segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Achtung !!! by Fausto Wolff

Domingo passado, enquanto namorava com o cantão de um olho uma garrafa de Black Label que uma generosa leitora me enviou, fui surpreendido pelo pensamento de que Jesus estava e está certo. É interessante, ter de se tornar adulto, envelhecer para entender a dolorida e profunda verdade do pensamento de Jesus e de como ele o aproxima mais do que nunca e menos do que amanhã do pensamento de Marx. O primeiro filósofo realmente revolucionário disse essa palavras perigosíssimas pela sua agonizante e bem visível atualidade: "Ama o teu próximo como a ti mesmo". Eu acrescentaria "Ama o teu próximo mais do que a ti mesmo, pois você sabe da verdade, ele ainda não". O segundo nasceu quase 18 séculos depois. Também era judeu, também era pobre, também era um intelectual e um líder de multidões. Chamava-se Karl Marx e disse aos trabalhadores, como hoje, tratados como bichos: "Nada tendes a perder senão vossos grilhões". E mais: "De cada um de acordo com sua possibilidade e a cada um de acordo com sua necessidade".
Esses pensamentos unem-se para erguer uma filosofia e uma religião ao mesmo tempo. A religião mais violenta e amorosa do mundo, que pode ser chamada de cristianismo ou comunismo. Mais tarde poderá se chomskismo etc, pois um nome apenas indica um caminho, não é o caminho, e este, é verdade, se faz ao andar, se faz na medida em que se aprende, apreende, compreende. Como construiremos a síntese dessa filosofia? Poderia ser Deus É Amor, mas, para tanto, eu teria de crer realmente em um Deus figurativista, judeu, ou num Deus abstrato hindo-budista, que não só cria o mundo como é o próprio mundo.. Por outro lado, me fascina a idéia da existência de Deus tão sábio que exige tanto e ao mesmo tempo tão pouco de seus filhos. Acreditem: é mais fácil acreditar em Deus do que descrer dele. Ele está em tudo e, dependendo de nossa capacidade energética interior , está em nada, pois é inefável como o grande poema. Eu diria que a pedra que sustenta essa filosofia tem nela gravada a frase mais profunda de todos os tempos: "Só a Verdade nos Salvará". Todos poderão crer na tua verdade, mas, se ela for mentirosa, terás de viver uma mentira e isso acaba tornando-se tão fortemente parte do teu ser que nem te dás conta de que és uma mentira e transformaste em mentira a tudo a todos que te cercam.
Deus, sempre que ele exista, não nos obriga a amar ninguém. Senão seria fácil demais: bastaria respirar amor. Não, o amor deve estar dentro de ti, deves domá-lo e usá-lo. Quando duvidaram, Jesus foi para cruz. Marx morreu na miséria. Nada te compele a amar homem, mulher, bicho, flor. Você mesmo se ensinará a amá-los nessa mesma cidade alheia em que nasceu e assinou um contrato com o lucro e o poder. Ou terá sido teu pai quem aceitou as regras do medo no contrato social que não assinaste? Quem disse que belo é o que dá poder e glória através do fraco? Será que é preciso abdicar da nossa condição humana para não ter medo? Os nossos inimigos, os reacionários, os anjos da morte, precisam da tua vulnerabilidade.
Para isso surgiram as religiões, para religar, criar uma ponte entre o homem e divino. Não chamam os papas de sumo pontífice? Que pontes eles ligaram senão através do sofrimento, da ignorância, de uma noite escura que foi do século 4 ao século 14. O homem para volta a ser Deus terá de ser homem e compreender essa condição. Seria muito fácil sair amando todo mundo por aí, mas é fundamental que sintamos este amor no coração como a mãe que levantou 200 quilos de ferragem que sufocavam o seu bebê e o salvou. O amor não é algo que deve ser imposto. O amor é algo que precisamos compreender dentro de nós. O amor não é rebelde. Ele não combate a autoridade porque não faz parte dela, mas porque não quer se usado por ela. O homem decente que quer ultrapassar essa condição não é rebelde, pois o rebelde só se volta contra o poder quando não é aceito por eles. No momento em que é aceito, volta-se contra seus antigos amigos. Um mínimo de inteligência e senso crítico permitirá ao leitor entender o que estou dizendo: observem o que aconteceu no Brasil de 1964 para cá. Vejam esses pequenos homens na ventania, trocando de partidos,de legendas, sem vergonha e sem honra. Há alguma solução para essas falsas excelências que se crêem imortais e que fizeram de Deus e de Jesus um sócio do mercado? O rito nasceu para que a sociedade pudesse se organizar. Está na hora de acabar com os mitos, com todos os mitos hipócritas e falsos puritanos para mostrar o mundo como ele realmente é, belo, forte, justo, e o homem como ele realmente é, filho de Deus e quem sabe Deus.
[ 26/12/2007 ]

domingo, 16 de dezembro de 2007

“A vida é o minuto”: Oscar Niemeyer, 100 anos


RIO - Conhecido e admirado, nosso maior arquiteto do mundo faz cem anos de uma lucidez que comove. Muito mais que arquiteto, Oscar Niemeyer é um ser humano raro em seus pensamentos, em sua maneira de viver a vida. No seu centenário, Niemeyer ensina que “a vida é o minuto”. Viver cada momento.
Ele se assume um comunista, e como comunista, um socializador, que quer partilhar seu talento e suas idéias, e com uma responsabilidade e preocupação social. E isso está acima até das irretocáveis obras que projetou. Niemeyer poderia ser um músico, engenheiro, veterinário, gari, e provavelmente em qualquer uma atividade seria genial. Mas é seu sentimento que o faz tão especial. Ele nunca quis ser grande, no entanto, é o maior.
“Mais importante não é a arquitetura, mas a vida, os amigos, e este mundo injusto que devemos modificar.”
Suas obras no mundo todo falam por si só, e neste sábado, dia 15 de dezembro, quando se comemoram seus cem anos de idade, provavelmente iremos ver e rever seu legado, arquitetos do planeta analisando suas obras, projetos, esculturas. O mais especial talvez seja ele, em pessoa, falando da vida, da leveza, do momento, das curvas...
“Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem, o que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher perfeita.”
O que emociona as pessoas é porque vendo as suas obras maravilhosas, se sabe quem ele é. E conhecendo a pessoa que ele é, fica-se extasiado com a suas obras, não mais apenas como uma obra de arte, não como um bem tombado, nem como a obra de um grande arquiteto, mas sentindo a obra de um grande homem. Troca-se a emoção pelo concreto pela emoção pela pessoa.
- Quando fui apresentado a ele, cheguei e disse: “como vai Doutor Oscar...” Ele disse que não queria ser chamado assim, de 'Doutor'. Só que eu estava diante de um monumento, afinal, é o maior arquiteto do mundo! Eu só conseguia chamar ele de 'Doutor'! Ele acabou deixando... – relembra o jornalista Luiz Antonio Mello, que na ocasião da construção do MAC (Museu de Arte Contemporânea de Niterói) presidia a FAN (Fundação de Artes de Niterói).
“Duas coisas guardo com satisfação: uma é esse desinteresse pelo dinheiro. A outra é minha vontade de ajudar as pessoas, ser-lhes útil, dividir”.
Niterói é uma cidade privilegiada por ter recebido diversas obras referenciais de Oscar Niemeyer. Além do MAC, o “Caminho Niemeyer” cruza boa parte do centro da cidade com teatro, igreja, museu, todos concebidos pelo traço inconfundível de Niemeyer. O Teatro Popular de Niterói, infelizmente, já conta com sua contribuição popular mais feia: pichações se confundem com os desenhos de mulheres dançando concebidos pelo mestre. Mas como ele mesmo dizia que preferia suas obras ao alcance do povo do que destinadas à uma elite... se não limparam para o aniversário dele, quem sabe às vésperas da próxima eleição...
”Muitas vezes, quando a miséria é demais e os homens a esquecem, a solução é reagir”.
- O que se vê é um amor pela arquitetura, mas sobretudo pela arte. Ele olhava o museu sendo construído, e eu imaginava o que ele devia estar pensando, querendo captar alguma coisa. Aí ele falava as coisas da rampa, sempre de uma forma em um tom muito baixo, e ao mesmo tempo uma autoridade maravilhosa, sem estrelismo. Foi especial ter tido um contato cotidiano e testemunhar o Doutor Oscar vendo o museu surgindo do nada. E também poder compartilhar o amor que ele tem pela vida e pela justiça social. Não como um chavão, mas uma coisa muito mais profunda. Ele chegava, e dizia: “não quero frescura, nada disso”. É uma autenticidade comovente – diz Luiz Antonio Mello.
“No dia em que o homem compreender que é filho da natureza, irmão dos bichos da terra, dos pássaros do céu e dos peixes do mar, nesse dia ele compreenderá sua própria insignificância e, realista, será mais humano”.
- Nós fomos companheiros desde a construção de Brasília. Não posso dizer que era o auge de sua carreira, mesmo porquê ele sempre viveu o auge, mas foi um momento importante. Ele fez os Cieps e o Sambódromo, no Rio. Já nesta época eu trabalhava com o Darcy Ribeiro e também acompanhei toda a criação dos projetos. Ele nunca mudou, acho que ele não mudou nada ate hoje. É um lugar comum falar do Oscar Niemeyer, porque todo mundo diz a mesma coisa: a verdade é uma só. A lição que Oscar Niemeyer deixa para todo mundo é a humildade – comenta o também arquiteto Ítalo Campofiorito.
Para conhecer melhor o homem por trás dos projetos e esculturas geniais, dentro das comemorações do centenário de nascimento do arquiteto, está em exibição a exposição “As Curvas do Tempo – Oscar Niemeyer”, no SESC Flamengo, até o dia 10 de fevereiro. Aproveitando a ocasião, trata-se de um programa obrigatório. Vale a pena sair um dia mais cedo do trabalho, ou aproveitar nos sábados ou domingos. Para os desacompanhados, pode ser a melhor companhia, porque você entra para viver cem anos de memória, cem anos de amor ao próximo, cem anos de amor ao nosso país, cem anos de prazer. Qualquer um sai de lá com o seu novo amigo Oscar.
Serviço:Terça à sábado, das 12 às 20 horas.Domingos: de 11 às 17 horas.
SESC FlamengoRua Marques de Abrantes, 99 – Informações: (21) 3138-1343.
Leandro Souto Maior, Agência JB

sábado, 15 de dezembro de 2007

Centenario Oscar (carioca) Niemeyer

Não é o ângulo reto que me atrai.

Nem a linha reta, dura, inflexível,

criada pelo homem.

O que me atrai é a curva livre e sensual.

A curva que encontro nas montanhas

do meu país,

no curso sinuoso dos seus rios,

nas ondas do mar,

nas nuvens do céu,

no corpo da mulher preferida.

De curvas é feito todo o Universo.

O Universo curvo de Einstein.

Oscar Niemeyer né le 15/12/1907 à Rio de Janeiro, Brésil

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Derrota feita em casa

A oposição pode ter exagerado a dose de veemência, especialmente na áspera eloqüência amazônica do líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, seguida de perto pela firmeza e elegância do líder do DEM, senador José Agripino (RN) - uma dupla que honra as maculadas tradições oratórias da Câmara Alta, fincadas em outros tempos que mexem com as lembranças dos saudosistas.
A derrota histórica da madrugada de quinta-feira, o dia 13 do azar palaciano, foi feita em casa, fritada na cozinha do Planalto, com a massa letal da arrogância e da inabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela submissão dos seus esforçados líderes parlamentares.
Não é necessário mais do que uma constatação objetiva - o preto no branco - para expor as lambanças da obstinação presidencial ao insistir na proposta rejeitada pelo comando adversário para o recuo na undécima hora, quando a fêmea do boi já se enterrara no brejo, com a lama chegando ao pescoço.
A cambalhota, com jeito de rendição, apresentou três propostas: o compromisso de aplicação de 100% da arrecadação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira, a CPMF, na área da saúde. Hoje são apenas 20% dos 0,38% do imposto do cheque. No rastro da primeira rendição, a segunda e adocicada promessa de redução progressiva da alíquota do caipora imposto sobre o cheque. E, fechando a raia, na cadência da fuga, o compromisso da renovação do tributo por apenas mais um ano.
Ora, para quem acompanhou com um mínimo de atenção os capítulos da novela, bastaria uma, uma única das três propostas, encaminhada no momento adequado, para atender às exigências da oposição e encerrar a inana com o clássico e melhor dos desfechos, quando as duas partes proclamam a vitória.
O líder sindical cada vez mais longe dos hábitos, costumes da sua origem, da qual só tem razões para orgulhar-se, anda sem tempo para atender aos compromissos da sua agenda de viagens internacionais, que é um dos seus xodós. E perdeu o gosto e o hábito das idas e voltas da conversas para a montagem da saída para as crises.
Além de não ajudar na fase decisiva, atrapalhou com as agressões aos adversários, acusados de sonegadores contumazes do dinheiro público e de insensibilidade para os problemas sociais.
Quem xinga, ofende e acusa o outro lado não quer acordo, procura briga. A tática de acuar a oposição com a repetida denúncia do seu desinteresse pelos problemas que afligem as camadas mais pobres da população é aceitável no vale-tudo da campanha eleitoral, na reta da chegada, quando as pesquisas apontam para o empate técnico no monótono chavão da "margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos".
Mas entre as partes envolvidas em delicada negociação, um aviso para encerrar a conversa.
E não inteiramente sem razão, perdeu toda graça que não chegou a ter nem quando era novidade o bate-boca entre o presidente Lula e seu antecessor Fernando Henrique Cardoso. Ambos poderiam mirar-se no espelho e constatar o ridículo das picuinhas cruzadas a cada pronunciamento do sucessor e do ex.
E, cá para nós, ansiedades à parte, e que logo passarão, o presidente Lula desfruta de uma boa vida, é um apreciador dos requintes à sua disposição e ainda pode justamente orgulhar-se da sua blindada liderança popular, confirmada a cada pesquisa. Trovoadas e enchentes não arranham o seu prestígio entre os 40 milhões que matam a fome crônica com as Bolsas Família e outros programas sociais.
Liderança que não puxa votos para os candidatos do PT e que vêm sendo atendido com milhares de nomeações e outros paparicos.
Lula não precisa do PT, que precisa de Lula, mas parece conformado com as fatias generosas do bolo de massa fina.
A chuva passa sem deixar vítimas. Só arranhaduras e resfriados.
Villas Boas Corrêa- JB-[ 14/12/2007 ]

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Hein, hein......


Eu, quase todo retorcido ou mais ou menos torto!

Há alguns anos, alunos de uma faculdade de letras de Santa Catarina pediram-me que lhes desse uma entrevista. Não tinha tempo e nem saúde... Solicitei que esperassem um pouco, uma vez que, na época, escrevia um artigo sobre os temas que desejavam ouvir para uma revista belga, o que não deixava de ser verdade.Três anos depois e alguns dias atrás, recebi um telefonema de um aluno do grupo de entrevistadores. Lera a revista, uma coisa só possível uma vez em um milhão, e agora estava cobrando. Cortei algumas coisas e acrescentei outras. Aí vão as perguntas e as respostas.
JESUS
Jesus nasceu da hostilidade inconsciente a um Deus-Pai que só favorecia os exploradores. Com o Deus-Filho, homem, pobre e sofredor, eles podiam se identificar. Nessa irmandade cristã primitiva, a assistência econômica, o apoio mútuo, o comunismo, enfim, tinham lugar destacado. Quando a classe dominante descobriu as vantagens do Cristianismo, Jesus tornou-se sócio do mercado, partícipe dos lucros com máscara de Papai Noel. Quando os desgraçados reclamavam, os políticos, sacerdotes e usurários lhes diziam: "Cristo que é Deus foi crucificado e vocês não querem sofrer um pouco aqui na terra, mesmo sabendo que terão a eternidade no céu?" Palavras do Papa Clemente I: "Os pobres devem agradecer a Deus por ter lhes dado os ricos para ajudá-los nas necessidades."
JORNALISMO
Houve uma época em que o jornalismo foi parcialmente do povo. Enquanto o poder brigava podia-se dizer a verdade. Isso se devia a um fato: a maioria dos jornalistas também procedia do povo. Logo sua visão do país e dos acontecimentos não era uma visão burguesa mas principalmente classe média baixa, proletária ou sindical. Éramos aqueles jovens que tínhamos algum jeito para escrever e que por sorte ou circunstâncias chegavam à alguma redação, onde começavam como uma espécie de contínuo e auxiliar de reportagem policial. Defrontávamo-nos com a vida em toda a sua barbárie e beleza. Quase todos entendíamos que a sociedade e as autoridades eram injustas para com os humildes e nos colocávamos ao lado dos últimos, pois os conhecíamos bem. Ninguém ganhava muito mas não estávamos interessados nisso. Éramos jovens e queríamos descobrir a verdade que uma realidade de superfície tentava esconder. A vida era uma aventura e ser jornalista, um orgulho, uma glória. Falo de uma época em que tínhamos música, teatro, futebol, artes plásticas, cinema, sindicatos e nacionalismo, tínhamos a Amazônia, minérios e petróleo. Ainda não haviam roubado a nossa cultura e olhávamos para o futuro com grandes esperanças: éramos filhos de uma pátria jovem, única, miscigenada, cordial e trabalhadora. É claro que havia alguns canalhas que comiam nas mãos do poder, mas eram poucos.
EU
Um escritor encontrou uma valise fechada num bosque. Voltou para casa e, sem abri-la, escondeu-a num buraco atrás do armário. Ele, que era um homem triste, a partir deste momento, começou a transformar-se: ficou mais calmo, mais alegre, mais produtivo e mais amado pela mulher e pelos filhos. Seus artigos começaram a ser comprados pelos jornais, seus livros publicados e dava aulas na universidade. Tinha seu carro e nas férias alugavam uma casa na praia ou no campo. Não era um homem rico mas não passava necessidades. Estava tranqüilo porque metera na cabeça que dentro da valise havia um milhão de dólares. Não aceitava outra moeda. Tinham de ser dólares. Quando morreu, a mulher e os filhos, desolados, decidiram vender a casa e encontraram a valise atrás do armário. Abriram-na e encontraram um milhão de dólares.
UMA DAS 1002
No começo havia o Ser - Atman- sozinho, na forma de um homem. Ele olhou à sua volta e não viu outra coisa a não ser a si mesmo. As primeiras palavras que pronunciou foram: "Isto sou Eu". E assim ele tornou-se Eu e Eu era o seu nome. Por isso, mesmo hoje, quando perguntam a um homem que ele é, ele responde Eu e em seguida o nome que porventura tenha. Como antes de qualquer coisa, antes mesmo de reconhecer-se como Eu, ele queimou todas as maldades, transformou-se numa pessoa = Purusha. Na verdade, todos que sabem disso queimam quem quer que se meta na sua frente. Ele teve medo e por isso todos aqueles que estão sós têm medo. Ele pensou: "Se não existe nada além de mim, o que devo temer?" Quando disse isso, o medo desapareceu, pois na verdade, ele nasce de um segundo solitário. Mas ele - o Eu - não sentiu alegria com o desaparecimento do medo. Por isso, o homem só não tem alegria. Ele precisa de um segundo. Ele - o Eu - era tão grande como um homem e uma mulher juntos. Então ele se transformou num segundo e assim surgiram marido (pat) e mulher (patní) e ambos se chamavam Yagnavalkya, que falou: "Nós dois, cada um de nós, é como uma concha. Por isso mesmo o vazio que havia foi preenchido pela mulher. Ele a abraçou e nasceram os homens. Ela pensou: "Como ele pode me abraçar depois de me produzir de ele mesmo? Eu vou me esconder." Ela transformou-se numa vaca e o outro - o Eu, o Ser - transformou-se num touro. E assim nasceram as vacas. O ser transformou-se numa égua e o outro num garanhão. Um fez um asno e outro uma asna. Ambos se abraçaram e nasceram todos os animais, sempre em pares, do homem, passando pelo elefante e pelas baleias até as formigas. Segundos o Upmanishads dos hindus, o mundo foi criado por causa da solidão do Eu. ( Fausto Wolff in JB)

domingo, 9 de dezembro de 2007

Ridendo castigat mores....


quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A chave do "por enquanto"

Villas-Bôas Corrêa, repórter político do JB
Do outro lado dos Andes chega como um lamento arrancado do fundo coração que sangra, a fingida desculpa do presidente Hugo Chávez para a derrota no referendo em que apostava todas as fichas para reformar a remendada Constituição da Venezuela e escancarar a porteira para as reeleições no formato de mandato perpétuo: "Por enquanto, não conseguimos".
O candidato a presidente por toda a vida escora-se na diferença do tamanho exato para provocar cócegas até tirar sangue: 50,5% para o xingamento do não e 49,3% de votos de incondicionais chavistas.
Não se pretende comparar situações inteiramente diferentes. Mas no vale-tudo da reeleição, tal como ensina a nossa experiência, entre o que se diz e o que rola na alma dos que acalentam a esperança do reconhecimento do eleitorado, a distância é menor do que o passo no impulso das pernas.
Para que negar o que se enxerga sem forçar a vista? O presidente Lula é e será candidato a mais um mandato enquanto contar com a inegável popularidade que continua resistindo aos muitos erros e omissões dos seus quase quatro anos de dois mandatos. Se puder, será candidato sempre.
O recuo tático é a manobra recomendável no momento. Mas a ambição foi internada para a terapia do longo sono, até a sacudidela para o despertar. Não depende apenas dele a decisão. Nem do PT, às voltas com uma chocha convenção quase ignorada pela mídia e pelo público e sem a menor importância. Que diferença faz para os destinos do país ou o jogo do governo que o candidato da poderosa corrente Construindo um Novo Brasil (para eles), Ricardo Berzoini, seja reeleito para mais dois anos para presidente do Partido dos Trabalhadores ou se o popularíssimo Jilmar Tatto surpreender e subir ao pódio para a glória que enfeita a biografia?
Lula sabe que o jogo para valer da sucessão só começará lá para meados, fim de 2008. E que antes tem vários nós a desatar. De imediato, a crucial aprovação da cobrança da Contribuição sobre Movimentação Financeira - a CPMF, mais identificável como o imposto do cheque, que promete engordar o cofre da viúva com R$ 40 bilhões por ano. A vitória difícil, ainda por um fio, obviamente facilitará a vida do presidente ao garantir a concentração de recursos no PAC, a última chance para acudir aos urgentes apelos para a realização das obras prometidas e que ficaram no ora-veja. A malha rodoviária em petição de miséria, um atoleiro de solenes promessas jamais cumpridas não pode esperar por mais acidentes, mortes e prejuízos materiais. Como os portos entupidos, que não atendem às urgências de exportadores e importadores. E o Nordeste, castigado por mais uma dramática estiagem, com a transposição do Rio São Francisco, ficou para quando?
Numa fase que não pode ser qualificada de tranqüila e otimista, o presidente encontrou a justificativa perfeita para fazer uma das coisas de que mais gosta: viajar pelo mundo nas asas do seu jato de uso exclusivo. Quase que o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, o surpreende com o apelo para adiar o giro programado para a próxima semana - quando irá a Argentina para a posse da presidenta Cristina Kirchner e de Buenos Aires segue para a Bolívia e a Venezuela - exatamente quando aqui aposta tudo na aprovação Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorroga a cobrança do imposto do cheque até 2011.
O governo assumiu o risco de decidir a parada esta semana.
Lula é imbatível no truque de mudar de idéia no meio de uma frase. Desde que não mexa na agenda de viagens internacionais.
[ 05/12/2007 ]

domingo, 2 de dezembro de 2007

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Gérson always riding.....


domingo, 28 de outubro de 2007

Bem haja! Marina

Estrela internacional------Não é só Lula que faz sucesso no exterior. Estrela da reunião do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, da ONU, o cingalês Mohan Munasinghe, vice-presidente do órgão, deu uma de tiete assumido quando encontrou a ministra Marina Silva quis até tirar fotos com sua máquina pessoal.
- Ela é um exemplo de vida, sou seu fã - elogiou Munasinghe

sábado, 27 de outubro de 2007

“É complicado, companheiro!” por V.H.Soares

Em Salvador, às vésperas do recente congresso do Partido dos Trabalhadores em São Paulo, deu-se um diálogo emblemático dos dias que correm no País principalmente nas chamadas áreas progressistas. Um combativo ex-militante de esquerda se encontra, por acaso, em um shopping da cidade, com Walter Pinheiro(PT-BA) , o deputado federal mais votado do partido nacionalmente no último pleito. “Na tampa”, como se diz no Nordeste, o interlocutor qualificado interroga o parlamentar com a frase que notabilizou Fernando Gabeira no retorno do exílio: “O que é isso, Companheiro?”.

Desconfiando e sem atinar direito com as reais intenções do velho camarada, o deputado Pinheiro reagiu como a maioria dos parlamentares de todas as tendências atualmente, deixando a leve impressão, segundo o interlocutor, de carregar alguma culpa escondida em algum lugar da sacola. Devolve a pergunta e tenta ganhar tempo: “Isso o que, companheiro?”. O militante desabafa: “Vocês fizeram o , “Fora Sarney”, “Fora Collor”, “Fora FHC”, apitaços, e agora no poder vocês querem censurar e chamar de elitistas vozes discordantes como a turma do “Cansei” ?”

Sem saída para fugir do assunto delicado e espinhoso, Walter Pinheiro tenta saltar a onda e seguir nadando. Puro sangue do PT, destaque do partido na Câmara há vários mandatos e considerado o nome de maior densidade política e eleitoral para tentar barrar a reeleição de João Henrique de Barradas Carneiro - eleito prefeito pelo PDT mas aderente recente do PMDB – no caso de partir-se a aliança Jaques Wagner-Geddel, que derrotou o carlismo , Pinheiro faz o que pode : “É complicado, companheiro!”, diz o parlamentar. Depois, bate no ombro do interlocutor e, apressado, trata de seguir em frente.

Esta semana, em outro shopping da capital baiana, o velho combatente das causas populares, amigo e parceiro de outras aventuras políticas - desde o tempo da UFBA e das passeatas estudantis - , encontra o jornalista metido em atribulações pessoais e profissionais, sentado na mesa do barzinho diante do prato de quibe e do copo de chope , que ele estranhamente dispensa. Repete, com a graça dos bons narradores, a recente conversa com o parlamentar. Damos boas e sonoras risadas, dessas que chamam a atenção nos lugares públicos, mas servem de medicamento infalível para o fígado e o estresse.

Percebo mais tarde: o episódio pode ilustrar as reflexões de um artigo nesta semana pessoalmente complicada, pachorrenta e repetitiva na política baiana e nacional , nos discursos de Lula e ainda com feriadão no meio para esfriar tudo e dar tempo para novas manobras e transações, principalmente nos escândalos que envolvem o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Congresso.

Relembro da viagem a Londres e Madrid, em abril deste ano. Então – registrei isso em texto para este blog - as esquerdas européias se debatiam enredadas em novelos de contradições, surpreendidas com o avanço dos conservadores no Velho Continente , diante da iminente derrota da socialista Ségoléne para o direitista Sarkozy na briga pela presidência da França , e sem saber como reagir.

Dias antes, em abril, no antigo distrito londrino de Shoreditch ( East London) , velho reduto operário de histórica tradição na política local e hoje movimentada área de badalação cultural e de consumo na antiga Albion, os “progressitas” ou “centro-esquerdistas” britânicos e convidados da Alemanha, França, Espanha, Suécia , entre outros países, haviam acabado de promover uma agitada convenção da chamada “esquerda democrática.”

Na programação, debates e propostas de “soluções progressistas às exigências do século XXI”; procura de saídas genuínas e reais para questões candentes do Reino Unido e do resto da Europa; fuga do ramerrão batido e cansativo da retórica esquerdista dos últimos anos . Em resumo, como vencer finalmente a maldição do TINA –“There Is Not Alternative” (não há alternativa) , que vem do tempo de Margareth Tatcher, a Dama de Ferro do conservadorismo europeu.

“Já passava da hora de se tratar desses assuntos”, diziam alguns mais preocupados com o esvaziamento das esquerdas, convencidos de que se os progressistas não conseguirem responder com propriedade e rapidamente a algumas das questões propostas pela direita – a da imigração principalmente – os conservadores capitalizarão o descontentamento popular que atiça os extremistas. Pregavam que a esquerda deveria preservar-se das inspirações políticas do vodu justamente quando os conservadores e os direitistas ortodoxos buscam certezas políticas eternas na Opus Dei e outros salvadores integristas.

Provavelmente por esta razão, estiveram presentes na reunião de Londres vários ministros, secretários de Estado e ex-ministros britânicos, o que só acontecia nos atos internos dos trabalhistas com a participação pessoal do “ex-mestre e comandante” Blair. Algo assim como este recente congresso nacional do PT, em São Paulo, que poderia ter servido também para um debate mais frutífero de questões cruciais para a esquerda no Brasil e na América Latina, com a presença de Lula, “fundador e farol” do partido.

Mas o encontro perdeu-se no varejo da defesa de mensaleiros e nas disputas internas de nacos do poder no governo petista. Não raramente marcadas por velha retórica de uma época romântica, gravemente ferida pela realidade, pelo oportunismo e pela cumplicidade com o malfeito. Tem razão o deputado Walter Pinheiro: “É complicado, companheiro!”.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: vitors.h@uol.com.br

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Jogada de mestre

O ardiloso acordo PT-PSDB, que enterrou a investigação do valerioduto tucano contra o senador Eduardo Azeredo, em troca de apoio à aprovação da CPMF, teve o "mérito colateral" de livrar o avalista da operação mineira e agora operador político do Planalto, o ministro Walfrido dos Mares Guia.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Hino Nacional --Drummond de Andrade

Precisamos descobrir o Brasil
Escondido atrás das florestas,
Com a água dos rios no meio
O Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil
O que faremos importando francesas
Muito louras de pele macia,
Alemãs gordas, russas nostálgicas para
Garçonetes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas
Precisamos educar o Brasil,
compraremos professoras e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites
Cada brasileiro terá sua casa
Com fogão e aquecedor elétricos,piscina,
salão de conferências científicas.
E cuidaremos do estado técnico.
Precisamos louvar o Brasil
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
Do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes?A terra das Sublimes Paixões.
Os Amazonas inenarráveis... os incríveis João -Pessoas
Precisamos adorar o Brasil
Se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens.
Por que motivos eles se juntaram e qual a razão dos seus sofrimentos.
Precisamos, precisamos esquecer o Brasil
Tão majestoso, tão sem limites
Ele quer repousar de nossos terríveis carinhos
O Brasil não nos quer. Está farto de nós.
Nosso Brasil é noutro mundo.Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E, acaso, existirão os brasileiros?

Piada de Rolex

- Que Rolex lindo, cara! Onde você comprou?


- Comprei, não. Ganhei numa corrida!


- E tinha muita gente participando?


- Que nada! Só eu, o dono do relógio e dois policiais!

Efeito (dilúvio) Rebouças

No temporal de ontem, no Rio, dois brasileirinhos cobravam R$ 1 para atravessar as pessoas num "burro sem rabo" sem pisar nas enormes poças na esquina das ruas Buenos Aires e Uruguaiana, no Centro.
Fizeram o maior sucesso

Temporão sem "saude", tadinho.....

Algo estranho acontece no Ministério da Saúde: o ministro José Gomes Temporão admite internamente que "não consegue" cancelar a escandalosa licitação para torrar R$ 120 milhões em eventos, durante um ano. Há quem mande mais que o próprio Temporão: a licitação foi decidida pelo setor de Logística do ministério, onde nasceram todos os escândalos ocorridos no governo Lula, provocando inclusive a queda do ex-ministro Humberto Costa.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Et la nave va......


terça-feira, 23 de outubro de 2007

Mas existe mesmo o Brasil?

Fausto Wolff
Durante a minha vida inteira, jamais consegui comprar um smoking decente ou viajar de primeira classe. Imaginem se conseguirei realizar meu sonho maior desde menino: descer da nascente do Amazonas até o Oceano Atlântico! Assim como a Lua é nosso satélite no céu, a Amazônia é nosso satélite na terra. Se um deles pegar alguma peste, estamos fu... zilados. Infelizmente, porém, as pessoas estão mais interessadas em comprar um apartamento na Barra e um título de sócio do Country. E é por isso, entre outras razões, que não vou realizar o maior sonho da minha vida. Os que podem continuarão a viajar de um Hilton para outro, achando que estão fazendo turismo cultural.
Mais da metade da região amazônica tem dono. E esta metade é estrangeira. Tem muito João da Silva Laranjal que é dono de um país do tamanho da Bélgica e nem sabe. Está feliz da vida no barraquinho em que mora e com os US$ 100 que recebe todos os meses. Se a Amazônia morrer - e ela já está meio trôpega - vai a cambada toda com ela. Os nossos mineradores, fazendeiros e madeireiros são burros, querem ganhar dinheiro imediatamente e estão ganhando, podeis crer. O que interfere, morre. Os estrangeiros, eventualmente, até pensam em usar a Amazônia a favor do planeta, mas principalmente a favor deles. O mais pobrezinho tem dono de terras do tamanho da Zona Sul.
Não só estamos acabando com o planeta como estamos acabando com a mais diversificada cultura. Porque, em vez de aplaudir todo ato de destruição de Bush, a ONU, o Unicef, o prêmio Nobel, o Banco Mundial não começam a pensar na criação de uma ONG científica realmente (seria a única), sem fins materiais, para fazer o registro do Amazonas? A maior expedição científica em dois séculos levando com ela os maiores cérebros do mundo! Mas parece que a Amazônia é um outro planeta, realmente. O sr. Gates, que vive louquinho para fazer caridade, por que não organiza um troço desses e salva o mundo antes que a internet (do jeito que vem sendo usada) acabe com ele?
O general Andrade Nery, em seu estudo Soberania ameaçada, só falta dizer que só não vê quem não quer que a Amazônia está sendo ocupada por baixo e por cima do pano por potências estrangeiras. Ele sugere a união de todos os brasileiros para restaurá-la. Mas, general, metade dos brasileiros não come e a outra metade está sendo comida pela fome.
Fora de brincadeira, depois que vi um tico-tico americano (é isso mesmo) derrubar um avião da Gol, duvido de pouca coisa. O professor João Medeiros, do Instituto de Química da UFRJ, desconfia. Eu acho que não controlamos as exportações nem fiscalizamos, em portos e aeroportos, o que sai do país. Não industrializamos nossas matérias-primas, continuamos permitindo a exportação de minérios brutos.
Temos a maior reserva de minerais atômicos do mundo: bauxita, carbonatita etc. Lá fora, a matéria-prima é valorizada em mais de 100 vezes. Saqueia-se da Amazônia, anualmente, entre R$ 800 bilhões e R$ 1 trilhão. E não há dinheiro para aumentar o salário das professoras de primário, que diabo! Como nosso governo acha isso pouco, ainda dá um subsídio para o preço da energia às grandes mineradores, sem falar dos impostos fiscais de exportação.
Nunca a expressão comer pelas beiradas foi mais apropriada do que na relação do capital espoliador com o Brasil. Começaram comendo pelas beiradas, com investimentos diretos, até a ocupação amazônica. De conseqüência, para breve, aguardem a apropriação do país pelo capital estrangeiro, através de investimentos diretos. Chegamos a um ponto que não tem volta. Enquanto o Exército é convocado para matar traficantes e favelados, as transnacionais proíbem a presença - a desculpa é a proteção ambiental - de brasileiros na região. Hoje podem fazer isso, pois já dominam o espaço econômico nos principais Estados do país.
Sejamos sinceros. Quem manda no Brasil, além das transnacionais que carregam, por garantia, sempre alguns deputados, juízes e senadores no bolso? Quando isso acontece, o país já perdeu a autodeterminação. Pelo modo como entram e dão ordens, não há por que duvidar que isso já tenha acontecido.
Relendo o que escrevi até agora e vendo que isso se processa em todos os setores da economia brasileira - das lanchonetes de junk-food à compra de estradas - cheguei à conclusão de que os estrangeiros não estão roubando o Brasil. Brasileiros estão roubando o Brasil. Imagine um menino de 10 anos que entra na sala à meia-noite e vê o pai entregando, em troca de dólares, as pratarias que a mamãe herdou da vovó.
E pior que isso: ele não vai usar o dinheiro para melhorar a vida que tem com a família da amante. Pois é. Como o Banco Central do Brasil determina as taxas de juros mais altas do mundo, os capitais especulativos se dobram de felicidade, ajudados também pela isenção de imposto de renda e da CPMF, obtendo lucros incríveis com títulos públicos e arbitragem cambial. Entendem porque o país parou por causa do CPMF? E o sr. Silva sabe disso. Não sabe tão bem quanto os "intelectuais" do partido, mas sabe.
Durante a minha vida inteira, jamais consegui comprar um smoking decente ou viajar de primeira classe. Imaginem se conseguirei realizar meu sonho maior desde menino: descer da nascente do Amazonas até o Oceano Atlântico! Assim como a Lua é nosso satélite no céu, a Amazônia é nosso satélite na terra. Se um deles pegar alguma peste, estamos fu... zilados. Infelizmente, porém, as pessoas estão mais interessadas em comprar um apartamento na Barra e um título de sócio do Country. E é por isso, entre outras razões, que não vou realizar o maior sonho da minha vida. Os que podem continuarão a viajar de um Hilton para outro, achando que estão fazendo turismo cultural.
Mais da metade da região amazônica tem dono. E esta metade é estrangeira. Tem muito João da Silva Laranjal que é dono de um país do tamanho da Bélgica e nem sabe. Está feliz da vida no barraquinho em que mora e com os US$ 100 que recebe todos os meses. Se a Amazônia morrer - e ela já está meio trôpega - vai a cambada toda com ela. Os nossos mineradores, fazendeiros e madeireiros são burros, querem ganhar dinheiro imediatamente e estão ganhando, podeis crer. O que interfere, morre. Os estrangeiros, eventualmente, até pensam em usar a Amazônia a favor do planeta, mas principalmente a favor deles. O mais pobrezinho tem dono de terras do tamanho da Zona Sul.
Não só estamos acabando com o planeta como estamos acabando com a mais diversificada cultura. Porque, em vez de aplaudir todo ato de destruição de Bush, a ONU, o Unicef, o prêmio Nobel, o Banco Mundial não começam a pensar na criação de uma ONG científica realmente (seria a única), sem fins materiais, para fazer o registro do Amazonas? A maior expedição científica em dois séculos levando com ela os maiores cérebros do mundo! Mas parece que a Amazônia é um outro planeta, realmente. O sr. Gates, que vive louquinho para fazer caridade, por que não organiza um troço desses e salva o mundo antes que a internet (do jeito que vem sendo usada) acabe com ele?
O general Andrade Nery, em seu estudo Soberania ameaçada, só falta dizer que só não vê quem não quer que a Amazônia está sendo ocupada por baixo e por cima do pano por potências estrangeiras. Ele sugere a união de todos os brasileiros para restaurá-la. Mas, general, metade dos brasileiros não come e a outra metade está sendo comida pela fome.
Fora de brincadeira, depois que vi um tico-tico americano (é isso mesmo) derrubar um avião da Gol, duvido de pouca coisa. O professor João Medeiros, do Instituto de Química da UFRJ, desconfia. Eu acho que não controlamos as exportações nem fiscalizamos, em portos e aeroportos, o que sai do país. Não industrializamos nossas matérias-primas, continuamos permitindo a exportação de minérios brutos.
Temos a maior reserva de minerais atômicos do mundo: bauxita, carbonatita etc. Lá fora, a matéria-prima é valorizada em mais de 100 vezes. Saqueia-se da Amazônia, anualmente, entre R$ 800 bilhões e R$ 1 trilhão. E não há dinheiro para aumentar o salário das professoras de primário, que diabo! Como nosso governo acha isso pouco, ainda dá um subsídio para o preço da energia às grandes mineradores, sem falar dos impostos fiscais de exportação.
Nunca a expressão comer pelas beiradas foi mais apropriada do que na relação do capital espoliador com o Brasil. Começaram comendo pelas beiradas, com investimentos diretos, até a ocupação amazônica. De conseqüência, para breve, aguardem a apropriação do país pelo capital estrangeiro, através de investimentos diretos. Chegamos a um ponto que não tem volta. Enquanto o Exército é convocado para matar traficantes e favelados, as transnacionais proíbem a presença - a desculpa é a proteção ambiental - de brasileiros na região. Hoje podem fazer isso, pois já dominam o espaço econômico nos principais Estados do país.
Sejamos sinceros. Quem manda no Brasil, além das transnacionais que carregam, por garantia, sempre alguns deputados, juízes e senadores no bolso? Quando isso acontece, o país já perdeu a autodeterminação. Pelo modo como entram e dão ordens, não há por que duvidar que isso já tenha acontecido.
Relendo o que escrevi até agora e vendo que isso se processa em todos os setores da economia brasileira - das lanchonetes de junk-food à compra de estradas - cheguei à conclusão de que os estrangeiros não estão roubando o Brasil. Brasileiros estão roubando o Brasil. Imagine um menino de 10 anos que entra na sala à meia-noite e vê o pai entregando, em troca de dólares, as pratarias que a mamãe herdou da vovó.
E pior que isso: ele não vai usar o dinheiro para melhorar a vida que tem com a família da amante. Pois é. Como o Banco Central do Brasil determina as taxas de juros mais altas do mundo, os capitais especulativos se dobram de felicidade, ajudados também pela isenção de imposto de renda e da CPMF, obtendo lucros incríveis com títulos públicos e arbitragem cambial. Entendem porque o país parou por causa do CPMF? E o sr. Silva sabe disso. Não sabe tão bem quanto os "intelectuais" do partido, mas sabe.

domingo, 21 de outubro de 2007

Edith Piaf Non,je ne regrette rien 12-1960

Marcher la tête haute et droit devant. Construire ou detruire avec autant de soins. C'est ça la Vie, sans regrets inutiles.

De Cães e raivas- Caso WATSON

Por Alberto Dines /Originalmente publicado no Último Segundo em 19/10/07
James Watson pediu desculpas. O geneticista americano, co-descobridor da estrutura do DNA, declarou numa entrevista ao Sunday Times que a inteligência dos africanos "não é igual à nossa" [dele].
Imediatamente retratou-se diante da reação mundial, através de outro jornal britânico, o Independent, desta vez em artigo assinado. Explicou que não pretendia dizer que a África, enquanto continente, é geneticamente inferior, porém insistiu na tese de que questionar as bases genéticas da inteligência não é ceder ao racismo.
Seu interesse pela genética decorre do drama pessoal: o filho é esquizofrênico, queria entender a origem desta "diminuição da vida". O assunto evidentemente não está encerrado, a genética está apenas engatinhando e cientistas, justamente porque são cientistas, não se contentam com opiniões, querem fatos e pesquisas, comprovadas e comprováveis.
Desconhece-se, por enquanto, o ânimo do cientista ao conceder a entrevista, mas a animosidade mundial foi intensa. O episódio transcende à genética, está mais perto da antropologia, da filosofia, da psicologia coletiva e dos estudiosos do fenômeno do linchamento.
Hidrofobia veiculada pelo homem
A celeuma instantânea serviu para identificar um surto mundial de fúria: a aldeia global está tomada por uma hidrofobia que, diferentemente da outra (transmitida por cães, gatos, lobos e morcegos), é veiculada apenas pelo homem.
Cônscio da sua racionalidade, o ser humano moderno age como um irracional. Há um delírio verbal no ar. As palavras, teoricamente destinadas a elevar e promover aproximações, converteram-se em instrumento da baixaria, armas de destruição. O conhecimento, ao invés de estimular a tolerância, está sendo usado apenas para acirrar as intransigências. Inclusive no campo da genética e da cosmologia.
Tempos de cólera, dias de ira: o fenômeno não é casual, místico, abstrato, tem raízes na realidade, está fincado numa tradição de rancor que remonta à antiguidade. Nem a filosofia nem a religião conseguiram descontaminar a diversidade e o dissenso, ao contrário, só acirraram a exaltação e a intolerância.
Os mais intoxicados são justamente os "iluminados", os messiânicos, os parceiros dos deuses. A besta se solta justamente naqueles que se acreditam donos da verdade. Sabem que não o são, por isso usam o tacape, por isso recorrem ao canibalismo.
O mundo não está em guerra, mas a humanidade está em processo de degradação porque polarizou-se em torno das simplificações e aberrações. A politização barata e a partidarização têm sua quota de responsabilidade nesta hostilidade generalizada onde primatas como Bush e Chávez converteram-se em paradigmas absolutos.
Briga dá Ibope
Como mercenários contratados para matar, hoje estão disponíveis a preços módicos os homens-bomba a serviço do radicalismo e do desentendimento. Esquecida da sua função mediadora, a mídia resolveu explorar o grande circo sadomasoquista onde impera a desinteligência e falta de inteligência. Briga vende, aumenta a audiência, dá Ibope.
Os modernos cães de guarda, watchdogs, lembram os medievos dominicanos (Domini canis, cães do Senhor) que acabaram donos da Inquisição, a multissecular entidade religiosa encarregada de assassinar idéias com o pretexto de liquidar heresias.
Com pit-bulls babando ódio e sangue é impossível estabelecer um clima de diálogo ou, pelo menos, negociação. A perenização dos conflitos só interessa aos donos dos canis ou àqueles que abominam a convivência e apostam em rupturas.

O canibal e o político

O canibal e o político
Dizem que, no Brasil, ninguém come ninguém por via oral, ou seja, dizem que aqui não tem canibal. Ledo engano. (Os da Academia Brasileira de Letras dizem ledo e ivo engano...) Pois bem, um canibal estava passeando por uma floresta nas imediações de Brasília, após o expediente, quando passou em frente a um restaurante. Já era noite, o canibal estava com fome e resolveu jantar. Entrou no restaurante e pediu o cardápio. No cardápio estava escrito:
Cock au vin R$ 22,00
Coelho à caçadora R$ 22,00
Fritada de político R$ 182,00
Ele achou estranha essa diferença de preços e perguntou ao maitre qual a razão de o político custar tão caro.
- O senhor já viu o trabalho que dá pra limpar um deles?

Ligações perigosas

Fausto Wolff rides again!
A nossa elite rouba. Cá entre nós, se déssemos à elite sueca os mesmos incentivos que damos aos nossos bancos, ela titubearia, mas não por muito tempo. Quando o roubo é parte fundamental do jogo - pensarão - quem não rouba vira trouxa. Há anos venho lhes dizendo: desconfiem das coincidências. Porque as coisas acontecem e desaparecem num tempo certo. Por que Sarney e Figueiredo ganharam seus anos extras? Por que Collor de M., que deveria estar num hospital para curar sua mania de grandeza, decidiu comportar-se como amador e ficar com a parte do leão-marinho? FHC cumpriu seus compromissos de vender a preço de banana uma terça parte do Brasil e hoje é um homem riquíssimo. E o sr. Luiz Silva, que viaja pelo mundo para coisa nenhuma, pois seu governo já estava previsto desde o primeiro dia do primeiro mandato? Eu, pessoalmente, acreditei que mais gente se desligaria do PT ao ver a suposta causa socialista transformada em nojenta caridade logo nos primeiros dias de governo.
Acompanhem meu raciocínio. O sr. Luiz Silva está há mais de quatro anos no poder sem fazer outra coisa senão distribuir dinheiro entre ricos e miseráveis. Os ricos (Fiesp, FNI) de São Paulo podem reclamar no atacado, mas, no varejo, o que se ouve é: "Estamos com o sr. presidente". Ele pode até muito bem não saber onde está, mas a graduagem sabe. Senão, vejamos: ninguém sabe quantos ministérios temos (tem um que só está aí para receber no presente, funcionar no futuro - o longo prazo) e ninguém sabe para onde vão os bilhões arrotados todo dia na TV.
A verdade é que o nível da imprensa mundial baixou muito, principalmente o da americana, que, durante quase seis meses, acreditou que Saddam tinha realmente armas nucleares. Mas o pessoal da pesada deve estar fazendo pipi nas calças de tanto rir: quase cinco anos de governo e quase uma dezena de Comissões de Inquérito, que paralisaram o governo, puniram três pessoas (sem cadeia, é claro) e reelegeram o mesmo presidente, que já fala que não existem duas sem três.
Outro lobo rosna na escuridão, o militar, cada vez que alguém fala em punir os crimes cometidos durante a ditadura milagrosa, que acabou juntando num mesmo partido as esquerdas e as direitas. Nem todas as Forças Armadas colaboraram com a ditadura, mas os descontentes falam do Clube Militar sem respeitar as instituições por onde passaram tantos heróis que não se enlamearam junto com os torturadores. Um jornal paulista publicou, há algumas semanas, um artigo assinado por dois capitães de Mar e Guerra, Luiz Carlos de Souza Moreira e Fernando de Santa Rosa. Eles se perguntam por que o Comando Militar se põe em defesa daqueles que torturaram e executaram presos que não podiam reagir, abusaram sexualmente de homens e mulheres e ocultaram cadáveres.
Eis, sintetizando, o que disseram os dois capitães de Mar e Guerra em reportagem publicada na Folha: "O ideário do chamado 'capitalismo selvagem', que ungia as ações da nova ordem mundial, sob a liderança dos EUA, exigia que fossem contidos todos os governos que, politicamente, demonstrassem uma posição antagônica a seus interesses e mostrassem preocupações com as questões sociais dos seus povos. (...) Prevaleceu a 'velha cantilena', que deu origem à ridícula história de que 'era preciso impedir o avanço do comunismo internacional'. (...) Só para lembrar, no Brasil estava em vigor uma Constituição que proclamava a liberdade de pensamento. E exercia a Presidência da República, de modo legítimo, o senhor João Goulart. O que se lamenta é que a muitos dos nossos colegas, à época jovens oficiais, (...) foi ensinado, durante a ditadura, que a ideologia da segurança nacional se sobrepunha a qualquer outra. Passaram anos sem liberdade, (...) sem o direito de professar qualquer credo político que não fosse afinado com esse pensamento, porque, se o fizessem, seriam 'demonizados'."
Duas forças precisam estar bem unidas para se gerir um golpe. Como em 1964, quando tínhamos, de um lado, um governo medíocre, cercado de traidores, e Forças Armadas e carentes. Do outro, os interesses americanos e a força da imprensa, sobretudo a TV. Ocorre que um canal é uma concessão do governo. Sem o nihil obstat do governo, uma quarta parte da Câmara e metade do Senado ficarão sem o que precisam para eleger quem quiser em suas regiões. E é por isso que está pegando tanto o caso Renão-saí-mas-só-estou-dando-uma-volta. Que forças extraordinárias tem este homem? Que segredos civis e militares conhece para paralisar um país continental? A princípio, ele e seus aliados têm estações de rádio e TV nas mãos e as notícias, principalmente, quando deturpadas, chegam ao povo e o povo comprado, enganado, explorado, gongado, vota.
Os militares e a imprensa - TV Globo mesmo ainda não operando à frente - convenceram a classe média de que algumas centenas de comunistas tomariam o poder com o beneplácito de Jango. Com navios de guerra americanos ancorados pertinho da Praça Mauá, nunca foi tão fácil transformar uma democracia com alguns defeitos numa ditadura com todos os defeitos. Os jovens oficiais não se deram conta do que estava ocorrendo e fizeram o que lhes fora ensinado toda a vida: obedeceram sem pensar. Quarenta e três anos depois, se quiserem alegar comunismo, terão de alugar umas três kombis para lever uns 20 velhinhos como eu, que não agüentarão as porradas até o Doi-Codi. Hoje a desculpa será a roubalheira e a impunidade totais. Estou com medo, mas me seguro nas palavras dos capitães de Mar e Guerra: "Golpe, não".
[ 21/10/2007 ]

sábado, 20 de outubro de 2007

Confetes e serpentinas

Fausto Wolff in JB/RJ
O Brasil vai leiloar bens de corruptos. Como vocês vêem, continuamos o país do futuro. Por que ainda não leiloaram? E onde está o dinheiro com o qual os neocorruptos compraram dos corruptos do governo os bens roubados pelos primeiros corruptos?
Além de ser o país do futuro, o Brasil é também um país gerundista. Pergunte a qualquer autoridade governamental - da amante do vereador mais próximo ao ministro da Agricultura, que trabalha incógnito - quando sai a reforma agrária ou um aumento decente do salário-mínimo e ouvirão: "Estamos providenciando".
Eis aí o perigo. Diante de uma resposta dessas, o que faria o repórter? Insistiria, é claro. Não façam isso, coleguinhas, porque sai CPI. Mais uma e o Brasil não agüenta. Além do custo da própria CPI, da paralisação da Câmara e do Senado, o dinheiro não é recuperado e os ladrões não vão para a cadeia.
Caríssimos diretores organizadores das paradas GLS, podeis crer: vossa causa ganhou mais simpatizantes, pois, agora, em vez de adentrarem a Av. Atlântica, como Hitler adentrou a Polônia, tocaram belas músicas, como A banda, de Chico Buarque. Foi todo mundo pra janela.
Vocês falam mal da Justiça brasileira, não é mesmo? Deviam ver a cara da Injustiça. Seus líderes se escondem atrás de um muro chamado Abstenção.
Dificilmente você encontrará alguém falando finlandês que não seja finlandês. Dizem que a raiz é fino-hungárica, mas as línguas são tão diversas quanto o cazaquistanês do celta. Apesar disso, a qualidade do ensino elementar é uma das melhores do mundo. Aparentemente, as professoras fazem três refeições por dia, têm dinheiro para pagar as prestações da casa e contam com o amor do povo.
Triste é o país onde uma professora primária ganha menos que um mendigo. Triste um país que tem mais mendigos que alunos. Triste um país onde os ladrões de galinha escondem a cara para não sair no jornal e los mensaleros a expõem, orgulhosos. Triste um país - principalmente agora que a nossa cultura já vem preparada de Los Angeles - chamado Brasil.
As estradas são espanholas, as britadeiras escandinavas, o solo é particular, a cultura americana, a Amazônia é Zona Franca para a ladroagem internacional. Isso me faz lembrar a pergunta do filho de Raul Bopp num de seus poemas: "Papai, conta outra vez como era mesmo o Brasil".
Raul Bopp é autor de Cobra Norato, a obra mais importante do movimento antropofágico. Poeta, diplomata, era um dos grandes estudiosos da Amazônia. Cobra Norato, uma teogonia verde, ostenta a grandeza do mundo em formação que é a Amazônia. Obra definitiva, maravilhosa e desconhecida.
Estão ficando cada vez mais sofisticados os anúncios colocando à venda a região amazônica. Já houve uma época em que isso era considerado crime de lesa-pátria. Para onde vocês acham que irão os gringos quando não agüentarem mais os crimes que cometem contra o seu próprio meio ambiente? Ou seja, quando não houver mais ambiente?
Perguntei a uma autoridade o que pretendiam fazer. Disse-me ela que estão providenciando. Não disse o quê, nem onde, nem como.
Certa vez, Papadopoulos, ditador da Grécia, foi visitar um grupo escolar com seu segundo, o general Patakós. Achou que estavam gastando demais e estipulou um livro para cada turma, nada de refeições e aulas ao ar live, para manter o espírito filosófico nacional. Em seguida, foram visitar um presídio e Papadopoulos achou horrível: queria refeições cinco estrelas, apartamentos particulares, visitas sexuais, cinema todos os dias, uma TV em cada cela individual e assim por diante. Quando saíram de lá, Patakós perguntou:
- Presidente, o senhor cortou quase 100% da verba do grupo escolar e aumentou em mais de 1.000% a verba para o presídio.
E Papadopulos, risinho levemente cheio de escárnio:
- No grupo escolar já estivemos. Para o presídio ainda iremos.
Derrubada a ditadura militar, os dois foram mesmo para a cadeia. Os civis ladrões também.
Fui informado de que o ministro Nelson Jobim é sócio do deputado federal Eliseu Padilha, do PMDB-RS, o principal lobista dos pedágios no Congresso, que quer também privatizar os aeroportos. Por acaso, Eliseu é ainda dono, de fato, da maior pedagiadora do Rio Grande do Sul, a Concepa, CONC-essionária E-liseu PA-dilha. Estaria fortemente envolvido, juntamente com seu sócio Jobim, na recente privatização das sete rodovias federais que interligam a região Sul à Sudeste, cujo testa-de-ferro é o filho de FHC, caudatário dos capitais internacionais. Eu, pessoalmente, venho de público declarar que não acredito que essas coisas possam estar ocorrendo no meu país.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Caruso rides again!!!!


O estudo que a imprensa não quer ler

Por Luciano Martins Costa em 16/10/2007
Jorge Simino é um economista conceituado. Atualmente, responde pela estratégia de investimentos da Fundação Cesp, o fundo de pensão formado por funcionários das empresas de energia elétrica de São Paulo. Ele é velho conhecido de jornalistas da área financeira, uma daquelas fontes que os repórteres e colunistas costumavam consultar, quando era chefe do departamento de pesquisas do Unibanco ou como sócio da MS Consult, uma consultoria de investimentos de bom conceito entre jornalistas.
Simino gosta de se qualificar como um "dinossauro" do mercado, daqueles profissionais amadurecidos no fogo das cotações, que aprenderam a ver mais do que os números e não misturam análise financeira com política. Seus pareceres são encontrados sempre depois do primeiro intertítulo das reportagens, na profundidade a que se dedicam apenas os leitores interessados nas sutilezas da análise. Mais próximo da superfície, o leitor vai encontrar sempre o consultor que é também ex-ministro ou ex-diretor do Banco Central – aquela fonte que condiciona o lead da reportagem e cuja interpretação sempre coincide com a visão da mídia.
Pois Jorge Simino saiu-se na semana passada com uma análise heterodoxa sobre a questão da carga tributária e sobre a dívida pública brasileira. Seu estudo, publicado com exclusividade pela revista Época, não encontrou repercussão no resto da imprensa durante o final de semana, embora traga uma interpretação que, levada a sério, deveria afetar profundamente os debates sobre a política econômica do governo e o noticiário que recobre questões como a prorrogação da CPMF e a contratação de funcionários para o serviço público federal.
Carga tributária não subiu
O que dizem os estudos de Jorge Simino, em resumo, é que a carga tributária brasileira não subiu nos últimos anos, ao contrário do que apregoa a imprensa, como caixa de ressonância das entidades representativas de empresas. A outra constatação de Simino é que a dívida pública brasileira vai diminuir significativamente nos próximos anos, mesmo que o governo continue aumentando seus gastos. Trata-se de um olhar completamente oposto ao que nos habituamos a ler diariamente e a assistir no noticiário televisivo.
O que houve, no primeiro caso, observa o economista, é que as empresas tiveram aumentos explosivos em seus lucros nos últimos cinco anos e a incidência do imposto de renda sobre seus ganhos alcançou dimensões altíssimas. Um dos gráficos publicados pela Época mostra que o lucro líquido das 53 empresas incluídas no índice Bovespa subiu de R$ 47,8 bilhões, em 2002, para o valor estimado de R$ 122,2 bilhões, valores estimados para 2007. Com isto, naturalmente, o Imposto de Renda subiu igualmente, gerando um salto proporcional na arrecadação federal. Não houve, segundo Jorge Simino, qualquer mudança na carga correspondente ao Imposto de Renda e ao ICMS.
Gasto menor com a dívida pública
Da mesma forma, o estudo de Jorge Simino revela que, graças ao ajuste fiscal iniciado no governo Fernando Henrique, acrescido da queda dos juros patrocinada pelo atual governo, o Brasil deverá gastar menos com o pagamento da dívida, por causa do peso decrescente do pagamento dos juros. Trata-se de uma visão oposta à que nos oferece a imprensa diariamente.
Época traz alguns detalhes do estudo, mas fica longe de apresentar o quadro completo desenhado pelo economista da Cesp. O leitor merecia que os jornais apanhassem o bastão e levassem o tema adiante, para que pudéssemos fazer melhor juízo da controvérsia entre o que diz o governo e o que afirma a oposição, sempre com grande repercussão na mídia.
Até mesmo para entender se de fato o Estado precisa ainda da CPMF para a boa administração de suas contas em circunstâncias normais, ou se a proposta de prorrogação do tributo se prende a uma ambição pessoal do atual presidente quanto a seus projetos sociais, seria interessante que a imprensa destrinchasse melhor esse estudo, que foi apresentado superficialmente, mas muito a propósito, pela revista Época.
O silêncio geral sobre as constatações de Jorge Simino dão a impressão de que até o noticiário econômico está atrelado ao viés político da mídia.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Une image vaut plus.......




Sem tirar nem pôr.

A criminalização da pobreza///Fausto Wolff

"Homem de preto, qual é tua missão? Invadir a favela, deixar corpo no chão" (Refrão do Bope)
Recebi uma cópia pirata de Tropa de elite e, em vez de cumprir meu dever de cidadão (chamar a polícia e passar 24 horas em cana me explicando), decidi ver do que se tratava. A idéia norte-americana era fazer do Brasil um país de 3 milhões de consumidores e 50 milhões de escravos. As forças do mal-bem e bem-mal se desentenderam na hora do rachuncho e este filme nos dá uma pálida idéia do porquê. Estava para escrever o meu comentário quando recebi um artigo sobre o mesmo assunto do velho camarada Ivan Pinheiro. Como concordei com o que li, decidi publicar o dele. Com vocês, o excelente texto de um dos raros homens de esquerda deste país:
Tropa de elite é "arte pura" ou "obra aberta". Um filme sobre questões sociais não pode ser neutro. Trata-se de uma obra ideológica, de caráter fascista, que serve à criminalização e ao extermínio da pobreza. Os produtores vão jurar que não são de direita. Aliás, você conhece alguém no Brasil, ainda mais na área cultural, que se diga de direita? O filme tem objetivos diferentes, para públicos diferentes. Para os carentes, o objetivo é botar mais medo ainda na "caveira" (o Bope, os "homens de preto"). A pirataria é a única maneira de o filme ser visto coletivamente pelos que não entram em shoppings.
No filme, os "caveiras" são invencíveis. O único que morre é porque "deu mole": foi fazer uma boa ação e acabou assassinado. Para as classes médias e altas, o objetivo do filme é conquistar mais simpatia para o Bope, na luta dos "de cima", que moram embaixo, contra os "de baixo", que moram em cima. Os "homens de preto" são glamourizados. São "obrigados" a torturar e assassinar em "nosso nome". Para servir à "nossa sociedade", sacrificam tudo. Portanto, precisam se manter impunes. Você já viu algum "caveira" ser processado? "Caveira" não tem nome, a não ser no filme. A "Caveira" é impessoal, uma instituição quase secreta.
Há várias cenas para justificar a tortura como "mal necessário". O resultado é positivo para os torturadores, que não resistem e "cagüetam" os procurados, que são capturados e mortos, com requintes de crueldade. O espectador deve se sentir no meio de uma verdadeira guerra entre o bem e o mal. É impossível não nos remetermos ao Iraque ou à Palestina: na guerra, quase tudo é permitido. A certa altura, afirma o narrador, orgulhoso: "Nem no exército de Israel há soldados iguais aos do Bope".
O filme procura desqualificar a esquerda, que responsabiliza as injustiças sociais como causa principal da violência. Para ridicularizar a defesa dos direitos humanos e escamotear a denúncia do capitalismo, os antagonistas da truculência policial são estudantes da PUC. A burguesia passa incólume pelo filme, a não ser pela caricatura de seus filhos que, na faculdade, fumam um baseado e discutem Foucault. Nenhuma menção à distribuição de drogas e armas pelos grandes traficantes capitalistas!
O Estado burguês também passa incólume. Nenhuma alusão à ausência do Estado nas comunidades carentes. No filme, corrupção é um soldado da PM tomar um chope de graça, para dar segurança a um bar. Aliás, o filme arrasa impiedosamente os policiais "não caveiras" sempre dispostos a tomar uma cervejinha. O vilão do filme é branco e o "herói" da trama é negro e só surge no final: Thiago, um jovem negro, pacato, pobre, que foi trabalhar na PM para custear seus estudos de Direito.
No Bope ele vê a luz e se transforma no mais cruel dos "caveiras" da tropa de elite. Para não parecer uma guerra de brancos ricos contra negros pobres, mas do bem contra o mal, o nosso herói é um "caveira" negro, que mata um bandido "baiano", de sua própria classe, num ritual macabro para sinalizar uma possibilidade de "mobilidade social", para usar uma expressão cretina dos entusiastas das "políticas compensatórias".
A fascistização é um fenômeno que vem sendo impulsionado pelo imperialismo em escala mundial. A pretexto da luta contra o terrorismo, vale tudo. Por onde passar, o filme ajudará a sociedade a se tornar mais fascista e intolerante. Se não reagirmos, daqui a pouco a classe média vai para as ruas pedir mais Bope e menos direitos humanos. As milícias vão se espalhar, inspiradas nos heróicos "homens de preto", num perigoso processo de privatização da segurança pública e da justiça não sujeita a qualquer regulamento ético e moral. Parafraseando Brecht, vai sobrar para nós, que teimamos em lutar contra o fascismo e a barbárie, sonhando com um mundo justo e fraterno. A trilha sonora do filme já avisou: "Tropa de elite, osso duro de roer, pega um, pega geral. Também vai pegar você!".
[ 16/10/2007 ]

Enquanto isso, no Palácio do Planalto.........

.............. o rei pergunta para a rainha:
- Cê sabe, Marisa, que já tamos cinco ano no poder e eu ainda não entendi onde vai o grosso do dinheiro? Você ainda é cidadã italiana, mas eu? Cê acha que vão me asilá em Garanhuns?
F.Wolff in JB [ 15/10/2007 ]

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Oswaldo Aranha

Israel fará uma homenagem à memória de Oswaldo Aranha, o embaixador brasileiro que presidiu a sessão da ONU que criou o Estado judaico. Será dia 29 de novembro, na passagem dos 60 anos da sessão histórica.

Solução sem hipocrisia

Desde que anunciou que vai submeter à votação os projetos de emendas constitucionais que dão estabilidade aos funcionários sem concurso, contratados pelo governo, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia, e os parlamentares autores das propostas não param de receber críticas.
De fato, a Constituição federal nos incisos II e IX do artigo 37, estabelece o concurso público como regra para o ingresso na administração pública. Ficam ressalvadas as nomeações para cargos em comissão e os casos de contratação "por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público".
A exigência constitucional é de que os contratos sejam "por tempo determinado" e "para atender necessidade temporária de excepcional interesse público", como é, por exemplo, a contratação de médicos em casos de epidemia.
Apesar desta determinação expressa, existem no Brasil centenas de milhares de servidores que foram contratados para exercerem funções que não têm excepcional interesse público e permanecem em seus cargos por 10, 20 ou mais anos. O que deveria ser uma exceção passou a ser regra e atingiu proporções gigantescas.
Os governos têm sido pródigos com a criação de cargos em comissão, de livre nomeação, e a contratação de servidores. A administração do presidente Lula se distingue. Os numerosos cargos inventados e criados nos últimos anos são preenchidos de acordo com a filiação partidária e as contribuições aos partidos que pertencem, destacadamente o PT.
Outra maneira de burlar a exigência do concurso público é a contratação de mão-de-obra de empresas terceirizadas. Prática que também vem sendo utilizada abusivamente pelo atual governo.
De acordo com o Ministério do Planejamento, em 2002, último ano do presidente Fernando Henrique, o governo federal gastou R$ 857 milhões com a terceirização de mão-de-obra. Ano passado foram gastos um bilhão e novecentos e sessenta milhões de reais. Em quatro anos, um aumento de 130%.
O que vem sendo feito, e cada vez mais, nas administrações direta e indireta do governo federal é a desmoralização do serviço público com a contratação em massa da "companheirada". São os trens da alegria do PT.
Existem também Estados e municípios que não organizam concursos há dezenas de anos. E municípios que nunca fizeram um concurso público.
Não se pode permitir que sejam penalizados os servidores que foram obrigados a permanecer como temporários, porque não lhes foi oferecida a possibilidade de efetivação através de concurso público.
As constituições brasileiras, há 60 anos, vêm considerando estáveis, a partir da data da sua promulgação, servidores contratados pela administração pública.
Os governadores Aécio Neves e José Serra, com o apoio das respectivas Assembléias Legislativas, efetivaram, em Minas Gerais, 98 mil, e em São Paulo, 205 mil servidores não-concursados.
É uma hipocrisia considerar temporários servidores contratados por tempo determinado e que têm seus contratos de trabalho prorrogados indefinidamente. É o poder público promovendo a insegurança jurídica de mais de 500 mil servidores. O problema é sério e está na hora de ser resolvido pelo poder legislativo, sem demagogia e insensatez.
Marcelo Medeiros, jornalista in JB

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Fala sério ?!


CVM determina: período de silêncio Raquel Abrantes in JB

Censura - A transparência de uma negociação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição estatal que opera com dinheiro público, é turvada por determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que se dá o poder de determinar-lhe "período de silêncio", como já fez com a Bolsa de Valores de São Paulo.
A CVM vem restrigindo o acesso da imprensa a outros órgãos, que deixaram de atender às solicitações de entrevista. No próximo dia 17, termina a audiência pública da minuta da CVM que tenta regulamentar a atuação dos jornalistas de mercado financeiro.
O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azedo, disse que a CVM está ultrapassando suas competências com essa pretensão de absorver prerrogativas do Congresso Nacional.
- De forma abusiva e totalitária, a CVM está tentando regular a atuação jornalística - declarou Azedo. - A ABI não vê essa manifestação como um ato do governo, mas como um ato de um órgão do governo. É algo que precisamos observar, até para não alargar o campo dos inimigos da liberdade de imprensa.
No mês passado, a Telemar Participações, controladora da Oi, anunciou oferta pública de ações no Novo Mercado da Bovespa e terá, para isso, o BNDES garantindo a subscrição de até R$ 1,25 bilhão dos papéis - operação que pode chegar a R$ 4 bilhões pelas estimativas do mercado. Procurado pelo JB para comentar o motivo dessa "ajuda", o banco estatal alegou estar em "período de silêncio", determinado pela CVM. O BNDES é o maior acionista da Telemar, com 25% do capital.
"A politização do processo de privatização ou estatização tem criado barreiras para um planejamento de longo prazo que possa garantir o atendimento das demandas contínuas da sociedade", já escreveu, em artigo, o presidente da Embratel, Carlos Henrique Moreira.
Diretor executivo do movimento Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo frisa que a Constituição obriga os órgãos públicos a dar publicidade a seus atos.
- O BNDES é um banco público e tem a obrigação de informar - afirma. - Essa atitude é falta da regulamentação do acesso à informação.
Para regulamentar a prestação de informações detidas pelos órgãos da administração pública, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) fez o projeto de lei 219/2003, que já passou pelas comissões e aguarda votação no plenário.
"Qualquer cidadão ou residente no país tem direito de obter dos órgãos integrantes da administração pública federal, estadual, municipal e do Distrito Federal informações constantes de documentos mantidos por esses órgãos, de interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, nos termos dessa Lei", diz o Artigo 1º do projeto de lei.
A minuta de alteração da instrução 388 da CVM, de 30 de abril de 2003, dispõe sobre a atividade de analista e inclui a criação de um "ponto de equilíbrio" na cobertura jornalística, alegando a capacidade de influência que pode exercer sobre o comportamento do mercado.
15 de setemb ro 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

Em breve em Brasilia.....





Gratidão



Lula é grato a Renan e a Sarney porque eles fizeram a oposição desistir do seu impeachment, após a aparição de Duda Mendonça na CPI dos Correios

Na areia da praia escreverei teu nome* Fausto Wolff

"Cristóvão Colombo não apenas abriu o portão do Novo Mundo como nos deu um exemplo, demonstrando que feitos monumentais podem ser atingidos com fé e perseverança" (George W. Bush)
Dormia no quarto do meu hotel, em Berlim, no dia 8 de outubro de 1967. Quando cheguei à janela, li no asfalto o que um bando de estudantes acabara de pichar : "Berlin ist traurig. Che ist tot". Ou seja: "Berlim está triste. Che está morto." O mundo parecia humanizar-se e agora havia apenas el cuerpo del hombre muerto nas escuras selvas da Bolívia. De um modo geral, não são muitas as horas em que a dor da morte permanece em nossos corações. Há, porém, homens especiais, com um destino maior do que seus próprios corpos, alma e vida. Homens que, como El Cid, da lenda, nem a morte pode parar. E outros, como o Homem de La Mancha, que, quando a realidade tentou sufocá-lo, construiu outra para si. A dor pela morte desses homens queima dentro de nós para sempre.
Todos os anos, quatro dias após a data da morte de Guevara, o mundo festeja a descoberta da América por Cristóvão Colombo, a 12 de outubro de 1492. Tenho por mim que a tristeza pela morte do médico de Rosário é mais intensa do que a alegria pelo feito do genovês. As caravelas de Colombo aportaram em Cuba no dia 27 daquele mês, mas ele achava que havia chegado ao Japão. Embora não o soubesse claramente, sua missão era escravizar a América. Che Guevara chegou a Cuba quase 500 anos depois para libertar a América.
Os índios tainos - oleiros e agricultores - receberam os brancos com festas, e estes, em troca, lhes deram espelhinhos e doenças. Quando se negaram a ser explorados, foram massacrados. Tudo era desculpa para tirar a vida dos índios, como conta frei Bartolomeu de Las Casas. Não há como duvidar disso, pois Miguel Cuneo, o Pero Vaz de Caminha de Colombo, declarou em seu diário que esmagou a cabeça de uma jovem índia que se negou a ter relações sexuais com ele. A Isabel de Castela o genovês disse a verdade (que permanece verdadeira até hoje, não importa se falamos em petróleo, papel moeda, ouro, prata, diamantes ou vírus): "O ouro constitui um tesouro e quem o possuir possuirá o que bem entender neste mundo e poderá muito bem elevar almas ao paraíso".
É impossível dizer com exatidão, por falta de documentos confiáveis, mas espanhóis, portugueses, franceses, ingleses e, principalmente, americanos, depois da Independência, cometeram o maior genocídio ocorrido em nosso belo planeta. O mais terrível é que o genocídio continua matando milhares de religiões, medicinas, deuses e culturas, em nome do deus Grana. Quando vemos o trucidamento de índios nos filmes americanos ficamos horrorizados, e eles são apenas atores, como aquele diante do qual Hamlet impressionou-se ao ver chorar a morte de Hécuba e perguntou-se: "Mas o que Hécuba era para ele? Como choraria se tivesse o pai assassinado pelo tio e pela mãe adúltera?".
Nesse momento - 500 anos depois da Descoberta - nossos índios estão sendo mortos por mineradores, madeireiros, fazendeiros, exploradores, enquanto os miseráveis morrem de fome, a classe média vê novelas e não pensa na própria culpa e os ricos transformam os três poderes em três chiqueiros nauseabundos.
O grande repórter Tom Hartman sugere que demos um passeio de helicóptero sobre o Haiti. A impressão que teremos - diz ele - é a de que alguém apanhou uma borracha e apagou todo o vestígio de verde. Até mesmo o mar que rodeia Porto Príncipe, a capital, é sujo. A impressão que se tem do ar é de que as ondas que rebentavam na praia eram feitas de lama. E o nosso Colombo, herói dos sete mares, para explicar aos reis os narizes e seios cortados, as castrações, a morte das mulheres grávidas, mentiu, acusando os nativos de canibais.
Quando começou a comerciá-los, escreveu à rainha: "o que mais tem por aqui é pau-brasil e essas criaturas, que, embora vivas, valem ouro". A partir daí, iniciou uma rota de escravas índias para várias partes do mundo. Foi quando os tainos começaram a se suicidar, como fazem os nossos índios famintos em diversas partes do Brasil. Se os incendeiam em Brasília, de pura farra, imaginem o que não fazem no interior. Quanto aos tainos em Cuba, a população, em alguns anos, diminuiu de 3 milhões para 200 indivíduos.
Agora viremos o nosso helicóptero para a esquerda literal e metafórica, a terra toda plantada, as praias limpas, uma das melhores medicinas do mundo, terceiro lugar nas Olimpíadas, mortalidade infantil mínima, analfabetismo zero. Há ainda um campo de concentração americano em Guantánamo. Em Cuba, a ditadura de Fidel. No Haiti, a democracia de Bush com auxílio do Exército brasileiro.
(*) Liberdade!

Investigação - Grampo, o espião oficial do governo, por Vasconcelo Quadros

BRASÍLIA.O polêmico grampo telefônico transformou-se no pretexto para enquadrar a polícia, restringir a divulgação dos casos de corrupção envolvendo políticos, funcionários públicos e magistrados e - num caprichoso paradoxo - ampliar, sob a fachada da legalidade, o controle do Estado sobre o cidadão. Em dois projetos de lei - um do governo e o outro do Congresso - o prazo da espionagem é ampliado e ganha mais abrangência: em vez de se restringir ao celular ou à linha telefônica, os arapongas podem usar todos os meios disponíveis para captar som e imagem do escritório, residência ou de qualquer ambiente em que o alvo da investigação se encontre.
A diferença da legislação atual é a eliminação de qualquer hipótese de vazamento e um controle mais efetivo e restritivo sobre a autorização judicial à espionagem oficial. O Ministério da Justiça quer que a Polícia Federal tenha uma autorização válida para dois meses, renovável por até 360 dias no máximo, e não só para os 15 dias previstos atualmente. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara limita a um mês, mas permite que a autorização fique vinculada ao rito do inquérito policial que, embora tenha que ser renovada mensalmente, permite o uso indefinido ou até que a investigação seja concluída.
As duas propostas têm como pretexto proteger a privacidade do cidadão, mas aliviam a tensão das autoridades assustadas com o resultado de operações policiais como Furacão, Navalha e Xeque-Mate. Pela CCJ, o grampo seria usado em casos excepcionais - embora não seja claro o que é excepcional - e a divulgação de prisões e das atividades dos investigados será permitida apenas com autorização judicial. Na proposta do MJ não há essa restrição, o que permitiria à polícia divulgar o resultado com a conclusão da investigação.
- O recado do Supremo Tribunal Federal é proteger a intimidade das pessoas, garantida pela Constituição. A interceptação telefônica deve ser usada como último recurso e não de forma banalizada - diz o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, que participa do grupo que elabora a nova lei do grampo.
A proposta é discutida desde 2003 e, no âmbito do governo, só foi atenuada no artigo que previa a prisão de jornalistas, que foi retirado, mas mantido para as autoridades que permitirem o vazamento. Abramovay afirma, no entanto, que a intenção do governo é criar um ponto de equilíbrio, sem abrir mão do grampo como ferramenta para obter provas contra a corrupção.
Delegado federal, ex-superintendente da PF no Rio e ex-secretário de Segurança do Estado, o deputado Marcelo Itagiba (PMDB), integrante do grupo que elaborou o projeto da Câmara, acha que o grampo deve ser usado como recurso complementar de investigação e com total controle. Atualmente todo o conteúdo do grampo fica nas mãos da polícia e do Ministério Público. Na maioria dos casos, o juiz toma conhecimento sobre quem e o que está sendo investigado pelos veículos de comunicação.
- Os controles sobre o grampo são falhos e sujeitos à manipulações - justifica Itagiba.
O projeto da Câmara prevê a identificação plena do agente público que opera o grampo, garante aos advogados a preservação do conteúdo das conversas com os clientes, obriga a polícia a repassar à Justiça o teor integral da espionagem, entre outros pontos. Por outro lado, devolve ao delegado de polícia o direito de acesso imediato ao cadastro das operadoras para obter diálogos de criminosos.
A divulgação só pode ser permitida pelo mesmo juiz que autorizou o grampo e em audiência pública, para evitar privilégios. O projeto prevê penas de 2 a 6 anos para o jornalista que divulgar o conteúdo do grampo sem autorização e de 2 a 8 anos ao policial que permitir o vazamento.

sábado, 13 de outubro de 2007

Deu na VEJA////André Petry

A Justiça não pensou em abrir juizados em frente aos hospitais públicos. Ninguém desconhece as filas à espera de atendimento, as cenas de pacientes agonizando pelos corredores em macas improvisadas ou no chão. Nessas filas, não se perde o avião, perde-se a vida
O Brasil tem cumprido com extremo zelo a receita da desigualdade, e a Justiça brasileira tem feito sua parte com notável desembaraço.
Agora mesmo, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, compareceu à solenidade de inauguração dos primeiros juizados especiais nos aeroportos. É uma idéia esplêndida, sobretudo depois de meses a fio de caos nos aeroportos. Os juizados servirão para ajudar os passageiros a resolver de imediato complicações que se tornaram rotineiras, como cancelamento de vôos, overbooking, atraso, pagamento de hospedagem, extravio de bagagens. Cinco aeroportos já têm juizado: dois em São Paulo, dois no Rio e um em Brasília. Na semana passada, os jornais noticiaram os primeiros sucessos, com passageiros sendo indenizados na hora pela companhia aérea. Os juizados vão funcionar até nos domingos e feriados. É uma iniciativa que vai facilitar a vida de milhões de passageiros.
O que revela o viés desigual da Justiça brasileira é a ausência de juizados especiais em lugares onde eles são desesperadamente necessários. A Justiça não pensou em abrir juizados em frente às escolas públicas nos períodos de inscrição para vagas. Houve um tempo em que eram comuns as cenas de mães passando a madrugada em filas enormes para conseguir matricular os filhos. Nas filas das escolas, não se perde uma conexão, perde-se o futuro.
O que dizer dos terminais rodoviários dos centros urbanos? São rotineiras as filas para embarque, a superlotação, a indefinição de horários, a sujeira, a súbita retirada de carros. Nessas filas, em geral formadas por gente que paga a passagem com dinheiro contado para ir trabalhar, não se perde a viagem, perde-se o emprego.
E os hospitais públicos? Ninguém desconhece as filas à espera de atendimento, as cenas de pacientes agonizando pelos corredores em macas improvisadas ou no chão. Nessas filas, não se perde o avião, perde-se a vida.
Pelos aeroportos brasileiros não passam apenas pessoas abastadas. Há uma massa crescente de gente humilde. Também não são turistas viajando de férias, com todo o tempo do mundo para relaxar e gozar. A maioria viaja a trabalho. É justo que tenham um atendimento decente, respeitoso. A questão é saber por que as agruras dos brasileiros que se enfileiram nas escolas, nos ônibus, nos hospitais nunca conseguiram amolecer o generoso coração dos juízes brasileiros.
A indigência da desigualdade de tudo – de tratamento, de vida, de renda – produz a indigência do resto todo. Tal como, para ficar na bizarrice da semana, a miséria do debate sobre o apresentador Luciano Huck e o rapper Ferréz. Uma discussão rasteira, pois é de obviedade gritante que reclamar da bandidagem é um claro convite à civilidade e defender o banditismo é uma regressão à barbárie. Discussões desse nível fazem até banqueiro sonhar com a volta da luta de classes, que ao menos organizava as idéias em categorias morais.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Rir, ainda, é o melhor.....


"Acabei de ser assaltado"

Drama e pedido de socorro do leitor Ricardo P. de Carvalho, de 18 anos, que eu reproduzo:
"Acabei de ser assaltado", para o carioca, é rotina. É como beber água, faz parte da vida. Vergonha! Vergonha! Vergonha é viver em uma cidade onde ser cidadão de bem é vergonhoso. Na noite de sábado eu e dois amigos fomos assaltados a mão armada a cem metros do palácio do governador Sérgio Cabral. Nos levaram relógios, celulares e dinheiro. Que se vão os pertences, porém o que fica é a sensação de impotência e de raiva.
Experimentem ligar para o 190. Sinto-me como se estivesse ligando para o nada, já que foi impossível disponibilizar ajuda, "os policiais estão alocados em outras rondas", foi a resposta. Experimentem ir a uma delegacia prestar queixa. É a mesma sensação de estar num front no Iraque. Nem água os policiais tinham lá. Na verdade eram três policiais, para atender a pelo menos umas dez ocorrências simultâneas.
O que eu quero é apenas ter o direito de viver. O Rio de Janeiro lembra muito o Estado de Natureza proposto por Thomas Hobbes, uma verdadeira guerra. Eu luto para poder levar uma vida tranqüila, sem armas empunhadas sobre a minha cabeça e sem ter meu relógio levado por um marginal. Será que é tão difícil viver em paz? Acho que sim. A situação do jeito que está leva-nos, brasileiros, a pensar em se arrepender de ter nascido no Brasil. A situação do jeito que está vai nos levar a ter vergonha do Rio de Janeiro, cidade famosa pelo Corcovado, Pão de Açúcar e pelas praias.
Espero ter este pedido de socorro lido por alguém, alguém que me ajude a voltar a ter vontade de sair na rua, de andar como eu quiser. Não quero respostas, não quero mutirões contra a violência ou campanhas pela paz. Não dão em nada, nunca deram. Começo a pensar que devemos usar da violência para nos defender. Thomas Hobbes deve estar se remoendo no túmulo".

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

terça-feira, 9 de outubro de 2007

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Hasta siempre Comandante

Aprendimos a quererte
Desde la historica altura
Donde el sol de tu bravura
Le puso cerco a la muerte
Refrain :
Aqui se queda la clara,
la entrenable transparencia,
de tu querida presencia,
comandante Che Guevara

Tu mano glorio sa y fuerte
Sobre la historia dispara
Cuando todo Santa-Clara
Se despierta para verte

Refrain

Aniversario Che Guevara

Sin comentarios!

Che Guevara dixit hà 45 anos atras........

Muitos dirão que sou aventureiro, e sou mesmo, só que de um tipo diferente, daqueles que entregam a própria pele para demonstrar suas verdades.”

Concreto armado no PAC

Brasília. O Exército alocou 8 mil homens em 19 obras de infra-estrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a maioria em rodovias. A ordem foi dada pelo presidente Lula em 2005, mas este ano os trabalhos se intensificaram. Hoje, o Exército responde por 5% das obras do PAC, a um custo, garante, 14% menor. Os militares só foram tão atuantes na década de 70, quando o governo militar implantava a malha de integração nacional.
No total, são 11 batalhões, de Norte a Sul. com 1.300 máquinas pesadas e 800 veículos em obras rodoviárias, portuárias, aeroportuárias e hídricas. Os trabalhos devem render R$ 400 milhões aos cofres do Exército este ano. A maior parte vem de rodovias duplicadas, restauradas ou conservadas. São 1.085 quilômetros, orçados em R$ 325 milhões.
A atuação militar em infra-estrutura é tradicional, mas se reduziu desde os anos 80. Segundo o general Paulo Komatsu, diretor de Obras de Cooperação do Exército, "o que se faz hoje só é comparável aos anos 70". O percentual militar nas obras do PAC pode aumentar, caso o governo repasse obras emperradas por questões judiciais. Na semana passada, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reclamou do excesso de recursos contra os leilões de concessão de obras.
Tinha sido assim na retomada das obras pelo Exército em 2005. O governo retirou da iniciativa privada três trechos de duplicação da BR-101 no Nordeste, por causa de disputas judiciais entre concessionárias, porque havia ameaça ao cronograma. Um dos projetos mais importantes é o de transposição do Rio São Francisco, orçado em R$ 5 bilhões. Os militares fazem estudos de viabilidade e preparação do terreno, a custo de R$ 27 milhões.
O Departamento de Infra-Estrutura de Transportes do Ministério dos Transportes (Dnit), que fiscaliza as obras, diz-se satisfeito. Segundo o diretor de Planejamento e Pesquisa do departamento, Luziel de Souza, o Exército tem engenharia de ponta e funciona como um regulador de mercado.
O preço, no entanto, intriga a iniciativa privada. As obras do Departamento de Engenharia e Construção (DEC) têm custo 14% menor do que as feitas por construtoras civis, segundo o Dnit. A diferença: ausência de lucro, além de não ser preciso pagar a mão-de-obra - já remunerada pelos impostos destinados ao Exército - nem recolher taxas.
O presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy, diz que há excesso de obras com militares.
- Eles deveriam ter intervenções emergenciais e não contratos de construtora - opina.
O general Komatsu alega que a Força não tem intenção de disputar mercado com a iniciativa privada.
- Há espaço para todo mundo - argumenta, dizendo que 30% das obras são tocadas por subcontratadas, a maior parte especiais, intensivas em engenharia de cálculo, como viadutos e pontes que normalmente não são obras desenvolvidas pela engenharia do Exército, treinada para atuar só em casos emergenciais.
- Desde o Brasil-Colônia executamos obras de engenharia. O que ocorre é que agora o volume aumentou. E o que praticamos no tempo de paz transferimos para o caso de crise ou guerra - diz o general.
Essas obras de cooperação também servem para financiar a recuperação do maquinário do DEC. O Exército recebe recursos do governo e usa a parcela de depreciação das máquinas para recuperar sua frota. Hoje, só 30% dos equipamentos pesados são alugados. Os recursos são repassados pelo governo, que é o poder concedente.
O acervo de obras rodoviárias feitas pelo Exército soma a pavimentação de 8 mil, a construção de 17 mil e a conservação de outros 30 mil quilômetros de estradas. O volume de rodovias equivale à ligação de Lisboa a Moscou ou de Londres a Atenas, compara o Exército.

domingo, 7 de outubro de 2007

Zeca, do PT, é suspeito de desvio milionario de verbas

De Heloisa Joly, na VEJA:
"Ao entrar na política, o ex-bancário José Orcírio Miranda dos Santos decidiu adotar um nome que fosse lembrado facilmente pelos eleitores de Mato Grosso do Sul. Passou a se apresentar como Zeca do PT. Em 1998, candidatou-se ao governo do estado. Fez sua campanha acusando o então governador Wilson Barbosa Martins (PMDB) de farrear com o dinheiro público. O discurso colou e Zeca foi eleito. Com a popularidade lá em cima, disputou a reeleição e, no fim das contas, ficou oito anos no cargo, até dezembro de 2006. Ao sair do governo, era apontado como bom administrador. Essa imagem positiva, no entanto, está prestes a ir para o brejo. Na última sexta-feira, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul encaminhou à Justiça duas ações em que o petista é denunciado por usar milhões de notas fiscais frias emitidas por gráficas e agências de publicidade para desviar dinheiro público. Agora, fica mais fácil entender por que o Zeca fez questão de ter PT até no nome.
A ação trata de um contrato firmado em 2004 entre o governo e a agência de publicidade Agilitá, uma das quinze contratadas por Zeca enquanto esteve no poder. A Agilitá foi contratada para fazer folhetos e panfletos de propaganda oficial. Para imprimir o material, subcontratou uma gráfica chamada Sergraph. O serviço nunca foi feito, mas foi pago. Só nesse caso, o MP pede à Justiça que o estado seja ressarcido em 436.000 reais. Em 2005 e 2006, essa mesma gráfica emitiu nada menos que 4 milhões de notas fiscais de supostos trabalhos feitos para o governo, o que equivale a 5.500 notas por dia. Os promotores estimam que 80% delas sejam frias. Segundo os promotores, Zeca do PT foi o "autor intelectual" do esquema. Por isso, denunciaram-no por improbidade administrativa, uso de documentos falsos e peculato – desvio de dinheiro cometido por funcionário público". Assinante da VEJA leia mais.

Cada Pais tem o Chanceler que merece.....

Parceiro da China, fornecendo por 20 anos as matérias primas indispensaveis ao seu comércio Mundial e de onde importa badulaques variados, o Brasil mantém-se calado diante da ditadura em Mianmar, antiga Birmânia, seguindo a orientação chinesa na ONU de não impor sanções ao regime que influencia. FHC aproveitou a omissão, dentro da nossa perspectiva politica de "comadres desavindas", para assinar com dezenove ex-líderes mundiais um documento pressionando a China a forçar o diálogo da junta militar com a oposição e libertar a dissidente Aung San Suu Kyi, presa há 18 anos. Pobre Suu Kyi, com ajudas destas.....

Tremendo 171!