quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Noblat rides again.....

STF
Tem cheiro de um grande acordão no ar
Atentai bem: algo houve, só não consegui ainda saber direito o que foi.

Seguinte: Lula assinou esta manhã a nomeação do jurista Carlos Alberto Menezes Direito para a vaga de Sepúlveda Pertence no Supremo Tribunal Federal.

Direito fará 65 anos de idade no próximo dia oito. Ninguém pode chegar ao Supremo com 65 anos de idade ou mais. Então ele terá que ser empossado até o dia seis. Dia sete é feriado.

O tempo é curto. Curtíssimo.

Para suceder Pertence, o nome de Direito será votado, primeiro, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado presidida por Marco Maciel (DEM-PE). E em seguida no plenário do Senado.

Presidente de Comissão põe uma matéria para votar quando quer. E quando não quer, enrola, ganha tempo e até engaveta.

Direito é ministro do Superior Tribunal de Justiça e também do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ali corre um processo para cassar o mandato da senadora pelo Rio Grande do Norte Rosalba Ciarline Rosado, do mesmo partido de Maciel.

Ela é acusada de ter se beneficiado de 64 entrevistas concedidas no primeiro semestre do ano passado à emissora de televisão do seu colega José Agripino Maia, líder do DEM no Senado. Ainda não era senadora à época.

Três ministros votaram pela absolvição de Rosalba. Dois pela cassação do mandato dela. Na semana passada, Direito pediu vistas do processo.

Está começando uma nova sessão do TSE. O processo contra Rosalba é o décimo primeiro ítem de uma pauta com 32.

Se Direito votar pela cassação, o voto de desempate será dado pelo presidente do tribunal, Marco Aurélio de Mello. A amigos, Marco Aurélio havia confidenciado que votaria pela cassação. Há pouco ele foi visitado por Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), líder do DEM na Câmara dos Deputados.

- Juro pela alma do meu avô, que está no céu, que não tratei com o ministro do processo contra a senadora Rosalba - disse ACM Neto a Diego Amorim, repórter do blog.

Sim, eu quase esquecia um pequeno detalhe: o primeiro ítem da pauta da reunião de amanhã da Comissão de Constituição e Justiça do Senado é a mensagem despachada por Lula nomeando Direito para o STF.

(Atualização das 19h31: Aberta a sessão do TST, o ministro Marco Aurélio de Mello levantou uma preliminar aceita unanimemente por seus pares: a nomeação de Direito para o STF depende de aprovação do Senado. Ele deveria se sentir impedido de votar no processo que pode resultar na cassação do mandato de um senador - no caso, Rosalba. Será requisitado outro ministro ao Superior Tribunal de Justiça para votar no lugar de Direito. O julgamento do processo foi adiado.)

Fenômeno do Crescimento.....

Em agosto, o banco que mais cresceu no País não foi Itaú, nem Bradesco, Unibanco, tampouco o Banco do Brasil: foi o banco dos réus.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Pereira brother's & friends........

À sombra do velho Estado Novo

O mestre em ciência política Luiz Werneck Vianna (Iuperj) chamou a atenção, em entrevista ao Estadão dia 5 de agosto, para aspectos que são mais do que simples coincidência no governo Lula:“ecos do ideário que gerou o trabalhismo brasileiro”, presença atuante de “representações corporativas de trabalhadores e empresários”, notória dificuldade presidencial de “conciliar interesses conflitantes” e “centralização ostensiva”. Não ficam de fora sequer os escândalos que abalam a representação política nacional. E definiu o quadro como o “Estado Novo do PT.”

O segundo mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva favorece deduções que, embora debaixo dos olhos, pedem mais atenção. Somam-se abstinência crítica da esquerda e sintomática alienação oposicionista. O próprio PT prefere não ver. A sentença de Werneck Vianna poderia ao menos sacudir a inércia petista e lembrar às esquerdas a perda da oportunidade aberta pela ascensão petista ao poder. A vitória eleitoral não ocorreu por acaso. O governo do PT perdeu a perspectiva histórica e não entendeu como chegou até aqui, e muito menos aonde irá parar.

Tancredo Neves definiu a natureza política do regime de 1964 como o “Estado Novo da UDN” e, vinte anos os depois, com a mesma arma _ o voto indireto _ retomou aos governos militares a estrada sinuosa rumo à democracia. Com o petismo no lugar do udenismo, a situação constrangedora se repete. No vazio crítico, as observações de Werneck Vianna têm adrenalina capaz de reativar as esquerdas perplexas. Por medo das conclusões (que não estão no passado, mas à disposição do presente ), o debate se frustrou dentro e fora do PT. O governo Lula marca passo na nostalgia de soluções de curto prazo, embora haja espaço para o debate nos limites do marxismo e da experiência socialista no século 20, sem compromisso com o que não deu certo. A fórmula que caracterizou o trabalhismo à brasileira não é mais aplicável ao país industrializado e inserido na desconfortável e incerta globalização. É estéril o hábito de ignorar, por princípio, a luta de classes como cenário. Nosso trabalhismo equilibrava-se na representação compartilhada por dirigentes sindicais, tanto de empregados quanto de empresários. O denominador comum foi o peleguismo de patrões e empregados. O sindicalismo patrocinou soluções obtidas no avesso da luta de classes. O Brasil, “essencialmente agrícola”, queria distância da reforma agrária. O agro-negócio não fará do governo Lula um espetáculo de esquerda.

Diante das eleições (presidencial e representativa) em 1945, a oposição se adiantou em fazer a cabeça da então restrita classe média, que hoje é o lastro histórico da democracia. O PTB foi o beneficiário político e eleitoral de Getúlio Vargas graças à estrutura sindical manipulada e controlada pelo Ministério do Trabalho. Mas a classe média adquiriu consistência, cresceu e se tornou indispensável. Nenhuma tendência governa sem contar com ela.

“É mais do que metáfora”, adverte Werneck Vianna sobre o Estado Novo do PT. Multiplicam-se os sinais de esvaziamento da confiança política a partir do Legislativo. Riscos à vista. Lula realimenta a popularidade de baixo custo com o declínio dos partidos e a banalização dos escândalos parlamentares. Fala-se de sucessão com foco oculto na gestação do terceiro mandato. O fato é que a reeleição não resolveu velhos problemas que crescem, perigosamente, por conta própria.

Wilson Figueiredo é jornalista------------in Blog do Noblat

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

FLANELINHA

— Pronto. Deixa solto. Quatro estrofes de Drummond, chefia.
— Como é que é?
— Pra parar o carro aqui, quatro estrofes.
— Tá louco, ô, moleque? Semana passada, eu parei nesse mesmo lugar e só tive que recitar cinco versos de Bandeira!
— O preço é tabelado, chefia. A gente temos sindicato e tudo. Se fizero esse preço pro senhor, esse sujeito deve de ser denunciado. Tá vilipendiando a arte.
— Três estrofes e não se fala mais nisso, ok?
— De João Cabral?
— Peraí, não era de Drummond?
— Quatro de Drummond, três de João Cabral. Sabe como é, o homem concorreu ao Nobel…

Ordenha e Progresso

Indústria da desconfiança: Nova vigarice na praça: empresas quase fantasmas participam de licitações só para chantagear concorrentes em condições de vencê-las: se receberem o valor exigido, desistem de recursos e de medidas judiciais protelatórias

domingo, 19 de agosto de 2007

(feliz que nem)Pinto no lixo

Igual ao cartão de crédito
Ganhar do Fluminense, no Maracanã lotado, com nove em campo e com gol de um argentino... não tem preço!

Tutti buona gente by Ancelmo Gois

Esse usineiro João Lyra, algoz de Renan em Alagoas, foi quem indicou uma pessoa de sua confiança para tomar conta do caixa da campanha de Collor, em 1987.

Seu nome: Paulo César Farias.

Boneca esperança

O mundo moderno vai estranhar alguns detalhes. Talvez não os considere possíveis.

A letra um pouco vacilante, infantil, grande demais. Dava para ver que o endereço tinha sido manuscrito, com esforço, sílaba por sílaba, com dedicação para acertar e muita calma para não borrar nenhuma letra. O resultado era um pouco desalinhado, esparramado, sem muita diagramação, ocupando mais espaço do que parecia ser necessário para um destinatário.

Reparei bem no R, maiúsculo, usado no meio do nome próprio. ValéRia. Gostaria de nem ter notado, mas fazer o que? Eu sou assim, coloco reparo no que devia ser minúsculo e no entanto, está ali, maiúsculo, dizendo algo sobre quem o escreveu. Na falta de saber como se escreve um r, ora, que jeito, coloca-se o velho R e lá se vai a encomenda.

A ValéRia para quem o embrulho era destinado, escrito assim, não se parecia muito comigo, mas o endereço estava certo e a encomenda chegou e me foi entregue em mãos.

Olhei para o papel pardo e valorizei muito aquele R. Vi algo de valor naquela caligrafia torta, naquele R grafado como saída para o que não podia ser um empecilho. Mesmo errado, ele era o registro perfeito da conquista daquelas mulheres lá no interior da Paraíba. Mulheres que não tinham emprego, não tinham opções de trabalho até o dia em que se reuniram em torno de uma associação de artesãos e hoje fazem bonecas de pano. Não só criaram produtos como fazem com que eles cheguem em locais distantes.
Quando tirei o papel pardo esperava ver as cores das bonecas, mas me deparei com uma caixa de sapatos vermelha, amarrada com barbante, para proteger a mercadoria.

Desculpe, mundo moderno, você nunca saberá o que é receber uma mercadoria numa caixa de sapatos vermelha. Você receberá suas encomendas em embalagens propícias, com plástico bolha e fitas adesivas e não se comoverá com esse tipo de aproveitamento de material.

Eu me comovo. Eu sei o quanto de superação e de conquista veio nessa caixa. Eu sei o quanto esse trabalho rende de confiança e de respeito para essas mulheres lá no interior da Paraíba. Um interior que não podia ter nome mais propício: Esperança.

A emoção veio de Esperança – Paraíba – Brasil. Veio endereçada: ValéRia. Andou muito para encontrar o seu destino final. Encontrou uma Valéria um pouco diferente daquela a que se destinava, mas chegou. E isso é o que mais precisa ser valorizado.

Valéria Grassi é escritora - valgrassi@uol.com.br

sábado, 18 de agosto de 2007

Frases

É preciso mudanças. Muita gente acha que o melhor é deixar como está pra ver como é que fica. Mas basta observar algum tempo qualquer pessoa sentada pra perceber que a mudança é fundamental ao ser humano. Nem que seja apenas pra descansar a outra parte da bunda.
"Millôr Fernandes"

ECT: ninhada incômoda

Um ninho de "tucaninhos", funcionários dos Correios aninhados em cargos de confiança, aproveita-se da Operação Selo, da PF, para desestabilizar a cúpula da estatal, indicada pela base governista. Tentam colar na atual gestão os escândalos que nasceram quando eles dirigiam a empresa.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Exemplos........repetidos e tristes

Brigadeiro acovardou-se
Amarelou o brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero. Logo depois da tragédia do Airbus da TAM em Congonha, O Globo lhe perguntou:
- A revista “Veja” afirma que Denise Abreu, diretora da Anac, tentou jogar na Infraero a culpa pela não-interdição de Congonhas, no dia do acidente. O senhor respondeu que se ela continuasse acusando a Infraero ia abrir a “caixa preta” dela...
O brigadeiro respondeu:

- A Denise é terrível! Se eu não estivesse saindo da Infraero, eu ia comprar uma grande briga com ela. Ela quer tirar da Infraero o controle do setor de cargas de Congonhas e Viracopos, para levar para o aeroporto de Ribeirão Preto, que pertence ao governo de São Paulo. O terminal de cargas nesse aeroporto já é dominado pelos amigos dela, pelo empresário Carlos Ernesto Campos. Toda reunião do conselho da Anac ela fala disso, com o argumento de que é para desafogar Congonhas e Viracopos. Isso é um negócio que movimenta R$ 400 milhões por ano. Ainda bem que estou indo embora. Isso vai estourar qualquer hora dessas.

Acareado, hoje, com Denise pela CPI do Apagão Aéreo do Senado, o brigadeiro deu para trás. Alegou que foi pressionado pelo repórter do jornal a dizer o que dissera.

Mentiu. Um mês antes da entrevista, o brigadeiro dissera a mesma coisa à deputada Luciana Genro (PSOL-RS).

Ficou com medo de ser prejudicado pelos "comissarios" e processado por Denise.Com certeza arranjou uma "boquinha" no governo.Claro......

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O rabo da Porca - Sonetos Cínicos e Políticos

“Jornalismo com Foro Privilegiado”

Baixou a regra o Sindicato do Carguinho:
“Ninguém entrevista um ladrão sem ter registro;
E quem outorgar licença-prévia a cão sinistro,
Vai incentivar o informalismo do porquinho

Que se recusa a ter diploma Control-C,
E pós-doutorado em teoria Control-V,
Porque não fecha com o discurso apiário
– Da abelhinha que faz mel sugando erário".

Até tolero que bandido aceite o amparo,
Mas nada impede que eu explore esse mioma
Sem ter canudo alforriando o câncer raro.

Deus! Se vingar esse fascismo a todo lado
- De que ladrão não se entrevista sem diploma
- Como farei pra entrevistar chefe de estado?

em O rabo da Porca - Sonetos Cínicos e Políticos

(santinha, a estagiária)

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

FHC, o invejoso by Luiz Carlos AZENHA

FHC ressuscitou.
Está em todas.
Nunca um ex-presidente foi tão citado pela mídia
A mídia golpista adora o FHC.
Teriam sido as "negociatas" da privataria?
A base de Alcântara, que FHC queria "entregar" aos americanos?
Ou teria sido o ministro da Justiça de FHC, um certo Renan Calheiros?
FHC palpita sobre tudo, mas nenhum repórter tem coragem de perguntar a ele quem é que pagou as contas do filho do senador com a jornalista da Globo.
Se não foi o próprio FHC, quem foi?
E o que recebeu em troca?
Eu juro para vocês: se eu encontrar o FHC na rua ou em algum evento público eu vou fazer essa pergunta.
Não devemos admitir a hipocrisia: se o Lula teve de responder e o Renan Calheiros também, devemos poupar FHC?
Devemos poupar as crianças, que não têm nada com isso.
Digo, antes de prosseguir, que o fato de que Lula desperdiça sua taxa de aprovação apoiando Renan Calheiros é nojento.
Nada justifica isso, nem a tal "governabilidade".
Renan, ACM, Sarney, Roriz - essa gente deveria ser enterrada.
É o atraso do atraso do atraso do atraso.
Pior que a elite brasileira, que é apenas o atraso do atraso do atraso.
O problema do Lula é que ele tem medo.
O sonho de Lula é ser o FHC.

E o sonho do FHC é ser tão popular quanto o Lula.

À revista Economist, que o considera presidente-em-exercício, FHC papagaiou um bordão que deve ter sido produzido no mesmo laboratório de onde saiu o Pan do Brasil.
Alguma coisa do gênero: chega de fazer comparações com o passado, devemos fazer comparações com os nossos competidores.
É óbvio que FHC não quer mais comparações com o passado.
O governo Lula dá de dez a zero em todos os sentidos, inclusive no número de CPIs instaladas e em atividade, no combate à corrupção, na defesa dos interesses nacionais, na economia, na distribuição de renda e por aí afora.
FHC comprou a sua reeleição e a mídia abafou o escândalo.
O problema do sociólogo é que a comparação do Brasil com os competidores é favorável... ao Brasil.
Se você isolar o número do PIB - que é o que fazem os puxa-sacos de FHC -, o Brasil sai perdendo.
Mas você gostaria de morar na China, país de partido único, sem democracia, com a imprensa amordaçada, problemas gravíssimos no meio ambiente, falta de terras, de água e 200 milhões de camponeses miseráveis que detonam o seu salário?
E na Índia, em pé de guerra com um vizinho, com graves problemas entre hindus e muçulmanos, terrorismo, fome, falta de água e a divisão da sociedade em castas?
E na Rússia, com um regime autocrático, em guerra com uma de suas províncias, "cercada" pelos americanos, com centenas de mísseis nucleares apontados em sua direção?
Dos BRICs o Brasil é a melhor opção para os investidores estrangeiros.
Ou é por acaso que está chovendo dinheiro no Brasil?
Que o dólar só faz despencar?
O Brasil oferece uma plataforma razoavelmente segura para investimentos, sem comoções internas, com ótimas perspectivas de crescimento, terra e água à vontade e um monte de brasileiros dentro.
É o lugar ideal para se instalar e disputar um mercado em crescimento, o da América Latina.
Sim, temos um gravíssimo problema de violência, uma guerra civil não declarada por causa de uma distribuição de renda criminosa.
Mas o governo que está no poder está enfrentando o problema, com resultados visíveis.
Em que país do mundo as vendas pela internet têm aumento de 49% em relação aos primeiros seis meses do ano anterior?
Eu não vou ficar aqui desfiando todos os números da economia.
Faça isso você mesmo e vai ver que o governo Lula, ainda que enrolado com todo tipo de trapaceiro, dá de dez a zero no de FHC.
Se o Lula ousasse um pouquinho mais e usasse a autoridade que tem com mais de 60 por cento de aprovação popular poderia passar feito um rolo compressor sobre FHC e sua turma... politicamente.
Mas o Lula é de negociar, busca sempre o consenso, o que dá a impressão de paralisia.
O Lula é melhor presidente e melhor político que FHC.
E eu imagino o quanto deva doer, num professor da Sorbonne oriundo da aristocracia paulistana, o fato de perder para um nordestino que se formou no SENAI.
Publicado em 3 de julho de 2007 "site "Vi o Mundo"

domingo, 12 de agosto de 2007

O Barão de Itararé.....

O Barão de Itararé, já dizia na metade do século passado, certamente de olho nos dias de hoje: "O mal do governo não é a falta de persistência, mas persistência na falta".

Nas asas da Infraero by Geraldo Doca/OGlobo

"Responsável pela administração de 67 aeroportos em todo o país, a Infraero abriu as portas para os apadrinhados. Nos últimos anos, a empresa estatal que está no centro da atual crise aérea se especializou em contratar sem concurso e virou alvo da cobiça dos partidos aliados do governo. Ao mesmo tempo em que os cargos mais elevados eram preenchidos por indicações políticas, a direção da empresa usava uma brecha legal para dar emprego e altos salários a mais de 200 pessoas. Empossado na última semana, o novo presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, diz que é hora de demitir.

Ele está decidido a exonerar pelo menos cerca de cem apadrinhados, que entraram na empresa sem concurso público. Esse contingente entrou para a estatal pela janela dos chamados contratos especiais de trabalho, um instrumento utilizado pelo atual governo para inflar o quadro de pessoal da empresa. A medida, segundo ele, vai servir para cumprir uma norma interna que já existe e limita esse tipo de contratação a 1% do quadro de funcionários, atualmente em 10.650. Isso significa que a Infraero só deveria ter 106 casos de contratação especial. Na semana passada, Gaudenzi recebeu uma lista com 207 nomes. E ao lado deles salários de R$ 11 mil (nível I) e R$ 9,2 mil (nível II).

— Vamos fazer um trabalho para rapidamente retornar ao teto. Quero ter no máximo 120 pessoas nessa situação — disse Gaudenzi, que levou em conta uma estimativa de que a estatal teria 12 mil servidores."

"Mesmo com uma capacidade excepcional de gerar caixa, a Infraero, que administra os mais importantes aeroportos do país, dá prejuízo. Por mês, são R$ 270 milhões em receitas arrecadadas com tarifas de embarque, pouso de aeronaves, armazenamento e envio de cargas e aluguel de lojas e espaço publicitário. Mesmo assim, a estatal precisou da ajuda do governo federal, pela segunda vez, no valor de R$ 350 milhões para evitar a paralisação de obras nos aeroportos neste ano. A estatal opera no vermelho já há dois anos consecutivos.

Técnicos do setor questionam: como uma empresa que fatura R$ 2,2 bilhões por ano não consegue ter lucros? Em 2001, por exemplo, com 74 milhões de passageiros viajando de avião, a Infraero teve lucro de R$ 143 milhões. Ano passado, apesar dos aeroportos terem registrado movimento de 102,2 milhões de usuários, o que significou mais vôos e portanto, mais ganhos com tarifas, houve prejuízo de R$ 135,3 milhões. Em 2005, o resultado negativo foi ainda maior, de R$ 458,1 milhões."

Triste res publica brasiliana... by Noblat

Furnas vive incerteza com chegada de Conde/De O Globo, hoje:

"Um encontro promovido pela área de Recursos Humanos de Furnas exibiu, sexta-feira passada, o clima de incerteza que tomou conta dos funcionários após a indicação do ex-prefeito Luiz Paulo Conde para a presidência da empresa. O atual presidente, José Pedro Rodrigues de Oliveira, aproveitou o evento, no Jockey Club, no Centro do Rio, para o discurso de despedida. A grande dúvida dos presentes é descobrir os nomes que Conde, cota do PMDB e integrante do grupo do deputado federal Eduardo Cunha, levará para os postos-chave da estatal.

Estão em jogo cifras milionárias. Só a Fundação Real Grandeza, fundo de pensão da empresa, gere cerca de R$ 4 bilhões em ativos. A troca — o nome do novo presidente será confirmado na quarta-feira, em assembléia convocada pelo conselho de administração de Furnas — ocorrerá no momento em que a empresa prepara o processo de licitação da Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, obra orçada em R$ 28 bilhões.

O temor dos funcionários é que se repita com a Real Grandeza o que ocorreu com a Prece, fundo de previdência da Cedae. O grupo político que atuava na estatal fluminense também era ligado a Eduardo Cunha. Durante o governo Rosinha Garotinho (2002-2006), o secretário estadual de Meio Ambiente, a quem a Cedae é vinculada, era Conde. Auditoria contratada pelo conselho deliberativo do fundo este ano constatou aplicações "temerárias" cometidas pela Prece em 2006. Em uma delas, foram aplicados R$ 74 milhões em uma corretora com um ativo de R$ 80 milhões e um passivo de R$ 326 milhões." Leia mais em O Globo

"A indicação do ex-prefeito Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas provocará um realinhamento das forças políticas na empresa. Embora o atual presidente, José Pedro Rodrigues de Oliveira, seja ligado ao PMDB mineiro — grupo diferente do PMDB de Conde —, o PT também exerce forte influência na estatal, principalmente nas estratégicas áreas de previdência e assistência social. Nessas áreas, o poder não se resume apenas a gerir cifras milionárias. Também estão em jogo cerca de 170 cargos cujo acesso não depende de concurso público.

Um dos setores marcados pela influência petista é a Caixa de Assistência dos Empregados de Furnas e Eletronuclear (Caefe). A entidade foi criada em 2000, depois que a Secretaria de Previdência Complementar proibiu fundos de pensão como a Real Grandeza, de Furnas, de continuar oferecendo aos participantes benefícios na área de assistência social, como seguros de vida e cesta básica." Leia mais em O Globo

sábado, 11 de agosto de 2007

Oportunismo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em cujo governo se criou o monstrengo, é agora contra a CPMF.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Millôr & Rolando Lero


Com projetos que não saem do papel, fica claro que o maior problema no canteiro de obras do governo Lula não é o dinheiro, são os "cumpanheiro". Não há competência para execução.

Música para ouvidos cansados by Carlos Melo

Reclamar é fácil; sair do labirinto é que são elas. Exige abrir diálogos, eleger parceiros, acumular forças, construir consensos. É a arte da política. Já a simples reclamação, na crença de transformar o “cidadão” em “cliente”, reduz a cidadania ao Procon, a um serviço de relacionamento qualquer. A política não entende essa linguagem, mais adequada a barões enfadonhamente cansados. O espaço de que a política se ocupa pede energia e disposição, não moleza.

Nos últimos dias, assistimos a exemplos contraditórios: de um lado, o movimento “Cansei”, reativo e sem objetivo delineado; perdido na ilusão de realizar um protesto de massas, coisa para profissionais do ramo. Do outro lado, o ministro Nelson Jobim, que surgiu à cena como um raio de assertividade e autoridade, em tudo diferente dos vacilos e procrastinações habituais do governo Lula.

“Cansei”, o nome dispensa comentários; possui virtudes possivelmente anuladas pelos próprios defeitos. Não há golpismo e o radicalismo é coisa démodé para seus líderes. Estão indignados, sim, e querem canalizar eleitoralmente a indignação; o que os norteia, porém, não lhes permite vôos mais ousados. O voluntarismo é grande, mas não se registra a mesma inconseqüência do PT de ontem, do “Fora FHC”.

É certo que não engolem Lula e o PT, e ainda lamentam a sensaboria de Alckmin. Mas, daí até um golpe vai distância. Não há nada que os articule de verdade. Faltam lideranças que consigam arrebatar descontentes: não há Lacerdas e nem Levis para incendiar o ambiente e organizar “marchas” com deus e o diabo. Apesar dos pesares, é um avanço: não se quer e nem se pode virar a mesa.

Todavia, até para reclamar é necessário fazer política, fragilidade maior do “Cansei”. Possuir temário relevante – a crise das políticas urbanas e a pouca atenção dispensada aos setores médios – não basta quando pouca ou nenhuma energia é politizada: não se aponta questões estruturais, não se indica quem se favorece delas e nem há a preocupação em encontrar soluções para além da tal “vontade política”. Perde-se bons argumentos apenas.

Quanto a ser da “elite branca” – expressão de Cláudio Lembo adotada pelos petistas --, é fato que a inabilidade permitiu que à frente do “Cansei” se postassem alguns dos mais chiques e bem vestidos do país. Gravatas de seda e colarinhos ingleses, no entanto, não são bons símbolos para quem reivindica. Não se amassa barro com mocassins italianos; a massa desconfia.

A essência do protesto se perde na sua estética e o PT explora isso. Até Ricardo Berzoini demonstrou graça e inteligência pouco comuns no seu caso: “Coisa do ‘Haddock Lobo’ ou do ‘Oscar Freire’”, disse a respeito. Demonizar as “elites”, no entanto, foi apenas estratégia esperta; saída pela tangente. Lula fizera algo parecido, no auge da crise do “Mensalão”. O que chama atenção é que agora tenha se socorrido tão rapidamente desse expediente. As vaias do Maracanã realmente o magoaram.

Elegante, mas politicamente simplório, o “Cansei” limitou-se à exibição de umas poucas bandeiras e frases de efeito, articuladas pela internet. Perdeu-se oportunidade de mobilizar energias em benefício de uma pauta realmente importante: a qualidade de vida nos grandes centros e a ineficácia do Estado nos seus três níveis. Espaço para pressão haveria.

Inexistem políticas para classe média que sofre “a síndrome do filho do meio”. Espremida entre o “primogênito” mimado e o “caçula” desprotegido, fica a míngua sem atenção. Haveria margem para discussão de reformas e negociação democrática. Políticas públicas para centros urbanos beiram à catástrofe, quando não chegam à catástrofe. Mas o cansaço mental...

No cerne desta questão, estaria a visão, a organização e a gestão do Estado, mais decrépito e cansado que o “Cansei”. A insensibilidade estratégica, no entanto, corrói a idéia de política e nisto consiste nossa verdadeira tragédia: abrir mão de projetos; recorrer ao raso senso comum, despido da necessária complexidade do mundo. Falta sagacidade. Ir às ruas é fácil, difícil é ser ouvido. Sem propostas, gritos transformam-se em sussurros.

A volta do Analista de Bagé

Com ar de velho conhecido, Nelson Jobim ocupou espaços que conhecia de outros carnavais. Abancou-se na cadeira mais frágil, se instalou largo e espaçoso: bombachas, cuia, chilenas e rebenque. Foi como dissesse “Lula levanta-te e anda!” Agiu com invejável e incomum autoridade.

Em meio à anarquia, pontificou: “Quem manda é o ministro”. Perguntado por ajudante-de-ordens se acompanharia um brigadeiro a certa vistoria, atropelou: “o brigadeiro é quem me acompanha; acompanho apenas ao presidente de República”. É isto e “no más”, como diria o Analista de Bagé, revisitado por Jobim. O governo Lula parece mesmo carecer da técnica do “joelhaço”, antiga prática do Analista.

É possível que sua estatura de gigante seja apenas o efeito invertido da inaptidão dos anões reinantes. É possível. Sobra-lhe certa soberba, mas, fato é que o ministro parece talhado à política; possui instrumentos raros: circula no Judiciário, que há pouco deixou; tem raízes no Congresso; no PMDB é “histórico” e na oposição cultivou amigos e interlocutores. Resta o PT, o que não constitui novidade.

Jobim surpreende fazendo o certo e o óbvio: foi ao local do acidente da TAM, compareceu ao necrotério, esteve com familiares. Ganhou respeito e exposição enquanto Lula se encolhia. Começa agora a discutir a segurança pública do Rio de Janeiro. Transborda de suas atribuições fazendo apenas o que é sua prerrogativa e obrigação. Se obtiver 50% de sucesso, terá a seu favor um efeito simbólico extraordinário.

Seu surgimento na cena limita ainda mais os espaços do PT e torna mais explícita a aridez de líderes e candidatos à sucessão. Expansivo, é natural que supere fronteiras, divisas e feudos na administração. Por tudo isto, tende a ficar exposto ao Fogo-Amigo, sujeito oculto, personagem de destaque no governo Lula.

Em baixa com o esquartejamento semanal de Renan Calheiros, o PMDB pode se reencontrar em torno Jobim, nova perspectiva de poder. Cabe ao ministro anular a lógica de escorpião que domina a legenda. Para José Serra e Aécio Neves configura-se um fato novo. Em virtude de relações pessoais, o paulista tem o poder reforçado, ainda que no longo prazo possa resultar como adversário (ou aliado?). Já para Aécio, se configura o estreitamento do hipotético “Plano B” eleitoral, no PMDB.

Mais que o destino, é a dinâmica política que faz presidentes da República. Basta recordar Collor, Fernando Henrique e o Lula remodelado pela necessidade. A fortuna conduz esses processos. O potencial de visibilidade de Jobim ocupa os vácuos e este é o fato. Dará frutos? Nem o Analista de Bagé saberia dizer. Certo é que expressa autoridade que soa como música para ouvidos cansados.

Carlos Melo, Cientista Político, doutor pela PUC-SP, Professor de Sociologia e Política do Ibmec São Paulo. Autor de Collor: o ator e suas circunstâncias (Ed. Novo Conceito) (carlos.melo@isp.edu.br)

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Pensar, livre pensar

Renan Nicolas Sarkozy Calheiros
Agora que o STF entrou na história, com as novas denúncias feitas pela revista "Veja", a situação de Renan Calheiros se complicou de vez.

Mas veja só. Até a semana passada, o presidente do Senado parecia ter o apoio da maioria de seus colegas. O apoio vinha de uma constatação terrível. A maior parte dos senadores também aceita mimos de empresários. Só outro exemplo: o senador Heráclito Fortes, do DEM, viajou várias vezes para o Piauí, sua terra, num jatinho de Daniel Dantas.
Esta promiscuidade não se dá só aqui. Veja Nicolas Sarkozy, recém-eleito presidente da França. Em maio, esbaldou-se em Malta num luxuoso iate do empresário Vincent Bolloré, dono de um império que inclui jornais. Agora, o mesmo Sarkozy curte férias no estado americano de New Hampshire, numa mansão de Mike Appe, ex-diretor da Microsoft, com sala de cinema, spa e até praia privada.
O presidente francês, para se defender, diz que tem direito de "ter amigos ricos" e que isto não custa um centavo sequer do bolso do contribuinte francês.
Ora, é preciso ser muito ingênuo, ou muito esperto, para achar que empresários concedem prendas a políticos sem nenhum interesse. Milton Friedman - Prêmio Nobel de Economia e tão festejado pelos empresários por suas idéias liberais - já dizia que "não há almoço grátis".

Afundando

Nunca foi tão oportuno o apelo "Vai fundo, Brasil", mote da nova campanha publicitária da Caixa.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Cubanos e colombianos

O devido processo legal

Os perigosos cubanos desertores foram mandados de volta para casa em dois dias pela operosa polícia política, digo, federal brasileira.

Já o maior traficante colombiano, Juan Carlos Ramirez Abadía, um dos bandidos mais procurados do mundo, preso ontem pela PF em São Paulo, terá direito ao chamado "devido processo legal" antes de ser extraditado para os EUA. Coisa de muitas e muitas semanas.

Dura lex, sed lex.

Olga Benario (Prestes)

A entrega dos pugilistas cubanos ao ditador Fidel Castro fez muita gente lembrar a entrega da judia Olga Benário, pelo ditador Getúlio Vargas, ao tirano Adolf Hitler. É a História que se repete.

domingo, 5 de agosto de 2007

Burrice precificada

O bom sinal dos últimos tempos é que a economia desapartou da política e todas as bobagens ecoadas do governo já não têm efeito nos humores do mercado.
A burrice e a incompetência já estão embutidas no custo Brasil.

O cafajeste muderno by Aldir Blanc

Já não fazemos mais cafajestes como antigamente. O cafajeste de hoje é "distinto", veste ternos de grife, é presidente de empresas. Não tem nada em comum com o Palhares, criado por Nelson Rodrigues, que acendia o cigarro nos círios dos velórios e dava em cima das cunhadas nos corredores das casas da Zona Norte. O cafajeste de hoje aparece na telinha dando declarações sobre tragédias. Mente com elegância e sobriedade. No dia seguinte, prenhe de segurança, desdiz o que afirmou no dia anterior, sem piscar, embriagado com a própria idéia de dignidade. Mais ou menos assim:
- O dispositivo estava funcionando perfeitamente.
No dia seguinte:
- De fato, o dispositivo estava com defeito.
E depois:
- O dispositivo em questão é perfeitamente dispensável.
É um homem de ação, um especulador frio e calculista. Acha que 200 mortos são ossos do ofício. Havia uma esperançosa e bela grávida entre os cadáveres carbonizados? E um menino que sonhava com seu primeiro vôo? Velhinhas que transformaram o tricô em protesto? Well, não se pode fazer uma omelete sem quebrar alguns ovos. O importante é o capital circular na economia de mercado. O avião já fizera outros vôos apresentando defeitos e o sóbrio canalha sabia? Ora, como piou o Passarinho num momento histórico: danem-se os escrúpulos. O importante é tocar os negócios. A vida continua (pra ele). Indenizações? Moleza. Como no direito autoral, os advogados da patifaria são melhores.
Ele é muito religioso. Vai, enlutado, à missa e ora fervorosamente. Talvez ele sonhe com a mamata magna: ter sua própria igreja, da qual será Sumo Sacerdote, venderá bênçãos, arrancará dinheiro de miseráveis e, utilíssimo no caso de sua empresa aérea, distribuirá a extrema-unção aos passageiros. Depois de cobrir a cabeça com cinzas, esse honrado cavalheiro toma um interminável banho em piscina térmica ornada com torneiras de ouro - parecidas com as de Saddam e Ceaucescu, que, por sinal, já foram pro espaço. Se pelo menos o cafajeste moderno morresse da overdose de tanto injetar na auto-imagem hipocrisia corrosiva, não seria uma rima, mas o começo da solução.
Esses teratocratas das nuvens, que vivem acalentando, a ferro e fogo, seus sonhos de grandeza, com as mãos bem aferradas ao dinheiro (vide o lucro espetacular de sua empresa), matam mais que o H5N1, placa genética colocada pelos virologistas na gripe aviária.
O cafajeste muderno é um modelo de retidão - da alça sigmóide ao ânus.
Nove doses (de água mineral) pra Jaguar e Fausto Wolff:
1 - Só porque nossas aeronaves são velhas de guerra, não significa que tenham que pousar em Vila Mimosa.
2 - Repensando Ortega y Gasset: eu sou minhas circunstâncias mas não sou eu...
3 - Quem semeia Obina, colhe Segundona.
4 - Depois da China de Deng Xiaoping, temos o Brasil de Dengue Miaupoing!
5 - Não é de hoje que rapazes da Malhação jogam 20 no viado...
6 - Em Uganda, o pessoal pensa que bunda se come no espeto. Bom, aqui também.
7 - Para os afegãos de Cabul, Dunga com grão-de-bico é um prato muito apreciado.
8 - Pedofilia não é coisa muito católica. Pensando bem, é sim.
9 - A esperança não é a última que morre mas é a primeira que pega fogo.

O Mundo gira...e a Luzitana roda!

Karl Marx e Friedrich Engels, principais teóricos do socialismo científico, devem estar se mexendo em seus túmulos.
Veja esta foto que saiu hoje no espanhol "El País".
Mikhail Gorbachov, o último dirigente soviético, posa ao lado do antigo Muro de Berlim para uma campanha da Louis Vuitton.

Por enquanto...tudo bem


sábado, 4 de agosto de 2007

Eterno palanque by Lucia Hippolito

Lula foi eleito presidente em 2002, ninguém esperava que ele fosse um grande administrador, com larga experiência no trato da coisa pública.Lula não foi eleito como gerente, nem como síndico ou gestor. Foi eleito como símbolo, líder, fonte de inspiração e exemplo. Ele próprio nunca se pretendeu nem se apresentou como outra coisa.Se Lula criou expectativas, não fez isso sozinho. Sua vitória só se viabilizou porque à sua volta reuniram-se pessoas que se proclamavam altamente capazes para ocupar o poder com competência. O próprio Lula foi iludido pelos líderes do PT, que o convenceram de que os petistas eram competentes para governar o país, e de Lula só esperavam que fosse aquilo que ele já tinha demonstrado ser: um símbolo, fonte de inspiração, exemplo e líder.Mas os companheiros antigos foram tombando, um a um, e Lula foi obrigado a exercer um papel que não lhe agrada: o de administrador. O resultado está à vista de todos.Os problemas de gestão do governo Lula são inúmeros e muito sérios, sendo o caos aéreo apenas a face mais trágica.Ontem, na reunião do Conselho Político, o presidente Lula se declarou surpreendido com a gravidade da crise aérea.Lula declarou ainda que foi candidato à presidência da República cinco vezes e que o tema do espaço aéreo nunca esteve presente nas campanhas eleitorais nem nos debates.Primeiro, uma notícia positiva. O presidente reconhece que existe uma crise no setor aéreo, e que ela é gravíssima.Esta declaração está em perfeita consonância com seu pronunciamento na TV, três dias depois da tragédia com o avião da TAM.Naquela ocasião, além de se solidarizar com as famílias das vítimas, o presidente Lula anunciou medidas concretas para superar o caos aéreo. Ou seja, reconheceu a existência de um caos e as responsabilidades do governo federal na crise.Agora, a notícia assustadora: afinal de contas, quem é que está governando este país?!Ninguém exige que um presidente da República conheça tudo sobre todos os assuntos, o tempo todo.O que se exige de um presidente é que tenha à sua volta assessores competentes, que o informem dos problemas e proponham soluções. A escolha final é sempre do presidente.Mas nunca na história deste país houve um presidente tão mal assessorado quanto Luiz Inácio Lula da Silva. A incompetência grassa em todas as salas do Palácio do Planalto e na maioria dos prédios da Esplanada dos Ministérios.Desde 2003 circula um minucioso relatório encaminhado ao Planalto pelo então ministro da Defesa de Lula, o embaixador José Viegas, apontando os problemas do setor aéreo: falta de pessoal, falta de investimentos, material sucateado, aeroportos obsoletos, pistas fora do prazo de validade, malha aérea saturada.O relatório é, há tempos, um best seller. Só não leu quem não quis. Mas o presidente da República declara, em agosto de 2007, quatro anos e dois trágicos acidentes aéreos depois, que não sabia da gravidade da crise. É extraordinário!Como se não bastasse, a declaração de que foi candidato à presidência da República cinco vezes, e o setor aéreo nunca foi tema da campanha eleitoral, é profundamente reveladora da personalidade do presidente Lula: sua vida é um eterno palanque. E o que não está no palanque não existe.

O Govêrno precisa começar à trabalhar Villas-Boas Corrêa in JB

O que o presidente Lula diz nos improvisos de todos os dias não pode ser tratado com a seriedade que a importância do cargo e o peso da responsabilidade inerente ao mandato renovado reclamam.
Quando solta o verbo diante de qualquer auditório perde o controle da língua e fala de acordo com o que lhe vem à cabeça. Mas é pedir além do limite da tolerância que aceitemos os reincidentes escorregões da sua facúndia, especialmente quando invade o pântano das ameaças. Ainda agora, um passo a mais, e entramos no clima do golpismo. Pois, que desculpa alivia a apreensão com a bravata de que "ninguém consegue botar mais povo na rua do que eu"?
Lula deturpa os fatos sem a menor cerimônia. A temporada das vaias começou na inauguração dos Jogos Pan-Americanos, no clima de festa do Maracanã lotado. E quem botou mais de 75 mil pessoas no estádio? A oposição, o prefeito Cesar Maia? Ora, a oposição estilhaçada não consegue encher auditório de clube. Está sendo fatiada com a cooptação oficial que continua saldando com o PMDB as promissórias do acordo celebrado com foguetório e farta distribuição de cargos. Por que o PMDB fez tanta questão de nomear o presidente de Furnas? É desconhecida a paixão do ex-prefeito Luiz Paulo Conde pelo nosso complexo problema energético. Lula antecipou-se à cobrança com uma frase gaiata: "Não quero um eletricista em Furnas". E que tal um técnico?
A ligeireza com que o maior governo etc trata dos problemas e improvisa soluções para fechar os conchavos políticos é a causa principal do evidente fracasso administrativo que pipoca nas crises da dramaticidade do apagão aéreo. Pela grosseria pornográfica do assessor Marco Aurélio Garcia e de seu valete, além das reações da turma de choque do PT no Congresso, passa a tentativa de jogar a culpa do desastre do avião da TAM às falhas mecânicas, o que aliviaria o governo da responsabilidade pela bagunça crônica do Ministério da Defesa, uma espécie de casa de cômodos com uma dezena de órgãos superpostos paralisados pelo gigantismo burocrático.
Ora, trata-se de uma jogada bisonha. A evidência do malogro do mandato da reeleição está entrando pelos olhos do país com a nitidez que permite apartar os êxitos setoriais inegáveis, como a distribuição de milhões de Bolsas Família e seus filhotes, e o sucesso estatístico das políticas econômicas. E que irriga os ricos, os milionários donos de bancos recordistas de lucros, empresários e empreiteiros.
No meio do sanduíche, a classe média paga pelos seus pecados e pela festa dos outros. Na rotina da vida a roda gira ao contrário. Ainda agora, com o colapso do transporte aéreo e a via-crucis em aeroportos superlotados, a alternativa das rodovias ampliou o flagrante do descalabro da rede rodoviária e da tapeação das operações tapa-buracos. Os índices são de estarrecer. Só no mês de julho, 668 mortos em acidentes nas estradas denunciam que no asfalto descuidado perdem a vida mais que o triplo dos executados na queda do Airbus da TAM.
A cesta dos insucessos é mais sortida do que a dos êxitos. Se a carga tributária não dói na cacunda dos ricos e não incomoda os assistidos pelos programas sociais, cevas de votos, quem necessita do socorro de hospitais públicos, de postos de saúde, de vaga nas escolas e universidades conhece o calvário de dias e noites na fila para esbarrar nos portões fechados das greves do INSS.
A vida é uma festa para quem voa no Aerolula, mora em palácios e não puxa a carteira para as despesas com comida, roupa, condução.
Discursos e bravatas não enchem barriga.

A ética dos oligarcas by Dalmo Dallari

Uma história do nosso tempo, envolvendo senadores brasileiros, deixa muito evidente que no Senado da República vigoram duas éticas.
Uma, extremamente rigorosa, para ser aplicada contra os que se atreverem a enfrentar uma oligarquia tradicional, introduzindo práticas democratizantes e procurando dar efetividade a normas e princípios constitucionais, opondo-se à continuidade de privilégios feudais e dando prioridade ao desenvolvimento humano.
Outra é a ética para os oligarcas, que tudo permite e que, parafraseando Eça de Queiroz, procura sempre "acobertar com o manto diáfano da fantasia a nudez forte da verdade", fingindo-se impotente para punir os companheiros oligarcas, mesmo quando existirem provas mais do que robustas da prática de ilegalidades. A ética dos oligarcas pode ser resumida numa pequena adaptação do lema da Primeira República brasileira: "Para os amigos tudo, para os inimigos a ética".
Isso foi agora ressaltado por meio de uma carta aberta do ex-senador João Capiberibe dirigida ao senador Renan Calheiros, que hoje é o beneficiário-mor da ética dos oligarcas. João Capiberibe foi preso político e exilado e, mais tarde, anistiado e retornando ao Brasil, foi eleito prefeito de Macapá e governador do Estado do Amapá, enfrentando e vencendo o poderoso esquema político-eleitoral de José Sarney.
Isso despertou a ira e a reação dos oligarcas e teve como desfecho a cassação de seu mandato em 2005. Alguns trechos da carta aberta do ex-senador Capiberibe são altamente expressivos e esclarecedores e merecem ser aqui reproduzidos.
Depois de lembrar que antes de completar o terceiro ano de mandato foi expurgado do Senado sem direito a defesa, relembra o autor da carta: "O PMDB, 20 dias após as eleições de 2002, impetrou recurso junto ao Tribunal Regional Eleitoral, pedindo a cassação do meu mandato e de minha companheira Janete (eleita deputada federal), pela compra de dois votos por R$ 26 (vinte e seis reais) cada, pagos em duas suaves prestações. Acusação sustentada por duas testemunhas".
Absolvido da acusação de compra de votos, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá, Capiberibe assumiu o mandato, enquanto seus acusadores recorriam para o Tribunal Superior Eleitoral. Antecipando-se à decisão do Judiciário, Renan Calheiros, como presidente do Senado, declarou a cassação do mandato de Capiberibe, apesar da manifestação em contrário de muitos senadores. "Você manteve-se inflexível e cassou o meu mandato, para, em seguida, em clima festivo e triunfante, dar posse ao então seu assessor de gabinete, Gilvan Borges (que tinha sido adversário de João Capiberibe na eleição para o Senado)". Esse desfecho foi passivamente tolerado pelos senadores.
Posteriormente, essa cassação foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal, mas o Tribunal Superior Eleitoral, acolhendo o voto do relator, ministro Carlos Veloso - o mesmo que, em outro processo, considerou não serem "suficientemente robustas" as provas contra Joaquim Roriz - decidiu cassar o mandato do senador João Capiberibe, por considerar provada a compra dos dois votos, acima referida.
No final de sua carta aberta, depois de lamentar que não lhe tivesse sido dada a oportunidade de ser investigado pelo Ministério Público, conclui Capiberibe, homem modesto que jamais sofreu a acusação de abuso do poder ou de corrupção, com certa melancolia mas com inegável acerto: "Se diante daqueles absurdos, cometidos por você, contra mim, tivesse o Senado agido como determina o exercício do poder republicano, certamente não chegaríamos à situação caótica do presente".

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Moço, eu quero escola (1956)


Sugestão inpertinente

E se de repente alguém soprasse no ouvido do Luiz Inácio: "Cristo não tinha biblioteca"?

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Millôr....sempre jovem. Incansavel!


Olha a descarga!

A Comissão de Ética Pública, vinculada à Presidência da República, muito boazinha, recomendou ao aspone Marco Aurélio Garcia que evite "atos grosseiros", como o top-top, na vida pública. Agora só os fará na privada.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Dia de Marta

Atenção, senhores passageiros, todos relaxando e gozando nesta quarta, Dia Internacional do Orgasmo.

José Dirceu critica política econômica do governo

Do blog do ex-ministro José Dirceu: (R.Noblat)
"Tudo como dantes no quartel do Abrantes. Governo realiza dois meses antes o superávit fiscal de agosto. Foram R$ 43,7 bilhões de superávit, um crescimento de 13,5% no primeiro semestre de 2007. No outro lado, o dos investimentos, só 10% do programado foi realizado. Ou seja, no Projeto Piloto de Investimentos, dos R$ 11,3 bilhões programados só pagamos R$ 1,2 bilhões. No total de investimentos, foi um pouco melhor: R$ 7,4 bilhões, 23,3%.
As justificativas do Secretário do Tesouro, Arno Augustin, do PT do Rio Grande do Sul, que comemorou o resultado, apresentadas na matéria "Governo economia em investimentos", na Folha de hoje (só para assinantes), soam como um escárnio: "os projetos novos, com inicio neste ano, levam alguns meses para começarem a serem pagos...". Ele se esqueceu que estamos no quinto ano do governo Lula, que foi reeleito". Leia mais lá.
Comentario ràpido--Eis a AUTOFAGIA PETISTA exposta. Razão e origem, dos permanentes e insoluveis, desencontros varios. Quem paga a(s) fatura(s)?! APS