economista da Quest Investimentos.


domingo, 21 de novembro de 2010

"Folha" omite informações dadas pela Petrobras para “fritar” ministeriável

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É impressionante a capacidade da Folha de São Paulo em criar factóides, transformando a realidade em uma “supra-realidade” existente somente dentro de suas redações, não conhece limites. Tanto na sua edição impressa quanto na edição online deste domingo, 14, a Folha trouxe uma matéria intitulada “Petrobras tem 43 contratos com marido de ministeriável“, com o claro objetivo de associar a diretora de Gás e Energia da estatal, Maria das Graças Foster, nome cotado para o primeiro escalão do governo Dilma, a um esquema de favorecimento em que o beneficiado seria o seu marido.

De acordo com a reportagem da Folha, a empresa do marido de Graça, como é conhecida a diretora da Petrobras, “multiplicou os contratos com a Petrobras a partir de 2007, ano em que a engenheira ganhou cargo de direção na estatal”. O jornal prossegue dizendo que “nos últimos três anos, a C.Foster, de propriedade de Colin Vaughan Foster, assinou 42 contratos, sendo 20 sem licitação, para fornecer componentes eletrônicos para áreas de tecnologia, exploração e produção a diferentes unidades da estatal. Entre 2005 e 2007, apenas um processo de compra (sem licitação) havia sido feito com a empresa do marido de Graça, segundo a Petrobras”.

Quem lê a matéria fica exatamente com a impressão de que bastou Graça Foster assumir a diretoria de Gás e Energia da Petrobras para que a empresa de seu marido passasse a ser beneficiada em contratos com a estatal, dos quais quase a metade foi firmada sem licitação. Puro factóide. A reportagem feita pela Folha desconsidera uma série de informações relevantes que foram fornecidas pela estatal e que foram publicadas pelo Blog da Petrobras tão logo a estatal tomou conhecimento de mais esse factóide criado pela Folha.

Passemos aos fatos. Para a elaboração da reportagem, a equipe da Folha enviou à Petrobras uma lista de sete perguntas, tratando exatamente da relação comercial entre a empresa do marido de Graça – a C.Foster – e a estatal. Contudo, ao elaborar a matéria, a Folha manipulou essas respostas, passando ao leitor informações incompletas e que inevitavelmente levariam a uma interpretação equivocada do seu conteúdo. Vejamos: na primeira questão, a Folha pede informações sobre o número de contratos feitos pela estatal com a C.Foster desde 2007, bem como o valor dos mesmos. A resposta da Petrobras foi a seguinte:

“A Petrobras tem processos de pequenas compras realizados diretamente e descentralizados pelas unidades da Companhia. No caso concreto, as pequenas compras realizadas pelas áreas de Tecnologia de Informação e Telecomunicações – TIC, Serviços Compartilhados e Exploração e Produção, feitas no período de 2007 a 2010, totalizaram 42 processos de compras de componentes eletrônicos que somaram o valor de R$ 599 mil, sendo 20 processos realizados por dispensa de licitação em razão do valor ser abaixo de R$ 10 mil e os 22 restantes, por meio de processo licitatório, conforme estabelece o Decreto nº 2.745/98 e o Manual de Procedimentos Contratuais. Cumpre informar que a Petrobras tem inúmeros fornecedores de componentes eletrônicos, cujo volume anual de compras é de cerca de R$ 10 milhões”.

Percebam que na sua reportagem, a Folha omite que 1) as compras não foram realizadas pela diretoria de Gás e Energia (a qual pertence Graça) e sim por outras áreas da empresa; 2) os 20 contratos firmados sem licitação foram feitos dessa forma pelo valor deles ser inferior a R$ 10 mil; 3) o valor total dos contratos com a C.Foster é R$ 599 mil, o que corresponde a apenas 6% do volume anual de compras de componentes eletrônicos pela estatal (R$ 10 milhões). Em seguida, a Folha pergunta quantos desses contratos foram assinados por Graça, tendo como resposta da estatal “[Graça] não assinou nenhum processo de compra”.

Também foi perguntado pelo jornal qual foi a participação de Graça na contratação da C.Foster. Novamente, a estatal responde “nenhuma”. Naturalmente, essas informações também foram oportunamente omitidas da matéria publicada pela Folha de São Paulo. Perguntada pela Folha se existe algum tipo de para firmar contratos da Petrobras com empresas de diretores, a estatal foi bastante clara: “as normas legais que tratam da matéria estão contidas no Código de Conduta da Alta Administração Federal, no Código de Ética da Petrobras e no Decreto n° 7.203/2010. Todos estabelecem que seja vedada à autoridade pública a contratação direta sem licitação na área sob sua responsabilidade na empresa, cujo titular ou sócio guarde relação de parentesco. Portanto, os processos de compra objeto desta matéria, não foram realizados por qualquer área subordinada à Diretoria de Gás e Energia”.

As respostas da Petrobras deixam absolutamente claro que todos os 42 contratos feitos entre a estatal e a C.Foster, empresa do marido de Graça, ocorreram dentro da legalidade, não havendo qualquer esquema de favorecimento. Contudo, em sua reportagem online, a Folha omitiu uma série de informações que foram dadas pela Petrobras, provocando, dessa maneira, um equívoco bastante oportuno na leitura da matéria. Essa atitude da Folha só pode ter duas razões: 1) ou uma total inexperiência do jornalista responsável pela matéria; 2) ou uma manipulação premeditada das informações dadas pela estatal buscando, com isso, criar um factóide e desconstruir a imagem de Graça Foster, cujo nome vem sendo cotado para o primeiro escalão do governo Dilma.

O histórico da Folha faz com que fiquemos com a segunda opção. Afinal de contas, não seria a primeira vez que o jornal da família Frias manipula informações para criar factóides no sentido de “fritar” nomes ligados de alguma forma ao governo federal. A leitura das respostas dadas pela Petrobras deixa claro que houve uma má intenção da Folha na edição desta reportagem: caso contrário, o jornal não teria omitido informações que demonstram que não houve qualquer favorecimento nos contratos firmados entre a estatal e a empresa do marido de Graça. Mais um tiro no pé dado pela Folha, cuja credibilidade já não anda lá essas coisas.
O Portal Maritimo

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Milagres, Competência, Sorte ou CORRUPCÃO?!

Governadores mais ricos comandam regiões mais pobres

Os 27 governadores eleitos no mês passado declaram à Justiça Eleitoral uma fortuna de R$ 63,53 milhões em patrimônio pessoal.

Na média, cada chefe de executivo estadual tem R$ 2,35 milhões em bens. São 14 os que informaram ter patrimônio acima do R$ 1 milhão.

O mais rico deles é o governador reeleito de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), que apresentou declaração de bens que soma R$ 14,62 milhões.

Levantamento feito na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra ainda que oito governadores eleitos apresentaram evolução patrimonial superior a 200% nos últimos anos. Neste caso, a líder é a governadora também reeleita do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB).

Em 2006, a declaração dela listava 15 bens, mas informava apenas o valor depositado em seu fundo de previdência privada: R$ 172.734,71 - em valores corrigidos.

Para esta eleição, Roseana apresentou declaração com 25 bens e valor total de R$ 7.838.530,34. O crescimento foi de 4.437,90% em quatro anos.

As Alagoas de Teotônio e o Maranhão de Roseana ocupam a 25.ª e a 26.ª posição, respectivamente, no ranking do Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos Estados, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dois Estados também estão nas duas últimas posições do ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que lista indicadores na área de Educação, renda e expectativa de vida.

Entre os governadores eleitos que tiveram expressiva evolução patrimonial, também destacam-se o de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), e o do Acre, Tião Viana (PT).

Prefeito eleito de Ariquemes em 2008, Moura informou à Justiça Eleitoral na ocasião ter patrimônio de R$ 385.775,34, em valores atualizados. Agora, apresentou declaração de R$ 8.554.881,14.

Crescimento de 2.117,58%. Quando se elegeu para o Senado em 2006, Viana disse ter patrimônio de R$ 28.794,65. Agora, passou para R$ 551.098,50, avanço de 1.813,89%.

domingo, 14 de novembro de 2010

Fazendeiros ocupam 90% da reserva xavante no MT


Liana Melo, O Globo
São Félix do Araguaia-MT--A cena se repete duas vezes ao dia. A primeira antes do pôr do sol; a segunda, ao entardecer. Os anciões da terra indígena Marãiwatsede chegam devagar, agrupam-se em forma de arco, acendem seus cachimbos. Eles são a autoridade máxima entre os xavantes.

A reunião ocorre sempre no centro da aldeia, que fica a 150km de São Félix do Araguaia, no Norte do Mato Grosso. O assunto nestes encontros varia conforme a ocasião, mas o idioma é sempre o mesmo: o xavante.

Em Marãiwatsede, a tentativa de preservar as tradições esbarra numa lógica econômica perversa: a relação intrínseca entre a pecuária, a soja e a destruição da floresta. Essa combinação transformou a terra dos xavantes no exemplo mais emblemático da contaminação da cadeia produtiva da pecuária e da soja, ambas expoentes do agronegócio no mundo.

A luta dos xavantes contra os fazendeiros se arrasta desde 1998, quando a terra indígena foi homologada. É uma extensão de 165 mil hectares de terra (ou 1.650 quilômetros quadrados), o que representa uma área superior a do município de São Paulo (1.523 quilômetros quadrados). Só que 90% dela estão ocupados ilegalmente.

O Ministério da Justiça e a Fundação Nacional do Índio (Funai) identificaram 68 fazendas em Marãiwatsede. Apenas 11,56% são cadastradas e têm CNPJ acessível.

Praticadas ilegalmente dentro da terra dos índios, a pecuária e a soja já desmataram 45% da mata nativa, segundo levantamento do Sistema de Proteção da Amazônia (Sivam)

sábado, 13 de novembro de 2010

Cada um por si, por Miriam Leitão

Os resultados da cúpula do G-20 serão conhecidos hoje, mas não há expectativa de grandes avanços na pauta mais importante, que é a guerra cambial.

Um comunicado com recomendações genéricas para que os países caminhem na direção de uma taxa de câmbio determinada pelo mercado, sem deixar claro como se reverte o atual quadro de desequilíbrio, é o mais provável.

Em nome da soberania, Estados Unidos e China — as duas potências que estão no centro do problema cambial — evitam sancionar compromissos que interfiram nas suas políticas internas. A China resiste a qualquer imposição de fora para a valorização do yuan, e os Estados Unidos continuam a sustentar que o derrame de liquidez na economia americana é a receita adequada para reanimá-la.

Ao contrário de 2008, quando a ação coordenada do G-20 teve importante papel no esforço para sair da crise global, agora o que prevalece é o "cada um por si", e o Brasil está no meio do tiroteio.

— O grande problema é decidir essa governança. Que país se disporia a abrir mão de sua soberania na condução da política monetária? — pergunta o economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central.

Neste momento, apesar dos discursos que condenam a guerra cambial no mundo e alertam para os riscos de "desequilíbrios $insustentáveis", os países estão olhando para dentro de suas economias, inclusive o Brasil, embora o presidente Lula tenha dito o contrário em Seul, ao declarar que estava mais preocupado com a desvalorização do dólar do que com a valorização do real.

Os discursos duros de Lula e do ministro Mantega, com críticas aos EUA e à China, não interferiram nos rumos da cúpula do G-20, mas contribuíram para marcar a posição do Brasil favorável ao câmbio flutuante e a uma postura mais ética no comércio internacional.

Conhecido o resultado da cúpula e frustradas as expectativas de um comando efetivo do G-20 para frear a guerra cambial, o Brasil pode ficar mais à vontade para adotar medidas prudenciais capazes de frear o fluxo excessivo de dólares na nossa economia ou mesmo a entrada de produtos chineses barateados artificialmente.

Se os grandes só estão olhando para o seu umbigo, por que não faríamos o mesmo?
Miriam Leitão é Colunista n'O GLOBO

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sobre Sermos Nós Mesmos, por Theófilo Silva

Falstaff é o meu favorito dentre os personagens de Shakespeare.
Brincalhão, amante do vinho, amigo de seus amigos e filósofo da vida. Espirituoso, infunde espírito nos outros. Suas brincadeiras são meros disfarces para brilhantes tiradas filosóficas em que demonstra enorme alegria de viver. Mesmo ostentando o título de Sir, não tem fortuna e nem é preso a nenhuma instituição. Ainda que possa passar por militar, na verdade, faz galhofa com as guerras inglesas. Falstaff é um tipo que não encontramos mais hoje em dia: um espírito livre.
Invoco a presença de Falstaff para acusar o estado moderno, que ainda que tenha trazido tantas conquistas para a sociedade, parece tê-la uniformizado. O estado descobriu e ofereceu o que as pessoas mais desejam: pertencer a algum tipo de estrutura organizada. Homens e mulheres sacrificam a própria personalidade e a liberdade intelectual para exercerem qualquer função que dê a elas um sentimento de “pertencer a algo”. Pois a tentativa de ser livre parece ser difícil demais de ser enfrentada.
E esse sacrifício está escrevendo seus sinais de descontentamento no corpo dessas pessoas, em forma de fetiches. Estamos vivendo numa sociedade que preenche sua abstinência com soluções cosméticas - uma espécie de droga - enchendo o corpo de tatuagens, silicones, piercings e outras agressões, numa onda de profanação corporal que cada vez mais as desumaniza. As pessoas ostentam, com aparente orgulho, suas mutações corporais como se não soubéssemos que “fetiches são meras substituições de algo que fomos dolorosamente privados”; como se o fetiche não fosse fruto de uma profunda dor individual não resolvida. Como se alguém de nossa era, John Lennon, não tivesse dito: “não se drogue por não ser capaz de suportar sua própria dor”.
A liberdade individual não está em perigo. Não da forma que vivenciamos no passado, e que foi tão bem apresentada por George Orwell em seus livros, 1984 e a Revolução dos Bichos. Pelo menos no ocidente, regimes políticos abusivos são exceção. A tecnologia com seus recursos surpreendentes e aparentemente ilimitados - há quem diga que nós ainda não vimos nada do que está por vir - está por trás de quase tudo que estamos enfrentando.
As estatísticas do IDH- Índice de Desenvolvimento Humano da ONU levam em conta saúde, escolaridade e longevidade, mas nada preveem sobre o bem estar espiritual das sociedades. E é muito difícil mesmo fazê-lo. Os cidadão das nações que ostentam as primeiras posições no ranking, não são nenhuma prova de que sejam mais satisfeitas do que as dos países do bloco intermediário.
O fato é que cada vez mais a sociedade do espetáculo, tão denunciada por filósofos e psicólogos, se firma. Quanto mais as “redes sociais” na Internet aproximam as pessoas tanto mais elas se distanciam de si mesmas. E o Brasil é o campeão das redes de bate- papo. Os americanos, os criadores dessas redes, vêm ao Brasil estudar nosso surpreendente comportamento.
Mal sabem eles que somos uma nação que lê em média apenas três livros por ano. A maior de todas as preocupações do ser humano, mesmo que ele não o saiba, é fugir do tédio! Daí as redes sociais. Não estou dizendo que a felicidade passe pela leitura. Mas sabemos o quanto o conhecimento é importante para nos tornarmos mais conscientes do mundo e de nós mesmos. Não acredito em sociedades que não leem! Sociedades que não leem são sociedades manipuladas.
O estado e a tecnologia aprisionaram o espírito humano e precisamos discutir isso. Estamos precisando de espíritos livres. Espíritos de Falstaff.

Theófilo Silva é articulista

O dia em que Sílvio Santos fez a imprensa de boba


Sílvio Santos não poderá mais repetir o seu famoso bordão: “Quem quer dinheiro?”.

Abriu-se na sexta-feira o baú de infelicidades do mais famoso animador de auditório da TV brasileira, dono do SBT, a terceira maior rede do país no ranking de audiência, transmitida por 106 emissoras (15 próprias e 91 afiliadas).

O seu banco, o Panamericano, queria dinheiro, muito dinheiro, para cobrir o rombo de 2,5 bilhões de reais no seu balanço fraudado. O banco de SS repassava carteiras de créditos de suas operações para outros bancos, mas não contabilizava essa transferência no balanço, que justificaria hoje o bordão de Santos no programa Tentação: ”Vale dez reais?”

No melhor estilo Lula, Sílvio Santos apressou-se a declarar: “Eu não sabia de nada”.

A fraude do lucro inflado no banco do apresentador de Topa Tudo por Dinheiro representa 40% dos ativos do Panamericano, que somam R$ 6,5 bilhões, e passou batido por uma das mais respeitadas empresas de auditoria do mercado, a Deloitte.

A solução engenhosa para sair da enrascada estava embutida num dos bordões mais conhecidos de SS: “Vem pra cá, vem pra cá”.

Foi o que ele disse ao governo Lula, que foi lá para o SBT em apuros, já que tinha interesse no caso — a Caixa Econômica Federal adquiriu no ano passado 49% das ações do banco –, por meio do camarada FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, mantido pelos bancos mas sensível a apelos federais. Sobretudo quando o Banco Central recomenda que apóie determinadas operações.
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Construtoras ajudam a eleger 54% dos novos congressistas

As empreiteiras mais que triplicaram o volume de doações para os políticos que se elegeram para o Congresso neste ano em relação a 2006.

Dos congressistas eleitos, 54% receberam recursos das construtoras em 2010, um total de R$ 99,3 milhões, informa reportagem de Silvio Navarro e Breno Costa, publicada neste domingo pela Folha.

Levantamento feito pela Folha nas prestações de contas disponíveis no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que 306 congressistas que assumirão mandatos em fevereiro (264 deputados e 42 senadores) receberam contribuições de construtoras.

Há quatro anos, as empreiteiras declararam ter doado R$ 32,6 milhões (valores corrigidos pela inflação). A conta tem apenas uma ressalva: este ano foram disputadas 27 vagas a mais no Senado do que em 2006, quando foi eleito apenas um senador para cada Estado.

As empreiteiras superaram com folga outros tradicionais doadores, como bancos, mineradoras e empresas ligadas ao agronegócio.

domingo, 7 de novembro de 2010

O AVANÇO DAS MILÍCIAS

Pesquisa mostra que paramilitares dominam mais favelas que a principal facção do tráfico

RIO - O mapeamento das 250 maiores favelas do Rio revela que as milícias atuam em 105 delas. Com isso, já superam a maior facção do tráfico, que domina 55 comunidades, mostra reportagem de Sérgio Ramalho, publicada na edição deste domingo do GLOBO. Elaborado pelo pesquisador Paulo Storani, do Instituto Universitário de Políticas Públicas e Ciências Policiais da Universidade Candido Mendes, o levantamento mostra que a prisão dos principais chefes dos grupos paramilitares - os irmãos e ex-políticos Natalino e Jerônimo Guimarães, Ricardo da Cruz, o Batman, e Fabrício Mirra - não freou a expansão dessas quadrilhas.

No site ''Dois Gritando'' , internautas trocam ideias e experiências sobre a ação das milícias no Rio. Entre no debate!

A comparação do poder dos milicianos é feita ainda com o de duas outras facções do tráfico, menores, que controlam respectivamente 35 e 31 favelas.

A análise indica que, enquanto a maior quadrilha de traficantes perdeu terreno com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em comunidades nas zonas Sul e Norte, milicianos vêm estendendo sua área de influência ao asfalto. Esse tipo de movimentação tem sido denunciada por moradores de diversas ruas de Jacarepaguá, Recreio dos Bandeirantes, Vargem Grande e Ilha do Governador. Nesses bairros, grupos paramilitares oferecem "segurança patrimonial", cobrando, por meio de cartas deixadas em casas e prédios, taxas diárias que chegam a R$ 2,20 por domicílio.

Em regiões como Jacarepaguá, praticamente todas as favelas acabaram anexadas à área de domínio das milícias. Em Campinho, traficantes e grupos paramilitares disputam o controle do Morro do Fubá. A área vive uma rotina de invasões e conflitos, que também se repete em comunidades de Madureira. Nesse bairro, enquanto traficantes de duas facções travam uma guerra na Serrinha, milicianos ganham espaço em pequenas favelas como Patolinha, Indiana e Faz Quem Quer.

Ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e antropólogo, o pesquisador Paulo Storani afirma que, se não houver uma mudança na atual política de combate aos grupos paramilitares, o quadro vai se agravar, principalmente nos bairros da Zona Norte do Rio:

- A participação de policiais, bombeiros, militares e agentes penitenciários nesses grupos dificulta a apuração dos crimes. Com o enfraquecimento das facções ligadas ao tráfico, há uma tendência de os milicianos continuarem a expandir o domínio territorial, o que representa maior poder político e aumento de arrecadação com a cobrança de taxas de segurança e ágio (na venda de produtos como bujões de gás) - diz Storani.

sábado, 6 de novembro de 2010

Delfim Netto: "A ajuda da economia mundial terminou"

O ex-ministro diz que para seguir crescendo o Brasil terá de se apoiar no mercado interno – com equilíbrio fiscal e taxa de juro menor//IVAN MARTINS E JOSÉ FUCS

O professor Antônio Delfim Netto, que aos 82 anos já viu quase tudo, está otimista em relação ao Brasil. Ele conhece pessoalmente a presidente eleita, Dilma Rousseff, faz elogios rasgados a sua inteligência e afirma que ela está consciente dos desafios econômicos que se colocam diante do futuro governo: continuar a crescer sem o vento de popa que insuflou os anos da era Lula. O cenário internacional mudou, diz o ex-ministro. O Brasil, que emergiu da crise quase intacto, mas carregando “pequenos desvios da política fiscal”, precisa conter os gastos e reduzir a dívida pública para permitir que a taxa de juro caia, o câmbio se reequilibre e o país cresça com as forças de seu mercado interno. “Lula e Dilma sabem que o equilíbrio fiscal é fundamental”, afirma Delfim.

ENTREVISTA - ANTÔNIO DELFIM NETTO---QUEM É
Economista de 82 anos, é professor da Universidade de São Paulo e ex-deputado federal

O QUE FEZ
Foi ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento nos governos militares, entre 1967 e 1985

O QUE PUBLICOU
Artigos semanais em jornais e revistas nos quais defende o pragmatismo na condução da política econômica

ÉPOCA – Qual é o principal problema econômico que a nova presidente terá de enfrentar?
Antônio Delfim Netto – A (presidente) Dilma (Rousseff) recebe um governo muito melhor do que Lula recebeu. Com uma diferença: Lula pegou o governo quando vinha ventania de popa. Dilma vai receber o governo com ventania de proa. A ajuda que o crescimento da economia mundial deu ao período Lula está terminando ou já terminou. Neste novo cenário, você vai precisar de muito mais força do mercado interno se quiser manter seu ritmo de crescimento para continuar a distribuir renda. O Brasil precisará em 2030 dar emprego de boa qualidade a 150 milhões de sujeitos entre 15 e 65 anos. Você não vai fazer isso exportando alimentos e minerais. Por mais complexas que sejam essas cadeias, você precisa de uma economia de serviços e industrial. Uma economia competitiva. Todas as políticas precisam incentivar a competição. Aliás, observem o que a Dilma disse sobre as agências reguladoras. Ela disse que gente competente será nomeada porque nós precisamos garantir a competição. Competição é o nome do jogo.
Leia mais no link-titulo-APS

PF prende sete por desvios das obras da BR-101 no RN

-DANILO SÁ-COLABORAÇÃO "A FOLHA",de NATAL-RN

A Polícia Federal realizou na manhã desta sexta-feira (05) a Operação Via Ápia no Rio Grande do Norte. Sete pessoas foram presas sob a acusação de participar de um esquema que teria desviado R$ 2 milhões das obras de duplicação da BR-101 no Estado.

Entre os detidos estão o superintendente do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Fernando Rocha, e o diretor-adjunto do órgão, o engenheiro Gledson Maia, sobrinho do deputado federal reeleito João Maia (PR-RN) e do deputado distrital eleito Agaciel Maia (PTC-DF).

Gledson Maia foi o primeiro a ser preso, ainda ontem. O engenheiro almoçava em um restaurante de Natal com um empresário, que também foi preso, quando foi abordado por agentes da PF. A prisão foi em flagrante, no momento em que, segundo a PF, o diretor do Dnit recebia R$ 50 mil de propina. Seu advogado nega.

Lêr mais no link titulo--A Folha--

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Heranças do Antigo Regime, por Paulo Guedes

Uma das características marcantes da globalização contemporânea é a extraordinária mobilidade de capitais. Nunca o dinheiro atravessou tantas fronteiras em tais magnitudes e com tal velocidade como ocorre nos dias de hoje. São fluxos financeiros de todos os tipos e em quaisquer prazos para lubrificar uma engrenagem de produção global.

Mas, antes de entrar em uma economia, esses fluxos precisam cruzar os mercados cambiais. Têm de ser convertidos em moeda local. E chegam como verdadeiros tsunamis em direção ao setor produtivo, ondas enormes que ameaçam fazer submergir as exportações e a produção local que compete com importados. Pois recursos financeiros em excesso derrubam o preço da moeda estrangeira, tendo efeitos devastadores sobre a produção e o emprego no país.

Em ambiente macroeconômico de extraordinária mobilidade de capitais, a tentativa de estimular a economia por meio de gastos públicos é pouco eficaz. Os juros sobem e o câmbio desce, derrubando o consumo e o investimento privados, as exportações e a produção local dos substitutos de importações.

A expansão dos gastos públicos tem seus efeitos sobre a produção e o emprego anulados pela queda da taxa de câmbio. Duvido que o governo tenha criado mais empregos públicos do que estão sendo destruídos com o dólar a R$1,60. Estão sob ameaça de afogamento os produtores de eletrodomésticos, eletrônicos, sapatos, têxteis e confecções, indústria moveleira, brinquedos e assim por diante.

Ao contrário da política fiscal, uma política monetária expansiva tem seus efeitos ampliados sob regime de câmbio flutuante. Primeiro caem os juros, estimulando o consumo e os investimentos, depois sobem as exportações e a produção local dos importados em consequência da desvalorização cambial. Mas o afrouxamento monetário pressupõe um novo regime fiscal, para que se mantenha a inflação sob controle.

Não há nada de errado com as transferências de renda para as populações pobres. Não é desses gastos públicos que falamos. Esses são gastos sociais com a formação de redes de solidariedade inerentes a uma democracia emergente. Por que não foram contidos os gastos com os privilégios do Antigo Regime? As alianças de tucanos e petistas com entidades corporativistas e políticos conservadores do Antigo Regime explicam a ausência de uma dimensão fiscal favorável à criação de empregos no Brasil.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

GUERRA CAMBIAL

Câmbio desafia a política econômica do próximo presidente
BRASÍLIA - O câmbio deverá ser um dos principais desafios para o sucessor do presidente Lula. Consequência da crise iniciada em 2008, a desvalorização do dólar tornou-se um problema global com forte impacto nos países emergentes. O real muito forte deixa os produtos brasileiros caros, dificultando a venda no exterior. Por outro lado, o dólar barato estimula um volume expressivo de importações, provocando uma competição desigual com os produtos brasileiros. Com esse cenário, a indústria nacional investe menos, emprega menos e reduz a utilização da capacidade instada.

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o Secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, o Brasil tem sido vítima do sucesso de sua economia e, por isso, os investidores estrangeiros têm aproveitado para trazer dólares para o Brasil.

Com um crescimento previsto de 7,5% este ano, inflação dentro das metas estabelecidas pelo governo, baixa taxa de risco, demanda interna estimada em aproximadamente 10% e muitas oportunidades de investimentos, como pré-sal, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os grandes eventos esportivos (Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016), os estrangeiros passaram a ver o país como um porto seguro para investimentos.

Mesmo com o governo adotando medidas como a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o capital especulativo, o problema não depende apenas da vontade dos técnicos do Ministério da Fazenda.

O centro da questão está, principalmente, nos Estados Unidos, que ainda não conseguiram superar a crise financeira. O governo do presidente Barak Obama já elevou a quantidade de dólares em circulação como forma de aquecer a economia. Esse excesso de dinheiro, diante das taxas reduzidíssimas dos juros americanos, termina migrando, em parte, para centros que oferecem maior rentabilidade, que é o caso do Brasil, que oferece taxa básica de juros acima de 10% ao ano, uma das maiores do mundo.

A economista-sênior para a América Latina do Royal Bank of Scotland (RBS) Zeina Latif, concorda que o quadro geral tem a ver com as características do atual ciclo mundial da economia. Ou seja, os países desenvolvidos enfrentando dificuldades e os emergentes com a economia em ordem e crescendo bastante. "Esse pano de fundo não vai se alterar. A gente vai continuar a ver emergentes atraindo capital externo, por conta desse diferencial de crescimento, que considero significativo", explicou Latif.

Para ela, existe, no momento, certos exageros associados ao provável relaxamento quantitativo(leia-se mais dólares para irrigar a economia) anunciado pelo Federal Reserve (FED), que é o banco central norte-americano, previsto para novembro. O FED tem dado estímulos expansionistas como forma de aquecer a economia local, com reflexos na economia global. Mas o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, garantiu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que essa é uma ideia "superestimada do impacto que isso pode causar".

Zeina entende que parte desses exageros tende a se corrigir e que não haverá uma trajetória de queda contínua do dólar. O sucessor de Lula, no entanto, vai ter que esperar um pouco para ver a normalização da política monetária nos Estados Unidos. "Acredito que ao longo do segundo semestre já começa a voltar a discussão de quando o FED vai fazer a normalização da política monetária, que não é uma coisa esperada para o ano que vem e sim para 2012", disse a economista.

Passado o evento do FED em novembro, cuja expectativa é de novos estímulos ao consumo, e com as discussões sobre a normalização da política monetária, prevista para se dar a partir do segundo semestre do ano que vem, Latif acredita que haverá uma provável limitação na apreciação das moedas dos países emergentes.

Internamente, a boa notícia, segundo economista-sênior do RBS, Zeina Latif, pode vir da política fiscal. "Uma agenda importante é colocar a política fiscal nos trilhos depois de dois anos de excessos", avalia. Para ela, isso poderá ajudar indiretamente o câmbio por meio de dois canais que se confundem. O primeiro é que, ao fazer uma política fiscal mais disciplinada, a tendência é de um alívio nas pressões de demanda. Com isso, retiram-se pressões para que o Banco Central tenha que elevar as taxas de juros para conter a inflação. Se tudo der certo, a tendência será o corte dos juros mais à frente.

"Cortar juros, embora não seja a variável central hoje dessa apreciação do real, tem algum papel também. Principalmente em um cenário de médio prazo. Um bom alívio da política fiscal, aumentando a poupança doméstica, traz um alívio para o setor privado e um alívio para o Banco Central", conclui.

Para o economista e ex-diretor do Banco Central Carlos Eduardo Freitas, ajuste fiscal é sempre bem vindo, principalmente para abrir espaço aos investimentos em infraestrutura no médio prazo. Entretanto, ele pondera que a fonte do problema não é a política fiscal brasileira, mas "política monetária frouxa dos Estados Unidos que inunda o mundo de liquidez".

Freitas acrescenta que o país não tem "condições legais e políticas" para fazer um ajuste fiscal mais severo porque algumas despesas estão previstas em lei ou são políticas sociais de governo, como as previdenciárias, os benefícios sociais, as aposentadoria por idade e a valorização do salário mínimo, por exemplo. "A fonte do problema não é essa. É preciso uma correção de longo prazo para um problema que é agudo", afirmou.

Ele acrescentou que, entre as possibilidades, caso o dólar continue a cair, está a fixação de prazo mínimo para a permanência de capital estrangeiro em investimentos de renda fixa. Outra opção seria seguir o caminho da Tailândia, que taxou em 15% os ganhos de capital de estrangeiros com títulos do governo tailandês.

domingo, 31 de outubro de 2010

Bulgária e Itália no sangue da decisão de domingo; por Jota Alves

Serra, filho do italiano Francesco e de Serafina Chirico. Dilma, filha do búlgaro Petar Rusev e da professora Dilma Jane. Semianalfabeto do pobre sul da Itália, o calabrês vendedor de frutas conseguiu manter seu filho único nas escolas, vê-lo líder estudantil paulistano no tempo da campanha “o petróleo é nosso” e presidente da União Nacional dos Estudantes. Francesco morreu em 1981.
Ao término da década de 1930, Petar, viúvo, deixou Gabrobo a vila onde nasceu na Bulgária e foi parar em Buenos Aires. de onde veio para São Paulo. Trabalhou em siderúrgica. Foi construtor e vendedor de imóveis. Faleceu em 1962. Oriundos do movimento estudantil Dilma e Serra lutaram contra a ditadura militar e a censura, por liberdade e democracia. Como todo filho de imigrante em qualquer país do mundo eles passaram por momentos de discriminação e adaptação. Ele, “filho do homem que vendia lingüiça calabresa”. Ela, filha do “vermelho” que a incentivou na leitura e nas idéias socialistas.
A trajetória e o exemplo dos pais, a superação, dedicação aos estudos, e liderança em suas respectivas atividades fazem deles uma história de sucesso, infelizmente, não mostrada pelos marqueteiros da campanha eleitoral. Serra ou Dilma significam também a boa globalização influindo na presidência do Brasil. Com DNA latino e eslavo. Ambos brasileiríssimos como cada um de nós com um “pé” em alguma tribo indígena, Península Ibérica, África, Oriente Médio, Américas.
Como milhões de imigrantes, seus filhos e netos engrandecem o Brasil e sem os quais não teríamos atingido o atual nível de progresso e desenvolvimento, apesar de carimbados por Lula de “elite” branca de olhos azuis, verdes, claros. O presidente nunca fala que a sua esposa, primeira-dama do país, requereu e assegurou para si, filhos e netos, a cidadania italiana.
Mas, com toda essa riqueza natural e as muitas conquistas obtidas, por que patinamos na mediocridade, ignorância, em analfabetismo total e parcial, no crescendo da criminalidade, impunidade, fraqueza das instituições e nos afogamos em corrupção? Quem sabe o DNA de Dilma e Serra nos ajude a encontrar respostas e soluções para sairmos desse atoleiro moral que nos intoxica, humilha e envergonha tanto.
A candidatura de Dilma é uma decisão exclusiva de Lula, que numa explosão verbal sentenciou: “Meu partido é uma merda. O PT é composto de facções demais, muitas classes de pessoas que vivem brigando entre elas: sindicalistas, ex-guerrilheiros, professores universitários socialistas, funcionários públicos, políticos profissionais, católicos radicais, trotskistas. Eu não me envolvo nessas disputas, tento manter o PT unido. Nunca fui ideológico. Nunca na vida li um livro sobre o marxismo.” Quando o mensalão e outros escândalos pipocaram, o presidente concluiu que o candidato à sua sucessão não poderia sair das fileiras do PT. Naqueles dias tenebrosos, correndo risco de desmoralização total e ate impeachment, Lula gritou: “não vou para o matadouro.”.
Com maestria descartou aloprados, tirou o tapete de possíveis “sombras” de seu partido, fez pacto com todos os diabos, deu a volta por cima e, anunciando que as “elites vão ter que me engolir outra vez”, se reelegeu. Ao “descobrir” que Dilma, que passou a preencher um imenso vazio de liderança ao seu redor, não lhe contestava e mostrava serviço, pousou-lhe a mão na cabeça e decidiu ser ela sua sucessora na presidência. Algo assim como um Perón (de Pernambuco), que doente e distante impôs e conseguiu fazer Isabelita presidente da Argentina, onde o povão ate hoje idolatra “santa” Evita.
Lula disse também que “o que está em jogo é a respeitabilidade de nossas instituições, das quais eu sou o guardião principal”. Preocupado, agitado e agressivo com o segundo turno das eleições, o presidente deixou de ser o guardião da respeitabilidade da instituição Presidência da Republica e “entrou na chuva pra se molhar”.
Lula é o único responsável pela vitória, sucesso ou fracasso de Dilma Rousseff, que leva em seu sangue eslavo o DNA de Átila, o rei dos Hunos, Alexandre, o Grande, Stálin, gregos, turcos, ciganos. Reclamam que Dilma não aprendeu a ser meiga. Se eleita, cercada por bárbaros, parasitas, espertalhões, mentirosos, corruptos e corruptores, tomara que ela prefira dureza à ternura para governar o país. Se o PT e Lula deixarem.

Jota Alves fundou o jornal The Brasilians e criou o Dia do Brasil em Nova York.Ex-Secretário de Governo em Mato Grosso.
alves-jota@uol.com.br
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sábado, 30 de outubro de 2010

O cabo eleitoral, por Ruy Fabiano

A presente campanha eleitoral, que amanhã (enfim) chega ao fim, entra para a história como aquela em que os personagens centrais não foram nem os candidatos, nem suas propostas, mas um cabo eleitoral: o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele foi o fator de desequilíbrio, colocando em segundo plano – na verdade, em nenhum plano – os temas que poderiam ter algum relevo, reduzindo a campanha a um plebiscito entre ele e “os outros”.
Nesse embate, valeu tudo: atribuir ao adversário causas que não sustentou – como a privatização da Petrobras – e condutas que não teve, como a de forjar uma agressão que efetivamente sofreu, num ato eleitoral no Rio, semana passada.

Até hoje, não obstante demonstrações periciais – não apenas a da TV Globo, mas também a do SBT -, Lula insiste em que Serra foi atingido apenas por uma “bolinha de papel”, deixando de lado o fator essencial do episódio, que foi a tentativa da militância do PT de barrar uma manifestação eleitoral legítima, mediante truculência.

Seja quem for o vencedor, haverá consequências, dado o ambiente de exacerbação que essa conduta ocasionou. Lula investiu no sentimento divisionista da sociedade, o que é sempre perigoso, além de contraproducente.

Não poucas vezes, incitou a luta de classes, atribuiu ao candidato adversário a pecha de inimigo dos pobres e do Nordeste, empenhado em vender o patrimônio público e desfazer benesses sociais, como o Bolsa Família, que, na verdade, nem foi concebida em seu governo, mas no do adversário. O resultado é preocupante.

Vencendo, Dilma Roussef não contará com a boa vontade dos derrotados para estabelecer um padrão equilibrado de oposição. Vencendo Serra, o clima será ainda mais hostil, dados os efeitos da conduta presidencial sobre a militância petista. A agravar o quadro está a perspectiva de que o país está no fim do ciclo de bonanças.

Ciro Gomes, aliado de Dilma, já antevia uma séria crise fiscal no horizonte, que obrigará o futuro governo a tomar medidas impopulares. Isso implica a necessidade de um ambiente político propício ao debate e à negociação. Não é preciso dizer que esse ambiente inexiste e tende a se agravar com o resultado eleitoral, não importa quem vença.

Embora as pesquisas indiquem razoável margem de favoritismo para Dilma, o próprio PT sabe que não há tanto conforto assim e que há chances concretas de um resultado adverso. Daí a radicalização dos dias finais. Quem está seguro da vitória não radicaliza. Ao contrário, providencia pontes com o adversário, tendo em vista o day after. Não há nenhuma ponte à vista – só muros.

Lula errou na dose. Jogou toda a sua popularidade em prol de uma facção, embora ela lhe advenha do conjunto da sociedade e não de um partido. Basta ver que sua candidata obteve em votos, no primeiro turno, pouco mais da metade da aprovação dada nas pesquisas a seu governo, o que indica que nem todos que aprovam Lula querem Dilma como sucessora. É uma leitura óbvia.

É legítimo que um presidente da República tenha um candidato e que o manifeste. Todos os antecessores de Lula o tiveram e o manifestaram. Nenhum, porém, ao ponto de atropelar a liturgia do cargo e se transformar em cabo eleitoral, envolvendo nessa empreitada toda a estrutura do governo.

O cabo eleitoral Lula criou ainda a figura inédita do expediente presidencial, como se o chefe da Nação estivesse circunscrito a uma carga horária específica e abdicasse da função nos feriados e fins de semana, deixando o Estado acéfalo diariamente entre as 18 horas e as 8 horas e em tempo integral nos dias em que não há expediente nas repartições públicas.

Não bastasse, ajustou a agenda de governo aos comícios de sua candidata, confundindo-os. Providenciou inaugurações onde não havia o que inaugurar, misturando as despesas do partido com as do governo. Pior que tudo: violou o calendário eleitoral, antecipando-o em quase dois anos, colecionando multas judiciais que configuram também outro ineditismo na história das eleições e da República, desde que Deodoro a proclamou.

É ele, sem dúvida, o principal personagem que esta campanha eleitoral levará para a História.

Ruy Fabiano é jornalista

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A luta continua, por Dora Kramer

Em oito anos uma das marcas do governo Luiz Inácio da Silva foi a total falta de disposição para comprar brigas com este ou aquele setor em prol do bem coletivo. Para não se indispor com áreas que poderiam a vir lhe fazer falta nos momentos que realmente interessam - os eleitorais -, o presidente da República desistiu das reformas sindical, trabalhista, previdenciária, política e tributária.

Defendeu malfeitorias em público e precisou até desistir de seu plano de conquistar um terceiro mandato quando viu que o Senado não aprovaria e, se aprovasse, o Supremo Tribunal Federal não deixaria prosperar. Mudou, então, o plano e decidiu disputar por meio de interposta pessoa.

De um só propósito Lula e o PT não desistiram até hoje: de controlar os meios de comunicação. As tentativas têm a idade dos dois mandatos de Lula, mudam de feição, alteram o figurino, mas não abandonam o ringue.

O mais direto seria propor regras mediante as quais o governo federal exercesse controle sobre o conteúdo do que é divulgado nos jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão.

Mas, por aí o caminho está interditado. Há a acusação de censura e reação forte.

Tenta-se, então, montar um disfarce e construir um discurso de defesa da "democratização" dos meios de comunicação. A palavra de ordem é desconcentrar, romper a ação da "mídia monopolista". O objetivo, entretanto, é sempre o mesmo: controlar, fiscalizar, punir, pressionar.

Todas as iniciativas que surgiram até agora tiveram esse mesmo caráter: o conselho lá do início, aquele cuja proposta de criação o próprio Planalto se comprometeu a encaminhar ao Congresso, a Conferência de Comunicação, o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, o programa do PT aprovado em congresso no início deste ano e agora essas iniciativas estaduais de montagem de conselhos controladores.

Claro que a exposição de motivos oficial não é essa assim tão dura. Apresentam-se como defensores da sociedade contra abusos e ilegalidades cometidas por revistas, rádios, jornais e televisões.

E para isso evidentemente o Estado precisa ter instrumentos de fiscalização sobre os conteúdos. Ora, aquela argumentação acima é falsa pelo seguinte: para coibir abusos há a Justiça, para controlar ilegalidades, também; para regular confiabilidade há a avaliação do público e para assegurar a multiplicidade há a concorrência.

Mas, como o que interessa de fato é o controle direto para assegurar o enquadramento na "linha justa" e a disseminação do mesmo tipo de pensamento para que se possa, assim, construir uma hegemonia social em torno de um projeto de poder, torna-se imprescindível criar os conselhos.

E, se não for de um jeito, vai de outro como o Poder Legislativo do Ceará fez e como os Poderes Executivos dos Estados da Bahia, Piauí e Alagoas propõem.

Os dois primeiros governados pelo PT, mas o último pelo PSDB que se diz contrário às ofensivas autoritárias, mas não se pronunciou a respeito da proposta feita pela Casa Civil do governo Teotônio Vilela Filho.

Nenhuma das ofensivas prosperou até hoje. Dificilmente prosperarão as novas, exatamente porque a imprensa está atenta (daí a contrariedade).

Mas convenhamos que é um atraso uma democracia que se pretende madura precisar ficar de vigília para que não lhe roubem a liberdade de pensar e de dizer.

Simplicidade. Pelo menos um dos políticos de muito destaque que procuraram Marina Silva em busca de apoio eleitoral no segundo turno, ouviu dela com todos os efes e erres que será candidata a presidente em 2014.

Como aposta em ser reconhecida como a alternativa à dicotomia entre PT e PSDB, Marina explicou que não poderia se associar agora a nenhum dos dois candidatos.

O interlocutor não insistiu, mas saiu se perguntando se Marina tem noção de que só nas asas do PV não chegará nem perto de seu intento.

Achou bonita, mas um tanto utópica a ideia dela de juntar o melhor do PT e o melhor do PSDB para governar