domingo, 9 de agosto de 2020

PASTORES FINGEM SER PMS PARA INTERNAR USUÁRIOS DE DROGAS À FORÇA EM BRASÍLIA, por AMANDA AUDI

Parece polícia, mas é religião: grupo foi denunciado ao Ministério Público e à Secretaria da Segurança Pública do Distrito Federal em fins de julho. Foto: Reprodução/Facebook

Grupo que desde 2011 usa fardas e viaturas falsas em abordagens só há poucos dias foi denunciado às autoridades.

FAZ SUCESSO nas redes sociais um vídeo em que carros grandes e pintados de preto, com os giroflex ligados e ocupados por homens fardados, estacionam à noite ao lado de um grupo de jovens negros na favela do Sol Nascente, em Ceilândia, periferia do Distrito Federal. Em vez de uma ordem para se virarem contra a parede, porém, os adolescentes passam a ouvir pregação bíblica.

É difícil perceber, ainda mais no escuro, mas se trata de um grupo de evangélicos que decidiram usar fardas. Eles fingem ser policiais militares para fazer pregações e convencer usuários de drogas a aceitarem internação em comunidades terapêuticas cristãs – mesmo sem indicação médica ou ordem judicial.
Os “agentes”, como se auto-denominam, vestem o que parecem ser coletes à prova de balas, distintivos que imitam os de polícias e rádios para comunicação. Os carros foram adaptados para parecerem viaturas, com direito inclusive a cela para presos na traseira.

A prática é ilegal. A lei de contravenções penais estabelece nos artigos 45 e 46 que é crime fingir ser funcionário público ou usar, publicamente, uniforme ou distintivo de função pública que não exerce. A pena pode chegar a cinco anos de prisão.
Mas a Polícia Militar do Distrito Federal faz que não vê, e assim o grupo de pastores evangeliza por intimidação há quase dez anos, desde 2011
O Batalhão da Patrulha da Paz, como o grupo se intitula, só agora entrou na mira de autoridades. O grupo está sendo investigado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados do Distrito Federal, que também denunciou o caso ao Ministério Público e à Secretaria de Segurança Pública do DF em 29 de julho.

A denúncia contra a patrulha chegou às autoridades na quarta-feira passada, quando o grupo estava na favela do Sol Nascente. 
Na abordagem, a luz vermelha das viaturas ilumina um homem fardado levantando um aparelho de som que toca música gospel. Enquanto os pastores fantasiados cantam, os jovens abordados mantêm a cabeça baixa, como quem espera a revista policial.

O presidente da comissão, Fábio Felix, deputado distrital pelo PSOL, afirma que as ações se aproximam mais de “violência, coação e constrangimento” do que de uma ação evangelizadora. “Eles simulam ser uma força do estado para abordar pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. Isso no mínimo serve para confundir as pessoas, que imaginam que eles são militares de verdade”, ele me disse.
Vídeos publicados na página do grupo e em redes sociais mostram os integrantes da patrulha fazendo treinamentos de defesa pessoal e artes marciais. Antes e depois, há orações e hinos religiosos. O pastor que lidera o grupo, Gilmar Bezerra Campos, jura que o grupo nunca aplicou as técnicas de autodefesa contra moradores de rua.
A Comissão de Direitos Humanos, porém, apurou que os agentes “realizariam ações de violência contra pessoas em situação de rua, constrangendo-as e, em alguns casos, levando de forma forçada para internação em comunidades terapêuticas para tratamento de pessoas que usam drogas”.
Abordagem dos falsos policiais na periferia do Distrito Federal: Comissão de Direitos Humanos da Câmara Distrital vê constrangimento a cidadãos e encaminhamento forçado a internação em comunidades terapêuticas.Fotos: Reprodução/Facebook

‘Estamos fazendo o trabalho deles’
O pastor Bezerra, comandante do “batalhão”, é ligado à Assembleia de Deus do Guará, uma das unidades administrativas do Distrito Federal. Ele afirma liderar um grupo de 103 membros, com cerca de 40 pessoas ativas que se revezam em escala de plantão, tal qual uma força policial. Segundo seu líder, a tropa contém fiéis de várias denominações evangélicas.
Bezerra me disse ter comprado três “viaturas” com dinheiro do próprio bolso após vender uma pizzaria. A quarta, afirmou, foi doada por um supermercado de Ceilândia, uma das localidades mais pobres do Distrito Federal. São veículos comumente encontrados na frota de PMs brasileiras: três peruas Blazer, da Chevrolet (também usadas pela Rota, de São Paulo), e um Siena, modelo médio da Fiat. O grupo ainda dispõe de quatro motocicletas. Os custos de manutenção e combustível, me garantiu o pastor, são feitos por doações de fiéis. Pedi que me apresentasse recibos, que ele disse não ter por se tratar de pagamentos informais.
As viaturas do Batalhão da Patrulha da Paz compradas pelo pastor Gilmar Bezerra Campos: similares às usadas pela Rota, da PM de São Paulo. Foto: Reprodução/Facebook

O pastor-comandante diz ter adotado os paramentos militares para dar um “tratamento diferenciado” a suas pregações e levar “conforto, segurança e confiança” aos atendidos. Também admitiu já ter sido confundido com a polícia. “Mas agora todo mundo já conhece a patrulha”, despistou.
Não é o que parece ao se assistir a outro vídeo da patrulha, gravado em 19 de junho. Abordado, um homem idoso chora ao ser acordado por um dos pastores enquanto dormia na rua. “Quem vê farda vai correr, porque pensa que vai preso, mas não, nós viemos libertar a vida pro senhor”, diz o pastor fantasiado.
Noutra situação, um morador de rua abordado se recusa a ouvir as palavras dos pastores, dizendo já possuir a própria convicção religiosa. “Se tivesse tomado a decisão de servir a Deus, nunca teria ficado desamparado”, ele ouve, em seguida. A página do grupo no Facebook reúne várias abordagens semelhantes.
“Nós estamos em parceria (sic) com o estado, estamos dando apoio naquilo que está tendo uma precisão (sic) muito grande”, me disse Bezerra. “Estamos tirando esses infratores da rua e fazendo o trabalho deles [policiais]”, confessou. 
A Polícia Militar não parece se incomodar com o dublê que percorre o Distrito Federal de bíblia na mão. Questionada a respeito, a corporação afirmou, via assessoria de imprensa, que cabe à polícia investigativa analisar esses fatos, e não a ela. A resposta enviada por e-mail diz, ainda, que o fato não chegou ao seu conhecimento – o que não combina com o que diz o pastor Bezerra.

O Batalhão da Patrulha da Paz surgiu em 2011 e desde 2014 é a atividade principal de Bezerra, segundo ele próprio. Pelo trabalho na patrulha e como pastor, ele afirma que não recebe salário. Quem paga suas contas, diz, é a esposa, manicure. O pastor inclusive registrou seu batalhão como organização da sociedade civil de interesse público, um tipo de ONG conhecido pela sigla Oscip e que tem facilidade para conseguir parcerias com governos.
Uma das comunidades terapêuticas abastecidas pelo batalhão do pastor Bezerra é a Casa Reino Unido, que funciona em Abadiânia, cidade goiana próxima ao Distrito Federal. Ligada à Assembleia de Deus, tem 30 vagas custeadas pelo governo – todas atualmente ocupadas. A clínica também presta atendimento particular a uma taxa única de R$ 500. A instituição afirma que não faz pagamentos à patrulha dos evangélicos.

Precavidos, nos vídeos em que mostram as internações, os patrulheiros pedem aos pacientes para que digam ter sido bem tratados e estar ali voluntariamente. Para a Comissão de Direitos Humanos, porém, a abordagem que simula uma batida policial deixa pouca opção para eles.

Arte de GENIN

 

Negacionismo de Bolsonaro diante da pandemia tem método e pode garantir sua sobrevivência política, por OLIVIER STUENKEL

Comentario politico-- a pratica politica esta tao deteriorada "all over the world", que o ecumenismo (politico, religioso e MORAL! Eita Macunaima!!) do brasileiro lambda, diante da "graninha" (600$brl) que cai todo mês, vai considerar FATALIDADE os fatos e benesse o credito mensal. Outra forma de comprar votos. Claro! Mas os necessitados so tem isso pra vender e a classe mérdia "revoltou-se" contra o PT e a "esquerda caviar" em geral, pela obrigaçao legal de "declarar a empregonça", resquicio da Casa Grande!!! Perdeu status? Vingou-se votando em bosta!
So resta a esperança de o TSE cassar a chapa desses animais à solta......
E o Congresso aprovar as candidaturas LIVRES (sem necessidade de legenda). Ai, entao alguma réstia de poder emanaria do POVO. Hoje é so "massa de manobra" manipulavel desenfreadamente, pelos "donos dos Poderes".
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Gestão grotesca da crise consolida isolamento internacional do Brasil, mas é fruto de um cálculo político sofisticado
Um grafite com uma crítica ao presidente Bolsonaro, no Rio de Janeiro.ANTONIO LACERDA / EFE

Desde o início da pandemia, o Brasil ganhou destaque internacional como um dos integrantes da chamada “Aliança do Avestruz”, composta por países cujos líderes negam a gravidade ou mesmo a existência da covid-19. 
Além do presidente brasileiro, os ditadores da Nicarágua, Bielorrússia e Turcomenistão viraram chacota mundial ao minimizarem o risco ou recomendarem o consumo de vodca, fumaça de ervas, vermífugo e outras substâncias sem nenhuma evidência médica de ação contra a doença. 
Embora também defenda teses esdrúxulas sobre o vírus, o presidente americano Donald Trump não abraçou o radicalismo da Aliança do Avestruz. 
Enquanto sua recusa a endossar o negacionismo rendeu ao ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta uma demissão, Trump ainda não ousou demitir Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos e um dos principais especialistas do mundo em epidemias.
Arte de KLEBER

Desde então, chovem análises que pintam o Brasil como um país à deriva, liderado por um presidente imprevisível, sem norte e incapaz de articular uma resposta coerente à pior crise sanitária do último século, que já matou mais de 100.000 brasileiros. 
À deriva pode até ser, e o Financial Times acertou ao chamar o Brasil de “a country without a plan”: um país sem planejamento, sem perspectiva de como proteger a população ou de como se preparar para o mundo pós-pandemia. 
Enquanto nações com governos eficientes sairão da crise mais unificadas e resilientes, com sociedades mais empáticas e seguras de sua capacidade de superar desafios complexos, o Brasil sairá ainda mais fragilizado, polarizado e inseguro. 

Essa derrota humilhante no combate à pandemia fica mais difícil de engolir quando lembramos da tradicional liderança do país no âmbito da saúde pública e de sua vitória diplomática contra as grandes farmacêuticas há vinte anos, quando conseguiu quebrar patentes poderosas e produzir genéricos para controlar a pandemia de HIV. 
Hoje, a posição do Brasil no cenário mundial espelha aquela que o próprio Bolsonaro ocupou ao longo de quase três décadas no Congresso Nacional: isolado, conhecido por suas loucuras e sem qualquer influência.

Mas há método nessa loucura, e seria um erro acreditar que a atuação do presidente seja incoerente ou imprevisível. Ao contrário de Trump, que permitiu a presença de cientistas de verdade em seu Governo e chegou a ensaiar uma retórica mais séria em relação à crise, Bolsonaro não titubeou e abraçou o negacionismo de maneira consistente, implementando sua estratégia de forma sofisticada e disciplinada, resistindo às pressões nacionais e internacionais mesmo quando o custo dessa postura em vidas humanas ficou evidente. 
O centro da estratégia consiste em nunca assumir a responsabilidade e não virar o pai do problema, evitando arcar com o custo político brutal da crise econômica que virá.

Desde o início, Bolsonaro percebeu que a pandemia tinha potencial para causar a crise econômica mais profunda da história da América Latina. 
Esse vendaval pode criar um nível de instabilidade social capaz de fazer as manifestações que tomaram vários países da região em 2019 parecerem uma época de calmaria. A região já tinha o pior desempenho econômico do mundo antes da pandemia, e deve demorar anos para recuperar o PIB pré-covid. A história política recente mostra que, na América Latina, os presidentes conseguem se reeleger e fazer seus sucessores em tempos de vacas gordas. Já quem tem o azar de governar em anos de baixo crescimento tende a perder a eleição seguinte ou a cair antes dela. Não por acaso, os líderes brasileiros da década de 2001 a 2010 gozavam de altas taxas de aprovação e baixa probabilidade de impeachment: nessa época, o PIB crescia em média 3,7% ao ano.

A coisa mudou entre 2011 e 2020, e o fato do PIB brasileiro só ter crescido algo como 0,04% ao ano nos ajuda a entender não só a queda de Dilma Rousseff como a de seus vizinhos Fernando Lugo, Evo Morales e Pedro Kuczynski, igualmente retirados antes do fim de seus mandatos em um contexto econômico desafiador. 
Não é uma previsão arriscada dizer que a América Latina do pós-pandemia deve viver uma onda de instabilidade política, reduzindo as chances dos presidentes terminarem seus mandatos.

Diante deste cenário desolador, a decisão de Bolsonaro de minimizar o problema, criticar o distanciamento social e promover remédios sem comprovação científica está longe de ser uma estratégia incompreensível. Trata-se de uma aposta ardilosa e sofisticada, ainda que moralmente indefensável. 
Se o número de vítimas tivesse estacionado em 800, como ele chegou a prever no final de março, Bolsonaro poderia ter acusado os especialistas de alarmismo. Agora, com mais de 100.000 vítimas fatais e nenhum sinal de achatamento da curva, o presidente pode culpar a suposta futilidade das medidas de distanciamento social, empregando uma lógica torta de que, já que “todos pegarão” a doença de qualquer jeito, seria melhor manter tudo aberto e supostamente evitar a crise econômica. Na narrativa bolsonarista, a culpa pela pior crise da nossa geração recai sobre governadores, prefeitos, especialistas em saúde pública e, claro, sobre a China. São eles, e não o presidente, que devem arcar com o custo político.

A aposta de Bolsonaro ainda pode dar errado, mas é inegável que funcionou bem melhor do que muitos esperavam no início da pandemia. As condenações viraram um tanto protocolares. Se em tempos normais a insistência em promover a cloroquina geraria escândalo, agora foi normalizada. A militarização do Ministério da Saúde, a ausência de um ministro da Saúde, a incapacidade do presidente em reconhecer a dor de dezenas de milhares de famílias brasileiras, a insistência em não usar máscara em público: cada um desses fatos é inaceitável quando analisado individualmente. No entanto, o fluxo contínuo de notícias absurdas parece retirar a gravidade de cada uma delas. Ao contrário de Trump, que enfrenta uma campanha de reeleição bastante complicada devido à sua péssima gestão da crise sanitária, a aprovação do governo Bolsonaro recentemente subiu para 45%. 
“O cenário hoje é de Jair Bolsonaro reeleito”, afirmou recentemente Thomas Traumann, um dos observadores políticos mais experientes em atividade. Os panelaços de março e abril minguaram rapidamente. Simbólico pela normalização geral da tragédia, o Jornal Nacional desta quarta-feira (5/8) foi o primeiro em meses a não mencionar o coronavírus em suas palavras iniciais. 
O país parece estar anestesiado. Ainda estamos no começo da pandemia, mas não podemos descartar a possibilidade de que Jair Bolsonaro seja um dos grandes vencedores políticos da tragédia.

Trump mina acordo com democratas para dar sozinho auxílio de US$ 400, por KENNEDY ALENCAR

Presidente dos EUA, Donald TrumpImagem: CHERISS MAY

Jogo manjado. Os republicanos dinamitaram um acordo com os democratas para renovar os pagamentos semanais de 600 dólares para quem está desempregado e precisa de auxílio durante a pandemia.

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump disse que tomaria uma decisão por conta do Executivo se o Legislativo falhasse na missão de renovar esses pagamentos. A ajuda de 600 dólares semanais acabou em 31 de julho.

Dito e feito. Os republicanos dinamitaram o acordo com os democratas, que queriam manter os 600 dólares, e assinou hoje uma ordem executiva para que sejam pagos 400 dólares semanais.

O governo federal assegura 300 dólares por semana e deixa os outros 100 dólares a cargo dos estados. Mas muitos estados estão quebrados, sem dinheiro para os 100 dólares adicionais. Trump faz bondade com o chapéu alheio. Na prática, cortou 50% do auxílio, mas aparece como bonzinho.

Em campanha pela reeleição, Trump buscava assinar uma medida popular para obter votos. As eleições vão acontecer em 3 de novembro.

É impressionante o grau de dissimulação e manipulação, parecido com o que o presidente Jair Bolsonaro faz no Brasil. A equipe econômica de Bolsonaro, liderada por Paulo "Rolando Lero" Guedes, queria pagar apenas 200 reais por mês como auxílio. O Congresso brasileiro elevou para 600 mensais.

Outra medida anunciada por Trump foi que diminuirá impostos de quem ganha menos de 100 mil dólares por ano. O pacote de bondades tem a marca republicana, pois é menos generoso do que os democratas queriam fazer por acordo no Congresso. 
No entanto, soa como uma medida positiva, porque os republicanos, numa lógica puramente eleitoral, minaram um acordo no Legislativo.

Resta saber se, em plena pandemia que se agrava, os eleitores vão comprar as manobras de Trump, que, hoje, perderia a eleição para o democrata Joe Biden.

sábado, 8 de agosto de 2020

Arte de THIAGO LUCAS

 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Arte de JAGUAR

 

O open banking está pronto e deve revolucionar o sistema bancário, por Josette Goulart, Luisa Purchio

Programas de pagamentos como o PIX e plataformas de open banking prometem mudar a vida financeira dos brasileiros a partir de novembro 

Quando o Uber chegou, os taxistas se revoltaram. De repente viram seu mercado ameaçado por concorrentes que cobravam mais barato, ofereciam um serviço com mais qualidade e ainda ofertavam água e bala de graça aos clientes. Teve carreata, tentativa de leis para barrar os aplicativos e choradeira. 
Não adiantou, o consumidor gostou do serviço. Os taxistas não tiveram escolha além de aceitar e se adaptar. 
Pois uma revolução nos mesmos moldes está prestes a acontecer no sistema bancário brasileiro, gestada em plena pandemia, que levará as instituições tradicionais a mudar a forma de relacionamento com seus correntistas — sob risco de acabarem como os antigos taxistas. 
Termos como PIX, API e open banking vão mudar radicalmente a forma como as pessoas e as empresas realizam suas transações financeiras em um prazo já definido pelo Banco Central, a partir de novembro. 
O PIX, a primeira inovação a ser lançada pelo BC, é a nova TED, com a diferença de que funcionará 24 horas por dia, sete dias por semana. O novo sistema, que poderá ser utilizado a partir do celular, promete alterar diretamente a forma como as pessoas pagam suas contas e fazem suas compras, pois elimina a necessidade de dinheiro ou de cartão de débito ou crédito. 
Com o uso do sistema, o custo de operação das empresas de telefonia, água e luz, entre outras, também cai, porque o PIX elimina a necessidade de emissão de boletos físicos. 
O sistema de pagamento instantâneo, entretanto, é apenas o começo de um processo que culminará em outra novidade, o open banking. 
Essa é a inovação mais radical, pois permitirá que os clientes tenham acesso a seus dados e histórico financeiro (hoje eles são mantidos pelos bancos) e compartilhem com qualquer instituição regulada pelo Banco Central. 
A tecnologia por trás dessa plataforma aberta é chamada API. 
O modelo de funcionamento é comparável a um site que permite que o usuário se cadastre via Facebook ou Google, o que gera o compartilhamento dos dados. No caso do open banking, o cliente poderá escolher quais informações quer compartilhar e com quais empresas. 
Com isso, poderá optar por aquelas que ofereçam condições e taxas mais vantajosas para os serviços que lhe interessem. 
Roberto Campos Neto, presidente do BC: tudo pela concorrência - Cristiano Mariz/VEJA
 
As mudanças são tão significativas que deixam eufóricos representantes de entidades setoriais como Cláudio Guimarães, diretor executivo da ABBC, associação que defende os interesses de bancos de pequeno e médio porte. “O custo vai cair muito. Finalmente o cliente será rei”, comemora. 
Obviamente, clientes com histórico de maus pagadores terão dificuldades em um sistema que promete tal grau de transparência. 
A expectativa é que, no auge do funcionamento do open banking, todos os dados estejam disponíveis em um único aplicativo. Caso uma pessoa queira comprar uma casa maior, por exemplo, basta acessar a plataforma e conferir todos os bancos com financiamentos disponíveis para seu perfil financeiro e sob quais condições. “O open banking é a integração de toda a vida econômica em um só lugar, como conta-corrente, poupança, aplicações, compras e meios de pagamento, de forma que se pode avaliar e negociar do mesmo jeito que se faz hoje nas compras a crédito no varejo”, diz Pietro Delai, executivo de consultoria.
Para os bancos pequenos e médios e as fintechs que têm dificuldades para fazer análises de crédito mais consistentes, o open banking abre uma avenida de oportunidades. Com a abertura dos dados pessoais, é como se um banco pudesse entrar no sistema de um concorrente e saber tudo sobre o cliente que ele quer conquistar. 
A Stone, uma fintech que nasceu como operadora de máquinas de cartões e hoje concede crédito a pequenas empresas, já está operando na tecnologia do open banking. Seus clientes podem fazer pagamentos de folha de salários, contas de luz, água, fornecedores, tudo de forma automática, sem o processo manual, via API. 
Quando a abertura de dados efetivamente acontecer, a Stone já estará com um produto mais bem-acabado. 
Em relação aos bancos tradicionais, há vantagens e desvantagens em igual medida. No primeiro caso, a disputa pelos clientes com concorrentes menores será atroz. No segundo, é que terão acesso a dados de clientes de outros grandes bancos, que até então não estavam disponíveis. O maior problema que enfrentarão é de natureza tecnológica. Os grandes bancos brasileiros funcionam com sistemas antigos herdados de suas dezenas de aquisições. 
É como se eles estivessem numa corrida de 100 metros rasos carregando uma bigorna”, compara Rafael Stark, fundador da fintech Stark Bank, empresa que já nasceu aberta e que opera a tecnologia de API com clientes como o Rappi. Em meio ao processo de implantação do open banking, algumas instituições chegaram a pleitear a alteração do cronograma por não terem condições de atualizar suas plataformas digitais a tempo, mas o Banco Central manteve regras e prazos. A primeira fase começa em novembro, com dados públicos das próprias instituições. 
Depois serão abertas informações dos clientes e, em outubro de 2021, começam a ser oferecidos produtos em plataformas abertas. 
O acirramento da concorrência com as fintechs não é a única dificuldade no horizonte dos bancos tradicionais. Startups como o Nubank, que rapidamente conquistaram milhões de clientes, chegaram a preocupar os bancos em um primeiro momento, mas o incômodo passou rápido. O problema é que as empresas de tecnologia — e nesse caso se incluem as gigantes como Apple, Google e Facebook — também vão entrar na concorrência. “É questão de tempo, ainda mais que elas já estão acostumadas a lidar com plataformas abertas”, avalia o consultor Cezar Taurion, ex- ‐ executivo da IBM. 
As três big techs, por sinal, já possuem seus próprios sistemas de pagamento, sendo o WhatsApp Pay o mais novo do trio. As empresas de telefonia também prometem entrar no jogo. A Claro já tem tudo pronto para lançar a própria fintech e deu o primeiro passo ofertando crédito, nos moldes do que já fez a Vivo. A multinacional de origem mexicana não se posiciona oficialmente sobre essa nova ofensiva, mas o diretor da operação brasileira, Maurício Santos, diz que o open banking abre a possibilidade para a entrada de outros setores da economia. 
Obviamente, Bradesco, Itaú e Santander, os principais bancos privados do país, guardam a sete chaves os planos para o embate. E terão de ser ágeis, uma vez que os concorrentes já estão com a faca entre os dentes.

Arte de AMARILDO

 

Mourão defende Guedes e diz que Brasil sofre pressão de países que não preservaram florestas, por Guilherme Mazui

Comentario ignorancia--...detenho um ATIVO que vcs DILAPIDARAM. Poderia vendê-lo caro e faturar os tubos.
Mas, eu prefiro dilapida-lo, como vcs fizeram no século passado. Assim ficamos na mesma merda, TODOS!!!!
Resumo do besteirol que assola o Bananao----Fala sério! QUE LOGICA MAIS RASTEIRA & IDIOTA! Va fan culo!!!
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Ministro disse a estrangeiros que eles 'destruíram' as próprias florestas. Segundo Inpe, alertas de desmatamento aumentaram nos últimos 12 meses; Mourão vê 'inversão de tendência'.

Brasil sofre pressão de países que "não fizeram o trabalho" de preservação, diz Mourão

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira (7) que o Brasil sofre pressão de países que "não fizeram o trabalho" de preservação das próprias florestas e que a declaração do ministro Paulo Guedes (Economia) a estrangeiros sobre o tema "não atrapalha".

Mourão deu as declarações ao ser questionado sobre a participação de Paulo Guedes, nesta quinta (6), em uma videoconferência promovida por um instituto de Chicago (EUA).
Na transmissão ao vivo, o ministro da Economia, pediu aos estrangeiros que sejam "gentis" com o Brasil porque eles "destruíram" as próprias florestas.
Guedes afirmou: "Eu só peço que vocês sejam gentis, pois nós somos muito gentis. Nós entendemos sua preocupação. Tendo vivido tudo o que vocês viveram, vocês querem nos poupar de destruir nossas florestas, como vocês destruíram as de vocês. Vocês querem nos poupar de perseguir índios, nativos. Nós entendemos isso."

Questionado nesta sexta se a declaração do ministro da Economia atrapalha o diálogo com investidores estrangeiros, Mourão respondeu:
"Não é questão de que é o jeito mais adequado. É que as vezes a gente sofre determinadas pressões oriundas de países que não fizeram o trabalho deles em outro período da história. [...] Não atrapalha, o Guedes ele só ajuda."
Mourão chefia o Conselho Nacional da Amazônia Legal e tem se reunido com investidores brasileiros e estrangeiros para discutir a proteção do meio ambiente.
'Vocês desmataram seus países', diz Paulo Guedes a estrangeiros

Para o vice Hamilton Mourão, a exploração da Amazônia deve seguir os "parâmetros atuais" da sociedade.
"Haveria aquela corrida do ouro na Califórnia e no Alasca, que ocorreu no século 19, em pleno século 21 com aquelas características? Não haveria. É a mesma coisa que acontece na Amazônia. A exploração da Amazônia tem que se dar dentro dos parâmetros que são da humanidade de hoje, e não de dois séculos atrás", disse.
Segundo Mourão, o investidor procura locais com respeito ao meio ambiente, à questões sociais e com boa governança.
"Isso faz parte do diálogo, isso não é problema [a fala de Guedes]. O investidor ele vem aonde ele vai ganhar dinheiro. Hoje o investidor por pressão, vamos dizer assim, daqueles que colocam dinheiros nos fundos de investimento, ele busca lugares onde haja respeito ao meio-ambiente, respeito a questão social e que haja governança, que o dinheiro dele dê lucro", disse.
Alertas de desmatamento na Amazônia caem em julho, mas no ano dados são alarmantes
Desmatamento
Mourão também comentou números de alertas de desmatamento divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

Segundo o Inpe, os alertas na Amazônia aumentaram 34,5% no período de um ano. Os dados comparativos entre julho de 2020 e julho de 2020 mostram redução nos alertas.

"Houve uma inversão da tendência, tínhamos há mais de um ano uma tendência de aumento do desmatamento e, pela primeira vez, a gente tem a inversão da tendência", disse Mourão nesta sexta.

O vice-presidente disse que o governo trabalha para "colocar o desmatamento dentro do mínimo aceitável", mas não especificou um número. Perguntado sobre a estratégia para manter a tendência de queda registrada em julho, defendeu a repressão aos crimes ambientais.

"É pressão em termos de repressão enquanto a gente não conseguir avançar, no que considero que é a busca da solução melhor, que é a regularização fundiária", disse.
Ministério da Defesa suspende ações de combate aos garimpos ilegais em terra indígena
Terra indígena Munduruku
Nesta quinta-feira, o Ministério da Defesa suspendeu uma operação de combate a garimpos ilegais na terra indígena Munduruku, no Pará. 
A decisão foi anunciada um dia depois de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se encontrar com garimpeiros e indígenas favoráveis ao garimpo, que pediram que a operação fosse suspensa.
Nesta sexta-feira (7), Mourão afirmou que todos os garimpeiros que estavam atuando na terra Munduruku eram indígenas.
Mourão defendeu também que os índios possam explorar as terras demarcadas dentro da legislação ambiental vigente no país.
"Eles sabem que tem ouro lá. Nós temos que parar de tapar o sol com a peneira e entender que o indígena tem que ter o direito de explorar a riqueza que tem na terra dele dentro dos ditames da nossa legislação. A partir daí, ele terá acesso às benfeitorias, ao progresso material da humanidade", disse Mourão.

HUMOR--O primeiro encontro do grupo de Capitalistas Anticomunistas, por Flavia Boggio

Os integrantes se reuniram para discutir como se proteger do terrível fantasma do comunismo  
A bandeira dos Estados Unidos ao lado dos retratos de Ronald Reagan, Joseph McCarthy e João Amoêdo deixava claro. Aquele não era um lugar para comunistas. No coração da Faria Lima, acontecia o primeiro encontro dos Capitalistas Anticomunistas e Antissocialistas, ou C.A.C.A.S. Os integrantes se reuniram para discutir como se proteger do terrível fantasma do comunismo, enquanto arremessavam dardos em uma imagem de Karl Marx. 
Caros capitalistas, a situação é grave”, introduziu o coordenador da associação. “O Foro de São Paulo vai acontecer a qualquer momento e a ameaça comunista está próxima.” 
“Malditos comunistas”, gritou um participante. “Eles só querem tomar nossas propriedades”, berrou outro, acertando um dardo no nariz de Marx. 
O coordenador continuou. “Nós precisamos eliminar qualquer rastro de comunismo do país!” Eliminar todo o rastro comunista não seria uma tarefa fácil. 
Um deles comentou: “Mestre, hoje em dia muitas coisas são fabricadas na China comunista”. O coordenador foi categórico. Tudo o que viesse dos comunistas deveria ser eliminado. Outro integrante perguntou: “Até os smartphones?”. 
O líder continuou firme: “Se forem feitos pelos comunistas, devem ser eliminados”. 
Outro participante se levantou da cadeira para perguntar: “E os calçados? Até Nike é fabricado na China”. 
O coordenador repetiu, impaciente: “Qualquer coisa vinda de país comunista deve ser eliminada do nosso território”. Confusos com a ordem, os integrantes questionavam. “E os computadores?”; “Os videogames também?”; 
“Posso comprar nada do Ali Express?”; “E fumar charuto?” 
Até que o líder da associação explodiu: “Vocês são surdos? Eu já falei e vou repetir: tudo o que vier dos comunistas deve ser eliminado
Outro integrante perguntou: “Até os smartphones?”. O líder continuou firme: “Se forem feitos pelos comunistas, devem ser eliminados”. 
Outro participante se levantou da cadeira para perguntar: “E os calçados? Até Nike é fabricado na China”. O coordenador repetiu, impaciente: “Qualquer coisa vinda de país comunista deve ser eliminada do nosso território”. 
Confusos com a ordem, os integrantes questionavam. “E os computadores?”; “Os videogames também?”; “Posso comprar nada do Ali Express?”; “E fumar charuto?” 
Até que o líder da associação explodiu: “Vocês são surdos? Eu já falei e vou repetir: tudo o que vier dos comunistas deve ser eliminado do país. Não importa se for carro, sutiã, cimento, ou a porcaria do TikTok”. 
A sala ficou em silêncio. Um dos participantes se levantou: “Tudo tem um limite”. Outro integrante virou a mesa: “E a minha filha? Vai se divertir como na pandemia?”. Todos os participantes concordaram e foram embora da reunião, indignados. 
Eliminar o TikTok já era demais. E assim terminou o primeiro e último encontro dos Capitalistas Anticomunistas e Antissocialistas, os C.A.C.A.S. 

Arte de ZéDASSILVA

 

O silêncio do Supremo sobre ameaça de golpe de Bolsonaro contada pela revista ‘Piauí', por AFONSO BENITES

Planalto não reage a texto que relata que presidente anunciou "intervenção militar" para destituir Corte, mas foi dissuadido por auxiliar. Magistrados preferem não reanimar crise institucional
Jair Bolsonaro cavalga em manifestação de apoio ao seu Governo no dia 31 de maio.UESLEI MARCELINO / REUTERS

A reportagem publicada pela revista Piauí desenhava uma bomba. Um relato, que até agora não mereceu reação do Planalto, revela que o presidente Jair Bolsonaro ameaçou, em uma reunião com parte de seus assessores mais próximos, intervir militarmente no Supremo Tribunal Federal para depor os seus magistrados. No dia seguinte, os ministros que poderiam ser afetados pelo golpe nada dizem. 
Tampouco a cúpula do Congresso Nacional. O silêncio de autoridades que passaram semanas emitindo notas de repúdio a cada ataque presidencial contra instituições ou participação em atos antidemocráticos tem uma razão: ninguém quer voltar a tensionar com o Palácio do Planalto, justo em um momento em que o presidente tem reduzido a quase zero as afrontas institucionais.

Em Brasília, parece que apenas a oposição se importou ou leu a forte declaração que teria sido dada por Bolsonaro no dia 22 de maio ao saber que poderia ter o seu celular apreendido no âmbito de um inquérito do qual é alvo. “Vou intervir!”, disse ele, segundo a reportagem. 
O texto se baseia em depoimentos de testemunhas do encontro entre o mandatário e os ministros-generais Walter Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Governo), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Fernando Azevedo (Defesa), além de André Mendonça (Justiça) e José Levi (Advocacia-Geral). 
Havia um pedido feito por três partidos opositores para que o ministro relator da investigação, Celso de Mello, determinasse a apreensão do telefone. Mas ela não foi autorizada por Mello. Nem a intervenção foi realizada.

A tensão, contudo, durou algumas semanas, com Bolsonaro defendendo seus apoiadores que estavam sendo presos e investigados em operações judiciais, flertando com o golpe ao sinalizar que poderia recorrer a um artigo constitucional para interferir no Judiciário. Ainda houve uma nota assinada pelo ministro Heleno para advertir das consequências “imprevisíveis” para a “estabilidade nacional”, caso o celular de Bolsonaro fosse apreendido. Nos bastidores, contudo, os ministros-generais se reuniam com representantes do STF para dizer que nada de irregular aconteceria.

Nesta quinta-feira, dos 11 ministros do Supremo, o EL PAÍS conseguiu contato com seis deles ou seus interlocutores. Há uma espécie de consenso entre esse grupo de que o pior momento já passou na crise institucional provocada pelo Palácio do Planalto. A síntese feita por um deles foi de que as “bravatas do presidente” foram banalizadas e que, sempre que Bolsonaro ameaçava, falando para sua claque, os ministros militares estavam negociando com o Supremo e botando panos quentes na história. 
Por essa razão, agora fizeram uma espécie de “ouvidos moucos”. Outro ministro ainda falou que, apesar de o tema ser grave, era difícil se manifestar quando não havia registros oficiais do encontro, apenas relatos coletados por uma reportagem.

Entre as lideranças partidárias no Legislativo, apenas os opositores demonstraram algum incômodo com a fala destacada pela reportagem da Piauí. 
Procurados, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não emitiram qualquer opinião sobre o tema. “Se confirmado o que foi relatado, é incompatível com regime democrático e com a Constituição brasileira a continuação do Governo Bolsonaro”, disse o líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (REDE-AP). Ele apresentou um pedido de convocação dos ministros Braga Netto, Heleno e Mendonça para apresentarem seus relatos sobre os fatos.
A bancada do PSOL na Câmara, por sua vez, enviou um requerimento de informações para Casa Civil, GSI e Secretaria de Governo solicitando cópias dos e-mails de convocação da reunião, atas, registros fotográficos e em vídeo da reunião do dia 22. O objetivo final é embasar um pedido de impeachment, caso se confirme

Nas redes sociais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal liderança do PT, criticou o silêncio de Maia e cobrou que ele dê andamento a um dos pedidos de impeachment que há contra Bolsonaro na Câmara. “Quem leu a Piauí sabe que o Bolsonaro considerou dar um golpe no STF. Ele acha que o Brasil é dele. Já passou do tempo de se votar o impeachment. São mais de 46 pedidos e o Rodrigo Maia não coloca nenhum em votação”, afirmou o petista no Twitter. 
Os líderes do Governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) e no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO) não atenderam à reportagem.

Arte de CACINHO

 

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Evangélicos e ‘voto miliciano’ repetem aliança em teste de fogo para o bolsonarismo no Rio, por FELIPE BETIM

Prefeito Marcelo Crivella, em franca crise de popularidade, abriga Flávio e Carlos Bolsonaro em seu partido. Acordo mira eleitor em área de influência de grupos armados, diz sociólogo
O presidente Jair Bolsonaro participa de oração coletiva conduzida pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, em 20 de janeiro de 2020.ALAN SANTOS / PR

Marcelo Crivella não tem apoio popular e está, nas palavras de um ex-assessor, “desesperado”. 
Jair Bolsonaro não conseguiu ainda pôr de pé o partido que fundou, o Aliança, após desembarcar do Partido Social Liberal (PSL) que o elegeu em 2018. Ele ainda enfrenta um importante teste nas urnas nas eleições municipais de novembro deste ano, na cidade que é justamente o seu reduto eleitoral. 
Esse é ponto de partida da aproximação promovida entre o prefeito do Rio de Janeiro e o presidente da República. O mandatário garante que não apoiará nenhuma candidatura municipal, mas em março deste ano seus filhos, o senador Flávio e o vereador Carlos Bolsonaro, se filiaram ao Republicanos, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus que tem Crivella como seu principal nome. 
O Republicanos também integra o chamado Centrão, bloco formado por legendas pequenas e médias na Câmara dos Deputados com o qual o presidente vem tentando costurar um acordo de governabilidade.

O Rio de Janeiro é o berço do clã Bolsonaro e foi o trampolim para a carreira política da família. Ainda capitão do Exército, Bolsonaro pai elegeu-se vereador da cidade em 1988. Depois, lançou-se a deputado federal, cargo para o qual foi eleito por seis vezes, até enveredar para a corrida presidencial. Seus filhos, Flavio e Carlos, também pavimentaram as respectivas carreiras políticas ali. 
O primeiro como deputado estadual desde 2003, até se eleger senador em 2018. E o segundo como vereador desde 2000. Os sinais da aproximação com o atual prefeito da cidade estão aqui e ali. 
No último dia 21 de julho, por exemplo, Flávio participou de uma live com Crivella na qual o chamou de “meu prefeito”. Apesar de não ter falado sobre as eleições, mencionou a importância do “alinhamento” com “uma pessoa experimentada na política”.

Ambos também criticaram a imprensa e sua cobertura da pandemia de coronavírus. “Existem adoradores do caos. Veículos que não estão nem aí para as coisas certas. Nós respondemos à perseguição de parte da imprensa com muito trabalho. Agradeço ao senhor e ao seu pai, que me ajudou a viabilizar voos vindos da China trazendo centenas de respiradores e monitores. Nosso povo é muito grato ao Governo Federal”, afirmou Crivella, que terminou a live agradecendo “devotadamente ao Flávio e ao [Jair] Bolsonaro, grande líder que esse país precisa”.

Em semanas anteriores, Crivella também havia demonstrado sua solidariedade a Flávio por conta da prisão de seu ex-assessor, Fabrício de Queiroz, e as notícias sobre as investigações sobre suposto esquema de rachadinha em seu gabinete quando cumpria mandato de deputado estadual. 
O prefeito do Rio também começou a flexibilizar sua política contra a pandemia de coronavírus conforme o presidente intensificava as críticas a prefeitos e governadores pelas medidas de distanciamento social. Em julho, a filha do ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, ganhou um cargo de confiança na Rio Saúde, empresa pública da Prefeitura.

O que está em jogo nessa aproximação? O sociólogo José Cláudio Souza Alves, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e um dos mais antigos pesquisadores das milícias, cita os conhecidos elos e aproximações da família Bolsonaro com esses grupos armados que atuam em bairros e favelas da cidade, principalmente na vasta zona oeste.
Sobretudo a ligação de Flávio e de seu ex-assessor Queiroz, vinculado a Rio das Pedras —onde o atual senador teve mais de 70% dos votos nas últimas eleições.

“Existe toda uma estrutura de apoio de Bolsonaro. Crivella está tentando reproduzir um modelo vitorioso de 2018 e que não foi desmontado, permanece forte”, explica o pesquisador. 
Trata-se de uma máquina eleitoral que, além do alegado apoio das milícias, conta com toda a influência de instituições evangélicas. Uma dobradinha que pode tornar a candidatura de Crivella, que começa a disputa com apenas 12% das intenções de voto, competitiva. 
Foi o que aconteceu com o atual governador do Estado, Wilson Witzel. O ex-juiz era desconhecido, mas colou seu nome ao de Flávio Bolsonaro, prometeu atirar “na cabecinha” de bandidos e decolou —um fenômeno que não aconteceu apenas no Rio em 2018, diga-se de passagem.

“Na zona oeste do Rio e em várias favelas dominadas por milícias, esse jogo vai ser decisivo. A máquina eleitoral bolsonarista está em pleno funcionamento. Essa coisa de a economia e os mercados não pararem durante a pandemia é grana para a milícia”, afirma Souza. Ele ainda explica que a milícia atua “intimidando eleitores, impondo candidatos e controlando urnas”, ao mesmo tempo em que coíbe outros candidatos de fazer campanha em suas áreas. “A aproximação é uma jogada. 
Bolsonaro pode dizer que não vai apoiar ninguém, mas há setores no Rio ligados a ele que estão em expansão”.
O pesquisador acredita que, a longo prazo, tanto Bolsonaro como Crivella desejam ganhar capilaridade eleitoral para as eleições de 2022. Mas a tarefa é menos simples do que parece. De acordo com a cientista política Camila Rocha, pesquisadora do CEBRAP que estuda o eleitorado bolsonarista e conservador, existe uma decepção entre aqueles que apostaram no atual presidente nas últimas eleições. Ela cita uma pesquisa qualitativa feita em conjunto com a socióloga Esther Solano que entrevistou por até três horas 27 eleitores de Bolsonaro que pertencem às classes populares.
“Dentro do segmento evangélico que Crivella representa, existe uma decepção bastante importante com a postura de Jair Bolsoanaro na pandemia, sobretudo entre as mulheres. São pessoas que o elegeram pensando que ele seria o candidato que protegeria a família e os bons costumes, e que estão chocadas com sua postura”, explica Rocha sobre os resultados do estudo. Apesar de as entrevistas terem sido feitas em São Paulo, ela acredita que a conclusão da pesquisa poderia facilmente ser replicada para o Rio de Janeiro. Ela ainda pondera que as outras candidaturas serão importantes para definir a força eleitoral de uma candidatura apoiada por Bolsonaro. “As pessoas se dizem decepcionadas, mas ao mesmo tempo afirmam que votariam nele de novo por falta de opção”. Ela explica que esses eleitores decepcionados e pouco entusiasmados, mas que ainda assim votariam Bolsonaro, estão entre os 30% que ainda apoiam o presidente, segundo as pesquisas de opinião.
O jogo no Rio segue embaralhado. Em primeiro lugar nas primeiras pesquisas está o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM). Marcelo Freixo (PSOL) aparecia em segundo lugar, mas o atual deputado federal abriu mão de sua candidatura. O partido deve lançar agora a deputada estadual Renata Souza. 
Benedita da Silva deve concorrer pelo PT, enquanto que a ex-delegada Marta Rocha disputará a partir de uma aliança entre seu partido, o PDT, com o PSB e a Rede. Correndo por fora ainda está o bolsonarista Rodrigo Amorim, deputado estadual PSL —e um dos que quebrou a placa de Marielle Franco durante a campanha de 2018—, que promete lançar candidatura.

Um antigo assessor de Crivella ressalta que em todas as disputas para cargos no executivo o bispo licenciado partia dos 20% dos votos. Agora ele começa com cerca de metade. Desde que assumiu, vem responsabilizando a antiga gestão Paes pela falta de recursos financeiros para executar seu programa eleitoral. 
Para se viabilizar no poder e, inclusive, evitar um impeachment, foi entregando cargos para os partidos da Câmara dos Vereadores. O prefeito que se elegeu prometendo cuidar das pessoas apela, agora, para a família Bolsonaro para tentar sobreviver. E a família presidencial, que surfou a onda da antipolítica, se associa cada vez mais aos políticos tradicionais para manter a chama do bolsonarismo acesa.

Arte de J. CAMELO


Pazuello recebe defensores de aplicação retal de ozônio para tratar covid-19, nas folhas

Comentario jocoso--tinha que ser do RS ?? Querem o quê, so RINDO!  Pra nao chorar.....
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O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, recebeu na última segunda-feira, 3, defensores do uso do ozônio como forma de tratamento para o novo coronavírus.ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuelloministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello

O deputado Giovani Cherini (PL-RS) participou do encontro e apresentou o projeto de tratamento da Ozonioterapia em pacientes com covid-19. A prática ganhou notoriedade após o prefeito de Itajaí (SC), Volnei Morastoni, defender a aplicação de ozônio, pelo ânus, em pessoas que tiveram diagnóstico do novo coronavírus. 

Segundo Cherini, hospitais do Rio Grande do Sul já estão implantando a 'Ozonioterapia' como opção de tratamento. "Um deles é o Hospital Vila Nova, de Porto Alegre", afirma.
 
O grupo foi liderado pela médica Maria Emília Gadelha Serra. Nas redes sociais, ela comemorou: "Ozonioterapia na Saúde!", em foto ao lado de Pazuello. 
Participaram da reunião o assessor parlamentar da pasta, Gustavo Machado Pires, e o diretor do Deges (Departamento de Gestão da Educação na Saúde), Vinícius Nunes Azevedo. 
Também estiveram com o ministro os deputados Osmar Terra (MDB-RS) e Darsísio Perondi, além de Airton Antônio Soligo, conhecido como Airton Cascavel, assessor especial do ministro. 

Médicos também analisam com preocupação a aplicação retal de ozônio como tratamento para pacientes com covid-19. "Esta medida não tem nenhuma evidência científica. Até o momento, não temos nenhum medicamento comprovadamente eficaz e seguro nem para a prevenção nem para o tratamento da doença", afirma Leonardo Weissmann, consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia)
Segundo o infectologista, ações preventivas continuam sendo fundamentais para reduzir o número de casos.
"Medidas de distanciamento de 1,5 a 2 metros entre as pessoas, o uso de máscaras de proteção facial por todos, além de lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou usar o álcool gel a 70%". 
"Se alguém sugere algum tratamento fora do usual, precisa ter justificativa técnica que explique o tratamento. Os experimentos com ozônio não tem nenhuma base científica ou lógica que consigam explicar sua ação no coronavírus", avalia Lauro Ferreira Pinto Neto, infectologista da SBI e professor da Santa Casa de Vitória. 
Em nota, o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) afirmou que médicos estão proibidos de prescrever ozonioterapia dentro de consultórios e hospitais por força de uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM 2181/2018)
"A exceção pode acontecer em caso de participação dos pacientes em estudos de caráter experimental, com base em protocolos clínicos e critérios definidos pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa", indicou o órgão em nota.

Quem tem poder político e econômico no Brasil não paga imposto, diz Guedes, por Fábio Pupo Danielle Brant

Comentario atonito--descobriu a polvora!!!
Os UNICOS A PAGAR TODOS OS IMPOSTOS SAO OS TRABALHADORES. Descontados em folha ou indexados aos produtos comercializados, nao escapam! Ainda assim, duplamente penalizados, pois os "arrecadadores" em muitos casos, nao repassam os Impostos assim recolhidos.
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Ministro afirma que sistema atual é ruim e que deduções ultrapassam R$ 300 bi 
 
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (5) que grupos com poder político e econômico conseguem criar estratégias para recolher menos impostos, por meio de desonerações previstas na lei ou simplesmente por contestações às cobranças. "Temos um regime tão ruim que tem [mais de] R$ 300 bilhões em desoneração [ao ano]. Ou seja, quem tem poder político consegue desoneração", disse. "E [há] outros R$ 3,5 trilhões de contencioso. Quem tem poder econômico simplesmente não paga e entra na Justiça", afirmou. 
Na visão do ministro, isso deve ser corrigido. "É um sistema perverso, regressivo, ineficiente, é literalmente um manicômio tributário", disse o ministro. 
A primeira parte da proposta do governo, já enviado ao Congresso (que funde PIS e Cofins na nova CBS), elimina diferentes regimes especiais de desoneração, mas grupos privados querem mantê-los e o governo passou a estudar alternativas para manter certos benefícios, como no setor de óleo e gás. 
Durante a reunião da comissão mista, Guedes foi cobrado pelo relator da reforma, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e por outros parlamentares sobre o envio da proposta completa do governo para as mudanças no sistema tributário. Aguinaldo Ribeiro voltou a defender uma reforma mais ampla e que inclua estados, e sugeriu que o governo envie a proposta inteira de reforma. O deputado usou uma metáfora musical para defender que a equipe econômica encaminhe um único texto com todas as alterações que quer fazer no sistema. “Se a gente pensar como sinfonia, e o ministro aqui falou em movimentos, primeiro movimento, segundo movimento, terceiro movimento...eu queria sugerir que, como vamos ter pouco tempo para a apresentação dessa sinfonia, nós pudéssemos avançar na discussão e que tivemos uma única apresentação dessa sinfonia como um todo, juntando todos esses movimentos, para fazer um debate mais amplo”, afirmou.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Arte de CAU GOMEZ


Arte de BETO

Luiz Eduardo Soares: “Recriar o SNI da ditadura deixou de ser o sonho de Bolsonaro para se tornar um pesadelo da sociedade”, por AFONSO BENITES

Antropólogo alvo de dossiê feito pelo Ministério da Justiça diz que monitoramento "é apenas mais um elo na corrente que nos arrasta para o abismo"
O antropólogo Luiz Eduardo Soares, um dos alvos de um dossiê clandestino do Ministério da Justiça do Governo Jair Bolsonaro.ACERVO PESSOAL

Um dos 579 alvos de um dossiê elaborado pelo Ministério da Justiça a partir do monitoramento secreto de um grupo descrito como “militantes antifascistas”, o renomado antropólogo brasileiro Luiz Eduardo Soares afirma que, com ações do tipo, o presidente Jair Bolsonaro “recria” um dos braços da polícia política brasileira durante a ditadura militar, o Serviço Nacional de Informações (SNI). 
A recriação do velho SNI deixou de ser o sonho de Bolsonaro para se tornar o pesadelo da sociedade brasileira”, declarou ao EL PAÍS. O dossiê, revelado pelo portal UOL, foi elaborado pela Secretaria de Operações Integradas (Seopi) da pasta e acendeu os alarmes dos que temem o uso de aparato do Estado para a vigilância ou investigação de opositores políticos do Planalto.

“A investigação clandestina contra cidadãos contrários ao fascismo é apenas mais um elo na corrente que nos arrasta para o abismo”, diz Soares, para quem as ameaças à democracia têm sido cometidas pelo Governo Bolsonaro rotineiramente. “A infiltração do fascismo se dá por toda parte, corroendo os pilares da democracia.”

O antropólogo, que foi secretário nacional de Segurança Pública durante o início do Governo Lula da Silva (PT) e é um dos fundadores do partido Rede Sustentabilidade —do qual se desfiliou, diz que já adotou os trâmites judiciais para questionar o Planalto sobre a investigação informal, conduzida pela Seopi, uma das cinco secretarias subordinadas ao ministro da Justiça, André Mendonça. As atividades não têm acompanhamento judicial.

Além de Soares, também foram monitorados os professores universitários Paulo Sérgio Pinheiro (relator da ONU e ex-secretário Nacional de Direitos Humanos), Ricardo Balestreri (secretário de Segurança Pública no Pará) e Alex Agra Ramos, que leciona na Bahia. 
Entre os policiais monitorados, estão os que participam do movimento auto-denominado Policiais Antifascismo. Por causa das revelações, partidos de oposição ao Governo Bolsonaro também recorreram ao Judiciário para questionar as atividades. Também apresentaram requerimentos de convocação do ministro da Justiça para que ele explicasse o caso no Congresso Nacional. 

Em notas emitidas desde que o caso veio à tona, no dia 24 de julho, o ministério não negou a existência do dossiê. Disse que a atividade da Seopi integra o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) e que as “ações especializadas” desenvolvidas pelo órgão tem o objetivo de “subsidiar decisões que visem ações de prevenção, neutralização e repressão de atos criminosos de qualquer natureza que atentem contra a ordem pública, a incolumidade das pessoas e o patrimônio”. 
Não detalhou, contudo, quais são os supostos atos criminosos cometidos por esse grupo. Neste domingo, em entrevista, o ministro André Mendonça foi questionado sobre o tema e disse que não poderia confirmar nem negar a existência do dossiê. “A lei prevê que relatórios, dados e informações de inteligência sejam divulgados de forma distinta. Não posso confirmar, nem negar, a existência de um relatório de inteligência”, disse o ministro, que afirmou ainda ter ordenado uma sindicância para apurar “eventuais faltas ou fatos na produção de qualquer relatório”.

Leia a seguir, a entrevista por Luiz Eduardo Soares, por email. O antropólogo é autor de dezenas de livros, entre eles Elite da Tropa, que deu origem ao filme Tropa de Elite, e Desmilitarizar - direitos humanos e segurança pública, lançado em 2019.

P. Como recebeu a notícia de que o senhor e outras centenas de pessoas estavam sendo monitoradas por uma secretaria do Ministério da Justiça?
R. Recebi com perplexidade e revolta, embora nada mais devesse nos surpreender, vindo do atual Governo. A recriação do velho SNI deixou de ser o sonho de Bolsonaro para se tornar o pesadelo da sociedade brasileira.

P. O senhor suspeitava que vinha sendo monitorado? Se sim, em que momento desconfiou que isso passou a acontecer? Por que acha que é um dos alvos?
R. Não suspeitava, mas a suspeita não mudaria meu comportamento. Como os alvos são políticos, qualquer adversário do Governo corre o risco de ser tratado como inimigo do Estado. Talvez haja interesse especial em me atingir porque dialogo com policiais e escrevo sobre segurança pública, terreno prioritário para o bolsonarismo, como sabemos. 
Ajudei a elaborar a PEC-51, principal bandeira dos policiais antifascismo, e publiquei, ano passado, o livro Desmilitarizar; direitos humanos e segurança pública, em que defendo a legalização das drogas e analiso criticamente as milícias, a violência policial e a política armamentista do presidente.

P. O presidente disse em algumas ocasiões que antifascistas são terroristas. Primeiro, o senhor é antifascista? Considera esse grupo terrorista?
Alguém conhece algum país do mundo em que a maioria seja terrorista?
R. Segundo recente pesquisa Datafolha, a maioria da população brasileira defende a democracia. Como quem defende a democracia, por definição, não pode ser a favor do fascismo, podemos afirmar que a maioria é contra o fascismo. Alguém conhece algum país do mundo em que a maioria seja terrorista? Isso faz algum sentido?

P. Em sua avaliação, esse monitoramento de cidadãos comuns é um crime? Qual é a gravidade do caso? Acha que ele seria mais grave do que qualquer outra investigação que corre contra o Governo ou seus militantes, como o inquérito das fake news e dos atos antidemocráticos ou a apuração sobre a interferência do presidente na Polícia Federal?
R. A abertura de um inquérito é procedimento previsto, legalmente, supervisionado pelo Ministério Público, o qual, considerando-o suficientemente instruído, tem a prerrogativa de converter a acusação em denúncia, instaurando um processo judicial. Nada disso aconteceu. 
Não há inquérito policial aberto, não há acusação formal, não há crime, o Ministério Público não teve qualquer participação, menos ainda o Judiciário. Trata-se de operação clandestina, absolutamente extemporânea, conduzida à margem da Lei e do Estado de Direito.

P. O senhor pretende adotar alguma medida judicial?
R. Já está em curso.

P. Há analistas que entendem que o Governo reduziu o poder das instituições de controle, como PF e Ministério Público. Como avalia a atuação da gestão Bolsonaro nesta área? Por que o presidente está enfraquecendo essas organizações?
R. O Governo Bolsonaro é um desastre, não só na segurança pública. Pelo que fez, pelo que deixou de fazer e pelas sinalizações, às quais se pode atribuir, por exemplo, o aumento da brutalidade policial letal, no Rio, em São Paulo, no país afora. A flexibilização do acesso às armas bastaria para demonstrar a magnitude do retrocesso. Quanto a reduzir o poder das instituições de controle, não creio que se possa afirmá-lo, uma vez que a Polícia Federal e o Ministério Público são instituições independentes, a despeito das pressões. Claro que as pressões provocam efeitos negativos, sobretudo em se considerando que os conflitos internos são permanentes. A infiltração do fascismo se dá por toda parte, corroendo os pilares da democracia.

P. Levantamento recente do TCU mostra que há ao menos 6.000 militares em cargos de confiança na gestão federal. Qual é o impacto dessa militarização do Executivo?
R. Esse tipo de aparelhamento faz tão mal à sociedade quanto às próprias Forças Armadas, que recuperaram imagem positiva ao longo de todo o período democrático, mantendo-se distante das disputas políticas e respeitando a Constituição. O risco de que a imagem das Forças Armadas se confunda com o Governo é gigantesco, porque a história julgará com severidade os crimes contra a humanidade acumulados pela gestão federal.

P. Acredita que a democracia está em risco? Por que?
R. Não se trata de acreditar ou não. As ameaças têm sido feitas à luz do dia, em praça pública, nas redes sociais, em atos e omissões governamentais. A investigação clandestina contra cidadãos contrários ao fascismo é apenas mais um elo na corrente que nos arrasta para o abismo.

Cármen Lúcia dá 48 horas para André Mendonça explicar dossiê contra servidores, por Agência Brasil

MINISTRA CARMEN LUCIA--Agência Brasil

A ministra Cármem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu o prazo de 48 horas para que o Ministério da Justiça preste informações sobre o dossiê que investiga e cataloga os servidores opositores do governo, identificados como “antifascistas”.

Em julho, a Rede Sustentabilidade acionou o STF para abrir inquérito sobre o ministro da Justiça e suspender a coleta de informações dos servidores.

Na decisão, a ministra diz que, se o conteúdo da denúncia for verdadeiro, o quadro "escancara comportamento incompatível com os mais basilares princípios democráticos do Estado de Direito e que põem em risco a rigorosa e intransponível observância dos preceitos fundamentais da Constituição".

A ministra entende ainda que "são necessárias informações do órgão estatal indicado, para melhor esclarecimento do quadro apresentado no questionamento judicial formulado".

Arte de AMARILDO

Nesta segunda-feira (3), André Mendonça dispensou Gilson Libório Mendes, chefe da Diretoria de Inteligência da Seopi.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Arte de AROEIRA


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Arte de MARIANO

Água morta': cientistas revelam mistério de um século, por BBC News

 O Fram, navio do aventureiro norueguês Fridtjof Nansen, foi pego em 'água morta' nas águas do Ártico em 1893-Getty Images
 
Em 1893, o explorador norueguês Fridtjof Nansen iniciou uma expedição ao Polo Norte que lhe daria fama mundial por quebrar um recorde de latitude na região. 
Essa jornada também o tornaria a primeira pessoa a observar um fenômeno estranho que intrigou os oceanógrafos por mais de um século: a água morta. 
Enquanto navegava pelas águas árticas do norte da Sibéria, Nansen notou que seu navio, chamado Fram, de repente começou a parar, embora seus motores estivessem funcionando a todo vapor. O aventureiro descreveria a anomalia como uma "força misteriosa" que estava retendo seu barco, fazendo com que ele mal conseguisse manobrar a embarcação. "Fizemos loops em nosso curso, às vezes andamos por aí, tentamos todos os tipos de estratégias para evitá-lo, mas com muito pouco sucesso", contou ele, mais tarde. Nansen se tornou o primeiro a observar esse fenômeno, que ele deu o nome de "água morta". 
Onze anos depois, em 1904, o físico e oceanógrafo sueco Vagn Walfrid Ekman conseguiu identificar o que causou essa anomalia. Ekman demonstrou em um laboratório que as ondas formadas nesta parte do Oceano Ártico abaixo da superfície, entre camadas de sal e água doce — e que têm densidades diferentes —, interagiam com o navio, gerando resistência. 

Ele atribuiu o fenômeno ao derretimento das geleiras, formando uma camada de água fresca sobre o mar, mais salgada e densa. No entanto, em seus testes de laboratório, Ekman viu que as ondas de arrasto geravam oscilações na velocidade do navio. O movimento era diferente das observações de Nansen, cujo navio parava a uma velocidade constante e baixa — o que era anormal. 
Até agora, ninguém foi capaz de explicar essas diferenças, nem entender exatamente como o efeito da água morta funciona. Mas uma equipe interdisciplinar do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), principal instituição de pesquisa da França e da Universidade de Poitiers, acredita que descobriu como responder aos dois mistérios.
O grupo de físicos, especialistas em mecânica dos fluidos e matemáticos franceses usou uma classificação matemática de diferentes ondas e uma análise de imagens experimentais em escala sub-pixel para estudar o fenômeno. 
No Ártico, camadas de diferentes salinidades são misturadas na água Imagem: Getty Images 

Em um artigo publicado na revista científica PNAS, no início de julho, eles concluíram que as variações de velocidade descritas por Ekman ocorrem por causa da geração de ondas que agem como uma espécie de "esteira". 
Essa "esteira" faz com que os barcos se movam para frente e para trás. Os cientistas também conseguiram unificar as observações de Ekman com as de Nansen, alegando que o efeito oscilante é apenas temporário. 
Eventualmente "o navio acaba escapando e atinge a velocidade constante que Nansen descreveu", diz o estudo. Os especialistas destacaram que o fenômeno ocorre não apenas em locais com geleiras, mas em todos os mares e oceanos onde águas de diferentes densidades se misturam. "O fenômeno também é encontrado nos lagos frios das montanhas no verão, porque há estratificação de temperatura e, portanto, existe o risco de os nadadores se afogarem", disse o coautor do estudo, Germain Rousseaux, em entrevista ao jornal espanhol ABC. 
A água morta prende o navio e o move para frente e para trás, como uma esteira de malas no aeroporto Imagem: Getty Images 

Rousseaux acrescentou que o fenômeno também ocorre na foz de rios como o Orinoco, na América do Sul, devido ao fluxo de rios com sedimentos na água salgada do mar. 

Cleópatra
Curiosamente, este estudo foi realizado não para desvendar o que aconteceu com Nansen mais de um século atrás, mas para descobrir um mistério muito mais antigo. 
A pesquisa faz parte de um grande projeto que investiga por que, durante a Batalha de Accio ou Actium (no ano 31 aC), na Grécia antiga, os grandes navios de Cleópatra e Marco Antonio perderam uma batalha para embarcações mais fracas do imperador romano Augusto. 
A Baía de Accio, que tem todas as características de um fiorde, aprisionou a frota da rainha do Egito em águas mortas? 

Isso foi realmente o que os cientistas franceses se perguntaram. "Agora, temos outra hipótese para explicar essa derrota retumbante, que nos tempos antigos era atribuída a rêmoras, pequenos peixes que teriam ficado presos ao casco, segundo a lenda"

Exclusivo: detalhes inéditos da investigação do Facebook que derrubou perfis bolsonaristas, por Murilo Salviano, Diego Zanchetta, Alan Graça Ferreira e Nancy Dutra.

Por trás desses perfis estavam assessores pagos com dinheiro público. 
Eles são acusados de manipular o debate público na internet, usando fake news, desinformação e ataques a adversários do presidente.


Facebook derrubou perfis bolsonaristas

Exclusivo: o Fantástico traz detalhes inéditos da investigação do Facebook que levou, no começo de julho, à derrubada de páginas em redes sociais ligadas ao presidente Jair Bolsonaro e a políticos do PSL.
Por trás desses perfis, estavam assessores, pagos com dinheiro público. Eles estão sendo acusados de manipular o debate público na internet, usando fake news, desinformação e ataques a adversários do presidente.
O anúncio do Facebook da remoção de um conjunto de contas e páginas brasileiras devido ao chamado comportamento inautêntico coordenado foi no dia 8 de julho. Segundo a plataforma, era um esquema com dezenas de perfis, que escondiam a verdadeira identidade dos criadores. Essas contas acumulavam cerca de 2 milhões de seguidores no Facebook e no Instagram - rede social que também pertence à empresa.
O Fantástico teve acesso exclusivo às principais páginas derrubadas pelo Facebook, e nossa equipe analisou as postagens em detalhes, mostrando o mecanismo dessa rede e revelações sobre o perfil dos integrantes.
Um deles é assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, que trabalha dentro do Palácio do Planalto: Tércio Tomaz recebe um salário de mais de R$ 13 mil. Além de uma conta pessoal, Tércio mantinha outras duas, anônimas, chamadas Bolsonaro News.

A investigação também apontou que a rede de contas falsas era operada por dois assessores ligados ao deputado federal Eduardo Bolsonaro. Um deles é Eduardo Guimarães, que já tinha sido descoberto na CPI das Fake News por ter usado um computador da Câmara dos Deputados para criar a conta de ataques virtuais "Bolsofeios"; o outro assessor é Paulo Eduardo Lopes, ou Paulo Chuchu, como ele se apresenta - ele teve seis contas derrubadas: quatro se passavam por redações jornalísticas, como The Brazilian Post, The Brazilian Post ABC e Notícias São Bernardo do Campo, segundo o Facebook.

Outro assessor que mantinha pelo menos oito páginas inautênticas era Leonardo Rodrigues de Barros. Ele trabalhava pra deputada estadual Alana Passos, do PSL do Rio, e recebia um salário de mais de R$ 6 mil. O presidente chegou a gravar um vídeo para uma dessas páginas.

Postagens feitas por Leonardo eram compartilhadas pela noiva, Vanessa Navarro, assessora do deputado estadual Anderson Moraes, do PSL. Pelo menos sete páginas ligadas a Vanessa foram derrubadas - os nomes eram parecidos, com pequenas variações, apesar de pertencerem à mesma pessoa, uma prova, segundo o Facebook, do comportamento enganoso.

A investigação também aponta que funcionários ligados ao senador Flávio Bolsonaro, do Republicanos, participaram do esquema, mas não traz detalhes.
O histórico de postagens a que tivemos acesso exclusivo são peças fundamentais pra entender como as redes sociais foram operadas na eleição de 2018.
Detalhes dessa investigação sobre a rede brasileira vão ser encaminhados à Polícia Federal. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, nos inquéritos que apuram a disseminação de fake news e o financiamento de atos antidemocráticos.
Nós procuramos o presidente Jair Bolsonaro e os filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PSL, e o senador Flávio Bolsonaro, mas eles não responderam.
O assessor do Planato Tércio Tomaz também não quis falar.

A defesa de Paulo Eduardo Lopes afirmou que ele "jamais administrou qualquer página de conteúdo jornalístico" e que "o Facebook se equivocou ao banir as páginas de Paulo Chuchu de suas plataformas".

O advogado de Leonardo Rodrigues de Barros Neto disse que "não há qualquer fundamento" nas investigações que apontam seu cliente como dono de "perfis inautênticos", "já que sua identidade é conhecida". Mas a defesa não esclareceu por quê Leonardo mantinha um site, que omitia sua autoria e se apresentava como jornalístico.

A deputada Alana Passos, do PSL do Rio, disse que "não responde por aquilo que servidores publicam em suas redes sociais pessoais" e que Leonardo pediu exoneração em abril.

A defesa da assessora Vanessa Navarro classificou a exclusão da conta como "atentado à liberdade de expressão". O deputado estadual Anderson Moraes, também do PSL do Rio, afirmou que a derrubada das páginas de Vanessa configura censura prévia.