domingo, 30 de março de 2008

O artista e a cafetina

Na semana de caça da imprensa à garota de programa capixaba em seu retorno ao Brasil como celebridade - depois de ajudar a implodir a carreira política de um farsante em Nova Iorque -, o que mais me tocou foi uma matéria prosaica que vi na televisão. Assunto: mendigos nas ruas de São Paulo. Gente sem teto e sem rumo na maior cidade da América do Sul. Pauta óbvia de toda Quaresma, até surgir na telinha um personagem surpreendente: cabelos encanecidos, rosto vincado pela miséria, corpo destroçado pelo álcool, violão debaixo do braço. Depois da entrevista, pega o instrumento e canta uma música de sua autoria: "é a camisa 10 da Seleção". A ficha cai: reconheço Hélio Matheus, músico e compositor fora de série da Jovem Guarda e da MPB. Aos 68 anos, na terra desmemoriada e predatória de seus ídolos, o artista carioca desce o despenhadeiro do esquecimento. Aprendi na redação do velho e glorioso Jornal do Brasil, com o editor Nacional e mestre saudoso, Juarez Bahia (seis prêmios Esso e um dos currículos mais ricos e brilhantes do jornalismo brasileiro): os assuntos dos diários quase não mudam, salvo em casos raríssimos. As notícias são praticamente as mesmas, todos os dias, em todos os veículos. "Para constatar, abra os jornais de hoje ou observe os noticiários da TV", dizia Bahia, há mais de 30 anos. Com a globalização e a Internet, tudo parece ainda mais igual e previsível. Com as exceções de praxe, como a matéria da "Folha de S. Paulo", na edição de ontem, sobre o "dossiê" de gastos sigilosos com cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira dama, Ruth Cardoso, que teria sido produzido nas sombras pela Secretária-Executiva da Casa Civil da Presidência da República, Erenice Alves Guerra , braço direito e, a partir de agora, assombração da ministra Dilma Rousseff. Mas o personagem central destas linhas não é a capixaba Andréia, nem a gaúcha Dilma, e sim o artista carioca Hélio Matheus. Antes disso, outra rápida passagem pelos ensinamentos do baiano de Feira de Santana, Juarez Bahia. Para ele, a diferença das notícias estava no enfoque. No olhar jornalístico particular ou exclusivo que desperta o interesse pela informação, ou na burocrática preguiça profissional que leva à indiferença. Um personagem marcante, um texto vivo, uma imagem expressiva faz o leitor ou telespectador gritar com entusiasmo: "Isto é jornalismo de verdade"! . A mesmice, ao contrário, o faz enterrar-se na poltrona, com vergonha. Infelizmente, ao contrário da cobertura da volta triunfal da garota de programa, festival de equívocos e exibicionismo provinciano de repercussão raramente visto na imprensa brasileira, a presença pungente do artista carioca na reportagem dos mendigos de São Paulo, no "Jornal da Record", passou batida. Só repercutiu brevemente em outra curta matéria na Band News. Logo o assunto caiu no esquecimento, como a vida e o destino de Matheus. "Sem memória não somos nada", diz o cineasta espanhol Luiz Buñuel no livro "Meu último Suspiro". Assim, lembro de Hélio Gonçalves Matheus, nascido em 05 de julho de 1940, no popular bairro carioca da Penha. Compositor, intérprete, versionista de primeira linha, produtor musical, professor de violão, diretor de estúdio. HM, talento precoce, que aos 10 anos compunha a sua primeira música: "Meu amor". Quem, em outro lugar do mundo além desta banda dos trópicos sem memória, poderia esquecer da noite histórica para a MPB em 1970, em que a cantora Ellis Regina abriu e fechou a sua apresentação no Canecão, no Rio de Janeiro, interpretando "Comunicação", a composição de Matheus, em parceria com Edinho (Edson Guimarães), terceiro lugar no Festival da Música Popular Brasileira? Ou de Wanderléa, em 1973, quando a musa da Jovem Guarda lançou "Kriôla", outro grande sucesso de Hélio? O compositor foi recebido por Elis em seu camarim. A musa da MPB brincou com a cabeleira do roqueiro e convidou Hélio para ir à sua casa. Nas duas vezes que tentou, o compositor deu com a cara na porta. Mas já estava inserido no paraíso da MPB, sem perder o espaço de honra que já detinha na Jovem Guarda há mais tempo, depois de ter bebido a sopa do Solar da Fossa, no Rio de Janeiro, e comido o pão da pensão da Rua Conselheiro Brotero, onde recebeu do hóspede baiano,Tom Zé, as primeiras lições de sobrevivência na Paulicéia. Contratado pela RCA Victor, o artista lança seu primeiro e antológico disco-solo: "Matheus Segundo Matheus". Fernando Tucori cita a letra da inédita "Livro Aberto", para sintetizar em perfil do artista: "A vida de Hélio tem tantas páginas que não dá para contar". Em resumo, o fato é que em maio de 2007, ele reaparece no palco da peça "Crepúsculo", encenada pela Velha Companhia no espaço do Grupo XXI de Teatro, na Vila Maria. Aos 67 anos, de moleton azul claro, alquebrado, anuncia : "Vou começar com 'Camisa 10', meu maior sucesso, e se vocês quiserem cantar junto, seria melhor". Logo todo mundo faz coro com o artista: "Rock do Rato", "Comunicação", "Kriôla"... Duas jovens da platéia choram de emoção. Como imagino aconteceu com muito mais gente - inclusive na Bahia, posso garantir - quando na matéria dos mendigos de São Paulo, Hélio Matheus apareceu na TV e puxou os primeiros acordes de sua mais famosa canção.

Que País!
Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:vitors.h@ig.com.br

País dos aloprados

Quebra-quebra de sigilo
Para o deputado José Carlos Aleluia, a divulgação de dados sigilosos do governo FH pelo gabinete de Dilma Rousseff é tão grave quanto a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo.
- O governo Lula é recorrente. Entra aloprado, sai aloprado, e a crise moral continua.

No "reino" da Marmelada.......

Projetos clonados----Para Cristovam Buarque (PDT-DF), o governo Lula clona seus projetos e emperra os originais no Congresso. Foi o caso do piso salarial para o professor e, agora, o que reduz penas de presidiários que estudem.

sábado, 29 de março de 2008

E la nave va..........(Fellini dixit)

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (jornalista)
---Cretinices, verbais ou não
No dia 21 de março, num palanque, dessa vez em Foz do Iguaçu, o presidente Lula disse o seguinte:
“De vez em quando, alguém fala assim para mim: mas o governo está utilizando o PAC eleitoralmente. Isso é de uma cretinice verbal que não tem lógica”.
O que será que ele quis dizer com isso? Cretinice, verbal ou não, tem lógica? Será que ele sabe o que quer dizer cretinice, foi a primeira coisa que pensei. Para logo em seguida recordar que o presidente Lula só diz essas parvoíces quando quer. Ele sabe muito bem para quem fala, como fala e o que fala. Pode errar nas concordâncias, erra na pronúncia, chove perdigotos que salvariam o sertão, é um horror na forma, mas o conteúdo, se assusta ou faz rir quem não é de sua patota, aos companheiros e aos bolsistas de seu governo, agrada e muito.
O diabo é que a doença é contagiosa. A tal da cretinice verbal se alastra igual o aedes. Verbal, por escrito, factual, tivemos nesta última semana um Festival de Cretinices Que Assola o País.
Ontem, então, foi a glória para os cretinos e adeptos da cretinice. O Chávez veio ao Brasil. Trouxe assessores, seguranças, dois chefes de cozinha, cinco cozinheiros e dois cães de guarda para as cerca de 50 horas que ia passar no Recife e em São Luiz do Maranhão. Não sei se fez como a outra senhora adepta do cretinismo verbal, a senhorita Rice, que trouxe água mineral para os dias que passou no Brasil. Será que o da Venezuela também trouxe água? Isso a PIG infelizmente não informou.
Eu só queria saber se M. Sarkozy, filho ilustre da capital da gastronomia, que foi a Londres com sua linda mulher, levou séquito parecido com o do bolivariano. Faria mais sentido, cá entre nós. Mas creio que não. Além de bom gosto em companhias femininas, o presidente francês é da escola da galanteria francesa e não ofenderia assim a rainha Elizabeth II.
Já o bolivariano não se incomodou com esses detalhes. Gordo, com aquele sorriso bonachão que endossa a cada vez que se encontra com o amigo Lula, Chávez, o Pacificador, fez bonito em São Luiz. Ao redor do palácio do governo local, montou uma verdadeira praça de guerra, com atiradores de elite e tudo. Fiquei muito surpresa. Não sabia que havia tantos inimigos assim do Chávez em terras do Maranhão. Ainda bem que ele veio precavido. Já pensaram se um atirador da elite maranhense acerta o bolivariano? Ou se lhe servem uma cartola envenenada ou um suco de mangaba adulterado lá no Recife? E o homem passa desta para melhor? Deus nos livre e guarde!
O Festival teve outros lances. Um deles, como não podia deixar de ser, ocorreu no Congresso. Dona Ideli, com certeza sem o poder econômico do Chávez, não pode levar para a capital seus cozinheiros e sabe-se lá o que andam lhe servindo. O fato é que estava muito enraivecida, com toda certeza sofrendo alguma dor. Dengue não é que, graças ao Cristo Redentor, ela não é do Rio. Mas, ao dizer, olhos esbugalhados, voz mais ardida que o comum, que Dona Dilma não vai depor na CPI por conta do que poderá vir a ser em 2010, Dona Ideli demonstrou todo o desconforto porque passava. Até me atrevo a dar-lhe um conselho: como ela é companheira, que peça ao amigo Chávez que lhe ajude enviando alguns de seus chefes de cozinha. Ele é um cavalheiro (atenção, aproveito para dizer que cavalheiro é um homem de educação esmerada, cortês; já aquele que anda a cavalo, é um cavaleiro). Bilionário, aliás. Um verdadeiro Oil Tycoon. Com certeza, atenderá o pedido da nobre senadora.
Já o criador da bela expressão cretinice verbal, o Nosso Guia dos petistas e afins, esse, ontem, quinta-feira, foi brilhante. Não sei se foi o contágio com o Chávez, ares do Pacífico em pleno Recife banhado pelo doce Atlântico, mas ele, além de batizar o amigo bolivariano de “O Pacificador”, e de lhe cumprimentar com o chapéu dos outros, ainda contou aquele telefonema cômico para o Bush. Se houve ou não houve o papo via telefone, é irrelevante. Não ia dar em nada mesmo. Serviu ao mais belo propósito o relato feito pelo Lula: a platéia de empresários – palanque sofisticado e rico, dessa vez – adorou a piada, riu muito, felizes de ver como seu presidente é esperto e engraçado.
Enquanto esse pessoal passeia e se diverte, nós, cariocas, sofremos com a dengue. E como se não bastasse a dor e o atraso, ainda tivemos que nos submeter às mais variadas cretinices, verbais ou não. O prefeito daquela cidade que não sofre uma epidemia de dengue, apenas uma epidemia virtual, estampada pela imprensa que ama o Lula e o Temporão, foi a Salvador para o primeiro aniversário de seu partido. Diz ele que rezou para o Senhor do Bonfim enviar o aedes para o Oceano.
Em 24 de março, Maia escreveu para a Folha de São Paulo: "Fico feliz em ver que o ministério e o Estado estão entrando em campo. Temos 123 pontos de hidratação. Mais dois ou três vão ajudar. Mas nosso foco são os óbitos, que praticamente zeramos, em março, em nossas unidades”.
E disse mais: “entre nove mortes provocadas pela dengue durante este mês de março, só uma ocorreu em um hospital municipal --a de um menino de 6 anos. Outras três ocorreram no Hospital Albert Schweitzer, estadual; uma no Hospital de Jacarepaguá, federal; e quatro em hospitais particulares.”
Em matéria de declaração, essa barrou todas. Só UM menino morreu em hospitais municipais! Um já é demais, prefeito. Mas ele não ficou calado, ainda disse que “transferir responsabilidades é próprio dos fracos”. Como disse Jânio de Freitas na mesma FSP: “Sentença em que Cesar Maia dispensa testemunhos: é autor e prova”.
Em minha opinião, não há a menor dúvida de que a responsabilidade do prefeito César Maia é muitas vezes maior do que a das autoridades estaduais e federais. Tivesse ele cuidado de sua cidade, estaria gritando e alertando a população contra o descaso do governador Cabral e do ministro do Lula. Da mesma forma, o ministro Temporão, ao perceber que os prefeitos e o governador do estado do Rio de Janeiro não estavam dando conta do recado, já deveria ter tomado uma atitude drástica e urgente, e não continuar a dizer que vai levantar, vai instalar, vai fazer, vai inaugurar...
Se aqui no blog partidarizar o sofrimento de uma população é repulsivo, o que dizer desses políticos que só agem pensando no que será melhor para seus planos? César Maia não quer colocar ovos na cestinha do Cabral, que retribui com a mesma moeda. Sergio Cabral pareceu desolado, depois de mais uma longa viagem. O ministro da Defesa consente nos hospitais de campanha, mas vamos com calma, ele estava em Washington e depois vinha a Semana Santa, e ele quer estar aqui para as inaugurações. O mosquito que tenha a santa paciência.
Já o Lula, esse vai poder dizer que anda tão ocupado, viaja o país todo para ver se o desempaca, que não teve tempo nem de ler os jornais. “Epidemia? No Rio? O que é isso? Ô, Temporão, do que se trata? Porque você não me disse nada? Ô Cabral, será que você me arrumou outro aloprado? Assim não dá, assim não é possível! Vou já, já, telefonar para o Bush”.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Animais--Vladmir Maiakowski

Penso que poderia desviar-me e viver com os animais, são tão plácidos e retraídos,

Paro e fico a olhá-los, longa, longamente.não se angustiam nem se lamentam por motivo de sua condição,

Não ficam acordados nas trevas chorando por seus pecados,

Não me aborrecem discutindo suas obrigações para com Deus,

Nenhum se ajoelha ante o outro, nem ante o de sua espécie que viveu há milhares de anos,

Nenhum é respeitável ou infeliz sobre a terra inteira.
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Escritor russo (judeu askenazi), Vladmir Maiacowski nasceu em 7 de julho de 1893. É a figura mais importante (e Tchecov cara-palida??) da literatura produzida após a Revolução de 1917. Líder no seu país do movimento futurista, influenciado por Marinetti e pelas experiências dadaístas, tornou-se o grande poeta revolucionário da U.R.S.S. E foi "suicidado" por Stalin.

E tome repelente!!!

Dengue globalizada-----Ontem à tarde, um casal de alemães vinha para o Rio, num vôo da Ponte Aérea. Mal pisaram a terra carioca, entraram naquele ônibus que leva ao terminal e... começaram a passar com sofreguidão um repelente para mosquitos.
É a dengue nossa de cada dia se globalizando. E ninguém perde o emprego...

É a economia, idiota?

Curioso o crescimento econômico do Brasil: a indústria Coteminas, do vice-presidente José Alencar, demitiu 4 mil empregados (20% do total) em fevereiro e se prepara para botar mais 800 na rua, em abril.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Eta Brasil, cumpanheros......

O aquecimento da economia e o acúmulo de reservas em volume inédito, além da expressiva redução da pobreza, aumento do consumo das classes populares e venda de bens duráveis em patamares robustos dão a impressão de que estamos bem. Para alguns, muito bem. Não é verdade. Antes de mais nada, os piores erros são cometidos quando se tem a sensação de que tudo está bem. Em especial, em um Brasil acostumado a fazer o trabalho duro apenas quando as labaredas das crises lambem os fundilhos preguiçosos de nossos governos. Enfim, o sucesso é paralisante. Inebriante. Faz com que percamos a noção do perigo. É o nosso caso.
O Brasil está emparedado entre a complacência e o desastre, e não se deu conta disso. Caso dê tudo errado no mundo, poderemos caminhar para uma situação de retração brutal de investimentos, elevada volatilidade e migrações súbitas de fluxos de investimento. Se, ao contrário, tudo der certo, o Brasil pode ser beneficiado. No entanto, não podemos nos comportar como passageiros da crise, esperando o que pode acontecer. É hora de o governo e as lideranças sindicais e empresariais tomarem exata noção dos riscos que corremos.
Lamentavelmente, o mundo político continua olhando para o próprio umbigo, disputando verbas, cargos e temas espetaculosos que podem gerar CPIs e investigações. Infelizmente, a crise global e as fragilidades do Brasil são muito mais importantes e não têm merecido a devida atenção.
A experiência indica que toda crise traz grandes oportunidades. Pelo simples fato de que elas são indutoras de mudanças de comportamento. Assim, no momento em que os Estados Unidos estão no corner por causa dos problemas iniciados com o "subprime", o Brasil poderia dar passos decisivos para fortalecer sua blindagem com relação às turbulências mundiais. E ainda por cima ampliar as oportunidades para assegurar cada vez mais investimentos privados.
Existe uma agenda no Congresso Nacional que anda a passos erráticos e poderia, neste momento, ser recuperada e aprovada como demonstração de aperfeiçoamento inconteste de nossos marcos regulatório e jurídico. Dela fazem parte os seguintes itens: nova Lei do Gás Natural, projeto de Lei da Defesa da Concorrência, cadastro positivo, novas regras para as agências regulatórias, desoneração da folha de pagamento e, obviamente, a Reforma Tributária.
A aprovação dos projetos de lei mencionados trariam benefícios significativos. No âmbito burocrático, os governos federal, estadual e municipal deveriam fazer um acordo visando reduzir as exigências burocráticas para a abertura de empresas. Apesar de alguns avanços, o Brasil continua em posição incômoda entre os países mais burocratizados do mundo.
No Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, do qual faço parte, vou propor a criação de um Grupo de Trabalho voltado para a melhoria do ambiente de investimentos e empregos no Brasil. A iniciativa visa tomar um rol de iniciativas administrativas e legislativas que possam ser adotadas a curto, médio e longo prazos com o objetivo de potencializar o bom momento econômico do país e ampliar a espessura de nossa blindagem diante das turbulências do sistema financeiro internacional.
No momento, o que vemos é um debate centrado em três aspectos: a política cambial, a política monetária e a Reforma Tributária. Na visão da burocracia federal, o foco é o gasto público por meio do PAC. É um receituário limitado para o tamanho do desafio que temos de enfrentar. A crise não é, ainda, equivalente ao crash de 1929. Porém, o temor de que permaneça por vários meses é fundado. O Brasil deveria acordar e aproveitar o momento para fortalecer suas defesas e aperfeiçoar suas instituições.

Murillo de Aragão é mestre em ciência política, doutor em sociologia pela UnB e presidente da Arko Advice – Análise Política.

terça-feira, 25 de março de 2008

Vou ali e já volto

A ministra Marta Suplicy (Turismo), que deu piti no vôo da Air France, e na China só se encontrou com autoridades secundárias, gastou US$ 20 mil em diárias e passagem de primeira classe. Com o marido a tiracolo.

Olha a dengue ai gente....


segunda-feira, 24 de março de 2008

Souvenirs d'un sexygenaire brésilien.....

Foi há muito tempo/////////Fausto Wolff
Outro dia um neto, quase adolescente, me perguntou: "Vô, como era ser jovem no seu tempo?"
O pessoal da classe média baixa, como eu, trabalhava. Ganhava salário de menor e metade dava para a família. Ia à escola à noite. Todo bairro tinha uma turma que se metia em território alheio com discrição, para mostrar respeito. Ademir, no Rio, e Tesourinha, em Porto Alegre, eram unanimidades. Nossos heróis, além do Capitão Atlas e do Jerônimo, que trabalhavam nas rádios Farroupilha e Gaúcha, eram, é claro, os mocinhos americanos. Filmes brasileiros a gente só via aqueles com Oscarito e Grande Otelo.
Economizávamos a semana inteira para, sexta à noite, sábado e domingo, ir aos bailes. As orquestras mais famosas eram a do Raul Mascarenhas e a do Cassino de Sevilha. As moças iam com os pais e ficavam sentadinhas, enquanto a gente ficava no bar bebendo "samba em Berlim" (cachaça com Coca-Cola) para tomar coragem de tirá-las para dançar. Eu, muito alto, esperava que a da minha preferência fosse ao banheiro para ver sua altura. Não queria dançar com uma anã que batesse no meu umbigo. As músicas eram foxes americanos, boleros mexicanos e samba-canção. Sujeito bem-educado dançava à distância média. No meio da dança, ajudado pelo ritmo, puxava a moça. Se ela estacasse, ninguém insistia. Se gostasse, não pedia licença quando a orquestra parava e a gente aplaudia. Se não gostasse, pedia licença e voltava para a mesa.
Os cantores da moda eram Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Dick Farney, Jorge Goulart, Lúcio Alves, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Luiz Gonzaga e dezenas de outros. As cantoras, Elizeth Cardoso, Marlene, Isaurinha Garcia, Nora Ney, Aracy de Almeida e Ângela Maria. Foi nessa época - 1955-56 - que surgiu o roquenrol, que só entusiasmou a geração abaixo da nossa, gente normal que odiava Roberto Carlos e os Rolling Stones.
Todo mundo usava o mesmo penteado: glostora dos lados e um chuca-chuca na frente. Paletó, calças boca de funil, camisa social, gravata. Fumávamos escondidos dos nossos pais que, de longe, tratávamos de "velha" e "velho", mas de "senhor" e "senhora" no contato pessoal. Um dia meu irmão mais velho usou o "tu" de modo ofensivo para a minha mãe e levou um tapa do velho que o fez voar mais de metro.
Jogávamos sinuca, andávamos de bonde até meia-noite. Depois disso, íamos a pé do Centro ao nosso bairro, o que dava bem umas duas horas. Nas sextas, à tarde, jogávamos pif-paf na garagem da casa dos pais de um turquinho. Quando o amor batia, ele se anunciava de dois modos: mãos suadas e um aperto no coração, geralmente quando estávamos dançando com a futura namorada que amaríamos até a morte. Uma dor boa, não como aquela do ciúme pela qual todos passaríamos inevitavelmente.
No último sábado do mês acabávamos com a vida sexual solitária. Em Porto Alegre íamos à Av. Voluntários da Pátria, onde as profissionais, pouco mais velhas do que nós, ofereciam seus serviços. Uma ou outra dama da noite podia simpatizar com um de nós e cobrar um pouco mais barato, fora do expediente. Todos nos apaixonamos pelo menos uma vez por uma dessas moças, mas éramos severamente desaconselhados pelos respectivos cafifas.
Na cozinha, enquanto preparavam o almoço, as mães ouviam a novela Pequetita, de Amaral Gurgel, cujo fundo musical era a bela valsa austríaca Wien, Wien nur du allain. O intervalo comercial era ocupado por "Cito Pox e Parquetina, os Amigos de Etelvina", "Regulador Xavier, o amigo de confiança da mulher" e "Pílulas de Vida do dr. Ross: fazem bem ao fígado de todos nós".
Líamos bastante, pois não havia televisão. Os livros mais populares eram Kings Road, Hotel Shangay, Capitães de areia e O tempo e o vento. No cinema, quando não dávamos azar, estávamos muito mais atentos aos seios e coxas das nossas namoradas do que ao filme. Elas, coitadinhas, tinham de fingir que estavam tão interessadas no filme que ignoravam nossas mãos. Não havia pílula anticoncepcional e moça que não casasse virgem estava arruinada. Noventa por cento dos noivos casavam e os que não casavam apanhavam.
Frango não ficava gripado, o dono do armazém fiava e anotava as despesas num caderninho, a tuberculose matava, os políticos quase não roubavam, com exceções conhecidas por todos, o dia da mentira não era dia nacional, tatuagem era coisa de marinheiro, piercing, coisa de índio, e mansão no lago, filme de terror. Pizza se comia em casa e o Clube dos Cafajestes, no Rio, era um bando de playboys, e não o Congresso.
Depois que fui trabalhar em jornal, afastei-me naturalmente da turma e, aos 18 anos, já era repórter no Rio e morava em Copacabana, enquanto Roniquito me apresentava a Ipanema e a meus amigos. Não havia erva nem pó e os bandidos chamavam-se Sete Dedos e Mauro Guerra. Foi quando a adolescência acabou, tomei os primeiros porres e levei os primeiros tombos.
[ 24/03/2008 ] 02:01

domingo, 23 de março de 2008

SUS..........tôôôô !!!!!!!


sábado, 22 de março de 2008

Todos iguais......uns mais que outros

De Lauro Jardim:
Não foi exatamente tranqüilo o início do vôo 455 da Air France que na terça-feira passada decolou de São Paulo para Paris. A responsável pela trepidação foi Marta Suplicy, que ia para a China, com escala em Paris. Ao embarcar, o casal Marta e Luis Favre relaxou e decidiu não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Os Favre furaram a fila da Polícia Federal. Vários passageiros se revoltaram. Marta respondeu que, no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns.
Os passageiros não relaxaram com a explicação. Continuaram a reclamar, mesmo com todos já embarcados. Deu-se, então, o inusitado: o comandante do Boeing 777 saiu do avião, chamou a segurança e disse que não decolaria até que todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X. Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros "relaxaram e gozaram".

Araguaia - Cadáveres viram comida de animais

Na entrevista exclusiva ao JB, tenente José Vargas Jiménez assegura que alguns dos corpos dos 58 guerrilheiros desaparecidos ficaram insepultos e viraram alimento dos animais da floresta. Mas uma boa parte estaria sepultada clandestinamente em três bases militares. Em Bacaba, onde ficou baseado durante os 145 dias que atuou na selva como combatente, revela que pelo menos três guerrilheiros estariam num local próximo a um improvisado campo de futebol.
Em outro local apontado por ele, o Cemitério de Xambioá, em 1996, foi encontrada e identificada a guerrilheira Maria Lúcia Petit e retiradas para exames de identificação outras 12 ossadas que, 12 anos depois, ainda fossilizam nos armários da Comissão de Mortos e Desaparecidos da Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, em Brasília, sem qualquer conclusão conhecida.
O tenente Vargas relata três episódios do conflito em que diz ter participado. Um deles foi o ataque militar ao comando da guerrilha, no Natal de 1973, na Serra das Andorinhas onde, segundo afirma, foram mortos oito guerrilheiros - e não quatro ou cinco como informam todos os outros relatórios militares e do PCdoB, entre eles o maior dirigente do do partido e líder do movimento, o ex-deputado Maurício Grabois.
Mais mortes
Segundo o militar, também teriam sido mortos nessa ocasião e depois levados para Xambioá pelos pára-quedistas, os guerrilheiros Paulo Roberto Pereira Marques, o Amauri, José Huberto Bronca, o Fogoió, Gilberto Olimpio Maria, o Pedro Gil, Paulo Mendes Rodrigues, Guilherme Gomes Lund, o Luiz, Orlando Momente, o Landim ou Alexandrine, e Marcos José de Lima, o Zezinho do A ou Ari Armeiro, que fabricava e consertava armas para a guerrrilha.
Plano de guerrilha
No mesmo local foram apreendidos os principais documentos do PCdoB, entre eles, o plano da guerrilha para os primeiros quatro anos (1968-1972) - que Vargas, ou Chico Dólar, retirou do arquivo para destruição, mas guardou com ele uma cópia. O plano previa a estruturação de uma zona liberada, a criação de um exército regular e a ampliação da revolução no país para tomar o poder dos militares.
No mesmo período, Vargas diz que participou do episódio que resultou na execução, em 24 de outubro de 1973, da guerrilheira Maria Lúcia de Souza, a Sônia. Ela reagiu à ordem de prisão e, mesmo ferida, baleou dois oficiais (Lício e Curió) e depois foi metralhada por todos os militares que estavam na cena, entre eles o próprio Vargas. Mas ele não assume a autoria dos disparos, para evitar a auto-incriminação uma situação muito temida entre os militares:
- Não sou réu confesso - afirma.
[ 22/03/2008 ] 02:01

Cena da Côrte

Devagar, excelência
Nem o trânsito de Brasília - tradicionalmente, pacato - anda mais o mesmo. Ontem, pela manhã, por volta das 11h05, no Setor de Indústria e Abastecimento o carro oficial da Secretaria-Geral da Presidência ultrapassou uns carros que paravam num sinal de trânsito, avançou, no vermelho mesmo, e seguiu na mesma velocidade.
O ministro Luiz Dulci não estava no carro, mas seu motorista parecia dirigir como se fosse uma autoridade que não podia esperar pelo resto dos motoristas.

O Discurso (cara e corôa)

ANTES DA POSSE

O nosso partido cumpre o que promete.

Só os tolos podem crer que

não lutaremos contra a corrupção.

Porque, se há algo certo para nós, é que

a honestidade e a transparência são fundamentais.

para alcançar nossos ideais

Mostraremos que é grande estupidez crer que

as máfias continuarão no governo, como sempre.

Asseguramos sem dúvida que

a justiça social será o alvo de nossa acção.

Apesar disso, há idiotas que imaginam que

se possa governar com as manchas da velha política.

Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que

se termine com os marajás e as negociatas.

Não permitiremos de nenhum modo que

nossas crianças morram de fome.

Cumpriremos nossos propósitos mesmo que

os recursos económicos do país se esgotem.

Exerceremos o poder até que

Compreendam que

Somos a nova política.

---

DEPOIS DA POSSE

Basta ler o mesmo texto acima, DE BAIXO PARA CIMA

sexta-feira, 21 de março de 2008

Deputado!

Nas férias em Natal, o ex-tesoureiro Delúbio Soares disse sonhar com a candidatura a deputado federal (pelo PT, claro), em 2010. Ele aposta na absolvição ou na prescrição dos crimes da quadrilha do mensalão.

Muito doidão - by Fausto Wolff

Se eu não entendo de microeconomia - aquela do "Se eu lhe der 20 merréis pra descontar três e 300, você tem de me vortá 17 e 700" - imaginem de macroeconomia, da qual entendem os senhores Malan, Meirelles e Palocci. E tanto entendem que levaram o país ao estado em que se encontra. E em que estado se encontra o país? Pois vocês sabem que não sei. Nem eu e talvez nem mesmo aqueles que o colocaram neste estado. Nossa economia parece o samba do crioulo doido, pois as manchetes num dia dizem que somos a oitava economia do mundo, que somos confiáveis (ocasião em que me sinto como um escravo alforriado ou um homem em liberdade condicional aos quais deve ser dada uma segunda chance), e no dia seguinte dizem que apresentamos o maior índice de desigualdade social do mundo, o menor salário mínimo do mundo, o maior índice de desemprego e somos o palco onde se exibe o maior número de prostitutas infantis E isso para não falar dos loucos, das queimadas, das enchentes e da convivência com o dengue de 50 casos por dia negados por Cesar, o Mala, que diz não saber quanto dinheiro tem em caixa.
Todos os dias saem malas e malas e malas de milhões de dólares do país, causando verdadeiro genocídio entre os desgraçados. As CPIs para investigar denúncias de corrupção e fraude custam mais do que o próprio roubo; o Legislativo não funciona e o Judiciário espera o réu rico morrer para incriminá-lo discretamente. Temos um presidnte, o senhor Silva, que já viajou em cinco anos mais do que quase todos os chefes de Estado juntos. Só janta em porcelana chinesa, usa ternos de 20, 30 salários mínimos, viaja num avião que é o Queen Mary dos ares, ocasião em que tortura ainda mais o português, o que faz sem ninguém saber, pois está no estrangeiro. Sua mulher não faz nada além de gastar e seus filhos, bem como os filhos de todas as autoridades, fazem de Versalhes uma corte de pigmeus andrajosos. As boas notícias são sempre para o futuro, como a de que a Vale empregará 62 mil pessoas em todo o mundo ainda este ano.
Pergunto, portanto: que diabo de país é este em que nada se faz em favor do povo, pois as últimas obras foram os Cieps com dinheiro do estado e o belo museu de Niemeyer em Niterói. E se algum correspondente estrangeiro perguntar se o governo é de esquerda, centro ou direita, é capaz de aparecer um cara de pau para dizer que o governo é dos trabalhadores.
Quando jovem repórter, fui convidado a visitar Porto Velho. Disse ao telefone que aproveitaria para visitar um amigo em Belém, também na Região Norte. A pessoa do outro lado começou a rir com razão, pois eu ignorava que a distância de uma cidade a outra equivalia à do Rio ao Pará. Tão vasta, tão bela, tão rica, mas não mais virgem, é a Amazônia. Nossos parlamentares são oficialmente os mais bem pagos e seria mais econômico se se limitassem a receber os salários em casa. O país não tem um goveno desde 64 e somos ricos!!!!
Quando li no JB que queimadas chegaram ao Estado do Rio, brilhou aquela lâmpada no meio do meu cérebro: AMAZÔNIA. Ela está e sempre esteve indefesa diante da ocupação cínica e aberta da região por entidades e agentes a serviço de potências estrangeiras. Isso é demonstrado por, entre outros, o general Andrade Nery, no estudo Soberania ameaçada. Talvez um eufemismo, pois a soberania nacional está esfrangalhada. Somente unindo-se para restaurá-la os brasileiros têm chance de deixar de ser triturados pelo sistema mundial de poder. Mas como unir os brasileiros se não existem mais países políticos, se os ricos recebem mensalões para ficar de bico fechado, se a classe média emburreceu em busca do carro do ano, se os pobres só têm tempo para pensar no que comerão no dia seguinte, se os miseráveis enchem as ruas e os raros hospícios? Como o povo pode se reunir se ele é metralhado por helicópteros, a polícia e o tráfico se confundem e o presidente é endeusado por dar comida de graça, por manter o povo passivo e ignorante?
Nos Estados Unidos, o FBI acabou com os movimentos políticos negros, como os Panteras, distribuindo cocaína grátis em quase todos os cortiços do país. No Brasil, alguns quilos de feijão bastam. Podem chorar.
[ 21/03/2008 ] 02:01

quinta-feira, 20 de março de 2008

Desencontros do PAC irritam Lula em reunião

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma bronca ontem em seus assessores sobre a falta de precisão sobre o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na reunião fechada à imprensa, Lula pediu mais empenho dos ministros na execução do programa.
Inconformado com as informações desencontradas passadas por seus assessores em relação ao PAC, Lula exigiu explicações e disse que o presidente da República não pode passar por mentiroso.
- Eu agora decidi que só vou citar número quando vier por escrito pelo ministro e assinado. O que eu quero dizer é: "segundo o ministro do Transporte, o ministro da Casa Civil e o ministro da Fazenda". Porque qualquer um pode passar por mentiroso, menos o presidente da República - reclamou.
Dados desencontrados
Lula também demonstrou insatisfação em relação aos atraso nas obras e dos dados desencontrados. Sem citar nomes de ministros nem de ministérios, o presidente contou que freqüentemente recebe informações imprecisas sobre as obras.
- Eu faço uma reunião com os ministros e falo: "Companheiros, temos obras para visitar? Eu quero visitar as obras pra ver como é que está". Aí, tem ministro que fala: "Está tudo pronto, presidente". Aí, o responsável pela agenda liga para o chefe de gabinete dele e sou informado que a obra não está pronta - queixou-se Lula.
Mas a reunião com os gestores não se resumiu a broncas e queixas. O presidente não economizou elogios à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) - apontada como virtual candidata do PT à sucessão de Lula. Depois de ser chamada por Lula de "a mãe do PAC", Dilma ganhou mais louros ontem.
- Companheira Dilma, eu disse em um ato bem pensado que você era a mãe do PAC, porque sei o esforço que você faz junto com sua equipe para coordenar isso - afirmou o presidente.
Em seguida, Lula disse saber quantas vezes Dilma tem brigado com os colegas de ministério.
- Sei quantas vezes é obrigada a dizer não dá para gastar tanto, só dá para gastar isso. E, os companheiros precisam compreender às vezes o capitão do time é obrigado a xingar o jogador do próprio time que não está suando a camisa direito.
Após a reunião com os gestores do PAC, em discurso aos servidores do Executivo envolvidos na implantação do programa, o presidente usou de um tom mais ufanista e classificou o PAC como "a coisa mais bem engendrada que já tivemos no país, do ponto de vista da gestão".
Lula atribuiu ao conselho gestor, que ele criticou na reunião com os ministros, uma produção "infinitamente maior do que já se produziu em qualquer outro momento da história desse país".
Lula disse que os resultados do PAC já podem ser sentidos no "olhar de gratidão do povo", que, segundo ele, presenciou nas recentes visitas às Favelas da Rocinha e do Alemão, no Rio de Janeiro.
- Porque as pessoas sentem que o Estado está chegando lá. É a primeira vez que o Estado vai competir com o crime organizado, e pela primeira vez também vamos estender a mão a populações que moram em situações totalmente degradadas e fazer a reparação de erros que foram cometidos durante séculos - afirmou.
[ 20/03/2008 ] 02:01

quarta-feira, 19 de março de 2008

Bajulação top

O aspone para assuntos internacionais aleatórios de Lula, Marco Aurélio "Top-top" Garcia, papeou com o porralouca Hugo Chávez em Caracas. Sua missão foi tão importante quanto pedir autógrafo ao semiditador.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Mãos ao alto!


Seremos todos criminosos?

Fausto Wolff
Temos um cientista social e um poeta chamado Fernando Henrique Cardoso, ou como diz o cronista social Nataniel Jebão, FHC do Vosso C, que nele votaram duas vezes. Não fora pelo exemplo de José Sarney, teria sido melhor para nós um poeta como Casca do que uma caricatura de Nero. Conheço a família. Sempre foi classe média quase rica. Hoje, porém, o ex-presidente é um dos homens mais ricos do Continente, o que não é difícil deduzir depois que vendeu um Estado inteiro e todos o seus riquíssimos bens minerais. Se houvesse ostracismo no Brasil, seria mandado embora, pois é um luxo caro demais para nós, que valorizamos mais o lucro dos banqueiros do que a saúde e a educação do povo.
Os americanos governados por um louco, garantidos pelas leis estaduais e municipais, conseguem eventualmente conter as suas ações. O governador do Estado de Nova York (graças a uma brasileira que teve de buscar abrigo no meretrício da Big Apple) está em cana. Logo sairá - a Justiça americana é outra, é muito elástica. Mas permanecerá o opróbio, que aqui é marca de esperteza. Lá, governador está em cana e aqui ninguém pode pedir para ver a conta bancária do Vosso C e afilhados.
Nas minhas décadas de jornalismo político, vi juiz Lalau em prisão domiciliar, Maluf em cadeia cinco estrelas, Barbalho fingindo estar algemado e Gregório Fortunato, chefe da guarda-pessoal de Getúlio Vargas. Pobre e preto, morreu na Lemos de Brito. No momento existem quatro brasis; os poucos que podem tudo, os que que querem o carro do ano - os mais idiotas - os pobres condenados à pobreza eterna, miseráveis animalizados que já perderam os neurônios e naturalmente os marginais do tipo Fernando Beira-Mar e Baço Podre, que está guardado por crime que já não se lembra de ter cometido. Com o PT, o PSDB foi contra, a favor, contra, a favor, contra, a favor, contra. Até que, no fim, cumprindo ordens de auxiliares de O COISO, pegou o senhor Luiz Silva debaixo do braço e ensinou-lhe o caminho das pedras.
Lula aprendeu e, por isso, agora teremos CPMF III. Com aquela grana toda destinada à saúde, por que negaria alguns milhões de dólares a alguns deputados e senadores recalcitrantes?
Em verdade, não há crime no Brasil. Apenas criminosos, gente que infringiu o sistema por ter sido sodomizado demais por ele. Somos todos filhos do medo. Já nascemos pobres com uma palmada na bunda e, quando isso não basta, ainda nos tiram o prepúcio.
Alguns animais, por menores que sejam (musaranho), nascem para o ataque, a perseguição. Outros (a anta) nascem para a fuga e praticamente não têm defesas. Tudo ameaça o homem comum, principalmente a lei e a Justiça, e isso num país onde manter um presidiário (não se preocupem, pois as grandes linhas de montagem não passam de campos de concentração disfarçados) custa cinco vezes mais do que manter um aluno num Ciep, conforme programa esboçado por Oscar Niemeyer e Darcy Ribeiro. Por que então não investir em escolas e hospitais? É elementar: quando os poderosos de todos os setores determinam que o século deverá servir ao dinheiro e ao lucro às elites, enfim, e não ao bem de todos tutelados por boas leis, não importa que o trouxa seja um classe média que quer o carro do ano para fazer inveja ao vizinho (é quando a máquina começa a determinar o comportamento do homem) sabendo que é tudo a mesma porcaria. É quando um necessitado compra um dentifríio sem saber que metade do conteúdo não passa de ar.
Ainda ando pelos becos mais escuros da minha querida cidade, mas um amigo me disse outro dia: "Se alguém toca meu braço, mesmo com a melhor das intenções, para pedir uma informação, o medo, como uma cobra, passa por todo o meu corpo, porque no gesto dele estão contidas todas as intenções, da mais inocente ao assassinato.
Se ainda tivéssemos partidos de esquerda, além do PCB e do PSol, eu diria que está na hora de nos vingarmos dos criminosos e, não se assanhem, militares: vocês tiveram tudo para fazer do Brasil uma nação modelo, mas só fizeram acabar com as novas gerações políticas, manter os monstros mais antigos e criar os mais jovens.
[ 17/03/2008 ] 02:01

sábado, 15 de março de 2008

Montgomery Clift -Il silenzio

Honneur et Fidelité à Lazare!

E la nave va.....

Elogio ao trágico----Após condecorar a ex-diretoria da Agência Nacional Civil, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, homenageou diretores da TAM.

sexta-feira, 14 de março de 2008

La chanson de Craonne

Hommage au Legionaire du 1er Regiment Etranger d'Infanterie, Lazare Ponticelli decedé ce 12 mars 2008, à l'âge de 110 ans.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Pedro e Paulo-- (don't fear Paul) !?.

Luis Fernando Veríssimo

Pedro era a pedra sobre a qual se ergueria sua igreja, disse Jesus, no primeiro trocadilho registrado pela História, mas foi Paulo quem a construiu. O apóstolo propagador levou o cristianismo a todos os cantos do mundo conhecido e, na sua pregação, definiu o que havia de diferente na nova religião. Opondo-se a Pedro e aos cristãos primitivos de Jerusalém, marcou a distância da nova crença das suas raízes judaicas. E, para marcar sua distância da filosofia grega dominante, proclamou o cristianismo livre do racionalismo e do empirismo. "Sapientiam sapientum perdam" — destruirei a sabedoria dos sábios — disse Paulo, referindo-se a todas as formas de pensamento que a religião chegava para deslocar. Na sua primeira epístola aos coríntios, escreveu, pelo menos na minha edição da Bíblia, que a "loucura" de Deus era mais sábia do que a sabedoria de todos os sábios, "loucura" significando o descompromisso da fé com a lógica. Nascia aí a discórdia entre a Igreja e a Ciência que atravessaria os séculos.
Se Pedro foi o pai da Igreja como entidade mística, Paulo foi o pai da Igreja como entidade política e prática, e desde então as duas tradições competem ou se completam na luta contra o secularismo e a razão científica. É a força mística, a "loucura", da Igreja que a mantém viva até hoje, é a força política que ela mobiliza nas suas batalhas históricas para manter-se relevante. Suas ações contra heréticos como Galileu eram menos para defender conceitos consagrados como o Universo geocêntrico e mais para preservar o poder político ameaçado, o que equivale a dizer que em muitos casos o obscurantismo da Igreja era pragmatismo mal pensado. A Inquisição não aconteceu como terror contra agentes do Diabo e descrentes da Fé verdadeira, foi uma prolongada encenação de poder, uma mise-en-scène política com turnê internacional.
O admirável é que a força mística da Igreja de Pedro tenha sobrevivido a todas as derrotas políticas da Igreja de Paulo. Agora mesmo se discute a relevância de uma Igreja que se posiciona contra o uso de preservativos que podem evitar doenças e morte e contra experiências genéticas que podem salvar vidas — em nome de uma sacralização da vida. Dá quase para dizer que a "loucura" de Deus, fora do contexto em que Paulo a usou como sabedoria superior à razão e à lógica, é loucura mesmo.
Saiu a lista dos novos pecados capitais, segundo o Vaticano. Alguns são surpreendentes. Agora é pecado ficar rico demais. O Vaticano só não especificou quanto é demais, talvez incerto sobre a sua própria riqueza. E perderam a oportunidade de transformar em pecado mortal, passível de uma eternidade no inferno, atender celular no cinema.

Meeeengo!! Quem sai aos seus.....

Mateus tem somente 1 ano e meio de idade, mas já é pivô de uma crise. O menino, veja só, anda com a mania de repetir em casa a palavra "Meeeenngo!!!", assim, cada vez mais entusiasmado. Influência de algum amiguinho perigoso.
Quem não está gostando nadinha é o pai dele - o vascainíssimo governador Sérgio Cabral. É crise ou não é?

Cadê a Patria Amada?.....

Em Barcelona, ontem, a polícia espanhola invadiu um avião da TAP (vôo 746) procedente do Brasil só para identificar e deter turistas brasileiros.

Brasil quimera by Fausto Wolff

Sábado, amanhecia quando acordei sentado no sofá da sala. Olhei rapidamente para a mesa de centro para ver se havia resquícios de uísque. Antes de minha última ida ao hospital, minha mulher transferiu-os para local ignorado. Por vias travessas, soube que ainda não é por mim que os sinos dobram, chamando-me para fazer as contas com o Grande Barman. Mas que a bebida pode me matar, pode, ainda mais agora que voltei a fumar furiosamente depois de mais de ano. Não fora o amor dos meus amigos, que finalmente pararam gentilmente de me telefonar - não aprendi a falar ao telefone com a naturalidade exigida - seria pior. Estou em prisão domiciliar. Posso ficar sentado no máximo umas três horas por dia. Saio apenas para fazer exames no hospital e ir ao Bunda de Fora, na Souza Lima, melhor boteco de Copacabana, onde bebo dois litros de guaraná com gelo para fingir que é uísque.
Quando voltei à sala eles estavam lá, os agiotas. Eram três e perto deles os gângsters de Dashiel Hammett em O falcão maltês, dirigido por John Huston, não passavam dos três patetas, Harry, Moe e Larry. Tinha um baixinho de mau hálito, voz desagradável, com meias vermelhas pontudas, como se só lhe houvesse sobrado um dedo no pé, que me informou da minha dívida, enquanto acariciava um garrote vil.
Levantei os braços como um daqueles apresentadores da commedia dell'arte e disse em veneziano:
- La paga non sara fatta questa matina perche il sogno e finito.
Acordei e eles desapareceram. Tomei café e liguei para o meu bookmaker. Ele resolveu desfazer uma sociedade de 25 anos informando-me que eu não tinha mais crédito, mas que, se precisasse de dinheiro para qualquer outra coisa que não fosse jogo, era só telefonar. Agradeci comovido e fui dar uma olhada nos jornais. Puro masoquismo profissional. Informavam-me de algo que já temia, mais precisamente, desde a morte de Leonel Brizola: "Lupi deu 10 milhões a ONG que Marina rejeitou". A ministra rejeitou um grana vinda de uma ONG (sem fins lucrativos, como eu e todos os personagens de Schrek sabemos) por quê? Se os 10 milhões não eram bons para São Paulo, por que os 300 milhões que Lupi quer dar para a Prefeitura de São Gonçalo foram imediatamente aceitos?
Quando Brizola voltou ao Brasil ninguém poderia tirar-lhe o governo. O povo estava cheio, como hoje, mas, como hoje, ainda não haviam lhe quebrado a espinha dorsal, o espírito. O senhor Luiz Silva roubou-lhes tudo. Os miseráveis só querem aquela bolsa comida, que, se fizerem as contas, vale mais do que um salário mínimo. De parecido tinham apenas o diálogo fácil com o povão. Brizola tinha contas a resolver com a ditadura, enquanto Luiz Silva representa a esquerda que a direita gosta. Poucas vezes se disse algo de tão verdadeiro neste país. Estão aí os bancos, as transnacionais e Henrique Meirelles para provar isso. Brizola vinha com uma rapaziada competente, confiável, honesta e de classe média. O pessoal de Silva, com alguma exceções da luta sindical, era o mesmo de Brizola. Agarraram-se ao primeiro por ser operário e falar uma linguagem rota, mas compreensível. De Lula queriam desfazer-se quando não precisassem dele eleitoralmente, mas o homem era (e é) um fenômeno. De Brizola esperavam que deixasse roubar, mas ele demitiu Colagrossi por puxa-saquismo no segundo mês. Limitei-me a escrever o manifesto do PDT, alguns discursos para Brizola, programas de rádio e TV. Brizola, apesar do computador apaixonado por Moreira Franco e denunciado pelo JB, venceu e fez um magnífico governo com mais de 250 Cieps erguidos. Hoje teríamos menos de duas mil crianças abandonadas. Isso, é claro, era intolerável para a direita, e aos poucos os mais próximos auxiliares de Brizola o foram abandonando. Brizola não fazia muita questão de que Darcy vencesse. Deixou que Moreira Francamente fizesse a péssima "administação" e se elegeu facilmente uma segunda vez. Mas Fernando Henrique já havia acertado tudo em Washington com os homens do COISO: dois pra cá, dois pra lá. O faro político lhe faltou daquela vez.
Falei em sonho porque as pessoas, nós, pobres homens e mulheres largados na tempestade, merecemos cultivar um ideal. Eu fiz isso, ou pelo menos tentei. Brizola não mentia, era um homem honrado, ingênuo, ambicioso (não gostava de falar comigo porque jamais lhe pedi nada). Ele me convidou para ser candidato à Constituinte. Sei que não estou enganado: Brizola não queria o poder pelo poder. Queria o governo, governar um país de gente feliz. No fim não conseguiu nem os votinhos para Ciro Gomes e poucos ficaram a seu lado. Um deles, um rapaz pobre, ex-jornaleiro, cuja ambição me comovia, me enganou feio. Ele apenas sabia que de Brizola ainda se poderia tirar alguma coisa: a vida. Quando morreu, ficou à altura de Getúlio. Morreu escrevendo uma nota semanal no Globo, chamando a atenção para o mensalão e os próximos golpes da UDN de tamancos. Na época, Lupi assinaria em baixo. Hoje seu chefe é outro e o chama de ministro republicano, como chamava Jefferson de homem honrado. Esse é o palpite do seu Luiz.///////////////[ 10/03/2008 ] 02:01

quarta-feira, 12 de março de 2008

Millôr, sem tirar nem pôr


domingo, 9 de março de 2008

Esgotamento

Demitida pelo uso irregular de cartão corporativo, a ex-ministra Matilde Ribeiro adoeceu, estressada. Ela faz tratamento à base de acupuntura.

Leia mais Fausto Wolff ! (extrato)

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Como diz o mestre de todos nós, Millôr Fernandes, imprensa ou é oposição ou é banca de secos e molhados. Para que fazer um jornal, então, se uma banca é mais segura e lucrativa? Uma grana para o fiscal ali, outra para o guarda aqui e estamos feitos. Um jornalismo sem espírito de missão é como um açougueiro fazendo uma cirurgia de cérebro. Pode espalhar muita alegria e felicidade, mas muitas decepções que podem levar à ruína mental e ao suicídio. Assim como na escola elementar, a primeira matéria a ser ensinada deveria ser primeiros socorros nas escolas de jornalismo (sobre as quais não tenho ainda opinião formada), a primeira coisa que um jornalista deve aprender é sobre a sua tremenda responsabilidade.
Isso significa que o jornalismo deve ser imparcial? Não. Significa que o jornalismo deve estar do lado que está com a razão. Os radicais têm seus próprios jornais, com todo o direito, nos quais defendem direita e esquerda, sempre que dentro da lei. É verdade, no Brasil a maioria das leis foi feita para não ser cumprida, só pelos pobres, porque foram elaboradas pelos ricos a seu favor. Daí a necessidade de uma boa imprensa, da preservação e defesa da cultura e principalmente da educação. Um povo educado exige naturalmente uma imprensa livre. Nem poderia ser de outra forma.
PS - Ainda não aconteceu, mas, logo, logo, o NYT sofrerá na venda, nas assinaturas e na publicidade as conseqüências do modo mentiroso como se comportou no caso das torres gêmeas. Quem viver verá e quem não viver e for espírita, também.

Constatem o "altissimo nivel"" tri-lateral e jornalistico

Brasil aperta cerco aos espanhóis:::Renato Grandelle
O ministro da Justiça, Tarso Genro, orientou a Polícia Federal a apertar o cerco a espanhóis que chegam ao Brasil. A ordem foi revelada ontem pelo assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia, na saída do Palácio São Clemente, no Rio, onde participou de almoço oferecido pelo presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva. Também presente no almoço, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve conversar esta semana que vem com o primeiro-ministro da Espanha, José Luiz Zapatero, sobre a repatriação de brasileiros.
Para Garcia, a truculência com turistas brasileiros pode estar ligada à "temática eleitoral" em que está envolvido o país europeu - a Espanha realiza hoje eleições gerais. Mesmo antes da definição dos vencedores, Garcia já vê avanços. O Itamaraty recebeu notícias de que, ainda ontem, houve uma "mudança de atitude" no Aeroporto de Barajas, em Madri, principal porta de entrada de estrangeiros no país.
- Se há determinadas diligências colocadas aos imigrantes e turistas brasileiros, vamos cumpri-las, mas também queremos que os espanhóis as cumpram aqui - ponderou Garcia. - Defenderemos claramente a prerrogativa de os brasileiros serem bem tratados.
A ligação da polêmica com as eleições espanholas também foi cogitada anteontem à noite pelo próprio Lula.
- Os partidos mais conservadores têm vontade de quase proibir que os pobres de outros países adentrem nos seus, sem lembrar que um dia nós recebemos os pobres dos países deles alfinetou o presidente.
"Houve exageros"
O assessor da presidência negou que a deportação de oito espanhóis de Salvador, na quinta-feira, tenha sido uma "represália" à repatriação de brasileiros em Madri.
- A Polícia Federal continua agindo com os mesmos critérios. Simplesmente intensificamos um pouco mais a rotina - garantiu.
Ainda de acordo com Garcia, a decisão de dificultar a entrada de espanhóis no Brasil é "tão evidente" que não houve necessidade de Genro consultar o presidente Lula antes de transmitir a ordem à PF.
Garcia lembrou que o governo federal já fez valer o princípio de reciprocidade diplomática. Em 2004, o Itamaraty determinou que todos os turistas americanos fossem identificados, inclusive pela leitura eletrônica de suas impressões digitais. Dias antes, a Casa Branca havia determinado este procedimento aos cidadãos brasileiros que entrassem nos EUA.
Segundo o assessor, "não há dúvida de que houve exageros" no caso dos 20 brasileiros deportados. Os atos mais extremados, segundo o assessor, podem vir do medo de que o aumento da imigração acarrete no aumento do desemprego.
- É como se dizia há muito tempo: na ditadura, não é perigoso somente o ditador, o perigoso às vezes é o guarda da esquina - lembrou. - Temos uma aliança estratégica com a Espanha. Não é, para nós, um país qualquer. Esta relação privilegiada deve se traduzir não só nas grandes questões, como também nos contatos mais triviais.
Dois em cada cinco barrados em Barajas no ano passado eram brasileiros, segundo estatísticas do próprio aeroporto.
A determinação recebeu apoio da Fundação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef). O diretor parlamentar da entidade, Edison Tesseli, ressaltou que, devido ao grande volume de trabalho, os agentes que trabalham em aeroportos não têm condições para aplicar um questionário completo aos estrangeiros que chegam no Brasil.
- A tendência é que, agora, a amostragem seja maior do que o normal com os turistas espanhóis - revelou. - Somos totalmente favoráveis em aplicar um regime de reciprocidade. A legislação determina que o turista comprove seus meios de subsistência, mas normalmente há uma certa tolerância quando todos os quesitos não são atendidos. A Espanha tem sido autoritária sem critérios. Em vez de avaliar cada situação separadamente, o governo daquele país está aplicando rigor total.
Consulado pichado
A deportação de brasileiros ainda gera reações indignadas no país. A parede do prédio em que funciona o Consulado-Geral da Espanha, no bairro do Paraíso, em São Paulo, amanheceu pichada com a inscrição: "Lula faça algo. Mais respeito com os brasileiros". Nenhum funcionário do órgão teria ido ontem ao local.
Em visita ao Rio, o presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, não se referiu diretamente às políticas de imigração do país vizinho. Cavaco, porém, garantiu que os brasileiros não devem temer a mesma hostilidade em seus domínios.
- Faço votos de que os brasileiros sejam bem acolhidos em Portugal, como os portugueses o foram no Brasil quando dom João VI veio para cá - desejou

sábado, 8 de março de 2008

Voando.....


Demagogia, vide "eleições"


Sacanagem......isn't it!?


sexta-feira, 7 de março de 2008

Opinião-Quem tem medo do Território da Cidadania?

José Dirceu, ---advogado de negocios e, (ex's-preso politico, exilado cubano, dirigente do PT e Ministro da Casa Civil)-----
Durante o governo Lula, mais de 20 milhões de brasileiros migraram das classes D e E para a classe C. O que explica essa mobilidade social, com a redução da pobreza, é a geração de 6 milhões de novos empregos formais, o aumento do salário mínimo de 42,8% no período, reajustes salariais acima da inflação na grande maioria das negociações sindicais e o desenvolvimento de políticas compensatórias - como o programa Bolsa Família, que já beneficia 11 milhões de famílias.
Se os indicadores são positivos, revelando que o crescimento da economia vem sendo acompanhado da distribuição da renda, o Brasil ainda tem sérios problemas, como os bolsões de pobreza. Daí a relevância do programa Territórios da Cidadania, lançado pelo governo federal em fevereiro, com o objetivo de enfrentar, articulado com Estados e municípios, os redutos de miséria - os territórios com os mais baixos índices de IDH e escassa atividade econômica.
Considerado inovador por especialistas em distribuição da renda, o programa vai olhar cada um dos 180 territórios, a serem atendidos nos próximos dois anos, como um todo, integrando ações de 19 ministérios e envolvendo os poderes locais, para promover o desenvolvimento regional sustentável e a garantia dos direitos sociais. Seu público-alvo são agricultores, assentados da reforma agrária, populações indígenas, quilombolas. Ou seja, brasileiros que demandam a ação planejada do poder público para conquistar o que lhes é devido como cidadãos: acesso à dignidade.
Diante de um programa dessa dimensão, que cobre todo o país - haverá pelo menos um território por Estado da federação - o que faz a oposição? Recorre ao Supremo Tribunal Federal, acusando o programa de eleitoreiro e ilegal, sob o desgastado argumento de que os investimentos poderão privilegiar os partidos que dão suporte ao governo. Mais incrível ainda: ministros da maior corte do país fazem coro à oposição, antecipando sua posição antes de haver recurso, e de ele ser julgado, numa inconcebível politização do papel de magistrado, que só deve julgar com base nos autos.
O esperneio é balela. Esse filme, já vimos nas eleições de 2006, quando campanha semelhante teve como alvo o Bolsa Família. PSDB e DEM (então PFL) alardearam que a expansão do programa estava a serviço da reeleição de Lula. Desqualificaram o Bolsa Família e buscaram com lupa desvios e fraudes. O povo, que sabe o alcance do programa e sua importância para a população mais pobre, não embarcou na lorota. Mas parece que a oposição não aprendeu.
Os resultados da auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União no Bolsa Família, de 2004 a 2006, em função de denúncias da oposição, mostram que eram infundadas. Não houve, de acordo com o TCU, nenhum privilégio ao PT e aos partidos da base aliada, nem discriminação ao PSDB e ao DEM. O atendimento das metas foi alcançado em todos os municípios, independentemente da filiação partidária do prefeito, e pequenas variações encontradas descartam o uso eleitoral do programa, segundo a auditoria.
Assim, é inaceitável a tentativa da oposição de impedir programas sociais destinados a tirar da pobreza absoluta milhões de brasileiros. Só neste ano, serão beneficiadas 11 milhões de pessoas, em quase mil municípios, de 60 territórios. Vão ser investidos R$ 11,3 bilhões no desenvolvimento regional dessas cidades, onde todos os partidos estão no governo e vão disputar as eleições, sendo igualmente beneficiados por melhorias da infra-estrutura e das condições de saúde e educação, e pelo apoio a arranjos produtivos locais. Isso é o quanto o governo Lula anunciou estar disposto a fazer. Resta perguntar o quanto a oposição está disposta a comprometer do desenvolvimento nacional, para tentar, na base do "quanto pior, melhor", alguma vantagem eleitoral. A oposição tem medo das eleições, ou tem medo dos milhões de brasileiros que, nesses Territórios de Cidadania, poderão escapar dos currais eleitorais mantidos à base de miséria contínua?
[ 06/03/2008 ]

Mais um......

Prefeito Pingüim
O site da turma da coluna acusa o recebimento do comunicado abaixo:
"O Partido da República – PR - Seção do Município do Rio de Janeiro, vem mui respeitosamente a Vossa Senhoria, por meio do seu representante legal infra-assinado, informar que já possui o seu pré-candidato ao cargo majoritário a prefeito do município do Rio de Janeiro que vem a ser o Coronel Militar do Corpo de Bombeiro Marcos Silva, carinhosamente chamado por muitos de "Coronel Pingüim", Ex-chefe do Estado Maior do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro".
Vai sem tecla SAP. Mas é isso mesmo que você aí leu.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Brasilia no seu melhor....

Maluquetes

José Genoino (PT-SP) e Fernando Ferro (PT-PE) se revezaram ontem, na Câmara, defendendo os narcoterroristas das Farc. Perderam o juízo.
06/03/2008 0:00
Radical chic

O petista Fernando Ferro acusou a Colômbia de estar "sob controle" dos Estados Unidos, referindo-se à ajuda na guerra aos bandidos das Farc. Quem te viu... Em 2003, Ferro aceitou "ajuda de custo" da embaixada americana para visitar unidades da multinacional Monsanto no exterior.

Reencontro

A audiência do presidente Lula ao equatoriano Rafael Correa permitiu o reencontro do general Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional) com seu chefe. Lula não despachava com o general há quase dois anos.

Fogueira das Vaidades

Uma amiga descobriu um truque infalível para falar com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE): envia-lhe um "torpedo" elogiando sua gravata. Ele fica louco para saber onde foi visto (TV, jornal etc). Por essa e por outras, dizem que no Congresso já não há assessores, mas ajudantes de palco.

"Paco" parlamentar

Quando a ditadura fechou o Congresso, em 1966, determinou que os parlamentares se identificassem para entrar no prédio. O conservador Amaral Neto se revoltou e, numa cena teatral, rasgou a carteirinha de deputado, diante do diretor da Câmara, Luciano Brandão, encarregado de identificar os deputados. Logo depois ele se lembrou que precisava do documento para viajar de graça (na época era assim) de avião.- Providencie a segunda via, preciso viajar ao Rio - segredou a Brandão. E passou o resto da vida citando o gesto como sinal de sua "resistência".

quarta-feira, 5 de março de 2008

As Time Goes By

without comments...what for?!

Não me arrependo!

Je ne regrette rien!


sábado, 1 de março de 2008

O novo milagre brasileiro

Nas duas últimas semanas, o presidente Lula e ministros da área econômica festejaram os bons resultados da economia brasileira no ano passado, especialmente o elevado estoque de reservas e do fluxo de capitais.
Como bons prestidigitadores, atribuíram tal desempenho às virtudes da política econômica do governo, que seria baseada em inovadores princípios de gestão monetária e fiscal. Nesse tipo de análise, presidente e equipe econômica foram socorridos por economistas governistas e palpiteiros conhecidos.
Em nenhum momento, contudo, eles citam qual ingrediente da política econômica foi responsável pelo abastecimento excepcional de dólares que o país experimenta desde 2003. O argumento mais utilizado é a clarividência de Lula e a determinação do PT, qualidades que, mesmo com generosidade, não consigo identificar no governo.
Economistas da qualificação de Raul Velloso, Eliana Cardoso e Gustavo Franco atribuem o sucesso econômico do país à China, que desde 2003 tornou-se o principal destino das nossas exportações de commodities, especialmente minérios e alimentos.
Em recente artigo no Valor, Eliana demonstra por meio de gráfico como o resultado da balança comercial está associado às vendas de soja e ferro para os chineses e especula sobre a influência da recessão americana nos preços desses produtos e no crescimento da economia em 2008.
Conhecido consultor sugere, brincando, que ao lado da fotografia do presidente Lula, os gabinetes do governo deveriam ostentar fotografia do presidente da China, Hu Jintao, como forma de agradecer patrioticamente o papel estratégico que Pequim tem desempenhado na performance econômica brasileira.
Para a maioria dos especialistas, tão cedo essa situação não se alterará, até porque a China não tem espaço para crescimento de fronteira agrícola e a política de industrialização que depende de minérios é coisa para mais de uma década. O que Lula e ministros deveriam fazer, em vez de ocultarem a verdadeira razão do boom econômico, é tirar partido dele, investindo, por exemplo, corretamente em educação. Consulte o desempenho do Brasil nessa matéria para saber onde foram parar os superávits dos últimos cinco anos.
José Negreiros é jornalista (josenegreiros@terra.com.br)