sexta-feira, 31 de julho de 2009

César Cielo, recorde dos 100m no mundial de natação.

Bancos, com EUA em recessão, pagaram US$ 32 bilhões em bônus

NOVA YORK - Enquanto os Estados Unidos estavam em plena recessão, os nove maiores bancos americanos que recorreram a empréstimos do governo por causa da crise pagaram US$ 32,6 bilhões em bônus referentes a 2008. É o que mostra relatório do procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo, divulgado na quinta-feira. Como mostra reportagem publicada na edição desta sexta-feira do GLOBO, esses bancos receberam US$ 175 bilhões em recursos dos contribuintes, por meio do Programa de Ajuda a Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês).

No relatório, entitulado "Sem lógica ou sentido: a cultura de 'cara eu ganho, coroa você perde' dos bônus bancários", Cuomo aponta que ''quando os bancos iam bem, seus empregados eram bem pagos. Quando os bancos iam mal, seus empregados eram bem pagos".

No Citigroup, diz o relatório, 738 funcionários receberam, no mínimo, US$ 1 milhão cada. Destes, 124 ganharam US$ 3 milhões cada. O Citi teve um prejuízo de US$ 27,7 bilhões no ano passado. Já o Bank of America (BofA) distribuiu US$ 3,3 bi em bônus, com 172 funcionários recebendo pelo menos US$ 1 milhão e 28, US$ 3 milhões. No JPMorgan, 1.626 pessoas receberam pelo menos US$ 1 milhão cada, mais que qualquer outra empresa de Wall Street, segundo Cuomo. No Goldman Sachs, 953 empregados receberam esse valor, no Merrill Lynch, 696, no Morgan Stanley, 428, e no Wells Fargo, 62. Os bancos não quiseram comentar o relatório.
Comentario---entende por que você é roubado diariamente,em pequenos valores, debitados na sua conta-corrente??!!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Central única dos altos salários por Amaury Ribeiro Jr

Ex-sindicalistas, que antes faziam greves em favor dos petroleiros, ocupam hoje cargos de gerência na empresa e recebem vencimentos mensais de R$ 40 mil em média

Durante mais de 20 anos, um grupo de sindicalistas da Petrobras, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), não hesitava em promover greves, fazer piquetes nas portas de refinarias ou até mesmo enfrentar a polícia durante as campanhas por melhores salários. Desde 2003, quando o PT assumiu o governo, o problema de salário não existe mais para esse núcleo de ex-petroleiros.

Documentos obtidos pelo Correio/Estado de Minas comprovam que um grupo de pelo menos 20 ex-sindicalistas passou a receber da Petrobras e de empresas subsidiárias um salário médio de R$ 40 mil — incluindo participação nos lucros da empresa.

Esse valor corresponde a 45 pisos mínimos salariais da categoria, que está hoje em torno de R$ 1 mil. Os vencimentos dos novos dirigentes da estatal, que variam de R$ 30 a R$ 60 mil, também estão bem acima do piso de R$ 3 mil dos funcionários da empresa com nível superior.

Remanescentes da Federação Única dos Petroleiros, a FUP, uma organização trabalhista ligada à CUT, os ex-petroleiros foram acolhidos principalmente nos departamentos de Comunicação Institucional, de Recursos Humanos e de Gás da estatal. Os bons rendimentos da empresa levaram os ex-sindicalistas a trocar os megafones por ternos bem cortados, propriedades rurais no interior de São Paulo e apartamentos na Zona Sul do Rio.

Nomeado no início do governo Lula para o cargo de gerente comunicação estratégica da Petrobras, o ex-dirigente do sindicato dos Petroleiros de Campinas Wilson Santarosa, que entrou na empresa como operador de refinaria, conseguiu fazer uma mudança ainda mais radical.

Além de se transferir para um apartamento no Leblon, bairro nobre na Zona Sul do Rio, Santarosa conseguiu trocar o número do seu CPF — documento que indica, por exemplo, se o portador tem uma dívida praça. O número 907.370.248.87, usado por Santarosa nos tempos em que ele morava em casa na periferia de Americana, no interior de São Paulo, foi cancelado pela Receita Federal.

De posse de uma nova identidade fiscal, Santarosa recebe hoje em torno de R$ 704 mil por ano de rendimentos da Petrobras e da Petros, o fundo de pensão da empresa estatal, onde exerce o cargo de conselheiro.

A papelada mostra que, em 2007, Santarosa recebeu da Petrobras a bolada de R$ 557.519,38 entre salários e outros bônus. O montante, que não inclui o valor do 13º salário, indica que só da estatal Santarosa recebeu em torno de R$ 45 mil por mês. O ex-sindicalista ganhou ainda cerca de R$ 84 mil da Petros em 2007, elevando os ganhos para R$ 641.516,48, o que deu rendimento mensal de R$ 53.400.

Com o aumento de 9,8%, concedido ano passado a toda a categoria, os rendimentos de Santarosa chegaram a R$ 704 mil por ano. Isso significa que em 2008, o ex-sindicalista recebeu renda mensal em torno RS$ 60 mil.

A fim de garantir o futuro da família, ainda conseguiu empossar sua mulher, Geide Miguel Santarosa, como ouvidora na BR Distribuidora. Ex-assessora do marido na Sindipetro de Campinas, Geide recebe cerca de R$ 10 mil por mês.

Olho por olho

O PMDB deseja atormentar Heloisa Helena e Arthur Virgílio porque ambos têm denunciado o presidente do Senado, José Sarney.

Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades...

Em contra-ataque pelo seu lidimo e inclito Sarney, PMDB abre fogo, entre outros e também, contra Heloisa.
Fontes oficiosas da PF prometem não intervir nessa briga de quadrilhas, habituais em "alto nivel" (perdão!).
Além de levar ao Conselho de Ética do Senado o líder tucano Arthur Virgílio (AM) por quebra de decoro, pelo aspone dele que ganhava até horas extras para viver na Europa, o PMDB deve representar contra a ex-senadora Heloisa Helena (PSOL) no Ministério Público Federal, cobrando dela mais de R$ 1 milhão sonegados ao Imposto de Renda, conforme sentença transitada em julgado no Supremo Tribunal Federal

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Comentar?! Praquê?

É ou não é? por Eliane Cantanhêde

Lula até tem razão quando pede cuidado com a biografia de investigados e relativiza os crimes: "Uma coisa é você matar, outra coisa é roubar, outra coisa é você pedir um emprego, outra coisa é relação de influências, outra coisa é o lobby", disse.

Ok. Realmente, Sarney empregar o namorado da neta no Senado não é igual a roubar e matar. Mas...

É justo uma família tão rica fazer favores com dinheiro público? E os outros quase 40 familiares e apadrinhados (ao que se saiba) que os Sarney empregaram por aí?

É admissível uma associação dita beneficente e com o sugestivo nome de Amigos do Bom Menino das Mercês repassar recursos de patrocínio cultural para a Fundação José Sarney? Especialmente sendo ambas ligadas à família?

É razoável que o primogênito, Fernando Sarney, seja simultaneamente secretário de Energia do Maranhão e dono de uma empresa fornecedora de postes de concreto para a mesma secretaria?

É verdade que Sarney é sócio da neta numa empresa (que tem sede na casa dele em Brasília) para comprar terras onde há indícios de gás e petróleo? O que há de causa e efeito entre a empresa, as terras e as nomeações de Sarney para o Minas e Energia e a Eletrobras?

É a serviço da oposição ou da mídia que a PF e a Receita estão fazendo essas devassas?

E o que dizer do estado de calamidade pública do Maranhão depois de meio século de domínio dos Sarney e de seus paus-mandados?

O promotor de Justiça Jorge Alberto de Oliveira Marum, de Sorocaba (SP), envia e-mail querendo entender a preocupação de Lula com umas biografias e não com outras: "Se o acusado é adversário do PT, podemos acusá-lo à vontade, como foi feito com Collor (1992), Ibsen Pinheiro, Eduardo Jorge, Yeda Crusius etc. Se ele for aliado do PT, como Collor (2009), Renan, Sarney e outros, não devemos tratá-los como pessoas comuns. É isso mesmo, senhor presidente?".

Taí. Boa pergunta.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os bunkers da família Sarney no Senado

BRASÍLIA - Com quase 60 anos de vida pública, dos quais 33 passados no Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), acabou encarando a instituição quase como uma extensão de sua própria casa ou das empresas de sua família, onde não só ele, como seus filhos, netos, namorados dos netos, amigos, cabos eleitorais, mordomos, motoristas, compadres e outros agregados poderiam fazer o que bem quisessem. Além de ter ajudado a dar sustentação política para que o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia permanecesse no comando administrativo da instituição por quase 14 anos, Sarney não se contentou em preencher apenas os cargos de confiança de seu gabinete e da presidência, nas três vezes em que foi eleito para comandar a Casa. É o que mostra reportagem de Adriana Vasconcelos na edição deste domingo em O GLOBO.

Para garantir emprego de quase quatro dezenas de parentes, amigos e correligionários nos últimos anos, Sarney contou com a ajuda da filha Roseana Sarney (PMDB-MA) - que renunciou ao mandato de senadora em abril passado, para assumir o governo do Maranhão - e de gabinetes de aliados, líderes partidários, conselhos da Casa e até da estrutura da Diretoria Geral. Os tentáculos dos Sarney se espalharam por uma espécie de nove bunkers no Senado.

Só no seu gabinete pessoal, Sarney chegou a abrigar pelo menos nove parentes, amigos e correligionários. Entre eles, Rodrigo Silva Buzar, identificado na operação que investiga seu filho Fernando Sarney como o responsável pelo saque em espécie de um cheque de R$ 37 mil emitido pela São Luís Factoring, instituição financeira suspeita de lavar dinheiro.

Leia a reportagem completa na Edição Digital do GLOBO (só para assinantes)

O Fiat Elba de Zé Sarney e a resistência de Zé Alencar

Os dois estão chegando aos 80 anos, e a idade é a única coisa em comum entre o vice-presidente da República, José Alencar, e José Sarney, ex-presidente da República e presidente do Senado pela terceira vez.

Numa idade em que tudo o que tinham a fazer na vida já foi feito, e não tem volta, os dois Zés vivem neste momento uma situação absolutamente antagônica.

A luta de Zé Alencar contra o câncer e pela vida, saindo da sua 15 ª cirurgia, transformou-o numa unanimidade nacional a favor _ o único político brasileiro hoje em dia de quem todo mundo só fala bem e torce por ele.

A luta de Zé Sarney pela sobrevivência política para ficar na presidência do Senado, depois de uma enxurrada de denúncias contra ele, transformou-o também numa unanimidade nacional _ contra ele. Não há mais quem o defenda, a não ser o presidente Lula.

Esta semana, a publicação das gravações dos diálogos entre Zé Sarney e seu filho Fernando, acertando um emprego hereditário no Senado para o namorado da neta, foi mais ou menos como o Fiat Elba para outro Fernando, o Collor _ um pecado menor diante do conjunto da obra, mas que levou à cassação do primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura militar.

Como diz o vulgo, foi a prova que faltava, o batom na cueca. Não pela nomeação em si, mas pelo fato de ter feito a ligação entre o presidente do Senado com o ex-diretor geral Agaciel Maia, aquele dos atos secretos. Serney havia negado ao plenário conhecimento dos atos e malfeitos de Agaciel.

A aliança com o empresário Zé Alencar, nas eleições de 2002, foi o maior acerto político da vida de Lula. O apoio a Sarney, em 2009, na eleição para a presidência do Senado, foi o seu maior erro.

Zé Alencar tornou-se um político incontestável. Se tivesse dez anos a menos e boa saúde, seria o sucessor natural de Lula na presidência. Zé Sarney, no final da carreira política, tornou-se um político indefensável, sem futuro, ameaçado de jogar pela janela o seu importante papel na redemocratização do país.

As imagens de Zé Alencar entrando e saindo altivo do hospital, forte e sorridente, vendendo esperança, e a de Zé Sarney aflito, entrando e saindo do Senado cercado de seguranças, resumem a história e o destino de cada um.

Ninguém precisava dizer mais nada. Basta olhar as expressôes de um e de outro. Qualquer que seja o desfecho da história dos dois, Zé Alencar, que ficou rico como empresário de sucesso antes de entrar para a política, é um vencedor. Zé Sarney, que não fez outra coisa na vida e ficou rico na política, por abusar do poder, escolheu o papel de perdedor.

Entre os dois Zés, o coração mole de Lula, que nunca abandona os aliados, balança. O Brasil de Lula está hoje mais para Zé Alencar do que para Zé Sarney. Em 2010, os eleitores vão dizer qual Brasil preferem.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Expulsão de servidores por corrupção bate recorde

São Paulo - O governo bateu, no mês passado, seu recorde de expulsões de servidores públicos por envolvimento em atos de corrupção dentro da administração federal. Ao todo, 43 funcionários foram afastados definitivamente da máquina pública, elevando para 2.179 o número de expulsões de servidores feitas pelo governo desde 2003. O dado corresponde a uma média anual de 311,2 expulsões e mostra a intensidade de atos de corrupção a que o governo federal está exposto, especialmente porque esses números não incluem as ocorrências em estatais.

De 2.179 expulsões, 1.878 representaram demissões sumárias do emprego. Outras 169 foram destituições de cargos ou funções e 132, de cassações de aposentadorias. Boa parte dos casos envolve o uso do cargo em proveito pessoal ou recebimento de suborno. Apesar disso, a expulsão do serviço público raramente significa punição penal para os envolvidos.

Ao mesmo tempo em que celebra o aumento de eficiência dos mecanismos de combate à corrupção do governo, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, lamenta que a Justiça não consiga punir os culpados pelas irregularidades. “Esse número demonstra como estamos mudando a cultura de impunidade que prevaleceu por muito tempo na administração pública brasileira, onde nada acontecia com os corruptos. Agora acontece. Eles perdem o cargo. Se não vão para a cadeia, isso já é com a Justiça”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (AE)

sábado, 25 de julho de 2009

A UNE e a memória, por Vitor Hugo Soares

"Ninguém me contou... Eu vi"...

Peço licença a Sebastião Nery para começar estas linhas sobre a União Nacional dos Estudantes - e toda polêmica levantada em relação ao recente 51º congresso da entidade, em Brasília - com as mesmas palavras do jornalista baiano na apresentação do livro "Rompendo o Cerco", a coletânea de discursos mais importantes e frases políticas marcantes do deputado Ulysses Guimarães, de saudosa memória. Mais ainda, nesses tempos de vergonha (ou falta de) no parlamento do país.

Peço desculpas também por não ir direto ao ponto, como recomendam os manuais de jornalismo. Ora bolas! Isso também parece perdeu o sentido, depois da célebre sessão do Supremo Tribunal Federal na qual foi jogado na lata do lixo o diploma profissional de nível superior, comparado a uma habilitação de cozinheiro pelo presidente do Supremo.

Mendes, por sinal, nesses dias de nuvens pesadas sobre o céu de Brasília, andava pela Rússia, que, como se sabe, é modelo mundial de liberdade política, jurídica e de imprensa.

Assim, lembro antes a imagem comovida de Nery no cemitério Jardim da Saudade, em Salvador, debruçado sobre o caixão do ex-deputado Mario Lima, pioneiro do sindicalismo brasileiro na área do petróleo (fundador do SINDIPETRO).

Parceiro também do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, na prisão militar da ilha de Fernando de Noronha em 64 -; resistente e competente aliado a quem Ulysses confiaria, anos mais tarde, comissões cruciais na feitura da Constituição de 88, na parte que trata do trabalho e do trabalhador.

Até o presidente Lula mandou mensagem à família do morto: "Mário Lima destacou-se pela combatividade durante toda a vida, tanto na trincheira do sindicalismo quanto na do Parlamento", realçou o presidente.

Os grandes jornais, no entanto, a exemplo do que já acontecera dois anos antes, na morte do ex-deputado e ex-prefeito cassado de Feira de Santana Chico Pinto - símbolo do parlamento de seu tempo - passaram ao largo ou viraram as costas, descartando até mesmo, em alguns casos, o simples registro factual em suas colunas de Falecimento.

"Que país é esse?", poderia perguntar algum leitor mais curioso e interessado em motivos. A resposta, além da falta de memória congênita, pode ser encontrada também na letra contundente da famosa música da banda Legião Urbana: "Nas favelas, no Senado/ Sujeira pra todo lado/ Ninguém respeita a Constituição/ Mas todos acreditam no futuro da Nação/ Que país é esse?/ Que país é esse? ...
E chegamos à UNE, finalmente.

Do mais recente congresso da entidade o que sei é de leitura ou de ouvir dizer. E não são coisas agradáveis nem edificantes: tanto do lado dos defensores quanto dos críticos da UNE e de suas atuais lideranças. Com ideologias e emoção em demasia, fatos e argumentações sólidas de menos, o resultado é um registro factual nebuloso e análises meio mancas, que o tempo, senhor da razão, haverá de filtrar, até deixar escorrer a água límpida e verdadeira dos fatos e seus signos.

Quero falar mesmo é de quando tudo isso começou. Nos dias 29 e 30 de maio de 1979, no 31º Congresso da UNE, em Salvador, no "Congresso da Reconstrução" da entidade despedaçada pela ditadura e jogada na ilegalidade durante 13 anos.

No Centro de Convenções da Bahia, ainda em obras, cedido pelo governador Antonio Carlos Magalhães em meio a grande polêmica nacional, 10 mil estudantes presentes. 3.304 deles delegados eleitos "nas bases". Juntos no mesmo espaço, esquerdistas, direitistas, comunistas, anarquistas, "estudantes profissionais e inocentes úteis", como alguns jornais definiam na época.

Na mesa, entre muitos outros destacados líderes estudantis de então, o atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB) e o hoje deputado petista José Genoino. Como esquecer a grande faixa dos anarquistas "Inimigos do Rei", aberta de repente, e o alvoroço da platéia surpreendida?

E a hora em que faltou energia, em plena cerimônia de encerramento do Congresso, quando, ato contínuo, o baiano Ruy César Costa e Silva, o primeiro presidente da UNE reconstruída, pediu a todos que acendessem velas ou isqueiros, enquanto ele lia a mensagem de encerramento.

Sem alto falante, cada palavra do estudante de Comunicação da UFBA (que mais tarde se transformaria em ator e educador), era reproduzida pelo coro de mais de 10 mil vozes na noite escura da Bahia.Indescritível!

Repórter da sucursal do Jornal do Brasil em Salvador, na época, ninguém me contou... Eu vi.

Difícil aceitar que algo tão bonito e significativo, possa ter-se transformado, 30 anos depois, em algo tão feio - maligno até - como a histórica entidade estudantil e seus dirigentes aparecem em alguns retratos do evento da semana passada, em Brasília. Depois do que vi na Bahia, porém, creio que a UNE resistirá mais uma vez.

Vida longa à histórica entidade dos estudantes brasileiros. E curta aos maus dirigentes, da UNE ou de qualquer outra instituição do País.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

Boa mira....

terça-feira, 21 de julho de 2009

RomarioXMônica uma crônica re-corrente.....Mauro Leão e Thiago Prado

Ex-jogador diz que tinha reunião marcada com Mônica e que está sendo alvo de uma ‘grande sacanagem’
Rio - Após a enxurrada de ações judiciais da ex-mulher, Mônica Santoro, o ex-jogador Romário partiu para o contra-ataque. Ontem, ele falou sobre a briga e considerou uma ‘grande sacanagem’ ter sido preso na semana passada por não pagar três meses da pensão alimentícia dos filhos Moniquinha e Romarinho. Em processo que corre sob segredo de Justiça, o ex-craque acusa Mônica de usar o dinheiro dos dois com a compra de roupas, passagens de avião, apartamento e até prótese de silicone entre os anos de 1995 e 2005..
O ex-artilheiro falou também das 22 horas que passou preso: “Não quero repetir a experiência”.
Os dados sobre os gastos de Mônica constam da quebra de sigilo fiscal e bancário autorizada pela Justiça.
Um dos gastos questionados na Justiça por Romário é a suposta compra de um apartamento na Barra da Tijuca para o irmão de Mônica, Marcelo Santoro. O dinheiro usado teria saído da conta em que Romário depositava mensalmente a pensão de Romarinho e Moniquinha. O registro da aquisição teria sido feito em cartório de Petrópolis.

“Nunca matei, roubei ou lesei ninguém. Não me envergonho de nada do que fiz. O tempo vai revelar a verdade sobre esta história”, disse Romário ontem.

Processo lista despesas de ex-mulher

A ex-mulher também teria enviado dinheiro para aplicações financeiras dos pais e usado parte da quantia para financiar a cirurgia de implante de silicone. Roupas e sapatos de grife também estariam na lista de aquisições de Mônica nos últimos anos, segundo consta do processo.

Este mês, o Ministério Público chegou a sugerir que a guarda dos filhos ficasse com Romário, mas o ex-craque não quis lutar pelo direito.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

No mais

Texto rabiscado há exatos 40 anos na cela 426 da Ilha das Flores, no Rio, reproduzido nos diários de prisão do historiador Israel Beloch:
“Na tarde de domingo, 20 de julho de 1969, às 17h20m, enquanto Rui Xavier, Elio Gaspari, Francisco Cordeiro, Luis Carlos Pereira, Milton Gaia e Nielsen Fernandes ocupavam esta cela, dois outros homens, tripulando o módulo da Apolo 11, chegavam à Lua. As coisas boas também acontecem.”

De lá para cá, o Brasil mudou. Para melhor.

Comentario--mudou sim, com a ajuda de muitos e anônimos e para felicidade (por enquanto) de meia duzia de espertalhões demagogos e outros quetais.
Em tempo--havia muita gente na cadeia nêsses tempos.....mas nenhum dos que agora estão no "poleiro".Registre-se. Por enquanto é so.

Peso de ouro

O diplomata José Ricardo da Costa Aguiar, ainda vinculado ao Itamaraty, foi recrutado a peso de ouro para defender interesses de banqueiros, em Brasília, em uma Confederação Nacional das Instituições Financeiras
Comentario--quem pode compra (batoteiro) feito.

CPI da Petrobras

Logo após o recesso, a CPI da Petrobras deve quebrar o sigilo bancário do banqueiro Fabio Barbosa, presidente do Grupo Santander no Brasil e da Federação de Bancos (Febraban), após a espantosa revelação de que ele embolsa generosa remuneração mensal como membro do conselho de administração da Petrobras. Ele teve acesso a informações privilegiadas que valem ouro para quem especula no mercado financeiro.

C0MENTARIO--é o sucesso batoteiro.Sempre jogando com "cartas marcadas".

domingo, 19 de julho de 2009

Imoral, por Cristovam Buarque

No Brasil, é normal seus dirigentes serem vistos e sentirem-se como casta, com privilégios muito além dos direitos aos quais o povo tem acesso. Os serviços de saúde e educação à disposição das famílias dos eleitos são completamente diferentes daqueles dos seus eleitores. Ninguém se espanta com o fato de o teto do salário no setor público ser 25 vezes maior que o piso salarial do professor – cujo valor, apesar de tão pequeno, até hoje, um ano depois de sancionado, ainda é contestado na Justiça, como inconstitucional.

É visto como natural que a parcela rica do Brasil tenha o maior índice de cirurgias plásticas de rejuvenescimento em todo o mundo e a parcela pobre não tenha acesso nem mesmo às mais fundamentais operações; que os 10% mais ricos tenham esperança de vida de 72 anos e os 10% mais pobres de apenas 45 anos. Todos aceitam que milhares peçam esmolas para comprar comida e remédios que enchem as prateleiras de farmácias e supermercados.

Considera-se normal que os 1% mais ricos da população recebam 20,5% da renda nacional e os 50% mais pobres recebam apenas 13,2%; que 19% das casas não tenham água encanada e 51% não tenham saneamento ou esgoto. Aceitamos que 50 milhões dependam de ajuda no valor de R$182 por mês para a sobrevivência de toda a família, R$6 por dia, sem chance de trabalho com salário digno.

É natural que crianças vivam nas ruas, sejam mendigos, pivetes, prostitutas, trabalhadores, e não estudantes; que 11% delas cheguem aos 10 anos sem saber ler; e 60 abandonem a escola a cada minuto do ano letivo, antes da conclusão do Ensino Médio; e que entre as que permanecem, muitas vejam a escola como um restaurante-mirim que fornece merenda. É aceito que os professores tenham a menor remuneração entre os profissionais com formação equivalente; que deem aulas em escolas sem água nem luz, raras com computadores e sistemas de vídeo. Ficou normal que as escolas tenham se transformado em campos de batalha, os professores sejam agredidos, as aulas viraram balbúrdia.

Mesmo sem guerra, nos acostumamos com 125 mil pessoas mortas por ano em conseqüência da violência. Aceita-se que o país com um dos cinco maiores territórios do mundo – além de litoral e espaço aéreo – não apoie suficientemente suas Forças Armadas para defenderem esse patrimônio.

Não discutimos sequer o fato de conviverem 4,5 milhões de universitários ao lado de 14 milhões de analfabetos adultos e 40 milhões de analfabetos funcionais; de que, 121 anos depois da abolição da escravatura, a cor da elite seja tão predominante branca quanto era durante a escravidão; é aceito como normal que as universidades sejam ocupadas, na imensa maioria, por jovens brancos e as prisões, por jovens negros; que em 120 anos da República, o Brasil tenha uma escola diferente para os ricos, na qualidade, da escola para os pobres; e que, depois de 20 anos de democracia, a corrupção seja vista como uma prática comum em todos os níveis da sociedade, especialmente entre os políticos.

É normal que nossas reservas florestais sejam devastadas sistematicamente; e que apesar de todas as evidências da catástrofe do aquecimento global, abramos mão de bilhões de reais em impostos para viabilizar o aumento na venda de automóveis privados, sem buscar uma reorientação dessa indústria, como forma de manter o emprego do trabalhador, o bem-estar do consumidor e o equilíbrio ecológico, a serviço das próximas gerações.

É normal prender quem rouba comida ou remédio para os filhos e deixar solto quem rouba bilhões mas pode pagar bons advogados.

E é normal, nos dias de hoje, que os partidos que lutavam contra as injustiças tenham optado pelo abandono dos sonhos, entregado-se às mesmas práticas do passado e esquecendo-se de suas promessas. Na República, que comemora 120 anos, é normal que a justiça, a escola, a saúde, o transporte, a moradia, a cultura sejam tão diferenciadas, conforme a classe social, que as pessoas não pareçam compatriotas.

No Brasil, o anormal é normal; por isso, o normal é anormal. E imoral.

Cristovam Buarque é senador (PDT-DF)
Comentario--o senador morde e assopra, tentando preservar sua propria imagem. A vaidade é a principal motivação da "nossa" classe politica. Como bem escreve Millôr--Errar é humano, botar a culpa nos outros, também--nada de novo à Sul(América)!

sábado, 18 de julho de 2009

Internet is for Freedom-just fixe it!!!

O grupo canadense Sons of Maxwell teve a má ideia de voar pela United Airlines para Nebraska, nos EUA. No fim da viagem, a guitarra da marca Taylor, de Dave Carrol, avaliada em US$ 3.500 foi devolvida ao músico... quebrada. A empresa não negou a culpa mas, depois de um ano enrolando a vítima, recusou-se a pagar pelo instrumento.

A vingança foi maligna. Carroll produziu um videoclipe que faz o maior sucesso no YouTube - mais de 3 milhões de pessoas já assistiram. Seja mais um:---http://www.youtube.com/watch?v=5YGc4zOqozo --ou clic no titulo do artigo, acima

Vaidade, qualidade preferida do Diabo......

Filho caro
Custará R$ 15 milhões a produção do filme “Lula, o Filho do Brasil”, que estréia em 1º de janeiro. Será bancado por empresários amigos

PUTAS e DEPUTADOS

A Nota de Esclarecimento realmente é digna dos Cassetas.
O Globo (Brasília):

Câmara se queixa do "Casseta & Planeta"
Pressionada por deputados, a Procuradoria da Câmara vai reclamar junto à Rede Globo pelas alusões feitas no programa "Casseta & Planeta" exibido terça-feira passada.
Os parlamentares reclamaram especialmente do quadro em que foram chamados de "deputados de programa". Nele, uma prostituta fica indignada quando lhe perguntam se ela é deputada? O quadro em que são vacinados contra a "febre afurtosa" também provocou constrangimento.
Na noite de quarta-feira, um grupo de deputados esteve na Procuradoria da Câmara para assistir à fita do programa. Segundo o procurador Ricardo Izar (PMDB-SP), duas parlamentares choraram-coitadinhas. Izar se encontrará segunda-feira com representantes da emissora, para tentar um acordo, antes de recorrer à Justiça.
O presidente da Câmara também se disse indignado: - O programa passou dos limites. Eles têm talento suficiente para fazer graça sem desqualificar a instituição (que instituição???), que garante a liberdade para que façam graça.
O diretor da Central Globo de Comunicação, Luís Erlanger, disse que a rede só se pronuncia sobre ações judiciais, depois de serem efetivadas.
Os humoristas do Casseta & Planeta não quiseram falar sobre o assunto, dizendo não querer "dar importância à concorrência".


NOTA DE ESCLARECIMENTO DO PROGRAMA

"Foi com surpresa que nós, integrantes do Grupo CASSETA & PLANETA, tomamos conhecimento, através da imprensa, da intenção do presidente da Câmara dos Deputados de nos processar por causa de uma piada veiculada em nosso programa de televisão. Em vista disso, gostaríamos de esclarecer alguns pontos:

1. Em nenhum momento tivemos a intenção de ofender as prostitutas. O objetivo da piada era somente de comparar duas categorias profissionais que aceitam dinheiro para mudar de posição.
2. Não vemos nenhum problema em ceder um espaço para o direito de Resposta dos deputados. Pelo contrário, consideramos o quadro muito adequado e condizente com a linha do programa.
3. Caso se decidam pelo direito de resposta, informamos que nossas gravações ocorrem às segundas-feiras, o que obrigará os deputados a "interromper seu descanso."

Equipe do Casseta & Planeta

sexta-feira, 17 de julho de 2009

É nóis, ó pá!

Deu na EFE. Acredite. O número de imigrantes brasileiros em Portugal aumentou 37% em 2008, chegando a 106.961, quase um quarto da população estrangeira do país.

Segundo a agência de notícias, em 2007, viviam uns 66 mil brasileiros por lá.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Crescer é dificil, engordar é facil.

Nós chegamos ao limite--Pedro Simon

Do senador Pedro Simon (PMDB-RS) em aparte a discurso do colega Arthur Virgílio (PSDB-AM):
- Olha, nós chegamos ao limite do mínimo da responsabilidade que nós podemos ter. Eu digo com a maior tristeza, com a maior mágoa. Nessa altura, não adianta o Presidente Sarney se licenciar. Ele tem que renunciar à Presidência do Senado. Ele tem que fazer o que os seus antecessores fizeram. Ele deve renunciar à Presidência do Senado. E nós devemos nos reunir para escolher alguém que seja a representação de todos nós.

- Não adianta suspender os atos, não adianta indicar nada, não adianta o ex 1º Secretário, coitado, vir à tribuna e oferecer: vê a minha vida, vê isso, vê mais aquilo. Nós perdemos toda a credibilidade, Senador. Agora, V. Exª, dirigindo o Conselho de Ética... O Conselho de Ética ainda não se instalou. Em primeiro lugar, eu vejo pelo meu Partido, eu tenho o maior respeito pelas pessoas que foram indicadas. Eles até têm muitas qualidades, mas não foram indicados pelas qualidades. Eles foram indicados pela fidelidade, por fazer aquilo que o Sr. Renan, Líder do PMDB, porque ele e o Sr. Sarney controlam e comandam a bancada do PMDB.

- É uma humilhação. Eu tenho vergonha, eu tenho vergonha da posição que eu estou. Aí me perguntam: por que o senhor não vai para outro partido? Eu não tenho para onde ir, mas, sinceramente, eu estou pensando em ir para casa, Senador. Eu estou pensando. Já ao sou mais candidato a nada, mas estou pensando em sair. Eu não tenho mais condições de fazer nada. Se eu não posso ajudar, pelo menos que eu vá embora. O Presidente Sarney tem que ter a grandeza de renunciar à Presidência do Senado.

- Eu estive no seu gabinete, fui lhe dizer isso dias atrás. Não tive coragem, porque ele falou com tal maneira, com tal firmeza que eu não tive coragem de dizer pra ele aquilo que eu fui lá pra dizer: Presidente, renuncie! Esse negócio da fundação... Em primeiro lugar, era o Convento das Mercês, um prédio... o mais espetacular. Em segundo lugar, a Assembléia vota uma lei... desde a Constituinte até hoje, é a primeira vez que o Senado anula uma lei estadual, a pedido dele, porque a Assembleia tinha determinado a devolução... S. Exª é presidente eterno, vitalício. Se ele morrer, é a esposa dele; se morrer a esposa dele são os filhos dele; se morrerem os filhos, são os netos, pelo menos é o que diz o jornal. Eu nunca tinha visto isso na minha vida!

- Eu nunca tinha visto isso na minha vida! A conta no exterior... isso S. Exª responde que viajou para Veneza a convite, com as contas pagas pelo presidente do banco que é um homem que foi condenado a não sei quanto tempo! Mas o que é isso, ir visitar Veneza com as contas pagas por um homem inescrupuloso que nem é o presidente do Santos! Aí ele foi a única pessoa do Banco de Santos que das contas o dinheiro foi retirado antes de quebrar o banco e vem o presidente do banco e diz: não, ele não pediu, eu fiz por minha conta. Mas onde é que está isso, meu Deus do céu?!

- Quer dizer, o presidente dum banco chegou na hora... vai quebrar o banco amanhã, tira o dinheiro do Sr. Sarney e bota fora pra ele não perder! Olha, cá entre nós... eu tive inveja, uma inveja cristã do neto do Presidente Sarney. Aquele rapaz, formado em Harvard, formado na Sorbonne, um belo dum rapaz, com uma firma organizada... o Presidente Sarney permitir que ele entre num negócio de quinta categoria aqui no Senado! O Presidente Sarney permitir que ele entre em um negócio de quinta categoria do Senado! Um rapaz que teria tudo para progredir, para crescer, para ser um grande rapaz!

- Quer dizer, o Presidente Sarney, nesse espírito dele, fazer isso com um neto! Ele tem de se afastar. A imprensa já diz: o Presidente Getúlio Vargas saiu da vida para entrar na história; e o Presidente Sarney saiu da história para cair na vida. Ele tem de renunciar. Eu digo, com mágoa, eu juro, para o meu filho, que eu achava que a licença era suficiente. Hoje não é mais. Não adianta ele anular os atos. Não adianta nada! É um neto, é o segundo neto, é o primeiro sobrinho, é o segundo sobrinho, é o terceiro sobrinho, é o filho, é coisa demais! E não vamos nos esquecer que ele está no terceiro mandato. É o brasileiro que mais ocupou a Presidência do Senado na história de todo o Senado.

- E ele que indicou as pessoas que estão aí. E não venha me dizer que, quando ele saiu, a pessoa ficou nos cargos, e que não foi a pedido dele. Ele era íntimo do Sr. Antônio Carlos, íntimo do Jader, íntimo do Renan. Se afaste! Se afaste! É a melhor coisa que ele pode fazer: ter um ato histórico, um ato de grandeza, renunciando ao mandato. É o ato que ele tem de fazer.

Senador Pedro Simon (PMDB-RS) em aparte a discurso do colega Arthur Virgílio (PSDB-AM)

VIDA APÓS A VIDA (subscrito em G+N+G+)

Sempre pensei que ia morrer cedo. A luta armada, a clandestinidade, aventuras, promiscuidade, orgias, riscos... Tudo me levava a crer que não chegaria aos 30 anos. Para quem tem 20 anos, quem tem 30 já é coroa. Tomei um susto quando me vi vivo e saudável aos 30.

Aos 40 percebi a possibilidade real da morte. No dia do meu aniversário quarentão, um jovem ator de 24 anos perguntou como eu me sentia: "Agora? De frente para a morte." Para minha surpresa foi o jovem quem morreu logo depois.

Aos 50 apaixonei-me pela letra de Aldir Blanc na voz de Paulinho da Viola: "Aos 50 anos, insisto na juventude...", isso enquanto percebia meu ângulo peniano caminhando para os 90 graus. Mas, antes dos 60, a pílula azul alargou minhas possibilidades e possibilitou-me ver o sexo por ângulos mais estreitos.

Agora estou além dos 60. Aos 40 rezava pela alma dos mortos amigos e parentes. Nome por nome eu pedia ao Senhor. Hoje, são tantos os que caíram, que apenas peço "pelos mortos em geral". E mais uma vez espanto-me por estar ainda vivo, e consolo-me no Salmo 91.7, que diz: "Mil cairão ao teu lado e dez mil à sua direita, mas você não será atingido." Mesmo confiando na Palavra, ainda assim caminho embaixo de marquises pra São Pedro não me ver.

Ainda estou vivo, e pra quem pensou que morreria aos 30 descubro que existe vida após a vida. Mas o preço do viver é muito alto para o jovem de hoje: tem que comprar apartamento, arranjar um trampo, ganhar dinheiro, ficar famoso, comer todas, bombar no iutube, malhar, casar, ter filhos, comprar carro, estar bronzeado, conhecer tudo de web e ainda ir ao show da Madonna, entre outras miudezas.

Após os 60 você já está quite com tudo isso e pensa que vai viver em paz. Qual o quê: tem que tomar insulina, antidepressivos, rivotris, controlar a pressão, não comer açúcar, não comer sal, não fumar, não beber, se conseguir comer uma e outra já é uma vitória, tem que caminhar ao menos meia hora por dia, cuidar do joanete, dormir cedo, vender o apartamento, fugir da bolsa, não discutir no trânsito, não se alterar no caixa do supermercado, tolerar os filhos, agradar os netos, ficar calado diante da mediocridade, aceitar o salário de aposentado, ter o testamento em dia e curtir todas as dores ósseas, nervosas e musculares porque se algum dia você acordar sem dor é porque está morto.

Claro que o idoso tem suas vantagens: uma delas é a transparência. Quanto mais velho, mais transparente você se torna.
Chega a ficar invisível: ninguém mais lhe percebe, mais um pouco e nem lhe enxergam. Mas pode passar à frente dos jovens nas filas todas, com aquele ar de superior: "Você é jovem e sarado, mas eu tenho prioridade." E ante qualquer aborrecimento ou dificuldade você ameaça enfartar ou ter um AVC.
Funciona sempre, todos logo se tornam gentis e cordatos, e é garantia de muitas eias e lenços como presentes no Natal.

Lidando com a minha "terceira idade" ouço de meu psicanalista, o bom Luiz Alfredo: "Só há dois caminhos: envelhecer... ou o outro, muito pior." Prefiro envelhecer, aceitando cada minúsculo "sim" que a vida me dá com uma grande alegria e uma grande vitória.
Hoje, quando encontro vaga num elevador de shopping, quando o banco está vazio, ou quando encontro promoção na farmácia, já considero uma bênção gigantesca e agradeço a Deus pela graça alcançada.

Após os 60, como no filme de Brad Pitt, regrido na existência, deixo Paulinho e a viola de lado e reencontro Lupiscinio: "Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei." Mas se soubessem não ia adiantar nada: porque a sabedoria é filha do tempo.
Como diz o amigo Percinotto, também idoso: "O diabo é sábio porque é velho."
Pelo andar da carruagem, percebo que já morri muitas vezes nesta vida, e que viverei até fartar-me.

* Bemvindo Sequeira é autor, ator e diretor de teatro e TV

terça-feira, 14 de julho de 2009

Madrinha Legionnaires Sahariens (sixties)

Legio Patria Nostra

Petistas Autênticos (em extinção?)

BRASÍLIA - O deputado petista Domingos Dutra (PT-MA) está indignado com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Por ser do estado do senador, diz sofrer na pele, "puro couro e osso", o que chama de desmandos do peemedebista. Dutra chegou a escrever um livro de 36 páginas - "O camaleão" - com duros ataques a Sarney. Para Dutra, Lula, ao sair em socorro do senador, desrespeita a militância do PT. ( Leia mais: Sarney anula todos os atos secretos )

O GLOBO: Como petista, como o sr. avalia o apoio de Lula a José Sarney?

DOMINGOS DUTRA: Acho lamentável, discordo. O Lula não precisa disso. Faz um excelente governo e tem enorme popularidade. E está queimando parte dessa gordura, que tem de sobra, com essa defesa de Sarney, de quem virou refém. Digo que Lula está queimando uma mau gordura com esse senador. Gordura, aliás, que não tenho. Sou puro couro e osso.

O GLOBO: Se pudesse, que conselho daria ao presidente Lula?

DUTRA: Para valorizar sua popularidade e respeitar a militância do partido, que ele conhece muito bem: o quebrador de coco, o seringueiro, o trabalhador rural, o pescador. Tem muita gente desanimada por causa desse apoio que dá ao Sarney. Essa gente nos massacra nos estados. Essa lógica do Lula não é a minha e nem pode ser a do PT.

O GLOBO: Como o sr. avalia posição que ficou a bancada do PT no Senado?

DUTRA: Numa sinuca de bico. Os senadores do PT estão extremamente constrangidos. O Sarney enrolou o presidente Lula: primeiro, disse três vezes ao Lula que não ia disputar a presidência do Senado, mesmo número de vezes que Pedro negou a Cristo; depois, derrotou o Tião Viana e, não bastasse, apoiou Collor contra a Ideli Salvatti na disputa da Comissão de Infraestrutura.

O GLOBO: Como fica a situação do PT no Maranhão com o apoio de Lula a Sarney?

DUTRA: Lá, estamos nos preparando para o pior. Primeiro, vão tentar comprar o diretório e os nossos nove prefeitos com cargos no governo de Roseana. Vão pegar os prefeitos pelo beiço que nem jumento ruim. Depois, se o diretório decidir algo que contrarie os Sarney, ele vai conseguir que o diretório nacional faça uma intervenção.

O GLOBO: O sr. tem dificuldades para se eleger deputado, com essa oposição que faz a Sarney no estado?

DUTRA: Eu continuo me elegendo porque sou teimoso, e o Sarney não tem como me agarrar. Não tenho esquema com empresas ou prefeitos, só a militância pé no chão, com os humildes. O apoio de Dilma e Lula a Sarney não é ruim só para nós do Maranhão, não. O PT pode ter uma surpresa.

O GLOBO: O sr. vincula o apoio de Lula a Sarney ao projeto Dilma 2010?

DUTRA: Sim, está evidente isso. Nós, de baixo, temos que tapar o nariz e aceitar tudo em nome do investimento de todas as fichas na candidatura da ministra Dilma. Já demos tudo para o PMDB. Até quando temos que continuar de joelhos? Fazer isso e achar que o povo não está vendo, é subestimar a sociedade, o povo, os movimentos sociais. É enterrar todo o capital que o partido construiu em 25 anos de luta.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Uma palavrinha a menos

“É injusto responsabilizar Sarney por tudo de errado que acontece no Senado.” Falta uma palavra nessa frase: “só”. O problema é que, sem o “só” antes de “Sarney”, ela pode ser lida assim: “Como muitos são culpados, que não se puna ninguém”

É perigoso o Senado achar que vai contornar a crise sem que nenhum político pague a conta. Algum tipo de conta. Isso já se escreveu aqui e continua valendo. O sistema tem sua lógica, ou pelo menos deveria ter. Teoricamente, funciona assim: quando aparece um problema grave na esfera política, algum político deve arcar com a fatura. É o caso dos atos secretos. Passar uma borracha na sua existência, ou reduzi-los a disfunção administrativa, introduziria no mecanismo institucional uma taxa intolerável de insegurança.

Em meio ao hábito de achar tudo escandaloso, o verdadeiro escândalo corre o risco de se misturar à multidão. Os atos secretos do Senado são um atentado direto à democracia, muitos degraus acima do ramerrame da politicagem diária e do assim chamado denuncismo. E se a moda pega? E se ela se estende aos demais poderes? O Executivo poderia, numa hipótese hoje bizarra, montar um sistema paralelo de espionagem e perseguição contra os adversários. Por que não? E por que não deixar também na escuridão uma parte da execução orçamentária? Por que não acabar com o Siafi?

Um fundamento da democracia é que o cidadão tem mecanismos para se proteger do Estado quando este exorbita. O princípio da publicidade dos atos oficiais está longe de ser uma firula. Se você desconhece o que fazem as autoridades, como vai poder controlá-las? Como vai se defender? Sem a publicação das ações do poder, o cidadão fica à mercê dos poderosos.

Enquanto o Senado não colocar os pingos nos is, a ebulição política não vai passar. O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), tem suporte do presidente da República e conseguiu uma neutralidade favorável do PT, com as resistências de praxe. Os operadores de Sarney vêm insistindo que ele controla a maioria dos votos no plenário, bem como no Conselho de Ética. É verdade. Na aritmética as coisas vão bem. Mas no mérito vão mal. Os números são sólidos, o discurso nem tanto. E na política democrática o número acaba sucumbindo ao argumento. É sempre uma questão de tempo.

Sarney tem um belo estoque de apoios políticos, mas vem falhando na hora de contar histórias com começo, meio e fim. Nos atos secretos, chegou-se a um jogo de soma zero, em que todas as excelências escapam. O ex-diretor de Recursos Humanos diz que recebia ordens do então diretor-geral. Mas o ex-diretor-geral nega que tenha dado as ordens na época. O estica-e-puxa passa ao largo dos senadores beneficiados pelas centenas de medidas ocultadas. No plano jurídico, pode ser brilhante. Politicamente, é um desastre. Como é que funcionários do Senado deixaram de publicar centenas de atos ao longo de anos e nenhum senador percebeu? Nem reclamou?

“É injusto responsabilizar Sarney por tudo de errado que acontece no Senado.” A afirmação é aparentemente lógica, mas nela falta uma palavra: “só”. O problema é que, sem o “só” antes de “Sarney”, a frase pode ser lida assim: “Já que muitos são culpados, que não se puna ninguém”.

Vai ser difícil enfiar essa conclusão goela abaixo do distinto público.

sábado, 11 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Torcedor in-gl'oria

Assim os "de cima" olham pra baixo........

Au temps de l'Internet c'est la vitesse et la capacité à changer qui sauveront les individus comme les organisations par didier cozin, ingénieur de fo

Au XIX et XXème siècle nos compatriotes ont massivement quitté les campagnes pour aller s'embaucher en ville dans les entreprises industrielles puis tertiaires. Ce mouvement, à la vitesse de la vapeur, a permis à notre pays de jouer un rôle économique et social important durant deux siècles. Les Rastignac arrivaient par le train depuis leurs campagnes ou de lointaines contrées d'europe de l'Est pour prendre possession de la ville grâce à leur capactité d'adaptation et leur intelligence. Tout cela fut fort bien décrit par nos romanciers et cette société balzacienne a en grande parti façonnée nos mentalités, nos idées politiques, notre développement économique et social (toutes nos institutions sont issues de la IIIème république, du combat pour la laïcité et la neutralité de l'Etat...)

A cette époque là, celle de la vapeur, le rythme du changement (car la vie est changement) épousait celui du train. Un pays changeait au fur et à mesure de l'ouverture des grandes (ou petites) lignes de train et le pays légal avançait lui aussi à la vitesse du train (le fameux train de sénateurs).

Mais notre pays n'a pas fondamentalement changé depuis le XIXème siècle, notre univers politique, économique et social et largement inspiré de cette époque (sans doute bénie) où la France était une des 3 ou 4 grandes nations industrielles de la planète.

Las, rien n'est éternel et désormais nous changeons de braquet, de rythme et d'échelle, ce n'est plus le transport physique des hommes ou des marchandises, qui assure la suprématie d'un pays mais le transport intellectuel des idées, des concepts, des services et des innovations. Internet recompose toutes les hiérarchies (il les casse aussi par ailleurs), les individus, les institutions, les entreprises, les États sont remis en question par Internet et les télécom avec leurs fulgurantes réussites (mais aussi chutes, voir GM aux USA).

A ce nouveau jeu nous avons le plus grand mal à nous adapter. Dans quelques jours le parlement discutera de la réforme de la formation professionnelle. Ce texte a été en grande partie élaboré par des partenaires sociaux nés au XIXème siècle et incapables d'appréhender la vitesse des temps que nous vivons. La réforme de la formation est déjà donc plombée car elle ne prend pas en compte les nouvelles données économiques et sociales induites par la crise.

Si notre pays en a encore les moyens on imagine déjà les rapports et livres blancs qui décriront le chaos et la désespérance sociale qu'aura provoquée cette nouvelle réforme ratée.

Il ne s'agit pourtant pas de mauvaise volonté mais d'une inadaptation profonde d'un modèle économique et social figé et conformiste. Nos compatriotes luttent pour leurs droits acquis. Quand l'humanité comptera bientôt 7 milliards d'individus, quand plus de 1 milliard de travailleurs sont pauvres (moins de 2 $ de revenus par jour) nos petites luttes syndicales ou politiques sont dérisoires. Nous sommes des adeptes du coup de barbouille alors que notre pays doit entrer dans un perpétuel et total mouvement de changement social et intellectuel. Il en semble incapable, tout juste bon à jouer l'autruche avec ses 1/2 mesures et ses palliatifs qui n'en finissent pas d'être insuffisants. Quand le Titanic coule rien ne sert de ramer ou d'écoper dans les soutes du navire, il faut le mettre en cale séche et tout reconstruire. Ce sera une évidence dans quelques années mais en aurons nous toujours les moyens ?
Commentaire APS--Je ne suis pas seul!!!!!!!je persiste et signe, intégralement!

Não é com ela

As mulheres dos líderes do G-8 visitaram ontem a região do terremoto em L'Áquila, na Itália. D. Marisa Lula da Silva, que também não visitou o Nordeste brasileiro na enchente este ano, mais uma vez escafedeu-se.

Nobel na cabeça

Não contente em destacar R$ 25 milhões para financiar a construção de casas na faixa de Gaza, como a coluna noticiou, o presidente Lula doou dois mil cobertores para as vítimas das enchentes na Namíbia

quarta-feira, 8 de julho de 2009

No mais, but not least

É como disse o historiador José Murilo de Carvalho, ontem, no GLOBO: ser republicano "é saber que o Estado não é uma extensão da família, um clube de amigos, um grupo de companheiros".

Risco zero

Em plena crise, o senador Marco Maciel foi à tribuna falar da democracia, citando autores como Robert Dahl, Norberto Bobbio e Hans Kelsen.
Tudo bonito, erudito. Mas ninguém soube exatamente o que Maciel pensa das acusações contra Sarney, por exemplo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ninguém ligou --Cenas Cariocas

Tio, o senhor me compra lápis e borracha? Começaram as aulas, é pra mim estudar... Não quero dinheiro, não. Quer dizer, quero, mas se o senhor me der o que eu quero mesmo, é melhor. Fico aqui de tarde, olhando meus irmãos, enquanto minha mãe guarda os carros. Aí, depois o senhor podia me dar uns cadernos. Para eu ficar desenhando. Gosto de desenhar. Às vezes, eu brinco de correr, mas fico com medo dos carros. Todo mundo passa aqui correndo, ninguém para, não.

A gente toma conta mesmo, aqui o ponto é nosso. Tem perigo não. Outro dia, vieram aqui tomar o lugar da gente. Um cara com aquele colete de guardador. Minha mãe brigou, rolou no chão com ele. Foi punk, tio. Eu gritei à beça, mas ninguém ligou. Ela até desmaiou, foi pro Souza Aguiar, mas voltou pra casa no outro dia. É ela aí, ó, dormindo. Mas não se preocupa, não. Eu olho os carros junto com ela.

Eu sei, sou a cara dela, todo mundo fala. Ela sempre diz que era bonitona, a maior gostosa, mas depois de que ela teve meu último irmãozinho - aquele ali no chão, pode brincar, ele é calminho - ficou gordona assim. Mas eu acho, tio, que né isso, não. Ela bebe muito. Cachaça. Vive naquele botequim ali. Às vezes, gasta o dinheiro dos carros na bebida. Ficamos eu e meu outro irmão - aquele correndo do lado de lá, perto da igreja - esperando um tempão, chamando ela, mas ela fica, fica, até tarde...

Outro dia, eu ainda estava de férias, ela chegou em casa e o marido dela - minha mãe conta que meu pai morreu quando eu era bebê, nem conheci - disse que meu irmão não era filho dele. Vê se pode, é a cara dele! Aí, ele começou a bater na minha mãe, deu uma porrada na cabeça dela e começou a sangrar. É aquela marcona ali do lado, tá vendo? Ela não desmaiou, não. Pegou uma pedra portuguesa e abriu a cabeça dele também. Eu gritei à beça, mas ninguém ligou.

Os dois foram pro Souza Aguiar, minha mãe voltou, mas ele não. Nunca mais vi. Minha mãe agora fica repetindo que não quer mais saber de homem, que se eu for esperta não vou casar nunca, mas não acredito, não. Tenho oito anos, já vi entrar e sair muito homem lá em casa... Nem ligo mais.

A gente come aqui mesmo, sentado no meio-fio, eu, minha mãe e meu irmão. Quentinha. Tinha um outro irmão mais velho, mas ele foi embora. Acho que morreu. Um dia, saiu dizendo que ia na Central e nunca mais voltou. Minha mãe tentou procurar, pediu ajuda, mas depois esqueceu. Às vezes, acho que ele foi atropelado. Tem horas que penso que ele vai voltar. Aí, vai levar a maior coça da minha mãe. Acho que ele não volta, não.

Agora, a mais velha sou eu. Tenho oito anos e estou no segundo ano. Sei que estou atrasada, não aprendi muita coisa ano passado, mas passei assim mesmo. Não fiquei muito orgulhosa, não, mas pelo menos esse ano estou indo mais às aulas. O colégio é legal. Até fico de uniforme o dia todo, para mostrar que sou estudante. Não sou menina de rua, não!

Tio, outro dia o senhor compra xampu pra mim? É que meu cabelo fica feio, não penteia de jeito nenhum e na escola meus colegas reparam. Ali na farmácia vende. Três reais.

Reconhece a queda

O samba desembarcou no planeta cinza, paliteiro gigante que se perde no horizonte, sentiu a poluição tomar-lhe a alma - maldição -, mas foi em frente. Chegara para alargar fronteiras muito além da sua casa, paraíso de inspiração que conjuga mar, montanha e luz. Seria missão pesada - o novo pouso não era solar como o original. Opaco, não exibia a inspiração nas esquinas. Seus habitantes, para piorar, pareciam todos entregues a um irremovível estresse de metrópole. Logo para ele, marginal no DNA, agora, engarrafado... na marginal. Música, aqui?, perguntou-se o samba, desolado.

Não seria, nem pensar, como na parada anterior. O suceder de delícias da terra carioca, a rotina contemplativa, a vida com mais vagar, a convicção de que não há urgência no mundo capaz de impedir uma olhada na vista, a vaidade de quem se acha só porque nasceu ali... Não havia como dar errado. Da Pedra do Sal, da Praça Onze, de "Pelo telefone", de Tia Ciata e Donga, o samba virou, claro, dono da casa. Seu reinado cristalizou-se eterno, com Ismael, Cartola, Noel, Zé Keti, Nelson Cavaquinho, Silas, Neguinho da Beija-Flor. Não há funk que derrube.

Agora, na megalópole opulenta, infinita, sem cara, o samba sentia-se ao relento. Como ter "Alvorada, lá no morro, que beleza, ninguém chora, não há tristeza", se nem morro se avista direito? Onde se esconderam os malandros? E as mulatas de requebros febris, cadê? Mas quem nasceu preto, bandido e mesmo assim ganhou o mundo - tudo em menos de um século -, daria seu jeito. O samba foi à luta. Não seria a falta de sol, ou a tal da garoa, que o impediria de encontrar.

Príncipes não surgiriam a rodo, mas um ou outro haveria de ter. Pois o samba ralou, catou, rodou, virou a cidade do avesso. Demorou (também, com tanto engarrafamento...), mas o sambista estava lá, ainda que em recanto improvável - a universidade. Sua excelência o bamba paulista chama-se Paulo Vanzolini, de "Ronda", "Volta por cima", "Na boca da noite", doutor em Zoologia, PhD em ritmo e letra. Mas não o chame de sambista, simplesmente. Como ele mesmo explica no excelente "Homem de moral", documentário de Ricardo Dias exibido em menos cinemas do que merece, "sou zoológo; música é só hobby".

Pode ser - mas vira apenas a mais xiita modéstia, diante de tamanho talento. "De noite eu rondo a cidade/ A te procurar sem encontrar/ No meio de olhares espio em todos os bares/ Você não está" é a mais perfeita tradução do jeito paulistano de fazer samba. Lindo - mas nublado, denso, melancólico. Vanzolini, objetivo como convém aos papas do ofício, assume que suas almas gêmeas vivem do outro lado da ponte aérea, à ilustre exceção de mestre Adoniran Barbosa. Está certo. Em comum com os craques da praia, ele oferece aforismos que são ouro puro. O melhor:

- Em "Volta por cima", todo mundo só fala do "Levanta, sacode a poeira..." E o mais importante é "Reconhece a queda"...

O samba, então, pegou a condução de volta para casa. Com Paulo Vanzolini, sua missão estava cumprida.

Yeda é denunciada à P.Geral da República

Pivô do escândalo do Detran entregou ao MPF acusações envolvendo campanha de Yeda e início da administração

Desde fevereiro, quando a deputada Luciana Genro deu entrevista ao lado do vereador Pedro Ruas, ambos do PSOL, revelando denúncias que teriam sido feitas por Lair Ferst contra a governadora Yeda Crusius, os gaúchos convivem com a dúvida sobre se o pivô do escândalo do Detran estaria colaborando com as investigações. A confirmação veio ontem por meio de documentos a que Zero Hora teve acesso.

No ofício OF/SECRIM/PRRS/Nº 2669, datado de 16 de abril, o procurador Alexandre Schneider encaminha ao então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, um texto escrito por Lair detalhando 20 supostas irregularidades que teriam sido cometidas na campanha de 2006 e no início do governo de Yeda. ZH teve acesso a 12 páginas das 13 páginas escritas em computador por Lair, rubricadas e numeradas pelo protocolo da Procuradoria-Geral da República.

Lair conta desde sua aproximação da campanha até suposta oferta de propina à governadora feita pelo grupo responsável pela fraude no Detran. No relato, afirma que a casa de Yeda foi comprada por R$ 1 milhão, e não por R$ 750 mil, como está no contrato, e que a diferença foi paga com caixa 2.

São levantadas suspeitas sobre mais de 30 pessoas ou empresas. Lair descreve um cenário de farto caixa 2. Um dos 20 fatos afirma que a SP Alimentação, fornecedora de merenda escolar para a prefeitura de Canoas, doou R$ 500 mil que foram utilizados no início da organização da campanha. Os valores teriam chegado ao comitê por meio de Chico Fraga, então secretário de Governo de Canoas. A SP é suspeita de envolvimento na fraude no município.

O dinheiro não contabilizado normalmente era recebido por Marcelo Cavalcante, ex-assessor morto em fevereiro, e por Walna Meneses, assessora de Yeda e, segundo o depoimento, “controladora do caixa 2”. Lair faz ataques ao ex-marido de Yeda. Conta que Crusius era avisado da chegada de doações. Muitas vezes, à noite, diz o relato, Crusius buscava dinheiro no comitê e levava para o apartamento da candidata. Os recursos nunca mais retornavam.

Além de Dantas, denúncia do MPF atinge 13

São Paulo - A Procuradoria da República em São Paulo denunciou, além de Daniel Dantas, mais 13 pessoas ligadas ao banqueiro pelos crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, gestão temerária, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O procurador Rodrigo de Grandis, autor da denúncia, afirmou que todos "constituíram um verdadeiro grupo criminoso empresarial, cuja característica mais marcante fora transpor métodos empresariais para a perpetração de crimes, notadamente delitos contra o sistema financeiro, de corrupção ativa e de lavagem de recursos ilícitos".

De acordo com De Grandis, o grupo financiou, quando estava no comando da Brasil Telecom (BRT), o "valerioduto", suposto esquema montado em 2006 pelo empresário Marcos Valério de Souza para pagamento de propina a congressistas. Apesar das denuncias, o MPF não pediu a prisão de nenhum dos acusados.

Foram denunciados Verônica Valente Dantas, sócia e irmã de Dantas; Dório Fernan, presidente do Banco Opportunity; Itamar Benigno Filho, diretor do banco; Danielle Silbergleid Ninnio, ex-assessora jurídica da BRT; Norberto Aguiar Tomaz, diretor do banco; Eduardo Penido Monteiro, diretor do banco; Rodrigo Bhering Andrade, diretor de empresas ligadas ao grupo; Maria Amália Delfim de Melo Coltrin, conselheira de empresas do grupo; Humberto José Rocha Braz, ex-diretor da BRT e consultor do Grupo Opportunity; Carla Cicco, ex-presidente da BRT; Guilherme Henrique Sodré Martins, lobista do Opportunity; Roberto Figueiredo do Amaral, lobista do Opportunity; e Willian Yu, consultor financeiro.

Dantas e Braz já foram condenados pelo crime de corrupção ativa, acusados de tentar subornar um delegado da Policia Federal (PF) para excluir banqueiro sócio-fundador do Opportunity e seus familiares do inquérito da Operação Satiagraha, da Polícia Federal (PF).

Na quarta-feira, será completado um ano que Dantas foi preso pela primeira vez, durante as investigações da Satiagraha. Depois de obter a liberdade, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de um habeas-corpus, ele voltou a ser preso pela tentativa de suborno a um delegado, mas foi solto novamente após outro habeas-corpus do STF.

O Ministério Público (MP) arrolou 20 testemunhas, entre elas o presidente da Santos-Brasil, Wady Jasmim, e o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger, que foi 'trustee' (figura jurídica que existe nos Estados Unidos e que atua como representante dos interesses de uma empresa) do grupo Opportunity nos EUA. (Anne Warth, Jornalista Diplomada)
Comentario meu:ZANGAM-SE AS COMADRES?! SABEM-SE AS VERDADES!!!-velhissimo ditado popular, das aldeias de Portugal.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

MPF denuncia Dantas e o vincula ao "mensalão"

De Bob Fernandes no Terra Magazine:

A denúncia tem 80 páginas e foi encaminhada na sexta-feira, 3, à 6ª Vara Criminal Federal; leia-se ao juiz federal Fausto de Sanctis, que irá aceitá-la ou não.

A denúncia, que tem como objeto "atividades criminosas" do grupo Opportunity, nasce da Operação Satiagraha, executada há um ano pela Polícia Federal sob coordenação do delegado Protógenes Queiroz.

Quem fez e assina a denúncia é Procurador da República Rodrigo de Grandis. Por um conjunto de 7 crimes (variando quem está incurso nestes ou naqueles crimes), o Procurador denúncia 13 pessoas.

Entre os denunciados, os dirigentes do Opportunity (o banco ou algum dos múltiplos braços do Grupo) Daniel Dantas, sua irmã, Verônica Dantas e Dório Ferman, assim como Itamar Benigno Filho (ex- Brasil Telecom), Roberto Amaral (ex-Andrade Gutierrez), Maria Amália de Melo Coutrim, do jurídico do Opportunity e Humberto Braz.

Humberto Braz, ex-diretor da Brasil Telecom à época controlada pelo Opportunity. Entre várias imputações Braz foi acusado há um ano, e condenado por de Sanctis, como pivô no caso da tentativa de corrupção do delegado da PF Vitor Hugo Rodrigues Alves Ferreira durante a Satiagraha.

Em seu arrazoado, Rodrigo de Sanctis afirma ainda que Daniel Dantas e seu grupo alimentaram o chamado "mensalão" através de pelo menos 6 contratos de publicidade da Brasil Telecom com as agências DNA Propaganda e SMP%B de Marcos Valério; este, aquele publicitário mineiro celebrizado durante o chamado "caso Mensalão".

Sem vinculação com licitação formal alguma, Marcos Valério recebeu pelo menos 3 milhões trezentos e setenta e seis mil reais, descreve o Ministério Público Federal.

Especificamente Daniel Dantas é denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e formação de quadrilha e organização criminosa.

Segundo o texto do Procurador encaminhado à Justiça Federal, Daniel, a irmã, Verônica, e o presidente do Banco Opportunity ( o Banco apenas uma peça, importante, na engrenagem do Grupo) constituíram "um verdadeiro grupo criminoso empresarial, cuja característica mais marcante fora transpor métodos empresariais para a perpetração de crimes, notadamente delitos contra o sistema financeiro, de corrupção ativa e de lavagem de recursos ilícitos".

O Bêbado & Equilibrista sem Elis

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Sem ter o que fazer, Lula encontra o primeiro-ministro de Portugal José Sócrates

Na visita que realiza à França, o presidente Lula realiza manterá encontro, em Paris, nesta segunda-feira, com o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates Monteiro. O encontro foi articulado às pressas, aproveitando a presença do português em Paris. Com agenda vazia, a atividade mais relevante de Lula prevista para esta segunda-feira era um juntar com a atriz Glória Pires, que mora na cidade há meses. Na terça (7), o Lula será recebido pelo anfitrião, presidente Nicolas Sarkozy, para "discutir temas da agenda internacional e avaliar a implementação da parceria estratégica entre o Brasil e a França", segundo informou neste domingo o Ministério das Relações Exteriores, tentando encontrar sentido para a reunião. Lula também visitará o prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, e depois participará da solenidade que o levou a Paris: receber o cheque de 170 mil euros (mais de R$ 500 mil), referente ao Prêmio Félix Houphouët-Boigny pela Busca da Paz, atribuído pela Unesco. O presidente foi escolhido por sua ação em favor da busca da paz, do diálogo, da democracia, da justiça social, da igualdade dos direitos, bem como por sua grande contribuição à erradicação da pobreza e à proteção dos direitos das minorias

sábado, 4 de julho de 2009

Nos bastidores

O ex-ministro José Dirceu continua mandado muito no governo Lula. Quem cansa de esperar por decisões ou soluções no governo, procura o Zé, e ele desenrola. É uma espécie de primeiro-ministro informal

Estufa mas não explode.....

É certo que o mundo sofre o aquecimento global. O Brasil vive há muito sob a influência do esquecimento geral.

Topicos

Pensando bem...

...o azar do megavigarista americano Madoff, condenado a 150 anos nos EUA, foi não ter dado o golpe no Brasil.

Milhagem monumental

Lula e o Mercosul
Lula participará da cúpula do Mercosul, em Assunção, dias 23 e 24.
Hoje êle esta em Paris, semana passada, na Libia......

Um Marimbondo, por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Não sei por que tanto espanto.

O PT se apequenar e virar refém do Sarney estava nas estrelas desde que o partido se amesquinhou e deixou de ser um partido político aguerrido para ser o partido do Lula. O PT, como é mesmo a palavra que define O Cara, apud Barack Obama? Lembrei: o PT é pragmático.

Li comentaristas quase em choque com a atitude do senador Mercadante. Confesso que não me surpreendi. Acho que combina perfeitamente com sua carreira política a frase: “Minha combatividade está a serviço do presidente Lula”. Não é perfeito? Os paulistas o enviaram ao Senado Federal para que tratasse das questões paulistas e nacionais, posto que fazemos parte de uma federação. E ele tem culpa dos paulistas e paulistanos serem trouxas? Vai me dizer que não sabiam que entre combater por São Paulo e combater pelos desejos do Lula, o bravo senador não ia hesitar?

Li outros em êxtase de alegria por ter tido a suprema bênção de poder testemunhar aquela flor do Senado, dona Ideli, a defender o senador Sarney. Dizem ter sido a cena de dona Ideli no pódio a bradar loas a Sarney um dos melhores momentos de sua vida de espectador. Acredito. Tudo que aquela senhora fala e faz é, no mínimo, diferente.

Mas espantoso é que não é.

Já o PMDB... Ah! o PMDB é a glória nacional. Nunca antes em tempo algum tivemos uma agremiação política de tal porte. O PMDB representa o Brasil à perfeição. O presidente Lula tem uma qualidade inegável: seu faro político é de primeira. Ele sabe que não é o PT que representa o Brasil. Que tampouco é ele quem representa o país. Quando muito, o PT representa o rico ABC paulista e ele, L.I. Lula da Silva, em palanque, representa, nos mínimos detalhes, o eleitor dos grotões.

Mas representar o Brasil? A alma, o espírito, a índole brasileira? Esses atributos são do PMDB. De norte a sul, de leste a oeste, somos um país habitado por peemedebistas típicos. Escolham o representante do PMDB, de qualquer estado que quiserem, e olhem à sua volta nas ruas de sua cidade: verão montes de pessoas iguais a eles. Calados, já são parecidos. Falando então, só usando o velho ditado: cara de um, focinho de outro.

Por isso não é nada chocante ver os dois, PT e PMDB, tão unidinhos, tão amiguinhos. Vai ser um lindo casamento, vão ter lindos filhotes e a união durará até que a morte os separe. Crônica de uma morte anunciada, aliás: 3 de outubro de 2010.

Agradeço de antemão as delicadezas que deixarão aqui. Até vou retribuir dando a vocês uma boa notícia: um marimbondo de fogo, ontem à noite, indignado comigo e grato como tudo ao Senador pelo Amapá, me picou na perna e olha... a dor é lancinante. Até fiz uma oração a São Tiago, cuja festa, nem preciso lembrar ao representante do Amapá, é agora entre os dias 16 e 28 de julho, em Mazagão, cidade que fica a 65 km de Macapá e que aguarda ansiosamente seu insigne Senador. Se eu pudesse, ia também. Ver o senador Sarney no Amapá é fato histórico, que só perco por motivo de força maior.

Aproveite bem, Senador, são meus votos.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Lula e o Grande pensamento politico, por Luiz Cláudio Cunha

Nesta altura do campeonato, em que a política cada vez mais se apropria do universo futebolístico, é justo invocar o maior pensador político da nação - Antonio Franco de Oliveira (1906-1976). Era torcedor fanático do Botafogo do Rio de Janeiro e reinou na década de 40 nas areias de Copacabana como respeitado goleiro do Posto Quatro Futebol Clube, que calçava chuteiras número 44 e fazia defesas incríveis com as mãozonas que mediam 23 centímetros. Esta desproporção rendeu o apelido que lhe garantiu a imortalidade: Neném Prancha.

É dele uma frase que define neste momento, com precisão, o corintiano Luiz Inácio Lula da Silva, também presidente da República: “Quem pede, recebe. Quem desloca, tem preferência”. Lula entrou de sola no jogo de várzea do Senado, pediu a bola da crise e recebeu, redondinha, a esférica confusão em que se meteu o time nada amador dos senadores.

Do Rio, do Irã, da Líbia, onde encontrasse um microfone, Lula calibrava a voz e disparava um petardo no ângulo, em defesa incondicional de José Sarney, ‘o presidente que não é um cidadão comum’. Foi ao ponto de atropelar o time de seu partido no Senado, a bancada do PT, para fazer a bancada engolir a idéia de afastamento preventivo do presidente sob suspeita. O líder do PT, Aloísio Mercadante, com cara de bola murcha, teve que subir à tribuna para ensaiar uma explicação complicada para o recuo inexplicável.

Indiferente ao ditador líbio Muammar Kadafi, ao seu lado, Lula ligou da África para Sarney para pedir que não fizesse nada até conversar com ele, pessoalmente. Dissimulado como sempre, Lula voltou ao Brasil e disse que não tinha nenhum encontro com Sarney.

Lula segue, à risca, uma lei imutável de Neném Prancha: “Joga a bola pra cima, enquanto ela estiver no alto não há perigo de gol”. O barbudo do Planalto tenta tirar a bola do meio-de-campo do Senado para salvar o bigodudo do Maranhão. Existe uma lógica nesta jogada que o esperto Neném reconheceria com outra frase lapidar: “O importante é o principal, o resto é secundário”.

Traduzindo: Lula não está preocupado com a integridade física de Sarney. O presidente está apreensivo, na verdade, é com a saúde política de seu governo. E nada traduz melhor a deficiência técnica deste governo do que a constatação de que ele, hoje, está pendurado nos fios embranquecidos do octogenário bigode de Sarney.

A política de Lula é como o futebol para Neném Prancha: “É muito simples – quem tem a bola, ataca; quem não tem, defende”. Ao ver Sarney manietado em campo, com pés e mãos politicamente amarrados pela mão boba de seu pupilo Agaciel Maia, Lula percebeu que o amigo precisava de defesa, já que a bola não sai do campo da oposição. Sem ela, não restou ao presidente outra saída senão a defesa, intransigente, inegociável, inarredável.

Defender Sarney é defender o PMDB, que vai defender as cores governistas no campeonato presidencial de 2010, armado em torno da favorita de Lula e do PT – Dilma Roussef, o Fenômeno do PT, uma espécie de Ronaldo mais magra do time escalado por Lula para manter a mão na taça no próximo mandato. Acuado, Lula acusou a oposição de forçar a renúncia de Sarney como uma tentativa de ganhar o Senado no ‘tapetão’.

No jogo bruto da política, o país acabou descobrindo uma vocação irrefreável de Lula: seu apetite para entrar no jogo alheio, sempre pelo lado errado, permanentemente atraído pelas causas piores.

Fez assim para salvar Antônio Carlos Magalhães, quando o líder baiano se enrolou nas fitas do mega-grampo patrocinado por ele na Bahia e arredores. O pedido de cassação do Conselho de Ética foi interceptado, a pedido de Lula, com o providencial engavetamento na Mesa Diretora do Senado, presidida então – quem, quem? – por ele, José Sarney.

Lula fez de novo ao mover seu time do PT para salvar Renan Calheiros, enrolado em confusões extra-conjugais e bois não contabilizados, que ameaçaram jogar seu mandato no brejo. E Lula faz agora, outra vez, para salvar a cara rosada e a presidência mambembe do eterno Sarney, agora enrolado nos atos secretos e na parentada empregada com os bons augúrios do fiel Agaciel Maia.

Tudo isso Lula fez e faz em nome da governabilidade, esta santa palavra que tudo explica, justifica, ampara e protege. Lula desconhece, porém, um detalhe da sabedoria popular que Neném Prancha resumiu com a habitual simplicidade: “Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.

Só no Brasil e só no Governo de Lula, à exceção dos generais da ditadura, se mistura com tanta desfaçatez dois poderes que deviam ser autônomos e independentes: o Executivo e o Legislativo. Sarney, esperto, disse em nota que a crise — ‘que não é dele, mas do Senado’ — criou-se só porque ele apóia o presidente Lula. Pendurou-se, sem nenhum disfarce, nas barbas de Lula. Para um poder já emasculado pelas medidas provisórias que atropelam e abastardam o Congresso, não é surpreendente o gesto de desespero de Sarney.

Inesperada, porém, é a forma cínica e despudorada com que Lula intervém na crise do Senado, atravessando fronteiras políticas e éticas, humilhando ainda mais um Parlamento que já não consegue se safar, com suas próprias forças, das atrapalhadas em que se mete. É preciso que o presidente do Planalto socorra o presidente do Senado, em nome do quê? Da governabilidade, ora essa!

Lula não está inquieto com a roubalheira, os maus feitos, as negociatas, a má imagem e o desgaste do Senado. Está preocupado, apenas, com o amigo e a aliança que lhe dá fôlego e futuro político, sabe-se lá a que preço. O país não deve se preocupar com tudo isso, diz Lula, porque é tudo denuncismo da imprensa, que gosta de publicar só notícia ruim. Lula gostaria de ver todo dia manchetes, artigos e editoriais festejando os gols de Ronaldo e os títulos do Corínthians. Mas Neném Prancha poderia lhe ensinar que a política, como o futebol, é uma caixinha de surpresa.

Este conúbio de Lula com Sarney e do PT com o PMDB lembra outra frase definitiva de Neném: “Casamento é coisa muito séria para terminar nas manchetes de jornais”. A crise atual virou manchete de jornais. E elas podem terminar com este casamento. Neném Prancha já avisou, Lula.



Luiz Cláudio Cunha é jornalista