domingo, 30 de setembro de 2007

Deu na VEJA-Que Brasil é este??

"Entre documentos perdidos em uma enchente e contratos de gaveta, entre a punição injusta e a impunidade aberta, entre um catador de papelão e um senador da República, temos a crônica de dois Brasis

Em março de 2005, o catador de papelão José Machado Sobral foi preso por engano em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Confundido com um suspeito de tentativa de homicídio, ele foi levado para uma delegacia. Sem documentos, que perdera numa enchente, e sem dinheiro para pagar advogado, acabou sendo conduzido a um presídio. Ficaria dois anos e meio preso por um crime que não cometeu.

(Na mesma data, o senador Renan Calheiros rompeu sua sociedade secreta com o usineiro João Lyra em uma rádio e um jornal – é aquela sociedade selada com contrato de gaveta, uso de laranjas e pilhas de dinheiro vivo.)

Em junho de 2006, o catador de papelão já completava um ano e três meses de cadeia e, como ninguém conseguia confirmar sua identidade nos arquivos de seu estado natal, Pernambuco, um juiz mandou libertá-lo. Mas a burocracia não emitiu o alvará de soltura, e o catador de papelão ficou na prisão. A essa altura, dividia a cela com vinte presos.

(Na mesma data, tal como previam seus planos, Renan Calheiros ficou encantado com a agilidade da burocracia do Ministério das Comunicações: ganhou a concessão de nova rádio FM para operar em Alagoas. Meses depois, a concessão seria aprovada em sessão do Congresso, presidido pelo próprio Renan Calheiros.)

No dia 6 de setembro passado, finalmente exibiram uma foto do catador de papelão à vítima em Pernambuco. A vítima disse que a foto não era do assassino. O catador de papelão era negro. O assassino, branco. O catador de papelão tem 54 anos. O assassino, uns 40. Estava desfeita a confusão, mas José Sobral seguiria preso. Nem o juiz de Guarulhos nem o de Pernambuco tinham autoridade para soltá-lo.

(No mesmo dia, os jornais noticiaram que o Conselho de Ética do Senado decidira, por 11 votos contra 4, pedir a cassação do mandato de Renan Calheiros. O pedido de cassação não se devia ao laranjal da sociedade clandestina em rádios e jornais, mas ao uso de um lobista para pagar suas despesas pessoais. O senador disse aos repórteres: "Vamos ganhar. É ter calma". Ganhou mesmo.)

No dia 21 de setembro, Renan Calheiros perdeu seu advogado, Eduardo Ferrão. Dono de um dos escritórios mais caros de Brasília, Ferrão alegou que estava farto do assédio de repórteres e fotógrafos. Achava que o tumulto estava prejudicando outros clientes. Renan compreendeu. Afinal, com a absolvição no caso do lobista, o advogado cumprira a missão.

(No mesmo dia, depois de dois anos e meio preso por engano, o catador de papelão foi libertado, graças ao empenho de um defensor público, Bruno Lopes de Oliveira. Em entrevista ao repórter Rogério Pagnan, do jornal Folha de S.Paulo, José Sobral disse: "Eu não tinha ódio nem revolta. O ódio que está dentro de mim é terrível. Imagina ficar numa cadeia tanto tempo sendo inocente. Como você ficaria?".)

Entre documentos perdidos numa enchente e contratos de gaveta, entre um advogado abastado que parte e um defensor público que chega, entre a punição injusta e a impunidade aberta, entre um catador de papelão e um senador da República, temos a crônica de dois Brasis. Isso é triste".
Por André Petry, jornalista

Estadista: artigo em falta no planeta

Em seu cada dia mais indispensável Decálogo do Estadista, o deputado Ulysses Guimarães assinala: estruturados à base do “não”, os Dez Mandamentos são tão temidos quão desrespeitados. Talvez temeroso de ser tido como iconoclasta, o timoneiro do antigo MDB e da abertura política do País, dizia que São Lucas é o evangelista mais querido, porque é amoroso, não é apocalíptico, é o poeta da esperança, do “olhai os lírios dos campos”. Nem precisava dourar tanto a pílula, mas é por aí mesmo.

Olhando bem os fatos políticos desta semana, de Brasília a Nova Iorque, é fácil verificar: o mundo virou um deserto de Lucas. “A política é a esperança”, frase famosa pronunciada pelo estadista Juscelino Kubitschek na véspera do desastre que o matou na Via Dutra, parece perdeu o sentido. Na contramão, avança uma onda de tartufos ou de incendiários apocalípticos de múltiplas espécies. “Não sabem governar suas cozinhas, e podem governar o mundo inteiro”, como diz Gregório de Mattos em um de seus mais demolidores poemas.

Dediquei boa parte do tempo esta semana a acompanhar de Salvador, cidade do Boca de Brasa, a movimentação dos mandatários na plenária anual da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, aberta terça-feira como de praxe pelo presidente do Brasil. Lula, desta vez, foi recebido sem o interesse e o charme dos portadores de novidades ou de atraente cenografia, que se transforma paulatinamente no passaporte preferencial das anteriormente severas e densas assembléias da ONU, repletas de estadistas em passado relativamente recente. Estadista foi o que menos se viu na plenária deste ano.

Nas imagens da CNN – a emissora de Atlanta dedica atenção e espaços especiais ao evento – , relatos jornalísticos e analises da mídia impressa ou dos sites da internet, o que se verifica é que esse é um artigo cada vez mais escasso no mercado da política internacional. Entre os presidentes que aportaram na tribuna da ONU, o que se viu foram governantes decididos a empenhar o canavial da sogra em troca de 15 ou 20 minutos de visibilidade política e pessoal planetária. Os presidentes, incluindo Lula, viajam cheios de problemas e demandas internas, e tentam aproveitar a estada “na capital do mundo”, para confrontá-los, à distância, às custas de pirotecnias cenográficas e retóricas – não raramente ridículas e inconseqüentes.

E tome conversas bilaterais, almoços e jantares, conferências com agentes econômicos, babas de futebol, entrevistas exclusivas a jornais de peso mundial, palestras nas universidades americanas de proa. Estas, em geral, aproveitam as presenças dos mandatários para pedir fundos destinados a estudar seus países, fundos que em geral se utilizam “para voltar a armar conferência do presidente do país que tenha vindo da primeira vez”, como assinalou o escritor argentino Ernesto Seman, em comentário no diário “Página 12”. Em síntese: governantes à frente de suas respectivas trupes como saltimbancos da sociedade globalizada.

Bush, Sarkozy, Lula, Michelle Bachelet, Angela Merckel, Ortega, Moralez. Ahmadinejad... ( homens e mulheres, na direita, centro ou esquerda). Quase todos, na casa das Nações Unidas, presidida pelo apático coreano Ban Ki-moon, atestaram nesses dias de fanfarras em Nova Iorque a enorme distância que separa um simples presidente do estadista de verdade. Só muito raramente luziram alguns lampejos no deserto. Lampejos, repita-se.

Um deles, o presidente da Argentina, Nestor Kirchner. Em sua fala de despedida da ONU como presidente, atentamente acompanhada pela senadora justicialista Cristina Kirchner - as pesquisas mostram que ela caminha para suceder o marido na Casa Rosada na eleição do mês que vem, vencendo já no primeiro turno – Kirchner tocou em questõers cruciais do mundo: direitos humanos, militarismo, desigualdades, questão nuclear, meio ambiente, intolerância e desrespeito a normas elementares de convivência internacional. Foi firme, duro às vezes, mas sem sem espalhafato estéril.

A coragem, segundo Ulysses, Guimarães, é o primeiro mandamento do estadista, e o presidente da Argentina não fugiu à responsabilidade. Repreendeu severamente o Irã, na presença de Ahmadinejad, que mete medo até no anfitrião Bush, por “não tem oferecido a suficiente colaboração para o esclarecimento ao atentado à sede da AMIA” – caixa previdenciária dos judeus em Buenos Aires –, que destruiu um quarteirão inteiro no Once, movimentado bairro comercial da capital portenha. Kirchner fez uma convocação especial à comunidade internacional para que ajude a Argentina em sua reclamação perante o Irã, para levar os responsáveis a julgamento. Especificamente, pediu que a Interpol “interceda” na captura de cinco iranianos e um libanês, imputados nos atentados à Embaixada de Israel, em 1992, e no ataque à AMIA, em 1994.
Nos dois atentados, 102 mortos, centenas de feridos e mutilados, além de uma chaga dolorosa, que segue aberta na alma de Buenos Aires e dos argentinos.

Vitor Hugo é jornalista

Lei de palanque

Candidato a prefeito de Catolé do Rocha (PB) nos anos 60, Benedito Alves Fernandes, o Biu Fernandes, encerrou a campanha usando a famosa expressão do Direito: "Dura Lex Sed Lex" ("A Lei é dura, mas é a Lei"). Como o povão não entendeu, Biu resolveu traduzir a frase: "Lutarei até morrer!". Hoje ele é deputado estadual pelo Democratas. Biu pode não saber o significado da expressão em Latim, mas já deve ter aprendido que, para certos políticos, como diria Fernando Sabino, a expressão mais adequada é "dura lex sed latex" (a lei é dura, mas estica).

sábado, 29 de setembro de 2007

Teimosia de Renan e Zuanazzi // E. Catanhêde

Renan Calheiros bate pé e fica na presidência do Senado. Milton Zuanazzi bate pé e fica na presidência da Anac. Já imaginou se na iniciativa privada fosse tudo assim tão fácil?

Nem seria preciso dizer que há enormes diferenças entre os casos Renan e Zuanazzi. O senador responde a quatro processos por desvios, falta de decoro, vacas magras e contas gordas. Já o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil responde pelos erros -- que são mais de Lula e do governo do que dele -- de uma agência que foi mal montada, mal escolhida.

O que une Renan a Zuanazzi é a teimosia em ficar, apesar de tudo e de todos e do constrangimento que impõem a suas instituições e ao governo que os apóia. No caso de Zuanazzi, pior ainda: o constrangimento é ao governo que o colocou onde está, mas não consegue tirá-lo. E vão ficando...

Renan, político experiente e esperto, recorreu a todas as armas disponíveis. Convenceu colegas de coração mole, ameaçou os de rabo preso, alegou "falta de provas materiais" e, por último, agarrou-se à melhor das bóias: a CPMF.

Explica-se: para o governo Lula, a única votação realmente importante no Congresso é a CPMF, que vai render em torno de R$ 36 bilhões aos cofres públicos no ano que vem, caso mantida como está. E, para o mesmo governo, o grande problema é que sua situação no Senado não é nenhuma Brastemp. Ao contrário, sua maioria é periclitante. O PT é fraquinho, a base aliada não é confiável, a oposição é bem mais barulhenta do que a da Câmara. Aí entra Renan, para desequilibrar o jogo pró-governo, ou seja, pró-prorrogação da CPMF.

Renan já suportou as denúncias mais cabeludas, as manchetes mais doídas nos jornais, uma crise familiar de bom tamanho, discursos irados dos seus opositores, mas conseguiu as duas coisas mais importantes: 1) apoio de Lula, que fala a seu favor, e do Planalto, que age para salvá-lo; 2)a vitória na votação decisiva, que foi a primeira. Agora, como ele me disse ontem, "tudo é uma questão de paciência". Leia-se: é deixar o tempo passar, as demais denúncias se esvaziarem e ir ficando. Se sair, será por um único motivo: porque quis. Vai querer?

Zuanazzi não é político, não é experiente e pensava-se que não era esperto. Mas uma coisa ele é: teimoso. Haja teimosia! A Anac foi mal montada, mal escolhida, mal gerenciada e ainda por cima lhe caíram um Boeing e um Airbus bem na cabeça. Denise Abreu fez o resto: um charuto em festa fora de hora (em meio ao maior caos aéreo da história), a denúncia de tráfico de influência e, por fim, a descoberta de que usou um documento fajuto para liberar a pista de Congonhas na Justiça.

Denise caiu, o coronel Velloso renunciou, Leur Lomanto foi atrás, ontem lá se foi também Josef Barat. A diretoria desmoronou como um castelo de cartas, mas o presidente continua lá, digamos que nem firme nem forte, mas continua. "Daqui não saio, daqui ninguém me tira."

Na segunda-feira passada, Zuanazzi foi ao seu padrinho político, o ministro Walfrido dos Mares Guia (Coordenação Política), avisar que vai sair, sim, mas só quando quiser, e não vai querer enquanto o ministro da Defesa, Nelson Jobim, fizer declarações contra ele na imprensa.

Ontem, Mares Guia foi a Jobim e disse que Zuanazzi só vai sair depois que três novos diretores forem aprovados pelo Senado. Alega que este é o quorum mínimo para a Anac funcionar de fato e deliberar. Como se ele não estivesse lá sozinho, ao Deus dará.

Em resumo: se for assim, Renan fica e Zuanazzi não sai tão cedo.

O que Lula acha disso? Ele não sabe, não vê. Está em Nova York, brilhando na ONU.

Einstein já era! in JB by Fausto Wolff

- A vida de alguém que não admite obstáculos entre a sua pessoa e seu êxito pode sofrer alguns reveses em certos países - disse Argos, deitado na sua poltrona, onde caçava algumas pulgas com profissional afinco.

- ?

- As pulgas estão correndo da minha fúria e irão encher o saco de outro cachorro da vizinhança. Felizmente, eu sei disso e as que sobraram são velhas inquilinas com as quais formei uma sociedade. Elas me informam da chegada de novas pulgas. Eu expulso as recém-chegadas e não cobro aluguel das antigas. Minha meta é dormir, comer, morar, fazer minhas necessidades nas horas certas e ter ocasionais encontros amorosos com Cadelona, como a chama o seu dono, deputado Peralvo, no seu horário. Para mim, ela sempre será Pampa.

- Pampa em homenagem ao meu Rio Grande do Sul?

- Não. Homenagem à Madame Pampadour, grande amante dos caninos em geral e de Luís XVI em particular.

Fomos dar uma volta pela quadra - ele tem seu lugar especial - e, depois do pipi, do cocô e das mútuas cheiradas, ele e Madame Pampadour botam o papo em dia.

- Argos, te apressa que eu tenho de escrever meu artigo.

Ele despediu-se da cadela e me disse:

- Vocês, humanos urbanóides, sabem que poderíamos ter conquistado o planeta há milhares de anos?

Eu não sabia e ele continuou:

- Chegamos à conclusão de que daria muito trabalho tomar conta de uma raça tão estúpida e inconseqüente como a de vocês. Decidimos deixar que vocês pensem que dão as ordens. Vocês só vivem o presente, enquanto nós vivemos o passado, o presente, o balfredo e o futuro.

- Estou com pressa - insisti ao vê-lo aproximar-se de uma basset muito da perua.

- O problema de vocês é que, além de não serem confiáveis, não vivem as quatro estações. Só vivem o presente.

- Como?

- O Manteiga quer limitar as tarifas bancárias. Entendeu? Ele quer o que é uma mentira, pois trata-se de um compulsivo. Ele não cortou, nem está cortando, mas vai cortar no futuro, que é sempre uma abstração. São os bancos que pagam as eleições. Por que limitariam as próprias tarifas? Olha esta outra aqui - disse ele, apontando para a cara do Nelson Joban no jornal. - Diz ele que vai reduzir em cerca de 50% as taxas cobradas para estimular os vôos internacionais.

- O que há de errado com isso?

- Ora, Dom Fausto. O Joban disse que vai sempre em direção a um futuro que pode não vir a acontecer. Graças a esta medida que não tomará, acha que os maridos dirão felizes para a esposas: "Meu bem, o Joban vai diminuir em R$ 5 a taxa de inscrição no Galeão. Daqui a 45 anos poderemos realizar nosso sonho de conhecer o Kazaquistão".

- Isso significa que os políticos não acertam nunca? Jamais fazem nada que possa melhorar a vida do povo?

- Em três ocasiões. Primeiro, quando mandamos nossos soldados distribuir chicletes e camisas-de-vênus no Haiti - Depois de uma pausa filosófica, prosseguiu. - É, rapaz, o Brasil é os EUA do Haiti. Segundo, quando, depois das águas de março, deixam as crianças brincarem nas piscinas de lama juntamente com ratos mortos e cocôs diversos. Finalmente, pode conferir que está no jornal de hoje, uma boa notícia. Comandados pelo PMDB e pelo presidente do Senado Renão Digo Nada enquanto não me entregarem (Quosque tandem Carirena abutere patientia nostra?), a Casa Alta derrubou a medida provisória da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo. Tratava-se da bocarra do Planalto, pois só trabalhava em função de algo que não viria nunca, o futuro, uma vez que estamos eternamente no presente.

- Então você concorda comigo que os políticos fizeram alguma coisa boa para o futuro?

- Só fizeram por engano - disse Argos, aporrinhando uma borboleta que se deixou ficar sob o céu, estendida. É que o Mangabeira, sorteado por Luiz Silva para dirigir a Secretaria do Futuro, não fala português e o inglês do Renão Cairei Noutra Fria só é compreendido na Baixa Tasmânia. Sem querer, os políticos fizeram um bem aos brasileiros. Amanhã, quando descobrirem que perderam quase mil bocas por engano, voltarão atrás e readmitirão o Unger. Sua pasta é a da Secretaria de Planejamentos a Longos Prazos ou seja, a Secretaria do Futuro, e o futuro, como vocês dizem, a Deus pertence.

Por que é que eu não poderia ter um cachorro normal como todos? Desses que só sabem latir e resolver problemas de física quântica?

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Deeds speak louder than words!

Fora da festa; por José Negreiros

O livro de Greenspan, ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, ensina que a melhor coisa que aconteceu no mundo nas últimas duas décadas depois da queda do muro de Berlim foi o fim da inflação. Ela acabou porque: a China pôs no mercado sua população de mais de um bilhão de consumidores.

Logo em seguida, o comunismo acabou, transformando em capitalista a economia dos países que teimavam na planificação econômica. Surgiram mais oportunidades, a economia globalizou-se, resgataram-se da miséria inúmeras pessoas.

A terceira razão foi o extraordinário avanço tecnológico, provocando espetaculares aumentos de produtividade. A flexibilização das leis trabalhistas criou um novo mercado de trabalho.

Nesse novo mundo, que a princípio era difícil medir e conceituar, passou a circular muito mais dinheiro. A oferta de capitais aumentou numa proporção muito maior do que a procura por investimentos, criando grandes oportunidades para os países em desenvolvimento, como o Brasil.

Nos Estados Unidos, alguns economistas passaram a falar numa nova economia, onde os negócios são feitos via email, internet, fibra ótica, satélite.

Com isso, além do desaparecimento da inflação, a outra novidade é que o crescimento econômico passou a ser um fenômeno corriqueiro. Os Estados Unidos, por exemplo, viveram uma década – a de 80, Era Clinton – de opulência como não desfrutavam desde a Segundo Guerra Mundial.

Lembro isso porque os jornais celebram os resultados de outra expressão do moderno capitalismo: a volta por cima da Bolsa de Valores brasileira, que ao chegar ontem aos 58.719 pontos, recuperou o prejuízo da crise do mercado imobiliário entre julho e agosto.

Segundo Miriam Leitão, são negociados R$ 4,5 bilhões por dia, com financiamento à empresas privadas que já tingem este ano R$ 70 bilhões.

Tudo muito bom, mas se você me perguntar quanto o Brasil aproveitou daquela revolução, a resposta é: pouquíssimo. Na era tucana ou petista. Devemos ter sido o último país a acabar com a inflação e até hoje não nos beneficiamos dos capitais que sobram no mundo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Nem canhões, nem serpentinas! F. Wolff

Outro dia, me perguntaram qual o pior governo de 1964 para cá. Respondi que os militares não deveriam entrar na conta, pois oficializaram o assassinato e a tortura. Além disso, como foram os responsáveis pela atual classe política que tem na equipe juvenil o filho de César, o Mala e o neto de Antonio, o Malavadeza, deveriam participar como hours-concours, ou seja igualmente criminosos.

Quanto aos ditadores civis que passaram pelo crivo de milhões de vendedores de votos, (menos o Sarney, é claro que venceu graças à simpatia própria e a dos médicos do Hospital de Base) é difícil dizer qual o mais repnocivo (repulsivo-nocivo). Sarney saiu com ameaça da ganga do impeachment, Collor foi expulso, FHC entregou o país com o auxílio do genro e do filho, e Luiz Silva, por quem ninguém dava nada no ramo das grandes jogadas, saiu-se logo no primeiro tempo com o Mensalão e trutas levemente menores, e, no segundo tempo, com a prorrogação da CPMF, considerado o maior imposto já imposto a toda uma nação desde que Nabucodonozor criou a lei das duas cabras.

Durante a gravidez, o útero se expande 500 vezes além do seu tamanho normal. E não é só isso: durante a menstruação, a sensibilidade do dedo central da mão direita da mulher diminui sensivelmente, o que talvez explique o ciclo das marés e a renúncia de Jânio.

O passional senador sergipano e pemedeista, Almeida Lima, escudeiro do cavaleiro Renão Daqui não Saio, daqui ninguém me tira, raciocina com a lógica infalível de um apedeuta. Segundo ele, é a imprensa que coloca o povo contra o governo, embora o povo não tome conhecimento da imprensa. Torce para que o povo não te ouça, Almeidão, porque uma bocarra como a que tens agora, não pegas mais.

Ainda não consegui descobrir o que faz o ministro da Cultura. A última notícia que tive dele é que cantava para uns bodes no Marrocos. Pode ter sido uma experiência existencial muito excitante para animais e humanos, mas não consigo ver as benesses para o intelecto do Verdelindo. Mas Gil, o Gilberto ainda pode correr atrás do tempo perdido por Proust. Segundo o Guinness, a nação com o maior índice de homicídios do mundo é a Nicarágua: 30 para cada 100.000 pessoas. É preciso informar aos editores autores da barriga que 30 mortos num bairro pacífico do Rio é um número considerado insignificante para um fim de semana.

Estava pensando em passar meus últimos dias no Butão por duas razões: nunca realizaram um recenseamento e não tinham telefones. Infelizmente, os americanos instalaram uma incipiente agência telefônica. A barbárie venceu mais uma vez e acabou com o último lugar civilizado do mundo.

Nosso bom Cacciola não vê a hora de voltar ao Brasil para fazer o que estão fazendo todos os seus cúmplices: tomando banho de mar na Barra e jantando nos melhores restaurantes com as melhores mulheres da freguesia. Enquanto isso, para não ficar fazendo nada, abrirá uma consultoria econômica a fim de atender apenas ao Banco Central e ao ministro Meirelles. Se o ministro Tarso Genro, da Justiça que tarda e não se sabe quando chegará pois ainda não chegou, for mesmo a Mônaco para decidir sobre o roteiro turístico de Cacciola no Brasil, sugiro que, à noite, dê um pulo no cassino e jogue 2,4,6,8,12. São todos pequenos, pretos, pares e primeira dúzia. Se levar, leva tudo de uma vez mas não esqueça do Cacciola.

No século 16, os farmacêuticos ingleses vendiam um remédio feito do pó de múmias egípcias. O bálsamo da múmia era um santo remédio para gota, catarro, bichos-de-pé e piolhos portugueses. Um dia, em 1563, um sujeito chamado Guy de La Fontaine descobriu no mercado que os negociantes alexandrinos limitavam-se a secar a decoração interna de vagabundos que haviam morrido das mais diversas doenças para depois exportá-la para a Inglaterra. Fica, portanto, o aviso, leitor amigo: nas próximas eleições, verifique bem se seu candidato está simplesmente morto ou se é uma múmia de verdade.

Meu falecido amigo Zeca Mineiro cobria para um jornal, cujo nome já esqueci, o Superior Tribunal Federal. Andou espalhando que ao entrar no banheiro vira o ministro Nelson Joban fazendo poses para o espelho com sua toga esvoaçante Ninguém acreditou, mas muitos ficaram com o pé atrás ao ver o ministro usando uniforme de campanha (para guerra de guerrilhas) diante de um computador aparentemente inofensivo. Sugiro que o mandem para o Saara vestindo aquele lençol branco que o Peter O'Toole só usava quando encarnado pela alma do T.E. Lawrence.

Não, minha senhora, hoje não tem pó de múmia. Tem pó de rinoceronte, que vale por cinco viagras, mas o marido morre no final.

Cantei a bola no primeiro dia de Luiz Silva no Planalto após a segunda eleição. O PAC é conto do pacote. Nem um ano se passou e a imprensa informa que as maiores obras do conto do Pacote estão atrasadas. Governo que quer se reeleger pela terceira vez não gasta dinheiro em obras, educação, transporte ou saúde. Gasta em outdoors, o que significa que o dinheiro da licitação já chegou. Simpatia não é quase amor? Pois então, prometer é quase fazer. E tome polca.
Fausto Wolff escreve (e bem!) no Jornal do Brasil(link no titulo)além de autor de varios e bons livros.

Quem estabilizou a economia

"Para 67% dos brasileiros, Lula é o maior responsável pela estabilização da economia, segundo pesquisa Estado/Ipsos. Quem tem o mínimo de informação sabe que essa percepção é equivocada, mas é justo reconhecer que o Presidente teve seu papel, pois evitou que a estabilidade fosse para o brejo. Não lhe faltaram ademais competência política para vender a idéia nem desfaçatez para se apropriar do esforço de outros. (Sua maior e unica habilidade, acrescento.APS)

A estabilização foi uma longa e difícil caminhada até o Plano Real, cuja engenhosa concepção contribuiu decisivamente para o êxito da empreitada. O plano se beneficiou ainda de condições melhores de que as de seus antecessores: economia mais aberta, canais de importação funcionando e acesso a recursos externos."

O trecho acima faz parte do artigo semanal do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. Está postado na seção chamada Artigos(link no titulo).

Novo slogan

CPMF: você ainda vai morrer com ela.

domingo, 23 de setembro de 2007

VAMOS PITANGAR: A MULHER BRASILEIRA É O NOSSO MAIOR PATRIMÔNIO

Vamos nessa! Que é bom à bessa!O link é o titulo!

Os homens do presidente por Karla Correia

Assim que assumiu seu segundo mandato na presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva promoveu um verdadeiro espetáculo do crescimento em seu gabinete. Lula possui, hoje, nada menos que 109 assessores diretos ao custo de R$ 7,3 milhões por ano - se contabilizada apenas a despesa com salários desse quadro. E ainda existem outros 40 postos vagos na estrutura do gabinete presidencial. Um inchaço de 77% em relação a seu antecessor, Fernando Henrique, que já exagerava ao contar com uma equipe de 84 assessores.

Em comparação a esses números, o staff do presidente norte-americano, George Bush soa espartano. O mandatário dos EUA conta com apenas 32 assistentes, em seu gabinete na Casa Branca.

Os 109 homens e mulheres do presidente, organizados em 10 sessões diferentes do gabinete pessoal da Presidência da República, se dividem em tarefas que vão desde preparar o expediente de Lula até encaminhar e responder a correspondência, passando pela elaboração da agenda presidencial "em consonância com as metas e prioridades do governo", como determina o decreto nº 6.188, publicado em 17 de agosto no Diário Oficial da União (DOU). À exceção do chefe do gabinete pessoal do presidente Lula, posição ocupada por Gilberto Carvalho, todos os cargos são de livre provimento - preenchidos sem necessidade de concurso ou qualquer tipo de processo de seleção.

O ritual em torno do presidente é de uma sofisticação digna da corte francesa nos tempos de Maria Antonieta. Quando Lula ganha um presente no Palácio do Planalto ou em viagem ao exterior, por exemplo, um funcionário da Ajudância-de-Ordens é encarregado de receber o objeto. Outro, da Diretoria de Documentação Histórica, se dedica a guardá-lo.

O cuidado com a agenda presidencial é uma atividade tão complexa que mereceu, no segundo mandato, um departamento à parte. O Gabinete-Adjunto de Agenda, chefiado por Cezar Alvarez, conta com 12 assessores dedicados única e exclusivamente a planejar a agenda de Lula, garantir sua execução, comunicar os eventos que contarão com a presença do presidente ao Gabinete de Segurança Institucional, coordenar o chamado grupo de agenda futura, responsável pelo planejamento estratégico da agenda presidencial no médio e longo prazo "de forma pró-ativa e integrada, buscando, dentro e fora do governo, propostas que permitam a sua confecção", como reza o mesmo decreto.

Tal como o Gabinete-Adjunto de Agenda, o Gabinete-Adjunto de Informações em Apoio à Decisão é fruto do desdobramento do gabinete pessoal de Lula que acrescentou 30 funcionários à equipe de assessoramento presidencial. O novo órgão é encarregado de, entre outros afazeres, acompanhar o andamento dos compromissos públicos de Lula e de suas decisões - algo como fiscalizar a execução do trabalho dos ministros - monitorar o andamento de suas decisões e preparar informações para sua complicada agenda. Um Gabinete-Adjunto de Gestão e Atendimento cuida dos assuntos pessoais do presidente, gerencia o gabinete pessoal e coordena o recebimento e resposta de correspondências pessoais e sociais de Lula. Note-se bem que a resposta às cartas recebidas de populares fica aos cuidados da Diretoria de Documentação Histórica . E a correspondência oficial está sob a responsabilidade da Diretoria de Gestão Interna, que, aliás, é quem comanda esse emaranhado de assessores.

No primeiro mandato, a maioria dessas funções era desempenhada pela secretaria particular de Lula, composta por um secretário e três assessores.

sábado, 22 de setembro de 2007

Ziriguidum político

Sugestões de blocos carnavalescos oficiais do Rio para foliões congressistas:

Para Renan Calheiros:
"Nem muda nem sai de cima".
*****
Para Aloizio Mercadante:
"Que merda é essa?"
*****
Para os recém-enamorados Cesar e Garotinho:
"Simpatia é quase amor".
*****
Para a aguerrida governista Ideli Salvati:
"Vem ni mim que sou Facinha".
*****
Para José Dirceu:
"Bloco do rabugento".
*****
Para os bate-cabeças peemedebistas:
"Concentra, mas não sai".
*****
Para os Democratas:
"Bloco da ansiedade".
*****
Para lobistas e empreiteiros:
"Se não quer me dar... me empresta".
*****
Para Palocci, entusiasmado com a prorrogação da CPMF:
"Se melhorar, afunda".
*****
Para seguranças que adoram agarrar parlamentares, como fizeram com Gabeira e Jungmann:
"Imprensa que eu gamo".
*****
Para Aécio Neves, se achando e se sentindo:
"Esse é o bom, mas ninguém sabe".
*****
Para eleitores indecisos:
"Bagunça meu coreto".
*****
Para mulheres traídas por seus maridos congressistas:
"Bloco do espanta neném".
*****
Para Lula:
"Quem num güenta bebe água".

Conversa vai, conversa vem... no blog do Noblat

Sou do tempo em que estudávamos análise léxica e sintática em textos clássicos. Por pouco não tomávamos raiva dos textos, pois nada é mais chato que esse exercício. Mas o que vos ofereço hoje é de tal modo inteligente, que posso afirmar que sempre foi um dos favoritos da classe. Tem o mesmo vigor e atualidade do ano em que foi escrito, 1655. Isso mesmo, tem 352 anos. Gostei da idéia de colocar no blog esta jóia que merece ser lida e relida. Com vocês, o ‘Sermão do Bom Ladrão’, do Padre Antonio Vieira:

“Este sermão, que hoje se prega na Misericórdia de Lisboa, e não se prega na Capela Real, parecia-me a mim que lá se havia de pregar, e não aqui. Daquela pauta havia de ser, e não desta. E por quê? Porque o texto em que se funda o mesmo sermão, todo pertence à majestade daquele lugar, e nada à piedade deste. Uma das coisas que diz o texto é que foram sentenciados em Jerusalém dois ladrões, e ambos condenados, ambos executados, ambos crucificados e mortos, sem lhes valer procurador nem embargos (...). Pediu o Bom Ladrão a Cristo que se lembrasse dele no seu reino: Domine, memento mei, cum veneris in regnum tuum. E a lembrança que o Senhor teve dele foi que ambos se vissem juntos no Paraíso: Hodie mecum eris in Paradiso. Esta é a lembrança que devem ter todos os reis, e a que eu quisera lhes persuadissem os que são ouvidos de mais perto. Que se lembrem não só de levar os ladrões ao Paraíso, senão de os levar consigo: Mecum. Nem os reis podem ir ao paraíso sem levar consigo os ladrões, nem os ladrões podem ir ao inferno sem levar consigo os reis. Isto é o que hei de pregar. Ave Maria”.

O trecho acima faz parte do artigo semanal de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa. Está postado na seção chamada artigos. Leia aqui

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Millôr sem pudor


Se você realmente não tem nada a dizer,dê uma entrevista na televisão

TV Senado rides again!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Senado contra o consumidor

Por pouco, muito pouco, pouco mesmo, o Senado deixou de dar mais uma facada no cidadão. Flexa Ribeiro (PSDB-PA) deu parecer favorável a uma idéia cavernosa de Adelmir Santana (DEM-DF), ligado ao comércio: altera o Código de Defesa do Consumidor permitindo preço diferenciado na compra com cartão de crédito. Introduz ágio no dinheiro de plástico, contrariando o espírito do código. Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo, pediu vistas.

Alias..........

O delegado Luis Flávio Zampronha, que acaba de fechar o caixa 2 tucano, perdeu a chefia da Divisão de Combate aos Crimes Financeiros, na PF.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Registro, sem ilação por Ivan Nogueira

Mello era vizinho de Cacciola
O ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, tem um apartamento no condomínio Golden Green, na Barra da Tijuca, no Rio, o mesmo onde morava Salvatore Cacciola, antes de fugir do Brasil.

Sem comentarios

Se entrega Corisco.........de José Negreiros

“Política é a arte de sujar as mãos”, diz versão publicável de um ditado global. Foi o que fizeram Renan e Lula, dois especialistas na matéria, para salvar o mandato do presidente do Senado, na semana passada.

Como todos sabem, para conquistar apoio parlamentar o governo barganha cargos públicos e administra a liberação de emendas do Orçamento. O PT inovou acrescentando dinheiro em espécie a essa lista (mensalão). Renan foi mais longe, utilizando o esquema em benefício próprio.

Nenhuma surpresa, tanto que o “Você Decide”, programa da Rede Globo do século passado, muitas vezes chocava os críticos de televisão, mas não os telespectadores.

Você se lembra? Era apresentada a dramatização de uma histórica vulgar: João achou no banco de trás de um táxi um pacote com US$ 500 mil”. O que você faria?: a) iria à polícia; b) avisaria o motorista; c) ficaria com a grana. Numa freqüência incômoda ganhava a letra “c”, a mais canalha das alternativas.

O Estadão de domingo revela que apenas 23% das pessoas ouvidas numa pesquisa do Instituto Ipsos acham ruim a corrupção, entre as “obras” que identificam na administração petista. Logo, para a maioria isso não tem problema algum, como aliás a eleição do ano passado demonstrou muito bem.

A propósito, Lula inovou em outro capítulo: na justificativa e acobertamento dos delitos de sua turma de aloprados. Ao contrário dos políticos tradicionais, que em geral se envergonhavam e desmentiam os mal feitos que lhe eram atribuídos, o presidente não. Enfrenta a mídia com o raciocínio “e daí? Quem não é?”

Os cientistas políticos Wanderley Guilherme dos Santos e Fernanda Machiaveli, por exemplo, concluíram sobre o “renansalão” que o caso está encerrado e pronto. A gente acabará esquecendo mais esse também. Noblat, com a ironia de sempre, lançou uma campanha tipo “ir contra Renan daqui pra frente é golpe porque ele ganhou jogando com as regras da democracia”.

Que nada! Apesar do cinismo com que o brasileiro em geral encara uma batida de carteira, está certa a mídia que se indigna. Não foi isso que nos ensinaram nossos pais? É preciso acabar com essa história de que político tem que ter uma moral diferente das pessoas de bem e que é lícito ele ficar com o dinheiro do táxi.

Me incomoda o fato de que tudo o que o deputado Fernando Gabeira toca vira marketing, mas eu concordo com ele. É preciso lançar, sustentar, ir até o fim com o movimento anti-Renan “Se entrega Corisco”. Afinal, ele entende disso. Com apenas um grito, dedo em riste, pôs um presidente da Câmara para correr. Poderia começar pedindo um aparte no plenário do Senado durante sessão presidida por Renan. Enquanto isso, a gente vai cantarolando trecho da música de Sérgio Ricardo para o Glauber em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Você se lembra?:

Se entrega Corisco
Eu não me entrego não
Eu não sou passarinho
Pra viver lá na prisão
Se entrega Corisco
Eu não me entrego não
Não me entrego ao tenente
Não me entrego ao capitão
Eu me entrego só na morte
De parabelum na mão
Se entrega Corisco
Eu não me entrego não.

Escreva para cá e para o Gabeira dando idéias para sustentar a guerra ao Corisco.

José Negreiros é jornalista (josenegreiros@terra.com.br)

terça-feira, 18 de setembro de 2007

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A dolce vita dos amigos de Cacciola

Condenados a penas que variam de seis a 10 anos de reclusão na mesma sentença em que o banqueiro Salvatore Cacciola pegou 13 anos em regime fechado, os ex-diretores do Banco Central acusados de desviar mais de R$ 1 bilhão para socorrer os bancos Marka e FonteCindam levam uma vida normal e em liberdade, enquanto aguardam uma decisão definitiva da Justiça brasileira. O ex-presidente do BC Francisco Lopes, que chegou a ser preso com US$ 1,5 milhão, guardado em sua casa, dá aulas na Fundação Getúlio Vargas, no Rio e, nas horas vagas, presta serviços de consultoria.

Os outros três dirigentes, Cláudio Mauch (Fiscalização), Demóstenes Madureira de Pinho Neto (Assuntos Internacionais) e Tereza Grossi (ex-chefe de Fiscalização) voltaram ao mercado e trabalham para instituições no eixo São Paulo-Rio Grande do Sul.

Dos três, a situação juridicamente mais tranqüila é de Tereza Grossi, condenada a seis anos em regime semi-aberto. A juiza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal do Rio, entendeu que Lopes, Mauch e Pinho Neto não só conheciam a gestão temerária de Cacciola no Marka e dos controladores do FonteCindam, como também contribuíram conscientemente para que o banqueiro recebesse o socorro financeiro e desviasse parte dos recursos para suas contas pessoais no exterior. Foram condenados a dez anos cada um, em regime fechado, mas não cometeram o mesmo erro do banqueiro.

Cacciola fugiu para a Itália - país que não tem tratado de extradição com o Brasil - assim que sua prisão foi relaxada, em julho de 2000, pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao conceder liminar num habeas corpus impetrado pelos advogados do banqueiro. Polêmica, a decisão resultou num dos embates entre Marco Aurélio e o então presidente da Corte, Carlos Velloso, hoje aposentado, que derrubou a decisão cinco dias depois. Mas já era tarde: Cacciola havia passado para o Paraguai, Argentina e, de lá, chegado à Itália onde, até baixar a guarda ao entrar em Mônaco, no último sábado, levava uma vida de empresário no ramo da construção civil.

Provocado ontem por jornalistas, o ministro Marco Aurélio Mello manteve-se fiel ao seu estilo de prolatar sentenças polêmicas e defendeu sua decisão, sugerindo que repetiria o gesto se um caso semelhante chegasse a ele. O ministro afirmou que não via, à época, razões para manter Cacciola preso porque o banqueiro era um simples acusado e nem sentença de primeira instância ainda havia.

- Eu mesmo sustento que a sentença condenatória, ainda sujeita a reforma, não enseja pena - disse ontem o ministro.

Cinco anos depois, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho escreveria em sua sentença que o banqueiro não apenas havia articulado o golpe para rapinar o erário, como era um homem de ambição desmedida ao ponto de ameaçar testemunhas - um dos requisitos que levara o Ministério Público Federal a pedir a prisão.

Livre da Justiça e no exercício de sua cidadania italiana - o que impediria uma eventual remoção num acordo de reciprocidade, já que a extradição é impossível - o banqueiro ainda diria, em entrevistas, que riscara o Brasil de sua memória. Mas acabou sendo vítima exatamente do excesso de confiança e esqueceu que a Polícia Internacional (Interpol) havia difundido um alerta sobre a necessidade de sua prisão em decorrência da condenação em primeira instância. Cacciola cometeu o mesmo erro que o juiz Nicolau dos Santos Neto: fugiu durante a instrução do processo, atitude que soou como um desafio tão forte à Justiça brasileira, que agora nem o mais liberal dos ministros terá coragem de relaxar sua prisão, caso seja extraditado.

Vasconcelo Quadros/JB/Brasília

Enquanto isso, no Sindicato da Vantagem, ex-Congresso......

..........barganha pela CPMF/Fernando Exman -JB-Rio

BRASÍLIA. A pressão dos partidos que integram a coalizão por cargos na máquina pública aumentou nesta reta final da tramitação da proposta de emenda constitucional (PEC 50/07) que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a Desvinculação das Receitas da União até 2011. Cientes de que a aprovação do projeto é o principal item da agenda legislativa do Executivo neste ano por conta da receita anual de aproximadamente R$ 40 bilhões que o imposto destina à União, deputados e senadores têm usado a votação para barganhar.

Querem abrigar correligionários e afilhados políticos em vagas nos Estados e nas empresas estatais. A distribuição de cargos da administração federal nos Estados depende da conclusão da análise do histórico dos indicados pelos partidos em execução pelo serviço de inteligência do Palácio do Planalto. Já o rateio das vagas nas estatais está em banho-maria desde que o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau foi apeado do cargo por suspeita de corrupção. Como a previsão do governo é que as estatais invistam R$ 49,74 bilhões neste ano, é grande a disputa entre os partidos da bancada governista.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua tropa de choque no Congresso, no entanto, vêm resistindo às investidas. Em recente reunião no Palácio do Planalto, ao ser cobrado por alguns líderes de partidos, o presidente Lula foi enfático. Primeiro, ressaltou, deputados e senadores aliados terão de provar que são fiéis ao governo.

- Cada um tem as suas responsabilidades na coalizão - reforçou o discurso de Lula o líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ). - O que o presidente espera é a aprovação da PEC por conta da necessidade para manter o crescimento econômico, a geração de empregos e a estabilidade da economia. As mudanças no governo têm que seguir o seu ritmo normal.

A veemência do presidente Lula tem justificativa. Escaldado, o governo sabe que não pode voltar a virar refém dos parlamentares. No mês passado, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, só aceitou apresentar seu parecer depois de emplacar Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas Centrais Elétricas. A aprovação da PEC na comissão demorou quatro meses e agora espera a apreciação do plenário.

- Não vamos aceitar nenhum tipo de imposição. O tiro pode sair pela culatra - ressaltou o vice-líder do governo na Casa, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS). - Há uma responsabilidade sobre a mesa. Aprovar a PEC é um dever de lealdade.

Apesar de a disputa pelos cargos continuar no bastidor, deputados e senadores dos partidos aliados procuram demonstrar que entenderam o recado do presidente Lula.

- A CPMF não é moeda de troca para nada - disse o vice-líder do PP na Câmara, deputado Benedito de Lira (PP-AL). - O meu partido não está condicionando nada. Temos um compromisso com o governo.

A Câmara realizará oito sessões durante a semana para tentar votar a PEC. A CPMF e a DRU expiram no fim de dezembro. Ontem, o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), demonstrou pessimismo. Além da obstrução da oposição, lamentou o deputado, as quatro medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta do plenário dificultarão a aprovação do projeto.

- Não creio que sem a revogação de uma ou mais MPs haja a possibilidade de a prorrogação da CPMF ser votada em plenário - declarou Chinaglia. - É preciso aguardar para saber se vai ou não haver uma iniciativa do governo no sentido de revogação de MPs.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Texto p'ra quê?!

Quem ta por cima?

Vocês (eleitores.contribuintes) esperavam o quê????

domingo, 16 de setembro de 2007

Trio Ternura

País do futuro; in JB-Fausto Wolff

Quando os escândalos pipocam de todos os lados, complicam a vida do cronista que mal botou o ponto final em um texto e já é informado de que a coisa não foi bem assim. Como o Caderno B vai para a oficina antes do corpo principal do jornal, vivo tentando prever o que vai acontecer enquanto os coleguinhas só têm de comentar o que já aconteceu. De um modo geral, eu acerto, pelo menos no que diz respeito à política, pois a turma é bastante previsível. Rato não vira coelhinho do dia para a noite. Basta dar uma olhada na cara da maioria dos "representantes do povo" para ver que elas transparecem o que lhes dita o coração.

Não gosto de pressa, mas infelizmente meus personagens roubam mais rapidamente do que escrevo e só não acabo confundindo alho com bugalho porque nunca me interessei em saber o que era um bugalho. Sexta-feira passada, usei um provérbio de Millôr Fernandes para dizer que santo de casa não arruma fiado na birosca nem se for o filho de Deus. Ele saiu truncado. Eis a versão certa: "Tudo teria mais solidez se em vez de carioquinha eu fosse um velho chinês". Agora vamos aos trabalhos.

O Festival de Besteira que Assola o País (FEBEAPÁ) jamais nos deixou, mas o pessoal hoje em dia está exagerando. Sérgio Porto, meu querido amigo Bolão que depois virou Stanislaw Ponte Preta, colecionava as estultices dos militares que as produziam com extrema freqüência e generosidade censurando filmes dos Irmãos Marx e apreendendo o Vermelho e o negro, de Stendhal. Mas os militares, depois que acabaram com o comunismo no Brasil, obedecendo ordens do Coiso ou não, calaram a boca e passaram a bola para os civis. Estes deitam e rolam. O ministro da Defesa, Nelson Joban (segundo lugar em vaidade para FHC), apareceu vestindo um uniforme próprio para camuflagem nas selvas do Vietnã. Não contente com isso pretende punir os passageiros que chegarem atrasados ao aeroporto. Já estou ouvindo: "Acelera João senão o Joban nos põe em cana". Embora outros civis tenham se esforçado (Cesar, o Mala, fingindo que vai sancionar uma lei que lhe tirará dinheiro como a da proibição dos out-doors e Serginho Cabral dizendo que deixará o governo para ser prefeito) ninguém pode negar ao Senado a primazia no que diz respeito à besteira.

Ideli Salvati há algum tempo, quando Heloisa Helena fazia seu discurso de despedida ao Senado, virou-se para Renão Entrega Mais e perguntou "Será que esse chororó vai durar muito, Renanzinho?" Quinta-feira passada, subiu ao pódio para dizer que o Brasil inteiro comemorava o aumento do PIB!!! Alguns favelados e índios se suicidaram de felicidade. Almeida Lima, em seu raivoso e passional discurso, declarou que havia muita gente que fizera as mesmas coisas que o dono dos bezerros de ouro e nem por isso havia sido punida. O senador é anárquico e quer nivelar por baixo: "Um fez, todos têm o direito de fazer". Além disso, a Constituição veda ao Estado criar qualquer obstáculo ao povo brasileiro para regular o exercício da cidadania. E mais, o artigo 55 prevê apenas voto secreto e não reunião secreta que, uma vez realizada, se sobrepõe à Constituição.

O sr. Luiz Silva é amigo do sr. Calheiros, que o serve muito bem. Essa absolvição, por enquanto, é legal e Renão, que tornou-se o grande chato brasileiro, tem direito de retomar a Presidência. Votação secreta em países sérios só quando a nação corre perigo iminente e cabe ao parlamento tomar decisões que se não forem secretas poderão causar gigantescas convulsões. Ameaça alienígena, por exemplo. No Brasil a palhaçada, além de ser secreta, não foi filmada, colocando assim o Senado contra a História. Caso não acabe a Câmara Alta (este sim, o desejo o sr. Luiz Silva - "Nós estamos com lama até boca mas eles também estão") pouquíssimos senadores serão reeleitos. Nunca mais entrarão na Casa a não ser como visita Ideli Salvati, Aluízio Mercadante, Wellington Salgado, Francisco Dornelles, Paulo Duque, Lenor Quintanilha, Crivella, Jucá, Raupp, Cafeteira e muitos outros. Sinto pelos 35 que votaram contra absolvição, pois não têm como prová-lo.

Um dia, o Brasil acordará atolado em cocô porque quase nada ou muito pouco se faz na cidade subterrânea dos ratos, esgotos e ralos. Somos o país do futuro, pois só acreditamos na solução depois da tragédia. Quase 300 pessoas tiveram de morrer para que começasse a remendar as pistas dos aeroportos. O excelente senador Paulo Paim vem há anos apresentando emendas propondo o fim desse câncer que é o voto secreto. Nos mais de cem dias da farsa Renão Saio Daqui, a coisa toda poderia ter sido resolvida, mas ninguém falou no assunto porque Luiz Silva não quis.

sábado, 15 de setembro de 2007

Comentar?! Praquê!!!!!

Coincidências------------- Fausto Wolff

Carl Gustav Jung ficou muito impressionado ao ler Über die anscheinende absishtlichkeit im schicksale des einzelnen ou seja A intencionalidade aparente no destino do indivíduo, de Schopenhauer. O filósofo alemão tratava daquilo que não tem conexão causal, ou seja, conexão de causa e efeito e que chamamos de casualidade e não - cuidado! - de causalidade. Para ele, todos os acontecimentos da vida estariam em duas espécies de conexão fundamentalmente diferentes: em primeiro lugar, numa conexão objetiva, causal do processo natural. Em segundo, numa relação subjetiva que só existe com respeito ao indivíduo que a experimenta. Essas duas espécies de conexão existiriam simultaneamente e o fato coincidente serviria de elo entre as duas cadeias completamente diferentes. O fato se encaixaria entre as duas de modo a fazer com que o destino de um indivíduo se ajuste ao de outros. Assim, cada homem é seu próprio herói e, ao mesmo tempo, figurante de um drama alheio. É de difícil compreensão (como Schopenhauer) mas absolutamente harmônico. Por exemplo: nasce na China, o médico que salvará um rei inglês de febre amarela numa cidade chamada Gelbbrüke, ou seja, ponte amarela, 30 anos depois. Há muitos anos, escrevi uma canção para Joana Fomm que marcara um encontro na praia comigo e não aparecera. Um ano depois, estou em Mykonos, numa boate, e uma jovem parecidíssima com Joana canta a minha música. Pedi à cantora grega, que se chamava Joana, que traduzisse a letra. Era a história de um marinheiro que fica esperando na praia uma sereia que promete voltar. Música igual, letra quase. Certa vez, em Copenhague, o falecido filósofo Jurij Moskvitin, com quem eu viajaria para Roma, mandou-me cedo para o hotel, pois, no dia seguinte, eu teria um encontro com o destino. No dia seguinte, no trem para Roma conheci, minha terceira mulher, mãe de Sandra, que já me deu dois netos. Sabem que livro ela estava lendo no trem quando a conheci? A volta da sereia.

Pessoalmente, não acredito em coincidências, pois elas podem ser forjadas uma vez que o fator coincidente será encontrado aqui ou ali em qualquer ocorrência. Jung, porém, acreditava tanto que escreveu um ensaio sobre o assunto chamado Sincronicidade. Tenho um aluno, que se chama Arthur como Schopenhauer, que há quase um ano contou-me uma piada sobre política. Gostei tanto que decidi incluí-la num livro. Um amigo meu, Giovanni Serato, informou-me que ela era conhecida. Não a utilizei, mas se mudarmos a sílaba tônica do "a" para o "o" teremos giovane, que quer dizer jovem como Jung em alemão. Algumas semanas mais tarde, peço à minha secretária para apanhar um livro chamado Probabilidades sobre a importância da genética em cavalos de corrida. Ela me aparece com o livro Sincronicidade, de Jung. Logo depois do almoço, ligo o computador para saber alguma coisa a mais sobre Casablanca, além do filme. Kennedy. A primeira coisa que vejo: são coincidências nas vidas de Lincoln e Kennedy que venho tentando encontrar há mais de 30 anos sem sucesso.

Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846 e Kennedy, em 1946. Lincoln foi eleito presidente em 1860 e Kennedy, em 1960. Os sobrenomes de ambos têm sete letras e Lincoln enfrentou uma guerra civil e Kennedy quase enfrentou uma guerra civil por causa da guerra do Vietnã. As mulheres de ambos perderam filhos concebidos na Casa Branca. Os dois foram assassinados com balas na cabeça, ambos numa quarta-feira. A secretária de Lincoln chamava-se Kennedy e a de Kennedy, Lincoln. Ambos foram assassinados por sulistas e sucedidos por sulistas: Andrew Johnson e Lindon Johnson. Andrew nasceu em 1808 e Lindon, em 1908. John Wilkes Booth, que matou Lincoln, nasceu em 1839 e Lee Harwey Osvald, que teria matado Kennedy, nasceu em 1939. Ambos assassinos eram conhecidos pelos três nomes e a soma de cada um dos três dá 15 letras. Lincoln morreu no Teatro Kennedy e Kennedy num carro Lincoln. John Booth fugiu de um teatro para um celeiro, onde foi preso. Lee Oswald fugiu de um depósito para um cinema, onde foi preso. Ambos foram assassinados antes do julgamento. Uma semana antes de morrer, Lincoln passava as férias em Monroe, Maryland; e, uma semana antes de morrer, Kennedy passava as férias com a atriz Marylin Monroe. Uma semana antes de o seu irmão matar Lincoln, Edwin Booth, considerado o maior ator shakespeareano do século 19, salvou a vida de um filho de Lincoln, impedindo que ele caísse debaixo das rodas de um trem em Nova York. Será que só eu e Shakespeare achamos que há mais coisas entre o céu e a terra do que pode alcançar a nossa vã filosofia?

PS - Não morri na noite de autógrafos, apesar da cerveja sem álcool que o Jaguar me levou e do cartaz que coloquei na mesa "Cuidado, autor sóbrio". Para um autor brasileiro, foi um sucesso: mais de 500 pessoas entre amigos e leitores que se tornaram amigos e quase 200 livros vendidos. De repente, me dei conta de um coisa e comentei com a minha mulher: "Que pena, não veio ninguém do Jornal do Brasil". Exatamente nesse momento, surgiram à minha frente mais belas e inteligentes do que nunca, minha querida editora-assistente Kathia Ferreira e a duplex de boa atriz e boa cronista, Maria Lúcia Dahl. Comecei os trabalhos às 19h e dei autógrafos à meia-noite. De vez em quando, é preciso dar uma chance à felicidade. Com diz o Millôr: "Tudo teria maior solidez se em vez de carioquinha eu fosse um sábio".

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Renangate: modo de usar

Corre o território livre da internet:

Ataque de modéstia de Lula na Dinamarca

(Pernambuco falando para o mundo)

De Lula, hoje, em Copenhague, durante encontro com sindicalistas dinamarqueses:

- Torçam para que eu dê certo (no governo), porque tudo será mais fácil para vocês e para os trabalhadores de todo o mundo.

O velório do Senado por Villas-Bôas Corrêa

Inacreditável, imoral, na contramão da ética, da compostura, da decência, do decoro a vexatória decisão do Senado, por 40 votos contra 35 e seis abstenções - que tentam enganar os tolos com o dissimulado voto contra - que absolveu o galante presidente, senador Renan Calheiros, da denúncia apresentada pelo PSOL e aprovada pelo Conselho de Ética, de ter tido as contas pessoais pagas pelo lobista da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo - inclusive a pensão alimentícia à sua amante, a jornalista Mônica Veloso, com a qual tem uma filha de 4 anos.

Nunca foi montada no Congresso uma mais complicada manobra de fingimento, com os toques da hipocrisia e a mascarada dos disfarces grotescos. Claro que por mera coincidência, nem por isso menos abençoada, o casal presidencial passeava nas carruagens reais, na companhia dos soberanos dos países nórdicos, enquanto o PT catava votos para a absolvição do parceiro perfeito para os conchavos parlamentares que garantam a aprovação dos projetos que liberam verbas milionárias para o show do canteiro de obras do próximo ano de eleições municipais para prefeitos e vereadores, na reta da sucessão presidencial de 2010.

Pois até na votação secreta, da esburacada sessão secretíssima com a patuscada dos microfones desligados, celulares com a recomendação da mudez e a varredura para a retirada dos computadores e gravadores, o PT usou a máscara da impostura. A trampa tática da liderança petista foi uma infantil brincadeira de esconde-esconde: os seis fantasiados com os escrúpulos de votar pela absolvição do aliado Renan foram instruídos para votar em branco. Rato escondido com o rabo de fora: para cassar o mandato do astro da novela das oito era necessário atingir ou ultrapassar os 41 votos, maioria absoluta do total de 81 senadores. Abstenção ou voto contra a punição dá no mesmo.
Mas a tramóia às escancaras confirma a pressão do presidente Lula na cobrança da fidelidade dos aliados - todos muito bem recompensados com a farta distribuição de ministérios, secretarias, autarquias selecionadas a dedo no lote daquelas com grandes obras programadas e verbas nas alturas dos milhões e bilhões, que o ano que vem será da gastança. E é lamentável que o senador Aloizio Mercadante (PT) tenha se exposto ao desgaste de liderar a bancada na fuga à responsabilidade.

O que sobra do Senado, do velho Senado sob a saraivada de críticas justas e severas da opinião pública que ocupa as páginas da correspondência dos leitores em literalmente todos os jornais. Além do e-mail para as rádios e emissoras de TV?

Por ora, com a raiva azedando a alma e o vexame manchando o rosto, os sinais de uma preocupante e saudável manifestação coletiva que mistura indignação e nojo. O Senado caiu no ralo, sujou-se de lama, igualou-se à Câmara dos Deputados na farra de absolvição dos que se fartaram de dólares e reais na orgia do mensalão, do caixa 2, dos Correios, das ambulância superfaturadas. E a baderna acabou mal, com a decisão do Supremo Tribunal Federal que aprovou por unanimidade a denúncia do procurador-geral da República contra os 40 acusados de desvios do dinheiro público.

No contraste humilhante com a altivez da toga, na reviravolta de anos de tolerância com a impunidade para a exemplar lição de rigoroso combate à corrupção, o Congresso fica em situação lastimável.

Resta ao Senado, como pouco confiável consolo, a tripla oportunidade de reabilitação moral: mais três processos contra o senador Renan Calheiros aguardam em fila a sua vez na pauta do Conselho de Ética e da Justiça.

O Senado esgotou a taça da imprudência. Em próximo teste, convém botar de molho as veneráveis barbas brancas.
Ou tocar um tango argentino. Que tal o clássico Cambalache?

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A dor da gente

Ah, o Senado...
O internauta Sergio dos Santos Júnior resumiu num par de frases o sentimento das ruas com a salvação de Renan, o Eterno:
"Tenho ódio e vergonha de ser brasileiro... Dá vontade de chorar, cara..."

Duas agressões à sociedade

De Alberto Dines,site Observatório da Imprensa:

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/

"Foram duas as agressões: a primeira, escancarada, foi a absolvição do presidente do Congresso, Renan Calheiros, que segundo a Polícia Federal cometeu vários ilícitos. A segunda agressão, mais grave, aterradora, pode ser chamada de "apagão" institucional. O Senado da República foi convertido desde a terça feira num verdadeiro porão – fechado, lacrado, blindado ao escrutínio da sociedade, ilha autoritária em plena Praça dos Três Poderes.

A varredura eletrônica do plenário, a proibição do uso de computadores pelos senadores, a recomendação para que os celulares fossem desligados e finalmente o pugilato entre os leões-de-chácara e os deputados que foram autorizados pelo STF a assistir ao julgamento desvendam a razão do secretismo da sessão: impedir a presença da mídia.

Renan Calheiros e os cangaceiros de todo o país que o apóiam sabiam que a presença da imprensa seria a única força capaz de impedir a absolvição. Apostaram todas as fichas no sigilo. Não se importavam em agredir a sociedade, só não queriam testemunhas.

Os malfeitores trabalharam no escuro, eles têm prática, ganharam o primeiro round. Nos próximos, será diferente – terão que ser travados às claras".

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

BR6

The Real one, democratically!

Variações sobre a Inveja e o Poder, por Ives Gandra Martins

O poder é, em grande parte, alimentado pela inveja. Inveja é o vício pelo qual a pessoa que o tem - e quase todos os seres humanos o ostentam - sente-se infeliz com a felicidade alheia.
Se se perguntar a alguém, se é invejoso, sua primeira reação é afirmar que não é, mas a medida em que se auto-analisa, com sinceridade, verificará que, muitas vezes, sentiu-se infeliz por ver a felicidade alheia, que não conseguiu para si.
Entre os guerreiros árabes, na luta que travavam pelo poder, costumava-se dizer que a grande felicidade era morrer depois do inimigo.
Carl Schmitt, ao escrever que a política é a ciência que opõe o amigo ao inimigo, desventrou a realidade do poder, em que servir ao próximo é menos importante do que se servir dele e a vitória do inimigo dói mais, pelo êxito não ter sido seu.
Não apenas na política - a inveja, que leva a buscar sempre defeitos nos adversários para desmoralizá-los - mas em qualquer manifestação cultural, científica ou esportiva em que o poder esteja envolvido, esse vício é o senhor da festa.
Nos meios acadêmicos e universitários, a feira das vaidades leva sempre aquele que se considera superior a sofrer com a vitória de pessoas que não admira - ou que entende devesse ser sua - e tentar desvalorizá-la a todo custo. Conta-se que, certa vez, numa reunião de intelectuais, um deles fez a seguinte pergunta: "Quantos sábios estão nesta sala?", tendo recebido a resposta de um deles: "Certamente, há um a menos do que você pensa!".
No futebol - e também em outros esportes coletivos - quantas vezes se torce menos pela vitória do próprio time ou do melhor em campo, e mais pela derrota daquele que é o adversário mais constante do time do coração, qualquer que seja ele, mesmo que seja de outro país.
A maledicêndia é um dos frutos preferidos, principalmente na política. Quem busca o poder, lança suas sementes para conseguir a desmoralização do adversário que esteja nele investido no momento, ou que pretenda obtê-lo. Tudo é válido, inclusive a calúnia e outros procedimentos menos éticos, para que se consiga alijar o inimigo do posto que se deseja.
Não sem razão, em todos os períodos históricos e espaços geográficos, a luta política é mal cheirosa, regada abundantemente pela inveja. Esse vício não permite que se elogie o que o adversário faz de bom, pois isso enfraqueceria a possibilidade de se suplantá-lo na disputa. A inveja, por fim, leva o aspirante do poder político, universitário, acadêmico, esportista ou de qualquer outra natureza, a viver uma permanente insatisfação, seja quando o obtém, porque passa a ter que defendê-lo contra quem o almeja, seja quando vê frustrada sua ambição de consegui-lo, pela infelicidade de assistir ao êxito dos que estão usufruindo daquilo que poderia ser seu.
Na verdade, entre os sete vícios capitais que atormentam o ser humano, a inveja é a raiz de muitos deles.
Lutar contra ela no foro íntimo não é fácil, pois todos nós, em algumas circunstâncias, podemos também render-nos a seu império. É, porém, fundamental, visto que só se pode enfrentar a vida com serenidade, vivendo as vitórias e as decepções. É importante ter presente que, no curso de uma existência, nada valemos. O interregno de uma vida só valerá se conseguirmos semear nossa passagem, por mais humilde que seja, auxiliando o próximo, alegrando-nos com suas vitórias, entristecendo-nos com suas derrotas.

É insensato nos darmos muito valor, neste imenso universo em que nada somos.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

07 de Setembro 2007

O trem-bala ministerial by Ancelmo

Bem diz o craque do humor Zé Simão que o Brasil é o país da piada pronta. Até em assuntos da maior seriedade, como o tiroteio no Jacarezinho, que quase atingiu os ministros Pedro Brito (dos Portos) e Márcio Fortes (das Cidades). Eles estavam num trem perto da favela.
O verdadeiro trem-bala brasileiro

domingo, 9 de setembro de 2007

Millôr, o melhor dos Fernandes.....

Este artigo é parte do Desnotícias, a sua fonte de ignorância 24 horas por dia.

PELOTAS, RS Baitolandia


A alegria e o orgulho dos moradores de todo o estado!Um vibrador com 69 m de comprimento fez a festa dos torcedores do Grêmio e Juventude, neste final de semana. O utensílio gigante faz parte da agenda de aniversário da cidade, que neste domingo completou 69 anos. E é um sucesso, atraindo até quem mora em municípios vizinhos e outros estados, como cidadãos de Campinas(SP) (nome científico da cidade: aquidauanuus).

A parceria entre os clubes gaúchos mais o Bambi F.C., formou uma das grandes produtoras e exportadoras de bambis e outros utensílios de uso afeminado no País e, por isso, a homenagem é sempre feita com uma das especialidades locais, o vibrador. Segundo cálculos da Polícia Militar, cerca de onze mil cento e onze pessoas foram ao centro da cidade para experimentar o vibrador.

A cerimônia de distribuição contou com solenidade, discursos de políticos e até show ao vivo com Alexandre Frota, Joseph Climber, Clodovil Hernandes, Gretchen e Michael Jackson. O ex-ministro do Desenvolvimento Econômico, Cristóvão Buarque, que atualmente é executivo de uma indústria pornográfica sediada na cidade, estava presente na festa.

Para agradar a todos, um bolo em formato cônico, também com 73 m de comprimento, foi cortado no meio da rua. Quem se aventurou a enfrentar um frio de 3°C garantiu um pedaço e um mini vibrador grátis para o resto do final de semana.

Depois dela, nada mais, de R. Noblat

"Preparem os melhores ternos, ou os vestidos de gala ainda não usados. Está chegando a hora do grande baile do Congresso Nacional, a última votação importante do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Não vou cometer o exagero de dizer que o Senado e a Câmara dos Deputados ficarão às moscas depois que votarem a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e da Desvinculação das Receitas da União (DRU). Sempre restará o recurso a CPIs pirotécnicas ou a novas temporadas de caça à raposa pelo Salão Verde ou pelo Salão Azul. Mas votação mesmo, para valer, de projetos que vão mudar a vida do país ou das pessoas, nada há no horizonte ou na agenda que permita otimismo aos reformistas".

Dano cultural

O incêndio no Parque Nacional de Brasília trouxe de volta a velha piada:
toda a biblioteca de Lula foi destruída - um livro de colorir.

sábado, 8 de setembro de 2007

Kama Sutra político brasileiro.

PMDB: Posição das piores. Quando você acha que está quase chegando lá, os parceiros desistem de transar com você e te deixam na mão. Literalmente, na mão.

Posição Palocci: É aquela em que o homem começa por cima e acaba por baixo.

Posição Esperto Jefferson: É quando, no meio da suruba, você sai metendo o pau em todo mundo para defender o seu.

Posição Marcos Valério: É aquela em que, no começo, você acha que o cara é bom de transa, mas depois descobre que ele é um mala que não tem mais tamanho.

Posição Secretária do Valério: É aquela em que a mulher fica mudando de posição o tempo todo. Loucura, loucura

Posição Silvinho Pereira: No carro. A transa toda acontece numa Land Rover.

Posição CPI dos Correios: Sexo oral. Onde você enfia a cara encontra uma coisa cabeluda.

Posição Guido Mantega: Diz que não, não, não, não, mas no final acaba abrindo o cofrinho.

Posição Zé Dirceu: É aquela em que, em toda transa, o cara está por trás.

Posição Mauvício Marinho: Quando você pega o parceiro no maior flagra com aquilo na mão, a mão naquilo e a boca na botija.

Posição Meirelles: Tô dentro, tô fora, tô dentro, tô fora, tô dentro, tô fora…

Posição Lula: Voyeur. Você fica olhando os parceiros f… com tudo e não faz nada.

Posição do PP e do PR: Topa qualquer parada, mas tem que pagar.

Posição Severino Cravalcanti: É a famosa posição papai e mamãe. Primeiro arruma uma posição para o papai. Depois uma posição para a mamãe. Depois uma boa posição para os filhos… É uma posição bem família.

Posição Conselho de Ética: E o governo acreditou que eles iam colocar só a cabecinha…

Posição Democratas: É aquela mesma posição de sempre, desde os tempos do vovô. Só mudou o nome.

Posição Renan Calheiros: É aquela do viado de p.. pequeno. Na frente, tem o patrimônio pequeninho, mas atrás dele tem um dote IMENSO.

Posição STF: É aquela do cara que só gosta das magrinhas, afinal nunca na história f… ninguém de peso.

Posição PT: Enquanto estava embaixo, gritava demais. Agora que está por cima, não faz p… nenhuma.

Com contribuições do Alex Meireles.

Jô Soares (Perolas de alunos) by RoW

Pois é.......

Hino Nacional Brasileiro

Êta nois!

Brasil independente e democrata, de Isabel Lustosa

Em meio à expectativa pelas comemorações dos duzentos anos da chegada de d. João ao Brasil, comemoramos hoje os 185 anos de nossa Independência. E esse ato fundador de nossa soberania foi conseqüência direta do outro pois, a transformação do Rio de Janeiro em sede da coroa portuguesa - situação que se prolongou por treze anos – mudou definitivamente o destino do Brasil.

O Sete de Setembro foi a coroação de uma série de atitudes que já faziam do Brasil um país independente de Portugal. A mais importante fora a decisão, tomada em junho de 1822, pelo príncipe regente, D. Pedro, junto com o Conselho de Estado de realizar no Brasil uma Assembléia Constituinte, para que o país tivesse sua própria Constituição. E isto à revelia do determinavam as cortes reunidas em Lisboa para elaborar a constituição de todo o reino português.

Desde que José Bonifácio, o principal ministro de D. Pedro, determinara no começo daquele ano de 1822 que nenhuma lei enviada de Portugal seria adotada aqui sem a chancela do príncipe regente, começáramos de fato a ser independentes.

Pois, ser independente para um país é ter total autonomia para cuidar de todas as coisas que acontecem nos limites geográficos de suas fronteiras. Ser independente é ser uma Nação governada de acordo com o que foi definido pelo povo a partir de suas tradições ou convicções sem que o governo de qualquer outro país possa interferir. Ser independente é ser capaz de decidir sobre o regime político que lhe convém, sobre a maneira de organizar a administração, a economia e as demais instituições sociais.

O Sete de Setembro marcou o rompimento final mas o Brasil já vivia sua independência. E podemos dizer hoje, com orgulho, que o Brasil é um país independente no pleno sentido da palavra.

É um país com uma cultura própria, produto de sua História, é um país com uma política econômica própria que, mesmo sendo regida pelas regras do mercado, é definida a partir de decisões internas.

E é ainda mais independente hoje do que há trinta anos porque é uma democracia que organiza sua administração de acordo com o que decidem os cidadãos brasileiros através de seus deputados e senadores eleitos pelo voto direto em eleições livres.

Naturalmente que fazendo parte do corpo das Nações Unidas, sua política externa é orientada no sentido da preservação da harmonia entre as nações. E mesmo esta alternativa é uma decisão do povo brasileiro através de seus governantes escolhidos pelo voto direto em eleições livres.
Isabel Lustosa é Historiadora

Missão Impossivel

Mais difícil do que vender produto Philips no Piauí é obter uma declaração direta de Lula sobre qualquer assunto. Nos discursos, ironia e bravata; nas entrevistas, escapismo para o acessório e malabarismo para o periférico.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Quem disse isso? by Lydia Medeiros

Pense e responda. Quem são os autores das seguintes frases:

1) "Quando todos estavam frenéticos, entusiasmadíssimos na torcida para que tudo desmoronasse, para que voltássemos à estaca zero, nós vencemos outra vez. Os fatos são mais fortes do que a má-fé, do que a torcida negativa, do que a fracassomania. E os fatos vão se impor."

2) "Rumores perversos, vindos de fontes obscuras, a propósito de golpe contra a democracia em nosso país, só podem servir aos empreiteiros do caos, de cujas conseqüências nefastas esperam nutrir seus interesses."

3) "O destino não me trouxe de tão longe para ser o síndico da catástrofe."

4) "Não fui eleito para ser o gerente da crise."

5) "Na verdade, é quase uma revoada de aves de mau agouro não querendo que as coisas dêem certo neste país."

6) "As pessoas ficam torcendo para a desgraça ser maior. Se as pessoas pensassem positivo... A mim não pega, porque eu creio em Deus. Não adianta nego tentar rogar praga, que não pega. E também porque eu tenho a minha crença definida, todo dia eu converso com Ele para pegar energia positiva. Portanto, quem quiser perder tempo em torcer contra, vai quebrar a cara."

As respostas:
1) Fernando Henrique Cardoso, em 1999, aos críticos do real
2) Itamar Franco, em 1993
3) José Sarney, em 1985
4) Fernando Henrique, em janeiro de 1999, início do segundo mandato
5) Lula, hoje
6) Lula, ontem

Conclusão do teste: nossos presidentes têm horror às críticas. E pouca imaginação para rebatê-las...

Frases de cabeceira by Ana Bruno

Para a gastança do governo:

"Um príncipe deve gastar pouco para não precisar roubar seus súditos". (O Príncipe - Maquiavel)
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Para os fundamentalistas petistas, regozijados com a idéia de reestatização da Vale:

"Insanidade em indivíduos é algo raro, mas em grupos, festas, nações, ela é uma regra". (Friederich Nietzsche)
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Para os éticos do Congresso perseverarem na faxina:

"É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota." ( Theodore Roosevelt)
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Para a aliança entre o prefeito Cesar Maia e o sem mandato Garotinho:

"O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta". (Maquiavel)
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Para Lula refletir sobre a bruma que aspira no poder (1):

"Teus inimigos são todos os que se acham ofendidos porque ocupas o principado; e não podes considerar amigos os que ali te colocaram, pois que não podem estes ser satisfeitos como desejavam. Não te será possível utilizar contra eles remédios enérgicos, pois estás obrigado para com eles". (Maquiavel)
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Para o presidente Lula refletir acerca do poder que representa (2):

"Em nenhum momento e em nenhuma circunstância um comunista deve colocar os seus interesses pessoais em primeiro plano; pelo contrário, ele deve subordiná-los sempre aos interesses da nação e das massas populares. É por isso que o egoísmo, o relaxamento no trabalho, a corrupção, o exibicionismo, etc., merecem o maior dos desprezos, enquanto que a entrega desinteressada, o ardor no trabalho, devoção à causa pública, o esforço intenso e tenaz merecem todo o respeito. Seja em que momento for, um comunista deve estar pronto a persistir na verdade, pois a verdade concorda sempre com os interesses do povo; em todos os momentos um comunista deve estar pronto a corrigir os seus erros, pois todo erro é contrário aos interesses do povo". (Mao Tse-Tung)
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Da Fênix do Senado, Renan (1):

"Política é quase tão excitante quanto a guerra, e quase tão perigosa. Na guerra, você só pode ser morto uma vez, mas, na política, muitas vezes." (Winston Churchill)
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Para José Gomes Temporão segurar firme seu leme:

"Nada é mais difícil de executar, mais duvidoso de ter êxito ou mais perigoso de manejar do que dar início a uma nova ordem de coisas. O reformador tem inimigos em todos os que lucram com a velha ordem e apenas defensores tépidos nos que lucrariam com a nova ordem". (Maquiavel)
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Para a egotrip de Renan (2):

"Se Jesus Cristo não agradou todo mundo, não é eu que vai agradar!" (Carla Perez)

Brasil do Lulla

Triste relance sobre a REALIDADE.

Nunca antes neste Pais by José Negreiros

Como vocês sabem, gosto de escrever pouco, em geral 2 mil caracteres, por duas razões: 1) trata-se de internet/monitor pequeno, o que dificulta a leitura, principalmente para gente da geração de jornal de papel, como a minha; 2) quem escreve pouco já leva uma vantagem, que é correr menos riscos de dizer bobagem.

Dito isso, gostaria de comentar três acontecimentos que tiveram grande repercussão na última semana e sobre os quais, creio, ainda, não se disse tudo. O primeiro é o apoio do presidente Lula aos mensaleiros de seu partido, o PT. Vocês conhecem minha opinião sobre o presidente. Trata-se de um político cujo grande talento começa com a competência de explorar o próprio mito.

Não gosta de estudar, dá a entender que abomina a qualificação que as luzes trazem e viciou-se no marketing pessoal a qualquer custo, uma doença petista típica. Ainda assim, ninguém pode recusar a idéia de que é um gênio.

Quando aparece na televisão na festa dos companheiros, pedindo aplausos para quem está sob suspeição, de acordo com sentença da maior Corte do país, que exemplo pode dar? Além do mais, fez isso baseado no estranho princípio de que ninguém tem mais moral do que aquela turma com quem se congratulava. A turma do mensalão. É inaceitável, sobretudo tratando-se do presidente da República.

Estou esperando suas desculpas.

Segunda observação: toda essa lenga-lenga de mensaleiro do bem e de um congresso do partido sem agenda encobre o verdadeiro problema, que é a falta de candidato do PT para 2010. O que é ótimo para Lula, que à la Getúlio tem dois, na verdade três partidos. Os outros são PMDB e o recém formado “Bloco de Esquerda”. O presidente se encanta com o jogo em torno do próprio umbigo. É uma política que só serve ao próprio ego.

Terceiro pitaco: Lula deu entrevista dizendo que a atual crise, nascida na especulação do mercado imobiliário americano, é muito maior do que México-Rússia-Ásia-Brasil somados, na virada do século. O que Lula pensa? Que somos tão ingênuos a ponto de acreditar numa lorota dessas? Todo mundo sabe que só estamos a salvo porque 2008 ainda não chegou, trazendo a conta da recessão americana.

(José Negreiros é jornalista (www.josenegreiros@terra.com.br)

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Luciano Pavarotti - Ave Maria - Schubert

Hora da Verdade, que a todos aguarda, inclusive os indispensaveis!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

domingo, 2 de setembro de 2007

De Lula hoje em discurso no 3º Congresso do PT, em São Paulo:

Ninguém tem mais ética do que o PT, diz Lula

- Ninguém tem mais ética e moral do que o PT.

- É verdade que podemos ter cometido erros e os erros cometidos estão sendo apurados como precisam ser apurados, mas ninguém nesse país tem mais autoridade moral, ética e política que o nosso partido."

- Mudamos a direção do PT, porque a realidade mudou, mas mudamos sem mudar de lado.

- (Os militantes do partido devem) usar a estrela do PT com orgulho.

- Saio desse congresso de alma lavada, sabendo que alguns companheiros foram indiciados pelo Supremo. Nem eu nem vocês sabemos o que aconteceu, mas aqueles que cometeram erros pagarão. O importante é que quem pertence a este partido tenha orgulho de ser petista.

- Em hipótese nenhuma vou pensar em um terceiro mandato. No dia 1º de janeiro de 2011 estarei entregando a faixa.

- Nos congressos anteriores, o que você mais via nas paredes laterais eram faixas contra o FMI, mas hoje não há nenhuma faixa, pois o FMI não está mais aqui (no Brasil).

- Prefiro que os bancos continuem ganhando dinheiro do que fazer um novo Proer (programa de recuperação) para eles, tirando dinheiro do governo para salvar os bancos.

Alguns trechos do discurso de Lula pela Globo News.

Congresso do PT....................... by R.Noblat

Lula fez o certo
Peraí, gente. Sejamos realistas. Queriam o quê? Que Lula aproveitasse o Congresso Nacional do seu partido para bater forte nos companheiros? Para sugerir que o número de envolvidos no Caso do Mensalão vai muito além dos 40 que viraram réus por decisão unânime dos ministros do Supremo Tribunal Federal? Para confessar que o PT é o menos ético dos partidos?

Estão de brincadeira! Ou estão querendo que Lula mude de lado e passe a pensar como a maioria dos seus adversários. Do ponto de vista de Lula e do partido, ele fez o certo. Distinguiu entre mensaleiros e o PT. E exaltou o PT. Repetiu que ainda não há condenados pelo mensalão - porque de fato não há. E tentou animar seus correligionários na pior semana da vida deles.

A questão não é se o PT é mais ético ou menos ético do que os demais partidos. Foi sob um governo do PT que se produziu o maior escândalo político da história do país - e ponto. A questão é: o partido que chegou ao poder como se fosse diferente revelou-se igualzinho aos demais. Para os que não passam sem uma utopia, está na hora de providenciar outra.

sábado, 1 de setembro de 2007

In vino veritas...-Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa - Um Brinde ao Acaso

Nosso país deve muito ao acaso. Cabral, querem nos fazer crer, veio bater aqui por acaso. Procurava as Índias, não tinha a menor idéia de nossa existência, e o sensacional acaso das calmarias o trouxe até nossas praias. Há belos mapas anteriores à missa em Porto Seguro onde o Brasil aparece, mas isso é um detalhe, foi o acaso que nos descobriu.

Mais tarde, Napoleão Bonaparte cismou que ia ser dono do mundo. Invadia os países dos outros com a maior naturalidade e lá colocava a penca de irmãos que tinha, como reis. Se não tinha irmãos disponíveis, ia de marechais mesmo. Pois bem, cismou com o pequenino Portugal que, por acaso, tinha uma bela e próspera colônia a seu dispor. Que fez o Príncipe Regente que, por acaso, reinava em nome de sua mãe, D.Maria I, a Louca? Correu para cá com toda a corte, isso em 1808.

Mais uma vez, o acaso veio em nosso socorro. Napoleão tantas fez que perdeu todas, e a Europa reuniu-se em Viena para retomar seus reinos e recolocar tudo nos seus devidos lugares. No caso de Portugal, só queriam reconhecer Lisboa como capital a ser restaurada; D.João, por acaso já apaixonado pelo Brasil, agiu rápido e, em 1815, elevou o Brasil a Reino Unido aos de Portugal e Algarves. De colônia à sede de um Reino, não fosse a ambição desmedida do grande general e ao vitorioso inverno russo, isto é, ao acaso, não teríamos dado esse pulo tão cedo.

Passam-se sete anos; o bravo e mal-interpretado D.João VI já regressara a Portugal. Deixara o belo e animadíssimo filho Pedro aqui, não sem antes lhe dizer que não bobeasse, qualquer coisa, tomasse a coroa para si antes que outro aventureiro o fizesse. Sabia das coisas esse pai. Logo que a ocasião se apresentou, D. Pedro que, por acaso, passava pelas margens do Ipiranga, em São Paulo, recebe notícias adversas vindas de Portugal; logo se lembrou das palavras do pai e deu o célebre grito. Dizem que sua parada naquelas plagas se deveu a um infeliz acaso. Sabe-se lá. O fato é que o Ipiranga entrou, por acaso, em nosso hino.

Em 1889, o ambiente político estava complicado. Questões militares mal resolvidas eram responsáveis por tumultos e conspirações. Republicanos do Rio e de São Paulo, e alguns oficiais do Exército, resolveram que na próxima reunião da Assembléia Geral, que se daria a 20 de novembro, proclamariam a República. Mas quis o acaso que boatos infundados, dando conta da prisão imediata do marechal Deodoro da Fonseca e do tenente-coronel Benjamin Constant, precipitassem os acontecimentos. O Marechal Deodoro se aproveita do acaso e já no dia 15 de novembro, é instaurado o novo regime.
O tempo passa, corre até. Houve quem dissesse que é o senhor da razão. Parece ser. O acaso não nos abandona, disso a História recente é testemunha.

Mais um exemplo: o Brasil acaba de passar por um de seus mais belos momentos, a aceitação da denúncia contra os membros da Sofisticada Organização Criminosa que pretendeu nos acorrentar a um Brasil pequeno e medíocre, para todo o sempre. O Supremo Tribunal Federal mostrou-se em toda a sua glória: inteligente, articulado, brilhante. Ficamos todos, os brasileiros de bem, absolutamente entusiasmados com a decisão do STF.

Mas, lá estava o acaso de olho no Brasil. Dois ministros, distraídos, para aliviar a tensão de ouvir por horas a fio a lista de crimes e criminosos, resolveram trocar e-mails e um fotógrafo ágil, profissional de primeira linha, fotografou as telas dos computadores dos Meritíssimos. O assunto é do interesse dos brasileiros, a sessão era pública, o jornalista cumpria seu dever e o acaso mais uma vez veio em nosso auxílio: ficamos sabendo como pensavam e agiam pelo menos dois ministros do STF, a ministra Carmen e o ministro Lewandowski.

O ministro Lewandowski parece que não se satisfez com esse acaso e provocou outro. Foi jantar no Expand Wine Bar by Piantella. Esse bar, descrito nos guias turísticos como um dos lugares românticos da noite brasiliense, tem um jardim, com mesas também. Nosso ministro resolve que ali era um local apropriado para bater um papo de 10 minutos ao celular e contar todas as desventuras que sofreu no julgamento. Ele e seus pares, coitados, ficaram com a faca afiada da Imprensa Má e Cruel em seus pescoços! Por isso, e só por isso, ‘não amaciaram para o Dirceu’.

Que baita acaso, hein? Num dos domínios de um dos maiores amigos de José Dirceu, esse bar com nome nova-iorquino, muito bem freqüentado pelos habitantes da Capital Federal, foi o local escolhido por Sua Excelência para fazer confissões bombásticas pelo celular. A jornalista da Folha de São Paulo, que estava sentada no jardim, ouviu toda a conversa e dela fez o uso que o acaso pretendia que fizesse.

Que faz o presidente Lula enquanto o Brasil assiste a tudo isso? Nada. Enquanto prestávamos atenção no que se passava no Supremo, o presidente fazia uma declaração espantosa, vinda de um nordestino, de um homem que vai ao Nordeste com a mesma facilidade com que vamos à esquina. Declara, abro aspas: “Alguém cometeu um erro contra nosso caju em um momento da história”. Li várias vezes. Não conseguia atinar com o erro. Depois me lembrei que o presidente Lula não é deste mundo; é natural que não conhecesse o caju.

Não vou aqui perder meu tempo, e o de vocês, enumerando todas as coisas que se pode fazer com essa fruta tão nordestina que até lembra as cores e o cheiro do Nordeste. Lembro apenas que, por acaso, além da célebre batida de caju, existe também o vinho de caju; com ele podemos então, já que o acaso fez com que o presidente Lula a essa fruta fosse apresentado no mesmo dia em que a SOC foi transformada em ré, fazer um brinde ao acaso que nos uniu: À Imprensa!, na figura deste blog.

Aos copos, pois, e um brinde ao acaso!