sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Viajando pelo Brasil

Há uma semana, no lançamento de uma obra rodoviária no Espírito Santo, o presidente Lula respondeu aos jornalistas que lhe faziam perguntas sobre a CPI dos Cartões com uma impaciência que beirava a rispidez: 'Eu confesso a vocês que não tenho tempo a perder com CPI. (...) Enquanto as pessoas discutem lá em Brasília, enquanto as pessoas fazem investigação, meu papel vai ser viajar pelo Brasil.' É o 'papel' que nunca deixou de desempenhar desde as Caravanas da Cidadania, dos anos 1990 - as quais, a julgar pelo caráter que lhes atribui de descoberta do Brasil, teriam sido um evento de proporções legendárias.Cinco anos e dois meses de Planalto não mudaram a sua convicção - cujas conveniências políticas e eleitorais são simplesmente óbvias - de que o Brasil não pode ser governado de Brasília. 'Todo mundo sabe que, se a gente quiser mapear e resolver os problemas, a gente tem que viajar esse país', reiterou dias atrás. Mesmo que os problemas não sejam resolvidos, há de pensar com os seus botões, as viagens são mais divertidas do que as servidões da rotina presidencial, da qual fazem parte, por exemplo, a leitura de textos áridos e as audiências a interlocutores que só querem coisas, sem nada oferecer, como outro dia se queixou, coberto de razão. 'Ficar em Brasília', resumiu, 'é uma desgraceira só.'O novo pretexto para a deambulação que o leva esta semana a Quixadá, Fortaleza e Aracaju, no primeiro trecho de uma romaria que só até os primeiros dias de maio o conduzirá a pelo menos 16 cidades, com idas ao exterior, de permeio. Parte das viagens será para lançar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que ele estará proibido de fazer a partir de julho, neste ano de eleições municipais. Mas são precisamente essas eleições que pouparão o presidente das desgraceiras do Planalto, permitindo-lhe subir ao espaço público em que ele é mais ele: os palanques. Diante das limitações que a Lei Eleitoral impõe aos detentores de mandatos executivos, alguém no governo talvez tenha tido um estalo.No que o vanglorioso Lula já saiu chamando 'o mais extraordinário programa de atendimento de políticas de oportunidades combinadas com políticas sociais que nós já tínhamos preparado no Brasil' - ufa! -, englobaram-se projetos de 15 Ministérios, somando R$ 11,3 bilhões, dos quais R$ 5,4 bilhões para o Nordeste, numa nova e grandiloqüente rubrica: Territórios de Cidadania. Serão 60, abrangendo 958 municípios e 24 milhões de habitantes, com ênfase nas zonas rurais, para construção de escolas e estradas, redes de água e esgoto, implantação de sistemas de crédito, expansão do acesso à luz elétrica e até mesmo a instalação de cartórios de registro civil. Os recursos já estão assegurados no Orçamento.Desde logo, porém, alguns aspectos da iniciativa chamaram a atenção das oposições. Primeiro, o fato de ter sido instituída por decreto. No entender dos presidentes do PSDB, senador Sérgio Guerra, e do DEM, deputado Rodrigo Maia - que pediram ao Supremo Tribunal Federal a suspensão do programa alegadamente inconstitucional -, por ser novo, ele teria de ser criado a partir de projeto de lei ordinária enviado ao Congresso. Em segundo lugar, os oposicionistas estão convencidos de que o programa é '100% eleitoreiro', para carrear votos ao PT nas urnas de outubro, daqui a oito meses. 'Não se questiona o investimento, mas a oportunidade do investimento', explica outro oposicionista, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia.Uma suspeita adicional envolve a escolha dos municípios que farão parte dos Territórios. 'Queremos saber quais são os critérios adotados para definir as áreas beneficiadas', cobra o líder do DEM na Câmara, ACM Neto, partindo da premissa de que tudo será feito pelo bem do PT. Indício disso estaria no fato de a execução do programa ter sido entregue ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, dirigido pelo petista Guilherme Cassel. Para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, as críticas são politicamente motivadas. 'É um dos melhores programas no sentido da distribuição da renda', argumenta. 'É focado e tem papel de resgate dos bolsões de pobreza.' Ainda assim, o governo precisa demonstrar que os Territórios não foram traçados a fim de ser o caminho mais curto para o êxito eleitoral do PT.

E la nave va...

Os funcionários do gabinete do senador Jonas Pinheiro (DEM-MT), que morreu no último dia 19, voltaram ao trabalho depois de três dias de luto e levaram um susto.
Na segunda-feira, se depararam com o nome do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), e não com o de Gilberto Goellner (DEM-MT), suplente de Jonas, na placa de identificação afixada na porta do gabinete onde trabalhavam.
Sob a prerrogativa de ser ex-governador de Estado, Perillo conseguiu trocar seu apertado gabinete pelo amplo e confortável espaço que era de Jonas.
A mudança foi orquestrada nos dias de luto e, por isso, encarada pelos funcionários do agora senador Goellner como "invasão" e "falta de respeito". Eles não concordaram em ficar com o gabinete de Perillo.
Conversa vai, conversa vem, conseguiram o espaço onde funcionava a Diretoria-Geral Adjunta do Senado, que, por sua vez, teve que se contentar com a ex-sala de Perillo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Noticias da Côrte......

O assessor e o reflexo condicionado
No último sábado fez seis anos que a senadora e ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, foi seqüestrada pelas Farc, grupo narcoguerrilheiro que há mais de quatro décadas atua no País vizinho em dois ramos de atividade: a venda de cocaína e o terrorismo. A família de Ingrid tem no governo brasileiro trunfo decisivo para libertar a senadora. Não quero aqui desfazer a esperança de ninguém, mas é fato que eles estão a acreditar em chicanistas profissionais e deveriam ser cientificados de tal assertiva. Observem o cinismo.
No começo deste mês, o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, participou de uma reunião com escalão intermediário do Ministério das Relações Exteriores da França, quando foi discutida a possibilidade da formação de grupo de países europeus e do cone sul para negociar com os bandidos das Farc. Ao comentar a proposta, o assessor Garcia foi perguntado se o Brasil já havia feito algum contato com as Farc para tratar da situação de Ingrid. Sem pestanejar, respondeu que não, mesmo porque o governo brasileiro não teria como fazê-lo.
Trata-se de uma mentira expressiva não desmascarada porque era véspera de carnaval. São viscerais e históricas as ligações do PT com as Farc. Aliás, o partido forma irmandade com o grupo terrorista que hospedou, com pensão completa, o traficante Fernando Beira-Mar. Sob o comando de Cuba, as Farc, o PT e outras organizações de esquerda de baixa compostura da América Latina e do Caribe atuam com intimidade em um certo Foro de São Paulo. Criado em 1990 para reorganizar os comunistas depois que o Muro de Berlim veio abaixo, teve como um dos fundadores o próprio assessor Garcia.
Desde então, eles promovem encontros em cidades emblemáticas como Manágua, El Salvador e Havana para trocar simpatias revolucionárias e, depois de muita tequila, produzir manifestos sobre a autodeterminação dos povos e a libertação da América Latina. As Farc são a menina dos olhos do Foro de São Paulo por ser no subcontinente o último movimento guerrilheiro a se manter em atividade no século 21. No último encontro do Foro em 2005, representantes de organizações sem a menor procedência, a exemplo dos sandinistas, acolheram a ocasião para dizer que o mensalão era uma trama dos lacaios do imperialismo ianque para desestabilizar o governo Lula.
É verdade que o governo do PT, hoje, não quer saber de saliência pública com as Farc e para manter as aparências institucionais prefere esconder o passado de apoio e elevada consideração aos narcoterroristas. Na prática não quer conversa com o comando das Farc, mas também não condena nos foros internacionais os atos bandoleiros de atentados a bomba, seqüestros e tráfico internacional de entorpecentes.
De cima do confortável muro do poder, toleraram, por exemplo, que as Farc mantivessem como “embaixador” informal em Brasília, um certo Padre Olivério Medina investido da função, faça-se justiça, desde os tempos do governo Fernando Henrique Cardoso. Como se sabe, nos churrascos promovidos em homenagem a Medina na capital da República, o hino das Farc é iguaria tão indispensável como o vinagrete.
A distância medida das Farc também ajuda a manter em silêncio a transferência em moeda viva de 5 milhões de dólares que o narcotráfico ideológico mandou para financiar a campanha eleitoral do PT. O imbróglio foi de tal magnitude que desmoralizou a imagem da Abin e fez o Senado prestar vassalagem ao Palácio do Planalto em uma operação vergonhosa para encobrir um fato que daria cassação.
O governo do PT, de fato, pode contribuir muito para a libertação da senadora e dos aproximadamente 700 reféns em poder das Farc. Se quiser, pode conferir à negociação a respeitabilidade que a atuação demagógica do presidente Hugo Chávez roubou. Caso seja necessário, pode até lançar mão da intimidade e simpatia do partido com as Farc para conseguir um trunfo político e humanitário de grande valor. São tão próximos, que a abertura dos trabalhos pode ser resolvida com um telefonema.
O que não pode é o assessor Garcia riscar as Farc do seu passado de lutas e inopinadamente fazer a linha Conceição ninguém sabe, ninguém viu. Assim, desqualifica o tratado desde a fase preliminar e vai fazer o presidente da França recuar da boa-intenção por entender que o Brasil não é um País sério. O assessor Garcia só precisa controlar o reflexo condicionado para não fazer como os cachorros de Pavlov e salivar de satisfação ao se encontrar com Manuel Marulanda, o Tiro Certo.
Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM-GO)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Psicanálise da vida cotidiana

O Homem do século XXI fez da descoberta do celular e da comunicação via internet um milagroso arranjo: a partir de agora, não estaremos mais sozinhos e nem sofreremos de solidão. Doce ilusão!!!
A virtualidade não substitui a consistência de uma relação afetiva e nem a "celularidade" impede que estejamos sozinhos e às vezes abandonados. Não pelas fibras óticas que os nossos sentimentos serão veiculados ou preencherão o vazio afetivo e nem tampouco solucionarão o que chamo de fobia-de-relação.
Vivemos numa época na qual o medo de gostar, o pavor de se responsabilizar por alguém, o pânico da intimidade tomaram a dianteira na forma de relacionar-se com as pessoas.
"Ficar" é uma invenção moderna para resistir a uma intimidade maior, a intimidade afetiva. E parece que as pessoas, a cada dia, se refugiam no modismo que tomou tal palavra, não como uma fase em direção ao envolvimento, mas como um refúgio "autístico" para livrar-se da intolerância de conviver com questões do sentimento: ciúme, inveja, rivalidade, medo de perda, medo de amar e de ter um prazer integrado, ou seja, a satisfação física e afetiva num vínculo amoroso.
Com esta atitude de recusa, de jejum de afeto e exacerbação do prazer pelo prazer, a pessoa se esvazia, não instala dentro de si afeto por outras pessoas. Resultado: seu mundo interno, sua interioridade psíquica se transforma num grande buraco, cheio de irrealidade, estranheza, vacuidade existencial e conseqüente solidão desamparada.
Já não se sente solidão, momentos de encontros consigo mesmo, com sua própria individualidade. Como sentir alguém dentro de si? Como sentir saudade, afeto, ausência, desejo pelo outro, quando não se está exposto a uma relação afetiva, mas a uma relação de uso para o prazer?
A solidão desamparada é aquilo que me faz sentir não sozinho, mas abandonado, medroso, fóbico, vazio e prestes a ruir na dimensão da sobrevivência humana, psíquica. Por detrás da famosa e tão atual "síndrome de pânico", reside uma depressão por solidão desamparada, o próprio medo de se ter criado para si próprio uma grande redoma de terror. A ponto de alguém achar que vai morrer subitamente ou enlouquecer.
O terror e o medo levam a pessoa a procurar desesperadamente alguém para socorrer, alguém a funcionar como um recipiente para acudir a crise. Horas depois, retira-se para sua redoma da insensibilidade afetiva, para a "anorexia de afeto", e o ciclo continua: "ficar", ter um prazer físico-sensorial, separar, sentir-se desamparado e então procurar "ficar" novamente.
Esta é a trajetória da qualidade de relação das pessoas em nosso mundo pós-moderno.
São João da Cruz, filósofo da Igreja, dizia: "quem não tem amor no coração sofre de solidão". O amor da modernidade é o amor-uso, amor-consumo, amor-material, é o desamor, ou melhor, o medo do próprio amor. Isso não significa que as pessoas não tenham esta qualidade afetiva. As pessoas estão a cada dia mais apavoradas e com dificuldades de viver os sentimentos humanos, daí o incremento da virtualidade, da comunicação à distância, daí a pobreza de relações e o desamparo.
Outro dia alguém desabafava: "Não agüento mais, nada tem mais sentido, mesmo que materialmente e economicamente eu não tenha queixa da vida. Tenho uma profissão, tenho amigos, tenho tudo que quero, tudo! Mas sinto-me vazio, com medo, inseguro, de baixo astral a maior parte do meu tempo, sem tesão, sem projetos, sem ninguém. Acho que nesta vida nunca gostei de ninguém."
Este é o tema dos dias atuais: a melancolia de alguém sem vida afetiva, sem vínculos verdadeiros, sem consistência íntima e duvidando do amor por si próprio.
Quebrou-se o encanto do projeto amoroso!
"Ficar" no lugar de criar uma parceria; ser só para não ter compromissos; consumir para depois descartar; deprimir para não ter tristeza; jejuar para se defender da gula e da voracidade, elementos ilusórios da posse; recusar o amparo para não amparar; receber sem desenvolver gratidão; e, por fim, viver o conforto material para se livrar da consideração, do respeito e do amor.
Carlos de Almeida Vieira*
* Psiquiatra, psicanalista da Sociedade de Psicanálise de Brasília e membro da International Psychoanalitical Association - Londres.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Volta à normalidade de Fausto Wolff (JB)

Não há noite tão longa que não mereça a piedade do dia. O belo poeta Franz Werfel dizia mais ou menos isso, cito de memória, enquanto ainda tinha esperanças de escapar dos nazistas. Falemos, portanto, de amenidades. Outro dia tive a honra de ser entrevistado pelos jovens, talentosos e informados repórteres da revista Fazendo Media. Perguntaram-me se era difícil manter uma posição de independência na imprensa diante de um contexto que envolve tantas dependências interligadas entre os meios de comunicação e os poderes públicos e privados.
Bem, não é fácil responder a uma pergunta como essa. É difícil, é claro, pois o sistema é capitalista-neoliberal-selvagem sem piedade ou tempo para elucubrações humanísticas. Ao contrário do que os entrevistadores pensavam, porém, não é difícil para mim ser como sou. Não poderia ser de outro modo, porque a justiça social é o ar que respiro, é o ar que me leva avante e sem o qual eu morreria. Uma espécie de voto de respeitar a confissão pelos quais muitos padres morreram antes do ignominioso boom da pedofilia clerical que aparentemente o dinheiro parece sempre resolver. Talvez fosse mais árduo se vivesse numa nação onde se faz qualquer coisa pelo povo e, de conseqüência, certos pecadillos podem ser ignorados. No Brasil, porém, a brutal indiferença com que são tratados os muitos milhões de pobres, miseráveis e eventuais partícipes da classe média é tão grande, é tão evidente que ignorá-los seria crime de lesa-pátria. Estou sempre à espera do glorioso dia em que poderemos ver o sol da liberdade raiar no horizonte brasileiro e acabar com esta dolorida escuridão.
Uma das coisas que fazem este veterano repórter sofrer diante da própria impotência, por exemplo, são iniciativas governamentais demagógicas como auxílio à escola, auxílio família, fome zero e outras formas de roubar dinheiro do povo com a pretensão de ajudá-lo. Pois eu lhes digo, leitores, gente que propõe essas coisas, há muito tempo perdeu a noção de pátria, cultura e justiça. Os governos deveriam existir para proteger o povo, deveriam ser os bons pastores de que fala a Bíblia e, entretanto, se alimentam do sangue dos seus próprios cordeiros. Não sou homem de não dar esmola - faço isso sem pensar duas vezes, pois é duro um homem humilhar-se a tal ponto. Quem, entretanto, deu a este ou a qualquer outro governo que o tenha precedido o direito de humilhar um povo bom, gentil e laborioso com o nosso, que só quer ser tratado como ser humano e ter uma chance de trabalhar com dignidade? Que ratos são estes que odeiam o povo que os sustenta e lhe dão em troca esmolas, pancadas, hospícios e cadeia? Os sertanejos nordestinos orgulhosos morrem de fome com uma enxada na mão enquanto que esse nojento auxílio (cuja propaganda na TV é mais cara do que ele mesmo) acaba no bolso de prefeitos e vereadores? Como gente como os mensalões, que foram eleitos para proteger o povo sob a tutela de boas leis, apropriam-se desse dinheiro e se dizem patriotas? Alguém acredita que o casal Garotinho ou o alcaide Cesar Maia ame este estado e esta cidade? Será que têm algum amor pelo Rio de Janeiro, uma cidade onde os carros rebocados são depenados, uma cidade onde as estátuas são roubadas, uma cidade onde as crianças pobres viram malabaristas entre sinais de trânsito, onde as pessoas não têm coragem de sair de casa depois que o sol se pôs? Quem deu aos governantes o direito de acabar com a educação, de quebrar o espírito dos trabalhadores como se quebra o espírito de um elefante para transformá-lo num escravo ou num delinqüente? Enquanto isso, as nuvens negras se reúnem perigosamente no horizonte. Como alguém pode noticiar seriamente que tropas do exército cercam as favelas para roubar fuzis roubados se todo mundo sabe que são elementos do Exército e da polícia que fornecem armas sofisticadíssimas para os traficantes? O morro só não desceu ainda porque seus chefes são de direita, o morro só não tomou Atlântica, Viera Souto e Barra porque os chefes de seus chefes moram lá.
Os americanos têm toda uma literatura sobre a grande depressão, que foi, se não me engano, de 1927 a 1935. Além da depressão, eles têm terremotos, maremotos e tufões. O que diriam da nossa depressão, que começou em 1501 e continua até hoje? Reflitam sobre esses números absolutamente oficiais do Ministério da Fazenda: só em 2005 as despesas da União com viagens de pessoal foram de dois bilhões, seiscentos e sessenta e seis milhões, quatrocentos mil reais e quinhentos e setenta e dois centavos, divididos em diárias, passagens, locomoções e auxílio alimentação. Esta é a recompensa que esses monstros recebem para matar nossas crianças de fome.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Vladimir Palmeira, Cuba é uma Ditadura

Fidel e os petistas
Vladimir Palmeira e Zé Dirceu, dois líderes estudantis da geração 1968, viveram em Cuba depois que foram libertados em troca do embaixador americano Charles Elbrick, em setembro de 1969.
Mas ao contrário do ex-ministro, Palmeira não gostou do que viu. Foi o que ele disse numa entrevista a revista "Teoria e Debate", do PT, em 1993.
Leia:
"Quanto tempo você ficou em Cuba?
Três anos. Não me deixavam sair, inventando que eu não tinha documentos, que não tinham para onde mandar. Ficamos, na verdade, prisioneiros dos cubanos. Saí porque chegou o pessoal do Brasil, meus amigos estavam dirigindo o processo de luta armada e portanto passaram a ter as benesses do governo cubano.
E o que você fazia em Cuba?
Estudava dez, quinze horas por dia. Eles deixavam alguns setores da ALN trabalhar, mas nós, considerados muito críticos ao regime cubano, não podíamos trabalhar. Agradeço aos cubanos o pouco de cultura marxista que adquiri. Não serviu para defender o regime deles mas, para mim, certamente foi uma contribuição. Eu sou marxista até hoje, e boa parte da cultura teórica adquiri em Cuba. E não posso deixar passar a oportunidade de não só denunciar a ditadura cubana mas também resgatar o apoio que o povo nos deu. É um povo revolucionário, simpático, com bom humor.
Que reflexão você aprofundou, nesses três anos, com relação ao regime cubano?
Era uma ditadura do Partido Comunista, da burocracia. O trabalhador não tinha direito de greve, não podia se organizar. A grande safra estava em marcha para o fracasso e houve uma tentativa dos cubanos mais à esquerda, ligados ao Che, de democratizar o processo político. Eu assisti ao famoso comício de Fidel. Começou como uma autocrítica dele e da burocracia e terminou como uma crítica profunda às massas trabalhadoras. Muita gente diz, ainda hoje, que reconhece que existem problemas no regime político. Mas que as conquistas sociais são inegáveis e só foram possíveis dentro dos marcos desse regime."

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A ILHA-Fidel e o Leopardo--Ancelmo Gois

A renúncia de Fidel Castro à presidência de Cuba, após 49 anos no poder, é um fato político importante.
Mas, desde que Fidel ficou doente, em outubro de 2006, o regime preparou uma minuciosa transição do poder para seu irmão Raul Castro dentro do espírito do personagem de "O Leopardo", do escritor Giuseppe di Lampedusa, que dizia: "É preciso que as coisas mudem para que se mantenham como estão".
Mas alguma mudança deve ocorrer. Afinal, quem fica parado é poste. A roda da História, não.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Pé de pato, mangalô...

O pé frio do presidente Lula faz História. Corinthians, o ex-lateral Roberto Carlos, o boxeador Popó e o tenista Guga deram-lhe camisetas, luvas, raquete... Nunca mais foram os mesmos. A última vítima foi José Ramos Horta, presidente do Timor-Leste: tomou 3 tiros ao voltar da visita a Lula.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Marina Silva: a equilibrista

Entre o verde e o poder, ministra do Meio Ambiente está há 5 anos no cargo e se mantém, apesar das polêmicas //////João Domingos /////Estadão/SP
De todos os auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra do Meio Ambiente, a petista Marina Silva, é a que mais se equilibra no meio do jogo de forças políticas poderosas e contraditórias que dominam o governo. Ora o confronto é com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, por causa das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como as duas usinas do Rio Madeira, ora o desgaste é com a Agricultura - primeiro com o ex-ministro Roberto Rodrigues, que defendia a liberação de transgênicos, depois, com Reinhold Stephanes e o agronegócio.No mês passado, o choque foi com ninguém menos do que o “patrão da Esplanada”, o presidente Lula, hoje com uma visão a respeito do meio ambiente muito diversa da que é defendida por Marina e o próprio PT dos tempos em que era oposição e estava longe do Planalto. Quando a ministra divulgou a informação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de que o desmatamento na Amazônia havia crescido nos meses de novembro e dezembro, a reação de Lula foi irada. “O que ela está fazendo?! Ficou louca?!”, disse o presidente, segundo relato feito por dois ministros que estavam com ele no momento em que ficou sabendo que Marina convocara uma entrevista para dar a má notícia.A diferença das reações de Lula, no bastidor do Planalto e em público, dá a medida exata da relação complexa que os dois mantêm. Segundo os ministros que falaram com o Estado, eles nunca viram o presidente tão possesso como naquele final de dia 23 de janeiro, a quarta-feira em que Marina fez o anúncio da aceleração da derrubada da floresta. Dias depois, ao final de um almoço no Itamaraty com o presidente do Timor Leste, o Nobel da Paz Ramos Horta, o presidente se recusou, diante de perguntas insistentes dos jornalistas, a criticar a ministra. Disse que os dados do Inpe eram como um “tumorzinho” anunciado como câncer antes mesmo da biópsia. Ou uma “coceira”. Mas fez questão de acrescentar que “a companheira Marina” não tinha culpa de nada.No bastidor, Lula ficou irritado com Marina porque, pela manhã, em uma reunião com vários ministros, diante da insistência dela em mostrar-lhe os dados do Inpe a respeito do desmatamento, pedira-lhe calma, até que os números fossem mais bem estudados. Como trabalha na linha do “perco a cabeça, mas não perco o juízo”, Marina avalia que, vez por outra, precisa afrontar os colegas ou contestar diretamente o presidente em nome da sobrevivência política. E foi o que fez naquela quarta: três horas depois de prometer a Lula que nada faria, convocou a entrevista coletiva e fez o anúncio do aumento do desmatamento. Marina ainda daria outra prova da sua autoridade ministerial.Lula foi obrigado a fazer uma reunião emergencial de parte do ministério no dia seguinte, mas como percebeu que Marina acusaria o agronegócio pela derrubada de árvores na Amazônia, e que Reinhold Stephanes reagiria em nome dos agricultores, proibiu os dois de darem declarações sobre o tema. Não adiantou: Marina provocou, Stephanes retrucou. O governo expôs o racha. Por que, nestas condições de choque permanente, o presidente Lula mantém Marina no governo? Em síntese, no governo e entre aliados no Congresso a explicação está no fato de que o eventual afastamento da ministra atrairia violenta pressão de entidades ligadas à questão ambiental no mundo todo sobre o governo brasileiro, dizem auxiliares. Para um presidente que se incomoda com o atraso em obras do PAC e outros projetos provocado pelas questões ambientais, Marina funciona como uma espécie de hipoteca com a comunidade internacional, o grande ativo do governo do PT para o meio ambiente, afirma um ministro. Ele lembra que Marina é também uma aposta para algum grande prêmio mundial num futuro próximo. Avalia-se dentro do governo que, se Al Gore ganhou o Nobel da Paz por seu trabalho de alerta contra o aquecimento do planeta, Marina também é candidata por sua defesa da Amazônia.Para o governo, ela tem mais trunfos do que o ex-vice-presidente dos Estados Unidos. Ao contrário de Al Gore, de origem aristocrática, Marina nasceu num seringal no interior do Acre. Cresceu no meio de bichos selvagens, foi alfabetizada aos 15 anos, venceu doenças como hepatite, malária e contaminação do sangue por mercúrio, pelas quais foi desenganada pelos médicos por quatro vezes. É respeitada internacionalmente e, no mês passado, o jornal britânico The Guardian a incluiu numa lista de 50 pessoas que podem salvar o planeta. Foi a única latino-americana a merecer o destaque.Com uma biografia assim, raciocina o presidente e todo o governo, é provável que Marina receba bem mais do que a homenagem que a Organização das Nações Unidas (ONU) lhe rendeu em abril de 2007, ao lado de Al Gore, por serviços prestados à preservação do meio ambiente. “Hoje, Marina é uma espécie de garantia do Brasil para o mundo. A Europa exige respeito ao meio ambiente. Marina representa essa bandeira”, diz o senador Tião Viana (PT-AC), seu amigo e companheiro de política no Acre. “A ministra tem a confiança da opinião pública. Instintivo, o presidente Lula acha que é preciso mantê-la para ficar bem com todo mundo”, afirma o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que constantemente dialoga com a ministra.Marina chegou ao governo de forma silenciosa, com apoio de ONGs e entidades ambientalistas, e venceu por goleada seu principal concorrente, o ex-deputado Tilden Santiago (MG). No governo, avisou ao PT que teria uma vida partidária menos intensa, pois pretendia transformar o Ministério do Meio Ambiente num “ministério de primeira linha” e não de segunda, como julgava que era a pasta nos governos anteriores. De fato, conseguiu. Hoje, mesmo com a perspectiva dos confrontos, e de muitas vezes perder a luta, Marina é convidada a participar de todas as reuniões que envolvem questões ambientais.Foi derrotada na liberação do plantio e comércio da soja transgênica, logo no início do governo. Chorou, mas decidiu não sair. Ponderou que sua presença era importante para outras causas do meio ambiente e para o Estado do Acre. Política, evitou envolver-se na polêmica da importação de carcaças de pneus, visto que o então ministro da Casa Civil José Dirceu apoiava esse tipo de comércio. Marcou uma posição contra os transgênicos. Na liberação do plantio e comercialização do milho transgênico, na terça passada, disse não. Só isso. Na mesma mesa, Dilma Rousseff disse sim, tendo vencido.Durante a batalha do governo pela licença ambiental das usinas de Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira, bateu de frente com Dilma. Acabou por ajudar Lula quando lhe prometeu que procuraria dar às obras um toque de respeito ao meio ambiente e que, ao mesmo tempo, acabaria com as resistências às hidrelétricas. Para isso, demitiu seu secretário-executivo, Cláudio Langone, que liderava o grupo contrário às usinas do Madeira, e substituiu-o por João Paulo Capobianco, ligado às ONGs. Dividiu o Ibama em dois e criou o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade. Foi agredida com palavras, gestos e atitudes por funcionários do Ibama descontentes com a medida. Resistiu e venceu. O projeto foi aprovado pelo Congresso.Marina tem quatro filhos. Dois com o primeiro marido, dois com o segundo. Esse último, o técnico agrícola Fábio Vaz, hoje é assessor do governador do Acre, Binho Marques (PT). Antes, Marina o havia empregado no gabinete de seu suplente de senador, Sibá Machado (PT-AC).Marina nasceu em 1958 no Seringal Bagaço, a cerca de 70 quilômetros de Rio Branco. Aos 15 anos foi levada para a capital, com uma hepatite confundida com malária. Teve a proteção do então bispo do Acre, d. Moacyr Grechi, que a acolheu na casa das irmãs Servas de Maria. Queria ser freira. Analfabeta, foi matriculada no Mobral - o ambicioso projeto de alfabetização do governo militar. Levada à vida política e social pela Igreja Católica, Marina acabou por ter contato com obras marxistas quando entrou na universidade. Ali, entrou para o Partido Revolucionário Comunista (PRC), tendência que se abrigava no PT, sob o comando do deputado José Genoino (SP). A tendência política não existe mais. Nem a ministra continua marxista. Hoje, além do meio ambiente, Marina dedica-se à Igreja Assembléia de Deus, à qual se converteu depois de ouvir de um pastor palavras que, a seu ver, lhe ajudaram a salvar a vida. “Minha religião é minha fé”, costuma dizer. Não se despede de ninguém sem lhe dizer: “Vá com Deus.”

Explicar....praquê?!


Panfletário, cala-te!

Fausto Wolff
Através das barras das janelas do hospital, o homem alto, mas levemente inclinado pelos ossos machucados das últimas quedas, verifica que do seu carnaval haviam sobrado apenas um confete dourado e o sorriso da menina lourinha de seus 10, 12 anos, fantasiada de índia americana. Cara pintada, ela lhe dava adeuzinhos, enquanto ele, pirata, lutava com alguns índios e cowboys. Como ele poderia saber que aquela seria uma das poucas tardes felizes da sua vida? Como poderia saber, ela, a lourinha, que era a mulher mais bonita do mundo?
Houve outras tardes felizes, é claro, mas essas ele as construíra. A da lourinha, com direito a olhos claros de cristal, fora um presente direto de Deus. Às vezes lhe perguntam o que é poesia, e ele responde, entre um cortejo de hesitações, que as poesias devem ser essas lembrancinhas que carregamos conosco sem saber e que determinam nossas vidas; que não sabem de nós e nem delas. Personagens de filmes mudos que se descobrem, de repente, entre o tédio e o espelho de uma noite anônima; que se descobrem para só então se darem conta do riacho limoso onde suas vidas pedem socorro. O homem no escuro sabe que tem a missão de ouvir apelos e atendê-los.
É o da enfermeira que faz tricô próximo à sua cama e que lhe conta - rascante rouquidão na voz - sobre sua neta encontrada por um bala pedida no Morro do Jacarezinho, que, assim como as da Formiga, do Rato Molhado e do Pavãozinho, sempre encontram suas vítimas. As pobres pastorinhas, que, sentadas sobre as nuvens de Quintana, vêem balas explodirem em dezenas de pedaços os corpinhos das meninas a quem só ensinaram a dança da boquinha da garrafa.
É o do enfermeiro, que, noivo há oito anos, espera aumento para poder casar com a copeira de outro hospital. Está ganhando um extra para ficar à porta do maluco que acha que é Jesus Cristo, mas é bem mais parrudo do que o Nazareno. Para ela, a noiva, não faria diferença, mas ele promera que só casaria no dia em que pudesse comprar o carro do ano, que pudesse alugar por uma noite o salão do Canto do Rio. Passava o dia inteiro fazendo contas, mas, mesmo que parentes ajudassem, não havia como dar festa. Eles, os parentes, não tinham para a mesa de todo o dia e ele, quando se meteu a sebo e deu entrada numa geladeira com frigobar e tudo, teve de devolver por não ter dinheiro para pagar a sétima prestação.
É o do arquiteto, vigia do portão e chofer da ambulância. Oito filhos distribuídos entre parentes, nome na Serasa, chegara a ser vice-presidente de uma firma de arquitetura e proprietário de cavalos de corrida. Quando a firma faliu, os sócios das famílias ricas desapareceram, começaram as brigas domésticas, os porres, os cacifes mais altos, as apostas mais loucas. Mas ele mostraria a todos. Entrara num concurso da Comlurb para ser aprovado para gari e em seguida fazer outro para gerente administrativo. Teria, porém, de parar com a coca... pelo menos enquanto estivesse naquela merda. Uma vez lá dentro, junto à sua classe social...
Essas vozes passeavam dentro dele, que prometera não abandoná-las há mais de 30 anos. Conhecia o prefeito, o governador e até mesmo o presidente. Os três haviam lhe dito anos atrás que eram seus admiradores, que se impressionavam com sua persistência, com sua certeza de que é possível viver num mundo sem classes, num mundo onde o homem ame mais ao próximo do que a si mesmo, num mundo onde fosse possível integrar-se à vida e à verdade, em vez de renegar a verdade, fugir da vida e finalmente entrar - convite e tudo - nos salões majestosos da realidade, não muito distantes dos morros do Jacarezinho, do Rato Molhado, da Formiga e do Pavãozinho.
Mas o homem, já com bem mais de 60 anos, começava a temer que não tinha condições de mudar nada; que os publicitários haviam surrado os intelectuais; que os artistas pouco reclamaram quando os oficializaram como bufões do sistema; que a arte só é arte se o sistema o determinar. Era possível, sim, senhores, viver sem arte e sem cultura, mas ainda levaríamos muito tempo para chegar à perfeição dos equinos.
E, entretanto, a verdade estava clara para quem quisesse ver; para quem se negasse a ser filho do medo; e um contrato jamais assinado tornando-o membro de uma raça, de uma etnia, de uma classe que proibia terminantemente o exercício da humanidade, na medida em que a própria palavra já quase perdera seu sentido.
Encaminhou-se em direção à corda. Havia festa nas residências oficiais do prefeito, do governador e do presidente. Em todas as favelas do mundo se ouviam novelas em que a fome não doía e o amor vencia.
O homem olhou para dois passarinhos pousados no ramos da jaqueira em frente ao seu quarto. Dois deuses, sem dúvida. Recolocou no armário do banheiro o vidro cheio de pílulas para dormir e foi dar uma olhada no programa do Jóquei.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Tirou daqui, 'o.......Obrigado, Ancelmo

Até tu, Brutus, meu filho!
A farra de algumas autoridades com cartão corporativo é a face moderna, a do dinheiro de plástico, de um velho problema: o uso abusivo do meu, do seu, do nosso dinheiro. Naturalmente este problema não começou com Lula, ainda que seu governo pudesse fiscalizar melhor os desvios.
Só que o que mais me choca nesta questão é o envolvimento de gente de duas instituições altamente confiáveis: a Marinha e a universidade. Enquanto o Exército sacou apenas R$ 4 mil no ano passado, na Marinha o valor chegou a uns R$ 150 mil, dos quais R$ 12,50 na loja Império das Pelúcias, na Saara, no Rio.
O caso da Universidade de Brasília é ainda mais grave. O reitor gastou R$ 470 mil para reformar e mobiliar a luxuosa cobertura em que mora. Só uma das lixeiras custou a bagatela de R$ 990.

Unidos Venceremos! No descalabro....


Gravatinha enrustido mit bottox


domingo, 10 de fevereiro de 2008

Carta do juiz federal Roberto Schuman

Veja a carta que o juiz federal Roberto Schuman (foto), aquele que foi preso e algemado sob a acusação de "desacato" por detetives da Core, na Lapa, durante o carnaval, distribuiu por e-mail aos amigos em todo o Brasil:
"Primeiramente aviso que estou em um computador com problemas no teclado, logo, nao ha pontuacao na mensagem.
Amigos:
Acho que nem e preciso dizer a situacao vexatoria pela qual passei, como ser humano e magistrado.
O mais importante e que mesmo algemado na mala do camburao, apos os policiais estarem com minha identificacao do TRF e dizendo que talvez pudessem nao me levar para a DP, aos risos e chacotas, consegui ligar para os setores de seguranca do TRF e do TJ/RJ, pedindo o rastreamento da viatura do CORE na qual eu estava para evitarem um mal maior.
Felizmente os danos fisicos se limitaram aos meus pulsos, quando, apos ter me identificado como juiz federal o policial cujo link segue abaixo, bem novo, diga-se, apertou as algemas ate os meus ossos, rindo. Tenho certeza que se tratavam de pesssoas sem qualquer equilibrio para o convivio em sociedade, mais ainda trajando fardas pretas da elite da Policia Civil/RJ com pistolas automaticas apontadas para mim. Certamente constituem-se excecao dentro do seio policial.
http://www.policiacivil.rj.gov.br/noticia.asp?id=2886
A historia foi escrita por mim visando a publicacao em jornais, ate mesmo para se propor um debate serio sobre o atual estado de coisas, pois no mesmo jornal que noticiou um juiz federal algemado no camburao pela suposta pratica de um delito de menor potencial ofensivo havia um bicheiro - reu em processo criminal - em cima de um caminhao oficial do corpo de bombeiros fluminense, logo, aparelho do Estado.
Ressalto que nao tenho palavras para agradecer os varios telefonemas de apoio recebidos e mensagens de colegas e amigos de todas as carreiras do meio juridico e de outras diversas, todos, resumidamente, com a seguinte preocapacao: se aconteceu isso com um juiz, o que vira em seguida. E o cidadao comum?
Bom, agradeco o apoio imediato da AJUFE, que no dia seguinte ja estava ao meu lado, e, novamente, de todos os amigos. Segue abaixo a minha manifestacao, que esta livre para a mais ampla divulgacao possivel, bem como este email, para que isso nunca mais volte a ocorrer, com quem quer que seja.
Havera uma sessao de desagravo provavelmente as 17:00 horas do proximo dia 13, quarta-feira, no auditorio do foro da justica federal da Av. Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro.
Por ultimo, confesso que sai do camburao algemado me sentindo como um trapo, um lixo, em relacao a minha cidadania e minha condicao funcional, contudo, apos esses dias saio um cidadao e um magistrado ainda mais forte, e isso eu devo a todos voces.
Atenciosamente,
Roberto Schuman
Segue a carta:
O Juiz, a Polícia e o Malandro.
Segunda-feira de carnaval, saio de casa perto das 22:00 horas para encontrar a namorada na porta do Circo Voador, na Lapa. Lá chegando, saio do táxi falando ao celular para encontrá-la. Mas não é só. Além de tênis, bermuda e camisa, usava um chapéu, desses vendidos em todos os cantos da cidade a R$ 5,00. Presente da namorada. Coisa de mulher.
Então, atravesso a rua e quase sou atropelado por um camburão com luzes e lanternas apagadas com a inscrição CORE no carro. No mesmo momento o motorista grita " Ô malandro" e eu, assustado, dou um pulo para a calçada, peço desculpas e viro as costas, continuando ao celular e andando, já na calçada.
Ai, percebo que a viatura andava ao meu lado, com três policiais de preto, ao que escuto, em alto e bom som: "Saia da rua, seu malandro e bêbado". Nesse momento, pensei: Isto não é jeito de tratar as pessoas na rua e respondi: "Não sou bêbado nem malandro; se vocês não estiverem em operação, está errado andarem com essa viatura preta e apagada, pois quase me atropelaram e vão acabar atropelando alguém!"
Oportunidade em que os homens de preto descem da viatura dizendo: "Ô malandro, tu é abusado, tá preso". Ato contínuo, diante da voz de prisão, estendo os dois braços para ser algemado. Pergunto ao mais novo dos três, que estava completamente alterado: "Qual o motivo da prisão?" Resposta: "Desacato". Pergunto novamente: "O que os senhores entendem como desacato?" Resposta: "Até a DP a gente inventa, se a gente te levar pra lá". Neste exato momento, percebendo a gravidade da situação, disse: Estou me identificando como juiz federal e minha identificação funcional está dentro da minha carteira, no bolso da bermuda. Imediatamente o policial novinho, que se identificou como André e na DP disse se chamar Cristiano meteu a mão no meu bolso, pegou a minha carteira e a colocou em um dos bolsos de sua farda preta. Então o impensável aconteceu! Disseram: "Juiz Federal é o c..., tu é malandro e vai para a caçapa do camburão.
Fui atirado na mala do camburão como bandido, algemado, porém, com o celular no bolso e os três policiais do CORE da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro, dizendo que no máximo eu deveria ser "juiz arbitral ou de futebol". Temendo pela vida, por incrível que pareça me veio aquela frase de Dante, da sua obra "Divina Comédia": "Abandonai toda a esperança, vóis que entrais aqui". Então, sem perder as esperanças, peguei o celular do bolso mesmo algemado e liguei para a assessoria de segurança da Justiça Federal informando a situação, bem baixinho, e que não sabia se seria levado para DP, pedindo para acionar a PM e localizar a viatura do CORE que estava circulando pela Lapa comigo jogado algemado na mala.
Após a ligação, disse-lhes uma única coisa, ainda na viatura. "Vocês estão cometendo crime, ao que escutei dos três, aos risos: "juiz federal andando com esse chapéu igual a malandro. Até parece. Se você for mesmo juiz, a gente vai chamar a imprensa, pois juiz não pode andar como malandro."
Na delegacia, as gracinhas dos policiais continuaram: "Olha o chapéu do malandro". Então eu disse, já me sentindo em segurança: "Vocês querem que eu tire o chapéu e vista terno e gravata?" O fato é que já na presença do delegado as algemas foram retiradas e, vinte minutos depois, um dos policiais de preto vem ao meu encontro e me pede: "Excelência, desculpas, nos agimos mal, podemos deixar por isso mesmo?" Respondi: "Primeiro. Não me chame de Excelência, pois até há pouco vocês me chamavam de malandro. Segundo. Não, não pode ficar por isso mesmo. Como é que vocês tratam assim as pessoas na rua, como se fossem bandidos. Terceiro. Vocês três não honram a farda que estão vestindo. Quarto. Desde a abordagem policial agi apenas como cidadão, no que fui desrespeitado e, depois de ter me identificado como juiz federal, fui mais ainda, logo, um crime de abuso de autoridade seguido de outro de desacato.
Depois do circo montado pelo próprio agente do CORE Cristiano, que ligara do interior da DP para os repórteres, de forma incessante, talvez temendo que ele e seus dois colegas de farda preta fossem presos por mim no interior da DP, decidi não fazê-lo porque em nada prejudica a instauração de procedimento administrativo na Corregedoria da Policia Civil, bem como a ação penal por abuso de autoridade e desacato, sendo desnecessário mencionar o dano à minha pessoa, como cidadão e magistrado.
Pensei, por fim: "Se como juiz federal fui ameaçado por três homens de fardas pretas com pistolas automáticas, algemado e jogado como um bandido na mala de um camburão, simplesmente por tê-los repreendido, de forma educada, como convém a qualquer pessoa de bem, o que aconteceria a um cidadão desprovido de autoridade e de conhecimento dos seus direitos?" Duas coisas são certas, de minha parte: Não permitirei nada "passar" em branco, pois são fatos sérios e graves que partiram daqueles que têm o dever de zelar pela segurança da sociedade e, no próximo carnaval, não usarei o presente da namorada, o tal "chapéu". É perigoso. Pode ser coisa de malandro.
Roberto Schuman - Cidadão e Juiz Federal no Estado do Rio de Janeiro"

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Cobrador nas "bôca"??? Paga no cartão!


Homus (coke) malandrus.....


Êta Brasil!!!!!!Cadê a Sarna!
Nordestino era Capistrano mas saiu de Moda, antes de entrar!
Inzoneiro do Ary virou professor, vaidoso e consumidor, e de macunaima se travestiu....
Como o exemplo sempre vem de cima...o resto é resto.
Nem contando nêgo acredita!
Got mit uns!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008


As estercúlias do canteiro dos escândalos

Villas Boas Corrêa in JB
O displicente costume de deixar o barco correr, sem a indispensável vigilância que acompanhe cada centavo do dinheiro público no longo percurso da burocracia, com os seus alçapões por onde somem milhões e bilhões nas trampas dos espertalhões de sempre, que nunca são descobertas ou apenas aborrecem os lalaus togados ou os premiados pela praga do corporativismo das absolvições em cascatas dos denunciados pelas CPIs, acaba de enfeitar com as flores fétidas das estercúlias o canteiro de obras do Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC das recentes atenções do presidente Lula.
Claro que estamos metendo o bedelho no caso mau cheiroso dos cartões corporativos que derrubou da Secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - nome pomposo para a sua pouco conhecida atividade no gigantesco arranha-céu de 37 ministérios e secretarias - a ministra Matilde Ribeiro.
Dando voltas no trapézio em acrobáticas exibições, os secretários com título de ministro, Orlando Silva, do Esporte, e Altemir Gregolin, titular da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, embrulham em explicações os saques de menor valor, como os R$ 8,30 gastos em uma tapiocaria ou os R$ 512,60 de uma lauta comilança, com convidados, em uma churrascaria.
O governo reagiu com o ar de espanto de sempre e a ênfase da indignação tardia e a promessa de correções exemplares. Já era tempo da criação do 38º ministério ou secretaria de reparos nas portas e cercas arrombadas.
E se o presidente Lula está pagando mais uma alta conta do rombo da credibilidade pelas falhas elementares do seu governo desatento no acompanhamento da rotina administrativa? Caindo em si no trambolhão do pasmo na última das três reuniões ministeriais em mais de um ano do segundo mandato, Lula passou um pito nos ministros, que não conversam, não se encontram e vivem enfurnados em seus gabinetes. Nem mesmo rompem o mutismo e soltam a língua nas reuniões ministeriais para serventia externa, quando a meia dúzia de sempre recita a oração do maior governo etc.
A ministra todo-poderosa Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil da Presidência, avança até onde pode. Conhece seus limites. E só do presidente pode e deve partir a ordem para a montagem de um severo controle dos gastos, do cartão corporativo, que só se justifica para facilitar o pagamento de despesas urgentes ou atender a necessidades inesperadas. Como é um privilégio de poucos - e não tão poucos, como veio à luz no foco do último escândalo.
É absolutamente inaceitável e não há justificativa para a omissão oficial que a ex-ministra Matilde Ribeiro tenha dissipado, ao longo do ano passado, até novembro, R$ 116,3 mil com o aluguel de carros de luxo com motorista, inclusive em domingos e feriados, além do pagamento de bugigangas em free shop.
O mais constrangedor é que o exemplo escorre do alto: o assessor da Presidência da República José Henrique de Souza gastou, em 2007, R$ 114,9 mil com alimentos e bebidas. Noves fora os R$ 3,7 milhões protegidos pelo sigilo. Mas, por que o segredo?
Compreende-se, até merece respeito, o constrangimento do governo ao não invocar em sua defesa o argumento que silencia bocas togadas ou com a imunidade das regalias parlamentares que a gastança é geral, um vício do poder, tolerado e consentido até o extremo limite do escândalo.
Como o Congresso das mordomias, das passagens aéreas e da verba indenizatória de R$ 15 mil mensais para ressarcir as despesas de fim semana com a família que detesta Brasília pode questionar as peraltices de ministros e secretários, com o cartão corporativo a fazer cócegas no bolso?

domingo, 3 de fevereiro de 2008